A BIOGRAFIA HUMANA: 4º setênio – 21 a 28 anos


O QUARTO SETÊNIO – 21 aos 28 anos

Dra Gudrun Burkhard


Cada ser humano traz aptidões ou “talentos”, sentindo intensamente dentro de si a necessidade de colocá-los no mundo. Um dos impulsos de desenvolvimento que trazemos em nós é colocar os talentos trazidos à disposição dos outros seres humanos. 


21 a 28 ANOS – A FASE DA ALMA EMOTIVA OU SENSITIVA

Começa agora a fase dos 21 aos 42 anos, a grande fase do amadurecimento psicológico e anímico do ser humano. É a fase de luta, segundo a colocação dos chineses, ou a fase expansiva. O que significa esta luta? É a conquista de uma posição na vida, o encontro do local de trabalho adequado a descoberta do(a) parceiro(a) e a formação de uma família. É também o trabalho interno sobre tudo aquilo que recebemos mais ou menos passivamente nas fases anteriores. É como se recebêssemos uma mochila para carregar nas costas, que foi preenchida nos anos anteriores. Dentro dela estão presentes bons e não tão bons. Agora então começamos a andar, vida afora, usando os presentes da mochila, selecionando os, jogando fora alguns, lapidando outros. Agora o grande mestre dessa fase vai ser a vida, através da qual vamos amadurecendo psicologicamente. A pergunta básica desta fase: “Qual minha vivência deste mundo?”.

A fase dos 21 aos 28 anos é denominada de “emotiva” porque nossa vida anímica nessa época é cheia de altos e baixos; existe uma grande labilidade emocional, ora se está no céu, quando se recebe um elogio deum chefe ou da esposa ou esposo, ora “na fossa”, se algo desagradou.

A maioria das pessoas inicia a sua carreira nessa fase. Também de certa forma, a mãe de família “Inicia uma carreira”. Existe aí uma grande criatividade; muitos experimentam e mudam seu local de trabalho e até mesmo a profissão, até encontrarem o local adequado. A insegurança interna, por falta de experiência, é compensada por seguranças externas: por exemplo, status, automóvel, telefones na mesa, um bom salário, aparências.

É a época em que ainda temos o direito de gozar de todas as regalias da civilização moderna: viagens, experiências as mais variadas, e assim como muitas vezes há trocas de empregos freqüentes nesta fase, há necessidade de troca de parceira ou parceiro, até que através dos outros gradativamente encontramos a nós mesmos, e estamos maduros para a escolha da parceira ou parceiro verdadeiro, capaz de trilhar conosco avida. É uma fase paralela à de O a 7 anos, de experimentação, mas agora a nível de vida, a nível anímico (e não corporal como de O a 7 anos). Estamos “abertos” novamente e lá fora, na periferia do nosso ser, as nossas capacidades ainda são ilimitadas, tudo é possível. É uma fase de grande criatividade, de grande satisfação de viver e de testar tudo o que foi aprendido especialmente na fase anterior.

O desafio para o desenvolvimento nessa fase é desenvolver o equilíbrio entre os altos e baixos, adquirir uma gradativa segurança interna, principalmente graças à avaliação sistemática do nosso trabalho, independente do meio. Sermos abertos e não preconceituosos. Desenvolvermos empatia perante os fenômenos; exercícios de percepção de uma maneira goetheanística podem ajudar a chegar a esta empatia.

Ao nível do relacionamento, cada qual tem que desenvolver o seu estilo de vida, adaptação mutua, respeito e amor à individualidade do outro, não querer moldá-lo à sua própria maneira. Isto exige uma constante adaptação e trabalho em si mesmo.

O perigo dessa fase é de se adaptar demais, tornando-se uma “vaca de presépio”, ou tomar atitudes apreensivas, críticas constantes. a perigo principal é perder-se totalmente no externo, nos prazeres da civilização, ou iludir-se com uma experimentação mais acentuada, como a droga. Uma interiorização necessária na fase seguinte será extremamente dificultada por esse processo.

A CRISE  DOS  TALENTOS  DOS  28  ANOS

Cada ser humano traz aptidões ou “talentos”, sentindo intensamente dentro de si a necessidade de colocá-los no mundo. Um dos impulsos de desenvolvimento que trazemos em nós é colocar os talentos trazidos à disposição dos outros seres humanos. Mas viver e colocá-los à disposição dos outros representa apenas colocar algo que nos foi dado no passado à disposição dos outros; não representa, ainda, desenvolvimento para o futuro, mas apenas “viver do passado”. Em torno dos 28 anos, este viver do passado, por assim dizer, chega a um fim, e agora as aptidões têm que ser reconquistadas e trabalhadas. Um gênio é 90% transpiração e 10% inspiração – disse Einstein; isto vale especialmente dos 28 anos em diante; até lá somos transportados pelas asas da “genialidade” que depois dessa fase para muitos murcha ou atrofia totalmente. A dificuldade agora é que temos que trabalhar de dentro para fora, com dificuldade e constante esforço; para muitos, esta idade é vivenciada como crise, que muitas vezes até se manifesta como doença física ou psíquica; para outros o desenvolvimento psíquico pára nesta idade.

Dra Gudrun Burkhard


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