A BIOGRAFIA HUMANA: 9º setênio – 56 aos 63 anos


O NONO SETÊNIO – 56 aos 63 anos

Dra Gudrun Burkhard


Ao olharmos para trás, como foi nossa vida, o que alcançamos e o que deixamos de alcançar, podemos ter o encontro da realidade espiritual verdadeira, daí a denominação de “fase mística”.


A FASE DA ALMA INTUITIVA OU FASE MÍSTICA

Esta fase que precede a aposentadoria, ou na qual ela se inicia, é uma fase bastante mística, muitas vezes com problemas de saúde e de difícil aceitação psíquica. É a pré-senilidade, as folhas do outono caíram, começa o “inverno”. É a fase onde reavaliamos nossos valores, olhamos para trás, como foi nossa vida, o que alcançamos e o que deixamos de alcançar. “O que vamos levar de tudo isso para além da morte?” “Quanto tempo perdi!” “Não há mais tempo…” são expressões comuns ou então “só espero me aposentar para…”.

Nessa época podemos ter o encontro da realidade espiritual verdadeira, daí a denominação de “fase mística”. A pessoa pode se tornar um verdadeiro “guru”. Não é à toa que os papas, mas também dirigentes de países ou regentes de orquestra tem idades avançadas, aproveitando o novo “órgão perceptivo” que só a fase da “sabedoria” se permite desenvolver.

Novamente encontramo-nos isolados, dentro de nós mesmos, e olhamos criticamente ao nosso redor, ou de nós emana a verdadeira luz que agora foi interiorizada. É a fase da abnegação (se no primeiro setênio conseguimos desenvolver a confiança básica). Porém, podemos ter nos tornado pessoas amarguradas e cheias de rancores.

Questões como estas se levantam: “Será que vamos morrer sadios, ou ainda teremos que aprender a conviver com a doença? ”

A percepção externa diminui, mas a vida interna pode aumentar incrivelmente – daí a possibilidade de desenvolvimento artístico. O artista não se aposenta! Podemos escrever nossa biografia, avaliar perdas e ganhos e descobrir o que falta ser desenvolvido. “Qualquer momento da vida é tempo de começar algo” e de trabalharmos sobre algo que a vida nos deu oportunidade para desenvolver anteriormente.

No relacionamento, muitas vezes palavras não são mais necessárias; mas sentar-se juntos em silencio para ver o pôr-do-sol expressa a harmonia em que os dois se encontram. Se esta harmonia não foi encontrada, o casal se irrita constantemente com os costumes do outro (por exemplo, a maneira de assoar o nariz, de roncar, de comer) e a vida dos dois pode se tornar um inferno.

AS FASES FINAIS

Depois de ter completado os ciclos planetários, pode-se dizer que a entidade humana se liberta dessas influencias, elas passam a não influenciar mais, nem de forma positiva, nem de forma negativa. Para muitos, isto significa a morte em torno dos 63 anos; para outros começa uma fase bastante produtiva.

Seria a fase da senilidade. Muitos que talvez na fase anterior, entre 56 e 63 anos, já estavam doentios ou mesmo doentes, agora podem se tornar sãos novamente. Naturalmente isso depende de como foi a infância, pois esta fase está intimamente ligada à infância, e muitos idosos não vivem o presente ou o ontem, mas épocas bem anteriores, da infância e da juventude. Uma certa morosidade de pensamento e ações é natural, a inflexibilidade para com mudanças e costumes, a importância das refeições regulares e o prazer com as mesmas, são aspectos que devem ser considerados. Igualmente importante é uma garantia de sobrevivência financeira (para se poder ter a devida serenidade). Muitos velhos cultivam flores e o seu jardim passa a ser novamente importante; ou então confeccionam brinquedos para netos e netas. Ser avo ou avó pode ser um aspecto importante para a velhice. E quais são os netos que não gostam de escutar contos de fada, que vovô ou vovó sabem contar tão bem?

Pouco a pouco as portas para o mundo, os órgãos dos sentidos, vão se fechando, e a vida interior dos velhos é a parte mais importante. Quanto mais rica for, melhor eles se sentirão. Se ficarem voltados apenas para o materialismo, a mesquinhez em relação às suas posses pode se tornar excessiva. Gradativamente, à medida que as forças físicas vão diminuindo, a luz interna pode crescer – a luz externa da criança se interiorizou totalmente no decorrer da vida e o velho começa a luzir de dentro, cumprindo a sua evolução de ser humano na nossa terra, e levando esta luz metamorfoseada para além morte, de volta ao cosmos. O medo da morte, que em muitos já existe desde a juventude, pode ser superado em grande parte pela consciência dos acontecimentos que ocorrem com a alma e o espírito após a morte. Na literatura antroposófica de Rudolf Steiner podem ser encontradas referencias a inúmeros desses aspectos.


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