A Degradação da Linguagem


The Advent of Ahriman – parte 5:

A DEGRADAÇÃO DA LINGUAGEM

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“Os pseudo-pensamentos pré fabricados: palavras e frases banais, além de generalizações prontas para formar imagens mentais de pessoas, coisas e eventos específicos que torna possível a falsificação de realidades.”


Segundo Steiner, é característico da cultura atual do cientificismo ahrimânico e do imperialismo econômico anglo-americano que a linguagem perdeu seu significado espiritual instintivo; isto é, a conexão é perdida entre a palavra literal e o impulso espiritual que constitui significado.

Sem conteúdo espiritual real, a linguagem consiste apenas em “frases vazias”, como por exemplo: guiada pela vontade do povo, mundo livre, liberdade individual e assim por diante. Essas frases são amplamente desprovidas de realidade em nossa estrutura sociopolítica; aqui a atualidade difusa é o poder do dinheiro sobre os homens e sobre a vida.
E onde a frase vazia governa a linguagem, meras convenções são criadas – em vez de viver o contato humano real – governam na vida social pela mera rotina – em vez de um interesse humano vívido, governam a vida econômica.

E: “É apenas um pequeno passo da frase vazia para a mentira.” Novamente, isso é especialmente verdadeiro na política e na economia, pois a prevalência de palavras vazias torna possível a falsificação de realidades – uma arma potente nas mãos daqueles com intenções ocultas e conscientes de manipular as pessoas para fins desonestos.

Em nosso tempo, as pessoas agem em massa como se fossem possuídas por forças malígnas, porque, de certa forma, estão. Os demônios do materialismo falam através de palavras vazias. Uma linguagem na qual os demônios do materialismo tomaram o lugar dos impulsos espirituais humanos pode levar apenas à destruição.

Certamente Steiner não foi o único a notar esse aspecto da linguagem moderna. George Orwell foi talvez o escritor mais importante a condenar essa tendência. Veja, por exemplo, seu clássico ensaio “Politics and the English Language”. Ele previu que a desumanização da linguagem se intensificaria deliberadamente no “jornal” do pesadelo ahrimânico: 1984.
Não tendo conhecimento aparente da ciência espiritual e trabalhando apenas com observação aguçada e amor à verdade, ele viu o que estava acontecendo no discurso político da Europa Ocidental e levado aos extremos nos regimes totalitários.

No nível sócio-político, o antídoto para esse veneno de palavras vazias é a libertação da vida cultural, especialmente a educação, do poder político e financeiro. Conforme descrito no conceito de Steiner da “tríplice comunidade” (Trimembração Social): a separação do estado dos direitos políticos, da esfera espiritual-cultural e do setor econômico – juntamente com a eliminação do egoísmo e coerção da economia.)

No nível individual-pessoal, o antídoto é a infusão do pensamento ativo e criativo na linguagem, criando assim uma linguagem na qual as palavras apontam para os pensamentos, evocando pensamentos vivos nos ouvintes. Se não nos esforçarmos para criar nossos pensamentos originais, os pseudo-pensamentos pré-fabricados, as palavras banais e as frases vêm automaticamente à mente e nos acompanham com elas, resultando em “pensar quase inteiramente sem pensamentos”.

Podemos pelo menos fazer um esforço para resistir a essas frases e generalizações prontas que vêm à mente sem esforço e para formar imagens mentais de pessoas, coisas e eventos específicos – e ainda mais, para criar formações de palavras originais que descrevam essas coisas e fotos de diferentes pontos de vista.

O ponto essencial é que não deixemos que a fala e a escrita sejam determinadas por influências inconscientes, mas chamamos, por meio de nossos próprios esforços, novas criações de pensamento originais e as transmitimos com formações originais, fluidas e artísticas.

Nem sempre teremos sucesso total; nem todos somos poetas o tempo todo; mas se conscientemente fizermos esse esforço, iremos muito longe na recuperação da espiritualidade humana perdida da linguagem e, consequentemente, na humanização da cultura.

(Falarei mais sobre esse assunto em outro contexto.) – E, não por acaso, progrediremos para viver conscientemente no pensamento-livre-de-palavras-literais que é a “linguagem” do mundo da alma espiritual em que viveremos após a morte.

“Os homens precisam aprender a ver através das palavras; terão que adquirir a capacidade de compreender o gesto na linguagem”. [Do sintoma à realidade na história moderna, pg 124]

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA

Pontos importantes a serem considerados:

Perceba este aspecto: “Em vez de um interesse humano vívido, governam a vida econômica.”

Perceba que toda a justificativa para ações que prejudicam as classes menos favorecidas são justificadas pelo âmbito econômico: precisamos do sacrifício de todos para reerguer a economia.

“É o poder do dinheiro sobre os homens e sobre a vida.”

Apenas um detalhe, aqueles que decidem sobre tais sacrifícios que o cidadão ou são poupados de tais medidas ou serão beneficiados diretamente.

Aqueles que têm um interesse vívido pelo outro ser humano são marginalizados por estes primeiros, como, por exemplo, podem perceber nesse declaração, com direito à camisa e foto, de nosso presidente: “Direitos Humanos: esterco da vagabundagem.”

Como tal declaração pode ter o apoio da comunidade?

Para época de Ahriman “é especialmente verdadeiro na política e na economia, a prevalência de palavras vazias torna possível a falsificação de realidades – uma arma potente nas mãos daqueles com intenções ocultas e conscientes de manipular as pessoas para fins desonestos.”

“Frases e generalizações prontas são incutidas na mente para formar imagens mentais de pessoas, coisas e eventos específicos para manipulação da realidade.” No caso do exemplo acima, para marginalização dos movimentos sociais.

Cria-se uma realidade totalmente falsa de que tais grupos de ativistas sociais, ativistas do meio ambiente e etc só tem interesse em se apoderar de recursos econômicos – quando em realidade é o oposto, tais difamadores do impulso humanista e altruísta é que querem o poder do dinheiro sobre os homens e sobre a vida.

Frases e generalizações prontas para manipulação da realidade: perceba que quaisquer questionamento a tais absurdos reverbera em frases como: “comunistas, esquerdista, petistas e etc…” sem qualquer argumentação ou com argumentações baseadas em hipóteses absurdas também incutidas na mente humana através de mentiras ou distorções da realidade – basta ver o volume de fake news que envenenaram a mente das pessoas no advento das redes sociais e sua utilização para tal fim.

O pensamento-de-palavras-literais sob interpretações manipuladas reverberam na consciência individual em várias esferas: política, religiosa e cultural.

Na política, qualquer um que questione ou se guie por outra direção quer implementar o comunismo assassino que toma os bens privados e a liberdade nos levando a miséria e uma ditadura… e para nos salvar eles tomam nossa liberdade e impõem (através do Estado e militarismo) tais condutas – agredindo e matando cidadãos, principalmente os menos favorecidos e marginalizados ou que têm menos funcionalidade para o “Estado” – no caso mínimo de direitos e máximo de deveres, pois quem sai da linha é marginalizado…

Na religião, estes que questionam ou não seguem nossa doutrina querem denegrir os valores “Cristãos” e da “Família” e doutrinar nossos filhos com valores “comunistas”, “pervertidos” ou “do demônio” e por isso devemos impor a doutrinação de nossos valores e aniquilar, proibir e perseguir quem não a acata – sempre manipulando a interpretação de tais valores e da Bíblia. Paz, amor ao próximo, respeito e compaixão se metamorfoseiam para seus interesses e julgam as outras religiões conforme lhes convém (não julgarás)…

Na cultura, perseguem a liberdade artística impondo uma censura contra aqueles que vão contra a direção ideológica imposta. Promovendo total controle da vida cultural social, sob justificativas de valores e organização social. A liberdade cultural traria o caos… o controle completo do pensar e da expressão humana.

Isso adentra todas as esferas do sociedade pois na “Época do Advento de Ahriman” ninguém está imune a tais coagulações de pensamento: o pensar quase inteiramente sem pensamentos, e das interpretações das palavras literais – No nível mental, ele inspira um pensamento rígido e automatizado.

Como exemplifiquei no texto anterior: Como discursar sobre a Bíblia e nas minhas ações e vivências seguir impulsos contrários aos seus ensinamentos. Na Antroposofia, a falta de conexão real com a experiência de vida, movimentos contrários aos Impulsos e Valores Crísticos, além de uma tendência ao desinteresse pelos semelhantes e generalização, unificação e hipótese na percepção do outro e do mundo.

Um exemplo clássico corrente aqui é o discurso: “Antroposofia e política não se misturam.” Sendo que qualquer mínimo impulso à reflexão percebe-se que tudo que é colocado por Steiner sobre este aspecto tem relação direta com o âmbito político e econômico, que estão diretamente relacionados ao âmbito social e é base para a Trimembração Social além de ter impacto direto com o futuro da humanidade.

Sobre a menção que o autor faz a George Orwell, vale citar:

“Os regimes autoritários têm grande preocupação com a linguagem. Não basta apenas calar a divergência: também é preciso submeter a língua a uma torção que inverta o sentido das palavras. George Orwell, no livro “1984”, foi ao ponto. Vocês se lembram qual era o lema do “Partido”? “Guerra é Paz; Liberdade é Escravidão; Ignorância é Força”.”

Esta é a degradação da linguagem no “Advento de Ahriman”. E é o que Steiner indicou para o atual período.

Leonardo Maia

CONTINUA PARTE 6 em breve: “A Ahrimanização da Cultura”

Link para a parte 1:

ESPÍRITO E ALMA

Link para a parte 2:

Seres espirituais e evolução terrena

Link para a parte 3:

SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN

Link para a parte 4:

AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS


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