A Febre e a Antroposofia

A FEBRE E A ANTROPOSOFIA

Entrevista com o Dr. Samir Rahme

Fonte: Revista Arte Médica, Ano III, No. 3, novembro de 2002, da Sociedade Brasileira de Médicos Antroposóficos (ABMA)

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“A febre, em princípio, é sempre boa. Ela tem um papel fundamental na dinâmica do nosso sistema imunológico, ativando a liberação de anticorpos e de outras substâncias de defesa que vão permitir ao organismo lidar com possíveis “invasores”. Hoje sabe-se que é esse mesmo calor que inibe o crescimento de bactérias e aniquila os vírus, ou seja, o calor põe tudo no lugar, renova o organismo. Isso já foi amplamente reconhecido pela comunidade científica tradicional. A cultura do medo da febre e a tendência de combatê-la rapidamente instalaram-se em nossa sociedade nos últimos 50 anos em virtude de uma grande estratégia de marketing da indústria farmacêutica. Considero esta tendência muito nociva para a nossa saúde. Em minha opinião, a febre é um fenômeno relacionado ao desenvolvimento da nossa individualidade. Essa é a grande tarefa da febre na nossa vida. E não é à toa que a maioria dos episódios febris ocorre do nascimento até os 7 anos de idade.

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… Muitos … ficam apavorados quando o termômetro começa a subir… Será que é algo grave? Será que esta febre vai causar convulsão? Quem nos responde estas perguntas é Samir Rahme, presidente da SBMA e médico antroposófico com mais de quinze anos de experiência – muitos deles dedicados à compreensão do papel da febre no equilíbrio de nossos processos vitais.

AM: Como você encara a febre hoje? Ela pode ser benéfica e ter uma função específica para o ser humano?

Samir: A febre, em princípio, é sempre boa. Ela tem um papel fundamental na dinâmica do nosso sistema imunológico, ativando a liberação de anticorpos e de outras substâncias de defesa que vão permitir ao organismo lidar com possíveis “invasores”. Hoje sabe-se que é esse mesmo calor que inibe o crescimento de bactérias e aniquila os vírus, ou seja, o calor põe tudo no lugar, renova o organismo. Isso já foi amplamente reconhecido pela comunidade científica tradicional. A cultura do medo da febre e a tendência de combatê-la rapidamente instalaram-se em nossa sociedade nos últimos 50 anos em virtude de uma grande estratégia de marketing da indústria farmacêutica. Considero esta tendência muito nociva para a nossa saúde. Em minha opinião, a febre é um fenômeno relacionado ao desenvolvimento da nossa individualidade. Essa é a grande tarefa da febre na nossa vida. E não é à toa que a maioria dos episódios febris ocorre do nascimento até os 7 anos de idade.

AM: Então os médicos antroposóficos valorizam a febre um pouco mais do que o fazem seus colegas da alopatia, certo?

Samir: Certo! Para nós, ela representa a chance de desenvolvimento da verdadeira individualidade e liberdade em relação aos condicionamentos genéticos. Quando as crianças contraem as doenças denominadas exantemáticas, ou seja, que se manifestam por meio da pele, como o sarampo, a rubéola e outras – e que sempre são acompanhadas por febre –, é uma grande oportunidade para o organismo infantil “quebrar” e eliminar as proteínas herdadas, criando novas estruturas a partir de si mesmo. Na Europa, muitas mães ainda cultivam a antiga tradição de levarem os filhos para visitar as outras crianças com doenças exantemáticas com o objetivo de proporcionar uma imunização natural. Mas, hoje em dia, fica cada vez mais difícil para esse pequeno ser usufruir os benefícios que estas doenças “naturais” podem lhe proporcionar. De um lado, temos as vacinas e de outro os antitérmicos…

AM: O calor vivenciado através da febre tem uma função para nós?

Samir: Segundo a Antroposofia, nós, seres humanos, temos um organismo com quatro componentes básicos, que didaticamente chamamos de “corpos”: um corpo físico (terra), um corpo vital (água), um corpo astral ou alma (ar) e um corpo espiritual ou individualidade (fogo). Quando se dá o aumento da temperatura, o que está acontecendo num nível mais sutil, não mensurável por aparelhos, é que a individualidade (o corpo espiritual ou “Eu”) está em seu caminho de conquistar o corpo, está atuando mais de perto, por meio do calor, que é seu elemento natural. O significado do calor ainda é pouco explorado na Medicina, mas já estamos avançando: os mais avançados tratamentos de tumores são feitos com hipertermia.

AM: Como lidar com a ansiedade?

Samir: O melhor remédio é paciência e conversa. Os médicos devem tentar esta abordagem com os pais, resistindo à pressão. Hoje em dia, tanto na medicina quanto em outras áreas predomina o conceito de FAST(rápido, em inglês), ou sejam, tudo deve ser e ocorrer de maneira rápida, o que não proporciona um desfrutar das situações. Quando lidamos com o ser humano, quanto mais SLOW melhor o resultado e, no caso de afecções do organismo, estamos sempre lidando com a eternidade. Muitas vezes, somos procurados porque os pais já não agüentam mais dar tanto remédio químico para seus filhos, e a reclamação é sempre a mesma: não ficam bons nunca.

AM: E medo da convulsão?

Samir: Poucos sabem que as convulsões causadas pela febre ocorrem em apenas 2% das pessoas e não dependem da temperatura que a febre alcança, mas da velocidade com que ela sobe. Assim, as pessoas propensas a ter convulsões febris poderão ter crises mesmo com febres baixas. Nesta situação, o uso antitérmico está mais que justificado, mas sem nos esquecermos de que estamos lidando com uma minoria.

AM: E como você orienta o tratamento da febre?

Samir: A primeira preocupação do médico é diagnosticar e tratar a doença que provoca a febre, que é apenas um sintoma. Na medicina Antroposófica existem medicamentos naturais, à base de plantas, animais e minerais, que podem ser usados no tratamento das causas da febre. A compressa de limão na panturrilha costuma baixar a temperatura de 1 a 2 graus, sem comprometer o processo como um todo.

AM: Quais seriam suas considerações finais sobre a febre?

Samir: Vale alertar que numa pessoa bem nutrida os efeitos de uma febre serão mais bem tolerados do que numa desnutrida. Repito que a febre é o remédio mais potente e sábio que existe, devendo ser encarada como uma grande aliada do médico e do paciente. Acho fundamental iniciarmos uma contracultura da febre!

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