A FEBRE E O USO EXCESSIVO DE ANTITÉRMICOS


A FEBRE E O USO EXCESSIVO DE ANTITÉRMICOS

por Silberto Azevedo

Fonte: Farmácia Lemnis


“Dê-me a força, para gerar a febre, e eu curarei toda doença.“

Parmênides


Na medicina antroposófica, a imunidade é característica da organização do Eu, que molda a nossa constituição física individual. É essa organização a responsável pela consciência individual e pelas três faculdades exclusivas do ser humano, que são o andar ereto, o falar e o pensar. Em um nível mais físico, esta organização do Eu também é responsável pela capacidade de diferenciarem tecidos e substâncias “próprias” das “estranhas”. E a sua ação no organismo humano é mediada principalmente pelo sangue e pelo calor. É por isso que as reações inflamatórias e febris apresentam aumento da irrigação sanguínea acompanhada de aumento na temperatura.

Esse “organismo calórico” não é estático. Ele está sujeito a variações, conforme a constituição física, temperamento, estado de saúde do indivíduo; assim como às variações do ambiente: temperatura, umidade, microrganismos, etc. Algumas pessoas toleram melhor as baixas temperaturas; enquanto outras são mais sensíveis às variações externas e usam roupas quentes mesmo debaixo de sol.

A medicina antroposófica, assim como a homeopatia e as demais medicinas vitalistas (chinesa, ayurveda, etc.), investe no fortalecimento das defesas próprias do organismo.

O medicamento antroposófico reorienta o organismo a desenvolver seu “exército”. Não é por acaso que um dos medicamentos mais usados nesta linha terapêutica é justamente o ferro – o mesmo metal que se utiliza para fabricar armas e ferramentas. Não o ferro material, possível de ser visto e analisado em laboratório; mas o ferro dinamizado, em sua forma mais sutil.

O processo de calor também tem relação com a vontade, com o impulso metabólico. É possível estimulá-lo, através de medicamentos, atividade física e alimentos adequados a cada tipo humano.

Por outro lado, pacientes e médicos, de uma forma geral encaram a febre como doença em si própria, que deve ser combatida a todo custo principalmente com medicamentos antitérmicos (Wannmacher e Ferreira, 2004). Em resposta ao abuso desses produtos, a Organização Mundial de Saúde preconiza o uso de medidas não-farmacológicas, como banhos e compressas mornas. Há evidências na literatura de que essas estratégias são equivalentes em eficácia e segurança ao tratamento convencional, e com vantagens adicionais como o baixo custo.

Outro fator responsável pelo uso excessivo de antitérmicos é o “medo da convulsão” ou “fobia da febre”. No entanto, estudos mais recentes têm mostrado que a convulsão não depende da febre alta, podendo ocorrer mesmo em temperaturas próximas de 37º C. Com raras exceções, a febre é somente um sintoma, tendo inclusive papel de defesa e de resistência a infecções, e só precisaria ser controlada quando compromete o estado geral do paciente. Antitérmicos e antipiréticos não previnem aparecimento de convulsões ou sua recorrência (Wannmacher e Ferreira, 2004).

“Dê-me a força, para gerar a febre, e eu curarei toda doença“, escreveu há mais de dois mil anos o pensador grego Parmênides. Essa frase reflete um conhecimento antigo, de que o elemento calórico está associado à imunidade.

por Silberto Azevedo


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