A ilusão de superioridade


A ILUSÃO DE SUPERIORIDADE

Marcos Acosta Soler

Tradução livre e nota: Leonardo Maia

 


A incapacidade de perceber a essência divina no outro reflete uma aspecto inferior da alma individual, escondida na ilusão de superioridade, seja étnico-racial, social ou intelectual.


Nota de Leonardo Maia: Acho muito válida a reflexão do Marcos Acosta Soler, principalmente pela questão do ódio que é uma força extremamente destruidora. A verdadeira transformação ainda precisa passar pelo âmbito da individualidade, pois se não a atingir, a liberdade segue limitada pelo dogma moral social e não pelo reconhecimento e sacramentação do outro a partir da minha própria consciência. Porém, é um passo muito grande, considerando a força inconsciente que ainda domina o coletivo e atinge muitas pessoas  que ainda estão na ilusão de superioridade, seja étnico-racial, social, intelectual/ideológica e até mesmo religiosa. Portanto a luta contra o racismo, tanto no âmbito pessoal quanto estrutural é essencial, pois temos muito a caminhar…

Segue o texto do Marcos Acosta Soler:

“Combater o racismo como se fosse o inimigo não faz sentido. Todo o excesso de força que vemos derramado contra os mais fracos é a força do ódio, do egoísmo e da vingança. O ódio é o poder falso, mas acima de tudo o ódio é a dor que todos carregamos dentro de si, mesmo que seja negada um milhão de vezes. O ódio está nas entranhas profundas da alma, invadindo o fígado até gerar a raiva que cospe o veneno violento, e essa raiva, como um fardo intransponível, deve ser desencorporada para se sentir aliviada. Essa desincorporação é expressa em agressividade, violência e repúdio. E fazemos isso desculpando-nos na diferença para justificar nossa força extrema e doentia.

Todo aquele que se separa de mim, que é diferente de mim, pode ser usado para ser atacado e destruído; e se também parece mais fraco, torna-se um alvo mais fácil de destruir. O inimigo não é racismo, o inimigo somos nós mesmos. Hoje eles são pessoas de outra cor e amanhã serão aqueles que falam em outro idioma, aqueles que pensam diferente de mim ou aqueles que vêm de lugares remotos. As pessoas ainda não encontraram a fusão com a sabedoria unitária.

Se não entendermos que, diante da sabedoria unitária, não há um ponto de vista específico ou possíveis diferenças entre cada um de nós e os outros, a maturidade e a evolução de um indivíduo serão incompatíveis com a coexistência social. Quando internalizamos esse fato com a força do coração, o amor reinará na cabeça, e veremos que a verdadeira Luz é a Luz do amor.

A luta real, a única que faz sentido, não é a luta contra o outro, mas a luta contra suas próprias misérias, que agem como paredes de aço intransponíveis em direção à sua própria liberdade.”

Marcos Acosta Soler


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