A música do silêncio

A MÚSICA DO SILÊNCIO

Carlos Cardoso Aveline

Fonte: Carlos Cardoso Aveline no Facebook  – clique e conheça

música e natureza

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Os sábios pitagóricos diziam que o universo é musical. O ruído excessivo é uma espécie de exteriorização forçada da consciência, e pode ser buscado como meio para evitar o confronto com a ansiedade. Mas o silêncio não deve ser buscado como uma maneira de evitar a vida, não pode ser apenas um refúgio da agitação, ou do que nós chamamos de estar cansado da vida. O silêncio é o contexto em que nós reconstruímos a interioridade e a exterioridade. O barulho e a desarmonia, de um lado, e o silêncio e o equilíbrio, de outro, podem ocorrer simultaneamente em três níveis de consciência: físico, emocional e mental. Estas três instâncias formam uma tela vital única, cuja qualidade devemos aumentar de modo gradativo e constante.”

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Os sábios pitagóricos diziam que o universo é musical. De fato, cada som e cada silêncio parecem ter um efeito especial sobre o ser humano. Seu significado específico pode ser libertador ou não, trazendo alívio, paz, serenidade, ou talvez inquietação. Por isso o excesso de ruídos – a moderna poluição sonora – está longe de ser um problema sem importância.

Sabe-se, por exemplo, que o lixo é apenas uma matéria-prima potencialmente útil, colocada em lugar errado. Do mesmo modo, o barulho é um som, em si mesmo inofensivo, que evoca fragmentação e desarmonia porque foi emitido no momento, no tom e no volume errados.

Os sons da natureza são, geralmente, musicais. É certo que às vezes – como durante uma tempestade – podem parecer terríveis para quem não os entende. Um cachorro doméstico, por exemplo, sempre irá para debaixo da cama, assustado, ao ouvir trovões. Mas, no conjunto, do ponto de vista sonoro, a natureza é silenciosa e harmônica. Essa percepção se reforça quando a comparamos a uma cidade moderna. Basta imaginar, por um momento, o ruído das ondas do mar batendo numa praia deserta, o canto dos pássaros no alto das árvores, o barulho do vento provocando o farfalhar das folhas, e de outro lado o buzinar dos veículos, o ronco dos motores e o ruído das sirenes. Mesmo nossas paisagens rurais são cortadas atualmente pelo ronco de tratores e moto-serras.

O ruído ameaça não só o silêncio e a musicalidade presentes na natureza, mas também a saúde do ser humano. A surdez física não é o único resultado do excesso de barulho. Submetido à poluição sonora, o cidadão apresenta uma variedade de sintomas. O sistema nervoso periférico sofre, e provoca vasoconstrição; os vasos sanguíneos se comprimem. O batimento cardíaco fica alterado. As pupilas se dilatam. Quando o problema é constante, a perda de audição aparece como uma defesa do organismo. O organismo surdo se fecha para o meio ambiente: ele declara uma paz interior unilateral, cujo preço é a incomunicação definitiva. Quem hoje ouve “música barulhenta” a todo volume, em alguns anos poderá não ouvir, nem mesmo querendo, os acordes mais suaves da música clássica.

O ruído excessivo é uma espécie de exteriorização forçada da consciência, e pode ser buscado como meio para evitar o confronto com a ansiedade. É o caso de certos tipos de música. O barulho também pode ser imposto ao homem desde fora, transformando-o em vítima de um processo de contaminação ambiental.

Todo ser humano precisa do silêncio para viver bem, e é na ausência de barulho que ocorrem e são compreendidas as coisas mais importantes. “O silêncio não deve ser buscado como uma maneira de evitar a vida”, escreve Nicolas Caballero, das Filipinas. “Não pode ser apenas um refúgio da agitação, ou do que nós chamamos de estar cansado da vida. O silêncio é o contexto em que nós reconstruímos a interioridade e a exterioridade.” Para Caballero, devemos aprender a produzir silêncio em nossas vidas.

O barulho e a desarmonia, de um lado, e o silêncio e o equilíbrio, de outro, podem ocorrer simultaneamente em três níveis de consciência: físico, emocional e mental. Estas três instâncias formam uma tela vital única, cuja qualidade devemos aumentar de modo gradativo e constante.

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