AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS


The Advent of Ahriman – parte 4:

AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“”A falta de percepção sensorial real (conexão real entre as pessoas e a natureza), fortalecida pelo vida contemporânea virtual e de trabalho e educação mecanizados, aliado ao enfraquecimento da capacidade de criação de imagens próprias e de fantasia (criatividade), fortalece o pensar uniforme, mecânico e coletivo, mesmo que seja integrado a uma alta inteligência científica, gerando indivíduos mecanizados, sem individualidade guiado por instintos inconscientes: não livres.”


No presente, Quinta Época Cultural, a influência ahrimânica na cultura humana está atingindo um clímax. A revolução científica moderna, desde o século XV, tem sido inspirada em grande parte por Ahriman. Ele é o inspirador do materialismo amoral, ateu, mecanicista e o tipo de inteligência – astúcia, perspicácia e engenhosidade – que o acompanha.

A intenção para a Época atual (também chamada de “Época da Alma da Consciência”) é que a humanidade desenvolva uma consciência aumentada, juntamente com a individualidade e a liberdade espiritual que acompanham essa consciência. Ahriman se opõe a isso; ele quer que o homem viva dos instintos inconscientes como um animal não individualizado e impulsivo – inteligente, mas, mesmo assim, um animal. (Ahriman é o professor da mentira de que o Homem é um animal)

Para a mente moderna, pode parecer uma contradição dizer que Ahriman se opõe ao aumento da consciência, mas promove a inteligência e a ciência. Isso ocorre porque a mente moderna está tão imersa no que geralmente é considerado “pensamento científico” que quase não tem concepção da verdadeira natureza do pensamento consciente. (Steiner, especialmente em seu livro Filosofia da Liberdade [1894], tem sido nosso professor de pensamento real, mas a cultura intelectual geral ainda não aprendeu a lição.)

O fato é que o pensamento “científico” normal nesta Época, por mais inteligente que seja, dificilmente é consciente (possivelmente com algumas exceções relativamente raras em momentos de “insight” ou descoberta matemática). No tipo de consciência comum em nossa cultura “científica”, tornamo-nos conscientes apenas dos resultados fixos do pensamento, depois que ele é realizado; não somos (geralmente) conscientes do próprio processo de pensamento. E como é inconsciente, não é nossa ação livre; é automatizada.

Quando pensamos da maneira usual em nossa Época, somos autômatos sencientes, agindo por instinto. (Fato anteriormente oculto: esse pensamento instintivo na ampla cultura foi inspirado por Jeová por volta de 1840 dC. Desde então, ele foi inspirado por Ahriman, resultando na torrente de materialismo do século XIX, que, ajudado pelo enfraquecimento e afastamento do Espírito Popular Alemão afogou o romantismo positivo da vida na cultura.)

E é isso que Ahriman quer: ele quer eliminar todos os vestígios e todas as possibilidades de liberdade, de uma consciência humana livre e individualizada; ele quer que o homem não seja um indivíduo, mas apenas um membro de uma espécie geral da pseudo-humanidade, que ele seja um animal inteligente e ligado à terra, um “homúnculo”.

Como indicado, Ahriman é o inspirador do tipo mais extremo de materialismo “científico”: a doutrina de que não há espírito ou alma no mundo; que a própria vida não está de fato viva, mas é apenas um complexo de processos mecânicos; que a realidade é apenas quantitativa, que não existe realidade qualitativa; até mesmo que o “ser interior do homem” seja uma confluência de forças materiais.

No nível emocional, ele trabalha nos instintos subconscientes do ser humano, inspirando medo, ódio, desejo de poder e impulsos sexuais destrutivos.

No nível mental, ele inspira um pensamento rígido e automatizado – na frase de Steiner: pensando quase inteiramente sem pensamentos, mas pensando tremendamente forte na linguagem, nas palavras literais, que facilmente se tornam palavras vazias, que por sua vez se tornam mentiras. Esse pensamento “abstrato” é desprovido de qualquer atividade consciente e atividade anímica e desprovido também de qualquer conexão real com a experiência de vida, e cria uma consciência obscurecida sem luz, cor ou imagem.

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

Perceba que inteligência e consciência são dois aspectos diferentes. A influência de Ahriman contribui muito para um tipo de inteligência astuta, perspicaz e engenhosa porém mecanicista, autômata, exclusivamente materialista (ateísta) e sem desenvolvimento de uma consciência moral: ou seja, estimula o surgimento seres inteligentes porém imorais, sem perspectiva de desenvolvimento espiritual e não individualizados (então, sem Liberdade). Portanto o desenvolvimento de evolução da inteligência humana “pode” contrapor o desenvolvimento do próprio ser humano pela perspectiva da Consciência (Décima Hierarquia: ser da Liberdade e do Amor).

O homem passa a ser conduzido por impulsos instintivos inconscientes como um animal não individualizado e impulsivo, que pode gerar impulsos como medo, ódio, desejo de poder e impulsos sexuais destrutivos num ser dotado de extrema inteligência, perspicácia, astúcia e engenhosidade – que é exatamente onde nos encontramos hoje.

Ao mesmo tempo temos um impulso bidirecional bem interessante de ser observado: o movimento ateísta e os movimentos doutrinários religiosos. Apesar de polares, um acaba impulsionando o outro. A mente mecanicista e a inteligência perspicaz de muitos traz a simples capacidade de questionar tais movimentos doutrinários e suas incoerências – o que é extremamente saudável, porém, se aliado ao ressecamento da percepção sensorial e capacidade imagética, traz uma desconexão com a intuição superior, pode trazer uma negação completa ao Espírito. A própria matéria se torna seu “Deus” e a ciência sua “Bíblia”. Daí podemos ter a influência de “Ahriman” no desvio do curso natural da evolução humana – jogando estes seres no materialismo e mecanicismo autômato.

Por outro lado temos o movimento doutrinário religioso, onde não se questiona e induz a uma crença cega e, muitas vezes, incoerente. Isso leva o seguir de forma mecânica e autômata as indicações da “Doutrina”, sob interpretação de guias (mestres, pastores, padres e etc..) desviando-o do processo de individuação. Seguem cegamente e automaticamente as indicações de sua doutrina. O que pode gerar inconsistências nos discursos e ações e incoerência nítida para qualquer um que se proponha a questionar, podendo jogar indivíduo na negação da Alma e do Espírito (ateísmo).

Agora, o mesmo pode acontecer inclusive dentro da própria Antroposofia:

“No nível mental, ele inspira um pensamento rígido e automatizado – na frase de Steiner: pensando quase inteiramente sem pensamentos, mas pensando tremendamente forte na linguagem, nas palavras literais, que facilmente se tornam palavras vazias, que por sua vez se tornam mentiras. Esse pensamento “abstrato” é desprovido de qualquer atividade consciente e atividade anímica e desprovido também de qualquer conexão real com a experiência de vida, e cria uma consciência obscurecida.”

Perceba que quando falamos de Antroposofia sem conexão real com a experiência de vida criamos uma consciência obscurecida. Como discursar sobre a Bíblia e nas minhas ações e vivências seguir impulsos contrários aos seus ensinamentos.

O próprio processo da descrença na Antroposofia (uma espécie de ateísmo Antroposófico) surge em relação a certas incoerências por parte de uma “Doutrinação Antroposófica” e desconexão real com a experiência de vida. Movimentos contrários aos Impulsos e Valores Crísticos, uma tendência ao desinteresse pelos semelhantes e por fim, generalização, unificação e hipótese para justificar tais movimentos. Tal contexto, ao ser abarcado e ponderado pela inteligência perspicaz, pode gerar a percepção da incoerência, do “vazio das palavras” e desconexão com a realidade e levar o indivíduo a tal ponto: descrença na Antroposofia.

O próprio impulso de negar o pensar sobre as questões atuais, mesmo que trazidas sob perspectiva por Steiner, sobre a atual Época e período, como por exemplo, o próprio “Advento de Ahriman” (algo entre 1998 – 2040), para colocar um véu e obscurecer certos contextos coloca a Antroposofia dentro da perspectiva de Ahriman – mecanicista, desvinculada do Espírito Vivo, sob justificativas como, por exemplo, de que não devemos observar o contexto político sob a perspectiva Antroposófica, sendo que o próprio contexto político é um dos maiores veículos da influência de Ahriman no atual período…

A falta de percepção sensorial real (conexão real entre as pessoas e a natureza), fortalecida pelo vida contemporânea virtual e de trabalho e educação mecanizados, aliado ao enfraquecimento da capacidade de criação de imagens próprias e de fantasia (criatividade), fortalece o pensar uniforme, mecânico e coletivo, mesmo que seja integrado a uma alta inteligência científica, gerando indivíduos mecanizados, sem individualidade guiado por instintos inconscientes: não livres.

Por fim, a falta de contato anímico (uma alma toca a outra) gera indiferença e enfraquece as forças do coração: empatia e compaixão…

Seres autômatos inteligentes, perspicazes e engenhosos desinteressados e indiferentes para com seus semelhantes e guiados por instintos inconscientes.

Leonardo Maia

Link para a parte 1:

ESPÍRITO E ALMA

Link para a parte 2:

Seres espirituais e evolução terrena

Link para a parte 3:

SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN


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