Alguma história oculta


The Advent of Ahriman – parte 9:

ALGUMA HISTÓRIA OCULTA

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


O volume e velocidade das informações disponibilizadas impossibilita ou restringe de forma substancial a capacidade crítica dos indivíduos da atual sociedade contemporânea, fazendo-os absorver as informações sem condições de ponderação consciente: muita informação e atualização velocíssima, chegando para o indivíduo em tempo real devido às novas tecnologias. Gerando um hábito de que a realidade é a própria informação, seja ela verdadeira, falsa ou distorcida. Absorve-se inconscientemente, automaticamente. Todo este processo pode gerar um Impulso de moralidade imposta, contrária ao desenvolvimento da moralidade livre, nem mesmo pela imoralidade individual, mas pela sua amoralidade e inconsciência.


É um fato desconhecido da história, mas revelado pela pesquisa espiritual de Steiner, que enquanto a Encarnação de Cristo estava acontecendo na Palestina, outro drama estupendo aconteceu no México. Um alto iniciado dos Mistérios negativos, o “mago negro” mais avançado do mundo, alcançara, por repetidos assassinatos rituais de um tipo especialmente horrível, o limiar do conhecimento de certos segredos cósmicos profundos.

Esse conhecimento lhe daria a capacidade, como era sua intenção, de alcançar os objetivos ahrimânicos de enrigecer completamente a Terra, de modo a tirá-la do desenvolvimento progressivo em direção ao Novo Júpiter (próxima encarnação planetária) e de transformar organismos humanos em autômatos naquele “escombro” da Terra.

Ele foi frustrado com essa intenção pelo alto Ser Solar encarnado “Vitzliputzli”, que causou a crucificação do mago negro ao mesmo tempo que a crucificação de Jesus Cristo – um reflexo devastador no continente americano dos eventos na Palestina. (Desde então, a alma desse mago negro foi mantida em uma espécie de “prisão”.)

Lembre-se de que a época greco-romana durou aproximadamente 2160 anos, de 747 aC a 1413 dC. O ponto médio desta época foi 1413 AD menos 2160/2 = 333 AD. Considere (como uma hipótese) o ensino oculto de que eventos na história ocorrem em momentos que, por assim dizer, refletem e equilibram os eventos eqüidistantes no tempo a partir de um ponto médio. Tomando 333 dC como o ponto médio, o ponto de apoio da balança, e de um lado o Nascimento na Palestina, do outro lado da balança seria 333 dC + 333 = 666 dC.

O grande evento, conhecido pela história, do século VII foi a ascensão do Islã. Outro evento, não tão famoso, mas ainda conhecido na história, foi a transferência da filosofia grega antiga (especialmente as obras de Aristóteles, provavelmente incluindo o trabalho perdido sobre alquimia) para a Academia de Jundi Sabur (perto de Bagdá atual). Após a expulsão dos filósofos da Edessa da Síria em 489 dC e de Atenas em 529 dC, os filósofos encontraram refúgio no que era então o Império Persa, e naquela Academia eles seguiram seu chamado. Então esse conhecimento passou para os árabes islâmicos, e a ciência de uma determinada inclinação alcançou um alto desenvolvimento sob eles, enquanto a Europa estava na “Idade das Trevas”.

Somente gradualmente, ao longo de muitos séculos, essa ciência passou para a Europa, onde se desenvolveu na moderna revolução científica. Novamente, a tendência da ciência moderna, como ela se desenvolveu, é ahrimânica. O ancestral direto do materialismo científico foi essa ciência árabe, que foi derivada da Academia de Jundi Sabur. Assim, do outro lado do ponto médio de 333 dC, desde o nascimento na Palestina, havia o surgimento de uma visão de mundo materialista e anticristã ativa em Jundi Sabur.

A história oculta (conforme apresentada por Steiner) revela como isso aconteceu: Sorat pretendia abordar a manifestação física em 666 DC em Jundi Sabur, e conceder aos filósofos um conhecimento super-humano. Esse conhecimento consistiria em tudo o que a humanidade, sob o plano regular dos deuses, deveria aprender através de seus próprios esforços, no auge do presente, época da alma da consciência.

Esta época começou em 1413 dC, portanto seu ponto médio será 2493 dC. Em outras palavras, Sorat queria dar à humanidade, prematuramente e sem o esforço e a experiência humanos necessários, o conhecimento que seria correto e saudável para a humanidade alcançar através do trabalho e da evolução em meados do Terceiro Milênio.

O plano regular dos deuses para a época da alma da consciência é que a humanidade adquira, através da auto-educação e auto-disciplina, a personalidade humana livre, consciente e individualizada. Se a humanidade do século VII tivesse recebido esse conhecimento avançado naquele estágio imaturo de desenvolvimento, quando as pessoas não poderiam pensar em plena consciência, o resultado teria sido desastroso.

Apenas considere o quanto a humanidade do mal fez com a ciência que adquirimos até agora, em nosso estágio atual de maturidade (ou imaturidade), e tente imaginar o que as pessoas relativamente primitivas do século VII teriam feito com a ciência de 2493 AD. – Essa imagem já é ruim o suficiente, mas precisamos relembrar as idéias ocultas de Steiner para começar a entender todo o cenário.

Se Sorat tivesse tido sucesso, nós, humanos, teríamos perdido a possibilidade de desenvolver nossa verdadeira natureza e nos tornado autómatos egoístas e animalescos, sem possibilidade de desenvolvimento adicional. Teríamos nos tornado ligados à Terra, e a Terra nunca mais poderia passar para os estágios de Júpiter, Vênus e Vulcano. O plano regular dos deuses (evolutivo) teria sido seriamente impedido, e os homens teriam perdido seu propósito e oportunidade de se tornar Espíritos de Liberdade e Amor.

No entanto, a ascensão do Islã frustrou esse plano de Sorat. É um paradoxo profundo e misterioso que o Islã, que era, e é, oposto ao cristianismo de várias maneiras, também de fato trabalhou em conjunto com o impulso de Cristo na história, abafando, dissolvendo esta ciência de Sorat e diluindo-a.

O “realismo” dos escolásticos medievais (especialmente o aristotelianismo renovado de Tomás de Aquino) opôs-se a essa influência árabe, de certa forma vendo-a como inimiga do cristianismo; mas com o declínio e decadência do aristotelianismo medieval e com o surgimento do “empirismo” anti-aristotélico moderno (por exemplo, Francis Bacon), a ciência Sorática diluída, mas ainda poderosa, passou a dominar a cultura mundial.

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

A vida contemporânea, que nos aprisiona em pequenos espaços e gera pouca interação com os ambientes vivos: natureza e contato humano, principalmente nas grandes cidades, porém atualmente com impacto global. Gerações vivendo em casas ou apartamentos frios, pequenos, conectados a uma TV e agora aos celulares – absorvendo as informações e com a interação fria e distante da tecnologia (sem contato anímico real), também tem efeito direto nas forças do coração e empobrecimento da vida sensorial.

O que reflete na atual geração que manisfesta, em diferentes níveis, uma indiferença ao outro ser humano – seja por desinteresse, seja por falta de tempo, condições de interação ou mesmo pela própria dinâmica contemporânea onde o excesso de compromissos e informações absorvem o fluxo temporal praticamente de forma integral apenas para a própria subsistência do indivíduo – a força vital do indivíduo acaba reverberando quase que exclusivamente na manutenção do sistema atual social (ferramentas para o sistema) e, para si, na capitalização de seu esforço para autosustento.

Isso impossibilita ou restringe de forma substancial a capacidade crítica dos indivíduos da atual sociedade contemporânea, fazendo-os absorver as informações sem condições de ponderação consciente, devido ao seu volume e velocidade – muita informação e atualização velocíssima, chegando para o indivíduo em tempo real devido às novas tecnologias. Gerando um hábito de que a realidade é a própria informação, seja ela verdadeira, falsa ou distorcida. Absorve-se inconscientemente, automaticamente.

Aliado a este processo, temos as correntes ideológicas e doutrinárias, que com a ajuda tecnológica dos algoritmos das redes sociais, que criam bolhas de informação que aprisionam os indivíduos em padrões de pensamento restritos. Gerando indivíduos inconscientes, autômatos (que respondem automaticamente aos estímulos coordenados) e com um pensar padronizado – um não pensar, apenas a absorção e replicação das informações disponibilizadas.

Todo este processo tem relação direta com o atual impulso crescente de indiferença ao outro ser humano, principalmente aquele que não me traz benefícios diretos ou indiretos, relativização do mal e inflamação de raiva e ódio acarretados por reação autômata, principalmente por impulsos contrapostos (adversos/contrários), sejam ideológicos ou sociais (todos os tipos de relacionamentos sociais).

Todo este processo pode gerar um Impulso de moralidade imposta, contrária ao desenvolvimento da moralidade livre, nem mesmo pela imoralidade individual, mas pela sua amoralidade e inconsciência.

Para uma melhor compreensão do que está acontecendo, convido os interessados a participar da palestra que farei sobre o tema no dia 13 de agosto – quinta feira às 20h:

https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


 

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