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A QUESTÃO DO MEDO E SUA MISSÃO: EDUCAR-NOS PARA A FÉ


A QUESTÃO DO MEDO E SUA MISSÃO: EDUCAR-NOS PARA A FÉ

Ana Paula Cury – Trecho do artigo “Epidemias”


Steiner nos diz que o corpo Astral, ou nosso corpo de sentimentos, desejos, emoções é o corpo da Fé. A força que dele emana quando bem estruturado é Fé. Ora, estamos mergulhados hoje numa astralidade, numa atmosfera de medo. E ele também acrescenta, “a missão do medo é nos educar para a fé”. Ao realizarmos o esforço requerido por nossa época, de despertar para uma concepção espiritualizada da vida, purificamos nosso corpo de sentimentos e nos fortificamos na fé.


Este é sem dúvida, o momento propício para recordarmos os versos proféticos de Steiner para esta era de Michael:

“Temos de erradicar da alma, todo medo e terror daquilo que o futuro possa trazer ao homem. Temos de adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro. Temos de olhar para frente com absoluta equanimidade para com tudo que possa vir. E temos de pensar somente que tudo o que vier nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria. Isto é parte do que temos de aprender nesta era; a saber viver, sem qualquer segurança na existência material, mas viver com plena confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual. Em verdade, nada terá valor se a coragem nos faltar. Disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todas as manhãs e todas as noites.”

Há três pontos fundamentais nestes versos que gostaria de destacar:

Primeiro: tudo o que vier nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria. Em tudo o que acontece há um propósito sábio. Há um princípio ordenador da vida e do mundo.

Segundo: precisamos aprender a viver sem qualquer segurança na existência material, mas podendo contar sempre com a ajuda do mundo espiritual.

E terceiro: disciplinemos nossa vontade e busquemos o despertar interior todos os dias.

Ou seja, ainda que não compreendamos ou não possamos elaborar tudo quanto acontece em nossos dias, se desenvolvermos uma relação de fidelidade e confiança com o mundo espiritual teremos a tranquilidade para aceitar aquilo que vem e a força para fazer disso algo de bom.

Há um velho ditado sufi que diz “confia, e amarra teu cavalo”. Quer dizer, confia, mas faz a tua parte. Não se trata de uma confiança cega nem irresponsável. E nossa parte tem a ver com este despertar interior que precisamos buscar e renovar todos os dias a partir de nossa livre vontade. O Salmo 90, chamado de salmo da confiança, também diz em seus lindos versos: “Tua fidelidade é teu escudo protetor”. Se examinarmos a origem da palavra fé, veremos que vem do latim Fidelis.

Steiner nos diz que o corpo Astral, ou nosso corpo de sentimentos, desejos, emoções é o corpo da Fé. A força que dele emana quando bem estruturado é Fé. Ora, estamos mergulhados hoje numa astralidade, numa atmosfera de medo. E ele também acrescenta, “a missão do medo é nos educar para a fé”. Ao realizarmos o esforço requerido por nossa época, de despertar para uma concepção espiritualizada da vida, purificamos nosso corpo de sentimentos e nos fortificamos na fé.

Para a formação desta atmosfera de medo e pânico em que estamos inseridos, mergulhados, colabora principalmente a mídia, formando uma “opinião pública”, mas também atitudes individuais que se vão somando numa corrente e espalhando temor através de notícias desencontradas, discursos muitas vezes infundados, distorcidos e frequentemente repassados adiante, seja por via oral ou pela internet.

Ana Paula Cury – Trecho do artigo “Epidemias”


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IMPULSOS REDENTORES


IMPULSOS REDENTORES

Ehrenfried Pfeiffer


“Tudo o que você fizer ao menor dos meus irmãos, você faz por mim”.


Nossa compreensão contemporânea da natureza e das condições espirituais revela um desenvolvimento negativo que ameaça destruir os seres humanos e também a Terra.

Portanto, devemos fazer todos os esforços possíveis para contrariar esta tendência com um impulso positivo que fortaleça a cognição do espírito, a pesquisa e as atitudes humanas.

As pessoas estão gradualmente perdendo memórias cósmicas de sua origem divina. Muitas pessoas não sabem mais quais são seus objetivos na vida, tropeçam e sucumbem ao materialismo. Devemos tentar despertar seus interesses em ideias sempre novas, a fim de despertá-los de seu sono interior. É uma questão de plantar sempre novas sementes.

Se tivermos sucesso em dar novos impulsos espirituais, serviremos à humanidade.
Sempre que direcionamos um desenvolvimento para uma direção positiva, arrancamos algo da destruição. Assim, podemos entender as Escrituras que dizem:

“Tudo o que você fizer ao menor dos meus irmãos, você faz por mim”.

A oração em nome dos outros também é percebida pelas forças acima e fornecerá ajuda. A oração do coração é particularmente eficaz.

Um médico pode dirigir-se ao anjo do paciente com estas palavras:

“Você tem o cuidado espiritual dele e eu o cuidado físico. Portanto, por favor, ajude-me a encontrar o medicamento certo e a fazer a coisa certa.”

Nesse processo, o curador deve ficar completamente silencioso para ouvir uma resposta.

Ehrenfried Pfeiffer

Tradução livre: Leonardo Maia


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A ANTROPOSOFIA E A INTEGRAÇÃO ENTRE O PENSAMENTO E A REALIDADE OBJETIVA


A ANTROPOSOFIA E A INTEGRAÇÃO ENTRE O PENSAMENTO E A REALIDADE OBJETIVA

Rudolf Steiner – GA 34


“Uma visão antroposófica do ser humano deve fornecer os meios mais frutíferos e mais práticos para a solução das questões urgentes da vida moderna e verdade deve poder juntar-se e trabalhar nas tarefas mais importantes da atualidade e promover seu desenvolvimento para o bem-estar da humanidade como um todo… devemos observar a integração entre o pensamento e a realidade objetiva, qualquer oposição a isso vai contra ao que a humanidade precisa para o avanço do seu progresso”

Rudolf Steiner


A Antroposofia não nega ou obscurece fatos da realidade

“Antroposofia – em virtude de sua essência real, não é pretendida como uma teoria distante da vida, que meramente satisfaz a curiosidade do homem ou a sede de conhecimento como um instrumento para algumas pessoas que, por razões egoístas, gostariam de atingir um nível mais alto de desenvolvimento para si, não, em verdade deve poder juntar-se e trabalhar nas tarefas mais importantes da atualidade e promover seu desenvolvimento para o bem-estar da humanidade como um todo.

É verdade que, ao assumir essa missão, a Antroposofia deve estar preparada para enfrentar todo tipo de ceticismo e oposição.
Radicais, moderados e conservadores em todas as esferas da vida, serão obrigados a enfrentá-los com ceticismo.

Pois em seus começos, dificilmente estará em posição de agradar a qualquer parte. Suas premissas estão muito além da esfera dos movimentos partidários, sendo fundadas, de fato, puramente e unicamente em um verdadeiro conhecimento e percepção do todo da vida.

O investigador espiritual, portanto, necessariamente respeitará as coisas existentes. Por maior que seja a necessidade de melhoria que ele possa encontrar neles, ele não deixará de ver, nas coisas existentes, o embrião do futuro. Ao mesmo tempo, ele sabe que em todas as coisas para “tornar-se” deve haver crescimento e evolução.

Daí ele perceberá no presente as sementes da transformação e do crescimento.

Ele não inventa nenhum programa; ele os lê fora do que está lá. O que ele assim lê se torna, em certo sentido, um programa, pois nele está a essência do desenvolvimento. Por essa mesma razão, uma visão antroposófica do ser humano deve fornecer os meios mais frutíferos e mais práticos para a solução das questões urgentes da vida moderna.”

Rudolf Steiner – GA 34


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O VAZIO DA ALMA


O VAZIO DA ALMA

Rudolf Steiner – GA 177

Tradução livre: Leonardo Maia


“Com a alma humana se afastando cada vez mais do corpo, o corpo está cada vez mais em perigo de ser preenchido com outra coisa.”

Rudolf Steiner – GA 177


…na Grécia antiga, o corpo inteiro era preenchido com a alma inteira, e eles estavam de acordo. Hoje não é o caso, pois os corpos estão parcialmente vazios. Não estou dizendo nada depreciativo sobre cabeças vazias; elas ficarão vazias como parte da evolução. Na realidade, porém, nada fica vazio neste mundo. As cabeças estão apenas vazias de algo que estava destinado a preenchê-las em outro momento. Nada é nunca completamente vazio.

Com a alma humana se afastando cada vez mais do corpo, o corpo está cada vez mais em perigo de ser preenchido com outra coisa. E se os seres humanos não estiverem preparados para assumir impulsos que só podem vir do conhecimento espiritual, o corpo será preenchido por poderes demoníacos. A humanidade está enfrentando um destino em que o corpo pode ser preenchido com poderes demoníacos arimânicos.

Portanto, temos que acrescentar ao que eu disse ontem sobre o desenvolvimento futuro: haverá pessoas no futuro que são Tom, Dick e Harry na vida comum, o que é determinado pelas circunstâncias sociais, mas seus corpos estarão vazios a tal ponto que um poderoso espírito arimânico pode viver neles. A outra pessoa encontrará estes demônios arimânicos. Os seres humanos não serão o que parecem ser. A pessoa individual estará bem no fundo, e externamente as pessoas obterão uma imagem totalmente diferente.

Rudolf Steiner, GA 177 – “Fall of the Spirits of Darkness”, leitura 5

Tradução livre: Leonardo Maia


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MATERNIDADE: TRANSCENDER O SI MESMO


MATERNIDADE: TRANSCENDER O SI MESMO

Leonardo Maia


A maternidade desperta uma força na mulher capaz transcender o si mesmo.


A maternidade desperta uma força na mulher capaz transcender o si mesmo. Uma devoção profunda manifesta-se. Mas existe algo oculto, o caminho anterior à maternidade, que transcende a consciência terrena da encarnação. Aquilo que não lembramos.

Por trás dela, pode existir um caminho de perdão, aceitação e amor, onde a devoção inconsciente pode se tornar uma devoção consciente através do reconhecimento mútuo entre mãe e filho construído ao decorrer da vida. Reconhecimento este capaz de curar as mais profundas das feridas, que podem ter suas raízes em tempos muito remotos: de caminhos, encontros e desencontros, erros e acertos de processos que estão além da consciência terrena desperta.

Pode ser um reencontro para o perdão, reconhecimento e o amor.

A Maternidade é cura.

Leonardo Maia


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O BRINCAR LIVRE E NÃO REGRADO NOS PRIMEIROS SETE ANOS


O BRINCAR LIVRE E NÃO REGRADO NOS PRIMEIROS SETE ANOS

Carlos Adrian Villegas

Tradução livre: Leonardo Maia


”O brincar é sério, porque no brincar está o espírito. Brincando, a criança exercita sua espiritualidade .”


As regras aparecem no segundo setênio por necessidade da maturidade infantil e não se adequa aos primeiros sete anos gerar ambientes ou jogos intelectuais que geram precocidade no seu desenvolvimento. Para a pedagogia Waldorf, como Steiner apontou, forçamos as capacidades intelectuais da criança, o seu desenvolvimento corporal madura é interrompido.

Para Steiner, a importância de não introduzir elementos intelectuais no brincar infantil observa-se, na sua maior expressão, ao constatar que mesmo os materiais utilizados na atividade lúdica deveriam ser mantidos afastados de qualquer possível intervenção intelectual adulta que os pervertesse.

Por exemplo, super heróis em brinquedos, barbies ou jogos de computadores. Esta intervenção, em última análise, limita uma das principais vias instintivas de aprendizagem dos seres humanos nesta idade precoce, isto é, a já referida imitação.

Se não conseguirem brincar livremente imitando trabalhos feitos por adultas, na adolescência não terão um julgamento próprio da vida como destino. Se esgotarem as instâncias do brincar livre, poderão ter um pensamento livre de adulto. Lembrem-se que o brincar imitativo gera depois um falar que simbolizará um pensamento de julgamento próprio do jovem.

Considera-se que as forças vitais responsáveis pela formação das formas físicas nos primeiros anos da vida estão presentes de uma forma mais importante durante este primeiro setênio do que no resto da existência. E se considera que, para a formação dos órgãos físicos e o seu correto desenvolvimento, é necessário dar espaço ao exercício de uma vontade saudável que se enraiza nesses órgãos e que encontra a sua expressão máxima no brincar livre. Citando de novo Steiner:

” O que ganhamos com o brincar entre o nascimento e a troca de dentes, o que as crianças experimentam em um estado de fantasia, são forças de uma espiritualidade que ainda não nasceu no ser humano, que ainda não foi absorvida, ou melhor, reabsorvida, no corpo humano “.

Uma perspectiva que, sem dúvida, concede uma transcendência de grande profundidade ao brincar livre no processo educacional das meninas e meninos. Uma conceitualização, além disso, que bem pode ser complementada pelas palavras de Grohman sobre esta atividade:

”O brincar é sério, porque no brincar está o espírito. Brincando, a criança exercita sua espiritualidade “.

Daí a atenção constante ao brincar livre do menino ou menina torna-se de grande importância para a pedagogia Waldorf, pois representa uma imagem do seu ser e porque a individualidade que manifesta o educando no brincar serve de sustento a fases posteriores de seu vida.

Carlos Adrian Villegas

Tradução livre: Leonardo Maia


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A INICIAÇÃO DA MORTE


A INICIAÇÃO DA MORTE

Leonardo Maia


A “Iniciação da Morte” é um caminho para a completa incapacidade do reconhecimento do Espírito divino no outro ser humano.


Eu gostaria de colocar uma questão bem delicada, sobre a iniciação da morte – título deste artigo.
O que me impulsionou efetivamente a trazer este tema, indiretamente, foi a chacina na favela de Jacarezinho, porém, diretamente é a “iniciação da morte” que possui seus reflexos evidentes na consciência coletiva.

O que é a “iniciação da morte”?

Este é um processo que exige profunda atenção e reflexão, pois está conectado diretamente com a etapa seguinte da evolução humana segundo Rudolf Steiner e a Antroposofia. Esta “iniciação da morte” é um caminho para a completa incapacidade do reconhecimento do Espírito divino no outro ser humano.

É o caminho para o sub-humano, aquele que perde seu sentido humanitário, que perde o sentimento de Amor e bondade no coração humano, que pode culminar na completa extinção da empatia e “Amor ao Próximo” – o ser indiferente ao outro ser humano, que subjuga a Vontade do próximo através da dor e sofrimento e, inclusive, podendo extinguir sua chama da vida – a alta “iniciação da Morte”.

Segundo Steiner, nossa época está sob fortíssima influência de Ahriman, que quer criar um reino terrestre comum da morte, com o extermínio de qualquer autonomia, de qualquer sensação anímica.

Como chamei atenção no início do texto, a chacina de Jacarezinho “indiretamente” me impulsionou a escrever, porque o que realmente catalizou minha ação foi ler os comentários nos principais perfis de notícias do Twitter: o volume assustador de discursos favoráveis à morte, desdenhando todo o complexo contexto social do local e seus efeitos em toda a comunidade entorno, desejando mais mortes e violência, parabenizando os “CPFs cancelados” e exigindo mais, de forma genérica e inconsciente mostra que a iniciação ahrimânica da morte já está se desenrolando numa escala gigantesca.

Mas dirão: “eram traficantes, eram assassinos e etc…”

Mesmo que fossem – digo pois não há a certeza, ou seja, a concepção, de que todas as vítimas seriam realmente traficantes e assassinos, esse tipo de operação contempla tal aspecto: violência e guerra dentro de um ambiente que impossibilita a devida concepção real de tal justificativa para o abate, impossibilita a investigação, gera um ambiente de risco à comunidade e aos próprios policiais e anula a presunção de inocência e direito à defesa pelo próprio ambiente e contexto de ação.

Mesmo que apenas um dos 24 mortos seja inocente, tal estatística é a relativização e banalização do mal, onde a própria sacralidade da vida – da perspectiva espiritual – se perde na estatística, aspecto comentado por Steiner em relação a influência de Ahriman.

Ou mesmo que nenhum deles seja inocente, porém a incerteza, a não concepção pessoal – não digo nem dos policiais, mas diretamente daqueles que desejam e comemoram tais mortes – é um reflexo, por si só, da iniciação da morte, pois é na inconsciência que o mal se manifesta.

Algo como: “Bandido bom é bandido morto”. “Se foi preso, boa coisa não fez”. “Tá com dó, leva pra casa.” Ou mesmo o simples: “Parabéns a polícia.”

Onde em tais frases, anula as possibilidades, que verdadeiramente existem, de termos pessoas inocentes sendo mortas injustamente, ou seja, a tal relativização e banalização do mal e indiferença com o outro ser humano e o pior, o desejo, ódio e estímulo para que se mate mais e mais…

Outro ponto a ser considerado nesta atuação de Ahriman e tal iniciação é a anulação do caminho de desenvolvimento pessoal, que é o propósito de própria encarnação humana, ou seja, que todos nós, na longa jornada de autodesenvolvimento, cometemos erros, pecados, atrocidades e injustiças de inúmeras naturezas… mas a própria vida, no decorrer do caminho, nos levará ao encontro do arrependimento, com a lei eficaz de carma, ampliando nossa consciência para nos tornar melhores seres humanos. Essa anulação do caminho evolutivo se mostra cada vez mais ignorado e banalizado, culminando inclusive na sua própria negação.

Também geramos uma concepção conveniente de nossos descartáveis, que, ao adentrarmos mais e mais fundo na “Iniciação da Morte”, se torna um grupo cada vez maior. Todos que fogem do meu espectro de interesses e relações simpáticas, pode adentrar nesse grupo de descartáveis, podendo culminar na completa indiferença pela vida e pelo outro – o adentrar o reino da humanidade inferior de Júpiter, próxima encarnação planetária segundo a Antroposofia, onde teremos a divisão da Humanidade superior – que possui uma empatia superior, e a Humanidade Inferior – que é indiferente ao outro ser humano – que possui as forças do coração anuladas ou enfraquecidas.

Isso pode ser desdenhado por muitas pessoas, mesmo dentro da própria Antroposofia, ou mesmo, relativizado ou convenientemente ignorado, mas é de extrema relevância para a perspectiva de desenvolvimento moral da humanidade – principalmente se considerarmos a perspectiva de evolução humana segundo Rudolf Steiner.

Considerando Cristo como um ideal moral, é tarefa do homem atual fortalecer seus impulsos de Amor e seu próprio coração, não permitindo que seu entorpecimento anímico se torne indiferente com a vida e o sofrimento do próximo: “Amai-vos uns aos outros”. Cristo é aquele que não nos abandona, que se posiciona diante da injustiça, que perdoa, que atua através do amor como força viva.

Toda a tendência de nos abstermos de conceber a verdade pontualmente é uma influência luciférica, que nos joga para a inconsciência, seja na observação dessa perspectiva da Antroposofia, ou no julgamento inconsciente daqueles que foram mortos.

Isso que trago, não é um juízo à ação dos policiais, que sob fogo cruzado e risco, realmente adentram uma esfera de terror psicológico e emocional, independente de suas próprias tendências e caráter pessoais – sabemos que existem policiais bons e policiais maus, porém a operação como um todo favorecia este efeito de guerra, morte e violência, tanto nos policiais, quanto nos traficantes, como na comunidade que pelo próprio contexto é fragilizada.

Também seria válida uma observação social daquilo que alimenta o crescimento da indiferença e desumanidade que se reflete da forma enfatizada e argumentada no texto e sua relação com as forças indicadas por Rudolf Steiner, que pode ser vista de forma clara e explícita nas redes sociais – acessem perfis como UOL, CNN, Folha de São Paulo, Estadão, Correio Brasiliense, o Globo e etc, e acessem os comentários de notícias sobre o evento em questão: a Chacina da favela de Jacarezinho e perceberão os impulsos descritos no artigo.

Toda a vida a sagrada. A banalização e relativização do mal é um impulso crescente na sociedade. O princípio da indiferença pela vida é uma “iniciação ahrimânica da Morte”. Steiner alertou sobre este processo na humanidade a 100 anos atrás.

por Leonardo Maia


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O LADO DA EMPATIA SUPERIOR


O LADO DA EMPATIA SUPERIOR

Leonardo Maia


“Se você sente dor, você está vivo. Se você sente a dor das outras pessoas, você é um ser humano.”

Tolstói


Rudolf Steiner nos trouxe que a ciência, a educação e cultura são essenciais para o desenvolvimento da consciência humana.

Trouxe também que o valor humano, a dignidade e a cooperação fraternal são as guias para as relações sociais e desenvolvimento da percepção de humanidade: a superação do egoísmo em direção ao altruísmo, onde o Eu Superior se identifica no outro.

O pensamento materialista não pode estar acima do bem estar social onde a economia subjuga todos os interesses vivos e humanos ao mecanismo desumano e impessoal de busca de lucros, conquistas de bens materiais e do poder do subjugar do dinheiro: me torno melhor que outro, domino o outro por conta do meu poder econômico.

A Era da Consciência exige uma percepção pontual de cada aspecto da vida e da alma. Nada pode ser generalizado para justificar qualquer hipótese ou alienação: viver sem conhecer ou compreender os fatores sociais, políticos e culturais que o condicionam e os impulsos íntimos que nos levam a agir da maneira que agimos ou aquele que, voluntariamente ou não, se mantém distanciado das realidades que o cercam; alheado.

Portanto, ocultar conscientemente qualquer aspecto da consciência (seja em qualquer contexto – político, social ou cultural) para não expor aspectos específicos individuais ou coletivos é atuação contrária aos Impulsos da Evolução Humana segundo as perspectivas antroposóficas.

O lucro não está acima da vida e a solidariedade é a base do bem estar comum.

“A terra, como o cenário da vida, o campo de trabalho e a evolução da humanidade, pertence, originalmente, a todos por igual; e todos, por igual, são chamados a cooperar fraternalmente para criar, com base no que a natureza oferece, os bens, incluindo os espirituais, para satisfazer as necessidades vitais de todos. Esta missão em comum é cumprida pelo trabalho humano social e fraterno.” – Carlos Adrian Villegas

“Por causa dessa geopolítica que se instalou, proposta pelos economistas e imposta pela mídia, o centro do mundo, hoje, não é o homem, é o dinheiro. Isso abriu espaço para qualquer forma de barbárie pela qual a gente deixa morrer crianças, velhos e adultos tranquilamente.” – Milton Santos

Por isso tudo, coloque a mão na própria consciência, e reflita sobre o caminho que buscas e pregas para o mundo, aquilo que escondes ou apenas se negas a reconhecer em seu íntimo – porém que está exposto a todos em suas colocações, escolhas e argumentos (principalmente nas redes sociais).

Deixo um trecho do um texto de Edgard Morin de março de 2020:

“O vírus está trazendo uma nova crise planetária à crise planetária da humanidade na era da globalização… Devemos pagar, em mais vítimas, pelo sonambulismo generalizado e pela falta de espírito que separa o que está totalmente interligado? E, no entanto, o vírus nos revela o que estava escondido nas mentes compartimentadas que se formavam em nossos sistemas educacionais, mentes que eram dominantes entre as elites tecnoeconômico-financeiras: a complexidade de nosso mundo humano na interdependência e na inter-solidariedade da saúde, econômica, social e de todas as coisas humanas e planetárias. Esta interdependência manifesta-se em inúmeras interações e feedbacks entre os vários componentes das sociedades e dos indivíduos. Assim, as perturbações econômicas provocadas pela epidemia encorajam a sua própria propagação.

O vírus vem nos dizer, então, que esta interdependência deve dar origem a uma solidariedade humana, que demonstre consciência do nosso destino comum. O vírus também nos revela o que chamei de “ecologia da ação“: a ação não obedece necessariamente à intenção, ela pode ser desviada e até retornar como um bumerangue para atacar quem a desencadeou. É o que prevê o Professor Eric Caumes do hospital Pitié-Salpêtrière: “No final, são as reações políticas a este vírus emergente que conduzirão a uma crise econômica global… com um benefício ecológico”. O último paradoxo da complexidade: o mal econômico pode gerar melhorias ecológicas. A que custo? Em qualquer caso, enquanto nos faz muito mal, o coronavírus nos diz verdades essenciais.”

Temos dois lados bem postados: um lado da humanidade e solidariedade e outro da intriga, individualismo e indiferença. Um deles leva a dignidade e evolução do ser humano. Escolha o seu…

“Nós devemos nos tornar conscientes de uma forma superior de comunidade, fundada no amor entre os irmãos e liberdade de pensamento.” – Rudolf Steiner

por Leonardo Maia


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O RECONHECIMENTO DO OUTRO EM NOSSO CORAÇÃO


O RECONHECIMENTO DO OUTRO EM NOSSO CORAÇÃO

Ehrenfried Pfeiffer

Tradução livre: Leonardo Maia


Somos capazes de aceitar o outro em nossos corações com todas as suas fraquezas e preconceitos para que se tornem o que realmente são?


Acima de tudo, devemos tentar fortalecer nossas qualidades humanas. Cada pessoa, por mais humilde e aparentemente insignificante que seja, é uma revelação e uma imagem do espírito. É essencial desenvolver essa atitude em nós e nos outros.

O que entendemos sobre outras pessoas? Somos capazes de aceitá-los em nossos corações com todas as suas fraquezas e preconceitos para que se tornem o que realmente são?
Devemos sintonizá-los de tal forma que reconheçamos a “semente humana” neles e a despertem – para que se sintam reconhecidos, compreendidos, elevados para além do seu estado anterior e, assim, conscientes do seu valor como seres humanos.

Não importa o quão importante as outras pessoas sejam para nós, mas o que podemos fazer por elas. Para crescer, eles precisam de bondade e confiança que os capacitarão a assumir suas novas tarefas.

Temos que despertar as melhores qualidades nos outros. Isso requer, no entanto, que primeiro o sol brilhe, traga luz e calor e faça as coisas crescerem, quando o orvalho matinal sacia a sede das plantas.

Podemos expressar esse desafio nas seguintes palavras:

“Devemos não apenas permanecer um planeta, mas também nos tornar uma estrela fixa, um sol. O sol brilha para todos. Ele irradia calor, luz e vida, independentemente desses presentes serem absorvidos por todos ou não. A única coisa que conta é o que fazemos pelos outros de forma altruísta. Posso mencionar esses assuntos para você, uma vez que eles não causam nenhum problema entre nós.”

A tarefa é belamente declarada em sua oração de coração do Monte Athos. De maneira diferente, mencionamos a transformação do sete no doze, mais o décimo terceiro. Estas são as doze joias e os doze portões da Nova Jerusalém na Revelação de São João.

Ehrenfried Pfeiffer

Tradução livre: Leonardo Maia


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O MISTÉRIO DE MICAEL


O MISTÉRIO DE MICAEL

Rudolf Steiner

Tradução livre: Leonardo Maia


“Por meio de Seu grande sacrifício, Cristo viverá na mesma esfera em que Ahriman habita. O homem terá a escolha entre Cristo e Ahriman. O mundo poderá, na evolução da humanidade, encontrar o caminho de Cristo.”

Rudolf Steiner


“Para começar, somente em uma época muito recente, é que se pode falar realmente do que se passa entre os Seres divino-espirituais. É uma série de ações dos deuses, com as quais devemos tratar aqui. Os deuses atuam no que os impulsos de suas próprias naturezas individuais sugerem a eles. Eles encontram sua satisfação adequada nesta atividade. E como eles são afetados por elas, são suas únicas questões em vista. Apenas em uma esfera do campo das atuações dos Deuses, pode ser visto algo que se parece com a humanidade. A humanidade é uma parte da atividade dos Deuses.

Há um Ser espiritual, no entanto, que desde o início voltou seus olhos para a humanidade: este é Micael. Ele organiza, por assim dizer, as ações dos Deuses, para que o Homem possa existir em um canto cósmico. E seu modo de atividade ao fazer isso é análogo ao que se mostra mais tarde no Homem como Intelecto – apenas que, com ele, é uma corrente de força ativa, que flui por todo o Cosmos, introduzindo ordem de idéias e trazendo causa para efeito de fato. Nesta força é onde Micael está trabalhando. É sua função administrar a Intelectualidade do Cosmos. Ele deseja um maior progresso, a saber, que a força que atua como Inteligência em todo o Cosmos seja concentrada na individualidade do Homem. A conseqüência é que chega um momento na evolução do mundo, quando o Cosmos não vive mais por seu presente, mas por sua Inteligência passada, enquanto a Inteligência presente está no fluxo humano de evolução.

Micael quer manter esta Inteligência, que está crescendo na humanidade, em conexão contínua com os Seres espirituais divinos.

Para isso, no entanto, existe um obstáculo. Toda a linha de evolução percorrida pelos Deuses, desde o ponto em que a força intelectual é libertada de seu funcionamento cósmico, até onde se incorpora à natureza do Homem, encontra-se em aberto como um fato patente no mundo. Supondo que haja quaisquer seres, possuidores da faculdade de ver esses fatos, eles poderiam se apossar dela. E tais seres realmente existem – ou seja, os seres ahrimâicos. Toda a sua predisposição consiste em absorver em si qualquer tipo de inteligência que se desprenda dos Deuses. Eles são adequados para assimilar em seu próprio ser toda a soma de intelectualidade de todo tipo. Assim, eles crescem para ser as maiores, as mais abrangentes e penetrantes Inteligências em todo o Cosmos.

Micael pode prever como o Homem, à medida que alcança cada vez mais o uso privado da inteligência, precisa entrar em contato com esses seres arimânicos, e pode então ser tentado a uma aliança com eles e, assim, cair como sua presa. Micael, portanto, coloca os Poderes Ahrimânicos sob seus pés, conduz-os constantemente para as regiões mais profundas, abaixo daquela onde o Homem está buscando seu desenvolvimento. Micael, com o pé sobre o Dragão, lançando-o no abismo – tal é a imagem estupenda, que vive na consciência humana, dessas ações no mundo supersensível.

A evolução segue em frente. A força intelectual, que a princípio estava inteiramente dentro do domínio da espiritualidade divina, agora se torna tão destacada, que dá alma ao Cosmos. O que antes havia sido disparado apenas como raios dos Deuses, agora brilha como glória revelada da divindade do mundo das estrelas. Antes, o mundo era guiado pelo próprio Ser Divino; agora, ele é guiado pela Revelação Divina, que se tornou objetiva, e por trás da qual o Ser Divino está passando pelo próximo estágio de seu próprio curso evolutivo.

Aqui, novamente, Micael é regente da Inteligência Cósmica, na medida em que esta Inteligência flui como um fluxo ordenador de Idéias através de todas as revelações do Cosmos.

A terceira fase da evolução é ainda mais um distanciamento da Inteligência Cósmica de sua fonte original. Não é mais a ordem de ideias do presente que rege os mundos estelares como revelação divina; mas as estrelas se orientam e se agrupam em seus percursos de acordo com a ordem de ideias que foi implantada nelas no passado. Micael vê aquilo que estava sob seu domínio no Cosmos – a Intelectualidade do Cosmos – cada vez mais tomando seu caminho para a humanidade na terra.

E Micael vê também que o perigo de a humanidade cair nas armadilhas dos Poderes Ahrimânicos está se tornando cada vez maior. Por si mesmo, ele sabe que sempre terá Ahriman sob seus pés; mas ele pode fazer o mesmo pelo homem?

Ele vê o maior de todos os eventos na Terra acontecer. Fora daquele reino do qual o próprio Micael era servo, o Ser Crístico desce à esfera da Terra, para que possa estar junto quando o poder da Inteligência tiver passado completamente para o indivíduo humano. Pois então chegará o tempo em que o desejo será mais forte no Homem, inteiramente de se entregar àquele Poder, que em cada ser particular e em perfeição consumada se tornou o portador da força intelectual. Mas Cristo estará próximo. Por meio de Seu grande sacrifício, Ele viverá na mesma esfera em que Ahriman habita. O homem terá a escolha entre Cristo e Ahriman. O mundo poderá, na evolução da humanidade, encontrar o caminho de Cristo.

Essas são as experiências de Micael com a regência cósmica. Para permanecer com aquilo que foi seu objeto de regência no cosmos, ele toma o caminho do cosmos para a humanidade. Ele tem estado no caminho desde o século VIII do Cristianismo, mas só realmente assumiu seu ofício terreno – no qual seu ofício cósmico é transformado – no último terço do século dezenove.

Micael não tem poder para obrigar os homens a nada. Pois o próprio fato de a Inteligência ter passado completamente para o domínio da individualidade humana, significa, por si mesma, o fim de toda compulsão. Mas no mundo suprassensível que beira o físico, Micael pode realizar diante dos homens, em um ato majestoso de ritual imaginativo para sua imitação, o que ele deseja fazer. Lá ele pode se mostrar em uma aura de luz, em um gesto espiritual, no qual é revelada toda a glória e majestade da Inteligência passada dos Deuses. Lá ele pode demonstrar visivelmente como esta Inteligência do passado é, mesmo agora em seus efeitos no presente, mais verdadeira, mais adorável e mais virtuosa do que tudo que em falso esplendor ilusório procede na Inteligência atual imediata de Ahriman. Lá ele pode deixar os homens verem como, para ele, Ahriman deve ser sempre o espírito mais vil sob seus pés.

Aqueles que podem olhar para o mundo suprassensível que está próximo ao mundo físico, vêem Micael ali, mesmo como ele é descrito aqui, e vêem o que ele e seus companheiros estão tentando fazer pelos homens. Essas pessoas vêem como o Homem livre deve ser guiado, pela imagem de Micael na esfera de Ahriman, para longe de Ahriman em direção ao Cristo.

Se, através de suas próprias visões, essas pessoas conseguirem abrir os corações e mentes de outros homens também, de modo que possa haver um grupo de pessoas que sabem como Micael está agora morando entre os homens, então a humanidade começará a celebrar a Festa de Micael em sua verdadeira realidade, pois em tais festivais as almas humanas despertarão para a vida dentro de si mesmas o poder de Micael. Então, Micael estará trabalhando como um verdadeiro poder entre os homens. O homem será livre e, ainda assim, em comunhão íntima com Cristo, enquanto ele viaja em seu caminho de vida espiritual através do Cosmos.”

Rudolf Steiner – “O Mistério de Micael”

Tradução livre: Leonardo Maia


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Titular: Leonardo André Fonseca Maia