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A Antroposofia e o Bolsonarismo


A ANTROPOSOFIA E O BOLSONARISMO

Leonardo Maia


“Como antropósofos ou simpatizantes da Antroposofia apoiam um ser humano que tem como herói um torturador que enfiava ratos na vagina de mulheres durante sessões de tortura? O que aconteceu no meio antroposófico?


Steiner disse que a Antroposofia surgirá no indivíduo como uma necessidade do coração e do sentimento. Que para conectar-se ao Espiritual, ele deveria buscar em seu ambiente e em suas vivências, o que lhe possa causar admiração e respeito com disposição devocional. Pergunto, o que tem causado admiração e respeito com disposição devocional aos Antropósofos apoiadores de Bolsonaro?

Daí surgem várias questões:

Como podemos falar de um desenvolvimento moral baseado em um amor altruísta, que, segundo a Antroposofia, é a missão do ser humano na presente Terra e ao mesmo apoiar um ser humano que é favorável a tortura, grupos de extermínio e etc?

Como podemos falar sobre Agricultura Biodinâmica e apoiar um governo que tem uma política de liberação de agrotóxicos em prol do lucro capitalista?

Como podemos falar de Filosofia da Liberdade e apoiar um governo que busca silenciar tudo e todos que questionam ou vão contra a sua política governamental?

Falar de Arte como expressão pura do Espírito e defender quem marginaliza e dogmatiza sua expressão?

Falar sobre a harmonia do homem e a natureza e apoiar um governo que é contra as políticas de proteção ambiental e dos povos nativos (indígenas)?

Percebemos uma contradição entre os valores da Antroposofia e os valores que alguns antropósofos apoiam como representação política. A incoerência é percebida por inúmeras pessoas da comunidade antroposófica e também por várias pessoas que tem um contato, mesmo que superficial, com a mesma. Aquilo que falo e discurso sobre a Antroposofia realmente vive no meu coração ou se trata de uma conceituação estática e morta, sem vida? Um discurso intelectualizado que não reverbera na alma?

O que está acontecendo?

Bom… existe uma crise, muitas dúvidas surgiram e muitas pessoas não estão entendendo esse processo e, ao mesmo tempo, acontece um movimento que busca abafar o que está acontecendo, sob a justificativa de que a Antroposofia não se manifesta no âmbito político. Mas como um aspecto tão crítico pode ser ignorado?

Este tema específico não pode ser transformado em tabu, pois o contexto pode criar uma neblina em cima da realidade. Este é um aspecto extremamente relevante tanto para a realidade humana atual (material e espiritual) quanto para a própria Antroposofia, que passa a ser apresentada sob uma perspectiva meramente conceitual, fora da vivência anímica, desvinculada das forças que emanam do coração.

Percebe-se pela sua influência no próprio meio antroposófico, que apesar de todas as orientações e valores, sofre com uma sombra, mesmo que negada por muitos, da influência política – principalmente por este aspecto dos valores de representação.

Muitas pessoas me perguntam: “como pode pessoas do meio Antroposófico apoiarem Bolsonaro? Falam de Impulsos Crísticos, altruísmo, amor altruísta e etc, mas apoiam um cara que tem como herói um torturador? A Antroposofia não é verdadeira…”. E eu concordo com eles, “essa Antroposofia” não é, pois se ela não reverbera no coração humano, na alma individual, passe a ser apenas uma conceituação estática e intelectualizada.

Como a realidade se tornou tão difusa e distorcida? Como valores e impulsos Crísticos se inverteram?

Aí temos que que analisar na perspectiva de Cristo e sua oposição, chamada de Sorat. Steiner alerta sobre sua atuação, que ameaça a cristandade – que procura pelo verdadeiro humanismo, fazendo valer a animalidade contra o humanismo. Disse Steiner no Apocalipse de João:

“…estas são tentativas, pelo lado de Sorat, de penetrar em primeiro lugar, pelo menos temporariamente, em consciências humanas e causar desgraça e confusão… e antes do término do século 20 ele se mostrará a aparecer em numerosos seres humanos como aquela entidade da qual estão possessos: exteriormente serão naturezas extremamente fortes com traços furiosos, com fúria destruidora em suas emoções…”

Pessoalmente, essa descrição me remete muito a figuras como Trump e Bolsonaro… além obviamente de parecerem contrários ao humanismo – vide que Steiner diz que Sorat faz valer a animalidade contra o humanismo. Perceba também que muitos dos seus seguidores mais fanáticos se tornam extremamente agressivos – tem uma tendência oposta à cordialidade, ao respeito, à compaixão e ao altruísmo. E no extremo, culminando na violência, simplesmente querendo a morte dos opositores, divergentes ou mesmo aqueles que desprezam ou não toleram (muitas vezes uma perspectiva generalizada, onde se quer tenho contato anímico ou real com os impulsos interiores dos indivíduos) e que determino descartáveis – como imigrantes, negros/latinos, muçulmanos ou seguidores de outras doutrinas que não sejam a da representação que eu sigo, homossexuais e etc… – a oposição completa ao humanismo, a bestialidade contra a humanidade.

Como isso pode estar acontecendo na consciência individual das pessoas?

Bom, devemos analisar da perspectiva Lúcifer e Ahriman, onde Lúcifer dissolve a percepção dos fatos em si e Ahriman coagula a interpretação, de acordo com as intenções.

Por isso que temos que ter ciência da atuação as forças de Lúcifer e Ahriman. Cristo seria o ponto de equilíbrio entre essas polaridades (Lúcifer e Ahriman), onde a compreensão é sempre encontrada no ponto de equilíbrio. Mas as chamadas “forças adversas” atuam de forma a distorcer a percepção da realidade na consciência individual, por isso vemos tanta gente cega com o que está acontecendo, e isso vai além do intelecto. Por exemplo, uma distorção (Lúcifer) criada para gerar uma inversão de valores foi coagulada (Ahriman) na consciência individual de muita gente. Como Cristo caminha em direção à verdade, esse desequilíbrio provavelmente vem do impulso contrário (Anticrístico – vide Sorat). Basta ver que os valores Crísticos também estão se invertendo nas consciências individuais. O que nos parece um absurdo é a atuação dessas forças na consciência individual.

Quanto mais genérica e dissolvida a narrativa dos fatos, mais moldável a qualquer interpretação, ainda se analisarmos com relação ao processo temporal, pode se utilizar a mentira da própria narrativa (vide a onda de fake news atual) – o que sempre foi muito comum historicamente. Esse processo foi utilizado para gerar um “inimigo maior”, invisível, que desperta um ódio incontrolável no indivíduo e justifica todos os meios para sua eliminação e isto está coagulado em muitas consciências individuais (e isto não é apenas no Brasil).

Por isso se pontua as questões… Por exemplo quando não é pontuado nenhum dos absurdos que o Bolsonaro está fazendo e mesmo representa – isso é uma ação totalmente Luciférica pois dissolve a realidade e a molda conforme minha interpretação – geralmente utilizada como forma a me autoafirmar por pessoas com o Eu mais forte, no caso de pessoas com o Eu mais fraco ela serve para reafirmar minha ideologia de grupo, seita ou representação (vide Gog e Magog – Apocalipse de João, Rudolf Steiner).

Este é um tema super delicado e que não pode ser desmerecido ou ignorado. Quais são os valores que te despertam o interesse pela Antroposofia e vivem em seu coração e em seus atos?

Leonardo Maia


NOTA: Pessoal, gostaria de agradecer o debate e fazer algumas colocações aqui:

– Toda a conceituação do texto é fundamentada na Antroposofia e os questionamentos são de ordem pessoal: portanto fundamentem as afirmações. Para a Antroposofia, o desenvolvimento moral deve ser baseado em um amor altruísta é a missão do ser humano na presente Terra. As atitudes morais devem preservar a liberdade individual, isto é, não devem ser baseadas em imposições exteriores de mandamentos, dogmas e leis, mas irradiar do amor e do conhecimento individual em plena liberdade (vide Sociedade Antroposófica do Brasil). Portanto, se você apoia ações e posicionamentos que não caminham nessa direção, você está indo na direção contrária. Estes impulsos devem viver na alma do indivíduo, ele não pode ser um discurso meramente intelectual. Este é o questionamento principal do texto.

– Dizer que a Antroposofia não trata desses assuntos não é verdade. A Antroposofia um método de conhecimento da natureza do ser humano e do universo (vide Sociedade Antroposófica no Brasil) e suas relações. No primeiro setênio o mundo é bom, no segundo é belo e a partir do terceiro o mundo é “Verdadeiro”. A Antroposofia busca a verdade e está conectada à realidade… nada pode ser ignorado ou desconsiderado, senão ela mesma não pode se vincular ao Espírito Vivo. Ela não busca apenas o que me convém ou me autoafirma. Muitas pessoas, no momento em que os conceitos Antroposóficos vão no caminho oposto ao escolhido, ou a desvirtuam, ou desvinculam-na da realidade, ou seja, anulando sua relação com a vida em si. No extremo, a ignoram e entram na pura negação: não vou enxergar tal fato ou tal questionamento não é digno de reflexão, ou mesmo, a Antroposofia não deveria se meter nesses assuntos.

– Para os que virão com: “E o PT, e o Lula?”

(Geralmente acompanhada de insultos, CAIXA ALTA – COMO SE ESTIVESSEM GRITANDO INFLAMADOS, e de acusações de esquerdista, marxista, socialista, comunista, petista e etc…)

Não, eu não sou petista nem esquerdista. Sou humano e defendo valores e ações éticas e morais. Poderia ser o Lula, o Ciro, o Bolsonaro, a esquerda, a direita, o centro, o Papa, a Igreja, Hitler, Steiner ou Cristo apoiando torturador ou grupos de extermínio que criticaria da mesma forma. Se duvida, acesse meu perfil e vá até a época dos governos de Dilma e Lula e vejam as publicações.
Como já respondi anteriormente, o questionamento não sobre direita ou esquerda, a questão é de valores e moralidade, não é política partidária.

Nunca vi um vídeo do Lula apoiando a morte, a tortura, grupos de extermínio, homofobia e etc… Eu nunca votei no PT nem no Lula, mas quem votou acreditava que ele foi bom ou seria bom para o país ou para si próprio (ou pelo menos a melhor opção no momento da escolha) – essa sim seria a liberdade de escolha que é argumentada para ocultar o verdadeiro questionamento no caso do Bolsonaro: os valores.

Observe pontualmente suas declarações e do que se trata. Mesmo que digam que o Lula é pior que o Bolsonaro, tem piores intenções e etc, isso não é comprovado, apenas por perspectiva pessoal, que nem de longe é consenso, ao contrário dos valores do Bolsonaro que são afirmados por ele próprio.

Então, no caso do Bolsonaro, a escolha de representação, por parte de seus eleitores e apoiadores, para chefiar uma nação representa um aspecto consciente de tais valores, e não inconsciente como no caso de quem escolheria o Lula, mesmo “caso” (trago como uma hipótese) ele tivesse valores iguais ou piores que o Bolsonaro pois neste caso estariam sendo enganados e acreditando que ele seria bom por um aspecto Luciférico – não que isso não possa ocorrer também no caso do Bolsonaro.

Porém, esse aspecto da consciência ou inconsciência neste âmbito específico dos valores, no meio antroposófico, é para se questionar sim… e extremamente relevante. Um ponto importante é que ter votado ou apoiar Bolsonaro não faz ninguém mau necessariamente, mas existe um processo na alma que pode fazer o indivíduo relativizar o mal, nesse caso é extremamente perigoso pois faz o indivíduo descer a um nível moral inferior… por isso volto a repetir, é extremamente relevante considerar tudo isso que está acontecendo.

– Outro ponto relevante a ser considerado é que este questionamento vinculado aos valores e moralidade, através do impulso humanista e altruísta em relação ao atual governo, aspectos básicos essenciais da Antroposofia e de suas indicações, é vinculado por inúmeras pessoas e antropósofos (inclusive antigos estudantes devidamente reconhecidos) ao socialismo, comunismo, partidarismo, marxismo e esquerdismo, que, ao adjetivarem tais questionamentos dessa forma, criam uma retórica anti-marxista/socialista fundamentada na Antroposofia para rebater tais questionamentos.

Percebam um paradoxo: como um questionamento sobre valores e moralidade (Solares) pode ser vinculado a tais ideologias para, então, confrontá-las? Então, na mente de quem as confronta, existe, mesmo que inconscientemente, uma ideia relacionando tais Impulsos à tais ideologias, ou seja, às próprias indicações da Antroposofia.

Esse é um aspecto de distorção e generalização dessas polaridades ideológico-partidárias, portanto analisa-se o pontual, esse aspecto da direita ou esse aspecto da esquerda e etc… portanto cada ponto deve ser analisado e argumentado, elevando-se à esfera do propósito maior na qual reside o ser “Antroposofia”. Tanto a esquerda quanto a direita podem ir contra ou a favor desse propósito… mas uma coisa eu acredito, essa guerra polar entre esquerda e direita é um aspecto destrutivo de movimento contrário ao desenvolvimento da consciência humana (opinião pessoal).

– Estava ciente que meu questionamento iria gerar ataques a minha pessoa e à página além da perda de apoiadores que apoiam o governo: xingamentos, autoafirmações unilaterais sem argumentação e conceituação ou comentários que desvirtuam o ponto questionado. Como mencionaram, muitas dores das incoerências individuais seriam projetadas.

Sou um ser humano e não sou dono da verdade, mas meus questionamentos são sinceros e honestos – similar ao de inúmeras pessoas vinculadas ou não à Antroposofia. Mas como Steiner indicou, terei coragem de perguntar: do medo quero arrancar o domínio e entregá-lo ao amor.

Quer saber mais sobre tudo isso? Convido os interessados a participar da palestra no dia 13 de agosto – quinta feira às 20h:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, COM A CONSCIÊNCIA HUMANA?

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


A capacidade de transcender o si mesmo


A CAPACIDADE DE TRANSCENDER O SI MESMO

Leonardo Maia


Da congruência entre enfraquecimento das forças do coração (indiferença) e generalização daquilo que desprezo ou não tolero, é de onde surgem movimentos como o Holocausto, Inquisição, Racismo, Homofobia, Higienização social entre outros.


Cada encontro, desde o âmbito parental, amizades, relacionamentos amorosos e profissionais, até mesmo naqueles curtos encontros possuem um significado que poderá ser ou não percebido pela consciência desperta.

Mas sempre existe algo oculto, que transcende a consciência terrena da encarnação. Pode existir aquilo que não lembramos. Por trás dele, pode existir um caminho de perdão, aceitação e amor, onde a devoção inconsciente pode se tornar uma devoção consciente através do reconhecimento mútuo construído ao decorrer do tempo. Reconhecimento este capaz de curar as mais profundas das feridas, que podem ter suas raízes em tempos muito remotos.

Através dessa compreensão, nestes encontros, somos capazes de transcender o si mesmo, chegar mais profundamente ao cerne do outro indivíduo, tocar e ser tocados. Nesse encontro de almas, pode-se despertar o sentimento de empatia, de compaixão e de altruísmo, mas para isso devemos estar vulneráveis ao Amor, que é a verdadeira força que move a existência humana.

Porém existe o perigo de nos tornarmos intolerantes ao caminho do outro, de lidarmos com indiferença às dificuldades e sofrimento alheio. Do coração se tornar rígido, incapaz de sentir e penetrar a alma daqueles que precisam de nosso apoio, podendo nos tornar incapazes de servir e, muito além disso, de perdoar.

Se caso, num processo mais profundo, certas forças dissolverem nossa capacidade de percepção da realidade, podem gerar um processo de generalização daquilo que desprezo e não tolero, mesmo que seja de âmbito estritamente pessoal, como aqueles que não toleram raças (como negros, asiáticos, latinos e etc…), as que não toleram opção sexual do outro, a religião, nacionalidade (imigrantes), chegando até mesmo na posição social e opção de vida pessoal. Estes aspectos são reflexos, em verdade, de um subdesenvolvimento do EU, da própria individualidade que está dissolvida e é incapaz de perceber o aspecto anímico do outro ser humano e suas singularidades.

Desta congruência entre enfraquecimento das forças do coração (indiferença) e generalização daquilo que desprezo ou não tolero, é de onde surgem movimentos como o Holocausto, Inquisição, Racismo, Homofobia, Higienização social entre outros.

Quer saber mais sobre tudo isso? Convido os interessados a participar da palestra no dia 13 de agosto – quinta feira às 20h:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, COM A CONSCIÊNCIA HUMANA?

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


A SABEDORIA E O PODER VIVO DO AMOR


A SABEDORIA E O PODER VIVO DO AMOR

Rudolf Steiner (GA 114 – The Gospel of St. Luke)

Tradução livre e comentário: Leonardo Maia


Quando os homens chegarem ao fim de sua evolução, a sabedoria lhes revelará o conteúdo da doutrina da compaixão e do amor; isso eles devem a Buda. Mas, ao mesmo tempo, possuirão a faculdade de deixar o amor fluir do Ego sobre a humanidade; isso eles devem a Cristo.


Dezenove séculos e cinco mais já se passaram desde que o grande Buda viveu na Terra; daqui aproximadamente três mil anos – isso aprendemos com o ocultismo – um número considerável de seres humanos terá atingido o estágio de evolução da sabedoria de Buda, o Caminho Óctuplo, de sua própria natureza moral, em seu próprio coração e alma.

Buda esteve na Terra e o poder que a humanidade desenvolverá pouco a pouco à medida que desenvolve a sabedoria do Caminho Óctuplo procederá dele; daqui a três mil anos, os homens poderão desenvolver seus ensinamentos de dentro de si mesmos; será então sua própria posse e eles não serão mais obrigados a recebê-la de fora. Então eles poderão dizer: este Caminho Óctuplo brota de nós mesmos como a sabedoria da compaixão e do amor.

Mesmo que nada mais tivesse acontecido além do por em movimento a Roda da Lei pelo grande Buda, daqui a três mil anos a humanidade se tornaria capaz de conhecer a doutrina da compaixão e do amor.

Mas é diferente ter “adquirido a faculdade” de “incorporá-la na vida”. Não apenas para saber sobre compaixão e amor, mas sob a influência de uma Individualidade para revelá-la como poder vivo – aí vive a diferença.

Essa faculdade procedeu de Cristo. Ele derramou o próprio amor nos homens e ele crescerá de força em força. Quando os homens chegarem ao fim de sua evolução, a sabedoria lhes revelará o conteúdo da doutrina da compaixão e do amor; isso eles devem a Buda. Mas, ao mesmo tempo, possuirão a faculdade de deixar o amor fluir do Ego sobre a humanidade; isso eles devem a Cristo.

Rudolf Steiner – GA 114 – The Gospel of St. Luke

Tradução Livre: Leonardo Maia

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Vale observar o trecho:

“Mas é diferente ter adquirido a faculdade de incorporá-la na vida. Não apenas para saber sobre compaixão e amor, mas sob a influência de uma Individualidade para revelá-la como poder vivo.”

A compreensão intelectual deve permear a vivência do ego. O desafio de transcender a sabedoria da doutrina “da compaixão e do amor” de Buda e incorporá-la na alma individual para o amor flua do EU para a humanidade é o caminho Crístico: Amor como força viva.

O verdadeiro Caminho Crístico está além do discurso. O Impulso do Amor e da Compaixão de Cristo devem permear as ações, decisões e impulsos do EU.

Para a Antroposofia, vale lembrar:

“A Ciência Espiritual não significa apenas a mera aquisição de conhecimento.” – Rudolf Steiner

RESUMO DO CAMINHO ÓCTUPLO DE BUDA:

Compreensão correta: Compreensão de acordo com as Quatro Nobres Verdades, de maneira a entender as coisas como elas realmente são.

Pensamento correto: O pensamento da renúncia, de desenvolver as nobres qualidades, não tendo má vontade em relação aos outros, não querendo causar o mal (nem em pensamento).

Fala correta: Abster-se de mentir, falar em vão, usar palavras ásperas ou caluniosas. Falar a verdade, ter uma fala construtiva, harmoniosa, conciliadora.

Ação correta: Abster-se de destruir a vida, abster-se de tomar aquilo que não for dado, abster-se da conduta sexual imprópria.

Meio de vida correto: um modo de vida equilibrado, nem perdulário nem mesquinho e que não cause mal a outros seres. Inclui ter uma profissão que não esteja em desacordo com os princípios.

Esforço correto: Abandonar estados prejudiciais e as causas para futuros estados prejudiciais. Cultivar estados benéficos que tenham surgido e condições para futuros estados benéficos.

Consciência correta: Desenvolver consciência do corpo, fala e mente, em linha com o caminho óctuplo.

Concentração correta: Estabilidade e foco mental.

IMPORTANTE:

Não perca na próxima semana, dia 13 de agosto, a palestra sobre o importante processo que estamos vivenciando e está influenciando a consciência humana:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, COM A CONSCIÊNCIA HUMANA?

https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


Generalização x concepção pontual da realidade viva


GENERALIZAÇÃO X CONCEPÇÃO PONTUAL DA REALIDADE VIVA

Leonardo Maia


Se não conseguimos atingir o cerne do pensamento alheio, todo julgamento será baseado em pré-concepções superficiais de comportamento e pensamentos padronizados e isso é o oposto da concepção real e pontual da realidade, que é o que a Era da Consciência nos exige hoje.


Hoje em dia, o tempo espremido e o excesso de informações e compromissos trouxeram uma grande dificuldade: a falta de profundidade. Temos que estar a margem de muitas coisas e isto acaba nos impedindo de nos aprofundar verdadeiramente em todas elas, ou até mesmo, em quaisquer uma delas.
Para isso deveríamos abrir mão muitas coisas, mas isso é uma tarefa muito difícil, pois a sociedade atual acaba nos pressionando a “navegar” por entre esse excesso de informações. Mas existe um aspecto social crucial que necessita de profundidade: o outro ser humano.

Cada ser humano é uma entidade única e singular e só concebemos isso a partir de uma relação mais profunda com os seus propósitos, seu modo de pensar, sua história de vida e suas maneiras de se relacionar com o mundo, ou seja, permitir que sua alma nos toque.

Essa dificuldade em adentrarmos o outro nos faz entrar no campo da generalização e rotulação do comportamento alheio:

Quem é o João? Ele é um médico, ateu, machista, vegano e de esquerda.

Quem é a Maria? Ela é uma artista, feminista, lésbica e de esquerda.

Quem é a Carolina? Ela é advogada, evangélica e de direita.

Então desenhamos o perfil dessas pessoas e criamos suas imagens a partir de nossas próprias considerações dos adjetivos, fazendo que eu tenha uma simpatia ou antipatia premeditada.

E isso vai além, todas as qualidades e defeitos do rótulo vão agregadas ao perfil, mesmo que o indivíduo não as possua.

Todos os adjetivos do indivíduo, não vem deles, e sim de uma gama de concepções padronizadas externas pré-estabelecidas . E vamos além, julgamos uns aos outros em cima desses rótulos e de nossas pré-concepções generalizadas em cima deles.

E, em muitos casos, inicia-se uma inquisição em cima dos indivíduos baseada em aspectos generalizados. Essa inquisição parte de todos os lados, como se não houvesse possibilidade de sensatez, coerência e respeito à partir do momento que indentifico um aspecto específico que destoa de minhas ideologias.

Como eu contribuo com isso? Generalizando… julgando o outro por contextos generalizados. Se não conseguimos atingir o cerne do pensamento alheio, todo julgamento será baseado em pré-concepções superficiais de comportamento e pensamentos padronizados.

Não que a individualidade não possa ser diluída em tais padrões coletivos, aspecto extremamente comum hoje devido ao contexto de mecanização e superficialização do pensar impostos pela atual estrutura social contemporânea, porém tal perspectiva deve ser apontada apenas no âmbito da concepção real e pontual de tal aspecto no indivíduo em questão, caso contrário é, na verdade, um aspecto espelhado, ou seja, reflete a dissolução da minha própria individualidade num padrão coletivo de julgamento através da suposição (mesmo que tal suposição possa ser verdadeira) – o próprio julgamento é um mergulho no padrão coletivo e na incapacidade de perceber a realidade viva.

Tal concepção real e pontual da realidade é o que a Era da Consciência nos exige hoje.

Este aspecto de generalização e rótulos realmente é algo muito perigoso, pois socialmente já passamos processos terríveis em cima deste tipo de contexto, como a Escravidão em relação aos negros, a Inquisição em relação a crenças e o Nazismo em relação aos judeus.

Hoje ela se mostra em ideologias. O que vc pensa, pode lhe inserir aqui ou ali em um grupo na linha de fogo, o que fará vc esconder, ocultar o que vc realmente pensa para evitar ser julgado premeditadamente. E a máscara social estará em uso, pois somos incapazes de respeitar ideologias diferentes ou opostas, especificamente se esta ideologia é de âmbito estritamente pessoal e não reflete uma imposição que transcende tal âmbito, ou seja, mantém o respeito e o espaço de liberdade do outro (minha liberdade termina onde começa a do outro).

Se nos abrirmos ao outro, perceberemos que existe uma profunda singularidade em cada um, somos muito mais do que rótulos e generalizações, mesmo que, muitas vezes, tenhamos escolhas e opiniões similares, alguns comportamentos padronizados e etc…

Respeito leva à liberdade, mas exigir do outro uma conduta e forma de pensar baseados em uma moralidade específica é inquisição e aprisionamento.

Quer saber mais sobre tudo isso? Convido os interessados a participar da palestra que farei sobre o tema no dia 13 de agosto – quinta feira às 20h:

https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


Alguma história oculta


The Advent of Ahriman – parte 9:

ALGUMA HISTÓRIA OCULTA

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


O volume e velocidade das informações disponibilizadas impossibilita ou restringe de forma substancial a capacidade crítica dos indivíduos da atual sociedade contemporânea, fazendo-os absorver as informações sem condições de ponderação consciente: muita informação e atualização velocíssima, chegando para o indivíduo em tempo real devido às novas tecnologias. Gerando um hábito de que a realidade é a própria informação, seja ela verdadeira, falsa ou distorcida. Absorve-se inconscientemente, automaticamente. Todo este processo pode gerar um Impulso de moralidade imposta, contrária ao desenvolvimento da moralidade livre, nem mesmo pela imoralidade individual, mas pela sua amoralidade e inconsciência.


É um fato desconhecido da história, mas revelado pela pesquisa espiritual de Steiner, que enquanto a Encarnação de Cristo estava acontecendo na Palestina, outro drama estupendo aconteceu no México. Um alto iniciado dos Mistérios negativos, o “mago negro” mais avançado do mundo, alcançara, por repetidos assassinatos rituais de um tipo especialmente horrível, o limiar do conhecimento de certos segredos cósmicos profundos.

Esse conhecimento lhe daria a capacidade, como era sua intenção, de alcançar os objetivos ahrimânicos de enrigecer completamente a Terra, de modo a tirá-la do desenvolvimento progressivo em direção ao Novo Júpiter (próxima encarnação planetária) e de transformar organismos humanos em autômatos naquele “escombro” da Terra.

Ele foi frustrado com essa intenção pelo alto Ser Solar encarnado “Vitzliputzli”, que causou a crucificação do mago negro ao mesmo tempo que a crucificação de Jesus Cristo – um reflexo devastador no continente americano dos eventos na Palestina. (Desde então, a alma desse mago negro foi mantida em uma espécie de “prisão”.)

Lembre-se de que a época greco-romana durou aproximadamente 2160 anos, de 747 aC a 1413 dC. O ponto médio desta época foi 1413 AD menos 2160/2 = 333 AD. Considere (como uma hipótese) o ensino oculto de que eventos na história ocorrem em momentos que, por assim dizer, refletem e equilibram os eventos eqüidistantes no tempo a partir de um ponto médio. Tomando 333 dC como o ponto médio, o ponto de apoio da balança, e de um lado o Nascimento na Palestina, do outro lado da balança seria 333 dC + 333 = 666 dC.

O grande evento, conhecido pela história, do século VII foi a ascensão do Islã. Outro evento, não tão famoso, mas ainda conhecido na história, foi a transferência da filosofia grega antiga (especialmente as obras de Aristóteles, provavelmente incluindo o trabalho perdido sobre alquimia) para a Academia de Jundi Sabur (perto de Bagdá atual). Após a expulsão dos filósofos da Edessa da Síria em 489 dC e de Atenas em 529 dC, os filósofos encontraram refúgio no que era então o Império Persa, e naquela Academia eles seguiram seu chamado. Então esse conhecimento passou para os árabes islâmicos, e a ciência de uma determinada inclinação alcançou um alto desenvolvimento sob eles, enquanto a Europa estava na “Idade das Trevas”.

Somente gradualmente, ao longo de muitos séculos, essa ciência passou para a Europa, onde se desenvolveu na moderna revolução científica. Novamente, a tendência da ciência moderna, como ela se desenvolveu, é ahrimânica. O ancestral direto do materialismo científico foi essa ciência árabe, que foi derivada da Academia de Jundi Sabur. Assim, do outro lado do ponto médio de 333 dC, desde o nascimento na Palestina, havia o surgimento de uma visão de mundo materialista e anticristã ativa em Jundi Sabur.

A história oculta (conforme apresentada por Steiner) revela como isso aconteceu: Sorat pretendia abordar a manifestação física em 666 DC em Jundi Sabur, e conceder aos filósofos um conhecimento super-humano. Esse conhecimento consistiria em tudo o que a humanidade, sob o plano regular dos deuses, deveria aprender através de seus próprios esforços, no auge do presente, época da alma da consciência.

Esta época começou em 1413 dC, portanto seu ponto médio será 2493 dC. Em outras palavras, Sorat queria dar à humanidade, prematuramente e sem o esforço e a experiência humanos necessários, o conhecimento que seria correto e saudável para a humanidade alcançar através do trabalho e da evolução em meados do Terceiro Milênio.

O plano regular dos deuses para a época da alma da consciência é que a humanidade adquira, através da auto-educação e auto-disciplina, a personalidade humana livre, consciente e individualizada. Se a humanidade do século VII tivesse recebido esse conhecimento avançado naquele estágio imaturo de desenvolvimento, quando as pessoas não poderiam pensar em plena consciência, o resultado teria sido desastroso.

Apenas considere o quanto a humanidade do mal fez com a ciência que adquirimos até agora, em nosso estágio atual de maturidade (ou imaturidade), e tente imaginar o que as pessoas relativamente primitivas do século VII teriam feito com a ciência de 2493 AD. – Essa imagem já é ruim o suficiente, mas precisamos relembrar as idéias ocultas de Steiner para começar a entender todo o cenário.

Se Sorat tivesse tido sucesso, nós, humanos, teríamos perdido a possibilidade de desenvolver nossa verdadeira natureza e nos tornado autómatos egoístas e animalescos, sem possibilidade de desenvolvimento adicional. Teríamos nos tornado ligados à Terra, e a Terra nunca mais poderia passar para os estágios de Júpiter, Vênus e Vulcano. O plano regular dos deuses (evolutivo) teria sido seriamente impedido, e os homens teriam perdido seu propósito e oportunidade de se tornar Espíritos de Liberdade e Amor.

No entanto, a ascensão do Islã frustrou esse plano de Sorat. É um paradoxo profundo e misterioso que o Islã, que era, e é, oposto ao cristianismo de várias maneiras, também de fato trabalhou em conjunto com o impulso de Cristo na história, abafando, dissolvendo esta ciência de Sorat e diluindo-a.

O “realismo” dos escolásticos medievais (especialmente o aristotelianismo renovado de Tomás de Aquino) opôs-se a essa influência árabe, de certa forma vendo-a como inimiga do cristianismo; mas com o declínio e decadência do aristotelianismo medieval e com o surgimento do “empirismo” anti-aristotélico moderno (por exemplo, Francis Bacon), a ciência Sorática diluída, mas ainda poderosa, passou a dominar a cultura mundial.

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

A vida contemporânea, que nos aprisiona em pequenos espaços e gera pouca interação com os ambientes vivos: natureza e contato humano, principalmente nas grandes cidades, porém atualmente com impacto global. Gerações vivendo em casas ou apartamentos frios, pequenos, conectados a uma TV e agora aos celulares – absorvendo as informações e com a interação fria e distante da tecnologia (sem contato anímico real), também tem efeito direto nas forças do coração e empobrecimento da vida sensorial.

O que reflete na atual geração que manisfesta, em diferentes níveis, uma indiferença ao outro ser humano – seja por desinteresse, seja por falta de tempo, condições de interação ou mesmo pela própria dinâmica contemporânea onde o excesso de compromissos e informações absorvem o fluxo temporal praticamente de forma integral apenas para a própria subsistência do indivíduo – a força vital do indivíduo acaba reverberando quase que exclusivamente na manutenção do sistema atual social (ferramentas para o sistema) e, para si, na capitalização de seu esforço para autosustento.

Isso impossibilita ou restringe de forma substancial a capacidade crítica dos indivíduos da atual sociedade contemporânea, fazendo-os absorver as informações sem condições de ponderação consciente, devido ao seu volume e velocidade – muita informação e atualização velocíssima, chegando para o indivíduo em tempo real devido às novas tecnologias. Gerando um hábito de que a realidade é a própria informação, seja ela verdadeira, falsa ou distorcida. Absorve-se inconscientemente, automaticamente.

Aliado a este processo, temos as correntes ideológicas e doutrinárias, que com a ajuda tecnológica dos algoritmos das redes sociais, que criam bolhas de informação que aprisionam os indivíduos em padrões de pensamento restritos. Gerando indivíduos inconscientes, autômatos (que respondem automaticamente aos estímulos coordenados) e com um pensar padronizado – um não pensar, apenas a absorção e replicação das informações disponibilizadas.

Todo este processo tem relação direta com o atual impulso crescente de indiferença ao outro ser humano, principalmente aquele que não me traz benefícios diretos ou indiretos, relativização do mal e inflamação de raiva e ódio acarretados por reação autômata, principalmente por impulsos contrapostos (adversos/contrários), sejam ideológicos ou sociais (todos os tipos de relacionamentos sociais).

Todo este processo pode gerar um Impulso de moralidade imposta, contrária ao desenvolvimento da moralidade livre, nem mesmo pela imoralidade individual, mas pela sua amoralidade e inconsciência.

Para uma melhor compreensão do que está acontecendo, convido os interessados a participar da palestra que farei sobre o tema no dia 13 de agosto – quinta feira às 20h:

https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


 

AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS


The Advent of Ahriman – parte 4:

AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“”A falta de percepção sensorial real (conexão real entre as pessoas e a natureza), fortalecida pelo vida contemporânea virtual e de trabalho e educação mecanizados, aliado ao enfraquecimento da capacidade de criação de imagens próprias e de fantasia (criatividade), fortalece o pensar uniforme, mecânico e coletivo, mesmo que seja integrado a uma alta inteligência científica, gerando indivíduos mecanizados, sem individualidade guiado por instintos inconscientes: não livres.”


No presente, Quinta Época Cultural, a influência ahrimânica na cultura humana está atingindo um clímax. A revolução científica moderna, desde o século XV, tem sido inspirada em grande parte por Ahriman. Ele é o inspirador do materialismo amoral, ateu, mecanicista e o tipo de inteligência – astúcia, perspicácia e engenhosidade – que o acompanha.

A intenção para a Época atual (também chamada de “Época da Alma da Consciência”) é que a humanidade desenvolva uma consciência aumentada, juntamente com a individualidade e a liberdade espiritual que acompanham essa consciência. Ahriman se opõe a isso; ele quer que o homem viva dos instintos inconscientes como um animal não individualizado e impulsivo – inteligente, mas, mesmo assim, um animal. (Ahriman é o professor da mentira de que o Homem é um animal)

Para a mente moderna, pode parecer uma contradição dizer que Ahriman se opõe ao aumento da consciência, mas promove a inteligência e a ciência. Isso ocorre porque a mente moderna está tão imersa no que geralmente é considerado “pensamento científico” que quase não tem concepção da verdadeira natureza do pensamento consciente. (Steiner, especialmente em seu livro Filosofia da Liberdade [1894], tem sido nosso professor de pensamento real, mas a cultura intelectual geral ainda não aprendeu a lição.)

O fato é que o pensamento “científico” normal nesta Época, por mais inteligente que seja, dificilmente é consciente (possivelmente com algumas exceções relativamente raras em momentos de “insight” ou descoberta matemática). No tipo de consciência comum em nossa cultura “científica”, tornamo-nos conscientes apenas dos resultados fixos do pensamento, depois que ele é realizado; não somos (geralmente) conscientes do próprio processo de pensamento. E como é inconsciente, não é nossa ação livre; é automatizada.

Quando pensamos da maneira usual em nossa Época, somos autômatos sencientes, agindo por instinto. (Fato anteriormente oculto: esse pensamento instintivo na ampla cultura foi inspirado por Jeová por volta de 1840 dC. Desde então, ele foi inspirado por Ahriman, resultando na torrente de materialismo do século XIX, que, ajudado pelo enfraquecimento e afastamento do Espírito Popular Alemão afogou o romantismo positivo da vida na cultura.)

E é isso que Ahriman quer: ele quer eliminar todos os vestígios e todas as possibilidades de liberdade, de uma consciência humana livre e individualizada; ele quer que o homem não seja um indivíduo, mas apenas um membro de uma espécie geral da pseudo-humanidade, que ele seja um animal inteligente e ligado à terra, um “homúnculo”.

Como indicado, Ahriman é o inspirador do tipo mais extremo de materialismo “científico”: a doutrina de que não há espírito ou alma no mundo; que a própria vida não está de fato viva, mas é apenas um complexo de processos mecânicos; que a realidade é apenas quantitativa, que não existe realidade qualitativa; até mesmo que o “ser interior do homem” seja uma confluência de forças materiais.

No nível emocional, ele trabalha nos instintos subconscientes do ser humano, inspirando medo, ódio, desejo de poder e impulsos sexuais destrutivos.

No nível mental, ele inspira um pensamento rígido e automatizado – na frase de Steiner: pensando quase inteiramente sem pensamentos, mas pensando tremendamente forte na linguagem, nas palavras literais, que facilmente se tornam palavras vazias, que por sua vez se tornam mentiras. Esse pensamento “abstrato” é desprovido de qualquer atividade consciente e atividade anímica e desprovido também de qualquer conexão real com a experiência de vida, e cria uma consciência obscurecida sem luz, cor ou imagem.

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

Perceba que inteligência e consciência são dois aspectos diferentes. A influência de Ahriman contribui muito para um tipo de inteligência astuta, perspicaz e engenhosa porém mecanicista, autômata, exclusivamente materialista (ateísta) e sem desenvolvimento de uma consciência moral: ou seja, estimula o surgimento seres inteligentes porém imorais, sem perspectiva de desenvolvimento espiritual e não individualizados (então, sem Liberdade). Portanto o desenvolvimento de evolução da inteligência humana “pode” contrapor o desenvolvimento do próprio ser humano pela perspectiva da Consciência (Décima Hierarquia: ser da Liberdade e do Amor).

O homem passa a ser conduzido por impulsos instintivos inconscientes como um animal não individualizado e impulsivo, que pode gerar impulsos como medo, ódio, desejo de poder e impulsos sexuais destrutivos num ser dotado de extrema inteligência, perspicácia, astúcia e engenhosidade – que é exatamente onde nos encontramos hoje.

Ao mesmo tempo temos um impulso bidirecional bem interessante de ser observado: o movimento ateísta e os movimentos doutrinários religiosos. Apesar de polares, um acaba impulsionando o outro. A mente mecanicista e a inteligência perspicaz de muitos traz a simples capacidade de questionar tais movimentos doutrinários e suas incoerências – o que é extremamente saudável, porém, se aliado ao ressecamento da percepção sensorial e capacidade imagética, traz uma desconexão com a intuição superior, pode trazer uma negação completa ao Espírito. A própria matéria se torna seu “Deus” e a ciência sua “Bíblia”. Daí podemos ter a influência de “Ahriman” no desvio do curso natural da evolução humana – jogando estes seres no materialismo e mecanicismo autômato.

Por outro lado temos o movimento doutrinário religioso, onde não se questiona e induz a uma crença cega e, muitas vezes, incoerente. Isso leva o seguir de forma mecânica e autômata as indicações da “Doutrina”, sob interpretação de guias (mestres, pastores, padres e etc..) desviando-o do processo de individuação. Seguem cegamente e automaticamente as indicações de sua doutrina. O que pode gerar inconsistências nos discursos e ações e incoerência nítida para qualquer um que se proponha a questionar, podendo jogar indivíduo na negação da Alma e do Espírito (ateísmo).

Agora, o mesmo pode acontecer inclusive dentro da própria Antroposofia:

“No nível mental, ele inspira um pensamento rígido e automatizado – na frase de Steiner: pensando quase inteiramente sem pensamentos, mas pensando tremendamente forte na linguagem, nas palavras literais, que facilmente se tornam palavras vazias, que por sua vez se tornam mentiras. Esse pensamento “abstrato” é desprovido de qualquer atividade consciente e atividade anímica e desprovido também de qualquer conexão real com a experiência de vida, e cria uma consciência obscurecida.”

Perceba que quando falamos de Antroposofia sem conexão real com a experiência de vida criamos uma consciência obscurecida. Como discursar sobre a Bíblia e nas minhas ações e vivências seguir impulsos contrários aos seus ensinamentos.

O próprio processo da descrença na Antroposofia (uma espécie de ateísmo Antroposófico) surge em relação a certas incoerências por parte de uma “Doutrinação Antroposófica” e desconexão real com a experiência de vida. Movimentos contrários aos Impulsos e Valores Crísticos, uma tendência ao desinteresse pelos semelhantes e por fim, generalização, unificação e hipótese para justificar tais movimentos. Tal contexto, ao ser abarcado e ponderado pela inteligência perspicaz, pode gerar a percepção da incoerência, do “vazio das palavras” e desconexão com a realidade e levar o indivíduo a tal ponto: descrença na Antroposofia.

O próprio impulso de negar o pensar sobre as questões atuais, mesmo que trazidas sob perspectiva por Steiner, sobre a atual Época e período, como por exemplo, o próprio “Advento de Ahriman”, para colocar um véu e obscurecer certos contextos coloca a Antroposofia dentro da perspectiva de Ahriman – mecanicista, desvinculada do Espírito Vivo, sob justificativas como, por exemplo, de que não devemos observar o contexto político sob a perspectiva Antroposófica, sendo que o próprio contexto político é um dos maiores veículos da influência de Ahriman no atual período…

A falta de percepção sensorial real (conexão real entre as pessoas e a natureza), fortalecida pelo vida contemporânea virtual e de trabalho e educação mecanizados, aliado ao enfraquecimento da capacidade de criação de imagens próprias e de fantasia (criatividade), fortalece o pensar uniforme, mecânico e coletivo, mesmo que seja integrado a uma alta inteligência científica, gerando indivíduos mecanizados, sem individualidade guiado por instintos inconscientes: não livres.

Por fim, a falta de contato anímico (uma alma toca a outra) gera indiferença e enfraquece as forças do coração: empatia e compaixão…

Seres autômatos inteligentes, perspicazes e engenhosos desinteressados e indiferentes para com seus semelhantes e guiados por instintos inconscientes.

QUER SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO?

DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
Valor: R$ 60,00
Vagas limitadas!!!

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


Rudolf Steiner: Micael, Ahriman e as Forças Intelectuais


MICAEL, AHRIMAN E AS FORÇAS INTELECTUAIS

Rudolf Steiner

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: Página Sur Antroposófico no Facebook


Ao contemplar a relação entre Micael e Ahriman, surge inevitavelmente a questão: como se relacionam estes dois poderes espirituais dentro de todo o complexo cósmico, enquanto ambos estão envolvidos com a evolução das forças intelectuais?


Micael exerceu o poder do intelecto através do cosmos em tempos passados. Fez isto como um servidor dos poderes espirituais divinos a quem tanto ele como o homem devem as suas origens. A sua vontade aponta para manter esta relação.

Quando esta força intelectual se desligou dos poderes espirituais divinos para se tornar parte da mente humana, Micael decidiu posicionar-se corretamente em relação à humanidade, de modo que o homem pudesse estabelecer uma relação própria com a força intelectual. O seu objetivo consistia em alcançar isto de acordo com os desígnios dos poderes espirituais divinos, sempre predisposto ao serviço. Por conseguinte, a sua intenção é que a corrente intelectual flua através dos corações humanos no futuro, mas sem que essa corrente veja a sua natureza modificada de como fluía dos poderes espirituais divinos em princípio.

Com Ahriman acontece algo muito diferente. Este ser se desligou da corrente evolutiva muito antes. Já num passado remoto tinha sido capaz de se tornar uma potência cósmica. No presente, ele se localiza espacialmente no mesmo mundo em que se encontra o homem. Acontece que quando a força intelectual se desassocia dos seres espirituais divinos e se torna parte do mundo humano, Ahriman experimenta uma afinidade tal com esta força intelectual que lhe é possível juntar-se a ela por meio da humanidade. Aquilo que o homem recebe no presente como um dom do cosmos, Ahriman já o tinha conseguido em eras remotas. De forma a cumprir as suas intenções, Ahriman faria o intelecto que o ser humano recebe em um similar ao seu.

Rudolf Steiner, o mistério de Micael, GA 26

Quer saber mais sobre a relação de Ahriman e Lúcifer com o contexto atual, suas influências e efeitos na alma humana que culminam na atual relativização do mal, indiferença ao sofrimento alheio, fanatismo e enfraquecimento das forças do coração? Participe da palestra online, dia 13 de agosto:

https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091


DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
Valor: R$ 60,00
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Ciência Oculta: Júpiter, Vênus e Vulcano


CIÊNCIA OCULTA: JÚPITER, VÊNUS E VULCANO

Rudolf Steiner – Occult Science: An Outline

Tradução Livre: Leonardo Maia


“O “Conhecimento do Graal” culmina no mais alto ideal imaginável da evolução humana – o ideal de espiritualização, provocado pelos próprios esforços do homem: a harmonia entre os poderes da inteligência, do sentimento e do verdadeiro conhecimento dos mundos espirituais. Seu coração responde à infinita majestade e sublimidade de tudo: ele sabe que as experiências e realizações de sua própria vida interior – no intelecto, no sentimento, no caráter e na força do propósito – são sementes de um futuro mundo espiritual, um mundo em processo de criação.


Após um intervalo cósmico – uma permanência temporária em um mundo superior – a Terra será transmutada na condição de “Júpiter” (próxima encarnação planetária). Em Júpiter, o que chamamos agora de reino mineral não existirá mais; as forças deste reino serão transformadas em forças semelhantes a plantas. Assim, sobre Júpiter, o reino vegetal, embora de uma forma muito diferente, será o mais baixo.

Acima, haverá o reino animal, igualmente consideravelmente alterado, e depois um reino humano, reconhecível como os descendentes espirituais da má humanidade que se originou na Terra (atual encarnação planetária). Por fim, os descendentes da boa humanidade constituirão um reino humano em um nível superior. Este é o reino humano propriamente dito, e grande parte de seu trabalho será influenciar e enobrecer as almas que caíram no outro grupo, para que ainda possam entrar nele.

No estágio de evolução de “Vênus” (encarnação planetária pós “Júpiter), o reino vegetal também terá desaparecido. O mais baixo será o reino animal, metamorfoseado uma segunda vez. Acima, haverá três reinos humanos, diferindo em graus de perfeição. Durante o estágio de Vênus, a Terra permanecerá unida ao Sol. Na evolução de Júpiter, por outro lado, chegará um momento em que o Sol se separará novamente e Júpiter receberá as influências solares de fora. Então, depois que o Sol e “Júpiter” se unirem novamente, a transição para o estado de Vênus será gradualmente realizada. De Vênus, em um certo estágio, um corpo celeste separado se desprende. Isto – por assim dizer, uma “Lua” indiscutivelmente – inclui todos os seres que persistiram em suportar o verdadeiro curso da evolução. Agora entra em uma linha de desenvolvimento que nenhuma palavra pode retratar, tão completamente diferente de qualquer coisa dentro do alcance da experiência do homem na Terra. A humanidade evoluída, por outro lado, em uma forma de existência totalmente espiritualizada, avança na evolução de “Vulcano” (seguinte encarnação planetária).

Vemos então que o “Conhecimento do Graal” culmina no mais alto ideal imaginável da evolução humana – o ideal de espiritualização, provocado pelos próprios esforços do homem. Este é o resultado final da harmonia alcançada na quinta e sexta épocas da era atual – a harmonia entre os poderes da inteligência e o sentimento que o homem adquiriu até agora, e o verdadeiro conhecimento dos mundos espirituais. O que o homem está alcançando em sua própria vida interior está destinado a se tornar um mundo exterior. Grandes e sublimes são as impressões que ele recebe de seu mundo circundante e, na aspiração de sua mente e espírito, ao sair para encontrá-los, ele primeiro sublima e, finalmente, reconhece claramente os seres espirituais dos quais essas impressões são a roupa exterior. . Seu coração responde à infinita majestade e sublimidade de tudo. Além disso, ele sabe que as experiências e realizações de sua própria vida interior – no intelecto, no sentimento, no caráter e na força do propósito – são sementes de um futuro mundo espiritual, um mundo em processo de criação.

Fonte: Rudolf Steiner – Occult Science: An Outline

Tradução livre: Leonardo Maia


DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
Valor: R$ 60,00
Vagas limitadas!!!

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN


The Advent of Ahriman – parte 3:

SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“O pensamento coletivo imposto por doutrinas fundamentalistas, por uma educação que coíbe o livre pensar, ou por ideologias de imposição ou mesmo militarização enfraquece o EU individual que é o caminho para a Liberdade e a corrente natural de evolução Cósmica do homem, o ser da “Liberdade e do Amor” – a Décima Hierarquia.

Qualquer perseguição imposta ao Livre Pensamento, sob justificativa de “moral, “valores da família” ou mesmo por fundamentalismo religioso e ideológico, enfraquece o Eu e cristaliza as forças vivas. Jogando o ser humano na esfera da matéria e obscurantismo.”


O evento central da Era da Terra ocorreu durante a época greco-romana, na Palestina. Era a encarnação de um Ser espiritual muito elevado, chamado de “Cristo” – culminando nos eventos que cercavam a Crucificação: o “Mistério de Gólgata”. Este evento foi o ponto de virada (“the turning-point”) da evolução da Terra, da descida do espírito à matéria, em direção à ascensão de volta ao espírito, com os frutos obtidos da estada na matéria.

(O próprio Steiner não começou com uma visão cristã do mundo. Ele, de maneira independente e inesperada, redescobriu o “fato místico” do cristianismo durante o curso de suas experiências clarividentes conscientemente.)

Além dos deuses normais, uma série de seres espirituais anormais, chamados “luciféricos”, também influencia a evolução terrestre. Em certo sentido, eles se opõem aos planos normais dos “deuses” para a evolução. Os seres luciféricos tentam desviar a humanidade da evolução normal da Terra para o seu próprio cosmo psíquico-espiritual anormal de luz.

Na alma humana, eles inspiram orgulho, egoísmo, desinteresse pelos semelhantes, emocionalismo ardente, subjetividade, fantasia e alucinação. No intelecto humano, eles inspiram generalização, unificação, hipótese e construção de quadros imaginativos além da realidade.

A fala e o pensamento humanos são de origem luciférica; o mesmo acontece com a autoconsciência humana e a capacidade de independência e rebelião contra a ordem mundial dos deuses normais. Além disso, a suscetibilidade à doença se originou da influência luciférica.

Um ser espiritual elevado, em certo sentido o líder do exército luciferico, o próprio “Lúcifer”, encarnou em um corpo humano, na região da China, no Terceiro Milênio aC. Este evento trouxe uma revolução na consciência humana.

Antes disso, os homens não podiam usar os órgãos do intelecto e viviam por uma espécie de instinto. Lúcifer foi o primeiro a compreender pelo intelecto a sabedoria dos mistérios até então revelados pelos deuses à humanidade por outras formas de consciência. Os efeitos dessa encarnação inspiraram a sabedoria da cultura pagã, até a Gnose do início dos séculos dC, e se prolongaram até o início do século XIX. Essa sabedoria não deve ser considerada falsa em si mesma; é boa ou ruim, dependendo de quem a possui e para que fins é usada. Os grandes iniciados pagãos decidiram entrar na influência luciférica e transformá-la no bem da humanidade.

Somente através da influência luciferica a humanidade se elevou acima do status de infantilidade.

(Além da cultura pagã da sabedoria da natureza, estava a cultura hebraica, que [de certo modo] separava o homem da natureza e preparava uma corrente hereditária para fornecer um corpo para a encarnação de Cristo. Na cultura pagã, o homem sentiu-se membro do cosmos estrelado, sem o que agora conhecemos como impulsos morais. Os impulsos morais na alma humana foram preparados pelo hebraísmo e promovidos pelo cristianismo. O cristianismo também é um ponto culminante e cumprimento da sabedoria pagã. Aqui “Cristianismo” significa não tanto uma “religião organizada”, mas os atos e a influência contínua do Ser-Cristo e de seus veículos/anfitriões, não necessariamente confinados a organizações religiosas formais.)

Uma terceira influência espiritual que trabalha na evolução humana e terrena é a Ahrimânica. A intenção de Ahriman e seus veículos é congelar a Terra em completa rigidez, para que não passe para as eras de Júpiter, Vênus e Vulcano, e fazer do Homem um ser inteiramente terrestre – não individualizado, não-livre e divorciado do cosmos dos deuses normais. A tendência ahrimânica essencial é se materializar; cristalizar; escurecer; silenciar; trazer forças vivas e móveis para uma forma fixa – em outras palavras, matar o que está vivo.

Essa tendência em si mesma, dentro de limites adequados, não é má; a morte e o mundo material são necessários para o plano regular dos deuses de desenvolvimento humano e cósmico. A tendência ahrimânica é má apenas quando excede os limites adequados, quando atinge o que deveria estar vivo – e Ahriman tenta exceder os limites adequados.

Novamente, a realidade básica do mundo são seres espirituais e suas ações, mas Ahriman promove a ilusão, a mentira, de que o que importa é a realidade básica, ou que essa seria a única realidade. De fato, os espíritos ahrimânicos, não os “átomos” ou as “partículas últimas”, são a realidade por trás do mundo aparentemente material. Ahriman vive por trás das mentiras; ele é um espírito de inverdades, o “Pai das Mentiras”.

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (2º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Percebam que este aspecto das Forças Luciféricas é de extrema relevância hoje:

“Na alma humana, eles inspiram orgulho (1), egoísmo, desinteresse pelos semelhantes (2), emocionalismo ardente (3), subjetividade, fantasia e alucinação (4). No intelecto humano, eles inspiram generalização, unificação, hipótese (5) e construção de quadros imaginativos além da realidade (6).”

Esse aspecto pode ser constatado hoje em muitas frentes e indivíduos. O Egoísmo e desinteresse pelos semelhantes (2) justifica qualquer ação contra as pessoas (como quebra de direitos, liberdade de ação e pensamento até mesmo culminando em violência e extermínio). E este emocionalismo ardente (3) gera um ódio ou uma paixão descontrolados (por exemplo: ódio ao comunismo, outras religiões e ideologias e paixão pelo “patriotismo nacionalista”, “conservadorismo” e “fundamentalismo religioso” alimentados por uma subjetividade, fantasia e alucinação (4) (por exemplo: fake news, teorias infundadas e fantasiosas e luta contra um inimigo imaginário – os “contrários aos preceitos de Jesus” ou “os comunistas” ou “contrários aos valores morais e da família” por exemplo), sendo que qualquer questionamento às suas ideologias nos coloca dentro dessas categorias subjetivas por generalização, unificação e hipótese (5) (seu comunista, esquerdista, imoral e etc…). Ou seja, lutam com fervor contra tudo isso dentro de quadros imaginativos fora da realidade (6). Ainda temos o Orgulho (1) que dificulta a sensatez e abertura para diálogo e argumentação, pois tudo tende a gerar a reação emocional ardente (3), seja no “ódio” ou na “paixão” cegas.

Sobre a influência de Ahriman temos:

“Fazer do Homem um ser inteiramente terrestre – não individualizado, não-livre e divorciado do cosmos dos deuses normais. A tendência ahrimânica essencial é se materializar; cristalizar; escurecer; silenciar; trazer forças vivas e móveis para uma forma fixa – em outras palavras, matar o que está vivo.”

O pensamento coletivo imposto por doutrinas fundamentalistas, por uma educação que coíbe o livre pensar, ou por ideologias de imposição ou mesmo militarização enfraquece o EU individual que é o caminho para a Liberdade e a corrente natural de evolução Cósmica do homem, o ser da “Liberdade e do Amor” – a Décima Hierarquia.

Qualquer perseguição imposta ao Livre Pensamento, sob justificativa de “moral, “valores da família” ou mesmo por fundamentalismo religioso e ideológico, enfraquece o Eu e cristaliza as forças vivas. Jogando o ser humano na esfera da matéria e obscurantismo.

CONTINUA PARTE 4 em breve: “Ahriman nos tempos modernos”

Link para a parte 1: ESPÍRITO E ALMA

Link para a parte 2: SERES ESPIRITUAIS E EVOLUÇÃO TERRENA

QUER SABER MAIS SOBRE O ASSUNTO?

DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
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Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


O Fígado e a Antroposofia

O FÍGADO E A ANTROPOSOFIA

Artigo publicado no Periodicum Weleda nº 41 Outono de 2007

fígado


“O fígado é o órgão que dá ao ser humano a coragem para transformar uma ação pensada em uma ação consumada… O fígado é o mediador que possibilita a transformação de uma ideia decidida em ação executada pelos membros.”

Rudolf Steiner


O fígado… é …. o órgão que dá ao ser humano a coragem para transformar uma ação pensada em uma ação consumada… O fígado é o mediador que possibilita a transformação de uma ideia decidida em ação executada pelos membros. Rudolf Steiner

Analisar o fígado não é nada fácil visto que ele exerce múltiplas funções. Trata-se de um dos maiores órgãos do corpo humano, e além disso, é o elemento central do metabolismo intermediário – ou, para deixar clara a imagem – o laboratório do corpo. Vamos analisar rapidamente suas funções mais importantes:

Armazenagem de energia: o fígado produz glicogênio (amido) e o armazena (cerca de quinhentas calorias por quilo). Simultaneamente, os carboidratos são transformados em gordura e armazenados em depósitos de gordura por todo o corpo.
Geração de energia: com os aminoácidos e os componentes gordurosos ingeridos nos alimentos, o fígado produz glicose ( = energia). Toda essa gordura vai para o fígado e pode ser usada e queimada para produzir energia.

Metabolismo da albumina: além de criar aminoácidos, o fígado também é capaz de sintetizar outros. Assim se torna um órgão de ligação entre a albumina (proteína) dos reinos animal e vegetal, que constitui a nossa alimentação, e a proteína humana.Os vários tipos de proteína são por certo bastante diferentes entre si, no entanto, os componentes que formam as proteínas – os aminoácidos são universais. (A título de analogia, uma grande variedade de tipos de casa individuais – as proteínas – podem ser construídas com os mesmos tijolos – os aminoácidos). As diferenças específicas entre a proteína vegetal, a animal e a humana são as funções dos vários padrões em que os aminoácidos são organizados, sendo a sequencia exata codificada no ADN.

Desintoxicação: tanto as toxinas do próprio corpo como as de outras procedências são desativadas no fígado e solubilizadas para serem eliminadas através da visícula e dos rins. Além disso, a bilirrubina (um produto da decomposição das células vermelhas no sangue, a hemoglobina) tem de ser transformada pelo fígado numa substância que possa ser expelida. Qualquer interrupção desse processo provoca icterícia. Finalmente, o fígado sintetiza a ureia que é expelida através dos rins.

Eis o sumário das funções mais importantes deste órgão tão versátil. Vamos iniciar nossa interpretação simbólica com o ponto mencionado por último, a desintoxicação. A capacidade desintoxicante do fígado pressupõe uma possibilidade de discriminar e avaliar, pois a desintoxicação se torna possível quando não se consegue separar o que é venenoso do que não é. Portanto, os distúrbios hepáticos sugerem problemas de avaliação e valorização, indicam incapacidade de optar pelo que é útil ou inútil (nutrição ou veneno?). Enquanto formos capazes de avaliar o que nos serve e o que não nos serve e soubermos até que ponto podemos processar e digerir os alimentos, nunca surgirá o problema de “cometer excessos”. O fígado só adoece devido aos excessos que cometemos: demasiada gordura, comer demais, beber em excesso, tomar drogas de forma exagerada etc.

Um fígado doente mostra que a pessoa está assimilando algo em demasia, algo que ultrapassa sua capacidade de elaboração; mostra a falta de moderação, idéias exageradas de expansão e ideais elevados demais.

É o fígado que gera e distribui a nossa energia. O doente que sofre do fígado sofre consequentemente da perda dessa força vital e dessa energia: perde a potência, perde o apetite por comidas e bebidas. Perde, na verdade, a vontade em todos os âmbitos relacionados às manifestações de vida, e assim, corrige e compensa o problema através do sintoma que, nesse caso, se chama excesso. Trata-se de uma reação física contra sua imoderação e sua mania de grandeza, e a lição administrada é desapegar-se desses excessos. Visto que não são mais formados os fatores de coagulação sanguínea, o sangue se torna fluido demais; assim, o sangue do paciente , seu suco vital, literalmente se escoa. Através da doença, os pacientes aprendem a ser moderados, a ter paciência e a se controlar no que se refere a excesso de sexo, bebidas e alimentação. Podemos ver nitidamente essa condição no caso da hepatite.

Além disso o fígado tem uma forte conotação simbólica nos âmbitos filosófico e religioso, embora talvez não seja muito fácil para as pessoas chegarem a esta conclusão. Vejamos melhor o processo de síntese de proteínas. a proteína é o “tijolo da construção”, o elemento básico de toda a vida. Ela é manufaturada a partir dos aminoácidos. O fígado extrai a proteína animal e vegetal dos alimentos que ingerimos, alterando a organização espacial das moléculas dos aminoácidos. Em outras palavras, enquanto retém os componentes isolados de formação individual (os aminoácidos), o fígado altera o modo como os mesmos são estruturados no espaço, provocando um salto qualitativo e, por conseguinte, um salto evolutivo do reino vegetal e animal, para o reino humano. Ao mesmo tempo, porém, apesar deste avanço evolutivo, a identidade das moléculas é mantida e por isso elas conservam o elo com sua fonte. Portanto, a síntese da proteína é um exemplo microcósmico total daquilo que chamamos “evolução” no nível macrocósmico. Por meio de uma reorganização e de uma alteração do padrão qualitativo das “moléculas primordiais” sempre idênticas se cria uma infinita multiplicidade de formas. Através da constância do “material” tudo continua interligado, e é por isso que os sábios dizem que o todo está nas partes e que cada parte é o todo (pars pro toto ).

Uma outra expressão para transmitir esse conhecimento é a palavra religio, literalmente “conexão retrospectiva”. A religião busca nos unir coma fonte, com a origem, com o Todo- Uno e redescobre essa conexão e, virtude do fato de a diversidade que nos separea da unidade ser, em última análise, apenas uma ilusão (maya), que só acontece graças aos jogos dos vários arranjos (padrões) da mesma essência comum. É por esse motivo que o caminho de volta só pode ser descoberto pelos que conseguiram enxergar através da ilusão das diferenças de forma. O muito e o uno – é no campo entre ambos os pólos de tensão que trabalha o fígado.

Fonte: A Doença como Caminho (Thorwald Dethefsen e Rudiger Dahlke)

O FÍGADO E A VITALIDADE Problemas comuns como depressão e enxaqueca podem estar relacionados ao fígado

Se nos últimos 50 anos ocorreram grandes avanços no tratamento e prevenção das doenças cardíacas, nos próximos 50 provavelmente assistiremos isso acontecer em relação às doenças do fígado. Além da hepatite C, que hoje acomete 3% da população mundial e supera a AIDS em número de casos, diversas outras doenças hepáticas passam ganhar maior importância nos meios científicos.

O fígado, maior víscera do corpo humano, é um de nossos órgãos essenciais. Pela veia porta chega ao fígado todas as substâncias absorvidas pelo tubo digestivo, com exceção de parte dos lipídios que é transportada por via linfática. Ao receber esses nutrientes, o fígado sintetiza proteínas e armazena glicose para ser usada nos períodos de jejum, além de vitaminas e gorduras.

Outras funções não menos importantes são a desintoxicação e neutralização de toxinas que tenham sido absorvidas, e a secreção de bile, que se concentra na vesícula, para participar da digestão especialmente de gorduras.
Cerca de 71% da composição do fígado é de água. Para se ter uma idéia comparativa, o sangue tem 78%. Por isso a medicina antroposófica o chama de “órgão água”. Ao lado disso ele participa ativamente do balanço hídrico do corpo humano. Como a água é o veículo imprescindível da vida, o fígado é o principal órgão da nossa vitalidade.
De acordo com Rudolf Steiner e Ita Wegman, criadores da medicina antroposófica, no metabolismo existem 2 ritmos complementares e alternados: a atividade biliar e a atividade hepática. A primeira é diurna, tem seu pico às 15 horas, é catabólica, caracterizada pela maior excreção de bile – o que explica a melhor tolerância aos alimentos gordurosos durante o dia. À noite, com pico às 3 horas, predomina a atividade do fígado, de anabolismo, de armazenamento de glicose.

Para a medicina antroposófica, as doenças psíquicas podem se originar na esfera orgânico-vital. Depressão e insônia, por exemplo, podem ter sua origem no metabolismo, especialmente no fígado, assim como a enxaqueca.
O fígado faz a individualização das substâncias e cuida do metabolismo energético, o que nos confere vontade, força para decisão e atuação. O correto funcionamento do fígado deve trazer os aspectos fleumáticos do temperamento: bem estar, aparência jovial e uma boa “metabolização” das vivências tristes, que não chegam a causar depressão. O mal funcionamento do fígado pode levar à fraqueza de vontade, inércia, depressão, sintomas digestivos (empachamento, gosto amargo, intolerância à gordura) e medo da vida.

Quando Hipócrates, o pai da medicina, nomeou a melancolia, ele fazia referência a um processo hepático mórbido (mélas, ‘negro’ + kholê, ‘bile’; melancolia: bile negra).

Para harmonizar o ritmo fígado – atividade biliar, algumas orientações alimentares são úteis. Na depressão, a pessoa não se interessa pelo mundo. Para que exista na alma esse interesse, deve-se formar no metabolismo a base do mesmo processo, relacionado ao alimento – que vem do mundo externo. Os amargos assumem papel central – rúcula, agrião, chicória, almeirão, boldo do Chile, mil folhas, losna, carqueja etc. Somados aos condimentos, eles fazem o processo digestivo ter mais “interesse” pelo alimento, aumentando a quantidade e a qualidade dos sucos digestivos. Devem ser evitados: açúcar concentrado, as gorduras animais e o leite (extremamente fermentativo), e àqueles cansados mentalmente deve-se recomendar raízes e tubérculos coloridos (beterraba, cenoura, mandioquinha, salsa, etc.) para vitalizar o sistema neuro sensorial.

Deve se dar preferência aos alimentos orgânicos, visando não intoxicar ainda mais o fígado com os agrotóxicos e fertilizantes químicos, usualmente encontrados nos alimentos não orgânicos.

Ritmo é fundamental, pois a base de nosso metabolismo está ligada ao ritmo, contrariamente às tendências da vida moderna. Sono e vigília; trabalho e descanso; horários regulares de alimentação – quando tudo isso ocorre com harmonia, existe uma capacidade vital maior.

Obviamente que esse é apenas o início de um tratamento mais profundo, que deverá ser conduzido por médico com experiência no assunto.

Visão semelhante tem a medicina tradicional chinesa, que considera que no fígado aloja-se o hun, a alma etérea, que dá a capacidade de realizar os sonhos, ter estratégias com discernimento e sabedoria, e é afetado pela raiva.
Ao lado daquilo que essas abordagens médicas holísticas dão aos problemas do fígado, cabe a cada um cuidar bem de sua vitalidade, para assim assistir o que virá nos próximos 50 anos. Ou 100.


DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

VÍDEO PREVIEW – clique aqui

“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
Valor: R$ 60,00
Vagas limitadas!!!

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.