Todos os post de admin

A BIOGRAFIA HUMANA: 5º setênio – 28 aos 35 anos


O QUINTO SETÊNIO – 28 aos 35 anos

Dra Gudrun Burkhard


Quais as normas que me impedem de atuar como ser humano livre?


A FASE DA ALMA RACIONAL E AFETIVA

A pergunta básica nesta fase é: qual a ordem do mundo e como organizar a si mesmo? A experiência é interiorizada, aos poucos vou sentindo o que é aplicável do aprendido, ou o que não é; como o ambiente me responde ou me aceita, ou se reage contra mim e minhas atitudes. A experiência interna vai crescendo, elaboramos esquemas de trabalho, de organização e até de vida. Planejamos e executamos. Desenvolvemos maior responsabilidade e seriedade no cumprimento do dever. Começamos a liderar cada vez melhor.

Nesta fase, existe a maior rentabilidade no trabalho. Trabalhamos muitas horas sem cansar, rendemos o máximo. Estamos psiquicamente e fisicamente no equilíbrio de nossas forças. a bem-estar nos apóia.

O homem nessa fase se ocupa com carreira, promoção, prestígio, não só na própria organização, mas na sociedade (clubes, sociedades filantrópicas, etc.). A mulher, quando casada, está mais envolvida com a organização do lar, tarefas dos filhos, etc., e conquista a posição social ao lado do homem. Cada um vai se integrando mais em si mesmo, e se não há um bom diálogo e o desenvolvimento de um companheirismo, o perigo da dissociação de interesses nesta fase é muito grande. Ao nível de relacionamento poderemos desenvolver um verdadeiro companheirismo.

A desafio para o desenvolvimento nesta fase é a atitude positiva em relação ao outro, tolerância, refreamento de sua opinião: a opinião do outro também pode ser certa. Escutar, ouvir, não só falar, mas criar o espaço para diálogos. A couraça das normas, colocada no segundo setênio, tem que ser reavaliada. Quais as normas que me servem? Quais as que me impedem de atuar como ser humano livre?

Para o homem, a tarefa principal será de integrar afeto e sentimento na sua alma, pois estes foram muitas vezes totalmente abafados na infância: “Menino não chora”. Para a mulher a tarefa principal é de desenvolver, ao lado de sua índole e afeto que o ser mãe e mulher já proporcionam, também a parte racional, raciocínio lógico, para a devida compreensão do homem. Desenvolver a força do pensar.

O perigo nesta fase é de que a vida se torne uma rotina (tudo está organizado até o fim da vida!), o perigo de se impor demais (“só eu tenho razão”), portanto de se tornar impositor, orgulhoso e criticar todos os outros. Para o homem há o perigo de se tornar um estranho para a família; para a mulher de se envolver demais com a casa e com os filhos. Só o diálogo sobre as várias tarefas e um companheirismo verdadeiro ajudam a integração familiar.


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A BIOGRAFIA HUMANA: 4º setênio – 21 a 28 anos


O QUARTO SETÊNIO – 21 aos 28 anos

Dra Gudrun Burkhard


Cada ser humano traz aptidões ou “talentos”, sentindo intensamente dentro de si a necessidade de colocá-los no mundo. Um dos impulsos de desenvolvimento que trazemos em nós é colocar os talentos trazidos à disposição dos outros seres humanos. 


21 a 28 ANOS – A FASE DA ALMA EMOTIVA OU SENSITIVA

Começa agora a fase dos 21 aos 42 anos, a grande fase do amadurecimento psicológico e anímico do ser humano. É a fase de luta, segundo a colocação dos chineses, ou a fase expansiva. O que significa esta luta? É a conquista de uma posição na vida, o encontro do local de trabalho adequado a descoberta do(a) parceiro(a) e a formação de uma família. É também o trabalho interno sobre tudo aquilo que recebemos mais ou menos passivamente nas fases anteriores. É como se recebêssemos uma mochila para carregar nas costas, que foi preenchida nos anos anteriores. Dentro dela estão presentes bons e não tão bons. Agora então começamos a andar, vida afora, usando os presentes da mochila, selecionando os, jogando fora alguns, lapidando outros. Agora o grande mestre dessa fase vai ser a vida, através da qual vamos amadurecendo psicologicamente. A pergunta básica desta fase: “Qual minha vivência deste mundo?”.

A fase dos 21 aos 28 anos é denominada de “emotiva” porque nossa vida anímica nessa época é cheia de altos e baixos; existe uma grande labilidade emocional, ora se está no céu, quando se recebe um elogio deum chefe ou da esposa ou esposo, ora “na fossa”, se algo desagradou.

A maioria das pessoas inicia a sua carreira nessa fase. Também de certa forma, a mãe de família “Inicia uma carreira”. Existe aí uma grande criatividade; muitos experimentam e mudam seu local de trabalho e até mesmo a profissão, até encontrarem o local adequado. A insegurança interna, por falta de experiência, é compensada por seguranças externas: por exemplo, status, automóvel, telefones na mesa, um bom salário, aparências.

É a época em que ainda temos o direito de gozar de todas as regalias da civilização moderna: viagens, experiências as mais variadas, e assim como muitas vezes há trocas de empregos freqüentes nesta fase, há necessidade de troca de parceira ou parceiro, até que através dos outros gradativamente encontramos a nós mesmos, e estamos maduros para a escolha da parceira ou parceiro verdadeiro, capaz de trilhar conosco avida. É uma fase paralela à de O a 7 anos, de experimentação, mas agora a nível de vida, a nível anímico (e não corporal como de O a 7 anos). Estamos “abertos” novamente e lá fora, na periferia do nosso ser, as nossas capacidades ainda são ilimitadas, tudo é possível. É uma fase de grande criatividade, de grande satisfação de viver e de testar tudo o que foi aprendido especialmente na fase anterior.

O desafio para o desenvolvimento nessa fase é desenvolver o equilíbrio entre os altos e baixos, adquirir uma gradativa segurança interna, principalmente graças à avaliação sistemática do nosso trabalho, independente do meio. Sermos abertos e não preconceituosos. Desenvolvermos empatia perante os fenômenos; exercícios de percepção de uma maneira goetheanística podem ajudar a chegar a esta empatia.

Ao nível do relacionamento, cada qual tem que desenvolver o seu estilo de vida, adaptação mutua, respeito e amor à individualidade do outro, não querer moldá-lo à sua própria maneira. Isto exige uma constante adaptação e trabalho em si mesmo.

O perigo dessa fase é de se adaptar demais, tornando-se uma “vaca de presépio”, ou tomar atitudes apreensivas, críticas constantes. a perigo principal é perder-se totalmente no externo, nos prazeres da civilização, ou iludir-se com uma experimentação mais acentuada, como a droga. Uma interiorização necessária na fase seguinte será extremamente dificultada por esse processo.

A CRISE  DOS  TALENTOS  DOS  28  ANOS

Cada ser humano traz aptidões ou “talentos”, sentindo intensamente dentro de si a necessidade de colocá-los no mundo. Um dos impulsos de desenvolvimento que trazemos em nós é colocar os talentos trazidos à disposição dos outros seres humanos. Mas viver e colocá-los à disposição dos outros representa apenas colocar algo que nos foi dado no passado à disposição dos outros; não representa, ainda, desenvolvimento para o futuro, mas apenas “viver do passado”. Em torno dos 28 anos, este viver do passado, por assim dizer, chega a um fim, e agora as aptidões têm que ser reconquistadas e trabalhadas. Um gênio é 90% transpiração e 10% inspiração – disse Einstein; isto vale especialmente dos 28 anos em diante; até lá somos transportados pelas asas da “genialidade” que depois dessa fase para muitos murcha ou atrofia totalmente. A dificuldade agora é que temos que trabalhar de dentro para fora, com dificuldade e constante esforço; para muitos, esta idade é vivenciada como crise, que muitas vezes até se manifesta como doença física ou psíquica; para outros o desenvolvimento psíquico pára nesta idade.

Dra Gudrun Burkhard


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A BIOGRAFIA HUMANA: 3º setênio – 14 a 21 anos


O TERCEIRO SETÊNIO – 14 a 21 ANOS

Dra Gudrun Burkhard


A puberdade é a fase de amadurecimento social do indivíduo.


As modificações corpóreas são intensas e profundas nessa época, especialmente devido ao crescimento dos membros e à maturação sexual, que são acompanhadas pelo desenvolvimento anímico, dando muitas vezes aquele aspecto desengonçado, desajeitado, que se observa nesta época. Rudolf Steiner denomina esta fase de “fase de maturação terrestre”, não simplesmente de maturação sexual, pois esta parte é apenas um lado da puberdade. A puberdade representa um limiar; até então, o ser humano era muito mais cósmico e espontaneamente ligado à natureza. Agora ele se liga profundamente a terra e a gravidade da terra começa a tomar conta do seu corpo; ele se torna um “cidadão terreno”, capaz de atuar na sociedade, na Terra, e de viver o seu destino. Muitos jovens recuam inconscientemente diante dessa responsabilidade. O numero de suicídios entre 12 e 14 anos é muito grande. Outros fogem para as drogas, querendo voltar para aquela situação paradisíaca em que “eu e o mundo” somos um só. Outros ainda tentam não se alimentar, especialmente meninas, para manter a forma de criança. Além dessas, muitas outras formas de fuga se manifestam.

Juntamente com essa descida para a Terra e para dentro de si, vem também uma sensação de grande isolamento, de incompreensão, e a síntese com o mundo tem de ser reconquistada de dentro para fora. Com a puberdade, há um vislumbre da imagem ideal do ser humano. Cada um traz dentro de si essa imagem arquetípica ideal do ser humano; e é na época da puberdade que ela é sentida de maneira mais pura, tornando-se a partir daí a força propulsora do desenvolvimento. O jovem se encontra numa tensão enorme. De um lado ele tem dentro de si essa imagem ideal, do outro lado, através da maturação sexual, há uma solicitação dos seus instintos. É essa tensão que o torna tão difícil. O jovem procura este ideal em si, mas também dentro dosoutros. Daí a atitude crítica em relação a todos; o jovem se revolta, tornando se um revolucionário, ou então se apóia em grupos anulando sua personalidade. Não encontrando um ideal ou um ídolo digno de ser seguido, idolatra qualquer ídolo que encontre ao seu redor, tais como artistas de televisão ou ases esportivos que podem tomar uma dimensão exagerada. A leitura de biografias famosas pode contribuir para que um ídolo seja encontrado.

Nessa fase, onde agora o pensar lógico deverá ser desenvolvido, especialmente através da ciência, vale a frase: “O mundo é verdadeiro”. Só consegue transmitir a verdade do mundo ao jovem aquele que é autêntico e verdadeiro e que acredita no que está ensinando. Nessa época não são mais os pais nem os professores, mas os amigos e especialmente amigos mais velhos (que naturalmente também podem ser encontrados entre os professores) que desempenham um papel importante. É nessa fase que se dá a formação ideológica do jovem.Com os amigos mais velhos o jovem tem o apoio e compreensão que o fazem sair do isolamento.

Também aqui três fases podem ser observadas: de 14 a 16, de 16 a 18 e de 18 a 21 anos. A primeira fase é mais voltada para os fenômenos e mudanças corporais, onde a “organização do pensamento”, o interesse pela ciência e pela técnica ajuda a própria organização. Na fase dos 16 aos 18, muitos jovens passam por um período de religiosidade intensa, alguns até querendo tornar-se padres, freiras ou celibatários. Nessa fase nascem muitas poesias e dramas. A fase dos 18 aos 21 anos já é mais voltada para a profissão, portanto, para o encontro do jovem com a sociedade. Uma grande válvula de escape e companheiros de solidão são os diários que surgem nessa fase.

A personalidade que se forma tem cada vez mais consciência de si mesma e se questiona: “Quem sou eu?” “Que aptidões e talentos trago que poderão ser desenvolvidos?”. Muitos jovens necessitam de tempo e de várias experiências para encontrar resposta a estas perguntas. Para outros a resposta se torna clara por voltados dezoito anos e meio, quando o “eu” se interioriza ainda mais, atingindo agora a esfera da ação, época da “realização do eu”.

Como se pode manter a ligação entre pais e filhos nessa idade? Também agora o pai ou a mãe podem se tornar o amigo, a amiga. Argumentos autoritários só despertam rebelião. O diálogo de igual para igual torna-se necessário, mas como não há ainda a maturidade total dos 21 anos, a “liberdade” que os jovens exigem nessa fase deve entrar gradativamente e ser balanceada pela “responsabilidade”.

A DIFERENCIAÇÃO SEXUAL

A partir da pré-puberdade, a diferenciação sexual torna-se cada vez mais visível. A mulher amadurece mais rapidamente que o homem; a forma do seu corpo denota também as qualidades da alma feminina: mais redonda, mais cósmica, mais espiritual, menos profundamente ligada à terra. (A tonalidade de voz é mais alta, ossos mais leves, hemoglobina do sangue em porcentagem menor, útero e órgãos de reprodução retraídos para dentro do corpo.)

O homem tem seu corpo mais anguloso, ossos pesados, mais terrestre, cérebro mais pesado, hemoglobina em porcentagem mais elevada (portanto quantidade de ferro maior), pensamento mais racional, voltado para a luta, defesa, para a ação. Órgãos sexuais mais baixos e expostos. Os órgãos sexuais têm os elementos masculino e feminino ao mesmo tempo, uma parte se desenvolve, outra regride, dando a diferenciação sexual. Também a nível anímico, tanto o homem como a mulher tem dentro de si a parte feminina da alma (que Jung denomina de “anima”) e a parte masculina (“animus”). De acordo com a intensidade do animus, o homem ou a mulher podem ser mais ou menos masculinos. Se predominar a anima, o homem ou a mulher podem ser mais ou menos femininos.

Na fase dos 14 aos 21 anos começa a busca da complementação da alma cada Adão busca sua Eva, cada Eva o seu Adão – primeiro em nível de complementação e, à medida que há o amadurecimento psicológico no decorrer dos três setênios seguintes (21 a 42), haverá a integração dessas partes dentro de cada um.

Poderíamos dizer que durante a vida passamos por três fases do amor. A primeira é mais sexual. Na puberdade mais voltada para o próprio sexo para depois despertar para o sexo oposto. A segunda fase seria ado amor “erótico” ao nível do afeto. É uma busca que se passa mais ao nível anímico. A terceira fase, finalmente, é a do amor verdadeiro – de amar a individualidade do outro como ela é e não como eu gostaria que fosse. Amadurecer nesse sentido seria ajudar o desenvolvimento da individualidade do outro. Colocado assim, parece meio esquemático. Naturalmente, muito depende do indivíduo, podendo os três elementos aparecer concomitantemente.

Entre os 14 e 21 anos estas três etapas do amor se esboçam pela primeira vez: sexual, erótico-afetivo(companheirismo) e amor verdadeiro (espiritual), destituído de egoísmo. Reencontramos essas três fases cada uma predominante nas fases seguintes, respectivamente dos 21 aos 28, dos 28 aos 35 e dos 35 aos 42 anos.

AOS 21 ANOS – UMA CRISE DE IDENTIDADE

Com o fim do terceiro setênio, atingimos a maturidade ou maioridade.

Em torno do 21º ano de vida, para muitos jovens ocorrem crises violentas relativas à própria identidade. Muitos jovens têm de se libertar da imagem forte do pai, para conseguirem ser eles mesmos. O mesmo se dá com a filha quanto à influencia da mãe. Verdadeiros dramas acontecem em relação a isso. Muitos jovens só conseguem esta libertação da casa paterna ou materna, saindo de casa, mudando de lugar ou “quebrando” estas imagens com violência. São comuns os sonhos de morte dos pais. Só após terem encontrado a sua identidade, têm a possibilidade de voltar para casa como adultos e iniciar uma nova forma de relacionamento. Muito depende dos pais, se estes agora conseguem enxergar o adulto na criança e ter uma relação de igual para igual, base para um bom relacionamento.

Dra. Gudrun Burkhard


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A BIOGRAFIA HUMANA: O SEGUNDO SETÊNIO – 7 a 14 ANOS


A BIOGRAFIA HUMANA: O SEGUNDO SETÊNIO – 7 a 14 ANOS

Dra. Gudrun Burkhard


O segundo setênio é a base para o amadurecimento psicológico do indivíduo.


A maturidade escolar a nível físico significa que uma parte das forças que elaboravam os órgãos ao nível da cabeça se emanciparam desse trabalho orgânico, estando livres agora para serem usadas para uma faculdade anímica, a memória e o pensar imaginativo.

Três pequenas fases se sucedem; dos 7 aos 9, dos 9 aos 12 e dos 12 aos 14 anos. Na primeira fase, predomina a formação mais intensiva da cabeça. Especialmente o rosto vai adquirindo sua expressão mais individual. Dos 9 aos 12, poderemos verificar especialmente o crescimento do tórax, bem como o desenvolvimento dos órgãos nele contidos, coração e pulmão. Nessa época, passageiramente, a relação pulso/respiração atinge o equilíbrio do adulto de 4:1.

Entre o 9: e o 10: ano temos um novo momento de “vivência do eu”, em que este se torna mais presente ao nível do sentimento. Nesta época, a criança se sente só, incompreendida, é crítica e necessita de bastante carinho para conseguir relacionar-se socialmente. Geralmente também é a fase do primeiro “amor”, quase sempre platônico, passando desapercebido pelo outro. Na época dos 12 aos 14 anos, a pré-puberdade, dá-se a grande fase de alongamento dos membros, de crescimento longitudinal.

Não vamos entrar nos detalhes do que ocorre em cada uma dessa três sub-fases. Queremos caracterizar o segundo setênio de maneira mais geral. Em relação ao primeiro setênio, sente-se agora uma interiorização, não há mais aquela entrega e abertura total para com o ambiente, mas uma vida interior mais intensa, e há então troca com o ambiente, especialmente a nível social; é como um grande respirar: interiorização e exteriorização. A criança não respira só o ar, mas todo o mundo ao seu redor. A criança pequena vive o mundo, enquanto que a em idade escolar, precisa de um adulto que seja o elo de ligação entre ela e o mundo. Este elo deve ser uma pessoa que a criança ame profundamente; geralmente o professor ou a professora que passa a ser a “autoridade” amada pela criança. A autoridade amada é o elemento mágico da educação, dessa época. O que aquele professor diz e transmite é o verdadeiro. Se nos lembrarmos de nossa infância, veremos que guardamos apenas os ensinamentos transmitidos pelos professores que amávamos. A atitude básica cultivada nesse setênio é a devoção e a veneração.

Ao nível do pensar, agora a criança tem aptidão para o cultivo da memória; o seu pensar tem caráter mais imaginativo, e ainda não intelectual, lógico; daí o interesse por contos de fadas, lendas, fábulas, histórias da Bíblia, que alimentam a alma da criança. Nas escolas Waldorf esses elementos são usados como material de ensino, pois transmitem as grandes verdades do mundo e da alma em forma de imagens. Somente na época da pré-puberdade é que surge cada vez mais o pensamento lógico a ser então cultivado. Também aqui a fantasia criativa se desenvolve. Uma criança nessa idade permanece por horas em cima de uma árvore ou no sótão, onde constrói “castelos no ar”, onde ora é o grande herói, ora o escravo, ora a princesa ou a gata borralheira. Essa fantasia criativa será a base do entusiasmo e da criatividade entre 28 e 35 anos.

A parte rítmica, base do sentimento, é cultivada através de todo um ensino rítmico (maiores detalhes vide literatura especializada), e especialmente através de arte e religião. Arte e religião deveriam permear todo o ensino; não uma religião sectária, que logicamente também nesta fase tem o seu lugar, mas uma atitude “religiosa” perante os três reinos da natureza, o reino mineral as plantas e os animais. Através de um ensino artístico, a criança abre os olhos para o mundo; “o mundo que é belo” precisa ser sentido com toda a força do coração. O repetir constante e rítmico vai permitir um aprendizado que se incorpora não só a nível intelectual, mas em todo o corpo, permitindo o desenvolvimento de uma volição sadia.

Nesta época, também o temperamento da criança se torna bem visível e característico e deve ser levado em consideração, tanto na escola como no lar (vide bibliografia).

Nesta fase também se fundamentam os costumes e hábitos, como por exemplo, os hábitos alimentares, higiênicos ou o de rezar. Se adquiridos nesta fase, muitos desses hábitos irão manter-se por muitos e muitos anos. Igualmente o comportamento dos pais poderá determinar como mais tarde o adulto interagirá no seu casamento ou como irá liderar um grupo. Nesta época uma couraça de normas nos pode ser incutida com tal intensidade, que impedirá que desenvolvamos a vida dos sentimentos mais tarde, tais como: menino não chora ou não brinca com bonecas; menina não trepa em árvores, etc. e outras frases que ouvimos constantemente: “Você tem duas mãos esquerdas” ou “Você é a ovelha negra da família” ou então um professor que diz: “Não adianta, você não aprende mesmo”. Estas coisas, numa fase posterior especialmente entre os 28 e 35 anos, vão dificultar o desenvolvimento sadio de nossa vida anímica (psíquica).

A intelectualização precoce – que impossibilita o desenvolvimento da fantasia criativa -, a falta de desenvolvimento do sentimento e da atitude de veneração e devoção perante as pessoas e o mundo, e a falta de repetição rítmica constante, do treino, do exercício de persistência, poderão ser os empecilhos para o desenvolvimento de um pensar, sentir e agir sadios em fases posteriores.

Dra. Gudrun Burkhard


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A BIOGRAFIA HUMANA: O PRIMEIRO SETÊNIO – 0 a 7 ANOS


A BIOGRAFIA HUMANA: O PRIMEIRO SETÊNIO – 0 a 7 ANOS

Dra. Gudrun Burkhard


O primeiro setênio é a base para a estruturação física do ser humano, a base corpórea de nossa saúde. 


Quando a criança nasce, o primeiro grito é a primeira manifestação “audível” para dizer: “estou aqui”. Quanto preparo, quanto carinho, quanto calor e amor foram necessários para chegar até este momento. No ventre materno, onde a criança germinava tal qual semente abrigada pela escuridão da terra, o seu “estou aqui” era sentido pelo movimento na barriga ou pelo som do batimento cardíaco. Muitas mães sabem precisar exatamente o momento da concepção: “Tenho certeza de que estou grávida”. Por que? Alguém, a individualidade do ser em formação já está presente, como que pairando sobre as águas do liquido amniótico, modelando seu corpo dentro do útero materno. Muitas vezes a mãe até sonha com o nome da criança – quem o conta a ela? É a própria individualidade da criança. Porém, não é só a individualidade, mas são todas as hierarquias celestes que participam da formação de um novo ser humano, repetindo o ato da criação do homem dos primórdios da humanidade.

Até os três primeiros anos de vida, através do aprender a andar, erguendo-se, superando a gravidade da terra, conquistando o espaço, a criança se torna “a imagem de Deus”; um ser humano; através do falar, tem a possibilidade de dar nomes a todos os seres, de se comunicar com seus semelhantes, de criar, portanto a base de comunicação, ou seja, do ser social que é o homem e, através do pensar, das primeiras associações de idéias, do desenvolvimento gradativo da memória, ela conquista o infinito. Sim, pois com nosso pensar  podemos ir ao passado, ao futuro, a países longínquos, às alturas cósmicas e profundezas terrestres.

Estes três passos de desenvolvimento do ser humano são a base de todo desenvolvimento posterior. E todas as forças anímicas (psíquicas) e espirituais (ou da consciência), estão totalmente mergulhadas nessa tarefa orgânica. Somente quando esta está parcialmente cumprida, aparece o primeiro momento de consciência em que a criança se percebe como individualidade própria, usando a palavra “eu”. Joãozinho fala de si, não mais “Joãozinho quer”, mas sim “eu quero”. “Eu” e o mundo antes desse acontecimento eram uma coisa só. Agora, sou “eu”, e o mundo está fora de mim. Para a maioria das pessoas, é a partir deste momento que vêm as primeiras lembranças da infância. Esse momento pode ser denominado de “consciência do Eu”.

O acordar da criança em seu corpo se dá através dos órgãos dos sentidos, especialmente o tato, quando, por exemplo, ao mamar, ela sente o calor do seio materno. Quando mama, a criança é toda um órgão de percepção; o prazer da amamentação é sentido até a pontinha dos pés. Somente aos poucos, os outros órgãos dos sentidos se abrem para o mundo: o enxergar e reconhecer a mãe, o escutar os passos dela, etc., são percepções sensoriais que vão despertando a criança para o mundo e, ao mesmo tempo, para seu corpo, pois essas impressões entram profundamente em seu organismo, contribuindo para a plasmação de todos os seus órgãos. Daí é fácil compreender quão importante é o cultivo adequado das impressões sensoriais que surgem nesta fase. As cores (se harmônicas ou chocantes), os sons das vozes familiares ou os ruídos que vem de um rádio ou televisão ou enceradeira; os brinquedos que deveriam proporcionar diferentes sensações de tato (lã, madeira, bonecas de pano, areia, água) e não ser monótonos como os de plástico. Estes são apenas alguns exemplos importantes. Essas “impressões” serão a base para a futura ligação com a terra, os reinos da natureza, o ambiente. Em suma, determinarão se a criança irá se sentir bem ou não na Terra.

Quem observar uma criança no aprendizado do andar, verá quanto esforço, quanta persistência, quanta experimentação contínua é necessária para se conseguir esta faculdade. A criança está em constante movimento, em ação, experimentando os elementos que a rodeiam. Nessa fase ela aprende por imitação. A mãe que lava roupa, que amassa o pão ou mexe um bolo será imitada – igualmente no andar, no falar, no correr. A recriminação de atitudes erradas nessa fase de nada adianta, os pais servirão de exemplo a ser imitado. Portanto, isto implica na auto-educação dos próprios pais.

Animicamente, nesta fase a criança está totalmente aberta, admira tudo que a rodeia, é confiante. Essa confiança básica precisa ser cuidada para não romper. Do alto da escada a criança se joga nos braços do pai entrega-se totalmente. O que acontecerá se os braços não estiverem lá? E se a mãe diz “vamos ao circo” e em vez disso a criança acaba sentada na cadeira do dentista? Para um bom desenvolvimento nessa fase, a criança necessita de calma e tempo, pois ainda está modelando seus órgãos, necessitando para isso enorme quantidade de forças plasmadoras, vitais do organismo. Alimentação e sono em rítmicos adequados são uma necessidade nesta época. Uma super solicitação de impressões visuais, de alfabetização ou aprendizado intelectual, desviará as forças formativas vitais do seu trabalho nos órgãos para áreas da consciência, causando em épocas futuras, especialmente na velhice, a fragilidade desses órgãos e predisposição de doenças escleróticas precoces. Igualmente a alimentação inadequada, como apenas o aleitamento com leite artificial, poderá trazer  predisposição de mal-estares hepáticos mais tarde. Isto apenas para citar alguns exemplos para elucidar que o primeiro setênio é a base da nossa saúde corporal. Assim também desavenças, brigas dos pais, vão refletir na saúde física, deixando marcas a nível orgânico. Todo aprendizado nessa fase é a nível orgânico.

Quais seriam as crises dessa época?

Como tudo nessa fase se passa a nível orgânico, as crises também transcorrem nesse nível; são globais, atingem o organismo todo e se manifestam através das doenças infantis. Essas moléstias representam uma chance para o organismo no seguinte sentido: a individualidade da criança remodela o seu corpo herdado. Este corpo herdado (através dos genes) é preparado no ventre materno e contém tudo aquilo que é herdado dos ancestrais. Igualmente as proteínas são estruturadas pela mãe durante a fase embrionária. Agora, nessa fase, do primeiro setênio, a proteína própria, individual, tem que ser estruturada, o próprio corpo deve ser adequado a essa individualidade. Como é que isto poderia acontecer sem que a proteína original seja eliminada? Através das moléstias infantis, como por exemplo, o sarampo; a febre acelera a exsudação profunda da pele, dos brônquios, a eliminação urinaria, etc. Uma boa parte das proteínas herdadas são mobilizadas, eliminadas, e a criança como que renasce com um corpo novo, uma proteína mais adequada à sua própria individualidade. Portanto, nessa fase, a criança forma seu “instrumento” para melhor poder tocá-lo durante o resto de sua vida. À medida que não consegue passar por este processo, o “instrumento” vai se tornando cada vez mais desafinado, mais inadequado, menos moldável, até o ponto de provocar novas doenças em fases posteriores, quando então geralmente já não são mais tão “naturais” quanto às moléstias infantis.

A  CHEGADA  DOS  7  ANOS

Quando o corpo está estruturado e especialmente o cérebro bem formado, também os dentes de leite herdados são eliminados. Inicia-se a segunda dentição. É nessa época que a criança passa para o segundo setênio, apta para ir á escola, a aplicar grande parte das forças, que até então plasmaram seu organismo, no aprendizado, na memória.

Aos sete anos, a criança passa para uma nova fase. Ela sai do ambiente doméstico, familiar, e vai para a escola. Para algumas, isto significa uma pequena crise e medo; para outras, um sentimento de auto-afirmação, orgulho, libertação. O primeiro caso é facilmente superado pela habilidade de um bom professor.

Fonte: Dra. Gudrun Burkhard


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

O tempo e a empatia


O TEMPO E A EMPATIA

Leonardo Maia


O tempo é amigo da empatia, a falta dele da indiferença.
É amigo da percepção, a falta dele da insensibilidade.
É amigo da tranquilidade, a falta dele da tensão e do estresse.
O tempo nos leva à essência, a falta dele à superficialidade.
O tempo nos leva ao altruísmo, a falte dele ao egoísmo.


Num tempo onde não se pode perder tempo, não temos tempo para as coisas mais essenciais. Essenciais? Sim… o que chega na essência. Para se chegar a essência é preciso dedicação… dedicar meu tempo e meu espaço interior para aprofundar minha percepção.

Mas a demanda de compromissos e o tempo corrido não nos permite mais a este luxo. Mesmo quando estamos sem o compromisso, nossa mente não consegue mais desacelerar, e ela continua preocupada (pré-ocupada). O ócio acaba nos trazendo um incômodo, um vazio inquietante.

A vida moderna exige que estejamos atentos e ativos. Tempo é dinheiro, consumo ou diversão (distração). Mas isso nos torna extremamente focados em nossas necessidades e compromissos, nos faltando tempo para olhar o outro. Tempo para ouvir, perceber e acolher o outro com interesse genuíno, não egoísta – onde essa atenção poderia me trazer algum benefício. O sofrimento do outro passa a ser responsabilidade exclusivamente dele, cada um com seus problemas. Eu me torno indiferente a eles.

Mas a calma e a tranquilidade aprofunda minha conexão com o mundo ao meu redor, ao contrário da pressa, que mantém minhas relações na superfície (superficiais). Minha percepção aumenta e com ela, minha sensibilidade e minha atenção. Começo a apreciar as coisas. O mundo, a natureza, o outro, a música, a arte, a solidão e a interação. Para isso é preciso estar no tempo e não correr contra ele.

O tempo é amigo da empatia, a falta dele da indiferença.
O tempo é amigo da percepção, a falta dele da insensibilidade.
O tempo é amigo da tranquilidade, a falta dele da tensão e do estresse.
O tempo nos leva à essência, a falta dele à superficialidade.
O tempo nos leva ao altruísmo, a falte dele ao egoísmo.

Se você está correndo demais com seus compromissos, anda muito ocupado e estressado? Cuidado… você pode estar fora do tempo. Procure se proporcionar uma vida com mais tempo: tempo sem compromisso, tempo com a família, na natureza ou qualquer outro tipo de meditação.

E atenção: estamos fazendo o mesmo com nossos filhos, lhes enchendo de atividades e compromissos. Permitam-lhes a paz que tanto almejamos…

Leonardo Maia


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

O Reino da Infância – 2ª conferência


O REINO DA INFÂNCIA – 2ª CONFERÊNCIA

Rudolf Steiner – 13 de agosto de 1924

Tradução: Leonardo Maia


O mais importante não é o que você diz, mas o que você é, isso que vai reverberar mais forte na criança. Isso que será absorvido e transformado em seu organismo infantil em espírito, alma e corpo.


Ontem mostrei como o desenvolvimento da criança sofre uma mudança radical com a perda de seus primeiros dentes. Porque, na verdade, o que chamamos de hereditariedade ou características herdadas só são ativadas diretamente durante o primeiro período da vida. No entanto, durante os primeiros sete anos, um segundo organismo vital é gradualmente formado no corpo físico, que é modelado de acordo com o modelo do organismo herdado. Este segundo organismo é, podemos dizer, completado na mudança dos dentes. Se o indivíduo que desce do mundo espiritual pré-terrestre é fraco, então este segundo organismo vital é semelhante ao que foi herdado. Se o indivíduo é forte, então vemos como, no período entre a mudança de dentes e a puberdade – dos sete para quatorze anos, uma espécie de vitória sobre as características herdadas é gradualmente alcançada. As crianças tornam-se bastante diferentes e até mudam de forma corporal externa.

É especialmente interessante seguir as qualidades da alma que agora são reveladas neste segundo período da vida. No primeiro período, antes da mudança dos dentes, podemos descrever a criança como um “órgão sensorial”. Deve levar isto literalmente: órgão dos sentidos em sua totalidade.

Tome, por exemplo, o olho humano ou o ouvido. Qual é a característica de tal órgão sensorial? A característica é que o órgão dos sentidos é muito sensível às impressões do mundo externo. E se você olhar nos olhos, certamente verá que tipo de processo ocorre. A criança durante os primeiros sete anos é completamente e totalmente um olho. Agora, considere apenas este pensamento: no olho, uma imagem é formada, uma imagem invertida, de cada objeto externo. É isso que a Física comum ensina a todos. O que está fora do mundo está dentro dos olhos como uma imagem. A física pára aqui, mas esse processo de formação de imagem é apenas o começo do que se deve saber sobre o olho; é o fato físico mais externo.

Mas se o físico observasse essa imagem com um senso de observação mais apurado, veria que ela determina o curso da circulação sanguínea na coróide. Toda a coróide está condicionada em sua circulação sanguínea pela natureza dessa imagem dentro do olho. O olho todo se ajusta de acordo com essas coisas. Estes são os melhores processos que nossa física comum não leva em conta. Mas a criança durante os primeiros sete anos é realmente um olho. Se algo acontece no ambiente da criança, por exemplo, para dar um exemplo extremo, um ataque de raiva quando alguém se irrita furiosamente, então toda a criança terá uma imagem dentro dele dessa explosão de raiva. O corpo etérico faz uma imagem disso. Deste algo acontece a toda a circulação do sangue e do sistema metabólico, algo que está relacionado a essa explosão de raiva.

Isso é verdade nos primeiros sete anos e, de acordo com isso, o organismo se ajusta. Naturalmente, estes não são eventos crus, são processos delicados. Mas se uma criança cresce na proximidade de um pai raivoso ou de um professor de mau humor, então o sistema vascular, os vasos sanguíneos, seguirão a linha da raiva. Os resultados desta tendência implementada nos primeiros anos serão mantidos durante todo o resto da vida.

Essas são as coisas que mais importam para a criança pequena. O que você diz a ela, o que você ensina a ela, ainda não dá nenhuma impressão, exceto na medida em que ele imita o que você diz em seu próprio discurso. Mas é o que você é que importa; Se você é bom, essa bondade aparecerá em seus gestos, e se você for mau ou mal-humorado, isso também aparecerá em seus gestos; Em suma, tudo o que você faz passará para a criança e continuará seu caminho dentro dele. Este é o ponto essencial. A criança é completamente órgão dos sentidos e reage a todas as impressões que as pessoas ao seu redor despertam nela. Portanto, o essencial não é imaginar que a criança possa aprender o que é bom ou ruim, que ele possa aprender isto ou aquilo, mas saber que tudo o que é feito em sua presença é transformado em seu organismo infantil em espírito, alma e corpo. A saúde para toda a vida depende de como nos comportamos na presença da criança. As inclinações que se desenvolvem dependem de como nos comportamos em sua presença.

Mas todas as coisas que geralmente nos aconselham a fazer com as crianças do jardim de infância são bastante inúteis. As coisas que são apresentadas como educação infantil muitas vezes são extraordinariamente “inteligentes”. Uma delas é, devo dizer, bastante fascinada pela astúcia do que foi pensado para os jardins de infância durante o decorrer do século XIX. As crianças certamente aprendem muito lá, quase aprendem a ler. A elas são fornecidas letras do alfabeto que tem que caber em letras recortadas e coisas assim. Tudo parece muito inteligente e pode-se facilmente ser tentado a acreditar que realmente é algo adequado para crianças, mas é inútil. Realmente não tem valor, e toda a alma da criança se arruína. Mesmo no corpo, até mesmo na saúde física, a criança está arruinada. Através desses métodos do Jardim de Infância, os fracos de corpo e alma são criados para uma vida posterior. [Nota do tradutor. Na Alemanha, as crianças permanecem no “Jardim de Infância” até o sétimo ano, portanto as observações acima se aplicam a toda a vida escolar até este momento.]

Por outro lado, se tivéssemos as crianças ali no jardim de infância e nos comportássemos de tal maneira que pudessem nos imitar, se tivéssemos que fazer todo tipo de coisas que as crianças pudessem copiar de seu próprio impulso interior da alma, como costumavam ser na existência pré-terrena, então, de fato, os filhos se tornariam nós mesmos, mas cabe a nós ver que somos dignos dessa imitação. Isto é o que você deve prestar atenção durante os primeiros sete anos de vida e não o que você expressa externamente em palavras como uma idéia moral.

Se você fizer uma cara carrancuda para que a criança tenha a impressão de que você é uma pessoa mal-humorada, isso o machucará pelo resto de sua vida. Esta é a razão pela qual é tão importante, especialmente para as crianças pequenas, que, como professor, se deve ir muito fundo na observação de um ser humano e da vida humana. O tipo de plano escolar é este ou aquele? O que importa é o tipo de pessoa que você é. Hoje em dia é muito fácil pensar em um currículo, porque todos em nossa época são agora muito inteligentes. Eu não estou dizendo isso ironicamente; Hoje em dia, as pessoas são muito inteligentes. Toda vez que algumas pessoas se reúnem e decidem que isso ou aquilo deve ser feito na educação, sempre surge algo inteligente. Eu nunca conheci um programa educacional estúpido; Eles são sempre muito inteligentes. Mas não se trata de ter programas desse tipo. O que importa é que devemos ter pessoas na escola que possam trabalhar da maneira que eu indiquei. Devemos desenvolver este modo de pensar, uma vez que muita coisa depende disso, especialmente para aquela idade ou época de vida da criança em que ele é realmente um órgão dos sentidos.

Agora, quando a mudança dos dentes está completa, a criança não é mais um órgão sensorial no mesmo grau de antes. Isso já diminui entre o terceiro e o quarto ano, mas antes a criança tem peculiaridades muito especiais, das quais geralmente nada é conhecido. Quando você come algo doce ou azedo, percebe-o na língua e no palato, mas quando a criança bebe leite, ele sente o gosto do leite em todo o corpo porque também é um órgão com um paladar. Ele testa com todo o seu corpo; Existem muitos exemplos notáveis disso.

As crianças seguem o exemplo dos adultos e, portanto, aos quinze, dezesseis ou vinte anos já estão desanimadas e perderam o frescor, mas ainda há crianças que nos seus primeiros anos são plenamente órgãos dos sentidos, embora a vida não é fácil para elas. Por exemplo, houve uma criança pequena que, ao receber algo para comer que sabia que iria gostar, aproximou-se do delicioso objeto não somente com aqueles órgãos com os quais geralmente se aproxima da comida, mas dirigiu-se com as mãos e os pés que na verdade, eram um órgão de degustação. O mais notável é que em seu nono ou décimo ano ele se tornou um excelente euritmista e desenvolveu um grande entendimento para Euritmia. Então, o que começou a “remando” até que sua refeição, quando ele era criança, desenvolveu-se posteriormente em seus órgãos da vontade, numa idade posterior.

Eu não digo essas coisas de brincadeira, mas para dar exemplos de como observar. Muito raramente você ouve coisas como essas, mas elas estão acontecendo a todo momento. As pessoas não percebem esses fenômenos característicos da vida e só pensam em como educar os jovens em vez de observar a própria vida.

A vida é interessante em todos os detalhes, da manhã até a tarde; as menores coisas são interessantes. Observe, por exemplo, como duas pessoas pegam uma pêra de uma tigela de frutas. Não há duas pessoas que peguem a pêra da mesma maneira; sempre é diferente. O caráter completo de uma pessoa é expresso no modo como ele pega a pera do prato de frutas e a coloca em seu prato, ou diretamente em sua boca, conforme o caso.

Se as pessoas apenas cultivassem mais poder de observação desse tipo, as coisas terríveis não se desenvolveriam nas escolas, o que infelizmente é visto hoje em dia. Apenas se observa uma criança segurando a caneta ou o lápis corretamente. A maioria não o faz, isso acontece porque não sabemos como observá-las corretamente. Isso é algo muito difícil de fazer, e também não é fácil na Escola Waldorf. Você freqüentemente entra em uma classe onde são necessárias mudanças drásticas na forma como as crianças seguram seus lápis ou canetas. Você nunca deve esquecer que o ser humano é um todo e, como tal, deve adquirir destreza em todas as direções. Portanto, o que o professor precisa é a observação da vida até os mínimos detalhes.

E se você está especialmente disposto a ter axiomas (fundamentos) formulados, considere isso como o primeiro princípio de uma verdadeira arte da educação. Você deve ser capaz de observar a vida em todas as suas manifestações.

Nunca se pode aprender o suficiente nessa direção. Olhe para as crianças, por exemplo. Alguns andam plantando o pé inteiro no chão, outros tropeçam nos dedos dos pés, e pode haver todo tipo de diferenciação entre esses dois extremos. Sim, de fato, para educar uma criança, é preciso saber com precisão como ele anda. Pois na criança que caminha sobre seus calcanhares é visto nesta pequena característica de seu corpo físico foi firmemente plantada na vida em sua encarnação anterior, que ele estava interessado em tudo em sua vida terrena anterior. Nesse caso, você deve extrair o máximo que puder da própria criança, já que há muitas coisas escondidas em crianças que andam com dificuldade sobre seus calcanhares. Por outro lado, as crianças que viajam juntas, que mal usam os calcanhares para andar, passaram pela vida terrestre anterior de maneira superficial. Você não será capaz de obter muitas dessas crianças, mas quando você está com elas, você deve fazer muitas coisas que elas possam copiar (imitar).

Desta forma, você deve experimentar a mudança de dentes através de observação cuidadosa. O fato da criança ter sido anteriormente um órgão dos sentidos permite-lhe desenvolver acima de tudo o dom da fantasia e do simbolismo. E se acha isso mesmo no processo. Nossa era materialista peca terrivelmente contra isso. Tomemos por exemplo as chamadas bonecas bonitas que são tantas vezes dadas às crianças hoje (Barbie por exemplo). Elas têm rostos lindamente modelados, bochechas lindamente pintadas e até mesmo olhos com os quais podem fechar quando estão deitados, cabelos reais. Mas isso mata a fantasia da criança, já que não deixa nada à sua imaginação e a criança não pode aproveitá-la. Mas se você faz uma boneca com um guardanapo ou um lenço com dois pontos de tinta para os olhos, um pouco de tinta para a boca e alguns braços, então a criança pode acrescentar muito à sua imaginação.

É particularmente bom para uma criança quando ela pode adicionar o máximo possível aos seus brinquedos com sua própria fantasia, quando ele pode desenvolver uma atividade simbolizadora. As crianças devem ter o mínimo possível de coisas que estão bem acabadas e completas, e o que as pessoas chamam de “belas”. Porque a beleza de uma boneca como a que descrevi anteriormente com cabelo de verdade e assim por diante, é apenas uma beleza convencional. Na verdade, é terrivelmente feia porque é tão pouco artística.

Nunca se esqueça de que, no período em torno da mudança de dentes, a criança entra na era da imaginação e da fantasia. Não é o intelecto, mas a fantasia que preenche sua vida nessa idade. Vocês, professores, também devem ser capazes de desenvolver essa vida de fantasia, porque aqueles que têm um verdadeiro conhecimento do ser humano em suas almas são capazes de fazer isso. De fato, é assim que um verdadeiro conhecimento do homem aflora e libera a vida interior da alma e traz um sorriso ao rosto. Os rostos azedos e mal-humorados só proveem da falta de conhecimento. Certamente, pode-se ter um órgão doente que deixa vestígios de doença no rosto; isso não importa, porque a criança não leva essas coisas em consideração, mas se a natureza interna de uma pessoa é preenchida com um conhecimento vivo do que o homem é, isso será expresso em sua face, e isto é o que pode fazer um professor muito bom.

Agora podemos trabalhar menos em imagens se ensinarmos à criança algo que é realmente estranho para ela. Por exemplo, a caligrafia de hoje é bastante estranha para a criança, seja em letras escritas ou impressas. Ele não tem relação com essa coisa que é chamada de “A”. Por que eu deveria ter um relacionamento com um “A”? Por que eu deveria estar interessado em um “L”? Estas são bastante estranhas para ele, este “A”, este “L”. No entanto, quando a criança chega à escola, nós a levamos para a sala de aula e ensinamos-lhe essas coisas. O resultado é que ele não sente contato com o que tem que fazer. E se ensinarmos isso antes de mudar os dentes e atribuir letras em furos de recorte, por exemplo, então estamos dando coisas que são fora da sua natureza e para com as quais não tem a mínima relação.

Mas o que ela tem é um senso artístico, uma faculdade para criar imagens imaginativas. É para isso que devemos apelar, devemos abordar isso. Devemos evitar uma abordagem direta às letras convencionais do alfabeto que são usadas na escrita e na impressão do homem civilizado. Em vez disso, devemos guiar as crianças, de uma maneira vívida e imaginativa, pelas várias etapas pelas quais o próprio homem passou na história da civilização.

No passado, havia a escrita de imagens; isto é, as pessoas pintavam algo na página que os lembrava do objeto. Não precisamos estudar a história da civilização, mas podemos mostrar à criança o significado e o espírito do que o homem queria expressar na escrita de imagens. Então você vai se sentir em casa em suas aulas.

Por exemplo: vamos usar a palavra “Mund” – “boca” em inglês. Peça que a criança desenhe uma boca, ou melhor, pinte-a. Deixe-o colocar toques vermelhos e diga-lhe para pronunciar a palavra; você pode dizer a ela: não pronuncie a palavra completa, mas comece apenas com M; e agora podemos formar o M do lábio superior (ver desenho). Se você seguir este processo você pode tirar o seu M da boca que nós pintamos pela primeira vez.

Diagrama 1

É assim que a escrita realmente se originou, só que hoje em dia é difícil reconhecer pelas próprias palavras que as letras já foram imagens, porque todas as palavras foram sujeitas a mudanças no curso da evolução da fala. Originalmente, cada som tinha sua própria imagem e cada imagem só poderia ter um significado.

Você não precisa voltar a esses caracteres originais, mas pode inventar suas próprias imagens. O professor deve ser inventivo, deve criar a partir do espírito da coisa. Pegue a palavra “peixe” (FISH em inglês). Deixe a criança desenhar ou pintar algum tipo de peixe. Deixe dizer o início da palavra: “F” (FFFFish) e você pode remover gradualmente o F da imagem (veja o desenho).

Diagrama 2

E assim, se você é inventivo, você pode encontrar, de fato, imagens para todas as consoantes. Eles podem ser feitos a partir de uma espécie de pintura-desenho ou desenho-pintura. Isso é mais difícil de gerenciar do que os métodos atuais. Porque, é claro, é essencial que depois que as crianças estiverem fazendo esta pintura por uma ou duas horas você tem que limpar tudo. Mas isso tem que ser assim, não há mais nada a fazer.

A partir disso, você pode ver como as letras podem ser desenvolvidas a partir de imagens e imagens diretamente da vida. É assim que você deve fazer isso. Em nenhum caso você deve ensinar a ler primeiro, mas a partir de sua pintura de desenho, você permite que as letras surjam delas, e então você pode passar para a leitura.

Se você olhar ao seu redor, encontrará muitos objetos que você pode usar para desenvolver as consoantes dessa maneira. Todas as consoantes podem ser desenvolvidas a partir das letras iniciais das palavras que descrevem esses objetos.

Não é tão fácil para as vogais. Mas talvez para as vogais o seguinte seja possível. Suponha que você diga à criança: “Olhe para o belo sol! Você realmente tem que admirá-lo; Levante-se assim para que possa olhar para cima e admirar o sol glorioso. “A criança pára, olha para cima e então expressa seu assombro assim: AAAhhh! Então você pinta esse gesto e você realmente tem o hebraico A, o som Ah, o som da maravilha. Agora você só precisa diminuí-lo e transformá-lo gradualmente na letra A (veja o desenho).

Diagrama 3

Então, se você traz para a criança algo da qualidade de uma alma interior e, acima de tudo, o que é expresso em Euritmia, deixando que ela tome essa ou aquela posição, então você pode desenvolver as vogais também da maneira que mencionei. Euritmia será de grande ajuda para você, porque os sons já estão formados nos gestos e movimentos do Euritmia. Pense, por exemplo, em um O. Alguém abraça algo com amor. A partir daqui pode-se obter o O (ver desenho). Você pode realmente obter as vogais do gesto, do movimento.

Diagrama 4

Portanto, você deve trabalhar a partir da observação e da imaginação, e as crianças aprenderão os sons e letras das próprias coisas. Deve começar a partir da imagem. A carta, como a conhecemos hoje em sua forma completa, tem uma história por trás dela. É algo que foi simplificado a partir de uma imagem, mas o tipo de sinais mágicos das letras impressas de hoje não nos diz como era a imagem.

Quando os europeus, estes “homens superiores”, foram para a América na época em que os “selvagens”, os índios, ainda estavam lá, mesmo em meados do século XIX, tais coisas aconteceram, eles mostraram esses escritos nativos impressos e os índios fugiram porque achavam que as cartas eram diabinhos. E eles disseram: Os rostos pálidos, como os índios chamavam os europeus, comunicam-se uns com os outros por meio de pequenos demônios, pequenos demônios.

Mas isso é exatamente o que as letras são para as crianças. Eles não significam nada para eles. A criança sente algo demoníaco nas letras, e com razão. Eles já se tornaram um meio de magia porque são meros sinais.

Você deve começar com a imagem. Isso não é um sinal mágico, mas algo real e você deve trabalhar com isso.

As pessoas vão se opor a crianças aprendendo a ler e escrever tarde demais. Isso só é dito porque hoje não se sabe o quanto é prejudicial quando as crianças aprendem a ler e a escrever cedo demais. É muito ruim poder escrever cedo. O ler e escrever como temos hoje em dia não são adequados para o ser humano até uma idade posterior, no décimo primeiro ou décimo segundo ano, e quanto mais alguém é abençoado com a incapacidade de ler e escrever bem antes desta idade, melhor é para os seus últimos anos de vida. Uma criança que não consegue escrever corretamente aos treze ou catorze anos (posso falar por experiência própria porque não poderia fazê-lo nessa idade) não é tão prejudicada para o desenvolvimento espiritual posterior quanto aquela que, aos sete ou oito anos, já pode ler e escrever perfeitamente. Estas são coisas que o professor deve notar.

Naturalmente, não se pode progredir como deveria fazê-lo hoje, porque as crianças precisam passar de sua escola independente para a vida pública. Mas muito pode ser feito, no entanto, quando se conhece essas coisas. É uma questão de conhecimento. E seu conhecimento deve mostrar-lhe, em primeiro lugar, que é completamente errado ensinar a leitura antes de escrever, já que, por escrito, especialmente se é desenvolvido a partir da pintura, desenho, todo o ser humano é ativo. Os dedos tomam parte, a posição do corpo, todo o homem está ocupado. Ao ler, somente a cabeça está ocupada e tudo o que ocupa apenas uma parte do organismo e deixa as partes restantes impassíveis deve ser ensinado o mais tarde possível. O mais importante é, primeiro, colocar todo o ser em movimento e, depois, nas partes individuais.

Naturalmente, se você quiser trabalhar dessa maneira, não pode esperar receber instruções para todos os pequenos detalhes, mas apenas uma indicação do caminho a seguir. Portanto, somente neste método de educação que surge da Antroposofia não se pode construir sobre outra coisa senão a liberdade absoluta, embora essa liberdade deva incluir a fantasia criativa livre do professor e do educador.

Na Escola Waldorf, fomos abençoados com o que poderia ser chamado de um sucesso muito questionável. Começamos com 130 a 140 alunos; mas esses estudantes vieram dos trabalhos industriais de Emil Molt, então naquela época eles eram, em certa medida, crianças “obrigadas”, embora também tivéssemos algumas crianças de famílias antroposóficas. [Em 1919, Emil Molt, diretor da fábrica de cigarros Waldorf Astoria em Stuttgart, fundou a primeira escola Rudolf Steiner. Os primeiros alunos eram todos filhos de operários de fábrica.] No curto tempo de sua existência, a Escola Waldorf cresceu tanto que agora temos mais de oitocentas crianças e entre quarenta e cinquenta professores. Este é um sucesso duvidoso porque gradualmente torna-se impossível manter uma visão clara do todo. A partir dos arranjos da Escola Waldorf que descreverei para você, você logo verá como é difícil estudar o todo; embora mais tarde eu indique certas maneiras de tornar isto possível. Nós tivemos que formar classes paralelas; no caso do quinto e do sexto há três classes paralelas: A, B e C. Essas turmas ainda são excessivas e têm mais crianças do que as outras turmas da escola.

Portanto, há um professor na classe A, outro na classe B. Imagine como isso funcionaria em um estabelecimento educacional “tradicional” de hoje. Você entra na Classe I A, onde você encontra um exercício educacional específico que é considerado o melhor. Agora entre na Classe I B. Também poderia ser chamado de ‘A’, a única diferença é que existem diferentes crianças sentadas lá, porque em ambas as classes exatamente o mesmo acontece, porque o “método correto” é usado. Claro, tudo isso é muito bem pensado: o que é intelectual tem apenas um significado e não pode ser de outra forma.

Conosco na Escola Waldorf, você não encontra uma coisa dessas. Você entra na primeira Classe A. Lá você vê um professor, homem ou mulher, que está ensinando a escrever. O professor deixa as crianças fazerem todos os tipos de formas, digamos com uma corda. Então eles continuam a pintar as formas e gradualmente as letras aparecem. Um segundo professor gosta de fazer isso de forma diferente. Se você entrar na Classe B, verá que esse professor está permitindo que as crianças “dancem” as formas ao redor da sala, para que possam experimentar as formas das letras em seus próprios corpos. Então ele transfere essas formas também para as próprias letras. Eu nunca encontraria a uniformidade de ensino nas classes A, B e C. As mesmas coisas são ensinadas, mas de maneiras completamente diferentes, uma vez que uma fantasia criativa livre domina a classe. Não há regras prescritas para o ensino na Escola Waldorf, mas apenas um espírito unificador que permeia o todo. É muito importante que você perceba isso. O professor é autônomo. Dentro deste espírito unificador único, ele pode fazer completamente o que ele acha que é correto. Você dirá: Sim, mas se todos puderem fazer o que quiserem, toda a escola cairá em uma condição caótica. Porque na classe V-A, pode haver uma gentileza que não ae sabe que tipo de mágica está acontecendo, e em V-B, você pode encontrá-los jogando xadrez. Mas isso é exatamente o que não acontece na Escola Waldorf, porque embora haja liberdade em toda parte, você encontrará em cada classe o espírito que está de acordo com a idade das crianças.

Se você ler o Curso do Seminário, verá que é permitido a maior liberdade, e mesmo assim o ensinamento de cada classe é a coisa certa para essa idade [Pouco antes da abertura da Escola Waldorf, em 1919, o Dr. Steiner deu três cursos simultâneos de palestras para professores]. O estranho é que nenhum professor se opôs a isso. Todos aceitam voluntariamente este princípio de espírito unificador no trabalho. Ninguém se opõe ou quer ter arranjos especiais para ele. Pelo contrário, os professores muitas vezes expressam o desejo de ter tantas discussões quanto possível em suas reuniões sobre o que deve ser feito nas diferentes classes.

Por que nenhum professor se opõe ao currículo? A escola funciona há vários anos. Por que você acha que todos os professores aprovam o currículo? Eles não acham nada irracional. Eles o encontram em sua própria liberdade a excelência porque está ligado ao verdadeiro conhecimento humano real.

E somente em coisas como a criação da matéria de ensino da fantasia você pode ver que a liberdade deve prevalecer na escola. Na verdade, o faz. Cada um de nossos professores tem a sensação de que não é apenas uma questão do que ele pensa e descobre de sua própria fantasia, mas quando eu sento com meus professores Waldorf em suas reuniões, ou quando vou às aulas, eu tenho cada vez mais a impressão de que uma vez que os professores estão em suas salas de aula, eles realmente esquecem que um plano de ensino foi desenvolvido anteriormente. No momento do ensino, cada professor imagina que ele mesmo está criando o plano de trabalho. Essa é a sensação que tenho quando vou às aulas.

Tal é o resultado quando o verdadeiro conhecimento humano está na base do trabalho. Eu tenho que contar esses detalhes, mesmo que você possa pensar que eles foram ditos por vaidade; na verdade, eles não se dizem por vaidade, mas para que você saiba como é e depois faça o mesmo; Isto irá mostrar-lhe como o que cresce de um verdadeiro conhecimento do homem pode realmente entrar na criança.

É na fantasia, então, na imaginação, que nosso ensino e educação devem ser construídos. Deve ficar bem claro que, antes do nono ou décimo ano de vida a criança não sabe se diferenciar como um ego de seu ambiente. Devido a um certo instinto, a criança está acostumada há muito tempo a falar de si mesmo como “Pessoa”, mas na realidade ele realmente se sente dentro de todo o mundo. Sente que todo o mundo está conectado a si mesmo. Mas as pessoas têm as idéias mais fantásticas sobre isso. Eles dizem das raças primitivas que o sentimento deles pelo mundo é “animismo”, isto é, eles tratam os objetos sem vida como se fossem “animados”, e que para entender uma criança você deve imaginar que ele faz o mesmo que esses povos primitivos. . Quando golpeia contra um objeto duro, o faz porque lhe confere uma qualidade de alma.

Mas isso não é verdade. Na realidade, a criança não “exalta” o objeto, mas ainda não distingue entre o vivo e o sem vida. Ela considera tudo como uma unidade e ele mesmo como uma unidade com seu ambiente. Até aos nove ou dez anos de idade, a criança não aprende realmente a distinguir-se do que a rodeia. Isso é algo que você deve ter em mente, no sentido mais estrito, se quiser dar ao seu ensino uma base adequada.

Por isso, é importante falar de tudo que rodeia a criança, as plantas, os animais e até as pedras, de tal maneira que todas essas coisas se comuniquem umas com as outras, que atuem entre si como seres humanos, que coversem entre si, que se amem e se odeiem. Você deve aprender a usar o antropomorfismo da maneira mais inventiva e falar sobre todas as plantas e animais como se fossem humanos. Ele não deve “exaltá-los” de uma espécie de teoria, mas simplesmente tratá-los da maneira que uma criança pode compreender quando ainda não é capaz de distinguir entre os sem vida e os vivos. Até agora, a criança não tem razão para pensar que a pedra não tem alma, enquanto o cão tem alma. A primeira diferença que você nota é que o cão se move. Mas ele não atribui o movimento ao fato de que ele tem uma alma. Pode-se tratar todas as coisas que eles sentem e vivem como se fossem pessoas, pensando, sentindo e falando uns com os outros, como se fossem pessoas com simpatia e antipatia um pelo outro. Portanto, tudo o que se traz para uma criança nesta idade deve ser dado na forma de contos de fadas, lendas e histórias em que tudo é dotado de sentimento. A criança recebe a melhor base para a vida de sua alma quando, dessa maneira, alimentamos suas qualidades instintivas de fantasia. Isso deve ser levado em conta.

Se você encher a criança com todos os tipos de ensinamentos intelectuais durante esta idade (e este será o caso se não transformarmos em imagens tudo o que ensinamos a ele), então ele terá que sofrer os efeitos em seus vasos sanguíneos e sua circulação. Devemos considerar a criança em corpo, alma e espírito como uma unidade absoluta. Isso deve ser dito de novo e de novo.

Para esta tarefa, o professor deve ter um sentimento artístico em sua alma, deve ser de uma disposição artística. Porque o que funciona de professor para a criança não é apenas o que se pensa ou o que se pode transmitir em ideias, mas, se posso expressá-lo dessa maneira, é a qualidade imponderável da vida. Uma grande quantidade de conteúdo passa de professor para a criança inconscientemente. O professor deve estar ciente disso, especialmente quando ele está contando contos de fadas, histórias ou lendas cheias de sentimentos. Muitas vezes acontece em nossos tempos materialistas de percebermos como o professor considera que o que ele está dizendo é infantil. Ele está dizendo algo que ele mesmo não acredita. E aqui a antroposofia encontra seu lugar de direito se quiser ser o guia e líder do verdadeiro conhecimento do homem. Através da Antroposofia, percebemos que podemos expressar uma coisa infinitamente mais completa e mais rica se a vestimos em imagens do que se a colocamos em ideias abstratas. Uma criança naturalmente saudável sente a necessidade de expressar tudo em imagens e receber tudo sob a forma de uma imagem.

Lembre-se de como Goethe aprendeu a tocar piano quando criança. Eles mostraram como ele tinha que usar o primeiro dedo, o segundo dedo e assim por diante; mas ele não gostou desse método, e esse professor seco e pedante o repugnava. Porque o pai de Goethe era um velho filisteu, um dos antigos pedantes de Frankfurt, que naturalmente também se interessava pelos professores filisteus, porque são os bons, como todos sabem. Esse tipo de ensino era repugnante para o pequeno Goethe, era abstrato demais. Então ele inventou para si mesmo o “Deuterling” (“o rapaz que aponta”), não “o dedo indicador”, que é muito abstrato, mas “Deuterling”. [Nota do tradutor: compare os nomes dos países antigos com os dedos referenciados por Walter de la Mare em Come Hither pag. 515, por exemplo, Tom Thumbkin, Bess Bumpkin, Long Linkin, Bill Wilkin e Little Dick.]

A criança quer uma imagem e também quer se ver como uma imagem. É precisamente nessas coisas que vemos como o professor precisa usar sua fantasia, ser artístico e depois conhecer a criança com uma qualidade anímica verdadeiramente “viva”. E essa qualidade de vida funciona na criança de maneira imponderável: imponderável no melhor sentido.

Através da antroposofia, nós mesmos aprendemos mais uma vez a acreditar em lendas, contos de fadas e mitos, pois expressam uma verdade maior em imagens imaginativas. E então ao lidar com esses contos de fadas, lendas e histórias míticas serão preenchidos mais uma vez com uma qualidade anímica (que provém da alma). Então, quando falamos com a criança, nossas próprias palavras, impregnadas pela nossa própria crença nas histórias, fluirão para ela e levarão a verdade consigo; a verdade fluirá de um professor para outro, enquanto muitas vezes é a falsidade que flui entre eles. A falsidade domina quando o professor diz: a criança é estúpida, eu sou inteligente, a criança acredita em contos de fadas, então tenho que contar a ele. É a coisa certa para ele escutá-los. Quando um professor fala assim, um elemento intelectual entra imediatamente no relacionamento das histórias.

Mas a criança, especialmente na idade entre a mudança de dentes e a puberdade, tem uma sensação muito sensível de saber se o professor é governado por sua fantasia ou pelo seu intelecto. O intelecto tem um efeito destrutivo e paralisante na criança, mas a fantasia lhe dá vida e impulso.

É vital que façamos nossos próprios pensamentos fundamentais. Falaremos deles em maior detalhe nos próximos dias, mas há mais uma coisa que gostaria de concluir.

Algo de importância especial acontece com a criança entre os seus nono e décimo anos de vida. Falando de uma maneira abstrata, podemos dizer que ele então aprende a se diferenciar de seu ambiente; ele se sente como um “eu” e o ambiente como algo externo que não pertence a esse “eu” dele. Mas esta é uma maneira abstrata de expressá-lo. A realidade é esta, falando, é claro, em um sentido geral: a criança desta idade se aproxima de seu amado professor, seja homem ou mulher, com algum problema ou dificuldade. Na maioria dos casos, ela não fala sobre o que está pesando em sua alma, mas dirá algo diferente. No entanto, é preciso saber que isso realmente vem das recônditos mais profundas de sua alma, e o professor deve então encontrar a abordagem correta, a resposta correta. Algo muito importante enorme depende disso para toda a vida futura da criança afetada. Porque você não pode trabalhar com crianças desta idade, como seu professor, a menos que você seja a autoridade inquestionável, a menos que, a criança tenha a sensação: isso é verdade porque você considera verdadeiro, isso é lindo porque você acha que é lindo e, portanto, você indica isso para ele, e isso é bom porque você acha que é bom. Deve ser para a criança o representante do bom, do verdadeiro e do belo. Ele deve ser atraído pela verdade, pela bondade e pela beleza simplesmente porque ele mesmo é atraído por você. É lindo porque você o acha bonito e, portanto, você sinaliza para ele, e isso é bom porque você acredita que é bom.

E então, entre o nono e o décimo ano de vida, esse sentimento surge instintivamente em seu subconsciente: eu recebo tudo do meu professor, mas onde ele conseguiu? O que há por trás disso? O professor não precisa expandir isso porque, se definições e explicações forem incluídas, isso só poderá causar danos. O importante é encontrar uma palavra amorosa, uma palavra cheia de calor, ou melhor, muitas palavras, já que essas dificuldades podem durar semanas e meses, para que possamos evitar esse perigo e preservar o sentimento de autoridade na criança. Porque agora chegou a uma crise no que diz respeito ao princípio da autoridade. Se você se manter igual e íntegro à situação e puder preservar sua autoridade com o calor dos sentimentos com os quais enfrenta essas dificuldades específicas, e conhecendo a criança com calor interior, sinceridade e verdade interiores, muito será ganho. A criança manterá sua confiança na autoridade do professor, e isso é uma coisa boa para sua educação posterior, mas também é essencial que, exatamente nesta idade da vida, entre nove e dez anos, a crença da criança em uma pessoa boa não deva hesitar. Se isso acontecer, a segurança interna que deveria ser o seu guia durante a vida também vai hesitar e vacilar.

Isto é de grande importância e deve ser constantemente levado em conta. Nos manuais de educação, encontramos todos os tipos de detalhes intrincados estabelecidos para a orientação dos professores, mas é muito mais importante saber o que acontece em um determinado momento da vida da criança e como devemos agir em relação a ela, de modo que através da nossa ação, podemos irradiar luz por toda a sua vida.


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

Rudolf Steiner: um incômodo aos poderes hegemônicos


RUDOLF STEINER: UM INCÔMODO AOS PODERES HEGEMÔNICOS

Carlos Adrian Villegas

Fonte: Palabra de Rudolf Steiner no Facebook

Tradução: Leonardo Maia


Rudolf Steiner não foi uma pessoa apolítica para a cultura no seu tempo, pelo contrário, foi um grande lutador da sua época. Todos aqueles que falam de amor, liberdade e fraternidade econômica deviam incomodar aos poderes hegemônicos.


Rudolf Steiner não foi uma pessoa apolítica para a cultura no seu tempo, pelo contrário, foi um grande lutador da sua época. Todos aqueles que falam de amor, liberdade e fraternidade econômica deviam incomodar aos poderes hegemônicos.

Foi uma pessoa julgada pela liberdade humana e fez dos setores de poder esotérico algo exotérico. Revelou segredos que, durante séculos, eram ciosamente guardados por pequenos círculos de poder. Estou a falar de como estes poderes adversos se passam nas suas funções como “oponentes facilitadores” à lei Crística do amor.

Foi um artista social ao ponto de ser marcado pelos seus adversários. Nas suas milhares de conferências ao público falou em muitos setores proletários, onde não escondia aos trabalhadores sua advertência ao povo alemão sobre os objetivos secretos do partido social nacionalista, que depois foram nomeados nazis. Era inevitável que cada ato, sentimento e pensamento fosse fundamentado em uma atitude cristica não convencional ao dogma da igreja. Isto levou-o a sair de círculos teosóficos onde também existiam questões de poder.

Foi o primeiro a criar uma escola para todos sem distinção de raças, credo ou setor econômico de classes. No entanto o poder hegemônico nazi fechou-as. O braço armado deste partido chamado Thule foi o que tinha a Steiner como principal a desaparecer da lista já que havia criado um projeto baseado em uma nova ordem social como aporte político ao estado alemão. Projeto que foi apoiado com assinaturas de grandes personagens do seu tempo no domínio das ciências, artes, política, etc.

Perante tanto barulho, Steiner teve vários ataques que vieram de domínios políticos econômicos e religiosos. Foi realmente uma pessoa radical e politicamente comprometida com o espírito do seu tempo. Ele não caiu, não se escondeu, não foi morno, agiu como todos aqueles que se jogam por uma causa humanitária de liberdade e amor. Para que a nova ordem social que Steiner propôs no domínio cultural, político e econômico floresça, será talvez tempo de praticá-la? Não com bandeiras partidárias, mas sim contra a propaganda ativa para que em silêncio aportemos uma revolução que nasça do nosso trabalho interior e se projete na economia social fraternal, na igualdade jurídica e numa luta sem armas para a liberdade cultural.

Carlos Adrian Villegas

Tradução Livre:Leonardo Maia


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A adolescência e a crise de identidade


A ADOLESCÊNCIA E A CRISE DE IDENTIDADE

Leonardo Maia


Na adolescência, várias facetas não tão belas e boas do mundo e da vida se manifestam como percepção na consciência do jovem. Ele percebe várias facetas obscuras da sociedade e do ser humano, criando muitas vezes uma negação. Não quero me adequar a isso. Não é isso que eu busco. Eu não aceito isso.


Dentre as crises que marcam a adolescência, as de identidade e autonomia costumam ser as mais importantes. Por um lado, o adolescente sente necessidade de definir-se como pessoa, sem ser um mero seguidor dos modelos adultos à sua volta; por outro, quer agir por si mesmo. É-lhe mais importante sentir-se como autor dos próprios atos, que agir racionalmente. Essa é a razão de muitas atitudes de oposição aos mais velhos e mesmo de rebeldias. Embora essas crises possam tornar o adolescente uma pessoa difícil de lidar, e até mesmo um ser antissocial, elas preparam-no para a vida adulta e em geral eles emergem delas mais amadurecidos e ponderados.

Adotam estilos de vida cada vez mais integrados ao grupo com que convivem que à família e se preocupam muito mais com a opinião dos amigos, do que com a de seus pais. Nessa fase também eles querem e lutam por sua independência, provando para si mesmos e para os outros que são mais capazes e mais adequados que os adultos que os cercam. Procuram sua autonomia e perdem o interesse nas atividades familiares.

Acontece que o adolescente começa a se perceber separado da família, começa a perceber que suas ideias e seu caminho são próprios. Nesse processo pode ver as falhas e dificuldades de seus pais como justificativas para a negação de diretrizes – quem é você pra me dizer o que fazer? Não quero ser igual aos meus pais.

Na verdade, os pais deveriam apenas ajudar nesse difícil processo de encontrar o próprio caminho, mas muitas vezes a inconsciência do processo do adolescente e o medo da perdição (se perder no labirinto de processos pelos quais está passando) os fazem impor as diretrizes e querer conduzir as rédeas do jovem, podendo criar um ainda maior distanciamento e rebeldia, fazendo com que aumente sua crise de identidade e surja uma busca por aceitação e reconhecimento em grupos, consciente ou inconsciente.

Os pais, por outro lado, também se tornam cada vez mais inconscientes do processo do adolescente, por esse distanciamento. Eles geralmente mantém uma certa rigidez em relação à percepção do mundo baseada no seu processo particular, não se esforçando muito para adentrar o universo do jovem (ou mesmo, sem tempo para isso). Este recebe fortes influências externas, do processo coletivo, cultural e social, pois ele quer se posicionar perante ao mundo, e para isso, precisa adentra-lo. A grande questão é que essas influências sofrem muitas mudanças de geração para geração. Se não acompanharmos com interesse genuíno o que eles estão vivenciando individual e coletivamente, nos tornaremos antiquados e isso se tornará evidente para eles, aumentando a ainda mais o distanciamento de ideias e percepção do mundo, contribuindo para a negação e isolamento no contexto familiar.

É importante analisar a questão da visão Antroposófica nessa fase do desenvolvimento, onde:

No primeiro setênio (0-7 anos), a essência é o Mundo é Bom.

No segundo setênio (7-14 anos), o Mundo é Belo.

Agora, já nesse terceiro setênio (14 aos 21 anos), o mundo é verdadeiro, ou seja, várias facetas não tão belas e boas do mundo e da vida se manifestam como percepção na consciência do jovem. Percebe várias facetas obscuras da sociedade e do ser humano, criando muitas vezes uma negação. Não quero me adequar a isso. Não é isso que eu busco. Eu não aceito isso.

Por exemplo: Uma sociedade que envenena os alimentos, destrói a natureza, governa por interesses e poder, manipula as informações, explora o trabalho das pessoas, favorece grupos elitizados, não se preocupa com o sofrimento humano, uma justiça que é parcial e autoritária entre outros aspectos. Também no âmbito familiar, como maus hábitos e defeitos dos pais, dificuldades no relacionamento entre eles, atitudes imorais, posicionamentos ideológicos de moralidade questináveis e etc…

Além disso, pode se perceber como se estivesse sendo induzido/forçado a trilhar esse caminho, através da educação tanto de casa como escolar – o que, na maioria dos casos, é a mais pura verdade – uma espécie de doutrinação e adestramento para “facilitar” seu caminho de inserção social.

Os pais têm um modelo pronto e ideal.
E em relação aos pais é muito forte o desejo de um ideal, e em muitos casos existe uma projeção de sonhos, e não libertam os filhos para seguir seu próprio caminho de individuação

Esse sentimento de não poder fazer suas próprias escolhas, ou de não poder decidir por outra coisa que não a que nos é oferecida ou a que todo mundo faz pode, muitas vezes, gerar uma revolta e uma tendência à alienação. O jovem, que ainda não tem a consciência clara do caminho que quer seguir (aspecto que é fortalecido pelo distanciamento de seu mundo interno durante o processo educacional – como exemplificado no vídeo: Ambiente favorável ao desenvolvimento infantil), pode mergulhar num drama psicológico e pode buscar a satisfação e realização momentâneas em percepções sensoriais superficiais – prazer!!! (sexo, balada e entorpecentes, comida, tudo que possa aliviar o alto estresse deste processo). Isso pode acontecer independente de uma aceitação ou não deste caminho pré determinado externamente por seus pais e sociedade.

Meus pais não me entendem e querem me controlar, a sociedade quer me corromper… vou buscar refúgio com os amigos (vai se alienar de tudo isso, mesmo que inconscientemente).

É interessante notar que eles são marginalizados, mas por um aspecto de consciência. Tanto pelos pais, quanto pela sociedade. O que se espera deles, para que sejam reconhecidos e valorizados é que se adequem e conquistem seu espaço dentro desse modelo que eles estão negando, mas para isso eles devem se tornar inconscientes desses aspectos negativos, ou pior, entrar no jogo conscientemente como agente de todas essas sombras… quando, de fato, deveriam se tornar agentes de transformação social.

O que pode se tornar uma tarefa super complicada para um jovem…

Leonardo Maia


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

O DESENVOLVIMENTO DA VIRTUDE ATRAVÉS DA VONTADE HUMANA


O DESENVOLVIMENTO DA VIRTUDE ATRAVÉS DA VONTADE HUMANA



O homem, através da atuação consciente por meio do esforço e da vontade, é capaz de desenvolver em si qualidades anímicas profundas, que passam a refletir de sua Alma Individual. Através da Vontade conseguimos transformar todos os exercícios em disposição duradoura.


O homem, através da atuação consciente por meio do esforço e da vontade, é capaz de desenvolver em si qualidades anímicas profundas, que passam a refletir de sua Alma Individual.

A Devoção torna-se Capacidade de Sacrifício.
O Equilíbrio Interior torna-se Progresso.
A Força Constante e Perseverança tornam-se Lealdade.
O Altruísmo torna-se Catarse.
A Compaixão torna-se Liberdade.
Cortesia torna-se Percepção do Coração.
Contentamento torna-se Tranquilidade.
Paciência torna-se Compaixão.
Controle do Pensamento e da Palavra torna-se Percepção da Verdade.
A Coragem torna-se Força de Liberação e Redenção.
Discrição e Sigilo tornam-se Força Meditativa.
Generosidade e Magnanimidade tornam-se Amor.


APOIE ESTE TRABALHO:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar: