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ensino de música e a atenção à individualidade dos temperamentos


ENSINO DE MÚSICA E A ATENÇÃO À INDIVIDUALIDADE DOS TEMPERAMENTOS

Gustavo Barbosa Ramos Terra


“Ao generalizar as qualidades dos alunos, corre-se o risco de não satisfazer o desenvolvimento de suas individualidades, correndo o risco de os manterem presos a dificuldades que não são as suas.


Atualmente, no país, as aulas de música são dadas de maneira onde o professor transmite indistintamente a todos os alunos os mesmos ensinamentos, generalizando as qualidades dos alunos que por não serem iguais além de receber estímulos que não satisfaçam o desenvolvimento de sua individualidade, correm o risco de ficarem presos a dificuldades que não são as suas.

A pedagogia Waldorf acrescenta através da avaliação dos temperamentos de seus alunos um grande diferencial às aulas de música. Estas visam estimular e harmonizar o temperamento do indivíduo, proporcionando assim, não só um aprendizado mais individualizado, mas também um estado de maior saúde para o ser.

Na pedagogia Waldorf, alunos com o mesmo temperamento são colocados juntos a fim de desenvolver os aspectos opostos de seu temperamento, capaz de assim equilibrá- lo. Seguindo a mesma lei para aplicação da homeopatia de Hanneman, através da convivência com os alunos o professor utiliza o conceito “semelhante cura semelhante”, onde o processo a ser desenvolvido deve se adequar ao temperamento e não o temperamento se adequar ao processo.

Focados, por exemplo, os problemas mais comuns relacionados a cada Temperamento:

Melancólico: depressão
Colérico: violência
Sanguíneo: inconstância
Fleumático: desinteresse

Através da música surgem alternativas para desenvolver as potencialidades que equilibram o individuo. Através da relação de cada temperamento com as famílias dos instrumentos musicais o professor proporciona vivências aos alunos com instrumentos musicais a fim de trabalhar esses temperamentos:

Melancólico: O problema a ser trabalhado nesse temperamento é a tendência à depressão, por possuir um comportamento pessimista e ter dificuldade de mudanças (teimoso, inflexível, planeja tudo, não lida com imprevistos, sofre calado). Nesse caso pegamos esta força que quer se interiorizar e puxamos para fora. Ele gosta de melodias menores. Vivência de melodias faz o melancólico sair de dentro de si para fora. Podemos também fazê- lo ver que lá fora também há dor, inspirando a compaixão. O uso da Corda de arco (A família das cordas friccionadas) e o canto são vivências a serem estimuladas
nesse temperamento.

Colérico: O problema a ser trabalhado nesse temperamento é a falta de controle emocional, o que pode levar a violência, obsessão. Precisamos inspirar o respeito e a admiração. Dar desafios que exijam esforço. Trabalhos físicos para o gasto de energia. Tonalidades maiores, harmonia forte, ritmos são fatores a serem exercitados. A família da percussão: tambores, tantam, tímpano e a família de sopros de metais.

Sanguíneo: O problema a ser trabalhado nesse temperamento é a tendência à pessoa volúvel, inconstante que se interessa por tudo e não se apega a nada. Geralmente tem a fala rápida, muita modulada. É preciso estabelecer um contato amoroso com uma pessoa. Por amor a essa pessoa ele consegue aprofundar seu interesse. Geralmente os sanguíneos carregam a classe musicalmente. Adoram cantar. Tem muito ritmo e entusiasmo. É importante o treino da memória musical. A família dos sopros de madeira são os instrumentos indicados.

Fleumático: Nesse temperamento, geralmente pelo mundo imaginativo que apessoa se coloca, o resultado é um ritmo de desenvolver atividades próprio, na maioria das vezes mais lento que o grupo o que dificulta o acompanhamento das atividades. É importante o contato com outras pessoas como uma maneira de tirá- lo de seu próprio mundo. Metalofones, acordeon, pianos são seus instrumentos, pois o som já está pronto.

“Conscientemente, mas geralmente inconscientemente, o homem escolhe o instrumento que é pertencente à sua essência. Ele não sabe muito bem, mas ele se sente uno, se identifica. Esta identificação já começa bastante cedo. Na Escola Waldorf, definimos esta identificação por volta dos oito ou nove anos. Que é quando a criança começa a ter uma vida interior e não está só no mundo, imitando, seguindo. Executar, tocar um instrumento exige algo que liga o ser humano ao instrumento musical. Por que uma pessoa gosta muito de cantar? Por que ela escolhe uma flauta transversal? É um mistério. Mas, se existe uma ligação é por conta desta questão. Os instrumentos musicais, uma vez sendo a ressonância do universo aqui na terra, são também o intermediário ou o objeto intermediário entre o ser humano e este universo.”


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Criança querida: imitação e imaginação


CRIANÇA QUERIDA: IMITAÇÃO E EXEMPLO

Extraído do livro “Criança Querida” de Renate Keller Ignacio

Publicado por Flor de Lótus Jardim Waldorf Bauru


“A fantasia da criança não conhece limites, pinta um quadro atrás do outro, conta uma história atrás da outra…


Quanto menor é a criança, menos ela obedece ao adulto. Podemos dizer mil vezes a uma criança: “Faça isto, fique quieta, faça aquilo”, e é como se nada tivéssemos dito. A criança pequena não age porque nós mandamos, porque quer ser uma menina “boazinha”, mas de forma totalmente impulsiva, inconsciente. Conforme as forças formativas estão trabalhando em seu interior, num movimento rítmico, a criança age para fora, ora pulando, ora deitando no chão, ora juntando pedrinhas no bolso e, na mesma hora já despejando tudo no chão. “Não faça isso, filhinha!” “Pare de pular, Joãozinho!” Os adultos gritam, muitas vezes irritados com essa atividade constante e com sua impotência em comandar os pequeninos como querem. O fato é que as crianças não tem capacidade de compreender o porquê do permitido e do proibido.

Mas, como é que nós podemos trazer ordem a esse caos? Que podemos fazer para que as crianças arrumem seus brinquedos, ou façam uma roda, ou entrem em casa depois de brincar lá fora? A palavra mágica é “imitação”. Nada podemos conseguir com as crianças pequenas, principalmente com as menores de quatro anos, senão dando o exemplo, fazendo antes para que a criança possa nos imitar. Se eu pegar um pauzinho e colocá-lo na cesta, a criança que está ao meu lado vai imitar este gesto imediatamente. Se eu ainda acompanhar esses gestos com músicas ou versos rítmicos, então a criança vai imitar-me com mais prazer.

Com as crianças acima de três ou quatro anos, já podemos conversar de maneira diferente. Uma pequena parte daquela força formativa, que permeava por inteiro o corpo da criança antes dos três anos, libertou-se do físico e vive agora em sua alma, como fantasia infantil.

Nessa idade, de três a cinco anos, a criança brinca realmente, mas sem persistir muito tempo na mesma brincadeira. Seu brincar é leve, dançando, transformando tudo. Um pauzinho pode ser uma boneca que ela abraça carinhosamente; logo depois, já joga no chão porque viu outra coisa mais interessante: uma casca de coco que lhe serve de chapéu; ela é soldado e anda contando, marchando pela sala. Quando tira o coco da cabeça, ela acha pedrinhas que põe em sua panelinha, para fazer comida para seus filhinhos, e assim por diante.

A fantasia da criança não conhece limites, pinta um quadro atrás do outro, conta uma história atrás da outra. Se quisermos conversar com uma criança desta idade, temos de entrar no seu mundo movimentado. E isso às vezes é muito difícil, pois nossa cabeça já está dura, não temos idéias. Perto da fantasia das crianças, nossas idéias parecem uma pedra cinzenta ao lado de uma borboleta. Mas, se quisermos trabalhar com crianças dessa idade, temos de pôr nossa cabeça em movimento, temos de desenvolver nossa fantasia. Os melhores professores para isso são as próprias crianças.

Por exemplo: um grupo de crianças montou uma gruta no meio da floresta, com galhos de árvores e pedras. No meio da floresta, as crianças puseram muitos bichinhos de madeira, e na gruta, esconderam os anões. Chegou a hora de arrumar. Então, em vez de dizermos: “Crianças, vamos arrumar, esta na hora”, vamos falar assim: “Você, Pedro, é o pastor que leva todos os animais para o estábulo. Já está de noite, eles precisam ir embora para descansar. E os anões já trabalharam muito dentro da montanha, vamos levá-los para sua casa. Agora, temos que chamar um lenhador. Você, José, quer ser o lenhador que põe toda essa madeira no seu caminhão?” E assim, sem interromper a brincadeira das crianças, podemos levá-las a fazer aquilo que precisa ser feito para seguir o ritmo do dia, neste caso, arrumar.

Outra fonte de imagens são os contos de fada: eles não descrevem acontecimentos reais, mas são imagens que espelham o que se passa dentro da alma humana. O príncipe e a princesa, o lenhador, a madrasta, o caçador, o soldado são imagens para qualidades de nossa alma. Todas as pessoas tem dentro de si uma princesa, e todos conhecem também o dragão, aquela força escura, explosiva, descontrolada, inconsciente, que ás vezes ameaça devorar a princesa, nosso ideal mais puro, mais íntimo. Também conhecemos o que significa perder-se na floresta e não achar o caminho de casa. As crianças compreendem estas imagens de uma forma direta. Elas vivem em imagens. Podemos, então, dizer para um menino que chuta, bate, esperneia descontroladamente: “Pedro, segure as rédeas, seu cavalo está disparando. Você precisa aprender a ser um bom cavaleiro”. Esta imagem vai tocá-lo muito mais profundamente do que se eu disser simplesmente: “Pare com isto! Bater é feio!”


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Os Contos de Fadas e seu efeito na alma humana


OS CONTOS DE FADAS E SEU EFEITO NA ALMA HUMANA

Autor não encontrado


“Este mergulho no sono profundo é nossa separação do mundo espiritual através do pensar. Até então estamos plenos de confiança, guiados por uma força inconsciente, seguindo o fluxo da vida como dádiva divina. Mas neste momento surgem todas as questões inerentes do ser humano.


A imagem ideal para a alma da criança dos 2 aos 7 anos, que possibilita a construção de sentidos no mais íntimo do ser dos pequeninos.

Sua origem remonta a pré-história, na primeira infância da humanidade. As imagens contidas nos Contos de fadas são grandiosas, amplas, possuem uma unidade, uma integração. Têm uma característica circular, sem ordenação de começo, meio e fim. Adequadas para esta fase em que a criança sente-se una com o mundo, ela e o mundo circundante são uma única coisa.

Seus personagens e conteúdos são modelos que servem para todas as culturas de maneira generalizada, mas que ajudam o indivíduo a descobrir-se a si mesmo. Devem ser oferecidos às crianças a partir dos 3 anos, quando começam a dizer: “EU”, numa atmosfera de penumbra, durante várias semanas, o mesmo conto, para que possam elaborar as imagens em seu mundo interior.

“Os contos de fadas são, segundo Rudolf Steiner, um tesouro espiritual da humanidade. Fruto de vivências primordiais da existência humana, sua atuação tem um efeito inconsciente na alma ao resgatar, por meio de imagens significativas, o longo percurso do amadurecimento humano na Terra.

Não se limitando a reproduzir eventos individuais, sua narrativa relata imageticamente o suceder de fatos comuns a todos os homens, caracterizando sagas que cada qual pode reconhecer inconscientemente como sua própria, independentemente da idade ou situação em que se encontre.”

Vamos utilizar o conto da Bela Adormecida como exemplo:

A Bela Adormecida nasce e são convidadas doze fadas para a festa. Cada qual possui seu pratinho de ouro. Reparem no arquétipo doze. Por que doze? Existem muitos segredos por trás do doze…

Doze Constelações do Zodíaco

Doze Notas Musicais

Doze sentidos

Doze apóstolos

Doze chackras

Doze qualidades anímicas:

Onze fadas concedem virtudes (talentos) à criança. Faltando apenas a mais nova. Mas então aparece a décima terceira fada – que há muito tempo não aparecia no reino e fica furiosa por não ter seu pratinho de ouro, não ter sido convidada. Então roga uma praga para a criança.

Esta é a oportunidade oferecida pela sombra – todo desenrolar da história depende desta maldição. Tem relação direta com o trabalho que estamos realizando como auto desenvolvimento na Humanidade hoje, estamos construindo nosso décimo terceiro prato de ouro, uma nova capacidade…

“Com quinze anos ela irá furar o dedo em uma roca e morrerá!!!”

A fada mais nova, que ainda não havia concedido seu presente à criança, ameniza a situação – “Ela não morrerá, mas cairá em sono profundo por 100 anos”. Bom, os pais de Bela Adormecida mandam queimar todas as rocas do Reino. Aos 15 anos, durante a ausência dos pais, a menina sobe a torre e encontra uma velha fiandeira tecendo em sua roca. Espeta o dedo e mergulha em sono profundo…

Por que os pais não estavam em casa, sendo que sabiam da maldição e ela estava com seus 15 anos?

Bom, aos 15 anos a criança entrou na puberdade, onde realmente se vê separada de seus pais como uma entidade individual, que possui sua própria individualidade, seu próprio pensar…

Por isso os pais não estão presentes. Até a puberdade, a criança vive sua família, são como que uma coisa comum, não consegue se ver separada de seus pais, sozinha.

Mas na adolescência quer buscar sua autonomia e explorar a Torre. A torre seria seu templo, seu corpo físico e suas capacidades individuais. Lá encontra a velha fiandeira. O fiar está relacionado ao pensar. Quando ela mergulha em seu pensar individual – mergulha no sono profundo de 100 anos.

Este mergulho no sono profundo é nossa separação do mundo espiritual através do pensar. Até então estamos plenos de confiança, guiados por uma força inconsciente, seguindo o fluxo da vida como dádiva divina. Mas neste momento surgem todas as questões inerentes do ser humano.

Qual é a minha Busca? Quem sou Eu? Qual o sentido da Vida? Qual é o meu Destino?

Esta é a Busca pelo nosso décimo terceiro prato de ouro.

É a oportunidade que nos é dada pela Vida, como o Conto é uma oportunidade oferecida pela Décima Terceira Fada, que é a mais velha, portanto, é a mais profunda busca…


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QUATRO MANEIRAS DE DIZER “STEINER DISSE…”


QUATRO MANEIRAS DE DIZER “STEINER DISSE…”

Federico Halbrich

Tradução Leonardo Maia


“Certamente “Steiner disse …” deve ser uma das frases mais repetidas dentro do movimento antroposófico. Críticos detratores se valem dela para as acusações habituais de subserviência à palavra do líder, o desprezo por tudo o que não provém dos escritos do líder, crença infantil na autoridade, e a não incorporação de informação que não é de Steiner, etc. Mas há também uma maneira adulta que, a partir do estudo da Antroposofia, escolha uma maneira de perceber, de viver e de trabalhar que não se baseia na imitação, nem a autoridade Steiner, nem no idealismo natural de juventude, mas um idealismo conquistado em entender mais e mais plenamente, e com verdadeira humildade, as realidades da existência.


Um primeiro aspecto desta questão é que se você parar para considerar que um grupo de seres humanos livremente decide estudar a obra de Rudolf Steiner, não é de se estranhar que apareça inúmeras vezes a frase “Steiner disse…”, uma vez que é o autor da questão tratada com o estudo. Seria como pretender que os estudantes da obra de Aristóteles não dissessem “Aristóteles disse…”.

É óbvio que se escutará inúmeras vezes a frase “Steiner disse…” entre aqueles que optam por estudar o seu trabalho, simplesmente porque Rudolf Steiner disse muito sobre muitas coisas. E também deve ser óbvio que aqueles que estudam Rudolf Steiner deveriam ser inteiramente livres para decidir quando realizar um estudo comparativo entre Steiner e outros autores, e quando se concentrar no trabalho dele. O mesmo vale para pedagogos em uma escola Waldorf. O referencial teórico da pedagogia é a Antroposofia. É tão natural que se fale principalmente sobre Steiner nas escolas Waldorf, como que nas escolas Montessori se fale de María Montessori, e na pedagogia crítica de Paulo Freire.

Mas há um outro aspecto que tem a ver com o conjunto epistemológico e maturacional definido no processo de aprendizagem e transferência de conhecimento. Como a criança progride através de estágios de desenvolvimento epistemológico e de maturação, mas, no entanto, existe a possibilidade de que à medida que progride em alguns aspectos, pode atrasar-se em algum aspecto específico dos estágios anteriores, o mesmo pode acontecer com um adulto a respeito da forma natural e gradual que se apropria das representações e conceitos de um novo objeto de estudo. O exemplo clássico é o aluno adulto que aprende uma segunda língua. Enquanto os adultos já desenvolveram as suas capacidades intelectuais em sua língua nativa, que está enfrentando o desafio de uma série de sinais, pronúncias, palavras, estruturas gramaticais e caminhos desconhecidos para ele. É muito interessante observar o processo de aprendizagem. Se notará se desenvolve que um processo que consiste em imitação, a confiança na autoridade, livre improvisação linguística e o questionamento da razoabilidade da gramática, para finalmente se tornar usuário adulto da nova linguagem.

A pessoa estudando Antroposofia, como qualquer outro campo de estudo, passa por fases em que recolhe, analisa e sintetiza novas informações e dados. Cada um sabe sua história nesse sentido, e não é minha intenção aqui para analisá-lo a fundo, mas apenas oferecer uma imagem simples para ilustrar o fato em si e se relacioná-lo às quatro maneiras de significar a frase “Steiner disse…”

Exemplo 1: IMITAÇÃO E REPETIÇÃO

Paralelo com a etapa do “primeiro setênio”, de 0 a 7 anos de idade, onde você dar seus primeiros passos no estudo da Antroposofia. Tudo é novo e a abordagem a tudo que é novo é perceptiva e imitativa, ainda não penetrada pelo pensamento abstrato ou pelo julgamento próprio. Um diálogo imaginário entre você e o interlocutor.

Você: O homem reencarna!
Interlocutor: Como você sabe?
Você: Porque o que Rudolf Steiner disse.
Interlocutor: Oh, olhe para você, eu entendo. Ele disse e você repete.

Exemplo 2: ACEITAÇÃO INCONDICIONAL E FÉ NO QUE DISSE A AUTORIDADE AMADA. ENTUSIASMO ENORME.

Paralelo com a etapa do “segundo setênio”, de 7 a 14 anos. Segunda fase do estudo da Antroposofia.

Você: O Homem reencarna! Você tem que aceitar!
Interlocutor: Por que eu tenho que aceitar?
Você: Porque Rudolf Steiner disse, e ele é autoridade sobre o assunto.
Interlocutor: Oh, olhe para você, eu tenho que aceitar porque Rudolf Steiner disse.

Exemplo 3: JUÍZO LIVRE PARA QUESTIONAR, CONFRONTAR E ANTAGONIZAR AS AUTORIDADES DUVIDOSAS. SENTIMENTO DE INCÔMODO COM AS PESSOAS QUE DIZEM: “STEINER DISSE”.

Em paralelo com o adolescência: “terceiro setênio”, de 14 a 21 anos. Terceira fase do estudo: o diálogo se inverte e se inicia no interlocutor.

Interlocutor: O Homem reencarna!
Você (que já vêm estudando muito, ironiza e exige): Por que aceitas assim cegamente?
Interlocutor: Porque Rudolf Steiner disse!
Você (confrontanto e se rebelando, como um bom adolescente, pula respondendo): Aha! Te peguei! Você não é um livre-pensador. Todas as pessoas que dizem “Rudolf Steiner disse…” sofrem da síndrome de adoração e dependência da autoridade.

Exemplo 4: NÃO HÁ NECESSIDADE DE RECORRER À AUTORIDADE DE RUDOLF STEINER PORQUE AS IDEIAS DE SUSTENTAM POR SI PRÓPRIAS.

A idade adulta: Se tem familiaridade e soltura que permite interrelacionar diversos temas. Se nomeia Rudolf Steiner para informar e citar fonte Bibliográfica.

Interlocutor: O que você pode me dizer sobre reencarnação?
Você: Da minha experiência pessoal… (o que concebe a partir de si) e, separadamente, Rudolf Steiner disse … (isto ou aquilo, nesta ou naquela conferência, neste ou naquele ciclo). Digo-vos apenas para que você saiba onde encontrar o tema, se você tem interesse em ler e continuar a pesquisar o assunto para chegar a suas próprias conclusões.
Interlocutor: Obrigado pela informação! (Se deixa livre o interlocutor).

O que eu queria ilustrar com esses exemplos é que, na verdade, se encontrarão pessoas dentro do movimento antroposófico que só imitam e repetem Rudolf Steiner e/ou o conteúdo da Antroposofia; outras que os aceitam como uma fé ou crença; Outros ainda que permanecem fixos em uma ironia duradoura para outros caminhos que não sejam os seus próprios. É verdade que existem essas formas. Mas há também uma maneira adulta que, a partir do estudo da Antroposofia, escolha uma maneira de perceber, de viver e de trabalhar que não se baseia na imitação, nem a autoridade Steiner, nem no idealismo natural de juventude, mas um idealismo conquistado em entender mais e mais plenamente, e com verdadeira humildade, as realidades da existência.

É verdade que todos nós passamos por etapas anteriores nomeadas acima, como variedades da condição humana entre as pessoas próximas da Antroposofia mas, novamente, este não é um assunto a ser atribuído a Rudolf Steiner ou a Antroposofia, mas a alma humana em geral. Onde quer que o ser humano vá, o caminho espiritual que tome, o partido político que apoie, o sistema de crenças adotado, haverá sempre de confrontar-se com os desafios do amadurecimento gradual da sua própria condição humana, tanto das suas desvantagens quanto das suas virtudes; e os que estudam Antroposofia, e os educadores, e os médicos, e os artistas não são exceção a este processo de auto-maturação.

Não só o que “Steiner disse…” mas o que os outros autores também dizem.

Se você tomar em mãos, por exemplo, o catálogo da Editorial Antroposófica de 2013 (Argentina), você vai descobrir que ali existem 115 livros de Rudolf Steiner e 146 livros de outros autores são oferecidos. Isto desmascara a ideia de que a Antroposofia é um corpo de conhecimento que não cresce e permanece inalterado. Certamente estes autores reforçam ideias de Steiner e adicionar seus próprios comentários e observações à concepção antroposófica do ser humano e do mundo.

Fragmento do artigo “la Antroposofía y sus relaciones”, extraído da revista Numinous 1, Buenos Aires, Argentina.

R. Steiner: “Ajuste cada um de seus atos, cada uma de suas palavras, de modo que não tire a liberdade de atuação de qualquer pessoa”. GA 10 capítulo sobre quietude interior.

referências
1. Steiner, Rudolf. 1917/11/19, GA 178.
2. Steiner, Rudolf. Autobiografia, Cap. 22.
3. Steiner, Rudolf. 1923/01/23, GA257.
4. Steiner, Rudolf. Filosofia do tampão de liberdade. 9, GA 4.

Sobre o autor

* Federico Halbrich é um educador e consultor psicológico. Tem formação em educação Waldorf, Psicologia Humanista, Aconselhamento e administração de organizações sem fins lucrativos. Atualmente activo na coordenação Escola de Formação em Pedagogia Waldorf; Grupo Ejercitar (iniciativa da prática do caminho interior na Antroposofia); Ciclo Lavrando (oficinas experimentais de filosofia); Círculo de membros ativos da Sociedade Antroposófica; Consultoria psicológica privada e em grupo; músico.

Tradução: Leonardo Maia


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Consciência de Cristo em meio às polaridades


CONSCIÊNCIA DE CRISTO EM MEIO ÀS POLARIDADES

Adriana koulias

Tradução Leonardo Maia


“O representante do homem pode ser visto como uma imagem do que o ser humano pode alcançar se nós formos capazes de conviver com as polaridades, tanto a natureza espiritual de tudo o que vemos – Lúcifer e natureza de material de tudo o que vemos – Ahriman, em perfeito equilíbrio. No meio encontramos o Cristo vivo, não o Cristo crucificado, mas sim o Cristo Ressuscitado.


Queridos amigos:

No mundo de hoje, vemos muitas polaridades que sentimos não poder conciliar. Desenvolvem-se eventos ao nosso redor que nos faz “tomar” partidos e sentimos que ocorre uma polarização em tudo, mesmo com familiares e amigos.

Ofereço uma introdução a este antigo texto à Virgem do Mundo:

“A Virgem do Mundo é por vezes apresentada de pé entre dois grandes pilares, O Jaquin e Boaz da Maçonaria, que simboliza o fato de que a natureza alcança a produtividade no meio da polaridade. Como a sabedoria personificada, Isis se mantém entre os pilares dos opostos, demonstrando que a compreensão é sempre encontrada no ponto de equilíbrio e que a verdade se encontra muitas vezes crucificada entre dois ladrões de aparente contradição.”

Em certo sentido, temos uma crucificação cada vez que olhamos para o mundo, quando focamos os nossos olhos, a nossa visão se cruza nesse ponto focal. Fazemos isso para ter uma visão binocular, ou consciência do ego, uma consciência que pode ver claramente o mundo em três dimensões: o mundo de Ahriman. Esta visão nega o que Lúcifer nos faria acreditar que é a única realidade, o complemento espiritual deste mundo Arimânico: o Espírito vivo por trás de tudo o que vemos.

Se nos curvamos sobre uma ou outra destas polaridades, estamos livres. Mas esta crucificação pode ser superada pela ressurreição. A visão do Espírito leva a uma ressurreição da consciência Crística. Através dela, já não crucificamos o foco dos nossos olhos na matéria, mas sim podemos ver a matéria e o espírito como complementos que tornam a nossa visão completa. Desta forma, mantemos-nos como a figura do representante do homem, segurando duas contradições separadas em uma tensão perfeita – no meio. É por isso que Rudolf Steiner em sua nova lenda da Isis nos convida a encontrar a figura de Isis presa por trás da estátua do representante do homem – Isis ou a Sabedoria nos permite que a consciência de Cristo se posicione no meio.

O representante do homem pode ser visto como uma imagem do que o ser humano pode alcançar se nós formos capazes de conviver com as polaridades, tanto a natureza espiritual de tudo o que vemos – Lúcifer e natureza de material de tudo o que vemos – Ahriman, em perfeito equilíbrio. No meio encontramos o Cristo vivo, não o Cristo crucificado, mas sim o Cristo Ressuscitado.

A consciência de Cristo vê que mesmo estando rodeados pelas polaridades do bem e do mal, do certo e do errado, da esquerda e da direita, do leste e do oeste, estes pontos de vista diferentes podem ser o seu oposto.

Paradoxos, contradições, complementos, polaridades, opostos. Estes são nos dados para o bem da nossa liberdade.

Adriana koulias

Tradução Leonardo Maia


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A verdade engloba toda a realidade


A VERDADE ENGLOBA TODA A REALIDADE

Leonardo Maia


“Se a antroposofia busca a compreensão das relações entre o homem e o cosmos, o que poderia ser excluído? Na minha opinião, a verdade engloba toda a realidade, desde a mais densa matéria até o mais sutil pensamento. Nada pode ser desconsiderado.


Se a antroposofia busca a compreensão das relações entre o homem e o cosmos, o que poderia ser excluído?

Na minha opinião, todos os aspectos podem ser observados à luz da Antroposofia. Mas tenho a impressão de que ainda temos muitos antropósofos que se baseiam apenas em um conceito estático do que eles podem captar pelo intelecto, em outras palavras: a antroposofia conceitual morta. Acredito que sejam forças ahrimânicas que coagulam a consciência individual para uma mera intelectualidade desprovida de vida, no outro lado poderíamos ter o oposto: a dissolução dos fundamentos da antroposofia e dos elementos conceituais (forças luciféricas).

Eu posso ver os dois trabalhando hoje … semelhantes em vários aspectos da polarização que pudemos observar hoje na sociedade – neste caso, eu acredito que esse desequilíbrio é gerado por forças opostas ao equilíbrio e harmonia, então podemos escalar uma hierarquia e encontrar Sorath por este aspecto … (essa é a minha percepção, então não é necessariamente a verdade, mas honestamente vejo que isso é possível e coerente).

Na minha opinião, a verdade engloba toda a realidade, desde a mais densa matéria até o mais sutil pensamento. Nada pode ser desconsiderado. Se a Antroposofia busca a verdade, não pode se abster de nenhum aspecto da Manifestação.


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O Belo e o Artístico como equilíbrio ao Erotismo


O BELO E O ARTÍSTICO COMO EQUILÍBRIO AO EROTISMO

Rudolf Steiner


“Para se reduzir o erotismo até a medida certa, não existe recurso melhor do que um desenvolvimento sadio do sentido estético para com o nobre (elevado, grandioso, solene, sublime) e o belo na natureza.”


Durante todo o tempo em que lecionamos precisamos atentar para que as crianças recebam sensações, em primeiro lugar de natureza moral como também determinadas sensações e ideias que se referem ao belo, ao artístico, à apreensão estética do mundo. E nos 13, 14 e 15 anos de vida se torna especialmente importante que tenhamos estimulado no jovem tais sensações e ideias durante todo o seu período escolar.

Porque um jovem em que não foi estimulada nenhuma sensação de beleza, que não foi educado para uma apreensão estética do mundo, na idade em questão tornar-se-á sensual e talvez até erótico. Para se reduzir o erotismo até a medida certa, não existe recurso melhor do que um desenvolvimento sadio do sentido estético para com o nobre (elevado, grandioso, solene, sublime) e o belo na natureza.

Se vocês conduzirem os jovens a vivenciarem a beleza e o fulgor do nascer e do pôr do Sol, a vivenciarem a beleza das flores, se os levarem a sentir a grandiosidade de uma tempestade – em suma, se vocês desenvolverem o sentido estético, então vocês farão muito mais do que se faz com a educação sexual, às vezes levada ao absurdo, que hoje em dia se pretende dar o mais cedo possível às crianças.

Sensações do belo, e o posicionamento estético frente ao mundo, são aquilo que reduz o erotismo à medida própria. Ao sentir que o mundo é belo, o ser humano chega sempre a se postar de um modo livre perante seu próprio corpo, a não ser tiranizado por ele, que é no que constitui na verdade o erotismo.


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Além do julgamento pessoal, opinião e conceitos


ALÉM DO JULGAMENTO PESSOAL, OPINIÃO E CONCEITOS

Rudolf Steiner – O Desenvolvimento Interior do Homem

Fonte: SYN – Antroposofia Para Todos


“O entendimento deve tomar o lugar da crítica.”


Para o desenvolvimento da alma, é necessário que se adquira uma certa maneira definida de julgar o próximo. É difícil atingir uma atitude acrítica, mas a compreensão deve tomar o lugar da crítica.

Suprime o avanço da alma se você confrontar seu próximo imediatamente com sua própria opinião. Precisamos ouvir o outro primeiro, e essa escuta é um meio extraordinariamente eficaz para o desenvolvimento dos olhos da alma. Qualquer um que chegue a um nível mais alto nessa direção deve-se a ter aprendido a abster-se de criticar e julgar a tudo e a todos.

Como podemos olhar de maneira compreensiva para o ser de alguém? Não devemos condenar, mas entender a personalidade do criminoso, entender o criminoso e o santo igualmente bem. A empatia por tudo e por todos é necessária e é isso que significa “ouvir” oculto e superior. Assim, se uma pessoa se coloca com autocontrole severo a ponto de não avaliar seu semelhante, ou o resto do mundo, ser capaz de ir além de seu julgamento pessoal, opinião e conceitos e, em vez disso, permitir que essa força trabalhe nele interiormente em silêncio, ele tem a chance de obter poderes ocultos.

Cada momento durante o qual uma pessoa se torna determinada a abster-se de um pensar maligno sobre o seu próximo é um momento de enorme ganho.⠀

Rudolf Steiner – GA 53 – O Desenvolvimento Interior do Homem – Berlim, 15 de dezembro de 1904⠀


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Atitudes anímicas para elevação do pensar, sentir e querer


ATITUDES ANÍMICAS PARA ELEVAÇÃO DO PENSAR, SENTIR E QUERER

Rudolf Steiner

Fonte: Conhecimento dos Mundos Superiores


“Cada um pode, mas somente por si próprio, despertar dentro de si o ser humano superior.”


Algumas indicações de Rudolf Steiner:

Desenvolver veneração diante da verdade e do conhecimento.
Desenvolver o mais profundo sentimento de que existe algo superior ao que se é.
Desenvolver humildade e modéstia.
Reprimir crítica supérflua e desdenhosa.
Considerar sempre o lado bom de tudo e de todos.
Procurar, no ambiente e nas vivências, tudo o que possa causar admiração e respeito.
Sempre respeitar o outro, inclusive nos pensamentos.
Desenvolver a veneração, o respeito e a devoção, pois são alimentos para a alma, ao passo que desprezo, antipatia e depreciação de valores que merecem reconhecimento produzem paralisia e desaparecimento da atividade cognitiva.
Não correr de uma impressão a outra no mundo exterior, constantemente em busca de distração.
Rica vida interior; aprofundar-se em si próprio em alguns momentos de cada dia, mas neles não tratar de assuntos do próprio “eu” e, sim, deixar ressoar o eco do que o mundo exterior revela.
Não aprender a fim de acumular o aprendizado dentro de si mesmo como um tesouro de sabedoria mas, sim, para colocar o aprendizado a serviço do mundo.
Governar cada ato, cada palavra, de tal forma que não se atinja o livre arbítrio de qualquer ser humano.
Aprender a discernir entre o essencial e o supérfluo.
Manter calma e segurança em situações difíceis da vida.
Confrontar-se energicamente consigo mesmo, com veracidade interior e irrestrita sinceridade para com todos os atos e ações.
Procurar ter pensamentos claros e calmos, não se entregando aos que surgem.
Aumentar constantemente a força moral, a candura interior, a capacidade de observação.
Aumentar continuamente a compaixão para com animais e seres humanos, e sensibilidade para com a beleza da natureza.


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Desvitalizando o corpo da criança


DESVITALIZANDO O CORPO DA CRIANÇA

Patricia Arruda Fonseca


“A infância é caracterizada pela dinâmica da exploração e aprendizado por meio de suas próprias experiências. Porám hoje as crianças tendem a ser muito mais neurossensoriais do que propriamente sensório-motora, ou seja, as crianças são obrigadas a descobrir o mundo pelo pensar em vez de ser pelo sentir e agir sobre o mundo. Será que seu filho está tendo que pensar cedo demais, sentar cedo demais, parar cedo demais?”


O mundo com o tato e o mundo com todos os outros sentidos tem muito mais sabor. O mundo da ação e o mundo do movimento sobre o mundo tem muito mais sentido. Se as crianças não estão mais podendo ser criança, então está sendo perdida a energia vital do corpo e isso desvitaliza o organismo.

Os pais têm medo que a criança fique um ano atrasada na escola, mas esquecem que elas precisam explorar o mundo para aprender a coordenar seus reflexos em relação aos objetos e aos outros, aprender a coordenar seus movimentos, entender o ritmo da vida , do corpo .

No entanto, o corpo só se forma durante um período especial e limitado da vida por meio do movimento sobre o mundo, na infância. Período este caracterizado pela dinâmica da exploração, aprender por meio de suas próprias experiências.

Se seu filho está tendo que pensar cedo demais, sentar cedo demais, parar cedo demais, alivie-o um pouco desse pensar, desse sentar, desse parar. Deixe-o brincar e mexer bastante. O mundo precisa ser descoberto e explorado. Sensações maravilhosas precisam vir a ser antes mesmo de começar a organizar os seus pensamentos .

O brincar ajuda a tirar a tensão e a pressão da cabeça e puxar para o sistema metabólico e motor, onde a pressão deve estar. E isso serve também para os adultos.

Hoje tem, o que denuncia um excesso de tensão na área da cabeça, um excesso de pensamentos, por não podermos ser antes de estar.

Quando somos crianças, não somos o inteiro e sim a metade de um todo que está em formação, dependemos muito do outro para nos manter vivos e aprender.

Mensagem: A hiperatividade e a falta de atenção pode estar sendo o resultado de uma prisão corporal.


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