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A importância da rotina

A importância da rotina

Adriana Fonseca

Fonte: www.educarparacrescer.abril.com.br – clique e conheça

rotina

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“A maneira como as crianças pequenas lidam com a rotina, com a quebra dela e com os desafios de crescer em um mundo desconhecido merecem atenção dos pais. Quando planejar a rotina ideal para seu filho, é muito importante cuidar para não introduzir, desde cedo, o costume de uma vida atribulada, com tempo escasso para as relações e para os momentos de interação e troca.”

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A forma como a vida do seu filho está organizada se torna fundamental para que ele tenha um crescimento tranquilo e feliz. Especialistas explicam o por quê.

A maneira como as crianças pequenas lidam com a rotina, com a quebra dela e com os desafios de crescer em um mundo desconhecido merecem atenção dos pais. Quando planejar a rotina ideal para seu filho, é muito importante cuidar para não introduzir, desde cedo, o costume de uma vida atribulada, com tempo escasso para as relações e para os momentos de interação e troca.

Muitas vezes, nós, adultos, sentimos necessidade de quebrar a rotina, variar o nosso dia a dia, fazer tudo diferente, pois nos entediamos com as repetições. Com as crianças pequenas, acontece justamente o contrário! As repetições são muito importantes para que elas consigam lidar com o desconhecido.

Da mesma forma, para os pais, quanto mais a vidinha do filho estiver organizada, melhor! Vera Tschiptschin Francisco – psicanalista, pedagoga e membro-fundadora da Gesto Psicanálise – explica que o “o bebê e a criança pequena vivem uma certa fragmentação interna. Cada sentimento é muito intenso, por exemplo, a sensação de fome é uma sensação avassaladora. Por isso, garantir um tanto de cadência, de ritmo, de previsibilidade e de continuidade àquilo que já sentiu antes, àquilo que se repete, frente a toda surpresa inerente ao desenvolvimento é fundamental”. Ressalta também a importância da rotina para a mãe: “a rotina acalma e diminui a angústia da mãe, que aperfeiçoa o contato e passa a se comunicar com bebê e com a criança pequena muito melhor”.

Por outro lado, Vera também aponta a necessidade de se manter uma flexibilidade nessa programação diária e não cometer exageros: “corre-se o risco de se apresentar um mundo para o bebê que é artificial, que é supercontrolado, onde não há variação. Consequentemente, lidar com as surpresas da vida se torna complicado, tanto para o bebê como para a mãe”. A rotina do dia deve ser tratada com uma importante referência e não como uma regra extremamente rígida. Cada família deve encontrar a medida que combina com seu perfil. “Para famílias extremamente organizadas o desafio é abrir o espaço para essa flexibilidade e para as famílias mais flexíveis em relação à rotina o desafio é se organizar!”.

A rotina mais estruturada é importante para o bebê nos primeiros meses de vida mas, gradualmente, ela vai sendo flexibilizada pelos pais para ajudar a criança a entender e aceitar as transformações decorrentes do seu crescimento.

Além disso, como lembra Sonia Madi – psicopedagoga e coordenadora das Olimpíadas de Língua Portuguesa do Cenpec – é importante deixar de lado o medo de colocar limites para seu filho: “Dizer não é muito importante! Muitas vezes, se pensa que se está protegendo seu filho evitando o “não”, mas isso é um engano! Assim se está impossibilitando um entendimento maior que ele possa fazer sobre o funcionamento do mundo!”. Por isso, não sinta pena de tirá-lo de uma situação em que está aparentemente aproveitando e seguir a rotina. Estender, por exemplo, a brincadeira e atrasar a hora de dormir pode desorganizar a vida de todos da casa.

Veja algumas dicas que podem ajudá-lo a organizar a vida de seu filho:

O espaço: Prepare um espaço em casa (qualquer cantinho serve!) com objetos, cores e sons adequados, propício para que seu filho vá descobrindo o mundo a sua volta. Ele deve perceber esse mundo, que não deve assustá-lo, e sim atraí-lo! Cuidado com a hiperestimulação. Certos momentos devem ser de contemplação e de relaxamento apenas. A psicanalista Vera Tschiptschin Francisco lembra que assim como os adultos, a criança pequena tem a necessidade de viver momentos de não fazer nada, sem nenhuma atividade, de estar sozinha, apenas “observando” o mundo a sua volta.

Os horários: Organize uma rotina que seja possível de seguir e mantenha os horários para as etapas do dia a dia acontecerem regularmente: hora de comer, brincar, tomar banho e dormir. A constância da programação traz segurança à criança, que passará lidar de maneira mais equilibrada ao movimento diário. Entretanto, Vera Tschiptschin Francisco ressalta novamente que cada família pode ajustar suas possibilidades internas e externas para organização dessa rotina. Dá o exemplo do sono da tarde: ele precisa acontecer, porém há pais que estabelecem esse horário e seguem um ritual de levar o bebê para o berço em determinada hora, independente da sua manifestação de cansaço. Outros pais aguardam até que surjam os sinais de sono, antes de colocá-lo para dormir. Não existe uma forma correta. Existe o que funciona para aquela família!

As refeições: A alimentação ganha na qualidade com a regularidade do horário e a forma que acontece. É importante com seu filho coma no mesmo lugar e no mesmo horário. Se um dia tem a opção de comer brincando ou sentado no sofá na frente da televisão, não entenderá porque não pode fazer isso todos os dias. Portanto, esse tipo de situação não é recomendável. Reserve essas variações para quando estiverem fora de casa, por exemplo. Caso a rotina seja alterada, é recomendável que se deixe bem claro para a criança o motivo dessa variação naquele dia e se preparar com uma dose extra de paciência para acompanhar os efeitos que essa variação pode causar em seu filho. Mesmo ele seja um bebê, deve-se conversar com ele: “estamos na casa da vovó de noite porque é o aniversário dela!”. Por outro lado, cuidado para não exigir da criança um comportamento à mesa que não tem estrutura para aguentar. Se precisar sair da mesa para dar uma voltinha na sala e retornar com mais paciência para o ritual da refeição, não há problema nenhum.

O sono: O horário de dormir, o ritual de como adormecer e a quantidade de horas dormidas são fundamentais para um dia seguinte tranquilo. O sono é reparador. O corpo da criança necessita dessas horas para se recuperar de tudo que aconteceu no dia anterior. O ritual de ir para cama deve ser claro para a criança. Deve ser precedido de brincadeiras tranquilas, de uma história contada e de uma música relaxadora. Assim, essa hora não será tão terrível. Mesmo porque, o ritual esclarece para a criança que irá se repetir no dia seguinte (brincadeira calma antes de dormir). Por vários os motivos inerentes ao nossa vida atribulada, eventualmente, não será possível cumprir o ritual de dormir da criança. Faz parte! Nesses casos, porém, você precisa se munir de uma dose extra de paciência, pois, provavelmente, seu filho demonstrará seu desagrado. Estará no direito dele! Essas situações acabam surgindo como um treino para que seu filho experimente lidar com mudanças e que vá se abrindo para elas.

Os cuidados: Cuidar de si e do outro faz parte da rotina das pessoas da casa. Mostre isso a ele! Diga em voz alta: “Vou preparar um banho bem gostoso para você!” ou “Papai vai ler uma história para você dormir!”. Conforme seu filho vai crescendo, vá, gradualmente, transferindo para ele algumas responsabilidades. Peça, por exemplo, para que ele mesmo guarde brinquedos e arrume o quarto. Confie na capacidade dele de cuidar dos seus pertences e de si mesmo. Passe a auxiliá-lo no banho, ao invés de fazer tudo por ele. Sonia Madi, também lembra da importância de incentivar a criança a fazer conquistas. “é importante perceber que tipo de apoio ela precisa para ganhar confiança se arriscar a ir além, sem riscos”. Dê dicas, acompanhe de longe e faça apenas o que ele não conseguir. Com isso, você o estará preparando para assumir outro papel na sua própria rotina.

As escolhas: Aos poucos, vá dando a ele a oportunidade de fazer pequenas escolhas. Se até certo dia, você separava toda a roupa para ele vestir após o banho, chegará a hora de passar para ele a decisão de que camiseta vestir e qual sapato calçar. Esteja preparado porém, para aceitar as escolhas equivocadas. Ele pode escolher usar uma camiseta de manga comprida em pleno dia de verão. Mas, isso faz parte desse aprendizado. Isso dá mais trabalho, mas é fundamental para seu desenvolvimento e para a criança ir se percebendo com sujeito do mundo e consiga incorporar essa nova tarefa à sua rotina com mais naturalidade. Essas pequenas escolhas darão embasamento para que seu filho passe a fazer escolhas maiores na sua rotina: desenhar ou descer para brincar no parquinho.

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O precursor do espelho é o rosto da mãe – Conceitos de Donald Winnicott

O precursor do espelho é o rosto da mãe

Conceitos de Donald Winnicott

Márcio Ferrari

Fonte: www.educarparacrescer.abril.com.br

espelho

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“Os educadores devem fornecer holding (seria o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria) no ambiente escolar”, segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo “inclusão”, se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso – geralmente boazinha e obediente – a se tornar mais espontânea. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira – fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. Brincar pressupõe segurança e criatividade, diz Bogomoletz. Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas.”

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“O precursor do espelho é o rosto da mãe.”

“O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir.”

O psicanalista Donald Winnicott trabalhava com crianças separadas de suas famílias em consequência da Segunda Guerra Mundial quando encontrou um interessante campo de estudo que lhe permitiu perceber etapas fundamentais do desenvolvimento da pessoa. Donald Winnicott constatou, por exemplo, a importância do brincar e dos primeiros anos de vida na construção da identidade pessoal. As conclusões a que ele chegou são preciosas para o trabalho dos educadores.

Boa parte dos conceitos de Winnicott se refere ao “desenvolvimento emocional primitivo”, cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o “ambiente”, representado geralmente pela mãe.

Os conceitos de verdadeiro e falso self (em inglês, palavra que se refere à própria pessoa) são um bom exemplo. “O self se forma com base nas experiências que o bebê acumula”, diz o psicanalista Davy Bogomoletz, de São Paulo. “É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único.” A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. “Se a mãe aceitar as manifestações do bebê – como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro”, explica Bogomoletz. Porém o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade.

Aconchego e proteção

Uma das frases famosas de Winnicott é “não existe essa coisa chamada bebê”, querendo dizer que não há criança sem uma mãe (que não precisa ser necessariamente a que deu à luz). Vem daí a idéia da “mãe suficientemente boa”, aquela cuja percepção – consciente ou inconsciente – das necessidades do bebê a leva a responder adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele. Isso faz com que se crie um ambiente – nomeado por Winnicott de holding (cuja melhor tradução para o português, segundo Bogomoletz, seria “colo”) – propício a um processo de formação de um ser humano independente. “O holding é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe”, diz ele. Começa como algo vital, como o oxigênio e a alimentação, e se dilui conforme o bebê cresce.

“Os educadores devem fornecer holding no ambiente escolar”, segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo “inclusão”, se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso – geralmente boazinha e obediente – a se tornar mais espontânea. “No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de ‘mau comportamento’. “Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira – fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. “Brincar pressupõe segurança e criatividade”, diz Bogomoletz. “Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas.”

O cobertorzinho

O movimento da psique entre o mundo das coisas e as fabricações da mente é uma atividade “transicional”, adjetivo fundamental na obra de Winnicott. O conceito mais conhecido é o de “objeto transicional”, representado classicamente pelo cobertorzinho a que muitos pequenos se agarram numa determinada fase. “Esse objeto é ao mesmo tempo uma coisa objetiva – existe num mundo compartilhado – e subjetiva – para seu dono, ele faz parte de uma fantasia, possui vida própria”, explica Bogomoletz.

Dessa forma, o objeto transicional prolonga o período em que o bebê se acredita onipotente, enquanto ele substitui essa crença com a aceitação de uma realidade sobre a qual não tem controle nem pode modificar por meio da imaginação. O bebê se vê com poderes mágicos e, com o tempo, percebe a ilusão. Mas, com as brincadeiras e o aprendizado do mundo, a criança, o adolescente e o adulto retêm o poder de criar e adaptam-se às possibilidades reais. “A fantasia é realmente a marca do humano”, diz Bogomoletz. “Já a objetividade é uma habilidade que se aprende, como uma segunda língua.”

“A escola tem a obrigação de ajudar a criança a completar essa transição do modo mais agradável possível, respeitando o direito de devanear, imaginar, brincar”, prossegue o psicanalista. O respeito que os pequenos terão pela objetividade será incorporado por eles, jamais imposto de fora para dentro. Quando livres para criar, eles, segundo Winnicott, vêem no estudo um modo de exercitar o poder de invenção. Se, no entanto, o ambiente escolar não for aberto à brincadeira, “os recreios serão tanto mais selvagens quanto as aulas forem mais opressoras ou supostamente sérias”.

Formação nos campos de guerra

Donald Woods Winnicott nasceu em 1896 numa família rica de comerciantes em Plymouth, na Inglaterra. Ao entrar na faculdade de Medicina, foi convocado para servir como enfermeiro na Primeira Guerra Mundial, na qual fez as primeiras observações sobre o comportamento humano em situações traumáticas. Especializou-se em pediatria, trabalhando 40 anos no Hospital Infantil Paddington. Paralelamente, preparou-se para ser psicanalista. Trabalhou como consultor psiquiátrico do governo, tratando de crianças afastadas dos pais na Segunda Guerra Mundial. Em 1949, separou-se da primeira mulher, a artista plástica Alice Taylor. Dois anos depois, casou-se com Clare Britton, psicanalista e organizadora dos trabalhos do marido. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise e morreu em Londres, em 1971.

Análise da própria infância e marcas da psicanálise

O interesse de Winnicott pelo estudo da construção da identidade veio da percepção da influência sufocante da mãe depressiva em sua personalidade. Ainda criança, Winnicott enveredou pelos caminhos da observação científica ao ler os estudos do naturalista Charles Darwin (1809-1892). Já pediatra, conheceu a obra de Sigmund Freud (1856-1939), fez terapia e freqüentou o grupo de Bloomsbury – integrado, entre outros, pela escritora Virginia Woolf (1882-1941) -, em que a psicanálise era tema recorrente. Seu trabalho chega ao Brasil com a criação de várias instituições winnicottianas.

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Período integral: a criança ganha ou perde?

Período integral: a criança ganha ou perde?

Flávia Siqueira

Fonte: www.revistaeducacao.uol.com.br – clique e conheça

despedida

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“Matricular um bebê ou uma criança pequena em uma instituição em geral é não apenas uma grande mudança de rotina para a família, mas muitas vezes motivo de angústia para pais e filhos. O que acontece, então, quando uma criança precisa ficar na escola ou creche em período integral? O longo período longe dos pais pode ser um problema para o desenvolvimento da criança? A escola está preparada para receber essa criança durante tanto tempo? A angústia de muitos pais é justificável?”

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Especialistas defendem que a instituição ideal é aquela que busca o equilíbrio entre o cuidado e o trabalho pedagógico, entre o estímulo e o descanso, entre a rotina e a novidade.

Todos os dias, ao chegar na creche, é a mesma história: o filho da manicure Alessandra Venâncio gruda nas pernas da mãe e se recusa a entrar. Ele passa o dia inteiro na instituição, pois a mãe precisa trabalhar. O sofrimento é mútuo. “Sofro muito com essa situação. Minha esperança é que ele ainda se adapte”, conta. Alessandra diz que, se tivesse uma alternativa, como uma babá em casa, não mandaria o filho para a creche por enquanto.

O dilema de Alessandra é o mesmo de muitos pais e mães. Matricular um bebê ou uma criança pequena em uma instituição em geral é não apenas uma grande mudança de rotina para a família, mas muitas vezes motivo de angústia para pais e filhos. O que acontece, então, quando uma criança precisa ficar na escola ou creche em período integral? O longo período longe dos pais pode ser um problema para o desenvolvimento da criança? A escola está preparada para receber essa criança durante tanto tempo? A angústia de muitos pais é justificável?

O período integral acaba levantando uma questão que ainda divide muitas opiniões em relação à educação infantil: a criança precisa ser escolarizada o quanto antes ou a escola é apenas um lugar bem estruturado para deixar os pequenos enquanto os pais trabalham? Nem um, nem outro. É a opinião do pedagogo Paulo Fochi, doutorando em educação pela USP e professor da Unisinos, onde leciona no curso de pedagogia e coordena a especialização em educação infantil. “É preciso se afastar dessas duas extremidades. Existem instituições – públicas e privadas – que conseguem ser menos assistenciais e menos escolarizantes. Isso porque constroem uma concepção pedagógica para criar uma boa experiência de vida”, afirma.

No entanto, entre as famílias é comum a visão de que o melhor para uma criança pequena é ficar ao lado dos pais. Nesse cenário, o papel assistencial da creche ou escola – a instituição que cuida enquanto os pais não podem – surge como principal preocupação. Para a secretária Andreia Boccalini, mãe de um filho de três anos e um de sete, até os dois anos as crianças são muito carentes, e por isso é difícil deixá-las na escola. “O ideal mesmo seria que eu pudesse ficar com ele, mas, como isso não é possível, acho a escolinha a melhor opção”, diz. “Eu não deixaria com babá, porque teria que ser uma pessoa de confiança. Além disso, o custo de uma babá é bem mais caro do que o de uma escolinha particular. E também é complicado ficar dependendo de uma só pessoa para cuidar do seu filho, na escolinha tem várias tias.”

Para Paulo, é difícil determinar se passar muito tempo na escola é bom ou não para a criança, pois não só depende da escola, mas especialmente do tempo e disposição dos pais. Se essa criança ficar em casa, os pais se dedicariam ao desenvolvimento da criança? E se a criança ficar na escola, a instituição está bem organizada para acolher crianças tão jovens por tanto tempo, produzindo um espaço de bem-estar?

“A ideia binária de ser bom ou ruim para a criança é muito limitante. Pode ser que alguns pais saibam agir na medida certa, mas grande parte não dá conta. As crianças vão ficar com os pais para ver TV? Ficar no shopping? Não é simples dizer que a quantidade temporal é suficiente. Quando se está junto, que se esteja junto de fato, que não seja atravessado por uma tela de tablet, de TV, que seja uma relação de escuta e de diálogo”, defende o especialista. Apesar disso, Paulo considera importante levar em conta a idade dos bebês que frequentam as creches e escolas em período integral com pouco tempo de vida, de poucos dias a poucos meses. “Há questões importantes na relação com a mãe, como a constituição psíquica e a consolidação do eu.”

Organização do espaço

Desta forma, a educação infantil em período integral deve proporcionar um espaço agradável e que promova o bem estar das crianças. O ideal é que a escola crie um espaço convidativo, com ambientes em que a criança se sinta acolhida e confortável para brincar, aprender e se deslocar – ir ao banheiro, por exemplo, sem necessariamente pedir a permissão de um adulto. Os espaços destinados a atividades devem ter materiais atrativos e estimular a interação. É importante que também existam ambientes abertos e outros para descanso.

“Não estamos falando apenas dos ”cantinhos”. A ideia é que todos os espaços da escola sigam essa lógica, incluindo os corredores e a entrada”, diz Lenira Haddad, pesquisadora e professora da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). “Em um ambiente assim, o período de adaptação é mais curto, a criança é mais feliz e gosta de voltar à escola. O período integral não será penoso para ela.”

Organização do tempo

Também é importante que as crianças tenham uma rotina no ambiente escolar, mas ela não deve se prender à rigidez da tradicional divisão do tempo por áreas de conhecimento, como ocorre nos ensinos fundamental e médio, defende Lenira. Na educação infantil, a organização do tempo ideal permite à criança se localizar nesse tempo, saber o que está acontecendo e o que vem em seguida. A criança tem momentos sozinha, outros em que está em grupo, tem atividades de mais movimento e períodos para descansar. “O dia na educação infantil não pode ser visto sob perspectiva de uma rotina, de dois turnos divididos pelo horário de almoço, mas deve ser visto como uma jornada, da hora que ela entra à hora que ela sai”, observa Paulo Fochi.

Jorge Alexandre Cardoso, coordenador do curso de pedagogia da Unisul e da Escola Dinâmica, em Florianópolis, destaca também a necessidade de equilibrar a atenção individual e o trabalho em grupos na educação infantil. “A faixa de 0 a 5 anos é muito heterogênea; as crianças mudam muito rápido e cada uma delas responde de uma forma diferente.” Na escola em que Jorge trabalha, existe a educação infantil no período parcial e integral. Segundo ele, é importante que a escola que oferece o integral não pense apenas em “esticar as atividades” para ocupar o tempo. O ideal é que exista de fato um projeto, que inclui aprendizado, brincadeira e cuidado.

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Para estar junto é preciso estar só

Para estar junto é preciso estar só

Tamara Ferreira

Fonte: www.lounge.obviousmag.org – clique e conheça

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“Amar é estar em paz consigo mesmo. E estar em paz já é um grande desafio. Somos únicos e infinitos. Somos sós e completos. Ainda assim, escolhemos voar juntos. E isso é fantástico! Mas, para que a vista seja boa, é preciso criar força nas asas e dar nosso primeiro salto sós.”

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Antes de estar com alguém, estamos junto com nós mesmos. E, eventualmente, temos medo do silêncio, acumulamos informação nas paredes, usamos ajuda para relaxar a mente, ficamos desconfortáveis na multidão. Evitamos nossa primeira companhia, buscando a resposta além, ansiando sentirmo-nos completos por uma promessa de felicidade.

Grande influência para nosso comportamento é o Romantismo, que nos visita nas comédias românticas, novelas, brinquedos de crianças e cantigas desde a primeira infância, e catequiza gerações desde Shakespeare a fazer das decisões da vida um drama, viver o presente ou desejar o fim de todo sofrimento. É a arte do sonho e da fantasia. Graças a ele, somos incentivados a ansiar nosso lugar ao sol. Mas, também devemos lembrar dos perigos de viver na terra das fadas, e negar a realidade.

Nascemos sós, com nossa consciência e o céu. E não há nada de estranho em estar no cinema desacompanhado. Precisamos nos compreender, para compreender o outro. Contemplar em silêncio os sons da cidade faz parte de integrar-se com o mundo, e aceitar que somos parte dele: Quanto de você está presente na chuva lavando a calçada. Como você sente seus pés. Como sente o coração. Investir tempo para responder honestamente se você é feliz.

O maior estranhamento que podemos causar em alguém é perguntar o quanto se é feliz. Contudo, poucas coisas são tão absolutas quanto a felicidade. Dizer que ela independe do dinheiro, do trabalho, não é novidade. Mas, vale reforçar que ela depende somente dos nossos olhos.

Dessa forma, não existe nenhum amor que nos torne completos. Porque a resposta não é essa. A resposta somos nós mesmos. Estar com alguém pode ser mais solitário que aceitar o fim. E crer que a felicidade virá junto com um Messias romântico prometido é frustrante.

Entramos inteiros ou partidos numa história, mudamos por próprio mérito para menos ou para mais, e é isso. O romantismo é saudável, mas quanto dele é um desespero por algo grandioso na vida, simplesmente para jogarmos a bola para alguém. O companheirismo de uma vida é, definitivamente, grandioso; que o diga Tarcisio Meira e Gloria Menezes, Jorge Amado e Zelia Gatai. Mas, e quando amamos estar apaixonados mais do que o objeto do nosso afeto. A maior prova está em “amor à primeira vista”, que é o cúmulo do não amor, e cujo sucesso depende inteiramente da sorte. Beleza, caráter, coragem, inteligência não são correlacionados, não é estatística. Insistimos em “riscos” desnecessários ao adotarmos estratégias levianas e depois lamentamos tanto azar. Por desespero de quê? Nutrimos relações destrutivas e sofremos por acabar destruídos.

Amar é estar em paz consigo mesmo. E estar em paz já é um grande desafio. Nenhuma resposta mágica aparece junto com o amor. Pelo contrário. Aparecem mais perguntas e desafios. Então, se você acha que sua rotina demanda muito, deveria evitar mais uma tribulação.

Se não, tornamo-nos vítimas de clichês e nada mais acontece.

Para estar junto é preciso primeiro saber estar só. Estar feliz consigo mesmo. Porque não é mérito de mais ninguém, que não você, como vai a sua vida. Companheiro ou santo nenhum têm poder de salvar nossas peles, podem dar o exemplo. Que tal?

Para estar junto é preciso primeiro respeitar o contorno do próximo. Não se fundir a ele e virar uma massa amorfa, com consciência coletiva. Casais são duas unidades juntas, mas são unidades.

O ser humano é tão rico e misterioso, devemos explorar nosso potencial e melhorar o mundo, e evitar caber numa caixinha etiquetada. Somos únicos e infinitos. Somos sós e completos. Ainda assim, escolhemos voar juntos. E isso é fantástico! Mas, para que a vista seja boa, é preciso criar força nas asas e dar nosso primeiro salto sós.

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A criança e as dores de ouvido

A criança e as dores de ouvido

Wolfgang Goebel / Michaela Glöckler

Fonte: Consultório Pediátrico

dor de ouvido

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“As dores de ouvido são identificadas pela atitude de defesa da criança ao se pressionar a cartilagem anterior da orelha: se a criança passa a mãozinha com frequência na região do ouvido, deve-se suspeitar muito mais de uma afecção na boca do que de dor de ouvido. Mas se ela teve anteriormente uma coriza, isto pode ser indício de uma infecção do ouvido médio (otite média), São especialmente violentas as dores da chamada, “otite gripal”, na qual logo se formam bolhas junto ao tímpano. Quando elas se rompem, escorre um pouco de secreção, muitas vezes sanguinolenta. As dores duram mais ou menos um dia. Na otite purulenta pode ocorrer um vazamento de pus para o exterior. Isto acontece em dez a vinte por cento dos casos não tratados. Após o inicio do vazamento do pus, as dores cessam rapidamente. Se contudo persistem, em geral é porque o outro ouvido também foi afetado.”

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As dores de ouvido são identificadas pela atitude de defesa da criança ao se pressionar a cartilagem anterior da orelha:

Se a criança passa a mãozinha com frequência na região do ouvido, deve-se suspeitar muito mais de uma afecção na boca do que de dor de ouvido. Mas se ela teve anteriormente uma coriza, isto pode ser indício de uma infecção do ouvido médio (otite média), São especialmente violentas as dores da chamada, “otite gripal”, na qual logo se formam bolhas junto ao tímpano. Quando elas se rompem, escorre um pouco de secreção, muitas vezes sanguinolenta.

As dores duram mais ou menos um dia. Na otite purulenta pode ocorrer um vazamento de pus para o exterior. Isto acontece em dez a vinte por cento dos casos não tratados. Após o inicio do vazamento do pus, as dores cessam rapidamente. Se contudo persistem, em geral é porque o outro ouvido também foi afetado.

Em todos os casos citados é possível obter alivio da dor através de uma compressa de camomila ou de cebola. A febre deveria ceder consideravelmente dentro de três dias. Se acaso continua alta, o médico deve examinar a criança novamente, a fim de eliminar a possibilidade de complicações. Antitérmicos não fazem sentido para a cura. Supurações do ouvido médio duram geralmente de cinco a dez dias. Mesmo que durem mais, isto não acarreta necessariamente lesão auditiva permanente. Mas naturalmente é necessário proceder a controles regulares. Às vezes o ouvido de um lactente começa a purgar sem manifestações anteriores, e da mesma forma se cura.

A incisão no tímpano para a salda do pus (paracentese) só é, segundo nossa experiência, necessária em casos raros. Ouvidos que secam muito rapidamente tendem mais a recidivas, ou seja, recaídas da doença — o que ocorre quando se forma uma crosta pegajosa atrás da qual o pus fica retido. Em tais casos a temperatura se eleva novamente além de 38°C, e o médico deve então ser procurado.

Uma perfuração do tímpano, de modo geral, restaura-se perfeitamente. Nas poucas exceções onde os ouvidos permanecem purgando cronicamente, existe sempre uma deficiência congênita das mucosas. Com base em nossas experiências, consideramos a otite média uma doença que só excepcionalmente exige tratamento com antibióticos. Se o organismo é ajudado, por meio de medicamentos constitucionais adequados, a confrontar-se ativamente com a doença, haverá como conseqüência o fortalecimento de toda a organização auditiva. As recidivas são mais raras.

O tratamento da otite média é sempre da competência do médico. Nele será incluído o tratamento concomitante das vias respiratórias superiores, ou seja, da coriza ou das vegetações adenóides existentes. Uma forma totalmente inofensiva de “secreção do ouvido” acontece quando lágrimas ou a água do banho penetram no canal auditivo e amolecem a cera do ouvido (cerúmen) de tal forma que esta começa a escorrer e apresenta um aspecto de pus. Do mesmo modo, uma mancha marrom “sanguinolenta” no travesseiro pode ser apenas um pouco de cerúmen que amoleceu e escorreu para fora.

Vômitos não fazem parte do quadro da otite média simples, e merecem ser relatados ao médico. Para a limpeza dos ouvidos deveria ser usado apenas algodão, e unicamente nas orelhas e na parte visível do canal auditivo. Uma penetração mais profunda interfere no processo de autolimpeza do epitélio do canal auditivo — o epitélio que cresce do tímpano em direção ao exterior e geralmente carrega consigo o cerúmen velho. As mucosas das vias respiratórias e da parte profunda do canal auditivo são providas de um mesmo nervo, sendo que urna limpeza muito profunda pode provocar tosse e espirros.

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Como dar limites ao seu filho pequeno?

Como dar limites ao seu filho pequeno?

Adriana Fonseca

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“Ela faz o que quer, não obedece aos adultos ou não sabe lidar com as frustações…”

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A questão dos limites dados às crianças pequenas é um dos pontos primordiais da educação e, por isso, assusta tanto os pais. O frequente comentário “tal criança não tem limite” é traduzido como: ela faz o que quer, não obedece aos adultos ou não sabe lidar com as frustações. Nenhum pai deseja que seu filho seja alvo desse tipo de comentário. Mas como fazer isso? Como os pais podem ajudar o filho (desde bebê) a desenvolver recursos para lidar com o NÃO, sem que se sintam verdadeiros vilões?

Rosana Augone, psicóloga, explica que “até aproximadamente os 3 anos educar e colocar limites significa rotina e disciplina dos pais no cotidiano. A criança está descobrindo o mundo e tudo para ela é fascinante, o que a torna obediente porque ela faz tudo com o prazer da descoberta, do novo e da imitação”. Por isso, durante os anos iniciais os rituais diários são de extrema importância. Hora para dormir, hora para comer, hora para tomar banho! A rotina é estabelecida e deve ser permeada pelo desenvolvimento da paciência, ao se ensinar a criança a esperar. Com a rotina organizada a criança pequena se sente mais segura em relação ao imenso mundo que tem à sua volta.

Depois dessa fase, conta Rosana, há uma transformação e “a partir dos 3 anos, o momento da criança muda radicalmente”. Inicia-se um período que ela costuma chamar de “adolescência da infância”, fase em que a criança passa a usar a oposição, a autoafirmação, o questionamento dos combinados, a birra, a manipulação e a sedução em favor do que ela deseja de imediato. Esse período se torna exaustivo para os pais e também exige deles uma transformação no comportamento. Devem ser agora mais firmes e muito claros em relação às consequências para as ações do filho.

Rosana traz ainda uma nova maneira de se nomear essa ação dos pais; “Eu prefiro explicar aos pais que seus filhos precisam de margens, tal qual um rio que, se não as tiver, perde a forma e deixa de ser um rio. As margens dão o contorno, criam uma forma, uma identidade, um ser que pode aprender quem é e qual seu papel no núcleo familiar. As margens desenham a personalidade da criança, enquanto os limites a cerceiam sem lhe dar forma nem consistência. Sem margens o rio deixa de ser rio, perde a forma, a identidade. Com margens muito apertadas ele perde seu potencial de rio e torna-se um riacho, um córrego, com forma, porém muito aquém das suas potencialidades.”

Lucila Bernardes, terapeuta familiar e orientadora educacional, explica que o filho é uma realização dos pais, um motivo de orgulho. “Não é à toa que quando os filhos não são aquilo esperado pelos pais, esses se sentem mexidos e até traídos em suas expectativas. Dizer NÃO para o filho, vê-lo chorando, frustrado ou contrariado diz respeito a ferir a representação da realização do filho idealizado e feliz.”

Os pais precisam ter cuidado para não escolher o caminho que parece mais fácil, mas que é o mais danoso. A opção por não frustrar e deixar de lado motivos para o conflito só para ganhar um sorriso e uma momentânea satisfação é perigosa. O problema, esclarece Lucila, “é justamente que a criança vai se tornando mal acostumada, sem a menor resistência aos impedimentos naturais da vida e aquilo que parece bom, torna-se na verdade a causa das crianças birrentas e tiranas. É nesse momento que os pais podem virar vilões de verdade, pois quando perdem a autoridade não são mais respeitados. ”

Escolha que valores passar para seu filho

As diferenças culturais e educacionais refletem e determinam a forma de ser e de agir das crianças, como relata de maneira bastante clara Pamela Druckerman, em seu livro “Crianças francesas não fazem manha”. Também é possível criar crianças “não-manhosas” em nosso país. Exige grande esforço dos pais, mas não é impossível, pois eles “são os principais responsáveis pelos valores culturais que passam para os filhos, por meio de suas escolhas, de suas ações e de suas prioridades”, como esclarece a psicóloga Rosana Augone. São eles o primeiro contato social do bebê, está tudo nas mãos deles. Lucila Bernardes, orientadora educacional e terapeuta familiar, explica que “o povo brasileiro tem como algumas de suas marcas a simpatia, a cordialidade e a afetividade. Temos um laço forte com a família em nosso país, o que pode gerar excessos. Excesso de zelo e de controle, talvez camuflados em uma imensa afetividade. Somos inclusive muito físicos nas nossas manifestações de amor: muitos beijos, colos e abraços fervorosos. Se somos afetivos e gostamos de lamber nossas crias, é importante que tenhamos consciência disso, mas não percamos de vista que o papel de pai e o de filho diferem.”

Transmita a certeza do cuidado

Desde os primeiros meses, uma dúvida que ronda, de maneira angustiante, o coração dos pais está relacionada à forma de responder ao choro do bebê durante a noite. Ir até o berço imediatamente ao ouvi-lo chorar, esperar para ver se para sozinho ou estabelecer rituais rígidos e cronometrados de visita ao quarto? Na verdade, organizar o sono do bebê é uma importante etapa inicial de “dar limite” a ele. Atualmente tem se ressaltado a necessidade de uma breve situação de espera, uma pequena pausa antes de atender imediatamente pode criar condições para que o bebê desenvolva algumas capacidades, como a de autodistração. Rosana acredita que “os contrastes, os sentimentos opostos, como fome e satisfação, inquietude e aconchego, desamparo e proteção são verdadeiramente assimilados pelo bebê, enquanto a satisfação imediata promove uma impulsividade e pouca resiliência para suportar insatisfações e frustrações, para saber “esperar com esperança” e estes são sentimentos legítimos e presentes durante toda a vida”. Lucila explica que a separação entre mãe e bebê, que ocorre no parto é um exercício necessário para o resto da vida e que deve ocorrer de forma gradual. “É importante para o bebê perceber que pode contar com a presença da mãe, que sua fome, frio e desconforto serão aplacados por um outro ser que cuida. Porém, com a mesma importância ele deverá contar com a ausência. É na ausência que ele começa a lidar com seu desconforto de outra maneira. Se há a certeza do cuidado, ele chorará muito em uma primeira vez, mas em uma segunda, ele já terá aprendido que o auxílio está garantido e que um pequeno sinal já é o suficiente. A alternância de ausência e presença é essencial para a criança ir construindo a ideia que deve e que pode lidar com a falta, e consequentemente com a frustração e com os “nãos.”

Mostre para a criança quem está no comando

Para os pais é muito difícil privar o filho de alguma coisa que ele deseja. Ver a expressão de braveza no rosto do filho ou, o que é pior, vê-lo chorar ou espernear em público é sempre constrangedor! Muitos pais não conseguem evitar essas situações e, quando percebem, já estão no meio delas. Caso esse tipo de situação ocorra, muita paciência e firmeza são recomendáveis. Lucila Bernardes diz que o constrangimento e a dificuldade em lidar com o próprio filho em lugares públicos pode atrapalhar muito a ação dos pais. “Alguns pais se deixam levar pela permissividade até o limite e quando são ridicularizados e dominados pelos filhos em público, reagem com tapas e puxões, impondo-se pela força física. O primeiro passo é não se deixar se influenciar pelo o que os outros vão achar. A relação de educação de um pai e seu filho diz respeito aos dois e por mais que as impressões possam ser inúmeras, as pessoas que testemunham tais cenas não são conhecedoras do contexto. O segundo passo é mostrar para a criança que quem está no comando e que sabe o que é melhor para ela são os pais e para isso, é necessário assumir a posição de autoridade e dar um limite firme e claro. Pode ser tirando-a do ambiente para uma conversa, pode ser olhando-a nos olhos e deixando bem claro que não irá aceitar tal comportamento”. Rosana Augone é clara sobre a melhor atitude: “quando a criança faz birra (e isso faz parte do desenvolvimento emocional infantil aos 3 anos aproximadamente) os pais ficam desconcertados, principalmente em público. A criança é sábia e escolhe justamente essas situações para exercer a birra, porque percebe que tem mais chances de conseguir o que quer. Se os pais cedem, estão “ensinando” seu filho que é por meio desse comportamento que ele irá conseguir o que deseja, e é claro que ele irá repeti-lo sempre que precisar insistir para obter o que quer. Se os pais suportam o constrangimento e não cedem, irão ensinar ao filho que sua decisão e palavra têm força e propriedade e que com esse comportamento ele não conseguirá mudá-la nem atingir seus objetivos.”

Entenda que a frustração do cotidiano é saudável

A ideia de limite está associada ao entendimento que não se pode ter e fazer tudo na hora que se deseja, isto é, que ninguém está sozinho no mundo. Porém, esse aprendizado causa frustações à criança. Os pais podem colaborar, ou melhor, ensinar os filhos a lidar com essas frustações, sem que se sintam causadores de um sofrimento irreparável. Lucila explica que os pais precisam ter clareza de que causar uma frustração cotidiana é muito diferente de um profundo sofrimento. “Como os bebês são encantadores e irresistíveis, os pais perdem a clareza e se entregam a essa “sedução”, saindo do seu papel de pais. Quando os pais começam a impor com mais força os “nãos” aos quatro anos, por exemplo, já é tarde demais. A criança já não aceita e fica tudo mais difícil. Regrar o sono, a alimentação, repreender a criança quando ela apronta algo que não seja socialmente aceito, funcionam como um trabalho de formiguinha que demostra para a criança de que seus pais realmente sabem o que é o melhor para ela.” Rosana também diferencia dois tipos de frustações e suas consequências: “A frustração só é um sofrimento irreparável quando tem dimensões dramáticas: a morte, a violência doméstica e urbana, o abuso sexual, o bullying contínuo tanto na escola como na família. A frustração do cotidiano é saudável, não causa danos, ao contrário permite à criança desenvolver e criar recursos próprios e saudáveis para ultrapassá-la, auxilia a ver a possibilidade de desejar outras coisas que ela nem havia pensado, além de ajuda-la a lidar com a realidade e evoluir para a compreensão de que ela não é o “centro do Universo”.

Dê espaço ao seu filho

Sim, existe um mundo privado, onde a criança pequena pode (e deve) se entreter e brincar sozinha, (com supervisão, é claro!). Estar com si mesmo é um momento precioso para as crianças. “Criança que sabe brincar sozinha é criança saudável, com autonomia e identidade”, diz Rosana. “Quando damos margens aos nossos filhos eles criam identidade própria e desejam exercê-la sem a presença do adulto. Isso é saudável! De acordo com a idade e maturidade da criança é sempre importante dar autonomia para ela escolher o que está dentro de sua possibilidade”. Brincar sozinho é uma experiência interna preciosa, concorda Lucila. “O que podemos observar é que os pais, no afã de servir as crianças nos seus desejos, não acham que é certo deixá-las sozinhas. Muitas vezes, porque trabalham muito e não conseguem curtir os filhos, preferem brincar com eles, proporcionando brinquedos, jogos, sem dar tempo de a criança criar seu próprio repertório simbólico. Conseguir dar esse espaço ao filho, desde que eles são bem pequenos é algo essencial. Engano daqueles que acham que somente na presença estão fazendo o bem para os filhos.”

Ensine-o a saber esperar

Na vida atual, a velocidade está dada! Não se espera, se faz, se corre! Em geral, as crianças têm sido educadas para serem atendidas imediatamente em todos seus desejos e necessidades. Porém, saber esperar e desenvolver a paciência ajuda as crianças a viverem melhor e em menos conflito. A única saída é fazer que as crianças aprendam a esperar. “Os pais podem estabelecer metas e determinar datas especiais para presentes e/ou realização dos desejos e cumpri-las! Pais que sabem esperar são excelentes modelos para os filhos!”, explica Rosana Augone.

Lucila Bernardes diz ainda que estar no coletivo é uma maneira preciosa de se exercitar a espera. “Em uma escola, por exemplo, há de se pegar fila em uma cantina e esperar para ser atendido pelo professor em inúmeras situações. As famílias devem se esforçar para conscientizar que seus filhos não são os únicos no mundo. Combinar o quanto e o quando cada filho vai ter seu espaço, ao invés de tentar suprir o desejo de todos ao mesmo tempo pode ser um caminho. É muito saudável a criança entender que os pais têm outros interesses. Desse modo, ela aprende não só a esperar, mas percebe que, além dela, há outras realidades.”

Respeite para ser respeitado

A vida em família será mais agradável se todos agirem com paciência e respeito pelos outros e isso acontecerá mais facilmente se os limites e combinados estiverem claros. Essa paciência e respeito são ensinados de pais para filhos, não há milagre nem receita mágica. É um exercício contínuo, repetitivo, individual e coletivo. Como cada idade tem seus encantos e espinhos, os pais devem estar atentos às demandas de cada faixa etária. “Os pais podem e devem assumir seu papel de autoridade, tendo clareza que ao frustrar e ao dizer não só estará preparando seu filho de forma mais efetiva para vida. Hoje, a autoridade dos pais é construída pelos pais na relação com suas crianças dia após dia”, diz Lucila. “Ensinar o exercício da paciência, da tolerância e do respeito às diferenças é um desafio que remete os pais a uma reavaliação de si mesmos: são os filhos fazendo com que os pais se tornem pessoas melhores!”, conclui Rosana.

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O que acontece no organismo dos homens depois de se tornarem pais

O que acontece no organismo dos homens
depois de se tornarem pais

Luiza Tenente

Fonte: www.revistacrescer.globo.com – clique e conheça

pais

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“Sempre se fala em toda a reviravolta que ocorre no organismo da mulher durante e após a gestação: afinal, ela carrega o bebê em seu ventre por nove meses e, depois, ainda vive a experiência de amamentá-lo. Mas e os homens? A partir do fim da gestação até os primeiros meses de vida da criança, uma substância chamada ocitocina será produzida e liberada em maior quantidade no organismo masculino. E é isso que fortalece, desde o início, o vínculo do pai com o bebê. O comportamento passa a ser de maior zelo e cuidado em relação ao filho. Há também o aumento de dois neurotransmissores: a serotonina e a dopamina. Parecem nomes difíceis, mas o sentido deles é incrível – são responsáveis pela sensação de bem-estar, de felicidade e de plenitude. Depois de nove meses de expectativa, o pai se sentirá completo ao conhecer a criança.”

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Produção de hormônios altera o comportamento e estreita vínculo com a família

Mais amorosos e protetores

Sempre se fala em toda a reviravolta que ocorre no organismo da mulher durante e após a gestação: afinal, ela carrega o bebê em seu ventre por nove meses e, depois, ainda vive a experiência de amamentá-lo. Mas e os homens? Saiba que a paternidade também traz alterações na química corporal deles. Seja a produção de certos hormônios ou a modificação na estrutura do cérebro, tudo é programado para que os laços com a criança e com a mãe sejam estreitados. O novo pai aprende que tem uma nova posição no mundo: irá cuidar de um outro ser e amá-lo assim que o conhecer.

A partir do fim da gestação até os primeiros meses de vida da criança, uma substância chamada ocitocina será produzida e liberada em maior quantidade no organismo masculino. E é isso que fortalece, desde o início, o vínculo do pai com o bebê. O comportamento passa a ser de maior zelo e cuidado em relação ao filho. Há também o aumento de dois neurotransmissores: a serotonina e a dopamina. Parecem nomes difíceis, mas o sentido deles é incrível – são responsáveis pela sensação de bem-estar, de felicidade e de plenitude. Depois de nove meses de expectativa, o pai se sentirá completo ao conhecer a criança.

E quando o bebê começa a chorar, de repente? A reação do homem tende a ser mais rápida e significativa depois da paternidade. Isso porque há mudanças na estrutura do cérebro que deixam os cinco sentidos (olfato, paladar, audição, tato e visão) aguçados. “O novo pai fica mais atento a tudo o que ocorre ao redor de sua família. Assim que detecta o que é potencialmente nocivo para a criança, já elabora uma resposta rápida para defendê-la”, explica Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp (SP). A produção de testosterona, por exemplo, passa a variar mais depois que a mulher dá à luz. Quando o homem está numa situação que julga perigosa, a liberação do hormônio dispara, para que esteja preparado e proteja sua “cria”. Mas, quando está em casa, segurando o filho calmamente no colo, a testosterona se reduz e o pai fica menos agressivo e mais próximo à criança.

Há ainda uma alteração no sistema límbico, uma parte do cérebro relacionada às emoções: a tendência é que o homem fique sensível. Em casos extremos, essa ternura se exacerba a tal ponto que há o crescimento do tecido mamário e a produção de uma substância líquida na glândula da região, como se o homem fosse amamentar. Claro que, nessa situação, é preciso procurar ajuda médica – há um distúrbio da hipófise, glândula que pode provocar a alteração da prolactina (hormônio que, nas mulheres, auxilia na produção do leite). É uma patologia chamada de pseudociese, ou “falsa gravidez”.

Juntinhos

É importante saber que todas as mudanças no organismo masculino dependem do grau de envolvimento do pai com o bebê. “A convivência é essencial. Compartilhar experiências e passar momentos juntos são atos importantes para reforçar o vínculo familiar”, diz Monezi. Dar papinha, ajudar na hora do banho e conversar colocando-se na altura dos olhos do filho são pequenos gestos, mas que ajudarão na construção do sentimento de aproximação. Mais para frente, demonstrar interesse pelo que ocorre na escola e nas atividades de lazer também são exemplos de boa convivência.

Mas e se o pai não morar na mesma casa que o bebê? Não se preocupe. Basta sempre ter o cuidado de tornar cada momento em que passarem juntos como algo intenso e especial. É preciso trocar a palavra “quantidade” por “qualidade”. Dá para ficar mais próximo da criança, mesmo se a frequência de visitas não for tão grande quanto a que você deseja. E não podemos desprezar os benefícios da tecnologia: os celulares, o Skype e as redes sociais permitem que pai e filho conversem, troquem fotos, gravem mensagens de voz e até joguem à distância. Monezi aconselha: “Faça um resgate da infância e vire criança também na hora da brincadeira. Isso reforça o vínculo com a família e com a própria vida”.

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A importância do sono para o aprendizado

A importância do sono para o aprendizado

Ana Pauta Pontes e Renato Bonfim

Fonte: www.revistacrescer.globo.com – clique e conheça

Child Sleeping

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“As sonecas são fundamentais para que as experiências dos bebês se transformem em conhecimento de verdade. Se a criança dorme mal, ela não só deixa de fixar o que já presenciou, mas também pode ter os mecanismos de aprendizagem prejudicados para experiências futuras. A discrepância entre a demanda social dos pais e a necessidade de sono da criança é um fator que gera bastante estresse. Um recém-nascido precisa dormir, em média, 18 horas, caso contrário, a falta de horas de descanso pode prejudicar o desenvolvimento.”

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Quando um bebê nasce, uma enxurrada de novos aprendizados saltam instantâneamente aos seus olhos: o rosto da mãe, a voz dos pais, a descoberta do choro para alcançar o que quer enquanto ainda não aprendeu a falar… São tantas informações para os pequenos assimilarem, que a lista não caberia em um só texto. Um estudo do instituto alemão Max Planck concluiu que as sonecas são fundamentais para que as experiências dos bebês se transformem em conhecimento de verdade.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores reuniram 90 bebês com idades entre 9 e 16 meses e, na primeira etapa, exibiram repetidamente imagens de objetos que eles ainda não conheciam, com nomes fictícios. As peças expostas foram separadas em categorias de acordo com as formas, embora variassem um pouco nas cores e proporções. As mais parecidas recebiam o mesmo nome, que era repetido para as crianças a cada exibição. Assim, conforme elas se familiarizavam com o que era mostrado, os especialistas realizavam utilizaram eletroencefalografia para registrar as correntes elétricas ativadas no sistema nervoso. Com o resultado, eles notaram que os bebês aprenderam os nomes durante o treinamento, mas ainda não conseguiam relacionar novos objetos com outros, da mesma categoria.

Depois da análise, os participantes foram separados em dois grupos: um deles cochilou por 1 ou 2 horas e o outro saiu para um passeio, sem dormir. Em seguida, todos voltarem para os testes. Os bebês viram novamente alguns objetos já apresentados anteriormente, além de alguns similares e outros novos. Enfim, puderam ser identificadas diferenças na atividade cerebral das crianças que tiraram uma soneca e em comparação ao grupo que permaneceu acordado. Quem dormiu levou menos tempo para lembrar o nome das peças e ainda conseguiu associar novos objetos aos nomes de formas similares já apresentadas. Já os bebês que não descansaram continuaram sem êxito. A conclusão mostrou que as categorias foram organizadas pelo cérebro dos bebês durante o sono.

Para o neuropediatra Antônio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), enquanto dormem, as crianças solidificam mesmo o que aprendem. “O sono consolida a memória e, no caso dos bebês, é ainda mais importante, já que o cérebro está em puro desenvolvimento: eles estão aprendendo a falar, andar…”, explica.

Atenção! Se a criança dorme mal, ela não só deixa de fixar o que já presenciou, mas também pode ter os mecanismos de aprendizagem prejudicados para experiências futuras. “A discrepância entre a demanda social dos pais e a necessidade de sono da criança é um fator que gera bastante estresse. Um recém-nascido precisa dormir, em média, 18 horas, caso contrário, a falta de horas de descanso pode prejudicar o desenvolvimento”, alerta.

Sono picado

O grau de atividade cerebral dos bebês recém nascidos é alto e, por isso, é preciso que eles durmam bastante. “Como não dá para dormir tudo o que se deve durante a noite, as sonecas são bem-vindas para completar esse tempo. Além de ser importante para o aprendizado, isso aprimora o crescimento”, afirma a pediatra Wylma Maryko Hossaka, do Hospital Beneficência Portuguesa (SP). Para que essa tarefa seja desempenhada com qualidade, a ajuda dos pais é essencial. “O baixo grau de luminosidade dá um conforto melhor para o bebê dormir tranquilamente”, completa a médica.

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Quando, sem querer, fazemos mal à criança

Quando, sem querer, fazemos mal à criança

Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Fonte: www.desenvolvimento-infantil.blog.br- clique e conheça

rótulo

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“Rotular as crianças é algo comum, mas não faz bem à sua autoestima e à construção de sua identidade. Não é incomum, nas reuniões ou festas de escolas, comentários como estes, dos pais sobre os filhos – e muitas vezes na frente deles: “Meu filho puxou o pai. É teimoso à beça”. “Ela é como a irmã. Não presta atenção em nada”, e assim por diante. A construção da identidade sofre uma forte influência daquilo que a criança ouve sobre ela das pessoas em quem confia. Ao rotulá-la, olhamos para a criança sob um determinado prisma e tiramos dela a possibilidade de ser diferente.”

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Atitudes impensadas ou carregadas de boas intenções nem sempre são, de fato, favoráveis ao desenvolvimento sadio da criança pequena. Rotulá-las é algo comum, mas não faz bem à sua autoestima e à construção de sua identidade. Por isso, conversar com os pais e os cuidadores sobre o tema é o seu papel como profissional da Primeira Infância.

Não é incomum, nas reuniões ou festas de escolas, comentários como estes, dos pais sobre os filhos – e muitas vezes na frente deles: “Meu filho puxou o pai. É teimoso à beça”. “Ela é como a irmã. Não presta atenção em nada”, e assim por diante.

Essas frases, aparentemente inofensivas, podem causar impacto negativo na criança, segundo especialistas entrevistadas pelo site Educar para Crescer.

Para eles, a construção da identidade sofre uma forte influência daquilo que a criança ouve sobre ela das pessoas em quem confia. Ao rotulá-la, olhamos para a criança sob um determinado prisma e tiramos dela a possibilidade de ser diferente.

A reportagem cita um exemplo clássico: “Qual o pai que nunca se surpreendeu ao buscar o seu filho na casa de um colega, em outro ambiente e com outra família, e perceber ou ouvir que ele teve um comportamento totalmente oposto ao que costuma mostrar em casa? Talvez isso ocorra justamente porque, nesse outro lugar, com pessoas que ainda não fizeram um julgamento a seu respeito, ele tenha a possibilidade de experimentar outro comportamento”.

Outro aspecto é a angústia que alguns sentem por ainda não saberem quem são. Para sair desse estado de incerteza, muitos aceitam os rótulos que lhes são dados porque a sensação do desconhecimento sobre si mesmo é muito pior do que viver determinado estereótipo, mesmo que não seja bom. “Às vezes é mais fácil ser algo, mesmo que não muito agradável, do que não saber quem se é”, reforça a matéria. O que se dá é a assimilação desse rótulo (daquilo que ouvem sobre si mesmas), de modos de agir que nem sempre fazem bem às crianças. “A criança quer agradar. Se sua mãe, sua família esperam determinado comportamento, ela tende a corresponder à expectativa”. Ou seja, se a menina é tida como boazinha ou comportada, ela não se permite expressar raiva e, quando esta vem, bate a sensação de culpa. Tudo isso afeta a autoimagem e a autoestima dos pequenos.

Por isso, pais e educadores devem ter cuidado para evitar que os rótulos atinjam a criança. O site Educar para Crescer dá sete dicas de como contribuir para que esse hábito não aconteça:

Não cole atitude com pessoa: Ninguém é igual o tempo todo, certo? Temos momentos de maior entusiasmo ou menor, de mais irritação ou raiva, de mais paciência. “Uma coisa é dizer a uma criança: ‘isso que você fez foi maldoso, deixou seu amigo chateado’, e lhe mostrar a consequência do seu ato. E outra muito diferente é, diante de uma atitude que você desaprova, disparar: ‘você é um menino mau!”, aponta Lara. Fazer da pessoa e de uma eventual atitude uma coisa só é meio caminho andado na direção do rótulo. Claro que tomar esse cuidado é mais trabalhoso e exige percepção, mas diferenciar a pessoa de sua atitude vai mostrar à criança que há espaço para mudar, para entender o que fez e poder agir diferente uma outra vez.

Pergunte-se de onde vem o incômodo: Muitas vezes, quando a criança faz algo que desagrada aos pais ou tem determinada atitude, a família atribui a isso tanta importância que acaba ampliando o efeito de algo que seria passageiro. Seu filho não come o tanto que você considera adequado, está ansioso ou mais agressivo? Pergunte-se por que aquilo está afetando tanto você. Com essa resposta, talvez seja mais fácil, em vez de se apegar a esse comportamento, questioná-lo e apontá-lo o tempo inteiro para a criança, simplesmente reconhecê-lo, acolhê-lo e deixa-lo passar. Tenha em conta que, muitas vezes, as crianças estão apenas experimentando, algo que dura um tempo, mas são capazes de se mover desse lugar se aquilo não virar uma definição de si mesma.

Valorize as características individuais: Apontar uma característica ou uma forma de agir é diferente de rotular. Perceber a individualidade de alguém e valorizar esse traço é reconhecer a pessoa. O perigo está em fazer disso algo estático, transformando o que era único e pessoal em algo do qual a pessoa não consegue mais se desvencilhar. É preciso reconhecer e valorizar os pontos fortes de cada um, mas deixar aberta a possibilidade de mudança. E, sobretudo, é importante propiciar às crianças um espaço para experimentar, para poder ser diferente. Quando estampamos sobre elas um rótulo, essa mobilidade fica dificultada – e a mudança desejada, também.

Classifique menos e perceba mais: Qualquer característica, quando levada ao extremo, pode ser prejudicial. Uma coisa é ter liderança e outra, ser autoritário ou mandão. Vale brincar com esse conceito com as crianças, pensar, por exemplo, nos traços de cada um na família e no que acontece com essa condição quando ela se exacerba. A ideia por trás do jogo é perceber e questionar mais – e rotular menos. Também é importante fazer a criança notar quando ela consegue agir de outro modo, se comportar diferente. Afinal de contas, ninguém é apenas uma coisa ou sempre igual. E o rótulo promove justamente isso: toma a parte pelo todo, é uma simplificação.

Cultive a diversidade: Tente propiciar ao seu filho o convívio com crianças de grupos diferentes, de diferentes idades, de outras classes sociais, de outros gêneros. Só assim será possível mostrar que existem, sim, diferenças, mas que elas não nos impossibilitam de conviver, nem merecem ganhar nomes ou ser alvo de gozações. Em geral, as crianças menores lidam melhor com as diferenças, entendem que podem aprender com elas. Outro bom exercício é tentar encontrar denominadores comuns entre todos, apesar das diferenças: o que cada um sabe? O que pode ensinar? Promover trocas de saberes ou trocas de lugares ajuda as crianças a perceberem os mecanismos do reconhecimento e do rótulo.

Use bons exemplos: Um estereótipo vai se fixando na medida em que ele é repetido e reforçado: “os negros são melhores atletas”; “meninas não curtem as áreas de exatas”. É preciso desconstruir essas noções petrificadas. Uma forma de fazer isso é mostrar diferentes exemplos, questionar: por que meninas não podem brincar de construir? Quem falou? Por que meninos não podem colocar brinco? E que tal mostrar uma personalidade de destaque na área de física, como Marie Curie, por exemplo, e pedir às meninas que façam suas experiências? Ou por que não citar um excelente boxeador ou jogador de basquete branco e mostrar o bem que ele se move, o quanto é ágil? Assim as crianças entendem que se pode mudar, experimentar, corrigir rotas.

Todos queremos ser bem vistos: É interessante contar ao seu filho que todos queremos pertencer, ter um grupo que nos contenha e ampare, que todos buscamos, de algum modo, aprovação. E, por isso, é normal fazer esforços para ser aceito ou entrar em determinada “panela”. O que não é razoável é mentir, passar por cima de si mesmo ou se violentar de algum modo nesse caminho. Isso acaba por tornar todos tão homogêneos a ponto de perder a expressão da individualidade. E quando isso acontece, o esforço não vale a pena, trata-se de algo que está cerceando, censurando, que ultrapassou o limite do saudável.

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Brincar é coisa séria

Brincar é coisa séria

Glaucia Leal

Fonte: www.escoladecriatividade.com.br – clique e conheça

child playing

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“O brincar pode ser pensado, por exemplo, como uma forma livre de expressão da criança, uma espécie de linguagem do espontâneo. Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos em suas possibilidades de manifestação. A ciência pedagógica, cada vez mais sofisticada, ensina a gente a fazer vestibular. Mas ninguém nasceu para fazer vestibular, nascemos para ser gente, para expressarmos em plenitude e liberdade todos os talentos que cada ser humano tem.”

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Documentário brasileiro aborda a relação com o lúdico como exercício de criatividade e possibilidade de experimentação.

Todo mundo sabe: medicamentos tarja preta, comercializados com prescrição médica, são usados principalmente para controlar sofrimentos psíquicos. As pílulas que prometem apaziguar a ansiedade e a depressão são vendidas aos bilhões pela indústria farmacêutica. De fato, em muitos casos, remédio é necessário – mas em outros tantos poderia ser dispensado desde que fossem tomadas outras medidas para aplacar as dores da alma. E o que se espera desses remédios? Que restituam a saúde, tragam alívio, ajam rapidamente e apaziguem a angústia.  O documentário brasileiro Tarja branca – A revolução que faltava, produzido pela Maria Farinha Filmes, recorre ao termo “tarja” justamente para apresentar um contraponto – sem efeitos colaterais ou necessidade de receita – como outra saída para lidar com a tristeza e a falta de criatividade, na contramão de um caminho que vem de fora para dentro, em forma de pílulas.

Dirigido por Cacau Rhoden, o filme trata da valorização e do regate do elemento lúdico em todas as faixas etárias (e não apenas na infância). São apresentados depoimentos de adultos de diferentes profissões, idades e origens tanto sobre sua relação subjetiva com o brincar quanto reflexões acerca desse ato ancestral que funciona como elemento de coesão, pertencimento e integração social fundamental para o desenvolvimento físico, intelectual e afetivo. Essencial na infância, esse ato ancestral nos permite experimentações não apenas no âmbito das ações, mas também no que diz respeito às formas de conhecer a si mesmo, se relacionar com o mundo, trocar de lugar, obter outros pontos de vista, repetir, elaborar, aprender.

O brincar pode ser pensado, por exemplo, como uma forma livre de expressão da criança, uma espécie de linguagem do espontâneo. “Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos em suas possibilidades de manifestação”, comenta uma das entrevistadas, Lydia Hortélio, professora de música e pesquisadora. “A ciência pedagógica, cada vez mais sofisticada, ensina a gente a fazer vestibular. Mas ninguém nasceu para fazer vestibular, nascemos para ser gente, para expressarmos em plenitude e liberdade todos os talentos que cada ser humano tem.”

Outra entrevistada, a educadora Renata Meirelles, criadora do projeto Brincadeiras Infantis da Região Amazônica (Bira), se lembra da tristeza que sentia na infância ao ver sua mãe deitada na praia, tomando sol, enquanto ela brincava na areia. Parecia inconcebível para a menina que alguém simplesmente não quisesse brincar, tendo a oportunidade de fazê-lo, e temia que a mãe, por algum motivo, não pudesse experimentar esse prazer. Outros entrevistados, como os escritores Marcelino Freire e Bráulio Tavares, o jornalista José Simão, a pedagoga Ana Lúcia Villela, o ator Domingos Montagner e o músico Antônio Nóbrega, também falam das próprias experiências e associam a impossibilidade de brincar com o adoecimento psíquico.

Para psicanalistas o desinteresse de uma criança por essa atividade é um sintoma claro de que há algo errado. Em nossa sociedade, porém, frequentemente os adultos perdem a conexão com a própria capacidade lúdica, sem que isso seja motivo de estranhamento ou preocupação. Quando nos afastamos do exercício lúdico da curiosidade – seja por meio do som, do movimento, da palavra, dos pensamentos ou de infinitas outras maneiras de expressão – um organizador psíquico fundamental também se esvai.

Não raro, a impossibilidade de vivenciar no dia a dia o humor, a alegria, permitir-se rir e jogar faz com que as pessoas se entristeçam – e muitas vezes adoeçam. Nesse sentido, a identidade cultural revelada por meio da arte tem imensa importância, na medida em que propicia um espaço privilegiado e protegido para a experimentação e, consequentemente, para a preservação da saúde.

Da mesma forma, encontrar prazer na atividade profissional e desenvolvê-la com criatividade nos lembra que brincar pode ser algo muito sério. Sem precisar ser sisuda, sofrida ou extenuante, a seriedade está associada ao comprometimento e à dedicação intensa e autêntica. Podemos evocar um recorte claro dessa ideia: basta pensar na compenetração de uma criança entretida ao brincar. Nada mais sério, nada mais leve. E sem contraindicações.

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