Descrição dos temperamentos


Os fatores constituintes da personalidade

DESCRIÇÃO DOS TEMPERAMENTOS

Eliane Utescher



O temperamento é o conjunto de inclinações íntimas que brotam da constituição fisiológica de um homem. É a característica dinâmica de cada indivíduo, que resulta do predomínio fisiológico de um sistema orgânico (sistema nervoso, sistema sanguíneo) ou de um humor (bílis, linfa).


O TEMPERAMENTO SANGUÍNEO

Na Grécia antiga, o elemento ar não era tido simplesmente como um gás composto que entra em nós para ser novamente eliminado, mas considerava-se que a alma nele vive.A relação entre o ar e a alma consta desde a Bíblia, Gênesis cap.2 vers. 7 : “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra e insuflou-lhe nas narinas um sopro divino, e o homem se tornou alma viva”.

O indivíduo de temperamento sanguíneo possui grandes qualidades, como a habilidade de adaptar-se facilmente, de se sentir à vontade em qualquer lugar e sob circunstâncias inesperadas, de agir prontamente face ao inusitado e sob condições novas e diferentes.

Por outro lado, possui uma inabilidade em ser realista, em lidar com situações que se repetem, em aprofundar seja no que for. O sanguíneo é muito susceptível a tudo que penetra pelos seus sentidos, e sua consciência está sempre voltada para o exterior, para as estimulações do mundo, sempre pronto a participar de qualquer evento que pareça interessante. Seu interesse nas impressões despertam sua imaginação, porém, raramente propicia experiência.

Ele não espera que as impressões sejam transformadas em experiência, e, muito pelo contrário, ele voa de uma para a outra . O sanguíneo muda com facilidade, adapta-se, vive o momento e a situação imediata. Seu principal hábito é não ter hábitos . Rotina não se encontra entre suas preferências; ele adora se mudar de casa, viajar, mudar de emprego. Se sentem aborrecidos quando nada parece acontecer. Sua raiva é de curta duração, como uma chuva de verão que tão logo passa, os faz sorrir novamente.

Eles acham que perdoar é algo fácil e esquecem facilmente os mais ferozes ataques contra si mesmo.O sanguíneo tem uma compleição esguia, equilibrada, proporcional. Se sente feliz em seu corpo e, para ele, o sol está sempre brilhando.

Seus olhos são expressivos, inquietos, olham para várias direções e brilham como pedras preciosas. Como os órgãos sensitivos possuem uma certa excitabilidade, sua movimentação é acentuada e os gestos, rápidos.

Seus atos são marcados por certa nervosidade, o andar é geralmente leve, os membros movidos sem dificuldade. A fala é excessiva, e têm respostas prontas. São pessoas excepcionalmente dotadas para a música, pois vivem através do mesmo meio e instrumento – o ar.

O ar respirado abandona muito depressa o nariz, tudo se passa como se a alma não tivesse o tempo necessário para se interiorizar suficientemente. Superficialidade e vaidade são componentes de seu caráter. Possui muitas idéias que vem e que vão ; observará tudo e não se lembrará de nada. Têm a peculiaridade de poder sentar-se ou deitar-se em todo tipo de posições incômodas.

Sua impaciência pode levá-lo a abandonar as coisas pela metade, pode ser bastante irresponsável e superficial. O terapeuta e educador devem tentar desenvolver um interesse permanente naquilo que é essencial. Embora o sanguíneo mostre um interesse apenas transitório por coisas, objetos e acontecimentos, ele desenvolverá um interesse pelas pessoas. Possuem um sexto sentido para saber o que acontece na mente alheia.

Deve ser tratado com carinho especial ; respeita aqueles que o vêem através de suas idiossincrasias, mas não aqueles que se enfurecem ou perdem o controle. A experiência chega mais tarde ao sanguíneo do que às pessoas de outros temperamentos, mas quando isto acontece, observamos que ela ocasiona grandes mudanças na sua postura perante a vida.

Com o passar dos anos, ele é assaltado por um grande desejo de encontrar um porto seguro em si mesmo, um lugar fixo, estável, permanente. O sanguíneo nos ensina a olhar além de nossos horizontes limitados e acreditar que há algo além das nuvens.

Na criança sanguínea, as forças formadoras atuam em tudo aquilo que é de natureza rítmica, na respiração e na circulação, por isso ela tem algo de alado. Gosta de se balançar em cadeiras, redes, no cavalo de balanço, nos galhos oscilantes das árvores. Ela dança com o vento e raramente fica tonta com isso. Se interessa por tudo que a rodeia num curto espaço de tempo, retraindo rapidamente este interesse.

A criança sanguínea é igualmente sadia quando tem um corpo etérico forte, e nela predominam essa forças ; vivendo no corpo etérico, a criança corre de impressão para impressão, como uma borboleta. Após a puberdade, ela deve viver no corpo astral, que é o que junta, reúne.

Um ritmo calmo na vida cotidiana é muito importante em se tratando de crianças desse temperamento, pois é com dificuldade que ela concentra sua atenção por muito tempo em uma coisa.

Deve-se proceder com quaisquer atividades – estórias, brincadeiras, jogos – por tempo curto,com pausas, para que sua fantasia desviada possa voltar, e depois, por períodos progressivamente mais longos. Com isso, não se deve querer retirar seu amor pela variedade. O educador ou terapeuta deve propiciar o gasto do excesso de sanguinidade.

O TEMPERAMENTO COLÉRICO

Tendo por base o elemento fogo, o indivíduo com este temperamento é, como lhe é próprio, energético e tenso, quente, impaciente, transformador. Sua base física é a circulação sanguínea, o que gera uma violência latente, levando o colérico a ferver sob o menor pretexto – uma pressão alta é um real perigo desta natureza afogueada.

Sua personalidade como um todo é expressa em cada fibra de seu ser, desde o fio de cabelo ao dedão do pé. Ele é facilmente irritável, não tolera críticas, e como possui uma vontade própria muito forte, impõe seu próprio ponto de vista dos outros. Seu desejo secreto é ser considerado indispensável.

No estágio mais primitivo de seu temperamento, o colérico se aborrece com qualquer objeção feita à sua maneira de conduzir uma situação. Mas, ao mesmo tempo que expressa sua opinião com auto confiança, desconsidera completamente a opinião dos outros.

De fato, é frequentemente mal humorado, simplesmente porque os outros não veem as coisas como ele, que as considera tão absolutamente corretas.

O colérico não aceita o ponto de vista alheio pela tola razão de não ter sido concebida por ele. Algumas pessoas desse temperamento permanecem eternamente neste 1o estágio porque não conseguem se adaptar às circunstâncias.

Como ele se considera muito mais dotado e talentoso do que qualquer um, todos deveriam, segundo sua opinião, tratá-lo como uma pessoa especial, com muito respeito e deferência.

Ele deseja ser reconhecido como um líder e, deste lugar egoísta, pensa ter o direito de usar o poder de ditar ordens e regras aos outros, já que lhe é tão natural ordenar. Portanto, em um estágio inicial de desenvolvimento, sua maior dificuldade reside na inabilidade em aceitar o ponto de vista do outro.

Para lidar com alguém com uma tendência colérica acentuada, é fundamental manter a calma e se abster de nervosismo , pois se ele perceber que afeta e descontrola o outro com sua maneira de ser, abusará de seu poder impunemente. Ele persistirá em mostrar o pior lado de sua natureza, deixando de receber das pessoas o que ele gostaria imensamente, que é admiração e apreço.

É necessário ter confiança em si mesmo e ser consciente de seu valor para levar o colérico a refrear sua força e abandonar seu egoísmo. Ele precisa sentir respeito e devoção por outro ser humano afim de conter seu forte impulso de dominação. Assim, para lidar corretamente com alguém deste temperamento, é essencial aprender sobre ele através de experiência pessoal. É preciso ter vivido situações cujos obstáculos requereram muita coragem e obstinação, daí dá para ser páreo para o colérico e despertá-lo para o outro que não o teme e tem autocontrole.

Contrariamente ao que era de se esperar para seu temperamento, ele possui uma alma muito sensível. Como ele coleciona muitas inimizades, é difícil ocorrer uma oportunidade para revelar sua sensibilidade. Se alguém se comunica com ele carinhosamente e com muito tato, é frequentemente possível dirigi-lo ao caminho positivo de seu temperamento, pois sofrimento real o toca profundamente. São virtudes deste, a magnanimidade e a generosidade, e para trazê-las à tona, é necessário saber que elas existem.

No nível mais elevado de seu desenvolvimento, o colérico é preenchido pelo desejo de encorajar o desenvolvimento das boas qualidades do outro. Ele deve descobrir que deve exigir antes, de si mesmo, as expectativas que tem do outro. Deve despertar para a realidade de que, para ganhar o direito de liderar, ele precisa primeiro controlar a si mesmo e reconhecer suas próprias falhas e dificuldades. Quando atinge esse ponto, realiza seu desejo e conquista o direito de ser considerado um ser humano de real importância e valor.

A criança colérica precisa da resistência de alguém para entender que há dificuldades na vida. Como ela é cheia de energia, deve ser mantida em atividade. Ela é geralmente intolerante, teimosa, obstinada, e suas crises de fúria devem ser tratadas ora com humor, ora com indiferença. O educador e terapeuta devem desenvolver um estado de serenidade e auto controle afim de ganhar o respeito dessa criança destemida.

Em toda sua postura observa-se determinação, firmeza e força.

O fogo do temperamento está expresso nas feições acentuadas, nos gestos bruscos, no andar pesado. A individualidade consegue penetrar intensamente no corpo, da cabeça aos pés, e une-se de uma maneira consciente com a Terra.

A criança desse temperamento exige do educador e do terapeuta muita paciência e domínio de si próprio. A força indisciplinada da criança colérica necessita oportunidade para se extravasar com ocupações sadias. Convém dar-lhe tarefas que ultrapassem suas forças, afim de que perceba suas limitações e não se julgue tão onipotente. Quando irritada e em crise de fúria, não é acessível a conselhos ou reprimendas ; deve-se aguardar um tempo até que, entregue à si própria, possa ser abordada com ajuda para refletir sobre seus atos e comportamentos.

O TEMPERAMENTO MELANCÓLICO

O indivíduo com a predominância deste temperamento vive constantemente em luta com duas faces da sua natureza: seu desejo de se sacrificar e seu impulso egoísta de não se envolver.

Ele deseja sofrer pelos outros porque sua natureza exige que faça algo por aquele por quem simpatiza.

O melancólico sente o peso da substância sólida do próprio corpo, o peso terrestre, porque não consegue penetrá-lo suficientemente e dominá-lo com sua alma, ou mesmo sua individualidade.

Ele sofre com intensidade a gravidade e isso o leva ao mal estar e à depressão, a experimentar dores mesmo em estado de saúde.

Por ser a matéria do seu corpo mais difícil de ser penetrada pelo seu ser, os gregos falavam da predominância do elemento terra, ou seja, toda a massa sólida visível. Ele também aparenta ser pesado, ainda que não o seja corporalmente, por causa de seu humor sombrio e dos ossos acentuados. Tem-se a impressão de tudo ser puxado para baixo – a cabeça, o nariz, a boca, o tronco, todo o corpo; sua postura denota uma falta de força de se manter ereto.

O rosto tem a impressão de dor como se fosse começar a chorar a qualquer momento. Ele também tem muita pena de si mesmo. Seus gestos e movimentos mostram uma certa resignação, a boca especialmente expressa amargura ,e os olhos sofrimento.

Sua natureza é introvertida, tímida, com tendência à introspecção, à reflexão. Seu olhar, de luz opaca e sem brilho, é pouco interessado pelo mundo porque observa-se a si mesmo. Possui uma inabilidade em apreciar o mundo exterior e demonstrar gratidão. É somente capaz de ver o lado escuro da vida e tão envolvido por seus pensamentos sombrios, tão perdido em detalhes, que não lhe é possível perceber que pode estar errado. Seu desejo por piedade e compreensão é seu jeito peculiar de demonstrar seu egoísmo.

Ele continua a se sentir infeliz mesmo quando as causas do problema desapareceram. Especialmente no 1o estágio do seu temperamento, sente que tudo é triste e nebuloso e se coloca no centro de seu pequeno mundo, esperando piedade. Ele também espera compreensão dos outros, ainda que ele mesmo nada tenha para dar. No 2o estágio, ele ondula entre egoísmo e auto-comiseração . Ele preferiria ser altruísta, mas não tem força suficiente para manter tal atitude, e então recai no seu velho estado egoísta. Vive então em contínua oscilação, sempre beirando uma crise, e é somente no 3o e último estado que é capaz de ver que sua maior satisfação é servir os outros. Quanto mais ele age com base nesta convicção, mais enriquecido se sente neste momento de sua vida.

O melancólico raramente faz esforço para entrar em contato com pessoas e possui um desejo inconsciente de auto tortura que pode se expressar na direção do outro – ele pode se tornar um tirano se autorizado a levar vantagem sobre os outros. A situação piora se alguém o evita, pois ele recairá no 1o estágio se ninguém ajudá-lo a sair disso.

Sua expectativa por compreensão é um desejo inconsciente para se libertar de seu egoísmo, de seu ego, e encontrar seu outro lado, seu ser espiritual, seu Eu, e isso raramente pode ser realizado sem a ajuda do outro. Ele busca compreensão porque está aprisionado em sua própria parede invisível. Espera por alguém que possa entendê-lo, alguém desejoso de ouvi-lo atentamente para poder dividir esse peso, essa densidade espiritual, sem que alguém espere dele o mesmo.

Quando vencido pelo elemento terra, quando retém de forma inconsciente as substâncias no seu interior, o portador deste temperamento pode adoecer de verdadeira melancolia.

A partir do momento que sentir que alguém quer realmente compreendê-lo, ele abrirá seu coração e transbordará em simpatia e confiança. E quando, através do afeto e da firmeza, um melancólico sente simpatia pelo outro, ele cessa de ser um egoísta.

Na criança melancólica predomina precocemente o Eu. Cedo demais a criança torna-se consciente. Isso afeta o metabolismo. Tomam lugar fortes sedimentações de sais, de tal maneira que ela se sente com o corpo pesado.

Para os adultos é uma criança esquisita, geralmente triste e mal humorada ; se ofende com facilidade e é demasiadamente consciente para sua idade, parecendo um adulto pequeno.

É capaz de registrar na memória todas as injustiças e castigos de que foi vítima. Gosta de estórias longas e tristes. Possui uma imensa capacidade de observação de si mesma – afasta de si tentativas para divertir-se porque, no fundo, não lhe desagrada ser triste.

Procura recantos escuros e silenciosos para se esconder, acocora-se sob o sofá ou dentro do armário, trepa na árvore e senta-se quieta num galho onde a folhagem a encobre ; pensa muito e tem um rico mundo imaginativo, meio estranho e avesso às pessoas.

São crianças que, em geral, não possuem muito apetite e tem aversão por alimentos carnívoros, principalmente se a aparência é visível. São esguias e magras e necessitam de um cardápio misto, com uma alimentação facilmente digerível. Gostam de doces, se cansam facilmente e têm fortes dores de cabeça. Assustam-se com água fria e gostam de calor. São emocional e fisicamente crianças delicadas.

Calor externo e interno é vital para dissolver a dureza e as cristalizações desse tipo de criança. Os adultos devem cercá-la da muito alimento anímico/espiritual, compreensão. Não devem ter receio de fazer com que participe de suas próprias preocupações e sofrimentos na medida de sua capacidade infantil, pois dessa forma se harmoniza sua melancolia infantil : colocando-a em contato com o sofrimento alheio. Ela terá prazer em sentir que alivia o sofrimento de outrem através de pequenos serviços, como enfermeiro, por ex.

Levá-la a ambientes alegres só a endureceria em sua melancolia e deixá-la viver a dor justificada é uma boa medida terapêutica.

O TEMPERAMENTO FLEUMÁTICO

A Fleuma é o elemento aquático. E o fleumático, assim como o mar, pode ser muito calmo e sereno, porém, se tornar tumultuoso como um maremoto em sua força devastadora.

Em geral, no entanto, o indivíduo com este temperamento não se perturba com o que acontece ao seu redor. Ele vivencia cotidianamente uma agradável sensação de bem estar em si mesmo.

Na verdade, ele reteve, com sua constituição, uma reserva de forças de crescimento ; as funções glandulares como que permaneceram como se ainda estivessem a serviço dos processos de crescimento.

Ele nada no líquido da corrente vital e sente muito prazer com isto. A força formativa do vivo, que permeia a natureza e o homem, o fluxo vital enfim, é percebido pelo fleumático dentro do seu próprio organismo – os processos interiores de seu corpo são por si acompanhados com deleite.

O elemento água corresponde ao processo de ganhar consciência através de uma compreensão lenta, porém, consistente dos mais profundos lugares da alma.

O indivíduo de temperamento fleumático possui um jeito próprio de manter-se consigo mesmo. Sua falta de interesse no outro é, antes, para viver na letargia pelo prazer que isso proporciona, do que propriamente negar a existência fora de si. Nunca ocorre a ele mostrar qualquer interesse seja no que for que os outros se ocupem.

Ele gosta de ter aquela sensação de bem estar, de quem lentamente considera cada ângulo de uma situação antes de se permitir envolver em qualquer coisa que possa aborrecê-lo. Ele necessita que alguém lhe mostre de forma correta como interessar-se por pessoas e seu ambiente, pois é nessa cegueira que vive seu egoísmo.

É necessário se aproximar dele gentilmente e nunca dar ordens ou esperar que ele venha a ter sucesso nessa empreitada sem uma certa supervisão. Deve ser dada a ele a chance de copiar – se a ele é mostrado como fazer qualquer coisa, ele é capaz de ser rápido e muito eficiente.

O fleumático, no caminho do egoísmo para o altruísmo, percebe seu imenso desejo de ser libertado de sua exagerada tendência de viver dentro de si mesmo. Se ele permanecer no estágio inicial desse desenvolvimento, a responsabilidade é maior daqueles que o rodeiam, do que dele mesmo. Sem ter alguém aquém imitar, seu temperamento segue sua tendência natural e ele se torna negativo e apático.

Uma das suas grandes qualidades é sua grande habilidade de terminar tudo o que começa, nada é deixado para trás, pela metade, mal feito ou perdido. Ele é uma pessoa devotada ao seu trabalho.

Ele é imensamente grato por qualquer delicadeza e terá uma devoção pelo resto da vida àquele que o ajuda as superar sua timidez e reserva.

Assim, o indivíduo deste temperamento é uma criatura metódica, que mantém seus hábitos, seu ritmo lento de alimentação e sono.

Adora rotina e detesta situações inesperadas. De constituição pesada e flácida, se movimenta em tudo e aprende tudo com lentidão, mas lembra-se de seqüências com detalhes, é persistente e por vezes obstinado.

Suas formas corporais são, portanto, arredondadas ; a cabeça é grande e larga, o queixo muitas vezes é duplo devido à gordura, os olhos não tem muito brilho, mas não expressam tristeza.

Os membros são compridos, sem leveza, de movimentação morosa. Para a época atual, cujo ritmo é acelerado, essa morosidade desperta um certo desprezo e incompreensão por parte das pessoas. O andar é aquoso, arrastado, que passa de um pé ao outro vagarosamente.

Em tempos tumultuosos como o que vivemos, aprendemos o valor da fleuma, como relaxar ocasionalmente e nos dar tempo para desfrutar das coisas calmas da vida. Essa é a lição que o fleumático tem a nos ensinar, a benção da paz, da quietude, da harmonia.

A criança fleumática é totalmente abandonada no elemento líquido. Tirá-la de seu próprio organismo para fazê-la entrar em atividade, é uma tarefa que o educador e o terapeuta devem ter como meta. Inércia e impassividade podem então serem transformadas em observação serena e assimilação profunda do mundo.

Na criança com este temperamento, impera o corpo físico; nos ombros sobressai essa força onde é bem visível. Como nessa criança o alimento é bem aproveitado, ela á mais pesada que as outras. Gostam de comer e beber bastante, e engordam com facilidade.

Gozam a gravidade e por isso levam mais tempo para se submeter às forças da verticalidade ; não sofrem com o peso terrestre como os melancólicos.

Não é uma criança de todo inativa, embora se desinteresse facilmente por qualquer atividade. Seu olhar é sonolento, mas sua memória é boa. Sua voz é monótona e sua fantasia é fraca.

No entanto, possui um senso de ordem pronunciado, onde cada coisa tem seu lugar. Torna-se colérica quando certas tradições não são observadas e é molestada na sua rotina e no seu ritmo. Não é muito capaz de reflexões rápidas e presença de espírito.

O educador ou terapeuta devem desenvolver uma atividade interna para se relacionar com crianças fleumáticas. Elas necessitam que seus interesses sejam despertos, caso contrário, correm o risco da atividade mental não conseguir permear os processos orgânicos do seu corpo. Isso pode igualmente ocorrer se perceberem que não conseguem acompanhar os demais.


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