Generalização x concepção pontual da realidade viva


GENERALIZAÇÃO X CONCEPÇÃO PONTUAL DA REALIDADE VIVA

Leonardo Maia


Se não conseguimos atingir o cerne do pensamento alheio, todo julgamento será baseado em pré-concepções superficiais de comportamento e pensamentos padronizados e isso é o oposto da concepção real e pontual da realidade, que é o que a Era da Consciência nos exige hoje.


Hoje em dia, o tempo espremido e o excesso de informações e compromissos trouxeram uma grande dificuldade: a falta de profundidade. Temos que estar a margem de muitas coisas e isto acaba nos impedindo de nos aprofundar verdadeiramente em todas elas, ou até mesmo, em quaisquer uma delas.
Para isso deveríamos abrir mão muitas coisas, mas isso é uma tarefa muito difícil, pois a sociedade atual acaba nos pressionando a “navegar” por entre esse excesso de informações. Mas existe um aspecto social crucial que necessita de profundidade: o outro ser humano.

Cada ser humano é uma entidade única e singular e só concebemos isso a partir de uma relação mais profunda com os seus propósitos, seu modo de pensar, sua história de vida e suas maneiras de se relacionar com o mundo, ou seja, permitir que sua alma nos toque.

Essa dificuldade em adentrarmos o outro nos faz entrar no campo da generalização e rotulação do comportamento alheio:

Quem é o João? Ele é um médico, ateu, machista, vegano e de esquerda.

Quem é a Maria? Ela é uma artista, feminista, lésbica e de esquerda.

Quem é a Carolina? Ela é advogada, evangélica e de direita.

Então desenhamos o perfil dessas pessoas e criamos suas imagens a partir de nossas próprias considerações dos adjetivos, fazendo que eu tenha uma simpatia ou antipatia premeditada.

E isso vai além, todas as qualidades e defeitos do rótulo vão agregadas ao perfil, mesmo que o indivíduo não as possua.

Todos os adjetivos do indivíduo, não vem deles, e sim de uma gama de concepções padronizadas externas pré-estabelecidas . E vamos além, julgamos uns aos outros em cima desses rótulos e de nossas pré-concepções generalizadas em cima deles.

E, em muitos casos, inicia-se uma inquisição em cima dos indivíduos baseada em aspectos generalizados. Essa inquisição parte de todos os lados, como se não houvesse possibilidade de sensatez, coerência e respeito à partir do momento que indentifico um aspecto específico que destoa de minhas ideologias.

Como eu contribuo com isso? Generalizando… julgando o outro por contextos generalizados. Se não conseguimos atingir o cerne do pensamento alheio, todo julgamento será baseado em pré-concepções superficiais de comportamento e pensamentos padronizados.

Não que a individualidade não possa ser diluída em tais padrões coletivos, aspecto extremamente comum hoje devido ao contexto de mecanização e superficialização do pensar impostos pela atual estrutura social contemporânea, porém tal perspectiva deve ser apontada apenas no âmbito da concepção real e pontual de tal aspecto no indivíduo em questão, caso contrário é, na verdade, um aspecto espelhado, ou seja, reflete a dissolução da minha própria individualidade num padrão coletivo de julgamento através da suposição (mesmo que tal suposição possa ser verdadeira) – o próprio julgamento é um mergulho no padrão coletivo e na incapacidade de perceber a realidade viva.

Tal concepção real e pontual da realidade é o que a Era da Consciência nos exige hoje.

Este aspecto de generalização e rótulos realmente é algo muito perigoso, pois socialmente já passamos processos terríveis em cima deste tipo de contexto, como a Escravidão em relação aos negros, a Inquisição em relação a crenças e o Nazismo em relação aos judeus.

Hoje ela se mostra em ideologias. O que vc pensa, pode lhe inserir aqui ou ali em um grupo na linha de fogo, o que fará vc esconder, ocultar o que vc realmente pensa para evitar ser julgado premeditadamente. E a máscara social estará em uso, pois somos incapazes de respeitar ideologias diferentes ou opostas, especificamente se esta ideologia é de âmbito estritamente pessoal e não reflete uma imposição que transcende tal âmbito, ou seja, mantém o respeito e o espaço de liberdade do outro (minha liberdade termina onde começa a do outro).

Se nos abrirmos ao outro, perceberemos que existe uma profunda singularidade em cada um, somos muito mais do que rótulos e generalizações, mesmo que, muitas vezes, tenhamos escolhas e opiniões similares, alguns comportamentos padronizados e etc…

Respeito leva à liberdade, mas exigir do outro uma conduta e forma de pensar baseados em uma moralidade específica é inquisição e aprisionamento.

Quer saber mais sobre tudo isso? Convido os interessados a participar da palestra que farei sobre o tema no dia 13 de agosto – quinta feira às 20h:

https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091

O Valor é R$ 60,00 (para captação de recursos pessoais e para a Biblioteca).

Atenciosamente,

Leonardo Maia

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


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