MICAEL: O PENSAMENTO DESCONECTADO DO CORAÇÃO


MICAEL: O PENSAMENTO DESCONECTADO DO CORAÇÃO

Leonardo Maia


“As emoções são um elemento da alma que está muito mais próximo, mais intensamente, conectado com a individualidade humana do que o pensamento ordinário, quando não é permeado pela emoção.”

Rudolf Steiner


Quando eu me torno excessivamente racional, desvinculando o pensar do emocional, me distancio do sentido de humanidade. Começo a perceber a ignorância com um sentido de inferioridade. O intelecto pode subjugar o sentir a um ponto onde a inteligência e conhecimento tem mais valor do que o amor e a bondade.

Podemos ver pessoas inteligentes, com argumentos super fundamentados mas que não tem amor no coração. Uma alma seca e fria que olha o outro ser humano com indiferença e ar de superioridade. Criam uma casca em suas almas que os impedem de serem tocados pelo outro ser humano, a não ser num âmbito superficial, onde o encontro traz benefícios diretos (de status ou materiais), ou fortalece o sentimento de superioridade ou mesmo massageia o ego, através da bajulação ou reconhecimento da suas capacidades, sejam elas intelectuais ou técnicas.

Daí… surge a falta de compassividade, a arrogância e a intolerância. Podemos pensar, que coisa horrível, não? Ainda bem que não sou assim… mas será mesmo? Será que o mundo contemporâneo não está nos forçando para esse mundo de excesso de racionalidade e desumanização?

Quantas vocês você leu um artigo, uma notícia ou mesmo um comentário de Facebook que alimentou esses sentimentos de intolerância, mesmo que você acredite fundamentalmente que está correto no seu modo de pensar? Basta navegar nos comentários das redes sociais que percebemos quão comum está se tornando essa intolerância e esse racionalismo exacerbado, que estão cada vez mais suprimindo nossa humanidade (capacidade de acolher o outro ser humano).

Acho que mesmo de forma sutil, todos estamos sendo influenciados, alguns mais, outros menos… precisamos estar bem atentos!!! Segue um trecho de Rudolf Steiner sobre Micael e a emancipação da força intelectual:

“Micael deseja que a inteligência que está a desenvolver-se na humanidade, mantenha-se em conexão constante com os seres espirituais divinos.

No entanto, existe um obstáculo. Toda a linha evolutiva percorrida pelos deuses, a partir do momento em que a força intelectual se emancipou da atividade cósmica e foi incorporada na natureza humana, fica exposta a outro fator.

Suponha que houvesse seres que se apercebessem deste fato, e logo tentariam tirar proveito disso. Tais seres existem realmente – os seres ahrimânicos. A sua própria natureza lhes predispõe a absorver toda a inteligência que se desliga dos deuses. Eles são capazes de assimilar o intelecto de qualquer tipo. Assim se tornam as maiores, abarcantes e penetrantes inteligências em todo o cosmos.

Micael vislumbra como é impossível que o homem não entre em contato com esses seres, na medida que vai alcançando um uso cada vez mais pessoal da inteligência, vendo-se tentado a estabelecer alianças com Ahriman e cair presa dele. Então Micael inclina as forças ahrimânicas aos seus pés, empurrando-as cada vez mais para as regiões inferiores, abaixo do nível onde o homem leva a cabo o seu desenvolvimento. Micael, com os seus pés sobre o dragão, derruba-o ao abismo – tal é o estupendo quadro que vive na consciência humana destes fatos no mundo suprassensível.” – Rudolf Steiner, GA 26

Neste trecho ele cita a atuação de forças ahrimânicas, porém temos hoje grande influência de outra hierarquia – Sorath (também prevista por Steiner para o atual período), onde sua influência conduz ao caminho da bestialização e animalidade do ser humano, em direção contrária aos Impulsos Crísticos. Perceba que independe de inteligência intelectual, essa animalidade, agressividade, intolerância e desumanização podem surgir no indivíduo subjugando as forças do coração.

Leonardo Maia


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Titular: Leonardo André Fonseca Maia




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