NOSSO MAIOR DESAFIO: A SUPERAÇÃO DA POLARIZAÇÃO


NOSSO MAIOR DESAFIO: A SUPERAÇÃO DA POLARIZAÇÃO

Leonardo Maia


O ódio ideológico (disfarçado em muitos aspectos que podemos julgar corretos) atua num conjunto global de forças para polarizar e separar com justificativas que possuem raízes em questões muito antigas e ancestrais, apoiadas em aspectos primitivos que já podem e devem ser superadas no indivíduo.


Somos todos vítimas: este impulso do ódio que gera mais ódio atinge a todos nós jogando-nos uns contra os outros, onde a fonte de manifestação é o indivíduo, mas ele está inconsciente. Isto é muito sério, pois seu impacto causa um mecanismo de espelhamento e replicação no outro indivíduo, que não considera o aspecto da inconsciência do outro ser humano e acaba gerando uma corrente de ódio polar que está crescendo e dominando a tudo e a todos…

Esta força precisa manifestar nos indivíduos para atuar no mundo e gerar o espelhamento na outra polaridade – criando o conflito e a corrente de ódio crescente. O ódio expressado reflete e gera uma raiva e indignação que pode ser transformada (e muitas vezes é) em mais ódio, um ódio polar.

Apenas como exemplo: como ódio entre torcidas. Este ódio pode dominar quem mergulha muito profundamente na energia específica – neste caso, de quem adora futebol, o torcedor fanático. Basta o encontro entre torcedores de times rivais que uma força intensa de antipatia acontece – não conheço o indivíduo, não fez nada contra mim, mas um sentimento negativo subjuga a individualidade e toma conta do meu ser.

Hoje temos uma polarização explícita nas ideologias que, como um fanatismo religioso, é alimentado como uma doutrina.

Com a potencialização desta força de ódio crescente, a dificuldade de sobrepor sua atuação no EU cresce e cada vez mais as pessoas sucumbirão a sua atuação na individualidade – como numa explosão de raiva onde perdemos a cabeça, geralmente causada por alguma pressão que sofremos relacionada a desafios ou contextos que causam um estresse o qual ultrapassa nosso limite de domínio, gerando esses discursos de ódio, ataques pessoais e “cancelamento”.

Este tipo de reação inflamada remove a clareza (no pensar), a cordialidade (no sentir) e prudência (no agir), aspectos essenciais para gerar reflexões e buscar soluções para criar uma ponte em direção a harmonia social, baseada em princípios como a Liberdade, Fraternidade, Respeito e Dignidade de todos os indivíduos.

Outro princípio que é manifestação de forças adversas é o da pessoalidade. Devemos manter a impessoalidade e conseguir separar o indíviduo do erro e preservar a possiblidade de redenção humana. Todos nós estamos em processo de desenvolvimento e erramos, e devemos nos responsabilizar pelos nossos atos, porém temos uma onda de reação de “cancelamento” pessoal: qualquer erro torna a pessoa imperdoável. Isto impede o reconhecimento do outro indivíduo e de seu próprio caminho pessoal em direção à consciência através da redenção, pois todos erramos e devemos nos responsabilizar por nossos erros, porém o tornar imperdoável, através do “cancelamento”, é matar a semente divina no outro – o próprio EU Crístico, este é o princípio da indiferença. Lembre-se que o ato pode ser imperdoável, porém o ser humano não o é.

O ódio ideológico (disfarçado em muitos aspectos que podemos julgar corretos) atua num conjunto global de forças para polarizar e separar com justificativas que possuem raízes em questões muito antigas e ancestrais, apoiadas em aspectos primitivos que já podem e devem ser superadas no indivíduo.

Acontece que também é necessário a supressão da individualidade para que estas correntes atuem na mente – isso nos remete ao processo mencionado por Steiner de forças que nos direcionam para a chamada “Antiga Lua” – e por isso, existe um trabalho em direção ao enfraquecimento do EU (individualidade), para que não tenhamos presença de Espírito (Vontade) suficiente para nos libertamos das corrente ancestrais que ainda carregam “traumas” de fases primitivas do processo de desenvolvimento da humanidade, correntes que vem de grupos, nações, familiares e finalmente chegando aos individuais… Muitos destes traumas possuem raízes na mente inferior do ser humano, em seus aspectos mais instintivos e primitivos, que ainda são alimentados para que continuemos mergulhados neles e continuemos na inconsciência para assim, replicarmos as forças coletivas que nós mesmos acabamos alimentando…

Ao mesmo tempo, devido ao nosso desenvolvimento intelectual, são necessárias justificativas para a expressão deste ódio, por mais dissolvida que esteja a individualidade. Por isso temos, por exemplo, as correntes de “fake news” comums hoje em dia na internet, para alimentar o ódio ao “outro lado”… utilizo essas informações para justificar a minha expressão de ódio – algo similar aconteceu na Alemanha nazista onde a propaganda foi muito utilizada para “convencer” a massa a apoiar a doutrina nazista.

É importante notar que quão menor é a presença do EU, menor a capacidade de ponderação do indivíduo, que ao se ver inserido num universo de redes sociais virtuais, quase que invisível, se sente um tanto blindado e não exita em expor sua faceta sombria.

A necessidade de superação dessa polarização social é onde percebo o maior desafio da atualidade.

Leonardo Maia


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