O BEM E O MAL


The Advent of Ahriman – parte 7:

O BEM E O MAL

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“Todo mal atua em uma esfera da inconsciência, sempre em algum nível. “


Para resumir esta descrição da tríade de correntes espirituais: os conflitos da vida humana e espiritual não derivam de uma guerra simples, bilateral, entre o bem e o mal. Foi uma das grandes idéias de Steiner renovar o ensino antigo da “Média de Ouro”, que é o caminho intermediário entre extremos opostos.

Lúcifer é muito quente, muito volúvel, muito instável; ele inspira o fanatismo humano, o falso misticismo, o sangue quente e a tendência de fugir da realidade terrena em busca de prazeres alucinatórios.

Ahriman é muito frio, muito duro, muito rígido; ele tenta tornar as pessoas secas, prosaicas, filistinas, materialistas em pensamentos e ações – e endurece o que seria saudável em movimento, pensamentos, sentimentos e até seus corpos.

Cristo, como um exemplar dos deuses regulares, representa o caminho do meio entre o excesso e o muito pouco, mantendo os opostos em equilíbrio – e levando a humanidade a encontrar o caminho do meio saudável.

Observando dessa perspectiva, Lúcifer e Ahriman não são puramente maus; ambos trazem para a evolução humana e terrena as forças necessárias para um desenvolvimento bom e saudável e para o cumprimento dos planos divinos. O mal resulta somente quando os eventos desequilibram e correm para extremos. No entanto, nem Lúcifer e Ahriman simplesmente se opõem; de certo modo, eles trabalham juntos em oposição à intenção dos deuses em evoluir; ambos trabalham para impedir que a humanidade e a Terra progridam juntas para o Novo Júpiter (próxima encarnação planetária).

Lúcifer afasta os espíritos humanos da personificação terrena em direção ao seu próprio “planeta” psíquico-espiritual de luz; Ahriman empurra o espírito humano individual para fora do organismo humano e para longe da terra, de modo que apenas um organismo humano endurecido, mecanizado e fantasmagórico, desprovido de individualidade livre e vivendo uma espécie animalesca instintiva, mas inteligente, permaneça na vida endurecida “escória cósmica” da Terra (cercada por forças da Velha Lua – encarnação planetária anterior à atual).

A tarefa legítima da humanidade para o presente é levar uma vida de alternância saudável e progressiva entre a terrena e a cósmica (vida, morte e renascimento), de modo a levar a Terra ao Novo Júpiter.

O profundo mistério do mal é que, em um sentido superior, a longo prazo, serve ao bem. Para não implicar que seríamos justificados em fazer o mal com a racionalização de que o bem resultaria.

“… deve ser necessário que as ofensas venham; mas ai daquele homem por quem a ofensa vier!” [Mateus 18; VII]

A verdadeira imagem das obras do mal pode ser ainda mais complexa do que a descrita acima. Steiner fez algumas declarações que podem ser interpretadas como indicativas de uma terceira corrente de espíritos de oposição: os “Asuras” (um termo oriental emprestado), que são Arcanjos atrasados que trabalham para destruir o “Eu” humano, o próprio Ego. Os Asuras podem ser agentes do anticristo real, o Demônio do Sol, conhecido pelo ocultismo como “Sorat” (ou “Sorath”). Em algumas passagens, Steiner identifica a Besta Apocalíptica 666 como Sorat, não diferenciando claramente os princípios ahrimanic e soratic.

Embora pareça verdade que a interpretação numerológica da ortografia hebraica de “Sorat” fornece o número 666, ainda a posição de Sorat em relação a Lúcifer e Ahriman não é totalmente clara (para este escritor). Uma possível solução para essa pergunta pode seguir-se das imagens do Apocalipse: Michael expulsa o dragão do céu; imediatamente depois surgem as duas “bestas” – a primeira do mar (Lúcifer) e a segunda da terra (Ahriman).

Assim, Lúcifer e Ahriman aparecem na terra como dois seres ou princípios, mas eles são descendentes do único espírito de oposição – o Dragão – no céu. Se identificarmos o Dragão, o Anticristo, como Sorat, podemos imaginar Lúcifer e Ahriman como as mãos esquerda e direita de Sorat.

Cristo se esforça para manter Lúcifer e Ahriman em equilíbrio para que eles sirvam ao bem, enquanto Sorat se esforça para mantê-los fora de equilíbrio, para que trabalhem pela destruição. Enquanto Lúcifer procura atrair o “eu” humano, o Ego para seu próprio “planeta” (na verdade “esfera” espiritual), e Ahriman procura endurecer a terra e o organismo humano para que nenhum Ego possa viver em um humano na terra, Sorat – através dos Asuras – procura destruir o próprio ego, juntamente com a terra.

Sorat usa Lúcifer e Ahriman como espíritos de sedução para mascarar sua verdadeira intenção de pura destruição. E Sorat se manifesta na evocação social como pura destruição, especialmente nas guerras e assassinatos em massa do nosso século.

Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

Acredito ser importante transcender a concepção personificada de cada uma das entidades, principalmente por suas perspectivas hierárquicas, que transcendem a esfera humana, permeando-a. Apesar as suas personificações contribuírem para a concepção de suas naturezas e atuação na Hierarquia humana, se ater exclusivamente ao símbolo personificado, limita-se a compreensão mais profunda da atuação dessas “forças”.

Sorath – a antípoda de Cristo, eleva-se acima das Hierarquias de Ahriman e Lúcifer tal qual Cristo, por isso ambos atuam em tais “forças” – Cristo equilibrando e Sorath desequilibrando. O equilíbrio gera o fortalecimento do EU, no caminho em direção à décima Hierarquia: o ser da Liberdade e ao Amor. O desequilíbrio, anula o EU, numa perspectiva retrógrada do desenvolvimento de evolução, na perspectiva Luciférica ou Ahrimânica – gerando a alienação ou fanatismo em Lúcifer ou a robotização e mecanização, seres automatizados sem liberdade vivendo instintivamente numa consciência animalesca em Ahriman.

Outro ponto crucial é o papel da consciência desperta pontual, que vem da própria individualidade, que seria o próprio impulso Crístico de equilíbrio consciente em relação às perspectivas e impulsos que se apresentam ao indivíduo, fazem-do decidir de forma consciente e atuar através de seu próprio impulso (Vontade – EU) e não ser jogado pelas forças para lá e para cá, agindo através de impulsos instintivos ou tomando decisões pautadas em crenças cegas ou inconscientes.

Por isso a necessidade do fortalecimento do EU para que o “plano regular da evolução”, que seria outro aspecto a ser ponderado neste contexto, porém delicado – o que seria plano regular de evolução e que acarreta a saída de tal plano?

Por fim, acho essencial pontuar a colocação: “O profundo mistério do mal é que, em um sentido superior, a longo prazo, serve ao bem.” Este ponto traz o aspecto que o impulso inferior reverbera na elevação da consciência em direção à Luz (sabedoria). Porém a atuação consciente atua na esfera superior e não na inferior. Portanto não se tornarás veículo do Mal… pois a dor forçará a consciência novamente para a esfera superior: “Mas ai daquele homem por quem a ofensa vier!”. Todo mal atua em uma esfera da inconsciência, sempre em algum nível.

Leonardo Maia

CONTINUA PARTE 8 em breve: “Quando e onde?”

Link para a parte 1:

ESPÍRITO E ALMA

Link para a parte 2:

Seres espirituais e evolução terrena

Link para a parte 3:

SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN

Link para a parte 4:

AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS

Link para a parte 5:

A Degradação da Linguagem

Link para a parte 6:

Ahriman na cultura


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:


 AJUDE A MANTER A BIBLIOTECA NO AR:




Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *