O HOMEM COLETIVO E O DINAMISMO INCONSCIENTE


O HOMEM COLETIVO E O DINAMISMO INCONSCIENTE

Leonardo Maia


No seio da massa, o homem desce inconscientemente a um nível moral e intelectual inferior, que sempre existe sob o limiar da consciência, desencadeando-se os dinamismos profundos do homem coletivo, podendo libertar as feras e demônios que dormitam no fundo de cada indivíduo.


Tanto Rudolf Steiner quanto Jung concordam sobre a questão da individualidade estar dissolvida nas etapas anteriores do desenvolvimento da humanidade, tema que tem profunda relevância nas antigas Escolas de Mistérios.

Mas existe o perigo do retrocesso dentro do caminho em direção a individuação, que pode levar a dissolução da individualidade dentro das mentes coletivas, algo que atua acima das capacidades do EU individual, acima da Vontade individual, que pode, inclusive, ser enfraquecido por inúmeros processos.

O ser humano perde a capacidade de discernimento e perspectiva individual e atua conforme o fluxo coletivo, sendo incapaz de discernir inclusive, entre o bem e o mal, atuando conforme essas forças coletivas o impulsionam dentro de suas ações no mundo.

Disse Carl Gustav Jung:

“O homem tem, de fato, motivos suficientes para temer as forças impessoais que se acham ocultas em seu inconsciente. Encontramo-nos numa feliz inconsciência, uma vez que tais forças jamais, ou pelo menos quase nunca, se manifestam em nossas ações pessoais e em situações normais. Por outro lado, quando as pessoas se reúnem em grande número, transformam-se em turba desordenada, desencadeando-se os dinamismos profundos do homem coletivo: as feras e demônios dormitam no fundo de cada indivíduo, convertendo-o em artícula da massa. No seio da massa, o homem desce inconscientemente a um nível moral e intelectual inferior, que sempre existe sob o limiar da consciência, e o inconsciente está sempre pronto para irromper, logo que acorra a formação e atração de uma massa…

…Quanto mais retrocedermos na história, tanto mais veremos a personalidade desaparecendo sob o manto da coletividade. E quando chegamos à psicologia primitiva, nem vestígios encontramos do conceito de indivíduo. Em vez de individualidade, só acharemos relacionamento coletivo ou “participação mística” (participation mystique)… O que entendemos sob o conceito de “indivíduo” é uma aquisição relativamente nova na história do pensamento e cultura humanos.”

Vale muito relacionar tais colocações de Jung com as “Encarnações Planetárias”, principalmente no que se trata da encarnação anterior (Antiga Lua) e a atual (Terra). Em relação à individualidade (EU), Steiner também alertou que o enfraquecimento da Vontade sob atuação de certas forças adversas, tende a jogar o indivíduo em dinamismos do homem coletivo que inconscientemente pode descer a um nível moral e intelectual inferior.

Leonardo Maia


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