O indivíduo como membro da humanidade


O INDIVÍDUO COMO MEMBRO DA HUMANIDADE

Fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil


“O fato de uma pessoa isolada sentir-se como individualidade não exclui que ela também se sinta unida a toda a humanidade. Na evolução humana ninguém tem o direito de sentir-se como individualidade caso não se sinta, ao mesmo tempo, membro de toda a humanidade.”

Rudolf Steiner


Basicamente, a trimembração da sociedade e de qualquer organismo social baseia-se em algo que costumo expressar como uma “Lei Individual-Social”, isto é, uma lei que vale para todos os indivíduos enquanto seres sociais:

“Todo ser humano é um ser com necessidades e habilidades, que interage com outros seres humanos; nessa interação, parte de suas necessidades são satisfeitas pelas habilidades de outros, e parte de suas habilidades são exercidas em atuação para ou com outros seres humanos.”

Essa lei é absoluta: não existe nenhum ser humano vivendo em sociedade que não tenha que segui-la. Nesse sentido, ela é tão inexorável e objetiva quanto qualquer lei da natureza. Ela deriva da constituição física, anímica e espiritual do ser humano atual.

A partir da Lei Individual-Social chega-se a características fundamentais ligadas aos âmbitos que ela abrange::

1. Na satisfação das necessidades, o espírito básico deve ser o de fraternidade ou solidariedade. De fato, se alguém consome demais, outra pessoa terá necessariamente que consumir de menos. A produção de bens tem a finalidade de satisfazer necessidades físicas e culturais das pessoas, de modo que ela deveria seguir esse espírito básico, por exemplo produzir-se aquilo que é realmente necessário, sem induzir necessidades.

2. No exercício de habilidades, o espírito básico deve ser o de liberdade. Esse exercício engloba toda a criatividade, seja ela social, artística, intelectual e científica. É óbvio que a falta de liberdade em funções criativas prejudica essas funções. No entanto, essa liberdade deve existir inclusive no trabalho e na prestação de serviços, como por exemplo no caso de um professor ou um médico ou terapeuta.

3. No relacionamento humano, o espírito básico deve ser o de igualdade, isto é, cada pessoa deve encarar o outro com um adulto responsável; as regras de convivência, os acordos e contratos devem ser estabelecidos encarando-se as partes envolvidas como seres iguais em relação a direitos e deveres.

Da Lei Individual-Social poderia-se considerar:

– Em uma comunidade, a satisfação das necessidades é tanto mais adequada à vida quanto mais emanar da fraternidade (solidariedade) para com os outros e será tanto mais inadequada quanto se procurar atingir vantagens pessoais.

– Em uma comunidade de trabalho, este é tanto mais frutífero quanto mais for estruturado a partir da liberdade individual, e tanto mais estéril quanto mais ocorrer por determinação alheia.

– Em um grupo de pessoas ou em instituições, os acordos e contratos são tanto mais viáveis e robustos quanto mais eles emanarem da igualdade de condições das partes envolvidas, e serão tanto mais frágeis quanto mais provierem do exercício de poder de uma das partes.

É importante salientar que as necessidades dos seres humanos não são apenas físicas, como as de alimentação, vestuário, moradia, transporte, etc. Há necessidades culturais, como a educação e a autoeducação, o contato com obras artísticas e científicas, a obtenção de informação e conhecimento, etc. Há ainda necessidades essencialmente individuais, como a possibilidade de perseguir e concretizar um ideal, realizar-se na vida, etc. Também existem habilidades que não são puramente físicas, como resolver conflitos entre pessoas, ter novas idéias, ser criativo, etc.

Em termos da sociedade como um todo, Steiner propôs que ela fosse dividida em três membros:

1. O setor de produção, distribuição e consumo de bens, e tudo o que tem a ver com a satisfação de necessidades (incluindo as não-físicas), que ele denominou de vida econômica (Wirtschaftsleben). O seu espírito básico deve ser a fraternidade. A aplicação das inúmeras ideias de Steiner sobre esse setor é denominada de economia associativa.

2. O setor que regula o relacionamento entre as pessoas, que ele denominou de vida jurídica (Rechtsleben). O seu espírito básico deve ser a igualdade.

3. O setor envolvido em todo exercício de habilidades e prestação de serviços, que ele denominou de vida espiritual (Geistesleben).O seu espírito básico deve ser a liberdade.

Numa tradução mais literal ter-se-ia que usar em cada caso dois substantivos: vida da economia, vida do direito e vida do espírito.

Steiner disse ainda que a grande meta da humanidade é o desenvolvimento da vida espiritual; os outros setores devem servir de base para que os indivíduos possam desenvolver a liberdade, a criatividade e o autodesenvolvimento espiritual.

Fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil


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