O LADO POSITIVO DA SITUAÇÃO


O LADO POSITIVO DA SITUAÇÃO

Sara Justo

Fonte: sarajusto.com

Tradução livre: Leonardo Maia


Às vezes precisamos perder o que temos para perceber o que é realmente importante.


A primeira coisa que pula à mente em uma situação de emergência sanitária e social como a que estamos vivendo é o negativo, as chances que temos de passar mal, de adoecer, de contagiar os outros, de que haja escassez de alimentos, de carência de serviços, de afundamento da economia… uma infinidade de problemas graves e muitos deles totalmente reais que nos paralisam ou nos levam ao pânico e ao caos mais absoluto. Queremos fugir da situação, afastar-nos, e nós fazemos isso mesmo fingindo que nada acontece e indo para a praia em plano de férias, negando a realidade. Ou corremos para o supermercado esvaziar suas prateleiras, com a angústia da escassez, provavelmente herdada de um passado não tão distante.

Nosso cérebro reage com ânsia de sobrevivência e, até que não se passe algum tempo, não somos capazes de ver nada além da nossa própria necessidade, o perigo a que estamos expostos e os inconvenientes que nos possa causar a situação.

E, no entanto, quando aquietas um momento todos esses pensamentos, quando você olha pela janela e vê como o sol brilha, como cantam os pássaros, como estão brotando as folhas nas árvores da sua rua, cada dia mais verdes e frondosos, aparece outro tipo de consciência.

De repente você percebe que esta situação fez com que a indústria trave de golpe, o que não conseguiu todo o alarme e a tentativa de sensibilização para as alterações climáticas, por mais que nos esforçássemos. A poluição na China e em muitos outros países, mesmo que seja momentaneamente, reduziu drasticamente, tanto pela indústria como pela minimização das deslocações, conduzindo a uma necessária melhoria da qualidade do ar que respiramos.

Você percebe que, um dos problemas mais graves que há na nossa sociedade, que é o stress e esta vida de loucos em que não temos tempo nem para dar atenção de qualidade à nossa família, na qual a infância corre daqui pra lá, de uma atividade extrescolar para outra, sem tempo para brincar, ou sob o cuidado de outras pessoas durante longas horas, de repente se inverte, e temos famílias inteiras reunidas em casa, aprendendo a passar tempo juntos, redescobrindo jogos de sua infância, maneiras de desfrutar, convivendo e distribuindo as tarefas, responsabilizando-se em partes iguais do necessário.

Você percebe que o homework, em muitos casos, é possível, e também outra forma de nos organizar que proporcione maior conciliação entre a vida profissional e a família, que permita que possamos viver em áreas rurais, descongestionando as cidades e reduzindo a poluição produzida pelos deslocamentos diários.

E você também percebe o que é que realmente é necessário, quais são os produtos de primeira necessidade, como se sentem as pessoas que vivem em países onde a incerteza sobre se terão acesso a alimentos é o pão de cada dia.

E como muitas vezes nos trancamos em casa ou no trabalho por escolha, presos das redes sociais, da televisão, do computador, de tarefas intermináveis, em vez de desfrutar de um passeio pelo campo ou de um café com alguém amado.

E sim, infelizmente, esta situação constituirá uma grande crise económica para muitos países, para muitas pessoas. É inevitável, mas, como diz um bom amigo, é preciso abraçar o inevitável, fazê-lo nosso e transformar o que for possível em nós para seguir em frente e sairmps fortalecidos desta experiência.

Às vezes precisamos perder o que temos para perceber o que é realmente importante.

Se esta situação nos ajuda a refletir, a passar tempo de qualidade com a nossa família ou com nós mesmos, a perceber que podemos viver com muito menos, a valorizar sair para a rua e poder encontrar-se com outras pessoas, a compreender o sentir cotidiano de outras pessoas que não têm os nossos privilégios, a descobrir o que é verdadeiramente essencial e como preservá-lo… teremos ganhado muito.

E se além disso aproveitamos esta pausa para nos dedicar a coisas que nos fazem bem, para cozinhar e comer saudável, meditar, fazer yoga, cantar, escrever, colocar em ordem as nossas vidas, limpar a nossa caixa de e-mail, aprender uma nova língua, resgatar tudo aquilo que deixamos na gaveta das coisas para as quais não temos mais tempo… então teremos ganho mais ainda.

Ânimo!!!

Sara Justo


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