O olhar de um pai Waldorf para seus filhos

O olhar de um pai Waldorf para seus filhos

Alex Palermo Ramos

Fonte: www.blog.associacaoesperanto.com.br – clique e conheça

Pai Waldorf

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“Não somos nós que dedicamos o nosso valioso tempo aos nossos filhos, mas sim, o contrário: são eles que estão nos dando esse tempo, que é curto… amanhã, esse tempo será o tempo deles.”

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Em primeiro lugar gostaria de agradecer a oportunidade de ter sido convidado para escrever esse texto que me trouxe tantas questões e reflexão. E poder contribuir, de certa forma, para esse processo em formação de uma comunidade antroposófica, com o intuito da criação de uma escola Waldorf na cidade de Indaiatuba.

Apesar dos meus dois filhos não estudarem em uma escola de Pedagogia Waldorf, devido à inexistência na época, em Indaiatuba (deslocarmo-nos de cidade pareceu muito árduo a todos), preciso confessar que me sinto imensamente feliz ao tomar ciência desse movimento.

Quando fui convidado para escrever esse artigo sobre ser um pai de formação Waldorf e como isso influenciou e influencia na minha paternidade, me vi diante de um grande paradoxo, pois meus filhos não são alunos Waldorf e talvez por isso nunca houvesse sequer sido ponderada a possibilidade de ser um pai Waldorf. No entanto, agora refletindo melhor e vendo-me nortear o olhar a um novo horizonte, o tema parece-me muito pertinente e interessante, pois, nessa minha nova leitura, consigo os enxergar como sendo filhos de um pai Waldorf.

A minha iniciação na Escola Rudolf Steiner de São Paulo, antiga escola Higienópolis (a primeira Waldorf do Brasil), deu-se em 1976 quando iniciei o jardim da infância. Nela eu percorri todos os passos e estágios que uma criança percorre ao longo dos quatorze anos escolares até a minha formatura no colegial. Quando de lá saí, fui fazer arquitetura e urbanismo, profissão que exerço. Ao me formar na universidade, me convidaram para voltar à escola – um convite inimaginável até então, e não menos irrecusável; e se foram mais 14 anos, somando 28 viagens com duração de 10 dias cada, ministrando o curso de agrimensura para os alunos dos 11º anos. Foi uma experiência pessoal extremamente rica, onde consegui entender muito da minha formação escolar e meu contato com o mundo.

Em 2010, eu que já era pai de duas crianças, decidi que era hora de parar, dar um tempo nessa longa história, para escrever uma nova: a paternidade, que é a maior divindade que me pode acontecer, do cuidar de um recém-nascido até o descobrir do Eu encarnando aos poucos em uma criança; esse Eu tornando-se único e descobrindo o mundo, deixando de ser a mãe para se transformar em um novo Ser e descobrir o seu Eu (até cerca de três anos de idade, a criança se vê como extensão da mãe, animicamente se sente parte dela ainda).

As fases são imensamente ricas e geniais. Tudo o que os meus filhos têm a mostrar, do cuidado inicial e conforme eles crescem, se transformam em atenção e afeto. Para mim, é necessário compormos a qualidade de tempo juntos. Acredito que aprendo muito com os meus filhos e talvez até mais do que eles aprendem comigo. É uma troca muito rica, podemos pensar como um amigo disse: ”não somos nós que dedicamos o nosso valioso tempo aos nossos filhos, mas sim, o contrário: são eles que estão nos dando esse tempo, que é curto… amanhã, esse tempo será o tempo deles”.

Minhas crianças são duas: Francesco, 8, e Gioconda, 6. Estão terminando o primeiro setênio e iniciando o segundo; são crianças tranquilas e interessadas no descobrir do mundo. Creio que o lar, a família, os pais os tornam crianças saudáveis que não adoecem fácil. A Monica é uma mãe atenta e afetiva. Ser pai revelou-se para mim um amor absoluto, porém consciente, maduro! É preciso amar de forma incondicional, contudo não de forma irracional, para atingirmos propósitos como pai e educador; e é responsabilidade da família dar educação para as crianças. Talvez seja por isso que uma escola Waldorf depende tanto dos pais, é impossível uma Pedagogia Waldorf dar certo sem o apoio e cooperação da família. Para mim, vivenciar da gestação ao nascimento de uma criança foi indescritível, e poder vivenciar esse novo Ser, descobrir nele o seu Eu, é infinitamente rico.

Já na educação escolar dos meus filhos, sou atuante na escola onde estudam e, juntamente com outros pais e a direção, criamos um conselho de pais. É importantíssimo poder participar desse processo, a família é essencial para essa formação escolar e, apesar de não estudarem em um colégio Waldorf, essa formação fará parte deles, pois está em mim e, consequentemente, faz parte da família deles.

Para terminar, quando contei a eles que escreveria um artigo sobre ser um pai Waldorf, perguntei a eles o que achavam que me diferenciava dos outros pais não Waldorf. Além de elogios que não cabem aqui, eles me falaram que eu era diferente de outros pais, pois eu falava “não!” e sabia fazer um monte de coisas distintas (trabalhos manuais).

Para saber mais:

A Associação Esperanto mantém grupo de estudo sobre Antroposofia e Pedagogia Waldorf em página privada no Facebook e em reuniões presenciais. Para participar ou obter mais informações, contate o e-mail: waldorf.group.idt@gmail.com

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