O que acontece na infância, não fica na infância…

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA. NÃO FICA NA INFÂNCIA…

Carolina Vila Nova

Fonte: lounge.obviousmag.org


“Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. Ser criança é estar aberto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças? Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.”


Afinal, porque tratamos de assuntos da nossa vida infantil em consultórios psicológicos e psiquiátricos, quando na verdade estamos buscando algo para a vida adulta? A felicidade no amor, paz na família, sucesso na vida profissional e tantos outros diferentes e desejados propósitos parecem estar todos conectados com um segredo lá atrás, na infância de cada um de nós…

Será mesmo?

Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.

Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.

Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?

Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.

Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.

Ser criança é estar aberto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?

Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.

Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.

Porque o que acontece na infância, não fica na infância.

Mas fica… para a vida toda!


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14 opiniões sobre “O que acontece na infância, não fica na infância…”

  1. Lembramos da infância o amor o carinho das pessoas, as brincadeiras, a liberdade,etc mas também lembramos dos,complexos,preconceitos, neuroses que os nosso pais ou educadores nos passaram…Deveria ter vestibular e faculdade para que nos preparássemos para ser pais…

  2. Texto muito edificante, porém não concordo com "O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.". Boba ou tola são termos rasos e amenizam o mal de que a ação está repleta.

  3. O pior é que muitas vezes qdo adultos não lembramos dessas atitudes, o cérebro bloqueia. Quando temos alguma dificuldade na vida adulta sentimos que essa brecha está lá em algum lugar do nosso subconsciente atrapalhando nossas decisões.

  4. Lembro da minha infancia foi linda ,pois au mesmo tempo dolorosa !!!meu pai era um amor !!!minha e era uma pessoa agressiva q me batia ate sangra fui queimada com colher quente ,queimo meu pe ,quebrou muita vezes minha cabeza,cara , dente ,etc fiquei muitas veces pelada jogada em um chao sem coberta ,nem podia abrir meus olhos das porradas q levei ,,hoje em dia sou adulta e tem 4filhos que eu nunca machucaria por eu sei q e dolor !!!!

  5. "Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano". Certamente, muitas mães fariam o mesmo SE PUDESSEM LARGAR O EMPREGO E O SALÁRIO DO FINAL DO MÊS para isso. Aliás, muitas mães que eu conheço são as maiores responsáveis, quando não a única, que traz dinheiro para o sustento da casa e da família no final do mês. Vamos, então, julgar as mães que não pararam de trabalhar para poder dar atenção 24 horas por dia para seus filhos na infância? E o papel dos pais? E onde é que está escrito que uma mãe que trabalha fora não pode ser dedicada, atenciosa, carinhosa e atenta às necessidades psicológicas e emocionais de seus filhos?

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