O USO DESCONTROLADO DE DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS DA NOVA GERAÇÃO


O USO DESCONTROLADO DE DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS DA NOVA GERAÇÃO

por Irene Hernández Velasco

Fonte: BBC News Mundo


Os principais alicerces da inteligência – linguagem, concentração, memória, cultura (definida como um corpo de conhecimento que nos ajuda a organizar e compreender o mundo) – são afetados pelo uso descontrolado de dispositivos eletrônicos: diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares; perturbação do sono, que é quantitativamente reduzido e qualitativamente degradado; superestimulação da atenção, levando a distúrbios de concentração e aprendizagem; subestimulação intelectual.


“A Fábrica de Cretinos Digitais” é o título do último livro do neurocientista francês Michel Desmurget, diretor de pesquisa do Instituto Nacional de Saúde da França. Ele apresenta uma série de dados e estudos acerca do efeito perverso que o uso descontrolado de dispositivos eletrônicos tem sobre o desenvolvimento neural de crianças e jovens: uma geração menos inteligente.
Para o pesquisador, os pais permitem que os filhos sejam expostos a uma orgia digital empobrecedora que poderá causar danos permanentes e levar a humanidade um cenário dramático, muito próximo ao da distopia de Aldous Huxley, “Admirável Mundo Novo”.

Desmurget estima que, pela média atual de exposição, antes de completar 18 anos, a atual geração terá passado o equivalente a 30 anos letivos em frente às telas.

Em nenhum momento ele defende o fim de videogames, a proibição de assistir televisão ou a interrupção da “revolução digital”. Mas adverte para o perigo dos excessos e do lobby de uma indústria bilionária a se valer de pesquisas frágeis. Por fim, sugere que os pais busquem informação ampla e usem a velha e boa técnica de estabelecer limites e horários para os filhos.

“Simplesmente não há desculpa para o que estamos fazendo com nossos filhos e como estamos colocando em risco seu futuro e desenvolvimento”, disse Desmurget na entrevista que concedeu à BBC (link no fim deste texto).

Resumi em dez itens as informações trazidas pelo neurocientista:

1) Os testes de QI apontaram que as novas gerações são menos inteligentes que as anteriores, inclusive em países onde fatores socioeconômicos têm sido estáveis por décadas. Os “nativos digitais” são os primeiros a ter QI inferior ao dos pais em lugares como Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França.

2) Sobre estudos que afirmam que os videogames ajudam a obter melhores resultados acadêmicos, Desmurget não tem meias palavras: “Digo com franqueza: isso é um absurdo. Essa ideia é uma verdadeira obra-prima de propaganda. Baseia-se principalmente em alguns estudos isolados com dados imprecisos, que são publicados em periódicos secundários, pois muitas vezes se contradizem”.

3) Vários estudos sérios demonstraram que quando o uso de televisão ou videogame aumenta, o QI e o desenvolvimento cognitivo diminuem.

4) Os principais alicerces da inteligência afetados são: linguagem, concentração, memória, cultura (definida como um corpo de conhecimento que nos ajuda a organizar e compreender o mundo). Esses impactos levam a uma queda significativa no desempenho acadêmico.

4) As causas da queda no desenvolvimento se devem à diminuição da qualidade e quantidade das interações intrafamiliares (essenciais para o desenvolvimento da linguagem e da emoção); perturbação do sono, que é quantitativamente reduzido e qualitativamente degradado; superestimulação da atenção, levando a distúrbios de concentração e aprendizagem; subestimulação intelectual, que impede o cérebro de desenvolver todo o seu potencial.

5) O tempo gasto em frente a uma tela para fins recreativos atrasa a maturação anatômica e funcional do cérebro em várias redes cognitivas relacionadas à linguagem e à atenção.

6) Atividades relacionadas à escola, trabalho intelectual, leitura, música, arte e esportes têm um poder de estruturação e nutrição muito maior para o cérebro do que as telas.

7) É difícil dizer aos filhos que as telas são um problema quando os pais estão constantemente conectados aos smartphones ou consoles de jogo.

8) Vários estudos – inclusive um relatório da União Europeia – desmentem a crença de que os nativos digitais têm alta performance no uso de computadores. Ao contrário, tais estudos mostram baixa competência digital de crianças e adolescentes superexpostos aos eletrônicos. Também indicam que eles não são muito eficientes no processamento e compreensão da vasta quantidade de informações disponíveis na internet. Em resumo, são bons apenas para usar aplicativos digitais básicos, comprar produtos online, baixar músicas e filmes.

9) Alguns países estão começando a legislar contra o uso de telas. O pesquisador não defende leis draconianas, mas a garantia de que os pais receberão informação abrangente e de qualidade.

10) Se a orgia digital não parar, Desmurget acredita que haverá um aumento das desigualdades sociais e uma divisão progressiva da sociedade entre uma minoria de crianças preservadas da superexposição (que possuirão, por intermédio da cultura e da linguagem, todas as ferramentas necessárias pensar e refletir sobre o mundo), e uma maioria de crianças com ferramentas cognitivas e culturais limitadas incapazes de compreender o mundo e agir como cidadãos cultos.

Sugiro a leitura completa e atenta da reportagem abaixo:
https://www.bbc.com/portuguese/geral-54736513


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Uma opinião sobre “O USO DESCONTROLADO DE DISPOSITIVOS ELETRÔNICOS DA NOVA GERAÇÃO”

  1. Excelente! Seria legal um artigo vindo de você falando sobre como se distanciar das telas. Tipo, um manual de detox de telas, e o que fazer sem elas <3 Amo seus textos!

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