OS MERAMENTE DEVOTOS DA CIÊNCIA ESPIRITUAL


OS MERAMENTE DEVOTOS DA CIÊNCIA ESPIRITUAL

Rudolf Steiner – GA 188

Tradução livre: Leonardo Maia


“O impulso do amor deve ultrapassar o núcleo da intelectualidade (Ahriman) e toda ordem fantasiosa (Lúcifer) e permear verdadeiramente a Alma individual em sua ação no mundo…


Aqueles que são meramente devotos, até devotos na ciência espiritual, são tão responsáveis pelas catástrofes do tempo presente quanto os capitalistas com suas atitudes e mentalidade materialistas.

O capitalismo extremo tem, portanto, de um lado, essa vida moral-espiritual terrivelmente abstrata, que busca separar-se inteiramente de todas as realidades externas da existência. Há, no entanto, outra atitude na vida moderna que exerceu uma influência tão maligna quanto, como o capitalismo materialista, que é aquela atitude que induz as pessoas a dizer:

“O que eu me importo com Ahriman! Deixe Ahriman ser Ahriman; Eu me dedico aos impulsos do meu íntimo da alma, me entrego ao mundo espiritual. Busco o mundo espiritual dentro de meu próprio ser; meu principal interesse é a alma e suas preocupações. O que me importa com as coisas Ahrimanicas, como crédito, dinheiro, renda e propriedade? O que me importa a diferença entre lucro e ativos, etc? Eu cuido das coisas que dizem respeito à minha alma!”

Mas assim como o homem une dentro de si corpo, alma e espírito, que estão ligados durante a vida entre o nascimento e a morte, os impulsos que podemos encontrar através da estrutura mais íntima de nossa alma estão ligados, na vida física externa, com os impulsos contidos em a ordem econômica externa.

Aqueles que são meramente devotos, até devotos na ciência espiritual, são tão responsáveis pelas catástrofes do tempo presente quanto os capitalistas com suas atitudes e mentalidade materialistas; eles são tão culpados quanto os capitalistas, pelo fato de que encerram as verdades científico-espirituais dentro de seus próprios limites abstratos e não estão dispostos a permear a realidade cotidiana com pensamentos penetrantes.

Este fato repetidamente me induziu a dizer que o movimento espiritual antroposófico não deve ser considerado como algo que lhe dá a oportunidade de ouvir os sermões da tarde de domingo, que acariciam a alma porque falam de uma vida eterna, e assim por diante, mas o movimento antroposófico deve ser tomado como um caminho que nos permite enfrentar de forma real e concreta os problemas modernos da vida, os problemas candentes do presente.

Um dos primeiros requisitos é este: compreender de onde devemos partir, e que tudo será inútil a menos que as pessoas encontrem acesso a uma forma de pensar realmente não prejudicada.

Rudolf Steiner (GA 188 -The Separation of the Moral-Spiritual Life From the External Realities of Existence)

Tradução Livre: Leonardo Maia

NOTA DE LEONARDO MAIA: 

Deixo o texto para reflexão àqueles que criticam os meus questionamentos – que são fundamentados na Antroposofia – sobre os contextos sociais e políticos atuais e para aqueles que insistem em obscurecer a percepção da atuação de certas forças adversas hoje na sociedade, criando um ambiente dentro da própria Antroposofia de meros devotos da Ciência Espiritual.

Texto da GA 188: A separação da vida Moral e Espiritual das realidades externas da existência.


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