Os padrões de normalidade na sociedade e suas consequências


OS PADRÕES DE NORMALIDADE NA SOCIEDADE E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Leonardo Maia


“O que é normal? Hoje, depender do emprego para garantir o sustento, trabalhando 8,10,12 ou até mais horas por dia, muitas vezes em serviços que não gostamos, é normal. Deixar nossos filhos em creches ou com babás em tempo integral para que as mães possam trabalhar, mesmo colocando em xeque a educação deles, é normal. Decorar fórmulas, dados, regras e ser avaliado por isso durante todo o processo escolar, mesmo que não faça nenhum sentido para a criança é normal. Achar que a criatividade e o talento artístico é dom de alguns poucos eleitos é normal. Beber no final de semana para esquecer o “estresse do dia a dia”, como se a vida fosse um estresse por padrão é normal. Crianças ficarem mais tempo brincando com celulares e na frente das telas do que na natureza é normal. Hoje, depender de um sistema que aprisiona ao invés de libertar é normal. Existe algo por detrás disso tudo ou seria mero acaso?”


O que é normal?

Seria um padrão comum, geralmente aceito ou produzido pela maior parte da sociedade? Como isso interfere no meu comportamento ou na minha atuação no mundo?

Padrões comuns de comportamento atuam diretamente da mente coletiva e interferem em todos os indivíduos, em maior ou menor escala. O que é normal é mais facilmente aceito e muitas vezes passa por cima do julgamento consciente individual, ou seja, não paramos mais para pensar sobre a questão.

Existe algo de errado nisso? Não, definitivamente. Esse é um mecanismo maior da consciência. Existem milhões de aspectos a serem observados em cada ponto, então se parássemos para analisar cada um deles, entraríamos em colapso mental.

Mas existe algo por trás: estes padrões se metamorfoseiam e podem ser desenvolvidos conscientemente, ou seja, são manipuláveis.

Antigamente, o padrão de normalidade era num âmbito mais regional, de cultura local. Com a chegada das mídias modernas (principalmente TV e internet) e a globalização, estes padrões estão tomando proporções planetárias, uma cultura planetária.

Mas nem sempre o que é considerado “normal” é correto, moral, ético ou mesmo o melhor para o indivíduo ou para a sociedade, portanto se este padrão de normalidade é aceito sem uma ponderação consciente, pode se tornar algo muito ruim em um nível mais profundo.

Todos conhecem ou já ouviram falar da manipulação midiática, um assunto muito comentado hoje em dia, principalmente nas redes sociais. Por trás uma aparente moralidade, pode ser forjado um padrão de normalidade muito danoso em níveis mais profundos.
Isto pode afetar o indivíduo de duas formas distintas, através da aceitação inconsciente deste padrão ou através da marginalização, discriminação e preconceito por estar fora do padrão “normal”, que pode acabar obrigando-o a adaptar-se ao padrão por força maior, mesmo que isso contrarie seus princípios.

Hoje, depender do emprego para garantir o sustento, trabalhando 8,10,12 ou até mais horas por dia, muitas vezes em serviços que não gostamos, é normal.

Deixar nossos filhos em creches ou com babás em tempo integral para que as mães possam trabalhar é normal, mesmo colocando em xeque a educação deles.

Fazer sexo casual com uma pessoa que nunca vimos e encontramos por um aplicativo no celular apenas para satisfazer nossos instintos sexuais é normal.

Crianças que não gostam de frutas e verduras é normal.

Decorar fórmulas, dados, regras e ser avaliado por isso durante todo o processo escolar, mesmo que não faça nenhum sentido para a criança é normal.

Achar que a criatividade e o talento artístico é dom de alguns poucos eleitos é normal.

Beber no final de semana para esquecer o “estresse do dia a dia”, como se a vida fosse um estresse por padrão é normal.

Crianças ficarem mais tempo brincando com celulares e na frente das telas do que na natureza é normal.

Aceitar que a grande maioria dos alimentos vendidos não são saudáveis e contém excesso de toxinas  apenas para aumentar o lucro de quem os produz é normal.

Viver com medo da violência é normal.

Ter que se adequar a leis injustas por imposição é normal.

Aceitar a desigualdade social é normal.

Hoje, depender de um sistema que aprisiona ao invés de libertar é normal.

Existe algo por detrás disso tudo ou seria mero acaso?

Será que eu já aceito isso inconscientemente? (Que isso, vc está fazendo tempestade em copo d’água, isso é normal.)

Será que sou prisioneiro desses padrões? (O que posso fazer? A vida é assim… a sociedade funciona desse jeito.)

Fica uma questão, será que forjam padrões de normalidade? Que padrões ficarão para nossas crianças?


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16 opiniões sobre “Os padrões de normalidade na sociedade e suas consequências”

  1. Alcançamos o limite humano na Terra, a última fronteira.
    Trilhamos, agora, a jornada que definirá o Mundo e legado que deixaremos para nossos filhos e para o filho dos outros.
    Chegou a hora de regenerar, de dentro para fora. É a Ordem da Terra.

  2. Gostei muito! Posso dizer que a normalidade não preenche mais muitas famílias! Vejo que estamos numa época histórica de mudanças profundas…Desde 2012 as mudanças acontecem em ritmo muito acelerado…A Nova Era chegou, mais e mais pessoas estao despertando pra quebrar os paradigmas do sistema que nos aprisiona!

  3. Eu acho que tudo mudou , e foi a mídia moderna que foi a responsável , não digo que tudo é ruim , o errado é como a pessoa age em função disso , temos que ter o discernimento do todo , isto é o caminho do meio , nem tanto ao céu e nem tanto a terra ,podemos trabalhar fora muitas horas , mas temos que ter tempo para nossos filhos , e tentarmos conseguir trabalhar em que gostamos , tenho em casa um exemplo disso , sou de classe baixa , meu filho nunca estudou em escola particular , quem cuidou do meu filho foram meus pais , sou mãe solteira , mas desde pequeno meu filho teve inclinação para as artes e eu sempre o apoie e hj aos 35 anos ele trabalha no departamento de cultura na minha cidade , então entendo que em tudo deve ter o equilíbrio , é isso que sinto , grata …

  4. Os padrões da normalidade mudaram nossa essência de pensar e principalmente de agir. Quando nos damos conta, nos vemos em padrões distintos e avessos a nossa criação. Eu não sei o quanto de nossa criação e adaptação interfere no meio que trocamos, mas, inevitavelmente não somos capazes de mudar o rumo da locomotiva humana nessa estrada de ferro. Nesse destino as claras Darwin tinha e até hoje tem sentido e razão; a adaptação ao meio faz toda a diferença.

  5. Há uns poucos milhares de anos, o normal era ter que sair para buscar comida e tentar não ser devorado por leopardos, não se ferir numa topada no pé, que poderia infeccionar, não ser atacado por outros grupos de humanos disputando comida e território… Acho que melhoramos, mas a luta continua!

  6. Na verdade tudo se resume a frase: “No mundo de hoje, gastamos dinheiro que não temos, para comprar coisas que não precisamos, para impressionar pessoas que não conhecemos e parecer alguém que não somos.” Viva a simplicidade e sejamos felizes com o que Deus nos deu.

  7. Todos pensam no tempo como algo para o trabalho, necessário para "ganhar a vida", pois há 400 anos foi adotada a fórmula de que "Tempo é dinheiro", e instituiu-se um modo de vida moldado na troca do tempo dedicado ao emprego ou à realização de algo por dinheiro.
    A divisão do trabalho e a apropriação social do seu resultado girando em torno do emprego levam a aquilo que Marx chamou de "alienação do trabalho": os três conceitos se confundem. Tempo, trabalho e dinheiro parecem ser três aspectos de uma mesma realidade.
    O tempo do trabalho é visto como o tempo que se vende, e não parte da vida livre, e o trabalho é visto como "um encargo necessário", não uma contribuição espontânea ou algo que acrescente alguma coisa, uma atitude que mude alguma coisa

  8. Cultua-se o mito do ócio como ideal de vida, mas o trabalho é o caminho para atingi-lo. Trabalha-se durante a semana para viver o fim de semana. Trabalha-se um ano para gozar a vida nas férias . Depois de "ganhar a vida" vendendo horas de seu trabalho, o empregado visualiza a aposentadoria como um éden de ócio, sem nada para fazer.
    Grande engano é pensar que o tempo é uma coisa, algo que se possa ter ou que falte… Viver é fazer escolhas e, portanto, administrar o tempo é eleger prioridades. Escolher algo implica abrir mão de outras opções. Se esta escolha for consciente e responsável, o valor de tudo aquilo de que se abre mão se transfere para aquilo que se escolheu fazer. É um ato de potência, de transferência de valor. Errado é fazer algo lamentando o que se deixa de fazer…
    Tempo não é dinheiro – conseguir dinheiro é que é uma questão de tempo. Tempo é vida. E o valor da vida não tem preço!

  9. Peso nisso o tempo todo depois que fui mãe. Principalmente porque parece que meu filho não é desse planeta , pois prefere andar de bicicleta do que jogar vídeo game , porque adora comer brocolis e quiabo e porque vive me perguntando pra que serve um monte de coisas que decora para as provas?

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