PANDEMIA: UMA PERSPECTIVA DO CARMA E DA MORALIDADE

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PANDEMIA: UMA PERSPECTIVA DO CARMA E DA MORALIDADE

Leonardo Maia


“O quão você verdadeiramente se importa com o próximo?”

Esse ponto é o que pesa na perspectiva de desenvolvimento da consciência humana da Antroposofia. E ele não é baseado em uma concepção pessoal conveniente, mas no sentido espiritual do Impulso Crístico.


Para termos uma maior clareza do contexto que vivenciamos atualmente, principalmente se quisermos sair da perspectiva da polarização política atual – sim, por incrível que possa parecer, as perspectivas e justificativas tradicionais da crise sanitária e econômica do país se divide a grosso modo entre a duas vertentes principais vinculadas aos espectros políticos de apoiadores do governo e a de opositores – vamos mergulhar em âmbitos trazidos pela perspectiva da Antroposofia como: liberdade, moralidade, consciência individual e social, carma individual e coletivo, indiferença e impulsos de amor, respeito, empatia superior (amor ao próximo) e sua própria perspectiva de desenvolvimento da consciência humana.

Para isso, vamos precisar fazer o exercício de tentar adentrar ao elemento vivo das palavras, um dos desafios apontados por Steiner para a atual Época do desenvolvimento da quinta raça pós-atlântica, a reconexão com o princípio espiritual das palavras, para não utilizarmos um sentido banalizado e conveniente para reafirmação de minhas próprias ideias, característica da atual época ahrimânica.

Tentaremos observar de duas perspectivas:

1- A perspectiva individual dentro da liberdade, moralidade, consciência e carma.

2 – A perspectiva coletiva, que é a manifestação no coletivo que transcende a individualidade, que é definido pelo coletivo das consciências em seus devidos pesos e pela atuação de forças espirituais de hierarquias maiores, inclusive da própria natureza.

Em relação à pandemia, no âmbito individual, não existe uma concepção de risco padronizada, ou seja, as pessoas não estão medindo o risco da mesma forma, nem mesmo dentro dos espectros políticos polares. Obviamente, é perceptível que, a grosso modo, os apoiadores do governo minimizam a gravidade do situação, inclusive por parte dos principais membros do próprio governo – como o presidente, o Ministro da Saúde entre outras autoridades, e do outro lado os opositores tem a concepção oposta e brigam por uma atuação mais veemente diante do caos sanitário e sua já protelada iminência pelo governo.

Aqui, obviamente, devemos ponderar que a concepção de risco é algo pessoal, e impossível de se imputar ao indivíduo, então partimos para a concepção moral. A pessoa deve sim ter a liberdade de pesar os riscos e decidir pela sua própria atuação, porém até o âmbito do espectro exclusivamente individual, pois além deste espectro surge a responsabilidade social, onde delimita-se agora uma perspectiva moral.

Aqui temos, de uma perspectiva antroposófica, o caminho de evolução da comunidade humana entre os espectros do egoísmo e do altruísmo.

No egoísmo: onde o indivíduo pode pensar somente no meu bem-estar e autoafirmação egoísta da liberdade de ação e ideias – digo onde o espectro da liberdade de ação tem efeitos diretos no âmbito social, ou seja, transcende o âmbito individual e tem efeitos no coletivo, neste caso, negativos. Este é um reflexo da moralidade individual – no caso, imoralidade.

No altruísmo: o indivíduo pondera o limite de sua liberdade até o âmbito da individualidade, onde os efeitos das suas ações não transcendem o espectro pessoal em possíveis efeitos negativos, apenas no que pode e deve ser positivo conscientemente: “As minhas ações e decisões são boas para mim, para o próximo e para o mundo?”. Naquilo que é do espectro exclusivamente pessoal, eu tenho plena liberdade. Aqui temos outro espectro da moralidade individual.

É válido observar que estes dois espectros da moralidade – do egoísmo e do altruísmo – transcendem a posição pessoal na polarização política pois observamos, por exemplo, apoiadores do governo lutando para não usar máscaras e opositores aglomerados em festas e praia mesmo sabendo que estão colocando terceiros em risco. Num, a inconsciência ou concepção própria do nível de risco, tem efeitos em terceiros e no outro, a necessidade de auto-satisfação egoísta – como liberdade de me divertir – transcende o espectro pessoal de risco. Ou, seja, em ambos os casos coloco outros em risco por egoísmo – muitos são obrigados a se expor pela necessidade de estar trabalhando e gerando capital para auto sustento, como garçons, ambulantes nas praias, funcionários de estabelecimentos, professores (no caso de abertura presencial das escolas e etc…).

Aqui ainda temos o aspecto da inconsciência da situação onde, em determinados grupos, são disseminadas informações falsas distorcendo a noção pessoal de gravidade da situação, aumentando o impacto negativo social.

Outro aspecto relevante é o da indiferença. Esse é um dos pontos mais alertados por Steiner para a atual época e que tem relação direta com a evolução da consciência humana. Steiner alertou sobre a influência de Ahriman nas forças do coração humano e isso teria influência direta no princípio da indiferença ao sofrimento alheio. Não vou adentrar sobre a influência de Ahriman, porém é perceptiva a indiferença com o sofrimento das famílias, com a banalização da vida humana, principalmente daqueles que estão fora do meu espectro social e da minha pequena família, que se tornam apenas números.

A Antroposofia traz o perspectivas de duas correntes da humanidade para o futuro, a humanidade superior e a sub-humana. A humanidade superior é aquele que possui a semente da empatia superior, que verdadeiramente se importa com o próximo e acata o sofrimento do outro como seu próprio. Na humanidade sub-humana o que movimenta é a auto-satisfação movida por impulsos inferiores, principalmente do âmbito da Alma das Sensações. Novamente a grosso modo: a humanidade altruísta e a humanidade egoísta.

Ainda temos o aspecto do carma coletivo e individual: as decisões individuais geram carma individual, independente das decisões se basearem em ilusões, falsas simetrias e análises, ou mesmo inconsciência com boa intenção- o carma é um veículo de consciência.

Já no aspecto coletivo, o contexto acaba transcendendo o espectro pessoal, por exemplo a própria pandemia é uma carma coletivo, pois todos estamos, dentro de nossas próprias perspectivas e contextos, mergulhados dentro dela. Ele geralmente tem um aspecto superior, espiritual, que se manifesta como veículo de transformação do âmbito coletivo ao qual estamos vinculados. Ele se metamorfoseia no caminho até o próprio indivíduo, por exemplo:

– A pandemia é mundial – como reflexo de uma manifestação global.
– Os efeitos no Brasil sofre efeitos diretamente ligadas à Alma brasileira e seu próprio caminho de evolução, que tem impacto na vida de todos os brasileiros – tem influência da cultura, estrutura social local, consciência dos brasileiros como nação e comunidade e etc…(por exemplo, a condução governamental que se reflete na melhor ou pior situação do país diante do caos sanitário e econômico é fruto da própria nação)
– Os efeitos locais, como em Manaus por exemplo, caminhando até os efeitos na pequena família (meu pai morreu de Covid), até atingir o âmbito individual (EU estou com COVID).

A percepção do caminho do carma individual/coletivo pode ficar mais clara com dois exemplos:

1 – Individual: fui para a balada e peguei COVID ou mandei meu filho para a escola em pleno auge da pandemia e ele pegou COVID.

2 – Pandemia mundial, moro no Brasil, o governo negligencia a gravidade do problema, na crise econômica sou obrigado a trabalhar, pego COVID, moro em Manaus, não tem oxigênio, sou um dos 260.000 que morrem.

Um está diretamente conectado ao outro… pois o princípio de ambos é a manifestação pandêmica – a principal diferença está na decisão consciente do risco e da obrigação de se arriscar diante de outros aspectos sofrendo pela imoralidade de outros e do próprio caminho coletivo cósmico.

Existem uma série de outros fatores que podem ser observados, para um aprofundamento ainda maior da questão, porém um aspecto que deve ficar explícito na própria consciência é:

“O quão você verdadeiramente se importa com o próximo?”

Esse ponto é o que pesa na perspectiva de desenvolvimento da consciência humana da Antroposofia. E ele não é baseado em uma concepção pessoal conveniente, mas no sentido espiritual do Impulso Crístico.

Leonardo Maia


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Titular: Leonardo André Fonseca Maia




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