POLÍTICA, POLARIZAÇÃO E O PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO


A POLÍTICA, POLARIZAÇÃO E O PROCESSO DE INDIVIDUAÇÃO

Leonardo Maia


A dissolução do EU é a principal ferramenta de controle das massas, anulando a capacidade de pensamento crítico podendo levar a um domínio de forças inferiores sobre o ser humano.


Eu gostaria de falar sobre a relação entre a política e o processo de individuação do ser humano. Por que considero isso relevante?

Bom, em realidade, esta relação é de extrema importância, tanto pelo perigo de regredirmos para uma consciência inferior quanto pela oportunidade de elevação que já se mostra em certas consciências nessas amplas discussões políticas da internet.

O processo de individuação é a libertação do pensar coletivo, a capacidade de pensar a agir a partir de si mesmo e seguir o caminho da liberdade (vale ressaltar que libertar-se do pensar coletivo não implica em sua negação, mas a possibilidade de ponderar e agir a partir do sua própria concepção e decisão – através da Vontade, o fortalecimento do EU individual).

Muito dirão, mas eu tenho liberdade de escolha, vivemos em uma democracia e etc… enquanto esse processo, em realidade, é de sutil percepção, muitas vezes somos levados por uma consciência coletiva, de massa e a força da individualidade (que é desenvolvida gradualmente) ainda é muito fraca e nossa vontade é incapaz de sobrepujar ou mesmo termos a capacidade de ponderar com clareza sobre como estas forças coletivas que atuam e, até certo ponto, conduzem o ser humano.

A individualidade reflete em uma forma de pensar singular a cada ser humano, uma capacidade de percepção, de expressão e uma personalidade única.

Qual a relação disso com a política contemporânea?

Bom, estamos vivenciando a algum tempo uma polaridade que pode ser facilmente identificada nas redes sociais: esquerda x direita.

Do ponto de vista oculto, é essencial compreender que existem duas correntes distintas que devemos considerar: uma corrente emocional e outra racional. Cada uma dessas correntes tem um papel essencial no desenvolvimento da consciência humana.

Acontece que o desequilíbrio entre essas duas correntes no ser humano cria tendências que podem gerar um déficit no indivíduo. Nos extremos, ou um ser humano que age a partir das emoções sem um pensamento coeso, ou um ser humano sem coração, com um pensar frio e rígido, que é incapaz de sentir e se importar com o próximo. No caminho do meio encontramos a semente do futuro, a ponte entre o cérebro e o coração, onde o pensar racional é aquecido pelos valores universais e morais do coração. Cada um de nós se encontra em uma posição entre estes dois extremos. Independente, estar mais à esquerda ou à direita ou mesmo próximo ao centro não equivale a ser de esquerda, direita ou centro, mas indica sim uma tendência.

Podemos fazer uma referência às forças luciféricas e ahrimânicas dentro de uma perspectiva Antroposófica. Onde Lúcifer é a dissolução do pensamento coeso e um desequilíbrio emocional e Ahriman sua coagulação, um pensamento rígido e sem sentimento (o cabeça de vento x o coração de pedra). No equilíbrio se encontra a criatividade e emoção coesa com o pensar racional e científico, porém humanitário, aquecido pelo amor a si, ao próximo, ao mundo (natureza).

Vamos falar sobre a percepção do EGO – caminho para a individuação, que se torna aspecto essencial nessa percepção política para podemos nos tornar mais conscientes do quão individualizados ou dissolvidos na mente coletiva e o quão mergulhados no egoísmo ou no altruísmo.

Existe uma crença negativa em cima do ego, mas ele funciona como um impulsionador para o processo de individuação. Dentro do processo de desenvolvimento humano, passamos por uma etapa de consciências coletivas. Estas partem do todo para o indivíduo que, através de suas experiências singulares, começa a se diferenciar.

De uma forma grotesca, podemos colocar o ego como uma forma do indivíduo perceber a si próprio como algo separado do todo, como uma individualidade. Eu não sou igual, sou único. Acontece que para isso o ego necessita de uma força para retirar o indivíduo do fluxo coletivo, e isso pode gerar um egoísmo no indivíduo, fazendo que olhe apenas para si próprio. Isto é normal, pois ele precisa sair da corrente coletiva para se perceber.

Este é um processo incrível, pois a consciência se metamorfoseia do todo para o ponto focal, o indivíduo. No próximo passo, o indivíduo deve sair de dentro de si mesmo ao compreender o outro, saindo do egoísmo para o altruísmo. Por isso o ego muitas vezes é chamado de veículo do sofrimento humano, pois este pode (e geralmente o é) um processo muito doloroso: sair do amor egoísta e narcisista para o amor ao próximo e universal.

Nos seres menos individualizados, seu fluxo de ação menos ponderada e menos crítica – com pouco ou nenhum discernimento, age quase que a partir de um processo instintivo de sobrevivência. Então eles agem a partir de uma impressão mais bruta, menos refinada da realidade, com o impulso instintivo do que seria melhor. Já no ser mais individualizado, porém ainda mergulhado no egoísmo, ele segue o fluxo no que é melhor para si próprio, quase que exclusivamente.

Acontece que nestas duas etapas, ou o indivíduo não tem discernimento ainda ou pensa demais em si (no que é melhor para si) quase que exclusivamente. Muitas vezes passando por cima do ético, moral e correto. Enquanto a pessoa pouco individualizada pouco pondera sobre as questões, o egoísta não dá o braço a torcer, pois seu ego não pode sair em déficit. Ele tem necessidade de estar certo e se autoafirmar e quando confrontado ou questionado, ataca o interlocutor fugindo do ponto focal – o objeto da questão, chegando, até mesmo, a ganhar no grito e na força (violência). Mais uma vez quero salientar que isto não tem um lado, pode acontecer através de qualquer viés ideológico (no caso em questão – direita ou esquerda).

Porém, já existem pessoas saindo do processo do egoísmo para o altruísmo – acredito que um processo mais profundo de individuação aliado a um equilíbrio nas correntes do coração e do cérebro seja o grande gatilho deste processo (vide a parte1). Estes são os grandes reformadores que estão a surgir, a grande possibilidade de transformação para uma sociedade mais justa, feliz e consciente, que trará abundância, cultura e paz.

Entretanto, visivelmente estamos ainda num limiar onde esta polarização é evidente e está acontecendo uma grande desarmonia.

Onde você se encontra? O quanto você se importa com o que foi dito aqui? Pode ser doloroso, principalmente para o ego, ser confrontado e ver que ainda tenho muito a caminhar, assumir meus erros ou mesmo descobrir que sequer percebia isso tudo em mim mesmo…

Em relação à minha individualidade, como posso mensurar se estou pensando por mim ou estou sendo levado por ideias coletivas?

Neste aspecto existem duas vertentes inferiores – inferiores no sentido de que o indivíduo ou não se encontra individualizado o suficiente e segue a corrente coletiva ou já possui um certo grau de individuação mas seu ego ainda é dominante (egoísta) e para justificar suas posições ou se autoafirmar, junta-se à corrente coletiva para o não confrontamento com a sua sombra, erro ou mesmo ignorância (no sentido de ignorar algum aspecto) ao percebê-lo: ou seja, ele junta-se à corrente coletiva como fuga.

No âmbito político, enquanto uma vertente não possui argumentação por não ter um pensamento crítico individual (pela pouca individuação) a outra se esconde para proteger o ego.

No entanto, existe uma terceira classe de pessoas que é extremamente sensível no sentido de importância, pois ela é bem individualizada, não se esconde na corrente coletiva, mas possui um desequilíbrio nas correntes do coração e do cérebro, mais especificamente, um déficit na corrente do coração. E por este déficit, não consegue sair do egoísmo para o altruísmo, e, portanto, é uma classe de pessoas extremamente perigosa.

No ponto superior existe os seres em equilíbrio nas correntes do coração e do cérebro e bem individualizados – que é o caminho do desenvolvimento da consciência futura, onde não possuem unanimidade de ideias e pontos de vista, obviamente, pois a percepção é individualizada, porém o foco é altruísta, o amor é a base que impulsiona e existe um pensamento verdadeiro em prol do melhor para todos.

1 – PESSOAL POUCO INDIVIDUALIZADA:

Ela tenderá a seguir uma das correntes de informações de paixão ou de ódio. Dependerá muito de como foi afetada durante o processo político quanto das informações recebidas – independente se verdadeiras ou não, até porque sua pouca individualidade pouco atua por aprofundamento na busca da verdade mas atua com a priorização da simpatia ou antipatia (alma das sensações). Só abro os olhos para ver algo de ruim – corrente de ódio. Só abro os olhos para ver algo de bom: corrente da paixão.

Nas redes sociais, é fácil identificar pela incapacidade de questionar ou tendência a repetir o que lhe foi informado, mesmo que seja inverdade, e na extremidade, fica repetindo jargões e atacando quem não torce para seu time. Segue a sua corrente como uma crença.

2 – PESSOA MAIS INDIVIDUALIZADA, PORÉM COM O EGO INFERIOR AINDA ATUANDO DE FORMA INTENSA – O EGOÍSTA:

Tenta ter uma visão mais profunda da questão mas tende a seguir a corrente que mais lhe convém e lhe trará benefícios. Prioriza as informações que lhe autoafirmam e adapta o que não lhe convém a um discurso elaborado para inverter o contexto – quanto mais individualizado, maior a capacidade de elaboração de argumentos, até mesmo fugir da questão, pois ainda tende a uma corrente polar (simpatia ou antipatia). Faz um jogo de comparação adaptado ao seu interesse. E tb tende a se jogar na corrente de ódio ou paixão (alma das sensações) quando a verdade confronta o ego, que se apoiou em algum aspecto que foi desconstruído ou se contextualizou como uma inverdade – fechando assim a porta da própria consciência que busca a verdade – podendo mergulhar no âmbito da desonestidade intelectual.

Vale ressaltar que nesse âmbito, a diferenciação da atuação das correntes do coração e do cérebro se fazem mais evidentes, pois o aspecto de insensibilidade causado pelo déficit na corrente do coração (falta de compaixão, altruísmo, empatia e amor ao próximo) vai dificultar ainda mais a superação do ego inferior – a compaixão e amor ao próximo impulsiona a corrente do coração a superar essa necessidade de estar certo e prol de algo melhor para todos.

3 – PESSOA MAIS INDIVIDUALIZADA JÁ COM UM CERTO NÍVEL DE SUPERAÇÃO DO EGO INFERIOR E ATUAÇÃO MAIS VOLTADA PARA O ALTRUÍSMO:

Bom, aqui a pessoa busca a verdade e o melhor para todos, tentando ao máximo estar acima de suas paixões e necessidades particulares que possam ter impacto negativo em outras pessoas…

Elas têm já a capacidade de ponderar em cima das questões específicas e ter o próprio julgamento do que considera certo ou errado – justamente por estarem mais individualizados, não seguem uma linha dual, por exemplo: odeio a esquerda ou odeio a direita. Analisam o ponto específico sendo capazes de concordar ou não conscientemente e justificavelmente. (O que não invalida a necessidade de análise de contextualização ampla: o Lula foi um ótimo/péssimo presidente ou o Bolsonaro é um ótimo/péssimo presidente, mas baseados nos pontos e argumentos alicerçados e verdadeiros que justificam tal opinião e sempre pensando em todos, não apenas no que é melhor para mim).

O mesmo vale para todos os âmbitos da vida, sendo que busca o melhor para todos, o mais correto e justo em prol de uma sociedade mais harmônica. Acredito que isso se desenvolve através do processo de individuação aliado ao equilíbrio das correntes do coração e do cérebro – contextualizando uma certa superação do ego inferior: o ser altruísta.

4 – PESSOAS COM CERTA INDIVIDUAÇÃO PORÉM COM DÉFICIT NA CORRENTE DO CORAÇÃO:

Este é o pior contexto que o ser humano pode adentrar. Ele se encontra ciente do mal e por indiferença ao próximo, não se importa, desde de que alcance seus objetivos – geralmente atrelados à satisfação pessoal e poder. Estes são aqueles que lutam pelo poder e por seus egos essencialmente. Podem disfarçar, dissimular e inúmeras outras ações para conseguir o que quer.

Todos temos que tomar cuidado para não caírmos neste processo, pois ele é altamente destrutivo e existem forças que estão atuando nessa direção. Inclusive existem aqueles que têm ciência do processo de individuação e manipulam massas (como aconteceu na Alemanha Nazista e infelizmente está acontecendo em nível mundial através das redes sociais).

O quanto você se importa com o aquele que não te trará benefício algum?

Leonardo Maia


Quer saber mais? Participe do evento:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, NA CONSCIÊNCIA HUMANA?

– Alienação, egoísmo e perda do sentido humanitário: o caminho para o Reino Sub-Humano –

Datas: 2 a 5 de agosto
Horário: 19:30 às 21:30 (aproximadamente)
Valor total: R$ 200,00 (todos os encontros)
Informações e Inscrições: https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__1278427


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Titular: Leonardo André Fonseca Maia




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