A ética, a moral, a índole e a alma


A ÉTICA, A MORAL, A ÍNDOLE E A ALMA

Leonardo Maia


Quando não me toca a alma subjugar o outro, na tentativa de manter um domínio sobre uma certa realidade, não me importando se o que eu faço para isso não é ético e moral, chegamos à corrupção da alma. Fazemos o mal ao outro e não nos toca mais a alma, por isso a analogia: “Vendeu a alma ao Diabo”.


Tirania: o domínio de certas realidades sobre um indivíduo podendo mudar de alguma forma o seu comportamento, podendo causar restrições à liberdade de expressão, ameaças e outros meios de abuso na tentativa de manter o poder em alguma esfera.

Vc já sofreu algum tipo de tirania? E você é tirano em alguma esfera de relação?

Quem não conhece o dono da bola… que se ficar de fora do jogo, ou do melhor time, vai embora e leva a bola junto, fazendo com que os colegas se submetam às suas exigências e caprichos. O patrão que exige uma postura específica de seus subordinados, subjugando-os através de ameaças de demissão, ou favorecendo-os somente em caso de conduta específica (troca de favores). Ou mesmo aquela bela mulher que expressa sua tirania através de sua sedução, para conseguir favores ou facilidades.

O fortão que faz valer sua opinião através da força. O policial que acredita estar acima das pessoas por usar uma farda. Até o famoso “filho ou amigo do dono”.

Se alguém depende de mim para algo, exijo que ele se submeta à algo para apenas realizar meus caprichos e desejos mesmo sabendo que estou utilizando um poder para persuadi-lo?

Isso é algo muito comum de acontecer, em todas as esferas, mas o problema é:

Eu lido com isso como um padrão ou um deslize? Agora estamos entrando em um aspecto da ética, moralidade, da índole e da alma.

Quando tomamos como um padrão de comportamento comum, acabamos nos anestesiando e perdendo o sentido de humanidade. Este é o grande perigo. Não me toca a alma subjugar o outro, apenas luto para manter um domínio sobre uma certa realidade, não me importando se o que eu faço para isso não é ético e moral. Aí chegamos à corrupção da alma. Fazemos o mal ao outro e não nos toca mais a alma, por isso a analogia: “Vendeu a alma ao Diabo”.

Vc terá seu poder, seu dinheiro, seu status, seus caprichos atendidos, mas em troca vc perde algo muito valioso. Uma alma toca outra alma, isso é um grande segredo da humanidade. O outro não me importa mais, faço o que deve ser feito. Me torno egoísta e perco a compassividade, o respeito e o amor ao próximo. Uma pessoa sem alma, anestesiada à dor e ao sofrimento alheio.

Leonardo Maia


DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

VÍDEO PREVIEW – clique aqui

“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
Valor: R$ 60,00
Vagas limitadas!!!

Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


Os 9 Setênios – Antroposofia


OS 9 SETÊNIOS

Eliane Utescher

Fonte: Comunidade Vovó Lupo no Facebook – clique e conheça


“Através do conhecimento do caminho biográfico do ser humano podemos ter mais consciência do nosso processo individual dentro que cada etapa da vida.”


Primeiro Setênio – 0 a 7 anos

É na primeira infância, mais precisamente durante os primeiros 7 anos, que as forças da individualidade estão localizadas na cabeça, e a tarefa neste período, é crescer, desenvolver os órgãos físicos que estão sendo formados, independizar o pólo superior do corpo, do pensar.

Com o nascimento, tem início o trabalho da individualidade, daquele ser cósmico que começará uma vida terrestre de transformação do invólucro corpóreo recebido dos pais, apto às suas necessidades. Portanto, neste período, a individualidade se ocupará em se apropriar do corpo herdado, moldando-o e reestruturando-o conforme suas peculiaridades interiores.

A criança, por assim dizer, reforma, refina seu instrumento físico, que é a corporalidade. Essa transmutação significa, aos poucos, eliminação das substâncias herdadas, desde as células mais microscópicas, que se tornam cada vez mais individualizadas, até os dentes, que são as mais duras do corpo, quando no final dessa etapa, a criança perde a dentição de leite, substituindo-a pela permanente, que é aquela que construiu a partir de sua interioridade.

Olhando, para os nossos sentidos, que, com exceção do tato que permeia todo o corpo, estão localizados na cabeça, podemos ter uma idéia dos aspectos que devem ser cuidados neste período inicial, para que a criança possa gostar de estar na Terra, dentro de seu próprio corpo.

Assim, para a construção do corpo físico de forma equilibrada, a criança deveria ter vivências permeadas por situações e circunstâncias que a levassem a perceber que o mundo é bom.

À essa criança, deveriam ser providas oportunidades de movimento livre no espaço, na medida em que vai se apropriando dele ao longo de seu desenvolvimento, desde possibilitar o engatinhar quando é bebê, até trepar em árvores e correr no campo quando é maior.

É por experimentação que a criança aprende, por tentativa e erro, e pelo princípio da imitação. O que não queremos que ela faça, não deveríamos também fazer, pois ela seguramente imitará gestos, fala, atitude dos adultos ao seu redor.

Rapidamente as faculdades humanas vão sendo adquiridas, quando, aos 3 anos a criança já conquistou o espaço físico com o andar, o espaço social com o falar, e o espaço espiritual, com o pensar.

Em síntese, neste primeiro setênio os princípios são :

· imitação
· bondade
· órgãos dos sentidos
· desenvolvimento do pensar
· processo de individuação física

Segundo Setênio – 7 a 14 anos

Ao final do processo anterior, do 1o. setênio, as forças que estavam na cabeça se libertam e migram para a região do meio do corpo.

A criança vai acordando de cima para baixo, na direção da cabeça aos pés, e, nesta fase agora, coração e pulmão são os órgãos que ancoram o processo respiratório com o mundo.

O elemento do movimento de interiorização e exteriorização pauta a dinâmica desses órgãos e a relação da criança com o mundo.

Ela já não é mais um grande A, aberta para o mundo que a impregna, mas agora já possui uma interioridade maior e necessita de um elo de ligação entre o mundo de fora e o seu, interno.

O papel do adulto, pais e professores, tem uma grande influência neste período, pois é através dele, da autoridade que ela necessita e que eles possuem, que a criança receberá a imagem do mundo.

Portanto, os valores e ideais que o adulto possui pode beneficiar ou prejudicar a formação e visão do mundo infantil.

Se a autoridade é excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo, e isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somáticos de asma, etc.

Se, por outro lado, há falta de autoridade, se ela é insuficiente para o estabelecimento de normas tão essenciais neste período, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada, que leva a criança a desconhecer seu limite e o do outro, até quadros mais histéricos, de dissolução da identidade.

Esses elementos precisam estar em harmonia para nos sentirmos bem e, se na fase correspondente à esses acontecimentos isto não ocorreu, é introduzindo o ritmo na vida do presente que se resgata o equilíbrio.

Assim como as normas, os hábitos estão sendo absorvidos, e portanto, a dosagem entre uma educação muito rígida ou muito liberal, deveria ser observada, pois tanto a imposição quanto a ausência de valores pode impedir um desenvolvimento sadio.

Nesta fase, onde o sentir está sendo tecido, a fantasia é muito importante, e daí a qualidade de imagens que a criança pode entrar em contato é fundamental; situações onde ela pode criar, como ouvindo estórias infantis, contos de fadas, ou mesmo brincar com brinquedos que promovam a sua participação, é muito diferente daquelas onde, por exemplo, ela é mera expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos e brincadeiras que não estimulem a sua criação, com brinquedos prontos, acabados, sintéticos.

Arte e religião são também fundamentais para a alma da criança que anseia por veneração. Assim, tanto o mundo artístico quanto o religioso são ricos em possibilidades para fazer fluir a alma infantil para o mundo. Como há uma busca natural pela beleza e pela fé, vivências do belo são fundamentais para um respirar com o mundo, assim como o desejo pela ligação com uma qualidade superior, elevada e espiritualizada consigo mesmo e com a vida.

É então que, no meio desta fase, o sentimento de diferenciação, por assim dizer, se estabelece fortemente, e a criança percebe com verdadeiro sentimento e uma espécie de dor, que existem diferenças: de educação entre si e os irmãos, diferenças de tratamento entre as pessoas, de raça, religião, cultura, enfim, situações onde ela se dá conta de que o mundo não é igual para todo mundo, que a lei não é a mesma para todos.

É, na verdade, um profundo despertar do sentimento próprio.

Terceiro Setênio – 14 a 21 anos

Seguindo o sentido descendente das forças que do Cosmo vão se encarnando na Terra, neste período elas chegam aos membros; passaram da cabeça ao peito, e agora acordam e se localizam nos membros, no sistema metabólico motor.

Se observamos a postura da criança pequena, percebemos que ela anda meio que suspensa, pendurada; depois, um pouco maior, ela pula, e na adolescência, se arrasta, e neste caminho da humanização, aos poucos conquista a postura ereta.

Então, da mesma forma que o princípio da imitação regia a criança de 0 a 7 anos, o princípio da autoridade de 7 a 14 anos, agora o princípio da liberdade é o regente.

O processo de metamorfose do ser humano o leva agora a necessitar do aprendizado através da liberdade, onde vivências da verdade são fundamentais – assim como a vivência do bom no 1o. setênio, e do belo no 2o. setênio.

A sociedade agora desempenhará um papel mais preponderante, assim como no passado o foram a família e a escola. É sempre uma ampliação da atuação de elementos, e não uma exclusão daqueles que já foram prioritários.

O jovem necessita de um espaço libertador externo e interno, pois nesta fase, vivenciará uma grande tensão, uma luta entre as forças cósmicas e terrestres, onde no palco está em jogo a sua identidade. É natural que, na busca de si mesmo, ele rompa com os esquemas vigentes em casa, na escola e na sociedade, e a forma, nesta época, é através de crítica, em movimentos abruptos e acusativos, sendo muito pouco provável um processo harmonioso.

O adolescente vivencia o âmago de seu ser, e o impulso da vontade, da ação é que vigora – por as coisas para fora é a palavra de ordem. Espinhas e desejos saem em borbotões, ele quer dar a sua opinião em tudo, modificar o mundo, reformar a família, os hábitos e costumes vigentes.

É uma força interior que quer se expandir no mundo, e a maneira de lidar com ela é através do diálogo, do encontro, da troca de opiniões, onde o jovem pode expor seus pensamentos e sentimentos, assim como ouvir seu ressoar no mundo.

No centro da luta entre estas forças, o adolescente vivencia duas polaridades intrigantes: o desejo por um mundo ideal, que corresponda ao que ele enxerga de mais puro na imagem do ser humano, e o desejo pelas coisas mais terrestres, que atuam de forma incisiva sobre sua sexualidade pelos prazeres terrenos, os prazeres da carne.

Ele busca no mundo representações desta vivência ideal e mundana ao mesmo tempo, ele tem sede espiritual e física.

E assim, fica então vulnerável a todas as espécies de filosofias, na esperança de encontrar aquela que corresponda à sua realidade interna – é nesse período que precisa romper com as crenças familiares, ou, pelo menos, questionar as existentes; se os pais são católicos, ele buscará o espiritismo, protestantismo, budismo, e vice-versa, do mesmo jeito que fará com a comida, com a roupa, com a postura, com os gestos.

As drogas representam, nesta época, uma possibilidade de encontro com este mundo idealizado, ou fuga da angústia de não poder encontrá-lo. É importante que saibamos que é uma fase extremamente difícil, onde o adolescente precisa negar e se opor, para que, a partir da percepção do que não é, encontrar-se a si mesmo. Não sabe que ao longo de toda a sua vida buscará, de formas diferentes, a mesma coisa, e que as pessoas que o cercam, e que percebe como sendo tão prontas e acabadas, vivem o mesmo conflito.

O ‘nó lunar’ aos 18 ½ anos, quando o sol e a lua se encontram na mesma configuração do nascimento, propicia uma abertura, uma ligação cósmico terrestre, que nos dispõe a vislumbrarmos o real sentido de nosso destino.

É a partir desta idade que começamos a ter um pensamento mais autônomo, ainda que, nesta época, acreditemos estar amadurecidos para efetuar julgamentos.

Há também o questionamento profissional, quando o jovem se pergunta sobre seu caminho e escolhas.

A opção entre o que lhe foi imposto e o que quer, cria rupturas. Buscar a si mesmo e descobrir o que é seu, o que é do outro, o que pode ser compartilhado, propicia ao jovem conhecer novas paragens e alargar seu horizonte antes de completar a idéia e impressão sobre si mesmo, que aos 21 anos se realizará com mais firmeza.

Quarto Setênio – 21 a 28 anos

Retomando a idéia do homem como cidadão de dois mundos, o celeste e o terrestre, e a vida como uma conversa, um encontro destas duas forças, chega-se aos 21 anos de vida com o fim da fase do crescimento corporal, e princípio da auto-educação.

Aqui, de uma forma geral, as forças completaram e estiveram a serviço do desenvolvimento físico, e o homem emancipa-se de uma educação herdada; ele chega nesta idade com um patrimônio: um corpo adulto e uma estória pessoal, familiar, escolar.

Aos 21 anos, a entidade psíquica individual, o “Eu” começa realmente a se formar. Uma parte supra-sensível do ser humano, mais exterior, é desperta, acordada, e é aquela que está em contato com o mundo exterior – e por isso mesmo, muito mais impressionável por ele.

O ser humano, nesta fase, depende muito da aprovação de fora, e funciona em altos e baixos, deixando-se influenciar pelo externo, e a luta é não se deixar impregnar demasiadamente, paralisar ou impedir-se de viver emoções – neste período a vida está para isto. São momentos fortes, onde temos que pesar e refletir sobre o que herdamos, olhar para o que ganhamos e o que temos, e avaliar deste patamar o que serve aos nossos propósitos de vida, o que devemos incrementar e do que podemos abrir mão – valores que nos serviam até então, mas que a partir de agora podem impedir nossa própria evolução, assim como uma roupa fora de moda, que não combina ou não cabe mais.

Em olhando o que recebemos, devemos avaliar o que pode e o que deve ser mudado em favor do nosso próprio caminhar.

Temos que ter a flexibilidade e habilidade para nos despojarmos daquilo que não nos identificamos mais, da mesma forma como temos que nos reconciliar com o que não dá muito para mudar, por exemplo, com a constituição física. Na verdade, esse é o começo de um processo que vamos depurar a vida inteira.

Com o “EU” mais livre do trabalho no corpo físico, e agora ocupado com a constituição da alma, temos então maior distanciamento daquele, e por isso podemos vê-lo deste novo ângulo.

Portanto, concretamente nesta fase, podemos estar:

-procurando emprego
-terminando a faculdade
-namorando /noivando /casando
-iniciando nova constituição familiar
-tendo filhos
-estabelecendo as bases para a sobrevivência financeira

Quinto Setênio – 28 a 35 anos

A fase do 5o. setênio começa com uma das grandes crises na vida, por volta dos 28 anos, onde somos reivindicados a uma emancipação da imagem que até então tínhamos de nós mesmos, da nossa própria vida, dos nossos talentos, enfim, da nossa identidade.

A sensação anterior de ser dono do mundo sofre um abalo e o que toma o seu lugar, é uma sensação de angústia, de vazio, de desconhecimento de si mesmo, e insatisfação. Sentimo-nos impotentes nesta passagem da juventude para a maturidade, de um viver mais impulsivo para um viver mais sério, responsável.

Temos a sensação de que nada que aprendemos ou fizemos, tem muito mais valor, sentimo-nos incapazes de termos idéias, e começamos a viver ao nível da alma um tipo de espelhamento, o mesmo sofrimento vivido no corpo físico enquanto adolescentes até 14 anos.

Vivemos intensamente a influência dos ritmos cósmicos, que na verdade, buscam conectar-nos e alinhar-nos com nossa real intenção pré-natal.

Temos então o 30o ano, que coincide com a passagem das forças de Saturno e nos cobra estrutura, bases, pilares, e no corpo, corresponde aos nossos ossos, o que há de mais duro no organismo humano.

Temos, logo após, o 31 ½ ano, que corresponde à metade do 63o. ano de vida, marca final das atuações planetárias e zodiacais. Depois dessa idade, ficamos mais livres.

E para completar, o 33o. ano, que pontua o máximo de encarnação do homem na Terra, e ano da morte de Cristo. Sentimos o sofrimento da densidade, do espírito aprisionado na matéria, da via crucis.

Em verdade, a vivência desse período é sentida como uma morte e, realmente, para podermos nos individualizar e tornarmo-nos autônomos, precisam morrer valores que não mais correspondam ao “EU” verdadeiro, para que o ego dê lugar à esta individualidade, esteja a seu serviço, evolua, se integre a ela.

O sentimento de ressurreição ocorre quando, passando pelas provações, percebemo-nos mais inteiros e vivendo de acordo com um código de leis mais próprio, uma renovação moral a partir de uma maior interiorização, uma libertação do velho e disposição para o novo.

Portanto, concretamente nesta fase podemos estar:

-tendo crises no casamento, fazendo separações ou novas uniões.

-tendo rupturas no trabalho ou vendo-o sob novas perspectivas

-buscando o isolamento

-trocando o círculo da amizades

Sexto Setênio – 35 a 42 anos

· Relação com a Essência no mundo / No outro / Em si

· Mais capacidade de julgamento

· Desgaste físico x Maturidade Psíquica

· Conquista de mundo material

· O desafio é encontrar valores espirituais

· A pergunta é: como é que encontro o caminho para a essência do mundo e para a minha própria essência?

Chegamos aos 35 anos e entramos na formação da alma da consciência, última fase do desenvolvimento da alma propriamente dita, onde o Eu adentra mais profundamente na corporalidade supra-sensível. E nesse sucessivo despertar da alma, sentímo-nos levados a uma busca ao essencial no mundo, no outro, em nós mesmos.

O mundo material teve já suas conquistas, construímos uma carreira, relações, família e, de repente, atentamos para a importância do mais recôndito nos seres ao nosso redor, no sentido do que fizemos, nas leis que regem o mundo.

A vida exige que demos um passo do anímico ao espiritual, e, como as forças atuam no pólo superior do corpo, sentimos que conseguimos ver mais verdadeiramente do que até então, a real natureza das coisas.

A capacidade de julgamento aumenta e se torna mais livre dos invólucros superficiais, que a visão das fases anteriores possuía.

Vivencia-se um novo nascimento, precedido pela morte e o vazio dos velhos princípios. Reinicia um período de percepção dos limites e aceitação de si mesmo. Nos tornamos mais disponíveis para o mundo, porque deixamos gradativamente de nos ocupar conosco mesmos. É o desabrochar do desenvolvimento espiritual que chega quando o homem vai chegando aos 40 anos e ele se questiona se há ainda algo de novo que possa ser vivido. Começa a se perguntar sobre sua missão na vida. Sente aos poucos que algo está por vir, e acontece um verdadeiro renascimento, quando se julgava tudo pronto e definido.

A aceitação do desgaste físico, e a busca de um ritmo adequado se faz necessário para que a consciência se amplie em todas as direções.

A relação com a vida é mais intensa, lapidada e autêntica, e é grande a possibilidade de vivência como ser espiritual, de se reconhecer como entidade espiritual incorporada.

Sétimo Setênio – 42 a 49 anos

Como um novo recomeço, a entrada nesta fase traz a vivência interna de que algo novo necessariamente há de vir.

Percebe-se que, como está, não dá para ficar ou continuar, e que a vida dá sinais de grande mudanças, as pessoas sentem algo de novo em si.

O princípio desta fase coincide com o final do período mais quente e ensolarado da vida, a saber, os últimos 20 anos; os próximos setênios correspondem ao desenvolvimento da natureza espiritual do homem, assim como o período anterior ao desenvolvimento da alma, e o primeiro, ao desenvolvimento físico.

A entrada nos 40 traz, quase que inevitavelmente, uma crise existencial, e como é uma fase que espelha fisiologicamente os 14 – 21 anos, vários fatores da adolescência influenciam nesta época. Eclode uma necessidade de rejuvenescimento que pode tomar as mais variadas formas na mulher e no homem.

A desvitalização do corpo físico gera medos reais do envelhecimento e da morte. As mulheres, próximas da menopausa, percebem que o corpo não é mais rijo como antes, que o rosto fica enrugado de um jeito difícil de dissimular, e então as plásticas imperam. Os homens sentem que as pernas afinaram, que a barriga cresceu muito, e então o cooper e as academias de ginástica e musculação desempenham seu papel.

A preocupação com a perda da beleza física e da sexualidade existe, podemos cuidar de manter o corpo bonito e sadio porque é ele o instrumento espiritual na Terra, mas os artifícios para a manutenção física não deveriam impedir ou tomar o lugar da beleza interior.

As forças desprendidas dos órgãos sexuais e da reprodução podem ser metamorfoseadas em criatividade, o elemento central dessa fase, imagens criadoras, renovadoras.

Além dos artifícios para a manutenção do corpo físico, existem também os artifícios que emergem como saída para a manutenção da vida emocional, que são o álcool e a cocaína.

Com a sensação de perda de força e de morte, o ser humano, nesta etapa da vida, pode ter muitas depressões e se apegar ao que é velho e conhecido no trabalho, nas relações familiares e pessoais, numa tentativa de manter intacto o que já têm.

As mudanças que a vida pede, geram muitas inseguranças que impedem o indivíduo de abrir mão do que é velho, como valores, preconceitos, papéis, e ir de encontro ao renascimento que o espera.
É com muita dificuldade e sofrimento que esta etapa é transposta para conseguirmos vislumbrar os frutos que possuímos para doar.

A resistência a mudanças impede o indivíduo de desenvolver talentos que ficaram para traz, tesouros que ficaram escondidos, e reativá-los.

E para complicar a falta e os excessos desta fase, há a questão do sósia, da sombra, daquilo que encarna no parceiro, no patrão, nos filhos, enfim, que é tão difícil de lidar, porque está diretamente ligado aos aspectos pessoais não resolvidos, não integrados.

As forças do sósia se tornam extremamente intensas em torno dos 40 anos. São aspectos para os quais somos levados a hostilizar, ou nos identificar cegamente, por uma força que se ergue em nós. Em geral, nos confrontamos com o sósia do outro, já que a própria sombra é difícil de ver.

Assim, grandes confusões, agressões e descasamentos acontecem, porque as relações ficam contaminadas por aquilo que se vê no outro, que é profundamente unilateral – algo expurgado daquilo em nós que não admitimos, não conseguimos lidar, mais o do outro.

Projetamos nossos aspectos indesejáveis e/ou renegados no outro, e somos vulneráveis à sua sombra – seus vícios, manias, defeitos, enfim.

Se não trabalharmos conscientemente na relação, e procurarmos ver a essência do outro, sua inteireza, o sósia, ou seja, a soma de todas as qualidade negativas comanda.

Temos que nos esforçar para integrarmos nossa sombra à nossa personalidade, e não alimentá-la, deixando que a força da raiva, da inveja, do desprezo, dominem a situação.

Há que se desenvolver muita calma interior!

Devemos ter em mente que tudo o que fazemos contra a vontade é alimento para o sósia.

E fica, então, difícil reconhecer nele uma oportunidade para a transformação de seu conteúdo.

A sombra e a luz são condições inerentes à existência humana, e uma, certamente, não existe sem a outra na vida terrena.

Oitavo Setênio – 49 a 56 anos

A entrada nos 50 anos equivale à época mediana do desenvolvimento do espírito, e por isso mesmo, para aquele que vive espiritualmente, a mais tranquila e produtiva da vida.

As forças, que na fase anterior estavam se desprendendo da região metabólica e dos órgãos correspondentes, estão agora se libertando da área mediana do corpo, coração e pulmão, e se dispondo para uma moralidade e uma ética de qualidade superior, refinada, mais humanizada.

É a época da vida denominada jupteriana, pois possibilita uma visão mais ampla e geral da própria estória, do desenvolvimento da humanidade, do sentido das coisas, da existência.

Os valores pessoais deveriam agora dar lugar a valores mais humanitários, e a preocupação se concentrar na família universal e não apenas na individual.

Dependendo da evolução do ego do indivíduo, ele pode dispor da sua sabedoria para o mundo, ou continuar apegado às próprias necessidades ou às do grupo familiar, desconhecendo a maravilha que é colocar seu patrimônio interior a serviço do mundo.

É a fase do pai e da mãe universal.

Como esta fase espelha fisiologicamente o setênio 7 a 14 anos, o elemento do ritmo tem de ser priorizado, e os órgãos rítmicos, assim como o ritmo cotidiano, têm de ser cuidados, preservados e respeitados.

É comum o aparecimento de problemas respiratórios, principalmente se a relação respiratória com o mundo foi difícil na pré puberdade; stress e enfarte também ocorrem.

Deve-se procurar um novo ritmo biológico mais adequado às características físico emocionais.

A vida nos ensina nesta época uma nova audição, temos a possibilidade de ouvir a voz do coração para esta renovação ético / moral que agora é propícia.

No concreto, neste período ocorrem as aposentadorias, o que por sua vez traz o sentimento de inutilidade e vazio.

Há que se preparar para esse momento e refletir no que se fará após, planejar a vida para o depois desse acontecimento, afim de não ser uma passagem muito brusca que pode assustar e levar o indivíduo a exceder no trabalho para ainda se sentir útil e não velho, impotente, incapaz.

A sociedade como um todo ainda valoriza muito a força biológica e não tem olhos e condições de discernimento para as capacidades de liderar dos 50 anos, e, sobretudo, de abençoar, principalmente aqueles que puderam, entre 7 e 14 anos, aprender a venerar.

Nono Setênio – 56 a 63 anos

Os mesmos órgãos dos sentidos que foram as portas para a entrada na vida terrestre no 1º setênio, vão, aos poucos, se tornando portas de saída; não se vê, nem se ouve tão bem como antigamente, o paladar já não consegue sentir direito o gosto dos alimentos, os cheiros e as texturas não são mais sentidos tão intensamente.

A vida começa a dar sinais de que o ser humano têm agora que ir-se voltando para dentro de si mesmo, internalizar-se, desenvolver os sentidos espirituais.

O portal de comunicação com o mundo externo começa a se fechar.

Como um eremita, a partir desta fase, necessitamos da auto reflexão na busca da nossa essência, para o desenvolvimento de intuições a partir da força do amor que torna-se então a representante do verdadeiro e supremo conhecimento.

O 56º ano de vida traz uma brusca mudança que é sempre crítica, pois penetra-se numa esfera onde tudo parece ter que morrer para depois ressuscitar de uma forma muito sofrida.

Por vezes tem-se a sensação de fracasso de tudo aquilo que se desejou, e que nada do que se almejou foi alcançado.

Questiona-se muito o que se realizou no passado, e se torna importante avaliar o que ainda deseja realizar, o que pode e o que não pode mais ser realizado pela própria condição desvitalizadora, pelo tempo.

Certos cuidados se fazem muito importante, como a estimulação da memória, mudanças de hábitos, recursos criativos.

O trabalho é importante na vida, mas não deve ser a única fonte de realização pessoal. Pessoas excessivamente voltadas para o trabalho tornam-se resistentes às mudanças, perdem a visão global, sentem-se ameaçadas e, muitas vezes, são menos produtivas e criativas do que aquelas que possuem outras fontes de realização.

Aquelas que, além do trabalho, lecionam, tocam algum instrumento, freqüentam outras atividades e amigos, realizam viagens com certa dose de aventura, se dedicam a um hobby, praticam esporte, escrevem textos, crônicas ou livros, enfim, são pessoas com uma visão do mundo, de seu trabalho e da própria vida muito mais rica e feliz.

Caminhando para a terceira idade, e mais livre dos compromissos da 1ª e da 2ª, temos a chance de rever o que ficou de lado e que, com frequência, dá novo sentido à vida. Entregar-se ao que pede para ser vivido com satisfação, de maneira renovada, e ao mesmo tempo, livrar-se do inútil e supérfluo que se carrega por hábito.

Inclusive de preconceitos, pois vivemos em uma época com tantos recursos para a renovação do corpo e da alma, que deveríamos fazer bom uso do livre arbítrio e decidir que rumo tomar no caminho do amor, do encontro com outros seres humanos, da alegria de viver.

Como tudo no Universo está em constante transformação, e nada é estável e permanente, somente existe possibilidade de evolução onde há possibilidade de mudança.

Após os 63 anos, o ser humano vai, cada vez mais se libertando das leis e ritmos do destino.

O envelhecer vai chegando com o florescimento interno que é percebido no olhar do idoso que vive muito mais em uma realidade supra sensível do que sensível – para além dos sentidos.

O corpo vai ficando mais leve e transparente, o espírito se torna mais visível, os “avós” irradiam aquela força onde o sol interior consegue aparecer.


DIA 13 DE AGOSTO, PALESTRA ONLINE:

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“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.” – Albert Camus

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– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
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“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
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O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, COM A CONSCIÊNCIA HUMANA?


Dia 13 de agosto, palestra online:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, COM A CONSCIÊNCIA HUMANA?

com Leonardo Maia – administrador da Bibliblioteca Virtual da Antroposofia


“A pior peste não é que mata os corpos, mas que desnuda as almas, e esse espetáculo costuma ser horroroso.”

Albert Camus


Dia 13 de agosto, palestra online:

O QUE ESTÁ ACONTECENDO, DE UMA PERSPECTIVA OCULTA, COM A CONSCIÊNCIA HUMANA?

com Leonardo Maia – Administrador da Biblioteca Virtual da Antroposofia

Temas abordados:

– Encarnação planetária atual: Terra – desenvolvimento do EU/ consciência de si mesmo;
– Desenvolvimento gradual do ser humano: biografia, reencarnação e carma;
– O homem primitivo, o homem mediano e o homem evoluído;
– O ego e o caminho para o altruísmo;
– Liberdade, desenvolvimento moral e o Amor Universal;
– A estruturação social;
– Síndrome do pensamento acelerado: excesso de informações, tecnologia e a compressão temporal;
– Mecanização e automatização do pensar;
– Isolamento anímico e as relações sociais superficiais;
– A formação de bolhas nas redes sociais, as fake news e a falsa propaganda;
– As egrégoras de medo e ódio e seus impactos no pensar e sentir humanos;
– Os dogmas morais e o fanatismo cego;
– O fanático X o desonesto intelectual;
– A consciência pontual e o pensar vivo (espiritual);

Palestra em formato de slides com comentários.
Linguagem simples e acessível.
Sem técnicas de convencimento ou doutrinação, buscando apenas coerência na linha de causalidade por reflexão.

“Não há religião superior à verdade.” – Helena Blavatsky

Data: 13 de agosto – quinta feira às 20h
Valor: R$ 60,00
Vagas limitadas!!!

Endereço do link: https://www.sympla.com.br/o-que-esta-acontecendo-de-uma-perspectiva-oculta-na-consciencia-humana__907091

IMPORTANTE: Devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minhas opiniões não refletem necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.


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INSPIRAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS


INSPIRAÇÃO PARA NOSSOS FILHOS

Leonardo Maia


Ser pai ou mãe é ser guardião da infância de nossos filhos, e nos tornarmos fonte de inspiração de impulsos solares, é um sinal que fomos bem no desempenho destes papéis.


Uma das qualidades mais mágicas do ser humano é a capacidade inspirar o outro. Ocorre quando algum aspecto ou gesto do outro nos toca de uma forma mais profunda e desperta uma força que impulsiona nossa vontade para alguma direção específica.

Pode se perceber isso em figuras inspiradoras de religiões e doutrinas – como Buda e Jesus, pensadores e filósofos – como Aristóteles e o próprio Rudolf Steiner e também em figuras mais próximas, que se destacam em suas áreas de atuação.

Esse aspecto magnífico do ser humano de inspirar e ser inspirado deve ser levado em conta também no núcleo familiar.

Dentro do núcleo familiar, temos a oportunidade de nos tornamos fonte de inspiração para nossos filhos: inspirar amorosidade, altruísmo, correção, sinceridade, o cuidado com o outro, esforço, a alegria de viver, resiliência, a capacidade de ver a vida com bons olhos entre outras coisas.

Mas lembre-se que isso não brota de discursos intelectualizados ou uma exigência de postura, mas sim do bom exemplo. Através do discurso intelectualizado, pode se criar um ambiente de política social, onde podem sugir máscaras para o bom desenvolvimento da vida social familiar.

Mas através do exemplo pode surgir aquela chama de veneração que reflete positivamente na formação da moralidade da criança.

Esse aspecto acaba nos forçando a estarmos cada vez mais atentos quanto a nossa forma de atuação e também que estejamos presentes na vida deles, pois precisamos que eles nos conheçam e nos percebam… requer intimidade, e também que nossa busca seja genuína.

Ser pai ou mãe é ser guardião da infância de nossos filhos, e nos tornarmos fonte de inspiração, de impulsos solares, é um sinal que fomos bem no desempenho destes papéis.

Leonardo Maia


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Apanhando para aprender


APANHANDO PARA APRENDER

Nelson Cadena

Fonte: IBahia Blogs


“Deve haver rigor, severidade. E vou dar um passo a mais, e talvez algumas mães fiquem com raiva de mim, desculpem: deve sentir dor.”

Milton Ribeiro – Pastor Evangélico e novo Ministro da Educação do Governo Bolsonaro


Mais uma vez, quero deixar claro a Biblioteca não apoia nenhum tipo de violência e agressões física ou morais na educação e continuo afirmando, que na minha opinião, essa agenda ideológica do governo Bolsonaro – algo como um “Militarismo neopentecostal liberal” vai contra os preceitos indicados pela Antroposofia e, na pasta da educação, desde seu início, contra os preceitos da Pedagogia Waldorf.

E, devido a solicitações das Instituições, quero colocar que minha opinião não reflete necessariamente posições da Antroposofia, das instituições antroposóficas e da Sociedade Antroposófica no Brasil ou a Geral.

Porém, se faz necessária a reflexão sincera e pensamento vivo para observação do caminho indicado pela Antroposofia: o posicionamento pessoal, escolhas de representação e sua coerência com o caminho interior – com o pensar, o sentir e a ação no mundo. Este é um aspecto essencial do caminho interior indicado por Steiner para professores e antropósofos em geral, que, na minha opinião, está sendo obscurecido hoje: “Vivo aquilo que acredito?”

“Apanhei e não morri… Não morreu, mas acha natural a violência e enxerga nela uma forma de educar.”

Leonardo Maia

Segue um texto no blog IBahia Blogs de Nelson Cadena chamado Apanhando para aprender:

APANHANDO PARA APRENDER

Os castigos corporais com palmatórias e outros instrumentos nas escolas baianas

No século XIX o aluno de mau comportamento, ou com dificuldade de aprendizagem, apanhava. Era um traço cultural arraigado na sociedade baiana, como em todo o país, admitido sem ressalvas pelos próprios pais de família. O jornal Correio Mercantil em edição de 20 de fevereiro de 1839 explicava que pais de família solicitavam aos professores “o toque de bolos” para seus filhos e recomendavam “o surre”. Outros, ao contrário, pediam menor rigor nos castigos. O castigo corporal aos alunos não era exclusividade das escolas, mas, pratica que vinha de casa. Uma caderneta com notas baixas resultava numa surra, as vezes com requintes de violência, uso de chicote de couro, inclusive. Uma Lei Imperial de 1827 proibiu os castigos corporais, mas não vingou na prática. Alguns pais de família consideraram a lei inapropriada e abusiva.

A chamada palmatória era o método mais usual de castigo para crianças. Consistia em bater na mão com uma regra de madeira de lei, longa e grossa ; deixava os dedos vermelhos e doloridos por um bom tempo. Os “educadores” recomendavam que deveria ser na palma da mão esquerda e não mais do que dois ou três batidas, porém, professores mais exaltados batiam nas duas mãos. Era a mais leve das punições. Outros castigos consistiam em bater com cipó grosso trançado, nas pernas ou nas costas, muito praticado na Bahia. A palmatória com férula era a mais dolorosa, usava um objeto circular (ou retangular) de madeira que o professor segurava através de uma haste.

O Barão de Macahubas, Dr. Abílio César Borges, educador baiano reconhecido como um dos luminares de seu século na sua área de atuação, escreveu em 1876 um texto intitulado “Vinte anos de propaganda contra o emprego da palmatoria e outros meios aviltantes no ensino da mocidade”. Defendia a extinção definitiva dos castigos corporais em sala de aula e destacava que “a férula, em vez de auxílio, é antes um obstáculo ao desenvolvimento”. Pregava no deserto e no seu colégio esta regra teve pelo menos uma exceção documentada. As palmatórias continuaram por mais sete, oito décadas, com menor incidência e violência no século XX. E sem a mesma complacência dos pais.

Um dos castigos mais chocantes era o da prisão no xadrez da escola, para os alunos internos. Equivalia a uma solitária. No século XX os castigos corporais já incluíam outros procedimentos: o bufete, que consistia num tapa na cara; o puxão de orelha com força capaz de provocar danos da cartilagem; a palmatoria com vara e o chamado belisco de freira, com a ponta dos dedos e unha crescida. Os colégios de religiosos implementavam o ajoelhamento. O aluno ajoelhava-se no milho, no sal grosso, no tijolo, por tempo suficiente até o joelho se ferir, as vezes sangrar.

Praticavam-se ainda os castigos considerados mais amenos, de efeito moral: subir num banco e ficar horas na mesma posição; ficar em pé num canto da sala, olhando a parede; usar orelhas de burro; ficar sem comer no recreio; escrever uma frase um milhar de vezes num caderno, “dever” para ser feito no colégio, ou, em casa. Reter o aluno por uma ou duas horas a mais na sala, era outra forma de punição. Os pais iam buscar no horário informado pela escola. Punição moral, não menos humilhante, era repetir perante os colegas frases em voz alta dando conta de sua burrice ou mau comportamento.

Por incrível que pareça muitas destas práticas permaneceram em alguns estabelecimentos, em especial nos internatos, até a década de 1960 e mais do que isso. As leis eram letra morta. De nada valeram as de 1827 que condenava os suplícios do corpo; a de 1854 (Couto Ferraz) que substituiu os castigos físicos pelos morais e outras tantas no século XX cujo efeito prático foi apenas intimatório, não coibia a ação de “educadores” que “educavam” do jeito que foram “educados”.

Nelson Cadena


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A ilusão de superioridade


A ILUSÃO DE SUPERIORIDADE

Marcos Acosta Soler

Tradução livre e nota: Leonardo Maia

 


A incapacidade de perceber a essência divina no outro reflete uma aspecto inferior da alma individual, escondida na ilusão de superioridade, seja étnico-racial, social ou intelectual.


Nota de Leonardo Maia: Acho muito válida a reflexão do Marcos Acosta Soler, principalmente pela questão do ódio que é uma força extremamente destruidora. A verdadeira transformação ainda precisa passar pelo âmbito da individualidade, pois se não a atingir, a liberdade segue limitada pelo dogma moral social e não pelo reconhecimento e sacramentação do outro a partir da minha própria consciência. Porém, é um passo muito grande, considerando a força inconsciente que ainda domina o coletivo e atinge muitas pessoas  que ainda estão na ilusão de superioridade, seja étnico-racial, social, intelectual/ideológica e até mesmo religiosa. Portanto a luta contra o racismo, tanto no âmbito pessoal quanto estrutural é essencial, pois temos muito a caminhar…

Segue o texto do Marcos Acosta Soler:

“Combater o racismo como se fosse o inimigo não faz sentido. Todo o excesso de força que vemos derramado contra os mais fracos é a força do ódio, do egoísmo e da vingança. O ódio é o poder falso, mas acima de tudo o ódio é a dor que todos carregamos dentro de si, mesmo que seja negada um milhão de vezes. O ódio está nas entranhas profundas da alma, invadindo o fígado até gerar a raiva que cospe o veneno violento, e essa raiva, como um fardo intransponível, deve ser desencorporada para se sentir aliviada. Essa desincorporação é expressa em agressividade, violência e repúdio. E fazemos isso desculpando-nos na diferença para justificar nossa força extrema e doentia.

Todo aquele que se separa de mim, que é diferente de mim, pode ser usado para ser atacado e destruído; e se também parece mais fraco, torna-se um alvo mais fácil de destruir. O inimigo não é racismo, o inimigo somos nós mesmos. Hoje eles são pessoas de outra cor e amanhã serão aqueles que falam em outro idioma, aqueles que pensam diferente de mim ou aqueles que vêm de lugares remotos. As pessoas ainda não encontraram a fusão com a sabedoria unitária.

Se não entendermos que, diante da sabedoria unitária, não há um ponto de vista específico ou possíveis diferenças entre cada um de nós e os outros, a maturidade e a evolução de um indivíduo serão incompatíveis com a coexistência social. Quando internalizamos esse fato com a força do coração, o amor reinará na cabeça, e veremos que a verdadeira Luz é a Luz do amor.

A luta real, a única que faz sentido, não é a luta contra o outro, mas a luta contra suas próprias misérias, que agem como paredes de aço intransponíveis em direção à sua própria liberdade.”

Marcos Acosta Soler


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Reconhecer-se com liberdade


RECONHECER-SE COM LIBERDADE

Rudolf Steiner


Receba as crianças com reverência;
Eduque-as com amor;
Encaminhe-as com liberdade.

Rudolf Steiner


No meu pensar vivem pensamentos cósmicos,
Em meu sentir tecem potências cósmicas,
Em meu querer atuam seres do querer.

Eu quero reconhecer-me
Em pensamentos cósmicos,
Eu quero vivenciar-me
Em potências cósmicas,
Eu quero criar-me
Em seres do querer.

Assim eu não termino nos limites do cosmo
E nem nas amplidões do espaço,
Eu começo nos limites do cosmo
E nas amplidões do espaço
E termino finalmente em mim,
Reconhecendo-me em mim.

Rudolf Steiner – GA40


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A ESPIRAL DO AMOR UNIVERSAL


A ESPIRAL DO AMOR UNIVERSAL

Leonardo Maia


O Amor Universal é o Religare – a sacramentação de toda a Manifestação: a conexão com o divino em nós, seu reconhecimento no outro e em cada aspecto da vida.


O amor fraterno transcende cada aspecto do amor egoísta até culminar no verdadeiro Amor Universal, um amor verdadeiramente altruísta:

Do amor egoísta (a mim mesmo) para o amor exclusivo à pequena família/pequeno grupo, para o amor à tribo/nação, para o amor à toda comunidade humana e para o Amor Universal – à toda a Manifestação.

Cada pequeno passo é a ampliação da espiral de amor.

O Amor Universal é o Religare – a sacramentação de toda a Manifestação: a conexão com o divino em nós, seu reconhecimento no outro e em cada aspecto da vida.

Leonardo Maia


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O que acontece na infância, não fica na infância…


O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA. NÃO FICA NA INFÂNCIA…

Carolina Vila Nova

Fonte: lounge.obviousmag.org


“Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. Ser criança é estar aberto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças? Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.”


Afinal, porque tratamos de assuntos da nossa vida infantil em consultórios psicológicos e psiquiátricos, quando na verdade estamos buscando algo para a vida adulta? A felicidade no amor, paz na família, sucesso na vida profissional e tantos outros diferentes e desejados propósitos parecem estar todos conectados com um segredo lá atrás, na infância de cada um de nós…

Será mesmo?

Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.

Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.

Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?

Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.

Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.

Ser criança é estar aberto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?

Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.

Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.

Porque o que acontece na infância, não fica na infância.

Mas fica… para a vida toda!


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Apanhei e não morri..


APANHEI E NÃO MORRI…

Fonte: Página Winnicott no Facebook


Apanhei e não morri…
Não morreu, mas acha natural a violência e enxerga nela uma forma de educar.


Não morreu,
mas enfrenta problemas no relacionamento com os pais!
Não consegue dizer “eu te amo” olhando nos olhos,
E essa frieza dói tanto que respinga na relação com seus filhos!

Não morreu,
mas precisa curar sua infância na terapia
E sente que seria mais amoroso se tivesse recebido amor em vez de tapas

Não morreu,
mas se tornou uma pessoa violenta e explosiva com seu companheiro e filhos.

Não morreu,
mas acha natural a violência e enxerga nela uma forma de educar.

Não morreu,
Mas até hoje não sabe o que fazer com sentimentos como a raiva ou a tristeza.

Não morreu,
Mas é inseguro, não acredita em si mesmo e não consegue se aceitar do jeito que é.

Toda criança merece uma infância que não precise ser curada mais tarde.

Não basta não morrer.

Ninguém veio ao mundo só para ser um sobrevivente.
Uma criança que apanha não deixa de amar aos pais, deixa de amar a si mesma.

FONTE: Página Winnicott no Facebook


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