Ambiente escolar desfavorável


AMBIENTE ESCOLAR DESFAVORÁVEL

Hidrafil – via Wikimedia Commons

Fonte: Medium Brasil


Ambiente escolar totalmente desfavorável, foco na memória e não na habilidade de pensar, inibição da criatividade, conteúdos nem sempre relevantes, padronização do ensino:

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Rubem Alves


Os problemas enfrentados pelas gerações atuais são cada vez mais dinâmicos. O mundo muda rapidamente e, para transpor seus novos desafios, cresce a demanda por pessoas que realmente pensem. Pessoas capazes de olhar para os problemas e imaginar soluções. Capazes de criar, inovar e reinventar. Pessoas que construam a mudança que o mundo precisa. Contraditoriamente, logo nos primeiros anos de vida, inserimos as crianças em um sistema educacional que tenta convertê-las em adultos consumidores, e não criadores de conhecimento. Adultos que deixam seus talentos de lado para se tornarem simplesmente medianos. Colocamos as crianças em um ambiente há muito tempo ultrapassado e esperamos que ele proporcione a elas alguma educação.

Eis algumas razões pelas quais o modelo educacional vigente é obsoleto e quais são as sequelas que ele deixa em cada um que passa por ele.

AMBIENTE ESCOLAR TOTALMENTE DESFAVORÁVEL

Conforme observado pelo especialista em educação Ken Robinson, as escolas são indústrias. Essa afirmação talvez não seja tão imediata, mas pare para pensar. As escolas agrupam os alunos em turmas, que nada mais são do que lotes. Em uma sala de aula, cada lote passa por uma rotina repetitiva, na qual profissionais especializados — os professores — desempenham seus papeis de maneira bem segmentada — cada um ensinando o conteúdo específico que lhe cabe, mesmo que na verdade todo o conhecimento esteja entrelaçado, e não dividido em disciplinas. Sirenes tocam indicando que é hora da aula atual ser interrompida para dar lugar à próxima. Após vários anos de repetições diárias desse ciclo, os alunos recebem o rótulo de “formados”, o que indica que o lote está pronto para ir para o mercado.

Infelizmente, não para por aí. Além de uma fábrica, as escolas também possuem características de um presídio. Elas cerceiam a liberdade dos alunos. Todos têm hora para entrar, hora para ir para o pátio e hora para sair. Há inspetores vigiando os estudantes e uma série de punições — advertências, suspensões e expulsões — para os que tiverem mau comportamento.

Esse conjunto de medidas faz com que as escolas suprimam o desejo de aprender, ao invés de despertar a curiosidade e estimular a inteligência. Tomo emprestada a metáfora do fascinante educador Rubem Alves, afirmando que a maioria das escolas são gaiolas, quando na verdade deveriam ser asas.

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.” – Rubem Alves

A ESCOLA DE CINCO DÉCADAS ATRÁS E A ESCOLA DE HOJE: POUCA COISA MUDOU

O modus operandi que norteia o funcionamento de praticamente todas as escolas é o mesmo há muitas décadas. As poucas mudanças que aconteceram não foram de caráter educacional, e sim cultural, como o surgimento das escolas mistas e o fim dos internatos. Fora isso, as escolas em que você estudou seguem os mesmos paradigmas das escolas em que seus avós estudaram. Salas de aula, lousas, cadernos e a velha relação dual: “o professor ensina e o aluno aprende”.

FOCO NA MEMÓRIA, E NÃO NA HABILIDADE DE PENSAR

Ao invés de ensiná-los a pensar, as escolas apenas obrigam os alunos a digerir grandes quantidades de informações. Transmite-se o conhecimento em aulas puramente expositivas. Posteriormente, o conteúdo é cobrado em provas, que são a forma que as escolas encontraram para avaliar se os alunos realmente aprenderam. Isso é bastante curioso, porque as provas, em geral, exigem que os alunos apenas reproduzam o que lhes foi “ensinado”, e não que desenvolvam seu raciocínio, senso crítico e a habilidade de relacionar fatos para tirar conclusões. Basicamente, na escola, os alunos são treinados para memorizar informações e despejá-las em avaliações escritas.

INIBIÇÃO DA CRIATIVIDADE

As escolas instituem desde o começo que serão feitas perguntas, e que cada pergunta admite apenas uma resposta correta. Se o aluno não responde exatamente o que lhe foi ensinado, ele errou. E é bom que não erre muitas vezes. Caso contrário, ele não passará de ano. O aluno aprende que ele não tem liberdade para pensar fora da caixa.

CONTEÚDOS NEM SEMPRE RELEVANTES

O cenário em uma sala de aula é, quase sempre, o mesmo: alunos sentados durante várias horas anotando o que o professor ensina. Não importa se o assunto lhes interessa ou se terá utilidade no futuro. Na verdade, a escolas desperdiçam boa parte do tempo e da energia dos alunos com assuntos desnecessários, quando poderiam estar desenvolvendo habilidades relevantes para a vida pessoal e profissional.

As escolas ensinam que a democracia surgiu na Grécia Antiga, mas não despertam nos alunos o pensamento crítico para avaliar o nosso cenário político e tomar melhores decisões. As escolas ensinam conhecimentos matemáticos nada triviais, como logaritmos, mas não instruem sobre noções básicas de economia ou finanças pessoais. As escola ensinam o que são dígrafos e sujeitos desinenciais, mas não formam pessoas que saibam utilizar bem a linguagem na hora de se comunicar com clareza.

PADRONIZAÇÃO DO ENSINO

O ensino é o mesmo para todos. Um aluno que se interessa mais por uma determinada área não tem, dentro da maioria das escolas, a oportunidade de se aprofundar nela. Alunos com capacidades e interesses distintos são agrupados simplesmente por terem idades iguais, freando o desenvolvimento dos que têm mais facilidade e ignorando as necessidades especiais dos que possuem dificuldades. Além disso, as escolas conduzem o ensino sempre da mesma maneira, ignorando o fato de que cada aluno se adapta melhor a um tipo de aprendizado: visual, auditivo, cinestésico, entre outros.

Ao passar por todas as falhas desse modelo educacional, as crianças não ficam ilesas de suas consequências: redução da capacidade criativa, desprezo pelo ato de estudar, pouca habilidade para pensar por si próprias, estresse e acúmulo de muitas informações dispensáveis.

É por isso que já passa da hora das escolas serem reinventadas. Ao invés de doutrinar os alunos para se tornarem cidadãos obedientes e passivos, elas precisam estimulá-los a pensar de maneira inovadora e lidar com problemas reais — que são muito diferentes de um enunciado aguardando uma resposta decorada. Quando isso acontecer, chegaremos ao cerne da resolução de boa parte dos problemas contemporâneos.

E, quiçá, de uma verdadeira revolução.

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” — Nelson Mandela


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ONDE E QUANDO?


The Advent of Ahriman – parte 8:

ONDE E QUANDO?

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“A organização social padroniza um tempo escasso para convivência com filhos e família, gerando um distanciamento (temos que ganhar a vida né?) e diminuindo os laços emocionais. Isso contextualiza um ambiente familiar de pouca troca anímica, onde a educação é parte do estado e as relações também tendem a ser padronizadas – cada um com seu papel pré estabelecido com pouquíssimas nuances de diferenciação. Pai, mãe, filhos: todos com condutas pré estabelecidas e julgados conforme sua atuação dentro de seu papel: seja pelo estado, pela igreja, pela sociedade, pelo próprio núcleo familiar e, por fim, por si próprio, que absorve tal influência de tal forma que condena a si mesmo ao não corresponder aos padrões estabelecidos. Isso é bem evidente hoje entre os chamados conservadores, principalmente os mais radicais e doutrinadores.”


Steiner diz que a encarnação ahrimânica acontecerá no Ocidente no Terceiro Milênio. Em sua nomenclatura “oeste” significa principalmente a Grã-Bretanha e a América de língua inglesa. Há amplas razões para suspeitar que o local destinado a este evento seja a América, pois o efeito do ambiente natural americano no corpo e na alma humana favorece especialmente as tendências ahrimanianas.

De acordo com as idéias de Steiner, cada uma das várias regiões da Terra tem um efeito único sobre o organismo humano. Na América, a influência ahrimânica é forte, subindo do centro da terra, carregada pelo eletromagnetismo. Isso fortalece a entidade conhecida pelo ocultismo como o “duplo etérico” humano ou “Doppelgänger”.

O Doppelgänger (duplo etérico) é um ser da alma ahrimaniano com inteligência e vontade, mas sem individualidade, sem ego espiritual, e tende a ligar a alma humana ao corpo, endurecendo o pensamento, o sentimento e a vontade humanos. Todos os seres humanos têm um Doppelgänger (duplo etérico) vivendo em seus nervos – eletricidade, infundindo em suas almas todo tipo de impulsos degradantes e deprimentes, além de instigar doenças internas. (A eletricidade é a sombra “sub-natural” e enrijecedora das forças da alma.)

As tendências ahrimânicas na América são bem conhecidas, mesmo para aqueles cuja percepção não é animada pelo conhecimento oculto; A cultura americana é famosa por sua violência e materialismo “fervente” e, mais recentemente, por sua degeneração e decadência.

Quanto ao momento exato em que a encarnação de Ahriman acontecerá, Steiner (até onde sei) não fornece um tempo preciso. Em pelo menos uma passagem, ele parece indicar o fim do terceiro milênio; em outros lugares, ele indica a parte inicial desse milênio.

Em muitos lugares, ele aponta para uma grande crise no final deste século, mesmo uma “Guerra de Todos contra Todos”, quando a humanidade pode muito bem “estar no túmulo da civilização”. De qualquer forma, parece altamente provável que um grande ataque ahrimânico – ou a encarnação do próprio Ahriman, ou o advento do “falso profeta” do Apocalipse, ou algum outro ataque – venha a ocorrer por volta de 1998 dC.

Para entender por que isso acontece, precisamos fazer alguns cálculos simples, com base no princípio oculto dos ritmos significativos da história. (Deixe o leitor cético ser um verdadeiro cético e suspenda o julgamento, e analise a discussão a seguir com uma mente aberta a possibilidades não suspeitas da mente materialista.)
Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

Acho importante, para quem quer compreender melhor do que se trata exatamente o conteúdo, fazer a leitura das partes anteriores, mesmo alguém que seja cético e completamente materialista pode observar a atuação dessas forças como “efeito” – ou seja, poderá observar os efeitos, porém as causas/justificativas poderão ser buscada pela mente racional materialista, logicamente se alinhado a uma perspectiva de honestidade intelectual e sem fanatismos (um pequeno paradoxo: o fanatismo cético materialista).

Sobre os efeitos da influência ahrimânica na alma humana – endurecendo do pensamento, do sentimento e da vontade humanos, pode-se observar:

NO PENSAMENTO:

– Superficialidade e repetição do pensamento padronizado, com fraquíssima capacidade de reflexão e argumentação (até porque está replicando um pensamento externo proposto, ou seja, não está pensando por si).

– Educação baseada na memorização, mecanização e padronização: onde desde a juventude, somos “educados” (na verdade treinados) a memorizar e replicar uma quantidade gigantesca de conteúdos propostos como base de avaliação de desempenho para aprovação ou reprovação – independente da qualidade e veracidade de tais conteúdos/informações, mesmo que o aluno perceba uma inverdade, e aponte-a em suas avaliações, será reprovado. Isto durante toda a maturação do intelecto infantil e posteriormente. Isso gera padronização de pensamentos, estagnação e diminui o senso crítico.

– Jornadas de trabalho excessivas (até 12 horas), muitas delas mecanizadas e de uso nulo do pensar próprio, onde a força vital do indivíduo reverbera na manutenção do sistema atual social (ferramentas para o sistema) e, para si, na capitalização de seu esforço para autosustento. O que gera grande desgaste físico e mental e pouco tempo para atuação em si próprio, onde o indivíduo se torna passivo no pensamento, dando prioridade à família e seu pequeno círculo social, diversão (prazer sensorial – como comer, beber, sexo, conquistas de bens materiais e etc) e, também, absorção passiva de conteúdo midiático. Gerando alienação, passividade mental e egoísmo (em escala social e estrutural).

NO SENTIMENTO:

– Uma alma toca a outra: o contato com a vida, pessoas e histórias se torna cada vez menor. Estamos muito ocupados trabalhando para o nosso sustento e satisfação sensorial de nossos desejos que pouco sobra para as relações humanas, que tendem a ficar no pequeno círculo, com um tempo mínimo e muitas vezes vazio.

– A organização social padroniza um tempo escasso para convivência com filhos e família, gerando um distanciamento (temos que ganhar a vida né?) e diminuindo os laços emocionais. Isso contextualiza um ambiente familiar de pouca troca anímica, onde a educação é parte do estado e as relações também tendem a ser padronizadas – cada um com seu papel pré estabelecido com pouquíssimas nuances de diferenciação. Pai, mãe, filhos: todos com condutas pré estabelecidas e julgados conforme sua atuação dentro de seu papel: seja pelo estado, pela igreja, pela sociedade, pelo próprio núcleo familiar e, por fim, por si próprio, que absorve tal influência de tal forma que condena a si mesmo ao não corresponder aos padrões estabelecidos. Isso é bem evidente hoje entre os chamados conservadores, principalmente os mais radicais e doutrinadores.

– O medo e violência propagada pela mídia e, também, praticado pela própria pela própria sociedade gera uma tendência a diminuição das relações humanas num âmbito mais amplo. O medo de sair e ser agredido, assaltado, enganado e etc diminui a confiança no próximo gerando um receio e até antipatia. Isso tem impacto direto nas relações humanas e no sentir individual – enfraquece as forças do coração, gerando um volume enorme de pessoas sem empatia.

– A vida contemporânea, aprisiona em pequenas espaços e gera pouca interação com os ambientes vivos (principalmente natureza e contato humano). Gerações vivendo em casas ou apartamentos frios, pequenos, conectados a uma TV e agora aos celulares – absorvendo as informações e com a interação fria e distante da tecnologia (sem contato anímico real), também tem efeito direto nas forças do coração e empobrecimento da vida sensorial. O que reflete na atual geração que destila ódio e agressividade nas redes sociais e também no vazio de relacionamentos cibernéticos, onde as relações muitas vezes são mecânicas e frias, sem contato anímico real, pouco ou nenhum interesse pela história e busca do outro, apenas uma válvula de escape dos instintos primitivos alimentados pela própria mídia e redes.

NA VONTADE:

A passividade do pensar, do sentir (que se tornou frio, com pouca trocas anímicas e escasso de impressões sensoriais) e ação e rotinas mecanizadas, com pouco estímulo no âmbito do propósito e busca essencial do indivíduo (autodesenvolvimento), gera uma distanciamento do EU e enfraquece a Vontade, que se torna veículo do próprio duplo etérico e acaba sendo direcionada externamente e instintivamente, seja por instintos inferiores, desejos ou impulsos astrais coletivos, ou seja subjugada.

É também interessante notar que a “Guerra de todos contra todos” alertada por Steiner, com grande ênfase, como um processo crucial para toda a evolução humana tem grande similaridade com o atual processo que vivemos hoje. A data de 1998 tem grande importância e pode ser vinculada ao processo de globalização da internet, seguida posteriormente pela introdução dos smartphones e advento das redes sociais. Assim é disseminada, numa escala global, informações que tendem a ser absorvidas pelo intelecto passivo, independentes de serem verdade (vide fake news) e gerando uma desarmonia e agressividade entre as pessoas – aliada a falta de empatia, o que gera violência e ódio cegos, alimentados por ideologias separatistas e dogmáticas.

Leonardo Maia

CONTINUA PARTE 8 em breve: “Quando e onde?”

Link para a parte 1:

ESPÍRITO E ALMA

Link para a parte 2:

Seres espirituais e evolução terrena

Link para a parte 3:

SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN

Link para a parte 4:

AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS

Link para a parte 5:

A Degradação da Linguagem

Link para a parte 6:

Ahriman na cultura

Link para a parte 7:

O BEM E O MAL


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O PENSAR MAIS PRIMITIVO DO SER HUMANO


O PENSAR MAIS PRIMITIVO DO SER HUMANO

Leonardo Maia


“O pensar próprio sempre atua até onde minha consciência alcança, então muitas vezes flutua pela a superficialidade e por isso não percebe a moralidade por trás das questões e o próprio indivíduo.”


O pensar movido por simpatia e antipatia é um pensar egoísta, pois só tenho receptividade se você me reafirma ou se diz algo que me agrada senão nego, julgo, critico e deprecio não só o pensamento, mas também o indivíduo que o replica ou produz o pensamento. Este pensamento, muito comum hoje em dia, é impulsionado por reações de simpatia e antipatia, emoções, interesses e necessidades próprias, instintos, paixões, desejos (EGO).

Hoje a gente vive um ambiente que é muito permeado por este pensar mais primitivo do ser humano, o pensar movido por um emocional sem coesão ou por um racional frio e materialista, ambos impulsionados por reações de simpatia e antipatia que muitas vezes leva à decisões injustas e juízos incorretos na hora de formar considerações apropriadas de assuntos que não domina. Flutua pela a superficialidade por isso, muitas vezes, não percebe a moralidade por trás das questões.

Com relação à alma da sensação, sua superação ocorre na medida em que o homem se preocupa em transformar suas tendências amorais, seu egoísmo, seus baixos instintos, e consegue isso através de auto conhecimento e reconhecimento do outro – tanto no reflexo de seus mesmos defeitos quanto na busca autêntica do outro na superação de suas próprias dificuldades para elevação moral.

Com relação à alma do intelecto, o homem tem que superar a mentira, toda forma de medo, e a tendência para o materialismo através de decisões justas, juízos corretos, organizações socialmente justas, formar considerações apropriadas através do estudo de assuntos que não domina; desenvolver um conhecimento individual interno, um pensar vivo, orgânico, espiritual, do coração, capaz de superar o pensar frio e puramente racional: potencializar as forças do coração (Empatia, altruísmo e compaixão).

Todos somos permeados por essa astralidade já que estamos no processo de individuação e inseridos num contexto social, portanto identificamo-nos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual nos encontramos mas com as orientações emanadas do próprio EU – por isso é essencial honestidade intelectual, humildade e vontade para sobrepor as tendências inferiores da personalidade e do instinto.

Quanto menos auto-consciência mais tendência a ser conduzido por ideologias coletivas, identificação com arquétipos coletivos e comportamentos padronizados. Basta olhar para o lado e ver várias pessoas que tem um comportamento e uma ideologia igual ou muito parecida.

O pensar sempre atua até onde minha consciência alcança, então muitas vezes flutua pela a superficialidade e por isso não percebe a moralidade por trás das questões e o próprio indivíduo.

Nessas pessoas o ego tem que ser mais forte para voltar a percepção para si… tirando o foco do padrão coletivo e direcionando para a auto percepção, o caminho de individualização. O ego se guia por interesse próprio (para fortalecimento da percepção de individualidade).

A auto-consciência tem a capacidade de dissolver a força do ego e elevar o nosso pensar para a percepção do outro – caminho do egoísmo para o altruísmo.

Leonardo Maia


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O indivíduo como membro da humanidade


O INDIVÍDUO COMO MEMBRO DA HUMANIDADE

Fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil


“O fato de uma pessoa isolada sentir-se como individualidade não exclui que ela também se sinta unida a toda a humanidade. Na evolução humana ninguém tem o direito de sentir-se como individualidade caso não se sinta, ao mesmo tempo, membro de toda a humanidade.”

Rudolf Steiner


Basicamente, a trimembração da sociedade e de qualquer organismo social baseia-se em algo que costumo expressar como uma “Lei Individual-Social”, isto é, uma lei que vale para todos os indivíduos enquanto seres sociais:

“Todo ser humano é um ser com necessidades e habilidades, que interage com outros seres humanos; nessa interação, parte de suas necessidades são satisfeitas pelas habilidades de outros, e parte de suas habilidades são exercidas em atuação para ou com outros seres humanos.”

Essa lei é absoluta: não existe nenhum ser humano vivendo em sociedade que não tenha que segui-la. Nesse sentido, ela é tão inexorável e objetiva quanto qualquer lei da natureza. Ela deriva da constituição física, anímica e espiritual do ser humano atual.

A partir da Lei Individual-Social chega-se a características fundamentais ligadas aos âmbitos que ela abrange::

1. Na satisfação das necessidades, o espírito básico deve ser o de fraternidade ou solidariedade. De fato, se alguém consome demais, outra pessoa terá necessariamente que consumir de menos. A produção de bens tem a finalidade de satisfazer necessidades físicas e culturais das pessoas, de modo que ela deveria seguir esse espírito básico, por exemplo produzir-se aquilo que é realmente necessário, sem induzir necessidades.

2. No exercício de habilidades, o espírito básico deve ser o de liberdade. Esse exercício engloba toda a criatividade, seja ela social, artística, intelectual e científica. É óbvio que a falta de liberdade em funções criativas prejudica essas funções. No entanto, essa liberdade deve existir inclusive no trabalho e na prestação de serviços, como por exemplo no caso de um professor ou um médico ou terapeuta.

3. No relacionamento humano, o espírito básico deve ser o de igualdade, isto é, cada pessoa deve encarar o outro com um adulto responsável; as regras de convivência, os acordos e contratos devem ser estabelecidos encarando-se as partes envolvidas como seres iguais em relação a direitos e deveres.

Da Lei Individual-Social poderia-se considerar:

– Em uma comunidade, a satisfação das necessidades é tanto mais adequada à vida quanto mais emanar da fraternidade (solidariedade) para com os outros e será tanto mais inadequada quanto se procurar atingir vantagens pessoais.

– Em uma comunidade de trabalho, este é tanto mais frutífero quanto mais for estruturado a partir da liberdade individual, e tanto mais estéril quanto mais ocorrer por determinação alheia.

– Em um grupo de pessoas ou em instituições, os acordos e contratos são tanto mais viáveis e robustos quanto mais eles emanarem da igualdade de condições das partes envolvidas, e serão tanto mais frágeis quanto mais provierem do exercício de poder de uma das partes.

É importante salientar que as necessidades dos seres humanos não são apenas físicas, como as de alimentação, vestuário, moradia, transporte, etc. Há necessidades culturais, como a educação e a autoeducação, o contato com obras artísticas e científicas, a obtenção de informação e conhecimento, etc. Há ainda necessidades essencialmente individuais, como a possibilidade de perseguir e concretizar um ideal, realizar-se na vida, etc. Também existem habilidades que não são puramente físicas, como resolver conflitos entre pessoas, ter novas idéias, ser criativo, etc.

Em termos da sociedade como um todo, Steiner propôs que ela fosse dividida em três membros:

1. O setor de produção, distribuição e consumo de bens, e tudo o que tem a ver com a satisfação de necessidades (incluindo as não-físicas), que ele denominou de vida econômica (Wirtschaftsleben). O seu espírito básico deve ser a fraternidade. A aplicação das inúmeras ideias de Steiner sobre esse setor é denominada de economia associativa.

2. O setor que regula o relacionamento entre as pessoas, que ele denominou de vida jurídica (Rechtsleben). O seu espírito básico deve ser a igualdade.

3. O setor envolvido em todo exercício de habilidades e prestação de serviços, que ele denominou de vida espiritual (Geistesleben).O seu espírito básico deve ser a liberdade.

Numa tradução mais literal ter-se-ia que usar em cada caso dois substantivos: vida da economia, vida do direito e vida do espírito.

Steiner disse ainda que a grande meta da humanidade é o desenvolvimento da vida espiritual; os outros setores devem servir de base para que os indivíduos possam desenvolver a liberdade, a criatividade e o autodesenvolvimento espiritual.

Fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil


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VACINAS, NEGACIONISMO, ESPIRITUALIDADE E ÉTICA MORAL


VACINAS, NEGACIONISMO, ESPIRITUALIDADE E ÉTICA MORAL

Leonardo Maia


“Cerca de 100 anos atrás, em uma série de 14 ensaios publicados sob o título “The Fall of the Spirits of Darkness” – A Queda dos Espíritos das Trevas, Steiner alertou as gerações futuras de uma possível medida de controle de massa, muito parecido com as visões apresentadas por Orwell e Huxley. Steiner imaginou um futuro em que as vacinas poderiam nos roubar nossa natureza espiritual.”

Dylan Charles


Olha, é um assunto complexo e vou colocar a minha opinião.

Existe uma colocação do Steiner sobre a possibilidade de supressão do Espírito através de vacinação (desconexão com os Mundos Espirituais/suprassensíveis), que isto poderia acontecer no futuro.

“Cerca de 100 anos atrás, em uma série de 14 ensaios publicados sob o título “The Fall of the Spirits of Darkness” – A Queda dos Espíritos das Trevas, Steiner alertou as gerações futuras de uma possível medida de controle de massa, muito parecido com as visões apresentadas por Orwell e Huxley. Steiner imaginou um futuro em que as vacinas poderiam nos roubar nossa natureza espiritual.” – Dylan Charles

“Eu expliquei a vocês que os espíritos das trevas soprarão em seus hospedeiros, para os homens que habitam, para descobrir uma vacina que pode, desde a juventude, através do corpo, erradicar a tendência à espiritualidade. No futuro, crianças serão vacinadas contra essa ou aquela doença com um produto que pode ser muito bem composto e que impedirá que as crianças desenvolvam nelas as “loucuras” da vida espiritual, “loucuras” de um ponto de vista materialista, é claro.” – Rudolf Steiner (conferência dada em Dornach em 7 de outubro de 1917)

Outra questão, sobre o aspecto anti-vacina, realmente o excesso de vacinas contemporâneo é um ponto a se questionar, porém é necessária coerência, por exemplo num caso de pandemia e doenças perigosas – onde quem não está vacinado pode colocar a vida de milhares em risco.

Também acredito que realmente existe a possibilidade de, através da vacinação obrigatória, a inserção de componentes específicos que podem causar efeitos pontuais para manipulação em massa.

Então, o que ocorre é uma sinuca, onde realmente a responsabilidade social nos impõe a postura ética de nos vacinarmos perante epidemias ou doenças específicas e, ao mesmo tempo, de nos submetermos a violação da integridade devido a manipulação dos componentes inseridos no organismo humano, principalmente para efeitos específicos em massa, o que é bem possível e existem denúncias de grupos vinculados à respeito disso.

Não descarto a manipulação – criação de vírus (como armas biológicas) para surtos epidêmicos para justificar a necessidade de vacinação em massa, porém isso se torna especulação e teoria da conspiração, portanto, nesse caso, a minha opinião é que acabamos obrigados a nos vacinar, porém minha opção é sempre quanto menos vacina melhor, porém importante em caso de real necessidade. E, realmente, o medo é uma arma:

“Existem seres nos reinos espirituais para os quais a ansiedade e o medo que emanam dos seres humanos oferecem um alimento bem-vindo. Quando os humanos não estão mais ansiosos e com medo, essas criaturas passam fome. As pessoas que ainda não estão convencidas o suficiente por essa afirmação podem entender que ele tem apenas um significado relativo, mas para aqueles que estão familiarizados com isso, é uma realidade. Se o medo e a ansiedade irradiam de indivíduos que começam a entrar em pânico, essas criaturas se alimentam e se tornam cada vez mais poderosos, esses seres são hostis à humanidade.

Os sentimentos negativos de ansiedade, medo e superstição, desespero ou dúvida, são na realidade forças hostis que emanam de mundos extra-sensoriais, cujos seres exercem ataques cruéis contra os seres humanos enquanto se alimentam de seus efeitos. Portanto, é necessário que uma pessoa que entre no mundo espiritual supere primeiro o medo, o desamparo, sentimento de impotência, desespero e a ansiedade. Mas são precisamente esses sentimentos que pertencem à cultura e ao materialismo contemporâneos; porque alienam os seres humanos do mundo espiritual, o que é particularmente adequado para evocar desespero e medo do desconhecido nos indivíduos, chamando assim as forças hostis acima mencionadas contra ele. ” – Rudolf Steiner

Sobre as doenças infantis, elas são renovadoras das proteínas herdadas, que são trocadas por proteínas produzidas pela própria individualidade. Ao evitar tais doenças, a memória genética continua atuando na individualidade gerando padrões de comportamento e tendências da corrente hereditária, o que distancia e enfraquece o processo de individuação. Ou seja, mantemos memória nuclear de traumas, tendências, até vícios e hábitos herdados.

Essa aspecto de manutenção da memória nuclear hereditária é caminho contrário da evolução humana, volta para a consciência da Antiga Lua (encarnação planetária anterior à atual). Ou seja, abafa o EU, enfraquecendo-o e até mesmo anulando o processo de individuação.

Sobre o negacionismo, existe um paradoxo aqui. Realmente você é negacionista se questiona a funcionalidade das vacinas, porém você também é negacionista se você nega a possibilidade de inserirem outros elementos químicos específicos ocultos nas pessoas – como faziam os nazistas para pesquisa médica e científica (negar isto é negar a ciência igual). Ao observar a consciência das pessoas, qual aspecto moral impediria isto hoje também?

Isso tudo reflete a complexidade do tema… porém é sempre importante a reflexão. Este tema foi abordado no canal da Palabra de Rudolf Steiner e em sua página do Facebook e gerou uma certa polêmica, principalmente devido a Pandemia pelo COVID-19. Segue o link do vídeo (em espanhol):

Segue outra fonte de pesquisa onde o tema também foi abordado:

http://www.verdadypaciencia.com/2020/06/en-1917-rudolf-steiner-profetizaba-la-creacion-de-una-vacuna-que-suprimiria-toda-inclinacion-a-la-espiritualidad-en-las-almas-de-los?fbclid=IwAR2-OXaoCwUfr_2bGFPr0bAX890iDQiGa3KvKu1QnJqPVrDq95_Z06eQzYE

Devido à complexidade do tema e o momento atual, acho importante compartilhar com os seguidores da página.

Por Leonardo Maia


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RUDOLF STEINER E OS MOVIMENTOS SOCIAIS


RUDOLF STEINER E OS MOVIMENTOS SOCIAIS

Leonardo Maia


Definições banais de movimentos sociais são utilizados por falta de profundidade, busca autêntica ou mesmo por egoísmo ideológico, principalmente se, por questão de valores e moralidade, buscarmos compreender o impulso essencial das consciência individuais que estão por trás de tais movimentos: altruísmo, justiça social, respeito e dignidade ou interesses pessoais, econômicos e doutrinários?


Em carta, John Henry Mackay – poeta e filósofo, colocou para Steiner uma perspectiva sobre o movimento social classificado/designado como “Anarquista” na época, que carregava o slogam “Propaganda of the Deed”. Estes movimentos utilizavam táticas de violência e alimentavam um espírito de revolta para demonstrar que o estado não era onipotente e oferecer esperança aos oprimidos, porém classificou-os, não como anarquistas, mas todos como comunistas revolucionários. (Interessante notar a classificação de comunistas revolucionários grupos que lutam contra a onipotência do Estado, contrapondo o conceito “comunista” banalizado nas redes sociais).

Em contraponto, John Henry Mackay trouxe o movimento do “anarquismo individualista”, conceito proposto pelo americano Benjamin Tucker, que era anarquista e socialista, que prioriza o indivíduo e sua vontade sobre todo tipo de determinação externa, tais como moralidade, ideologia, costume social, religião, metafísica, ideias ou vontade de terceiros. Possui um viés socialista/comunista, porém acredita no direito a propriedade, porém também dever do indivíduo de partilhar com aqueles que necessitam como gesto de altruísmo, entretanto, tal benevolência não pode ser forçada, sendo questão da liberdade individual: o “julgamento pessoal”. E também acredita no Estado mínimo – o qual é classificado com é um “mal necessário” que se tornaria cada vez mais irrelevante e impotente pela expansão gradual do consciência coletiva. Também contra movimentos que utilizem a violência e depredação, porém esta que pode surgir quando uma sociedade é ameaçada por força violenta.

Tucker desaprovava a propriedade do governo porque, para ele, o controle estatal era a forma mais completa e desagradável de monopólio, afirmando: “O governo é um tirano vivendo por roubo e, portanto, não tem negócios para se envolver em nenhum negócio. […] o governo não possui as características de um homem de negócios bem-sucedido, sendo desperdiçador, descuidado, desajeitado e míope ao extremo “. Tucker sustentou que todas as formas de atividades autoritárias implicam o recurso à força e nada de bom ou duradouro jamais foi alcançado por compulsão. Assim, ele recusou-se a tolerar a derrubada do Estado por meios violentos, argumentando: “Se o governo fosse abruptamente e totalmente abolido amanhã, provavelmente haveria uma série de conflitos físicos sobre a terra e muitas outras coisas, terminando em reação e reavivamento. da antiga tirania “. Por isso, Tucker pregou educação generalizada e, finalmente, quando a sociedade atingisse esse estado, a liberdade individual para todos prevaleceria como uma questão de disciplina.

Por fim, era contra o estado e o capitalismo, contra a opressão e a exploração. Embora não fosse contra o mercado e a propriedade, ele era “firmemente contra o capitalismo, pois era, aos seus olhos, um monopólio estatal do capital social” que “permite que os proprietários explorem seus funcionários.

Tucker se opôs duramente ao socialismo de estado e foi um defensor do socialismo libertário que ele chamou de socialismo anarquista.

Em resposta, Steiner trouxe várias reflexões pessoais em relação à tais colocações:

“Até agora, sempre evitei usar até o termo “anarquismo individualista” ou “anarquismo teórico” para minha visão de mundo… se alguém declara suas opiniões de forma clara e positiva em seus escritos: qual é a necessidade de designar essas visões com uma palavra conveniente? Afinal, todo mundo conecta noções tradicionais bastante definidas com essa palavra, que reproduzem apenas de forma imprecisa o que a personalidade em particular tem a dizer. Eu falo meus pensamentos; Eu caracterizo meus objetivos. Eu próprio não tenho necessidade de nomear minha maneira de pensar com uma palavra habitual.”

Este trecho é interessante para fazer uma ponte com as designações cristalizadas que rotulam, de forma genérica e superficial, as formas multifacetadas do pensamento individual, onde hoje vemos, coincidentemente, como exemplo, a designação “socialista/comunista” para todo aquele que contrapõe a imposição, a degeneração e injustiça social ou a restrição à liberdade e que são contra o autoritarismo governamental (ou, hoje, mesmo simplesmente fazendo oposição ou questionam o atual governo), generalização exatamente como criticada em relação ao “anarquismo individualista” por Steiner, que, por tal generalização pode inserir o indivíduo, por exemplo, no termo “comunista revolucionário” cunhado por John Henry Mackay na carta, reproduzem de forma imprecisa a individualidade, pois a dissolve num movimento/pensamento coletivo.

Porém, Steiner, considerando um limiar de representação da perspectiva do indivíduo pelos conceitos, continua:

“Se, no entanto, eu dissesse, no sentido na qual essas coisas podem ser decididas, se o termo “anarquista individualista” é aplicável a mim, eu teria que responder com um “SIM” incondicional… …não sou tão otimista quanto você, querido Herr Mackay, que simplesmente diz: “Nenhum governo é tão cego e tolo a ponto de agir contra uma pessoa que participa da vida pública apenas através de seus escritos e o faz no sentido de uma reformulação da condições sem derramamento de sangue “. Você não considera com quão pouca racionalidade o mundo é governado…

…. O “anarquista individualista” não quer que ninguém seja impedido por nada, capaz de revelar as habilidades e forças que nele existem. Os indivíduos devem se afirmar em uma batalha de competição totalmente livre. O estado atual não faz sentido para esta batalha de competição. Isso dificulta o indivíduo a cada passo do desenvolvimento de suas habilidades. O Estado odeia o indivíduo.

O Estado diz: só posso usar uma pessoa que se comporta assim e assim. Quem quer que seja diferente, vou forçá-lo a se tornar do jeito que eu quero… …e se você não é assim, você precisa se tornar assim. O anarquista individualista, por outro lado, sustenta que a melhor situação resultaria se alguém desse caminho às pessoas de maneira livre. Ele tem a confiança de que eles mesmos encontrariam sua direção. Naturalmente, ele não acredita que, depois de amanhã, não haja mais ladrões/malandros/marginais se alguém abolir o estado. Mas ele sabe que não se pode, por autoridade e força, educar as pessoas a se tornarem livres. Ele sabe uma coisa: abre caminho para as pessoas mais independentes, eliminando toda a força e autoridade.”

Vale fazer uma pergunta em relação ao atual “perigo eminente da ditadura Comunista” ou “Agenda Comunista para a Nova Ordem Mundial”, como propagada pela direita conservadora: como um movimento que pede eliminação da força e autoridade, principalmente questionando a imposição de tornar o indivíduo do jeito que o Estado quer, pode gerar uma Ditadura Comunista?

Outra pergunta é: como um impulso para liberdade de pensar e seguir seu caminho em contraponto a um Estado opressor que exige uma forma doutrinária de pensamento pode ser uma imposição ideológica? Como um paradoxo: Eu exijo liberdade de pensamento X imposição ao outro que ele deva libertar o pensamento alheio (estou impondo uma ideologia ao outro), algo similar ao intolerante com o intolerante – se você não tolera a minha intolerância, você também é um intolerante. Estes argumentos são utilizados com frequência para justificar a opressão e a liberdade hoje.

Outro ponto interessante é a falsidade intelectual, onde distorço aspectos da realidade por conveniência e interesse, seja pessoal ou ideológico. Como por exemplo, a “Escola sem partido”, que é em verdade a imposição de uma ideologia restritiva e doutrinária no pensamento utilizando, como justificativa para tal imposição, a argumentação de doutrinação comunista – não que não possa haver influência (e há) da ideologia pessoal do educador, pois tal influência é inerente ao processo de educação, porém a luta é contra o pensamento crítico que contrapõe as falhas da situação (governo): não queremos exposição ou questionamentos em relação à nossa condução/imposição/erros/agenda. Então tal projeto “Escola sem Partido” seria claramente uma “Escola do partido da direita conservadora” com viés ideológico e imposição doutrinária ao pensamento individual. Por isso, sua justificar sua imposição é uma falsidade intelectual.

Outro exemplo seria a restrição à Liberdade pela Agenda Comunista (hoje, chinesa), na imposição de uma quarentena. Obviamente, restringir a liberdade numa pandemia é por colocar a vida de pessoas em risco, facilmente justificada pela quantidade de mortes. Minha liberdade termina onde começa a do outro, portanto, é uma questão de saúde pública. E tal argumentação de plano comunista para restrição da liberdade individual também é uma falsidade intelectual.

Nesse aspecto da falsidade intelectual, podemos pontuar a influência de Ahriman, quando sabe-se que não é real porém utiliza-se a argumentação por conveniência (uma mentira para justificar algum aspecto, geralmente do aspecto/interesse pessoal). Já na outra polaridade, temos o grupo que acredita realmente em tais fatos, neste caso trata-se de influência Luciférica, que tira a percepção da realidade baseada numa espécie doutrinação – neste caso não é falsidade intelectual, e sim, fanatismo.

Steiner continua:

“Mas é com força e autoridade que os estados atuais são fundados. O anarquista individualista mantém inimizade com eles, porque suprime a liberdade. Ele não quer nada além do desdobramento livre e sem impedimentos de poderes. Ele quer eliminar a força, que oprime o livre desenvolvimento. Ele sabe que, no momento final, quando a social-democracia tiver suas conseqüências, o Estado terá seus canhões funcionando. O anarquista individualista sabe que os representantes da autoridade sempre buscarão medidas de força no final. Mas ele tem a convicção de que tudo da força suprime a liberdade. É por isso que ele luta contra o Estado, que repousa sobre a força – e é por isso que ele luta com a mesma energia contra a “propaganda of the deed”, que não menos se baseia em medidas de força. Quando um estado decapita ou trava uma pessoa – pode-se chamá-lo como quiser – por causa de sua opinião, que parece abominável para o anarquista individualista. Naturalmente, não parece menos abominável para ele quando um Luccheni esfaqueia uma mulher que é a imperatriz da Áustria. Pertence aos primeiros princípios do anarquismo individualista a batalha contra coisas desse tipo. Se ele quisesse perdoar, teria que admitir que não sabe por que está lutando contra o Estado. Ele luta contra a força, que suprime a liberdade, e luta contra ela da mesma forma quando o Estado faz violência a um idealista da ideia de liberdade.”

Aqui Steiner coloca o ponto da força e opressão, tanto por parte do Estado quanto por parte dos movimentos anarquistas do “Propaganda of the Deed”. Vale fazer uma relação com os atuais movimentos “Pró democracia/Antifascistas” atuais do Brasil e o movimento “Black Lives Matter” (inicialmente americano e agora mundial). Existe um movimento contra a depredação e violência, para que os protestos sejam pacíficos, porém temos alguns fatores impeditivos:

– A revolta de grupos oprimidos, onde a opressão, por exemplo da população negra que é marginalizada, pode eclodir em um movimento de violência e depredação por parte de parcelas de indivíduos indignados.

– Instituições militares aparelhadas que agridem os movimentos pacíficos por ideologia partidária, gerando mais violência e depredação. Inclusive sendo fator de ignição.

– Militantes infiltrados para gerar confusão e caos, justificar a violência policial e deslegitimar tais manifestações.

Por fim, fica claro que definições banais de movimentos sociais são utilizados por falta de profundidade, busca autêntica ou mesmo por egoísmo ideológico, principalmente se, por questão de valores e moralidade, buscarmos compreender o impulso essencial das consciência individuais que estão por trás de tais movimentos: altruísmo, justiça social, respeito e dignidade ou interesses pessoais, econômicos e doutrinários?

Leonardo Maia

Fonte da Carta de John Henry Mackay e reposta de Rudolf Steiner: https://wn.rsarchive.org/Articles/Anarcy_index.html


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A CRIANÇA PEQUENA E AS IMPRESSÕES QUE A RODEIAM


A CRIANÇA PEQUENA E AS IMPRESSÕES QUE A RODEIAM

Rudolf Steiner

Tradução livre: Leonardo Maia


Permita que a criança vivencie a infância com plenitude.


A criança durante os primeiros sete anos é realmente um completo olho. Se algo ocorre no ambiente da criança, digamos, para dar um exemplo extremo, um temperamento quando alguém fica furioso, então toda a criança terá uma imagem dentro dele dessa explosão de raiva. O corpo etéreo faz uma foto dele. Disso algo passa para toda a circulação do sangue e do sistema metabólico, algo que está relacionado a essa explosão de raiva.

Isto é assim nos primeiros sete anos, e de acordo com isso o organismo se ajusta. Naturalmente, estes não são acontecimentos grosseiros, são processos delicados. Mas se uma criança cresce na proximidade de um pai bravo ou com uma professora temperada, o sistema vascular, os vasos sanguíneos, seguirá a linha da raiva. Os resultados dessa tendência implantada nos primeiros anos continuarão por todo o resto da vida.

Estas são as coisas mais importantes para a criança. O que você diz a ele, o que você ensina, ainda não faz nenhuma impressão, exceto na medida em que ele imita o que você diz em seu próprio discurso. Mas é o que você é que importa; Se você é bom, essa bondade aparecerá em seus gestos, e se você é malvado ou mal-humorado, isso também aparecerá em seus gestos – em suma, tudo o que você faz você passa para a criança e segue um caminho dentro dela.

Este é o ponto essencial. A criança é inteiramente órgão dos sentidos e reage a todas as impressões das pessoas que a rodeiam. Portanto, o essencial não é imaginar que a criança possa aprender o que é bom ou ruim, que ele possa aprender isso ou aquilo, mas saber que tudo o que é feito em sua presença é transformado, no seu organismo infantil, em espírito, alma e corpo. A saúde para toda a vida depende de como alguém se conduz na presença da criança. As inclinações que ele desenvolve dependem de como alguém se comporta em sua presença.

Rudolf Steiner

Tradução livre: Leonardo Maia


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O PERDÃO E OS NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA


O PERDÃO E OS NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA

Leonardo Maia


“Amar é humano.
Sentir dor é humano.
Ainda assim amar, apesar da dor, é puro anjo. “

Mevlana Rumi


Todos nós, na longa jornada de autodesenvolvimento, cometemos erros, pecados, atrocidades e injustiças de inúmeras naturezas… mas a própria vida, no decorrer do caminho, nos levará ao encontro do arrependimento, com a lei eficaz de carma, ampliando nossa consciência para nos tornar melhores seres humanos.

Qualquer um que tenha uma busca consistente de autodesenvolvimento, ao olhar para si mesmo dentro do próprio caminho, poderá perceber com clareza este processo individual rumo à maturidade espiritual…

Aos que estão com a consciência mais elevada, perdoar a si mesmo é o grande desafio, pois estas pessoas acabam carregando a culpa de seus erros com um peso muito grande, pois sua visão parte da sua ação para o todo, e não do todo para mim, como nas pessoas ainda imaturas espiritualmente, que se identificam mais como vítimas, onde sua visão tende a culminar em si próprio. Para estas pessoas, seu desafio acaba sendo perdoar o outro, pois têm uma grande tendência à autocompassividade para com suas falhas e um julgamento voraz perante a falha alheia.

Lembre-se: todos erramos…

Muitas vezes, as pessoas têm dificuldade de perdoar quem não segue sua filosofia ou doutrina, mesmo que ela dite algo contrário, como a necessidade de perdoar o próximo… por estarem muito identificadas com uma consciência coletiva, não discernem muito bem o correto do errado, muitos agem instintivamente e conectados ao corpo de desejos, sua concepção de moralidade está vinculada às regras doutrinárias, legislações ou senso comum do grupo com o qual se identifica e etc… Se o grupo ou doutrina diz que é certo, é certo. Se diz que é errado, é errado.

Podemos perceber em que etapa de maturidade está a humanidade olhando para a consciência das pessoas como um todo:

Alguns na animalidade, estado mais primitivo da alma, mais identificados com os desejos e instintos, com consciências coletivas.

Existe um grupo mais humanizado, mas ainda muito identificado com o ego. Sua percepção tendem a partir do todo para o Eu, tende a culminar em si próprio.

Existe ainda os que os mais espiritualizados, mais conectados com o Espírito, que têm ciência que os impactos que a vida têm são reflexos de suas próprias ações e tendem a ponderar sua ação perante o todo.

O perdão deve surgir da conscientização da capacidade do ser humano de corrigir suas deficiências e se tornar uma pessoa melhor, de se arrepender de seus erros, ponderando o impacto de suas ações sobre si e sobre os outros. Não significa esquecer, mas transcender. Honrar o caminho de aprendizado que cada ser humano possui, inclusive nós mesmos, para aqueles que têm dificuldade de perdoar a si próprios de seus erros. Lembre-se, os atos podem ser imperdoáveis, mas o ser humano não.

Não conseguir perdoar é uma carga que nós acabamos carregando, da mágoa, do ódio, da culpa ou seja qual for o sentimento que os atos em si tenham causado em nós, sejam dos outros em relação a mim (perdoar o próximo) ou meus em relações aos outros (perdoar a si mesmo).

Os atos podem ser imperdoáveis, mas os seres humanos não.

Leonardo Maia


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INEXTRICAVELMENTE


INEXTRICAVELMENTE

Rudolf Steiner

Fonte: GA 104 (Nuremberg – 27/06/1908)

Tradução livre: Leonardo Maia


O homem atingirá moralmente o estágio de desenvolvimento onde a felicidade de um está inextricavelmente ligada à felicidade de todos.


“Um indivíduo, embora não o admita, está convencido de que um pode ser feliz quando o infortúnio de outro reinar por perto. Geralmente, é possível se sentir feliz agora, apesar do fato de outras pessoas serem infelizes.

No futuro, ela atingirá moralmente esse estágio de desenvolvimento, quando for impossível para ele, como indivíduo, se sentir feliz se seus vizinhos estiverem infelizes.

A felicidade de alguém está inextricavelmente ligada à felicidade de todos.

Mas o homem tem um longo caminho a percorrer.”

Rudolf Steiner – GA 104 (Nuremberg – 27/06/1908)


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UMA EDUCAÇÃO EM ALTRUÍSMO


UMA EDUCAÇÃO EM ALTRUÍSMO

Rudolf Steiner

Fonte: https://wn.rsarchive.org/Articles/GA034/


“Se a gente cresce com os golpes duros da vida, também podemos crescer com os toques suaves na alma.”

Cora Coralina


Conhecer Cristo é atravessar a escola do altruísmo e familiarizar-se com todos os incentivos ao desenvolvimento humano que se adentram gentilmente em nossas almas, aquecendo e animando toda inclinação altruísta dentro de nós, despertando-a da vida passiva para a alma ativa.

Sob a influência do materialismo, o altruísmo natural da humanidade foi perdido em uma medida que só será plenamente realizada no futuro distante. Mas, ao contemplar o Mistério do Gólgota, permeando o nosso conhecimento com todos os nossos sentimentos, podemos adquirir novamente, com todo o nosso ser/alma, uma educação em altruísmo.

Rudolf Steiner


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