6 PRINCÍPIOS WALDORF QUE PODEM SER ADOTADOS POR QUALQUER FAMÍLIA


6 PRINCÍPIOS WALDORF QUE PODEM SER ADOTADOS POR QUALQUER FAMÍLIA

Fonte: Escola La Casa del Sol


As crianças não se desenvolvem da mesma maneira, nem se desenvolvem na mesma proporção. A educação Waldorf nos ensina a estar atentos às necessidades de cada criança e a parar de esperar que nossos filhos sejam o que não são.


A Pedagogia Waldorf é um sistema de educação alternativo que se concentra no desenvolvimento integral de uma criança. As escolas Waldorf integram conteúdo artístico, prático e intelectual em seu currículo e se concentram em habilidades sociais e valores espirituais.

A educação de Waldorf começou, inspirada na filosofia de Rudolf Steiner, em 1919, quando foi aberta, a primeira escola na Alemanha. Steiner acreditava que as crianças aprendiam melhor quando eram encorajadas a usar sua imaginação. Ele argumentou que a educação tinha que levar em conta os aspectos físicos, comportamentais, emocionais, cognitivos, sociais e espirituais de cada criança.

Muitos benefícios foram associados a uma educação Waldorf. O livro Educação Alternativa para o século XXI fornece evidências de que as escolas Waldorf permitem o desenvolvimento integral das crianças.

Aqui estão 6 princípios da pedagogia Waldorf que acreditamos que todas as famílias deveriam adotar:

1. A INFÂNCIA NÃO DEVE SER TOMADA COMO CARREIRA

As crianças não se desenvolvem da mesma maneira, nem se desenvolvem na mesma proporção. A educação Waldorf nos ensina a estar atentos às necessidades de cada criança e a parar de esperar que nossos filhos sejam o que não são.

2. TORNE-SE UM NARRADOR

Dizem que Einstein disse uma vez: “Se você quer que seus filhos sejam inteligentes, leia contos de fadas. Se você quer ser mais inteligente, leia mais contos de fadas”. A educação Waldorf compartilha esse ponto de vista. A educação Waldorf enfatiza a importância de contar/narrar histórias ao invés de ler (mecanicamente) histórias. A narração de histórias desenvolve a imaginação de uma criança.

3. CONECTE-SE COM A NATUREZA TODOS OS DIAS

As crianças prosperam na atividade física. Brincar fora (jardim, praça ou na natureza) também estimula sua criatividade. Conectar-se a natureza significa ensinar nossos filhos a estar mais atentos ao mundo que os rodeia. Significa ensiná-los a tomar tempo para cheirar as flores e observar as coisas diferentes e as pessoas em seu ambiente. A natureza também tem um efeito calmante sobre as crianças.

4. ESTIMULE SEUS FILHOS A BRINCAR

A educação Waldorf baseia-se no princípio de que os brinquedos mais simples incentivam a criatividade. Steiner enfatizou a necessidade de brinquedos mais naturais e argumentou que os brinquedos devem proporcionar às crianças experiências sensoriais. Ele acreditava que, quando os brinquedos são simples e abertos, eles incentivam a criatividade das crianças porque elas podem usar sua imaginação. A educação Waldorf favorece os brinquedos simples e ecológicos aos quais todos têm acesso.

5. ESTABELECER ROTINAS

Na educação Waldorf, dá-se grande importância ao ritmo. Existem muitos benefícios para o estabelecimento de rotinas, pois proporcionam às crianças uma sensação de segurança e aproximam-se de um plano mais terrestre.

6. CRIAR ESPAÇO PARA A ARTE

A arte é um aspecto importante na Pedagogia Waldorf. Criar espaço para a arte significa proporcionar aos nossos filhos momentos não estruturados em que eles podem praticar o jogo criativo. É nesses momentos que eles desenvolvem sua criatividade.

Fonte: Escola La Casa del Sol


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Os seis exercícios básicos de Rudolf Steiner


OS SEIS EXERCÍCIOS BÁSICOS DE RUDOLF STEINER

Resumo por Moacyr M. Morais e Jorge K. Hossomi

Fonte: O conhecimento dos mundos superiores – Rudolf Steiner


Os seis exercícios básicos de Rudolf Steiner:

1- Objetividade: controle do pensamento
2- Ações: Controle da Vontade
3- Equanimidade: Controle da expressão de sentimentos
4- Positividade: buscar a verdade, beleza e bondade
5- Mente Aberta: Receptividade a novas experiências
6- Harmonizar: exercitar todas as práticas


1 – Orientação para a direção do pensamento: relaxe, mergulhando em você mesmo, deixando sua mente completamente limpa. Concentre-se plenamente em uma imagem ou em um pensamento que não tem nada a ver com seus deveres diários. Por exemplo, imagine um triangulo equilátero. Então dissolva-o. Então reconstrua-o em sua mente. Então dissolva- o novamente. Elimine todos os pensamentos associativos que venham em sua mente. É importante realizar isto diariamente ainda que por alguns minutos. É o primeiro passo para se obter domínio dos próprios pensamentos. Uma imagem de uma árvore, de um ser humano, ou de um objeto inanimado como um botão, ou um lápis também podem ser utilizados. Sentenças, frases ou mesmo uma simples palavra também podem ser utilizados nesses exercícios.

2- Controlar os impulsos da vontade: a maior parte de nossas ações serve para um propósito. Esse exercício depende da escolha de algo que é inútil. Como ele não serve para nenhum propósito é um ato completamente livre. Escolha alguma ação que não seja necessária e faça todos os dias no mesmo horário. Por exemplo, você pode escolher sentar-se em uma cadeira todos os dias ás 8:00h. Em seguida, acrescente uma segunda ação, e mantenha o primeiro exercício. Esse exercício fortalecerá a vontade.

3- Serenidade na alegria e na tristeza: mantenha o auto controle na alegria e na tristeza. Não caia em extremos. Isto cria calma interior e fortalece a vida dos sentimentos. Esse exercício tem a ver com o treino dos sentimentos.*

4- Positividade no julgamento do mundo: desenvolva uma atitude positiva. Veja o belo, o precioso, a bondade em todas as experiências, em todos os seres vivos. Elimine a crítica. Isso desenvolve a apreciação pela vida.

5- Cultivar a abertura para todas as coisas: aprenda algo novo de cada coisa e de cada pessoa. Isso nos mantém flexíveis e despertos.

6- Repetir os cinco exercícios sistematicamente.

Resumo por Moacyr M. Morais e Jorge K. Hossomi

Fonte: O conhecimento dos mundos superiores – Rudolf Steiner


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Sobre Fake News e sua influência na consciência individual e coletiva


SOBRE FAKE NEWS E SUA INFLUÊNCIA NA CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL E COLETIVA

Leonardo Maia


A passividade mental imposta pela estrutura social contemporânea nos torna vítimas de pensamentos pré- estabelecidos que produzem certos sentimentos induzidos por manipulações e mentiras (fake news) com objetivos específicos. Esta influência tende a atingir pessoas com a vontade mais enfraquecida (EU), que agem como fanáticos pensando e agindo na direção e vetor da egrégora, inconscientemente. Porém, pessoas mais individualizadas, com uma Vontade (EU) mais forte, também podem sucumbir. Neste caso, justificam suas posições com desonestidade intelectual, falsas analogias e simetrias, argumentação conveniente – focal ou genérica (conforme lhes reafirma ou expõe suas incoerências) e mesmo, ataque ao interlocutor.


As emissoras de TV e mídias sociais são grandes formadoras de egrégoras que influenciam fortemente grupos de pessoas a pensar e agir na direção e vetores que as caracterizam.

“Egrégora provém do grego “egrégoroi” e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade. É uma força viva e que atua permanentemente na natureza.

São capazes de se desenvolver, ficarem complexas e de se metamorfosearem. Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação das diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores e simpatizantes tornam-se logo seus servos, já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos vetores que caracterizaram a criação dessas entidades gregárias, como um vício.”

A grande questão é que a passividade mental imposta pela estrutura social contemporânea nos torna vítimas de pensamentos pré- estabelecidos que produzem certos sentimentos induzidos por manipulações e mentiras (fake news) com objetivos específicos.

A Vontade (EU) de grande camada da população se tornou tão enfraquecida que não consegue sobrepor tal influência.
Ela pode reverberar sentimentos e impulsos autômatos que eclodem diante da manifestação de tais pensamentos – o gatilho, geralmente, são mais informações pulverizadas nas próprias redes fortalecendo e alicerçando tal influência. Podem se tornar tão intensos que o indivíduo é incapaz de estar em si, ter coerência intelectual ou controle emocional, gerando reações inflamadas sem justificativa ou sensatez.

Esta influência tende a atingir pessoas com a vontade mais enfraquecida (EU), que agem como fanáticos pensando e agindo na direção e vetor da egrégora, inconscientemente. Esse fanatismo pode levá-los à crença cega, que irá defender com unhas e dentes, mesmo diante de quaisquer inconsistências ou inverdades comprovadas. Podendo levá-los a atos de violência, inclusive a tentativa de eliminar aquilo ou aqueles que confrontam suas ideias (que na verdade não são suas).

Porém, pessoas mais individualizadas, com uma Vontade (EU) mais forte, também podem sucumbir. Neste caso, justificam suas posições com desonestidade intelectual, falsas analogias e simetrias, argumentação conveniente – focal ou genérica (conforme lhes reafirma ou expõe suas incoerências) e mesmo, ataque ao interlocutor. Por não estarem completamente inconscientes (como no caso do fanático), esse aspecto revela uma conexão com uma moralidade inferior, pois têm consciência das inconsistências ideológicas que estão abraçando porém estão defendendo o próprio ego e interesses pessoais – diretos ou indiretos, inclusive podendo relativizar o mal.

Por isso as “fake news” não são mentirinhas inocentes nem mesmo liberdade de expressão, pois têm efeitos malignos direto no âmbito da consciência individual e coletiva, inclusive no caminho evolutivo da Humanidade. Tanto o subjugar da consciência individual no fanático, quanto a imoralidade abraçada pelos mais individualizados são correntes que distoam do Impulso da Liberdade e do Amor, o caminho para a Décima Hierarquia.

Leonardo Maia


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O HOMEM COLETIVO E O DINAMISMO INCONSCIENTE


O HOMEM COLETIVO E O DINAMISMO INCONSCIENTE

Leonardo Maia


No seio da massa, o homem desce inconscientemente a um nível moral e intelectual inferior, que sempre existe sob o limiar da consciência, desencadeando-se os dinamismos profundos do homem coletivo, podendo libertar as feras e demônios que dormitam no fundo de cada indivíduo.


Tanto Rudolf Steiner quanto Jung concordam sobre a questão da individualidade estar dissolvida nas etapas anteriores do desenvolvimento da humanidade, tema que tem profunda relevância nas antigas Escolas de Mistérios.

Mas existe o perigo do retrocesso dentro do caminho em direção a individuação, que pode levar a dissolução da individualidade dentro das mentes coletivas, algo que atua acima das capacidades do EU individual, acima da Vontade individual, que pode, inclusive, ser enfraquecido por inúmeros processos.

O ser humano perde a capacidade de discernimento e perspectiva individual e atua conforme o fluxo coletivo, sendo incapaz de discernir inclusive, entre o bem e o mal, atuando conforme essas forças coletivas o impulsionam dentro de suas ações no mundo.

Disse Carl Gustav Jung:

“O homem tem, de fato, motivos suficientes para temer as forças impessoais que se acham ocultas em seu inconsciente. Encontramo-nos numa feliz inconsciência, uma vez que tais forças jamais, ou pelo menos quase nunca, se manifestam em nossas ações pessoais e em situações normais. Por outro lado, quando as pessoas se reúnem em grande número, transformam-se em turba desordenada, desencadeando-se os dinamismos profundos do homem coletivo: as feras e demônios dormitam no fundo de cada indivíduo, convertendo-o em artícula da massa. No seio da massa, o homem desce inconscientemente a um nível moral e intelectual inferior, que sempre existe sob o limiar da consciência, e o inconsciente está sempre pronto para irromper, logo que acorra a formação e atração de uma massa…

…Quanto mais retrocedermos na história, tanto mais veremos a personalidade desaparecendo sob o manto da coletividade. E quando chegamos à psicologia primitiva, nem vestígios encontramos do conceito de indivíduo. Em vez de individualidade, só acharemos relacionamento coletivo ou “participação mística” (participation mystique)… O que entendemos sob o conceito de “indivíduo” é uma aquisição relativamente nova na história do pensamento e cultura humanos.”

Vale muito relacionar tais colocações de Jung com as “Encarnações Planetárias”, principalmente no que se trata da encarnação anterior (Antiga Lua) e a atual (Terra). Em relação à individualidade (EU), Steiner também alertou que o enfraquecimento da Vontade sob atuação de certas forças adversas, tende a jogar o indivíduo em dinamismos do homem coletivo que inconscientemente pode descer a um nível moral e intelectual inferior.

Leonardo Maia


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Desígnios da humanidade


DESÍGNIOS DA HUMANIDADE

Rudolf Steiner


O egoísmo nos leva a considerar apenas o que nos convém, o resto é descartável ou indiferente…


“Hoje em dia tudo deixa a humanidade impassível. Os fatos mais importantes, de mais alcance e mais incisivos, são vistos como mera sensação. Não têm efeito suficiente para abalar as pessoas. Assim, por melhores democracias e parlamentos que as pessoas tenham, quando elas se reúnem nos parlamentos o destino da humanidade não se faz presente, pois a maioria das pessoas que foram eleitas, para lá atuarem, não estão imbuídas dos desígnios da humanidade.”

“Quando não temos interesse suficiente no mundo que nos rodeia, então somos jogados de volta em nós mesmos. Devemos dizer que se olharmos os principais danos criados pela civilização moderna, eles surgem principalmente porque as pessoas estão muito preocupadas consigo mesmas e geralmente não despendem parte suficiente do tempo disponível preocupadas com o mundo, mas ocupam-se com o que sentem e com o que lhes dá dor…”

Rudolf Steiner


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CONFIANÇA PRIMORDIAL E PLENA ENTREGA AO MEIO CIRCUNDANTE


CONFIANÇA PRIMORDIAL E PLENA ENTREGA AO MEIO CIRCUNDANTE

Compilado de conteúdos por Leonardo Maia


A coerência do adulto entre o pensar, o sentir e sua ação no mundo fortalecerá a confiança primordial e plena entrega da criança pequena: a certeza de que o mundo é bom, confiável e digno de ser imitado.”


A “religiosidade corpórea” segundo Steiner, a entrega plena da criança pequena, é a certeza de que o mundo é bom, confiável e digno de ser imitado. A coerência do adulto entre o sentir, o seu pensar e a sua ação no mundo fortalecerá essa entrega e confiança na vida: essa religiosidade reverberará pelo resto de suas vidas.

Na primeira época da vida, o corpo da criança se comporta de maneira natural-religiosa em relação ao ambiente que a circunda: ela vem com a certeza de que o mundo é bom, confiável e digno de ser imitado. Isto retrocede para dentro do anímico depois, quando o corpo se emancipa, e precisamos então re-despertar, no anímico-espiritual, essa devoção e entrega ao ambiente que a circunda.

Isto, nós o conseguimos ao desenvolver, na criança, um sentimento, para aquilo que lhe transmitimos em contos de fadas e lendas durante o segundo setênio. Trata-se, antes de tudo, de tentarmos despertar nela o sentimento da gratidão pela existência, pelas belezas que o mundo oferece. Se estivermos em posição de despertar a gratidão, esta passará, pouco a pouco, para o sentimento do amor. A partir disto, a moral se desenvolverá.

Desse modo, é possível que haja a consolidação da ‘confiança primordial’: calma, paz, devoção, veneração e uma segurança interior desde isso não signifique ensinar à criança quaisquer ‘preceitos morais’: a coerência entre o sentir, o pensar e a ação do adulto no mundo trará confiança e fortalecerá este ser.

Quando, em diferentes situações do dia a dia, conseguimos com nosso esforço e consciência nos apropriarmos dos sentimentos de gratidão, respeito e veneração, estamos ensinando à criança como lidar com o mundo de forma verdadeira e amorosa. A busca do adulto pela autoeducação, o esforço diário para superar as suas dificuldades, é o que alimenta a alma da criança com sentimentos nobres.

Vale ressaltar que o dogma moral, sem correlação com a verdade interior, muito comum hoje em dia nas doutrinas, onde o discurso é um, porém não permeia o pensar, o sentir e a ação dos indivíduos, ou gera uma aversão à própria religiosidade (ateísmo) ou fanatismo cego, onde a doutrina permeia uma “crença oculta” coletiva que não permeia o indivíduo no pensar, no sentir e no querer, gerando a atual hipocrisia e incoerência de valores entre o que acredito e prego (cegamente) e o que faço. Isto pode ser verificado em inúmeras doutrinas, porém não expressa o impacto oculto real que o contato com uma doutrina pode produzir no indivíduo, tanto positivamente quanto negativamente, dependendo das circunstância, pois cabe ao adulto, consciente e desperto, através do seu autodesenvolvimento, reaproximar-se da essência espiritual e religar-se.

Compilação de conteúdos por Leonardo Maia


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Ambiente escolar desfavorável


AMBIENTE ESCOLAR DESFAVORÁVEL

Hidrafil – via Wikimedia Commons

Fonte: Medium Brasil


Ambiente escolar totalmente desfavorável, foco na memória e não na habilidade de pensar, inibição da criatividade, conteúdos nem sempre relevantes, padronização do ensino:

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.”

Rubem Alves


Os problemas enfrentados pelas gerações atuais são cada vez mais dinâmicos. O mundo muda rapidamente e, para transpor seus novos desafios, cresce a demanda por pessoas que realmente pensem. Pessoas capazes de olhar para os problemas e imaginar soluções. Capazes de criar, inovar e reinventar. Pessoas que construam a mudança que o mundo precisa. Contraditoriamente, logo nos primeiros anos de vida, inserimos as crianças em um sistema educacional que tenta convertê-las em adultos consumidores, e não criadores de conhecimento. Adultos que deixam seus talentos de lado para se tornarem simplesmente medianos. Colocamos as crianças em um ambiente há muito tempo ultrapassado e esperamos que ele proporcione a elas alguma educação.

Eis algumas razões pelas quais o modelo educacional vigente é obsoleto e quais são as sequelas que ele deixa em cada um que passa por ele.

AMBIENTE ESCOLAR TOTALMENTE DESFAVORÁVEL

Conforme observado pelo especialista em educação Ken Robinson, as escolas são indústrias. Essa afirmação talvez não seja tão imediata, mas pare para pensar. As escolas agrupam os alunos em turmas, que nada mais são do que lotes. Em uma sala de aula, cada lote passa por uma rotina repetitiva, na qual profissionais especializados — os professores — desempenham seus papeis de maneira bem segmentada — cada um ensinando o conteúdo específico que lhe cabe, mesmo que na verdade todo o conhecimento esteja entrelaçado, e não dividido em disciplinas. Sirenes tocam indicando que é hora da aula atual ser interrompida para dar lugar à próxima. Após vários anos de repetições diárias desse ciclo, os alunos recebem o rótulo de “formados”, o que indica que o lote está pronto para ir para o mercado.

Infelizmente, não para por aí. Além de uma fábrica, as escolas também possuem características de um presídio. Elas cerceiam a liberdade dos alunos. Todos têm hora para entrar, hora para ir para o pátio e hora para sair. Há inspetores vigiando os estudantes e uma série de punições — advertências, suspensões e expulsões — para os que tiverem mau comportamento.

Esse conjunto de medidas faz com que as escolas suprimam o desejo de aprender, ao invés de despertar a curiosidade e estimular a inteligência. Tomo emprestada a metáfora do fascinante educador Rubem Alves, afirmando que a maioria das escolas são gaiolas, quando na verdade deveriam ser asas.

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.” – Rubem Alves

A ESCOLA DE CINCO DÉCADAS ATRÁS E A ESCOLA DE HOJE: POUCA COISA MUDOU

O modus operandi que norteia o funcionamento de praticamente todas as escolas é o mesmo há muitas décadas. As poucas mudanças que aconteceram não foram de caráter educacional, e sim cultural, como o surgimento das escolas mistas e o fim dos internatos. Fora isso, as escolas em que você estudou seguem os mesmos paradigmas das escolas em que seus avós estudaram. Salas de aula, lousas, cadernos e a velha relação dual: “o professor ensina e o aluno aprende”.

FOCO NA MEMÓRIA, E NÃO NA HABILIDADE DE PENSAR

Ao invés de ensiná-los a pensar, as escolas apenas obrigam os alunos a digerir grandes quantidades de informações. Transmite-se o conhecimento em aulas puramente expositivas. Posteriormente, o conteúdo é cobrado em provas, que são a forma que as escolas encontraram para avaliar se os alunos realmente aprenderam. Isso é bastante curioso, porque as provas, em geral, exigem que os alunos apenas reproduzam o que lhes foi “ensinado”, e não que desenvolvam seu raciocínio, senso crítico e a habilidade de relacionar fatos para tirar conclusões. Basicamente, na escola, os alunos são treinados para memorizar informações e despejá-las em avaliações escritas.

INIBIÇÃO DA CRIATIVIDADE

As escolas instituem desde o começo que serão feitas perguntas, e que cada pergunta admite apenas uma resposta correta. Se o aluno não responde exatamente o que lhe foi ensinado, ele errou. E é bom que não erre muitas vezes. Caso contrário, ele não passará de ano. O aluno aprende que ele não tem liberdade para pensar fora da caixa.

CONTEÚDOS NEM SEMPRE RELEVANTES

O cenário em uma sala de aula é, quase sempre, o mesmo: alunos sentados durante várias horas anotando o que o professor ensina. Não importa se o assunto lhes interessa ou se terá utilidade no futuro. Na verdade, a escolas desperdiçam boa parte do tempo e da energia dos alunos com assuntos desnecessários, quando poderiam estar desenvolvendo habilidades relevantes para a vida pessoal e profissional.

As escolas ensinam que a democracia surgiu na Grécia Antiga, mas não despertam nos alunos o pensamento crítico para avaliar o nosso cenário político e tomar melhores decisões. As escolas ensinam conhecimentos matemáticos nada triviais, como logaritmos, mas não instruem sobre noções básicas de economia ou finanças pessoais. As escola ensinam o que são dígrafos e sujeitos desinenciais, mas não formam pessoas que saibam utilizar bem a linguagem na hora de se comunicar com clareza.

PADRONIZAÇÃO DO ENSINO

O ensino é o mesmo para todos. Um aluno que se interessa mais por uma determinada área não tem, dentro da maioria das escolas, a oportunidade de se aprofundar nela. Alunos com capacidades e interesses distintos são agrupados simplesmente por terem idades iguais, freando o desenvolvimento dos que têm mais facilidade e ignorando as necessidades especiais dos que possuem dificuldades. Além disso, as escolas conduzem o ensino sempre da mesma maneira, ignorando o fato de que cada aluno se adapta melhor a um tipo de aprendizado: visual, auditivo, cinestésico, entre outros.

Ao passar por todas as falhas desse modelo educacional, as crianças não ficam ilesas de suas consequências: redução da capacidade criativa, desprezo pelo ato de estudar, pouca habilidade para pensar por si próprias, estresse e acúmulo de muitas informações dispensáveis.

É por isso que já passa da hora das escolas serem reinventadas. Ao invés de doutrinar os alunos para se tornarem cidadãos obedientes e passivos, elas precisam estimulá-los a pensar de maneira inovadora e lidar com problemas reais — que são muito diferentes de um enunciado aguardando uma resposta decorada. Quando isso acontecer, chegaremos ao cerne da resolução de boa parte dos problemas contemporâneos.

E, quiçá, de uma verdadeira revolução.

“A educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo.” — Nelson Mandela


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ONDE E QUANDO?


The Advent of Ahriman – parte 8:

ONDE E QUANDO?

Robert S. Mason

Tradução Livre: Leonardo Maia

Fonte: http://www.anthroposophie.net/Ahriman/ahriman_old.htm


“A organização social padroniza um tempo escasso para convivência com filhos e família, gerando um distanciamento (temos que ganhar a vida né?) e diminuindo os laços emocionais. Isso contextualiza um ambiente familiar de pouca troca anímica, onde a educação é parte do estado e as relações também tendem a ser padronizadas – cada um com seu papel pré estabelecido com pouquíssimas nuances de diferenciação. Pai, mãe, filhos: todos com condutas pré estabelecidas e julgados conforme sua atuação dentro de seu papel: seja pelo estado, pela igreja, pela sociedade, pelo próprio núcleo familiar e, por fim, por si próprio, que absorve tal influência de tal forma que condena a si mesmo ao não corresponder aos padrões estabelecidos. Isso é bem evidente hoje entre os chamados conservadores, principalmente os mais radicais e doutrinadores.”


Steiner diz que a encarnação ahrimânica acontecerá no Ocidente no Terceiro Milênio. Em sua nomenclatura “oeste” significa principalmente a Grã-Bretanha e a América de língua inglesa. Há amplas razões para suspeitar que o local destinado a este evento seja a América, pois o efeito do ambiente natural americano no corpo e na alma humana favorece especialmente as tendências ahrimanianas.

De acordo com as idéias de Steiner, cada uma das várias regiões da Terra tem um efeito único sobre o organismo humano. Na América, a influência ahrimânica é forte, subindo do centro da terra, carregada pelo eletromagnetismo. Isso fortalece a entidade conhecida pelo ocultismo como o “duplo etérico” humano ou “Doppelgänger”.

O Doppelgänger (duplo etérico) é um ser da alma ahrimaniano com inteligência e vontade, mas sem individualidade, sem ego espiritual, e tende a ligar a alma humana ao corpo, endurecendo o pensamento, o sentimento e a vontade humanos. Todos os seres humanos têm um Doppelgänger (duplo etérico) vivendo em seus nervos – eletricidade, infundindo em suas almas todo tipo de impulsos degradantes e deprimentes, além de instigar doenças internas. (A eletricidade é a sombra “sub-natural” e enrijecedora das forças da alma.)

As tendências ahrimânicas na América são bem conhecidas, mesmo para aqueles cuja percepção não é animada pelo conhecimento oculto; A cultura americana é famosa por sua violência e materialismo “fervente” e, mais recentemente, por sua degeneração e decadência.

Quanto ao momento exato em que a encarnação de Ahriman acontecerá, Steiner (até onde sei) não fornece um tempo preciso. Em pelo menos uma passagem, ele parece indicar o fim do terceiro milênio; em outros lugares, ele indica a parte inicial desse milênio.

Em muitos lugares, ele aponta para uma grande crise no final deste século, mesmo uma “Guerra de Todos contra Todos”, quando a humanidade pode muito bem “estar no túmulo da civilização”. De qualquer forma, parece altamente provável que um grande ataque ahrimânico – ou a encarnação do próprio Ahriman, ou o advento do “falso profeta” do Apocalipse, ou algum outro ataque – venha a ocorrer por volta de 1998 dC.

Para entender por que isso acontece, precisamos fazer alguns cálculos simples, com base no princípio oculto dos ritmos significativos da história. (Deixe o leitor cético ser um verdadeiro cético e suspenda o julgamento, e analise a discussão a seguir com uma mente aberta a possibilidades não suspeitas da mente materialista.)
Robert S. Mason

Atenção: Texto publicado em 1997 (3º ano do governo de 8 anos de Fernando Henrique Cardoso) em cima das colocações de Rudolf Steiner, falecido em 1925.

NOTA DE LEONARDO MAIA:

Pontos importantes a serem considerados:

Acho importante, para quem quer compreender melhor do que se trata exatamente o conteúdo, fazer a leitura das partes anteriores, mesmo alguém que seja cético e completamente materialista pode observar a atuação dessas forças como “efeito” – ou seja, poderá observar os efeitos, porém as causas/justificativas poderão ser buscada pela mente racional materialista, logicamente se alinhado a uma perspectiva de honestidade intelectual e sem fanatismos (um pequeno paradoxo: o fanatismo cético materialista).

Sobre os efeitos da influência ahrimânica na alma humana – endurecendo do pensamento, do sentimento e da vontade humanos, pode-se observar:

NO PENSAMENTO:

– Superficialidade e repetição do pensamento padronizado, com fraquíssima capacidade de reflexão e argumentação (até porque está replicando um pensamento externo proposto, ou seja, não está pensando por si).

– Educação baseada na memorização, mecanização e padronização: onde desde a juventude, somos “educados” (na verdade treinados) a memorizar e replicar uma quantidade gigantesca de conteúdos propostos como base de avaliação de desempenho para aprovação ou reprovação – independente da qualidade e veracidade de tais conteúdos/informações, mesmo que o aluno perceba uma inverdade, e aponte-a em suas avaliações, será reprovado. Isto durante toda a maturação do intelecto infantil e posteriormente. Isso gera padronização de pensamentos, estagnação e diminui o senso crítico.

– Jornadas de trabalho excessivas (até 12 horas), muitas delas mecanizadas e de uso nulo do pensar próprio, onde a força vital do indivíduo reverbera na manutenção do sistema atual social (ferramentas para o sistema) e, para si, na capitalização de seu esforço para autosustento. O que gera grande desgaste físico e mental e pouco tempo para atuação em si próprio, onde o indivíduo se torna passivo no pensamento, dando prioridade à família e seu pequeno círculo social, diversão (prazer sensorial – como comer, beber, sexo, conquistas de bens materiais e etc) e, também, absorção passiva de conteúdo midiático. Gerando alienação, passividade mental e egoísmo (em escala social e estrutural).

NO SENTIMENTO:

– Uma alma toca a outra: o contato com a vida, pessoas e histórias se torna cada vez menor. Estamos muito ocupados trabalhando para o nosso sustento e satisfação sensorial de nossos desejos que pouco sobra para as relações humanas, que tendem a ficar no pequeno círculo, com um tempo mínimo e muitas vezes vazio.

– A organização social padroniza um tempo escasso para convivência com filhos e família, gerando um distanciamento (temos que ganhar a vida né?) e diminuindo os laços emocionais. Isso contextualiza um ambiente familiar de pouca troca anímica, onde a educação é parte do estado e as relações também tendem a ser padronizadas – cada um com seu papel pré estabelecido com pouquíssimas nuances de diferenciação. Pai, mãe, filhos: todos com condutas pré estabelecidas e julgados conforme sua atuação dentro de seu papel: seja pelo estado, pela igreja, pela sociedade, pelo próprio núcleo familiar e, por fim, por si próprio, que absorve tal influência de tal forma que condena a si mesmo ao não corresponder aos padrões estabelecidos. Isso é bem evidente hoje entre os chamados conservadores, principalmente os mais radicais e doutrinadores.

– O medo e violência propagada pela mídia e, também, praticado pela própria pela própria sociedade gera uma tendência a diminuição das relações humanas num âmbito mais amplo. O medo de sair e ser agredido, assaltado, enganado e etc diminui a confiança no próximo gerando um receio e até antipatia. Isso tem impacto direto nas relações humanas e no sentir individual – enfraquece as forças do coração, gerando um volume enorme de pessoas sem empatia.

– A vida contemporânea, aprisiona em pequenas espaços e gera pouca interação com os ambientes vivos (principalmente natureza e contato humano). Gerações vivendo em casas ou apartamentos frios, pequenos, conectados a uma TV e agora aos celulares – absorvendo as informações e com a interação fria e distante da tecnologia (sem contato anímico real), também tem efeito direto nas forças do coração e empobrecimento da vida sensorial. O que reflete na atual geração que destila ódio e agressividade nas redes sociais e também no vazio de relacionamentos cibernéticos, onde as relações muitas vezes são mecânicas e frias, sem contato anímico real, pouco ou nenhum interesse pela história e busca do outro, apenas uma válvula de escape dos instintos primitivos alimentados pela própria mídia e redes.

NA VONTADE:

A passividade do pensar, do sentir (que se tornou frio, com pouca trocas anímicas e escasso de impressões sensoriais) e ação e rotinas mecanizadas, com pouco estímulo no âmbito do propósito e busca essencial do indivíduo (autodesenvolvimento), gera uma distanciamento do EU e enfraquece a Vontade, que se torna veículo do próprio duplo etérico e acaba sendo direcionada externamente e instintivamente, seja por instintos inferiores, desejos ou impulsos astrais coletivos, ou seja subjugada.

É também interessante notar que a “Guerra de todos contra todos” alertada por Steiner, com grande ênfase, como um processo crucial para toda a evolução humana tem grande similaridade com o atual processo que vivemos hoje. A data de 1998 tem grande importância e pode ser vinculada ao processo de globalização da internet, seguida posteriormente pela introdução dos smartphones e advento das redes sociais. Assim é disseminada, numa escala global, informações que tendem a ser absorvidas pelo intelecto passivo, independentes de serem verdade (vide fake news) e gerando uma desarmonia e agressividade entre as pessoas – aliada a falta de empatia, o que gera violência e ódio cegos, alimentados por ideologias separatistas e dogmáticas.

Leonardo Maia

CONTINUA PARTE 8 em breve: “Quando e onde?”

Link para a parte 1:

ESPÍRITO E ALMA

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Seres espirituais e evolução terrena

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SERES ESPIRITUAIS: LÚCIFER E AHRIMAN

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AHRIMAN NOS TEMPOS MODERNOS

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A Degradação da Linguagem

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Ahriman na cultura

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O BEM E O MAL


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O PENSAR MAIS PRIMITIVO DO SER HUMANO


O PENSAR MAIS PRIMITIVO DO SER HUMANO

Leonardo Maia


“O pensar próprio sempre atua até onde minha consciência alcança, então muitas vezes flutua pela a superficialidade e por isso não percebe a moralidade por trás das questões e o próprio indivíduo.”


O pensar movido por simpatia e antipatia é um pensar egoísta, pois só tenho receptividade se você me reafirma ou se diz algo que me agrada senão nego, julgo, critico e deprecio não só o pensamento, mas também o indivíduo que o replica ou produz o pensamento. Este pensamento, muito comum hoje em dia, é impulsionado por reações de simpatia e antipatia, emoções, interesses e necessidades próprias, instintos, paixões, desejos (EGO).

Hoje a gente vive um ambiente que é muito permeado por este pensar mais primitivo do ser humano, o pensar movido por um emocional sem coesão ou por um racional frio e materialista, ambos impulsionados por reações de simpatia e antipatia que muitas vezes leva à decisões injustas e juízos incorretos na hora de formar considerações apropriadas de assuntos que não domina. Flutua pela a superficialidade por isso, muitas vezes, não percebe a moralidade por trás das questões.

Com relação à alma da sensação, sua superação ocorre na medida em que o homem se preocupa em transformar suas tendências amorais, seu egoísmo, seus baixos instintos, e consegue isso através de auto conhecimento e reconhecimento do outro – tanto no reflexo de seus mesmos defeitos quanto na busca autêntica do outro na superação de suas próprias dificuldades para elevação moral.

Com relação à alma do intelecto, o homem tem que superar a mentira, toda forma de medo, e a tendência para o materialismo através de decisões justas, juízos corretos, organizações socialmente justas, formar considerações apropriadas através do estudo de assuntos que não domina; desenvolver um conhecimento individual interno, um pensar vivo, orgânico, espiritual, do coração, capaz de superar o pensar frio e puramente racional: potencializar as forças do coração (Empatia, altruísmo e compaixão).

Todos somos permeados por essa astralidade já que estamos no processo de individuação e inseridos num contexto social, portanto identificamo-nos com as condutas e valores encorajados pelo meio no qual nos encontramos mas com as orientações emanadas do próprio EU – por isso é essencial honestidade intelectual, humildade e vontade para sobrepor as tendências inferiores da personalidade e do instinto.

Quanto menos auto-consciência mais tendência a ser conduzido por ideologias coletivas, identificação com arquétipos coletivos e comportamentos padronizados. Basta olhar para o lado e ver várias pessoas que tem um comportamento e uma ideologia igual ou muito parecida.

O pensar sempre atua até onde minha consciência alcança, então muitas vezes flutua pela a superficialidade e por isso não percebe a moralidade por trás das questões e o próprio indivíduo.

Nessas pessoas o ego tem que ser mais forte para voltar a percepção para si… tirando o foco do padrão coletivo e direcionando para a auto percepção, o caminho de individualização. O ego se guia por interesse próprio (para fortalecimento da percepção de individualidade).

A auto-consciência tem a capacidade de dissolver a força do ego e elevar o nosso pensar para a percepção do outro – caminho do egoísmo para o altruísmo.

Leonardo Maia


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O indivíduo como membro da humanidade


O INDIVÍDUO COMO MEMBRO DA HUMANIDADE

Fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil


“O fato de uma pessoa isolada sentir-se como individualidade não exclui que ela também se sinta unida a toda a humanidade. Na evolução humana ninguém tem o direito de sentir-se como individualidade caso não se sinta, ao mesmo tempo, membro de toda a humanidade.”

Rudolf Steiner


Basicamente, a trimembração da sociedade e de qualquer organismo social baseia-se em algo que costumo expressar como uma “Lei Individual-Social”, isto é, uma lei que vale para todos os indivíduos enquanto seres sociais:

“Todo ser humano é um ser com necessidades e habilidades, que interage com outros seres humanos; nessa interação, parte de suas necessidades são satisfeitas pelas habilidades de outros, e parte de suas habilidades são exercidas em atuação para ou com outros seres humanos.”

Essa lei é absoluta: não existe nenhum ser humano vivendo em sociedade que não tenha que segui-la. Nesse sentido, ela é tão inexorável e objetiva quanto qualquer lei da natureza. Ela deriva da constituição física, anímica e espiritual do ser humano atual.

A partir da Lei Individual-Social chega-se a características fundamentais ligadas aos âmbitos que ela abrange::

1. Na satisfação das necessidades, o espírito básico deve ser o de fraternidade ou solidariedade. De fato, se alguém consome demais, outra pessoa terá necessariamente que consumir de menos. A produção de bens tem a finalidade de satisfazer necessidades físicas e culturais das pessoas, de modo que ela deveria seguir esse espírito básico, por exemplo produzir-se aquilo que é realmente necessário, sem induzir necessidades.

2. No exercício de habilidades, o espírito básico deve ser o de liberdade. Esse exercício engloba toda a criatividade, seja ela social, artística, intelectual e científica. É óbvio que a falta de liberdade em funções criativas prejudica essas funções. No entanto, essa liberdade deve existir inclusive no trabalho e na prestação de serviços, como por exemplo no caso de um professor ou um médico ou terapeuta.

3. No relacionamento humano, o espírito básico deve ser o de igualdade, isto é, cada pessoa deve encarar o outro com um adulto responsável; as regras de convivência, os acordos e contratos devem ser estabelecidos encarando-se as partes envolvidas como seres iguais em relação a direitos e deveres.

Da Lei Individual-Social poderia-se considerar:

– Em uma comunidade, a satisfação das necessidades é tanto mais adequada à vida quanto mais emanar da fraternidade (solidariedade) para com os outros e será tanto mais inadequada quanto se procurar atingir vantagens pessoais.

– Em uma comunidade de trabalho, este é tanto mais frutífero quanto mais for estruturado a partir da liberdade individual, e tanto mais estéril quanto mais ocorrer por determinação alheia.

– Em um grupo de pessoas ou em instituições, os acordos e contratos são tanto mais viáveis e robustos quanto mais eles emanarem da igualdade de condições das partes envolvidas, e serão tanto mais frágeis quanto mais provierem do exercício de poder de uma das partes.

É importante salientar que as necessidades dos seres humanos não são apenas físicas, como as de alimentação, vestuário, moradia, transporte, etc. Há necessidades culturais, como a educação e a autoeducação, o contato com obras artísticas e científicas, a obtenção de informação e conhecimento, etc. Há ainda necessidades essencialmente individuais, como a possibilidade de perseguir e concretizar um ideal, realizar-se na vida, etc. Também existem habilidades que não são puramente físicas, como resolver conflitos entre pessoas, ter novas idéias, ser criativo, etc.

Em termos da sociedade como um todo, Steiner propôs que ela fosse dividida em três membros:

1. O setor de produção, distribuição e consumo de bens, e tudo o que tem a ver com a satisfação de necessidades (incluindo as não-físicas), que ele denominou de vida econômica (Wirtschaftsleben). O seu espírito básico deve ser a fraternidade. A aplicação das inúmeras ideias de Steiner sobre esse setor é denominada de economia associativa.

2. O setor que regula o relacionamento entre as pessoas, que ele denominou de vida jurídica (Rechtsleben). O seu espírito básico deve ser a igualdade.

3. O setor envolvido em todo exercício de habilidades e prestação de serviços, que ele denominou de vida espiritual (Geistesleben).O seu espírito básico deve ser a liberdade.

Numa tradução mais literal ter-se-ia que usar em cada caso dois substantivos: vida da economia, vida do direito e vida do espírito.

Steiner disse ainda que a grande meta da humanidade é o desenvolvimento da vida espiritual; os outros setores devem servir de base para que os indivíduos possam desenvolver a liberdade, a criatividade e o autodesenvolvimento espiritual.

Fonte: SAB – Sociedade Antroposófica no Brasil


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