Época da Páscoa: Ação do Sangue de Cristo na Terra e no Cósmos


ÉPOCA DA PÁSCOA: AÇÃO DO SANGUE DE CRISTO NA TERRA E NO COSMOS

Flavio E. Milanese


Cristo, uma entidade sagrada proveniente das mais elevadas regiões espirituais vincula todo o seu sagrado ser à Terra e nos momentos que antecedem a sua morte vai se esvaindo em sangue. Essa substância portadora de vida que foi sendo aprimorada em seu ser vai gotejando no solo e transmitindo à substância terrestre morta, mineralizada e sem nenhuma possibilidade de transformação, um novo impulso capaz de torná-la novamente espiritualizada, permitindo que os seres humanos possam continuar esse trabalho de transformação da matéria. Há, porém, ainda muitas outras coisas que Cristo realizou; e, se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem o mundo todo poderia conter os livros que teriam sido escritos…


A festa da Páscoa e comemorada no primeiro domingo após a primeira Lua cheia que ocorre depois do Equinócio de Outono (ou de Primavera no Hemisfério Norte). É uma festa móvel; sem vínculo com um determinado dia do ano, e isso significa que não é uma festa totalmente terrestre. O fato dela estar relacionada com o Equinócio nos revela uma característica cósmica. Além disso, ela é comemorada no Domingo, e isso tem uma íntima relação com o Sol. A Páscoa é uma festa de natureza cósmica que dirige nossa consciência à mais elevada entidade que já viveu entre nós, o Cristo, intimamente ligado às forças Solares. Ao considerarmos a Páscoa segundo esse aspecto estaremos omitindo uma outra característica muito importante relacionada com essa festa que é a Lua, pois o Domingo de Páscoa ocorre após a Lua cheia.

O presente trabalho pretende estabelecer uma relação da Páscoa com a Lua, não apenas com a esfera lunar atual que tem relação com a Prata e com os processos de espelhamento e reflexão, mas também com a Antiga Lua cujo representante é o planeta Marte relacionado com o Ferro, com a vontade humana e com o sangue.

Ao cultivarmos em nossa vida interior o ambiente daquilo que acolhemos ao lermos as descrições da crucificação de Cristo, começa a surgir em nosso íntimo uma imagem que vai se tornando cada vez mais forte e viva à medida em que vamos contemplando esses sagrados acontecimentos dia após dia.
E a imagem que surge diante de nós é a de um ambiente de trevas e angústia. O Sol no alto do céu afogado por um eclipse criando um ambiente de sombras. Durante uma eclipse os animais ficam irritados, os cães latem, os pássaros gritam e voam de maneira agitada. Toda a atmosfera é preenchida por sons de medo e terror emitido pelos animais que percebem instintivamente a atmosfera tenebrosa do eclipse onde toda a paisagem parece estar morta. As cores mais vivas deixam de existir, predominando sons acinzentados e azulados. Uma atmosfera de tensão que precede algo terrível paira no ar.

Ao longe, três cruzes. Na do meio jaz uma entidade que está em vias de morrer. As palavras que ele emite reverberam na atmosfera e permanecem ecoando, gerando espaços e ambientes. Seu corpo parece emitir uma luz sagrada naquele ambiente de trevas.

A terra consumida, acinzentada e totalmente opaca a tudo aquilo que vem do Cosmos se revela como algo compacto, material e morto. Ainda hoje, durante os eclipses a Terra se revela como algo totalmente material.

Nessa atmosfera de morte, trevas e angústia, gotas de sangue caem da cruz. E naquele momento em que o sangue de Cristo se encontra com aquele solo escuro e tenebroso, esse próprio solo começa a brilhar. À medida que o sangue de Cristo vai caindo, aquela terra antes tenebrosa e opaca vai se tornando luminosa e transparente.

Diante dessa imagem vai surgindo em nosso íntimo a seguinte pergunta: O que é esse sangue do Cristo, capaz de transformar o solo mineral e morto em uma entidade espiritual? Como esse sangue é capaz de espiritualizar toda a Terra? Existem tantos aspectos que poderiam ser mencionados em relação a esse sangue, mas gostaríamos de mencionar o aspecto de ver o sangue como uma espécie de ESPELHO.

Ao depositarmos Chumbo na superfície de um vidro iremos obter um espelho que reflete um mundo acinzentado, doentio e morto. Um espelho de Cobre reflete um ambiente avermelhado, como se tudo estivesse quente, pegando fogo. Os espelhos comuns, capazes de revelar o meio ambiente sem interferir na imagem refletida são feitos de Prata. Podemos considerar o sangue de Cristo como um espelho que além de refletir o mundo Espiritual na Terra, adiciona matizes de amor e devoção a esse reflexo, ou seja, é algo que HUMANIZA esse reflexo. Podemos encontrar uma referência bastante significativa em relação a isso na palestra de 31 de dezembro de 1911 proferida por Rudolf Steiner em Hannover (GA 134 – “O Mundo dos Sentidos e o Mundo do Espírito”). (1)

Para podermos mencionar essa característica de espelho do sangue precisamos nos dirigir novamente aos primórdios da criação. (2)
Durante os primórdios da evolução em uma era descrita pela ciência Espiritual como Antigo Saturno, iremos encontrar seres muito elevados, denominados Tronos, oferecendo seu próprio ser que consiste em uma calorosidade criadora capaz de gerar mundos e seres. Entidades ligadas aos períodos de tempo e aos estilos das épocas, que denominados Arqueus acolhem essa calorosidade geradora de seres que paira no meio ambiente transformando-o em algo íntimo. O trabalho dos Arqueus de transformar a calorosidade criadora existente no meio ambiente em algo próprio e íntimo vai fazendo com que surja nessas entidades a experiência deles serem algo distinto do meio ambiente, ou seja, durante a evolução do Antigo Saturno os Arqueus vão adquirindo a consciência Eu pelo fato deles se ESPELHAREM nessa estrutura que eles edificaram. Essa estrutura, porém, é o germe do corpo físico humano, e nos primórdios da criação do ser humano nós servimos de espelho para que os Arqueus pudessem se reconhecer e assumir o degrau humano.

Durante a evolução seguinte, denominada Antigo Sol, elevados seres denominados Espíritos da Sabedoria contemplam o sacrifício dos Tronos. Para eles isso é algo tão maravilhoso que eles vertem todo o seu ser nessa contemplação gerando atmosferas de encontro, reverência e gratidão que fluem no antigo Sol. Os Arcanjos captam essa atmosfera viva preenchendo aquelas estruturas-calor que tinham sido formadas na evolução anterior. Os Arcanjos tornam íntima a atmosfera de reverência e admiração emanada pelos Espíritos da Sabedoria fazendo com que aquelas estruturas calor irradiem vida. Os Arcanjos ao verterem a substancialidade espiritual do meio ambiente nessas estruturas-calor, vão tornando íntimo, interno, aquilo que existe no meio ambiente. E à medida que eles vão realizando essa atividade, eles vão tendo a experiência de serem diferentes do meio ambiente, ou seja, os Arcanjos vão adquirindo a consciência EU pelo fato deles se ESPELHAREM nessa estrutura que eles edificaram. Essa estrutura, porém, é o germe do Corpo Etérico do ser humano que serviu de ESPELHO para que os Arcanjos pudessem se reconhecer e assumir o degrau humano.

Durante a evolução seguinte denominada Antiga Lua, os Espíritos do Movimento contemplaram os desvios que estavam ocorrendo na evolução, doando todo o seu Ser no restabelecimento de um equilíbrio dinâmico capaz de estabelecer um relacionamento entre aquilo que existe no Cosmos. E tudo começa a fluir. Os Anjos captam esse ambiente de fluidez dinâmica e dirigem sua atividade no sentido de dotar de movimento e mobilidade aquelas estruturas de calor-vida que estavam sendo formadas e que começaram a manifestar um movimento interno de fluidez e revelar um movimento externo. E à medida que os Anjos iam realizando essa atividade, eles iam tendo a experiência de serem uma entidade que difere do meio ambiente, ou seja, os Anjos ao se ESPELHAREM nessa estrutura que eles iam criando, iam adquirindo a consciência EU. Essa organização que eles iam criando e se espelhando constitui o germe de nosso Astral. Durante a antiga Lua o ser humano serviu de ESPELHO para que os Anjos fossem adquirindo sua consciência EU ou humana.

Se toda a evolução tivesse transcorrido em harmonia, no degrau evolutivo seguinte, que é a Terra atual, os Espíritos da Forma teriam emanado a única substância física que existiria no Cosmos, e teria sido aquilo que temos hoje como SANGUE. Esse sangue seria algo em estado disperso, dinamizado, e durante um período bem curto iria cristalizar-se em uma estrutura plana, em uma película análoga a um ESPELHO capaz de refletir o mundo espiritual à própria Terra. Esse sangue humano teria atingido o degrau mais elevado da evolução, e esse degrau é a forma como algo capaz de refletir na Terra aquilo que ocorre no mundo Espiritual, ou seja a FORMA como um ponto de passagem entre o Universo Criado e a Terra que seria transformada pelo ser humano.

Contemplemos uma escultura que é algo que tem uma FORMA. Essa obra de arte é o resultado de algo que começou com a vontade, o entusiasmo, com o QUERER CALOROSO em criar algo novo. Para concretizar essa vontade, o escultor concebeu, planejou e pensou essa obra, ou seja, a obra de arte passou pelo estágio da SABEDORIA. Depois da escultura ter sido pensada, ela será executada. Uma série de movimentos na argila, uma sucessão de formas em contínua transformação vão surgindo durante a elaboração da escultura. Essa obra de arte passou pelo estágio do Movimento e depois disso surgiu a FORMA definitiva. Resumindo, temos os seguintes estágios que culminaram com o surgimento da FORMA.

QUERER CALOROSO
Essa forma terminada é capaz de transmitir uma mobilidade interior, um MOVIMENTO interno. Ela nos revela um determinado estilo que é a idéia geral representada por uma série de esculturas do mesmo autor, ou seja, essa escultura nos mostra uma SABEDORIA que se revela como um estilo. Essa escultura também nos transmite uma força configurativa que nos transforma, agindo até as profundezas mais inconscientes de nosso ser, despertando em nós uma CALOROSIDADE como força moral.(3) Temos então o seguinte:

A Forma é o ponto de passagem entre o mundo que foi tecido e configurado pela criação, pelo escultor, e o mundo recriado pelo ser humano, a escultura, é a EXPRESSÃO de toda a obra divina. O mundo IMPRESSO pelos deuses se ESPELHA através da FORMA em um mundo capaz de EXPRESSAR a obra divina.

Durante a evolução terrestre os Espíritos da Forma emanam algo que é a própria FORMA como um ponto de passagem entre o universo dado pelos Deuses e o Cosmos re-criado pelos seres humanos. E essa “substancialidade” da forma está relacionada com o sangue. O ser hu_mano em estado totalmente espiritual acolheria em seu ser inspirações, intuições e imaginações provenientes do mundo divino. Nesse estado de acolhimento seu sangue estaria totalmente disperso, em estado imaterial, dinamizado. Durante um tempo muito curto esse sangue viria se materializar como uma fina película, como um espelho plano capaz de transmitir à Terra tudo aquilo que foi acolhido no mundo cósmico como imaginações, inspirações e intuições.

A medida que o ser humano ia transmitindo através de seu SANGUE que durante um curto período de tempo se condensava como uma superfície plana capaz de espelhar o mundo criado pelos seres Espirituais, o ser humano nesse momento da condensação do sangue tinha a experiência do Eu, de ser uma entidade distinta do meio ambiente.

O sangue em estado espiritual permitia que o ser humano acolhesse aquilo que foi realizado pela criação. O sangue ao se condensar permitia que aquilo que foi acolhido fosse plasmado na Terra. Nesse momento o ser humano se reconhecia como um Eu distinto do meio ambiente plasmando a Terra através de sua individualidade.

A ação de Lúcifer no sangue humano se realizou de maneira a impedir que ele se transformasse em um plano capaz de servir de ponto de passagem entre o mundo impresso pelos Deuses e o mundo expresso pelos homens. Esse espelho deixou de ser algo plano capaz de refletir com precisão, mas foi se dissolvendo, se liquefazendo e tornou-se algo ligado à própria interioridade humana. O sangue humano tornou-se dessa maneira uma entidade que reflete o mundo INTERNO transmitindo tudo isso à entidade humana. Dessa maneira o homem começou a sentir-se como um Eu distinto do meio ambiente, capaz apenas de ter vivências internas isoladas do Cosmos. A forma foi dissolvida, liquefeita e o sangue tornou- se algo capaz apenas de transmitir à nossa consciência um mundo de sentimentos, sensações e paixões provenientes de uma vida interior isolada do meio ambiente. A ação de Lúcifer é de impedir o surgimento da forma como ponto de transição entre dois universos deixando o ser humano estacionado em um degrau anterior que é o do movimento.

A ação de Arimã no sangue humano é o de impedir que ele transmita as intuições, inspirações e imaginações provenientes do mundo Espiritual à Terra, mas que essa forma seja apenas capaz de expressar as forças metabólicas do organismo humano relacionadas com os processos de degradação e digestão da matéria, e essas forças relacionadas com o número, peso e quantidade.

A evolução culminou no surgimento do ser humano que é a expressão de toda a atividade criadora. O metabolismo está relacionado com a perda da vitalidade da matéria que está sendo digerida e com a formação de substâncias próprias. O mundo espiritual ao gerar o metabolismo humano insuflou uma maravilhosa sabedoria ligada ao peso, número e quantidade (5) e isso tem relação com a própria matéria que está sendo transformada nesses processos digestivos. Os processos de reprodução também fazem parte do metabolismo. A própria configuração dos ácidos nuclêicos nos revela os maravilhosos ritmos criadores cósmicos congelados na estrutura química desses compostos que estão ligados à formação de substâncias. Os ácidos nuclêicos permitem que a vida vá desaparecendo na substância. Além dos processos digestivos e reprodutivos, o sistema metabólico está ligado com o movimento e com os membros que são as estruturas capazes de promover a mobilidade humana. A energia obtida através dos processos metabólico-digestivos de cisão e quebra da substância viva é dirigida aos membros que se movem. Os processos metabólico-digestivos lidam internamente com a substância e esses processos ocorrem em nível praticamente inconsciente. Os processos de movimento dos membros nos permitem lidar com a matéria de maneira muito mais consciente.

Os seres Arimânicos têm como desejo apoderar-se da inteligência existente nos processos metabólicos de digestão, reprodução e membros. Em relação aos processos de degradação da substância os seres Arimânicos pretendem se apoderar das forças relacionadas com o número, peso e quantidade, e isso está ligado com as concepções materialistas que existem na ciência e na economia.

Em relação aos processos metabólicos, Àrimã pretende dominar os processos de desvitalização e formação de substância física material. Isso está ligado com a manipulação dos genes para obter substâncias às custas da extinção da vida. Em relação aos membros, Arimã pretende se apoderar das forças e energias dirigidas à ação humana. Brinquedos infantis que exigem apenas o movimento de dois dedos para conseguir jogar constituem um exemplo da estagnação do movimento humano. Essas forças são dirigidas à própria tensão emocional existente no jogo, nutrindo esse mundo virtual com essas forças humanas.

Mencionamos que o sangue humano se revela como um ESPELHO, como uma forma capaz de ser o elo de transição entre o mundo DADO e o mundo CRIADO. A ação Luciférica transformou o ser humano em uma entidade fechada, excluída do Cosmos, e o sangue humano aprisionado na organização corpórea humana tornou-se líquido, vinculando-se à vida interior humana ligada com as sensações, emoções e paixões, e incapaz de configurar uma forma capaz de espelhar na Terra as forças criadoras divinas.

Cristo, uma entidade proveniente da mais elevada região celeste, da esfera da Trindade, em atitude de profundo amor pela criação desce até o mais baixo degrau da evolução, e durante três anos, entre o Batismo no Jordão e a morte na cruz vive como ser humano. Durante o primeiro ano Cristo redime o corpo Astral transformando-o em uma organização de Fé. No segundo ano Cristo redime o corpo Etérico transformando-o em uma organização de Amor, e no terceiro ano redime seu corpo Físico transformando-o em uma organização capaz de preencher todas as esperanças e aspirações que as entidades espirituais depositaram no ser humano.(4) É natural que o SANGUE que fluiu em seu corpo tenha acompanhado tal transformação.

Cristo viveu em si inicialmente uma dor interna diante dos desvios ocorridos na evolução e do afastamento dos seres humanos das grandes virtudes aspiradas pelos criadores. Além da dor interna foi sendo adicionada a dor externa, inicialmente sua superfície corporal quando foi chicoteado, depois em suas partes mais profundas quando foi coroado com espinhos e em seguida uma dor ainda mais interna junto com uma profunda sede quando foi crucificado. E essa dor que foi se transformando em amor foi sendo acompanhada gradualmente por uma abertura de seu corpo. A princípio o chicote que fez sua superfície corporal sangrar, depois os espinhos que furaram o seu corpo até as partes mais internas e logo em seguida os pregos da cruz que atravessaram totalmente seu corpo. Depois de tudo isso uma lança perfurou seu coração.

Cristo, uma elevada entidade divina, totalmente pura e inocente viveu em si a dor da abertura corpórea. E essa dor transformada em Amor faz parte de seu sagrado Ser. E aquele sangue que estava fluindo de seus ferimentos também tinha como conteúdo a dor de estar sendo aberto, transformando-se em Amor. E isso foi sendo emanado aos seres humanos. E como se trata de uma entidade acima da 1ª Hierarquia, aquilo que ocorreu está ocorrendo e vai continuar a ocorrer. Essa dor de estar sendo aberto transformada em Amor e vertida aos homens através de seu Sangue permite que cada um de nós possa superar o isolamento criado por Lúcifer rompendo aquela carapaça que nos isola dos sagrados eventos da criação e da ligação com outros seres humanos, e também possibilitando que aquele mundo interior de paixões, fúria e cobiça possa ser aberto deixando entrar uma luz sábia e plena de calorosidade capaz de transformar aqueles sentimentos que foram gerados nas trevas em novas virtudes humanas.
Iremos examinar a seguir a superação do impulso Arimânico através do sangue de Cristo.

Uma elevada sabedoria criadora se consumou no surgimento do sistema metabólico humano. Àrimã quer se apoderar dessa elevada inteligência que plasmou esse sistema voltando-se aos processos de reprodução, metabolismo alimentar e movimento dos membros. Em relação à reprodução Arimã dirige sua ação na transformação da vida em substâncias trazendo como conseqüência o enfraquecimento e a desvitalização dos seres vivos.

Cristo, uma entidade sagrada proveniente das mais elevadas regiões espirituais vincula todo o seu sagrado ser à Terra e nos momentos que antecedem a sua morte vai se esvaindo em sangue. Essa substância portadora de vida que foi sendo aprimorada em seu ser vai gotejando no solo e transmitindo à substância terrestre morta, mineralizada e sem nenhuma possibilidade de transformação, um novo impulso capaz de torná-la novamente espiritualizada, permitindo que os seres humanos possam continuar esse trabalho de transformação da matéria.

Os seres Arimânicos tentam usurpar a inteligência contida nos processos metabólico-digestivos intimamente ligados aos impulsos materializantes relacionados com o número, peso e quantidade. Esses seres pretendem emanar os três elementos em todas as atividades da vida. O SANGUE de Cristo supera esse impulso da seguinte maneira: Cristo ao abandonar as regiões mais elevadas do mundo espiritual vincula seu ser com a Terra e com os seres humanos. Durante sua vida transcorrida entre o batismo no Rio Jordão e a morte na cruz aquela entidade inocente e pura foi transformando seu corpo de maneira a não se tornar apenas aquele ser humano previsto e planejado pelos criadores totalmente livre das influências Luciféricas e Arimânicas, mas muito mais do que isso, uma entidade que transformou toda a dor cósmica e terrestre em um profundo Amor. E o sangue de Cristo, o representante da humanidade, se revela como aquela substância primordial planejada pelos seres criadores do Universo. Ao fluir de seus ferimentos esse sangue cai na Terra e como um ESPELHO transmite toda a beatitude celeste, todas as virtudes do mundo Espiritual à Terra. E não só isso: esse sangue não agiu apenas como um espelho, pois não era algo plano que se condensava e se dissolvia como tinha sido planejado pelos seres criadores, mas seu sangue líquido também era o portador de tudo aquilo que se passava em sua vida íntima. Todo aquele sofrimento transformado em Amor foi adicionado ao seu sangue. E todas essas virtudes também foram transmitidas à Terra e às substâncias materiais. Quando o sangue de Cristo estava gotejando, a Terra foi se tornando transparente e começou a reluzir. Todos os reinos da natureza receberam uma nova vida preenchida de um intenso Amor.

Ao lidarmos com uma substância estaremos trabalhando diretamente no próprio corpo de Cristo. Aquela materialidade morta, sombria e sem nenhuma possibilidade de transformação recebe através do sangue de Cristo uma nova possibilidade de ir se tornando não apenas algo novamente de natureza espiritual, mas essa matéria espiritualizada poderá ainda, continuar sua evolução denominada NOVO Júpiter.

Essa transubstanciação da matéria que acolheu em si as dádivas do sangue de Cristo não ocorre de maneira espontânea e automática, pois Cristo ao se vincular com a Terra e com os seres humanos fundiu todo o seu trabalho com a humanidade. Diante de tudo isso, o ser humano deixa de ser uma entidade passiva diante da evolução, mas vem se tornando um livre colaborador de todo o processo evolutivo. A matéria recebeu as forças de vida doadas pelo sangue de Cristo, mas nada poderá ser feito no sentido da espiritualização da Terra se o ser humano não participar ATIVAMENTE como um colaborador de todo esse processo evolutivo.

Através das forças de amor presentes no sangue de Cristo o ser humano poderá superar as influências Luciféricas tornando-se capaz de abrir-se para o Cosmos superando as dificuldades ligadas aos sentimentos, emoções e paixões e ao isolamento social. Através das forças de amor doadas através do sangue do Cristo a humanidade poderá vencer as tentações de Àrimã ligadas à desvitalização e à formação de uma matéria morta e inerte, cuja imagem é o pão das pedras. Esse próprio sangue nos dá as Forças para podermos novamente vitalizar as substâncias que estavam mortas transformando a Terra no corpo de Cristo, e essa transubstanciação não é algo simplesmente dado por Cristo, essa entidade ao unir-se com a Terra e com a humanidade torna os seres humanos responsáveis pela continuidade desse trabalho.


ESTAMOS DE VOLTA!!!
SE VOCÊ ACHA ESTE TRABALHO IMPORTANTE, AJUDE:


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

Os Acontecimentos da Semana Santa: Sábado de Aleluia – Dia de Saturno

Os Acontecimentos da Semana Santa

Sábado de Aleluia – Dia de Saturno

Emil Bock

23 04 sabado santo

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“Temos à volta da Terra uma espécie de reflexo da luz do Cristo. O que é aqui refletido como Luz do Cristo, é o que o Cristo denomina, Espírito Santo. Tão verdadeiramente como a Terra inicia a sua evolução para Sol através do evento de Gólgota também é verdade que a partir deste acontecimento a Terra começa a criar a sua volta um anel espiritual que mais tarde se tornará uma espécie de planeta ao seu redor. Estamos diante do ponto de partida de um Novo Sol em formação.”

Rudolf Steiner

linha

Estamos diante do sepulcro de José de Arimatéia, no qual foi deitado o corpo do Crucificado. A atmosfera está pesada como chumbo, saturnina. Realiza-se o sentido do dia de Saturno. Sempre já fora a essência do dia de Saturno, que os fiéis da Velha Liga, obedecendo à rígida lei, se entregavam ao silêncio dos túmulos: hoje é o sábado dos sábados. Mas nos ocupa uma pergunta ansiosa. E como se um lutador tivesse penetrado em uma gruta escura a fim de subjugar no interior um monstro, um dragão. Voltará ele vitorioso?

No dia anterior, nas trevas do meio-dia, quando o Cristo inclinou a cabeça e morreu, rasgou-se a cortina no templo. Isto foi mais do que um efeito natural do terremoto. Abre-se a visão do aspecto interior do mundo. Apenas a noite ainda nos impede de ver. Mas, da escuridão saturnina desprendem-se imagens. Tênues luzes iluminam os arredores do sepulcro e clareiam o terreno em parábolas do supra-terreno.

Reúnem-se imagens que já foram vistas nas últimas estações da via do mistério. Mesa e Cruz resumem como arqui-imagens aquilo que aconteceu nos dois últimos dias. Adiciona-se como terceira arqui-imagem a do sepulcro. É como se a atmosfera templária do Santíssimo, ante o qual rasgou a cortina, se ampliasse, se estendesse ao nosso mundo.

Desde os primeiros tempos, os sepulcros foram, ao mesmo tempo, os altares dos homens. Todo culto divino originou-se no culto aos mortos. Os homens da terra iam aos túmulos quando queriam comunicar-se com os deuses. As almas dos mortos eram mediadoras entre os homens e os deuses. Como as almas dos mortos podiam ser encontradas perto dos túmulos, ali também encontravam-se os outros habitantes do mundo espiritual. Assim era em passado muito remoto, quando a morte ainda era irmã do sono e ainda não detinha o poder de aterrorizar de tal modo os homens como atualmente. Os homens, durante sua vida terrena, ainda não estavam tão desesperadamente presos à matéria do corpo terreno e, por isso, também não se separavam tão definitivamente do plano terreno após a morte. Havia ainda entre o mundo terreno e o espiritual um intercâmbio semelhante à inspiração e expiração. As almas dos mortos podiam reunir-se à beira dos túmulos com os que deixaram na terra. A imortalidade, a presença das almas que viveram na terra, ainda era perfeitamente sentida e não era posta em dúvida. Era o ar que os homens respiravam e do qual se asseguravam especialmente ao visitarem os túmulos e ao construírem sobre estes os seus templos.

No decorrer dos séculos, os homens se encarnaram cada vez mais profundamente. Quanto mais se ligavam a matéria terrena, tanto mais perdiam, para a vida post-mortem, a possibilidade de permanecerem ligados à terra. Durante a vida na terra ficavam presos à matéria, após a morte ficavam presos a uma esfera de sombras, de onde lhes era difícil aproximar-se dos homens na terra. A Fenda entre a terra e o além se alargava cada vez mais, era cada vez mais intransponível. A esfera da vida após a morte transformou-se em prisão, como dizem as epístolas de Pedro no Novo Testamento. A humanidade corria o risco de perder a verdadeira imortalidade, a consciência que sobrevive à morte. Um encanto entorpecente se apoderou do reino dos mortos.

Quando os egípcios mumificavam seus mortos e oravam nas proximidades dos corpos embalsamados, apenas tentavam forçar a conservação do estado antigo, tentavam prender as almas aos restos cadavéricos, apesar da intransponibilidade cada vez maior daquele abismo. Mas não era possível evitar a fatalidade. Cada vez mais se instalou, nos séculos pré-cristãos, o terror diante do mundo dos mortos. O estremecer diante da esfera dos mortos preenchia o mundo grego. No Velho Testamento desaparece totalmente a idéia da imortalidade. Formou-se uma corrente religiosa isenta da certeza da imortalidade. A crença de que a vida se prolonga somente nos descendentes substitui a idéia da imortalidade.

Não obstante, nos séculos pré-cristãos as almas ainda não estavam tão presas ao corpo como atualmente. Em conseqüência, os homens que viviam na terra sentiam claramente a trágica fatalidade da morte. Um peso oprimia a humanidade. Ainda se visitavam os túmulos, mas as almas dos mortos não vinham mais e os deuses permaneciam ausentes dos altares. O sentimento asfixiante da época pré-cristã era devido muito menos à miséria material do que à miséria interior. A terra transformou-se em deserto que há muito tempo não recebia chuva. A morte, outrora irmã do sono, transformou-se em terror da humanidade. É este o fundo emocional da esperança cada vez mais ardente pela vinda do Messias, esperança que atravessa todos os povos da era pré-cristã.

Estamos agora entre a sexta-feira santa e a Páscoa. O corpo foi tirado da cruz e depositado no sepulcro. A humanidade não o percebeu, mas, misteriosamente, arqui-imagens, pensamentos divinos se entretecem aos acontecimentos. A Providência fez com que cruz e sepulcro se situassem em um local que há milênios já fora vivenciado como um ponto central da terra. Entre Gólgota, a colina rochosa que se prolonga na massa rochosa lunar da montanha do templo, e o sepulcro, cujos arredores formam o início da paisagem cultivada do Monte Sion, havia outrora uma fenda primária na superfície terrestre. (Ver “Koenige und Propheten”, pág. 58 e ss. e “Caesaren und Apostel” pag. 193 e ss). A antiga humanidade via nesse terrível abismo o túmulo de Adão. Foi aí que, pela primeira vez, a morte desceu sobre a humanidade. E, deste modo, desde os tempos mais remotos, esta fenda, que corta em duas a face da cidade de Jerusalém, esteve ligada à idéia de ser esta a porta do Inferno. Neste local foi erguida ontem a cruz e está hoje o sepulcro.

Ao tentarmos assim penetrar no aspecto interior dos acontecimentos, parece-nos que mais uma vez é rasgada uma cortina, diante de outra esfera: o reino noturno dos mortos abre-se diante de nós, a esfera mais sagrada (o Santíssimo) na qual vivem as almas dos mortos que, no entanto, estão magicamente presas pelas forças da morte. Encontramos, então, uma luz inesperada na escuridão saturnina da esfera dos mortos. Agora existe ali alguém que não está dominado pela força mágica da morte e é livre de todo torpor. Ele atravessa a morte carregando a plena luz solar do seu gênio. E, desta maneira, enquanto na terra reina o escuro sábado sepulcral, nasce o sol no reino dos mortos. É este o sentido da descida do Cristo ao inferno. No reino dos mortos nasce um reluzir de esperança. Afrouxa-se a força mágica da morte, porque a visão se abre sobre uma futura vitória da alma humana sobre o espectro terrível do reino dos mortos. Quando na terra ainda era sábado, no reino dos mortos já era Páscoa. Antes que os homens da terra percebessem algo da Páscoa, já a perceberam os mortos.

Como haverá de prosseguir o drama? Ainda não está decidida a questão se haverá Páscoa também no mundo da corporeidade terrena. Ocorrerá também no campo material a vitória sobre a morte? Vitória que já brilha no reino das almas?

A terra moribunda, arriscada a perder totalmente a conexão com o céu, recebeu um remédio. Recebeu corpo e sangue do Cristo. Foram estas as primeiras partes da matéria terrestre totalmente impregnadas pelo espírito. São elas o germe de uma nova matéria transiluminada pelo espírito. O ser espiritual-anímico do Cristo acompanhou o corpo depositado no sepulcro de José de Arimatéia como acompanhara o sangue cujas gotas molharam o Monte do Gólgota. Pela primeira vez ficou sem efeito o exílio para o além, pela morte.

Encontramo-nos em um ponto crucial da Providência. Todo o universo participa diretamente daquilo que acontece na cruz e no sepulcro. A comunhão através da qual a própria terra absorve o remédio cósmico cresce incomensuravelmente. Já na sexta-feira santa, no momento da morte do Cristo, iniciam-se os terremotos, o último dos quais ainda faz estremecer a manhã da Páscoa. Durante o sábado não cessaram totalmente, embora as forças na natureza talvez se adaptassem ao silêncio sepulcral adequado ao dia. Embora possa ofender o cômodo raciocínio terreno, Faz parte dos pontos culminantes cósmicos do drama do mistério do Gólgota aquilo que Rudolf Steiner transmitiu, como resultado da pesquisa espiritual, mas que pode ser comprovado também a partir do conhecimento dos segredos que repousam no solo de Jerusalém: reabriu a fenda original do Gólgota, que fora aterrada por Salomão. E, assim, a terra inteira se transformou em sepulcro do Cristo. A terra aceitou a hóstia que lhe foi oferecida, até mesmo fisicamente a aceitou em toda a profundeza. Ao pronunciarmos, com as palavras da nossa religião, os acontecimentos do sábado de Aleluia: “Ele foi enterrado no sepulcro da terra”, tocamos de leve o aspecto cósmico do mistério do Gólgota. Novalis sabia disto e expressou poeticamente que, quem ofereceu à terra o medicamente cósmico, não foi outro senão o próprio Cristo. O corpo do Cristo foi aparentemente sepultado por mãos humanas. Em verdade, ele se entregou livremente após a morte para a cura de toda a terra:

“…Como Ele, movido somente pelo amor
Se nos entregou totalmente.
E se deitou no seio da terra
Como pedra fundamental de uma Cidade de Deus”.

A comunhão cósmica do nosso planeta terreno ocorre na sexta-feira santa e no sábado da Aleluia, antes mesmo da vitória pascal completa. Eis porque o corpo fisicamente real e o sangue fisicamente real do homem Jesus de Nazaré foi o medicamento que a terra recebeu. O fluxo sacramental que daí se derrama pela humanidade parte da Páscoa. Foi o erro do culto de relíquia medieval, nada mais do que uma relíquia de hábitos e crenças pré-cristãs, que induziu os homens a pensarem que sua vida cultural-sacramental dependia de restos físicos do corpo de Cristo. Os portadores do culto da Cristandade, tanto o catolicismo ocidental quanto o oriental, mantiveram com razão o velho princípio de construir os altares sempre em forma de túmulo. Mas foi um erro ater-se à prescrição de que no altar deveria haver sempre uma relíquia, fosse da própria vida terrena do Cristo, fosse de um santo a ele ligado. Esta ordem foi um retorno a tempos pré-cristãos em que só se podia cultivar a relação como mundo espiritual à beira dos túmulos, onde repousavam os restos terrenos dos mortos. A refutação de todo culto de relíquias é o Sepulcro Vazio. O sepulcro de José de Arimatéia não continha resto algum do corpo de Cristo quando na manhã da Páscoa Pedro e João desceram na fenda escura.

O sepulcro vazio significa: Não olheis para o homem Jesus! Não estais diante do sepulcro de um grande e santo homem. Olhai para o Cristo! Ele é uma entidade cósmico-divina. Seu túmulo não é o sepulcro de José de Arimatéia, mas toda a terra. As verdadeiras relíquias não são quaisquer restos dos acontecimentos físicos, pois estes só poderiam captar o estado pré-pascal dos fatos do Gólgota. O significado da vitória pascal é que, doravante, o corpo espiritual do Cristo, tecido de luz, poderá reluzir em tudo o que é terreno. Pão e vinho, sendo o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue do Cristo, são o medicamento da nova vida conquistada através da vitória pascal. Neles, a homeopatia espiritual atravessa o mundo, tendo como portadores os homens ligados ao Cristo. A sabedoria do Cristianismo original em torno deste mistério, expresso, por exemplo, por Inácio de Antióquia, pode ser reconquistada em nossa época através do pensamento claro treinado pelas Ciências Naturais: pão e vinho são os medicamentos da imortalidade.

Os altares do sacramento renovado também têm a forma de um túmulo. E, quando as paróquias se reúnem em torno dos altares, sempre está presente o princípio do sábado da Aleluia. Somos os que esperam diante do santo túmulo. Sabemos que nosso altar não precisa abrigar relíquias. O medicamento está presente quando o Cristo está presente, no pão e no vinho. As arqui-imagens da mesa e do túmulo se interpenetram. E à mesa do Senhor podem novamente estar presentes os nossos mortos. Aqueles que atravessam a morte após terem se ligado intimamente em vida ao novo sacramento indubitavelmente saberão achar este Santo Sepulcro, mais facilmente até do que achar seus próprios túmulos. As almas não mantêm mais relação intensiva com os corpos de que se despojaram. Mas, quando nos reunimos em torno do altar, eles podem estar conosco e assim reforçar nosso relacionamento com o mundo espiritual. Os novos altares circundam-se com a mesma trama de arqui-imagens que envolvia o sepulcro nas redondezas das plantações do Monte Sion. Está sanado, aqui, o abismo entre este e aquele mundo e, invisivelmente, floresce o jardim pascal onde nossa alma, como Maria Madalena, pôde ver o Ressurreto como jardineiro de um novo mundo. De dentro para fora a escuridão saturnina é iluminada pelo sol pascal.

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

Os Acontecimentos da Semana Santa: Sexta-feira Santa – Dia de Vênus

Os Acontecimentos da Semana Santa

Sexta-feira Santa – Dia de Vênus

Emil Bock

grunewaldcrucif1

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

Durante três dias ainda persiste o efeito (Bann) da morte. De modo semelhante ao que acontece após a morte de qualquer homem, durante três dias ocorre uma certa parada sagrada do destino. Três dias após a morte física, a morte ainda uma vez mais adquire um poder implacável sobre o ser humano. Após ter afastado dele o corpo terreno, a morte separa agora também o corpo vital, o corpo etéreo, e o espalha pelo cosmo. O reluzir do corpo na cruz descortina a visão pascal: o poder da morte não será capaz, no terceiro dia, de dissolver o corpo etéreo do Cristo. Pelo poder que o Cristo detém sobre seu próprio ser, este manto etéreo não se afastará da terra, substanciar-se-á, de modo que o Cristo poderá ainda mais ligar-se a tudo o que é da terra. Em sua corporeidade espiritual, o Cristo permanece perto dos homens, como ele mesmo profetizou:

“Eis que ficarei convosco todos os dias até o fim dos tempos terrestres”

Emil Bock

linha

À medida que a Semana do Silêncio realmente desemboca em silêncio, a atitude de Jesus parece modificar-se. A volição combativa e cintilante não aparece mais como antes. Quando, entre a meia-noite e a aurora, os encarregados vêm prender aquele que Judas beijaria, ele não se defende. Pelo contrário, impede Pedro de defendê-lo. Vemo-lo assim, agarrado por mãos brutas, arrastado de um lado a outro da cidade, aparentemente incapaz de escapar à crueldade dos que o flagelam, lhe colocam espinhos na testa, cospem e batem no seu rosto. O espectador é tomado da mais profunda emoção e tristeza quando, finalmente, os carrascos dão ao exausto a pesada cruz para carregar e depois o fixam à cruz com pregos. Onde ficou a força combativa que ainda nos primeiros dias desta semana o envolvia como em relâmpagos e centelhas? Abandonou ele a luta diante da cegueira e maldade dos homens?

Apenas em aparência exterior a atitude combativa e heróica foi substituída por uma aceitação passiva do destino. Os homens não estão maltratando e crucificando apenas um homem. Nas cenas da Paixão esconde-se o destino de um Deus: a luta que nos dias precedentes era travada por meios humanos continua agora em esfera oculta. Ao abrigo de olhares externos, esta luta assume agora dimensões muito mais poderosas. O Cristo não luta com carne e sangue, mas com os poderes invisíveis dos adversários, de cuja tirania ele quer libertar a humanidade. Luta contra as potências luciféricas, contra os seres ardentes da luz enganadora que tentam alienar o homem da terra. Mas luta também contra os poderes arimânicos que contraem, enrijecem o homem e querem prendê-lo à matéria morta. Se adquirirmos a faculdade da visão capaz de ver além do primeiro plano das cenas da Paixão, então veremos como o Cristo luta vitoriosamente, primeiro contra as potências luciféricas, depois contra as potências arimânicas. No domingo de Ramos fora uma atividade da espiritualidade luciférica que desencadeara nos homens os gritos de “hosana”, uma pseudo-espiritualidade irresponsável, inútil. Vimos como o Cristo recusou e despediu na segunda-feira esta antiga espiritualidade que se tornara luciférica. Na terça-feira vemo-lo entrar em outra arena de luta: na camada do intelecto esperto e astuto, sobre o qual ele lança suas palavras com grande força espiritual. Os questionadores que pretendem preparar-lhe uma cilada representam a fria astúcia e esperteza arimânica. Vemos como ele começa a enfrentar esses outros adversários mais obscuros.

Mas o poder arimânico age, mais do que na esfera humana, na esfera da matéria. Age em campo oculto. E se, aparentemente, o Cristo entrega as armas no decorrer do drama da Paixão, em realidade ele apenas persegue o poder arimânico em suas camadas ocultas para aí subjugá-lo.

O poder que Ariman possui sobre os homens se torna mais evidente e triunfante quando ele se aproxima do homem sob a forma da morte. No decorrer da evolução da humanidade, até o final da Antiguidade, a morte, inicialmente, um amigo paternal do homem, cada vez mais assumira os traços do Ariman. A fatalidade que paira sobre o homem, o fato de ser ele mortal, foi aproveitado pelo sinistro espírito, que dela fez sua mais contundente arma em sua luta contra a humanidade. O poder que a morte detém sobre nós não consiste unicamente no fato de termos que morrer, porém revela-se mais ainda depois da morte. Então, deve revelar-se a nós, após entregarmos nosso corpo terreno, ainda podemos continuar ligados àquilo que acontece na terra com aqueles aos quais nos relacionamos, dos quais fazemos parte. O poder total da morte reside nesta faculdade de nos arrancar ao terreno e nos lançar em uma vida no além sem relação alguma ou ponte que a ligue à vida na terra. O poder mortal de Ariman burla o homem. Durante a vida terrena o liga ao mundo da matéria, promete-lhe todas as realizações terrenas para não mais cumprir a promessas após a morte. Quanto mais terreno ou materialista o homem é durante a vida, tanto mais inexorável será em seu exílio no além. Somente aqueles que já se firmaram no espiritual durante a vida poderão continuar agindo sobre a vida na terra após a morte e continuar auxiliando aqueles que ainda permanecem na terra. Nós só possuímos, após a morte, tanto poder espiritual sobre a matéria quanto adquirimos na terra durante a vida.

Tocamos assim a esfera na qual o Cristo, ao prosseguir-se o drama da Paixão, continua a luta. Ele avança tanto mais potente nesta esfera quanto mais a aparência exterior sugere que ele se entrega passivamente aos que o capturaram. Ele não se defende contra os homens, não quer evitar exteriormente o sofrimento e a morte. Não se contenta apenas em defender-se, mas conquista uma vitória após outra sobre o poder arimânico-satânico que a morte quer ter sobre a essência interior do ser humano.

Quando o Cristo, no cenáculo, na quinta-feira santa, oferece aos discípulos a Santa Ceia, aparentemente não há luta. No entanto, quão maravilhosa vitória sobre o espírito da gravidade e da matéria inerte! O Cristo acompanha o pão e o vinho que sucumbiram às forças materiais terrenas e os torna luminosos pela força solar do seu coração. Arranca a criatura terrena às forças tenebrosas e a transforma em corpo e sangue da sua essência da luz.

Adivinhamos: se agora, ainda encarnado, ele é capaz de animar (conferir alma) aos elementos da terra, a ponto de torná-los luminosos, ele poderá fazer o mesmo, e mais, após morrer na cruz. Em Getsemane, a luta contra o poder mortal entra em uma fase decisiva. Aqui, no tranqüilo Horto das Oliveiras, onde tantas vezes se detivera com seus discípulos para ensinamentos intimos*, ele tem que enfrentar – na mais extrema solidão – o mais perigoso ataque do adversário. O milagre da comunidade que ele acabara de oferecer no cenáculo para o bem do futuro da humanidade não vai ajudá-lo em nada. A consciência dos discípulos não está à altura do acontecimento. Judas desaparece nas trevas da traição, mas os outros também o abandonam, caindo nas trevas do sono de Getsemane, a partir do qual Pedro o negará.

O Cristo não tem que lutar contra uma fraqueza interna ou contra o medo da morte. Nada mais trágico do que interpretarmos a Paixão do Cristo como se Jesus, em Getsemane, tivesse orado para ser poupado da morte. Não é o medo da morte que o ataca, é a própria morte. A força da morte, já temerosa de perdê-lo do seu controle, se aproxima e ergue a mão contra ele. O Anjo Exterminador quer agarrá-lo. O mistério da lula no Getsemane reside no fato de a morte querer enganá-lo. Ela o quer antes da hora, antes que ele tenha completado sua missão, antes que seu espírito tenha impregnado totalmente a terra. Quer arrancá-lo para se apoderar ao menos de uma parte do seu ser.

*Do primeiro ao terceiro evangelho notamos uma progressiva revelação do mistério de Getsemane. Os dois primeiros evangelhos dizem apenas: “Jesus chegou com os discípulos a um horto chamado Getsemane”. Temos, inicialmente, a impressão de que se trata de um sítio qualquer, estranho. Em Lucas o tema já toma outra direção: “Subiu, conforme seu costume, ao Monte das Oliveiras, e os discípulos o seguiram”. É um lugar onde Jesus se detivera muitas vezes. O evangelho de João, enfim, traz a plena revelação: “Saiu, então, com os discípulos atravessando o rio Kedron. Havia ali um horto. Nele, Jesus entrou com os discípulos, mas Judas, que o traiu, também conhecia o lugar, porque Jesus muitas vezes ali se reunia com eles”. Getsemane é, portanto, um lugar de instrução esotérica aos discípulos. O Horto das Oliveiras se estendia até o alto do Monte das Oliveiras. Foi também o cenário do Apocalipse do Monte das Oliveiras na noite de terça-feira.

Durante três anos ardera em seu corpo e em sua alma o fogo solar do Eu divino. Os invólucros, sob este fogo interno, já estão perto de se incinerarem. O que resta ainda a assumir e a completar exigirá, também do lado físico, tanta força que surge o perigo da morte precoce. O poder arimânico, na tocaia, quer se aproveitar deste momento. Lucas, o médico, descreve exatamente o que ocorre; o errôneo sentido antropomórfico dado à cena é devido unicamente às traduções correntes. Onde a Bíblia de Lutero diz: “Aconteceu então que ele lutou com a morte e orou com maior intimidade”, o texto literalmente é: “ao entrar em agonia”. Portanto, em sentido medico-técnico, já começou a agonia, a luta final. Lucas diz ainda: “Dele derramavam-se gotas de suor com sangue”, definindo assim o exato sintoma da agonia.

O Cristo permanece vitorioso. Repele a morte. Ainda não chegou a hora. Com a mais potente força de oração jamais desenvolvida na terra, ele luta por ainda ficar no corpo. São ainda um eco desta luta as palavras que ele dirá na cruz: “Tenho sede”, aparentemente revelando uma fraqueza. Até o momento imediatamente anterior à expiração final, ele permanece fiel ao terreno. É neste fato que residirá sua vitória sobre a morte. Ele penetra ainda mais profundamente no mundo material terreno que porta em si pela corporeidade física. Ainda há um resto a cumprir. Não quer entregá-lo ao príncipe deste mundo, que já acredita ser a esfera material sua posse inalienável. Finalmente, é o próprio Judas que o aborda para lhe dar o beijo da traição, ajudando-o a repelir, com o perigo da morte precoce, o poder satânico.

Os outros discípulos que se mantiveram fiéis ao Cristo, em realidade o abandonam. O traidor vem ajudá-lo, socorrê-lo, sem saber o que está fazendo.
O cenário do drama volta novamente ao contexto humano. A manhã da sexta-feira traz um encontro do Cristo com toda a humanidade, representada pelas três figuras de Kaifás, Pilatos e Herodes. Em seguida, a via leva ao Monte do Gólgota: vemos os mercenários baterem os pregos através de mãos e pés do Cristo e, aparentemente, ele tudo aceita, aparentemente se entregou à extrema passividade. Em realidade, sua essência interior adquiriu através da mais amarga dor, o supremo poder do espírito sobre a matéria, de modo que o mundo da morte em nada mais pode afetá-lo. Os poderes arimânicos, as forças da morte sentem este fato. Entram em cena com suas últimas reservas, rugindo de raiva, bufando de ira porque falhou seu poder. Quando o sol escurece durante horas ao meio-dia da sexta-feira, parece que o demônio solar já foi mobiliado contra o deus do sol. E quando treme a terra, todos os demônios da terra parecem estar atacando para conseguir a vitória da força satânica da morte. O Anticristo move os elementos da terra e até mesmo as forças do céu. Mas o Cristo passa, sem se alterar, ao lado da força da morte.

A morte nada pode roubar à soberania de seu espírito, ao seu poder total sobre toda a essência terrestre. Os poderes cósmicos que levantam na hora do Gólgota estão em acordo com sua vontade. Ele disse aos que o prenderam em Getsemane: “Chegou agora a vossa hora. Agora as trevas têm a palavra”. (Lucas, 22, 53). Ao escurecer-se o sol, nada mais acontece além daquilo para o que o próprio Cristo dera o sinal.
Em meio à escuridão do Gólgota, revelou-se um mistério que podemos agora, cautelosamente, insinuar. O corpo na cruz começou a emitir luz. Se em muitas regiões, nos campos e nos caminhos, encontramos crucifixos negros com um Cristo dourado, podemos ver nesta tradição popular e ingênua um importante mistério da sexta-feira santa. Um secreto brilho solar quebrou a terrível escuridão do meio-dia. Revelou-se o sol do Cristo ao obscurecer-se o sol exterior. Um raio pascal já brilhou em plena escuridão da sexta-feira santa.

A última das sete palavras pronunciadas na cruz: “Está consumado” não significa que acabou o sofrimento, significa que agora a vitória total sobre o poder da morte foi conquistada. Enquanto normalmente a morte, após burlar o homem durante toda a vida com a matéria terrena, o lança ao além e o condena ao exílio, o Cristo, ao morrer, dirige-se diretamente à terra. O sangue flui de suas feridas e a alma o acompanha. Normalmente, quando um homem perde seu sangue, sangue e alma seguem caminhos opostos. Aqui a alma acompanha o sangue. E, em seguida, o corpo é sepultado. Normalmente, quando o corpo é sepultado, corpo e alma seguem caminhos diversos. Aqui a alma segue o mesmo caminho em direção à terra. É este o grande sacrifício cósmico de amor que o Cristo pode dedicar para toda a existência terrestre, porque a morte é incapaz de impedi-lo. A terra recebe corpo e sangue do Cristo. Recebe a grande comunhão, porque a morte não tem poder sobre aquele que morre na cruz. E assim incorporou-se a toda existência terrena um fermento, o remédio da trans-espiritualização de toda existência terrena material.

Durante três dias ainda persiste o efeito (Bann) da morte. De modo semelhante ao que acontece após a morte de qualquer homem, durante três dias ocorre uma certa parada sagrada do destino. Três dias após a morte física, a morte ainda uma vez mais adquire um poder implacável sobre o ser humano. Após ter afastado dele o corpo terreno, a morte separa agora também o corpo vital, o corpo etéreo, e o espalha pelo cosmo. O reluzir do corpo na cruz descortina a visão pascal: o poder da morte não será capaz, no terceiro dia, de dissolver o corpo etéreo do Cristo. Pelo poder que o Cristo detém sobre seu próprio ser, este manto etéreo não se afastará da terra, substanciar-se-á, de modo que o Cristo poderá ainda mais ligar-se a tudo o que é da terra. Em sua corporeidade espiritual, o Cristo permanece perto dos homens, como ele mesmo profetizou: “Eis que ficarei convosco todos os dias até o fim dos tempos terrestres”.

Através de uma força o Cristo obteve a vitória sobre a morte: a força do amor cósmico que nele se fez homem. Pilatos pôde dizer daquele que viu marcado pelos flagelos, coroado com espinhos e ironizado com o manto de púrpura: “Este é o Homem!”. Quanto mais nós podemos dizer: o que está na cruz e abre seus braços a fim de praticar na morte o grande ato de amor que tudo transforma é a verdadeira e mais sagrada imagem da essência do homem. Foi o que Christian Morgenstern cunhou em palavras poéticas:

Eu vi o HOMEM em sua forma mais profunda
Conheço o mundo até em seu fundamento

Sei que amor, amor é seu mais profundo sentido
E que existo para amar cada vez mais.

Abro os braços como ELE fez
Quero, como ELE, abraçar o mundo inteiro.

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

Tão longe, tão perto: o tempo da criança

Tão longe, tão perto: o tempo da criança

Fonte: www.espacohumus.com – clique e conheça

tempo

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“E o que se aprende, vagando por aí, observando as rodas animadas de pequenos, suas obsessivas travessuras e brincadeiras? A importância desse tempo cada vez mais diminuído da infância, como formador essencial da personalidade adulta. As infâncias que duram mais são carregadas de uma potência absurda, porque é na brincadeira que o indivíduo exercita o desejo. E isso o torna mais capaz de tomar decisões. Então como conciliar isso com a ideia pós-moderna de uma infância que serve apenas como fase banal antes da maturidade, onde crianças são entupidas de uma sede de conhecimento que ceifa o presente e desloca-as para um futuro pré-programado, triste e somente adulto?”

linha

O tempo da criança é o tempo do pião ou o tempo que uma nuvem demora para tomar a forma que quiser; é um tempo que todos vivemos, mas esquecemos, porque ele vem exclusivamente da habilidade de brincar e tem morada na travessura. A brincadeira é uma habilidade, uma ferramenta do desejo e da materialização do ser.

A educadora Renata Meirelles conhece muito bem da necessidade do brincar. Ela passou anos pesquisando as brincadeiras que permeiam os estados brasileiros, e os diferentes tempos das crianças que nascem nas florestas ou das que nascem na cidade. Em 2000, juntamente com o documentarista David Reeks, criou o projeto BIRA- Brincadeiras Infantis da Região Amazônica, uma investigação da indumentária brincante das crianças da região amazônica.

E o que se aprende, vagando por aí, observando as rodas animadas de pequenos, suas obsessivas travessuras e brincadeiras? A importância desse tempo cada vez mais diminuído da infância, como formador essencial da personalidade adulta. As infâncias que duram mais são carregadas de uma potência absurda, porque é na brincadeira que o indivíduo exercita o desejo. E isso o torna mais capaz de tomar decisões.

Então como conciliar isso com a ideia pós-moderna de uma infância que serve apenas como fase banal antes da maturidade, onde crianças são entupidas de uma sede de conhecimento que ceifa o presente e desloca-as para um futuro pré-programado, triste e somente adulto? O resgate pode ser uma solução ideal. Não do passado, mas talvez de estados, onde conhecer crianças que ainda não tem um tablete e brincam com carrinhos feitos de lata ensina muita coisa.

A websérie Tão Longe, Tão Perto acompanha o estudo e a pré-produção do filme documentário Largou As Botas e Mergulhou No Céu, que será rodado no próximo verão. A proposta da série é trazer experiências e ideias de gente que trabalha diante das questões sociais, políticas e culturais brasileiras, seja da antropologia ao cinema, do debate acadêmico ao das ruas.

O leque de entrevistados – cada um dos episódios traz uma conversa sob a mesma estética de enquadramento e linguagem – passa por literatura, música, cinema, televisão, arquitetura, design, sociologia etc., para, a partir da área de atuação do personagem, levantar os principais temas, questões e aflições da contemporaneidade.

De forma geral, Tão Longe, Tão Perto visita os trabalhos e divagações dos entrevistados para construir um raciocínio sobre a nossa sociedade atual. Da série, que começa a ser publicada no mês de outubro no Espaço Húmus, a equipe vai absorvendo o engajamento teórico para contar no documentário Largou As Botas e Mergulhou No Céu histórias comuns aos brasileiros, objeto de pesquisa e criação dos entrevistados deste momento de estudo.

Passada a série, o documentário tentará mostrar na prática todos esses contrastes, inquietações e particularidades da população brasileira por mais de dois meses de viagem, de dezembro até o Carnaval, tendo como área de abordagem o sertão e o litoral nordestinos – o Nordeste é a região escolhida para o projeto, ainda que não se trate de um trabalho com foco regional ou limitação geográfica. — A equipe é formada por Bruno Graziano, Paulo Silva Jr., Raoni Gruber – trio que realizou o documentário O Acre Existe (estreia no Canal Brasil em 28 de outubro) – e Cauê Gruber.

A websérie Tão Longe, Tão Perto estreia em outubro e terá 10 episódios entre as semanas que antecedem a viagem a o período da própria produção do documentário. O filme Largou As Botas e Mergulhou No Céu será produzido entre dezembro de 2014 e fevereiro de 2015 e tem previsão de lançamento no segundo semestre de 2015.

<<< Confira todos os vídeo da série aqui. >>>

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A Pedagogia Waldorf

Agora as doações mensais podem ser feitas diretamente através da Biblioteca Virtual da Antroposofia. Sem nenhum cadastro prévio, basta escolher um valor e preencher os dados:

Quero ajudar – clique aqui

linha

A Pedagogia Waldorf

cora-8Imagem: Escola Waldorf Cora Coralina em Florianópolis

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“No âmbito escolar, não deve existir alegria maior do que perceber o amor verdadeiro que o professor de seu filho sente por seus alunos.”

Que Pedagogia é esta que tanto cresce e atrai simpatizantes no Brasil e no mundo, capaz de trazer a alegria nas crianças por estar na escola, eliminar a pressão e concorrência de cima dos alunos e ajudá-los a desenvolver suas qualidades e virtudes individuais, fortalecendo sua criatividade, confiança e fantasia, tornando-os capazes de lidar com o mundo ao seu redor?

“A nossa mais elevada tarefa deve ser a de formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.”

Rudolf Steiner

linha

A Pedagogia Waldorf foi criada por Rudolf Steiner há 95 anos. Seu currículo é vivo, dinâmico e integrado, assim como sua preocupação com o desenvolvimento global dos alunos, suas diferenças individuais e a ênfase em descobrir suas capacidades e potencial respeitando cada etapa de desenvolvimento da criança. Esse currículo é desenvolvido em bases antropológico/antroposóficas, tendo em vista a evolução física, emocional e espiritual do ser humano.

A principal meta de uma Escola Waldorf deve ser o de desenvolver seres humanos capazes de, por eles próprios, dar sentido e direção às suas vidas, desenvolver na criança “cabeça, coração e mãos” através de um currículo que balanceia as atividades escolares. Este currículo insere música; artes além de matérias como jardinagem, técnicas agrícolas e horticultura. Através dessa metodologia, os professores buscam despertar o gosto pelo aprendizado, fazendo deste uma atividade não competitiva.

É ministrado na escola o mesmo currículo exigido em outras escolas como: português, matemática, ciências físicas e biológicas, história e geografia. Mas de acordo com os objetivos da Educação Waldorf, os alunos terão acesso também a matérias como astronomia, teatro, zoologia, botânica, euritmia, música, trabalhos manuais, artesanato, agrimensura, astronomia de posição, filosofia, artes plásticas e cênicas, assim como línguas estrangeiras. Em termos metodológicos, o currículo Waldorf pode ser comparado a uma espiral ascendente: as matérias são revistas várias vezes e a cada nova exposição uma nova e mais profunda visão do conteúdo exposto é oferecida.

teste 2

A Educação Infantil

1° Setênio – “O mundo é bom!”:

– De 0 a 07 anos (maturidade escolar);

– A criança está aberta ao mundo;

– Tem confiança ilimitada;

– Recebe impressões sensoriais;

– Não elabora julgamento ou análise;

– Está na fase do desenvolvimento motor;

– As percepções inadequadas são armazenadas no inconsciente (não compreende o pensamento dos adultos);

– Aprendizado por imitação;

– O educador Waldorf deve ser digno de ser imitado, pois nessa imitação inconsciente estará fundamentando sua moralidade futura.

– Característica: O bom.

Vídeo do Jardim de Infância Acalanto em Holambra/SP – produzido por Alexandre Macedo

O ambiente da sala de jardim de infância é muito importante e deve ser aconchegante. A sala se compõe de pequenos ambientes, como o “quarto das bonecas” ou a “cozinha”. Há mesas grandes para que as crianças tenham uma vivência do social nas refeições e algumas outras atividades, como a culinária ou aquarela. Há cavaletes e panos para a construção de cabanas, circo… Os brinquedos são de madeira e as bonecas são de pano. Há ainda sementes, conchas, pedras, toquinhos de madeira, lã de carneiro, capas, saias, panos, giz de cera e cera de abelha para que a criança possa criar e usar a fantasia que lhe é inerente.

A área externa é muito arborizada com árvores frutíferas inclusive e flores. Há caixas de areia, água, balanços, escorregadores, gangorras e pontes. Há muito espaço onde a criança poderá desenvolver a motricidade.

Na idade pré-escolar, a criança desenvolve-se em grande parte através do brincar. O brincar é tão importante e sério como o trabalho para o adulto. Ao brincar, a criança vai adquirindo experiências e vivências com as quais vai aprendendo a se situar em seu meio ambiente. É no brincar que a criança conhece o mundo e a si mesma e desenvolve capacidades de relacionamento social e coordenação motora.

A criança pequena é inteiramente força de vontade, ela só quer brincar e se movimentar. A forma de brincar da criança é influenciada pela fantasia, que vem de dentro e pela imitação – ela imita o trabalho e os gestos dos adultos. E aqui os educadores têm que estar atentos aos seus gestos e posturas diante da criança. O ritmo é muito saudável para a criança, pois dá segurança. Busca-se cultivar, diariamente, os bons hábitos de higiene, alimentação, respeito, veneração e socialização.

pano

Há atividades semanais, como o dia de fazer o pão, o dia da aquarela, da jardinagem, do kântele e da euritmia. Nas atividades diárias há o momento do brincar e das atividades dentro da sala, o momento do ritmo, onde são vivenciadas as festas e estações do ano, o brincar no pátio e o conto de fadas.

As festas do ano ajudam a criança a entrar no ritmo do ano. Através de músicas, danças, teatros, histórias e alimentos, as tradições são lembradas e a criança vivencia o sentido cósmico das festas: Páscoa, Pentecostes, Lanterna, São João, Micael, São Nicolau e Natal.

A música é vivenciada através de canções e do kântele. Criam-se momentos para o ouvir, o silenciar e o cantar. A música ajuda a harmonizar e equilibrar o processo respiratório físico, anímico e social. O Kântele, com sua sonoridade e escala especial é como uma gota de vida no deserto sonoro (falta de adequação dos sons, que deixam a criança agitada) que cerca a criança. A escala é pentatônica, que cria uma atmosfera flutuante, de sonho, que não adentra a corporalidade física. Esse ambiente sonoro alimenta a alma da criança pequena, de tal forma que é capaz até de harmonizar seus processos físicos.

O conto de fadas refere-se às grandes verdades espirituais da evolução humana, como vida e morte, bem e mal…

BelaAdormecidaantiga

Ensino Fundamental

2° Setênio – “O mundo é belo!”:

– De 07 a 14 anos (maturidade sexual);

– Desenvolvimento anímico;

– Emancipação da vida corporal;

– Interage e reage aos estímulos que recebe;

– Necessita de explicações conceituais;

– Interesse pela admiração que as coisas causam;

– Vivência na área dos sentimentos (sai sentido entra sentimento);

– Puberdade (12/14 anos) perturba a harmonia anímica;

– O professor Waldorf deve saber o que é bom ou não para seu aluno e entusiasmá-lo, deve ter “autoridade amorosa”;

– Característica: O belo.

O Portal de Flores – o lindo momento de transição do jardim para o ensino fundamental. Este video mostra a travessia do portal de flores do 1º ano de 2013 da escola Cora Coralina em Florianópolis:

O professor de classe

Cada grupo de alunos que ingressa no primeiro ano terá um (a) professor (a) que acompanhará essa turma durante os oito anos do Ensino Fundamental. Além de ministrar as matérias básicas para as quais estiver apto, através da intensa convivência, o professor tem a possibilidade de conhecer em profundidade cada criança e pode desenvolver um acompanhamento mais individualizado e balizado nas necessidades de cada uma delas. O professor da classe acompanha o grupo em viagens, estabelece o elo entre as famílias das crianças e objetiva criar um grupo social integrado entre elas.

renato biblioteca

O ensino em épocas

A Pedagogia Waldorf desenvolveu as épocas como forma de possibilitar aos alunos um maior aprofundamento dos grandes temas trazidos. Assim, como exemplo, é dada uma época de História por 3 ou 4 semanas e a criança vivencia uma integração de matérias que gira em torno do tema abordado. Pode-se seguir uma época de Matemática ou de Português e assim, sucessivamente, as épocas se desenrolam ao longo do ano. O ensino em épocas possibilita que os alunos recebam os conteúdos de uma forma não fragmentada, desconectada com o todo ou ainda de uma forma superficial. Através desse sistema, a criança pode efetivamente “mergulhar” e vivenciar profundamente cada matéria.

O vídeo abaixo mostra um professor preparando seu desenho de lousa com uma imagem que representará sua época de ensino:

Como educar o ser humano dos 7 aos 14 anos

Nesse segundo setênio de vida, a criança desenvolve sua vida emocional e sua ligação com o mundo e com as pessoas. Em seu dia-a-dia, ela necessita fundamentalmente de ritmo e também precisa aprender os conteúdos através de uma ligação com seus sentimentos. Aquilo que uma criança não vivencia, com o que não se envolve ou não pode estabelecer uma ligação afetiva será algo meramente decorado ou mecânico e tenderá a ser esquecido com o tempo. Por este motivo, o Currículo desenvolve suas matérias de forma que os alunos possam integrar em seu aprendizado: o desenvolvimento do querer (atividades do fazer), do sentir (poesia, arte e música relacionadas aos temas que tocam interiormente a criança e que estão de acordo com os interesses relacionados à sua idade e amadurecimento) e o desenvolvimento do pensar. Nesse último, a idéia é criar condições para que a criança aprenda a pensar e não simplesmente decorar as respostas acertadas. Por fim, atividades práticas – como trabalhos, viagens – levarão os alunos à aplicação concreta dos conhecimentos.

A forma trimembrada de uma aula

Para atingir o aprofundamento dos conteúdos básicos (matemática, português história, geografia, mineralogia, química, etc.), a aula inicial, a qual é ministrada pelo professor da classe, tem a duração de duas horas e segue uma composição que visa trabalhar harmoniosamente o desenvolvimento do querer, sentir e pensar da criança. A aula compreende atividades que visam desenvolver habilidades: físico/corpóreas, imaginativas, memória, raciocínio lógico, reflexão, artística, dicção entre outras.

O vídeo abaixo: “Começando o dia” – feito na Escola Aitiara em Botucatu/SP.

Integração com os pais

A criança dos 7 aos 14 anos tem o seu desenvolvimento a partir de três importantes relações em sua vida: a família, a escola e os amigos. Dessa forma, é fundamental que se integre Família e Escola. Para tanto, são realizados encontros em que se conversa e se aprende sobre a criança. Cada professor de classe realiza reuniões mensais ou bimestrais com os pais, e encontros anuais de confraternização da classe, além de outras atividades, eventos e palestras da escola. Essas atividades objetivam os mesmos ideais: fazer da vida e do ensino que a criança recebe a melhor base para seu desenvolvimento harmonioso como ser humano. Toda Escola Waldorf tem como princípio a ativa participação dos pais na vida escolar de seu filho.

primavera 27

Integração entre as matérias

Desde o 1° ano Waldorf, as matérias complementares como: Música Instrumental, Canto, Trabalhos Manuais, Artes Aplicadas, Pintura, Desenho, Desenho de Formas, Euritmia, Educação Física, Dramatização e Teatro acompanham o conteúdo curricular e são desenvolvidos de acordo com a maturidade. As matérias representam não só um complemento curricular, mas fazem parte de um todo que propiciará à criança, um desenvolvimento saudável e global. O conteúdo de cada matéria segue a linha mestra ou, como costumamos chamar, o “fio vermelho do ano”. Este “fio” tece o cenário no qual terá lugar o desabrochar da criança e o desenvolvimento das capacidades necessárias à sua harmonia. Nesse cenário, ela também poderá exteriorizar suas habilidades individuais.

Estudos e vivências de complementação ao currículo

A partir do segundo ano, as crianças iniciam passeios, visitas e viagens que vão fortalecer o seu aprendizado. A cada ano se escolhe um tema central que será complementado com uma viagem de época, que compreenda não só o estudo e a observação, mas a participação na vida social e a integração da classe. Além das viagens, passeios e visitas, o trabalho de dramatização e teatro propicia ao Professor da Classe desenvolver em seus alunos a autoconfiança, a interação com seu grupo social e a responsabilidade para com o todo. As crianças “aprendem fazendo” e descobrem que todos os papéis são importantes.

O belo vídeo abaixo mostra um pouco deste trabalho de teatro – Escola Novalis de Piracicaba/SP

Ensino Médio

3° Setênio – “O mundo é verdadeiro!”:

– De 14 a 21 anos (maturidade social);

– Liberdade das forças anímicas;

– Desenvolvimento do lógico, analítico e sintético;

– Separa-se do mundo (vê o mundo de fora);

– Quer explicações conceituais e intelectuais;

– Quer ser compreendido;

– O professor Waldorf deve ser digno de respeito.

– Característica: O verdadeiro.

Nos quatro anos do Colegial Waldorf, que vão do 9° ao 12° Anos, a Pedagogia Waldorf concentra-se especialmente nas capacidades do pensamento e do julgamento independentes, desenvolvidas no jovem estudante.

Ao completar 15 anos e entrar no terceiro setênio de vida, o jovem vivencia drásticas mudanças físicas e, ao mesmo tempo, começa a desenvolver a maturidade intelectual, freqüentemente acompanhada de crises de insegurança e de esforços idealistas. Como nas séries iniciais, ainda é importante que a Escola estabeleça limites claros, mas deve-se estimular os adolescentes a caminhar por suas próprias pernas e aprender com seus erros, visando maior grau de liberdade de escolha e de ação.

No processo de despertar o Eu e colocar sua individualidade nascente no caminho da autonomia, o jovem assume, freqüentemente, uma atitude de rebeldia contra o mundo adulto e suas expectativas, chegando, mesmo, a negar suas regras. Mas tal é necessário para levá-lo a estabelecer as suas regras próprias e seu próprio sistema de valores. Assim, ao longo dos quatro anos, cada vez mais a responsabilidade é deslocada para o próprio aluno.

A Antroposofia visa desenvolver um ser humano equilibrado em suas potencialidades, em que o querer, o sentir e o pensar sejam naturalmente praticados.

O homem se relaciona de formas muito diferentes com o mundo: através da atividade física, da atividade anímica e do âmbito do pensamento. Steiner ressaltou essa relação ternária, estabelecendo, inclusive, a inter-relação destas três atividades entre si, assim como com a organização corporal. O homem não é um ser unidimensional; antes de tudo, o sadio desenvolvimento do corpo e da alma é a condição prévia para que a individualidade espiritual possa atuar no mundo.

Mãos, coração e cabeça têm igual importância no desenvolvimento do ser humano. Por isso, a Pedagogia Waldorf impulsiona da mesma maneira o desenvolvimento das capacidades prático-manuais, morais e cognitivas. No Colegial Waldorf, isto é conseguido através de um currículo que, por sua diversificação e profundidade, proporciona inúmeras experiências e encontros humanos para o crescimento do indivíduo dentro do ambiente social. Mais do que a simples preparação para um curso superior, o Colegial Waldorf é uma preparação para a vida.

O vídeo abaixo mostra o coral de alunos do ensino médio do Colégio Micael em São Paulo:

Why Waldorf – “Porquê Waldorf”: vídeo produzido pela Escola Waldorf Marin da Califórnia/EUA – legendado pela Escola Waldorf Querência – Porto Alegre/RS

Agora as doações mensais podem ser feitas diretamente através da Biblioteca Virtual da Antroposofia. Sem nenhum cadastro prévio, basta escolher um valor e preencher os dados:

Quero ajudar – clique aqui

linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

 

A escola sem medo?

A escola sem medo?

Uma abordagem da Pedagogia segundo Rudolf Steiner

Luísa Pereira

Fonte: www.biosofia.net – clique e conheça

Publicado no perfil da Vovó Lupo no Facebook – clique e conheça

cora coralina

Foto: Escola Waldorf Cora Coralina – Florianópolis

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“Parecia ser inevitável, na nossa civilização, que o percurso escolar de uma pessoa estivesse ligado ao medo. Conhecemos as histórias de crises asmático-nervosas, de vómitos, de diarreias, de insónias, de gaguez, de violência gratuita, de estados de apatia continuada. Com a ajuda de médicos e de psicólogos, pais e filhos desorientados chegam à conclusão que frequentemente a causa primeira desse desequilíbrio psicossomático é a escola. A maioria destes medos advém da consciência que a criança tem de, numa avaliação do seu desempenho, não atingir aqueles misteriosos objectivos mínimos que é suposto ela atingir e que lhe foram expressamente explicados no início das aulas.”

linha

Parecia ser inevitável, na nossa civilização, que o percurso escolar de uma pessoa estivesse ligado ao medo. Conhecemos as histórias do quarto escuro, da palmatória, das orelhas de burro à janela, da permanência em horas extraordinárias, da peregrinação por outras salas com dísticos esclarecedores do “crime”, etc., etc.! Felizmente que sucessivas legislações vieram refrear estas medidas “pedagógicas”.

No entanto, o medo não desapareceu. Conhecemos as histórias de crises asmático-nervosas, de vómitos, de diarreias, de insónias, de gaguez, de violência gratuita, de estados de apatia continuada. Com a ajuda de médicos e de psicólogos, pais e filhos desorientados chegam à conclusão que frequentemente a causa primeira desse desequilíbrio psicossomático é a escola.
A escola?! E agora? Olha-se à volta e as escolas, públicas ou privadas, religiosas ou laicas, apresentam quase sempre um panorama idêntico: há professores que se dão muito bem com os alunos e aí as coisas correm bem; há outros que nem tanto e aí correm mal. Na realidade, o MEDO anda por todas elas. Medo de quê?

Medo de quase tudo: dos testes, das notas, do trabalho a entregar, de desiludir os pais, de desiludir os professores, de dar o salto no plinto, de ir à visita de estudo e enjoar no autocarro, de descrever numa folha todos os passos do voleibol, de não arranjar namorado, de não ser escolhido para a equipa do torneio inter-turmas, de ser chamado ao conselho directivo, de ser ridículo com os ténis sem marca, de não decorar as fórmulas de química, dos colegas grandes do último ano, dos jogos no pátio, do professor de matemática, de perder o autocarro, de ir às casas de banho e ficar fechado, de VIVER!

A maioria destes medos advém da consciência que a criança tem de, numa avaliação do seu desempenho, não atingir aqueles misteriosos objetivos mínimos que é suposto ela atingir e que lhe foram expressamente explicados no início das aulas. A partir desse momento a criança perdeu a sua inocência na espontaneidade do perguntar e aprender: ela sabe que tudo o que fizer, disser e mostrar é para a avaliação e passa a estar envolvida numa atmosfera de medo difuso. A punição, outrora exterior, interiorizou-se, agredindo agora a criança nos seus sistemas orgânicos. Já não lhe doem as mãos ou as nádegas: ela tornou-se asmática ou sofre de vómitos frequentes.

Temos que reelaborar toda a concepção de escola e de praxis pedagógica, incluindo o conceito de avaliação – porque ela existe. A pedagogia Waldorf.

Em 1919, Rudolf Steiner, engenheiro austríaco, posteriormente doutorado em filosofia, fundou em Stuttgart, na Alemanha, a primeira escola livre, ligada à fábrica de cigarros Waldorf-Astoria. Os alunos eram filhos de operários, de dirigentes e também de pais alheios à fábrica, que optavam pela pedagogia ali seguida, baseada no estudo aprofundado do Conhecimento da Natureza Humana. Actualmente são mais de 500 as escolas espalhadas por todo o mundo.

De acordo com a sua concepção, o Homem é um ser físico, anímico e espiritual, cujo desenvolvimento decorre por fases, cada uma com necessidades intrínsecas. Estas exigem uma prática pedagógica adequada, só tornada possível pelo estudo da Natureza Humana.

Assim, durante os primeiros sete anos de vida, a criança vai completando (metamorfoseando) os seus órgãos vitais até que atinjam a sua forma definitiva, por altura da entrada para a escola. Neste 1o septénio, ela entrega-se desprotegida e confiante ao cuidado de terceiros, normalmente os pais, de quem vai recebendo amor e carinho mas, também, modelos e orientações de vida.

Nesta fase, a criança aprende por imitação: exterior, no que se refere aos gestos de todos os dias, às actividades básicas de higiene, alimentação, vestuário, caminhar, falar; e interior, porque na criança se dá inconscientemente a imitação da qualidade dos estados de alma do adulto com quem convive e com quem aprende a pensar. A criança sente – pressente – a alegria ou a angústia, a honestidade ou a hipocrisia, o amor ou a indiferença. Todo o meio envolvente está em comunicação “não filtrada” com a alma infantil, que se lhe entrega plena de confiança. Todas as vivências – e a sua qualidade – penetram na criança actuando sobre o processo de metamorfose dos seus órgãos. Daí que determinadas emoções vividas nesse período venham a manifestar-se muito mais tarde, já em idade madura, como doenças orgânicas crónicas, mais ou menos graves.

Se, porém, o ambiente em que cresceu foi saudável e sem mesquinhez, com gente procurando o bem, então, é provável que venha a dispor de uma constituição orgânica robusta e sã. É evidente que muitos outros factores podem influenciar ou mesmo determinar estados de debilidade física mas isso não invalida, aliás reforça, a necessidade de se proporcionar à criança até aos sete anos uma atmosfera familiar e social (jardim de infância) que lhe permita completar a formação saudável dos seus órgãos, base de toda a sua vida. Para isso é necessário que todos os sentidos sejam estimulados naturalmente, pelo que se deve cuidar das qualidades do som, da cor, dos materiais, da alimentação, do calor. Este cuidado, longe de a mimar, dar-lhe-á alicerces para o futuro, fortalecendo-lhe a VONTADE. O quotidiano no jardim de infância, reproduzindo tanto quanto possível o de uma grande família, com o seu ritmo natural de trabalhar e brincar, com as histórias que a avó conta(va) aos netos, constitui o ambiente propício ao desenvolvimento feliz da criança.

Quando é atingida a maturidade para entrar na escola, o que se dá por volta dos sete anos (a tendência actual é de precocidade, com os perigos que qualquer precocidade contra-natura pode trazer consigo), a maioria das forças vitais que se empenhavam no seu organismo ficam disponíveis e poderão ser encaminhadas para uma aprendizagem sistematizada. A imitação, embora actuante (ela subsistirá até ao fim da vida), vai perdendo relevância e o que se torna agora importante é o desejo de admirar, de venerar alguém que lhe revele o mundo exterior. A criança há muito que se apercebeu da sua existência mas já não se lhe entrega incondicionalmente como dantes.

Agora, ela recolhe-se frequentemente no seu mundo interior e precisa de um mediador em quem possa confiar, como dantes confiou no seu meio envolvente. Esse mediador querido (nos sentidos de querer e amar), para quem a criança eleva todo o seu ser interior num acto de veneração genuína, será desejavelmente o professor – aquele que lhe traz a beleza do mundo até si. Quando isto é conseguido, o desejo espontâneo de aprender é alimentado pelo sentido do belo descoberto em cada aspecto do mundo. Cabe ao professor fazer despertar no aluno o sentido artístico, praticando-o na globalidade das aprendizagens necessárias. E, uma vez mais, não se trata aqui apenas de actividades exteriores: o pintar, o modelar, o tocar música, preenchem-se de uma atitude interior de olhar, ouvir, ver, escutar – de sentir.

É nesta fase que se desenvolve o SENTIR, através da beleza do som da palavra e da frase; da beleza das letras e da beleza na verdade dos números; da beleza do insecto, da árvore, da chuva e da areia. Por amor ao professor, pelo que de belo ele lhe trás do mundo exterior, o aluno esforça-se em fazer bem tudo o que lhe é proposto. Fá-lo a princípio para o professor, aprendendo gradualmente a amar esse mundo; progressivamente passará a esforçar-se pela coisa em si, porque vale a pena. Uma vez mais, é aqui necessário criar um ambiente – a escola – que não contradiga a sensibilidade que desperta e se desenvolve. A sala de aula adquire uma enorme importância: a cor, a luz, os desenhos e pinturas, tudo o que envolve o aluno pode falar-lhe de beleza ou de fealdade. As matérias terão que ser apresentadas de forma artística para evitar o desencanto e o perigo do desinteresse ou até da perversidade. Os contos, as lendas e fábulas, trechos do Antigo Testamento, mitos ou sagas de outros povos e biografias significativas, dão-lhe a imagem do Homem e do seu percurso, por entre o bem e o mal.

No 3o septénio, o raciocínio, que já se vinha desenvolvendo, ganha novas dimensões e o jovem entra na fase da formulação de juízos fundamentados. Ele dispõe agora das forças do PENSAMENTO para penetrar a verdade do mundo com as suas capacidades intelectuais e manuais: ciências naturais e sociais, filosofia, artes, tecnologias. Procura junto dos especialistas o porquê dos fenómenos e das suas leis, quer naturais, quer sociais. Anseia por intervir nesse mundo real e, além das aulas teóricas e práticas, do 9o ao 12o ano participa em estágios em quintas de agricultura biodinâmica e outras, em fábricas e instituições sociais (infantis, de saúde, de 3a idade, etc.), onde toma contacto com a área de trabalho em que possivelmente virá a ser profissional mas, principalmente, tem a oportunidade de conhecer aquelas em que não trabalhará, o que é de extrema importância social!

Do 1o ao 8o ano, o professor-de-classe lecciona o corpo central das disciplinas curriculares, ficando as específicas à responsabilidade de professores próprios: euritmia, música, educação física, línguas estrangeiras e oficinas. Durante este período, o professor pode acompanhar individualmente os alunos e conhecer as suas famílias. Os relatórios anuais de avaliação não são nunca classificativos mas, sim, descritivos do percurso realizado e orientadores para o futuro próximo. São de uma grande intimidade, transmitindo ao aluno a confiança de ser conhecido profundamente pelo professor e dando-lhe segurança nas questões quanto ao caminho a seguir.

Do 9o ao 12o ano, todas as matérias são leccionadas por professores especializados. Nesta fase, o interesse é objectivo e só aquele que é competente na respectiva área se impõe ao respeito do jovem. A avaliação qualitativa pode começar a apresentar indicadores classificativos, principalmente para os que se preparam para ingressar no ensino superior, sujeitando-se voluntariamente às respectivas provas de acesso. Aqui, o exame é inerente à via por que se optou – estudos superiores – e se, muito legitimamente, o medo está presente, é um medo concreto, preciso, dominável pelo indivíduo.

O apelo de liberdade

Chegado o fim da escolaridade, por volta dos dezoito anos, todos os alunos tiveram a oportunidade de conhecer e exercitar as áreas teóricas e práticas que os habilitam a enveredar por imensas possibilidades profissionais: de marceneiro a arquitecto, de ourives a médico, de jardineiro a músico, de electricista a advogado, o leque é quase infinito. Não é raro que um jovem, após ter passado nos exames de acesso à universidade, opte seguidamente por uma profissão manual. A sua escolaridade transmitiu-lhe o sentido de dignidade de QUALQUER área do trabalho humano e, se bem que inserido numa sociedade de discurso diferente, fre-quentemente encontra em si a força individual de seguir uma profissão que lhe traz felicidade e realização pessoal, normalmente ligada à estética ou ao social. Tendo percorrido um programa curricular adequado a cada fase do seu desenvolvimento, pôde adquirir confiança nas suas capacidades e estará preparado para enfrentar, em jovem adulto e ao longo da vida, os desafios que esta lhe trouxer. O medo surgirá sempre e de novo, pontual, objectivo, mas a autoconfiança permitir-lhe-á controlá-lo, ultrapassá-lo e, muito possivelmente, solucioná-lo.

As escolas Waldorf seguem uma pedagogia para a liberdade – e o que é a liberdade senão a libertação dos medos que aprisionam o Homem e o compelem a tomar atitudes erradas contra a Natureza, contra os outros e contra si?

Luísa Pereira
Licenciada em História, Professora do Ensino Secundário; Formada na Escola Livre Antroposófica de Mannheim, na Alemanha.

Conheça mais sobre a Pedagogia Waldorf – clique aqui

linha

Oportunidade: Curso de fundamentação em Pedagogia Waldorf

Fundamentação em Pedagogia Waldorf

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

Solidão

Solidão

Ilan Brenman

Fonte: www.revistacrescer.globo.com – clique e conheça

solidão 2

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“Machado de Assis (1839-1908), no seu conto Teoria do Medalhão, desenvolve um diálogo entre pai e filho, no qual o genitor diz ao seu descendente para não andar nas ruas desacompanhado, porque a “solidão é oficina de ideias”. O pai, nesse conto de Machado, queria criar um filho medíocre, fórmula para uma vida ordeira e tranquila. A maioria das pessoas tem dificuldade de ficar a sós com os seus pensamentos. Precisamos prestar atenção se não estamos projetando nas nossas crianças o nosso medo atávico da solidão, já que o tempo inteiro queremos oferecer para elas uma distração para a mente. Talvez devêssemos proporcionar mais momentos de silêncio e calmaria para os nossos filhos, onde eles possam escutar suas próprias ideias e, com elas, transformar o mundo ao seu redor.”

linha

Outro dia, li um artigo no jornal que me deixou curioso: “Maioria das pessoas tem dificuldade de ficar a sós com os seus pensamentos, diz estudo”. É uma pesquisa levada a cabo por um psicólogo da universidade da Virginia, nos Estados Unidos. Antes de começar o levantamento, o pesquisador imaginava que as pessoas poderiam usar os momentos solitários (e eram propostos poucos minutos de solidão!) para resgatar da memória as lembranças felizes e agradáveis. O psicólogo desafiou seu grupo de estudo a ficar 15 minutos sem a companhia de ninguém e os resultados foram os seguintes: 57% dos entrevistados afirmaram que não conseguiam se concentrar nessa pequena solidão, 89% disseram que a mente deles viajou e 49% não gostaram do experimento. Mas o mais incrível vem agora: 67% dos homens e 25% das mulheres disseram que preferiam levar choques a ficar sozinhos!

Olhando para o passado, consigo observar que o medo da solidão é tão antigo quanto o próprio homem. O filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), que abandonou sua vida laica para se dedicar na solidão monástica a Pensamentos (nome do seu mais famoso livro), já falava da necessidade dos jovens procurarem sempre o barulho, o agito, a correria da vida para não precisarem entrar em contato com seus pensamentos, porque, se assim o fizessem, ficariam de frente a suas limitações e angústias. Já Machado de Assis (1839-1908), no seu conto Teoria do Medalhão, desenvolve um diálogo entre pai e filho, no qual o genitor diz ao seu descendente para não andar nas ruas desacompanhado, porque a “solidão é oficina de ideias”. O pai, nesse conto de Machado, queria criar um filho medíocre, fórmula para uma vida ordeira e tranquila.

Parece que as tecnologias resolveram o problema da sensação de solidão que sempre habitou a alma humana. O problema está nessa ilusão da eterna companhia de um outro: fingimos que temos muitos amigos, fingimos que estamos muito felizes, fingimos que gostamos de tudo e de todos. E, de tanto fingirmos, acabamos aumentando nossa percepção da solidão. O mundo infantil sempre lidou melhor com esses momentos solitários. As crianças sabem usar a mente como ninguém quando estão sozinhas – criam castelos no ar, viajam a lugares distantes, inventam mundos paralelos em microssegundos. Precisamos prestar atenção se não estamos projetando nas nossas crianças o nosso medo atávico da solidão, já que o tempo inteiro queremos oferecer para elas uma distração para a mente. Talvez devêssemos proporcionar mais momentos de silêncio e calmaria para os nossos filhos, onde eles possam escutar suas próprias ideias e, com elas, transformar o mundo ao seu redor.

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A opinião que difere da minha

A OPINIÃO QUE DIFERE DA MINHA

Leonardo Maia


“Será que tenho equilíbrio interior para acolher uma opinião, escolha ou crença diferente que vem do outro? Muitas pessoas não conseguem sair das superficialidade das discussões onde defendem seu pontos vista apenas, sem disposição interna de ouvir e tentar entender o outro. Desta intolerância à “opinião que difere” surge os famosos discursos de ódio e a generalização do comportamento alheio, muito comuns na internet hoje em dia. Mas pergunto: se conseguíssemos chegar ao “cerne” do pensamento alheio, não poderia haver por trás desta outra opinião, escolha ou crença uma moralidade ou mesmo uma busca autêntica do outro indivíduo?”


Hoje, percebemos alguns temas que incitam discussões calorosas devido opiniões diferentes ou até mesmo contrárias. Mas o que me chama mais a atenção não é a opinião em si, mas a postura em relação à opinião alheia que difere da minha.

Será que tenho equilíbrio interior para acolher uma opinião diferente que vem do outro? Acolher não quer dizer concordar, mas aceitar que o outro tenha o direito de ter uma opinião diferente e possa expressá-la livremente.

Desta intolerância à “opinião que difere” surge os famosos discursos de ódio e a generalização do comportamento alheio, muito comuns na internet hoje em dia:

Ele é de esquerda então é comunista / ele é de direita então é fascista.

Ele quer uma esposa que dê prioridade aos filhos então é machista / ela é feminista então é agressiva e não aceita o comportamento masculino.

Ele é ateu então não tem amor no coração / ele é religioso então não possui uma lógica de pensamento, é tudo baseado em crenças.

Ele não é a favor do beijo entre pessoas do mesmo sexo na mídia então é homofóbico / ele é a favor então faz apologia ao homossexualismo e é contra a moralidade.

Pergunto: Se conseguíssemos chegar ao “cerne” do pensamento alheio, não poderia haver por trás desta outra opinião, escolha ou crença uma moralidade ou mesmo uma busca autêntica do outro indivíduo?

Mas muitas pessoas não conseguem sair das superficialidade das discussões onde defendem seu pontos vista apenas, sem disposição interna de ouvir e tentar entender o outro. E nesse duelo de egos se inicia uma sessão de julgamentos e tachações do comportamento alheio, chegando muitas vezes ao ponto de pregar uma inquisição.

Essa inquisição seria uma coisa muito perigosa, pois pode fazer com que as pessoas usem máscaras sociais para se adequar ao padrão moral e evitar conflitos com medo de expressar seus verdadeiros pensamentos.

Poderia eu tocar a alma do outro ou mesmo ser tocado por ela sem acolher com amor, sem ouvir e sem aos menos tentar compreender suas opiniões, escolhas, crenças e atitudes em um nível mais profundo?

É nesse encontro entre as almas é que surge o amor, não o amor carnal, mas o amor verdadeiro do reconhecimento do outro.  À partir desse reconhecimento percebemos o quão mágico e divino é o outro ser humano, o que nos traz o verdadeiro sentido de humanidade.

E isso nos fortalece e nos faz tentarmos sempre ser pessoas melhores, não só para nós, mas para todos. Lutar para que todos floresçam e possam expressar todas as qualidades e talentos de suas individualidades, independente de seus defeitos e dificuldades de hoje.

“Que o meu pensar seja claro, verdadeiro, sem julgamento, ponderado. Que meu sentir seja aquecido, amoroso, com compaixão pelo outro, trazendo a verdade do amor latente em si. Que minha ação seja fiel a uma causa, apaziguadora. Que eu possua a virtude de fazer o bem. Que eu possa ajudar ao outro ser humano e acompanhá-lo. Que eu desenvolva o sentido humanitário e colocar a minha força à disposição da humanidade. Que eu Ilumine com sabedoria os lados negativos ou sombras. Que eu possa ajudar o outro a encontrar suas metas e realizá-las. Que eu acompanhe o destino do outro, ajude-o a encontrar os lados positivos da vida para aproveitar, para um todo maior, as qualidades positivas de cada um.”

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:


 AJUDE A BIBLIOTECA PARA 2020:

Pais que elogiam sem critério criam adultos frágeis e egocêntricos

Pais que elogiam sem critério criam adultos frágeis e egocêntricos

Juliana Zambelo

Fonte: www.mulher.uol.com.br – clique e conheça

preto e branco

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“Essas atitudes têm o efeito oposto ao desejado pelos pais. Em vez de fortalecer o filho, elas estão, na verdade, deixando-o frágil e incapaz de agir em sua própria defesa. Ele cresce sem conhecer a frustração ou a necessidade de batalhar por seus ideais e acredita ser merecedor de privilégios que, no mundo real, não virão. Assim cria-se pessoas com uma autoimagem muito elevada apresentam também excesso de confiança e uma avaliação pouco realista de suas condições. Como consequência, têm dificuldades de aceitar críticas e fracassos. Além disso, sua interpretação das situações virá sempre por um viés de perseguição e injustiça, uma vez que o problema nunca está com elas. A  culpa é sempre do outro.”

linha

Elogiar o próprio filho, celebrar seus talentos, ficar feliz com seus acertos e se orgulhar de suas qualidades é uma das delícias de ser pai e mãe. Impossível não se envaidecer ao ver sua criança ou adolescente conquistar um objetivo após batalhar por aquilo ou se destacar em uma área na qual tenha interesse.

Muitos pais, no entanto, têm perdido a medida dessa alegria. Cobrem seus filhos de elogios constantemente e os tratam como se fossem perfeitos, fazendo todas as suas vontades, na ilusão de que a conduta fortalecerá sua autoestima e fará deles indivíduos corajosos e confiantes.

Essa educação vem criando gerações de “príncipes e princesas” cheios de si que, apesar de se verem como seres únicos e impecáveis, são, na verdade, frágeis e não estão preparados para enfrentarem as dificuldades da vida adulta. Uma grande quantidade de filhos criados nessas condições passa agora pela adolescência e os resultados começam a ser vistos com mais clareza.

Para a psicóloga Vera Blondina Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e da Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), trata-se de um movimento de oposição ao tipo de educação que prevaleceu no século passado.

“É resultado das décadas anteriores, nas quais a educação era muito rígida. O uso da força, da violência, a falta de liberdade de escolha do século passado criaram gerações que tomaram o veneno oposto. Com a ideia de que a educação com o ‘não’ traumatiza, surgiu um conceito falso de que uma criança reprimida seria infeliz”, diz a psicóloga Vera.

A psicopedagoga Irene Maluf culpa também uma interpretação equivocada de conceitos da psicologia. “As pessoas entenderam errado algumas questões da psicologia. Começou a ser dito que as crianças não podiam levar bronca, não se podia apontar defeitos, só se devia elogiar porque isso levanta a autoestima. Mas, na verdade, isso levanta uma autoestima falsa.”

Soma-se a isso uma nova concepção de educação, que coloca a criança como o centro de atenção da família. “Ela passa a ser elogiada, valorizada e exaltada por tudo o que faz, ainda que sejam tarefas cotidianas. Aprende que não precisa fazer muito para ser recompensada. Dessa forma, não exercita a tolerância, a empatia, a colaboração espontânea e a capacidade de adiar a satisfação, características tão necessárias para o convívio em sociedade”, afirma Sandra Ribeiro de Almeida Lopes, psicóloga especialista em adolescência da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Em seu consultório, Irene conta ter testemunhado, mais de uma vez, pais fazerem elogios desproporcionais aos feitos de seus filhos. “Se eu digo, o dia inteiro, que você é linda, inteligente e maravilhosa, você cristaliza na posição em que está. Porque em time que está ganhando não se mexe. A criança congela e não amadurece”, declara a psicóloga.

Fragilidade

Para os especialistas, essas atitudes têm o efeito oposto ao desejado pelos pais. Em vez de fortalecer o filho, elas estão, na verdade, deixando-o frágil e incapaz de agir em sua própria defesa. Ele cresce sem conhecer a frustração ou a necessidade de batalhar por seus ideais e acredita ser merecedor de privilégios que, no mundo real, não virão.

Segundo a psicóloga Sandra, pessoas com uma autoimagem muito elevada apresentam também excesso de confiança e uma avaliação pouco realista de suas condições. Como consequência, têm dificuldades de aceitar críticas e fracassos. Além disso, sua interpretação das situações virá sempre por um viés de perseguição e injustiça, uma vez que o problema nunca está com elas. A  culpa é sempre do outro.

“São pessoas que têm muita dificuldade de fazer um projeto de vida coerente e sustentável”, diz Vera Zimmermann, da Unifesp. “Ela pode ser muito inteligente, mas não sabe cair e levantar, então, não consegue construir nada. Faz um projeto, mas não tem a mínima condição de sustentar a luta por esse ideal.”

Para a psicóloga, isso pode se manifestar desde a infância, na vontade de fazer atividades e cursos que, no primeiro obstáculo, são abandonados. Na adolescência, pode aparecer, por exemplo, na falta de empenho para estudar a sério para passar em um vestibular para o curso sonhado.

Na escola

Essa postura dos pais não se encerra dentro de casa e acaba encontrando respaldo também nas escolas, ampliando o problema. “Os pais hoje são vistos pela maioria das escolas como clientes, então, ninguém se opõe, ninguém diz para a criança que, ao contrário do que os pais dela falam, ela é igual às outras e não sabe nada da vida ainda. As escolas não fazem isso porque os pais não admitem”, diz a psicopedagoga Irene.

A terceirização da educação, cada vez mais comum entre pais ocupados que delegam toda a criação de seus filhos aos professores, também enfraquece a instituição. Vera diz acreditar que as escolas não são capazes de educar sozinhas as crianças de famílias que não conseguem dizer “não” e impor limites. “O aluno só respeita o professor se ele respeitou o pai e a mãe.”

“Os pais têm se esforçado para oferecer aos filhos a melhor educação formal, com boas e caras escolas, na intenção de garantir a eles um futuro promissor, mas se esquecem que a formação do indivíduo se dá dentro de casa, por meio dos valores, dos princípios e, principalmente, das atitudes adotadas por eles mesmos”, declara Sandra.

Quando elogiar

Para mudar essa tendência, deve-se começar pelos adultos. Para a psicopedagoga Irene Maluf, muitos pais e mães de hoje já demonstram essa pouca disposição para ouvir críticas e não admitem a possibilidade de que seus filhos não sejam infalíveis.

“São pessoas extremamente vaidosas e egocêntricas. Para esses pais, o filho é perfeito, então, como ele pode ter uma dislexia? Não pode, os professores e a escola é que são ruins.” Segundo a especialista, se os adultos não conseguem enxergar as imperfeições de seus filhos, eles precisam parar para pensar.

Ao educar, os pais devem ter sempre em mente que sua função é preparar o filho para ser independente e forte ao longo da vida, longe do conforto da família. A psicóloga Vera Blondina Zimmermann aconselha que eles questionem, no dia a dia, como atender a um desejo do filho vai colaborar para que ele ganhe força para conseguir as coisas que quer quando se tornar adulto.

Não é proibido elogiar os filhos. Pelo contrário, o aplauso, nos momentos certos, é essencial para a construção de uma autoestima saudável, mas precisa ser feito de forma realista e quando o filho realmente merecer esse reconhecimento.

Além disso, Irene Maluf afirma que o elogio a uma criança ou a um adolescente deve ser direcionado ao que foi realizado. “Devo falar para o meu filho ‘adoro você, mas mentir é péssimo e, se você fizer isso, vai ter um castigo’ ou ‘você foi muito bem na escola, vi você se esforçando e deu resultado, parabéns'”, diz.

Segundo a psicopedagoga, para ter uma autoestima saudável, os filhos têm de saber que os pais os amam incondicionalmente, mas que suas boas ações serão elogiadas tanto quanto seus erros serão criticados.

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

A busca da essência: Pensamentos e reflexões

A busca da essência: Pensamentos e reflexões

Raphael Rodrigues

Fonte: www.essenciaeproposito.blogspot.com.br – clique e conheça

Essência

Inscreva-se em nosso site e receba informações sobre os trabalhos da Biblioteca:

inscreva se

linha

“Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar.”
Aristóteles

linha

Essa frase tem me inspirado e ajudado nas reflexões sobre a vida nos últimos 15 anos. Eu acredito  que  a  única  forma  de  vivermos  a  plenitude  do  SER  seja  nos  conhecendo profundamente, observando e aprendendo sobre a complexidade e a simplicidade do mundo,nos tornando assim conscientes sobre a nossa evolução e contribuindo para o planeta. Agir fazendo a nossa existência ter sentido, para que deixemos o nosso legado para a humanidade.

Os  reais  talentos  possibilitam que  nos  expressemos  de forma potente,  colocando a  nossa essência no universo. Com isso, transformamos quem somos em verdadeiras obras, que fazem diferença para pessoas, organizações e sociedades. Quais são os seus talentos? O que você faz realmente bem?

As verdadeiras paixões expandem o nosso significado sobre o mundo: como interpretamos e internalizamos o mundo, o que ressoa com força dentro de nós e dá sentido a vida. Nossas paixões são como chamas que mantem o fogo da nossa existência. Sem paixões a vida não tem brilho, não tem essência. Quais são as suas paixões?

O que você gosta profundamente de fazer? Quando  conseguimos  conectar  nossos  talentos  com  nossas  paixões,  a  mágica  começa  a acontecer. O nosso poder pessoal é experimentado com toda a sua força, atraímos as pessoas para perto e estamos conectados com o nosso propósito. Temos a sensação de sermos únicos,de que toda a nossa existência vale a pena, brilhamos intensamente e expressamos a nossa luz no mundo. Nesse momento, temos a chance de fazer com que nossos talentos e paixões se conectem com as necessidades do planeta e com isso possamos cooperar para a sua evolução.

Vivemos  em  tempos  desafiadores  para  a  evolução  da  humanidade.  Tempos  em  que  o individual e o coletivo estão em conflito tentando encontrar o seu ponto de convergência e assim, elevar a nossa condição humana para adquirirmos novas capacidades. Muitas vezes esse conflito  é  completamente  desarmônico  e  pende  para  o  lado  do  individualismo.  Egoísmo,incapacidade de respeitar o outro, solidão, ganância, medo, falta de convivência em grupos,violência e guerra são algumas das características e consequências que podemos observar no mundo atual e no comportamento das pessoas.

São duas forças antagônicas e harmônicas ao mesmo tempo fazendo o que parece ser um cabo de guerra ou a construção de uma leminiscata com infinitas possibilidades. A questão que se apresenta é a seguinte: “Vamos deixar a corda arrebentar e nos dividirmos em dois ou mais mundos  e  sentirmos  as  consequências  negativas  disso?”,  ou  “Vamos  encontrar  novas possibilidades, onde a tensão da corda possa inspirar, transformar e experimentar caminhos que nunca foram desbravados? Onde a harmonia entre o individual e o coletivo exista? Onde possamos nos elevar a uma oitava acima experimentando novos tempos e inclusive vivendo novos desafios?”

Recentemente estive em Manaus/AM onde existe  o  encontro das  águas dos Rios  Negro e Solimões que, juntos, formam o Rio Amazonas, simplesmente o rio mais caudaloso do mundo.O Rio Negro, como o próprio nome diz, tem a cor bem escura, quase preta, enquanto o Rio Solimões tem a cor marrom, bem barrenta. No encontro das águas, a impressão que se tem é que elas não se misturam, pois é notável  a divisão. É perceptível,  inclusive,  a diferença de temperatura  e  densidade  das  águas.  Imagine  também,  a  diversidade  da  vida  fluvial  que podemos encontrar  nos  dois  rios.  O que acontece é  um fenômeno muito  bonito.  Durante alguns  quilômetros,  os  dois  rios  vão  convivendo  um  com  outro  até  que  as  características aparentes do Rio Solimões sobrepõe as do Rio Negro e assim seguem juntos se transformando no Rio Amazonas. O incrível é perceber que – apesar do aspecto parecido com o Solimões – é um  novo  rio  que  se  forma,  pois  imagino,  por  não  ser  especialista,  que  criam-se  novas características; porém ao mesmo tempo, podemos encontrar as características específicas dos dois rios que o geraram.

Será que isso nos serve de inspiração para a construção de um mundo melhor, mais harmônico,onde a diversidade seja uma qualidade e não um problema? Onde a riqueza e valorização das pessoas  esteja  mais  em  quem  elas  são  do  que  no  que  elas  possuem,  onde  possamos desenvolver valores e características como respeito a vida, gentileza, humildade, felicidade, espiritualidade, integridade e amor?

Nos tempos atuais, muitas pessoas tem buscado entender e vivenciar o real propósito de suas vidas,  o  significado  e  sentido  das  suas  atividades  laborais  e  o  estilo  de  viver  que  traga harmonia,  equilíbrio,  paz e felicidade.  A cada dia,  mais pessoas tem vivido seus talentos e paixões de forma intensa, muitas vezes transformando-os em trabalho, equilibrando o SER e o Por outro lado, nota-se também um grande número de pessoas que querem TER sem SER, ou seja, querem se tornar ricas, com um grande acúmulo de bens materiais, pela forma mais fácil,buscando a fama a qualquer custo, ou procurando ganhar dinheiro em jogos de azar, sorteios,concursos e reality shows que se multiplicam como coelhos pelas programações dos canais de tv.  O  entendimento  sobre  existir  um  processo  para  se  construir  algo  e  palavras  como persistência,  conquista,  merecimento,  orgulho,  respeito,  esforço,  reconhecimento  estão  em esquecimento e muitas vezes perdendo o seu significado mais nobre.

Há uma notável  intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho. De como encontrar o propósito no que se faz. As empresas têm tido grandes desafio sem atrair,  reter  e  motivar  talentos,  não  só  das  novas  gerações,  mas  também,  de  pessoas experientes.  Talvez  seja  por  isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja  crescendo tanto. Alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude: TER. As pessoas estão buscando tomar as rédeas das suas vidas. Tem buscado ter mais controle sobre seus destinos ou, como se diz, tomar o destino em suas próprias mãos. Parece haver uma  busca  por  aprender  a  ser  individual  e  ao  mesmo  tempo  coletivo,  ser  um  indivíduo integrado ao todo.  Integrado no sentido de,  além de atingir  a  plenitude do ser,  contribuir positivamente para a sociedade seja pelos “Comos” ou “O Ques” da vida. O que antes era privilégio de poucos, agora tem sido a busca de muitos. A questão é: “Isso é possível para todos?”

Por outro lado, nota-se também um grande número de pessoas que querem TER sem SER, ou seja, querem se tornar ricas, com um grande acúmulo de bens materiais, pela forma mais fácil,buscando a fama a qualquer custo, ou procurando ganhar dinheiro em jogos de azar, sorteios,concursos e reality shows que se multiplicam como coelhos pelas programações dos canais de tv.  O  entendimento  sobre  existir  um  processo  para  se  construir  algo  e  palavras  como persistência,  conquista,  merecimento,  orgulho,  respeito,  esforço,  reconhecimento  estão  em esquecimento e muitas vezes perdendo o seu significado mais nobre.

Há uma notável  intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho. De como encontrar o propósito no que se faz. As empresas têm tido grandes desafios em atrair,  reter  e  motivar  talentos,  não  só  das  novas  gerações,  mas  também,  de  pessoas experientes.  Talvez  seja  por  isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja  crescendo tanto. Alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude:

1. Desenvolva a sua espiritualidade;

2. Não tenha medo de intuir, mas se torne consciente desse processo e capacidade;

3. Crie e proponha novas possibilidades e cenários, mostre caminhos diferentes, desafie e questione o status quo;

4. Compartilhe experiências e vivências;

5. Seja  artista,  viva  a  arte  em  todas  as  suas  formas  e  possibilidades,  amplie  seus horizontes internos e externos;

6. Busque autoconhecimento e autodesenvolvimento e entenda o seu papel no mundo;

7. Aprenda a aprender com o mundo e com as pessoas;

8. Seja pró-ativo, faça as coisas acontecerem, tome o seu destino nas suas mãos, seja líder da sua própria vida;

9. Explore o mundo e as possibilidades da vida, busque novas paixões;

10. Desenvolva seus talentos naturais, cerque-se de pessoas que possam complementa-lo se adquira novos em sintonia com as suas paixões;

11. Faça tudo com excelência e humildade;

12. Use os recursos financeiros como meios e não como a finalidade única de sua vida.

Permita-se,  entregue-se e integre-se. Temos que deixar que nossos potenciais explodam na nossa cara e na cara do mundo. Temos que desafiar o nosso SER. Não tenhamos medo de saber quem realmente somos. “Se joga!”

linha

Oportunidade em São Paulo e Belo Horizonte:

cartaz-emerge-face-20150309

linha

Vc acha relevante a divulgação destes conteúdos? Ajude a Biblioteca:



linha

Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:

CLOSE
CLOSE