Como dar limites ao seu filho pequeno?

Como dar limites ao seu filho pequeno?

Adriana Fonseca

Fonte: www.educarparacrescer.abril.com.br – clique e conheça

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“Ela faz o que quer, não obedece aos adultos ou não sabe lidar com as frustações…”

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A questão dos limites dados às crianças pequenas é um dos pontos primordiais da educação e, por isso, assusta tanto os pais. O frequente comentário “tal criança não tem limite” é traduzido como: ela faz o que quer, não obedece aos adultos ou não sabe lidar com as frustações. Nenhum pai deseja que seu filho seja alvo desse tipo de comentário. Mas como fazer isso? Como os pais podem ajudar o filho (desde bebê) a desenvolver recursos para lidar com o NÃO, sem que se sintam verdadeiros vilões?

Rosana Augone, psicóloga, explica que “até aproximadamente os 3 anos educar e colocar limites significa rotina e disciplina dos pais no cotidiano. A criança está descobrindo o mundo e tudo para ela é fascinante, o que a torna obediente porque ela faz tudo com o prazer da descoberta, do novo e da imitação”. Por isso, durante os anos iniciais os rituais diários são de extrema importância. Hora para dormir, hora para comer, hora para tomar banho! A rotina é estabelecida e deve ser permeada pelo desenvolvimento da paciência, ao se ensinar a criança a esperar. Com a rotina organizada a criança pequena se sente mais segura em relação ao imenso mundo que tem à sua volta.

Depois dessa fase, conta Rosana, há uma transformação e “a partir dos 3 anos, o momento da criança muda radicalmente”. Inicia-se um período que ela costuma chamar de “adolescência da infância”, fase em que a criança passa a usar a oposição, a autoafirmação, o questionamento dos combinados, a birra, a manipulação e a sedução em favor do que ela deseja de imediato. Esse período se torna exaustivo para os pais e também exige deles uma transformação no comportamento. Devem ser agora mais firmes e muito claros em relação às consequências para as ações do filho.

Rosana traz ainda uma nova maneira de se nomear essa ação dos pais; “Eu prefiro explicar aos pais que seus filhos precisam de margens, tal qual um rio que, se não as tiver, perde a forma e deixa de ser um rio. As margens dão o contorno, criam uma forma, uma identidade, um ser que pode aprender quem é e qual seu papel no núcleo familiar. As margens desenham a personalidade da criança, enquanto os limites a cerceiam sem lhe dar forma nem consistência. Sem margens o rio deixa de ser rio, perde a forma, a identidade. Com margens muito apertadas ele perde seu potencial de rio e torna-se um riacho, um córrego, com forma, porém muito aquém das suas potencialidades.”

Lucila Bernardes, terapeuta familiar e orientadora educacional, explica que o filho é uma realização dos pais, um motivo de orgulho. “Não é à toa que quando os filhos não são aquilo esperado pelos pais, esses se sentem mexidos e até traídos em suas expectativas. Dizer NÃO para o filho, vê-lo chorando, frustrado ou contrariado diz respeito a ferir a representação da realização do filho idealizado e feliz.”

Os pais precisam ter cuidado para não escolher o caminho que parece mais fácil, mas que é o mais danoso. A opção por não frustrar e deixar de lado motivos para o conflito só para ganhar um sorriso e uma momentânea satisfação é perigosa. O problema, esclarece Lucila, “é justamente que a criança vai se tornando mal acostumada, sem a menor resistência aos impedimentos naturais da vida e aquilo que parece bom, torna-se na verdade a causa das crianças birrentas e tiranas. É nesse momento que os pais podem virar vilões de verdade, pois quando perdem a autoridade não são mais respeitados. ”

Escolha que valores passar para seu filho

As diferenças culturais e educacionais refletem e determinam a forma de ser e de agir das crianças, como relata de maneira bastante clara Pamela Druckerman, em seu livro “Crianças francesas não fazem manha”. Também é possível criar crianças “não-manhosas” em nosso país. Exige grande esforço dos pais, mas não é impossível, pois eles “são os principais responsáveis pelos valores culturais que passam para os filhos, por meio de suas escolhas, de suas ações e de suas prioridades”, como esclarece a psicóloga Rosana Augone. São eles o primeiro contato social do bebê, está tudo nas mãos deles. Lucila Bernardes, orientadora educacional e terapeuta familiar, explica que “o povo brasileiro tem como algumas de suas marcas a simpatia, a cordialidade e a afetividade. Temos um laço forte com a família em nosso país, o que pode gerar excessos. Excesso de zelo e de controle, talvez camuflados em uma imensa afetividade. Somos inclusive muito físicos nas nossas manifestações de amor: muitos beijos, colos e abraços fervorosos. Se somos afetivos e gostamos de lamber nossas crias, é importante que tenhamos consciência disso, mas não percamos de vista que o papel de pai e o de filho diferem.”

Transmita a certeza do cuidado

Desde os primeiros meses, uma dúvida que ronda, de maneira angustiante, o coração dos pais está relacionada à forma de responder ao choro do bebê durante a noite. Ir até o berço imediatamente ao ouvi-lo chorar, esperar para ver se para sozinho ou estabelecer rituais rígidos e cronometrados de visita ao quarto? Na verdade, organizar o sono do bebê é uma importante etapa inicial de “dar limite” a ele. Atualmente tem se ressaltado a necessidade de uma breve situação de espera, uma pequena pausa antes de atender imediatamente pode criar condições para que o bebê desenvolva algumas capacidades, como a de autodistração. Rosana acredita que “os contrastes, os sentimentos opostos, como fome e satisfação, inquietude e aconchego, desamparo e proteção são verdadeiramente assimilados pelo bebê, enquanto a satisfação imediata promove uma impulsividade e pouca resiliência para suportar insatisfações e frustrações, para saber “esperar com esperança” e estes são sentimentos legítimos e presentes durante toda a vida”. Lucila explica que a separação entre mãe e bebê, que ocorre no parto é um exercício necessário para o resto da vida e que deve ocorrer de forma gradual. “É importante para o bebê perceber que pode contar com a presença da mãe, que sua fome, frio e desconforto serão aplacados por um outro ser que cuida. Porém, com a mesma importância ele deverá contar com a ausência. É na ausência que ele começa a lidar com seu desconforto de outra maneira. Se há a certeza do cuidado, ele chorará muito em uma primeira vez, mas em uma segunda, ele já terá aprendido que o auxílio está garantido e que um pequeno sinal já é o suficiente. A alternância de ausência e presença é essencial para a criança ir construindo a ideia que deve e que pode lidar com a falta, e consequentemente com a frustração e com os “nãos.”

Mostre para a criança quem está no comando

Para os pais é muito difícil privar o filho de alguma coisa que ele deseja. Ver a expressão de braveza no rosto do filho ou, o que é pior, vê-lo chorar ou espernear em público é sempre constrangedor! Muitos pais não conseguem evitar essas situações e, quando percebem, já estão no meio delas. Caso esse tipo de situação ocorra, muita paciência e firmeza são recomendáveis. Lucila Bernardes diz que o constrangimento e a dificuldade em lidar com o próprio filho em lugares públicos pode atrapalhar muito a ação dos pais. “Alguns pais se deixam levar pela permissividade até o limite e quando são ridicularizados e dominados pelos filhos em público, reagem com tapas e puxões, impondo-se pela força física. O primeiro passo é não se deixar se influenciar pelo o que os outros vão achar. A relação de educação de um pai e seu filho diz respeito aos dois e por mais que as impressões possam ser inúmeras, as pessoas que testemunham tais cenas não são conhecedoras do contexto. O segundo passo é mostrar para a criança que quem está no comando e que sabe o que é melhor para ela são os pais e para isso, é necessário assumir a posição de autoridade e dar um limite firme e claro. Pode ser tirando-a do ambiente para uma conversa, pode ser olhando-a nos olhos e deixando bem claro que não irá aceitar tal comportamento”. Rosana Augone é clara sobre a melhor atitude: “quando a criança faz birra (e isso faz parte do desenvolvimento emocional infantil aos 3 anos aproximadamente) os pais ficam desconcertados, principalmente em público. A criança é sábia e escolhe justamente essas situações para exercer a birra, porque percebe que tem mais chances de conseguir o que quer. Se os pais cedem, estão “ensinando” seu filho que é por meio desse comportamento que ele irá conseguir o que deseja, e é claro que ele irá repeti-lo sempre que precisar insistir para obter o que quer. Se os pais suportam o constrangimento e não cedem, irão ensinar ao filho que sua decisão e palavra têm força e propriedade e que com esse comportamento ele não conseguirá mudá-la nem atingir seus objetivos.”

Entenda que a frustração do cotidiano é saudável

A ideia de limite está associada ao entendimento que não se pode ter e fazer tudo na hora que se deseja, isto é, que ninguém está sozinho no mundo. Porém, esse aprendizado causa frustações à criança. Os pais podem colaborar, ou melhor, ensinar os filhos a lidar com essas frustações, sem que se sintam causadores de um sofrimento irreparável. Lucila explica que os pais precisam ter clareza de que causar uma frustração cotidiana é muito diferente de um profundo sofrimento. “Como os bebês são encantadores e irresistíveis, os pais perdem a clareza e se entregam a essa “sedução”, saindo do seu papel de pais. Quando os pais começam a impor com mais força os “nãos” aos quatro anos, por exemplo, já é tarde demais. A criança já não aceita e fica tudo mais difícil. Regrar o sono, a alimentação, repreender a criança quando ela apronta algo que não seja socialmente aceito, funcionam como um trabalho de formiguinha que demostra para a criança de que seus pais realmente sabem o que é o melhor para ela.” Rosana também diferencia dois tipos de frustações e suas consequências: “A frustração só é um sofrimento irreparável quando tem dimensões dramáticas: a morte, a violência doméstica e urbana, o abuso sexual, o bullying contínuo tanto na escola como na família. A frustração do cotidiano é saudável, não causa danos, ao contrário permite à criança desenvolver e criar recursos próprios e saudáveis para ultrapassá-la, auxilia a ver a possibilidade de desejar outras coisas que ela nem havia pensado, além de ajuda-la a lidar com a realidade e evoluir para a compreensão de que ela não é o “centro do Universo”.

Dê espaço ao seu filho

Sim, existe um mundo privado, onde a criança pequena pode (e deve) se entreter e brincar sozinha, (com supervisão, é claro!). Estar com si mesmo é um momento precioso para as crianças. “Criança que sabe brincar sozinha é criança saudável, com autonomia e identidade”, diz Rosana. “Quando damos margens aos nossos filhos eles criam identidade própria e desejam exercê-la sem a presença do adulto. Isso é saudável! De acordo com a idade e maturidade da criança é sempre importante dar autonomia para ela escolher o que está dentro de sua possibilidade”. Brincar sozinho é uma experiência interna preciosa, concorda Lucila. “O que podemos observar é que os pais, no afã de servir as crianças nos seus desejos, não acham que é certo deixá-las sozinhas. Muitas vezes, porque trabalham muito e não conseguem curtir os filhos, preferem brincar com eles, proporcionando brinquedos, jogos, sem dar tempo de a criança criar seu próprio repertório simbólico. Conseguir dar esse espaço ao filho, desde que eles são bem pequenos é algo essencial. Engano daqueles que acham que somente na presença estão fazendo o bem para os filhos.”

Ensine-o a saber esperar

Na vida atual, a velocidade está dada! Não se espera, se faz, se corre! Em geral, as crianças têm sido educadas para serem atendidas imediatamente em todos seus desejos e necessidades. Porém, saber esperar e desenvolver a paciência ajuda as crianças a viverem melhor e em menos conflito. A única saída é fazer que as crianças aprendam a esperar. “Os pais podem estabelecer metas e determinar datas especiais para presentes e/ou realização dos desejos e cumpri-las! Pais que sabem esperar são excelentes modelos para os filhos!”, explica Rosana Augone.

Lucila Bernardes diz ainda que estar no coletivo é uma maneira preciosa de se exercitar a espera. “Em uma escola, por exemplo, há de se pegar fila em uma cantina e esperar para ser atendido pelo professor em inúmeras situações. As famílias devem se esforçar para conscientizar que seus filhos não são os únicos no mundo. Combinar o quanto e o quando cada filho vai ter seu espaço, ao invés de tentar suprir o desejo de todos ao mesmo tempo pode ser um caminho. É muito saudável a criança entender que os pais têm outros interesses. Desse modo, ela aprende não só a esperar, mas percebe que, além dela, há outras realidades.”

Respeite para ser respeitado

A vida em família será mais agradável se todos agirem com paciência e respeito pelos outros e isso acontecerá mais facilmente se os limites e combinados estiverem claros. Essa paciência e respeito são ensinados de pais para filhos, não há milagre nem receita mágica. É um exercício contínuo, repetitivo, individual e coletivo. Como cada idade tem seus encantos e espinhos, os pais devem estar atentos às demandas de cada faixa etária. “Os pais podem e devem assumir seu papel de autoridade, tendo clareza que ao frustrar e ao dizer não só estará preparando seu filho de forma mais efetiva para vida. Hoje, a autoridade dos pais é construída pelos pais na relação com suas crianças dia após dia”, diz Lucila. “Ensinar o exercício da paciência, da tolerância e do respeito às diferenças é um desafio que remete os pais a uma reavaliação de si mesmos: são os filhos fazendo com que os pais se tornem pessoas melhores!”, conclui Rosana.

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O que acontece no organismo dos homens depois de se tornarem pais

O que acontece no organismo dos homens
depois de se tornarem pais

Luiza Tenente

Fonte: www.revistacrescer.globo.com – clique e conheça

pais

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“Sempre se fala em toda a reviravolta que ocorre no organismo da mulher durante e após a gestação: afinal, ela carrega o bebê em seu ventre por nove meses e, depois, ainda vive a experiência de amamentá-lo. Mas e os homens? A partir do fim da gestação até os primeiros meses de vida da criança, uma substância chamada ocitocina será produzida e liberada em maior quantidade no organismo masculino. E é isso que fortalece, desde o início, o vínculo do pai com o bebê. O comportamento passa a ser de maior zelo e cuidado em relação ao filho. Há também o aumento de dois neurotransmissores: a serotonina e a dopamina. Parecem nomes difíceis, mas o sentido deles é incrível – são responsáveis pela sensação de bem-estar, de felicidade e de plenitude. Depois de nove meses de expectativa, o pai se sentirá completo ao conhecer a criança.”

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Produção de hormônios altera o comportamento e estreita vínculo com a família

Mais amorosos e protetores

Sempre se fala em toda a reviravolta que ocorre no organismo da mulher durante e após a gestação: afinal, ela carrega o bebê em seu ventre por nove meses e, depois, ainda vive a experiência de amamentá-lo. Mas e os homens? Saiba que a paternidade também traz alterações na química corporal deles. Seja a produção de certos hormônios ou a modificação na estrutura do cérebro, tudo é programado para que os laços com a criança e com a mãe sejam estreitados. O novo pai aprende que tem uma nova posição no mundo: irá cuidar de um outro ser e amá-lo assim que o conhecer.

A partir do fim da gestação até os primeiros meses de vida da criança, uma substância chamada ocitocina será produzida e liberada em maior quantidade no organismo masculino. E é isso que fortalece, desde o início, o vínculo do pai com o bebê. O comportamento passa a ser de maior zelo e cuidado em relação ao filho. Há também o aumento de dois neurotransmissores: a serotonina e a dopamina. Parecem nomes difíceis, mas o sentido deles é incrível – são responsáveis pela sensação de bem-estar, de felicidade e de plenitude. Depois de nove meses de expectativa, o pai se sentirá completo ao conhecer a criança.

E quando o bebê começa a chorar, de repente? A reação do homem tende a ser mais rápida e significativa depois da paternidade. Isso porque há mudanças na estrutura do cérebro que deixam os cinco sentidos (olfato, paladar, audição, tato e visão) aguçados. “O novo pai fica mais atento a tudo o que ocorre ao redor de sua família. Assim que detecta o que é potencialmente nocivo para a criança, já elabora uma resposta rápida para defendê-la”, explica Ricardo Monezi, pesquisador do Instituto de Medicina Comportamental da Unifesp (SP). A produção de testosterona, por exemplo, passa a variar mais depois que a mulher dá à luz. Quando o homem está numa situação que julga perigosa, a liberação do hormônio dispara, para que esteja preparado e proteja sua “cria”. Mas, quando está em casa, segurando o filho calmamente no colo, a testosterona se reduz e o pai fica menos agressivo e mais próximo à criança.

Há ainda uma alteração no sistema límbico, uma parte do cérebro relacionada às emoções: a tendência é que o homem fique sensível. Em casos extremos, essa ternura se exacerba a tal ponto que há o crescimento do tecido mamário e a produção de uma substância líquida na glândula da região, como se o homem fosse amamentar. Claro que, nessa situação, é preciso procurar ajuda médica – há um distúrbio da hipófise, glândula que pode provocar a alteração da prolactina (hormônio que, nas mulheres, auxilia na produção do leite). É uma patologia chamada de pseudociese, ou “falsa gravidez”.

Juntinhos

É importante saber que todas as mudanças no organismo masculino dependem do grau de envolvimento do pai com o bebê. “A convivência é essencial. Compartilhar experiências e passar momentos juntos são atos importantes para reforçar o vínculo familiar”, diz Monezi. Dar papinha, ajudar na hora do banho e conversar colocando-se na altura dos olhos do filho são pequenos gestos, mas que ajudarão na construção do sentimento de aproximação. Mais para frente, demonstrar interesse pelo que ocorre na escola e nas atividades de lazer também são exemplos de boa convivência.

Mas e se o pai não morar na mesma casa que o bebê? Não se preocupe. Basta sempre ter o cuidado de tornar cada momento em que passarem juntos como algo intenso e especial. É preciso trocar a palavra “quantidade” por “qualidade”. Dá para ficar mais próximo da criança, mesmo se a frequência de visitas não for tão grande quanto a que você deseja. E não podemos desprezar os benefícios da tecnologia: os celulares, o Skype e as redes sociais permitem que pai e filho conversem, troquem fotos, gravem mensagens de voz e até joguem à distância. Monezi aconselha: “Faça um resgate da infância e vire criança também na hora da brincadeira. Isso reforça o vínculo com a família e com a própria vida”.

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A importância do sono para o aprendizado

A importância do sono para o aprendizado

Ana Pauta Pontes e Renato Bonfim

Fonte: www.revistacrescer.globo.com – clique e conheça

Child Sleeping

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“As sonecas são fundamentais para que as experiências dos bebês se transformem em conhecimento de verdade. Se a criança dorme mal, ela não só deixa de fixar o que já presenciou, mas também pode ter os mecanismos de aprendizagem prejudicados para experiências futuras. A discrepância entre a demanda social dos pais e a necessidade de sono da criança é um fator que gera bastante estresse. Um recém-nascido precisa dormir, em média, 18 horas, caso contrário, a falta de horas de descanso pode prejudicar o desenvolvimento.”

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Quando um bebê nasce, uma enxurrada de novos aprendizados saltam instantâneamente aos seus olhos: o rosto da mãe, a voz dos pais, a descoberta do choro para alcançar o que quer enquanto ainda não aprendeu a falar… São tantas informações para os pequenos assimilarem, que a lista não caberia em um só texto. Um estudo do instituto alemão Max Planck concluiu que as sonecas são fundamentais para que as experiências dos bebês se transformem em conhecimento de verdade.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores reuniram 90 bebês com idades entre 9 e 16 meses e, na primeira etapa, exibiram repetidamente imagens de objetos que eles ainda não conheciam, com nomes fictícios. As peças expostas foram separadas em categorias de acordo com as formas, embora variassem um pouco nas cores e proporções. As mais parecidas recebiam o mesmo nome, que era repetido para as crianças a cada exibição. Assim, conforme elas se familiarizavam com o que era mostrado, os especialistas realizavam utilizaram eletroencefalografia para registrar as correntes elétricas ativadas no sistema nervoso. Com o resultado, eles notaram que os bebês aprenderam os nomes durante o treinamento, mas ainda não conseguiam relacionar novos objetos com outros, da mesma categoria.

Depois da análise, os participantes foram separados em dois grupos: um deles cochilou por 1 ou 2 horas e o outro saiu para um passeio, sem dormir. Em seguida, todos voltarem para os testes. Os bebês viram novamente alguns objetos já apresentados anteriormente, além de alguns similares e outros novos. Enfim, puderam ser identificadas diferenças na atividade cerebral das crianças que tiraram uma soneca e em comparação ao grupo que permaneceu acordado. Quem dormiu levou menos tempo para lembrar o nome das peças e ainda conseguiu associar novos objetos aos nomes de formas similares já apresentadas. Já os bebês que não descansaram continuaram sem êxito. A conclusão mostrou que as categorias foram organizadas pelo cérebro dos bebês durante o sono.

Para o neuropediatra Antônio Carlos de Farias, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), enquanto dormem, as crianças solidificam mesmo o que aprendem. “O sono consolida a memória e, no caso dos bebês, é ainda mais importante, já que o cérebro está em puro desenvolvimento: eles estão aprendendo a falar, andar…”, explica.

Atenção! Se a criança dorme mal, ela não só deixa de fixar o que já presenciou, mas também pode ter os mecanismos de aprendizagem prejudicados para experiências futuras. “A discrepância entre a demanda social dos pais e a necessidade de sono da criança é um fator que gera bastante estresse. Um recém-nascido precisa dormir, em média, 18 horas, caso contrário, a falta de horas de descanso pode prejudicar o desenvolvimento”, alerta.

Sono picado

O grau de atividade cerebral dos bebês recém nascidos é alto e, por isso, é preciso que eles durmam bastante. “Como não dá para dormir tudo o que se deve durante a noite, as sonecas são bem-vindas para completar esse tempo. Além de ser importante para o aprendizado, isso aprimora o crescimento”, afirma a pediatra Wylma Maryko Hossaka, do Hospital Beneficência Portuguesa (SP). Para que essa tarefa seja desempenhada com qualidade, a ajuda dos pais é essencial. “O baixo grau de luminosidade dá um conforto melhor para o bebê dormir tranquilamente”, completa a médica.

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Quando, sem querer, fazemos mal à criança


QUANDO SEM QUERER, FAZEMOS MAL À CRIANÇA

Fundação Maria Cecília Souto Vidigal

Fonte: www.desenvolvimento-infantil.blog.br


“Não rotule as pessoas, em especial as crianças. É preciso reconhecer e valorizar os pontos fortes de cada um, mas sempre deixar aberta a possibilidade de mudança.”


Atitudes impensadas ou carregadas de boas intenções nem sempre são, de fato, favoráveis ao desenvolvimento sadio da criança pequena. Rotulá-las é algo comum, mas não faz bem à sua autoestima e à construção de sua identidade. Por isso, conversar com os pais e os cuidadores sobre o tema é o seu papel como profissional da Primeira Infância.

Não é incomum, nas reuniões ou festas de escolas, comentários como estes, dos pais sobre os filhos – e muitas vezes na frente deles: “Meu filho puxou o pai. É teimoso à beça”. “Ela é como a irmã. Não presta atenção em nada”, e assim por diante.

Essas frases, aparentemente inofensivas, podem causar impacto negativo na criança, segundo especialistas entrevistadas pelo site Educar para Crescer.

Para eles, a construção da identidade sofre uma forte influência daquilo que a criança ouve sobre ela das pessoas em quem confia. Ao rotulá-la, olhamos para a criança sob um determinado prisma e tiramos dela a possibilidade de ser diferente.

A reportagem cita um exemplo clássico: “Qual o pai que nunca se surpreendeu ao buscar o seu filho na casa de um colega, em outro ambiente e com outra família, e perceber ou ouvir que ele teve um comportamento totalmente oposto ao que costuma mostrar em casa? Talvez isso ocorra justamente porque, nesse outro lugar, com pessoas que ainda não fizeram um julgamento a seu respeito, ele tenha a possibilidade de experimentar outro comportamento”.

Outro aspecto é a angústia que alguns sentem por ainda não saberem quem são. Para sair desse estado de incerteza, muitos aceitam os rótulos que lhes são dados porque a sensação do desconhecimento sobre si mesmo é muito pior do que viver determinado estereótipo, mesmo que não seja bom. “Às vezes é mais fácil ser algo, mesmo que não muito agradável, do que não saber quem se é”, reforça a matéria. O que se dá é a assimilação desse rótulo (daquilo que ouvem sobre si mesmas), de modos de agir que nem sempre fazem bem às crianças. “A criança quer agradar. Se sua mãe, sua família esperam determinado comportamento, ela tende a corresponder à expectativa”. Ou seja, se a menina é tida como boazinha ou comportada, ela não se permite expressar raiva e, quando esta vem, bate a sensação de culpa. Tudo isso afeta a autoimagem e a autoestima dos pequenos.

Por isso, pais e educadores devem ter cuidado para evitar que os rótulos atinjam a criança. O site Educar para Crescer dá sete dicas de como contribuir para que esse hábito não aconteça:

NÃO COLE ATITUDE COM PESSOA:

Ninguém é igual o tempo todo, certo? Temos momentos de maior entusiasmo ou menor, de mais irritação ou raiva, de mais paciência. “Uma coisa é dizer a uma criança: ‘isso que você fez foi maldoso, deixou seu amigo chateado’, e lhe mostrar a consequência do seu ato. E outra muito diferente é, diante de uma atitude que você desaprova, disparar: ‘você é um menino mau!”, aponta Lara. Fazer da pessoa e de uma eventual atitude uma coisa só é meio caminho andado na direção do rótulo. Claro que tomar esse cuidado é mais trabalhoso e exige percepção, mas diferenciar a pessoa de sua atitude vai mostrar à criança que há espaço para mudar, para entender o que fez e poder agir diferente uma outra vez.

PERGUNTE-SE DE ONDE VEM O INCÔMODO:

Muitas vezes, quando a criança faz algo que desagrada aos pais ou tem determinada atitude, a família atribui a isso tanta importância que acaba ampliando o efeito de algo que seria passageiro. Seu filho não come o tanto que você considera adequado, está ansioso ou mais agressivo? Pergunte-se por que aquilo está afetando tanto você. Com essa resposta, talvez seja mais fácil, em vez de se apegar a esse comportamento, questioná-lo e apontá-lo o tempo inteiro para a criança, simplesmente reconhecê-lo, acolhê-lo e deixa-lo passar. Tenha em conta que, muitas vezes, as crianças estão apenas experimentando, algo que dura um tempo, mas são capazes de se mover desse lugar se aquilo não virar uma definição de si mesma.

VALORIZE AS CARACTERÍSTICAS INDIVIDUAIS:

Apontar uma característica ou uma forma de agir é diferente de rotular. Perceber a individualidade de alguém e valorizar esse traço é reconhecer a pessoa. O perigo está em fazer disso algo estático, transformando o que era único e pessoal em algo do qual a pessoa não consegue mais se desvencilhar. É preciso reconhecer e valorizar os pontos fortes de cada um, mas deixar aberta a possibilidade de mudança. E, sobretudo, é importante propiciar às crianças um espaço para experimentar, para poder ser diferente. Quando estampamos sobre elas um rótulo, essa mobilidade fica dificultada – e a mudança desejada, também.

CLASSIFIQUE MENOS E PERCEBA MAIS:

Qualquer característica, quando levada ao extremo, pode ser prejudicial. Uma coisa é ter liderança e outra, ser autoritário ou mandão. Vale brincar com esse conceito com as crianças, pensar, por exemplo, nos traços de cada um na família e no que acontece com essa condição quando ela se exacerba. A ideia por trás do jogo é perceber e questionar mais – e rotular menos. Também é importante fazer a criança notar quando ela consegue agir de outro modo, se comportar diferente. Afinal de contas, ninguém é apenas uma coisa ou sempre igual. E o rótulo promove justamente isso: toma a parte pelo todo, é uma simplificação.

CULTIVE A DIVERSIDADE:

Tente propiciar ao seu filho o convívio com crianças de grupos diferentes, de diferentes idades, de outras classes sociais, de outros gêneros. Só assim será possível mostrar que existem, sim, diferenças, mas que elas não nos impossibilitam de conviver, nem merecem ganhar nomes ou ser alvo de gozações. Em geral, as crianças menores lidam melhor com as diferenças, entendem que podem aprender com elas. Outro bom exercício é tentar encontrar denominadores comuns entre todos, apesar das diferenças: o que cada um sabe? O que pode ensinar? Promover trocas de saberes ou trocas de lugares ajuda as crianças a perceberem os mecanismos do reconhecimento e do rótulo.

USE BONS EXEMPLOS:

Um estereótipo vai se fixando na medida em que ele é repetido e reforçado: “os negros são melhores atletas”; “meninas não curtem as áreas de exatas”. É preciso desconstruir essas noções petrificadas. Uma forma de fazer isso é mostrar diferentes exemplos, questionar: por que meninas não podem brincar de construir? Quem falou? Por que meninos não podem colocar brinco? E que tal mostrar uma personalidade de destaque na área de física, como Marie Curie, por exemplo, e pedir às meninas que façam suas experiências? Ou por que não citar um excelente boxeador ou jogador de basquete branco e mostrar o bem que ele se move, o quanto é ágil? Assim as crianças entendem que se pode mudar, experimentar, corrigir rotas.

TODOS QUEREMOS SER BEM VISTOS:

É interessante contar ao seu filho que todos queremos pertencer, ter um grupo que nos contenha e ampare, que todos buscamos, de algum modo, aprovação. E, por isso, é normal fazer esforços para ser aceito ou entrar em determinada “panela”. O que não é razoável é mentir, passar por cima de si mesmo ou se violentar de algum modo nesse caminho. Isso acaba por tornar todos tão homogêneos a ponto de perder a expressão da individualidade. E quando isso acontece, o esforço não vale a pena, trata-se de algo que está cerceando, censurando, que ultrapassou o limite do saudável.


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Brincar é coisa séria

Brincar é coisa séria

Glaucia Leal

Fonte: www.escoladecriatividade.com.br – clique e conheça

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“O brincar pode ser pensado, por exemplo, como uma forma livre de expressão da criança, uma espécie de linguagem do espontâneo. Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos em suas possibilidades de manifestação. A ciência pedagógica, cada vez mais sofisticada, ensina a gente a fazer vestibular. Mas ninguém nasceu para fazer vestibular, nascemos para ser gente, para expressarmos em plenitude e liberdade todos os talentos que cada ser humano tem.”

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Documentário brasileiro aborda a relação com o lúdico como exercício de criatividade e possibilidade de experimentação.

Todo mundo sabe: medicamentos tarja preta, comercializados com prescrição médica, são usados principalmente para controlar sofrimentos psíquicos. As pílulas que prometem apaziguar a ansiedade e a depressão são vendidas aos bilhões pela indústria farmacêutica. De fato, em muitos casos, remédio é necessário – mas em outros tantos poderia ser dispensado desde que fossem tomadas outras medidas para aplacar as dores da alma. E o que se espera desses remédios? Que restituam a saúde, tragam alívio, ajam rapidamente e apaziguem a angústia.  O documentário brasileiro Tarja branca – A revolução que faltava, produzido pela Maria Farinha Filmes, recorre ao termo “tarja” justamente para apresentar um contraponto – sem efeitos colaterais ou necessidade de receita – como outra saída para lidar com a tristeza e a falta de criatividade, na contramão de um caminho que vem de fora para dentro, em forma de pílulas.

Dirigido por Cacau Rhoden, o filme trata da valorização e do regate do elemento lúdico em todas as faixas etárias (e não apenas na infância). São apresentados depoimentos de adultos de diferentes profissões, idades e origens tanto sobre sua relação subjetiva com o brincar quanto reflexões acerca desse ato ancestral que funciona como elemento de coesão, pertencimento e integração social fundamental para o desenvolvimento físico, intelectual e afetivo. Essencial na infância, esse ato ancestral nos permite experimentações não apenas no âmbito das ações, mas também no que diz respeito às formas de conhecer a si mesmo, se relacionar com o mundo, trocar de lugar, obter outros pontos de vista, repetir, elaborar, aprender.

O brincar pode ser pensado, por exemplo, como uma forma livre de expressão da criança, uma espécie de linguagem do espontâneo. “Se os meninos não brincam, eles ficam diminuídos em suas possibilidades de manifestação”, comenta uma das entrevistadas, Lydia Hortélio, professora de música e pesquisadora. “A ciência pedagógica, cada vez mais sofisticada, ensina a gente a fazer vestibular. Mas ninguém nasceu para fazer vestibular, nascemos para ser gente, para expressarmos em plenitude e liberdade todos os talentos que cada ser humano tem.”

Outra entrevistada, a educadora Renata Meirelles, criadora do projeto Brincadeiras Infantis da Região Amazônica (Bira), se lembra da tristeza que sentia na infância ao ver sua mãe deitada na praia, tomando sol, enquanto ela brincava na areia. Parecia inconcebível para a menina que alguém simplesmente não quisesse brincar, tendo a oportunidade de fazê-lo, e temia que a mãe, por algum motivo, não pudesse experimentar esse prazer. Outros entrevistados, como os escritores Marcelino Freire e Bráulio Tavares, o jornalista José Simão, a pedagoga Ana Lúcia Villela, o ator Domingos Montagner e o músico Antônio Nóbrega, também falam das próprias experiências e associam a impossibilidade de brincar com o adoecimento psíquico.

Para psicanalistas o desinteresse de uma criança por essa atividade é um sintoma claro de que há algo errado. Em nossa sociedade, porém, frequentemente os adultos perdem a conexão com a própria capacidade lúdica, sem que isso seja motivo de estranhamento ou preocupação. Quando nos afastamos do exercício lúdico da curiosidade – seja por meio do som, do movimento, da palavra, dos pensamentos ou de infinitas outras maneiras de expressão – um organizador psíquico fundamental também se esvai.

Não raro, a impossibilidade de vivenciar no dia a dia o humor, a alegria, permitir-se rir e jogar faz com que as pessoas se entristeçam – e muitas vezes adoeçam. Nesse sentido, a identidade cultural revelada por meio da arte tem imensa importância, na medida em que propicia um espaço privilegiado e protegido para a experimentação e, consequentemente, para a preservação da saúde.

Da mesma forma, encontrar prazer na atividade profissional e desenvolvê-la com criatividade nos lembra que brincar pode ser algo muito sério. Sem precisar ser sisuda, sofrida ou extenuante, a seriedade está associada ao comprometimento e à dedicação intensa e autêntica. Podemos evocar um recorte claro dessa ideia: basta pensar na compenetração de uma criança entretida ao brincar. Nada mais sério, nada mais leve. E sem contraindicações.

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O que acontece na infância, não fica na infância…

O QUE ACONTECE NA INFÂNCIA. NÃO FICA NA INFÂNCIA…

Carolina Vila Nova

Fonte: lounge.obviousmag.org


“Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. Ser criança é estar aberto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças? Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.”


Afinal, porque tratamos de assuntos da nossa vida infantil em consultórios psicológicos e psiquiátricos, quando na verdade estamos buscando algo para a vida adulta? A felicidade no amor, paz na família, sucesso na vida profissional e tantos outros diferentes e desejados propósitos parecem estar todos conectados com um segredo lá atrás, na infância de cada um de nós…

Será mesmo?

Há tempos, sabemos da importância da infância para uma vida adulta feliz e saudável. Recentemente, li algo sobre o assunto, que citava o seguinte exemplo: se uma criança, que chora e pede para ser alimentada, é ignorada pela mãe no momento do choro, mas é atendida quando espera em silêncio, esta criança grava em seu subconsciente, que quando quer alguma coisa não deve pedir e nem chorar, mas esperar, pois alguém vai perceber sua necessidade apenas em seu silêncio. Achei o exemplo esplêndido, porque apesar de fazer muito sentido e parecer lógico, é algo tão cruel, que eu não havia pensado nisso. Esta criança se tornará um adulto que não luta pelo que quer, mas que espera silenciosamente. Percebi o quanto pequenas atitudes podem influenciar o comportamento de um individuo a sua vida inteira, sem que o mesmo nem se dê conta.

Certa vez, tive a seguinte experiência com vizinhos de apartamento: as paredes não eram maciças o bastante para abafar os sons mais altos. Todos os dias, a mãe das crianças parecia um anjo enquanto o marido estava em casa: falava baixinho e parecia a melhor mãe do mundo, além de esposa exemplar. Porém, assim que o marido saía de casa, a mulher começava a gritar freneticamente com as crianças. Por vezes, trancava-as no banheiro ou no quarto para limpar a casa. O caso era claro: o casamento não ia bem, a mulher estava sempre competindo com a ex-mulher do marido e tentava a todo custo manter a casa na mais perfeita ordem. Quando o homem chegava em casa, a mesma estava impecável e a mulher parecia ser tranquila.

Eu me pergunto: o que aquelas duas crianças vão levar para suas vidas adultas sobre essas experiências com sua mãe? Será que sempre verão no pai, o falso herói, que era capaz de transformar a mãe nervosa em uma pessoa calma e prestativa? Será que se darão conta algum dia, da oscilação terrível de humor a que eram submetidos diariamente, por conta da insegurança da mãe? De que forma esse tipo de experiência afeta a vida das pessoas quando já adultas? Será que todo estudo de psicologia e psicanálise nos permite mesmo olhar para trás e trabalhar o que nos foi feito quando ainda éramos tão vulneráveis e vazios de aprendizado?

Não conheço as respostas para essas questões, mas gosto das dúvidas que elas proporcionam. Conheço uma psicóloga que decidiu pausar sua vida profissional, quando se tornou mãe. Ela sabia da importância fundamental dos dias infantis de sua filha, para que a mesma pudesse se tornar uma adulta feliz e segura, sem traumas e com comportamentos oriundos de uma infância mal vivida. Certamente, muitas mães fariam o mesmo, se soubessem do grau tão elevado de importância da infância, na vida de um ser humano.

Quer um filho saudável, feliz e bem sucedido? Proteja sua infância. Viva seus dias com ele e para ele. O proteja de atitudes bobas como a da mãe que maltratava seus filhos, toda vez que o marido saía de casa.

Ser criança é estar aberto para aprender com seus pais, absorvendo tudo, sem possibilidade de filtrar o que é bom e o que é ruim. Se na maioria das vezes, nem mesmo os pais percebem o quão falhos são, quem dirá as crianças?

Não somos responsáveis por nossa infância e nem pelo que fizeram conosco. Sobre isso e para isso, utilizamos os recursos da psicologia. Mas somos sim, totalmente responsáveis pela infância de nossos filhos.

Que todo amor seja destinado aos nossos. E quando necessário, vale buscar ajuda profissional, já que o assunto é tão sério, delicado e difícil.

Porque o que acontece na infância, não fica na infância.

Mas fica… para a vida toda!


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Cruzando o jardim

Cruzando o jardim…

Flávia Penido

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“Sair de casa para entrar na escola é uma transição do espaço privado para o espaço publico, do espaço seguro para espaço da exploração. Deve ser encarado como um desmame e como todos desmames que vivemos, deve ser feito de forma suave e com apoio das duas partes fazendo uma ponte segura, para que a criança vá por seus próprios meios internos. Que aquele ser vá por inteiro, caminhando com suas duas perninhas, como se o caminho interior fosse mais longo que o caminho exterior de casa para escola. A família passa tranquilidade e dá permissão para que a criança vá confiante, a escola aquece o laço seguro, enriquece a curiosidade, desperta o desejo pelos pares e por esse novo lugar. Esperando que a criança desça do colo e corra para o novo como se ganhasse asas e aprendesse a voar, cada criança terá seu ritmo e sua forma de cruzar esse jardim. Cada adulto cumpre seu papel de tornar a escola um novo quintal onde experimentar novas aprendizagens como um novo horizonte a explorar em toda sua potência, cada adulto busca não transformar os portões da escola em grades de uma prisão cuja única escolha da criança seria, sobreviver ou resistir.”
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