A escola sem medo?

A escola sem medo?

Uma abordagem da Pedagogia segundo Rudolf Steiner

Luísa Pereira

Fonte: www.biosofia.net – clique e conheça

Publicado no perfil da Vovó Lupo no Facebook – clique e conheça

cora coralina

Foto: Escola Waldorf Cora Coralina – Florianópolis

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“Parecia ser inevitável, na nossa civilização, que o percurso escolar de uma pessoa estivesse ligado ao medo. Conhecemos as histórias de crises asmático-nervosas, de vómitos, de diarreias, de insónias, de gaguez, de violência gratuita, de estados de apatia continuada. Com a ajuda de médicos e de psicólogos, pais e filhos desorientados chegam à conclusão que frequentemente a causa primeira desse desequilíbrio psicossomático é a escola. A maioria destes medos advém da consciência que a criança tem de, numa avaliação do seu desempenho, não atingir aqueles misteriosos objectivos mínimos que é suposto ela atingir e que lhe foram expressamente explicados no início das aulas.”

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Parecia ser inevitável, na nossa civilização, que o percurso escolar de uma pessoa estivesse ligado ao medo. Conhecemos as histórias do quarto escuro, da palmatória, das orelhas de burro à janela, da permanência em horas extraordinárias, da peregrinação por outras salas com dísticos esclarecedores do “crime”, etc., etc.! Felizmente que sucessivas legislações vieram refrear estas medidas “pedagógicas”.

No entanto, o medo não desapareceu. Conhecemos as histórias de crises asmático-nervosas, de vómitos, de diarreias, de insónias, de gaguez, de violência gratuita, de estados de apatia continuada. Com a ajuda de médicos e de psicólogos, pais e filhos desorientados chegam à conclusão que frequentemente a causa primeira desse desequilíbrio psicossomático é a escola.
A escola?! E agora? Olha-se à volta e as escolas, públicas ou privadas, religiosas ou laicas, apresentam quase sempre um panorama idêntico: há professores que se dão muito bem com os alunos e aí as coisas correm bem; há outros que nem tanto e aí correm mal. Na realidade, o MEDO anda por todas elas. Medo de quê?

Medo de quase tudo: dos testes, das notas, do trabalho a entregar, de desiludir os pais, de desiludir os professores, de dar o salto no plinto, de ir à visita de estudo e enjoar no autocarro, de descrever numa folha todos os passos do voleibol, de não arranjar namorado, de não ser escolhido para a equipa do torneio inter-turmas, de ser chamado ao conselho directivo, de ser ridículo com os ténis sem marca, de não decorar as fórmulas de química, dos colegas grandes do último ano, dos jogos no pátio, do professor de matemática, de perder o autocarro, de ir às casas de banho e ficar fechado, de VIVER!

A maioria destes medos advém da consciência que a criança tem de, numa avaliação do seu desempenho, não atingir aqueles misteriosos objetivos mínimos que é suposto ela atingir e que lhe foram expressamente explicados no início das aulas. A partir desse momento a criança perdeu a sua inocência na espontaneidade do perguntar e aprender: ela sabe que tudo o que fizer, disser e mostrar é para a avaliação e passa a estar envolvida numa atmosfera de medo difuso. A punição, outrora exterior, interiorizou-se, agredindo agora a criança nos seus sistemas orgânicos. Já não lhe doem as mãos ou as nádegas: ela tornou-se asmática ou sofre de vómitos frequentes.

Temos que reelaborar toda a concepção de escola e de praxis pedagógica, incluindo o conceito de avaliação – porque ela existe. A pedagogia Waldorf.

Em 1919, Rudolf Steiner, engenheiro austríaco, posteriormente doutorado em filosofia, fundou em Stuttgart, na Alemanha, a primeira escola livre, ligada à fábrica de cigarros Waldorf-Astoria. Os alunos eram filhos de operários, de dirigentes e também de pais alheios à fábrica, que optavam pela pedagogia ali seguida, baseada no estudo aprofundado do Conhecimento da Natureza Humana. Actualmente são mais de 500 as escolas espalhadas por todo o mundo.

De acordo com a sua concepção, o Homem é um ser físico, anímico e espiritual, cujo desenvolvimento decorre por fases, cada uma com necessidades intrínsecas. Estas exigem uma prática pedagógica adequada, só tornada possível pelo estudo da Natureza Humana.

Assim, durante os primeiros sete anos de vida, a criança vai completando (metamorfoseando) os seus órgãos vitais até que atinjam a sua forma definitiva, por altura da entrada para a escola. Neste 1o septénio, ela entrega-se desprotegida e confiante ao cuidado de terceiros, normalmente os pais, de quem vai recebendo amor e carinho mas, também, modelos e orientações de vida.

Nesta fase, a criança aprende por imitação: exterior, no que se refere aos gestos de todos os dias, às actividades básicas de higiene, alimentação, vestuário, caminhar, falar; e interior, porque na criança se dá inconscientemente a imitação da qualidade dos estados de alma do adulto com quem convive e com quem aprende a pensar. A criança sente – pressente – a alegria ou a angústia, a honestidade ou a hipocrisia, o amor ou a indiferença. Todo o meio envolvente está em comunicação “não filtrada” com a alma infantil, que se lhe entrega plena de confiança. Todas as vivências – e a sua qualidade – penetram na criança actuando sobre o processo de metamorfose dos seus órgãos. Daí que determinadas emoções vividas nesse período venham a manifestar-se muito mais tarde, já em idade madura, como doenças orgânicas crónicas, mais ou menos graves.

Se, porém, o ambiente em que cresceu foi saudável e sem mesquinhez, com gente procurando o bem, então, é provável que venha a dispor de uma constituição orgânica robusta e sã. É evidente que muitos outros factores podem influenciar ou mesmo determinar estados de debilidade física mas isso não invalida, aliás reforça, a necessidade de se proporcionar à criança até aos sete anos uma atmosfera familiar e social (jardim de infância) que lhe permita completar a formação saudável dos seus órgãos, base de toda a sua vida. Para isso é necessário que todos os sentidos sejam estimulados naturalmente, pelo que se deve cuidar das qualidades do som, da cor, dos materiais, da alimentação, do calor. Este cuidado, longe de a mimar, dar-lhe-á alicerces para o futuro, fortalecendo-lhe a VONTADE. O quotidiano no jardim de infância, reproduzindo tanto quanto possível o de uma grande família, com o seu ritmo natural de trabalhar e brincar, com as histórias que a avó conta(va) aos netos, constitui o ambiente propício ao desenvolvimento feliz da criança.

Quando é atingida a maturidade para entrar na escola, o que se dá por volta dos sete anos (a tendência actual é de precocidade, com os perigos que qualquer precocidade contra-natura pode trazer consigo), a maioria das forças vitais que se empenhavam no seu organismo ficam disponíveis e poderão ser encaminhadas para uma aprendizagem sistematizada. A imitação, embora actuante (ela subsistirá até ao fim da vida), vai perdendo relevância e o que se torna agora importante é o desejo de admirar, de venerar alguém que lhe revele o mundo exterior. A criança há muito que se apercebeu da sua existência mas já não se lhe entrega incondicionalmente como dantes.

Agora, ela recolhe-se frequentemente no seu mundo interior e precisa de um mediador em quem possa confiar, como dantes confiou no seu meio envolvente. Esse mediador querido (nos sentidos de querer e amar), para quem a criança eleva todo o seu ser interior num acto de veneração genuína, será desejavelmente o professor – aquele que lhe traz a beleza do mundo até si. Quando isto é conseguido, o desejo espontâneo de aprender é alimentado pelo sentido do belo descoberto em cada aspecto do mundo. Cabe ao professor fazer despertar no aluno o sentido artístico, praticando-o na globalidade das aprendizagens necessárias. E, uma vez mais, não se trata aqui apenas de actividades exteriores: o pintar, o modelar, o tocar música, preenchem-se de uma atitude interior de olhar, ouvir, ver, escutar – de sentir.

É nesta fase que se desenvolve o SENTIR, através da beleza do som da palavra e da frase; da beleza das letras e da beleza na verdade dos números; da beleza do insecto, da árvore, da chuva e da areia. Por amor ao professor, pelo que de belo ele lhe trás do mundo exterior, o aluno esforça-se em fazer bem tudo o que lhe é proposto. Fá-lo a princípio para o professor, aprendendo gradualmente a amar esse mundo; progressivamente passará a esforçar-se pela coisa em si, porque vale a pena. Uma vez mais, é aqui necessário criar um ambiente – a escola – que não contradiga a sensibilidade que desperta e se desenvolve. A sala de aula adquire uma enorme importância: a cor, a luz, os desenhos e pinturas, tudo o que envolve o aluno pode falar-lhe de beleza ou de fealdade. As matérias terão que ser apresentadas de forma artística para evitar o desencanto e o perigo do desinteresse ou até da perversidade. Os contos, as lendas e fábulas, trechos do Antigo Testamento, mitos ou sagas de outros povos e biografias significativas, dão-lhe a imagem do Homem e do seu percurso, por entre o bem e o mal.

No 3o septénio, o raciocínio, que já se vinha desenvolvendo, ganha novas dimensões e o jovem entra na fase da formulação de juízos fundamentados. Ele dispõe agora das forças do PENSAMENTO para penetrar a verdade do mundo com as suas capacidades intelectuais e manuais: ciências naturais e sociais, filosofia, artes, tecnologias. Procura junto dos especialistas o porquê dos fenómenos e das suas leis, quer naturais, quer sociais. Anseia por intervir nesse mundo real e, além das aulas teóricas e práticas, do 9o ao 12o ano participa em estágios em quintas de agricultura biodinâmica e outras, em fábricas e instituições sociais (infantis, de saúde, de 3a idade, etc.), onde toma contacto com a área de trabalho em que possivelmente virá a ser profissional mas, principalmente, tem a oportunidade de conhecer aquelas em que não trabalhará, o que é de extrema importância social!

Do 1o ao 8o ano, o professor-de-classe lecciona o corpo central das disciplinas curriculares, ficando as específicas à responsabilidade de professores próprios: euritmia, música, educação física, línguas estrangeiras e oficinas. Durante este período, o professor pode acompanhar individualmente os alunos e conhecer as suas famílias. Os relatórios anuais de avaliação não são nunca classificativos mas, sim, descritivos do percurso realizado e orientadores para o futuro próximo. São de uma grande intimidade, transmitindo ao aluno a confiança de ser conhecido profundamente pelo professor e dando-lhe segurança nas questões quanto ao caminho a seguir.

Do 9o ao 12o ano, todas as matérias são leccionadas por professores especializados. Nesta fase, o interesse é objectivo e só aquele que é competente na respectiva área se impõe ao respeito do jovem. A avaliação qualitativa pode começar a apresentar indicadores classificativos, principalmente para os que se preparam para ingressar no ensino superior, sujeitando-se voluntariamente às respectivas provas de acesso. Aqui, o exame é inerente à via por que se optou – estudos superiores – e se, muito legitimamente, o medo está presente, é um medo concreto, preciso, dominável pelo indivíduo.

O apelo de liberdade

Chegado o fim da escolaridade, por volta dos dezoito anos, todos os alunos tiveram a oportunidade de conhecer e exercitar as áreas teóricas e práticas que os habilitam a enveredar por imensas possibilidades profissionais: de marceneiro a arquitecto, de ourives a médico, de jardineiro a músico, de electricista a advogado, o leque é quase infinito. Não é raro que um jovem, após ter passado nos exames de acesso à universidade, opte seguidamente por uma profissão manual. A sua escolaridade transmitiu-lhe o sentido de dignidade de QUALQUER área do trabalho humano e, se bem que inserido numa sociedade de discurso diferente, fre-quentemente encontra em si a força individual de seguir uma profissão que lhe traz felicidade e realização pessoal, normalmente ligada à estética ou ao social. Tendo percorrido um programa curricular adequado a cada fase do seu desenvolvimento, pôde adquirir confiança nas suas capacidades e estará preparado para enfrentar, em jovem adulto e ao longo da vida, os desafios que esta lhe trouxer. O medo surgirá sempre e de novo, pontual, objectivo, mas a autoconfiança permitir-lhe-á controlá-lo, ultrapassá-lo e, muito possivelmente, solucioná-lo.

As escolas Waldorf seguem uma pedagogia para a liberdade – e o que é a liberdade senão a libertação dos medos que aprisionam o Homem e o compelem a tomar atitudes erradas contra a Natureza, contra os outros e contra si?

Luísa Pereira
Licenciada em História, Professora do Ensino Secundário; Formada na Escola Livre Antroposófica de Mannheim, na Alemanha.

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Oportunidade: Curso de fundamentação em Pedagogia Waldorf

Fundamentação em Pedagogia Waldorf

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Solidão

Solidão

Ilan Brenman

Fonte: www.revistacrescer.globo.com – clique e conheça

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“Machado de Assis (1839-1908), no seu conto Teoria do Medalhão, desenvolve um diálogo entre pai e filho, no qual o genitor diz ao seu descendente para não andar nas ruas desacompanhado, porque a “solidão é oficina de ideias”. O pai, nesse conto de Machado, queria criar um filho medíocre, fórmula para uma vida ordeira e tranquila. A maioria das pessoas tem dificuldade de ficar a sós com os seus pensamentos. Precisamos prestar atenção se não estamos projetando nas nossas crianças o nosso medo atávico da solidão, já que o tempo inteiro queremos oferecer para elas uma distração para a mente. Talvez devêssemos proporcionar mais momentos de silêncio e calmaria para os nossos filhos, onde eles possam escutar suas próprias ideias e, com elas, transformar o mundo ao seu redor.”

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Outro dia, li um artigo no jornal que me deixou curioso: “Maioria das pessoas tem dificuldade de ficar a sós com os seus pensamentos, diz estudo”. É uma pesquisa levada a cabo por um psicólogo da universidade da Virginia, nos Estados Unidos. Antes de começar o levantamento, o pesquisador imaginava que as pessoas poderiam usar os momentos solitários (e eram propostos poucos minutos de solidão!) para resgatar da memória as lembranças felizes e agradáveis. O psicólogo desafiou seu grupo de estudo a ficar 15 minutos sem a companhia de ninguém e os resultados foram os seguintes: 57% dos entrevistados afirmaram que não conseguiam se concentrar nessa pequena solidão, 89% disseram que a mente deles viajou e 49% não gostaram do experimento. Mas o mais incrível vem agora: 67% dos homens e 25% das mulheres disseram que preferiam levar choques a ficar sozinhos!

Olhando para o passado, consigo observar que o medo da solidão é tão antigo quanto o próprio homem. O filósofo francês Blaise Pascal (1623-1662), que abandonou sua vida laica para se dedicar na solidão monástica a Pensamentos (nome do seu mais famoso livro), já falava da necessidade dos jovens procurarem sempre o barulho, o agito, a correria da vida para não precisarem entrar em contato com seus pensamentos, porque, se assim o fizessem, ficariam de frente a suas limitações e angústias. Já Machado de Assis (1839-1908), no seu conto Teoria do Medalhão, desenvolve um diálogo entre pai e filho, no qual o genitor diz ao seu descendente para não andar nas ruas desacompanhado, porque a “solidão é oficina de ideias”. O pai, nesse conto de Machado, queria criar um filho medíocre, fórmula para uma vida ordeira e tranquila.

Parece que as tecnologias resolveram o problema da sensação de solidão que sempre habitou a alma humana. O problema está nessa ilusão da eterna companhia de um outro: fingimos que temos muitos amigos, fingimos que estamos muito felizes, fingimos que gostamos de tudo e de todos. E, de tanto fingirmos, acabamos aumentando nossa percepção da solidão. O mundo infantil sempre lidou melhor com esses momentos solitários. As crianças sabem usar a mente como ninguém quando estão sozinhas – criam castelos no ar, viajam a lugares distantes, inventam mundos paralelos em microssegundos. Precisamos prestar atenção se não estamos projetando nas nossas crianças o nosso medo atávico da solidão, já que o tempo inteiro queremos oferecer para elas uma distração para a mente. Talvez devêssemos proporcionar mais momentos de silêncio e calmaria para os nossos filhos, onde eles possam escutar suas próprias ideias e, com elas, transformar o mundo ao seu redor.

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A opinião que difere da minha

A OPINIÃO QUE DIFERE DA MINHA

Leonardo Maia


“Será que tenho equilíbrio interior para acolher uma opinião, escolha ou crença diferente que vem do outro? Muitas pessoas não conseguem sair das superficialidade das discussões onde defendem seu pontos vista apenas, sem disposição interna de ouvir e tentar entender o outro. Desta intolerância à “opinião que difere” surge os famosos discursos de ódio e a generalização do comportamento alheio, muito comuns na internet hoje em dia. Mas pergunto: se conseguíssemos chegar ao “cerne” do pensamento alheio, não poderia haver por trás desta outra opinião, escolha ou crença uma moralidade ou mesmo uma busca autêntica do outro indivíduo?”


Hoje, percebemos alguns temas que incitam discussões calorosas devido opiniões diferentes ou até mesmo contrárias. Mas o que me chama mais a atenção não é a opinião em si, mas a postura em relação à opinião alheia que difere da minha.

Será que tenho equilíbrio interior para acolher uma opinião diferente que vem do outro? Acolher não quer dizer concordar, mas aceitar que o outro tenha o direito de ter uma opinião diferente e possa expressá-la livremente.

Desta intolerância à “opinião que difere” surge os famosos discursos de ódio e a generalização do comportamento alheio, muito comuns na internet hoje em dia:

Ele é de esquerda então é comunista / ele é de direita então é fascista.

Ele quer uma esposa que dê prioridade aos filhos então é machista / ela é feminista então é agressiva e não aceita o comportamento masculino.

Ele é ateu então não tem amor no coração / ele é religioso então não possui uma lógica de pensamento, é tudo baseado em crenças.

Ele não é a favor do beijo entre pessoas do mesmo sexo na mídia então é homofóbico / ele é a favor então faz apologia ao homossexualismo e é contra a moralidade.

Pergunto: Se conseguíssemos chegar ao “cerne” do pensamento alheio, não poderia haver por trás desta outra opinião, escolha ou crença uma moralidade ou mesmo uma busca autêntica do outro indivíduo?

Mas muitas pessoas não conseguem sair das superficialidade das discussões onde defendem seu pontos vista apenas, sem disposição interna de ouvir e tentar entender o outro. E nesse duelo de egos se inicia uma sessão de julgamentos e tachações do comportamento alheio, chegando muitas vezes ao ponto de pregar uma inquisição.

Essa inquisição seria uma coisa muito perigosa, pois pode fazer com que as pessoas usem máscaras sociais para se adequar ao padrão moral e evitar conflitos com medo de expressar seus verdadeiros pensamentos.

Poderia eu tocar a alma do outro ou mesmo ser tocado por ela sem acolher com amor, sem ouvir e sem aos menos tentar compreender suas opiniões, escolhas, crenças e atitudes em um nível mais profundo?

É nesse encontro entre as almas é que surge o amor, não o amor carnal, mas o amor verdadeiro do reconhecimento do outro.  À partir desse reconhecimento percebemos o quão mágico e divino é o outro ser humano, o que nos traz o verdadeiro sentido de humanidade.

E isso nos fortalece e nos faz tentarmos sempre ser pessoas melhores, não só para nós, mas para todos. Lutar para que todos floresçam e possam expressar todas as qualidades e talentos de suas individualidades, independente de seus defeitos e dificuldades de hoje.

“Que o meu pensar seja claro, verdadeiro, sem julgamento, ponderado. Que meu sentir seja aquecido, amoroso, com compaixão pelo outro, trazendo a verdade do amor latente em si. Que minha ação seja fiel a uma causa, apaziguadora. Que eu possua a virtude de fazer o bem. Que eu possa ajudar ao outro ser humano e acompanhá-lo. Que eu desenvolva o sentido humanitário e colocar a minha força à disposição da humanidade. Que eu Ilumine com sabedoria os lados negativos ou sombras. Que eu possa ajudar o outro a encontrar suas metas e realizá-las. Que eu acompanhe o destino do outro, ajude-o a encontrar os lados positivos da vida para aproveitar, para um todo maior, as qualidades positivas de cada um.”

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Pais que elogiam sem critério criam adultos frágeis e egocêntricos

Pais que elogiam sem critério criam adultos frágeis e egocêntricos

Juliana Zambelo

Fonte: www.mulher.uol.com.br – clique e conheça

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“Essas atitudes têm o efeito oposto ao desejado pelos pais. Em vez de fortalecer o filho, elas estão, na verdade, deixando-o frágil e incapaz de agir em sua própria defesa. Ele cresce sem conhecer a frustração ou a necessidade de batalhar por seus ideais e acredita ser merecedor de privilégios que, no mundo real, não virão. Assim cria-se pessoas com uma autoimagem muito elevada apresentam também excesso de confiança e uma avaliação pouco realista de suas condições. Como consequência, têm dificuldades de aceitar críticas e fracassos. Além disso, sua interpretação das situações virá sempre por um viés de perseguição e injustiça, uma vez que o problema nunca está com elas. A  culpa é sempre do outro.”

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Elogiar o próprio filho, celebrar seus talentos, ficar feliz com seus acertos e se orgulhar de suas qualidades é uma das delícias de ser pai e mãe. Impossível não se envaidecer ao ver sua criança ou adolescente conquistar um objetivo após batalhar por aquilo ou se destacar em uma área na qual tenha interesse.

Muitos pais, no entanto, têm perdido a medida dessa alegria. Cobrem seus filhos de elogios constantemente e os tratam como se fossem perfeitos, fazendo todas as suas vontades, na ilusão de que a conduta fortalecerá sua autoestima e fará deles indivíduos corajosos e confiantes.

Essa educação vem criando gerações de “príncipes e princesas” cheios de si que, apesar de se verem como seres únicos e impecáveis, são, na verdade, frágeis e não estão preparados para enfrentarem as dificuldades da vida adulta. Uma grande quantidade de filhos criados nessas condições passa agora pela adolescência e os resultados começam a ser vistos com mais clareza.

Para a psicóloga Vera Blondina Zimmermann, coordenadora do Centro de Referência da Infância e da Adolescência da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), trata-se de um movimento de oposição ao tipo de educação que prevaleceu no século passado.

“É resultado das décadas anteriores, nas quais a educação era muito rígida. O uso da força, da violência, a falta de liberdade de escolha do século passado criaram gerações que tomaram o veneno oposto. Com a ideia de que a educação com o ‘não’ traumatiza, surgiu um conceito falso de que uma criança reprimida seria infeliz”, diz a psicóloga Vera.

A psicopedagoga Irene Maluf culpa também uma interpretação equivocada de conceitos da psicologia. “As pessoas entenderam errado algumas questões da psicologia. Começou a ser dito que as crianças não podiam levar bronca, não se podia apontar defeitos, só se devia elogiar porque isso levanta a autoestima. Mas, na verdade, isso levanta uma autoestima falsa.”

Soma-se a isso uma nova concepção de educação, que coloca a criança como o centro de atenção da família. “Ela passa a ser elogiada, valorizada e exaltada por tudo o que faz, ainda que sejam tarefas cotidianas. Aprende que não precisa fazer muito para ser recompensada. Dessa forma, não exercita a tolerância, a empatia, a colaboração espontânea e a capacidade de adiar a satisfação, características tão necessárias para o convívio em sociedade”, afirma Sandra Ribeiro de Almeida Lopes, psicóloga especialista em adolescência da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em São Paulo.

Em seu consultório, Irene conta ter testemunhado, mais de uma vez, pais fazerem elogios desproporcionais aos feitos de seus filhos. “Se eu digo, o dia inteiro, que você é linda, inteligente e maravilhosa, você cristaliza na posição em que está. Porque em time que está ganhando não se mexe. A criança congela e não amadurece”, declara a psicóloga.

Fragilidade

Para os especialistas, essas atitudes têm o efeito oposto ao desejado pelos pais. Em vez de fortalecer o filho, elas estão, na verdade, deixando-o frágil e incapaz de agir em sua própria defesa. Ele cresce sem conhecer a frustração ou a necessidade de batalhar por seus ideais e acredita ser merecedor de privilégios que, no mundo real, não virão.

Segundo a psicóloga Sandra, pessoas com uma autoimagem muito elevada apresentam também excesso de confiança e uma avaliação pouco realista de suas condições. Como consequência, têm dificuldades de aceitar críticas e fracassos. Além disso, sua interpretação das situações virá sempre por um viés de perseguição e injustiça, uma vez que o problema nunca está com elas. A  culpa é sempre do outro.

“São pessoas que têm muita dificuldade de fazer um projeto de vida coerente e sustentável”, diz Vera Zimmermann, da Unifesp. “Ela pode ser muito inteligente, mas não sabe cair e levantar, então, não consegue construir nada. Faz um projeto, mas não tem a mínima condição de sustentar a luta por esse ideal.”

Para a psicóloga, isso pode se manifestar desde a infância, na vontade de fazer atividades e cursos que, no primeiro obstáculo, são abandonados. Na adolescência, pode aparecer, por exemplo, na falta de empenho para estudar a sério para passar em um vestibular para o curso sonhado.

Na escola

Essa postura dos pais não se encerra dentro de casa e acaba encontrando respaldo também nas escolas, ampliando o problema. “Os pais hoje são vistos pela maioria das escolas como clientes, então, ninguém se opõe, ninguém diz para a criança que, ao contrário do que os pais dela falam, ela é igual às outras e não sabe nada da vida ainda. As escolas não fazem isso porque os pais não admitem”, diz a psicopedagoga Irene.

A terceirização da educação, cada vez mais comum entre pais ocupados que delegam toda a criação de seus filhos aos professores, também enfraquece a instituição. Vera diz acreditar que as escolas não são capazes de educar sozinhas as crianças de famílias que não conseguem dizer “não” e impor limites. “O aluno só respeita o professor se ele respeitou o pai e a mãe.”

“Os pais têm se esforçado para oferecer aos filhos a melhor educação formal, com boas e caras escolas, na intenção de garantir a eles um futuro promissor, mas se esquecem que a formação do indivíduo se dá dentro de casa, por meio dos valores, dos princípios e, principalmente, das atitudes adotadas por eles mesmos”, declara Sandra.

Quando elogiar

Para mudar essa tendência, deve-se começar pelos adultos. Para a psicopedagoga Irene Maluf, muitos pais e mães de hoje já demonstram essa pouca disposição para ouvir críticas e não admitem a possibilidade de que seus filhos não sejam infalíveis.

“São pessoas extremamente vaidosas e egocêntricas. Para esses pais, o filho é perfeito, então, como ele pode ter uma dislexia? Não pode, os professores e a escola é que são ruins.” Segundo a especialista, se os adultos não conseguem enxergar as imperfeições de seus filhos, eles precisam parar para pensar.

Ao educar, os pais devem ter sempre em mente que sua função é preparar o filho para ser independente e forte ao longo da vida, longe do conforto da família. A psicóloga Vera Blondina Zimmermann aconselha que eles questionem, no dia a dia, como atender a um desejo do filho vai colaborar para que ele ganhe força para conseguir as coisas que quer quando se tornar adulto.

Não é proibido elogiar os filhos. Pelo contrário, o aplauso, nos momentos certos, é essencial para a construção de uma autoestima saudável, mas precisa ser feito de forma realista e quando o filho realmente merecer esse reconhecimento.

Além disso, Irene Maluf afirma que o elogio a uma criança ou a um adolescente deve ser direcionado ao que foi realizado. “Devo falar para o meu filho ‘adoro você, mas mentir é péssimo e, se você fizer isso, vai ter um castigo’ ou ‘você foi muito bem na escola, vi você se esforçando e deu resultado, parabéns'”, diz.

Segundo a psicopedagoga, para ter uma autoestima saudável, os filhos têm de saber que os pais os amam incondicionalmente, mas que suas boas ações serão elogiadas tanto quanto seus erros serão criticados.

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A busca da essência: Pensamentos e reflexões

A busca da essência: Pensamentos e reflexões

Raphael Rodrigues

Fonte: www.essenciaeproposito.blogspot.com.br – clique e conheça

Essência

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“Onde meus talentos e paixões encontram as necessidades do mundo, lá está meu caminho, meu lugar.”
Aristóteles

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Essa frase tem me inspirado e ajudado nas reflexões sobre a vida nos últimos 15 anos. Eu acredito  que  a  única  forma  de  vivermos  a  plenitude  do  SER  seja  nos  conhecendo profundamente, observando e aprendendo sobre a complexidade e a simplicidade do mundo,nos tornando assim conscientes sobre a nossa evolução e contribuindo para o planeta. Agir fazendo a nossa existência ter sentido, para que deixemos o nosso legado para a humanidade.

Os  reais  talentos  possibilitam que  nos  expressemos  de forma potente,  colocando a  nossa essência no universo. Com isso, transformamos quem somos em verdadeiras obras, que fazem diferença para pessoas, organizações e sociedades. Quais são os seus talentos? O que você faz realmente bem?

As verdadeiras paixões expandem o nosso significado sobre o mundo: como interpretamos e internalizamos o mundo, o que ressoa com força dentro de nós e dá sentido a vida. Nossas paixões são como chamas que mantem o fogo da nossa existência. Sem paixões a vida não tem brilho, não tem essência. Quais são as suas paixões?

O que você gosta profundamente de fazer? Quando  conseguimos  conectar  nossos  talentos  com  nossas  paixões,  a  mágica  começa  a acontecer. O nosso poder pessoal é experimentado com toda a sua força, atraímos as pessoas para perto e estamos conectados com o nosso propósito. Temos a sensação de sermos únicos,de que toda a nossa existência vale a pena, brilhamos intensamente e expressamos a nossa luz no mundo. Nesse momento, temos a chance de fazer com que nossos talentos e paixões se conectem com as necessidades do planeta e com isso possamos cooperar para a sua evolução.

Vivemos  em  tempos  desafiadores  para  a  evolução  da  humanidade.  Tempos  em  que  o individual e o coletivo estão em conflito tentando encontrar o seu ponto de convergência e assim, elevar a nossa condição humana para adquirirmos novas capacidades. Muitas vezes esse conflito  é  completamente  desarmônico  e  pende  para  o  lado  do  individualismo.  Egoísmo,incapacidade de respeitar o outro, solidão, ganância, medo, falta de convivência em grupos,violência e guerra são algumas das características e consequências que podemos observar no mundo atual e no comportamento das pessoas.

São duas forças antagônicas e harmônicas ao mesmo tempo fazendo o que parece ser um cabo de guerra ou a construção de uma leminiscata com infinitas possibilidades. A questão que se apresenta é a seguinte: “Vamos deixar a corda arrebentar e nos dividirmos em dois ou mais mundos  e  sentirmos  as  consequências  negativas  disso?”,  ou  “Vamos  encontrar  novas possibilidades, onde a tensão da corda possa inspirar, transformar e experimentar caminhos que nunca foram desbravados? Onde a harmonia entre o individual e o coletivo exista? Onde possamos nos elevar a uma oitava acima experimentando novos tempos e inclusive vivendo novos desafios?”

Recentemente estive em Manaus/AM onde existe  o  encontro das  águas dos Rios  Negro e Solimões que, juntos, formam o Rio Amazonas, simplesmente o rio mais caudaloso do mundo.O Rio Negro, como o próprio nome diz, tem a cor bem escura, quase preta, enquanto o Rio Solimões tem a cor marrom, bem barrenta. No encontro das águas, a impressão que se tem é que elas não se misturam, pois é notável  a divisão. É perceptível,  inclusive,  a diferença de temperatura  e  densidade  das  águas.  Imagine  também,  a  diversidade  da  vida  fluvial  que podemos encontrar  nos  dois  rios.  O que acontece é  um fenômeno muito  bonito.  Durante alguns  quilômetros,  os  dois  rios  vão  convivendo  um  com  outro  até  que  as  características aparentes do Rio Solimões sobrepõe as do Rio Negro e assim seguem juntos se transformando no Rio Amazonas. O incrível é perceber que – apesar do aspecto parecido com o Solimões – é um  novo  rio  que  se  forma,  pois  imagino,  por  não  ser  especialista,  que  criam-se  novas características; porém ao mesmo tempo, podemos encontrar as características específicas dos dois rios que o geraram.

Será que isso nos serve de inspiração para a construção de um mundo melhor, mais harmônico,onde a diversidade seja uma qualidade e não um problema? Onde a riqueza e valorização das pessoas  esteja  mais  em  quem  elas  são  do  que  no  que  elas  possuem,  onde  possamos desenvolver valores e características como respeito a vida, gentileza, humildade, felicidade, espiritualidade, integridade e amor?

Nos tempos atuais, muitas pessoas tem buscado entender e vivenciar o real propósito de suas vidas,  o  significado  e  sentido  das  suas  atividades  laborais  e  o  estilo  de  viver  que  traga harmonia,  equilíbrio,  paz e felicidade.  A cada dia,  mais pessoas tem vivido seus talentos e paixões de forma intensa, muitas vezes transformando-os em trabalho, equilibrando o SER e o Por outro lado, nota-se também um grande número de pessoas que querem TER sem SER, ou seja, querem se tornar ricas, com um grande acúmulo de bens materiais, pela forma mais fácil,buscando a fama a qualquer custo, ou procurando ganhar dinheiro em jogos de azar, sorteios,concursos e reality shows que se multiplicam como coelhos pelas programações dos canais de tv.  O  entendimento  sobre  existir  um  processo  para  se  construir  algo  e  palavras  como persistência,  conquista,  merecimento,  orgulho,  respeito,  esforço,  reconhecimento  estão  em esquecimento e muitas vezes perdendo o seu significado mais nobre.

Há uma notável  intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho. De como encontrar o propósito no que se faz. As empresas têm tido grandes desafio sem atrair,  reter  e  motivar  talentos,  não  só  das  novas  gerações,  mas  também,  de  pessoas experientes.  Talvez  seja  por  isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja  crescendo tanto. Alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude: TER. As pessoas estão buscando tomar as rédeas das suas vidas. Tem buscado ter mais controle sobre seus destinos ou, como se diz, tomar o destino em suas próprias mãos. Parece haver uma  busca  por  aprender  a  ser  individual  e  ao  mesmo  tempo  coletivo,  ser  um  indivíduo integrado ao todo.  Integrado no sentido de,  além de atingir  a  plenitude do ser,  contribuir positivamente para a sociedade seja pelos “Comos” ou “O Ques” da vida. O que antes era privilégio de poucos, agora tem sido a busca de muitos. A questão é: “Isso é possível para todos?”

Por outro lado, nota-se também um grande número de pessoas que querem TER sem SER, ou seja, querem se tornar ricas, com um grande acúmulo de bens materiais, pela forma mais fácil,buscando a fama a qualquer custo, ou procurando ganhar dinheiro em jogos de azar, sorteios,concursos e reality shows que se multiplicam como coelhos pelas programações dos canais de tv.  O  entendimento  sobre  existir  um  processo  para  se  construir  algo  e  palavras  como persistência,  conquista,  merecimento,  orgulho,  respeito,  esforço,  reconhecimento  estão  em esquecimento e muitas vezes perdendo o seu significado mais nobre.

Há uma notável  intensificação dos questionamentos com relação às formas e dinâmicas de trabalho. De como encontrar o propósito no que se faz. As empresas têm tido grandes desafios em atrair,  reter  e  motivar  talentos,  não  só  das  novas  gerações,  mas  também,  de  pessoas experientes.  Talvez  seja  por  isso que o fenômeno do empreendedorismo esteja  crescendo tanto. Alguns caminhos possíveis que me inspiram na direção de encontrar o próprio propósito e assim viver com significado e plenitude:

1. Desenvolva a sua espiritualidade;

2. Não tenha medo de intuir, mas se torne consciente desse processo e capacidade;

3. Crie e proponha novas possibilidades e cenários, mostre caminhos diferentes, desafie e questione o status quo;

4. Compartilhe experiências e vivências;

5. Seja  artista,  viva  a  arte  em  todas  as  suas  formas  e  possibilidades,  amplie  seus horizontes internos e externos;

6. Busque autoconhecimento e autodesenvolvimento e entenda o seu papel no mundo;

7. Aprenda a aprender com o mundo e com as pessoas;

8. Seja pró-ativo, faça as coisas acontecerem, tome o seu destino nas suas mãos, seja líder da sua própria vida;

9. Explore o mundo e as possibilidades da vida, busque novas paixões;

10. Desenvolva seus talentos naturais, cerque-se de pessoas que possam complementa-lo se adquira novos em sintonia com as suas paixões;

11. Faça tudo com excelência e humildade;

12. Use os recursos financeiros como meios e não como a finalidade única de sua vida.

Permita-se,  entregue-se e integre-se. Temos que deixar que nossos potenciais explodam na nossa cara e na cara do mundo. Temos que desafiar o nosso SER. Não tenhamos medo de saber quem realmente somos. “Se joga!”

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Oportunidade em São Paulo e Belo Horizonte:

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Seu filho não sabe o que é melhor para ele

Seu filho não sabe o que é melhor para ele

Cris Leão

Fonte: www.antesqueelescrescam.com – clique e conheça

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Quantas vezes você já ouviu:
“Meu filho não gosta de dormir cedo.”
“Meu filho só come porcaria.”
“Ele quer ir pra escolinha.”
“Ele adora Coca Cola”
Essas e muitas outras frases são comuns, tão comuns que eu diria que são a regra da relação entre pais e filhos hoje em dia. O pai e a mãe sendo presentes ou não, estando focados na criação dos filhos ou não – perderam a voz e a razão. Quem está decidindo hoje em dia são as crianças. E será que elas sabem o que estão fazendo?

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Quantas vezes você já ouviu: “Meu filho não gosta de dormir cedo.” “Meu filho só come porcaria.” “Ele quer ir pra escolinha.” (mesmo tendo 11 meses e nem sabendo falar) “Ele adora Coca Cola” (porque olha quando alguém abre aquela garrafa vermelha, preta e branca, que solta aquele líquido marrom com bolinhas espumantes e que fazem barulho)

Essas e muitas outras frases são comuns, tão comuns que eu diria que são a regra da relação entre pais e filhos hoje em dia. O pai e a mãe sendo presentes ou não, estando focados na criação dos filhos ou não – perderam a voz e a razão. Quem está decidindo hoje em dia são as crianças. E será que elas sabem o que estão fazendo?

Semana passada assisti um seriado (sobre família e relações humanas) chamado Transparent da Amazon – ganhador do Globo de Outro. O protagonista é um pai divorciado de 70 anos de idade, que decide dividir seu segredo com a família: ele é transexual e se chama Maura. Os três filhos são pessoas completamente egoístas e imaturas, com vidas bagunçadas mas ao mesmo tempo muito humanas. (Todas as histórias são possíveis) A mensagem que percorre os capítulos é de que na verdade só passamos a conhecer nossos pais quando somos adultos e então percebemos como aquelas características nos são familiares e assim conhecemos melhor a nós mesmos.

Eu não gosto muito de assistir televisão. Mas dessa vez fiquei viciada e vi tudo, do começo ao fim. A história, os personagens, os diálogos, tudo é perfeito, tudo é verdadeiro. Para citar duas situações marcantes:

A jovem pergunta aos pais: (faixa de 30 anos, que vive perdida na vida: não sabe se é homem ou mulher, se trabalha, se estuda e entre uma dúvida e outra, bebe muito e usa drogas)

Por que eu não tive Bar Mitzvá (cerimônia judaica)?

Os pais respondem: Porque você não queria.

A jovem: Eu tinha 13 anos!!! Como eu poderia decidir isso?

E na cena final, a família jantando pegando a comida direto da colher na panela e levando a boca, todos falando ao mesmo tempo (sempre cada um só fala de si mesmo). Chega um adolescente (que não foi criado nessa família) e pergunta: “Vocês não fazem oração antes das refeições? Vamos fazer todos de mãos dadas porque assim fica mais forte.” Eles fazem. E pela primeira vez, em todo o seriado, aquela família está em comunhão, está unida.

As famílias mudaram, as mulheres mudaram, os homens mudaram. Mas não vamos esquecer que as crianças ainda precisam das mesmas coisas: precisam de adultos para educá-las. Se engana quem acha que porque tem filho, tem marido, logo tem família. Não. Como tudo na vida que é grande e bonito, ter família dá trabalho. A “família” precisa ser criada: plantada, cuidada, regada para então existir. Nunca perfeita, mas nos limites da existência: existir.

Eu não sei de nada, mas desconfio que para caprichar no arroz e feijão da vida é preciso colocar uma bela pitada de fé, ordem e amor.

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Postura punitiva dos pais pode reforçar comportamento mentiroso

Postura punitiva dos pais pode reforçar comportamento mentiroso

Juliana Zambelo

Fonte: www.mulher.uol.com.br – clique e conheça

mentira

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“Não existe uma relação de confiança recíproca entre pais e filho? Quando ela foi quebrada? Por que o filho acha que não pode falar a verdade para os pais? A mentira pode acabar sendo consequência de uma relação errada desde a infância.”

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Para muitos pais, a chegada dos filhos à adolescência, período dos primeiros passos independentes, faz com que o nível de preocupação aumente em relação ao que eles podem estar escondendo.

Segundo os especialistas consultados pelo UOL Gravidez e Filhos, a maioria dos adolescentes mente para seus pais, mas isso faz parte do processo de amadurecimento e nem sempre deve ser encarado com apreensão.

Paulo Sérgio Camargo, autor de “Não Minta para Mim! – Psicologia da Mentira e Linguagem Corporal” (editora Summus), afirma que mentir faz parte do ser humano e que todas as pessoas mentem desde crianças.

“As maiores fontes de aprendizado são as pessoas próximas, como os pais e os irmãos. E os pais ensinam a mentir quando, por exemplo, mandam o filho dizer, ao telefone, que não estão ou dizem para elogiar a comida de uma tia, mesmo que ele não tenha gostado.”

Para Monica de Oliveira Genofre, psicóloga do Instituto de Terapia Familiar de São Paulo, mentir para os pais é inerente à adolescência. “É um momento no qual o filho está se diferenciando dos pais e não quer revelar tudo. Existem os que mentem mais e os que mentem menos, sobre coisas mais sérias ou menos sérias, mas faz parte dessa fase da vida.”

Mentiras comuns

As mentiras mais comuns na adolescência estão relacionadas a questões como aonde foi, com quem e o que fez. A psicóloga Luciana Maria Caetano, especialista em desenvolvimento moral e autora do livro “O Conceito de Obediência na Relação Pais e Filhos” (editora Paulinas), diz que uma mudança importante da infância para a adolescência é o surgimento da vida social do filho fora do ambiente familiar, com novos grupos.

“Os pais não devem impedir o filho de aumentar sua vivência social, porque ela é necessária. Por outro lado têm de continuar supervisionando, pois ele ainda não tem maturidade para enfrentar tudo sozinho.”

Para Luciana, a mentira está ligada à falta de confiança. Por isso, se os pais percebem que o filho não tem contado a verdade, a primeira coisa que devem fazer é se perguntar por que isso está acontecendo.

“Não existe uma relação de confiança recíproca entre pais e filho? Quando ela foi quebrada? Por que o filho acha que não pode falar a verdade para os pais? A mentira acaba sendo consequência de uma relação errada desde a infância”, diz a psicóloga.

Luciana afirma que a mentira pode acontecer também quando a relação é muito autoritária e o filho tem medo de, ao contar a verdade, ser castigado duramente. “Os pais devem tentar lembrar se já houve no passado uma situação semelhante na qual o filho foi honesto e contou uma verdade difícil e analisar como lidaram com isso. Devem se perguntar: eu acolhi, ouvi ou puni severamente?”, fala a especialista.

Segundo Luciana, se o jovem contar que fez algo errado em vez de mentir e não for reconhecido pela coragem de assumir o erro, vai ser muito difícil que se sinta confiante para revelar uma situação que acontecer depois.

João Ilo Coelho Barbosa, psicólogo da ABPMC (Associação Brasileira de Psicologia e Medicina Comportamental), concorda que uma criação muito rígida pode levar os filhos a mentir mais. “A mentira é uma tentativa de evitar punição. Se o ambiente for muito punitivo, maior a chance de a pessoa estar escapando dessas punições mentindo”, diz o especialista.

A falta de diálogo dentro de casa é outro fator que favorece o surgimento de mentiras, criando uma rotina na qual os filhos mentem e os pais fingem que acreditam. “É uma relação confortável para ambos, porque assim pai e mãe não têm de resolver a questão do amigo indesejado ou ter uma conversa sobre sexoque pode ser constrangedora”, afirma a psicóloga Luciana.

O modelo dado pelos pais também é importante na formação do adolescente. “Se esse jovem cresceu com pais que mentiam muito, inclusive para ele, aprendeu essa forma de conviver com o outro, esse jeito de resolver conflitos pelo atalho”, declara a especialista.

Afeto e diálogo

Mesmo que os pais desconfiem que o filho esteja escondendo algo, nunca devem invadir a privacidade do adolescente atrás de provas, revistando mochilas, computador pessoal ou agenda de telefone celular, porque, ao fazerem isso, estarão quebrando ainda mais a confiança do adolescente.

Para Luciana Caetano, os adultos devem insistir em perguntar aonde o filho vai, conhecer seus amigos e ligar para seu celular para supervisionar o que ele está fazendo, mesmo que isso lhe dê fama de “chato”. E deixar claro que estarão sempre ao seu lado e que, por isso, ele pode recorrer a eles com a verdade.

“Os pais devem sempre dizer aconteça o que acontecer, faça a burrada que fizer, me conte a verdade e eu vou ficar do seu lado e ver o que posso fazer para te ajudar'”, fala a psicóloga. “Os pais que querem vigiar para pegar no flagra e punir cometem um engano grande. Ninguém consegue vigiar um adolescente por 24 horas.”

Ao descobrir uma mentira, deve-se chamar o filho para uma conversa, mas nada de sermão. “O adolescente está mentindo porque a situação mostra para ele que, se não mentir, vai sofrer, então uma punição severa pode ser a pior coisa nesse momento, porque isso vai incentivá-lo a mentir melhor da próxima vez”, diz João Ilo.

Luciana aconselha os pais a fazer perguntas ao filho, questionando o que ele está sentindo e vivendo e o que o levou a achar que precisava mentir. “A conversa com o adolescente não é igual a com uma criança, para a qual se fala ‘você não vai mais fazer isso’ e pronto. Com o jovem, as regras são negociáveis e quanto mais ele for envolvido no diálogo, melhor.”

Para Monica, expor nessa conversa afeto e preocupação também é importante para que o adolescente fique mais seguro para se abrir. Quando se tratar de mentiras mais sérias, é necessário também que o jovem se responsabilize pelo que fez. “Os pais devem fazer os filhos criarem a consciência de que as consequências de seus atos vão recair sobre eles mesmos, que, se usar drogas ou provocar uma gravidez indesejada, quem vai arcar com o resultado é ele”, diz Luciana. E, caso a mentira tenha envolvido ou prejudicado outra pessoa fora da família, ele deve fazer as reparações necessárias contando a verdade e pedindo desculpas.

Já quando se tratar de uma mentira leve, típica da idade, a atitude mais sensata dos adultos pode ser deixar passar sem pressão, de acordo com Monica. “Os pais podem saber que o filho está mentindo, mas não quer dizer que eles têm de ir atrás da verdade. Tem um momento em que as pessoas precisam de privacidade, de se opor e se diferenciar. Claro que é importante estar atento, mas nem sempre para reprimir.”

“Algo como experimentar um cigarro. Faz parte, é uma época de experimentação, e nem sempre o jovem vai contar para os pais.” Segundo a psicóloga, pais atentos vão perceber se a mentira está envolvendo questões mais sérias porque ela será acompanhada de mudanças de comportamento, como se fechar no quarto, ficar mais introspectivo ou agressivo, afastando-se da família.

Definição de valores

Um adolescente que mente muito nessa fase corre o risco de se tornar um indivíduo que busca sempre a saída pela mentira. “A adolescência é a fase da construção de personalidade e de uma hierarquia de valores, o sujeito define quais valores vai levar para a vida adulta”, afirma Luciana. “Se aprendeu a resolver conflitos por meio da mentira, pode crescer com esse valor. Essa ideia de que algumas coisas são resolvidas com maior facilidade se eu mentir, por isso a intervenção dos pais na adolescência é importante.”

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Amor do pai é uma das maiores influências da personalidade da criança

Amor do pai é uma das maiores influências da personalidade da criança

Nívea Salgado

Fonte: www.mildicasdemae.com.br – clique e conheça

pai heroi

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“O pai é fundamental na formação da personalidade da criança, e como ela desenvolverá diversas características até a idade adulta. As crianças sentem a rejeição como se ela realmente fosse uma dor física. As partes do cérebro ativadas quando um pequenino se sente rejeitado são as mesmas que se tornam ativas quando ele se machuca, com uma diferença: a dor psicológica pode ser revivida por anos, levando à insegurança, hostilidade e tendência à agressividade. Um pai presente e carinhoso tem exatamente o efeito contrário na formação da personalidade do filho: o pequeno cresce feliz, seguro e capaz de estabelecer ligações afetivas muito mais facilmente na vida adulta.”

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Que o amor materno é fundamental para a vida de qualquer criança, não temos qualquer dúvida. Aliás, em pleno século XXI, nossa cultura ainda coloca sob responsabilidade (quase que exclusiva) da mãe os cuidados com os filhos (é uma criança que faz birra? Que bate no amiguinho? Que vai mal na escola? “A culpa é da mãe”, não é assim que ouvimos comumente por aí?).

Mas como fica o papel do pai nessa história? Pois um estudo recente mostrou que ele é fundamental na formação da personalidade da criança, e como ela desenvolverá diversas características até a idade adulta. Pesquisadores da Universidade de Connecticut, nos EUA, demonstraram que crianças de todo o mundo tendem a responder da mesma forma quando são rejeitados por seus cuidadores, ou por pessoas a quem são apegadas emocionalmente. E quando essa rejeição é do pai, diferentemente do que muitas pessoas acreditam, ela causa marcas profundas.

Segundo os estudiosos, que avaliaram 36 trabalhos envolvendo mais de 10.000 pessoas, entre crianças e adultos, a rejeição paterna tem essa influência tão marcante porque, em primeiro lugar, é mais comum do que a materna. E também porque a figura do homem é associada a prestígio e poder – ou seja, para a criança, é como se ela tivesse sido esquecida ou preterida por alguém que todos consideram importante.

Agora vem a parte mais triste: o estudo mostrou que as crianças sentem a rejeição como se ela realmente fosse uma dor física. As partes do cérebro ativadas quando um pequenino se sente rejeitado são as mesmas que se tornam ativas quando ele se machuca, com uma diferença: a dor psicológica pode ser revivida por anos, levando à insegurança, hostilidade e tendência à agressividade.

A boa notícia é que um pai presente e carinhoso tem exatamente o efeito contrário na formação da personalidade do filho: o pequeno cresce feliz, seguro e capaz de estabelecer ligações afetivas muito mais facilmente na vida adulta. Se o pai do seu filho é exatamente assim, compartilhe o post com ele – tenho certeza de que ele adorará saber disso!

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A importância da rotina

A importância da rotina

Adriana Fonseca

Fonte: www.educarparacrescer.abril.com.br – clique e conheça

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“A maneira como as crianças pequenas lidam com a rotina, com a quebra dela e com os desafios de crescer em um mundo desconhecido merecem atenção dos pais. Quando planejar a rotina ideal para seu filho, é muito importante cuidar para não introduzir, desde cedo, o costume de uma vida atribulada, com tempo escasso para as relações e para os momentos de interação e troca.”

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A forma como a vida do seu filho está organizada se torna fundamental para que ele tenha um crescimento tranquilo e feliz. Especialistas explicam o por quê.

A maneira como as crianças pequenas lidam com a rotina, com a quebra dela e com os desafios de crescer em um mundo desconhecido merecem atenção dos pais. Quando planejar a rotina ideal para seu filho, é muito importante cuidar para não introduzir, desde cedo, o costume de uma vida atribulada, com tempo escasso para as relações e para os momentos de interação e troca.

Muitas vezes, nós, adultos, sentimos necessidade de quebrar a rotina, variar o nosso dia a dia, fazer tudo diferente, pois nos entediamos com as repetições. Com as crianças pequenas, acontece justamente o contrário! As repetições são muito importantes para que elas consigam lidar com o desconhecido.

Da mesma forma, para os pais, quanto mais a vidinha do filho estiver organizada, melhor! Vera Tschiptschin Francisco – psicanalista, pedagoga e membro-fundadora da Gesto Psicanálise – explica que o “o bebê e a criança pequena vivem uma certa fragmentação interna. Cada sentimento é muito intenso, por exemplo, a sensação de fome é uma sensação avassaladora. Por isso, garantir um tanto de cadência, de ritmo, de previsibilidade e de continuidade àquilo que já sentiu antes, àquilo que se repete, frente a toda surpresa inerente ao desenvolvimento é fundamental”. Ressalta também a importância da rotina para a mãe: “a rotina acalma e diminui a angústia da mãe, que aperfeiçoa o contato e passa a se comunicar com bebê e com a criança pequena muito melhor”.

Por outro lado, Vera também aponta a necessidade de se manter uma flexibilidade nessa programação diária e não cometer exageros: “corre-se o risco de se apresentar um mundo para o bebê que é artificial, que é supercontrolado, onde não há variação. Consequentemente, lidar com as surpresas da vida se torna complicado, tanto para o bebê como para a mãe”. A rotina do dia deve ser tratada com uma importante referência e não como uma regra extremamente rígida. Cada família deve encontrar a medida que combina com seu perfil. “Para famílias extremamente organizadas o desafio é abrir o espaço para essa flexibilidade e para as famílias mais flexíveis em relação à rotina o desafio é se organizar!”.

A rotina mais estruturada é importante para o bebê nos primeiros meses de vida mas, gradualmente, ela vai sendo flexibilizada pelos pais para ajudar a criança a entender e aceitar as transformações decorrentes do seu crescimento.

Além disso, como lembra Sonia Madi – psicopedagoga e coordenadora das Olimpíadas de Língua Portuguesa do Cenpec – é importante deixar de lado o medo de colocar limites para seu filho: “Dizer não é muito importante! Muitas vezes, se pensa que se está protegendo seu filho evitando o “não”, mas isso é um engano! Assim se está impossibilitando um entendimento maior que ele possa fazer sobre o funcionamento do mundo!”. Por isso, não sinta pena de tirá-lo de uma situação em que está aparentemente aproveitando e seguir a rotina. Estender, por exemplo, a brincadeira e atrasar a hora de dormir pode desorganizar a vida de todos da casa.

Veja algumas dicas que podem ajudá-lo a organizar a vida de seu filho:

O espaço: Prepare um espaço em casa (qualquer cantinho serve!) com objetos, cores e sons adequados, propício para que seu filho vá descobrindo o mundo a sua volta. Ele deve perceber esse mundo, que não deve assustá-lo, e sim atraí-lo! Cuidado com a hiperestimulação. Certos momentos devem ser de contemplação e de relaxamento apenas. A psicanalista Vera Tschiptschin Francisco lembra que assim como os adultos, a criança pequena tem a necessidade de viver momentos de não fazer nada, sem nenhuma atividade, de estar sozinha, apenas “observando” o mundo a sua volta.

Os horários: Organize uma rotina que seja possível de seguir e mantenha os horários para as etapas do dia a dia acontecerem regularmente: hora de comer, brincar, tomar banho e dormir. A constância da programação traz segurança à criança, que passará lidar de maneira mais equilibrada ao movimento diário. Entretanto, Vera Tschiptschin Francisco ressalta novamente que cada família pode ajustar suas possibilidades internas e externas para organização dessa rotina. Dá o exemplo do sono da tarde: ele precisa acontecer, porém há pais que estabelecem esse horário e seguem um ritual de levar o bebê para o berço em determinada hora, independente da sua manifestação de cansaço. Outros pais aguardam até que surjam os sinais de sono, antes de colocá-lo para dormir. Não existe uma forma correta. Existe o que funciona para aquela família!

As refeições: A alimentação ganha na qualidade com a regularidade do horário e a forma que acontece. É importante com seu filho coma no mesmo lugar e no mesmo horário. Se um dia tem a opção de comer brincando ou sentado no sofá na frente da televisão, não entenderá porque não pode fazer isso todos os dias. Portanto, esse tipo de situação não é recomendável. Reserve essas variações para quando estiverem fora de casa, por exemplo. Caso a rotina seja alterada, é recomendável que se deixe bem claro para a criança o motivo dessa variação naquele dia e se preparar com uma dose extra de paciência para acompanhar os efeitos que essa variação pode causar em seu filho. Mesmo ele seja um bebê, deve-se conversar com ele: “estamos na casa da vovó de noite porque é o aniversário dela!”. Por outro lado, cuidado para não exigir da criança um comportamento à mesa que não tem estrutura para aguentar. Se precisar sair da mesa para dar uma voltinha na sala e retornar com mais paciência para o ritual da refeição, não há problema nenhum.

O sono: O horário de dormir, o ritual de como adormecer e a quantidade de horas dormidas são fundamentais para um dia seguinte tranquilo. O sono é reparador. O corpo da criança necessita dessas horas para se recuperar de tudo que aconteceu no dia anterior. O ritual de ir para cama deve ser claro para a criança. Deve ser precedido de brincadeiras tranquilas, de uma história contada e de uma música relaxadora. Assim, essa hora não será tão terrível. Mesmo porque, o ritual esclarece para a criança que irá se repetir no dia seguinte (brincadeira calma antes de dormir). Por vários os motivos inerentes ao nossa vida atribulada, eventualmente, não será possível cumprir o ritual de dormir da criança. Faz parte! Nesses casos, porém, você precisa se munir de uma dose extra de paciência, pois, provavelmente, seu filho demonstrará seu desagrado. Estará no direito dele! Essas situações acabam surgindo como um treino para que seu filho experimente lidar com mudanças e que vá se abrindo para elas.

Os cuidados: Cuidar de si e do outro faz parte da rotina das pessoas da casa. Mostre isso a ele! Diga em voz alta: “Vou preparar um banho bem gostoso para você!” ou “Papai vai ler uma história para você dormir!”. Conforme seu filho vai crescendo, vá, gradualmente, transferindo para ele algumas responsabilidades. Peça, por exemplo, para que ele mesmo guarde brinquedos e arrume o quarto. Confie na capacidade dele de cuidar dos seus pertences e de si mesmo. Passe a auxiliá-lo no banho, ao invés de fazer tudo por ele. Sonia Madi, também lembra da importância de incentivar a criança a fazer conquistas. “é importante perceber que tipo de apoio ela precisa para ganhar confiança se arriscar a ir além, sem riscos”. Dê dicas, acompanhe de longe e faça apenas o que ele não conseguir. Com isso, você o estará preparando para assumir outro papel na sua própria rotina.

As escolhas: Aos poucos, vá dando a ele a oportunidade de fazer pequenas escolhas. Se até certo dia, você separava toda a roupa para ele vestir após o banho, chegará a hora de passar para ele a decisão de que camiseta vestir e qual sapato calçar. Esteja preparado porém, para aceitar as escolhas equivocadas. Ele pode escolher usar uma camiseta de manga comprida em pleno dia de verão. Mas, isso faz parte desse aprendizado. Isso dá mais trabalho, mas é fundamental para seu desenvolvimento e para a criança ir se percebendo com sujeito do mundo e consiga incorporar essa nova tarefa à sua rotina com mais naturalidade. Essas pequenas escolhas darão embasamento para que seu filho passe a fazer escolhas maiores na sua rotina: desenhar ou descer para brincar no parquinho.

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O precursor do espelho é o rosto da mãe – Conceitos de Donald Winnicott

O precursor do espelho é o rosto da mãe

Conceitos de Donald Winnicott

Márcio Ferrari

Fonte: www.educarparacrescer.abril.com.br

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“Os educadores devem fornecer holding (seria o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria) no ambiente escolar”, segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo “inclusão”, se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso – geralmente boazinha e obediente – a se tornar mais espontânea. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira – fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. Brincar pressupõe segurança e criatividade, diz Bogomoletz. Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas.”

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“O precursor do espelho é o rosto da mãe.”

“O buscar só pode vir a partir do funcionamento amorfo e desconexo, ou talvez do brincar rudimentar, como se em uma zona neutra. É apenas aqui, nesse estado não integrado da personalidade, que o criativo, tal como o descrevemos, pode emergir.”

O psicanalista Donald Winnicott trabalhava com crianças separadas de suas famílias em consequência da Segunda Guerra Mundial quando encontrou um interessante campo de estudo que lhe permitiu perceber etapas fundamentais do desenvolvimento da pessoa. Donald Winnicott constatou, por exemplo, a importância do brincar e dos primeiros anos de vida na construção da identidade pessoal. As conclusões a que ele chegou são preciosas para o trabalho dos educadores.

Boa parte dos conceitos de Winnicott se refere ao “desenvolvimento emocional primitivo”, cujos efeitos, segundo ele, são de importância crucial para o indivíduo por se estenderem para além da infância. Muitos problemas da fase adulta estariam vinculados a disfunções ocorridas entre a criança e o “ambiente”, representado geralmente pela mãe.

Os conceitos de verdadeiro e falso self (em inglês, palavra que se refere à própria pessoa) são um bom exemplo. “O self se forma com base nas experiências que o bebê acumula”, diz o psicanalista Davy Bogomoletz, de São Paulo. “É aquilo que, embora indefinível, faz o indivíduo sentir que ele é único.” A relação com a mãe leva o bebê a administrar a própria espontaneidade e as expectativas externas. “Se a mãe aceitar as manifestações do bebê – como a fome, o desconforto, o prazer e a vontade -, em vez de impor o que acredita ser o certo, o bebê vai acumulando experiências nas quais ele é sempre o sujeito, e o self que se forma pode então ser considerado verdadeiro”, explica Bogomoletz. Porém o self construído em torno da vontade alheia é o que Winnicott chama de falso e que priva o indivíduo de liberdade e de criatividade.

Aconchego e proteção

Uma das frases famosas de Winnicott é “não existe essa coisa chamada bebê”, querendo dizer que não há criança sem uma mãe (que não precisa ser necessariamente a que deu à luz). Vem daí a idéia da “mãe suficientemente boa”, aquela cuja percepção – consciente ou inconsciente – das necessidades do bebê a leva a responder adequadamente aos diferentes estágios do desenvolvimento dele. Isso faz com que se crie um ambiente – nomeado por Winnicott de holding (cuja melhor tradução para o português, segundo Bogomoletz, seria “colo”) – propício a um processo de formação de um ser humano independente. “O holding é o somatório de aconchego, percepção, proteção e alegria fornecidos pela mãe”, diz ele. Começa como algo vital, como o oxigênio e a alimentação, e se dilui conforme o bebê cresce.

“Os educadores devem fornecer holding no ambiente escolar”, segundo Bogomoletz. Isso significa tratar cada aluno como ele precisa. O termo “inclusão”, se levado a sério, indica uma atitude de holding. O acolhimento adequado pode, portanto, ajudar uma criança regida por um self falso – geralmente boazinha e obediente – a se tornar mais espontânea. “No entanto, é preciso que a escola aceite as temporadas de ‘mau comportamento’. “Trata-se de adotar sempre uma postura tolerante e criar condições para que a criança desfrute de liberdade. Nada mais importante, nesse sentido, do que o papel da brincadeira – fundamental para Winnicott, não apenas na infância, por misturar e conciliar o manejo do mundo objetivo e a imaginação. “Brincar pressupõe segurança e criatividade”, diz Bogomoletz. “Crianças com problemas emocionais graves não brincam, pois não conseguem ser criativas.”

O cobertorzinho

O movimento da psique entre o mundo das coisas e as fabricações da mente é uma atividade “transicional”, adjetivo fundamental na obra de Winnicott. O conceito mais conhecido é o de “objeto transicional”, representado classicamente pelo cobertorzinho a que muitos pequenos se agarram numa determinada fase. “Esse objeto é ao mesmo tempo uma coisa objetiva – existe num mundo compartilhado – e subjetiva – para seu dono, ele faz parte de uma fantasia, possui vida própria”, explica Bogomoletz.

Dessa forma, o objeto transicional prolonga o período em que o bebê se acredita onipotente, enquanto ele substitui essa crença com a aceitação de uma realidade sobre a qual não tem controle nem pode modificar por meio da imaginação. O bebê se vê com poderes mágicos e, com o tempo, percebe a ilusão. Mas, com as brincadeiras e o aprendizado do mundo, a criança, o adolescente e o adulto retêm o poder de criar e adaptam-se às possibilidades reais. “A fantasia é realmente a marca do humano”, diz Bogomoletz. “Já a objetividade é uma habilidade que se aprende, como uma segunda língua.”

“A escola tem a obrigação de ajudar a criança a completar essa transição do modo mais agradável possível, respeitando o direito de devanear, imaginar, brincar”, prossegue o psicanalista. O respeito que os pequenos terão pela objetividade será incorporado por eles, jamais imposto de fora para dentro. Quando livres para criar, eles, segundo Winnicott, vêem no estudo um modo de exercitar o poder de invenção. Se, no entanto, o ambiente escolar não for aberto à brincadeira, “os recreios serão tanto mais selvagens quanto as aulas forem mais opressoras ou supostamente sérias”.

Formação nos campos de guerra

Donald Woods Winnicott nasceu em 1896 numa família rica de comerciantes em Plymouth, na Inglaterra. Ao entrar na faculdade de Medicina, foi convocado para servir como enfermeiro na Primeira Guerra Mundial, na qual fez as primeiras observações sobre o comportamento humano em situações traumáticas. Especializou-se em pediatria, trabalhando 40 anos no Hospital Infantil Paddington. Paralelamente, preparou-se para ser psicanalista. Trabalhou como consultor psiquiátrico do governo, tratando de crianças afastadas dos pais na Segunda Guerra Mundial. Em 1949, separou-se da primeira mulher, a artista plástica Alice Taylor. Dois anos depois, casou-se com Clare Britton, psicanalista e organizadora dos trabalhos do marido. Foi presidente da Sociedade Britânica de Psicanálise e morreu em Londres, em 1971.

Análise da própria infância e marcas da psicanálise

O interesse de Winnicott pelo estudo da construção da identidade veio da percepção da influência sufocante da mãe depressiva em sua personalidade. Ainda criança, Winnicott enveredou pelos caminhos da observação científica ao ler os estudos do naturalista Charles Darwin (1809-1892). Já pediatra, conheceu a obra de Sigmund Freud (1856-1939), fez terapia e freqüentou o grupo de Bloomsbury – integrado, entre outros, pela escritora Virginia Woolf (1882-1941) -, em que a psicanálise era tema recorrente. Seu trabalho chega ao Brasil com a criação de várias instituições winnicottianas.

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Titular: Leonardo André Fonseca Maia

 
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