SOBRE O CASO DO DR. DRAUZIO VARELLA


SOBRE O CASO DO DR. DRAUZIO VARELLA

Leonardo Maia


Os atos podem ser imperdoáveis, mas os seres humanos não.


Pela minha percepção, o que gerou essa comoção toda foi um movimento de empatia, mesmo que no escuro – sem saber o porque de sua prisão.

Dr. Dráuzio abraçou a detenta por compaixão, porque ficou comovido com sua solidão. Não prestou homenagem, não exaltou seus atos, nem mesmo solicitou perdão de seus crimes, nada disso, apenas se compadeceu com sua solidão.

Ela está pagando por seus crimes e ninguém concorda com as atitudes que a levaram a prisão, isso é unânime.

Porém, num país onde é propagado, por uma camada gigante da população, que bandido bom é bandido morto, eu acho que ter empatia e compaixão por essas pessoas é positivo. Porque estar acima do julgamento aproxima da capacidade humana de perdoar e acreditar que as pessoas podem se transformar e evoluir. Ela está pagando pelo crime, o que é justo.

É preciso lembrar que os atos podem ser imperdoáveis, mas o ser humano não. Todos nós cometemos erros, alguns podem ter sido tão terríveis, que muitos tivemos que “apagar” da memória no processo de reencarnação para continuar nossa jornada evolutiva aqui no planeta.

E outro ponto essencial: o perdão é destino de todo ser humano, faz parte do caminho para elevação para a Décima Hierarquia. Devemos nos libertar dos laços do carma.

“Se não perdoardes, tampouco vosso Pai que está nos céus vos perdoará os vossos pecados. – Jesus Cristo (Mc 11, 25-26)

Porém faz-se necessário refletir, por quê um ato de compaixão e empatia de um médico que não é político, não quer se eleger a nenhum cargo público, gerou tanta revolta – por conta do crime cometido pela trans Suzy, inclusive por parte do próprio Presidente Jair Messias Bolsonaro e o Ministro da Educação Abraham Weintraub, e não existe revolta no caso de homenagens a torturadores e assassinos condenados, como Carlos Alberto Brilhante Ustra e Adriano da Nóbrega, por pessoas em cargos públicos e na vida política?

“O que é mais difícil transformar, mudar profundamente em mim? Que nossa vontade se fortaleça por amor Àquele que transformou tudo por nós com seu amor maior, por seu amor solar! Nosso sacrifício é um “sacro-ofício”, uma ação sagrada por nós e por toda a humanidade!”

O PERDÃO E OS NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA

Todos nós, em nossa longa jornada de autodesenvolvimento, cometemos erros, pecados, atrocidades e injustiças de inúmeras naturezas… mas a própria vida, no decorrer do caminho, nos levará ao encontro do arrependimento, com a lei eficaz de carma, ampliando nossa consciência para nos tornar melhores seres humanos.

Qualquer um que tenha uma busca consistente de autodesenvolvimento, ao olhar para si mesmo dentro do próprio caminho, poderá perceber com clareza este processo individual rumo à maturidade espiritual…

Aos que estão com a consciência mais elevada, perdoar a si mesmo é o grande desafio, pois estas pessoas acabam carregando a culpa de seus erros com um peso muito grande, pois sua visão parte da sua ação para o todo, e não do todo para mim, como nas pessoas ainda imaturas espiritualmente, que se identificam mais como vítimas, onde sua visão tende a culminar em si próprio. Para estas pessoas, seu desafio acaba sendo perdoar o outro, pois têm uma grande tendência à autocompassividade para com suas falhas e um julgamento voraz perante a falha alheia.

Lembre-se: todos erramos…

Muitas vezes, as pessoas têm dificuldade de perdoar quem não segue sua filosofia, ideologia ou doutrina, mesmo que ela dite algo contrário, como a necessidade de perdoar o próximo… por estarem muito identificadas com uma consciência coletiva, não discernem muito bem o correto do errado, muitos agem instintivamente e conectados ao corpo de desejos, sua concepção de moralidade está vinculada às regras doutrinárias, legislações ou senso comum do grupo com o qual se identifica e etc… Se o grupo ou doutrina diz que é certo, é certo. Se diz que é errado, é errado.

Podemos perceber em que etapa de maturidade está a humanidade olhando para a consciência das pessoas como um todo:

Alguns na animalidade, estado mais primitivo da alma, mais identificados com os desejos e instintos, com consciências coletivas.

Existe um grupo mais humanizado, mas ainda muito identificado com o ego. Sua percepção tendem a partir do todo para o Eu, tende a culminar em si próprio.

Existe ainda os mais espiritualizados, mais conectados com o Espírito, que têm ciência que os impactos que a vida têm são reflexos de suas próprias ações e tendem a ponderar sua ação perante o todo.

O perdão deve surgir da conscientização da capacidade do ser humano de corrigir suas deficiências e se tornar uma pessoa melhor, de se arrepender de seus erros, ponderando o impacto de suas ações sobre si e sobre os outros. Não significa esquecer, mas transcender. Honrar o caminho de aprendizado que cada ser humano possui, inclusive nós mesmos, para aqueles que têm dificuldade de perdoar a si próprios de seus erros. Lembre-se, os atos podem ser imperdoáveis, mas o ser humano não.

Não conseguir perdoar é uma carga que nós acabamos carregando, da mágoa, do ódio, da culpa ou seja qual for o sentimento que os atos em si tenham causado em nós, sejam dos outros em relação a mim (perdoar o próximo) ou meus em relações aos outros (perdoar a si mesmo).

Leonardo Maia

Nota: Eu compreendo que muitos não consigam entender o aspecto da impessoalidade vinculado ao ato compassivo do Dr. Drauzio em relação ao carma pontual. Inclusive em relação ao sentimento tb de compassividade que brotou na alma de muito gente ao conceber tal ato.

Ao colocar-se na posição da mãe da criança, você muda para o âmbito da pessoalidade, onde o processo cármico se torna agente de transformação pessoal (em relação à todo o sistema/indivíduos pontuais do contexto). O Eu Superior (ou Deus) onisciente, onipotente e justo, coloca todos nos seus âmbitos pontuais de aprendizagem neste processo.

Todos condenamos os atos de Suzy e ela está pagando justamente por eles. Ninguém a defendeu ou pediu sua liberdade pelo crime. O ponto foi a atitude empática do Dr. Drauzio, que sem consciência de nada sentiu compaixão pela solidão do ser humano em questão. E esse sentimento que reverberou no coração de muitos. Esse é o ponto principal do texto.

Esse sentimento que está sendo condenado pelas por muitos. O caminho do carma é muito complexo, porém justo. Se vc acredita em onisciência, onipotência e justiça divinas (ou espirituais e etc…) provavelmente, se refletir com honestidade, saberá que todo o processo deve ser um contexto de transformação individual para todos envolvidos.

Se você comete um crime similar atroz, e ao reencarnar e se vê diante de seu filho sendo tal vítima reencarnada, o que faria? Por isso as relações de carma muitas vezes são inconscientes, por isso esquecemos as ações e processos da vida passada, porém elas estão lá e o carma será pontual. Neste caso em específico, este âmbito pessoal se situa nas relações mãe-filho-Suzi entre outros mais próximos, porém o ato do Dr. Drauzio é impessoal. É deste ato, pontualmente em relação ao que tocou seu coração naquele momento, que se trata a questão.

Infelizmente, temos juízes que estão acima da Lei do Carma e do Perdão e continuarão a condenar perpetuamente… inclusive os sentimentos impessoais de amor, compaixão e empatia pelo íntimo do outro ser humano. “Amor ao próximo, somente se ele for perfeito, como eu.”. Se lembrássemos dos erros, crimes e injustiças que cometemos a cada reencarnação, a história era outra, principalmente pela questão egóica: autocompassividade para com as próprias falhas e um julgamento voraz perante a falha alheia.


Sinta se o conteúdo faz sentido para você ou não para compartilhar:


 AJUDE A MANTER A BIBLIOTECA NO AR:

6 opiniões sobre “SOBRE O CASO DO DR. DRAUZIO VARELLA”

  1. POruqe estão chamandoo cara de ela.. ELA???? é um homen, tem pinto, estrupou um menino e fez muitas coisas mais. Nnoa parece arrependido. tinha que estar no corredor da morte, sse aqui houvesse.. E o ?Dr. Dráuzio Varella ficou mal na fita.. #globolixo

  2. Vocês vão me desculpar, mais o Dr. Mídia Dráuzio Holofotes Varella, de tempo em tempo, precisa que os holofotes “iluminem”, os seus devaneios, já não chega o Carandiru, visivelmente manipulado pela GLOBOLIXO. Faz o seguinte doutor: comete algum delito socialmente reprovado e vai para a cadeia e, faça companhia ao “detentos coitadinhos e delinquentes sociais”, aí quem sabe, o senhor, também sossega o facho!!!

  3. Não entendi nada dessa explanação uma mistura de tudo e nada. Uma salada de frutas, com todas misturadas. Carma, cristão, caminho, onisciência, onipresença, etc.
    Quer falar sobre Deus vai estudar a Sua Palavra a verdade em todo seu contexto histórico.

  4. Está sendo feita justiça com ela? NUNCA será feita justiça pelo que ela fez. Nem a pena capital seria suficiente.
    Sr. Leonardo Maia, no alto de sua evolução espiritual, vc não tem o direito de contextualizar falando em perdão/evolução.
    Os únicos com legitimidade para tal são os pais da criança.
    Deixem de falar abobrinhas e voltem ao mundo real. Bando de charlatães!

  5. Texto perfeito e esclarecedor para quem está no caminho do despertar da consciência, mas muitos não vão entender realmente, pois, como o próprio texto diz, estão ainda em total identificação com os instintos primitivos e com a personalidade. É tudo bem, é perdoável. Só nos cabe perdoar a nós mesmos e a toda a humanidade, que somos também nós mesmos. 🙏🏻♥️

  6. “ODEIO O PECADO, MAS AMO O PECADOR”. Entendido como pagar a pena, cumprir a justiça pelo ato cometido, porém quem cometeu é também filho de Deus e merece amor.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *