Arquivo mensais:maio 2013

O PROFESSOR DO MEU FILHO É UM MARGINAL?

 

O PROFESSOR DO MEU FILHO É UM MARGINAL?

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Vc entra no mundo da escola Waldorf e encontra pessoas engajadas no processo de educação de nossas crianças:

Professores preocupados com o desenvolvimento integral de cada uma das crianças, ao invés de apenas passar os conteúdos para a criança decorar.

Professores que conhecem a criança pelo olhar, conhecem suas famílias e suas diferenças individuais e buscam descobrir suas capacidades e potenciais respeitando cada etapa de seu desenvolvimento.

Professores que cultivam valores como amizade, cooperação, perseverança, respeito, serviço, confiança e apreciação.

Professores que estimulam a fantasia e a imaginação, essenciais para o desenvolvimento da criatividade.

Professores que sorriem a cada sorriso de seus alunos, que choram a cada despedida e comememoram cada vitória deles.

Professores que buscam sempre o autodesenvolvimento para que possam atuar verdadeiramente em sua tarefa:

“Formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” – Rudolf Steiner

Mas nem tudo são flores, os que se propoem a trilhar o caminho de Professor têm muitos desafios.
Além do domínio do currículo, o professor Waldorf precisam estudar profundamente o desenvolvimento infantil, conhecer os processos que acontecem durante cada etapa.
Conhecer a biografia de cada criança e acompanhar os processos de âmbito familiar, para ajudar a criança a passar com firmeza e crescer em cada um deles.
Para esta elevada tarefa é necessário um trabalho intenso de autodesenvolvimento, pois para se ter a Presença de Espírito para atuar da melhor forma em cada situação que se manifeste, é necessário separar-se de problemas pessoais, estar acima de julgamentos, de processos de antipatia e simpatia com familiares, colegas de trabalho ou mesmo as próprias crianças: buscar sempre atuar para o desenvolvimento da consciência humana com a máxima integridade.
Mas somos seres humanos, temos nossas dificuldades…
Muitas vezes erramos. E o professor Waldorf também erra.
Quando isto acontece, muitas vezes não é aceito, principalmente se erra comigo ou com nossos filhos.
Isto é uma carga enorme, pois a tarefa do professor é muito profunda e delicada.
Mas como ajudar o professor Waldorf a cumprir sua missão? Sim, é uma missão, não apenas um emprego.
Se fosse um emprego, o professor se preocuparia apenas em passar os conteúdos e aprovar quem passar na “prova”, para receber seu salário no final do mês.
Hoje, os professores Waldorf não são reconhecidos como professores. Para isso, precisam da Faculdade de Pedagogia.
Apesar de suas qualidades e empenho em suas tarefas, não são ninguém (a não ser que possuam a Faculdade Tradicional de Pedagogia).
Se atuam em sua escola e possuem apenas o “Curso Brasil de Pedagogia Waldorf”, são marginais dando aulas para nossas crianças, pois são foras de Lei.
A Legislação não vê o que está acontecendo na sala de aula, quem é o professor, apenas seu diploma.
Devida a uma percepção mais profunda do desenvolvimento humano, muitos jovens estão ingressando no Curso Brasil de Pedagogia Waldorf, mas devem correr atrás de seus diplomas de Pedagogia Tradicional para terem o mérito de serem considerados professores.
Mas como foi brevemente descrito acima, atuar como professor Waldorf requer uma força imensa, muita dedicação e integridade de atuação.
O salário de um professor Waldorf não é melhor que o de outro professor, às vezes é até inferior.
Como pagar suas contas, aluguel, comida e etc?  Como ter suas necessidades básicas supridas para ter uma tranquilidade para se desenvolver como ser humano e professor?
Muitos professores têm 2 ou 3 empregos para se manter. Não conseguem comprar materiais para desenvolver seus estudos – sim, o professor Waldorf precisa estudar constantemente para desenvolver sua capacidade de lecionar e atuar com seus alunos.
E o pior de tudo, são marginais.
Que força impulsiona estes seres humanos a isto?
Reclamamos muito da Educação e a sociedade é incapaz de perceber este tipo de situação.
Talvez exigir o curso tradicional de Pedagogia, para ingressar no Curso Brasil de Pedagogia Waldorf?
Discordo plenamente. O que é passado vai contra muitos conteúdos e aspectos desenvolvidos na Pedagogia Waldorf, além de obrigar o professor a dedicar-se a uma formação superflua para conseguir ser professor – pois sem o “diploma” não terá esse venerado reconhecimento de professor que, aliás, é um dos principais problemas atuais, ninguém quer ser professor devido as péssimas condições de trabalho, cargas horários muito puxadas, nenhum reconhecimento e salários baixos.
Obrigar o professor Waldorf a fazer a Faculdade Tradicional de Pedagogia, seria como obrigar quem quer se tornar cantor lírico, a cantar funk ou rap durante 4 anos para ingressar no Conservatório ou vice-versa (sem julgamento ou crítica em cima dos estilos musicais, apenas referência de caminho de estudo).
Quem quer se tornar um lutador de luta livre a fazer balé durante 4 anos como pré requisito, ou vice-versa.
E a escola?
Se contrata professores sem diploma, está agindo contra as Secretarias de Educação – estão agindo fora da lei.
Correm o risco de ser fechadas se não cumprirem as exigências.
O que fazer?

Sete condições para a evolução pessoal e da humanidade

 

Sete condições para a evolução pessoal e da humanidade

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CONDIÇÕES PARA O TREINAMENTO NOS MISTÉRIOS
Rudolf Steiner

A primeira condição é: colocar para si o alvo de cultivar e desenvolver a saúde física e mental-espiritual3. É claro que o estado de saúde de uma pessoa não depende inicialmente dela mesma, porém cada um tem a capacidade de tentar se desenvolver nessa direção. Somente de uma pessoa saudável pode sair conhecimento saudável. O treinamento nos mistérios não rejeita uma pessoa que não esteja sã, mas precisa requerer do aprendiz a vontade de levar a vida são. (E quanto a isso a pessoa deve conquistar a maior autonomia possível. Bons conselhos de outros, dados geralmente sem ser pedidos, via-de-regra não adiantam nada. Cada um deve fazer força para cuidar de si por si mesmo). No campo físico isso significará, mais que qualquer outra coisa, manter afastadas coisas que fazem mal. Para cumprir nossas obrigações, muitas vezes temos que nos submeter a coisas que não são favoráveis à nossa saúde. O ser humano precisa entender os casos que justificam colocar a obrigação acima do cuidado com a saúde. Mas quanta coisa não pode ser deixada de lado com um pouco de boa vontade! Em muitos casos o dever precisa falar mais alto que a saúde, e até mais alto que a vida; já o desfrute nunca pode isso, para o aprendiz dos mistérios. Para ele o desfrute ou prazer só pode ser um meio para saúde e vida. E nesse sentido é inteiramente necessário colocar-se contra si mesmo (ou seja, ser autocrítico) com toda verdade e sinceridade. Não adianta nada levar uma vida ascética se isso brota de motivos semelhantes aos de outros prazeres. Uma pessoa pode se agradar tanto com o ascetismo quanto outra com o vinho. Esse não pode esperar que tal ascetismo lhe adiante alguma coisa na direção do conhecimento superior.

Muitos empurram para sua situação de vida a responsabilidade de tudo o que parece dificultar seu desenvolvimento nessa direção. Dizem assim: “Nas condições em que eu vivo eu não tenho como me desenvolver.” Com relação a outras coisas, para muitos pode ser desejável alterar sua situação de vida; pelo objetivo do treinamento nos mistérios nenhuma pessoa precisa fazer isso. Para esses fins a pessoa só precisa fazer por sua saúde de corpo e de alma tanto quanto seja possível dentro da situação em que se encontra. Qualquer trabalho pode ser útil à humanidade inteira. Da parte da alma humana, esclarecer a si mesma o quanto um trabalho miúdo, e quem sabe desagradável, é necessário para o todo, é uma atitude muito maior do que acreditar “este trabalho é ruim demais para mim, eu tenho competência para outra coisa.”

De especial importância para o aprendiz dos mistérios é o esforço pela plena saúde mental-espiritual. Vida emocional e mental não-saudável termina em todos os casos por desviar dos caminhos para os conhecimentos superiores. Pensar calmo e claro, sentimentos e sensações seguros e nítidos constituem o alicerce. Nada deve ficar tão longe do aprendiz dos mistérios quanto a inclinação a coisas fantásticas, à excitação, ao nervosismo, à exaltação, ao fanatismo. Deve adquirir uma visão sã de todas as situações da vida; deve conseguir orientar-se na vida com segurança; é em calma que deve deixar que as coisas lhe falem e que tenham seus efeitos sobre ele. Em todo lugar onde é requerido, deve se dar o trabalho de agir com a vida de forma correta e justa. Tudo o que é torcido, forçado ou unilateral deve ser evitado em seus julgamentos e sensações.

Sem cumprir esta condição, em lugar de chegar em mundos superiores o aprendiz dos mistérios chegaria apenas aos mundos de sua própria imaginação; opiniões por mero gosto se fariam valer no lugar da verdade. Para o aprendiz dos mistérios é melhor parecer sóbrio ou sem graça do que ser exaltado e fantástico.

A segunda condição é sentir-se como um membro da totalidade da vida. No cumprimento desta condição estão implícitas muitas coisas _ mas cada um só a pode cumprir do seu próprio modo. Se eu sou educador e meu educando não corresponde ao que eu desejo, então eu não devo imediatamente dirigir meu sentimento contra o educando, mas contra mim mesmo. Devo me sentir uno com meu aluno em tal medida que eu me pergunte: “Essa insuficiência no meu aluno não será conseqüência de atos meus?” Então, em lugar de dirigir meu sentimento contra ele, eu passarei a refletir muito mais sobre como eu mesmo devo me comportar para que no futuro esse aluno possa corresponder melhor às minhas solicitações. A partir desse tipo de mentalidade todo o modo de pensar da pessoa vai mudando gradualmente. Isso vale desde as menores coisas até as maiores. Com essa mentalidade eu, por exemplo, vejo um criminoso de modo diferente do quem sem ela. Eu me contenho com o meu julgamento e digo a mim mesmo: “Eu sou apenas uma pessoa como essa. Talvez somente a educação que me foi concedida mediante uma situação de vida diferente tenha me protegido de um destino igual ao seu.” Também posso chegar ao pensamento de que esse irmão humano teria sido outro se os professores que empregaram seus esforços em mim os tivessem dedicado a ele. Eu irei considerar que eu pude ter parte em uma coisa da qual ele foi privado, e de que eu devo o meu bem justamente à circunstância de que esse bem foi negado a ele. E então também não estará longe de mim a concepção de que sou apenas um membro da humanidade inteira e co-responsável por tudo o que acontece. Nesse ponto não se deve dizer que um tal pensamento deva se converter de imediato em atos externos de agitação social; ele deve ser cultivado silenciosamente na alma, e aí então irá bem gradualmente colocando sua marca no proceder externo da pessoa. Nessas coisas cada um só pode começar por reformar a si mesmo. Não dá fruto nenhum fazer exigências gerais à humanidade no sentido dessas idéias. Como as pessoas deviam ser: é fácil fazer julgamentos quanto a isso; mas o aprendiz dos mistérios trabalha no profundo, não na superfície. Seria portanto totalmente errado ligar a exigência do instrutor oculto, aqui expressa, com qualquer reivindicação no mundo exterior, quem sabe mesmo exigências políticas, com as quais o treinamento nos mistérios não pode ter nada a ver. Via-de-regra agitadores políticos “sabem” o que deve “ser exigido” de outras pessoas; de exigências a si mesmos não é muito que eles falam.

E a terceira condição para o treinamento nos mistérios está diretamente ligada a isso. O aprendiz tem que ser capaz de lutar para içar-se até a visão de que seus pensamentos e sentimentos têm tanta significação para o mundo quanto suas ações. É preciso que eu reconheça que odiar meu colega de humanidade7 é tão destrutivo quanto bater nele. Com isso chego também ao reconhecimento de que ao me aperfeiçoar eu não estou fazendo algo somente por mim mesmo, mas também pelo mundo. O mundo se beneficia tanto de meus sentimentos e pensamentos depurados quanto se beneficia do meu bom procedimento. Enquanto eu não puder acreditar nessa significação mundial do meu interior eu não servirei para aprendiz dos mistérios. Só terei realizado a crença correta na significação do meu interior, da minha alma, se eu trabalhar com as coisas da alma como sendo elas pelo menos tão reais e atuantes quanto todas as coisas externas. Tenho que admitir que meu sentimento tem efeito do mesmo modo como um ato executado pela minha mão.

Com isso já foi na verdade enunciada a quarta condição: adotar a visão de que a verdadeira entidade e essência do ser humano não se encontra nas coisas exteriores, e sim no interior. Para quem se considera apenas um produto do mundo exterior, apenas um resultado saído do mundo físico, o treinamento nos mistérios só pode dar em nada. Sentir-se como ser anímico-espiritual é um dos fundamentos para tal treinamento. Quem progride até esse sentimento está preparado então para fazer distinção entre compromisso interior e o sucesso exterior; aprende a reconhecer que um não pode ser medido diretamente pelo outro. O aprendiz dos mistérios tem que encontrar o verdadeiro caminho-do-meio entre o que as condições exteriores mandam fazer e aquilo que ele reconhece como certo para o seu procedimento. Ele não deve impingir a seu meio coisas que esse meio não tem como entender, mas deve também ser totalmente livre do vício de só fazer aquilo que pode ganhar o reconhecimento do meio. Tem que buscar o reconhecimento de suas verdades única e exclusivamente na voz de sua alma sincera e honesta, em luta pelo conhecimento. Deve, porém, aprender de seu meio tanto quanto puder, a fim de descobrir o que é adequado e útil a esse meio. Assim ele irá desenvolver em si mesmo aquilo que na Ciência dos Mistérios é chamado de “balança espiritual”: em um dos pratos da balança se encontra um “coração aberto” para as necessidades do mundo exterior; no outro, “solidez interior e persistência inabalável.”

E com isso já se apontou para a quinta condição: a firmeza no cumprimento de decisões, uma vez tenham sido tomadas. Nada deve ter o poder de levar o aprendiz dos mistérios a desistir de uma decisão tomada, a não ser a percepção de haver se envolvido em erro. Toda decisão é uma força, e mesmo quando essa força não tem um resultado direto ou imediato no ponto a que foi dirigida inicialmente, ainda assim ela atua a seu modo. O resultado só tem papel decisivo quando se executa uma ação por ambição _ porémas ações executadas por ambição são todas sem valor diante do mundo superior. Neste nível somente o amor é decisivo para uma ação. Tudo o que impulsiona o aprendiz a uma ação deve ter sua realização integralmente dentro desse amor. Assim ele também não afrouxará diante de converter uma decisão em ação de novo e de novo, tantas vezes quantas possa ter tido insucesso. E assim ele chega a não mais ficar esperando os efeitos exteriores dos seus atos, mas a ter sua satisfação nas próprias ações. Ele aprenderá a ofertar seus atos e, mais, seu ser inteiro ao mundo, sem se importar se o mundo vai querer aceitar sua doação. Aquele que quiser se tornar aprendiz dos mistérios tem que se declarar pronto a um tal serviço sacrificial.

Uma sexta condição é desenvolver um sentimento de gratidão diante de tudo que vem ao nosso encontro. É preciso saber que ter existência própria é um presente dado pelo Universo inteiro. Quanta coisa é necessária para que cada um de nós receba e possa levar sua existência! O quanto devemos à natureza e a outras pessoas! Os que querem treinamento nos mistérios precisam estar inclinados a pensamentos desse tipo. Quem não consegue se entregar a eles não tem o poder de desenvolver em si aquele amor total9 que é necessário para chegar à forma superior de conhecimento. Aquilo que eu não amo não tem como se revelar a mim. E cada revelação deve me encher de gratidão, pois com ela eu me torno mais rico.

Todas as condições citadas precisam se unir em uma sétima: encarar a vida ininterruptamente no sentido exigido por estas condições. Com isso o aprendiz conquista a possibilidade de dar um caráter unitário a sua vida. As diferentes manifestações de sua vida estarão em consonância umas com as outras, não em contradição. Ele estará preparado para a serenidade a que tem que chegar durante os primeiros passos no treinamento nos mistérios.

Em qual ambiente vc deseja que seu filho se desenvolva?

 

Em qual ambiente vc deseja que seu filho se desenvolva?

(  ) Em um ambiente tecnológico e dinâmico, onde vai aprender a ler com 5 anos para poder competir no moderno e concorrido mercado de trabalho, onde possam decorar regras gramaticais e fórmulas matemáticas para estimular ao máximo sua capacidade intelectual e se tornarem futuros líderes

(  ) Em um ambiente tranquilo e em contato com a natureza, longe das pressões modernas onde podem desenvolver seus valores e suas capacidades estimulando sua criatividade,
imaginação e auto-estima em harmonia com o desenvolvimento intelectual para se tornarem mais humanos

Veja por si mesmo e tente perceber a diferença da Pedagogia Waldorf no vídeo abaixo.

Lembre-se de compartilhar com seus amigos e curtir, pois assim você está ajudando a nossa Educação e principalmente, as nossas crianças!!!

Vídeo do Jardim de Infância Acalanto em Holambra/SP – produzido por Alexandre Macedo

 1° Setênio – “O mundo é bom!”:

- De 0 a 07 anos (maturidade escolar);
- A criança está aberta ao mundo;
- Tem confiança ilimitada;
- Recebe impressões sensoriais;
- Não elabora julgamento ou análise;
- Está na fase do desenvolvimento motor;
- As percepções inadequadas são armazenadas no inconsciente (não compreende o pensamento dos adultos);
- Aprendizado por imitação;
- O educador Waldorf deve ser digno de ser imitado, pois nessa imitação inconsciente estará fundamentando sua moralidade futura.
- Característica: O bom.

O ambiente da sala de jardim de infância é muito importante e deve ser aconchegante. A sala se compõe de pequenos ambientes, como o “quarto das bonecas” ou a “cozinha”. Há mesas grandes para que as crianças tenham uma vivência do social nas refeições e algumas outras atividades, como a culinária ou aquarela. Há cavaletes e panos para a construção de cabanas, circo… Os brinquedos são de madeira e as bonecas são de pano. Há ainda sementes, conchas, pedras, toquinhos de madeira, lã de carneiro, capas, saias, panos, giz de cera e cera de abelha para que a criança possa criar e usar a fantasia que lhe é inerente.

A área externa é muito arborizada com árvores frutíferas inclusive e flores. Há caixas de areia, água, balanços, escorregadores, gangorras e pontes. Há muito espaço onde a criança poderá desenvolver a motricidade.
Na idade pré-escolar, a criança desenvolve-se em grande parte através do brincar. O brincar é tão importante e sério como o trabalho para o adulto. Ao brincar, a criança vai adquirindo experiências e vivências com as quais vai aprendendo a se situar em seu meio ambiente. É no brincar que a criança conhece o mundo e a si mesma e desenvolve capacidades de relacionamento social e coordenação motora.

A criança pequena é inteiramente força de vontade, ela só quer brincar e se movimentar. A forma de brincar da criança é influenciada pela fantasia, que vem de dentro e pela imitação – ela imita o trabalho e os gestos dos adultos. E aqui os educadores têm que estar atentos aos seus gestos e posturas diante da criança. O ritmo é muito saudável para a criança, pois dá segurança. Busca-se cultivar, diariamente, os bons hábitos de higiene, alimentação, respeito, veneração e socialização.

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Há atividades semanais, como o dia de fazer o pão, o dia da aquarela, da jardinagem, do kântele e da euritmia. Nas atividades diárias há o momento do brincar e das atividades dentro da sala, o momento do ritmo, onde são vivenciadas as festas e estações do ano, o brincar no pátio e o conto de fadas.
As festas do ano ajudam a criança a entrar no ritmo do ano. Através de músicas, danças, teatros, histórias e alimentos, as tradições são lembradas e a criança vivencia o sentido cósmico das festas: Páscoa, Pentecostes, Lanterna, São João, Micael, São Nicolau e Natal.
A música é vivenciada através de canções e do kântele. Criam-se momentos para o ouvir, o silenciar e o cantar. A música ajuda a harmonizar e equilibrar o processo respiratório físico, anímico e social. O Kântele, com sua sonoridade e escala especial é como uma gota de vida no deserto sonoro (falta de adequação dos sons, que deixam a criança agitada) que cerca a criança. A escala é pentatônica, que cria uma atmosfera flutuante, de sonho, que não adentra a corporalidade física. Esse ambiente sonoro alimenta a alma da criança pequena, de tal forma que é capaz até de harmonizar seus processos físicos.
O conto de fadas refere-se às grandes verdades espirituais da evolução humana, como vida e morte, bem e mal…

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Os irmãos Grimm

 

Irmãos Grimm – Biografia resumida

cinderelaOs contos coletados e editados pelos Irmãos Grimm continuam vivos e atuais, mantendo como nunca seu poder de encantar crianças e adultos, mesmo tendo se passado 200 anos desde a sua primeira aparição em livro. A obra dos irmãos foi decisiva para moldar nossa concepção de Literatura Infantil e impulsionar os estudos e a coleta de folclore, tendo contribuído para diversas áreas, dentre as quais a filologia, a antropologia e a literatura comparada.

Cinderela, Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho e tantos outros personagens de contos de fadas nos acompanham desde as nossas primeiras impressões de infância. São parte integrante de nossa cultura e formação como leitores, fundamentais para estimular a nossa capacidade de imaginação. Os personagens dos contos dos Grimm povoam filmes, desenhos animados, brinquedos e uma infinidade de outros produtos e artefatos, de modo que podemos duvidar que hoje possa haver alguém que nunca tenha ouvido falar no sapo que virou príncipe ou na casinha de doces onde mora uma bruxa malvada.

Por volta do Natal de 1812, saiu o primeiro volume de seus Contos de Fadas para o Lar e as Crianças (em alemão: Kinder-und Hausmärchen), seguindo-se o segundo volume em 1815. Em comemoração a essa data e ao feito dos Grimm, a Editora Cosac&Naify acaba de lançar Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos, que reúne os dois volumes dos textos originais traduzidos por Christine Röhrig e com ilustrações em cordel de J.Borges.

Os Irmãos Grimm

Jacob Grimm (1785-1863) e Wilhelm Grimm (1786-1859) nasceram na cidade de Hanau (no estado de Hessen, na região central da Alemanha), de uma família de pastores da Igreja Calvinista Reformada. Os pais, Philipp Wilhelm Grimm e Dorothea Grimm, tiveram nove filhos, dos quais apenas seis chegaram à idade adulta. A infância dos irmãos foi vivida na aldeia de Steinau, onde o pai atuava como funcionário de Justiça e Administração do Conde de Hessen.

A morte súbita do pai em 1796 lançou a família na miséria, e os dois filhos mais velhos, Jacob e Wilhelm, foram enviados em 1798 para morar com a tia, na cidade de Kassel, onde cursaram o Ensino Médio no Friedrichsgymnasium, como preparo para o estudo do Direito, que ambos iniciaram a seguir, junto à Universidade de Marburg.

Um de seus professores, Friedrich Carlvon Savigny, percebeu a disposição dos irmãos para a pesquisa de antigos manuscritos e documentos históricos e colocou à disposição sua biblioteca particular, familiarizando-os assim com as obras do Romantismo e com as cantigas de amor medievais. Nesse momento, foi decisivo para os irmãos o pensamento de Johann Gottfried Herder, que com sua antologia de Canções Populares (Volkslieder, 1878/1879) havia apontado para a importância cultural da poesia popular contemporânea e de tempos remotos.

Um evento de natureza política ainda concorreu para moldar a trajetória dos irmãos. Com o avanço do exército francês pelos territórios alemães adentro, em 1807 a cidade de Kassel passou a ser governada pelo irmão de Napoleão, Jérôme Bonaparte, que a designou capital do recém-instaurado Reino da Vestfália. Essa situação criou as condições para que os Grimm voltassem o olhar para a Idade Média de maneira muito distinta do fascínio manifestado até então pelo Romantismo. Ao contrário dos românticos, que tendiam a idealizar a Idade Média, os Grimm focalizaram o passado em busca de explicação para as condições vividas no presente pelas terras alemãs (que culturalmente se submetiam aos modelos vigentes na França e que viriam a se unificar política e economicamente como país, formando a Alemanha de hoje, apenas em 1871, muitos anos após a morte de ambos os irmãos).

O medievalismo dos Grimm tingiu-se, assim, da conotação de resistência à ocupação estrangeira e pautou-se pela tentativa de recuperação da identidade nacional por meio da busca de suas raízes culturais. Tais raízes estariam, justamente, no reservatório linguístico e no material folclórico de origem popular. Como resultado, os Grimm dedicaram suas vidas à criação de um dicionário filológico da língua alemã, à elaboração de livros sobre gramática e história da língua alemã, à reunião de mitos, lendas, baladas e, é claro, contos de fadas. Os contos foram sendo coletados, revisados e divulgados ao longo de décadas, desde 1812 até a edição definitiva, em 1857, última em vida dos irmãos.

A coleta de contos populares

Após os estudos universitários, os Grimm fixaram-se em Kassel e passaram a ganhar a vida como bibliotecários. Por intermédio de seu mentor, o professor Von Savigny, eles foram contatados pelos escritores Achim von Arnim e Clemens Brentano para que colaborassem na realização de A Cornucópia Mágica do Menino (3 vols., 1805-1808), antologia de canções populares com um anexo contendo cantigas infantis. A cooperação nesse projeto serviu-lhes de treino, e os irmãos ganharam experiência na coleta e publicação de textos antigos tanto de cunho literário quanto popular.

O contato com Brentano foi decisivo para chamar a atenção para o filão das narrativas populares registradas em livros antigos. Através de Brentano, os Grimm também tomaram conhecimento da obra Conto dos Contos, em que Giambattista Basile reuniu narrativas por ele colhidas da oralidade popular na Itália, antes da publicação dos contos de Perrault na França (1697).

Como bibliotecários, os Grimm tinham fácil acesso a textos e manuscritos raros, e dentro em pouco descobriram um volume de Johann Michael Moscherosch contendo o conto O Camundongo, o Passarinho e a Linguiça. Daí em diante os irmãos nunca abandonaram a prática de buscar narrativas em fontes impressas, passando inclusive a acolher textos publicados em sua época, como O Pescador e sua Mulher e O Pé de Zimbro, coligidos por Philipp Otto Runge e publicados em jornal em julho de 1808.

Logo, no entanto, eles passaram a buscar fontes orais e, para isso, recorreram a amigos e conhecidos. Dessa forma, além das 16 narrativas absorvidas de publicações e manuscritos, o primeiro volume de contos de fadas dos Grimm, publicado em 1812, contém contribuições de Dorothea Wild e suas quatro filhas (família do farmacêutico local; uma das filhas, também chamada Dorothea, casou-se em 1825 com Wilhelm Grimm), das irmãs Hassenpflug (descendentes de franceses huguenotes e amigas de Charlotte, a única irmã dos Grimm), de Johann Friedrich Krause (filho de sapateiro e vigia, que recebia de Wilhelm uma peça de roupa usada em troca de cada narrativa que ele lhe contava) e de Friederike Mannel (filha de pastor e professora de escola privada em Allendorf), entre outros.

A contribuição de maior envergadura, porém, veio de Katharina Dorothea Viehmann (1755-1815), apelidada de “Viehmännin”. Ela era a mulher de um alfaiate da aldeia de Niederzwehren e costumava dirigir-se a Kassel para vender frutas, indo constantemente à casa dos Grimm para abastecê-la de ovos e verduras. É dela que veio grande quantidade de contos, e muitas vezes suas versões acabaram substituindo outras que haviam sido coletadas anteriormente e até já publicadas. No total, ela forneceu 37 contos, os quais formaram o miolo do segundo volume, publicado em 1815. Ela foi a maior tributária dos Grimm, ficando conhecida como “a mulher dos contos de fadas” (Märchenfrau).

Ao contrário do que usualmente se assume, os Grimm não viajaram pelas áreas rurais da Alemanha à cata de contos, tampouco se sentaram ao pé de velhas camponesas para escutar suas narrações. Estudiosos e letrados, os Grimm procederam a um complexo trabalho de depuração dos textos, que não apenas os adequou ao público-alvo do espaço doméstico da classe média burguesa, como também lapidou seu caráter estético, potencializando assim seu efeito artístico.

As versões dos contos dos Grimm

O Romantismo alemão conferiu grande importância aos contos de fadas e ao elemento mágico em geral, ou maravilhoso, conforme atestam as obras de escritores como Ludwig Tieck (O Loiro Eckbert), Clemens Brentano (Contos de Fadas do Reno) ou Friedrich de la Motte Fouqué (Ondina). Na obra desses autores, o conto de fadas popular é tratado como uma matriz ou fonte de inspiração para a livre criação ou invenção de histórias.

Os Grimm, ao contrário, nunca alteraram enredos ou adicionaram novos personagens. Isso não significa que eles tenham tratado as narrativas recolhidas com total imparcialidade ou fidelidade científica.

Guiando-se por sua sensibilidade literária e também por um “ideal de conto”, os irmãos, em especial Wilhelm, pretendiam trazer a lume um material que mais se aproximasse da “narrativa primordial”, a partir da qual teriam sido geradas as várias versões que circulavam na oralidade. Quando começaram a se ocupar das narrativas de cunho antigo e popular, os Grimm logo perceberam as gritantes semelhanças entre certos contos distintos, a exemplo de A Gata Borralheira e Mil Peles, ou ainda entre contos e mitos, como A Bela Adormecida e o mito de Sigfried (ou Sigurd, na Saga dos Volsungos), herói que resgata uma valquíria de seu sono secular. Os Grimm consideravam que é possível depreender de tais similaridades uma origem compartilhada, ou a existência, num passado remoto, de uma narrativa primordial que teria se modificado ao longo das gerações de contadores, dando origem a um múltiplo de narrativas no presente.

Assim, quando um conto lhes chegava narrado por vários contadores, os Grimm selecionavam a versão mais próxima da forma primitiva ou original. Outras vezes mesclavam partes de uma versão com outras, a fim de alcançar o mesmo objetivo. Eles não tinham em vista a cristalização dos contos na forma exata em que os tinham ouvido, mas a conservação de um protótipo ideal, em que estaria espelhada a ascendência comum das múltiplas formas da narrativa popular oral: contos de fadas, mitos, fábulas, lendas, sagas… Os contos foram sendo revistos a cada nova edição, buscando-se destilar sua essência prototípica. Ao longo dos anos, contos recém-coletados iam sendo acrescidos à antologia, outros foram excluídos, o que, no final, levou a um gradual aumento no número de narrativas. Em 1857, a sétima e última edição preparada por Wilhelm Grimm continha 200 contos de fadas e dez legendas infantis.

Rejeitando alterações profundas e arbitrárias, os Grimm realizaram diversas mudanças: expandiram o tamanho de descrições, buscando torná-las mais vívidas e cativantes; substituíram o discurso indireto (fala do narrador) pelo direto (fala de personagens); reduziram as orações subordinadas, simplificando assim os períodos que antes estavam longos demais; subtraíram repetições inúteis e expressões desajeitadas; adaptaram a expressão em dialeto, passando-a para o alemão-padrão. Essa atuação sistemática sobre a forma dos contos resultou em uma antologia dotada de um estilo bastante uniforme e coerente que, hoje em dia, faz dos contos um verdadeiro modelo do que seria um “típico conto de fadas”.

A Biografia Humana – 9º Setênio e as Fases Finais

 

O 9º SETÊNIO – 56 a 63 ANOS

A  FASE  DA  ALMA  INTUITIVA  OU  FASE  MÍSTICA

 9 setenio

Esta fase que precede a aposentadoria, ou na qual ela se inicia, é uma fase bastante mística, muitas vezes com problemas de saúde e de difícil aceitação psíquica. É a pré-senilidade, as folhas do outono caíram, começa o “inverno”. É a fase onde reavaliamos nossos valores, olhamos para trás, como foi nossa vida, o que alcançamos e o que deixamos de alcançar. “O que vamos levar de tudo isso para além da morte?” “Quanto tempo perdi!” “Não há mais tempo…” são expressões comuns ou então “só espero me aposentar para…”.

Nessa época podemos ter o encontro da realidade espiritual verdadeira, daí a denominação de “fase mística”. A pessoa pode se tornar um verdadeiro “guru”. Não é à toa que os papas, mas também dirigentes de países ou regentes de orquestra tem idades avançadas, aproveitando o novo “órgão perceptivo” que só a fase da “sabedoria” se permite desenvolver.

Novamente encontramo-nos isolados, dentro de nós mesmos, e olhamos criticamente ao nosso redor, ou de nós emana a verdadeira luz que agora foi interiorizada. É a fase da abnegação (se no primeiro setênio conseguimos desenvolver a confiança básica). Porém, podemos ter nos tornado pessoas amarguradas e cheias de rancores.

Questões como estas se levantam: “Será que vamos morrer sadios, ou ainda teremos que aprender a conviver com a doença? ”

A percepção externa diminui, mas a vida interna pode aumentar incrivelmente – daí a possibilidade de desenvolvimento artístico. O artista não se aposenta! Podemos escrever nossa biografia, avaliar perdas e ganhos e descobrir o que falta ser desenvolvido. “Qualquer momento da vida é tempo de começar algo” e de trabalharmos sobre algo que a vida nos deu oportunidade para desenvolver anteriormente.

No relacionamento, muitas vezes palavras não são mais necessárias; mas sentar-se juntos em silencio para ver o pôr-do-sol expressa a harmonia em que os dois se encontram. Se esta harmonia não foi encontrada, o casal se irrita constantemente com os costumes do outro (por exemplo, a maneira de assoar o nariz, de roncar, de comer) e a vida dos dois pode se tornar um inferno.

AS  FASES  FINAIS

Depois de ter completado os ciclos planetários, pode-se dizer que a entidade humana se liberta dessas influencias, elas passam a não influenciar mais, nem de forma positiva, nem de forma negativa. Para muitos, isto significa a morte em torno dos 63 anos; para outros começa uma fase bastante produtiva.

Seria a fase da senilidade. Muitos que talvez na fase anterior, entre 56 e 63 anos, já estavam doentios ou mesmo doentes, agora podem se tornar sãos novamente. Naturalmente isso depende de como foi a infância, pois esta fase está intimamente ligada à infância, e muitos idosos não vivem o presente ou o ontem, mas épocas bem anteriores, da infância e da juventude. Uma certa morosidade de pensamento e ações é natural, a inflexibilidade para com mudanças e costumes, a importância das refeições regulares e o prazer com as mesmas, são aspectos que devem ser considerados. Igualmente importante é uma garantia de sobrevivência financeira (para se poder ter a devida serenidade). Muitos velhos cultivam flores e o seu jardim passa a ser novamente importante; ou então confeccionam brinquedos para netos e netas. Ser avo ou avó pode ser um aspecto importante para a velhice. E quais são os netos que não gostam de escutar contos de fada, que vovô ou vovó sabem contar tão bem?

Pouco a pouco as portas para o mundo, os órgãos dos sentidos, vão se fechando, e a vida interior dos velhos é a parte mais importante. Quanto mais rica for, melhor eles se sentirão. Se ficarem voltados apenas para o materialismo, a mesquinhez em relação às suas posses pode se tornar excessiva. Gradativamente, à medida que as forças físicas vão diminuindo, a luz interna pode crescer – a luz externa da criança se interiorizou totalmente no decorrer da vida e o velho começa a luzir de dentro, cumprindo a sua evolução de ser humano na nossa terra, e levando esta luz metamorfoseada para além morte, de volta ao cosmos. O medo da morte, que em muitos já existe desde a juventude, pode ser superado em grande parte pela consciência dos acontecimentos que ocorrem com a alma e o espírito após a morte. Na literatura antroposófica de Rudolf Steiner podem ser encontradas referencias a inúmeros desses aspectos.

A Biografia Humana – 8º Setênio

 

O 8º SETÊNIO – 49 a 56 ANOS

A  FASE  DA  ALMA  INSPIRATIVA  OU  FASE  MORAL

8 setenio

É uma fase relativamente harmônica, de interiorização da fase anterior, com certos paralelismos com a fase dos 7 aos 14 anos e dos 28 aos 35 anos.

Na fase anterior aprendemos a enxergar as correlações dos fatos numa certa visão. Agora aprendemos a escutar as perguntas que nos são colocadas. Não importa o que “eu quero realizar” (como na época da fase expansiva), mas o que os outros demandam de mim. Já me torno mais sereno, questiono-me: “Será que o que estou fazendo tem um valor para o mundo, para a humanidade? “Minha vida torna-se minha filosofia. Torno-me objetivo, distanciado, e uma nova religiosidade brota em mim.” A criatividade pode-se ampliar no trabalho, posso me tornar o chefe bondoso, ou um “pai verdadeiro”, o “líder incontestável”. Não só meus filhos de sangue, mas muitos filhos podem chegar-se a mim.

Como mulher posso tornar-me “mãe universal”. Ela saberá abençoar, se aprendeu a rezar e venerar entre os 7 e os 14 anos!

A crise para o homem pode significar um vazio maior ainda, a luta contra este vazio é compensada por mais trabalho ou pela “segunda juventude”, que só pode levar a fracassos, aumentando a sensação de vazio, e ainda mais a enfartes, cânceres ou depressões.

Na mulher, passada a menopausa, as forças vitais retomam, e muitas vezes há um sentimento de libertação. Algumas mulheres, porém, tem a sensação de que agora é tarde, “nunca tive tempo para nada”, agora acabou, e com isso tornam-se tiranas dos outros e de suas tarefas. Algo parecido se passa com o homem que pressente seu fim quando se aposenta.

A CRISE DOS 56 ANOS – A  ANDROPAUSA

Para o homem, este aspecto é de caráter mais psíquico não significa perda de potência (que para alguns ocorre mais cedo, para outros só muito mais tarde). É como um lutar contra si mesmo e contra tudo; é uma tormenta num copo de água e geralmente de’ mais curta duração que a crise da mulher.

Após os 50 anos as diferenças sexuais vão se apagando, homem e mulher ajudam-se mutuamente a superar essas fases de menopausa e andropausa. E se o casal encontra novos valores espirituais, pode ocorrer um aprofundamento no relacionamento. O conhecimento da individualidade do outro (para amá-la) nasce aos30 anos e amadurece aos 50. Criou-se uma fidelidade capaz de transpor a morte. Não se pede mais, se dá.

A Biografia Humana – 7º Setênio

 

O SÉTIMO SETÊNIO – 42 a 49 ANOS

A  FASE  SOCIAL  OU  DA  ALMA  IMAGINATIVA

 7 setenio

As forças de desgaste cada vez mais intensas fazem-se sentir. Isto é um processo natural, que deve ser encarado como tal; como exemplos temos que a vista não se acomoda mais tão rapidamente; perde-se o fôlego ao subir uma montanha; as pernas tornam-se mais finas, etc. Esse desgaste continua aparecendo no inconsciente, nos sonhos; por exemplo, muitas vezes nos dando a impressão de que vamos morrer logo. Mesmo as pessoas mais preparadas, como psiquiatras, médicos, psicólogos, começam a ter medo da morte. Mas como nos podemos preparar para a morte e enfrentá-la, sem conhece-la? É como um alerta para estruturar o futuro de uma maneira mais consciente pois o que realmente levamos conosco para além da morte?  ”A vida começa aos quarenta”, é uma expressão comum; O que seria este começar aos 40? Esta fase também pode ser comparada ao outono. Em países com estações do ano bem acentuadas, ele é de rara beleza. Maravilhosas cores cobrem todas as árvores e é a época da colheita dos frutos. Mas para quem são os frutos? Será que seremos nós mesmos ou os outros que saborearão os frutos? Entramos na fase da doação, social, altruísta. Os nossos conhecimentos, vivências, experiências, enfim os frutos da nossa vida, vão agora servir aos outros. Quem consegue transmitir isto aos seus jovens colegas de trabalho, ou subalternos, ou aos seus filhos, sentirá dentro de si as possibilidades que oferecem as fases da vida seguintes.

Com a crise existencial chegou-se a um vazio, a um “zero”. Pensa-se muitas vezes em começar algo novo, de fazer novos investimentos comerciais. Mas, tendo consciência dos fenômenos acima, de repente surge a pergunta: “Ao invés de agora começar a fazer tudo de novo, ou de arranjar uma mulher ou um marido novo não seria necessário conseguir fazer as mesmas coisas de maneira diferente?”

A sensação que temos nessa época é a de estarmos como que subindo uma montanha. Na caminhada nada enxergamos, porque estamos no meio da floresta e só vemos as árvores a nossa frente. Agora, repentinamente, chegou-se ao cume e avistamos todo um panorama. As correlações dos componentes da “paisagem” se nos tornam visíveis e compreensíveis. Precisamos então saber orientar-nos nessa nova paisagem, enxergar as coisas a partir de um novo angulo; desenvolver a nossa consciência em grandes imagens. Nesta fase, ocorre uma tensão semelhante à da puberdade: de um lado os órgãos sexuais, dos quais as forças da vitalidade se retiram gradativamente, às vezes “cobram” necessidades maiores; e de outro lado, são essas as forças agora liberadas que podem ser usadas para uma nova criatividade. Surge aqui um novo “nascimento” de uma criatividade, que se pode iniciar e chegar a desabrochar nas fases seguintes.

O grande desafio é a realização de novas metas de vida não mais materiais, mas talvez mais de ordem espiritual. Se consigo estar em harmonia com as leis espirituais do cosmo, estarei em harmonia comigo mesmo. Um senso de responsabilidade pelos da nova geração vai crescendo, e podemos tentar promove-los e gradativamente passar nossas tarefas cada vez mais para suas mãos.

As crises nessa época ocorrem:

- a nível físico: quando queremos tentar manter o ritmo de vida igual ao dos anos anteriores, e, com o trabalhamos mais lentamente, temos de compensar isto com mais horas de trabalho, e isto nosso organismo não aguenta por muito tempo. Se não conseguirmos adaptar o trabalho ao ritmo, agora ao próprio ritmo do organismo, um enfarte, uma hipertensão ou um câncer não demorará a aparecer.

- a nível anímico: o homem preocupa-se mais com a perda de sua posição no trabalho ou na sociedade, sente a ameaça dos mais jovens, e tenta compensar isto por certas atitudes que mais corresponderiam a um jovem de20 anos, tais como adquirir o último carro esporte, vaidade excessiva, ou mesmo a troca da mulher por uma amante bem mais jovem. Quer manter a fase expansiva a todo custo, fundando novas empresas, etc.

A mulher nessa época é muito mais preocupada com a perda da beleza física: procura fazer operações plásticas, tintura de cabelos, etc. Mas muitas vezes ela tenta manter os filhos infantis, apesar de já terem idade adulta, ou então pajeia demais os netos. Algumas mulheres nessa época também querem manter a “fase expansiva” e às vezes até pensam em desfazer uma ligadura nas trompas para ter mais um filho. O vazio sentido exige compensações. A criatividade poderia ocorrer não ao nível biológico, mas ao nível espiritual, já que agora os filhos estão crescidos e já se atingiu uma reserva material e finalmente existe tempo disponível. Essas atividades poderiam manifestar-se ao nível social, cultural, artístico, religioso, para citar só algumas possibilidades.

O relacionamento corre muitos riscos, se aqui não forem encontrados novos valores.

A CRISE  DOS  49  ANOS  – A  MENOPAUSA

Com a perda da menstruação e a perda da possibilidade de reprodução, muitas mulheres sentem-se então realmente “‘velhas”. Mas em realidade esta crise é como outra qualquer e pode ser facilmente superada. Infelizmente só se dá valor aos fenômenos biológicos, e então toda indústria farmacêutica se empenha para vender medicamentos para “prevenir a menopausa” e a “osteoporose”, entre eles, os hormônios. Mas o que acontece em realidade? Só lentamente, no decorrer dos anos, é que os ovários deixam de secretar os hormônios, o que ocorre naturalmente. São raros os casos em que esta queda de hormônios é brusca e provoca verdadeiros sintomas desagradáveis tornando necessária uma medicação. Se a menstruação for mantida artificialmente através de hormônios, então realmente não podemos aproveitar essas forças liberadas dos órgãos para a nova criatividade espiritual. Para quem se ocupa no trabalho com a menopausa, não seria igualmente importante enfocar este lado da ampliação da consciência espiritual? Assim os sintomas passageiros como labilidade emocional, fogachos, insegurança passageira, não seriam muito mais facilmente superados?

A Biografia Humana – 6º Setênio

 

O SEXTO SETÊNIO – 35 a 42 ANOS

A FASE DA ALMA DA CONSCIÊNCIA

6 setenio

Estamos mais ou menos no meio da vida e as forças de desgaste, de envelhecimento do nosso organismo começam a se fazer sentir. Não somos mais transportados pelas asas da vitalidade e o nosso trabalho já começa a não render mais tanto. Entramos na fase dos 35 anos aos 42 anos, da alma da consciência. A questão para essa fase é: “como é o mundo realmente e como encontrarei minha própria realidade?”.

À medida que o desgaste físico vai-se manifestando muitas vezes totalmente no inconsciente apenas (algumas vezes sonhos de morte ligados a isto), eu chego até o cerne de minha alma, à “consciência plena”, um novo órgão perceptivo da essência das coisas e de mim mesmo. Questões tais como, “quais são meus princípios de vida?”, “quais são meus limites, me aceito com esses limites?”, começam a aparecer. A autocrítica, o trabalho da aceitação de si mesmo, expressa a maturidade psíquica que nessa fase deveria ocorrer.

A aceitação de mim mesmo é a base para a aceitação do outro; se não aceito a mim mesmo, como posso aceitar o outro, com seus valores e defeitos? É um período semelhante ao da puberdade, e estando eu dentro de mim, sinto-me isolado e tenho a tendência de olhar criticamente para fora. Pode ocorrer a sensação de um vazio ou de um isolamento: “minha mulher não me entende”, “meu marido não gosta mais de mim”.

Mas são vazios necessários, para que algo totalmente novo possa nascer e levar o desenvolvimento para frente nas fases seguintes da vida. Dessa consciência plena nasce a liberdade interior. A alma da consciência permite enxergar a essência – portanto, a essência do outro -, o que pode levar a um amor verdadeiro (espiritual).

Em torno dos 37 anos muita gente se questiona sobre sua vocação, “será que estou na profissão certa?”. Assim também muitas mulheres tendo abandonado a profissão pelos filhos, agora sentem uma necessidade cada vez maior de retomá-la. O desafio nessa fase, para o desenvolvimento, é aceitar o desgaste físico maior, encontrar o ritmo adequado ao seu organismo físico; treinar a contenção e desenvolver o amor e aceitação do próprio destino e assim aceitar e ajudar a desenvolver o destino dos outros. No caso do trabalho, seria o desenvolvimento dos subalternos. No relacionamento mutuo, desenvolver o verdadeiro amor espiritual que transcende qualquer egoísmo. Desenvolvê-la a tal ponto que ambas as individualidades tem lugar para se desenvolver.

O perigo nessa fase é de cair na rotina, cada vez mais. A rotina provoca a sensação de vazio e daí esta rotina tem de ser quebrada por troca de parceiro, álcool, etc.; o outro perigo é o de se sentir ameaçado pelos jovens e querer competir com eles.

E, em vez de se respeitar os limites físicos, trabalha-se mais ainda, em fins de semana, férias, etc., o que em poucos anos fatalmente levará a uma “estafa”. Ainda um outro perigo é o de se tornar um déspota; Napoleão, aos 35 anos colocou a coroa sobre sua própria cabeça!

A CRISE EXISTENCIAL DOS 42 ANOS

Os 42 anos são sentidos como verdadeira crise existencial. A crise de autenticidade iniciada na fase anterior atinge seu auge. Os 42 anos inauguram os três setênios seguintes, os anos que os chineses chamavam de sábios. Mas como conseguir esta sabedoria? Eis a grande questão.

A partir desse momento não somos mais transportados pelas asas de nossa vitalidade. Temos que acender a nossa própria luz, ninguém mais a acenderá por nós, e a auto-educação passa a ser a condição primária para o desenvolvimento das fases posteriores. Para muitos o desenvolvimento pára nesse ponto, e o seu desenvolvimento anímico acompanha a curva biológica com franco declínio. Para outros, no entanto, começa o verdadeiro desenvolvimento espiritual. A barreira a ser vencida é grande, e a tentação de começar tudo de novo, em nível de trabalho ou em nível de casamento (encontrar nova mulher ou novo marido) é grande. Muitos expressam e sentem esse elemento na profundeza de suas almas. “Sinto que não é um fim, mas o começo de algo novo”. E como um renascer, ocorrendo muitas vezes uma total inversão de valores.

A Biografia Humana – Quinto Setênio

 

O QUINTO SETÊNIO – 28 a 35 ANOS

A FASE DA ALMA RACIONAL E AFETIVA

5 setênio

A pergunta básica nesta fase é: qual a ordem do mundo e como organizar a si mesmo? A experiência é interiorizada, aos poucos vou sentindo o que é aplicável do aprendido, ou o que não é; como o ambiente me responde ou me aceita, ou se reage contra mim e minhas atitudes. A experiência interna vai crescendo, elaboramos esquemas de trabalho, de organização e até de vida. Planejamos e executamos. Desenvolvemos maior responsabilidade e seriedade no cumprimento do dever. Começamos a liderar cada vez melhor.

Nesta fase, existe a maior rentabilidade no trabalho. Trabalhamos muitas horas sem cansar, rendemos o máximo. Estamos psiquicamente e fisicamente no equilíbrio de nossas forças. a bem-estar nos apóia.

O homem nessa fase se ocupa com carreira, promoção, prestígio, não só na própria organização, mas na sociedade (clubes, sociedades filantrópicas, etc.). A mulher, quando casada, está mais envolvida com a organização do lar, tarefas dos filhos, etc., e conquista a posição social ao lado do homem. Cada um vai se integrando mais em si mesmo, e se não há um bom diálogo e o desenvolvimento de um companheirismo, o perigo da dissociação de interesses nesta fase é muito grande. Ao nível de relacionamento poderemos desenvolver um verdadeiro companheirismo

A desafio para o desenvolvimento nesta fase é a atitude positiva em relação ao outro, tolerância, refreamento de sua opinião: a opinião do outro também pode ser certa. Escutar, ouvir, não só falar, mas criar o espaço para diálogos. A couraça das normas, colocada no segundo setênio, tem que ser reavaliada. Quais as normas que me servem? Quais as que me impedem de atuar como ser humano livre?

Para o homem, a tarefa principal será de integrar afeto e sentimento na sua alma, pois estes foram muitas vezes totalmente abafados na infância: “Menino não chora”. Para a mulher a tarefa principal é de desenvolver, ao lado de sua índole e afeto que o ser mãe e mulher já proporcionam, também a parte racional, raciocínio lógico, para a devida compreensão do homem. Desenvolver a força do pensar.

O perigo nesta fase é de que a vida se torne uma rotina (tudo está organizado até o fim da vida!), o perigo de se impor demais (“só eu tenho razão”), portanto de se tornar impositor, orgulhoso e criticar todos os outros. Para o homem há o perigo de se tornar um estranho para a família; para a mulher de se envolver demais com a casa e com os filhos. Só o diálogo sobre as várias tarefas e um companheirismo verdadeiro ajudam a integração familiar.

A Biografia Humana – Quarto Setênio

 

O QUARTO SETÊNIO – 21 a 28 ANOS

A  FASE  DA  ALMA  EMOTIVA  OU  SENSITIVA

 4º setênio

Começa agora a fase dos 21 aos 42 anos, a grande fase do amadurecimento psicológico e anímico do ser humano. É a fase de luta, segundo a colocação dos chineses, ou a fase expansiva. O que significa esta luta? É a conquista de uma posição na vida, o encontro do local de trabalho adequado a descoberta do(a) parceiro(a) e a formação de uma família. É também o trabalho interno sobre tudo aquilo que recebemos mais ou menos passivamente nas fases anteriores. É como se recebêssemos uma mochila para carregar nas costas, que foi preenchida nos anos anteriores. Dentro dela estão presentes bons e não tão bons. Agora então começamos a andar, vida afora, usando os presentes da mochila, selecionando os, jogando fora alguns, lapidando outros. Agora o grande mestre dessa fase vai ser a vida, através da qual vamos amadurecendo psicologicamente. A pergunta básica desta fase: “Qual minha vivência deste mundo?”.

A fase dos 21 aos 28 anos é denominada de “emotiva” porque nossa vida anímica nessa época é cheia de altos e baixos; existe uma grande labilidade emocional, ora se está no céu, quando se recebe um elogio deum chefe ou da esposa ou esposo, ora “na fossa”, se algo desagradou.

A maioria das pessoas inicia a sua carreira nessa fase. Também de certa forma, a mãe de família “Inicia uma carreira”. Existe aí uma grande criatividade; muitos experimentam e mudam seu local de trabalho e até mesmo a profissão, até encontrarem o local adequado. A insegurança interna, por falta de experiência, é compensada por seguranças externas: por exemplo, status, automóvel, telefones na mesa, um bom salário, aparências.

É a época em que ainda temos o direito de gozar de todas as regalias da civilização moderna: viagens, experiências as mais variadas, e assim como muitas vezes há trocas de empregos freqüentes nesta fase, há necessidade de troca de parceira ou parceiro, até que através dos outros gradativamente encontramos a nós mesmos, e estamos maduros para a escolha da parceira ou parceiro verdadeiro, capaz de trilhar conosco avida. É uma fase paralela à de O a 7 anos, de experimentação, mas agora a nível de vida, a nível anímico (e não corporal como de O a 7 anos). Estamos “abertos” novamente e lá fora, na periferia do nosso ser, as nossas capacidades ainda são ilimitadas, tudo é possível. É uma fase de grande criatividade, de grande satisfação de viver e de testar tudo o que foi aprendido especialmente na fase anterior.

O desafio para o desenvolvimento nessa fase é desenvolver o equilíbrio entre os altos e baixos, adquirir uma gradativa segurança interna, principalmente graças à avaliação sistemática do nosso trabalho, independente do meio. Sermos abertos e não preconceituosos. Desenvolvermos empatia perante os fenômenos; exercícios de percepção de uma maneira goetheanística podem ajudar a chegar a esta empatia.

Ao nível do relacionamento, cada qual tem que desenvolver o seu estilo de vida, adaptação mutua, respeito e amor à individualidade do outro, não querer moldá-lo à sua própria maneira. Isto exige uma constante adaptação e trabalho em si mesmo.

O perigo dessa fase é de se adaptar demais, tornando-se uma “vaca de presépio”, ou tomar atitudes apreensivas, críticas constantes. a perigo principal é perder-se totalmente no externo, nos prazeres da civilização, ou iludir-se com uma experimentação mais acentuada, como a droga. Uma interiorização necessária na fase seguinte será extremamente dificultada por esse processo.

A CRISE  DOS  TALENTOS  DOS  28  ANOS

Cada ser humano traz aptidões ou “talentos”, sentindo intensamente dentro de si a necessidade de colocá-los no mundo. Um dos impulsos de desenvolvimento que trazemos em nós é colocar os talentos trazidos à disposição dos outros seres humanos. Mas viver e colocá-los à disposição dos outros representa apenas colocar algo que nos foi dado no passado à disposição dos outros; não representa, ainda, desenvolvimento para o futuro, mas apenas “viver do passado”. Em torno dos 28 anos, este viver do passado, por assim dizer, chega a um fim, e agora as aptidões têm que ser reconquistadas e trabalhadas. Um gênio é 90% transpiração e 10% inspiração – disse Einstein; isto vale especialmente dos 28 anos em diante; até lá somos transportados pelas asas da “genialidade” que depois dessa fase para muitos murcha ou atrofia totalmente. A dificuldade agora é que temos que trabalhar de dentro para fora, com dificuldade e constante esforço; para muitos, esta idade é vivenciada como crise, que muitas vezes até se manifesta como doença física ou psíquica; para outros o desenvolvimento psíquico pára nesta idade.

A Biografia Humana – Terceiro Setênio

 

O TERCEIRO SETÊNIO – 14 a 21 ANOS

A PUBERDADE – O AMADURECIMENTO  SOCIAL  DO  INDIVÍDUO

3º setenio

As modificações corpóreas são intensas e profundas nessa época, especialmente devido ao crescimento dos membros e à maturação sexual, que são acompanhadas pelo desenvolvimento anímico, dando muitas vezes aquele aspecto desengonçado, desajeitado, que se observa nesta época. Rudolf Steiner denomina esta fase de “fase de maturação terrestre”, não simplesmente de maturação sexual, pois esta parte é apenas um lado da puberdade. A puberdade representa um limiar; até então, o ser humano era muito mais cósmico e espontaneamente ligado à natureza. Agora ele se liga profundamente a terra e a gravidade da terra começa a tomar conta do seu corpo; ele se torna um “cidadão terreno”, capaz de atuar na sociedade, na Terra, e de viver o seu destino. Muitos jovens recuam inconscientemente diante dessa responsabilidade. O numero de suicídios entre 12 e 14 anos é muito grande. Outros fogem para as drogas, querendo voltar para aquela situação paradisíaca em que “eu e o mundo” somos um só. Outros ainda tentam não se alimentar, especialmente meninas, para manter a forma de criança. Além dessas, muitas outras formas de fuga se manifestam.

Juntamente com essa descida para a Terra e para dentro de si, vem também uma sensação de grande isolamento, de incompreensão, e a síntese com o mundo tem de ser reconquistada de dentro para fora. Com a puberdade, há um vislumbre da imagem ideal do ser humano. Cada um traz dentro de si essa imagem arquetípica ideal do ser humano; e é na época da puberdade que ela é sentida de maneira mais pura, tornando-se a partir daí a força propulsora do desenvolvimento. O jovem se encontra numa tensão enorme. De um lado ele tem dentro de si essa imagem ideal, do outro lado, através da maturação sexual, há uma solicitação dos seus instintos. É essa tensão que o torna tão difícil. O jovem procura este ideal em si, mas também dentro dosoutros. Daí a atitude crítica em relação a todos; o jovem se revolta, tornando se um revolucionário, ou então se apóia em grupos anulando sua personalidade. Não encontrando um ideal ou um ídolo digno de ser seguido, idolatra qualquer ídolo que encontre ao seu redor, tais como artistas de televisão ou ases esportivos que podem tomar uma dimensão exagerada. A leitura de biografias famosas pode contribuir para que um ídolo seja encontrado.

Nessa fase, onde agora o pensar lógico deverá ser desenvolvido, especialmente através da ciência, vale a frase: “O mundo é verdadeiro”. Só consegue transmitir a verdade do mundo ao jovem aquele que é autêntico e verdadeiro e que acredita no que está ensinando. Nessa época não são mais os pais nem os professores, mas os amigos e especialmente amigos mais velhos (que naturalmente também podem ser encontrados entre os professores) que desempenham um papel importante. É nessa fase que se dá a formação ideológica do jovem.Com os amigos mais velhos o jovem tem o apoio e compreensão que o fazem sair do isolamento.

Também aqui três fases podem ser observadas: de 14 a 16, de 16 a 18 e de 18 a 21 anos. A primeira fase é mais voltada para os fenômenos e mudanças corporais, onde a “organização do pensamento”, o interesse pela ciência e pela técnica ajuda a própria organização. Na fase dos 16 aos 18, muitos jovens passam por um período de religiosidade intensa, alguns até querendo tornar-se padres, freiras ou celibatários. Nessa fase nascem muitas poesias e dramas. A fase dos 18 aos 21 anos já é mais voltada para a profissão, portanto, para o encontro do jovem com a sociedade. Uma grande válvula de escape e companheiros de solidão são os diários que surgem nessa fase.

A personalidade que se forma tem cada vez mais consciência de si mesma e se questiona: “Quem sou eu?” “Que aptidões e talentos trago que poderão ser desenvolvidos?”. Muitos jovens necessitam de tempo e de várias experiências para encontrar resposta a estas perguntas. Para outros a resposta se torna clara por voltados dezoito anos e meio, quando o “eu” se interioriza ainda mais, atingindo agora a esfera da ação, época da “realização do eu”.

Como se pode manter a ligação entre pais e filhos nessa idade? Também agora o pai ou a mãe podem se tornar o amigo, a amiga. Argumentos autoritários só despertam rebelião. O diálogo de igual para igual torna-se necessário, mas como não há ainda a maturidade total dos 21 anos, a “liberdade” que os jovens exigem nessa fase deve entrar gradativamente e ser balanceada pela “responsabilidade”.

A DIFERENCIAÇÃO SEXUAL

A partir da pré-puberdade, a diferenciação sexual torna-se cada vez mais visível. A mulher amadurece mais rapidamente que o homem; a forma do seu corpo denota também as qualidades da alma feminina: mais redonda, mais cósmica, mais espiritual, menos profundamente ligada à terra. (A tonalidade de voz é mais alta, ossos mais leves, hemoglobina do sangue em porcentagem menor, útero e órgãos de reprodução retraídos para dentro do corpo.)

O homem tem seu corpo mais anguloso, ossos pesados, mais terrestre, cérebro mais pesado, hemoglobina em porcentagem mais elevada (portanto quantidade de ferro maior), pensamento mais racional, voltado para a luta, defesa, para a ação. Órgãos sexuais mais baixos e expostos. Os órgãos sexuais têm os elementos masculino e feminino ao mesmo tempo, uma parte se desenvolve, outra regride, dando a diferenciação sexual. Também a nível anímico, tanto o homem como a mulher tem dentro de si a parte feminina da alma (que Jung denomina de “anima”) e a parte masculina (“animus”). De acordo com a intensidade do animus, o homem ou a mulher podem ser mais ou menos masculinos. Se predominar a anima, o homem ou a mulher podem ser mais ou menos femininos.

Na fase dos 14 aos 21 anos começa a busca da complementação da alma cada Adão busca sua Eva, cada Eva o seu Adão – primeiro em nível de complementação e, à medida que há o amadurecimento psicológico no decorrer dos três setênios seguintes (21 a 42), haverá a integração dessas partes dentro de cada um.

Poderíamos dizer que durante a vida passamos por três fases do amor. A primeira é mais sexual. Na puberdade mais voltada para o próprio sexo para depois despertar para o sexo oposto. A segunda fase seria ado amor “erótico” ao nível do afeto. É uma busca que se passa mais ao nível anímico. A terceira fase, finalmente, é a do amor verdadeiro – de amar a individualidade do outro como ela é e não como eu gostaria que fosse. Amadurecer nesse sentido seria ajudar o desenvolvimento da individualidade do outro. Colocado assim, parece meio esquemático. Naturalmente, muito depende do indivíduo, podendo os três elementos aparecer concomitantemente.

Entre os 14 e 21 anos estas três etapas do amor se esboçam pela primeira vez: sexual, erótico-afetivo(companheirismo) e amor verdadeiro (espiritual), destituído de egoísmo. Reencontramos essas três fases cada uma predominante nas fases seguintes, respectivamente dos 21 aos 28, dos 28 aos 35 e dos 35 aos 42 anos.

AOS 21 ANOS – UMA CRISE DE IDENTIDADE

Com o fim do terceiro setênio, atingimos a maturidade ou maioridade.

Em torno do 21º ano de vida, para muitos jovens ocorrem crises violentas relativas à própria identidade. Muitos jovens têm de se libertar da imagem forte do pai, para conseguirem ser eles mesmos. O mesmo se dá com a filha quanto à influencia da mãe. Verdadeiros dramas acontecem em relação a isso. Muitos jovens só conseguem esta libertação da casa paterna ou materna, saindo de casa, mudando de lugar ou “quebrando” estas imagens com violência. São comuns os sonhos de morte dos pais. Só após terem encontrado a sua identidade, têm a possibilidade de voltar para casa como adultos e iniciar uma nova forma de relacionamento. Muito depende dos pais, se estes agora conseguem enxergar o adulto na criança e ter uma relação de igual para igual, base para um bom relacionamento.

Fonte: Dra. Gudrun Burkhard

A Biografia Humana – Segundo Setênio

 

O SEGUNDO SETÊNIO – 7 a 14 ANOS

BASE  PARA  O  AMADURECIMENTO PSICOLÓGICO  DO  INDIVÍDUO

 2º setenio

A maturidade escolar a nível físico significa que uma parte das forças que elaboravam os órgãos ao nível da cabeça se emanciparam desse trabalho orgânico, estando livres agora para serem usadas para uma faculdade anímica, a memória e o pensar imaginativo.

Três pequenas fases se sucedem; dos 7 aos 9, dos 9 aos 12 e dos 12 aos 14 anos. Na primeira fase, predomina a formação mais intensiva da cabeça. Especialmente o rosto vai adquirindo sua expressão mais individual. Dos 9 aos 12, poderemos verificar especialmente o crescimento do tórax, bem como o desenvolvimento dos órgãos nele contidos, coração e pulmão. Nessa época, passageiramente, a relação pulso/respiração atinge o equilíbrio do adulto de 4:1.

Entre o 9: e o 10: ano temos um novo momento de “vivência do eu”, em que este se torna mais presente ao nível do sentimento. Nesta época, a criança se sente só, incompreendida, é crítica e necessita de bastante carinho para conseguir relacionar-se socialmente. Geralmente também é a fase do primeiro “amor”, quase sempre platônico, passando desapercebido pelo outro. Na época dos 12 aos 14 anos, a pré-puberdade, dá-se a grande fase de alongamento dos membros, de crescimento longitudinal.

Não vamos entrar nos detalhes do que ocorre em cada uma dessa três sub-fases. Queremos caracterizar o segundo setênio de maneira mais geral. Em relação ao primeiro setênio, sente-se agora uma interiorização, não há mais aquela entrega e abertura total para com o ambiente, mas uma vida interior mais intensa, e há então troca com o ambiente, especialmente a nível social; é como um grande respirar: interiorização e exteriorização. A criança não respira só o ar, mas todo o mundo ao seu redor. A criança pequena vive o mundo, enquanto que a em idade escolar, precisa de um adulto que seja o elo de ligação entre ela e o mundo. Este elo deve ser uma pessoa que a criança ame profundamente; geralmente o professor ou a professora que passa a ser a “autoridade” amada pela criança. A autoridade amada é o elemento mágico da educação, dessa época. O que aquele professor diz e transmite é o verdadeiro. Se nos lembrarmos de nossa infância, veremos que guardamos apenas os ensinamentos transmitidos pelos professores que amávamos. A atitude básica cultivada nesse setênio é a devoção e a veneração.

Ao nível do pensar, agora a criança tem aptidão para o cultivo da memória; o seu pensar tem caráter mais imaginativo, e ainda não intelectual, lógico; daí o interesse por contos de fadas, lendas, fábulas, histórias da Bíblia, que alimentam a alma da criança. Nas escolas Waldorf esses elementos são usados como material de ensino, pois transmitem as grandes verdades do mundo e da alma em forma de imagens. Somente na época da pré-puberdade é que surge cada vez mais o pensamento lógico a ser então cultivado. Também aqui a fantasia criativa se desenvolve. Uma criança nessa idade permanece por horas em cima de uma árvore ou no sótão, onde constrói “castelos no ar”, onde ora é o grande herói, ora o escravo, ora a princesa ou a gata borralheira. Essa fantasia criativa será a base do entusiasmo e da criatividade entre 28 e 35 anos.

A parte rítmica, base do sentimento, é cultivada através de todo um ensino rítmico (maiores detalhes vide literatura especializada), e especialmente através de arte e religião. Arte e religião deveriam permear todo o ensino; não uma religião sectária, que logicamente também nesta fase tem o seu lugar, mas uma atitude “religiosa” perante os três reinos da natureza, o reino mineral as plantas e os animais. Através de um ensino artístico, a criança abre os olhos para o mundo; “o mundo que é belo” precisa ser sentido com toda a força do coração. O repetir constante e rítmico vai permitir um aprendizado que se incorpora não só a nível intelectual, mas em todo o corpo, permitindo o desenvolvimento de uma volição sadia.

Nesta época, também o temperamento da criança se torna bem visível e característico e deve ser levado em consideração, tanto na escola como no lar (vide bibliografia).

Nesta fase também se fundamentam os costumes e hábitos, como por exemplo, os hábitos alimentares, higiênicos ou o de rezar. Se adquiridos nesta fase, muitos desses hábitos irão manter-se por muitos e muitos anos. Igualmente o comportamento dos pais poderá determinar como mais tarde o adulto interagirá no seu casamento ou como irá liderar um grupo. Nesta época uma couraça de normas nos pode ser incutida com tal intensidade, que impedirá que desenvolvamos a vida dos sentimentos mais tarde, tais como: menino não chora ou não brinca com bonecas; menina não trepa em árvores, etc. e outras frases que ouvimos constantemente: “Você tem duas mãos esquerdas” ou “Você é a ovelha negra da família” ou então um professor que diz: “Não adianta, você não aprende mesmo”. Estas coisas, numa fase posterior especialmente entre os 28 e 35 anos, vão dificultar o desenvolvimento sadio de nossa vida anímica (psíquica).

A intelectualização precoce – que impossibilita o desenvolvimento da fantasia criativa -, a falta de desenvolvimento do sentimento e da atitude de veneração e devoção perante as pessoas e o mundo, e a falta de repetição rítmica constante, do treino, do exercício de persistência, poderão ser os empecilhos para o desenvolvimento de um pensar, sentir e agir sadios em fases posteriores.

Fonte: Dra. Gudrun Burkhard

A Biografia Humana – suas crises e chances de desenvolvimento

 

A BIOGRAFIA HUMANA

O PRIMEIRO SETÊNIO – 0 a 7 ANOS

A  ESTRUTURAÇÃO DO  CORPO FÍSICO, BASE CORPÓREA DE NOSSA  SAÚDE

1º setênio

Quando a criança nasce, o primeiro grito é a primeira manifestação “audível” para dizer: “estou aqui”. Quanto preparo, quanto carinho, quanto calor e amor foram necessários para chegar até este momento. No ventre materno, onde a criança germinava tal qual semente abrigada pela escuridão da terra, o seu “estou aqui” era sentido pelo movimento na barriga ou pelo som do batimento cardíaco. Muitas mães sabem precisar exatamente o momento da concepção: “Tenho certeza de que estou grávida”. Por que? Alguém, a individualidade do ser em formação já está presente, como que pairando sobre as águas do liquido amniótico, modelando seu corpo dentro do útero materno. Muitas vezes a mãe até sonha com o nome da criança – quem o conta a ela? É a própria individualidade da criança. Porém, não é só a individualidade, mas são todas as hierarquias celestes que participam da formação de um novo ser humano, repetindo o ato da criação do homem dos primórdios da humanidade.

Até os três primeiros anos de vida, através do aprender a andar, erguendo-se, superando a gravidade da terra, conquistando o espaço, a criança se torna “a imagem de Deus”; um ser humano; através do falar, tem a possibilidade de dar nomes a todos os seres, de se comunicar com seus semelhantes, de criar, portanto a base de comunicação, ou seja, do ser social que é o homem e, através do pensar, das primeiras associações de idéias, do desenvolvimento gradativo da memória, ela conquista o infinito. Sim, pois com nosso pensar  podemos ir ao passado, ao futuro, a países longínquos, às alturas cósmicas e profundezas terrestres.

Estes três passos de desenvolvimento do ser humano são a base de todo desenvolvimento posterior. E todas as forças anímicas (psíquicas) e espirituais (ou da consciência), estão totalmente mergulhadas nessa tarefa orgânica. Somente quando esta está parcialmente cumprida, aparece o primeiro momento de consciência em que a criança se percebe como individualidade própria, usando a palavra “eu”. Joãozinho fala de si, não mais “Joãozinho quer”, mas sim “eu quero”. “Eu” e o mundo antes desse acontecimento eram uma coisa só. Agora, sou “eu”, e o mundo está fora de mim. Para a maioria das pessoas, é a partir deste momento que vêm as primeiras lembranças da infância. Esse momento pode ser denominado de “consciência do Eu”.

O acordar da criança em seu corpo se dá através dos órgãos dos sentidos, especialmente o tato, quando, por exemplo, ao mamar, ela sente o calor do seio materno. Quando mama, a criança é toda um órgão de percepção; o prazer da amamentação é sentido até a pontinha dos pés. Somente aos poucos, os outros órgãos dos sentidos se abrem para o mundo: o enxergar e reconhecer a mãe, o escutar os passos dela, etc., são percepções sensoriais que vão despertando a criança para o mundo e, ao mesmo tempo, para seu corpo, pois essas impressões entram profundamente em seu organismo, contribuindo para a plasmação de todos os seus órgãos. Daí é fácil compreender quão importante é o cultivo adequado das impressões sensoriais que surgem nesta fase. As cores (se harmônicas ou chocantes), os sons das vozes familiares ou os ruídos que vem de um rádio ou televisão ou enceradeira; os brinquedos que deveriam proporcionar diferentes sensações de tato (lã, madeira, bonecas de pano, areia, água) e não ser monótonos como os de plástico. Estes são apenas alguns exemplos importantes. Essas “impressões” serão a base para a futura ligação com a terra, os reinos da natureza, o ambiente. Em suma, determinarão se a criança irá se sentir bem ou não na Terra.

Quem observar uma criança no aprendizado do andar, verá quanto esforço, quanta persistência, quanta experimentação contínua é necessária para se conseguir esta faculdade. A criança está em constante movimento, em ação, experimentando os elementos que a rodeiam. Nessa fase ela aprende por imitação. A mãe que lava roupa, que amassa o pão ou mexe um bolo será imitada – igualmente no andar, no falar, no correr. A recriminação de atitudes erradas nessa fase de nada adianta, os pais servirão de exemplo a ser imitado. Portanto, isto implica na auto-educação dos próprios pais.

Animicamente, nesta fase a criança está totalmente aberta, admira tudo que a rodeia, é confiante. Essa confiança básica precisa ser cuidada para não romper. Do alto da escada a criança se joga nos braços do pai entrega-se totalmente. O que acontecerá se os braços não estiverem lá? E se a mãe diz “vamos ao circo” e em vez disso a criança acaba sentada na cadeira do dentista? Para um bom desenvolvimento nessa fase, a criança necessita de calma e tempo, pois ainda está modelando seus órgãos, necessitando para isso enorme quantidade de forças plasmadoras, vitais do organismo. Alimentação e sono em rítmicos adequados são uma necessidade nesta época. Uma super solicitação de impressões visuais, de alfabetização ou aprendizado intelectual, desviará as forças formativas vitais do seu trabalho nos órgãos para áreas da consciência, causando em épocas futuras, especialmente na velhice, a fragilidade desses órgãos e predisposição de doenças escleróticas precoces. Igualmente a alimentação inadequada, como apenas o aleitamento com leite artificial, poderá trazer  predisposição de mal-estares hepáticos mais tarde. Isto apenas para citar alguns exemplos para elucidar que o primeiro setênio é a base da nossa saúde corporal. Assim também desavenças, brigas dos pais, vão refletir na saúde física, deixando marcas a nível orgânico. Todo aprendizado nessa fase é a nível orgânico.

Quais seriam as crises dessa época?

Como tudo nessa fase se passa a nível orgânico, as crises também transcorrem nesse nível; são globais, atingem o organismo todo e se manifestam através das doenças infantis. Essas moléstias representam uma chance para o organismo no seguinte sentido: a individualidade da criança remodela o seu corpo herdado. Este corpo herdado (através dos genes) é preparado no ventre materno e contém tudo aquilo que é herdado dos ancestrais. Igualmente as proteínas são estruturadas pela mãe durante a fase embrionária. Agora, nessa fase, do primeiro setênio, a proteína própria, individual, tem que ser estruturada, o próprio corpo deve ser adequado a essa individualidade. Como é que isto poderia acontecer sem que a proteína original seja eliminada? Através das moléstias infantis, como por exemplo, o sarampo; a febre acelera a exsudação profunda da pele, dos brônquios, a eliminação urinaria, etc. Uma boa parte das proteínas herdadas são mobilizadas, eliminadas, e a criança como que renasce com um corpo novo, uma proteína mais adequada à sua própria individualidade. Portanto, nessa fase, a criança forma seu “instrumento” para melhor poder tocá-lo durante o resto de sua vida. À medida que não consegue passar por este processo, o “instrumento” vai se tornando cada vez mais desafinado, mais inadequado, menos moldável, até o ponto de provocar novas doenças em fases posteriores, quando então geralmente já não são mais tão “naturais” quanto às moléstias infantis.

 A  CHEGADA  DOS  7  ANOS

 Quando o corpo está estruturado e especialmente o cérebro bem formado, também os dentes de leite herdados são eliminados. Inicia-se a segunda dentição. É nessa época que a criança passa para o segundo setênio, apta para ir á escola, a aplicar grande parte das forças, que até então plasmaram seu organismo, no aprendizado, na memória.

Aos sete anos, a criança passa para uma nova fase. Ela sai do ambiente doméstico, familiar, e vai para a escola. Para algumas, isto significa uma pequena crise e medo; para outras, um sentimento de auto-afirmação, orgulho, libertação. O primeiro caso é facilmente superado pela habilidade de um bom professor.

Fonte: Dra. Gudrun Burkhard

Os 12 sentidos

 

OS DOZE SENTIDOS

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Os Sentidos Básicos (internos) – Volitivos

O Sentido do Tato – o sentido do tato dá-nos a noção de nós próprios, contráriamente ao que possamos pensar o tato não nos informa sobre o mundo mas apenas sobre os nossos limites até onde sou EU.  Segundo R.Steiner o sentido do TATO permite-nos a sensação da presença Divina.

O Sentido da Vida – dá-nos a sensação de estarmos no corpo, fazemos parte dele, recebemos informação sobre o estado do corpo – bem estar, mal estar através do sistema nervoso simpático e parassimpático recebemos a sensação do estado atual do nosso corpo.
Com o sentido do tato sentimos as fronteiras do nosso corpo físico, o sentido da vida informa-nos sobre o estado dos processos metabólicos que formam nosso corpo vivo, algo que está em constante vir a ser.

No Sentido do Movimento – temos a sensação do nosso movimento, normalmente só temos “consciência” de um movimento após o termos efetuado, na verdade o movimento baseia-se no nosso músculo que necessita contrair certas zonas e descontrair outras para que o movimento nasça , é a noção do estado da nossa musculatura que nos é transmitido pelo sentido do movimento. Como imagem; a imagem da orquestra e do que se passa entre os vários naipes e o solista. * Para Rudolf Steiner o sentido do movimento transmite-nos a sensação de liberdade – o pássaro em nós.*

O Sentido de Equilíbrio – é o sentido que tem um orgão especial que são os canais semicirculares no nosso ouvido interno , permite que ao movermo-nos de um lado para o outro não deixemos para trás o que vive no corpo. Quando me desloco carrego comigo o meu corpo – a sensação de paz interna é-me conferida pelo sentido de equilíbrio.

 Os  Sentidos  Médios (exteriores) – Sentimentos

O Olfato – o cheiro é-nos veiculado pelo elemento ar, eu cheiro porque o ar carrega substâncias que atuam sobre o nariz, existem mais de 4000 odores. p.ex: O olfato transporta-nos para memórias de infância. O que nós pensamos o animal cheira. O cão diferencia o mundo à sua volta através do cheiro

O Gosto ou Paladar – o gosto revela-nos as características das substâncias na medida em que elas estão dissolvidas na água. Existem 4 tipos de sabores que no fundo encontramos em todas as substâncias vivas – o salgado, o amargo, o ácido e o doce, estes 4 sabores estão presentes no mundo vegetal e também no mundo dos orgãos; o amargo do fel, o doce do sangue, o ácido no estômago.

A Visão – trata-se de um sentido complexo, mas no fundo o que a visão nos permite é a percepção das cores, mas nos olhos acabamos encontrando elementos de todos os sentidos inferiores, o tato, a vida, o equilíbrio, o movimento. A visão eleva de certo modo os 4 sentidos inferiores e ao fazê-lo permite ao Eu entrar em contacto com a luz do mundo.

O Sentido Térmico – o calor é uma substância em si, através do calor mantemos em equilíbrio o nosso mundo interno e assim permitimos à nossa organização do Eu viver. O sentido calórico não nos diz nada sobre a temperatura exterior mas sim sobre o equilíbrio entre o calor interno e externo.

Os Sentidos Superiores – Cognitivos

Nos Sentidos Superiores entramos numa área especificamente humana onde todos nós encontramos, onde todos somos uma irmandade.
Como humano queremos salientar o estado evolutivo da humanidade que se destaca dos demais reinos da natureza, apesar de ser pertencente a todos eles, o mundo físico, o mundo vegetal e o mundo animal.

O sentido da Audição – pela audição percebemos que cada elemento da natureza possui o seu próprio Tom, revelando a sua íntima natureza. Um metal soa diferente de um pedaço de madeira, assim como a voz humana se diferencia do som emitido por um pássaro.
Entramos em contacto com a íntima essencia de cada ser.

O sentido da palavra – pela Palavra percebemos a concreta essência conceitual do pensamento humano.

O sentido do pensar – pelo sentido do pensar percebemos o pensar do outro e o nosso próprio pensar, o que nos permite sentir o Homem como um ser dotado da qualidade de formar conceitos a respeito do que no exterior vive e vivenciar os conceitos da sua própria existencia.

O sentido do Eu - o sentido do Eu, nos possibilita sentir-nos unos com outro ser, passando a senti-lo como a nós mesmos. A possibilidade de nos percebermos como seres Humanos, verdadeiros, reais e espirituais, capazes de criar e de co-criar sem perder o conceito de sermos criaturas.

Os 4 Temperamentos

 

OS QUATRO TEMPERAMENTOS

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Todos nós, herdamos um temperamento dos nossos pais. Ele é a combinação de características congênitas que consciente ou inconsciente, afetam nosso procedimento.

Estas características do temperamento podem durar algum tempo ou até uma vida inteira. Tudo depende da intensidade de como lidamos com o nosso temperamento.

Tipos de Temperamentos

1. SANGUÍNEO

É sempre cordial, eufórico e vigoroso. Receptivo por natureza, toma suas decisões pelos sentimentos e não através dos pensamentos ponderados.
Pela natureza apaixonada e envolvida que possui, contagia um ambiente repleto de pessoas pela sua presença.
Por não gostar de solidão e ter grande convívio social, o sanguíneo sempre tem amigos. E são alvo de inveja de pessoas de temperamentos mais tímidos.
São bons vendedores, funcionários de locais de atendimento ao público, professores, conferencistas, atores, operadores, pregadores e ocasionalmente bons chefes.

Partes positivas e negativas do sanguíneo

Partes positivas:
• comunicativo
• destacado
• entusiasta
• afável
• simpático
• companheiro
• compreensível
• crédulo

Partes negativas:
• volúvel
• indisciplinado
• impulsivo
• barulhento
• inseguro
• egocêntrico
• exagerado
• medroso

Fraquezas: tomar atitudes baseadas em seus sentimentos, ser impaciente, ter vontade fraca e dificuldade para terminar o que começa.

Problemas causados: É uma pessoa precipitada, se distrai com facilidade, desperdiça tempo e conversa, irrita-se facilmente, instabilidade financeira e profissional, não é persistente.

2. COLÉRICO

É ardente, vivaz, ativo, prático e voluntarioso. Por ser decidido e teimoso, torna-se autosuficiente e muito independente.

Por ser ativo, estimula os que estão ao seu redor, não cede sobre pressões. Possui uma firmeza no que faz, o que o faz frequentemente obter sucesso.

Não é dado as emoções, por ser pouco analista, não vê as armadilhas na sua trajetória.

Muitos líderes mundiais e grandes generais foram coléricos. São sempre bons gerentes, planejadores, produtores ou ditadores.

Partes positivas e negativas do colérico

Partes positivas:
• energético
• resoluto
• independente
• otimista
• prático
• eficiente
• decidido
• líder
• audacioso

Partes negativas:
• intolerante
• vaidoso
• auto-suficiente
• insensível

Fraquezas: É impaciente, não tem compaixão, é inflexível, impetuoso, incontrolável.

Problemas causados: Torna-se exigente com os seus, é uma pessoa de muitos argumentos, impiedoso nas decisões, ausência de bondade, cria padrões difíceis de serem alcançados, utiliza-se das situações.

3. MELANCÓLICO

É analítico, abnegado, bem dotado e perfeccionista. Isto o faz admirar as belas artes.

É introvertido por natureza. Mas as vezes é levado por seu ânimo a ser extrovertido. Outras vezes enclausura-se como caramujo, chegando a ser hostil.

É amigo fiel, mas não faz amigo facilmente, por ser desconfiado. Tem habilidade de analisar os perigos que o envolve. Força-se a sofrer e sempre escolhe uma vocação difícil, que envolva grande sacrifício pessoal.

Muitos dos grandes gênios do mundo, artistas, músicos, inventores, filósofos, educadores e teóricos, eram melancólicos. Podemos ver estas características em personagens bíblicos de projeção como, Moisés, Elias, Salomão, o apóstolo João e muitos outros.

Partes positivas e negativas do melancólico

Partes positivas:
• habilidoso
• minucioso
• sensível
• perfeccionista
• idealista
• leal
• dedicado

Partes negativas:

• egoísta
• amuado
• pessimista
• teórico
• confuso
• antisocial
• crítico
• vingativo
• inflexível

Fraquezas: é uma pessoa crítica, voluntariosa em excesso.

Problemas causados: espera muito das pessoas, em troca do que faz. Intromete-se onde não deve, gasta tempo com o que não deve, atrapalhando seu serviço, tem aversão as pessoas que tem ponto de vista diferente, entra em atrito com as pessoas que se opõe ao seu caminhar.

4. FLEUMÁTICO

É calmo, frio e bem equilibrado, raramente explode em riso ou raiva, mantendo sempre suas emoções sobre controle. É o único tipo de temperamento coerente, mas tem muito mais emoção do que demonstra.

Por gostar do convívio social, não lhe faltam amigos e sempre encontra algo de engraçado nos outros. É simpático e tem bom coração. Não se envolve nas atividades alheias, sendo muito capaz e eficiente.

É conciliador e pacificador. São bons diplomatas, administradores, professores e técnicos.

Partes positivas e negativas do fleumático

Partes positivas:
• calmo
• cumpridor
• eficiente
• conservador
• prático
• líder
• diplomata
• bem humorado

Partes negativas:
• calculista
• temeroso
• indeciso
• contemplativo
• desconfiado
• pretensioso
• introvertido
• desmotivado

Fraquezas: ser indiferente ao que o cerca, indolência, sabe como provocar os outros.

Problemas causados: magoa as pessoas através das suas piadas, não se esforça para realizar suas tarefas em ritmo satisfatório.

Forjando a armadura

 

Forjando a armadura – Rudolf Steiner

Arcanjo Micael

Nego-me a me submeter ao medo
que me tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada,
que me toma pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue,que ocupa negativamente minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.
No entanto não quero levantar barricadas por medo
do medo. Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não
para encobrir meu medo.
E, quando me calo, quero
fazê-lo por amor
e não por temer as
conseqüências de minhas
palavras.
Não quero acreditar em algo
só pelo medo de
não acreditar.
Não quero filosofar por medo
que algo possa
atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só
porque tenho medo
de não ser amável.
Não quero impor algo aos
outros pelo medo
de que possam impor algo a mim;
por medo de errar, não quero
tomar-me inativo.
Não quero fugir de volta para
o velho, o inaceitável,
por medo de não me sentir
seguro no novo.
Não quero fazer-me de
importante porque tenho medo
de que senão poderia ser ignorado.
Por convicção e amor, quero
fazer o que faço e
deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o
domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que
existe em mim.

Versos para os dias da semana

 

Versos para os dias da semana – Rudolf Steiner

mondrian_gray_tree - Versos da semana

Domingo: A decisão

Até mesmo em relação às ações mais insignificantes, só tomar uma decisão com base numa ponderação plena e bem fundamentada. Todo procedimento impensado, toda ação irrelevante devem ser mantidos afastados da alma. Deve-se sempre ter, para tudo, razões bem ponderadas. Deve-se deixar de fazer aquilo que carece de um motivo significativo. Se estamos convencidos de que a decisão tomada é correta, devemos nos ater a ela, com toda a firmeza de ânimo.

Esse é o assim chamado “juízo certo” que não depende de simpatia nem de antipatia.

Segunda-feira: A fala

Dos lábios de quem aspira a um desenvolvimento superior, só deve manar o que tem significado e importância. Todo falar só para falar – por exemplo para passar o tempo – é, nesse sentido, prejudicial. Devemos evitar o tipo comum de conversa, em que se fala de qualquer assunto, numa mistura inconseqüente; por outro lado, não nos devemos excluir da convivência com nosso próximo. É justamente no contato com os outros que a conversa deve evoluir paulatinamente até adquirir um caráter relevante. Que se dê resposta a qualquer interlocutor, mas de forma pensada, em todos os sentidos. Nunca falar sem motivo! Gostar de ficar calado! Que se procure não falar demais nem de menos. Primeiro ouvir com atenção e calma, depois digerir.

Esse exercício também se chama “a palavra certa”.

Terça-feira – As ações exteriores

Estas não devem ser perturbadoras para nosso próximo. Quando nosso íntimo (consciência moral) nos leva a agir, devemos ponderar cuidadosamente sobre a melhor maneira de corresponder ao bem do todo, à felicidade duradoura do próximo, à essência eterna. Quando agimos a partir de nós mesmos – por iniciativa própria – devemos ponderar a fundo, de antemão, sobre os efeitos de nosso modo de proceder.

Isso também é chamado de “ação certa”.

Quarta-feira – A organização da existência

Viver de acordo com a natureza e com o espírito, não se deixar absorver pelas futilidades da vida exterior. Evitar tudo o que traz inquietação e pressa. Não precipitar nada, mas tampouco ficar inerte. Considerar a vida como um meio de trabalho, de elevação, e proceder de acordo.

Isso também é chamado “ponto de vista certo”.

Quinta-feira: O anseio humano

Devemos ter o cuidado de não empreender nada que esteja além de nossas forças, mas tampouco deixar de fazer o que está dentro de nossas possibilidades. Olhar para além do imediato e do dia-a-dia; fixar para si próprio metas (ideais) relacionados com os deveres mais elevados do homem. Por exemplo: procurar desenvolver-se por meio dos exercícios indicados, a fim de poder depois ajudar e aconselhar o próximo mais intensamente, mesmo que isso não se dê num futuro imediato. O que foi dito também pode ser resumido em:

“Transformar todos os exercícios precedentes em hábitos”.

Sexta-feira: O anseio de aprender com a vida o mais possível

Nada acontece conosco que não nos dê a oportunidade de colecionarmos experiências úteis para a vida. Se fizemos algo de forma errada ou incompleta, isso será um pretexto para fazermos, mais tarde, algo semelhante, mas de maneira mais correta e perfeita. Vendo outros agirem, devemos observá-los em seu caminho a um objetivo semelhante (embora sempre com um olhar carinhoso). Não devemos fazer nada sem antes lançarmos um olhar retrospectivo às nossas próprias vivências, que podem ser de ajuda em nossas decisões e realizações. Se estivermos atentos, podemos aprender muito com qualquer pessoa, inclusive com crianças.

Esse exercício também é chamado “memória certa”, isto é, lembrar-se do que foi aprendido, lembrar-se das experiências por que passamos.

Sábado – O pensamento

Prestar atenção nas próprias representações mentais (pensamentos). Só emitir pensamentos significativos. Aprender a distinguir, paulatinamente, em seus próprios pensamentos, o essencial do acessório, o eterno efêmero, a verdade da mera opinião. Ao escutar o que diz o próximo, procurar ficar totalmente quieto interiormente e renunciar a todo consentimento e, principalmente, a todo julgamento negativo (crítica, rejeição), também em pensamentos e sentimentos.

Essa é a assim chamada “opinião certa”.

Resumo

De vez em quando, olhar para o próprio interior, nem que seja durante cinco minutos por dia, sempre à mesma hora. Ao fazermos isso, devemos mergulhar em nós mesmos, apreciar-nos cuidadosamente, examinar e formar as normas de nossa existência, percorrer mentalmente nossos conhecimentos – ou o contrário, se for o caso – considerar nossos deveres, refletir sobre o conteúdo e a verdadeira finalidade da vida, sentir um autêntico desagrado em relação às nossas falhas e imperfeições. Numa palavra: cabe-nos descobrir o essencial, o duradouro, e levar a sério as metas correspondentes, por exemplo, a de adquirir determinadas virtudes (não devemos incorrer no erro de pensar que realizamos algo de forma perfeita, mas sim aspirar sempre a algo mais elevado de acordo com os modelos mais altos).

Esse exercício também é chamado “a contemplação correta”.

As Forças Zodiacais na Euritmia

 

As Forças Zodiacais na Euritmia

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1 – Áries: o acontecimento

Aries Eurit

2 – Touro: a ação

Touro Eurit

3 – Gêmeos: capacidade de ação

Gemeos Eurit

4 – Câncer: impulso para a ação

Cancer Eurit

5 – Leão: entusiasmo flamejante

Leão Eurit

6 – Virgem: sobriedade sensata

virgem Eurit

7 – Libra: ponderação através do pensamento

Libra Eurit

8 – Escorpião: o pensamento

Escorp Eurit

9 – Sagitário: a decisão

Sagit Eurit

10 – Capricórnio: confronto do pensamento com o mundo

Capric Eurit

11 – Aquário: o homem em equilíbrio

Aquar Eurit

12 – Peixes: o acontecimento se tornou destino

Peixes Eurit

Desenvolvimento da Virtude através da atuação da Vontade

 

O DESENVOLVIMENTO DA VIRTUDE ATRAVÉS DA VONTADE HUMANA

Exercícios precedentes

O homem, através da atuação consciente por meio do esforço e da vontade, é capaz de desenvolver em si qualidades anímicas profundas, que passam a refletir de sua Alma Individual.

A Devoção torna-se Capacidade de Sacrifício.

O Equilíbrio Interior torna-se Progresso.

A Força Constante e Perseverança tornam-se Lealdade.

O Altruísmo torna-se Catarse.

A Compaixão torna-se Liberdade.

Cortesia torna-se Percepção do Coração.

Contentamento torna-se Tranquilidade.

Paciência torna-se Compaixão.

Controle do Pensamento e da Palavra torna-se Percepção da Verdade.

A Coragem torna-se Força de Liberação e Redenção.

Discrição e Sigilo tornam-se Força Meditativa.

Generosidade e Magnanimidade tornam-se Amor.

Sofrimentos inevitáveis

 

Sofrimentos inevitáveis

sofrimentos inevitáveis

Costumo ouvir que os pais da atualidade querem poupar seus filhos de sofrimento. Por isso, sentem uma enorme dificuldade para dizer “não” a eles, para permitir que enfrentem as suas frustrações e para deixar que atravessem as situações difíceis que a vida lhes apresenta.

À primeira vista, esse discurso soa como uma verdade, não é mesmo? Afinal, temos visto crianças e adolescentes agirem sem se importar com as normas sociais porque eles se sentem protegidos pelos pais em todas as circunstâncias.

Entretanto, podemos pensar um pouco além dessa linha para tentar compreender melhor o relacionamento atual entre pais e filhos no que diz respeito à chamada “felicidade” das crianças.

Na realidade, pode ser que os pais façam mesmo de tudo para que os filhos não sofram. Mas é preciso considerar que, em geral, eles desejam proteger seus filhos apenas de determinadas experiências dolorosas –não de qualquer uma.

Os pais não querem, por exemplo, que os filhos se sintam excluídos de qualquer situação, de qualquer grupo e de qualquer atividade.

É em nome do desejo adulto de eliminar esse tipo de sofrimento que as crianças fazem as mesmas atividades que os colegas em seus dias de lazer, ganham os mesmos jogos e todo tipo de traquitana tecnológica, frequentam os mesmos lugares, usam roupas e calçados parecidos (quando não são iguais) e vão a mil festas de aniversários, muitas vezes de crianças que nem são amigas próximas.

Os pais também não querem, de maneira alguma, que seus filhos sofram por causa da escola. É por isso que vira e mexe eles vão falar com coordenadores, professores e diretores, reclamam de alguns profissionais, colocam os seus filhos em aulas particulares, fazem a lição de casa com eles –ou no lugar deles– e estão sempre prontos para defender suas crianças e seus adolescentes de qualquer sanção que tenha sido aplicada pela escola.

E é assim, entre tentativas de evitar um e outro tipo de sofrimento, que os pais vivem a ilusão de construir para seus filhos um mundo que só pode existir em outra dimensão: um mundo onde ninguém os rejeitará, onde não serão excluídos de nada e onde participarão de todos os grupos pelo simples fato de consumirem as mesmas coisas que a maioria.

Doce e amarga ilusão…

Porém, há alguns sofrimentos que os pais da atualidade não evitam que seus filhos experimentem. Ao esconder de crianças e jovens verdades da vida que os envolvem, esses pais fazem com que os filhos sofram se debatendo entre mentiras ou silêncios. Quando o tema é doença ou morte na família, por exemplo, isso acontece bastante.

O que os pais talvez não saibam é que, ao tentarem evitar que os filhos sofram a dor da perda, eles acabam provocando nos mais novos um sofrimento ainda maior que é a dor de não saber, de não entender, de não conseguir simbolizar a angústia que sentem.

Outra dor que os pais provocam e à qual não dão muita importância é a dor do abandono. Buscar o filho na escola bem depois do término da aula; deixar o filho sem parâmetros; permitir que a criança atue como se já fosse responsável por sua vida e colocar em suas mãos escolhas que deveriam ser de adultos são alguns exemplos de atitudes que fazem crianças e adolescentes se sentirem abandonados pelos pais.

E isso dói neles.

Uma garota de nove anos disse uma frase reveladora sobre essa sensação de abandono à sua amiga, que estava triste e constrangida por ter sido impedida pelos pais de acompanhá-la em um passeio: “Não chore por causa disso, não. Eu adoraria que os meus pais se importassem assim comigo”.

Os filhos são supostamente protegidos de sofrimentos muitas vezes inevitáveis e, ao mesmo tempo, são colocados em situações nas quais experimentam sofrimentos inúteis. Qual será o resultado desse tipo de equação?

Texto de Rosely Sayão

Lógica – Imaginação – Consciência

 

LÓGICA – IMAGINAÇÃO – CONSCIÊNCIA INDIVIDUAL (EU)

Einstein

 E através da Vontade do EU individual o ser humano é capaz de integrar as duas forças e caminhar com consciência.

Com uma atuação em desequilíbrio, a lógica te levará a rigidez e o imaginação à dissolução. Com o autodesenvolvimento, somos capazes de atuar com definição e amplitude.

Essas verdades já eram expressas pelos antigos através de vários símbolos e arquétipos. Um bom e bem conhecido exemplo são as cartas de tarô que possuem símbolos e arquétipos vinculados a processos mais sutis:

O LOUCO (Imaginação)

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A inconsciência. Inocência. Mundo Imagético. Criatividade. Improviso. Romper com os padrões. Egoísmo. Libertação da matéria. Desestruturação. Pode representar a desestrutura causada por uma liberdade ilimitada. Alienação da realidade, uma fuga do mundo ou, em um estágio mais avançado, a loucura. Em desequilíbrio pode causar a dissolução da alma individual. Forças Luciféricas.

O ENFORCADO (Lógica)

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Rigidez. Não-agir. Conhecimento puro sem interferência da vontade. Padrões definidos. Matemática. Química. Estruturas. Mente Coletiva. Mundo material. A imagem mostra o homem crucificado em uma teia de padrões, sem a capacidade de atuação pela vontade (EU). Em desequilíbrio pode causar a supressão da alma individual. Forças Arimânicas.

A TEMPERANÇA (Vontade, EU)

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Equilíbrio das partes, o ponto certo exigido. Visão interior, transmutação. Metamorfose. Alquimia. Fusão do fogo e da água, masculino e feminino. Estabilidade. Presença de Espírito. Conciliação dos opostos. Harmonia. Integração. Domínio das forças pela Vontade (EU). Energia Crística.

Incêndio no Goetheanum

 

O INCÊNDIO NO GOETHEANUM

Steiner x Goetheanum

Esta forte imagem mostra Steiner junto ao primeiro  Goetheanum pós o incêndio que o destruiu.

Goetheanum é a sede mundial do movimento antroposófico. Localizado em Dornach, Suíça, o centro inclui dois teatros, espaços para exposições e palestras, biblioteca, livraria e os escritórios da Sociedade Antroposófica. Seu nome é uma homenagem a Johann Wolfgang von Goethe.

O Goetheanum original foi projetado por Rudolf Steiner e destruído por um incêndio criminoso em 31 de dezembro de 1922.  Reconstruído inteiramente em concreto, só foi reinaugurado em 1928.

Aceleração no tempo

 

A ACELERAÇÃO NO TEMPO

Acontece com o ser humano um processo de desenvolvimento durante sua vida:

Nascimento – Infância -  Adolescência – Maturação – Velhice – Morte

O processo semelhante acontece com a Humanidade, com um desenvolvimento através de fases, também conhecidos como Rondas. A cada Ronda acontece um processo específico no desenvolvimento da Humanidade e como este processo se desenvolve, reflete nas próximas Rondas.

A atual fase, conhecida como a 4ª ronda (de 7 rondas) ou período terrestre, acontece na fase mais densa da matéria, onde as percepções suprasensíveis são praticamente abafadas devido a um processo específico (e essencial) de desenvolvimeto do EU humano. Esta densidade também é percebida na aceleração temporal, onde parece que o tempo corre mais rápido (e corre mesmo, mas o tempo é flexível e não necessariamente linear – como é percebida neste período).

O vídeo abaixo, entitulado “O buraco branco no tempo” mostra de uma forma bem simples essa aceleração através do tempo, sem recorrer a percepções mais sutis ou crenças em aspectos esotéricos – inclusive a teoria é desenvolvida por um físico.

As vogais na Euritmia

 

As Vogais na Euritmia

A euritmia é a linguagem e a música em movimento, poesia e arte enquanto o corpo faz gestos limpos com graça e força, com profunda vivência interior durante o movimento corporal.

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Consciente e inconsciente nos Contos e Fadas

 

O CONSCIENTE E O INCONSCIENTE NOS CONTOS DE FADAS

branca de neve

Nos Contos de Fadas, há sempre dois mundos:
O da Normalidade costumeira e o da Magia – do desconhecido, do Maravilhoso.
Transpondo esses dois mundos para nosso interior, temos:

Consciente: representado pela normalidade.
Inconsciente: representado pelo maravilhoso, a magia, o desconhecido.

Nos Contos vamos encontrar a relação estabelecida entre Consciente e Inconsciente, através dos contrastes que neles aparecem,como:

HERÓI – HEROÍNA

São os que participam da ação. Geralmente são pobres, jovens, fracos, desajeitados (quase sempre o filho mais jovem é quem vai solucionar os problemas através das tarefas a ele impostas, sendo chamado de Parvo ou Simplório) Os Heróis não têm características definidas, podendo ser bons, tristes, maus, felizes, bonitos, feios. Vão representar nos Contos, assim como nos Mitos, o” Rito Iniciático”, ou seja, saem em busca de resoluções ou a procura do amado, quase sempre respeitando ordens do pai ou da madrasta.
Ao final, quando vitoriosos, voltam ao seu mundo real.
Esta busca chama-se Individuação, a busca do Si-mesmo, do “EU”, tão importante para a sobrevivência na vida adulta.
O “EU” , é o Si-mesmo e representa a Totalidade da Psique. Ele emerge da Consciência Individualizada do Ego a medida que o indivíduo cresce.
Por isso, chama-se de Rito de Passagem esta mudança de uma idade para a outra concluída pela Individuação e maturidade na vida adulta. A cada fase o homem vai buscando esse Si-mesmo até ter o seu “EU” definido pela totalidade da sua psique.
O verdadeiro processo de Individuação, ou a Harmonização do Consciente com o nosso centro interior (núcleo psíquico) ou “EU”, começa exigindo um certo sofrimento, principalmente na fase da adolescência que são grandes as transformações e é sempre aí que aparece o Herói dos Contos e Mitos buscando o seu “EU”, através de tarefas impostas a ele e nem sempre fáceis de cumprir.

A Egrégora

 

A EGRÉGORA

angel of hope

À partir de um força de egrégora, a Antroposofia e a Pedagogia Waldorf são capazes de contribuir para que o ser humano desenvolva toda a sua capacidade, única e individual, para contribuir com o todo maior:

“Quando nosso íntimo (consciência moral) nos leva a agir, devemos ponderar cuidadosamente sobre a melhor maneira de corresponder ao bem do todo, à felicidade duradoura do próximo, à essência eterna”
- Rudolf Steiner

Egrégora provém do grego “egrégoroi” e designa a força gerada pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.
É uma força viva e que atua permanentemente na natureza.
Todos os agrupamentos humanos possuem suas egrégoras características:
todas as empresas, clubes, religiões, famílias, partidos, linhas de pensamento, nações e etc.
São capazes de se desenvolver, ficarem complexas e de se metamorfosearem.
Egrégora é como um filho coletivo, produzido pela interação das diferentes pessoas envolvidas. Se não conhecermos o fenômeno, as egrégoras vão sendo criadas a esmo e os seus criadores e simpatizantes tornam-se logo seus servos, já que são induzidos a pensar e agir sempre na direção dos vetores que caracterizaram a criação dessas entidades gregárias, como um vício.
Se conhecermos sua existência e as leis naturais que as regem, tornamo-nos capazes de guiarmo-nos conscientemente dentro destas forças.
A egrégora acumula a energia de várias pessoas, inclusive quanto mais energia o indivíduo despender, mais força estará emprestando à egrégora para que ela se incorpore às dos demais.
Uma egrégora criada com intenções saudáveis, tende a induzir seus membros a continuar sendo saudáveis.
Os antigos consideravam a egrégora um ser vivo, com força e vontade próprias, geradas a partir dos seus criadores e alimentadores, porém independente de cada um deles.