Arquivo mensais:julho 2013

A simbologia esotérica dos Contos de Fadas

A simbologia esotérica dos Contos de Fadas

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Porque os contos de fadas possuem os ingredientes místicos: A eterna luta do bem contra o mal, um desafio, uma luta, um caminho, uma travessia. Representação fantasiosa e mitológica como Fadas, duendes, dragões, bruxas, animais de poder, seres de outros mundos, dimensões paralelas. Principalmente a MAGIA.

Tem a luta das sete virtudes contra os setes pecados capitais:

  • Castidade x luxúria
  • Generosidade x avareza
  • Temperança x gula
  • Diligência x preguiça
  • Paciência x ira
  • Caridade x inveja
  • Humildade x soberba.

Tem sentimentos antagônicos em duelos, amor contra ódio, o próprio amor briga dentro de si, o amor puro, contra o amor egoísta. Os valores éticos, os valores espirituais, contra a imoralidade, o materialismo. Todos esses ingredientes, bastam para gerar uma leitura simbólica oculta.

Para quem os contos de fadas são produzidos? Somente para as crianças, diria um afoito! Não! As crianças acreditam na magia, os adultos percebem a racionalidade.
Nos Contos de Fadas, há sempre dois mundos: O da Normalidade costumeira. Para convencer o racional o lógico. O da magia, do desconhecido, do maravilhoso. O surpreendente, esse é o mundo interior.

Dessa forma, temos:

Mundo Consciente - representado pela normalidade.
Mundo Inconsciente - representado pelo maravilhoso, a magia, o desconhecido.

OS PROTAGONISTAS

O Herói/Vilão – São os que participam da ação. Geralmente os Heróis são pobres, jovens, fracos, desajeitados (quase sempre o filho mais jovem é quem vai solucionar os problemas através das tarefas a ele impostas, sendo chamado de Parvo ou Simplório). Os Heróis não têm características definidas, podendo ser bons, tristes, maus, felizes, bonitos, feios. Vão representar nos Contos, assim como nos Mitos, o ”Rito Iniciático”, o neófito, o aluno, o principio do caminho da iniciação.
O Vilão é forte, vigoroso, imperioso, mas anseia mais poder, pois é mortal, finito, representa a materialidade, o corpo e o seu processo de deterioramento.

O Herói e o Vilão dentro do esoterismo são duas forças dentro de si mesmo. A cara e a Coroa, Positivo e o Negativo, o bem e o Mal, o espírito e a matéria, a luz e a escuridão. A consciência e a inconsciência. O despertar e o sono.

É esta busca que Jung chama de individuação, a busca do si-mesmo (EGO), do self, tão importante para a sobrevivência na vida adulta.

O Self , é o Si-mesmo e representa a Totalidade da Psique. Ele emerge da Consciência Individualizada do Ego a medida que o indivíduo cresce.

Por isso, Jung chamou Rito de Passagem esta mudança de uma idade para a outra concluída pela individuação e maturidade na vida adulta. A cada fase o homem vai buscando esse si-mesmo até ter o seu self definido pela totalidade da sua psique.

O verdadeiro processo de individualização, ou a Harmonização do Consciente com o nosso centro interior (núcleo psíquico) ou self, começa exigindo um certo sofrimento, principalmente na fase da adolescência que são grandes as transformações e é sempre aí que aparece o Herói dos Contos e Mitos buscando o seu si-mesmo, através de tarefas impostas a ele e nem sempre fáceis de cumprir.

O esoterismo nos contos

Segundo Ana Paulo Montandon: “Os contos de Fadas tradicionais foram transmitidos oralmente por várias diferentes culturas, e foram compilados e publicados pela primeira vez pelos irmãos Grimm em 1786. Dizem que eles saíam pelo interior da Alemanha e outros países da Europa, perguntando sobre pessoas que sabiam e contavam histórias para crianças.

Diz-se que uma certa vez, descobriram uma senhora, já bem velhinha, que sabia muitos contos infantis antigos, e aceitou contar-lhes todos, contanto que os mesmos a visitassem todas as tardes para um chá. E assim foi feito. A cada tarde a senhora contava aos Irmãos Grimm, que anotavam palavra por palavra, muitas das histórias que hoje lemos aos nossos filhos.

Hoje se sabe que todos estes contos tradicionais baseiam-se em mitos mais antigos ainda, e possuem uma interpretação profunda, que representa o próprio caminhar da humanidade, a própria existência humana.

Os vilões, bruxas e criaturas do mal, por exemplo, representam as dificuldades e percalços que temos que enfrentar ao longo de nossa vida.

As fadas-madrinhas, gênios e outros personagens que sempre ajudam os heróis são os próprios poderes latentes do homem e a própria natureza, que põem-se em marcha, despertados pela vontade e coragem destes heróis diante dos problemas.

O “e foram felizes para sempre” não é uma visão míope e boba do amor romântico, mas a descrição do momento em que o homem vence seus próprios defeitos e apossa-se do que tem de mais puro e belo: sua alma – Ascenção.

Pensando bem os Contos de Fadas não deveriam ser lidos só pelas crianças, mas, principalmente por nós, adultos. Seria uma forma de nos lembrar que, sim, vale a pena ser honesto, fazer o bem, ajudar, embora tudo a nossa volta dê a impressão de que seja exatamente o oposto.

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O nascimento psicológico do bebê

O nascimento psicológico do bebê

O segundo parto de uma mãe

Cristina Silveira

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Os nascimentos biológico e psicológico do bebê não coincidem no tempo. O nascimento psicológico do bebê se dá, paulatinamente, através de um processo de separação-individuação, que se inicia por volta do segundo mês e vai desenvolvendo-se até aos 30, 36 meses de vida. Nesse período, o bebê vivencia algumas fases importantes, em que, pouco a pouco, toma consciência da existência do agente materno.

Inicialmente, a partir do segundo mês, o bebê passa pela fase da onipotência absoluta, em que ele não tem consciência do agente materno como algo fora do seu self (de si mesmo).  O bebê se comporta e funciona como se ele a sua mãe fossem um sistema onipotente, não separado. Por isso, nesse período, as mães têm uma grande afinidade com seus bebês, a intuição é bastante forte e a mãe regride, para dar conta dessa relação estreita e dependente. Nesse período, é importantíssimo que os pais sejam compreensivos e protejam essas mães, pois a relação entre ambos é intensa demais.

Em seguida, o bebê parte para a vivência de sua onipotência alucinatória condicional, tomando uma consciência turva de que a satisfação de suas necessidades não provêm da sua própria pessoa, mas de algum lugar externo a seu self (início da fase simbiótica). Ou seja, começa a reconhecer traços da mãe fora de si mesmo.  Nesse momento, o ego rudimentar do bebê tem que ser complementado pelo vínculo emocional. É nessa matriz de dependência psicológica e sociobiológica da mãe é que se dá a diferenciação estrutural que vai levar à organização do indivíduo: o ego em funcionamento visando a sua adaptação ao meio onde está inserido. A partir daí, serão realizadas as experiências contato-perceptivas,  incluindo todo o corpo do bebê. O contato olho a olho com a mamãe, na amamentação, na troca de fraldas, no banho origina, organiza ou faz eclodir a resposta social do sorriso. É também na face da mãe que acontece a  primeira imagem visual do bebê. A mãe funciona como um ego auxiliar, é uma organizador simbiótico – a parteira da individuação do nascimento psicológico de seu filho. O amor e afeição da mãe pelo filho o tornam um objeto de continuo interesse e, além desse interesse persistente, essa mãe  oferece uma gama sempre renovada, rica e variada, e todo um mundo de experiências vitais. Vitais, porque a criança responde afetivamente a este afeto. Portanto a atitude emocional e a afetiva da mãe servirá para orientar os afetos do bebê e conferir qualidade de vida ao bebê e toda a sua saúde mental futura.

 E NASCE UM SER PSICOLÓGICO

A primeira separação entre mãe e criança se dá entre seis e nove meses. É o momento em que a criança diferencia o eu do não-eu. A criança não percebe quem ela é, mas que ela é, ou seja: inicia-se o processo de separação-individuação. A individuação é o processo através do qual ela perceberá quem ela é e inicia-se  aos 30 meses e podem ser descritas como diferentes modos de organização do ego e de sua relação com o meio ambiente. Nesse período pode-se observar comportamentos da criança como: puxar o cabelo, as orelhas, o nariz da mãe; tentar colocar comida na boca da mãe; afastar o corpo dela quando no seu colo, de modo a poder olhá-la melhor,  examinando-a e ao mundo ao seu redor. Estes comportamentos são sinais definidos de que o bebe começa a diferenciar seu próprio corpo do corpo da mãe.

Enquanto a “gestação psicológica” é fruto da presença materna, o “parto psicológico” é fruto da ausência da mãe. O nascimento psicológico ocorre porque, entre a sensação de necessidade e o seu desaparecimento através da satisfação, existem algumas falhas.

Estas falhas ou faltas, desempenham um papel fundamental no desenvolvimento adaptativo da criança. A percepção do ambiente baseia-se na tensão gerada por um impulso não satisfeito. Freud já dizia que uma condição para que se faça o teste da realidade é que os objetos que uma vez trouxeram real satisfação tenham sido perdidos. Ou seja, as mães não são perfeitas, e é essa providencia divina que faz com que os bebes amadureçam e nasçam psicologicamente, depois de uma “ Gestação Psicológica”  de muito afeto e presença!

Resumindo: à medida em que a relação evolui, a mãe vai recuando nessa sua atividade e fornecendo os elementos para que a criança adquira sua autonomia. Esta é uma conquista da criança que tem de superar frustrações para se organizar no nível imediatamente superior, proporcionando a separação e a individuação da criança, que são frutos de sua  atividade da na sua interação com o mundo.

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A CRIANÇA QUE VIVE…

A CRIANÇA QUE VIVE…

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“A criança que vive com o ridículo aprende a ser tímida.
A criança que vive com crítica aprende a condenar.
A criança que vive com suspeita aprende a ser falsa.
A criança que vive com antagonismo aprende a ser hostil.
A criança que vive com afeição aprende a amar.
A criança que vive com estímulo aprende a confiar.
A criança que vive com a verdade aprende a ser justa.
A criança que vive com o elogio aprende a dar valor.
A criança que vive com generosidade aprende a repartir.
A criança que vive com o saber aprende a conhecer.
A criança que vive com paciência aprende a tolerância.
A criança que vive com felicidade conhecerá o amor e a beleza.”

Ronald Russel

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A VONTADE

VONTADE – FORÇA MOTRIZ DO DESENVOLVIMENTO HUMANO

Dra. Elaine Marasca Garcia da Costa

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Pela história, pela geografia, por necessidade ou intuição, o destino do ser humano parece ser misteriosamente pautado pelo andar adiante, ir em frente, desenvolver-se.

Passo a passo fomos incorporando saberes, plasmando práticas, construindo espaços, definindo preferências, organizando grupos, aldeias, cidades, países…

Formatados e guiados por uma mescla de princípios, fomos convidados a ganhar (e dominar) o mundo, apropriando-nos da grande casa de todos nós: o planeta Terra.

Em tempos remotos, os impulsos para o caminho do desenvolvimento costumavam partir das esferas espirituais. Os deuses e seus representantes ditavam os fazeres humanos.

Gradativamente nos distanciamos desse vínculo para ganhar, cada vez mais, a materialidade terrena. Do percurso desses caminhos, aprendemos a transformar, com nossa inteligência e nossas mãos, os produtos terrenos em processos, formas, sistemas – hoje conhecidos como ciência e tecnologia.

Entre esses 2 caminhos uma atividade sempre esteve presente desde o início dos tempos e permanece até hoje como uma “ponte” de ligação entre, digamos, os mundos superiores e o mundo terreno – ela faz uma tradução das possibilidades de desenvolvimento do pensar e do sentir humanos, vinculando-se aos protagonistas da própria constituição físico-espiritual do homem: formas, cores, sons, palavras.

Essa maravilhosa ponte se denomina ARTE e evidencia a consciência ou inconsciência, as pluralidades e polaridades que caracterizam a condição de SER Humano, em cada época em cada cultura, em cada povo. São, portanto três os impulsos que tem presença garantida desde tempos inenarráveis na condução desse “andar adiante” da humanidade na busca de seu desenvolvimento: a religião, a arte e a ciência.

Olhando para imensidão do nosso planeta, detectamos que pelos mais variados motivos, (geográficos, de ocupação, colonização e muitos outros), uns desenvolveram mais os aspectos religiosos (Índia), outros a arte (Itália), outros a Ciência (América) – Porém os três estão sempre presentes, impulsionando em maior ou menor grau, o desenvolvimento de cada povo.

Fazendo um salto imaginário para nossa época – espera-se hoje que desenvolvimento seja meta de seres humanos sadios tanto individual quanto socialmente. Tanto é assim que essa premissa serve de medida de qualidade de vida de um povo – as nações hoje são medidas pelo seu Índice de Desenvolvimento Humano, O famoso IDH que elevou, recentemente, o Brasil à categoria de país desenvolvido (?).

Com a observação ampliada poderíamos focar um ponto cuja especificidade responderia pela alavanca mestra de, praticamente, todos os processos de desenvolvimento. Uma característica humana por excelência, motor e fonte de todo processo de desenvolvimento individual e social – a força da nossa VONTADE!

Esse impulso que, apesar de primariamente nascer do inconsciente, garante uma projeção para o “vir a ser” para o futuro, empurra nossas ações nessa direção dando-lhes ensejo e conseqüência.

A vontade está diretamente atrelada à coragem, veículo para todas as realizações humanas. Nós dependemos da qualidade de nossa vontade para agir no mundo. Vontade e coragem são os fios condutores do fazer humano.

O fazer exige esforço e sacrifício – atitudes não tão aplaudidas pelo mundo moderno – parece até fora de moda. Esforçar-se verdadeiramente, impingir direção aos objetivos virou privilégio de poucos: alguns esportistas, raros empreendedores em áreas diversas. Uma visada geral de nossos adolescentes principalmente, nos darão um retrato preciso dessa verdade.

A garra e o poder que essa vontade forte nos premia, não é tão interessante para os “manipuladores” de massas – dragões da desumanização, do retrocesso e da mentira, que querem fixar o homem na matéria impedindo sua verdadeira evolução. As facilidades são uma sedução que se apressam de todos os nossos sentidos e sistemas por muitas vezes caricaturadas com desenvolvimento.

Respeitadas as devidas causas e proporções, poderíamos eleger a deficiência ou falta da vontade (ou a força gerada por uma vontade forte) como um sério indicador de um sem número de doenças da atualidade, começando pelos processos de depressivos, por ex. O que o depressivo menos possui na vida é a vontade – em casos extremos, até mesmo de viver!

Nossa época exige um “olhar de frente” para essas realidades; não se deve pensar em simplesmente matar os dragões ou fingir que eles não existem – seria o mesmo que sonhar em aniquilar todos os problemas, todo stress. Isso é impossível – eles são onipresentes e reais.

A postura do homem atual é a do convívio e enfrentamento dessas forças de maneira sensata. É preciso dominá-las, subjugá-las à nossa vontade que se apresenta como FORÇA imbatível que nos move no caminho do desenvolvimento – ser resiliente.

Fortalecer nossa vontade – exercitada todos os dias com ritmos de vida adequados, alimentação, busca de conhecimento e bons relacionamentos geram a saúde da vontade e sua força.

Disciplinemos nossa vontade e, pelo conhecimento, iluminemos nosso pensar para não nos deixar enganar por aqueles que querem nos dominar – sejamos o senhor de nosso destino. Tomemos a vida em nossas mãos.

Força de vontade e coragem sejam nossos mestres…

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Os 7 processos vitais

Os 7 processos vitais

processos vitais

As forças do zodíaco atuam sobre a forma externa do ser humano e, observando um embrião no útero materno, a cabeça do embrião encosta nos pés do embrião, formando quase um círculo fechado, ou uma circunferência de 360º. O zodíaco portanto que circunda a terra tem um acesso direto sobre o embrião de toda a circunferência. A criança nasce, na sua gestação de nove meses sofreu a atuação de 9 forças. Nos 3 primeiros meses de vida, as outras 3 forças completam a sua atuação.

De áries, que atua na região da cabeça, vamos até peixes, atuando nos pés.

No reino animal, as forças zodiacais atuam sobre o animal de maneira diferenciada, esgotando-se na forma externa do animal, onde temos então Leões, Touros, Águias, Capricórnios (cabras) etc.

No homem essa força formativa animal, permanece em estado nascendi e as doze forças formam toda a forma externa do ser humano. É o nível anímico que essas forças se expressam como qualidades diferentes da alma e cada signo tem as suas características individuais (Vide: As Forças Zodiacais – de Gudrun K. Burkhard – Ed. Antroposófica).

As forças dos signos inferiores, provenientes da terra, e responsáveis pela formação dos membros – Sagitário (coxas), Capricórnio (joelhos), Aquário (panturrilhas) e Peixes (pés) e que, segundo Rudolf Steiner, tem a haver com as atividades primordiais do homem (caça, domesticação de animais, agricultura e comércio), fazem com que o homem se coloque na postura ereta, tendo a cabeça na parte superior, imersa no cosmos e os pés sobre a terra, na sua parte inferior.

Emancipando-se o homem da horizontalidade dos animais, erguendo-se, a sua cabeça torna-se portadora das forças do passado, das forças vindas de encarnações passadas.

É a partir da cabeça que todo nosso corpo é formado, a partir do nosso carma passado.

O ser humano como único da criação é então capaz de se reencarnar e trazer as forças das encarnações passadas dentro de si, transformá-las em presente e direcioná-las para o futuro.

Dentro da forma se esparrama a vida. No nosso corpo etérico vital temos 7 estágios de vida, os sete processos vitais.

Indo da periferia ao centro, temos:

1º – A vida sensorial – através dos nossos órgãos dos sentidos, as impressões sensoriais vêm de fora. Os nossos órgãos dos sentidos são órgãos quase físicos (por exemplo: nossos olhos, nosso ouvido, principalmente), a vida tem que morrer. Quando o olho se vitaliza (enche de sangue, inflama, já não enxergamos). Então R. Steiner denomina esse primeiro processo de Vida Sensorial ou de vida que morre.

2º – Após penetrar a sensação sensorial para dentro do organismo, ela congela, ela tem que ficar conservada através dos nervos – penetra de fora para o interior. R. Steiner fala desse processo como Vida Nervosa ou vida que conserva.

3º – O terceiro processo que vem se juntar é a respiração. Na vida respiratória o ar que se interioriza ritmicamente pelos pulmões, na inspiração movimenta o liquor (da medula – do sistema nervoso) e agora se passa um processo sutil e difícil de entender, que através dessa junção do processo respiratório ao fluxo nervoso começam a se criar imagens; o corpo etérico se torna o corpo formativo de imagens, pensamentos abstratos tem a haver com o nervo; através da respiração temos em nós a vida formativa de imagens. Assim, imagens externas estrelares penetram em nós e vão dar “imagens” para os nossos órgãos poderem se formar.
Então nesse terceiro processo temos o processo respiratório e a vida formativa de imagens.

4º – Na vida circulatória, o processo circulatório leva agora essas imagens para todo o corpo, é um grande processo de expansão.

5º – A vida digestiva, nutritiva, processo metabólico, agora faz com que a substância (indo do terrestre, da alimentação) é introduzida nessas imagens formando-se assim os órgãos substanciais (órgãos preenchidos de substâncias).

6º – Agora a vida do movimento, faz com que nós nos ordenamos dentro do mundo externo através do movimento. O organismo em especial, os músculos são tomados pela força vital, pela força do movimento.

7º – Finalmente, a vida reprodutiva, a vida renovadora se manifesta tanto interna, na reprodução das células, quanto a externa, na formação de um novo ser humano, portanto temos o processo de criação.

Esses 7 processos vitais têm origem, nas 7 forças planetárias: Saturno , Júpiter , Marte , Sol, Vênus , Mercúrio e Lua.

Podemos ordenar os 7 processos, dentro da trimembração, quando temos então o seguinte esquema:

Sistema neuro-sensorial:

1) Vida que morre – órgão dos sentidos
2) Vida que conserva – sistema nervoso

Sistema rítmico

3) Vida que forma imagens – respiração
4) Vida que expande as imagens – circulação

Sistema metabólico / locomotor

5) Vida metabólica – nutrição
6) Vida do movimento – interiorização da força da terra
7) Vida reprodutiva – vida renovadora, criadora

Esses processo atuam mais intensamente sempre quando o planeta encobre o Sol, do ponto de vista terreno.

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Limites

Por que é tão difícil colocar limites no seu filho

Juliana Vines

Colocar limite na criança

Os pequenos tiranos de hoje são resultado do encontro de duas gerações sem limites, diz Tania Zagury, mestre em educação e autora de “Limites Sem Trauma” (Record).

“Quem está criando filhos agora são os que já tiveram liberdade na infância e estão frente a uma situação que não vivenciaram: os filhos deles também querem fazer de tudo. A liberdade da criança acaba tirando a dos pais.”

Zagury fez um estudo com 160 famílias no início dos anos 1990, quando já identificava o surgimento da tirania infantil. “Os pais dos anos 1980 tinham sido criados de forma dominadora e queriam uma educação liberal.”

Entre os anos 1970 e 1980 a criança se tornou ator da história, segundo Mary Del Priore, organizadora do livro “História das Crianças no Brasil” (Contexto).

A tendência começou depois da Segunda Guerra. Ao mesmo tempo, surgiram leis de proteção à infância, jovens ganharam visibilidade no cinema e na publicidade e as famílias diminuíram.

“A mulher [que trabalha fora e começa a tomar pílula] passa a querer ter menos filhos para criá-los bem. E a criança ganha lugar como consumidora. Há uma transformação no papel dos pais”, afirma a historiadora.

CRISE DE AUTORIDADE

O problema é que a balança foi toda para o outro lado: da rigidez à frouxidão, analisa o psicanalista Renato Mezan, professor da PUC-SP. “Por um lado, é um avanço social, há mais diálogo na família e mais decisões consensuais. Mas, por outro, os pais têm medo de exercer a autoridade legítima. É uma crise de autoridade generalizada.”

Há também uma inversão de papeis, segundo a pedagoga Adriana Friedmann, doutora em antropologia e coordenadora do Nepsid (Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento).

“Há uma ‘adultização’ precoce e, ao mesmo tempo, um prolongamento da infância”, diz. “Não dá para culpar só os pais. Todos são vítimas da tendência sociocultural. As crianças estão expostas a um grande número de estímulos e influências da mídia.”

Para a psicanalista Marcia Neder, os pais se sentem obrigados a mimar os filhos e há muitas exigências em torno de um ideal da mãe perfeita. “Fica difícil dizer ‘não’ em uma sociedade que trata a criança como um deus. O filhocentrismo.

MAMÃE EU QUERO

Encontrar o equilíbrio pode ser complicado quando a criança tem entre dois ou três anos, aponta Friedmann. “Elas estão na fase de se descobrirem como pessoas com identidade única. Nesse período, há uma necessidade da afirmação do eu, por isso experimentam um jogo de força com os adultos.”

É fundamental os pais terem clareza sobre quais regras vão impor aos filhos. Só assim conseguirão ser firmes.

“Os limites devem ser colocados na primeira infância, quando se constroem as bases da personalidade”, acrescenta Friedmann.

A psicopedagoga Maria Irene Maluf, membro da Associação Brasileira de Psicopedagogia, lembra que regras dão segurança. “A opinião da criança não deve ser ignorada, mas ela não sabe escolher o que é melhor para ela. Ninguém nasce autônomo.”

No fundo, mesmo os mais rebeldes gostam de saber até onde podem ir, complementa a também psicopedagoga Betina Serson. Para quem tem um déspota mirim em casa, ela recomenda começar a disciplina estabelecendo uma rotina, um ritmo.

“A ideia de que colocar limites pode ser danoso à criança é errada”, afirma Mezan. Segundo ele, a inexistência de regras gera ansiedade dos dois lados.

“Qualquer renúncia ao prazer imediato passa a ser vivida como uma frustração insuportável pela criança. Muitas vezes, porque seu desejo é logo satisfeito, ela acaba valorizando pouco o que tem”, afirma.

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UM MINUTO A MAIS NA TV

UM MINUTO A MAIS NA TV

Valdemar W. Setzer

www.ime.usp.br/~vwsetzer

Original de 17/5/13

1 minuto a mais

Recentemente nossa presidente criou mais um ministério, o 39º, nomeando o respectivo ministro. (Será que ela terá coragem de criar um 40º, completando o sugestivo e alibabesco número?) Dizem as más línguas, ou talvez as bem informadas, que com esse ato ela cooptou mais um partido a apoiá-la nas próximas eleições presidenciais de 2014, e que isso foi devido a um minuto ou minuto e meio a mais que, com o apoio do partido do novo ministro, o partido da presidente ganhará adicionalmente para sua propaganda no “horário eleitoral” da TV. Talvez o novo ministério, chamado eufemisticamente de “secretaria”, seja realmente necessário e que seu titular seja uma pessoa muito especial, devendo trazer importantes realizações para o país. (Nesse caso, por que esse cargo não foi criado muito antes, com a nomeação de seu detentor?) No entanto, só o fato de as tais más línguas, ou bem informadas, terem mencionado como fator principal para essa criação e nomeação o tal de minuto a mais na TV, tornando essa razão uma possibilidade, deveria levar a algumas reflexões.

Por que se dá tanta importância a esse tempinho a mais de propaganda partidária na TV? A resposta óbvia ululante é “Porque funciona!”. Isto é, com um minuto a mais na TV um partido qualquer consegue convencer um número significativo de eleitores a votar em seus candidatos, independente dos currículos e projetos dos mesmos. E por que isso acontece? Muito simples: porque a TV não é um veículo de comunicação predominantemente educacional e informativo, e sim predominantemente condicionador. Há várias evidências nesse sentido. Vários estudos científicos, tendo sido o primeiro o de H.E. Krugman em 1971 usando registros de eletroencefalograma e de movimentos dos olhos, mostraram que a TV normalmente induz em um telespectador um estado de desatenção, de semiconsciência, de sonolência, um estado semi-hipnótico. É muito fácil qualquer pessoa comprovar isso em si mesma: basta ver algum programa e tentar pensar ativamente em cada imagem que aparece na tela e em cada frase que é ouvida. Em pouco tempo, de meio minuto a um minuto e meio, nota-se que se fica mentalmente exausto, e a tendência é de relaxar a mente e parar de pensar conscientemente. Isso é devido ao fato de as imagens normalmente se sucederem rapidamente: em geral, há de 15 a 25 mudanças de imagem por minuto, incluindo aí mudanças de fundo, efeitos zoom, aparecimento ou mudança de letreiros etc. Em vídeo clips, as mudanças são frenéticas, literalmente psicodélicas, ocorrendo em geral uma a cada segundo. O leitor pode verificar tudo isso por conta própria. Se o telespectador resolve pensar sobre uma imagem ou frase, logo aparecem outras que lhe tiram a atenção. A própria atividade cerebral geral diminui: detectou-se que, ao se ligar a TV as amplitudes das ondas cerebrais registradas em um eletroencefalograma reduzem-se a 1/5 das amplitudes de estados de atenção, como na leitura (F. Emery, 1976; para mais detalhes sobre essa pesquisa e as outras citadas neste texto, veja-se no site do autor o seu artigo “Efeitos negativos dos meios eletrônicos em crianças, adolescentes e adultos”, onde são citados literalmente mais de 100 publicações científicas).

Essa sucessão rápida de imagens é uma necessidade produzida pelo aparelho, pois se a imagem parar não há necessidade de o telespectador olhar para a tela e ele considerará o programa monótono, mudando de canal ou adormecendo. (Muitas pessoas têm uma proteção inata contra a TV: ligam-na e logo passam do estado de sonolência para o de sono profundo.) No estado de desatenção, semi consciente, tudo o que é visto ou ouvido é gravado no subconsciente, influenciando posteriormente as ações da pessoa. É por isso que houve um casamento perfeito entre a TV e a propaganda. Por exemplo, a rede McDonald’s gastou só em propaganda na TV, só nos EUA, só em 2002, a bagatela de US$ 510,5 milhões, segundo Susan Linn, em seu excelente livro Crianças do Consumo: a infância roubada, editado em 2006 pelo também excelente Instituto Alana. Uma empresa mundial desse porte não iria jogar tal quantia no ralo. Ela gastou essa fábula de dinheiro porque isso certamente induziu pessoas a consumirem os produtos de sua rede, o que deve ter proporcionado enormes lucros líquidos.

Por que foi proibida a propaganda de cigarros na TV? Porque ela funcionava, isto é, induzia as pessoas a fumarem e com isso ingerirem a fumaça venenosa e mal cheirosa dos cigarros. Uma pesquisa liderada por R.J. Hancox na Nova Zelândia, publicada em 2004, detectou que crianças e jovens que viam muita TV (mais de 4 h/dia, o que está próximo da média geral), tinham 17% a mais de chance de fumarem na idade de 26 anos. O estudo foi longitudinal, isto é, acompanhando as pessoas em várias idades. O mais impressionante desse estudo é que ele começou quando na Nova Zelândia já era proibida a propaganda de cigarros na TV! Hancox e colaboradores hipotetizaram que esse efeito maléfico foi devido à aparição, na TV, de pessoas fumando em filmes e novelas, em entrevistas etc. A propósito, além de incomodar os não fumantes, o fumo produz muito mal à saúde no longo prazo. Mas há outra classe de drogas que produzem males psicológicos a curtíssimo prazo, além de prejuízos fisiológicos a longo prazo: trata-se das bebidas alcoólicas, que alteram imediatamente o estado de consciência – por isso a nossa “lei seca” para os condutores de veículos. Então, por que não foi proibida a propaganda de bebidas alcoólicas na TV que, garantidamente, induzem o consumo pois, se não o fizessem, não seriam veiculadas? Talvez seja por influência das indústrias dessas bebidas, talvez por interesses econômicos e políticos escusos. Levou bastante tempo para se desmascararem artigos pseudocientíficos pagos pelas indústrias do fumo, mostrando falsamente que os cigarros não faziam mal à saúde. Mas não há a mínima necessidade de se provar o efeito maléfico de bebidas alcoólicas: qualquer um pode ver isso em pessoas e sentir em si próprio. Todos sabem que o alcoolismo constitui um dos maiores males individuais e sociais do Brasil. Essa situação atesta para o cinismo daqueles que, abusando da liberdade no lugar errado dada pelo capitalismo selvagem, não têm um pingo de pejo em prejudicar as pessoas, desde que lucrem com isso. Note-se que o CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária), um órgão do qual fazem parte representantes de emissoras de TV, que deveria ditar normas para elas se autorregularem, não teve interesse ou não foi capaz de coibir a propaganda de cigarros; foi necessária uma lei nesse sentido. Analogamente, apesar de um dos “preceitos” do CONAR descritos em seu site ser que ele “deve ter presente a responsabilidade da cadeia de produção junto ao consumidor”, isto é, ele deveria ser contra qualquer propaganda de produtos que façam mal à saúde do consumidor, provavelmente jamais proporá ou conseguirá a eliminação total de propaganda de bebidas alcoólicas, especialmente na TV.

Voltando à TV, vê-se portanto que ela é um veículo de condicionamento de ações. Independente do que é transmitido, esse aparelho não é um veículo educacional pois educação é um processo de longuíssimo prazo, essencialmente ativo, isto é, contando necessariamente com a participação de quem está aprendendo. Ora, tudo na TV é rápido, curto, e ela é apassivadora, não só fisicamente, mas também mentalmente. Uma pesquisa feita na Alemanha por R.C. Klesges em 1993 detectou que uma pessoa deitada sem dormir consome mais energia do que uma pessoa vendo TV! Isso é compreensível, pois a atividade cerebral normal consome 20% da energia gasta pelo corpo. Somando-se a essa passividade física, inclusive a cerebral, o aumento induzido pela TV do consumo de docinhos, salgadinhos e essas verdadeiras águas poluídas que são os refrigerantes, e se chega a uma das principais causas das terríveis epidemias de excesso de peso e de obesidade que grassam pelo mundo televisado, com desastrosas consequências fisiológicas e psicológicas. Nos EUA, 2/3 da população tem excesso de peso, sendo que 1/3 da população é ainda obesa. A TV é em extensão a maior tragédia que já ocorreu para a humanidade.

Há ainda um outro fator importantíssimo do ponto de vista educacional: toda educação foi e é altamente contextual. Uma professora numa escola dá hoje uma aula como continuação da aula anterior, dada ontem ou na semana passada. Além disso, idealmente, ela dá aulas de um mesmo assunto de maneiras diferentes para classes distintas. O bom professor deveria conhecer cada aluno individualmente, um dos fatores do grande sucesso mundial da pedagogia Waldorf (procurem-se materiais sobre ela na Internet). Mas a TV não apresenta nenhum contexto individual, já pela sua natureza de ser um veículo de comunicação de massa. O livro, em muito menor escala, também o é, mas ele incentiva cada pessoa a prestar atenção no que lê e a formar suas próprias imagens interiores, especialmente nos romances, biografias e poesias. Já a TV e todos os aparelhos com tela (nos computadores, quando exibem filmes ou animação) apresentam imagens prontas, não permitindo a criação de imagens interiores pelo usuário. Com isso, a TV é um verdadeiro veículo antieducacional, pois prejudica a fantasia e portanto a criatividade.

Uma outra evidência de que a TV não é um veículo educacional é que, por ignorância dos educadores, ela nunca funcionou nas escolas. Se eles soubessem que ela induz o estado de sonolência descrito acima, usariam-na de maneira adequada e efetiva: apenas em períodos muito breves, como ilustração de algum assunto estudado. Por exemplo, se uma professora está descrevendo a vida das baleias, poderia perfeitamente mostrar na TV um vídeo sobre esses animais. Mas, para tornar esse processo algo educacional, esse vídeo deveria ser mostrado em trechos curtos, de no máximo 3 a 5 minutos. Cada trecho deveria ser seguido, por parte dos alunos, de descrição e discussão do que foi visto, em seguida o trecho deveria ser repetido, seguido de nova descrição e discussão, antes de se passar ao trecho seguinte. Dessa maneira os alunos absorveriam em seu consciente o conteúdo visto. Mas esse meio só deveria ser usado a partir da 7a ou 8a séries, pois antes disso é muito mais importante incentivar a imaginação do que ver imagens, e a criança deve aprender tudo fazendo algo, e não ficando passiva (por isso o brincar é tão importante, atualmente altamente prejudicado pelos meios eletrônicos em geral).

A TV não é nem mesmo um veículo informativo. Para que algo seja absorvido como informação, deve necessariamente ser compreendido e memorizado, o que exige participação consciente, o contrário da semiconsciência típica de um telespectador. Para se comprovar que a TV não informa, deixe-se uma pessoa desavisada ver um noticiário nacional. Depois de terminado, pergunte-se-lhe quais notícias elas viu. O resultado será surpreendente: pouquíssimas notícias são lembradas, isto é, não houve praticamente nenhuma informação absorvida pelo consciente. Em São Francisco, na Califórina (Emery&Emery, 1976), foi feita uma enquete por telefone, exatamente nesse sentido, logo depois de transmitido o noticiário nacional. Pois metade das pessoas não se lembrava de nenhuma notícia sequer! Provavelmente serão lembradas as notícias que mais tocaram as emoções do telespectador, pois das atividades interiores sentir, pensar e querer (executar ações) apenas a primeira é ativada – por isso programas com violência ou eróticos são os mais apreciados e melhor transmitidos.

Assim, a TV não educa, nem informa: condiciona. É por isso que um minuto a mais de propaganda política na TV condicionará milhares, milhões de pessoas a votarem nos candidatos do partido que conseguiu esse minuto adicional – independentemente do conteúdo da propaganda que, aliás, não é feita para educar ou informar, mas para induzir o eleitor a como votar. A base da democracia eleitoral deveria ser o voto consciente, a partir da liberdade do eleitor. O que a TV faz é justamente prejudicar esse tipo de voto.
Assim como foi proibida a propaganda de cigarro na TV, assim também deveria ser totalmente proibida a veiculação de propaganda política pela TV. Em lugar de se obrigar as emissoras de TV e de rádio a transmitirem propaganda eleitoral, dever-se-ia fazer com que todos os jornais publicassem um suplemento onde cada candidato regional exporia seu currículo e seu plano de trabalho. Aí sim, preservaríamos a liberdade dos eleitores, e caminharíamos para uma democracia eleitoral. Mas, francamente, alguém acha que os políticos poderosos estão interessados nesse tipo de democracia?

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O desenvolvimento da Consciência e percepção – parte 4

O desenvolvimento da Consciência e percepção durante os períodos Pós-Atlântico

A Época do Renascimento

Por: Sonia Maria Clausen

michelangelo

5º período Pós-Atlântico (alma da Consciência)

Época do Renascimento, em 1413 d.C. quando o homem precisa aprender a manter-se como ser individual num mundo que o quer absorver. Na cultura grega o homem teve o primeiro vislumbrar de consciência de um mundo interno contra um mundo externo, tanto no plano espiritual quanto no material. Antes disso tudo, a alma vivia num mundo indivisível e posteriormente a alma bizantina vivia a maior parte nos céus e o sentimento religioso estava ao seu redor na atmosfera.

Agora a consciência das pessoas do III e IV séculos flutuava entre o mundo do espaço, onde se estava completamente acordado e o mundo dos sonhos, onde através dos sentimentos eram capazes de apreender o que acontecia depois do limite da consciência, tiveram então total visão dos tons de azuis nos céus. Alcançando o estágio no qual o organismo humano começou a fechar a alma e o homem se tornou um ser com um mundo interior que era só seu, separado do mundo exterior e dos céus, estando inteiramente encarnado.

Assim transformando seu organismo com o enfocamento visual dos olhos na percepção visual teve noção de espaço e da ilusão óptica que chamamos de perspectiva, hoje isso é muito forte em nós: a idéia de espaço está fora de nós e não tem nada a ver conosco.

Surge o desejo de estar só, de entrar para dentro do seu mundo interno para refletir e tem o sentimento de “estar aqui separado do mundo” e que a religiosidade brota das profundidades do seu ser, podendo olhar para seu Deus com devoção e humildade ( viagem de Parsifal na humildade antes de chegar ao Graal), a partir daí a estrada leva para uma experiência cada vez mais consciente da vontade.

Nessa época há as conquistas nas ciências e letras. O renascimento nas artes plásticas, o humanismo na filosofia e na pintura até então bidimensional com o fundo dourado (mundo divino) ganha um fundo em perspectiva e rostos individualizados, com sentimentos e surgem os primeiros auto-retratos e as naturezas mortas com espaço e volume.

A educação estava nas mãos da igreja e as pinturas tinham temas religiosos com um sentido educativo de fixação de uma determinada ideologia, as pessoas visitavam e percorriam as igrejas periodicamente, elas eram fechadas, pesadas, centradas em si e as colunas voltam a ser dentro dos templos e toda a decoração tem um fundo dogmático.

Na idade média o cristianismo institucionalizou-se e passou a regular e determinar a vida das pessoas , a literatura era acessível a poucos fazendo com que a vida espiritual e material ficasse sobre a regência da igreja. Nas artes o nome do artista passa a ser conhecido, assina-se as obras e reconhecesse um estilo próprio apesar de também viverem sob o jugo e sustento da igreja.

Apesar disso havia uma busca da transformação de dentro para fora, culminando com a contra-reforma com a igreja atuando judicialmente, julgando e condenando à fogueira qualquer pessoa que tivesse sua própria opinião sobre o mundo e em seus tribunais os reformistas eram sempre condenados em nome de Deus.

Porém há a auto-consciência que está expressa no movimento barroco, quando o artista demonstra em suas telas o uso da luz nos retratos para dar expressão e movimento às pessoas pintadas. E a incidência da luz que na renascença era difusa e indireta passa a ser dirigida, caindo sobre um foco, tendo sombras suaves e em transição constante, com contrastes fortes.

Então acontecem vários movimentos culturais nas áreas das artes, das ciências e das religiões. As diferenças entre as civilizações se acentuam, há várias línguas , hábitos e costumes, culminando com a divisão de espaço e do poder nas novas sociedades.

Após o século XV as nações valorizam sua cultura e há como uma regionalização de tudo.

Nas artes acontecem vários movimentos artísticos como : romantismo, naturalismo, realismo, impressionismo, expressionismo, simbolismo, cubismo, art nouveau, concretismo, abstrato,, etc… até a arte moderna e contemporânea. Sendo que as mudanças principais foram a maneira de usar a luz, sombra e cores nas telas, nas esculturas as formas e na arquitetura o espaço. Quanto ao pensar tornou-se quase que completamente materialista, a luz da consciência não mais refletia o mundo do espírito na mente do homem, onde a inteligência brilha intensamente, mas focalizada sobre o mundo da matéria principalmente nas ciências que cada vez mais têm especificidades e se perde do todo.

O homem torna-se auto-confiante, porém ansioso e preocupado pois o limite do mundo está à sua frente, lá fora não há nada espiritual e as pessoas só pensam, falam e vivem para elas mesmas. Assim o primeiro sentimento é o cansaço e o medo, como se tivéssemos construído uma prisão ao nosso redor em vez de abrir a porta e nos movermos, estamos como que paralisados.

Já nos séculos XVIII e XIX os artistas já pressentiam isso e lutavam contra isso, mesmo sem ter a consciência de tudo o que ocorria.

Após o século XIX há uma divisão no mundo das artes e surgem duas grandes escolas, uma usa as cores e outra as formas, o desenho com a linha e o ponto. Representadas por Van Gogh e Gauguin que usavam uma forte tensão emocional e de outro lado por Cezanne,Picasso, Kandisky, Paul Klee, Franz Marc, etc… que exaltavam a experiência emocional e o pensar abstrato.

Em seguida a esses movimentos e durante a 1ª guerra mundial há uma grande busca pelo espiritual e renovação, rejeitavam a escola tradicional de Bahms

e muitos encontram na arquitetura de Steiner com a construção do Goetheanum, em Dornah, na Suíça um lugar de paz e harmonia para trabalhar e se juntam a ele nessa obra que tenta colocar as idéias de uma nova arte que usa as forças plasmadoras externas.

Usando a idéia imaginativa de como seria uma construção que respondesse à algo que vem de dentro como a casca da noz que se adapta à ela, reencontrando na vivência da cor que tem uma relação com os sentimentos, a coragem para recuperar sua luminosidade, a cor deve se emancipar da matéria, por isso usa a água e a aquarela. Isso deixa os artistas da época atônitos, um deles consegue se colocar na Europa, é Gaudi, na Espanha, com a sua arquitetura e esculturas coloridas.

Esse impulso que vem da alma era como uma planta, esculpido e criado como um ser vivo, lá Steiner desenvolve a eurritmia, pintura , os vitrais esculpidos em vidro e a estátua do Representante do Homem em madeira, numa tentativa de unir as artes numa vivência de toda a evolução ao adentrar no Goetheanum, ali ele esboça as leis da evolução humana.

Precisamos de movimento-rítmico, movimento gentil na alma, que então nos deixará respirar e andar em direção à nossa liberdade saindo da superficialidade da verdade. Nossa época é muito dramática, o ser humano tem a possibilidade de ascender mais alto no mundo espiritual ou então de descer nas profundidades do nada.

Hoje podemos ter a consciência do mal dentro de si mesmos, tudo dependerá de nossa moralidade, do conhecimento do bem e do mal.

Rudolf Steiner fala que estamos na época de Micael, arcanjo da verdade e voz de Deus que guarda uma inteligência diferente para o nosso pensar. Ele acompanhou nosso desenvolvimento e aquele que foi o arcanjo guerreiro e a glória doas céus na época anterior a Cristo, agora precisa esperar que os seres humanos tomem a iniciativa de encontrá-lo com inspiração e entusiasmo para prosseguir o caminho saindo do isolamento, pois após o fechamento da cabeça existe o perigo de fecharmos o coração e então perderemos a relação com o mundo externo, sendo abandonados num mundo de antipatia congelante e de medo.

Estamos na época da cor índigo que é uma das cores de limiar, ela nos torna mais sensíveis à dor, sentimos a dor com maior agudeza e intensidade do que era antigamente, é como estar na beira de um abismo e nos fala da morte e de outro conhecimento do Eu e se conseguirmos romper esses véus veremos o violeta.

A cor que é como uma ponte que temos de cruzar para chegarmos a outro mundo aerado e transparente que dá à alma uma consciência de transparência, profundidade e amplidão, além do limite da visão numa nova conexão do cosmo com a Terra.

O violeta é o futuro, ele hoje já atua na aura das pessoas que estão interessadas no espiritual, abrindo o caminho para alturas espirituais mais elevadas e profundas, teremos um órgão sensorial para nosso carma e nossa memória, havendo um confronto. O ser humano então poderá mudar em corpo e em alma, de tal modo que num futuro ainda distante, não mais teremos a experiência da nossa personalidade com um nome. As linhas que dividem o indivíduo e seu ambiente não serão tão exatas, as experiências de grupo serão comuns e resultará diferentemente em cada um.

Haverá um sentido do Eu mais consciente e intenso como um órgão sensóreo. Ainda precisamos acordar para ele que nos dará uma força de vontade que vem de fora, mas objetiva e pessoal, a religiosidade será uma qualidade inata e enraizada na alma humana, será a inteligência do coração humano.

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O desenvolvimento da consciência e percepção – parte 3

O desenvolvimento da Consciência e percepção durante os períodos Pós-Atlântico

A Época Greco-Romana

Por: Sonia Maria Clausen

grecia antiga[7]

4º período Pós-Atlântico (alma da razão)

Estamos na época greco-romana ( 747 a.C. a l 413 d.C.) e com os gregos veio a percepção de uma abóboda redonda como céu, que eles admiravam e aspiravam com alegria, sentiam que a terra tinha a ver com eles e tinham gratidão por isso.Na Grécia, onde o verde puro veio para a consciência do ser humano, o pensamento lógico floresceu inteiramente.

O fundamento para esse desenvolvimento tinha sido colocado na época egípcia, quando aconteceu a consciência do amarelo no sistema nervoso e começaram a sentir seu caminho para dentro de seu corpo físico e assim o sistema nervoso estava preparado para o desenvolvimento do pensamento lógico. Logo após tomaram consciência da cor azul na atmosfera em sua volta.

Os gregos repetiram o desenvolvimento ocorrido em Creta, a mesma leveza, irradiação e brilho sobre tudo, para eles o universo estava cheio de seres divididos em extremamentes divinos e sagrados e seres de hierarquia inferior ligados à natureza que tomavam parte na vida humana, podiam ajudar ou impedir os mortais, mas logo perderam essa percepção e passaram a perceber o mundo exterior (mundo dos sentidos). A atmosfera se tornou mais clara e viram uma fronteira bem definida entre o mundo exterior e interior, surgia o remorso quando sua consciência tornou-se parte de seu mundo interior e não mais estava em seres fora dele, então perceberam o próprio Eu e de estar na terra. Tiveram uma sensação de enorme felicidade no verde, foram os primeiros a verem as cores complementares.

Quando o homem saiu da consciência do magenta (velha Índia) e passou para o carmim ( velha Pérsia), deixou a unidade tudo abarcante e acordou para o mundo da dualidade. Carmim tem a ver com a missão humana aqui na terra, nessa cor tomamos consciência de nossos pés e deles tocarem a Terra adquirindo a verticalidade no caminhar. No período da cultura egípcia, através do vermilion e amarelo o corpo astral se ligou mais ao sistema nervoso e surgiu a consciência da forma, apesar de ainda perceberem os processos criativos de forma clarividente.

Ao conseguir ficar ereto entre a gravidade e os céus, expressado com a dança e acrobacia pelos cretenses e depois pelos gregos, o cérebro começou a viver o seu papel como organismo central do sistema nervoso. A consciência através de imagens inconscientes foi transformada na faculdade do pensamento lógico físico, permeado pelas forças etéricas da vida.

Hoje a humanidade no geral tem um pensamento sem vida e mecânico e necessita vivificá-lo para chegar a uma consciência de imagens consciente.

Nessa época o homem passou a ter conhecimento do mundo sob forma de conceitos, tinha a vivência do corpo físico, era a medida para todas as coisas, tornando-se cidadão da Terra. Há busca da harmonia ( Artes plásticas), surgem a Filosofia ( Lógica), a Ciência e a Literatura/ Teatro, a Escultura que mostra o arquétipo do ser humano ideal e seus templos que eram perfeitamente tridimensional, com forças equilibradas e leves, com as paredes externas abertas e agora com teto demonstrando que a ligação com o divino de forma clarividente por todos estava feita, os sacrifícios e orações eram feitas fora do templo.

Era o acordar da psique humana e do evento de Cólgota que permeou a Terra com o sangue crístico fortalecendo nosso Eu, nosso livre arbítrio, para que possamos evoluir para a alma da consciência.

A cultura grega viu o alvorescer do verde puro terminar com a chegada do verde escuro que se expressou na civilização mais terrena e pragmática que foi a de Roma, que está expressa nas suas esculturas de guerreiros e cézares, que só retratavam as cabeças. Depois da queda do Império romano foi a civilização de Bizâncio que expressou a evolução humana mais ou menos em 300 a 800 d.C., eles percebiam o céu de uma cor entre dourado e turquesa, variando com a estado de consciência. As pessoas sabiam que Cristo havia encarnado e todos ao pensamentos e sentimentos religiosos centraram-se ao redor desse conhecimento.

O Império Bizantino englobava muitas nações e grupos étnicos diferentes, a esfera de pensamento e do trabalho de Constantinopla sob o jugo da igreja era inteiramente diferente daquele de Alexandria com sua grande academia e bibliotecas famosas. Essas duas grandes escolas se excomungaram mutuamente através dos concílios sobre questões teológicas que causou a cisão da igreja e houve a intolerância com as escolas de cristianismo esotérico, que se preocupavam com o espírito mais do que com a alma.

A consciência das pessoas da época bizantina flutuava entre sonho e objetividade, não percebiam a perspectiva do espaço, apesar de terem consciência da esquerda e direita que era uma percepção bidimensional, o ser humano estava a uma passo de entrar para a encarnação plena. O sistema nervoso tinha começado a clarear, portanto tinham uma orientação diferente sobre a Terra ( Copérnico) e a igreja se opunha fortemente contra isso trazendo o extremismo que levou à cisão completa entre o terreno e o divino e ao mesmo tempo trouxe o prenúncio de uma nova conexão com a vontade (Eu).

A arte bizantina consegue nos comover com seus mosaicos e ícones que falam da religiosidade cósmica que transcende o mundo do espírito, tendo pela primeira vez a visão do azul turquesa que é a cor que escuta o chamado do espírito.

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O desenvolvimento da consciência e percepção – parte 2

O desenvolvimento da Consciência e percepção durante os períodos Pós-Atlântico

O Antigo Egito

Por: Sonia Maria Clausen

egito

3º período Pós-Atlântico (alma da sensação):

Assinala a transição da velha época persa do carmim para a antiga época egípcia que floresceu em todos os tons de vermelho, laranja e siena queimado, aí o homem começou a separar-se do mundo exterior, dos deuses e era sentido no coração de um modo onírico e começa a centrar-se em si mesmo pela primeira vez. No magenta ( velha- Índia) éramos carregados pelo lado de fora e fazíamos parte de um mundo que tudo engloba, no carmim ( velha Pérsia) tudo era harmonia em todas as direções, agora inicia a certeza de que somos parte integrante da criação e há insegurança e mais tarde o medo.

O corpo físico mudou, não sonhamos mais de forma onírica, apenas quando dorme-se, há mais consciência diurna e do lado externo e interno, do corpo físico e de tudo que se relaciona com ele e aí inicia a doença e o sofrimento.

Surge com isso o conceito de moralidade, época do velho testamento, a luta para ser verdadeiramente um ser moral com medo e admiração de Deus Pai e o calor do vermelho laranja nos deu a compaixão que tudo permeia e liberta o medo, pois Steiner fala disso como sendo o medo em nossa alma que é carregado pelo sangue e tem a função por estar ligado com uma certa consciência de nós mesmos, quando temos medo o sangue é pressionado para o coração.

Dessa época vieram duas correntes de desenvolvimento, uma floresceu como sendo a civilização da Caldéia, ela tinha um caráter espiritual cósmico e a outra conhecemos como a civilização egípcia que tinha uma qualidade mais anímica, já tinham a consciência das cores magenta, carmim, laranja e siena, para eles a atmosfera era uma bruma espessa de ar colorido, sentiam-se banhados por um brilho de laranja e mais tarde pela amarelo, a luz aparecia e desaparecia ritmicamente e eram os sacerdotes que podiam vê-la melhor, era uma atmosfera dourada.

Os egípcios tinham consciência da luz interior e da exterior, surgindo a consciência de espaço surgindo a astrologia, geometria e a matemática, aplicando-as na terra chegando aos mundo das formas, surgem as pirâmides. Estamos num conjunto de impressões sensórias do mundo exterior e da organização de nosso corpo físico, o pensar é por imagens ainda experimentando o pensamento cósmico no seu etérico, já existe a alma de um povo, a origem da escrita , vários grupos unidos pela língua comum ( China, Egito, Babilônia, Índia) e ao mesmo tempo que adquirimos interesse pelo mundo diminui a clarividência, as pirâmides representando através de monumentos os segredos espirituais e há a percepção da gravidade terrestre.

Nos templos egípcios era permitido a entrada apenas dos iniciados pois eram construídos de forma que o portão principal era a separação do mundo físico exterior e o mundo divino interior, era o caminho da alma em direção ao mundo espiritual, tinha um caminho estreito e baixo e a parte central era sem teto, para conservar a ligação com os deuses, o povo ficava do lado de fora em oração. Era uma religiosidade serena e solene espiritualidade, sem dimensão de tempo. Nessa cultura era usada a pintura nas paredes que retratavam cenas cotidianas, os deuses tinham cabeças de animais que na sua especificidade são superiores aos humanos e a presença divina era centrada no faraó, os iniciados cuidavam da cultura e eram consultados no dia a dia, apenas os sacerdotes egípcios viam a cor verde com um pouco de dourado dentro dele nessa época e assim retrataram Osíris com um rosto verde por considerá-lo a incorporação da inteligência pura e viva de um estado diferente de consciência.

Na época egípcia o homem se conscientizou de um mundo de espaço ao qual podia dar forma, e na civilização cretense ele percebeu um mundo de espaço em que podia se mover, tomando consciência do sol que brilhava num céu de amarelo claro na cor verde-limãp e percebia o horizonte. Seu mundo estava cheio de luz e vida, tendo leveza no corpo e na alma, por isso se tornaram acrobatas e dançarinos, tinham completo controle de seu corpo com mais elasticidade e umidade em seus músculos, tornando-os flexíveis e graciosos, sua percepção sensorial podia dar vida à sua alma.

Na época de Creta já viam todas as cores na frente da luz, menos as complementares pois essas ainda estavam no mundo espiritual para o qual ainda olhavam e sentiam-se ligados com os deuses que moravam nele, através do sentir.

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O desenvolvimento da consciência e percepção – parte 1

O desenvolvimento da Consciência e percepção durante os períodos Pós-Atlântico

 A Velha Índia e a Velha Pérsia

Por: Sonia Maria Clausen

desenvolvimento da consciência e percepção

Épocas da Lemúria e Atlântida

 Vivíamos como num sonho, numa gestação encarnatória que era envolta totalmente pelo mundo divino, em plena conexão com os deuses e segundo as suas vontades. Aí não havia a percepção do Eu, vivíamos no Nós e completanente protegidos e dirigidos pelo divino, bem como não tínhamos ainda um corpo denso, físico éramos apenas fluidos e imersos no todo.

 1º período Pós-Atlântico:

 Na Velha índia ( 8.200 a 5 000 a.C.) conservávamos ainda a sensação de ser membro do Cosmo, conectado com o céu e as estrelas fixas, lhe dando sentido e segurança, era apenas um Eu divino no oceano da divindade. Tínhamos uma consciência onírica, as pessoas percebiam as coisas pela concentração interna através do corpo etérico, numa luz como água cristalina que brilha, que tudo envolve, tudo permeia e não oferece sombras.Era uma realidade sem contornos, sem formas, sonhada, percebíamos apenas as variações da luz e de escuridão através do sentir e da vontade, tínhamos consciência de uma luz que tudo permeava e assim vivíamos plenos de esperança, carregados  pela criação, embrulhados num manto de um Ser de Misericórdia, ainda não estávamos acordados.

Não havia noção de tempo, nem de exterior e interior, éramos unos com o cosmo. Sentíamos isso através dos fluidos líquidos do nosso corpo que se moviam num ritmo que estava ligado ao ritmo dos planetas, era já o nosso corpo etérico e o astral.

Nascemos a partir do mundo de luz, nessa época era uma dor vir para esse mundo que era a escuridão, as pessoas tinham medo do nascimento tanto quanto temos medo da morte. Esse era o mundo da cor magenta, um vermelho azulado que surgiu exteriormente, era um sonho escurecido, ela está mais ou menos no limiar e já no final dessa época já se havia uma certa sensibilidade para a terra e começaram a perceber um arco-íris no céu, apenas como um arco de luz.

2º período Pós-Atlântico:

 Na velha Pérsia ( 5 000 a 2 900 a.C.) era o tempo de nossa 1ª infância, ainda não estávamos inteiramente conscientes apesar de se situar nos tempos pré-históricos quando o ser humano começou a se interessar pelas conexões com a Terra e a amá-la através da vontade, começaram a se dar conta de outros seres humanos, não pelo pensamento ou sentimentos.

Mas pela vontade, os sentidos começavam a despertar e a percepção de movimentos na atmosfera ao redor, apesar de não ver o sol percebiam uma esfera oval de luz. Tudo isso mudava também o corpo físico, se na época da Velha Índia não tínhamos a pele sobre a cabeça e os ossos não eram duros, agora já começara o fechamento da moleira e os olhos físicos passaram a focar melhor, era uma consciência onírica consciente. Víam já a separação do mundo interior do exterior quando percebiam fora dele a cor magenta e o carmim num entrelaçamento contínuo conseguiam perceber a separação do céu na cor magenta e da terra nos tons do carmim.

Nessa época conseguíamos uma relação com plantas e animais,iniciamos a agricultura e sentíamos as mudanças das estações do ano em todo nosso ser. Tínhamos consciência do sonho e do acordar porém ainda se vivia e se movimentava pela vontade dos deuses, revelados pelo sacerdote que guiavam a todos. Não havia pensamento próprio, mas no coração havia a consciência do ser humano.

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A Arte no processo de desenvolvimento da Consciência Humana

A Arte no processo de desenvolvimento da Consciência Humana

Arte e o desenolvimento da consiência humana

A Arte e a Biografia Humana

Por: Sonia Maria Clausen

Ao olharmos para trás, para a evolução da humanidade de uma forma teórico-histórica, estaremos fazendo uma observação superficial da realidade. Se conseguirmos olhar de uma forma a sentir historicamente antigas épocas da civilização humana, iremos perceber que o surgimento desta está ligado ao sentir religioso, o observar artístico e o conhecer conceitual e ideal que até a Grécia encontravam-se unidos, numa união harmoniosa entre a Religião, Arte e Ciência.
O homem sentia-se como uma cópia, como a imagem do espírito divino que
permeia e interpenetra o mundo e até então o conhecimento era procurado no conhecimento de Deus, na origem espiritual primordial atuante no homem.
Pelo fato de termos órgãos do sentido é que chegamos à natureza externa, são nossos olhos que nos permitem ter o conhecimento da multiplicidade do mundo da luz e cores, por exemplo. Porém é com o sentido artístico, que capta o que é belo, que nos permite perceber o homem e o conhecimento, é pelo brilhar do espírito na matéria que se nos revela a arte.
Para se compreender o ser humano é necessário uma arte de idéias e não apenas um captar abstrato delas através da ciência, se faz preciso uma visão artística interior para ver a entidade do homem, pois a arte verdadeira é algo que atua sobre o crescimento, a saúde e o progresso do homem.
Quando Rudolf Steiner se refere assim à Arte está se esforçando para falar do âmbito do ser do homem inteiro, não apenas do espírito científico e teórico, mas a partir de um espírito artístico. Pois a Antroposofia tem uma concepção do mundo com uma vida espiritual interna tão rica que somente poderia expressar-se em criações artísticas, num ato de percepções artísticas que são a expressão de si mesmas.
Faz-se necessário tentarmos entender o que ele quer dizer quando fala da arte e para tanto nos dá um exemplo:
“ Imaginem-se de pé num campo, numa clara noite estrelada com uma visão livre do céu. Vocês vêem regiões do céu abobadado onde as estrelas estão inteiramente agrupadas, quase formando nuvens, Vocês vêem outras regiões onde as estrelas estão mais amplamente espaçadas e formam constelações. E, assim por diante. Se vocês confrontam os céus estrelados deste modo meramente intelectual – com seu entendimento humano – vocês não alcançam nada. Mas, se vocês confrontam os céus estrelados com todo o seu ser, vocês os experienciam diferentemente. como era na antiguidade.”
Nós agora perdemos o senso perceptivo para isto, mas ele pode ser readquirido. Estar diante de uma parte do céu onde as estrelas estão bem próximas e quase formam uma nuvem, será uma experiência diferente do que estar diante das constelações…
Se alguém simplesmente registrasse o que vê lá fora nas vastidões cósmicas, não
alcançaria nada. Um mero mapa dos céus estrelados, como os astrônomos fazem hoje não leva a lugar nenhum. Se, entretanto, confronta-se este cosmo como um ser humano completo, com plena compreensão do cosmo, então diante destes agrupamentos de estrelas, formam-se figuras na alma – como aquelas traçadas em velhos mapas, quando as imaginações tinham a forma da velha e instintiva clarividência. Recebe-se uma “imaginação” do cosmo todo… Os homens não têm, mesmo, nenhuma idéia hoje da maneira através da qual os homens uma vez, nos tempos remotos, quando uma clarividência instintiva ainda persistia entre eles, fitavam o cosmo. As pessoas hoje acreditam que os vários desenhos, figuras – imaginações – que eram feitos do signos zodiacais, eram produtos da fantasia. Eles não são isso, eles eram sentidos; eles eram percebidos…
O progresso humano precisou de um amortecimento desta percepção instintiva, viva, imaginativa, de maneira que a percepção intelectual que liberta o homem, viesse em seu lugar. A partir disso de novo, deve ser alcançada – se nós desejamos ser seres humanos completos – uma percepção do universo que atinge mais uma vez a “imaginação”.”
Steiner nos mostra que quando avançamos além do cosmo percebemos aí o segundo corpo do homem físico, o corpo etérico ou seja o corpo da forças formativas, revelado em imagens trazendo-nos um novo espaço supra-sensível que permeia com uma substância sutil o corpo físico do homem. E nós só podemos estudar o corpo físico se procurarmos dentro dele as forças que fluem através dele e essas forças só poderemos estudá-las se pensarmos nelas como algo plasmado a partir do todo do universo: formado plasticamente a partir de fora por “planos de força” que convergem para a terra por todos os lados e
alcançando o homem.
E ele nos mostra que só assim e de nenhum outro modo as Artes plásticas surgiram nos tempos em que ainda eram uma expressão do que era elementar e primário, a beleza. No sentido original da palavra, ela é a impressão do cosmo, feita com a ajuda do corpo etérico num ser físico terreno. Assim ele nos mostra que devemos transformar em “imaginações’” o que tecemos em mero pensamentos para compreendermos o mundo externo, mantendo também um espírito científico e para tanto nos traz o método da observação goethenística.
O mundo pode ser compreendido somente de uma maneira que não seja limitada ao que pode ser apreendido pelo pensamento, mas ao que leve à apreensão universal do mundo e encontre a transição completamente orgânica e natural da observação à percepção artística e à criação artística. Portanto a Arte e a Ciência derivam do mesmo espírito, são apenas dois lados de uma única revelação; na Ciência olhamos para as coisas de tal modo que os expressamos em pensamentos e na Arte nós o expressamos em formas artísticas. E mais, a
Ciência aparecerá num nível, a Religião em outro e a Arte entre elas; devemos nossa liberdade interna à Ciência e o que ganhamos como indivíduos tornando-nos independentes da natureza, à religião a devoção quando buscamos encontrar nosso caminho de volta ao espiritual, mas a Arte está entre isso, com tudo arraigado do reino da beleza, mantendo e moldando a si próprio quando cria como um ser livre se redimindo e libertando encontrando novamente nossa conexão com o mundo cósmico.
Hoje estamos totalmente entorpecidos para essas forças criativas e quando as trazemos à consciência conseguimos criar algo novo. Steiner nos fala quando diz que a mesma fonte onde o vidente, que ele chama de observador do mundo espiritual, faz suas experiências é a mesma a partir da qual o artista cria, reinteirando quando diz que para quem deseja uma certa totalidade de vida a cosmovisão artística é algo que pertence à vida, tanto quanto o conhecimento e as atividades triviais, basta observarmos a nossa vida cultural que é impregnada de sensação artística.

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A TV e a perda da consciência

TELEVISÃO, UMA OPÇÃO DE INATIVIDADE

Francisco Baptista

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Ver televisão é a atividade (ou melhor, a opção de inatividade) de lazer, favorita, de milhões de pessoas em todo mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, quem está na faixa dos 60 anos de idade já terá passado 15 anos diante da tela da TV. Em muitos outros países, os índices são semelhantes.

Para um número significativo de pessoas, ver televisão é algo “relaxante”. Observe a si mesmo e verá que, quanto mais tempo sua atenção permanece tomada pela tela, mais sua atividade intelectual se mantém suspensa. Assim, por longos períodos você estará assistindo a atrações como programas de entrevistas, jogos, shows de variedades, quadro de humor e até mesmo a anúncios sem que quase nenhum pensamento seja gerado pela sua mente.

Você não apenas deixa de se lembrar dos seus problemas como se torna livre de si mesmo por um tempo, e o que poderia ser mais relaxante do que isso?

Então ver televisão cria o espaço interior? Será que isso nos faz entrar no estado de presença? Infelizmente não, não é o que acontece. Embora a mente possa ficar sem produzir nenhum pensamento por um bom tempo, ela permanece ligada à atividade do pensamento do programa que está sendo exibido.

Mantém-se associada à versão televisiva da mente coletiva e segue absorvendo seus pensamentos. Sua inatividade é apenas no sentido de que ela não está gerando pensamentos.

No entanto, continua assimilando os pensamentos e as imagens que chegam à tela. Isso induz um estado passivo semelhante ao transe, que aumenta a suscetibilidade, e não é diferente da hipnose.

É por isso que a televisão se presta à manipulação da “opinião pública”, como é do conhecimento de políticos, de grupos que defendem interesse específicos e de anunciantes, eles gastam fortunas para nos prender no estado de inconsciência receptiva. Querem que seus pensamentos se tornem nossos pensamentos e, em geral, conseguem.

Portanto, quando estamos vendo televisão, nossa tendência é cair abaixo do nível do pensamento, e não nos posicionarmos acima dele. A TV tem isso em comum com o álcool e com determinadas drogas.

Embora ela nos proporcione um pouco de alívio em relação à mente, mais uma vez pagamos um preço alto: a perda da consciência. Assim como as drogas, essa distração tem uma grande capacidade de viciar. Procuramos o controle remoto para mudar de canal e, em vez disso, nos vemos percorrendo todas as emissoras.

Meia hora, ou, uma hora mais tarde, ainda estamos ali, passeando pelos canais. O botão de desligar é o único que o nosso dedo parece incapaz de apertar.

Continuamos olhando para a tela, porém, normalmente, não porque algo significativo tenha chamado nossa atenção, e sim porque não há nada interessante sendo transmitido.

Depois que somos fisgados, quanto mais trivial, e mais sem sentido é a atração, mais intenso se torna o nosso vício. Se isso fosse estimulante para o pensamento, motivaria a nossa mente a pensar por si mesma de novo, o que é algo mais consciente e, portanto, preferível, a um transe induzido pela televisão. Dessa forma, nossa atenção deixaria de ser prisioneira das imagens da tela.

O conteúdo da programação, caso apresente alguma qualidade, pode até certo ponto, neutralizar, e algumas vezes, até mesmo desfazer, o efeito hipnótico e entorpecedor da TV.

Existem determinados programas que são de uma utilidade extrema para muitas pessoas, pois mudam sua vida para melhor, abrem seu coração, fazem com que se tornem mais conscientes.

Há também algumas atrações humorísticas que acabam sendo espirituais, mesmo que não tenham essa intenção, por mostrarem uma versão caricata da insensatez humana e do ego. Elas nos ensinam a não levar nada muito a sério, a permitir um pouco mais de descontração e leveza na nossa vida. E, acima de tudo, nos ensinam isso enquanto nos fazem rir. O riso tem uma extraordinária capacidade de liberar e curar.

Contudo, a maior parte do que é exibido na televisão, ainda está nas mãos de pessoas que são totalmente dominadas pelo ego. Assim, a intenção oculta da TV, é nos controlar, nos colocando para dormir, isto é, deixando-nos inconscientes. Mesmo assim, existe um potencial enorme, e ainda inexplorado, nesse meio de comunicação.

Evite assistir a programas e anúncios que o agridam, com uma rápida sucessão de imagens que mudam a cada dois ou três segundos, ou menos. O hábito de assistir à televisão em excesso, e essas atrações em particular, são duas causas importantes do transtorno de déficit de atenção, um distúrbio mental que vem afetando milhões de crianças em todo o mundo.

A atenção deficiente, de curta duração, torna todos os nossos relacionamentos e percepções, superficiais e insatisfatórios. Qualquer coisa que façamos nesse estado, qualquer ação que executemos, carece de qualidade, pois a qualidade requer atenção.

O hábito de ver televisão com frequência e por longos períodos, não só nos deixa inconscientes, como induz a passividade e drena toda a nossa energia. Portanto, em vez de assistir à TV ao acaso, escolha os programas que despertam seu interesse.

Enquanto estiver diante dela, procure sentir a vívida atividade dentro do seu corpo, faça isso toda vez que se lembrar. De vez em quando, tome consciência da sua respiração. Desvie os olhos da tela em intervalos regulares, pois isso evitará que ela se aposse completamente do seu sentido visual.

Não ajuste o volume acima do necessário para que a televisão não o domine no nível auditivo. Tire o som durante os intervalos. Procure não dormir logo após desligar o aparelho ou, ainda pior, adormecer com ele ligado.”

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Uma nova visão sobre a gravidez

Uma nova visão sobre a gravidez

Marcelo Guerra

gravidez

O ser humano é essencialmente um ser espiritual, que existe antes do seu nascimento, antes mesmo de sua concepção. Este ser espiritual faz escolhas antes de sua vinda à Terra, e estas escolhas resultam no seu destino. Para a preparação e a execução deste destino recebemos ajuda de seres angelicais, e também a influência de forças adversas, que se opõem à sua concretização.

Estes seres angelicais são as mesmas forças que atuam no movimento dos astros celestes, e a eles estamos intimamente ligados. De acordo com o que escolhemos como nosso destino, escolhemos também o momento mais propício em que estes astros estarão configurados para atuar de forma favorável a este destino. Ou seja, a hora de nascimento é escolhida pelo ser humano que vai nascer. Contudo, o que vemos hoje são escolhas arbitrárias deste momento de nascer, por parte da mãe e/ou do obstetra, seguindo conveniências que não levam em consideração a vontade do ser humano que vai chegar, considerado alguém que não pode ter escolhas. O parto programado é a submissão às exigências da vida material, que determina o horário em que a maternidade não precisará pagar hora extra aos auxiliares, o obstetra não precisará sair de casa de madrugada ou num sábado durante uma festa de casamento esperada, ou a mãe poderá aproveitar o melhor período para tirar licença-maternidade. Falta combinar com o neném, este ser humano cuja vontade é ignorada. Obviamente há indicações precisas para a interrupção da gravidez, ou seja, aquelas que colocam em risco a vida do neném ou da mãe.

O parto inicia-se pelo aumento da concentração no sangue da mãe de um hormônio chamado ocitocina. Este hormônio é produzido numa glândula chamada hipófise, que fica na base do cérebro, e que tem também a função de estimular as glândulas mamárias para a saída do colostro (líquido produzido pelas mamas riquíssimo em anticorpos, que só está disponível nas primeiras 48h, e serve para aumentar a imunidade do neném) e do leite materno. Ultimamente, novas pesquisas têm sido feitas e indicam que a ocitocina está relacionada ao amor, porque seus níveis estão aumentados em pessoas apaixonadas. No caso do parto, a ocitocina estimula as contrações ritmadas do útero que levam ao trabalho de parto. A pergunta: quem induz a hipófise a aumentar a produção de ocitocina para que se inicie o trabalho de parto? Não seria o próprio neném, este ser humano que quer vir ao mundo e que tem uma vontade e uma individualidade que precisam ser respeitadas?

Um outro aspecto que deve ser levado em conta é a polaridade em relação ao espaço. Antes da concepção, o ser humano vive na amplitude cósmica, da qual não temos conhecimento exato. Logo em seguida à concepção, o ser humano passa a viver dentro do útero materno, e o seu crescimento vai tornando este espaço cada vez menor, e o feto assume uma posição em que as costas ficam curvadas, como que formando um arco. Esta é a mesma posição que assumimos quando buscamos proteção e carinho em qualquer idade de nossas vidas. Apesar do pequeno espaço, o líquido amniótico no qual o feto flutua traz uma confortável sensação de falta de peso. Com o início das contrações, a bolsa amniótica se rompe e o neném sente-se realmente apertado, e mais apertado fica ao passar pelo canal vaginal. Ao final dessa passagem, uma sensação de amplidão se apresenta ao neném, não há mais aperto, mas o neném está exposto a um mundo amplo, estranho e frio. Assim, o ser humano sai de uma amplidão, entra num espaço contraído e nasce para outro espaço amplo.

Encontramos então o neném, um ser humano desprotegido que precisa de cuidados, mas que é um indivíduo dotado de vontade e consciência, e que preparou para si um destino, que vai buscar realizar, apesar da amnésia que faz parte do processo de nascimento. Esta é uma aventura que tem situações alegres e crises pelas quais todos passamos, de uma forma ou de outra, e que saberemos um pouco mais nos próximos artigos.

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SETE PARÁGRAFOS DE ANTROPOSOFIA

SETE PARÁGRAFOS DE ANTROPOSOFIA

Ralf Rickli

7 Parágrafos de Antroposofia

Antroposofia é uma escola de pensamento e ação iniciada pelo pensador Rudolf Steiner, que viveu de 1861 a 1925, na Áustria, Alemanha e Suíça. A maior parte dos elementos presentes na Antroposofia não são exclusivos dela, porém estão organizados e apresentados de forma fortemente original, tendo em vista o que Steiner aponta como necessidades próprias dos tempos modernos.

Steiner deixou 46 volumes de escritos e mais de 300 de transcrições de palestras – a maior obra de um só autor já publicada. Trata-se de uma imensa síntese onde estão presentes, entre outros, o conhecimento científico moderno, a Filosofia desde Pitágoras e Aristóteles até o idealismo alemão, tradições esotéricas como a hindu-teosófica, a gnóstica, a nórdica e a cristã-rosacruz – além de contribuições totalmente originais.

Longe de ser apenas ‘pensamento puro’, a obra de Steiner propõe caminhos para a pedagogia, a medicina e farmacologia, a agricultura, as diversas artes incluindo a arquitetura e o teatro, a religião, a organização social, a economia… No entanto costuma ser muito estranha para a consciência atual a combinação de detalhamento técnico (como na economia, fisiologia ou em cálculos arquitetônicos) com exposições sobre reencarnação e carma, percepções diretas de seres e mundos espirituais etc.

Queremos apontar três aspectos do pensamento antroposófico:

  • Conhecimento: na nossa época o ser humano é chamado a se relacionar com os planos espirituais não mais mediante crença, e sim com objetividade científica, desenvolvendo pouco a pouco uma efetiva Ciência do Espiritual;
  • Liberdade e evolução: todo indivíduo humano é destinado à liberdade, a qual porém só é possível e real quando construída a partir do pensamento (que é em si real!); ao atuar criativamente entre os diversos campos da realidade,o indivíduo humano é agente da evolução de si mesmo e do mundo;
  • Responsabilidade cósmica: embora a criatividade opere de modo diferente através de cada indivíduo, sua aplicação deve sempre visar o benefício do todo (social, ambiental, universal); o ser humano tem a liberdade e o poder de direcioná-la para seu próprio benefício (ou de seu grupo como separado e oposto ao todo), porém com isso se torna responsável pela fragmentação e necrose (processo de morte) da realidade.

Desde a década de 1910 se desenvolveram inúmeras escolas de trabalho prático fundadas diretamente com a participação de Rudolf Steiner, ou por estudiosos da sua obra. As mais conhecidas são provavelmente as Escolas Waldorf, a Agricultura Biodinâmica e a Medicina Antroposófica. É importante notar, porém, que não há razão para supor que essas escolas consolidadas ao longo do século XX sejam os únicos frutos possíveis de uma proposta tão vasta, ou mesmo que já tenham alcançado formas definitivas.

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Pedagogia como forma de arte

Pedagogia como forma de arte

por Thiago Neres, do Diario de Pernambuco, em entrevista a Peter Biekarck

entrevista peter

“No quadro de avisos afixado no pátio de um colégio, uma convocação chama pais e alunos a participarem da encenação teatral da Festa da Lanterna. Os personagens são dispostos em uma lista onde mães e crianças dividem os papéis. Ao lado, os seguintes dizeres não passam despercebidos: “Nosso maior empenho deve ser desenvolver seres humanos livres, capazes de dar sentido e direção às suas vidas”. A frase é atribuída ao austríaco Rudolf Steiner, fundador da Pedagogia Waldorf, que trabalha o desenvolvimento físico, espiritual e anímico do aluno por meio da arte e da expressão corporal. As aulas são concebidas como um preparo para a vida. No bairro do Rosarinho, no Recife, funciona um colégio que adotou esta forma de pensar. Lá, entrevistamos um dos maiores expoentes deste modelo de aprendizagem: o pedagogo Peter Biekarck, que possui especialização em Pedagogia Waldorf pelo Emerson College, na Inglaterra. Ele foi professor na Escola Waldorf Rudolf Steiner de São Paulo por 25 anos e é palestrante e conferencista internacional.”

O que é a Pedagogia Waldorf?

Eu diria que sua característica central é o compromisso que ela tem com a criança, sempre respeitando as necessidades de acordo com a faixa etária e educando para que a criança seja ela mesma e encontre seu lugar no mundo. É uma pedagogia que se processa tanto em cima da arte que, às vezes, é confundida com uma escola de arte. E o que é a prática pedagógica, senão uma forma de arte?

Ela existe há quase cem anos. O que mudou?

Quem vê de fora acha que não mudou, mas o que acontece é que essa pedagogia se fundamenta numa mudança de pensamento que é um desafio porque ela propõe outra compreensão do ser humano. Por isso, não se torna obsoleta. Mas se o mundo mudou, os professores precisam crescer dentro desta nova compreensão. A exigência maior é de transformação do professor mais do que da pedagogia em si.

Como é a relação entre professor e aluno?

Se investe muito no fortalecimento dos laços humanos. Cabe ao professor dar a aula principal, que é a primeira do dia, com duração de duas horas. Ele desenvolve de forma artística uma matéria por vez e isso acontece em ciclos de três a quatro semanas. Geralmente, ele fica oito anos com a mesma classe e isso torna suas aulas especiais, feitas à mão para aquelas crianças.

De que modo uma aula de biologia poderia ser lecionada artisticamente?

Levamos a atenção dos estudantes para o reino vegetal. Perguntamos qual a cor predominante e a resposta óbvia é verde. Mas mostramos que o tronco e os frutos têm outras cores. Voltando ao verde, de onde ele sai? Das folhas. Assim, vamos chegando mais perto. A parte de cima das folhas e a de baixo são diferentes. As crianças também aprendem que a árvore quer ir para o céu, mas ela está presa na terra. E o que acontece na árvore é um milagre.

Você falou em “milagre”. As escolas Waldorf são religiosas?

Primeiro você precisa responder o que é religião. Confuso? As ciências naturais são uma religião, mas que aboliram o nome “Deus”. Veja a fotossíntese. Os cientistas até podem pesquisar e explicar todos os processos, mas a verdade é que ninguém sabe exatamente o que é a fotossíntese. A alma da criança entende que isso é um milagre.

Como ensinar desta forma e lidar com a sociedade materialista?

Há muitos anos, um grupo de extraterrestres chamados “ecologistas” desembarcou aqui na Terra. Eles quase foram crucificados para que a gente não morresse de tanta esperteza. Felizmente, essa mentalidade avançou, mas ainda se fala pouco de ecologia humana, de entender o outro. A nossa cultura ocidental fundamentou o conhecimento no prefixo “anti” e não no “pró”. A medicina, por exemplo, é baseada na patogênese. Alguns médicos, que também são ETs, começaram a aparecer. Eles querem saber o contrário: o que provoca saúde?

Meninos e meninas aprendem tricô juntos. Mas a questão da identidade de gênero ainda não foi completamente superada. Qual a sua opinião?

É uma estupidez cultural da época em que as mulheres eram dominadas pelo machismo. Esse trabalho com fios é importante e vai do início ao fim da vida escolar nas escolas Waldorf. É o conhecimento da psicomotricidade. Com tricô, você tece uma trama que forma uma superfície e qualquer falha vai afetá-la. Pensar é fazer tricô interiormente. Por isso, quando nos distraímos, falamos que perdemos o fio da meada.

Qual a grande diferença entre o ensino Waldorf e o tradicional?

Os currículos que aparecem hoje vêm de uma pressão social e da necessidade de produzir resultados para fazer política. Há um ou outro fundamento pouco integrado à formação da criança, mas, por via de regra, outros interesses vão ser priorizados. É como se a criança fosse uma engrenagem que precisa rodar bem numa máquina educacional que ninguém controla e nem sabe para onde vai. O resultado disso vai aparecer e não será bom.

As pessoas estão perdendo a capacidade de ouvir. Como trabalhar isso com as crianças?

Existe uma ONG chamada Khan Academy, onde o aluno aprende tudo através de videoaulas no computador. Eu me pergunto: o quanto ele consegue ouvir alguém que está ao vivo e a cores na sua frente? Os seres humanos estão se tornando ocos e apáticos porque, quando as coisas são em excesso, criamos uma superficialização das relações humanas. Nossa escola é feita à mão.

Mas a tecnologia também pode contribuir para o ensino infantil?

Temos que ter cuidado para que a criança não seja vítima dessa tecnologia. Posturas como essa cultura de entregar tablets a estudantes são uma aberração. Isso desumaniza o ser humano. É um pensamento epidêmico motivado por interesses econômicos para transformar o humano em homo economicus, educado para o consumo mundial.

Nas escolas Waldorf, as crianças aprendem outros idiomas. Qual é o método que vocês usam?

Elas começam com seis ou sete anos, no início do ensino fundamental. O objetivo é fazer com que a criança consiga vivenciar o universo e a beleza do idioma através de poesia, rima e dramatizações. Isso geralmente é feito através de imitações. Cada língua é um universo em si, um corpo dotado de cultura no qual a gente vive.

Qual a importância da imitação para escolas Waldorf?

Todo ser humano só pensa porque imitou. Quanto menor, especificamente nos sete primeiros anos de vida, a imitação se torna mais importante. É através disso que ela vai desenvolver sua imaginação e outras habilidades.

Existem critérios de avaliação?

No sistema familiar existem critérios de avaliação? Quanto mais próximo a comunidade escolar estiver da criança, menos vamos precisar de avaliações externas. O que acontece é que ao fim de cada ano o professor redige uma carta para os pais de cada aluno, contando sobre o que foi aprendido e as experiências vividas em sala de aula. Sugiro até que os estudantes não leiam naquele momento, mas guardem para olhar aquilo no futuro e ter como uma lembrança do que foi vivido na escola.

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Resumo do Desenvolvimento do Ser Humano através dos 9 setênios

Resumo do Desenvolvimento do Ser Humano através dos

9 setênios

Eliane Utescher

resumo da Biografia

Primeiro Setênio – 0 a 7 anos

É na primeira infância, mais precisamente durante os primeiros 7 anos, que as forças da individualidade estão localizadas na cabeça, e a tarefa neste período, é crescer, desenvolver os órgãos físicos que estão sendo formados, independizar o pólo superior do corpo, do pensar.

Com o nascimento, tem início o trabalho da individualidade, daquele ser cósmico que começará uma vida terrestre de transformação do invólucro corpóreo recebido dos pais, apto às suas necessidades. Portanto, neste período, a individualidade se ocupará em se apropriar do corpo herdado, moldando-o e reestruturando-o conforme suas peculiaridades interiores.

A criança, por assim dizer, reforma, refina seu instrumento físico, que é a corporalidade. Essa transmutação significa, aos poucos, eliminação das substâncias herdadas, desde as células mais microscópicas, que se tornam cada vez mais individualizadas, até os dentes, que são as mais duras do corpo, quando no final dessa etapa, a criança perde a dentição de leite, substituindo-a pela permanente, que é aquela que construiu a partir de sua interioridade.

Olhando, para os nossos sentidos, que, com exceção do tato que permeia todo o corpo, estão localizados na cabeça, podemos ter uma idéia dos aspectos que devem ser cuidados neste período inicial, para que a criança possa gostar de estar na Terra, dentro de seu próprio corpo.

Assim, para a construção do corpo físico de forma equilibrada, a criança deveria ter vivências permeadas por situações e circunstâncias que a levassem a perceber que o mundo é bom.

À essa criança, deveriam ser providas oportunidades de movimento livre no espaço, na medida em que vai se apropriando dele ao longo de seu desenvolvimento, desde possibilitar o engatinhar quando é bebê, até trepar em árvores e correr no campo quando é maior.

É por experimentação que a criança aprende, por tentativa e erro, e pelo princípio da imitação. O que não queremos que ela faça, não deveríamos também fazer, pois ela seguramente imitará gestos, fala, atitude dos adultos ao seu redor.

Rapidamente as faculdades humanas vão sendo adquiridas, quando, aos 3 anos a criança já conquistou o espaço físico com o andar, o espaço social com o falar, e o espaço espiritual, com o pensar.

Em síntese, neste primeiro setênio os princípios são :

• imitação

• bondade

• órgãos dos sentidos

• desenvolvimento do pensar

• processo de individuação física

Segundo Setênio – 7 a 14 anos

Ao final do processo anterior, do 1o. setênio, as forças que estavam na cabeça se libertam e migram para a região do meio do corpo.

A criança vai acordando de cima para baixo, na direção da cabeça aos pés, e, nesta fase agora, coração e pulmão são os órgãos que ancoram o processo respiratório com o mundo.

O elemento do movimento de interiorização e exteriorização pauta a dinâmica desses órgãos e a relação da criança com o mundo.

Ela já não é mais um grande A, aberta para o mundo que a impregna, mas agora já possui uma interioridade maior e necessita de um elo de ligação entre o mundo de fora e o seu, interno.

O papel do adulto, pais e professores, tem uma grande influência neste período, pois é através dele, da autoridade que ela necessita e que eles possuem, que a criança receberá a imagem do mundo.

Portanto, os valores e ideais que o adulto possui pode beneficiar ou prejudicar a formação e visão do mundo infantil.

Se a autoridade é excessiva pode gerar uma maior inspiração do que expiração, desequilibrando o ritmo, e isso pode levar desde a uma timidez no futuro, à introversão, ou quadros somáticos de asma, etc.

Se, por outro lado, há falta de autoridade, se ela é insuficiente para o estabelecimento de normas tão essenciais neste período, a expiração maior pode conduzir à extroversão exagerada, que leva a criança a desconhecer seu limite e o do outro, até quadros mais histéricos, de dissolução da identidade.

Esses elementos precisam estar em harmonia para nos sentirmos bem e, se na fase correspondente à esses acontecimentos isto não ocorreu, é introduzindo o ritmo na vida do presente que se resgata o equilíbrio.

Assim como as normas, os hábitos estão sendo absorvidos, e portanto, a dosagem entre uma educação muito rígida ou muito liberal, deveria ser observada, pois tanto a imposição quanto a ausência de valores pode impedir um desenvolvimento sadio.

Nesta fase, onde o sentir está sendo tecido, a fantasia é muito importante, e daí a qualidade de imagens que a criança pode entrar em contato é fundamental; situações onde ela pode criar, como ouvindo estórias infantis, contos de fadas, ou mesmo brincar com brinquedos que promovam a sua participação, é muito diferente daquelas onde, por exemplo, ela é mera expectadora, como no caso da televisão, ou de jogos e brincadeiras que não estimulem a sua criação, com brinquedos prontos, acabados, sintéticos.

Arte e religião são também fundamentais para a alma da criança que anseia por veneração. Assim, tanto o mundo artístico quanto o religioso são ricos em possibilidades para fazer fluir a alma infantil para o mundo. Como há uma busca natural pela beleza e pela fé, vivências do belo são fundamentais para um respirar com o mundo, assim como o desejo pela ligação com uma qualidade superior, elevada e espiritualizada consigo mesmo e com a vida.

É então que, no meio desta fase, o sentimento de diferenciação, por assim dizer, se estabelece fortemente, e a criança percebe com verdadeiro sentimento e uma espécie de dor, que existem diferenças: de educação entre si e os irmãos, diferenças de tratamento entre as pessoas, de raça, religião, cultura, enfim, situações onde ela se dá conta de que o mundo não é igual para todo mundo, que a lei não é a mesma para todos.

É, na verdade, um profundo despertar do sentimento próprio.

Terceiro Setênio – 14 a 21 anos

Seguindo o sentido descendente das forças que do Cosmo vão se encarnando na Terra, neste período elas chegam aos membros; passaram da cabeça ao peito, e agora acordam e se localizam nos membros, no sistema metabólico motor.

Se observamos a postura da criança pequena, percebemos que ela anda meio que suspensa, pendurada; depois, um pouco maior, ela pula, e na adolescência, se arrasta, e neste caminho da humanização, aos poucos conquista a postura ereta.

Então, da mesma forma que o princípio da imitação regia a criança de 0 a 7 anos, o princípio da autoridade de 7 a 14 anos, agora o princípio da liberdade é o regente.

O processo de metamorfose do ser humano o leva agora a necessitar do aprendizado através da liberdade, onde vivências da verdade são fundamentais – assim como a vivência do bom no 1o. setênio, e do belo no 2o. setênio.

A sociedade agora desempenhará um papel mais preponderante, assim como no passado o foram a família e a escola. É sempre uma ampliação da atuação de elementos, e não uma exclusão daqueles que já foram prioritários.

O jovem necessita de um espaço libertador externo e interno, pois nesta fase, vivenciará uma grande tensão, uma luta entre as forças cósmicas e terrestres, onde no palco está em jogo a sua identidade. É natural que, na busca de si mesmo, ele rompa com os esquemas vigentes em casa, na escola e na sociedade, e a forma, nesta época, é através de crítica, em movimentos abruptos e acusativos, sendo muito pouco provável um processo harmonioso.

O adolescente vivencia o âmago de seu ser, e o impulso da vontade, da ação é que vigora – por as coisas para fora é a palavra de ordem. Espinhas e desejos saem em borbotões, ele quer dar a sua opinião em tudo, modificar o mundo, reformar a família, os hábitos e costumes vigentes.

É uma força interior que quer se expandir no mundo, e a maneira de lidar com ela é através do diálogo, do encontro, da troca de opiniões, onde o jovem pode expor seus pensamentos e sentimentos, assim como ouvir seu ressoar no mundo.

No centro da luta entre estas forças, o adolescente vivencia duas polaridades intrigantes: o desejo por um mundo ideal, que corresponda ao que ele enxerga de mais puro na imagem do ser humano, e o desejo pelas coisas mais terrestres, que atuam de forma incisiva sobre sua sexualidade pelos prazeres terrenos, os prazeres da carne.

Ele busca no mundo representações desta vivência ideal e mundana ao mesmo tempo, ele tem sede espiritual e física.

E assim, fica então vulnerável a todas as espécies de filosofias, na esperança de encontrar aquela que corresponda à sua realidade interna – é nesse período que precisa romper com as crenças familiares, ou, pelo menos, questionar as existentes; se os pais são católicos, ele buscará o espiritismo, protestantismo, budismo, e vice-versa, do mesmo jeito que fará com a comida, com a roupa, com a postura, com os gestos.

As drogas representam, nesta época, uma possibilidade de encontro com este mundo idealizado, ou fuga da angústia de não poder encontrá-lo. É importante que saibamos que é uma fase extremamente difícil, onde o adolescente precisa negar e se opor, para que, a partir da percepção do que não é, encontrar-se a si mesmo. Não sabe que ao longo de toda a sua vida buscará, de formas diferentes, a mesma coisa, e que as pessoas que o cercam, e que percebe como sendo tão prontas e acabadas, vivem o mesmo conflito.

O ‘nó lunar’ aos 18 ½ anos, quando o sol e a lua se encontram na mesma configuração do nascimento, propicia uma abertura, uma ligação cósmico terrestre, que nos dispõe a vislumbrarmos o real sentido de nosso destino.

É a partir desta idade que começamos a ter um pensamento mais autônomo, ainda que, nesta época, acreditemos estar amadurecidos para efetuar julgamentos.

Há também o questionamento profissional, quando o jovem se pergunta sobre seu caminho e escolhas.

A opção entre o que lhe foi imposto e o que quer, cria rupturas. Buscar a si mesmo e descobrir o que é seu, o que é do outro, o que pode ser compartilhado, propicia ao jovem conhecer novas paragens e alargar seu horizonte antes de completar a idéia e impressão sobre si mesmo, que aos 21 anos se realizará com mais firmeza.

Quarto Setênio – 21 a 28 anos

Retomando a idéia do homem como cidadão de dois mundos, o celeste e o terrestre, e a vida como uma conversa, um encontro destas duas forças, chega-se aos 21 anos de vida com o fim da fase do crescimento corporal, e princípio da auto-educação.

Aqui, de uma forma geral, as forças completaram e estiveram a serviço do desenvolvimento físico, e o homem emancipa-se de uma educação herdada; ele chega nesta idade com um patrimônio: um corpo adulto e uma estória pessoal, familiar, escolar.

Aos 21 anos, a entidade psíquica individual, o “Eu” começa realmente a se formar. Uma parte supra-sensível do ser humano, mais exterior, é desperta, acordada, e é aquela que está em contato com o mundo exterior – e por isso mesmo, muito mais impressionável por ele.

O ser humano, nesta fase, depende muito da aprovação de fora, e funciona em altos e baixos, deixando-se influenciar pelo externo, e a luta é não se deixar impregnar demasiadamente, paralisar ou impedir-se de viver emoções – neste período a vida está para isto. São momentos fortes, onde temos que pesar e refletir sobre o que herdamos, olhar para o que ganhamos e o que temos, e avaliar deste patamar o que serve aos nossos propósitos de vida, o que devemos incrementar e do que podemos abrir mão – valores que nos serviam até então, mas que a partir de agora podem impedir nossa própria evolução, assim como uma roupa fora de moda, que não combina ou não cabe mais.

Em olhando o que recebemos, devemos avaliar o que pode e o que deve ser mudado em favor do nosso próprio caminhar.

Temos que ter a flexibilidade e habilidade para nos despojarmos daquilo que não nos identificamos mais, da mesma forma como temos que nos reconciliar com o que não dá muito para mudar, por exemplo, com a constituição física. Na verdade, esse é o começo de um processo que vamos depurar a vida inteira.

Com o “EU” mais livre do trabalho no corpo físico, e agora ocupado com a constituição da alma, temos então maior distanciamento daquele, e por isso podemos vê-lo deste novo ângulo.

Portanto, concretamente nesta fase, podemos estar:

-procurando emprego

-terminando a faculdade

-namorando /noivando /casando

-iniciando nova constituição familiar

-tendo filhos

-estabelecendo as bases para a sobrevivência financeira

Quinto Setênio – 28 a 35 anos

A fase do 5o. setênio começa com uma das grandes crises na vida, por volta dos 28 anos, onde somos reivindicados a uma emancipação da imagem que até então tínhamos de nós mesmos, da nossa própria vida, dos nossos talentos, enfim, da nossa identidade.

A sensação anterior de ser dono do mundo sofre um abalo e o que toma o seu lugar, é uma sensação de angústia, de vazio, de desconhecimento de si mesmo, e insatisfação. Sentimo-nos impotentes nesta passagem da juventude para a maturidade, de um viver mais impulsivo para um viver mais sério, responsável.

Temos a sensação de que nada que aprendemos ou fizemos, tem muito mais valor, sentimo-nos incapazes de termos idéias, e começamos a viver ao nível da alma um tipo de espelhamento, o mesmo sofrimento vivido no corpo físico enquanto adolescentes até 14 anos.

Vivemos intensamente a influência dos ritmos cósmicos, que na verdade, buscam conectar-nos e alinhar-nos com nossa real intenção pré-natal.

Temos então o 30o ano, que coincide com a passagem das forças de Saturno e nos cobra estrutura, bases, pilares, e no corpo, corresponde aos nossos ossos, o que há de mais duro no organismo humano.

Temos, logo após, o 31 ½ ano, que corresponde à metade do 63o. ano de vida, marca final das atuações planetárias e zodiacais. Depois dessa idade, ficamos mais livres.

E para completar, o 33o. ano, que pontua o máximo de encarnação do homem na Terra, e ano da morte de Cristo. Sentimos o sofrimento da densidade, do espírito aprisionado na matéria, da via crucis.

Em verdade, a vivência desse período é sentida como uma morte e, realmente, para podermos nos individualizar e tornarmo-nos autônomos, precisam morrer valores que não mais correspondam ao “EU” verdadeiro, para que o ego dê lugar à esta individualidade, esteja a seu serviço, evolua, se integre a ela.

O sentimento de ressurreição ocorre quando, passando pelas provações, percebemo-nos mais inteiros e vivendo de acordo com um código de leis mais próprio, uma renovação moral a partir de uma maior interiorização, uma libertação do velho e disposição para o novo.

Portanto, concretamente nesta fase podemos estar:

-tendo crises no casamento, fazendo separações ou novas uniões.

-tendo rupturas no trabalho ou vendo-o sob novas perspectivas

-buscando o isolamento

-trocando o círculo da amizades

Sexto Setênio – 35 a 42 anos

• Relação com a Essência no mundo / No outro / Em si

• Mais capacidade de julgamento

• Desgaste físico x Maturidade Psíquica

• Conquista de mundo material

• O desafio é encontrar valores espirituais

• A pergunta é: como é que encontro o caminho para a essência do mundo e para a minha própria essência?

Chegamos aos 35 anos e entramos na formação da alma da consciência, última fase do desenvolvimento da alma propriamente dita, onde o Eu adentra mais profundamente na corporalidade supra-sensível. E nesse sucessivo despertar da alma, sentímo-nos levados a uma busca ao essencial no mundo, no outro, em nós mesmos.

O mundo material teve já suas conquistas, construímos uma carreira, relações, família e, de repente, atentamos para a importância do mais recôndito nos seres ao nosso redor, no sentido do que fizemos, nas leis que regem o mundo.

A vida exige que demos um passo do anímico ao espiritual, e, como as forças atuam no pólo superior do corpo, sentimos que conseguimos ver mais verdadeiramente do que até então, a real natureza das coisas.

A capacidade de julgamento aumenta e se torna mais livre dos invólucros superficiais, que a visão das fases anteriores possuía.

Vivencia-se um novo nascimento, precedido pela morte e o vazio dos velhos princípios. Reinicia um período de percepção dos limites e aceitação de si mesmo. Nos tornamos mais disponíveis para o mundo, porque deixamos gradativamente de nos ocupar conosco mesmos. É o desabrochar do desenvolvimento espiritual que chega quando o homem vai chegando aos 40 anos e ele se questiona se há ainda algo de novo que possa ser vivido. Começa a se perguntar sobre sua missão na vida. Sente aos poucos que algo está por vir, e acontece um verdadeiro renascimento, quando se julgava tudo pronto e definido.

A aceitação do desgaste físico, e a busca de um ritmo adequado se faz necessário para que a consciência se amplie em todas as direções.

A relação com a vida é mais intensa, lapidada e autêntica, e é grande a possibilidade de vivência como ser espiritual, de se reconhecer como entidade espiritual incorporada.

Sétimo Setênio – 42 a 49 anos

Como um novo recomeço, a entrada nesta fase traz a vivência interna de que algo novo necessariamente há de vir.

Percebe-se que, como está, não dá para ficar ou continuar, e que a vida dá sinais de grande mudanças, as pessoas sentem algo de novo em si.

O princípio desta fase coincide com o final do período mais quente e ensolarado da vida, a saber, os últimos 20 anos; os próximos setênios correspondem ao desenvolvimento da natureza espiritual do homem, assim como o período anterior ao desenvolvimento da alma, e o primeiro, ao desenvolvimento físico.

A entrada nos 40 traz, quase que inevitavelmente, uma crise existencial, e como é uma fase que espelha fisiologicamente os 14 – 21 anos, vários fatores da adolescência influenciam nesta época. Eclode uma necessidade de rejuvenescimento que pode tomar as mais variadas formas na mulher e no homem.

A desvitalização do corpo físico gera medos reais do envelhecimento e da morte. As mulheres, próximas da menopausa, percebem que o corpo não é mais rijo como antes, que o rosto fica enrugado de um jeito difícil de dissimular, e então as plásticas imperam. Os homens sentem que as pernas afinaram, que a barriga cresceu muito, e então o cooper e as academias de ginástica e musculação desempenham seu papel.

A preocupação com a perda da beleza física e da sexualidade existe, podemos cuidar de manter o corpo bonito e sadio porque é ele o instrumento espiritual na Terra, mas os artifícios para a manutenção física não deveriam impedir ou tomar o lugar da beleza interior.

As forças desprendidas dos órgãos sexuais e da reprodução podem ser metamorfoseadas em criatividade, o elemento central dessa fase, imagens criadoras, renovadoras.

Além dos artifícios para a manutenção do corpo físico, existem também os artifícios que emergem como saída para a manutenção da vida emocional, que são o álcool e a cocaína.

Com a sensação de perda de força e de morte, o ser humano, nesta etapa da vida, pode ter muitas depressões e se apegar ao que é velho e conhecido no trabalho, nas relações familiares e pessoais, numa tentativa de manter intacto o que já têm.

As mudanças que a vida pede, geram muitas inseguranças que impedem o indivíduo de abrir mão do que é velho, como valores, preconceitos, papéis, e ir de encontro ao renascimento que o espera.
É com muita dificuldade e sofrimento que esta etapa é transposta para conseguirmos vislumbrar os frutos que possuímos para doar.

A resistência a mudanças impede o indivíduo de desenvolver talentos que ficaram para traz, tesouros que ficaram escondidos, e reativá-los.

E para complicar a falta e os excessos desta fase, há a questão do sósia, da sombra, daquilo que encarna no parceiro, no patrão, nos filhos, enfim, que é tão difícil de lidar, porque está diretamente ligado aos aspectos pessoais não resolvidos, não integrados.

As forças do sósia se tornam extremamente intensas em torno dos 40 anos. São aspectos para os quais somos levados a hostilizar, ou nos identificar cegamente, por uma força que se ergue em nós. Em geral, nos confrontamos com o sósia do outro, já que a própria sombra é difícil de ver.

Assim, grandes confusões, agressões e descasamentos acontecem, porque as relações ficam contaminadas por aquilo que se vê no outro, que é profundamente unilateral – algo expurgado daquilo em nós que não admitimos, não conseguimos lidar, mais o do outro.

Projetamos nossos aspectos indesejáveis e/ou renegados no outro, e somos vulneráveis à sua sombra – seus vícios, manias, defeitos, enfim.

Se não trabalharmos conscientemente na relação, e procurarmos ver a essência do outro, sua inteireza, o sósia, ou seja, a soma de todas as qualidade negativas comanda.

Temos que nos esforçar para integrarmos nossa sombra à nossa personalidade, e não alimentá-la, deixando que a força da raiva, da inveja, do desprezo, dominem a situação.

Há que se desenvolver muita calma interior!

Devemos ter em mente que tudo o que fazemos contra a vontade é alimento para o sósia.

E fica, então, difícil reconhecer nele uma oportunidade para a transformação de seu conteúdo.

A sombra e a luz são condições inerentes à existência humana, e uma, certamente, não existe sem a outra na vida terrena.

Oitavo Setênio – 49 a 56 anos

A entrada nos 50 anos equivale à época mediana do desenvolvimento do espírito, e por isso mesmo, para aquele que vive espiritualmente, a mais tranquila e produtiva da vida.

As forças, que na fase anterior estavam se desprendendo da região metabólica e dos órgãos correspondentes, estão agora se libertando da área mediana do corpo, coração e pulmão, e se dispondo para uma moralidade e uma ética de qualidade superior, refinada, mais humanizada.

É a época da vida denominada jupteriana, pois possibilita uma visão mais ampla e geral da própria estória, do desenvolvimento da humanidade, do sentido das coisas, da existência.

Os valores pessoais deveriam agora dar lugar a valores mais humanitários, e a preocupação se concentrar na família universal e não apenas na individual.

Dependendo da evolução do ego do indivíduo, ele pode dispor da sua sabedoria para o mundo, ou continuar apegado às próprias necessidades ou às do grupo familiar, desconhecendo a maravilha que é colocar seu patrimônio interior a serviço do mundo.

É a fase do pai e da mãe universal.

Como esta fase espelha fisiologicamente o setênio 7 a 14 anos, o elemento do ritmo tem de ser priorizado, e os órgãos rítmicos, assim como o ritmo cotidiano, têm de ser cuidados, preservados e respeitados.

É comum o aparecimento de problemas respiratórios, principalmente se a relação respiratória com o mundo foi difícil na pré puberdade; stress e enfarte também ocorrem.

Deve-se procurar um novo ritmo biológico mais adequado às características físico emocionais.

A vida nos ensina nesta época uma nova audição, temos a possibilidade de ouvir a voz do coração para esta renovação ético / moral que agora é propícia.

No concreto, neste período ocorrem as aposentadorias, o que por sua vez traz o sentimento de inutilidade e vazio.

Há que se preparar para esse momento e refletir no que se fará após, planejar a vida para o depois desse acontecimento, afim de não ser uma passagem muito brusca que pode assustar e levar o indivíduo a exceder no trabalho para ainda se sentir útil e não velho, impotente, incapaz.

A sociedade como um todo ainda valoriza muito a força biológica e não tem olhos e condições de discernimento para as capacidades de liderar dos 50 anos, e, sobretudo, de abençoar, principalmente aqueles que puderam, entre 7 e 14 anos, aprender a venerar.

Nono Setênio – 56 a 63 anos

Os mesmos órgãos dos sentidos que foram as portas para a entrada na vida terrestre no 1º setênio, vão, aos poucos, se tornando portas de saída; não se vê, nem se ouve tão bem como antigamente, o paladar já não consegue sentir direito o gosto dos alimentos, os cheiros e as texturas não são mais sentidos tão intensamente.

A vida começa a dar sinais de que o ser humano têm agora que ir-se voltando para dentro de si mesmo, internalizar-se, desenvolver os sentidos espirituais.

O portal de comunicação com o mundo externo começa a se fechar.

Como um eremita, a partir desta fase, necessitamos da auto reflexão na busca da nossa essência, para o desenvolvimento de intuições a partir da força do amor que torna-se então a representante do verdadeiro e supremo conhecimento.

O 56º ano de vida traz uma brusca mudança que é sempre crítica, pois penetra-se numa esfera onde tudo parece ter que morrer para depois ressuscitar de uma forma muito sofrida.

Por vezes tem-se a sensação de fracasso de tudo aquilo que se desejou, e que nada do que se almejou foi alcançado.

Questiona-se muito o que se realizou no passado, e se torna importante avaliar o que ainda deseja realizar, o que pode e o que não pode mais ser realizado pela própria condição desvitalizadora, pelo tempo.

Certos cuidados se fazem muito importante, como a estimulação da memória, mudanças de hábitos, recursos criativos.

O trabalho é importante na vida, mas não deve ser a única fonte de realização pessoal. Pessoas excessivamente voltadas para o trabalho tornam-se resistentes às mudanças, perdem a visão global, sentem-se ameaçadas e, muitas vezes, são menos produtivas e criativas do que aquelas que possuem outras fontes de realização.

Aquelas que, além do trabalho, lecionam, tocam algum instrumento, freqüentam outras atividades e amigos, realizam viagens com certa dose de aventura, se dedicam a um hobby, praticam esporte, escrevem textos, crônicas ou livros, enfim, são pessoas com uma visão do mundo, de seu trabalho e da própria vida muito mais rica e feliz.

Caminhando para a terceira idade, e mais livre dos compromissos da 1ª e da 2ª, temos a chance de rever o que ficou de lado e que, com frequência, dá novo sentido à vida. Entregar-se ao que pede para ser vivido com satisfação, de maneira renovada, e ao mesmo tempo, livrar-se do inútil e supérfluo que se carrega por hábito.

Inclusive de preconceitos, pois vivemos em uma época com tantos recursos para a renovação do corpo e da alma, que deveríamos fazer bom uso do livre arbítrio e decidir que rumo tomar no caminho do amor, do encontro com outros seres humanos, da alegria de viver.

Como tudo no Universo está em constante transformação, e nada é estável e permanente, somente existe possibilidade de evolução onde há possibilidade de mudança.

Após os 63 anos, o ser humano vai, cada vez mais se libertando das leis e ritmos do destino.

O envelhecer vai chegando com o florescimento interno que é percebido no olhar do idoso que vive muito mais em uma realidade supra sensível do que sensível – para além dos sentidos.

O corpo vai ficando mais leve e transparente, o espírito se torna mais visível, os “avós” irradiam aquela força onde o sol interior consegue aparecer.

Por Eliane Utescher

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Problemas relacionados a evolução da criança

Problemas relacionados a evolução da criança

Rudolf  Lanz

problemas relacionados a evolução da criança

Uma infinidade de problemas está relacionada com a evolução da criança e do adolescente. Ventilamos somente alguns, recomendando ao leitor a imensa literatura antroposófica sobre problemas da juventude e da pedagogia.

Ao estudar a constituição da entidade humana, já deparamos com a polaridade entre forças vegetativas e intelectuais. Encontramos a mesma polaridade no indivíduo jovem. Enquanto, durante os primeiros sete anos, o organismo etérico deve-se dedicar à estruturação do corpo, qualquer esforço intelectual implica no desvio das forças etéricas para uma finalidade anormal. Daí a palidez, a anemia e a fraqueza orgânica das crianças às quais se ordena fazerem esforços intelectuais e que são despertadas cedo demais. Na medida em que o intelecto aparece, a vitalidade diminui. Por outro lado, existem adolescentes gorduchos, sadios demais, de espírito sonolento; a esses é preciso aplicar uma terapia enérgica de esforços mentais para restabelecer um equilíbrio que está rompido a favor do outro lado.

Os movimentos são uma atividade própria da infância. Eles se metamorfoseiam igualmente em faculdades volitivas e intelectuais. Por isso deve-se deixar a criança gesticular e mover-se de acordo com os seus próprios impulsos. Apenas deverá haver uma certa correção e coordenação (por exemplo, por meio de exercícios eurrítmicos) quando o educador percebe que os movimentos traduzem um espírito desequilibrado. Pois assim como os movimentos traduzem certas qualidades anímicas ou mentais, também estas últimas, por seu lado, podem ser influenciadas por uma atuação sobre os movimentos.
Em todas as fases do ensino, o elemento artístico deveria estar presente, pois constitui um contrapeso à excessiva intelectualização e à dinâmica fútil.

Entre os inúmeros problemas ligados à infância, destacaremos mais três:

  •  Convém ou não o ensino de religião? Muitos pais, que não acreditam mais nos dogmas das religiões tradicionais, acham que seria desonesto educar seus filhos incutindo-Ihes crenças que eles próprios repudiam. Opinião errada, pois assim como a humanidade percorreu extensas épocas de fé e de religiosidade, as crianças precisam viver num meio religioso. As imagens do Velho Testamento, o ambiente belo de uma família que cultiva valores espirituais, a relação íntima e sagrada entre o homem e Deus, constituem, até a idade de 14 anos, elementos educativos de suma importância. Pouco importa que na idade da puberdade o adolescente abandone a sua antiga atitude religiosa; ela terá contribuído para formar-lhe o caráter. Pouco importa aliás, qual a religião em que uma criança vive. Elas têm todas, essa influência benéfica, desde que os pais não a destruam pelo cinismo.
  • Discute-se muito sobre o valor dos contos de fada. Afirma-se que alienam a criança da “realidade”, e que constituem, frequentemente, devido a certos trechos cruéis, um alimento espiritual de valor duvidoso. Aqui também devemos entender-nos melhor! Em primeiro lugar, os contos bons são aqueles que têm sua origem na vetusta sabedoria popular, como os recolhidos pelos irmãos Grimm. Contos “compostos” intelectualmente não têm o mesmo valor. Por que? Os verdadeiros contos de fada contêm, em suas imagens, fatos e processos autênticos da evolução espiritual do homem. A criança extrai dos contos profundas verdades, embora numa forma primitiva, mas, justamente por isso, adequada aos primeiros anos de vida. Um conto nunca deve ser lido, mas narrado, e além disso, repetido em dias seguidos. A pessoa que conta deve saber que as imagens que transmite correspondem a uma profunda sabedoria popular; outrossim, ela deve falar como se acreditasse inteiramente em tudo que conta. Os trechos mais cruéis não devem ser postos em relevo, nem contados com abundância de detalhes sangrentos e requintes de sadismo; assim, eles desempenharão a função de constituir o momento de maior tensão a partir do qual tudo corre para o desenlace feliz, a recompensa do justo, a punição do mau, que nunca faltam. Os contos, com efeito, têm o seu ritmo e sua dinâmica intrínsecos, que lhes dão alto valor educativo.
  • Finalmente, uma palavra sobre as doenças da infância. Longe de constituir apenas infecções provocadas por bacilos, são na realidade indícios de uma certa evolução. Com efeito, a criança “recebe” a sua massa hereditária, isto é, o seu corpo físico, dos seus pais; e como seu eu escolheu esses pais, seu corpo será mais ou menos adequado à sua personalidade. Mas apenas “mais ou menos”.

Durante os primeiros anos de vida, existem certas tensões entre o corpo herdado e a personalidade, tensões que se vão acumulando até que, numa crise turbulenta e eruptiva, verifica-se uma descarga, um reajuste. Esse reajuste é a doença da infância: tem-se a impressão de que o eu joga fora algo de superado. Ninguém nega que a presença do bacilo seja necessária para que irrompa a doença, mas que esta presença não é suficiente, é provado pelos inúmeros casos em que os pais põem seus filhos doentes e sadios juntos, para que todos apanhem a doença, verificando-se, então, que algumas crianças não a pegam. Motivo: o seu desequilíbrio ainda não atingiu o grau que faz necessária uma doença da infância.

Sabemos, aliás, que essas mesmas doenças (que ocorrem só uma vez em cada vida) costumam ser benignas e são seguidas de um período de saúde e bem-estar notáveis; é como se a criança tivesse triunfado sobre um adversário.
Quando ocorrem em adultos, as mesmas doenças da infância são geralmente graves. Isso se explica facilmente: na organização elástica e plasmável da criança, o reajuste se faz sem dificuldade; o corpo endurecido e a entidade mais individualizada e firmada do adulto lhe oferecem considerável resistência.

Sob esse aspecto temos que enfocar de uma forma nova a praxe condenável de se querer impedir as doenças da infância. Melhor seria controlá-las e ajudar o corpo, por remédios adequados, a “aproveitar” delas da melhor maneira possível. Cortá-las ou impedi-las é um sinal de comodidade, senão de covardia, dos pais e médicos, e significa privar o organismo de um recurso natural, para atravessar e vencer certas fases de tensão. Pode-se, naturalmente, criar uma criança nessas condições. Mas o desequilíbrio, que clama por um reajuste, tornar-se-á permanente ou procurará outro caminho de escape.
Falamos aqui, é claro, das típicas doenças da infância, e não de males como a difteria, a paralisia infantil e outras.

Voltando à própria educação das crianças, convém frisar que ser educador (pai; mãe, mestre de escola) deveria constituir verdadeiro sacerdócio. Não há trabalho que exija mais idealismo do que aquele, hoje tão desprezado, de “simples” professor. Além de ter a consciência de tudo o que está realmente acontecendo e de tudo o que ele próprio faz, o educador deve constantemente trabalhar em si próprio. A sua entidade deve estar sempre em evolução, aberta aos impulsos espirituais de cima. A responsabilidade de levar futuros homens ao seu destino final de Homens; de fazer desabrocharem as suas faculdades mais belas, corrigindo cuidadosamente os defeitos aparentes, é uma tarefa imensa, que, além do mais, exige muita modéstia, pois o educador nunca deve procurar formar a criança de acordo com a sua própria imagem, mas adivinhar a feição da individualidade e fazer com que ela atinja e siga harmoniosamente o caminho que leva a si própria. Nunca o trabalho de educar deveria tornar-se rotina ou simples técnica. A personalidade do professor ou pai deve estar sempre empenhada em captar toda a personalidade do aluno.

A realização desses ideais pedagógicos é hoje em dia praticada nas chamadas escolas “Waldorf”, fruto das idéias de Rudolf Steiner. São escolas que seguem uma orientação educacional dada por ele próprio, a qual é totalmente diferente daquela adotada em outras escolas. A designação “Waldorf” provém da fundação da primeira dessas escolas. Em 1910 Rudolf Steiner foi solicitado pelo diretor da fábrica alemã de cigarros Waldorf-Astoria a fundar uma escola para os filhos dos operários dessa fábrica e dar-lhe o fundamento pedagógico. Dessa escola, que passou a ser a famosa “Escola Waldorf Livre” de Stuttgart, nasceram as escolas existentes hoje em muitos países do mundo inteiro, e nas quais se pratica um ensino baseado nos princípios pedagógicos idealizados por Rudolf Steiner, de acordo com o seu profundo conhecimento da natureza humana.

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A evolução da criança

A EVOLUÇÃO DA CRIANÇA

Rudolf Lanz

evolução da criança

Em fins do século passado o grande biólogo Ernst Haeckel formulou sua genial lei bio-genética fundamental: “Em sua evolução embrionária, todo animal percorre, sucessivamente, estados correspondentes aos graus de evolução que os animais inferiores percorreram, na história das espécies, até chegarem a ele”. Essa lei pode ser aplicada, de certa maneira, à evolução da criança: ela também repete, de maneira concentrada, as várias fases da evolução anímico-espiritual do gênero humano.

Antes de examinar as etapas da evolução da criança, lembremo-nos de alguns fatos importantes:

  • A personalidade não nasce com o nascimento! O eu de um recém-nascido é tão velho como o de qualquer outra pessoa. Na presente encarnação, porém, ele ainda não permeou os diversos envoltórios terrenos.
  • No decorrer da vida, o eu procura realizar-se, a si e ao seu carma. Pais e educadores devem ajudá-lo nessa tarefa.
  • Daí a grande responsabilidade de quem lida com crianças. Não se pode criar uma personalidade, um eu! Mas pode-se favorecer ou dificultar o seu desabrochar correto.
  • Muito do que é aprendido na vida infantil, e esquecido depois, reaparece mais tarde, sob forma de faculdades adquiridas. A lei da metamorfose domina a evolução da criança.

Rudolf Steiner ensina que a vida humana é caracterizada por ciclos de 7 anos, marcados pela predominância de determinada configuração anímico espiritual.

Sem investigar o porquê desses ciclos, estudaremos rapidamente os três primeiros.
Ao nascer, o corpo físico está “acabado”. Existem e funcionam todos os órgãos (menos os da reprodução). Mas o corpo etérico ainda está, durante os primeiros sete anos, intimamente ligado ao corpo físico, ao qual consolida, estrutura e dota de funcionamento certo: a criança se fixa pouco a pouco na alimentação dos adultos, ergue-se, aprende a mover-se no espaço, aprende a falar; finalmente, o aparecimento da segunda dentição marca a época em que essa tarefa plasmadora do corpo etérico chega a um certo fim, libertando-o em parte para outras funções. Poderíamos, pois, dizer que o nascimento de um corpo etérico autônomo apenas ocorre aproximadamente aos 7 anos, na idade em que a criança está pronta para entrar na escola.

Quem conhece a existência de um corpo etérico, e mais ainda, quem admite o seu intenso desenvolvimento durante os primeiros 7 anos de vida, (o corpo físico foi construído durante os 9 meses de gravidez) não estranha que esse corpo precise de “alimentação” adequada. Em outras palavras: para se desenvolver harmoniosamente, o corpo etérico deve receber certos impulsos; em caso de falta destes, ou quando são prejudiciais, o corpo etérico não desenvolve harmoniosamente suas forças e funções.

Quais são esses alimentos úteis?

Em primeiro lugar, tudo o que constitui um ritmo. A regularidade da vida cotidiana (horas certas para se levantar, comer, deitar-se) e a repetição de certos atos (passeios, oração para agradecer o alimento que recebe, ouvir sempre uma história antes de dormir) constituem uma poderosa ajuda para o fortalecimento do corpo etérico, dando à criança uma confiante segurança.

Depois, a criança deve ter a possibilidade de dar vazão à sua fantasia criadora. De dentro para fora, deverá desabrochar uma vida anímica baseada principalmente no corpo, na vida orgânica e seus ritmos. Contos de fadas devem animar a imaginação; brinquedos simples devem deixar lugar à fantasia. Nada de trens elétricos, de brinquedos mecânicos, de bonecas de matéria plástica, caricaturas horríveis de seres humanos. Todos esses brinquedos matam a imaginação da criança e desfiguram seus instintos plasmadores e sadios. Nada também de formas geométricas, de jogos de matéria plástica que deturpam o sentido táctil da criança. Materiais naturais, pedaços de madeira, trapos, pedras, conchas, plantas, areia, lápis de cera, eis os companheiros ideais, com os quais a criança pequena, cheia de imaginação, constrói o “seu” mundo.

Nessa idade, mais do que em qualquer outra, a criança, meio inconsciente e sonhadora, está entregue às influências do ambiente. Tudo a permeia. Como o seu organismo tão delicado sofre com discussões em voz alta entre seus pais, com o ruído do rádio, com as irradiações da TV, com o barulho e o nervosismo da nossa vida citadina, e com as mudanças bruscas de ambiente!

O ideal seria deixar a criança pequena entregue à sua fantasia, num mundo harmonioso, sem distúrbios. Nessa idade a criança não é acessível a conceitos de moral e a regras abstratas de comportamento. Ela vive imitando o seu ambiente, em geral de maneira inconsciente. Muitas vezes, a semelhança de uma criança com seus pais ou avós não é congênita, mas adquirida pela imitarão de gestos e expressões. O exemplo dos pais e irmãos educa, e não os gritos e preceitos lógicos.

Durante os primeiros três anos a criança aprende mais do que em qualquer outra época da vida: o andar ereto, o falar e o pensar são três vitórias básicas sobre o animal. Com elas, a criança torna-se homem. Durante essas três conquistas, e durante todo o resto da evolução, pais ou outros adultos devem sempre estar presentes para dar uma mão, tão firme quanto carinhosa. A pequena criança deve ser guiada! Nada mais errado do que deixá-la sempre “livre”. A disciplina e a regularidade são alimentos da sua organização etérica, base de toda a sua vida futura.

Se as crianças já aparentam, muitas vezes, um caráter bem pronunciado, elas não possuem ainda, salvo erros da educação, manifestações tipicamente intelectuais e conscientes. A criança pequena naturalmente possui um eu, mas ainda sem autoconsciência. Ela vive entregue ao mundo exterior que a permeia. Até a idade de três anos, ela nem emprega as palavras “eu” ou “você”: chama a si própria pelo seu nome (“Maria quer comer”), e somente a partir dessa idade nascem os primeiros vestígios da memória permanente: o adulto, em geral, não tem reminiscências de fatos anteriores à idade de três anos.

Qualquer despertar artificial e prematuro das faculdades sentimentais e mentais prejudica a evolução harmoniosa da criança. Ela chegará sozinha ao grau de desenvolvimento que constitui o fim desse primeiro período de 7 anos e que se manifesta por vários sinais: ela se alonga, seus dentes definitivos aparecem, ela muda de aspecto e tudo indica que está, com o segundo período de 7 anos, ingressando na maturidade escolar.

O segundo período, que se estende dos sete aos catorze anos, é caracterizado pelo desenvolvimento intensivo do corpo astral, que passa a ser o elemento predominante, até o seu turbulento “nascimento” definitivo, no momento do reboliço da puberdade. A astralidade toma, então, posse do corpo físico.

Durante essa fase – que corresponde à idade escolar – é principalmente o corpo astral que deve ser “alimentado” de maneira sadia, como o corpo etérico o foi durante a época anterior. Os sentimentos se formam e precisam de impulsos apropriados. Os sentidos, de simples órgãos sensitivos, passam a ser “antenas” de uma alma: a criança começa a adorar música, pintura; ela compartilha dos sofrimentos e das virtudes dos heróis das suas leituras; em uma palavra, a alma e a vida anímica passam ao primeiro plano.

Nessa idade a criança desenvolve seus dons artísticos. Ao mesmo tempo, o corpo etérico, liberto das suas tarefas do primeiro setênio, torna-se instrumento poderoso do pensar e da memória. Ainda seria prematuro qualquer intelectualismo (que pressupõe o poder de abstração do eu), mas acoplado à vida sentimental, o pensamento se torna capaz de grandes esforços deverá ser desenvolvido na escola de maneira adequada.

Entre os “alimentos” do corpo astral figuram ideais, exemplos de figuras com sentimentos nobres e empolgantes. Os grandes heróis dos mitos e da história fecundam a imaginação e o idealismo, as vivências artísticas elevam a alma e o corpo inteiro, com a sua intensa reserva de forças, quer ser o instrumento de impulsos volitivos (esporte), estéticos (dança, mímica), etc. A imaginação e a fantasia sentimental se projetam para fora, e nunca, mais tarde de, as crianças saberão interpretar com tanto fervor, em peças teatrais ou pequenas encenações de vivências próprias.

Os perigos, nessa idade, são múltiplos, mas o maior é a fixação do idealismo e da fantasia em figuras de valor duvidoso. Daí o efeito nefasto das estórias em quadrinhos, da idolatria de bandidos. Horrível também é a influência dos meios modernos de divulgação, com seu baixíssimo nível moral, intelectual e artístico: TV, rádio, revistas, etc. Os crimes que se cometem contra a criança nessa idade têm efeitos incalculáveis e definitivos.

Nessa idade, dos 7 aos 14 anos, a personalidade já se afirma mais. Não se limitando a imitar, a deixar-se permear, a criança quer agora idealizar, respeitar, venerar. A autoridade baseada no afeto, no amor, é a melhor relação pedagógica nessa idade, e o professor deve respeitar o eu dos seus alunos, que se vai afirmando cada vez mais, e ao mesmo tempo procurar corresponder ao seu idealismo ainda meio inconsciente.

No terceiro período, dos 14 aos 21 anos, a parte que se desenvolve é o eu. Tendo alcançado sua plena maturidade, o indivíduo é considerado civil e penalmente responsável; passa a ser um membro aprovado da coletividade.

Com a evolução do eu, nasce a consciência da própria personalidade e, com ela, um sentimento de alienação e de separação dos outros. O indivíduo começa a ter uma vida íntima própria. O adolescente faz poesias, a mocinha escreve um diário íntimo. Depois da crise da puberdade, a vida sentimental, salvo influências negativas de fora, se sublima. O jovem começa a “amar”. Ao mesmo tempo, seu idealismo se dirige para objetos mais elevados, mais abstratos: discussões filosóficas e metafísicas, ideais políticos e sociais, enchem-Ihe o espírito.

Nessa altura suas faculdades mentais estão plenamente desenvolvidas.

Sem perigo de prejuízos, o pedagogo pode e até deve recorrer ao poder de abstração do seu aluno. Do mundo da alma, o jovem passa ao mundo do espírito. Dúvidas e problemas religiosos o atormentam; ele começa a criticar tudo. Uma educação bem dirigida não impedirá esse desejo de criticar, mas procurará evitar o cinismo e a negatividade, dando ênfase à necessidade de sempre respeitar o outro, de nunca esquecer a própria responsabilidade moral e social.

O término dos estudos escolares e universitários marca o fim desse terceiro setênio. O homem é agora maduro para poder tomar o seu destino em suas próprias mãos. Mas, até o dia da sua morte, deveria conservar este apanágio de um verdadeiro jovem: saber aprender e corrigir suas próprias ideias.

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O interesse pela vivência interior da criança

O interesse pela vivência interior da criança

Leonardo Maia

 vive

“Um dos aspectos mais relevantes no desenvolvimento humano é compreender o outro ser humano. Mas para isso é preciso ter contato com minha vivência interior e com a do outro. Tendo ciência de ambas as vivências, posso atuar de forma a equilibrar e harmonizar relações além de contribuir para um desenvolvimento social mais integrado.”

Vivemos hoje uma situação bastante complexa, onde o tempo corre e os compromissos exigem toda a nossa atenção, e pouco tempo que nos resta para satisfazer nossas necessidades individuais e de nossa família.

Que tempo sobra para compreendermos o outro indivíduo?

Uma das maiores dificuldades hoje é a de adentrarmos realmente nas vivências das pessoas próximas, como maridos, esposas, pais e filhos quanto o mais de pessoas fora no pequeno círculo familiar.

Esta condição é imposta por questões bem profundas e complexas, que entraremos em outro momento, mas ela é de fácil percepção.

Nossas relações se tornam superficiais e muitas vezes, nem percebemos esta condição, pois ela passa a ser uma condição aceita como natural, o que na verdade não é.

Muitas vezes temos pouco tempo para estar com nossos filhos. Eles ficam na escola, alguns em período integral, outros em atividades como inglês, natação, dança, futebol e outras mil possibilidades. É uma exigência moderna, pois os pais precisam trabalhar para sustentar a casa.

E no pouco tempo que nos resta junto a elas? Vemos um filme, vamos passear, comprar presentes ou mesmo colaborar com atividades pedagógicas ou rotineiras (tomar banho, fazer a tarefa, jantar, escovar os dentes e dormir). Muitas dessas atividades feitas de forma automática, como um momento de satisfação ou de cumprimento de nossos deveres como pais.

Mas será que eu percebo a real vivência que está acontecendo dentro da criança?

Ver um filme pode ser muito divertido, mas de que forma aquele conteúdo foi absorvido pela criança? De que forma aquilo vai interferir em seu jeito de pensar e atuar no mundo? De se relacionar consigo mesmo e com o outro?

Quando a criança que vivencia este tipo de superficialidade, guarda percepções muito profundas apenas para si e pode realizar que isto é um processo natural, desenvolvendo dentro de si a mesma dificuldade da qual foi vítima: a de adentrar na vivência do outro.

Isto cria um círculo vicioso muito perigoso, pois o desenvolvimento da compaixão é vinculado à ampliação de consciência vinculada à percepção e vivências alheias. O desenvolvimento social sem compaixão fica doente.

Pensar em si próprio é essencial e vital para o autodesenvolvimento, mas adentrar a vivência do outro também é. Para que isto adentre dentro do ser humano como capacidade inerente, deve ser desenvolvido a partir do interesse de seus educadores em suas vivências.

Isto não serve apenas para os pais, mas para todos. O professor, por exemplo, deve adentrar a criança para tentar perceber o que está acontecendo para ajuda-la, não apenas exigir a atenção e boas notas na prova.

Com o tempo curto e exigências em demasia, isto se torna um desafio realmente relevante…

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O poder terapêutico das Histórias

O QUE É REALMENTE UMA HISTÓRIA TERAPÊUTICA?

o pescador

Todas as histórias são potencialmente terapêuticas ou curativas. Se uma história nos faz rir ou chorar, ou ambos! – o riso e a lagrima podem ser curadoras. As histórias folclóricas ou contos de fadas, através de seus temas e resoluções universais, apresentam possibilidades curativas. Eles podem oferecer esperança e coragem para lidar com adversidades da vida, afirmando nossa capacidade de desenvolver e de mudar.
A simples experiência de ouvir uma história, não importando seu conteúdo, pode ser “curativa”. Sessões regulares de narração de histórias podem desenvolver a concentração das crianças, e podem ativar sua imaginação. Estes efeitos são um bálsamo curativo às crianças no mundo de hoje, quando frequentemente despendem muitas horas na frente da TV e DVDs. Uma história requer e estimula a criação imaginativa de vivências internas, enquanto os meios acima citados apresentam imagens fixas, pré‐criadas que tem que ser aceitas pelo expectador sem evocar sua própria capacidade de criação.
Concomitantemente a este potencial curativo genérico das histórias, determinadas histórias podem ajudar ou curar situações especificas de comportamento. “São as chamadas histórias ‘terapêuticas”.
Se a definição de curar é a de restaurar, retornar ao equilíbrio, tornar‐se harmonioso e inteiro, então histórias terapêuticas podem ser descritas como histórias que devolvem a harmonia de uma situação que se encontra em desequilíbrio.
História terapêutica é um modo delicado, fácil e efetivo de atingir comportamentos indesejáveis das crianças. A forma da história permite que a criança “embarque” numa viagem imaginativa, ao invés de ser admoestada diretamente por ter se comportado de modo inadequado. Através da identificação ao personagem principal ou de outras características, a criança se fortalece e pode superar obstáculos e alcançar resoluções.
Histórias são como medicação natural, homeopática, e sendo assim, elas ativam forças latentes e capacidades de restabelecer o equilíbrio. Às vezes, do mesmo modo como há uma relutância em aceitar medicina homeopática, o mesmo acontece na aceitação destas histórias, pois as mentes intelectuais encontram dificuldade em admitir que um meio tão simples possa ser eficaz.
Felizmente esta situação vem se alterando aos poucos. Há um movimento bem atual de reavivar o poder das histórias, formado por pensadores educacionais, pesquisadores, professores.
Há uma esperança que mais e mais professores e pais trabalhem com este tema tão revigorante e poderoso, guiando as crianças em seus ambientes sociais, dando apoio à capacidade da criança relacionada à sua imaginação.

Adaptado de trecho do livro de Susan Perrow, “Therapeutic Storytelling, 101 healing stories for children”, Hawthorn Press, Reino Unido. Tradução: Sílvia R. Jensen

Exemplo de história terapêutica – para pessoas que precisam de bens materiais para se sentir bem ou que nunca estão satisfeitas com o que recebem (boa para o atual contexto consumista da sociedade):

O PESCADOR E SUA MULHER

Irmãos Grimm

Era uma vez um pobre pescador e sua mulher. Eram pobres, muito pobres. Moravam numa choupana à beira-mar, num lugar solitário. Viviam dos poucos peixes que ele pescava. Poucos porque, de tão pobre que era, ele não possuía um barco: não podia aventurar-se ao mar alto, onde estão os grandes cardumes. Tinha de se contentar com os peixes que apanhava com os anzóis ou com as redes lançadas no raso. Sua choupana, de pau-a-pique era coberta com folhas de palmeira. Quando chovia a água caía dentro da casa e os dois tinham de ficar encolhidos, agachados, num canto.

Não tinham razões para serem felizes. Mas, a despeito de tudo, tinham momentos de felicidade. Era quando começavam a falar sobre os seus sonhos. Algum dia ele teria sorte, teria uma grande pescaria, ou encontraria um tesouro – e então teriam uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente e galinhas no quintal. Eles sabiam que a casinha azul não passava de um sonho. Mas era tão bom sonhar! E assim, sonhando com a impossível casinha azul, eles dormiam felizes, abraçados.

Era um dia comum como todos os outros. O pescador saiu muito cedo com seus anzóis para pescar. O mar estava tranqüilo, muito azul. O céu limpo, a brisa fresca. De cima de uma pedra lançou o seu anzol. Sentiu um tranco forte. Um peixe estava preso no anzol. Lutou. Puxou. Tirou o peixe. Ele tinha escamas de prata com barbatanas de ouro. Foi então que o espanto aconteceu. O peixe falou. “Pescador, eu sou um peixe mágico, anjo dos deuses no mar. Devolva-me ao mar que realizarei o seu maior desejo…” O pescador acreditou. Um peixe que fala deve ser digno de confiança. “Eu e minha mulher temos um sonho,” disse o pescador. “Sonhamos com uma casinha azul, jardim na frente, galinhas no quintal… E mais, roupa nova para minha mulher…”

Ditas estas palavras ele lançou o peixe de novo ao mar e voltou para casa, para ver se o prometido acontecera. De longe, no lugar da choupana antiga, ele viu uma casinha branca com janelas azuis, jardim na frente, e galinhas no quintal e, à frente dela, a sua mulher com um vestido novo – tão linda! Começou a correr e enquanto corria pensava: “Finalmente nosso sonho se realizou! Encontramos a felicidade!”

Foi um abraço maravilhoso. Ela ria de felicidade. Mas não estava entendendo nada. Queria explicações. E ele então lhe contou do peixe mágico. “Ele me disse que eu poderia pedir o que quisesse. E eu então me lembrei do nosso sonho…” Houve um momento de silêncio. O rosto da mulher se alterou. Cessou o riso. Ficou séria. Ela olhou para o marido e, pela primeira vez, ele lhe pareceu imensamente tolo: “Você poderia ter pedido o que quisesse? E por que não pediu uma casa maior, mais bonita, com varanda, três quartos e dois banheiros? Volte. Chame o peixe. Diga-lhe que você mudou de idéia.”

O marido sentiu a repreensão e sentiu-se envergonhado. Obedeceu. Voltou. O mar já não estava tão calmo, tão azul. Soprava um vento mais forte. Gritou: “Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!” O peixe apareceu e lhe perguntou: “O que é que você deseja?” O pescador respondeu “Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido uma casa maior, com varanda, três quartos e dois banheiros!” O peixe lhe disse: “Pode ir. O desejo dela já foi atendido.” De longe o pescador viu a casa nova, grande, do jeito mesmo como a mulher pedira.

“Agora ela está feliz,” ele pensou. Mas ao chegar à casa o que ele viu não foi um rosto sorridente. Foi um rosto transtornado. “Tolo, mil vezes tolo! De que me vale essa casa nesse lugar ermo, onde ninguém a vê? O que eu desejo é um palacete num condomínio elegante, com dois andares, muitos banheiros, escadarias de mármore, fontes, piscina, jardins. Volte! Diga ao peixe desse novo desejo!”

O pescador, obediente, voltou. O mar estava cinzento e agitado. Gritou: “Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!” O peixe apareceu e lhe perguntou: “O que é que você deseja?” O pescador respondeu “Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palacete num condomínio elegante…” Antes que ele terminasse o peixe disse: “Pode voltar. O desejo dela já está satisfeito.”

Depois de muito andar – agora ele já não morava perto da praia – chegou à cidade e viu, num condomínio rico, um palacete tal e qual aquele que sua mulher desejava. “Que bom,” ele pensou. “Agora, com seu desejo satisfeito, ela deve estar feliz, mexendo nas coisas da casa.” Mas ela não estava mexendo nas coisas da casa. Estava na janela. Olhava o palacete vizinho, muito maior e mais bonito que o seu, do homem mais rico da cidade. O seu rosto estava transtornado de raiva, os seus olhos injetados de inveja.

“Homem, o peixe disse que você poderia pedir o que quisesse. Volte. Diga-lhe que eu desejo um palácio de rainha, com salões de baile, salões de banquete, parques, lagos, cavalariças, criados, capela.”

O marido obedeceu. Voltou. O vento soprava sinistro sobre o mar cor de chumbo. “Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!” O peixe apareceu e lhe perguntou: “O que é que você deseja?” O pescador respondeu “Minha mulher me disse que eu deveria ter pedido um palácio com salões de baile, de banquete, parques, lagos…” – “Volte!,” disse o peixe antes que ele terminasse. “O desejo de sua mulher já está satisfeito.”

Era magnífico o palácio. Mais bonito do que tudo aquilo que ele jamais imaginara. Torres, bosques, gramados, jardins, lagos, fontes, criados, cavalos, cães de raça, salões ricamente decorados… Ele pensou: “Agora ela tem de estar satisfeita. Ela não pode pedir nada mais rico.”

O céu estava coberto de nuvens e chovia. A mulher, de uma das janelas, observava o reino vizinho, ao longe. Lá o céu estava azul e o sol brilhava. As pessoas passeavam alegremente pelo campo.

“De que me serve este palácio se não posso gozá-lo por causa da chuva? Volte, diga ao peixe que eu quero ter o poder dos deuses para decretar que haja sol ou haja chuva!”

O homem, amedrontado, voltou. O mar estava furioso. Suas ondas se espatifavam no rochedo. “Peixe encantado, de escamas de prata e barbatanas de ouro!” – ele gritou. O peixe apareceu. “Que é que sua mulher deseja?,” ele perguntou. O pescador respondeu: “Ela deseja ter o poder para decretar que haja sol ou haja chuva!”

O peixe falou suavemente. “O que vocês desejavam era felicidade, não era?” – “Sim,” respondeu o pescador. “A felicidade é o que nós dois desejamos.” – ” Pois eu vou lhes dar a felicidade!” O pescador riu de alegria. “Volte,” disse o peixe. “Vá ao lugar da sua primeira casa. Lá você encontrará a felicidade…” E com estas palavras desapareceu.

O pescador voltou. De longe ele viu a sua casinha antiga, a mesma casinha de pau-a-pique coberta de folhas de coqueiro. Viu sua mulher com o mesmo vestido velho. Ela colhia verduras na horta. Quando ela o viu veio correndo ao seu encontro. “Que bom que você voltou mais cedo,” ela disse com um sorriso. “Sabe? Vou fazer uma salada e sopa de ostras, daquelas que você gosta. E enquanto comemos, vamos falar sobre a casinha branca com janelas azuis…E depois vamos dormir abraçados” .

Ditas essas palavras ela segurou a mão do pescador enquanto caminhavam, e foram felizes para sempre.

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A verdadeira liberdade no brincar infantil

O brincar infantil

Silvia Jensen e Maria Chantal Amarante

O brincar

O que é mesmo o brincar infantil? O brincar é um impulso da criança, pura expressão, que corre como um rio e nós adultos somos as margens que servem de sustento para essa corredeira. O brincar é como uma força da natureza, como as águas do rio, para as quais não podemos ensinar nada, pois elas correm por si.

Damo-nos conta que as crianças em muitos lugares não têm mais o direito de brincar pelo simples prazer da brincadeira. Parece que tudo o que está relacionado com o brincar precisa render conhecimento imediato. Os adultos idealizam que os brinquedos têm que ser pedagógicos. Já se perdeu o bom senso do que é ser criança, da necessidade que ela tem e dos processos infantis necessários para o seu desenvolvimento. No mundo infantil não deveria caber a palavra “pressa”. Leva-se tempo para crescer, para construir um corpo saudável que sirva de base física para todo um desenvolvimento anímico espiritual posterior. Para isso temos a infância, que deveria ser permeada pelo: brincar; desenhar livremente; natureza – terra-água-areia; correr- balançar – pular corda; atividades caseiras para a criança imitar; ritmo saudável; bom sono; boa alimentação; espaços amplos; etc. O que vemos hoje são muitos pais e mães brincando com seus filhos no sentido de direcionar o seu brincar, sem deixar que surja espontaneamente, porque os seus filhos já não sabem mais como brincar.  Esta é uma capacidade que esta se perdendo, pois o meio social deixa a criança muitas vezes isolada de outras crianças, ou sem ter os adultos fazendo algo que possa ser imitado por ela, como por exemplo, um adulto fazendo um trabalho caseiro, limpando um carro, lavando uma roupa, cozinhando, arrumando algo na casa, serviço de marcenaria, cuidando de um jardim, afazeres úteis e com significado para a criança. O que se vê em contrapartida são brincadeiras agressivas, violentas, tiros, chutes e gritos, que brotam de imagens vivenciadas na frente da televisão ou jogos eletrônicos. Somente no brincar a individualidade da criança é misteriosamente visível, quando ela “ensaia” de modo lúdico – brinca, atua, cria, se relaciona, constrói, experimenta, refaz – tudo o que depois será requisitado quando adulto. Isto é, se mostrar firmemente situado na vida e tomando decisões responsáveis. Por isto o brincar na infância fundamenta como nos direcionaremos ativamente e mentalmente em relação à vida, quando adultos. Partindo deste panorama, como podemos resgatar esta atividade tão vital para a criança? Como podemos ser facilitadores deste brincar? Certamente é um caminho de aprendizagem. O que ajuda a criança a entrar no âmbito da imaginação é se os pais/educadores acessarem suas próprias forças imaginativas e lúdicas. Contando contos, histórias infantis sem pedir que a criança elabore um julgamento ou comente a história. Participando daquele momento ouvindo o conto e simplesmente entrando nas imagens, sem indicações ou interferências do adulto. Os pais deveriam contar contos pelo prazer de contar e viver os contos junto com as crianças. Deste modo se possibilita momentos de criação mágicos onde “o tempo para” e as crianças se sentem encorajadas a brincar a partir da profundeza de suas almas, das lindas imagens dos contos. Em algumas ocasiões os adultos poderão testemunhar que a criança está ativa no brincar como se estivesse numa diferente estado de consciência. Podemos pensar: “O que a criança esta fazendo?”. É bom observar a criança brincando, ouvir e entender que o brincar é importante e tem em si a possibilidade de cura, de alimentar e fundamentar a saúde para toda uma vida. O brincar não direcionado é chamado de “brincar autêntico” e é caracterizado por:

  • liberdade de metas a serem alcançadas;
  • sentimento de “o tempo está parado”;
  • devoção e concentração;
  • atenção e identificação com a ação realizada;
  • fluidez, movimento e transformação;
  • profunda satisfação ao terminar um brincar.

Os diferentes tipos de brincar são observáveis na criança pequena e podem ser vistos como cada uma tem uma afinidade conforme as qualidades desenvolvidas por cada criança. Há brincadeiras que se relacionam mais com as imagens internas que ela traz, há brincadeiras que expressam o interesse da criança em criar algo novo, ou também imitar algo vivenciado por ela, trazendo imagens externas. Podemos assumir que a presença de todos os elementos no brincar indica equilíbrio no desenvolvimento da criança. Entretanto, ao estudar estes diferentes tipos de brincar a pessoa descobrirá que há preferências e inclinações da criança em relação a um ou outro brincar e esta “unilateralidade” pode ser a chave para entendermos as diferenças individuais entre as crianças. O brincar saudável engloba vários aspectos. A criança esta atenta e focada, é capaz de perseverar com relação ao que lhe interessa, é curiosa, explora e traz novos temas para o brincar. È vivaz, energética, é capaz de tolerar frustrações leves, respira normalmente, às vezes profundamente, fala de modo relaxado, mostra sinais de satisfação no brincar. Move-se num fluxo continuo de ações, brinca geralmente incluindo os outros, zela pelos seus amigos. Não podemos fazer uma criança brincar quando ela não quer, pois o brincar é um ato relacionado à vontade e cada um é dono de sua vontade e faz com ela o que quer. Como então podemos ajudar neste processo? Não sermos tão sérios com relação à vida, devemos ter mais leveza no nosso ser, nas relações e ações. Como repetir uma tarefa que fazemos diariamente, mas de um modo diferente, que nos empolgue sempre de novo? Isso como exemplo para que a criança possa imitar e levar para o seu brincar. Sugerimos praticar as artes, pois estimula a criatividade. Como está o ambiente da criança onde ela brinca? Tem espaço para ela? Ela é incluída nos afazeres diários de uma casa.? Ela vê o adulto ao seu redor trabalhando em tarefas úteis e com sentido? Que tipo de brinquedos ela tem contato ? Há brinquedos de várias texturas, ou seu mundo esta envolto em plástico? Seus bonecos e bonecas são aprazíveis para serem segurados e lidados com carinho ou foram inventados por alguém para aumentar a conta bancária de algum produtor de filmes ou apresentador de TV? Seu filho vê muitas horas de TV por dia? Quem o acompanha nesta hora? Você tem certeza do que ele vê é adequado? A criança escuta historias contadas por um adulto? Existe um ambiente de veneração ao redor da criança? O adulto ao redor consegue poupar a criança de conversas de adultos, de idas frequentes a shoppings ou supermercados? Você caminha com seu filho, na rua ou na natureza? Ela tem espaço para realizar movimentos amplos? Ela tem desafios ou é poupado do perigo o tempo todo? Desafios de conseguir pular corda, andar de perna de pau, subir numa árvore, etc? A criança precisa de muito pouco para brincar. Engana-se o adulto que compra com freqüência um novo brinquedo ao seu filho/a achando que assim está facilitando o brincar. Não queremos de modo algum isolar a criança do mundo, mas sim dar a ela o que lhe cabe. Poder digerir aquilo que é da fase em que se encontra, lembrando que cada momento de nossa vida exige uma maturidade. É aconselhável ter em casa vários panos de diversos tamanhos, bonecos simples, troncos, cestos, conchas, pinhas, cavaletes, cadeiras que a partir delas cabanas possam ser construídas, potes, colheres de pau, cordas, areia, água, carriolas, etc. Material simples e o resto fica por conta da criança. Deste modo encerro este momento onde foi trazida a consciência as diferentes dimensões do brincar buscando assegurar às crianças um direito que lhe pertence: o de ser criança por inteiro!

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LIMITES NA EDUCAÇÃO

LIMITES NA EDUCAÇÃO

Pilar TetillaManzano Borba

limites

Assim como a água para formar um rio necessita de margens, a criança necessita de adultos que lhe ensine os parâmetros para se tornar efetivamente humana e viver uma vida socialmente adequada.

Uma criança não nasce sabendo; precisa ser educada e esse papel cabe aos pais. Cada vez mais está sendo delegado à escola a educação dos filhos, mas a escola, por mais que se esforce, não tem o vínculo afetivo que a família possui e assim consegue muito pouco na colocação de limites educacionais.

Os pais são as bordas desse rio‐criança por muitos anos, até que nasça nela a consciência e o controle dos impulsos volitivos, os quais são muito fortes na tenra infância. Como dizia nossos avós:”é de pequenino que se torce o pepino”.

Os pais são responsáveis em colocar os limites, os parâmetros, as regras, para que a disciplina ocorra. A disciplina, junto com os limites, é que vão formar o caráter da criança e determinar sua personalidade. Segundo o dicionário Aurélio, a disciplina é a submissão a um regulamento, é autocontrole.

Toda criança é hedonista por natureza, isto é, busca espontaneamente aquilo que lhe dá prazer, que satisfaz seus desejos, sua curiosidade e suas necessidades.
Imatura ainda em sua consciência, a criança não tem a capacidade de se colocar no lugar do outro. Estando na fase do egocentrismo e incapaz de pensar ou sentir pelo outro. Até os 3‐4 anos a criança está voltada para si e não divide nada com ninguém, pois a consciência do outro ainda não chegou e isso depende do amadurecimento do sistema nervoso central que leva muito tempo para ficar maduro.

Por ser a criança pequena movida por impulsos volitivos muito fortes que ela ainda não controla, sozinha ela não é capaz de frear suas vontades, birras e teimosias. Por essa razão é que necessita do adulto, para educá‐la. Aos pais cabe ir mostrando à criança o que pode e o que não pode, como pode, porque sim e porque não (de maneira econômica). Ensinar e não explicar. Lembrem‐se de que ela ainda não tem consciência para raciocinar.

Estabelecer limites aos filhos não é tarefa nada fácil; demanda muita paciência e firmeza dos pais, pois nesse mundo da pressa e do consumo desenfreado tudo é para ontem e as ofertas ao nosso redor não cessam de acontecer…

Os pais necessitam de intuição, conhecimento, firmeza, coerência, consistência, paciência, perseverança e, acima de tudo, amar seu filho. PÔR LIMITES É UM ATO DE AMOR.
Cabe aos pais, com amor e determinação, sinalizar o que é correto (aceito socialmente, convencionado), sendo necessário muitas vezes que a segure firmemente, olhando em seus olhos e com calma e firmeza dizer “isso não pode” fazer.

Tudo na vida tem limites e sentir frustração e raiva faz parte da educação. A criança educada num ambiente de amor e de parâmetros cresce com segurança e confiança, pois a falta de limites na educação torna a criança insegura, confusa, com dificuldades na socialização e na aprendizagem escolar e, muitas vezes, déspota.

Com autoridade e amor ajudamos a desenvolver na criança o autocontrole, o caráter, a consciência, as regras, o limite, a disciplina e a obediência às normas e leis. Por amor aos pais, a criança obedece e aprende a controlar seus impulsos e sua raiva. É preciso que ela sinta que seus pais ficaram aborrecidos com sua atitude inadequada. Precisa ficar claro para a criança que aquilo que ela fez desagradou, feriu ou entristeceu seus pais. Dessa forma, por querer e necessitar de seu amor e compreensão, a criança tentará cada vez mais se controlar e agir de forma correta e aceitável.

Padrões de comportamento, desenvolvimento social, inibição dos impulsos e anseios não se desenvolvem sozinhos. É preciso ensinar tudo isso à criança. E, não é nada fácil desagradá‐la, frustrá‐la, impedi‐la, mas essa é a função dos pais: a de dar um “norte”, um rumo, um leito seguro e um solo firme porque na vida tem‐se que estar seguro e confiante para poder enfrentar todas as vicissitudes que por ventura surgirem.

Muitos pais têm dificuldades em impor limites aos filhos porque eles próprios não os têm. Bebem e comem demais, correm demais, veem televisão demais, trabalham demais, consomem demais, estão ‘plugados’ na mídia demais etc. Também, muitos pais não dão limites por culpa de não estarem mais presentes na vida dos seus filhos e acham que se os repreenderem serão menos amados por eles.

Mas, uma coisa é certa: se os pais não derem limites aos seus filhos, não se ocuparem efetivamente da educação deles, outros se ocuparão em fazê‐lo, como os programas de televisão, os videogames, o consumismo, as más companhias etc. Afinal, o filho é de quem?

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A música e a atenção à individualidade dos temperamentos

Saúde no ensino de música do segundo setênio através da
atenção à individualidade dos temperamentos

Gustavo Barbosa Ramos Terra

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Atualmente, no país, as aulas de música são dadas de maneira onde o professor transmite indistintamente a todos os alunos os mesmos ensinamentos, generalizando as qualidades dos alunos que por não serem iguais além de receber estímulos que não satisfaçam o desenvolvimento de sua individualidade, correm o risco de ficarem presos a dificuldades que não são as suas.
A pedagogia Waldorf acrescenta através da avaliação dos temperamentos de seus alunos um grande diferencial às aulas de música. Estas visam estimular e harmonizar o temperamento do indivíduo, proporcionando assim, não só um aprendizado mais individualizado, mas também um estado de maior saúde para o ser.
Na pedagogia Waldorf, alunos com o mesmo temperamento são colocados juntos a fim de desenvolver os aspectos opostos de seu temperamento, capaz de assim equilibrá- lo. Seguindo a mesma lei para aplicação da homeopatia de Hanneman, através da convivência com os alunos o professor utiliza o conceito “semelhante cura semelhante”, onde o processo a ser desenvolvido deve se adequar ao temperamento e não o temperamento se adequar ao processo.
Focados, por exemplo, os problemas mais comuns relacionados a cada
Temperamento:

Melancólico: depressão
Colérico: violência
Sanguíneo: inconstância
Fleumático: desinteresse

Através da música surgem alternativas para desenvolver as potencialidades que equilibram o individuo. Através da relação de cada temperamento com as famílias dos instrumentos musicais o professor proporciona vivências aos alunos com instrumentos musicais a fim de trabalhar esses temperamentos:

Melancólico: O problema a ser trabalhado nesse temperamento é a tendência à depressão, por possuir um comportamento pessimista e ter dificuldade de mudanças (teimoso, inflexível, planeja tudo, não lida com imprevistos, sofre calado). Nesse caso pegamos esta força que quer se interiorizar e puxamos para fora. Ele gosta de melodias menores. Vivência de melodias faz o melancólico sair de dentro de si para fora. Podemos também fazê- lo ver que lá fora também há dor, inspirando a compaixão. O uso da Corda de arco (A família das cordas friccionadas) e o canto são vivências a serem estimuladas
nesse temperamento.

Colérico: O problema a ser trabalhado nesse temperamento é a falta de controle emocional, o que pode levar a violência, obsessão. Precisamos inspirar o respeito e a admiração. Dar desafios que exijam esforço. Trabalhos físicos para o gasto de energia. Tonalidades maiores, harmonia forte, ritmos são fatores a serem exercitados. A família da percussão: tambores, tantam, tímpano e a família de sopros de metais.

Sanguíneo: O problema a ser trabalhado nesse temperamento é a tendência à
pessoa volúvel, inconstante que se interessa por tudo e não se apega a nada. Geralmente tem a fala rápida, muita modulada. É preciso estabelecer um contato amoroso com uma pessoa. Por amor a essa pessoa ele consegue aprofundar seu interesse. Geralmente os sanguíneos carregam a classe musicalmente. Adoram cantar. Tem muito ritmo e entusiasmo. É importante o treino da memória musical. A família dos sopros de madeira são os instrumentos indicados.

Fleumático: Nesse temperamento, geralmente pelo mundo imaginat ivo que a
pessoa se coloca, o resultado é um ritmo de desenvolver atividades próprio, na maioria das vezes mais lento que o grupo o que dificulta o acompanhamento das atividades. É importante o contato com outras pessoas como uma maneira de tirá- lo de seu próprio mundo. Metalofones, acordeon, pianos são seus instrumentos, pois o som já está pronto.

‘’Conscientemente, mas geralmente inconscientemente, o homem escolhe o instrumento que é pertencente à sua essência. Ele não sabe muito bem, mas ele se sente uno, se identifica. Esta identificação já começa bastante cedo. Na Escola Waldorf, definimos esta identificação por volta dos oito ou nove anos. Que é quando a criança começa a ter uma vida interior e não está só no mundo, imitando, seguindo. Executar, tocar um instrumento exige algo que liga o ser humano ao instrumento musical. Por que uma pessoa gosta muito de cantar? Por que ela escolhe uma flauta transversal? É um mistério. Mas, se existe uma ligação é por conta desta questão. Os instrumentos musicais, uma vez sendo a ressonância do universo aqui na terra, são também o intermediário ou o objeto intermediário entre o ser humano e este universo.’’

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A Importância da afinação do professor como referência para a criança dos 0 aos 9 anos

A Importância da afinação do professor como referência para a criança dos 0 aos 9 anos

Letícia Zamberlan Pupo

music

A criança até os 9 anos, principalmente no 1º. setênio, está em um intenso processo de formação de seu corpo físico. Sabe-se também que a criança desta fase aprende tudo por imitação dos adultos que estão à sua volta como referência. No canto não é diferente: a laringe da criança imita os movimentos da laringe do adulto ao cantar e falar, sendo que a atividade da laringe é controlada pelo ouvir. O que ouvimos acompanhamos com toda a organização muscular da nossa laringe. A criança então entra em contato com os tons, com o mundo musical, a partir da escuta e da reprodução (imitação) do canto que tem como referência. Pensando assim, podemos começar a entender porque é tão importante que o canto do professor seja afinado e torne-se uma referência adequada à criança, principalmente no caso do professor que canta diariamente. O adulto que cuida da criança pequena deve estar sempre observando a intensidade e qualidade dos estímulos sonoros colocados a ela. Pode-se citar aqui Michaela Glöckler, em seu livro “Consultório pediátrico”, que coloca que a criança pequena revela-se incapaz de manter-se distanciada das impressões sonoras; com todo seu corpo tão sensível, ela participa diretamente de todas as impressões que lhe chegam.

O desenvolvimento de um canto afinado está associado a diversos fatores. Tratando-se dos aspectos físicos, se pode citar a constituição anatômica e fisiológica do trato vocal, bem como os fatores neurológicos das áreas cerebrais responsáveis por audição, musicalidade e expressão vocal. Além dos aspectos físicos, está o âmbito psíquico e o social, os quais se associam diretamente à existência de um ambiente seguro e confiável, desde a mais tenra infância, no qual se possa promover o crescimento integral do ser humano, à capacidade do indivíduo interagir e se comunicar com o meio, além dos modelos vocais e musicais proporcionados pelo ambiente.

Na minha experiência como professora de música do jardim ao 4º. ano na escola Turmalina, em Curitiba, pude observar que em classes em que a turma tinha uma boa referência de afinação desde o jardim ou do 1º. ano, foi muito fácil e prazeroso trabalhar com cânones e músicas a duas vozes quando estas classes chegaram no 3º. e 4º. anos. A música fluiu com naturalidade, beleza, com vida. As crianças já tinham um canto internalizado e não precisavam muito esforço para produzir um canto bonito e afinado. Já em turmas em que o professor de classe não conseguiu um bom referencial, percebi que as crianças foram deseducando seu canto, foram “aprendendo a desafinar” e, desta forma, foi extremamente difícil trabalhar com as músicas a duas vozes, pois as crianças tinham muita dificuldade de afinar até em uníssono. Outro ponto muito interessante que observei foi que nestas turmas a desafinação não se deu somente no canto, mas também na unidade da turma. Quando cantamos em grupo, todos em mesmo tom, conseguimos uma harmonia, um equilíbrio do grupo. Conseguimos com o canto trazer a classe para a mesma freqüência, a mesma sintonia. Porém, quando cada um mantém um tom e a turma não consegue chegar numa afinação uníssona, este processo de harmonização fica inviável. Além disso, percebi inclusive maior desafinação no momento de tocar flauta, por exemplo. Para se tocar afinado na flauta doce é muito importante a escuta, a percepção do outro e adequar a afinação no sopro. Nestas classes até este processo ficou mais difícil comparado com outras.

Citando RONNER: “Um professor com saúde também irradia forças saudáveis dignas de imitação e através delas muitas crianças podem se elevar e se orientar a partir de si próprias. A voz é um meio tão íntimo de expressão do ser humano que, de modo ‘não verbal’, portanto puramente através do tom de voz da individualidade do professor, muitíssimo se manifesta. E igualmente a criança com voz desafinada pode significar uma restrição ou limitação da expressão, da revelação de uma individualidade. Quando tal sombra é tratada cedo, ela pode ser aclarada e a paleta de expressão da voz pode ser levada a uma voz pronta para o canto”.

Tendo plena consciência da importância da referência do canto afinado para a criança, é essencial que esta questão seja trabalhada com todos os professores atuantes e que este seja um ponto importante a constar na entrevista dos novos professores que estarão atuando com as crianças. O professor com dificuldades neste aspecto deveria comprometer-se a se desenvolver individualmente e contar sempre com a ajuda do professor de música da escola. O importante é querer melhorar neste sentido e trabalhar a sua voz diariamente. Segundo Frau Werbec, todos podem desvendar a sua voz no canto e existem muitos exercícios para isso que devem ser realizados diariamente.

Um primeiro passo para todo professor é ter consciência de sua voz, saber se está conseguindo afinar no canto e saber da importância que seu canto terá no desenvolvimento vocal das crianças. Outro ponto a se observar é a sua interpretação nas músicas, como o professor se relaciona com cada música trazida às crianças. Vida e fluidez nas canções ajudam a criança a entrar no universo da música, a se identificar e fazer parte dele. Isso inclusive facilita o processo de afinação. Uma outra dica é pegar o tom em um instrumento antes de cantar. Geralmente, a tendência de muitos professores é cantar em um tom mais grave, mais confortável para a voz adulta, o que nem sempre é adequado à tessitura vocal infantil. No caso do professor homem, ele pode mostrar aos alunos que irá cantar em uma oitava abaixo (ele cantará como um gigante) e que as crianças cantarão como anjos ou fadas em uma oitava acima, por exemplo. Mais uma dica para o professor que não se sente seguro em sua afinação é de quando for ensinar uma música nova, pedir primeiro para o professor de música trabalhar a canção com os alunos. Assim, no momento em que o professor de classe for cantar com eles, as crianças já estarão familiarizadas e poderão ajudar o professor a conduzir a linha melódica.

Cantar é parte da condição de ser humano em totalidade. O canto está muito interligado à formação da identidade de cada um e para poder trabalhar com a voz, é preciso também estar preparado para transformar um pouco de si mesmo. Se cada professor tiver esta consciência e disposição de se desenvolver, muitas questões poderiam ser sanadas nas escolas e seria possível cada vez mais classes afinadas e com um desenvolvimento vocal muito saudável.

“Desenvolver a habilidade de cantar afinadamente, de utilizar a voz de maneira saudável, de expressar os sentimento através da voz resulta na incorporação de uma forma prazerosa de comunicação intra-pessoal e de contato com as emoções. Possibilitar a um indivíduo vir a tornar-se afinado, na idade adulta, implica colocar a sua disposição um importante meio de integração e comunicação com seu meio, além, obviamente, dos ganhos pessoais de auto-realização.” – KRATOCHVIL

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O Temperamento Melancólico

O Temperamento Melancólico

Eliane Utescher

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O indivíduo com a predominância deste temperamento vive constantemente em luta com duas faces da sua natureza: seu desejo de se sacrificar e seu impulso egoísta de não se envolver.

Ele deseja sofrer pelos outros porque sua natureza exige que faça algo por aquele por quem simpatiza.

O melancólico sente o peso da substância sólida do próprio corpo, o peso terrestre, porque não consegue penetrá-lo suficientemente e dominá-lo com sua alma, ou mesmo sua individualidade.

Ele sofre com intensidade a gravidade e isso o leva ao mal estar e à depressão, a experimentar dores mesmo em estado de saúde.

Por ser a matéria do seu corpo mais difícil de ser penetrada pelo seu ser, os gregos falavam da predominância do elemento terra, ou seja, toda a massa sólida visível. Ele também aparenta ser pesado, ainda que não o seja corporalmente, por causa de seu humor sombrio e dos ossos acentuados. Tem-se a impressão de tudo ser puxado para baixo – a cabeça, o nariz, a boca, o tronco, todo o corpo; sua postura denota uma falta de força de se manter ereto.

O rosto tem a impressão de dor como se fosse começar a chorar a qualquer momento. Ele também tem muita pena de si mesmo. Seus gestos e movimentos mostram uma certa resignação, a boca especialmente expressa amargura ,e os olhos sofrimento.

Sua natureza é introvertida, tímida, com tendência à introspecção, à reflexão. Seu olhar, de luz opaca e sem brilho, é pouco interessado pelo mundo porque observa-se a si mesmo. Possui uma inabilidade em apreciar o mundo exterior e demonstrar gratidão. É somente capaz de ver o lado escuro da vida e tão envolvido por seus pensamentos sombrios, tão perdido em detalhes, que não lhe é possível perceber que pode estar errado. Seu desejo por piedade e compreensão é seu jeito peculiar de demonstrar seu egoísmo.

Ele continua a se sentir infeliz mesmo quando as causas do problema desapareceram. Especialmente no 1o estágio do seu temperamento, sente que tudo é triste e nebuloso e se coloca no centro de seu pequeno mundo, esperando piedade. Ele também espera compreensão dos outros, ainda que ele mesmo nada tenha para dar. No 2o estágio, ele ondula entre egoísmo e auto-comiseração . Ele preferiria ser altruísta, mas não tem força suficiente para manter tal atitude, e então recai no seu velho estado egoísta. Vive então em contínua oscilação, sempre beirando uma crise, e é somente no 3o e último estado que é capaz de ver que sua maior satisfação é servir os outros. Quanto mais ele age com base nesta convicção, mais enriquecido se sente neste momento de sua vida.

O melancólico raramente faz esforço para entrar em contato com pessoas e possui um desejo inconsciente de auto tortura que pode se expressar na direção do outro – ele pode se tornar um tirano se autorizado a levar vantagem sobre os outros. A situação piora se alguém o evita, pois ele recairá no 1o estágio se ninguém ajudá-lo a sair disso.

Sua expectativa por compreensão é um desejo inconsciente para se libertar de seu egoísmo, de seu ego, e encontrar seu outro lado, seu ser espiritual, seu Eu, e isso raramente pode ser realizado sem a ajuda do outro. Ele busca compreensão porque está aprisionado em sua própria parede invisível. Espera por alguém que possa entendê-lo, alguém desejoso de ouvi-lo atentamente para poder dividir esse peso, essa densidade espiritual, sem que alguém espere dele o mesmo.

Quando vencido pelo elemento terra, quando retém de forma inconsciente as substâncias no seu interior, o portador deste temperamento pode adoecer de verdadeira melancolia.

A partir do momento que sentir que alguém quer realmente compreendê-lo, ele abrirá seu coração e transbordará em simpatia e confiança. E quando, através do afeto e da firmeza, um melancólico sente simpatia pelo outro, ele cessa de ser um egoísta.

Na criança melancólica predomina precocemente o Eu. Cedo demais a criança torna-se consciente. Isso afeta o metabolismo. Tomam lugar fortes sedimentações de sais, de tal maneira que ela se sente com o corpo pesado.

Para os adultos é uma criança esquisita, geralmente triste e mal humorada ; se ofende com facilidade e é demasiadamente consciente para sua idade, parecendo um adulto pequeno.

É capaz de registrar na memória todas as injustiças e castigos de que foi vítima. Gosta de estórias longas e tristes. Possui uma imensa capacidade de observação de si mesma – afasta de si tentativas para divertir-se porque, no fundo, não lhe desagrada ser triste.

Procura recantos escuros e silenciosos para se esconder, acocora-se sob o sofá ou dentro do armário, trepa na árvore e senta-se quieta num galho onde a folhagem a encobre ; pensa muito e tem um rico mundo imaginativo, meio estranho e avesso às pessoas.

São crianças que, em geral, não possuem muito apetite e tem aversão por alimentos carnívoros, principalmente se a aparência é visível. São esguias e magras e necessitam de um cardápio misto, com uma alimentação facilmente digerível. Gostam de doces, se cansam facilmente e têm fortes dores de cabeça. Assustam-se com água fria e gostam de calor. São emocional e fisicamente crianças delicadas.

Calor externo e interno é vital para dissolver a dureza e as cristalizações desse tipo de criança. Os adultos devem cercá-la da muito alimento anímico/espiritual, compreensão. Não devem ter receio de fazer com que participe de suas próprias preocupações e sofrimentos na medida de sua capacidade infantil, pois dessa forma se harmoniza sua melancolia infantil : colocando-a em contato com o sofrimento alheio. Ela terá prazer em sentir que alivia o sofrimento de outrem através de pequenos serviços, como enfermeiro, por ex.

Levá-la a ambientes alegres só a endureceria em sua melancolia e deixá-la viver a dor justificada é uma boa medida terapêutica.

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O Temperamento Fleumático

O Temperamento Fleumático

Eliane Utescher

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A Fleuma é o elemento aquático. E o fleumático, assim como o mar, pode ser muito calmo e sereno, porém, se tornar tumultuoso como um maremoto em sua força devastadora.

Em geral, no entanto, o indivíduo com este temperamento não se perturba com o que acontece ao seu redor. Ele vivencia cotidianamente uma agradável sensação de bem estar em si mesmo.

Na verdade, ele reteve, com sua constituição, uma reserva de forças de crescimento ; as funções glandulares como que permaneceram como se ainda estivessem a serviço dos processos de crescimento.

Ele nada no líquido da corrente vital e sente muito prazer com isto. A força formativa do vivo, que permeia a natureza e o homem, o fluxo vital enfim, é percebido pelo fleumático dentro do seu próprio organismo – os processos interiores de seu corpo são por si acompanhados com deleite.

O elemento água corresponde ao processo de ganhar consciência através de uma compreensão lenta, porém, consistente dos mais profundos lugares da alma.

O indivíduo de temperamento fleumático possui um jeito próprio de manter-se consigo mesmo. Sua falta de interesse no outro é, antes, para viver na letargia pelo prazer que isso proporciona, do que propriamente negar a existência fora de si. Nunca ocorre a ele mostrar qualquer interesse seja no que for que os outros se ocupem.

Ele gosta de ter aquela sensação de bem estar, de quem lentamente considera cada ângulo de uma situação antes de se permitir envolver em qualquer coisa que possa aborrecê-lo. Ele necessita que alguém lhe mostre de forma correta como interessar-se por pessoas e seu ambiente, pois é nessa cegueira que vive seu egoísmo.

É necessário se aproximar dele gentilmente e nunca dar ordens ou esperar que ele venha a ter sucesso nessa empreitada sem uma certa supervisão. Deve ser dada a ele a chance de copiar – se a ele é mostrado como fazer qualquer coisa, ele é capaz de ser rápido e muito eficiente.

O fleumático, no caminho do egoísmo para o altruísmo, percebe seu imenso desejo de ser libertado de sua exagerada tendência de viver dentro de si mesmo. Se ele permanecer no estágio inicial desse desenvolvimento, a responsabilidade é maior daqueles que o rodeiam, do que dele mesmo. Sem ter alguém aquém imitar, seu temperamento segue sua tendência natural e ele se torna negativo e apático.

Uma das suas grandes qualidades é sua grande habilidade de terminar tudo o que começa, nada é deixado para trás, pela metade, mal feito ou perdido. Ele é uma pessoa devotada ao seu trabalho.

Ele é imensamente grato por qualquer delicadeza e terá uma devoção pelo resto da vida àquele que o ajuda as superar sua timidez e reserva.

Assim, o indivíduo deste temperamento é uma criatura metódica, que mantém seus hábitos, seu ritmo lento de alimentação e sono.

Adora rotina e detesta situações inesperadas. De constituição pesada e flácida, se movimenta em tudo e aprende tudo com lentidão, mas lembra-se de seqüências com detalhes, é persistente e por vezes obstinado.

Suas formas corporais são, portanto, arredondadas ; a cabeça é grande e larga, o queixo muitas vezes é duplo devido à gordura, os olhos não tem muito brilho, mas não expressam tristeza.

Os membros são compridos, sem leveza, de movimentação morosa. Para a época atual, cujo ritmo é acelerado, essa morosidade desperta um certo desprezo e incompreensão por parte das pessoas. O andar é aquoso, arrastado, que passa de um pé ao outro vagarosamente.

Em tempos tumultuosos como o que vivemos, aprendemos o valor da fleuma, como relaxar ocasionalmente e nos dar tempo para desfrutar das coisas calmas da vida. Essa é a lição que o fleumático tem a nos ensinar, a benção da paz, da quietude, da harmonia.

A criança fleumática é totalmente abandonada no elemento líquido. Tirá-la de seu próprio organismo para fazê-la entrar em atividade, é uma tarefa que o educador e o terapeuta devem ter como meta. Inércia e impassividade podem então serem transformadas em observação serena e assimilação profunda do mundo.

Na criança com este temperamento, impera o corpo físico; nos ombros sobressai essa força onde é bem visível. Como nessa criança o alimento é bem aproveitado, ela á mais pesada que as outras. Gostam de comer e beber bastante, e engordam com facilidade.

Gozam a gravidade e por isso levam mais tempo para se submeter às forças da verticalidade ; não sofrem com o peso terrestre como os melancólicos.

Não é uma criança de todo inativa, embora se desinteresse facilmente por qualquer atividade. Seu olhar é sonolento, mas sua memória é boa. Sua voz é monótona e sua fantasia é fraca.

No entanto, possui um senso de ordem pronunciado, onde cada coisa tem seu lugar. Torna-se colérica quando certas tradições não são observadas e é molestada na sua rotina e no seu ritmo. Não é muito capaz de reflexões rápidas e presença de espírito.

O educador ou terapeuta devem desenvolver uma atividade interna para se relacionar com crianças fleumáticas. Elas necessitam que seus interesses sejam despertos, caso contrário, correm o risco da atividade mental não conseguir permear os processos orgânicos do seu corpo. Isso pode igualmente ocorrer se perceberem que não conseguem acompanhar os demais.

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O Temperamento Colérico

O Temperamento Colérico

Eliane Utescher

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Tendo por base o elemento fogo, o indivíduo com este temperamento é, como lhe é próprio, energético e tenso, quente, impaciente, transformador. Sua base física é a circulação sanguínea, o que gera uma violência latente, levando o colérico a ferver sob o menor pretexto – uma pressão alta é um real perigo desta natureza afogueada.

Sua personalidade como um todo é expressa em cada fibra de seu ser, desde o fio de cabelo ao dedão do pé. Ele é facilmente irritável, não tolera críticas, e como possui uma vontade própria muito forte, impõe seu próprio ponto de vista dos outros. Seu desejo secreto é ser considerado indispensável.

No estágio mais primitivo de seu temperamento, o colérico se aborrece com qualquer objeção feita à sua maneira de conduzir uma situação. Mas, ao mesmo tempo que expressa sua opinião com auto confiança, desconsidera completamente a opinião dos outros.

De fato, é frequentemente mal humorado, simplesmente porque os outros não veem as coisas como ele, que as considera tão absolutamente corretas.

O colérico não aceita o ponto de vista alheio pela tola razão de não ter sido concebida por ele. Algumas pessoas desse temperamento permanecem eternamente neste 1o estágio porque não conseguem se adaptar às circunstâncias.

Como ele se considera muito mais dotado e talentoso do que qualquer um, todos deveriam, segundo sua opinião, tratá-lo como uma pessoa especial, com muito respeito e deferência.

Ele deseja ser reconhecido como um líder e, deste lugar egoísta, pensa ter o direito de usar o poder de ditar ordens e regras aos outros, já que lhe é tão natural ordenar. Portanto, em um estágio inicial de desenvolvimento, sua maior dificuldade reside na inabilidade em aceitar o ponto de vista do outro.

Para lidar com alguém com uma tendência colérica acentuada, é fundamental manter a calma e se abster de nervosismo , pois se ele perceber que afeta e descontrola o outro com sua maneira de ser, abusará de seu poder impunemente. Ele persistirá em mostrar o pior lado de sua natureza, deixando de receber das pessoas o que ele gostaria imensamente, que é admiração e apreço.

É necessário ter confiança em si mesmo e ser consciente de seu valor para levar o colérico a refrear sua força e abandonar seu egoísmo. Ele precisa sentir respeito e devoção por outro ser humano afim de conter seu forte impulso de dominação. Assim, para lidar corretamente com alguém deste temperamento, é essencial aprender sobre ele através de experiência pessoal. É preciso ter vivido situações cujos obstáculos requereram muita coragem e obstinação, daí dá para ser páreo para o colérico e despertá-lo para o outro que não o teme e tem autocontrole.

Contrariamente ao que era de se esperar para seu temperamento, ele possui uma alma muito sensível. Como ele coleciona muitas inimizades, é difícil ocorrer uma oportunidade para revelar sua sensibilidade. Se alguém se comunica com ele carinhosamente e com muito tato, é frequentemente possível dirigi-lo ao caminho positivo de seu temperamento, pois sofrimento real o toca profundamente. São virtudes deste, a magnanimidade e a generosidade, e para trazê-las à tona, é necessário saber que elas existem.

No nível mais elevado de seu desenvolvimento, o colérico é preenchido pelo desejo de encorajar o desenvolvimento das boas qualidades do outro. Ele deve descobrir que deve exigir antes, de si mesmo, as expectativas que tem do outro. Deve despertar para a realidade de que, para ganhar o direito de liderar, ele precisa primeiro controlar a si mesmo e reconhecer suas próprias falhas e dificuldades. Quando atinge esse ponto, realiza seu desejo e conquista o direito de ser considerado um ser humano de real importância e valor.

A criança colérica precisa da resistência de alguém para entender que há dificuldades na vida. Como ela é cheia de energia, deve ser mantida em atividade. Ela é geralmente intolerante, teimosa, obstinada, e suas crises de fúria devem ser tratadas ora com humor, ora com indiferença. O educador e terapeuta devem desenvolver um estado de serenidade e auto controle afim de ganhar o respeito dessa criança destemida.

Em toda sua postura observa-se determinação, firmeza e força.

O fogo do temperamento está expresso nas feições acentuadas, nos gestos bruscos, no andar pesado. A individualidade consegue penetrar intensamente no corpo, da cabeça aos pés, e une-se de uma maneira consciente com a Terra.

A criança desse temperamento exige do educador e do terapeuta muita paciência e domínio de si próprio. A força indisciplinada da criança colérica necessita oportunidade para se extravasar com ocupações sadias. Convém dar-lhe tarefas que ultrapassem suas forças, afim de que perceba suas limitações e não se julgue tão onipotente. Quando irritada e em crise de fúria, não é acessível a conselhos ou reprimendas ; deve-se aguardar um tempo até que, entregue à si própria, possa ser abordada com ajuda para refletir sobre seus atos e comportamentos.

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O Temperamento Sanguíneo

O Temperamento Sanguíneo

Eliane Utescher

Sanguíneo

Na Grécia antiga, o elemento ar não era tido simplesmente como um gás composto que entra em nós para ser novamente eliminado, mas considerava-se que a alma nele vive.A relação entre o ar e a alma consta desde a Bíblia, Gênesis cap.2 vers. 7 : “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra e insuflou-lhe nas narinas um sopro divino, e o homem se tornou alma viva”.

O indivíduo de temperamento sanguíneo possui grandes qualidades, como a habilidade de adaptar-se facilmente, de se sentir à vontade em qualquer lugar e sob circunstâncias inesperadas, de agir prontamente face ao inusitado e sob condições novas e diferentes.

Por outro lado, possui uma inabilidade em ser realista, em lidar com situações que se repetem, em aprofundar seja no que for. O sanguíneo é muito susceptível a tudo que penetra pelos seus sentidos, e sua consciência está sempre voltada para o exterior, para as estimulações do mundo, sempre pronto a participar de qualquer evento que pareça interessante. Seu interesse nas impressões despertam sua imaginação, porém, raramente propicia experiência.

Ele não espera que as impressões sejam transformadas em experiência, e, muito pelo contrário, ele voa de uma para a outra . O sanguíneo muda com facilidade, adapta-se, vive o momento e a situação imediata. Seu principal hábito é não ter hábitos . Rotina não se encontra entre suas preferências; ele adora se mudar de casa, viajar, mudar de emprego. Se sentem aborrecidos quando nada parece acontecer. Sua raiva é de curta duração, como uma chuva de verão que tão logo passa, os faz sorrir novamente.

Eles acham que perdoar é algo fácil e esquecem facilmente os mais ferozes ataques contra si mesmo.O sanguíneo tem uma compleição esguia, equilibrada, proporcional. Se sente feliz em seu corpo e, para ele, o sol está sempre brilhando.

Seus olhos são expressivos, inquietos, olham para várias direções e brilham como pedras preciosas. Como os órgãos sensitivos possuem uma certa excitabilidade, sua movimentação é acentuada e os gestos, rápidos.

Seus atos são marcados por certa nervosidade, o andar é geralmente leve, os membros movidos sem dificuldade. A fala é excessiva, e têm respostas prontas. São pessoas excepcionalmente dotadas para a música, pois vivem através do mesmo meio e instrumento – o ar.

O ar respirado abandona muito depressa o nariz, tudo se passa como se a alma não tivesse o tempo necessário para se interiorizar suficientemente. Superficialidade e vaidade são componentes de seu caráter. Possui muitas idéias que vem e que vão ; observará tudo e não se lembrará de nada. Têm a peculiaridade de poder sentar-se ou deitar-se em todo tipo de posições incômodas.

Sua impaciência pode levá-lo a abandonar as coisas pela metade, pode ser bastante irresponsável e superficial. O terapeuta e educador devem tentar desenvolver um interesse permanente naquilo que é essencial. Embora o sanguíneo mostre um interesse apenas transitório por coisas, objetos e acontecimentos, ele desenvolverá um interesse pelas pessoas. Possuem um sexto sentido para saber o que acontece na mente alheia.

Deve ser tratado com carinho especial ; respeita aqueles que o vêem através de suas idiossincrasias, mas não aqueles que se enfurecem ou perdem o controle. A experiência chega mais tarde ao sanguíneo do que às pessoas de outros temperamentos, mas quando isto acontece, observamos que ela ocasiona grandes mudanças na sua postura perante a vida.

Com o passar dos anos, ele é assaltado por um grande desejo de encontrar um porto seguro em si mesmo, um lugar fixo, estável, permanente. O sanguíneo nos ensina a olhar além de nossos horizontes limitados e acreditar que há algo além das nuvens.

Na criança sanguínea, as forças formadoras atuam em tudo aquilo que é de natureza rítmica, na respiração e na circulação, por isso ela tem algo de alado. Gosta de se balançar em cadeiras, redes, no cavalo de balanço, nos galhos oscilantes das árvores. Ela dança com o vento e raramente fica tonta com isso. Se interessa por tudo que a rodeia num curto espaço de tempo, retraindo rapidamente este interesse.

A criança sanguínea é igualmente sadia quando tem um corpo etérico forte, e nela predominam essa forças ; vivendo no corpo etérico, a criança corre de impressão para impressão, como uma borboleta. Após a puberdade, ela deve viver no corpo astral, que é o que junta, reúne.

Um ritmo calmo na vida cotidiana é muito importante em se tratando de crianças desse temperamento, pois é com dificuldade que ela concentra sua atenção por muito tempo em uma coisa.

Deve-se proceder com quaisquer atividades – estórias, brincadeiras, jogos – por tempo curto,com pausas, para que sua fantasia desviada possa voltar, e depois, por períodos progressivamente mais longos.  Com isso, não se deve querer retirar seu amor pela variedade. O educador ou terapeuta deve propiciar o gasto do excesso de sanguinidade.

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Os quatro Temperamentos – os fatores constituintes da personalidade

Os Quatro Temperamentos

Os fatores constituintes da personalidade

Eliane Utescher

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O que são? Qual o sentido de estudá-los e compreendê-los? Porque são em número de 4? Na antiguidade, os temperamentos, ou o conjunto de fatores constituintes de uma personalidade, estavam ligados aos humores; a predominância de um ou outro designava um tipo específico. Distinguiam-se 4:

  • Melancólico
  • Fleumático
  • Sanguíneo
  • Colérico

Data de muitos séculos anteriores à nossa época a teoria dos 4 elementos defendida por Empédocles. Aristóteles, no século IV A.C. conservou o esquema deste sobre os elementos primordiais ( terra, água, ar , fogo), associando, no entanto, a cada elemento, uma qualidade.

Rudolf Steiner, quando fala de temperamentos, se refere às 4 formas distintas que Aristóteles e Hipócrates reconheceram e descreveram, e vai mais profundamente ao significado e gênese dos mesmos, relacionando-os aos corpos constitutivos do homem: corpo físico, corpo etérico, corpo astral, e o corpo da individualidade, o “Eu” .

O homem é um ser infinitamente complexo. O temperamento é uma faceta, a atitude da alma expressa no corpo; é ligado ao lado dela que se relaciona com o mundo, que vai em direção ao outro.

O Eu, que é nossa verdadeira essência, utiliza do temperamento como um meio de expressão de si mesmo. O temperamento é uma forma de compreensão entre as pessoas e é nesse espaço que ele se dá, ou seja, no espaço essencialmente humano.

Personalidade, portanto, é a parte interior da alma humana, a parte que se volta ao Eu, e a parte exterior é unida ao temperamento. Personalidade, por assim dizer, se mostra, se revela através dos temperamentos.

Como a vida da alma progride em níveis, de um estado inicialmente egoísta para o altruísta, segundo a fase evolutiva do ser humano, os temperamentos dependem do estágio de desenvolvimento da personalidade. Eles podem estar mais voltados para o ego, ou mais à serviço do mundo, e sua manifestação é diferente segundo essa relação de si para si, ou de si para o outro. Assim, pouco ou nada tendo a ver com caráter ou moral, o temperamento é como o manto da individualidade.

A finalidade de estudá-los, não deveria ser para encaixar as pessoas em um tipo definido, mas antes, a de compreender e saber discernir o que predomina na alma de uma pessoa para fins educacionais e terapêuticos. A procura de uma compreensão mais profunda da natureza humana, através da contemplação, do espírito devocional e sagrado, conduz à um discernimento da complexidade das predisposições temperamentais. A atitude do educador ou do terapeuta é aquela que reproduz em sua própria alma a alma do outro, fazendo reviver sua imagem neste lugar interno onde sabemos existir uma ligação com forças divinas.

Assim, na relação com os elementos da natureza, os temperamentos se conectam da seguinte forma :

  • Colérico: Fogo – Muita energia -  Muita excitabilidade
  • Sanguíneo: Ar – Pouca Energia – Muita excitabilidade
  • Fleumático: Água – Pouca Energia – Pouca Excitabilidade
  • Melancólico: Terra – Muita Energia – Pouca Excitabilidade

No tocante à relação do temperamento com os 4 membros da natureza humana, é diferente para o adulto e para a criança, sendo que nesta, aparece um tanto deslocada. A criança tem uma outra substância física , e o jogo de forças dos elementos atua de forma diversa. Ao ser transmitida ao plano físico, a essência do ser humano não está propriamente terminada porque a educação e a instrução são os instrumentos para a formação do homem integral.

Desta forma, quando no adulto impera o Eu, dá-se o temperamento colérico – na criança, o melancólico; quando no adulto impera o corpo astral, dá-se o temperamento sanguíneo – na criança, o colérico; quando no adulto impera o corpo etérico, dá-se o temperamento fleumático – na criança, o sanguíneo; quando no adulto impera o corpo físico, dá-se o temperamento melancólico – na criança, o fleumático .

Rudolf Steiner estabelece também duas qualidades que constroem os 4 temperamentos: excitabilidade e energia. Energia enquanto poder e força, ligadas ao pólo metabólico, à vontade, e excitabilidade, o grau de sensibilidade e capacidade de reação, ligadas ao pólo neurossensorial.

Diferentes combinações entre excitabilidade e energia constituem os 4 tipos de temperamento. Para Göethe a cor é o resultado entre luz e trevas e o temperamento é um fenômeno similar que ocorre na alma humana.

Luz - mesma natureza que o pensamento: colérico e sanguíneo – leveza.

Trevas - mesma natureza que a vontade: fleumático e melancólico – peso

A chave para o diagnóstico é procurar pelo temperamento que não está presente – o temperamento polar oposto é o principal. Os temperamentos também estão relacionados ao tempo e às faixas etárias:

  • Passado: melancólico
  • Presente: fleumático e sanguíneo
  • Futuro: colérico
  • Infância: sanguíneo
  • Juventude: colérico
  • Maturidade: fleumático
  • Velhice: melancólico

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A predisposição para a saúde ou doença

 Antropologia da primeira infância – parte 7

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 7

A predisposição para a saúde ou doença

Fica esclarecido, contudo o que já foi abordado, que no processo de verticalização e no esforço para aprender a falar, atua o Eu da criança formativamente no corpo. A sensibilidade dos órgãos em relação aos processos anímicos é a chave que nos possibilita compreender muitos fatos do desenvolvimento na primeira infância e também, por exemplo, a predisposição para doenças psicossomáticas. Isto será exemplificado na neurose cardíaca.

Pessoas que sofrem de neurose cardíaca frequentemente têm palpitações fortes e sintomas sístoles extras. Ficam rapidamente cansadas e exaustas; sofrem de falta de ar ou de sensações de angústia em geral; são facilmente irritáveis e têm uma inquietação interior. Elas têm acima de tudo uma postura anímica básica de medo. As mães de pessoas que sofrem de neurose cardíaca, via de regra, eram pessoas inseguras. Quando uma criança percebe principalmente em seus primeiros anos de vida o olhar inseguro e preocupado da mãe, seu semblante amedrontado, seus movimentos inseguros, o estremecimento quando surge algo inesperado, vive então concomitantemente dentro de tudo o que provoca estas manifestações – ou seja, medo, a postura medrosa. Como na mãe, também na criança o coração começa a bater mais forte e irregularmente. O medo percebido e “convivido” age sobre a respiração e a batida cardíaca da criança pequena. No coração da criança pequena atuam, como nos outros órgãos, as forças formadoras que transformam sua configuração, assim como transformam sua postura e sua musculatura. Neste processo de vir-a-ser, o medo penetra e participa da formação do coração da criança. É inoculada no coração da criança a disposição para reações de medo. E, assim, a criança “leva para o resto da vida a configuração plástica”; pela observação de sua mãe insegura, “moldou plasticamente em si mesma”, Rudolf Steiner. É por isso que o coração bate mais depressa e irregularmente mesmo por motivos de pouca importância. Por causa deste seu coração, a pessoa mostra o aspecto básico de inquietação, de constrangimento e medo. Este está sempre presente porque vive em seus órgãos e, acima de tudo, em seu coração. Portanto, desde a primeira infância esta pessoa tem o organismo predisposto para o medo e a inquietação, por ter assimilado na organização moldável do seu corpo, quando ainda era criança pequena. O meio ambiente da criança, depois de adulta torna-se distinto de vida. Quando a criança vivencia imitativamente seu meio ambiente pela interligação da percepção (representação), do sentimento e da vontade, trata-se de uma ocorrência psicossomática, ou seja, o germe para a saúde ou a doença.

Este convívio íntimo com o meio ambiente leva a outros fatos importantes do desenvolvimento infantil. Pode se observar como as crianças pequenas param suas atividades assim que sua mãe se retira do aposento onde estão. A criança não percebe meramente a mãe, ela se vivifica no olhar, nas feições e nos movimentos da mãe.

Uma observação minuciosa do psicólogo americano H.M.Skeels, nos mostra quão profundamente o interior da criança pode ser vivificado por outras pessoas. Na década de trinta, Skeels tirou treze crianças de um grupo maior de crianças retardadas e as entregou aos cuidados de algumas senhoras e jovens mais velhas que também viviam num lar para excepcionais. As senhoras e as jovens desenvolveram uma grande simpatia pelas crianças pequenas. Elas brincavam com as crianças, falavam bastante com elas e faziam passeios. Com isso, a vida anímica das crianças foi tão estimulada, que o quociente de inteligência subiu 28 pontos em pouco tempo (de 64 foi para 92). Depois de trinta anos, Skeels voltou a examinar aquelas crianças que então já eram adultas. Aquelas que não tiveram cuidados especiais ainda viviam em instituições, se já não tivessem morrido. As outras, porém entrosaram-se na vida e ganhavam para seu próprio sustento. Quase todas tinham cursado o colegial e algumas até cursaram a universidade.

A criança pequena necessita de outras pessoas porque é só nelas que ela pode verificar o que carrega dentro de si mesma como predisposição. Quando tais pessoas faltam, então suas predisposições e dotes ocultos não podem despertar e frutificar na vida; ficam nas regiões da inconsciência. Exteriormente, a pessoa estará inserida na vida, mas não conseguirá se realizar como um ser anímico e espiritual. Pode aparecer, então, a situação trágica do hospitalismo.

Há portanto, dois fatores que estimulam o desenvolvimento do ser humano em sua primeira infância: primeiro o exemplo saudável, ou seja, pessoas com uma linguagem rica, ativas, com senso social e cientes das consequências de seus atos. Depois, dedicação humana, que vivifica a criança interiormente; que desperta e estimula as predisposições existentes nas profundezas. Mas também existem dois fatores que retém e prejudicam o desenvolvimento sadio da criança: primeiro, os exemplos doentios: adultos com nervosismo, inquietude medrosa, emoções desenfreadas, linguagem pobre etc. Depois, a falta de dedicação, de calor e interesses humanos. Estes fatos são de grande importância porque o destino da vida de uma pessoa é intensamente determinado por eles. A infância também está presente no adulto: nos fundamentos da vida, firmes ou oscilantes, de sua biografia.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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A sensibilidade dos órgãos infantis

Antropologia da primeira infância – parte 6

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 6

A sensibilidade dos órgãos infantis

Tudo o que foi mencionado até agora nos suscita perguntas sobre a “moldabilidade” incomum do corpo da criança pequena. Nenhum outro ser da terra tem o corpo tão moldável e aberto para o que vem do âmbito da alma e do meio ambiente, como a criança pequena. Para compreendermos esta plasticidade temos de observar o corpo da criança com mais exatidão, assim como a configuração especial da vida anímica da criança.

Nos órgãos do corpo humano ocorre um fenômeno que frequentemente passa despercebido. Os órgãos não se apresentam com formas prontas; estão ininterruptamente em formação. Ocorre neles uma regeneração constante através da qual são elaboradas as formas. Isto se torna visível nos processos de cura, assim como também na renovação constante das substâncias. Em cada órgão atua um campo de forças vivas e formativas. Na criança pequena reinam relacionamentos mais dinâmicos do que nos adultos. Seus órgãos são mais moles. Neles não atuam apenas uma renovação de formas iguais as anteriores.

Na criança recém-nascida as formas dos órgãos são muito mais simples do que aparece na criança em idade escolar. Às vezes são até bem diferentes daquelas formas mais conhecidas por nós. Estes órgãos simples passarão por uma transformação. O campo das forças plasmadoras se transforma e cria formas mais perfeitas. A organização das forças formadoras passa por um desenvolvimento juntamente com todo o corpo da criança pequena. Mais tarde, a formação dos órgãos se estabiliza; em sua maior parte as forças formadoras adquirem uma configuração estável. Na criança pequena, porém, a formação orgânica está em processo, não está definida, e com isto está aberta para novos impulsos de formação. É este o motivo pelo qual os órgãos do corpo infantil, em seus primeiros anos de vida, são tão moldáveis e abertos para influências transformadoras vindas do âmbito anímico e do Eu.

A vida anímica da criança pequena também tem um transcurso bem diferente do da criança em idade escolar ou do adulto. Quando o adulto olha para um objeto, a impressão recebida pelos olhos desencadeia uma atividade anímica. Surge uma representação através da qual ele conhece o objeto. Talvez se faça presente no interior um sentimento de agrado ou desagrado, mas pensar e sentir são em grande parte independentes entre si.

Na criança pequena, a configuração reinante é outra. Ela vê, por exemplo, um copo caído e diz espontaneamente: “o copo está cansado”. Uma criança de quatro anos observa o suporte de uma máquina fotográfica montada e diz: “mas este é orgulhoso”. A criança vê as coisas de maneira diferente do que do adulto. Ela não forma apenas uma representação mas, concomitantemente executa interiormente o que vê lá fora. Ao acompanhar concomitantemente o estar deitado o copo, ela sente “cansado”, e na forma esguia e alta do suporte da máquina ela sente interiormente: “Isto é orgulhoso”.

Tudo o que a criança vê e compreende através de suas representações, evoca imediatamente um “sentir junto” interior. É assim que o exterior se torna gesto na criança; as percepções tem um caráter fisionômico.

Só podemos compreender a vida anímica da criança quando nos fica claro que representar, sentir e querer não são relativamente autônomos como no adulto, mas que de imediato atuam conjuntamente Aquilo que a criança vê é “co-vivenciado” imediatamente pelo sentimento e “co-realizado” por um movimento volitivo.

Cada sentimento é um movimento da alma. Este movimento pode ser tranquilo ou excitado, superficial ou profundo. A dinâmica do sentir age nas variações do ritmo respiratório e nas mudanças das batidas cardíacas assim como numa irrigação sanguínea, mais forte ou mais fraca dos músculos cardíacos. Os movimentos volitivos interferem nos processos vitais da musculatura e se revelam no movimento. Pela interligação interior da representação, do sentimento e da vontade, tudo o que a criança pequena vê atua imediatamente nos órgãos do seu corpo. Por sua característica moldável, os órgãos são incrivelmente sensíveis e influenciáveis. As vivências da alma agem sobre eles e imergem nos processos formadores vivos que atuam no meio ambiente. Aspectos anímicos passam para a formação orgânica.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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O significado do aprender a falar e da linguagem

 Antropologia da primeira infância – parte 5

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 5

O significado do aprender a falar e da linguagem

Aquilo que o homem adquire em sua primeira infância por meio da postura ereta acrescenta-se, no desenvolvimento humano, o significado do aprendizado da fala e da linguagem. Isto abrange muito mais do que se imagina. Existem crianças que tem capacidade auditiva acústica perfeita, mas são incapazes de captar uma configuração fonética de palavras. A estas crianças sensorialmente áudio-mudas falta o sentido da linguagem. A isto, geralmente está ligado um comportamento difícil em relação ao meio ambiente. Estas crianças manifestam, sem escrúpulos, o que lhes vem à mente. São desajeitadas, impertinentes e não se deixam guiar. Quando conseguimos por meio de uma terapia geralmente muito trabalhosa, despertar nelas o sentido da palavra ou da linguagem, seu comportamento desenfreado desaparece e elas se tornam abertas a seu meio ambiente. Pelo visto, a mera percepção da palavra já tem uma importância para sermos humanos.

O que ocorre na percepção da linguagem? Ao ouvirmos, por exemplo, uma palavra como Wasser (água), captamos uma configuração fonética. Podemos nos concentrar somente naquilo que se apresenta na configuração fonética, ou seja, dirigir toda a nossa atenção à configuração fonética, deixando de lado seu significado. Na palavra Wasser, vivenciamos no fonema inicial “W” algo que vem de dentro para fora, que em seu movimento, ao contrário do “F”, é um pouco refreado e chega a ter uma leve vibração no movimento que se dirige para fora. Na vogal seguinte, vivenciamos uma grande abertura e depois nos “ss” uma atuação forte e clara que passa e permeia intensivamente um obstáculo. No fonema “e” segue-se um certo gesto retido. Finalmente soa a configuração fonética “R”, numa forte dinâmica interior de um movimento rotativo. “Wasser” é um acontecimento gestual de fonemas. Percebemos que a configuração fonética “Wasser” tem um relacionamento com aquilo que é a água corrente. Na palavra água, percorrendo o mesmo caminho, temos o “a” inicial que suscita um gesto aberto de dentro para fora. No fonema “g”, vivenciamos algo retido, estancado em seu fluxo. No “u” temos algo como um estreitamento prolongado no caminho que se abre novamente no último “a”. A nuvem se abre, a água cai, “a”. Na terra, sua queda é retida, “g”, mas logo ela penetra na terra como por um túnel, “u”, para voltar à luz do dia na fonte, “a”.

Quando penetramos auditivamente uma palavra, na forma indicada acima, acompanhamos interiormente sua configuração fonética gestual. Por intermédio das pesquisas feitas pelo americano W.Condon, sabemos que fazemos isto inconscientemente sempre que ouvimos palavras. Condon filmou, com uma filmadora de rotação muito rápida, pessoas falando e ouvindo, analisando depois, criteriosamente, as imagens. Ele descobriu que a pessoa, ao ouvir as palavras executa movimentos muito sutis – movimentos da cabeça, dos ombros, dos braços, mãos, dedos e mesmo movimentos dos pés. Estes movimentos, porém, são tão sutis que não os percebemos normalmente. Ao ouvir o “é”, fonema inicial da palavra “ask” (perguntar) na pronúncia americana, a cabeça é movida levemente para a esquerda, os olhos ficam parados, a boca é um pouco fechada e os lábios vão um pouco para a frente, os quatro dedos das duas mãos se curvam um pouco e o ombro direito é levemente virado para dentro. O resto do corpo permanece parado. Em seu conjunto, temos aí um gesto peculiar que é executado sempre que ouvimos o “é” e que tem um relacionamento interior com o fonema.

Torna-se evidente que só percebemos uma palavra quando executamos, sutilmente, seus gestos fonéticos em sincronia com o ouvir. Ao ouvir a fala, a pessoa participa, com sua própria organização motora, daquilo que a outra pessoa fala. O ser humano se abre ao outro até às profundezas de sua organização. A criança “áudio-muda” é, ao contrário, um ser fechado em si mesmo, falta ao seu interior o relacionamento com o interior do outro, que se manifesta pela palavra.

Esta assimilação da linguagem da outra pessoa tem seu inicio muito antes de a criança pronunciar sua primeira palavra. Pelas pesquisas de Condon, sabe-se também que, já no primeiro dia de vida, o recém-nascido acompanha a linguagem do seu meio ambiente com movimentos sutis do corpo. Quando então a criança começa a falar geralmente lá pelo segundo ano de vida, ela ainda é bastante desajeitada. Para pronunciar corretamente o gesto fonético de uma palavra simples, ela tem de desenvolver uma capacidade de coordenação imensamente complicada. Ela terá que expirar de uma forma bem mais complicada do que até então. (Através dos músculos intervertebrais e de uma parte da musculatura dorsal). Órgãos com os quais ela assimilava a alimentação até então, (maxilar, língua, lábios e bochecha), terão de se mover conforme outras leis. Também a laringe tem de ser dominada nas suas diferenciações. Mas, acima de tudo, o maxilar tem de coordenar seus movimentos para uma tarefa mais elevada, da qual participa mais de um músculo. Como na aquisição da verticalidade, também aqui ocorre uma transformação da organização. É novamente a criança que, por meio de seu próprio esforço estrutura a organização da fala. Na sua luta para conseguir a articulação correta é que ela estrutura a organização à partir das leis que formam sua língua materna.

O desenvolvimento no âmbito corpóreo está ligado ao desenvolvimento da alma infantil. No aprender a falar, a criança se liga intimamente à configuração fonética das palavras. Isto provoca uma sensação diferenciada perante a língua. Em muitos casos pode-se perceber que as crianças pequenas vivenciam os gestos fonéticos muito mais intimamente do que os adultos. Nas palavras da língua e na melodia das frases é que se forma e se diferencia o sentir da criança. A língua captada pela criança em seu meio ambiente tem, portanto, uma grande influência sobre sua vida de sentimentos. A criança é estimulada para o desenvolvimento de sua alma por uma linguagem rica e sonoramente bela. Seu sentir será pouco diferenciado por uma linguagem pobre e grosseira.

Através do sentir que se estruturou a partir da língua, o ser humano poderá captar posteriormente aquilo que vivencia no encontro com outras pessoas. Poderá vivenciar e compreender interiormente aquilo que não está explícito nos conceitos do que está sendo exposto. Através da maneira como a criança aprende a falar, ela poderá, ou não, tornar-se uma pessoa aberta para outras pessoas. Sabe-se por meio de investigações psicológicas que através de conversas, de contar e ler histórias em família, a criança não chega apenas a adquirir uma linguagem diferenciada, mas também, capacidades sociais positivas.

O aprender a falar não faz do homem apenas um ser comunicativo no âmbito cognitivo, mas é também de grande importância para as dimensões sociais no relacionamento humano. Nos tempos atuais, onde existe uma supervalorização do visual, o cultivo da linguagem se tornou uma nova tarefa pedagógica. Pois esta supervalorização de nossa civilização tecnológica, do visual em relação a fala, traz uma ameaça ao desenvolvimento humano e, acima de tudo, ao âmbito das capacidades sociais.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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A importância da postura

 

Antropologia da primeira infância – parte 4

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 4

A importância da postura

Que importância tem a postura ereta para o desenvolvimento do homem? Nesta postura o ser humano está concomitantemente ativo e passivo. O corpo é perpassado por uma força da vontade que, em seu estado de quietude, não contem impulsos para o movimento, tal como ocorre na organização corpórea dos animais. É nisto que consiste a nobreza da postura dos ser humano. Por meio da quietude interior, a vontade está receptiva para as intenções de movimentos que o ser humano recebe do seu pensar. No pensar, podemos nos conscientizar daquilo que tem sentido, que é exigido pelas situações da vida. Tais pensamentos podem por meio da resolução, levar ao movimento e a atuação. No agir, o homem realiza estes pensamentos.

Quando o ser humano está num estado de quietude e introspecção, cria pensamentos; ele chega à experiência da autonomia espiritual e, ao realizar tais pensamentos através de sua organização volitiva egóica, ele chega à experiência da liberdade. Através da verticalidade surge um fundamento essencial para a biografia consequente. O fundamento para a autonomia é a liberdade.

Atualmente em muitas crianças este fundamento já tem lesões. Nos países de civilização tecnicista, há muitas crianças que, pela influência dos meios de comunicação, não tem a capacidade de se manter tranquilamente na posição ereta. Sua organização volitiva é permeada por uma inquietude interior. Estas crianças com hipermotricidade chamam a atenção por sua motricidade inquieta, sua postura corpórea instável, sua incapacidade de permanecer por mais tempo numa determinada postura corpórea, mas também por serem desajeitadas, com falta de coordenação e precisão no transcurso dos movimentos. Esta inquietude inunda todo os seu ser, proporcionando uma tendência para a dispersão, falta de concentração e um clima interior de instabilidade. As crianças são ameaçadas no centro de sua essência humana, na disposição para a autonomia espiritual e para a liberdade – e também na sua capacidade de aprendizado, porque para se aprender alguma coisa temos de absorvê-la e digeri-la no estado de quietude interior.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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A reestruturação, pelo Eu, do corpo herdado

 

Antropologia da primeira infância – parte 3

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 3

A reestruturação, pelo Eu, do corpo herdado

A compreensão do desenvolvimento na primeira infância ocorre quando estudamos a forma como o Eu atua no corpo da criança. Inicialmente ele atua nos sistemas muscular e ósseo. Quando, através da aquisição vertical pela vontade, a criança toma pose da nuca, das costas, da bacia, das pernas e dos pés, vai se desenvolvendo a musculatura, que se diferencia entre as fibras musculares físicas, que se contraem rapidamente, e as tônicas que atuam com força. A vontade também atua na alteração do sistema ósseo. Em primeiro lugar, a criança se esforça para levantar a cabeça e voltá-la livremente para o meio ambiente. É neste processo que se forma a curvatura característica da coluna vertebral na altura da nuca, a chamada lordose cervical. A criança recém-nascida ainda não tem esta curvatura. Ela se forma por meio do esforço feito para sustentar a cabeça livremente, ou seja, na superação da força da gravidade. De início, a curvatura aparece temporariamente, para se tornar uma configuração permanente dentro de cinco anos.

Quando a criança se esforça para ficar de pé livremente, lá pelo fim do primeiro ano de vida, também há a transformação da parte inferior da coluna vertebral. Isto se dá quando, em relação à sua posição anterior, as pernas dão uma virada e se instalam debaixo do tronco, dando origem à curvatura no âmbito lombar, a chamada lordose lombar, que também se torna, dentro de cinco anos uma forma permanente.

A coluna lombar não tem sua forma humana por hereditariedade e nem pela maturação determinada geneticamente, mas sim, pela vontade “egóica” da criança, que atua no esforço feito para a aquisição da posição livre da cabeça e do ficar em pé e andar. A criança não toma simplesmente posse de seu corpo, ela o reestrutura até o sistema ósseo. Quando então, o ser humano se coloca na postura sentada ou de pé, as curvaturas da coluna se acentuam pelo peso da cabeça e do tronco. O ser humano está constantemente se contrapondo à força da gravidade, ele está procurando continuamente se manter na vertical. Pela reestruturação da coluna ele se revela como Eu dentro do corpo.

A reestruturação do corpo também atinge os quadris, as pernas e os pés. No recém-nascido, as pernas são visivelmente mais curtas e os joelhos virados para fora. Juntamente com a aquisição do ficar em pé e andar, a pernas crescem contra a força da gravidade e são reestruturadas. A nova configuração se realiza até o sétimo anos de vida. Nela se revela uma grande luta com o peso do corpo, uma atividade sustentadora. Portanto o corpo adquire também nas pernas uma forma que mostra, na superação da força da gravidade, a atuação do Eu. Impressionante é a reestruturação dos pés, onde o peso do corpo se faz mais intenso e onde, através do ato de andar, e principalmente quando a criança anda na ponta dos pés, surge a arcada do pé. Vemos aqui novamente até os sete anos, uma configuração que surgiu de uma vigorosa luta contra a força da gravidade. Ela é a base sobre a qual o homem pode se manter em equilíbrio e é a condição para um andar leve e flexível.

O desenvolvimento na primeira infância é um acontecimento que atua profundamente para dentro das regiões inconscientes do corpo. A criança recém-nascida tem um corpo estruturado por leis e forças da hereditariedade. Inicialmente seu corpo é uma organização basicamente impessoal, que é reestruturada pelo Eu. Nesta reestruturação o Eu permeia o corpo e nele se expressa. Quando observamos os novos traços fisionômicos que vão surgindo, percebemos que a criança adquire uma configuração marcada pelo Eu, que vai até o sistema ósseo. Na aquisição da postura ereta tem início um processo ao qual, geralmente, não é dado o devido valor. Trata-se da individuação do corpo humano.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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A superação da força da gravidade através da Vontade

 

Antropologia da primeira infância – parte 2

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 2

A superação da força da gravidade através da Vontade

Pode se conhecer aspectos essenciais do caráter específico do desenvolvimento da primeira infância quando partimos daquele processo que leva à maior transformação dentro dos primeiros anos: a conquista da postura ereta. Temos, porém de observar esse processo sob vários aspectos. Quando acompanhamos o processo, o esforço que a criança faz nos primeiros meses para levantar a cabeça, como ela luta durante muitos meses contra o peso do seu corpo para finalmente, ao postar-se de pé, conquistar por fim a vitória sobre a força da gravidade, desde os pés até a cabeça, então compreenderemos que a criança é fundamentalmente um ser ativo. É um ser que, já em suas primeiras semanas e meses, desenvolve a partir de seu próprio esforço, no qual, desde o início atua uma capacidade fundamentalmente humana: a necessidade de não permanecer no que foi recém-adquirido e sim continuar se esforçando para além do já conseguido. Hegel disse, em suas palestras histórico-filosóficas, que o desenvolvimento se fundamenta numa atividade interior, o “impulso para a perfeição cada vez maior”. Este anseio mais profundo já está presente na criança pequena. Ele se manifesta naquela força com a qual a criança vai superando, cada vez mais, a gravidade. Esta força é a vontade, a partir da qual o homem sempre atua quando se confronta ativamente com obstáculos. Para não haver mal entendidos, faz-se necessário esclarecer que o termo “vontade” não significa aqui o propósito de executar algo. A vontade é aquela força íntima que dá origem a ação, a execução. Com ela o homem vivencia sua atividade como vinda dele mesmo. A vontade é a própria força primordial do homem.

Quando a criança se eleva para a vertical em seu primeiro ano de vida, ela toma posse e permeia todo o seu corpo com essa força da vontade. É desta forma que o corpo se torna uma posse individual da criança.

A postura ereta significa a superação total da força da gravidade pela atuação soberana da vontade e, por outro lado, a exposição máxima ao equilíbrio.

Nas ciências já se discutiu muito sobre o motivo pelo qual o homem, ao contrário dos animais, adotou esta posição tão insegura de equilíbrio. Buscar a resposta em causas externas só leva a especulações e a resultados insatisfatórios. A criança não se apoia exteriormente sobre quatro pernas como o animal. Ela mantém seu equilíbrio através de uma força interior e, através disto, ela tem a seguinte vivência: eu tenho meu centro em mim mesmo; sou um ser que tem um centro em si mesmo. É por meio da vontade que supera a força da gravidade, que o homem se torna centralizado em si mesmo. Isto indica que a vontade tem características de Eu. Como Eu, designamos aquele âmbito a partir do qual o homem atua por si mesmo e onde ele experimenta concomitantemente o centro em si mesmo. Portanto, temos de fazer uma distinção entre Eu e autoconsciência, consciência do Eu. A consciência do Eu só aparece em torno dos três anos, quando certas regiões do cérebro (no córtex) adquiriram um certo grau de diferenciações. O Eu está presente desde o início da vida.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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Antropologia da primeira infância – parte 1

 

Antropologia da primeira infância – parte 1

O conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância

Ernest Michael Kranich

Educação 1

Introdução – A Educação na primeira infância

A importância da primeira infância para a biografia humana é um dos maiores temas pedagógicos da atualidade. Isto tem vários motivos. Notou-se que a infância mudou sob a influência da civilização influenciada pela técnica. As crianças que atualmente entram no primeiro grau são diferentes daquelas que entravam há 25 anos: são nervosas, com um comportamento desarmônico, a saúde é frágil, e não se pode mais exigir tanto delas quanto era possível antigamente. Isto tem suas consequências na vida mais tarde. O resultado de pesquisas feitas nestes últimos anos mostra que em ¼ da população adulta das grandes cidades podem-se verificar distúrbios cuja origem está na tenra idade infantil. Distúrbios como neurose, doenças psicossomáticas, distúrbios na personalidade e vícios.

Estes fatos indicam a necessidade de criar na primeira infância um fundamento que terá de perdurar por toda a vida, e em muitas crianças este fundamento vital já se torna quebradiço na época em que elas estão em formação. Assim sendo, tem-se dado um peso cada vez maior às questões da educação na primeira infância.

A responsabilidade perante o desenvolvimento da criança pequena também se fez através de observações feitas há anos nos países anteriormente socialistas. Lá as crianças de dois anos, e até mesmo já em seu primeiro ano de vida, eram postas em escolas maternais, para que as mães pudessem trabalhar em fábricas, escritórios e outros lugares, a fim de darem sua contribuição produtiva ao Sistema Nacional Socialista – isto, porém, em prejuízo das crianças como demonstram as observações de médicos húngaros. As crianças do maternal adoeciam com muito mais frequência que aquelas que podiam passar seus primeiros anos em casa. Tem-se, portanto, um juízo claro sobre as consequências do meio-ambiente educacional na criança pequena. Os dados que se seguem comprovam: adoeceram com pneumonia 1,5% das crianças que ficaram em casa e 11% das crianças do maternal. A gripe atingiu 20% das crianças que ficaram em casa e 60% das crianças do maternal. Paralelamente a esta fragilidade da saúde, surgiram distúrbios no desenvolvimento da fala e no comportamento social. Isto se tornou tão grave na Checoslováquia que as mães passaram a receber três anos de licença-educação depois do parto.

Se quisermos ir de encontro a crescente responsabilidade pedagógica em relação à criança pequena e ao desenvolvimento humano em nossa civilização baseada na técnica, necessitaremos de uma antropologia da primeira infância, um conhecimento dos processos evolutivos na primeira infância, uma visão clara das condições que propiciam este desenvolvimento e assim, obter conceitos concretos sobre as consequências destes processos de desenvolvimento na biografia subsequente.

Tradução de Christa Glass. Revisão de Ruth Salles

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