Arquivo mensais:agosto 2013

Biografia: 21 aos 42 anos – a Fase da luta

Counselling Biográfico – Edna Andrade

VAMOS FALAR SOBRE A VIDA?

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A questão da espiritualidade, o que promove saúde, onde encontramos internamente as forças de sustentação da coragem ou as forças que desenvolvem a resistência?

Este trabalho está alinhado com uma nova linha que pesquisa as forças de sustentação da saúde física e psíquica do indivíduo conhecida como Salutogênese

Salus salutis do latim significa saúde

Gênese – do grego significa origem

Esta abordagem foi iniciada por Aaron Antonoksky (1923-1994) em Israel.

Quando desenvolvia critérios para avaliar a saúde de um grupo de pessoas ele descobriu que entre os mais saudáveis estavam sobreviventes do Holocausto e surgiu nele a pergunta : porque pessoas mesmo em situação de extrema demanda conseguem se manter com o espírito alerta, a alma motivada, conseguem se recuperar rapidamente dos embates e sustentam o stress?

A pesquisa de Aaron Antonovsky saiu do campo acadêmico e está encontrando enorme aceitação nos âmbitos espiritual, político, social e econômico.

No projeto “Vamos falar sobre a vida” este primeiro módulo é dedicado a olhar para si, tomando como ponto de partida a pergunta.

Que caminho eu percorri até o momento atual em relação ao meu desenvolvimento? O que eu consegui transformar e o que ficou estagnado?

A biografia ou escrita da vida nos mostra nossa origem, nossos valores, princípios, a educação que recebemos e como tudo isto se reflete nos nossos padrões de comportamento, nas nossas capacidades e nos nossos anseios.

Partindo das leis que regem a biografia humana escolhemos o espelhamento dos 21 anos para fazer este reconhecimento de si.

Carl Gustav Jung chama de individuação este período que começa nos 21 anos (marco do início da conquista do lugar no mundo) e vai até a maturidade da personalidade aos 42 anos.

Entramos por nossa conta e risco no mundo, as experiências do mundo vão se transformando em conteúdo interno próprio. Durante o processo vai ocorrendo uma síntese da herança dos valores do passado com a aquisição de valores próprios desenvolvidos na luta pela vida.Durante todo este percurso as questões de auto desenvolvimento estão sempre presentes. No final deste processo, que tem um marco inicial mas que do ponto de vista pessoal não tem hora para acabar pode-se dizer: Eu sou este!

Nesta trajetória que vai dos 21 aos 42 anos quando o movimento de auto desenvolvimento não flui por iniciativa própria as mudanças com certeza vem ao encontro do indivíduo de fora: coisas acontecem no âmbito da saúde, da profissão, da família que trazem uma tônica diferente que exigem adaptações, correções de rota.

Por volta dos 40 anos algumas das motivações que carregaram a pessoa na conquista do lugar no mundo e que eram as estrelas brilhantes no horizonte da sua vida começam a perder intensidade: reconhecimento, poder, status, prestígio, bem estar material, bem estar familiar, satisfações imediatas dos desejos, compensações pessoais, etc.

Alguns pontos foram alcançados, outros ultrapassados, outros ainda permanecem para serem atingidos, e outros se mostram inatingíveis porque ela se deparou com alguns limites próprios.

A vida começa aos quarenta – a crise da meia idade – são temas do inconsciente popular. Os 40 anos, um dos marcos do desenvolvimento biográfico – traz questões novas e a etapa que começa corresponde aproximadamente pelo menos a um terço da vida. A crise da meia idade ganha outro nome no trabalho biográfico: chama-se “crise de autenticidade”.

Autenticidade significa:Genuíno, próprio,

O sentimento da crise de autenticidade foi bem descrita por Drumond no poema:

E agora José? Voltar para Minas? Mas Minas acabou….

Perguntas do tipo:

É este o estilo de vida que quero para mim ?

Era esta a família que eu sonhei para mim? É esta a mulher/homem da minha vida? É esta a posição profissional que eu almejei?

A sensação geral é de que o chão que antes sustentava o indivíduo já não parece tão firme.

E esta sensação não necessariamente traz ansiedade e angustia; ela pode ser tb. estimulante paa o desenvolvimento pessoal.

No trabalho biográfico o marco dos 21 anos corresponde a um segundo nascimento só que diferente do nascimento físico é o desabrochar de uma consciência de si na vida anímica própria.

De um lado do nascimento até os 21 anos – temos a etapa do desenvolvimento físico : a autoridade é externa e é expressa pelas influências da hereditariedade (constituição), dos valores e normas familiares, do meio ambiente, dos valores da comunidade. Podemos considerar também as intenções pré-natais – pré-disposições, talentos, qualidades natas e tendências à imperfeições que trazemos conosco. É a etapa pedagógica da vida onde ainda estamos sujeitos ás influências da educação e dos estímulos que recebemos.

Do outro lado de 21 até 42 anos – temos a etapa do amadurecimento psíquico –

a autoridade é interna e é expressa pela auto educação através da qual construímos a vida interna própria através da qual podemos desenvolver plenamente e em liberdade no mundo o impulso individual que trouxemos para esta vida, a minha marca pessoal, a tarefa pessoal.

Estas duas etapas podem ser divididas em fases (setênios)

3º Espelhamento: 0 -7 Infância / 35-42 Maturidade (Autoconsciência)

2º Espelhamento: 7 -14 Puberdade / 28-35 Adulto (Razão)

1º Espelhamento: 14-21 Adolescência / 21-28Juventude (Sensação)

Começamos com a pergunta:

Quais são as condições para o desenvolvimento saudável na primeira etapa e como estas condições se refletem na etapa posterior?

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Para quem busca uma compreender um pouco mais sobre o caminho de desenvolvimento da Humanidade na visão da Antroposofia, o curso “De Giotto a Rousseau- História da Arte” é uma excelente oportunidade e conta com a coordenação de Clara Passchier – da Holanda, profunda conhecedora da Antroposofia e da História da Arte.

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AS SANDÁLIAS DO GRANDE MESTRE

AS SANDÁLIAS DO GRANDE MESTRE

Gildo P. de Oliveira

sandálias do mestre

Sandálias, por que não ?!
As sandálias do grande mestre
Estão à espera de alguém
Que calçá-las possa,
Com muita propriedade,
Coragem, vontade,
Imaculado espírito de sacrifício,
E amor,
Nesta época da alma da consciência.

Sandálias são áreas do conhecimento
Humano; e as de Rudolf Steiner,
Sobretudo, a medicina, pedagogia,
Agricultura e a questão social
São as mais preciosas,
Mais bem elaboradas,
Arrematadas com alta precisão,
Pois contêm a fibra, a determinação
E a coragem indomável do grande mestre.
No mundo não há nada que se aproxime
Ou se assemelhe,
Ciência espiritual de grande valor,
Elevadíssima, pura!

Como o homem que passa pela vitrine,
Tão apressado, e preocupado consigo mesmo,
Não tem tempo para observar as mercadorias
Expostas; assim também, passamos nossa vida,
Muitas vezes, preocupados apenas com nossa
Condição individual na sociedade;
E não enxergamos as oportunidades
Que ela nos proporciona de realizar
Ações em prol de nossos semelhantes,
Em benefício da sociedade como um todo.

Os departamentos de oncologia,
Psiquiatria e dermatologia,
Como era o empenho de Rudolf Steiner,
Podem ser fecundados à luz da Antroposofia,
Trazendo uma nova compreensão para ciência;
Pra isso é preciso que um grande servidor
Calce as sandálias do grande mestre,
E assuma a responsabilidade de terminar
Sua obra que ainda se encontra inacabada.
Quem é capaz de calçar as sandálias de Rudolf Steiner
Para realizar este propósito no mundo?

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Maternidade

Maternidade

autor desconhecido

neném

Nós estamos sentadas, almoçando, quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em “começar uma família”.

— Nós estamos fazendo uma pesquisa — ela diz, meio de brincadeira. — Você acha que eu deveria ter um bebê?

— Vai mudar a sua vida — eu digo, cuidadosamente, mantendo meu tom neutro.

— Eu sei — ela diz. — Nada de dormir até tarde n
os finais de semana, nada de férias espontâneas…

Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.

Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar: “E se tivesse sido o MEU filho?”; que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar; que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer.

Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da ursa que protege seu filhote; que um grito urgente de “Mãe!” fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.

Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.

Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina; que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino, ao invés do feminino, no McDonald’s, se tornará um enorme dilema; que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.

Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, se questionará constantemente como mãe.

Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que jamais se sentirá a mesma sobre si mesma; que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho; que ela a daria num segundo para salvar sua cria — mas que também começará a desejar mais anos de vida, não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.

Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias, se tornarão medalhas de honra.

O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar pomadinhas num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.

Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que, através da história, tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.

Eu espero que ela possa entender por que eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que me torno temporariamente insana quando discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro dos meus filhos.

Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta.

Quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Quero que ela prove a alegria que, de tão real, chega a doer.

O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.

— Você jamais se arrependerá — digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto-lhe a mão e faço uma prece silenciosa por ela e por mim e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho esse que é o mais maravilhoso dos chamados; esse presente abençoado de Deus, que é ser mãe.

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Fragrâncias naturais

Fragrâncias naturais

Rodolfo Schleier

flagrâncias naturais

A neurociência afirma que o sentido do olfato possui conexão direta com o processamento de emoções e memórias. A maioria das impressões sensoriais passa primeiro pelo córtex cerebral, responsável pelo julgamento crítico. O que cheiramos, porém, passa direto pela “censura” e atinge em cheio o sistema límbico, região do cérebro responsável pelas emoções. É por isso que uma fragrância pode nos trazer lembranças de ocasiões especiais e evocar os sentimentos mais profundos. O aroma do bolo que sua avó fazia, o cheiro da chuva sobre a grama, o perfume da pessoa amada… Mas também pode fazer a gente torcer o nariz – como a fumaça do trânsito, aqueles alimentos que a gente não gosta, o lixo, e por aí vai. É por isso que a indústria investe cada vez mais no marketing olfativo. Por exemplo, shopping centers que aplicam óleos essenciais no ar condicionado, lanchonetes que espalham aromas de café e pão de queijo para estimular o apetite, etc. Na indústria cosmética, esse é um campo sem limites para a criatividade dos fabricantes.

Todo perfume é sentido em três etapas. Primeiro, temos aquelas notas mais leves, voláteis, percebidas imediatamente. Segundo, as notas que expressam a personalidade do perfume, que evaporam mais devagar. E finalmente, as notas mais densas, que evaporam ainda mais lentamente e permanecem por horas e até dias. Em perfumaria, isso é conhecido respectivamente como “notas de saída”, “notas de coração” ou “corpo”, e “notas de fundo” ou “base”. O cheiro é uma soma dos efeitos desses três notas. Mais ou menos como na música, onde temos três níveis de notas (agudas, médias e graves) formando acordes.

Na alimentação, o aroma é fundamental para a percepção do sabor. “Temperar” tem a mesma raiz latina da palavra “tempo”, e significa relacionar, equilibrar, harmonizar. A palavra inglesa season designa tanto as estações do ano quanto o ato de temperar, pela mesma razão. Alimento “temperado” significa alimento maduro, colhido no ponto certo.

Podemos relacionar as três notas da fragrância com os três sistemas do corpo humano segundo a antroposofia: o neurossensorial (mais ligado à cabeça, pele e órgãos dos sentidos), rítmico (sediado no tórax) e metabólico (membros e genitais). Rudolf Steiner dizia que o cheiro de uma planta é reflexo da influência cósmica com a qual ela está relacionada. Assim, o aroma de lavanda acalma; o alecrim desperta; o limão equilibra; a violeta alegra, o incenso eleva, e assim por diante. Comparando as plantas umas com as outras, podemos ver claramente como os quatro elementos da natureza atuam de forma distinta sobre elas.

Óleos essenciais como limão, laranja, lavanda, eucalipto são exemplos de notas de saída. Rosa, gerânio, magnólia, são exemplos de notas de coração. E por fim, fragrâncias obtidas de resinas e madeiras como o pinho e a canela são exemplos de notas de fundo. A arte da perfumaria consiste em harmonizar essas tendências. Porém, a indústria cosmética convencional usa algumas fragrâncias sintéticas, não existentes na natureza. E também os “fixadores”, feitos principalmente a partir de secreções e hormônios animais. O almíscar, extraído das glândulas do cervo-almiscareiro, é um dos aromas mais penetrantes e persistentes que se conhece. Com ela, o animal é capaz de transmitir o seu odor a quilômetros de distância, atraindo as fêmeas e afastando outros machos. Quem tem cachorro em casa sabe muito bem disso.

Pela ação dos aromas sobre as emoções, já descrita acima, percebe-se claramente como alguns aromas atuam diminuindo a consciência e despertando os instintos, ao passo que outros nos elevam no sentido da espiritualidade. Por isso, a cosmética natural e orgânica rejeita o uso de hormônios animais em suas formulações e não utiliza fragrâncias sintéticas, por acreditar que mais do que um simples “cheiro”, o aroma traz em si as propriedades terapêuticas da planta. As fragrâncias dos cosméticos verdadeiramente naturais são suaves e saudáveis para o corpo e para a mente.

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Borboletas ao vento…

Borboletas ao vento…

crianças são borboletas

“Crianças são como borboletas ao vento…
algumas voam rápido… algumas voam pausadamente…
mas todas voam do seu melhor jeito. Cada uma é diferente,
cada uma é linda e cada uma é especial.”

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Vontade e forças de consonância

Vontade e forças de consonância

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“Em relação a todos os atos de iniciativa e de criação, existe uma verdade fundamental cujo desconhecimento mata inúmeras idéias e planos esplêndidos: a de que no momento em que nos comprometemos definitivamente, a providência move-se também. Toda uma corrente de acontecimentos brota da decisão, fazendo surgir a nosso favor toda sorte de incidentes e encontros e assistência material que nenhum homem sonharia que viesse em sua direção. O que quer que você possa fazer ou sonhe que possa, faça. Coragem contém genialidade, poder e magia. Comece agora.”

“Ousadia contém genialidade, poder e magia.”

Goethe

“Lembre-se que o trabalho da Biblioteca vai muito além de uma página de posts interessantes no Facebook”

Este post é para lembrar da importância de compartilhar os artigos de nossa página do Facebook. Neste processo acontece um mecanismo de ampliação de rede, por exemplo: temos 5 pessoas que compartilham. A média de amigos no Facebook é de 120 amigos (soma-se todos os amigos e divide-se por 5). Em torno de 600 pessoas poderão ver os posts da Biblioteca. Se 20 dessas pessoas se interessarem por este post específico que viram e curtirem ou compartilharem, considerando uma média de 120 amigos para este grupo de 20 pessoas, 2400 pessoas poderão ver o conteúdo postado.

O processo continua válido para essas 2400 pessoas – 100 gostaram e compartilharam: média de 120 amigos, o conteúdo chegou para 12.000 pessoas… e assim vai. Até a força de consonância esvair. O que é isso?

Na teoria é muito bonito, iria crescer o público eternamente… mas porque isso não ocorre? Porque existe outras forças que atuam. Quando um assunto está em pauta, sendo discutido e comentado, aquilo vibra em um nível sutil (dependendo do ímpeto e vontade atuando no evento, se torna um furacão) que atinge os campos em ressonância, fazendo-os vibrar junto.

À partir do momento em que a Vontade e o Ímpeto esvaem, essa vibração também se esvae. Se tornando muito fraca e sutil, a ponto de não fazer vibrar mais os campos de consonância. Por isso à questão se abafa, pois outros campos de vibração estão atuando com mais força.

Por isso é necessário ímpeto, vontade, engajamento e entusiasmo nas questões relevantes. Pois assim é formada uma Egrégora de atuação direcionada conscientemente que atua à partir da vontade, criando campos de vibração elevados e bem direcionados impulsionando os campos de ressonância e estimulando-os a atuar. Você também será responsável por esta força de impulsionamento consciente – como o motor que move toda a engrenagem.

Parece fantasia, mas não é. Compartilhando e atuando, você perceberá essa força e acompanhará o processo de desenvolvimento.

Você estará ajudando a Biblioteca em sua missão:

  • Elevação e ampliação do pensamento individual
  • Livre acesso aos conteúdos da Antroposofia e Pedagogia Waldorf
  • Apoio, reconhecimento e suporte aos professores e instituições da Pedagogia Waldorf
  • Desenvolvimento de novos campos de atuação e pesquisa da Antroposofia
  • Ampliação e integração do grupo de atuação
  • Apoio ao desenvolvimento individual e coletivo da Humanidade
  • Incentivo ao desenvolvimento cultural e artístico e sua integração com todos os campos de atuação humana

Rumo a uma consciência direcionada para valores de elevação. Se você acredita no Amor e deseja isso para nossas futuras gerações, tenha a coragem de participar e atuar. O engajamento de todos é vital para a atual época de Humanidade.

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A TEORIA DAS CORES DE GOETHE

A TEORIA DAS CORES DE GOETHE

Leonardo Carneiro de Araújo

Teoria das cores post

O interesse de Johann Wolfgang von Goethe pelas cores foi instigado pela natureza ótica do fenômeno e pela tradição colorística das pinturas da Renascença com as quais teve contato em sua primeira viagem à Itália entre os anos de 1786 e 1788.

A Teoria das Cores (Zur Farbenlehre) de Goethe foi originalmente publicada em 1810. Com seu tratado sobre as cores de 1400 páginas, Goethe reformulou a teoria das cores de uma maneira inteiramente nova, sendo o primeiro a ousar confrontar as idéias de Newton sobre luz e cor. Newton via as cores como um fenômeno puramente físico, envolvendo a luz que atinge objetos e penetra nossos olhos.

Goethe concebeu a ideia de que as sensações de cores que surgem em nossa mente são também moldadas pela nossa percepção – pelos mecanismos da visão e pela maneira como nosso cérebro processa tais informações.

O trabalho de Goethe continuou a fascinar cientistas por muitos anos, dentre eles podemos destacar grandes nomes como Hermann von Helmholtz, Werner Heisenberg, Walter Heitler e Carl Friedrich von Weizsäcker.

Recentemente, o teórico do Caos, Mitchell Feigenbaum, consultando o trabalho de Goethe, surpreendeu-se ao descobrir que “Goethe já tinha realizado um extraordinário conjunto de experimentos investigando as cores” e estava correto em suas observações.

Para sustentar a sua visão na qual as principais característica das cores são a simetria e a complementaridade, Goethe propôs modificar o círculo de Newton que possuia sete cores sustentadas sob ângulos desiguais. Cria um círculo simétrico, onde as cores complementares localizam-se em posições diametralmente opostas no círculo.

Epígrafe utilizada na introdução da Teoria das Cores de Goethe. “Se nossas coisas são verdadeiras ou falsas, assim serão, ainda que a defendamos por toda a vida. Após nossa morte, as crianças, que agora brincam, serão nossos juízes.”

Para Newton, apenas as cores do espectro poderiam ser consideradas como fundamentais. Goethe, baseando-se em seus experimentos, conclui que cores, como o magenta, uma cor não espectral, possuem um importante papel para completar o círculo das cores, o que é sustentado até nos sistemas de cores mais modernos.

Artistas que lidavam com cores sentiram-se mais atraidos pela proposta de Goethe do que pela de Newton.

Um pintor fortemente influenciado pelas idéias de Goethe foi J. M. W. Turner (1775-1851), cuja pintura “Luz e Cor (Teoria de Goethe)” é exposta no ‘Tate Britain’ em Londres.

Teoria de Aristóteles

Os primeiros estudos sobre cores foram feitos na Grécia antiga por Aristóteles. Segundo ele as cores existiam na forma de raios enviados por Deus. Sua teoria não foi contestada até a Renascença quando sistemas de cores mais sofisticados foram desenvolvidos por Aguilonius e Sigfrid Forsius.

Para Aristóteles, as cores mais simples seriam aquelas dos elementos: terra, ar, fogo e água.

Sua visão era baseada na sua concepção de cor, na observação de que a luz do sol, ao atravessar ou refletir em um objeto, tem sua intensidade reduzida, escurece.

Através desse processo a cor seria produzida, ou seja, a cor seria derivada de uma transição do claro para o escuro, ou ainda, de outra forma, Aristóteles as via como uma mistura, uma composição, uma sobreposição de preto e branco.

Essa visão, que permaneceu até a época de Newton (1642 a 1727), tem a luz do sol como luz pura e portanto sem cor, a cor deve ser algum tipo de constituinte permitindo objetos e meios serem opacos ou transparentes, sendo capazes de degradar a pureza da luz incidente.

Algumas dúvidas com relação à teoria de Aristóteles começaram a ser levantadas no inicio do século XVII devido à descoberta das cores interferentes – cores de películas muito finas, tais como uma bolha de sabão – que mudam drasticamente conforme o ângulo de observação. Essas películas pareciam possuir todas as cores em si ao mesmo tempo e degradar a luz solar incidente de diferentes maneiras dependendo do ângulo de observação.

Leonardo da Vinci, como Aristóteles, acreditava que as cores são propriedade dos objetos. Em seu tratado sobre pintura escreveu: “A primeira de todas as cores simples é o branco, embora os filósofos não irão aceitar tanto branco como preto como cores porque branco é a causa ou receptor de todas as cores, e o preto é a privação total delas. Mas como os pintores não podem ficar sem ambas, as colocaremos dentre as demais. (…) Podemos colocar o branco como representante da luz sem o qual nenhuma cor pode ser vista, amarelo para a terra, verde para água, azul para o ar, vermelho para o fogo e preto para a escuridão.”

A maior dificuldade com a abordagem da percepção proposta por Aristóteles é a afirmação de que as faculdades sensoriais relevantes dos sentidos tornam-se semelhantes aos objetos a que percebem. “O conhecimento sensível, a sensação, pressupõem um fato físico, a saber, a ação do objeto sensível sobre o órgão que sente, imediata ou à distância, através do movimento de um meio. Mas o fato físico transforma-se num fato psíquico, isto é, na sensação propriamente dita, em virtude da específica faculdade e atividade sensitivas da alma. O sentido recebe as qualidades materiais sem a matéria delas, como a cera recebe a impressão do selo sem a sua matéria. A sensação embora limitada é objetiva, sempre verdadeira com respeito ao próprio objeto; a falsidade, ou a possibilidade da falsidade, começa com a síntese, com o juízo. O sensível próprio é percebido por um só sentido, isto é, as sensações específicas são percebidas, respectivamente, pelos vários sentidos; o sensível comum, as qualidades gerais das coisas tamanho, figura, repouso, movimento, etc. são percebidas por mais sentidos. O senso comum é uma faculdade interna, tendo a função de coordenar, unificar as várias sensações isoladas, que a ele confluem, e se tornam, por isso, representações, percepções.”

Teoria de Newton

O conhecimento atual sobre luz e cor iniciou-se com os trabalhos de Isaac Newton (1642-1726), uma série de experimentos cujos resultados foram publicados na chamada “Nova Teoria da Luz e Cores”, em 1672, numa carta formal à Royal Society of London. O principal experimento realizado consistiu em dispor um prisma próximo a sua janela, projetando um espectro, criado pela refração de um raio circular de luz branca, em uma parede, mostrando as cores componentes: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta.

Principiando pela observação de que a imagem criada não era circular, como o raio original, Newton inferiu os princípios de sua nova teoria: a luz solar seria formada de uma mistura de raios de diferentes “refratabilidade”.

Para mostrar que o prisma não estava colorindo a luz, a luz refratada foi colimada novamente, obtendo assim o branco.

Os artistas ficaram fascinados com a demonstração de Newton de que apenas a luz seria a responsável pela cor e criaram uma disposição das cores em círculo de conceitos, permitindo dispor as cores primárias (vermelho, amarelo, azul) em posições diametralmente opostas às suas complementares (por exemplo, o vermelho ficaria em oposição ao verde), de maneira a mostrar que as cores complementares ficariam opostas umas às outras através de um efeito de contraste óptico.

Newton foi o primeiro a organizar as cores em um círculo. Seu círculo possuía sete cores principais que estava relacionadas aos sete planetas e às sete notas musicais da escala diatônica: vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil, violeta. A teoria das três cores primárias: vermelho, amarelo e azul foi proposta originalmente um século depois pelo francês Jean C. Le Bon, sobre a qual foi publicado um tratado de mistura de pigmentos. Essa teoria tornou-se a partir de então a base para qualquer trabalho envolvendo pigmentos coloridos.

Teoria de Goethe

Goethe defende que o olhar é sempre crítico. Apenas olhar não seria um estímulo, um estímulo é uma experiência que vai além do simples observar, cria um vínculo teórico e leva o observador a tirar suas próprias conclusões.

Cada olhar envolve uma observação, cada observação uma reflexão, cada reflexão uma síntese: ao olharmos atentamente para o mundo já estamos teorizando. Devemos, porém, teorizar e proceder com consciência, autoconhecimento, liberdade e – se for preciso usar uma palavra audaciosa – com ironia: tal destreza é indispensável para que a abstração, que receiamos, não seja prejudicial, e o resultado empírico, que desejamos, nos seja útil e vital. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

Para Goethe a sensibilidade não é apenas receptividade, mas também impulsividade. As cores devem ser interpretadas duplamente como Leiden (paixão) e como Tat (ação) da luz.

As cores são ações e paixões da luz. Nesse sentido, podemos esperar delas alguma indicação sobre a luz. Na verdade, luz e cores se relacionam perfeitamente, embora devamos pensá-las como pertencendo à natureza em seu todo: é ela inteira que assim quer se revelar ao sentido da visão. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

A natureza é algo construído pelos nossos olhos, e que existe apenas quando se revela aos sentidos.

“As leis naturais são feitas e relacionadas umas com as outras como se a Faculdade de Julgar as houvesse produzido para o seu próprio uso.”

A cor não é apenas a luz, mas também a impulsividade que nasce na paixão, no olhar como forma de criar a natureza. A luz não só está dentro de cada um, como acaba se identificando com o próprio sujeito.

Nesse ponto, Goethe parece se aproximar da obra de Kant. Em sua Crítica do Juízo a natureza é colocada de forma “estetizada”, pois o homem julga a natureza da mesma maneira que interpreta uma obra de arte.

O estilo dessa obra de Goethe é alternadamente um discurso rigorosamente científico ou um discurso poético, sendo as vezes chamado de uma literatura científica. Por um lado a obra mostra-se como um relato de um escritor versátil, poeta ábil e investigador da natureza, herdeiro do Aufklarung, por outro é um relato tortuoso, fruto de uma longa investigação que perdurou por mais de vinte anos e que jamais pareceu estar concluída sendo chamada de ein Entwurf (um esboço).

O trabalho de Goethe é uma tentativa de ordenar e combinar os fenômenos cromáticos para entender os princípios que os regem e como essa ordenação nos leva a uma diferenciação em termos de estética.

O homem só é levado ao desejo de conhecer se fenômenos notáveis lhe chamam a atenção. Para que esta perdure, é preciso haver um interesse mais profundo, que nos aproxime cada vez mais dos objetos. Observamos então uma grande diversidade diante de nós. Somos obrigados a separá-la, distingui-la e recompô-la, daí resultando uma ordenação que pode ser apreciada com maior ou menor satisfação.

Os estímulos incidentes são primeiramente analisados, e assim separando, decompondo a multitude do mundo que observamos. Após esse processo de desagregação inicia-se a etapa de síntese, montagem, através da qual extraímos informações, características e significados, tornando possível a memorização, a comparação e a apreciação.

A natureza se revela ao sentido da visão através da luz e das cores e assim é possível distinguir um objeto de outro, ou as várias partes de um objeto. O mundo visível é re-construído, e cria-se uma dissociação entre o queé e o que aparenta ser. Goethe retoma, nesse ponto, a idéia de Kepler 3, quem define o olho humano como um produtor mecânico de pinturas, definindo o “ver” como “pintar”, e a pintura como formativa de imagem retiniana não-linear. Kepler foi o primeiro a separar o problema físico da formação das imagens retinianas (o mundo visto) dos problemas psicológicos da percepção (o mundo percebido).

Iluminismo

Kepler foi uma figura marcante na revolução científica. Nascido na Alemanha, tornou-se astrônomo, matemático e astrólogo. É mais conhecido pelas suas leis de movimentação dos planetas. As vezes é referenciado como o primeiro astrofísico teórico, embora Carl Sagan prefira chamá-lo de o último astrólogo cientista.

E assim construímos o mundo visível a partir do claro, do escuro e da cor, e com eles também tornamos possível a pintura, que é capaz de produzir, no plano, um mundo visível muito mais perfeito que o mundo real.(Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores – Introdução- Goethe (tradução de Marco Giannotti)

Goethe estava convencido de que a totalidade da natureza se revela, como através de um espelho, ao sentido da visão, através da dialética entre dividir e fundir, intensificar e neutralizar. É pois através da oposição e da transposição para o mundo da percepção que nascem os conceitos, e resulta assim a apreciação e cria-se a estética como objeto.

(…) a cor é um fenômeno elementar da natureza para sentido da visão, que, como todos os demais, se manifesta ao se dividir e opor, se misturar e fundir, se intensificar e neutralizar, ser compartilhado e repartido, podendo ser mais bem intuído e concebido nessas fórmulas gerais da natureza. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores – Introdução – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

“Para Goethe o princípio vital da natureza é, ao mesmo tempo, o da própria alma humana, ambas tendo a mesma igualdade de direitos, mas procedentes da unidade do ser, que, na diversidade de suas configurações, desenvolve a igualdade do princípio criador, de sorte que o homem pode encontrar em seu próprio coração todo o segredo do ser, e talvez também a solução.” (Simmel)

“Outro aspecto importante a ser mencionado é o fato de que a divergência de Goethe em relação a Newton não se reduz a uma disputa pessoal, pois acabou envolvendo uma polêmica entre o idealismo alemão e os físicos newtonianos. Na verdade, o que estava por trás dessa dissensão é o confronto de dois modos completamente distintos de pensar a natureza. O idealismo alemão recusa a ótica mecanicista, já que interpreta tanto a natureza quanto a arte a partir da idéia de organismo, de uma finalidade interna. A cor não pode ser simplesmente causada pela luz, devendo ser pensada na sua relação com o órgão específico.”(Marco Giannotti)

As três primeiras seções da obra de Goethe trata das cores sobre o ponto de vista fisiológico, físico e químico: Cores Fisiológicas (Physiologische Farben), Cores Físicas (Physische Farben) e Cores Químicas (Chemische Farben).

Consideremos, em primeiro lugar, as cores na medida em que pertencem ao olho e dependem de sua capacidade de agir e reagir. Em seguida, despertam a atenção na medida em que as percebemos através dos meios incolores ou com o auxílio destes. Por fim, são dignas de nota na medida em que podemos pensá-las como fazendo parte do objeto. Chamamos as primeiras de fisiológicas, as segundas de físicas e as terceiras de químicas. As primeiras são constantemente fugidias, as segundas são passageiras, embora tenham uma certa permanência. As últimas têm longa duração. (Doutrina das Cores. Esboço de uma Doutrina das Cores – Introdução – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

A quarta seção é uma perspectiva geral das relações internas sendo abordados os aspectos do surgimento e determinação das cores. Segundo Goethe, um jogo de cores é criado pela incidência da luz sobre a retina, o que é uma reação legítima devido à sensibilidade do olho à luz. As cores podem ser determinadas pela oposição, polaridade entre azul e amarelo; ação e privação; luz e sombra; força e fraqueza; claro e escuro; quente e frio; proximidade e distância; repulsão e atração; afinidade com ácidos e afinidade com álcalis.

Na medida do possível, procuramos determinar, separar e ordenar os fenômenos segundo essa série contínua. Já que agora não tememos misturá-los ou confundi-los, podemos empreender em primeiro lugar a tarefa de julgar, no círculo, o que é universal nos fenômenos, para em seguida apontar como esse círculo particular se encadeia e se une ao resto dos fenômenos naturais afins. (Doutrina das Cores. Quarta Seção – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

Na quinta seção Goethe analisa as diferentes relações que a cor estabelece com as mais diversas disciplinas: Filosofia, Matemática, Técnica de Tingir, Fisiologia e Patologia, História Natural, Física Geral, Música, Linguagem e Terminologia.

Sempre se percebeu que existe certa relação entre cor e som, como demonstram as frequentes comparações, por vezes passageiras, por vezes suficientemente pormenorizadas. O erro nelas cometido se deve ao seguinte: Cor e som de maneira alguma podem ser comparados, embora ambos remetam a uma fórmula superior, a partir da qual é possível deduzir cada um deles. Ambos são como dois rios que nascem na mesma montanha, mas devido a circunstâncias diversas correm sobre regiões opostas, de modo que em todo o percurso não há nenhum ponto em que possam ser comparados. Ambos são efeitos gerais e elementares segundo a lei universal que tende a separar e unir, oscilar, pesando ora de um lado, ora de outro lado da balança, mas conforme aspectos, maneiras, elementos intermediários e sentidos completamente distintos. (Doutrina das Cores. Quinta Seção – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

Na última seção Goethe discorre a cerca dos efeitos sensíveis, morais e estéticos que surgem. Para cada cor, para cada tonalidade de uma cor, Goethe analisa suas características e os seus efeitos sobre nossos olhos. Estabelece relações de harmonia, totalidade e complementaridade entre as cores do círculo cromático.

Aqui reside a lei fundamental de toda harmonia cromática, a respeito da qual qualquer um poderá se convencer por experiência própria, ao travar conhecimento dos experimentos descritos na seção das cores fisiológicas.

Se a totalidade cromática se apresenta exteriormente ao olho como objeto, torna-se agradável para ele, pois o resultado de sua própria atividade lhe parece como realidade. Trataremos em primeiro lugar dessas composiçõees harmônicas. (Doutrina das Cores. Sexta Seção – Totalidade e Harmonia – Goethe (tradução de Marco Giannotti)

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O dia em que parei de mandar minha filha andar logo

O dia em que parei de mandar minha filha andar logo

Rachel Macy Stafford

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Quando se está vivendo uma vida distraída, dispersa, cada minuto precisa ser contabilizado. Você sente que precisa estar cumprindo alguma tarefa da lista, olhando para uma tela, ou correndo para o próximo compromisso. E não importa de quantas maneiras você divide o seu tempo e atenção, não importa quantas obrigações você cumpra em modo multi-tarefa, nunca há tempo suficiente em um dia.

Essa foi minha vida por dois anos frenéticos. Meus pensamentos e ações foram controlados por notificações eletrônicas, toques de celular e uma agenda lotada. Cada fibra do meu sargento interior queria cumprir com o tempo de cada atividade marcada na minha agenda super-lotada, mas eu nunca conseguia estar à altura.

Sempre que minha criança fazia com que desviasse da minha agenda principal, eu pensava comigo mesmo: “Nós não temos tempo pra isso.”

Veja bem, seis anos atrás, eu fui abençoada com uma criança tranquila, sem preocupações, do tipo que para para cheirar flores.

Quando eu precisava sair de casa, ela estava levando seu doce tempo pegando uma bolsa e uma coroa brilhante.

Quando eu precisava estar em algum lugar há cinco minutos, ela insistia em colocar o cinto de segurança em seu bichinho de pelúcia.

Quando eu precisava pegar um almoço rápido num fast-food, ela parava para conversar com uma senhora que parecia com sua avó.

Quando eu tinha 30 minutos para caminhar, ela queria que eu parasse o carrinho e acariciasse todos os cachorros em nosso percurso.

Quando eu tinha uma agenda cheia que começava às 6h da manhã, ela me pedia para quebrar os ovos e mexê-los gentilmente.

Minha criança sem preocupações foi um presente para minha personalidade  apressada e tarefeira – mas eu não pude perceber isso. Ó não, quando se vive uma vida dispersa, você tem uma visão em forma de túnel – sempre olhando para o próximo compromisso na agenda. E qualquer coisa que não possa ser ticada na lista é uma perda de tempo.

Sempre que minha criança fazia com que desviasse da minha agenda principal, eu pensava comigo mesmo: “Nós não temos tempo pra isso.” Consequentemente, as duas palavras que eu mais falava para minha pequena amante da vida eram: “anda logo”.

Eu começava minhas frases com isso:

Anda logo, nós vamos nos atrasar.

Eu terminava frases com isso:

Nós vamos perder tudo se você não andar logo.

Eu terminava meu dia com isso.

Anda logo e e escove seus dentes. Anda logo e vai pra cama.

Ainda que as palavras “anda logo” fizessem pouco ou nada para aumentar a velocidade de minha filha, eu as dizia de qualquer maneira. Talvez até mais do que dizia “eu te amo”.

A verdade machuca, mas a verdade cura… e me aproxima da mãe que quero ser.

Até que em um dia fatídico, as coisas mudaram. Eu havia acabada de pegar minha filha mais velha de sua escola e estávamos saindo do carro. Não indo rápido o suficiente para o seu gosto, minha filha mais velha disse para sua irmã pequena, “você é lenta”. E quando, após isso, ela cruzou seus braços e soltou um suspiro exasperado, eu me vi – e foi uma visão de embrulhar as tripas.

Eu fazia o bullying que empurrava e pressionava e apressava uma pequena criança que simplesmente queria aproveitar a vida.

Meus olhos foram abertos; eu vi com clareza o dano que minha existência apressada estava causando às minhas duas filhas.

Com a voz trêmula, olhei para os olhos da minha filha mais nova e disse: “Me desculpe por ficar fazendo você se apressar, andar logo. Eu amo que você, tome seu tempo e eu quero ser mais como você”.

Ambas me olharam surpresas com a minha dolorosa confissão, mas a face da mais nova sustentava o inequívoco brilho da aceitação e do reconhecimento.

“Eu prometo ser mais paciente daqui em diante”, disse enquanto abraçava minha filha de cabelos encaracolados. Ela estava radiante diante da promessa recém-descoberta de sua mãe.

Foi bem fácil banir o “anda logo” do meu vocabulário. O que não foi tão fácil foi adquirir a paciência para esperar pela minha vagarosa criança. Para nos ajudar a lidar com isso, eu comecei a lhe dar um pouco mais de tempo para se preparar se nós tivéssemos que ir a algum lugar. Algumas vezes, ainda assim, ainda nos atrasávamos. Foram tempos em que eu tive que reafirmar que eu estaria atrasada, nem que se fosse por alguns anos, se tanto, enquanto ela ainda é jovem.

Quando minha filha e eu saíamos para caminhar ou íamos até a loja, eu deixava que ela definisse o ritmo. Toda vez que ela parava para admirar algo, eu afastava os pensamentos de coisas do trabalho e simplesmente a observava as expressões de sua face que nunca havia visto antes. Estudava com o olhar as sardas em sua mão e o jeito que seus olhos se ondulavam e enrugavam quando ela sorria. Eu percebi que as pessoas respondiam quando ela parava para conversar. Eu reparei como ela encontrava insetos interessantes e flores bonitas. Ela é uma observadora, e eu rapidamente aprendi que os observadores do mundo são presentes raros e belos. Foi quando, finalmente, me dei conta de que ela era um presente para minha alma frenética.

Minha promessa de ir mais devagar foi feita há quase três anos e ao mesmo tempo eu comecei minha jornada de abrir mão das distrações diárias e agarrar o que importa na vida. E viver num ritmo mais devagar demanda um esforço concentrado. Minha filha mais nova é meu lembrete vivo do porquê eu preciso continuar tentando. E de fato, outro dia, ela me lembrou de novo.

Nós duas estávamos fazendo um passeio de bicicleta, indo para uma barraquinha de sorvetes enquanto ela estava de férias. Após comprar uma gostosura gelada para minha filha, ela sentou em uma mesa de piquenique e observou deliciada a torre gélida que tinha em suas mãos.

De repente, um olhar de preocupação atravessou seu rosto. “Devo me apressar, mamãe?”

Eu poderia ter chorado. Talvez as cicatrizes de uma vida apressada nunca despareçam completamente, pensei, tristemente.

Enquanto minha filha olhava para mim esperando para saber se ela poderia fazer as coisas em seu ritmo, eu sabia que eu tinha uma escolha. Poderia continuar sentada ali melancolicamente lembrando o número de vezes que eu apressei minha filha através da vida… ou eu poderia celebrar o fato de que hoje estou tentando fazer as coisas de outra forma.

Eu escolhi viver o hoje.

“Você não precisa se apressar. Tome seu tempo”, eu disse gentilmente. Toda sua cara instantaneamente abrilhantou-se e seus ombros relaxaram.

E então ficamos sentadas, lado a lado, falando sobre coisas que crianças de 6 anos que tocam ukelele gostam de falar. Houve momentos em que ficamos em silêncio, sorrindo uma para a outra e admirando os sons e imagens ao nosso redor.

Eu imaginei que ela fosse comer todo o sorvete – mas quando ela chegou na última mordida, ela levantou uma colheirada repleta de cristais de gelo e suco para mim. “Eu guardei a última mordida pra você, mamãe”, disse orgulhosa.

Enquanto aquela delícia gelada matava minha sede, eu percebi que consegui um negócio da China. Eu dei tempo para minha filha e em troca ela me deu sua última mordida de sorvete e me lembrou que as coisas tem um gosto mais doce e o amor vem mais dócil quando você para de correr apressada pela vida.

Seja comendo sorvete, pegando flores, apertando o cinto de bichinhos de pelúcia, quebrando ovos, encontrando conchinhas, observando joaninhas ou andando na calçada.

Nunca mais direi: “Não temos tempo pra isso”, pois é basicamente dizer que não se tem tempo para viver.

Tomar seu tempo, pausar para deleitar-se com as alegrias simples da vida é o único jeito de viver de verdade – acredite em mim, eu aprendi da especialista mundial na arte de viver feliz.

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Coordenação fina para a escrita e trabalhos manuais

Coordenação fina para a escrita e trabalhos manuais como costurar e bordar

Tetilla manzano Borba

escrita e motricidade fina

A criança pequena se movimenta em bloco e aos poucos vai se organizando em seu corpo e coordenando seus movimentos para depois dissociá-los. Por volta dos três anos as segmentações começam a se estabelecer. A criança pode se sentar sobre um caixote e balançar alternadamente suas pernas, divertindo-se com o movimento e o ruído que provoca. Mas ainda possui muitas sincinesias, ou seja, quando executa um movimento com algum membro do corpo outro membro também se movimenta interferindo assim na realização práxica, principalmente nos envolvimentos musculares globais, contaminando a motricidade mais específica, e nas contaminações homolaterais.

Por exemplo: se uma mão se dirige para um objeto, num movimento rápido, a outra mão a acompanhará. Os movimentos de pulso e de dedos provocarão movimentos homolaterais similares. As caretas são freqüentes na tentativa de realização de movimentos finos. É ainda preciso um bloqueio corporal (neurológicamente falando: uma inibição neural) para que o gesto mais preciso se realize.

A criança só se libertará das sincinesias aos sete anos, quando os dedos alcançarão a prontidão necessária para a escrita.

Quando incentivamos uma criança menor de sete anos a fazer uma atividade fina como bordar, costurar ou escrever, estamos exigindo uma inibição da musculatura global que ela ainda não possui. A maturidade neurológica para tal habilidade fina ocorre no tempo e não na hora que queremos.

A criança que faz atividade fina antes do seu amadurecimento neurológico acaba tensionando vários grupos musculares. Mais tarde terá dores musculares e desvios posturais que prejudicarão sua postura e seu rendimento escolar e de trabalho.

A criança em idade inferior aos sete anos necessita antes de tudo de programas educacionais onde possa movimentar seu corpo todo, usando suas grandes articulações até que, uma vez tendo alcançado coordenação motora ampla e equilíbrio, possa permanecer parada, numa posição equilibrada  para produzir então com suas mãos atividades finas específicas como escrever, costurar e bordar.

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AS FORÇAS TERAPÊUTICAS DOS QUADROS DAS MADONNAS

AS FORÇAS TERAPÊUTICAS DOS QUADROS DAS MADONNAS

Rudolf Steiner

Rudolf Steiner, selecionou em torno de 1911, quinze quadros e apresentou ao Dr. Felix Peipers para que que fossem utilizados pelos pacientes de sua clínica em Munique, particularmente indicados para os casos de doenças anímicas.
Estes quadros, sobretudo as imagens de Rafael Sanzio, possuem uma poderosa força terapêutica, as quais Steiner indicava principalmente para crianças que necessitavam de necessidades especiais.
A repetida contemplação meditativa destas imagens antes de adormecer favorece o processo de revitalização auxiliando a que o corpo etérico se eleve.
Existe uma ordem na apresentação das imagens que é de extrema importância para se atingir o efeito terapêutico almejado:

01 – MADONA SIXTINA – Rafael Sanzio
02 – BELA JARDINEIRA – Rafael Sanzio
03 – MADONA ALBA – Rafael Sanzio
04 – MADONA ALBA (detalhe) – Rafael Sanzio
05 – MADONA DI CASA PAZZI – Donatello
06 – MADONA COM O PÁSSARO (detalhe) – Rafael Sanzio
07 – MADONA BRIDGEWATER – Rafael Sanzio
08 – MADONA SIXTINA (detalhe) – Rafael Sanzio
09 – MADONA TEMPI – Rafael Sanzio
10 – TRANSFIGURAÇÃO NO MONTE TABOR (detalhe) – Rafael Sanzio
11 – MADONA GRANDUCCA – Rafael Sanzio
12 – MADONA COM PEIXE – Rafael Sanzio
13 – MADONA BRÜGGE – Michelangelo Buonarroti
14 – MADONA COM O PÁSSARO – Rafael Sanzio
15 – TRANSFIGURAÇÃO NO MONTE TABOR (detalhe) – Rafael Sanzio

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É possível…

É possível…

Livro Palavras de Coragem

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É possível que você não consiga impedir a queda do filho amado na vala da invigilância, mas você pode auxiliá-lo a reerguer-se…

É provável que você não possa evitar o sofrimento do companheiro que estimas como sendo alma de sua própria alma, mas você pode balsamizar-lhe as feridas…

É possível que você não consiga perdoar de imediato este ou aquele irmão que o tenha magoado com palavras impensadas, mas você pode tentar esquecer o episódio, refletindo nas muitas vezes em que terá agido da mesma forma com os outros…

É provável que você nem sempre possa concordar com as decisões tomadas pelo afeto querido, mas você pode abençoá-lo e desejar que ele seja feliz como espera ser…

É possível que você não consiga convencer a todos quanto à sua sinceridade de propósitos, mas você pode cumprir com o seu dever sem outra preocupação que não seja a de agradar a Deus…

É provável que você não possa se libertar de vez das inclinações infelizes que o perturbam, mas você pode dar-lhes combate permanente, alimentando a esperança de superá-las um dia…

É possível que você não consiga, na atual encarnação, saldar na totalidade os seus débitos para com a Lei Divina, mas você pode, desde agora, adquirir créditos decisivos para o futuro, pensando no bem, desejando o bem e, sobretudo, vivendo o bem!…

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A Importância do Sono e a Pedagogia

A Importância do Sono e a Pedagogia

Dr. Derblai R. Sebben

sono

Dormir, em termos práticos, é parar de pensar. Se o pensamento não cessa, não dormimos. Porém é necessário pensarmos corretamente durante o dia para podermos dormir bem. Um pensamento confuso, desordenado, que não se percebe a si próprio é causa de insônia.

Na pedagogia Waldorf se ensina a pensar concretamente, e consequentemente “ensina a dormir”.

Para dormir bem é necessário se sentir bem. Se passarmos um dia, ou um período, nos sentindo muito inseguros, ou com medo, também temos dificuldade de manter o sono.

Numa didática, como a proposta por Rudolf Steiner, todo o ensino se faz de modo artístico e com isso nutre o sentir, e também contribui com o sono.

O agir com metas, um fazer que vá até o fim e que tem significado propicia uma boa noite de sono.

Os alunos Waldorf se empenham em fazer belos cadernos, participam de aulas de trabalhos manuais e muitas outras atividades que, com certeza, ajudam a aprofundar o sono.

Ao estudarmos a fisiologia do sono identificamos dois pólos: o estágio do sono profundo e o sono REM (sono com sonhos); e há a passagem de um estágio para o outro.

Há uma série de experimentos que mostram como o sono REM está relacionado diretamente com o aprendizado e consolidação da memória. No sono profundo ocorre a liberação do hormônio do crescimento (GH) o que mostra sua relação com o metabolismo. Maratonistas no dia seguinte a maratona dormem mais tempo nesse sono profundo.

Por isso se faço exercícios físicos ou se atuo com sentido, estimulo o sono profundo.

Ao aprender, ao adquirir novos conhecimentos, possibilito que o sono REM seja mais denso nas noites subsequentes.

Ao cuidar do sentir a noite ganha o necessário movimento rítmico e passa de uma fase do sono a outra, e não se acorda de hora em hora.

Rudolf Steiner, 1919, falou aos professores que uma de suas tarefas era ensinar os alunos a dormir. Agora podemos entender o que isso significa. Quando um adulto não dorme bem o seu dia seguinte pode ficar comprometido. O raciocínio fica lento, não tem paciência para ouvir explicações e assim por diante. Se dormirmos mal nos sentimos mal, pode surgir sensações incômodas no corpo. E pode surgir a procrastinação, pois ficamos sem vontade de fazer as coisas.

Uma criança ou adolescente que dorme mal fica agitado. Parece (mas, não é) que está cheio de energia. Na realidade está confuso e nem ouve o que os adultos falam (déficit de atenção). Vemos que uma criança ou adolescente que dorme mal está incomodado.

Podemos dizer que está “doente”. Como a criança e o adolescente estão em desenvolvimento podem surgir consequências orgânicas devido à falta de sono ou do sono sem qualidade: queda da imunidade, a criança pega mais resfriados; como durante o sono noturno se libera o hormônio do crescimento a estatura pode ficar mais baixa do que o esperado.

E a meu ver a consequência mais grave da privação de sono é a questão social.

Rudolf Steiner fala que o bom sono é decisivo para o bom relacionamento entre as pessoas. Quando dormimos sonhamos; sonhamos com nossos ideais, com aquilo que queremos dispor para a humanidade.

Durante o sono bebo da fonte, dos arquétipos – daquilo que me faz humano. Quando durmo e acordo refeito, sei do que se trata. Acordo “novo” para o novo dia.

Os adolescentes são os que mais sofrem com a privação de sono; as horas passadas diante do computador ou do vídeo game impedem o sono restaurador. Se não dormem bem, não acordam bem e aí o comportamento, a convivência fica praticamente impossível. Não vão bem na escola, se isolam, há problema com a auto estima. O comportamento agressivo ou irritadiço acaba se tornando a regra. O que poderia ser ânimo, disposição para a convivência com a comunidade (pais, familiares, amigos) se torna isolamento, preguiça, ou só fazer aquilo que é muito fácil, que não exige esforço nenhum.

Portanto, também a questão social, o relacionamento humano depende de uma boa noite de sono.

 O que contribui com uma boa noite de sono?

Conforme o explicado acima: é necessário acordar melhor, ou seja, durante o dia cuidar do pensar, sentir e querer. É possível ajudar a acordar, e praticamente impossível ajudar a dormir. Quem se esforça para pegar no sono, provavelmente vai ficar acordado.

Os professores, na pedagogia Waldorf, ensinam a dormir, pois dão os estímulos necessários durante as aulas; a didática é voltada para toda a organização humana – pensar, sentir e querer.

E os pais, o que podem fazer?

  •  Cuidem dos horários. Vida é ritmo. Tudo o que é vivo tem ritmo. Organizem o dia. Horário para acordar e dormir; horário para as refeições; cuidar com a agenda muito apertada…
  • Providenciem um bom café da manhã com carboidratos complexos – alimentos integrais. Proteínas e gorduras também fazem parte. Evitem doces. Jantar leve; quem come muito a noite pode dormir mal e engordar.
  • Que o acordar seja agradável; despertar um pouquinho antes; evitar atrasos. No dia a dia, estar sempre atrasado cria um condicionamento péssimo. “Acordo e lá vem confusão”.
  • Criem um ritual para o sono. Quanto mais simples e rápido melhor. Não esquecer a MASSAGEM e a história. O que mais propicia o sono é escuro e silêncio; portanto, nada de TV, DVD, computador…
  • Atividade física é muito importante; propiciem momentos de lazer. Criar situações que a criança possa brincar livremente. E ainda eu poderia aconselhar: vivam melhor, tenham uma vida mais saudável, etc. Mas, para encerrar lembro a vocês que educar é antes de tudo auto-educar-se.

Aprender é processo e nunca se está totalmente pronto. Tentamos e cuidamos, mas estamos vivos, em desenvolvimento. Mais erramos que acertamos, mas tentamos

Confiem e não abandonem as crianças. Elas não estão prontas e nós também não.

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O caminho de volta

O caminho de volta

Téta Barbosa

Dia dos pais 3

Já estou voltando. Só tenho 37 anos e já estou fazendo o caminho de volta. Até o ano passado eu ainda estava indo. Indo morar no apartamento mais alto do prédio mais alto do bairro mais nobre. Indo comprar o carro do ano, a bolsa de marca, a roupa da moda.

Claro que para isso, durante o caminho de ida, eu fazia hora extra, fazia serão, fazia dos fins de semana eternas segundas-feiras. Até que um dia, meu filho quase chamou a babá de mãe!

Mas, com quase quarenta, eu estava chegando lá. Onde mesmo? No que ninguém conseguiu responder, eu imaginei que quando chegasse lá ia ter uma placa com a palavra “fim”. Antes dela, avistei a placa de “retorno” e nela mesmo dei meia volta.

Comprei uma casa no campo (maneira chique de falar, mas ela é no meio do mato mesmo). É longe que só a gota serena. Longe do prédio mais alto, do bairro mais chique, do carro mais novo, da hora extra, da babá quase mãe.

Agora tenho menos dinheiro e mais filho. Menos marca e mais tempo. E não é que meus pais (que quando eu morava no bairro nobre me visitaram quatro vezes em quatro anos), agora vêm pra cá todo fim de semana? E meu filho anda de bicicleta, eu rego as plantas e meu marido descobriu que gosta de cozinhar (principalmente quando os ingredientes vêm da horta que ele mesmo plantou).

Por aqui, quando chove, a Internet não chega. Fico torcendo que chova, porque é quando meu filho, espontaneamente (por falta do que fazer mesmo) abre um livro e, pasmem, lê. E no que alguém diz “a internet voltou!” já é tarde demais porque o livro já está melhor que o Facebook, o Twitter e o Orkut juntos.

Aqui se chama “aldeia” e tal qual uma aldeia indígena, vira e mexe eu faço a dança da chuva, o chá com a planta, a rede de cama. No São João, assamos milho na fogueira. Aos domingos, converso com os vizinhos. Nas segundas, vou trabalhar, contando as horas para voltar.

Aí eu me lembro da placa “retorno” e acho que nela deveria ter um subtítulo que diz assim: “retorno – última chance de você salvar sua vida!” Você provavelmente ainda está indo. Não é culpa sua. É culpa do comercial que disse: “Compre um e leve dois”. Nós, da banda de cá, esperamos sua visita. Porque sim, mais dia menos dia, você também vai querer fazer o caminho de volta.

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Counselling Biográfico – Biografia e Carma

Counselling Biográfico – Biografia e Carma

As etapas do trabalho biográfico do ponto de vista dos corpos suprasensíveis

Edna Andrade

pressa

Primeira etapa: Biográfico – a visão panorâmica da própria vida

Ao passar pôr um processo biográfico a pessoa revê passo a passo, a trajetória de sua vida, revivendo através dos fatos,  os impulsos, sentimentos e anseios que permearam as suas experiências, desde a lembrança mais remota até o  momento atual.

Ela tem, ao final desta retrospectiva, uma visão panorâmica de sua própria vida.

Esta vivência é diferente da mera recordação.

O processo biográfico é de tal natureza que a pessoa enxerga o caminho que percorreu estender-se diante de seu pensar como se ela estivessse dentro de uma paisagem. E ela contempla a sua biografia da mesma maneira como, através da visão comum, olha-se um quadro. A visão panorâmica da própria vida situa-se no campo da  vivência imaginativa através da qual as nossas recordações se organizam em uma única imagem.

A dinâmica dos corpos supra sensíveis na restrospectiva biográfica

A visão quadrimembrada do ser humano e a visão do conjunto de leis que regem a biografia humana são os principais legados deixados pela ciência espiritual de Rudolf Steiner.

De um lado temos o ser humano como uma entidade composta por quatro envólucros sendo eles: corpo físico, corpo etérico, corpo astral e Eu. Por outro lado, temos a biografia humana regida pela leis de vida e morte.

O corpo físico pode ser contemplado a olho nu porque é um corpo espacial, tridimensional, tem peso, volume, é palpável, é substancia condensada.

O corpo etérico, primeiro envólucro supra sensível da entidade humana permeia o físico e só tem um caráter espacial quando habita o físico mas se estende além dos limites do físico, ele é o corpo das forças vitais, forças plásticas de movimento, ciclos, transformações e metamorfoses que ocorrem no tempo.

Para enxergar mais concretamente esta diferença podemos observar como um cristal se diferencia de uma planta.

Os fatos biográficos ocorrem no plano da existência física, do espaço e tempo:  “isto ocorreu de fato”, “eu passei por isso”; “eu estava lá”.

Através da retrospectiva biográfica ordenamos cronologicamente os fatos e as vivências dos eventos biográficos que se encontram amontoados na memória. As memórias biográficas por sua vez são forças vivas  condensadas no arcabouço da alma e se mostram à percepção consciente como um painel de quadros coloridos por diferentes tipos de sentimentos.

Simultâneamente durante a retrospectica biográfica, esta ordenação das memórias intensifica a consciência do potencial das nossas forças vitais como portadoras de recursos infinitos para as nossas transformações e crescimento pessoal. Entretanto nos deparamos também com o fato de que uma parte destas forças pode estar parcialmente estagnada ou poluída por vivências biográficas hostis ao nosso desenvolvimento.

Ao fazer uma retrospectiva biográfica e construir a visão panorâmica ocorre uma intensificação da autoconsciência através da experiência de “quem sou eu” e isto significa dizer que no trabalho biográfico alcançamos a percepção imaginativa do nosso corpo etérico. Isto resulta que no final da retrospectiva biográfica atingimos um estado de consciência em que percebemos o dinamismo da própria existência, ou seja nos vivenciamos como  um ser em evolução e transformação contínua.

Esta experiência originada no íntimo ativa as forças do pensar, sentir e querer fazendo brotar entusiasmo e possibilidades em relação ao futuro, ocasionando uma euforia anímica – a pessoa geralmente sente-se ao final de um Biográfico, motivada e reintegrada à vida .

Este sentimento  de euforia que é como um novo florescer é uma lei inerente de processos de síntese. Consciência é luz! Assim como o faz a planta, sintetizamos luz, nos apropriamos da nossa essência! Esta intensificação da autoconsciência é o primeiro passo para o auto conhecimento constante e consequentemente para um autodesenvolvimento consistente.

Segunda etapa :  Counselling

Na continuidade do processo biográfico  estamos no âmbito que genericamente podemos chamar de objetivação da biografia e da prática do Counselling.

No Counselling colocamos a questão biográfica em foco, estabelecemos contrapontos e conexões com fatos do passado ampliando assim a consciência do momento atual para poder  mergulhar nas dores e emancipar as forças evolutivas que levam ao futuro.

Nesta etapa a visão panorâmica se torna o pano de fundo e cada fato ou cena da biografia nos dá a dimensão do todo da biografia como se encerrasse e representasse  toda a biografia.

Em termos do caminho de autodesenvolvimento neste ponto tratamos da dor, da raiva, da mágoa – da vida intima dos pensamentos, dos sentimentos e das intenções.

Este estado de confrontação consigo mesmo requer muito acolhimento terapêutico intensificando-se a relação de confiança que foi estabelecida na primeira etapa entre o cliente e o Aconselhador Biográfico.

Busca-se juntos atingir o cerne da dor para emancipar as forças anímicas que estão prisioneiras de determinadas circunstâncias do passado principalmente dos eventos ocorridos durante a fase pedagógica do desenvolvimento físico que se estende do nascimento aos 21 anos.

Situações de abandono, de medo, de rejeição, de não reconhecimento, de falta de oportunidades, predisposições congênitas, disposições adquiridas  pelo tipo de educação  contribuem para distúrbios de comportamento que intensificam as crises de desenvolvimento  biográfico.

A dor no leva para o núcleo da vida anímica, sede da dinâmica do  corpo astral, com as suas tensões, contrastes,  disposições para a harmonia ou para a desarmonia.

Nesta dimensão do trabalho vamos lidar com as forças internas que se encontram em oposição, vamos conhecer a verdadeira índole da pessoa, as suas sombras, a natureza de sua vida dos instintos. Vamos esbarrar com os limites individuais . Até onde a sua vida anímica consegue ser permeada e ordenada pela consciência para que possa amadurecer e florescer.

Do ponto de vista do processo biográfico podemos considerar o corpo astral como o envólucro das emoções e o corpo etérico como o envólucro das forças vitais.

Abordando o assunto de forma generalizada, quando a exacerbação das forças do corpo astral provocam muito desgaste das forças do corpo etérico, nos deparamos com alterações de algumas funções do organismo que provocam desde desvitalização e stress até perturbações orgânicas simples ou sérios distúrbios de saúde .

E quando estas forças astrais predominam sobre a  consciência é comum nos depararmos  com uma estagnação no desenvolvimento biográfico e com doenças anímicas de origem física como depressões, síndromes,  neurotização do comportamento, eclosão de uma psicose. etc.

Nem todas as pessoas encontram-se aptas a fazer um biográfico.

Do ponto de vista da terapêutica médica antroposófica alguém que se encontra em condições precárias de sáude precisa ser apoiado no trabalho biográfico por um processo de recuperação, desintoxicação ou sustentação de suas forças vitais e psíquicas através de medicamentos e outras terapias tais como a massagem, tratamentos externos, arte terapia, psicoterapia ou tratamento psiquiátrico .

Artes Plásticas como linguagem

A arte faz a ponte entre a biografia externa e a biografia interna. Ela torna-se mediadora entre a realidade dos fatos e a realidade subjetiva.

Aquarela, desenho, modelagem são algumas das formas de investigação da vida interior e um meio eficiente para expressar a dinâmica das forças da alma . Através da arte o pensar desenvolve seu potencial imaginativo enquanto que o sentir se abre para a inspiração de novas realidades e o querer desenvolve a intuição que capta os novos caminhos, os novos passos que precisam ser dados na vida.

Na primeira etapa, durante a retrospectiva biográfica, a pintura é o meio mais apropriado para acompanhar o relato. Os quadros sintetizam em imagens os temas e sentimentos de cada fase da vida. A atividade da pintura consegue acompanhar o Eu até regiões etéricas da alma onde vivem os sonhos, as ideias em um estado semiconsciente ou totalmente inconsciente. Uma imagem vale por dezenas de palavras e sintetiza muitos pensamentos, sentimentos e intenções.

Na etapa da objetivação da biografia, dos meios artísticos disponíveis, a modelagem de cenas da biografia  traz para a realidade objetiva o que antes vivia na realidade subjetiva.

Ao modelar e observar as cenas modeladas a pessoa se vê de fora, a partir de uma consciência ampliada, com objetividade: “este sou eu!”. Podendo inferir, transformar a cena e mobilizar forças de transformação alinhadas com a sua consciência, ordenando desta forma o seu destino. As cenas em argila atuam poderosamente, plasmando novos contéudos na consciência.

Terceira etapa : O trabalho com o Carma

A visão panorâmica da biografia e a confrontação com o drama pessoal ampliam a visão imaginativa e atinge-se o âmbito inspirativo no qual a pessoa torna-se capaz de lidar com questões cármicas e com a vivência íntima do que lhe é inato, do que lhe pertence de fato e que tem estado com ela desde sempre, do sentimento de ser diferente de todos os demais, da compreensão mais aguda do seu destino pessoal.

Nesta terceira etapa estamos no âmbito do Carma, das forças invisíveis que podem ajudar ou caotizar a vida. Alcançamos o cerne da própria dor, a dor original que está pôr traz das crises de desenvolvimento como se a dor fosse um estado de consciência de si que o ser humano só consegue vivenciar sofrendo.

O psiquiatra holandês Bernard Livegoed que publicou na Holanda em 1976, o primeiro livro sobre as Fases da Vida (2) dizia que o trabalho biográfico era a porta para a pesquisa do carma porque ajudava a perceber a atuação das forças evolutivas na própria biografia.

Nesta etapa ao mesmo tempo em que se trabalha em si aprende-se a enxergar as forças que potencialmente podem ser mudadas e as forças que precisam ser aceitas ou carregadas.

Isto significa que a investigação espiritual dos fatos deve considerar forças que estão mais profundamente embutidas no ser humano e a poesia é a arte que pode melhor expressar este estado de alma e de maturidade.

“Se não trouxeres à tona o que vive dentro de ti,
O que vive dentro te matará
Se trouxeres á tona o que vive dentro de ti
O que vive dentro de ti te salvará”

Nesta etapa do trabalho biográfico a pessoa amplia o diálogo interno com a vida externa.

Às representações do mundo exterior, ela acrescenta continuamente suas próprias reflexões, a relação íntima com o seu próprio ser que tem um passado e um futuro pelo qual sente-se responsável. Ela intensifica a atenção em relação aos sinais que a vida lhe manda, tanto internos quantos externos. Ocorre uma transformação do sentimento inicial de entusiasmo pelas descobertas a respeito de si,  para um sentimento de que a  felicidade tem sua origem na própria dor existencial e deste ponto de vista a dor pode ser considerada  um estado de consciência e não apenas um estado físico e emocional. Consciência ampliada da condição humana, da solidão do indivíduo, das questões do seu destino pessoal. É a convivência diária com um sentimento que traz confiança e poder para o cotidiano: Eu sou o responsável pelo meu destino.

Este estágio de desenvolvimento pessoal é melhor descrito nas palavras do poeta Juan Ramon Jiménez com as quais finalizo esta abordagem:

“Eu estava pensando na grandeza do que é ser humano e me encontrei no divino”

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Para quem busca uma oportunidade de participar de um trabalho de desenvolvimento pessoal, o curso Líder de Si, além de ter caráter associativo – pode absorver indivíduos que não dispõem de altos valores para sua formação, conta com a coordenação da excelente profissional Milene Mizuta.

Solicite informações – clique no ícone abaixo:

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Amor…

Amor…

Adélia Prado

O amor

“Amor pra mim é ser capaz de permitir
que aquele que eu amo exista como tal,
como ele mesmo.
Isso é o mais pleno amor.
Dar a liberdade dele existir
ao meu lado
do jeito que ele é.”

Um dos maiores desafios do ser humano é a expressão da sua Alma Individual. No relacionamento, aceitar que o outro se expresse e contribuir para que ele atue com liberdade e possa lapidar seu diamante interior – sua Alma Individual é o maior passo rumo ao autodesenvolvimento…

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O professor – o artista da alma

O professor – o artista da alma

“Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina.” – Cora Coralina

Uma das características mais marcantes da Pedagogia Waldorf é a beleza dos quadros negros, onde o professor (sim, ele mesmo) desenha a imagem que ficará como pano de fundo da época que os alunos estão vivenciando. Nem todos são artistas profissionais, mas todos são “artistas da alma”. Buscam trazer a beleza da vida e passar isto aos seus alunos, buscam se autodesenvolver dia após dia para que sua atuação seja desperta com presença de espírito. Agradeço profundamente a cada professor, guerreiros do espírito – sua luta é fonte de inspiração para o trabalho desenvolvido pela Biblioteca Virtual da Antroposofia.

Com Veneração… Leonardo Maia

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CRIANÇAS MAIS VELHAS NO JARDIM DE INFÂNCIA

CRIANÇAS MAIS VELHAS NO JARDIM DE INFÂNCIA

 Clara Aerts

 crianças mais velhas no jardim

O que podemos fazer com as crianças de 6 anos no jardim?

Queremos entender o que a criança de 6 anos necessita nessa idade. No mundo todo muitas pessoas querem tirar essas crianças de 6 anos do jardim e levá-las para a escola. O professor da escola quer segurar essa criança no jardim por intuição mas ele tem que saber porque deve deixá-la mais tempo no jardim.

O que fazer com elas?

Antes de tudo, conhecer as fases de seu desenvolvimento antes de ir para a escola. A criança de 6 anos já não tem tanta fantasia.

Pergunta:

- É saudável tirar essas crianças da sala para fazer outras atividades quando a sala é de crianças de várias idades?

Para algumas atividades sim, mas é interessante os pequenos verem os maiores fazendo aquarela e saberem que no futuro eles também poderão fazê-la. O menor deve aprender que nem tudo que ele vê pode fazer e os maiores poderão mostrar seus trabalhos para os pequenos sentindo-se orgulhosos com seu feito.

Se nós entendemos as crianças dessa idade nós não nos aborrecemos tanto com seu jeito de ser e trabalhamos melhor. Conhecer as fases pelas quais as crianças passam ajuda a entendê-la. Toda criança passa pela fase da birra por volta dos dois anos e meio; pela crise do ‘não’ por volta dos quatro e pela ‘queda do paraíso, pequeno rubicão’ por volta dos seis.

O que acontece por volta dos cinco anos e nove meses? Os pais nos falam que de um dia para o outro sua criança não quer mais ir para o jardim. O que será que a professora fez? Os pais perguntam.

A criança nessa idade faz um ‘show’, não quer brincar e os pais acham que é porque ela quer ir para a escola porque no jardim está monótono, que ela não está aprendendo nada… Nesse pequeno rubicão o mundo que até agora lhe pareceu colorido agora se torna seco, nu e a criança se pergunta: como me relacionar agora com esse mundo. Ela se sente como que passando pelo buraco de uma agulha.

Neste pequeno rubicão a criança está intuindo a crise que virá lá na frente as 9 anos. Ficam com medo de dormirem sozinhos, acordam os pais à noite, falam sobre a morte pois estão perdendo o paraíso e isso dá um sentimento de tristeza. Elas não são capazes de pensar. Tudo é sentimento. Elas tem medo do que irá acontecer se os pais morrerem. As crianças querem ouvir que os pais estarão lá a vida toda e os pais devem responder que sim. Isso não é uma mentira, é uma necessidade; depois de três meses passa.

A criança nos pergunta o tempo todo: o que posso fazer agora? E é preciso que lhe demos algo para fazer porque sua fantasia já foi embora. Nós devemos ajudá-la a preencher esse espaço vazio que ficou. Mas só ela pode passar pelo buraco da agulha. Temos que dar a oportunidade dela entrar nesse lugar escuro, vazio; não somos nós que vamos preencher esse vazio. É muito importante que a criança aprenda por si a preencher esse vazio porque assim, quando adulta, saberá sair do ‘buraco’ sozinha quando cair nele de novo.

O que temos que aprender é deixar a criança sozinha com ela mesma nesse sofrimento dos seis anos. Isso a fortalece.

Tem crianças de 6 anos que não tem a coragem de se engajar em atividades. São destruidoras, machucam os outros, correm desenfreadamente, não querem trabalhar. O que fazer? Não podemos deixá-las assim porque elas não estão conectadas em seu corpo. Como fazê-las conectarem-se com seus corpos, entrar em si mesmas? Não ajuda dar-lhes trabalhos finos, tricô de dedo, tecelagem, por exemplo, quando elas estão nos movimentos caóticos. O importante é estudar e compreender a razão de dar tal atividade. Devem primeiro trabalhar com movimentos grandes para poder organizar primeiro seus corpos. Dar atividades em que as grandes articulações são usadas como ombros e quadril; carregar galhos, empilhar madeiras grandes, construir cabanas com grandes panos, rastelar o quintal, colher folhas. Bater corda é para eles uma atividade ótima onde a articulação do ombro trabalha e ajuda a coordenar o movimento do braço . Dobrar panos grandes concentra mais do que fazer alinhavo (atividade fina). Dobrar panos com o colega cantando, sacudindo trabalha atenção, movimento e ritmo.

Os movimentos cruzados de membros superiores e inferiores são feitos enquanto andam. Precisam andar muito para gastar energia e entrar em seus corpos. Só se sentindo dentro deles é que poderão sentir os outros e respeitá-los. Andar cantando, fazendo ritmos com braços e pernas. Fazer pão com muita massa, em pé, com movimentos grandes de braços, cantando em ritmo com os movimentos de braços e mãos. Lavar roupa na tabua de esfregar com movimentos grandes. Serrar madeira com serrote, limpar o jardim, rastelando, cavando, juntando folhas, sempre com movimentos amplos. As forças do querer, da vontade, acordam o nosso pensar e a cabeça mais tarde é que vai controlar o corpo.

Quando percebemos nosso jardim de infância como nossa casa sempre teremos coisas para fazer, para cuidar e serviço não falta. As crianças grandes querem nos ajudar sempre. Basta fazermos diante delas os serviços que logo ela irá nos imitar porque vê utilidade em nossas ações cotidianas. Essas crianças se interessam por trabalhos que tem sentido. Elas não querem mais brincar mas querem trabalhar. Fazer atividades finas ainda não é necessário nessa idade. Uma boa ‘pega’ de lápis vai ocorrer se a criança tiver feito primeiro movimentos amplos. A criança que está madura dissocia suas cinturas (escapular e pélvica); o tórax se expande e a criança pode caminhar por mais tempo pois o arco de seu pé ficou pronto para usar como alavanca no andar.

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As cores das flores

As cores das flores

as cores das flores

Por que com tantos desafios reais nos perdemos em coisas tão pequenas?


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Conviver com suas crianças

“Texto muito interessante, partindo da perspectiva do tempo de trabalho, para o ego, vivência do outro e descanso… O ego exige atenção – preciso cuidar de mim e alimentar meus sonhos e minha busca, a criança precisa de atenção, o social precisa ser vivenciado e preciso descansar. Não dá tempo, pois somos doutrinados a acreditar que devemos trabalhar mais do que deveríamos… o que fazer?” Para discussão…

Vivemos em uma sociedade doente que odeia conviver com suas crianças?

Rogerio Beier

sociedade que odeia viver com suas crianças

Recentemente, eu e minha namorada decidimos ir até uma loja em um Shopping Center de São Paulo comprar um DVD para passarmos a noite de sábado assistindo a um bom filme, comendo pipoca e tomando vinho quando nos deparamos com um estabelecimento, ao lado de uma livraria, que parecia ser um Salão de Belezas para crianças. Neste local, uma menina que aparentava ter aproximadamente 3 ou 4 anos fazia as mãos em uma manicure, enquanto outra garotinha, com algo em torno de 6 anos, cortava os cabelos, fazia maquiagem e punha algum produto químico nas madeixas. Não vimos a presença dos pais dessas crianças no dito estabelecimento, o que nos fez julgar que, enquanto pais e mães faziam suas compras no shopping, manicures, cabeleileiros e animadores entretiam as crianças. No fim, após passarem algumas horas no shopping, os pais passavam no caixa e pagavam a conta pela comodidade de não terem que cuidar dos próprios filhos.

Uma das críticas que faço aqui, é voltada ao serviço dos “animadores de crianças” como símbolo de uma sociedade que não quer mais conviver com suas crianças. Eu não tenho filhos, apesar disso convivo com crianças devido a carreira que escolhi seguir como educador. Fiz estágio em escolas públicas e dei aulas de reforços para alunos da classe média-alta de São Paulo (Santo Américo, Pio XII, Miguel de Cervantes, Porto Seguro, etc. etc.). Além disso, tenho sobrinho e sobrinhas e vivo com uma pessoa que há anos dá aulas em escolas públicas, cursinhos e escolas particulares. Por isso acredito que ambos temos alguma propriedade ou conhecimento de causa quando falamos que esta sociedade não quer criar os próprios filhos. Pior que isso, é uma sociedade que não quer sequer conviver com eles.

A cada ano, é perceptível a presença cada vez maior de gente especializada em serviços para cuidar de crianças enquanto os pais trabalham ou fazem outras coisas. Quando dava aulas de reforço para os meninos da classe média-alta, sempre me surpreendia ao ver crianças de 10 a 14 anos com agendas repletas de segunda a sábado. Além da escola, tinham que fazer curso de um ou dois idiomas, aula de um ou dois instrumentos musicais, natação, balé, academia, etc. etc. Essas crianças diziam para mim que iam mal na escola, pois não tinham tempo de ler suas apostilas de História. O único horário que tinham disponível em suas agendas, e mesmo assim, nem todos os dias, era entre as 19h e as 22h, quando não queriam fazer nada, apenas ver TV ou jogar videogame. O que é perfeitamente compreensível.

Crianças que passam mais tempo com babás, seguranças, motoristas, guarda-costas, empregadas domésticas, professores de todos os tipos, personal trainers, e uma série de outros profissionais especializados do que com seus próprios pais. Durante a semana, no fim do dia, nos parcos momentos em que teriam para desfrutar da companhia dos pais, estes ainda estão trabalhando em seus empregos, ou levam serviço pra casa e se trancam em seus escritórios, enquanto os filhos, por sua vez, se trancam em seus quartos (isso quando os pais simplesmente não preferem ficar dormindo ou descansando em seus quartos). Dentro de casa, é comum que pais e filhos não convivam em um mesmo ambiente. Mal fazem uma refeição juntos. Um símbolo emblemático disso é que, em muitas casas, já é bastante comum que as salas de estar não tenham mais uma televisão. Estes aparelhos estão nos respectivos quartos das crianças e do casal.

Já no fim de semana, quando pais e filhos acabam saindo juntos e indo aos shoppings, os pais deixam seus filhos em Lan Houses ou nos salões de estética para crianças, como aquele que critiquei no início deste post. Segundo os depoimentos de alguns pais, é necessário que eles “dediquem algum tempo a si mesmos” e que possam desfrutar de “algumas horas de paz” no fim de semana. Ou seja, o convívio com as crianças não é visto como “um momento de paz”.

Isso fica ainda mais evidente quando chegamos na época das férias escolares, o verdadeiro terror de muitos pais. É sempre aquele grande problema descobrir o que fazer com os filhos que vão passar mais tempo em casa. É comum vermos nos telejornais matérias dando opções aos pais de onde levar os filhos durante as férias. Programas educativos, museus, clubes, exposições, atividades mil que ocupem o tempo das crianças e as tirem de dentro de casa, mesmo nos fim de semana, enquanto os pais podem estar ausentes realizando suas atividades cotidianas ou, simplesmente, tendo alguns momentos de paz.

Todo este cenário pode ser observado mesmo por quem não tem filhos ou não seja educador. Basta observar a sociedade em que vivemos. Ao deparar-me com o salão de beleza para meninas de 3 a 10 anos, não pude deixar de imaginá-lo como símbolo mais que apropriado de uma sociedade que prefere pagar, e pagar caro, para que alguém passe tempo com seus filhos. Como professor e educador do filho alheio, convivo com isso cotidianamente. Há mesmo uma queixa constante entre diretores, coordenadores pedagógicos e de todo o professorado à respeito dos pais que não conseguem passar os valores básicos do convívio social para suas crianças, acreditando que isso é dever das escolas.

Além dessa, há outra crítica explícita no meu status, que é a sexualização precoce das meninas. Cada vez mais cedo vemos crianças de 3, 4 ou 5 anos se fantasiando de mulheres. Linhas de maquiagens sendo desenvolvida por empresas de cosméticos para atenderem crianças com menos de dez anos. Crianças nessa faixa etária tingindo cabelos, falando de cirurgias plásticas, desejando ter o corpo mais assim ou mais assado, praticando o bullying com “gordinhas” ou “feinhas” que não se adaptam ao modelo de beleza que constantemente veem na televisão ou em suas próprias bonecas. Ou seja, uma sociedade na qual mulheres menores de idade são objetificadas até mesmo com mais frequência do que as adultas.

Segundo notícia da Reuters divulgada pelo Estado de S. Paulo, entidade estadunidense alerta para sexualização das meninas na TV. Na reportagem, é tocante o depoimento da ex-modelo Nicole Clark, que fez um documentário em 2008 intitulado “Cover Girl Culture: Awakening the Media Generation”.

“Nossas meninas estão sendo objetificadas sexualmente a partir dos 6 anos”, disse Clar, que está grávida e chorou diversas vezes durante a apresentação. “Como que as coisas ficaram tão loucas?”.

“Executivos do mundo televisivo estão roubando a inocência das crianças — se alimentando delas — disse, e suas vítimas não são fortes o suficiente para rejeitar as mensagens destrutivas.”

Nos Estados Unidos, recentemente, a Walmart anunciou uma linha de cosméticos dirigida a crianças de 8 a 12 anos. Faixa etária que a gigante dos supermercados chama de “Tween”, e que movimenta cerca de 24 milhões de dólares por ano em produtos de beleza. Uma sexóloga e escritora consultada pela rede de TV ABC, dos Estados Unidos, lembrou sobre o estímulo precoce à vaidade:

“Não há problema em se maquiar para imitar as mães”, declarou Logan Levkoff . “Mas estamos criando uma geração que mede seu valor apenas pela aparência”.

Enfim, ao deparar-me com o tal salão de belezas para crianças, não pude deixar de imaginá-lo como símbolo de uma sociedade doente que odeia conviver e passar tempo com suas crianças. A pergunta final que ainda bate em minha cabeça é: quando foi que passamos a odiar nossas crianças? Continuaremos a deixá-las de lado ao invés de integrá-las de fato em nossa sociedade?

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Feliz dia dos Pais

Feliz dia dos Pais

Para aqueles que não medem esforços para ajudar seus filhos a realizarem seus destinos… nos faz lembrar que a força está no coração!!!

murillo-sagrada_familia

“Filho é um ser que nos emprestaram para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem. Isto mesmo ! Ser pai ou mãe é o maior ato de coragem que alguém pode ter, porque é se expor a todo tipo de dor, principalmente da incerteza de estar agindo corretamente e do medo de perder algo tão amado. Perder? Como? Não é nosso, recordam-se? Foi apenas um empréstimo”.

José Saramago

Esse é o significado de PAI! Um pobre homem do campo na Tailândia fez de tudo para o seu filho poder estudar. No dia da formatura, o filho disse que seu pai é o seu maior orgulho.

Dia dos pais 2

Linda imagem, que vale mais do que mil palavras.

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O que é amizade?

O que é amizade?

“Nunca deixe escapar aqueles que estiveram ao seu lado nos momentos de dificuldade.”

Amizade 3

Um menino de 5 anos perguntou ao seu amiguinho da escola:
- “O que é amizade?”
Ele respondeu:
- “Amizade é quando você rouba um chocolate da minha lancheira todo dia e por isso eu sempre trago dois.”

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Os 3 membros da corporalidade

Os 3 membros da corporalidade

Introdução à Constituição Humana – parte 5

Valdemar W. Setzer

3 membros da coprporalidade

Vamos nos aprofundar em certos aspectos da constituição não-física do ser humano. E os aspectos vitais? Será que aquilo que chamamos de ‘vida’, por exemplo em uma planta, é devida a fenômenos exclusivamente físico-químicos? É lógico que não – para a ciência materialista, o fenômeno ‘vida’ é uma grande incógnita. No entanto, afirmamos que as plantas não tem alma. Então onde estão esses processos vitais e quais são suas causas? Para entrarmos na questão deles e da vida, e em outros processos que abordaremos mais adiante, é necessário tratar de 3 membros da corporalidade, também conceituados por Rudolf Steiner.

5.1. O Corpo Físico

Observemos um ser humano morto recentemente. O que podemos ver é seu puro Corpo Físico sem nenhuma manifestação vital: ele não respira, seu coração não bate, não há metabolismo. Ele está totalmente entregue às forças da natureza, que decompõem seu corpo.

5.2 O Corpo Etérico

Observemos agora um jovem dormindo. Contrariamente ao morto, os processos vitais estão se passando normalmente: ele respira, há batimentos cardíacos, o metabolismo segue seu curso (digestão, regeneração de órgãos e tecidos), ele cresce e, principalmente, algo atua contra as forças da natureza e seu corpo não se decompõe.

Rudolf Steiner diz que uma observação clarividente pode constatar que nesse corpo físico dormindo atua um segundo elemento corpóreo, agora não-físico, que ele denominou, seguindo uma certa tradição esotérica, de Corpo Etérico. É ele que é responsável por todas as funções vitais que mencionamos, e ainda pelo estabelecimento e manutenção das formas orgânicas do corpo físico; daí Steiner tê-lo denominado também de Corpo das Forças Plasmadoras. De fato, como é possível explicar por processos puramente físico-químicos que as orelhas, que não param de crescer, mantêm uma forma razoavelmente simétrica? Não adianta dizer que isso é devido ao DNA. Como chamou a atenção R.Sheldrake em seu livro A New Science of Life (Los Angeles: Tarcher/St.Martin 1987), o DNA na ponta de um dedo é o mesmo que no lóbulo da orelha, no entanto num caso ele ‘produziria’ um dedo e na outra o lóbulo. Aliás, sabe-se que uma mudança no DNA de certas plantas pode produzir alterações em suas formas, mas não se sabe com exatidão qual o processo que faz o DNA regular a forma durante todo o crescimento e a regeneração.

O Corpo Etérico estabelece e regula a forma do Corpo Físico, e é responsável pela regeneração de órgãos e tecidos, por meio do metabolismo, e também pela hereditariedade. Somente o DNA não leva à hereditariedade; é necessário algo que leve do DNA à manifestação da mesma. Afinal, o DNA é como um modelo; é preciso uma atuação de algo sobre ele para que ele produza, por exemplo, um órgão, assim como uma forma de bolo sozinha não produz um bolo – para isso é preciso uma cozinheira que usa a forma mas nela coloca os ingredientes, leva-o ao forno, etc. O interessante dessa metáfora é que cada vez que ela usa a forma, faz um bolo um pouco diferente – ou até muito diferente, dependendo dos ingredientes e das ações que toma para fazê-lo. Podemos ainda modificar essa imagem associando o DNA aos ingredientes do bolo: é necessário alguém que os misture e uma forma para dar-lhe a forma e a estrutura finais.

Vejamos o que aquele jovem dormindo não tem. Ele não faz movimentos voluntários, não tem consciência (não se sente dor em sono profundo), nem percepções e sentimentos. Estes são devidos a mais um membro da corporalidade – mais adiante faremos uma distinção em relação à atividade da alma, na qual colocamos alguns desses processos.

5.3 O Corpo Astral

Observemos em seguida uma criança de poucos meses acordada. Nela temos todos os processos vitais de uma pessoa dormindo, mas temos também movimento (pelo menos dos bracinhos e perninhas, e também do queixo) e, principalmente, consciência, percepção sensorial e sentimentos. Essas atividades adicionais são devidas a um terceiro membro da corporalidade, denominado por Steiner de Corpo Astral. Como o corpo etérico, ele também não é físico, é supra-sensível. Mas é de uma ‘substancialidade’ não-física diferente da substancialidade do corpo etérico, e mais sutil da que deste.

É devido à presença do corpo astral que o ser humano tem as manifestações que reconhecemos na pequena criança desperta, e que não ocorrem em uma pessoa dormindo.

O leitor atento observará que algumas dessas manifestações são as de ter percepções sensoriais e sentimentos. Ora, quando falamos da Alma das Sensações, referimo-nos ao fato de que é justamente devido a ela que temos as sensações interiores provocadas, por exemplo, pelas percepções sensoriais. Pois bem, o Corpo Astral pode ser considerado o veículo não-físico das sensações. A vivência interior das mesmas é feita pela Alma das Sensações. É uma situação análoga à do olho e da visão. O olho é o veículo dos impulsos luminosos, mas certamente não é o olho que vê: a imagem é formada interiormente. Isso é feito pelo cérebro, no entender dos cientistas materialistas, sem poderem-no provar. É feito pela Alma das Sensações, diria o espiritualista, também sem podê-lo provar fisicamente, pois não é um processo físico; seria necessário desenvolver órgãos de observação supra-sensíveis para se poder observar esse processo.

Podemos agora ser um pouco mais precisos com mais uma característica animal e humana: os instintos não se localizam na alma, mas no Corpo Astral. De fato, os instintos tem um caráter de permanência, eles estão de algum modo incorporados às características não-físicas dos seres humanos. Por outro lado, a alma está mais afeita a reações interiores.

5.4 O ‘Eu’

Mas o que uma criança de poucos meses não tem que um adulto acordado tem? Ela não tem auto-consciência: apenas aos 3 anos uma criança que não teve uma aceleração indevida de seu amadurecimento (por exemplo, forçada pela TV ou pelo uso de computadores) refere-se a si própria como ‘eu’. A criança de poucos meses não tem posição e andar eretos, fala, pensamento, liberdade, responsabilidade, e nem manifestação de uma individualidade superior – isto é, aquela que está além dos traços físicos individuais, seus gostos e instintos particulares.

Steiner acrescenta mais um quarto elemento à constituição humana, que denominou de Eu, e que não mais considerou como sendo corpóreo como os três anteriores, e sim puramente espiritual. É devido a esse Eu que o adulto tem todas as características que não encontramos na criança pequena. Para simplificar, vamos considerar que esse Eu é aquilo que chamamos de Espírito na trimembração formada com a alma e o corpo. Sua ‘substacialidade’ é ainda superior, mais sutil, do que a do Corpo Astral. É por meio dele que o ser humano comunga com os mundos espirituais, o mundo das ideias, como caracterizamos ao abordar o Espírito.

Cada ser humano tem um ‘Eu’ individual, distinto dos outros. É ele que denominamos de ‘individualidade superior’.

5.5 Síntese

Temos, portanto, 3 membros da corporalidade: o Corpo Físico e os outros 2 não-físicos, o Etérico e o Astral. O único que é físico, e onde se encontram todos os processos físico-químicos, é o primeiro. Os outros 2 não são físicos, podendo-se dizer que são compostos de uma ‘substancialidade’ não-física etérica e astral, respectivamente. Com o Corpo Etérico temos principalmente as funções vitais, e com o Astral principalmente a consciência. Um quarto elemento, não mais corpóreo, o Eu, introduz as manifestações puramente espirituais, como a individualidade superior, a auto-consciência, a liberdade e a moral. Denomina-se de quadrimembração a organização humana incorporando os 3 membros da corporalidade e o Eu.

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O relacionamento social

O relacionamento social

Introdução à Constituição Humana – parte 4

Valdemar W. Setzer

relacionamento social

Os 3 membros da alma humana correspondem àquilo que denominamos de 3 capacidades sociais.

4.1 Alma das Sensações

Com a Alma das Sensações podemos exercitar o que denominamos de Interesse e Sensibilidade Sociais.

Ter Interesse Social significa abrirmo-nos para o outro, interessando-nos pela sua vida, sua biografia, seus problemas. Da mesma maneira como o advento da Alma das Sensações fez o ser humano interessar-se pelo mundo, por meio dela podemos nos interessar pelas outras pessoas. Alguns tem esse interesse inato, mas ele está desaparecendo devido ao isolamento produzido pela Alma da Consciência. Nota-se isso principalmente na Europa Central. É preciso cada vez mais exercitá-lo, a partir de uma decisão consciente de nosso espírito.

O interesse social corresponde a uma orientação do nosso interior para o exterior. A orientação oposta, o de absorvermos algo, corresponde ao que denominamos de Sensibilidade Social. Por meio dela detectamos as necessidades e habilidades do outro. Elas podem ser corporais (alguém precisa de nossa ajuda fisicamente, ou devemos criar o espaço para que ele exercite suas habilidades físicas que não estão conseguindo se manifestar), anímicas (alguém necessita de uma palavra nossa de conforto, precisa sentir que alguém compreende seus problemas, ou tem a habilidades de atuar dessa maneira), ou espirituais (por exemplo, a necessidade do outro de que lhe demos uma explicação ou de um conselho mostrando vários caminhos a seguir, a habilidade que ele tem em fazer essas ações, ou a habilidade de criar em alguma área social, artística ou científica).

Quantas vezes entramos com nosso carro em um posto de gasolina, o frentista enche nosso tanque e vamos embora sem ao menos ter olhado para seu rosto? Isso mostra falta de interesse social, e falta de sensibilidade por não percebermos que ele precisa de nosso pagamento, talvez de uma gorjeta, talvez de um sorriso, de um cumprimento, de um elogio ou de um desejo de bom dia. Se o ignorarmos, estaremos tratando-o como uma extensão da bomba de gasolina, como uma máquina. Quem sabe com isso estaremos tornando sua vida miserável? Ignorar o outro, principalmente quando temos um contato com ele, é uma manifestação de atrofia da Alma das Sensações. Mas a atenção que damos ao outro só é uma manifestação dela se não for devida a uma obrigação social ou um ato automático, mas um genuíno interesse e uma sensibilidade pelo outro.

O interesse pelo outro e a percepção de suas necessidades está obviamente ligada à nossa capacidade corpórea de nos abrirmos sensorialmente para a outra pessoa. Lembremos que o aspecto anímico da Alma das Sensações está mais relacionado com nossa parte corpórea.

4.2 Alma Racional e da Índole

Socialmente, o uso desse membro da alma leva à compaixão e à ‘com-alegria‘ (palavra inventada pela Dra. Sonia Setzer). Ambas correspondem à capacidade de se perceber e sentir (até certo ponto) o sentimento do outro. Se este está sofrendo, sentindo compaixão sofremos com ele. Se está alegre, sentindo com-alegria alegramo-nos com ele. Aqui também temos gestos de interiorização (sofrer) e de exteriorização (alegrar-se).

Essa capacidade de sentir com o outro não advém de uma pura percepção sensorial, mas de uma capacidade de estabelecer um contato anímico com a outra pessoa. Lembremos que a Alma Racional e da Índole é um elemento intermediário na constituição anímica, estando assim mais relacionada com a alma como um todo.

Acompanhando os sentimentos e alegrias do outro aumentamos a nossa possibilidade de compreender os seus problemas e criar soluções para eles.

4.3 Alma da Consciência

Como vimos, nosso espírito manifesta-se diretamente através da Alma da Consciência. Do ponto de vista social, isso significa exercitar o que denominamos de Responsabilidade e Ação Sociais. É com nosso espírito, por meio da Alma da Consciência, que sentimos a responsabilidade moral de agirmos socialmente. Mas não adianta somente sentirmos essa responsabilidade: é necessário transformá-la em ação. Toda ação consciente, resultante de uma decisão consciente, é manifestação de nosso espírito, por meio da Alma da Consciência que, justamente como vimos, está mais voltada para ele.

Aqui também temos o gesto interior, de sentir a responsabilidade, e o exterior, de executar uma ação.

4.4 Síntese

Temos, assim, 3 aspectos da atividade social. Inicialmente temos que nos interessar pelo próximo, e ter a capacidade de detectar quais são suas necessidades e habilidades. Em seguida (ou em paralelo) devemos sentir seus sofrimentos e alegrias. Finalmente, não basta ficarmos apenas nesses aspectos: devemos sentir a responsabilidade de ajudar o outro satisfazendo suas necessidades e possibilitando que exercite suas habilidades, colocando nossas habilidades a serviço dele, executando assim alguma ação social.

A posse de apenas um dos 3 aspectos pode levar a aberrações. Hitler certamente tinha uma enorme sensibilidade social, pois sabia levar o seu povo e atender suas necessidades tanto físicas quanto emocionais – mas de maneira nenhuma suas necessidades espirituais. Tinha até ação social, pois soube executar obras que levaram a uma melhora de vida de seu povo, massacrado pelas estúpidas conseqüências do tratado de Versailles. Mas certamente ele não tinha compaixão – nem para com seu próprio povo, pois ao ver que a guerra estava perdida, considerou que o povo alemão não merecia mais existir e deu ordens para sua aniquilação, no que não foi obedecido por seus generais (S.Haffner, Anmerkungen zu Hitler. Frankfurt: Fischer, 1990). O seu exemplo nos mostra o que significa não ter uma visão correta do que é o ser humano: ele tratou dezenas de milhões de pessoas como animais (por exemplo, transportando-os em vagões de gado e literalmente enjaulando-os em campos de concentração). Ele não reconheceu a existência do espírito dentro do ser humano. As influências místicas no governo nazista foram bastante estudadas; é um bom exemplo de que o misticismo não é mais adequado aos dias de hoje. Ele dirige-se tipicamente à alma, em geral através de emoções e um bem-estar interior, mas não reconhece o espírito, que busca a compreensão da verdade, como aqui caracterizado.

Essa falta desse reconhecimento é uma das características trágicas de nossos dias. Não há nem o reconhecimento de nossa constituição anímica como componente não-física real. Para a psicologia moderna, a alma, quando muito, é uma abstração, uma ferramenta conceitual – caso contrário ela não usaria tanto os animais para tirar conclusões sobre o ser humano. O que há é uma visão totalmente materialista do ser humano, negando qualquer componente de nossa constituição que não seja resultado de processos físico-químicos. Isso leva a uma concepção muito pior do que a de Hitler, de achar que somos animais. Animais tem alma, como vimos, e pode-se ter uma atitude moral em relação a eles: não matá-los inutilmente ou por prazer (esporte de caçar), não maltratá-los, etc. A própria tendência de preservação de espécies como as baleias, sem uma justificativa científica (elas estão no fim da cadeia alimentar), mostra o desenvolvimento positivo de uma sensibilidade anímica para com a natureza, origem profunda, em nosso entender, de todo o movimento ecológico.

A concepção materialista do ser humano e do universo só pode levar a uma visão de que eles são máquinas. No entanto, não pode haver ética ou moral em relação às máquinas. Pode-se amar animais, mas amar uma máquina é uma aberração.

Conjeturamos que a concepção do ser humano como máquina levará a desastres sociais muito maiores que os causados pelo nazismo e pelo comunismo, marcas registradas do século que passou. A solução é desenvolver-se uma visão não materialista do universo, e em particular do ser humano. Mas essa visão tem que ser consciente, baseada em compreensão, e não mística, baseada em fé ou dogmas religiosos. Esperamos estar contribuindo para mostrar que existe a possibilidade de se desenvolver uma visão de mundo (‘Weltanschauung’) desse tipo, e como isso traria benefícios sociais.

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O Desenvolvimento Histórico da Humanidade

O Desenvolvimento Histórico da Humanidade

Introdução à Constituição Humana – parte 3

Valdemar W. Setzer

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A história da humanidade é, como tudo dentro de uma visão realmente espiritualista, a manifestação do espírito. Steiner formulou interessantíssimas explicações para eventos históricos baseadas em suas percepções espirituais conscientes, usando os conceitos da constituição humana que ele introduziu.

O que nos interessa aqui é a explicação que Steiner dá de algumas mudanças históricas, verdadeiras descontinuidades, que ele constatou serem devidas ao início da plena manifestação de cada um dos 3 membros da alma. Segundo ele, esses membros passaram a manifestar-se sucessivamente a partir de épocas razoavelmente precisas, e sua repentina manifestação é que ocasionou as mudanças históricas que passaremos a localizar. Vamos começar pela manifestação do constituinte da alma que foi desenvolvido em último lugar, e retrocederemos paulatinamente passando pelos outros dois.

3.1 O advento da alma da consciência

Esse advento deu-se no início do século XV. É por isso que aconteceu uma verdadeira descontinuidade na evolução cultural humana, representada pelo súbito aparecimento de um interesse científico pela natureza, por exemplo com Copérnico (1473-1543), Galileu (1564-1642) e Kepler (1564-1642), os descobrimentos geográficos, a arte renascentista, em particular, a perspectiva geométrica – que oficialmente começa com Brunelleschi (1377-1446; veja-se o magnífico livro de Arthur Zajonc Catching the Light – The Entwined History of Light and Mind. New York: Bantam, 1995) e o súbito interesse em se registrar a autoria de obras de arte (como, por exemplo o conhecido monograma que Albrecht Dürer gravava em seus quadros e gravuras), etc.

Antes do século XV, o ser humano não tinha um afastamento suficiente em relação ao seu exterior, a ponto de investigá-lo cientificamente. Por exemplo, olhando-se para o céu ensolarado, claramente vê-se o Sol movendo-se durante o dia. É preciso muito isolamento pessoal em relação a essa impressão tão forte, é preciso ter muita capacidade de abstração em relação à realidade, para imaginar que, durante um dia, a Terra está girando em torno de seu eixo, e que o Sol está fixo em relação às estrelas.

É interessante notar que Copérnico formulou seu sistema heliocêntrico simplesmente para facilitar o cálculo de eclipses (isto é, uma atividade abstrata). Colocando o Sol no centro do sistema planetário, em lugar da Terra, ele simplesmente diminuiu o número de epiciclos, que eram círculos imaginários traçados pelos planetas durante sua suposta trajetória circular – seja em torno da Terra ou em torno do Sol –, círculos esses cujos centros não continham nada. Kepler (1571-1630), por seu lado, relutou muito em abandonar a tradicional ideia de que todos os movimentos planetários deveriam ser circulares, e adotar as órbitas elípticas que acabaram com os epiciclos, e só explicadas mais tarde, em 1687, pela teoria da gravitação de Newton. E ainda muito mais tarde, em 1851, Foucault introduziu com seu pêndulo a primeira prova experimental de que a Terra girava diuturnamente ao redor de seu eixo. Mas naquela época a teoria de Newton já era largamente admitida, e a maioria da humanidade estava satisfeita com uma explicação puramente abstrata levando ao modelo heliocêntrico, mostrando o quanto a separação em relação à realidade sensorial já tinha sido atingida.

Steiner afirmou que essa súbita mudança nos seres humanos foi devida ao início da manifestação da Alma da Consciência. Ela estará plenamente desenvolvida em cerca de mais 15 séculos. Assim, ele denominou esta nossa época de ‘Época da Alma da Consciência’. Ela caracteriza-se justamente pela maior consciência de si próprio, maior liberdade, maior afastamento em relação à natureza e maior individualidade. Infelizmente, todas essas características podem ser exageradas, como por exemplo o individualismo levar a um egoísmo desenfreado. Na economia, temos essa situação desde o século XVIII, com as ideias de Adam Smith, que propugnou uma satisfação das ambições e egoísmos pessoais como meio de se atingir o bem-estar social geral, por meio de uma indefinida ‘mão invisível’, que acabaria por regular tudo. No entanto, seu enfoque, manifestado plenamente na ‘selva capitalista’, está claramente levando a um aumento da miséria e desigualdade sociais, bem como à destruição do mundo físico.

Devido ao desenvolvimento dessa parte da alma, o ser humano também se afastou dos mundo espirituais, os quais não mais percebe nem intuitivamente. Isso levou a um materialismo que nega totalmente qualquer origem ou característica espiritual do ser humano. A frase de Nietzsche (1844-1900), ‘Deus está morto’, seria inimaginável antes da Época da Alma da Consciência. Com isso o ser humano encontra-se só, abandonado pelos seres espirituais elevados que criaram sua essência espiritual ‘semelhante a Deus’ (e não o seu corpo físico semelhante aos de seres divinos, pois estes não tem corpo físico!). Esse abandono foi necessário, pois caso contrário o ser humano não poderia ter adquirido liberdade. Pode-se traçar um caminho progressivo, em que no início o ser humano era somente um ser espiritual, em contato direto com a divindade. No entanto, naquela época ele era inconsciente, sua individualidade não havia se desenvolvido e era totalmente dirigido – o que é magnificamente representado pela imagem bíblica do Paraíso. Aos poucos o ser humano vai se condensando (e toda a Terra e os outros seres físicos também), adquirindo sua corporalidade, tornando-se cada vez mais terreno. Ele é o último a se condensar a ponto de deixar fósseis, sendo precedido por uma materialização a esse ponto pelos animais – cujos fósseis aparecem, assim, anteriormente, dando a impressão errada de que os seres humanos foram os últimos a aparecer. Isso é correto quanto ao um corpo físico suficientemente materializado para deixar fósseis, mas não quando à essência espiritual: no começo havia o ser humano (espiritual).

Esse afastamento dos mundos espirituais, que se iniciou com aquilo que a Gênese coloca, sob forma de imagem, como a Tentação, já atingiu um ponto em que o ser humano deve começar a retornar àqueles mundos. A queda na matéria não foi iniciativa do ser humano. De fato, se ele era inconsciente de si próprio e não tinha liberdade, como retratado na imagem do Paraíso, ele não pôde ter sido responsável pelo que erradamente denominou-se o Pecado Original (em alemão, usa-se o mais adequado ‘Erbsünde’, ‘pecado herdado’ – os descendentes daqueles seres humanos primitivos herdaram sua queda na matéria). A ‘culpa’ de sua queda foi dos Deuses! Agora o ser humano deve voltar a ter contato com os mundos divinos, mas por livre decisão própria consciente. Ele pode contar com a ajuda de seres divinos, mas para isso ele deve, em liberdade e plena consciência, procurá-los. Estamos falando aqui em seres divinos que estão prontos a ajudar o ser humano, de acordo com um caminho de evolução cósmica global, e que, por não interferirem na liberdade adquirida, não podem forçá-lo a seguir esse caminho. Há, porém, outros seres divinos (isto é, sem corpo físico, com elementos constituintes ‘superiores’ aos do ser humano), que são contrários a esse desenvolvimento. Eles podem ser coletivamente classificados como o Mal, ao passo que os seres divinos que estão de acordo com uma evolução cósmica positiva podem ser coletivamente chamados de Bem. A existência de Bem e de Mal é absolutamente essencial para que o ser humano desenvolva sua liberdade: esta não tem sentido sem a possibilidade de escolha entre eles. Se não houvesse essa possibilidade de escolha, ainda seríamos inconscientes e estaríamos no Paraíso, entre “anjinhos de bata cor-de-rosa tocando lira, que chatice”, como ironizava o Dr. Rudolf Lanz em suas palestras. Assim, o Mal foi uma necessidade! Como Mefistófeles diz a Fausto, perguntado quem era: “Sou parte daquela força que sempre quer o mal mas sempre acaba criando o bem” (“Ich bin ein Teil diejen’gen Kraft, die stets das Böse will, und stets das Gute schafft”).

Não nos alongaremos muito mais sobre o Mal; vale a pena citar que ele tem vários aspectos. Os mais visíveis nos dias de hoje são: 1. A tendência, mais comum hoje em dia, de separar totalmente o ser humano dos mundos espirituais, voltando-o totalmente para a matéria, por exemplo fazendo-o considerar-se como um animal (como é o caso da evolução darwinista) ou, pior ainda, como uma máquina (caso do campo da Inteligência Artificial). Segundo Steiner, nesse caso “o ser humano perde-se no mundo”. 2. A tendência de separar o ser humano totalmente da matéria, tornando-o um ser espiritual sem consciência e liberdade. Ela se manifesta, em parte, em tudo o que tem a ver com a diminuição da consciência, como entusiasmos ou fundamentalismos irracionais, drogas, propaganda, etc. Nesse caso, conforme Steiner, “o mundo perde o ser humano”. Essas duas influências querem conquistar o ser humano para si, e em geral trabalham em conjunto, apesar de representarem pólos opostos. 3. A simples destruição do ser humano, como se pode ver em genocídios, guerras, a facilidade com que as pessoas se matam umas às outras, a destruição do corpo físico devido a várias formas de poluição, etc.

Somente uma concepção espiritualista como a que estamos expondo, voltada para a compreensão e não para o misticismo, pode reconhecer as primeiras duas influências, chegando ao necessário equilíbrio entre elas, isto é, entre o espírito e a matéria, e evitar a terceira. De fato, caindo-se sob a influência da primeira, pode-se considerar que o ser humano é uma máquina, mas aí acabam a moral e a ética, pois máquinas não as tem. A matéria é absolutamente essencial: é em nossa atuação no físico, por meio de nosso corpo físico, que temos a possibilidade de escolher entre vários caminhos; sem ele não poderíamos exercer o amor altruísta que, segundo Steiner, é a grande missão do desenvolvimento humano nesta época. Além disso, como vimos, o corpo físico é que possibilita o espelhamento e a conscientização de nossas sensações, sentimentos e pensamentos. Por outro lado, sem o espírito iríamos nos petrificar na matéria, virando autômatos-máquinas, e não haveria mais chance de desenvolvimento. A alma é necessária para estabelecer o necessário equilíbrio entre os dois; como envolve os sentimentos, é imprescindível, por exemplo, para que não se caia em ideias secas, sem vida. Em termos de ações, não devemos ser levados pelo coração (isto é, pelos sentimentos, pela alma), sem estarmos conscientes por meio do pensar (isto é, pelo espírito) do que estamos decidindo ou fazendo e suas conseqüências. Por outro lado, também não devemos decidir racionalmente, pelo pensar, sem que essa decisão seja frutificada pelo sentimento. Vamos dar um exemplo desta última situação, com o seguinte raciocínio sem alma: já que existe excesso de população no mundo, vamos acabar com a lei que proíbe uma pessoa de matar outra. É interessante notar que as leis sociais nunca são puramente racionais; sempre entra nelas um fator estranho ao puro pensamento, proveniente de como sentimos que as coisas devem ser.

3.2 O advento da Alma Racional e da Índole

Segundo Steiner, esse componente da alma começou a se desenvolver e atuar no ser humano ao redor do século VII a.C. De fato, aí também vemos uma descontinuidade histórica: começam a aparecer grandes personalidades em várias partes do mundo, mudando de maneiras especiais o rumo da cultura e da espiritualidade. No Oriente, onde salienta-se mais o aspecto da índole, através de um misticismo dirigido primordialmente aos sentimentos, temos o grande Buddha (nascido ao redor de 563 a.C.), cujo ideal era evitar os sofrimentos humanos, e também Lao Tse (~604 a.C.) e Confúcio (551). No Oriente Médio, os profetas bíblicos como Amos (~750), Jeremias (~626), Nahum (~612), Habacuc (~605), etc. Na Grécia, onde se salienta o aspecto racional, os filósofos com Feróquides de Siros (~550), Platão (438), Aristóteles (384) e os matemáticos como Tales de Mileto (~640), Pitágoras (séc. VI), mas o aspecto da índole também está presente, na fantástica arte grega, como com Ésquilo (~525), Sófocles (~496), Eurípides (~480) e Aristófanes (~448). É aí que aparece o conceito de Polis e cidadania, em lugar de se pertencer a uma tribo ligada por consangüinidade (como era o caso, por exemplo entre os antigos hebreus). É interessante observar-se como os diálogos de Platão parecem provir de um gozo da nova capacidade de raciocinar, em elucubrações mentais que se desenrolam continuamente, e Aristóteles estabelece uma ‘lógica terrena’, baseada no raciocínio formal. Já no Império Romano, aparece o conceito de cidadão do império. Em ambos os casos, o direito já não é mais dado pela divindade, como anteriormente (por exemplo, nas leis sociais de Moisés, ou as ditadas pelos antigos Mistérios), mas é produzido pelos seres humanos.

Nessa época, principalmente no seu início, o ser humano ainda se sentia ligado à divindade, mas já não a vivenciava diretamente, daí por exemplo os mitos gregos, que faziam uma imagem errônea dos seres divinos com os mesmos problemas e fraquezas que o ser humano. Este ainda ouvia a voz divina, mas em estado de transe, como no caso dos profetas hebreus e das pitonisas gregas. Note-se que nenhum deles diz “em verdade, eu vos digo”; eles sentem-se como meros transmissores da voz divina. Homero inicia a Ilíada e a Odisséia agradecendo a inspiração dada pelas Musas, isto é, pela divindade.

É impressionante ver a evolução do teatro grego, de Ésquilo a Eurípides: no primeiro, o ser humano ainda se sente envolvido pela divindade, representada pelo coro, e no último já se nota sua separação da mesma. Mas mesmo em Eurípides, o ser humano não se sente dono de seu destino – por exemplo, Édipo não consegue evitá-lo. Os personagens tem problemas padrões, não individuais; daí a psicologia moderna tê-los adotado também como padrões. Já em Shakespeare, com o advento da Alma da Consciência, temos indivíduos com seus problemas únicos, como Hamlet ou Lear. No teatro grego existe uma revolta contra a divindade, por não mais se vivenciá-la e ainda não se conseguir compreendê-la, o que só começa por ação da Alma da Consciência, principalmente desde o fim do século passado (donde o aparecimento de alguém como Steiner, que consegue pesquisar conscientemente e conceituar o mundo espiritual).

3.3 O advento da Alma das Sensações

Steiner coloca esse advento ao redor do século XXX a.C. A Alma das Sensações leva a uma vivência interna do mundo. Ainda não há nada racional. Por exemplo, os blocos da pirâmides foram esculpidos a fim de se encaixarem perfeitamente, a partir de uma sensação do que a pedra é, e não de cálculos.

A cultura dessa época situa-se essencialmente no Médio Oriente, onde temos as culturas caldéia, babilônica, hebraica e egípcia. Também aparecem grande personalidades, como Hamurabi, Abraão, Moisés e vários faraós-sacerdotes no Egito. Os hebreus tornam a divindade uma abstração do ponto de vista exterior, pois devia ser procurada no íntimo de cada um, o que foi essencial para que ocorresse um real afastamento do mundo espiritual. Além disso, pela primeira vez introduzem uma conceituação do que vem a ser uma pessoa boa e uma má: se os mandamentos e os preceitos de comportamento social são seguidos, a pessoa é boa. É também interessante ver pelos relatos bíblicos como a divindade vai progressivamente se afastando.

Seria muito interessante e importante alongarmo-nos na descrição dessas 3 épocas, mas isso ultrapassaria a simples ilustração de como os conceitos de organização supra-sensível do ser humano podem levar a uma fascinante compreensão da história, como introduzido por Steiner. É também reconfortante encontrar conceituações mais substanciais e profundas, que partem de um ser humano diferente do atual. Ao contrário, uma explicação marxista, por exemplo, reduz todos os acontecimentos históricos a um conceito que pode nos parecer natural com nossa constituição atual, como o de luta de classes. Mas ele simplesmente torna a história extremamente inverossímil e cacete quando aplicada aos homens das cavernas, à antiga Índia, aos antigos gregos, à Idade Média, etc. como se os problemas fossem sempre os mesmos.

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Os 3 membros da alma

Os 3 membros da alma

Introdução à Constituição Humana – parte 2

Valdemar W. Setzer

3 membros da alma

Em geral, quando existem 3 membros de algo formando uma totalidade, pode-se reconhecer 2 deles como sendo polares, com características opostas, e o terceiro contém características dos dois pólos. Assim, dos 3 membros da entidade humana, corpo, alma e espírito, o primeiro é polar ao último, e o do meio, contendo aspectos dos outros dois, faz a ligação entre eles, harmonizando o conjunto. De fato, a corporalidade é caracterizada, por exemplo, pela sua forma relativamente rígida. Em particular, o corpo físico é adaptado às condições do mundo físico em que vivemos e tem necessidades advindas disso. Já o espírito tem a característica de estar voltado não para o mundo material, mas para o espiritual, sendo versátil como as ideias que nele residem. Não é devido ao corpo que temos liberdade, que vai contra a rigidez, pois aquilo que se adapta totalmente às necessidades físicas não pode ser totalmente livre. Por exemplo, ninguém tem a liberdade de dar um pulo de 20 m de extensão, ou tem a liberdade de parar de beber ou de comer (até pode fazê-lo, mas aí destruirá seu corpo). Mas temos total liberdade no que se refere às atividades puramente espirituais, como concentrar o pensamento em um determinado motivo escolhido livremente entre vários. Essa liberdade pode refletir-se em ações físicas, como por exemplo nosso espírito decidir que vamos realizar uma tarefa física possível, como ler o capítulo de um livro sem interrupção; se o telefone tocar, podemos cumprir nossa decisão e não atendê-lo.

A alma encontra-se entre a corporalidade e o espírito, tendo características voltadas tanto a um como a outro. R.Steiner, com sua percepção clarividente, observou que a alma tem 3 membros ou constituintes, que ele denominou de Alma das Sensações, Alma Racional e da Índole, e Alma da Consciência, correspondentes aos originais em alemão Empfindungseele, Verstandes- und Gemütseele e Bewusstseinseele.

2.1 A Alma das Sensações

Esse membro de nossa alma é mais voltado para a corporalidade. Por meio dele podemos ter sensações interiores provocadas, por exemplo, por percepções sensoriais, como expusemos no item 1. É com essa parte da alma que começamos a ter uma vida realmente interior, não-física, porém dependente dos impulsos que nos chegam através do corpo físico. Neste, o sistema neuro-sensorial é o que está mais ligado à alma das sensações, transmitindo a ela tanto as impressões sensoriais como as interiores detectadas pelo sistema nervoso.

Os animais também possuem a alma das sensações. No entanto, a nossa tem aspectos diferentes, pois é influenciada pelas outras duas e pelo espírito. Por exemplo, podemos nos conscientizar das sensações que estamos sentindo, o que os animais não podem, pois não tem auto-consciência, provinda de outro membro da alma a ser visto em seguida.

Os sentimentos que temos em comum com os animais, como o medo, a dor, a simpatia ou antipatia, são manifestações da alma das sensações, podendo ser chamados de ‘sentimentos inferiores’.

2.2 A Alma da Consciência

Passemos ao pólo oposto. Esta constituinte é voltada mais para o espírito. É ela que nos dá a possibilidade de termos auto-consciência, por exemplo de uma sensação que estamos sentindo. É com ela que podemos nos independizar totalmente da corporalidade, e viver numa introspecção no mundo de nossos pensamentos. É com ela que podemos observar o mundo espiritual, o que fazemos quando temos uma ‘intuição’, essa atividade interior anti-científica (no sentido da ciência clássica) pois é uma ideia que aparentemente vem ‘do nada’. Em nosso modelo, na verdade a intuição é uma percepção do mundo espiritual das ideias. É com essa percepção, proporcionada pela alma da consciência, que temos uma ‘nova ideia’.

Quando nos concentramos em nós próprios, em um processo meditativo, e depois de bastante treino, nossa alma da consciência pode começar a ter percepções conscientes e controladas de nossa alma, ou do mundo espiritual. Em contraposição, uma intuição é uma percepção não controlada. Para os leitores que já conhecem Antroposofia, é importante salientar que o que estamos chamando aqui de ‘intuição’ refere-se ao entendimento comum dessa palavra, e não um particular estado de consciência.

É também por meio de nossa alma da consciência que nossa individualidade superior se manifesta. Obviamente, os animais não possuem esse membro da alma, pois não tem nem liberdade, nem auto-consciência e nem individualidade superior no sentido humano. De fato, como veremos mais tarde, nesse sentido os animais não tem nem mesmo uma biografia.

2.3 A Alma Racional e da Índole

Steiner denominou esta parte da alma, em alemão, de ‘Verstandes- und Gemütsseele’. ‘Seele’ é ‘alma’, ‘Verstand’ é ‘razão’, mas ‘Gemüt’ não tem tradução direta, englobando aquilo a que se costumou traduzir por ‘índole’. Justamente por ser uma parte intermediária, ela contém aspectos dos outros dois componentes da constituição humana global. A índole, mais voltada para a corporalidade, e a razão, mais voltada para o espírito.

É devido a ela que temos uma razão, a capacidade de raciocinar logicamente. Essa capacidade é que faz com que os seres humanos comecem a se distinguir essencialmente dos animais, que não possuem essa constituinte anímica, e é por meio dela que o espírito começa a se manifestar. A propósito, assumindo que o modelo de constituição humana apresentado aqui esteja correto, é indevido chamar o ser humano de ‘animal racional’. Essa expressão tende a diminuir o ser humano, reduzindo-o a um animal, simplesmente com algumas características distintas. O fato de termos características comuns com os animais não justifica o uso daquela expressão. Mesmo fisicamente (por exemplo, na postura ereta e na forma da coluna vertebral) somos essencialmente diferentes dos animais, isto é, temos características que não ocorrem neles. Animais tem vários aspectos comuns com as plantas, como tecidos orgânicos, os princípios de crescimento, reprodução e regeneração, etc. No entanto, não denominamos os animais de ‘plantas móveis’, por que deveríamos denominar os seres humanos de ‘animais racionais’?

O aspecto da índole dessa parte da alma está ligado aos hábitos e sentimentos, parte deles providos por nossa corporalidade. Por exemplo, a simpatia que sentimos por alguém que encontramos pela primeira vez provém de uma reação da alma à percepção do contato sensório, principalmente pela visão e, eventualmente, uma percepção inconsciente de sua alma. O sentimento de medo que sentimos ao nos depararmos com um perigo também depende de nossa percepção corpórea do objeto ou situação perigosos. Tanto as simpatias quanto o medo também são sentidos por animais. Mas um animal jamais pode sentir, com essa parte da alma como nós o fazemos, uma compaixão por alguém que está sofrendo. Até é possível que um animal tente ajudar um outro de mesma espécie que esteja sofrendo, mas não se pode dizer que se trata de uma ação movida pela compaixão. Antes, é uma ação automática, própria da espécie.

Quando lemos um romance ou uma biografia e nos emocionamos, estamos tendo sentimentos despertados por algo que o animal não pode produzir: uma imagem interior, por exemplo do personagem descrito. Essa imagem é formada em nossa alma e não é despertada por um impulso corpóreo exterior. Afinal, não se vê o personagem nas letras impressas, que são na verdade tinta sobre o papel, a ‘letra morta’. O sentimento estético, assim como a compaixão, manifestações da Alma Racional ou da Índole, podem ser considerados como ‘sentimentos superiores’, que os animais não tem.

O nosso sistema rítmico, isto é, respiratório-circulatório, está intimamente associado a este constituinte da alma. De fato, ao termos uma emoção forte tanto a respiração como a circulação mudam de ritmo. Não é à toa que se associa o coração aos sentimentos e à coragem (como em ‘Ricardo Coração de Leão’). Uma outra indicação é o fato de que, quando enfrentamos um perigo e sentimos um medo muito grande, o sangue deixa nossa periferia e tende a concentrar-se no nosso interior, em que o coração é o centro. Uma concepção materialista do ser humano poderia afirmar que nosso coração bate mais rápido por que a glândula adrenal soltou adrenalina no sangue. Mas o que fez com que essa glândula fosse ativada? Poder-se-ia dizer que foi um impulso do cérebro. Mas o que fez com que esse impulso aparecesse? Não pode ser simplesmente a percepção sensorial do objeto, pois ela é neutra e em si não nos faz sentir medo. Tentando seguir todos esses processos físicos, chegar-se-á sempre a um beco sem saída. O mesmo se passa com a visão: segundo a concepção de hoje, chegam à retina pacotes de ondas eletromagnéticas. O nervo óptico transmite sinais elétricos a alguma região do cérebro; neurônios do cérebro interagem também por meio de impulsos elétricos. Onde afinal está nossa percepção do objeto visto, a representação mental e as sensações que ele nos suscita? Parece-nos evidente que somente a hipótese da existência de processos não-físicos interagindo com esses processos físicos poderia esclarecer as nossas vivências sensoriais. Lembremos que o conhecimento que se tem do funcionamento neuronal é mínimo, não permitindo o estabelecimento de causas e efeitos mecanicistas entre uma percepção sensorial e uma reação fisiológica devido a um sentimento como o medo. A necessidade da hipótese da existência da alma não-física ainda é mais patente quando uma pessoa fica vermelha de vergonha ou mesmo ‘roxa’ de raiva. Por que sentimos vergonha? É a nossa Alma da Consciência, ao atuar com a Alma Racional (ao pensarmos nas conseqüências de nossos atos ou percebemos a falsidade de nossos argumentos) que nos faz reconhecer que cometemos um ato imoral. Isso faz com que Alma Racional e da Índole sinta o sentimento de vergonha e daí ative os vasos sangüíneos periféricos, que se dilatam dando a aparência de ficarmos vermelhos.

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Introdução à Constituição Humana – Corpo, alma e espírito

Corpo, alma e espírito

Introdução à Constituição Humana – parte 1

Valdemar W. Setzer

corpo alma espírito

Rudolf Steiner relata que, no ano de 869, o Concílio de Constantinopla estabeleceu o dogma de que o ser humano é formado apenas de ‘corpo’ e ‘alma’, tendo-se eliminado o ‘espírito’ de sua constituição. Estabeleceu-se ainda que a alma tinha algumas ‘características espirituais’. Segundo ele, esse foi um dos motivos da cisão da Igreja Ortodoxa, que continuou a encarar o ser humano como trimembrado.

Estando ausente do vocabulário oficial da Igreja Católica, que até há alguns séculos ditava no ocidente os costumes e conceitos ligados à espiritualidade, a palavra ‘espírito’ passou a ter múltiplas conotações. Vamos aqui estabelecer, dentro da conceituação introduzida por R.Steiner, como se pode caracterizar essa trimembração completa do ser humano. No entanto, nosso modelo difere um pouco do de Steiner; não caracterizaremos essa diferença, afirmando apenas, para os que o conhecem, que fazemos esse desvio no intuito de simplificar o nosso modelo. Cremos ter conseguido, apesar disso, preservar as noções mais fundamentais por ele introduzidas.

1.1 Corpo

Suponhamos que nos defrontemos com um vaso no qual há uma planta em flor. O que vemos?

É muito importante notar que não vemos nem um vaso, nem uma planta e nem uma flor. O que vemos, isto é, o que nos dá a nossa percepção sensorial da visão, são diferentes tonalidades de cores. Mas, atenção, também não vemos o ‘vermelho’ do vaso, o ‘verde’ das folhas, etc., como ficará claro mais adiante. O que ocorre é a simples percepção dos impulsos luminosos dessas cores.

No processo de vermos o vaso e a planta, nosso corpo entra em atividade, por meio de nossos olhos. Se tocarmos o vaso, nosso corpo estará participando de um processo por meio de nossos dedos. Se pegarmos o vaso com os braços estendidos, teremos que fazer um esforço para segurá-lo, feito pelo corpo através dos braços.

Todos esses processos são físicos. Com nosso corpo físico entramos em contato fisicamente com o mundo físico ao nosso redor, participando dele. Num primeiro momento, vamos restringir a noção de ‘corpo’ somente ao nosso corpo físico, isto é, aquele que é material, tem uma forma física, uma composição química e no qual se passam processos químicos e físicos. Posteriormente, ampliaremos a noção de ‘corpo’ para abranger outros aspectos.

1.2 Alma

Voltemos ao vaso. Ao vermos a flor do vaso, com suas cores e formas, ocorre um processo dentro de nós: elas fazem-nos reagir interiormente, causando-nos inicialmente sensações. O verde das folhas nos dá uma certa sensação, o vermelho das pétalas, sua forma, o peso do vaso, também nos produzem sensações. Junto com essas sensações temos outro tipo de reação interior imediata, que são os sentimentos como, por exemplo, o de que a flor é bela e nos produz um prazer. Cheirando a flor, temos a sensação do odor, mas imediatamente reagimos com nossos sentimentos, achando que o cheiro é agradável ou não. Um outro exemplo pode ajudar a caracterizar melhor a diferença entre sensações e sentimentos: suponha que uma pessoa chupe um limão. As sensações envolvidas são o gosto particular daquele tipo de limão and sua acidez. Em seguida vêm os sentimentos: aquela pessoa gosta ou não do gosto daquele limão (ou de limões em geral).

É interessante refletir sobre quais são os sentimentos mais básicos. Certamente simpatia e antipatia são sentimentos bem básicos. Mas há outros ainda mais básicos: atração e repulsa. Se há atração por alguma coisa, há simpatia para com ela; se há repulsa, há antipatia.

Vamos formular a hipótese de que as sensações e sentimentos não provêm de nosso corpo, e sim de algo de nossa constituição não-física que denominaremos de alma. Os impulsos sensoriais são físicos, mas consideraremos que as sensações e sentimentos provocados por esses impulsos não o sejam.

Poder-se-ia objetar que, ao se ter sensações e sentimentos, ocorrem alterações nas atividades neuronais de nosso cérebro e portanto são físicos. Mas essas atividades não contradizem nossa hipótese de que as sensações e sentimentos não são físicos. Segundo ela, eles produzem fenômenos físicos no cérebro, que constituem assim fenômenos secundários, isto é, conseqüências de atividades anímicas não físicas. Isso de modo algum contradiz o conhecimento científico materialista que se tem atualmente do cérebro. De fato, o que se sabe é que, ao se ter certas sensações, sentimentos, impulsos de vontade, pensamentos ou lembranças, algumas regiões do cérebro ficam mais ativas do que outras. O que se passa com os neurônios, e se eles são a causa dessas atividades interiores ainda encontra-se em aberto do ponto de vista científico materialista. Sabe-se também que pessoas com lesões cerebrais não conseguem ter certos tipos dessas atividades interiores. Isso não significa que elas normalmente se originam nas áreas com lesão. Objetivamente, dever-se-ia no máximo afirmar que essas áreas participam do processo de se ter essas atividades interiores. Dentro de nossa hipótese de existência de processos não-físicos, estes podem existir mas, sem a parte cerebral, não serem conscientizados pela pessoa. R.Steiner dá uma interessante analogia nesse sentido. Ao nos vermos num espelho, conscientizamo-nos de nosso rosto. Se o espelho quebrar, continuamos a existir, mas não nos conscientizamos mais de nosso rosto.

A alma tem a capacidade de agir até no nosso corpo físico. Vejamos como se pode compreender, mesmo que seja vagamente, essa interação, usando duas possíveis explicações para esse fato. É interessante notar que ‘partículas’ atômicas parecem comportar-se em certas situações como ‘pacotes de energia’. De fato, é impossível associar-se ao elétron uma ‘bolinha’ material, como se costuma fazer popular e erradamente desde o modelo de Bohr. Essa bolinha faria circunvoluções em torno do núcleo do átomo, como num modelo planetário. No entanto, essas circunvoluções implicariam necessariamente em mudança de direção da bolinha (por meio de aceleração centrífuga). Como ela é carregada eletricamente, essa mudança implicaria em irradiação eletromagnética, como em todas as antenas irradiantes, nas quais são produzidos movimentos de vai-e-vem dos elétrons. Pode-se imaginar que em nosso cérebro muitas dessas partículas que se comportam como pacotes de energia, estão em equilíbrio instável (como um lápis equilibrado em sua ponta) e, portanto, um infinitésimo de energia pode mudar seu estado. Talvez com isso se possa resolver o problema da atuação da ‘mente’ não-física (parte da alma, em nosso caso), sobre a matéria física, detectando-se a atividade neuronal citada. Um outro possível enfoque para essa atuação emprega termos computacionais abstratos: suponha-se que os neurônios são sistemas não-deterministas (o seu funcionamento aparentemente aleatório é indicado pelo fato de que, sob os mesmos estímulos, um neurônio às vezes dispara, outras vezes não dispara). Suponha-se ainda que o seu comportamento não é em geral aleatório, mas regulado (isto é, algumas transições não-deterministas são escolhidas) por elementos não-físicos da constituição humana – afinal, não temos a sensação de que nossos sentimentos, pensamentos e vontade são aleatórios! A decisão de seguir uma de várias possíveis transições não requer energia, dando portanto também margem à atuação do não-físico sobre o físico.

É também interessante notar que os modelos matemáticos quânticos de átomos contêm elementos que não têm limite clássico, como o ‘spin’, isto é, não são redutíveis a tipos de energia que fazem sentido sensorial (como se fossem provenientes de uma força de atração conhecida, uma rotação, etc.). É como se esses modelos mentais indicassem a não materialidade dessas partículas (incluindo o elétron!). Se a matéria em sua forma elementar deixa de ser material, também desaparece o problema de interação do não-físico com a matéria. Além disso, é necessário reconhecer que os modelos matemáticos existentes há muito tempo, em especial os da Mecânica Quântica, refletem de maneira razoável apenas o comportamento mensurável dos átomos mais simples – a propósito, em situações que não têm nada a ver com as partículas em estado normal da matéria, pois são resultados de colisões artificiais de altíssima energia. Podemos, portanto, afirmar que há um profundo desconhecimento da natureza das partículas elementares, e portanto do que vem a ser a matéria. De fato, parece-nos óbvio que do ponto de vista material a matéria não faz sentido (pois uma partícula indivisível não faria sentido).

Assim, sentimo-nos à vontade, do ponto de vista do conhecimento científico atual, para admitir processos não-físicos no universo e, em particular, no ser humano. Por falar nisso, há um argumento irrefutável para a consideração de processos não-físicos no universo: a origem de sua matéria e energia, bem como suas fronteiras não fazem sentido físico.

O importante para nosso modelo do ser humano é que a parte de nossa constituição que chamamos de ‘alma’ não é física, e não pode ser reduzida a processos físico e químicos, apesar de poder influenciar nosso corpo físico, e ser influenciada por meio deste. Segundo o modelo aqui formulado, temos sensações e sentimentos devido à existência de nossa alma. Além delas, há ainda outras manifestações da alma. Assim, voltando ao exemplo do vaso com a flor, dado no início deste item, o simples olhar a flor pode despertar uma outra manifestação de nossa alma: o impulso de vontade de cheirar ou tocar a flor. Se, para isso, tivermos pego em seu ramo e sido picados por um espinho, teríamos o instinto de imediatamente largar o ramo. Impulsos de vontade e instintos (que são um tipo de vontade), são também manifestações da alma, e ainda há outras.

Vamos fazer aqui mais uma hipótese de trabalho: plantas não têm sensações, nem sentimentos, nem instintos ou vontade. Por exemplo, as reações de uma planta à luz, crescendo em direção a esta, não devem ser confundidas com as reações interiores provenientes de sensações e nem de instintos. Sensações são reações interiores que devem poder ser percebidas interiormente pelo ser. A planta reage a um impulso físico da luz, crescendo em direção a esta, mas sem experimentar uma sensação como se passa, com outras excitações externas, em animais e nos seres humanos. Assim, dizemos que as plantas não têm alma, mas tanto os seres humanos como os animais as têm. Atenção: ao se estabelecer esses conceitos devem-se examinar sempre as plantas e animais típicos, descartando os casos de transição. Estes deveriam ser examinados à luz dos casos mais gerais, em um enfoque científico goethiano. No caso dos seres humanos, a alma tem capacidades inexistentes nas almas dos animais que, como veremos, devem-se a constituintes diferenciados presentes na primeira.

O que os seres humanos têm, mas que falta aos animais, virá no próximo item. No momento, é importante ainda reconhecer que cada ser humano tem sensações e sentimentos absolutamente individuais. É impossível para uma pessoa sentir uma sensação ou um sentimento que outra pessoa está sentindo. Esta última pode até expressar a sua sensação, dizendo: “Esta flor dá-me tanto prazer!” Mas o prazer propriamente dito que ela sente só ela pode sentir. Da mesma maneira, cada qual tem seu instinto, não se podendo ter o instinto do outro. Assim, características e atividades anímicas são estritamente individuais e subjetivas. Por meio do corpo físico recebemos estímulos sensoriais, eventualmente de objetos externos a nós. Por meio da alma, interiorizamos esses objetos de maneira estritamente pessoal, subjetiva, com alguma reação puramente interior.

1.3 Espírito

Voltemos ao exemplo do vaso. Com o corpo, recebemos impressões sensoriais como as luminosas e táteis, e sofremos a ação do peso do vaso e da planta se o erguemos. Com a alma reagimos interiormente a essas percepções, sentindo sensações ou sentimentos, tendo com isso manifestações de vontade. Mas logo que percebemos algo com nossos sentidos corporais, logo que temos sensações e sentimentos ligados às percepções, formulamos algo com nosso pensamento: estamos ‘vendo’ um vaso, uma planta, uma flor, a flor é uma rosa, ‘vemos’ as cores vermelha, verde, etc. ‘Vaso’, ‘planta’, ‘rosa’, ‘vermelho’, etc. são conceitos. É fundamental, do ponto de vista de cognição, compreendermos que não vemos um ‘vaso’. Insistimos – o que vemos são diferenças de impulsos luminosos: as impressões luminosas do vaso e da planta em contraste com as impressões do fundo, etc. Por meio do pensamento, associamos uma representação mental (‘Vorstellung’) do vaso e da planta que se segue à percepção dos impulsos luminosos, aos conceitos de ‘vaso’, ‘planta’, ‘flor’, ‘rosa’, etc. Infelizmente tivemos que introduzir a noção de ‘representação mental’ em contraposição à de ‘percepção’, mas vamos deixá-los de lado, e tomá-los de maneira ingênua, caso contrário teríamos que discorrer longamente sobre cognição.

Fazemos agora a hipótese de trabalho de que a associação de uma representação mental interior a um conceito não é feita pelo corpo ou pela alma, mas por um terceiro membro de nossa constituição: o espírito, que para isso emprega o pensar.

O espírito também não é físico, mas é de natureza diferente da alma. Como há substâncias físicas de várias naturezas – a sólida, a líqüida, a gasosa, cada qual mais sutil que a anterior –, podemos supor que exista uma hierarquia de ‘substâncias’ não-físicas. A ‘substância’ espiritual é mais sutil do que a anímica e, portanto, ‘superior’ e esta.

É por meio do espírito presente em cada ser humano que este entra em contato com os conceitos. Ora, conceitos claramente não são físicos. Isso é absolutamente claro na Matemática, em particular na Geometria. Por exemplo, o conceito de circunferência como lugar geométrico dos pontos eqüidistantes de um ponto, o centro, é um conceito imaterial, isto é, não-físico. Aliás, o próprio conceito de ‘ponto’ é imaterial; nunca alguém viu um ponto geométrico, assim como nunca alguém viu uma circunferência perfeita. O que se vê são aproximações, seja em desenhos, seja em objetos mais ou menos circulares.

Além de não serem físicos, conceitos são também universais, pois não dependem do sujeito que entra em contato com eles – o conceito de circunferência é o mesmo para todas as pessoas. Mais ainda, ele não é temporal ou, melhor dizendo, é eterno, pois não muda com o tempo. Segundo B. Spinoza, em sua Ética, prop. 3, “De coisas que não têm nada em comum, uma não pode ser a causa da outra.” (“Quae res nihil commune inter se habent, earum una alterius causa esse non potest.”) Isso nos leva a uma caracterização de ‘espírito’. Suponhamos que um conceito eterno, como o de circunferência, que obviamente não depende da existência de alguém que o formule, exista num mundo espiritual, o mundo das idéias platônicas (que supomos ser real, mas não físico). Se é com nosso espírito que entramos em contato com um conceito eterno, aquele também deve ser eterno. Aristóteles já havia usado um raciocínio puramente lógico como esse, em seu Sobre a Alma: se podemos entrar em contato com conceitos eternos como os matemáticos, temos que ter em nós algo de eterno. A partir daí ele formulou que nossa alma deve ter duas componentes, uma que contém nossos gostos, instintos, etc., que desaparece quando morremos, e outra que deve ser eterna e permanece após a morte. Na nossa formulação, denominamos a primeira simplesmente de ‘alma’ e a segunda de ‘espírito’.

Por meio do corpo somos seres objetivos, pois entramos em contato com algo que não está em nós. Por meio da alma somos seres subjetivos, pois com ela temos reações interiores absolutamente individuais. Por meio do espírito temos atividades voltadas tanto para o que é subjetivo, quanto para o que é objetivo: podemos com ele reconhecer as nossas sensações, sentimentos ou instintos subjetivos (“esta rosa torna-me alegre”, “estou com fome”, “estou triste”, etc.). Mas também podemos reconhecer nos objetos que percebemos conceitos como ‘rosa’, que não dependem de nossa particular situação momentânea, da maneira como a percebemos visualmente, do fato de gostarmos ou não dela, etc. (obviamente estamos supondo percepções sensoriais relativamente nítidas e sadias, e uma capacidade de conceituação também sadia). Com nosso espírito temos a percepção objetiva da essência superior daquilo que percebemos sensorialmente, ou mesmo de entes que não têm manifestação física, como por exemplo os matemáticos.

Deve-se a Steiner (veja-se seu livro Filosofia da Liberdade, já citado) a contribuição de ter formulado a cognição como sendo uma percepção do espírito. Por meio de nosso espírito podemos completar a subjetividade de nossa percepção e da representação mental, associando-as com algo que está fora de nós como o está o objeto percebido, mas que está ligado a este, sendo porém imperceptível aos nossos sentidos e ao nosso corpo: o conceito do próprio objeto. Nossas percepções sempre são parciais, como por exemplo olhar a rosa de um certo ângulo. O espírito completa essas percepções colocando o sujeito em contato com a essência do objeto percebido, essência esta que está no mundo platônico das idéias, subjacente ao mundo físico. Assim, conhecimento só pode ser obtido pela atuação de nosso espírito.

É uma lástima que a ciência materialista moderna tenha um profundo preconceito contra qualquer manifestação ou conceito que envolva algo não-físico. Se este modelo que apresentamos estiver correto, é inútil procurar a origem do pensamento nos neurônios. Pelo contrário, admitindo-se que o funcionamento dos neurônios talvez seja uma conseqüência de processos não-físicos, abrir-se-ia um imenso campo de pesquisas. Essa situação lembra bem a história do bêbado que estava procurando, em baixo do poste de luz, as que chaves havia perdido, e não mais adiante, onde realmente as tinha perdido, mas onde estava escuro. Com a luz do materialismo, e o método científico nele baseado, está se procurando as chaves onde não se as perdeu, simplesmente por preconceito de usar outros meios (na metáfora, tatear em vez de enxergar). Assim nunca se irá encontrá-las e, conjeturamos, nunca se obterá conhecimento satisfatório sobre nossas representações mentais, o pensamento, os sentimentos, o sono, a vida, etc. Infelizmente há, além do citado preconceito, um profundo medo de se ampliar o método materialista pois tem-se a fé de que essa ampliação levaria ao misticismo e à crendice. Esperamos que os leitores não reconheçam em nós qualquer um dos dois. Foi R. Steiner quem mostrou que é possível conceituar objetivamente e compreender o mundo não-físico (de fato, é mais importante compreender esse mundo do que observá-lo), o que leva a um profundo entendimento do mundo físico, pois este é uma manifestação daquele. Por exemplo, a forma típica de uma espécie de seres vivos sempre segue um determinado padrão, comum a todos os indivíduos da espécie. Esse padrão é a expressão física do conceito daquela espécie, que existe no mundo espiritual (veja-se meu ensaio “Desmistificação da onda do DNA” em meu site).

Uma outra característica fundamental do espírito é a de conferir ao ser humano a capacidade de consultar a memória. Podemos lembrar de algo, por um esforço interior, sem nenhum impulso ou necessidade que nos obrigue a isso. Por exemplo, podemos estar completamente sem fome e decidir lembrar de uma agradável refeição que fizemos no dia anterior. É justamente essa capacidade de nosso espírito consultar nossa memória, por meio do pensamento, que nos faz poder deduzir relações de causa e efeito. É ela que nos fornece a continuidade para nossa vida, que seria totalmente fragmentada se dependesse exclusivamente dos nossos sentidos e das representações mentais baseadas somente no que eles percebem. É devido à memória que o espírito tem a capacidade de associar a percepção de um objeto com o conceito correto de sua essência, baseado em experiências anteriores.

Assim, por meio de nosso corpo temos percepções instantâneas do mundo ao nosso redor. É nosso espírito que liga essas percepções, fazendo delas um todo coerente e recompondo a verdade da permanência e das causas e efeitos. É ele que nos faz reconhecer a rosa meio murcha de hoje como sendo a mesma rosa viçosa que vimos ontem, apesar da forma um pouco diferente.

Os animais não têm memória. Em seu livro já citado A Ciência Oculta, no cap. “A essência do ser humano”, R.Steiner formula que um animal pode ter, em ocasiões diferentes, as mesmas sensações a determinados impulsos interiores ou exteriores já experimentados anteriormente. Ele dá o exemplo de um cão que se alegra ao rever o dono. Não se trata de, como no ser humano, uma associação da representação mental da pessoa sendo vista, com a memória de representações semelhantes passadas. O cão simplesmente sente o mesmo prazer cada vez que vê o dono e, por isso, alegra-se. O condicionamento de um animal seria justamente fazê-lo ter sempre a mesma sensação a um determinado impulso exterior e, com isso, ter o mesmo sentimento ou a mesma reação de vontade. Se um certo gato fica com fome, tem o impulso de se dirigir em busca do recipiente com ração, sempre deixada no mesmo local pelo seu dono. O que o gato não pode fazer é, sem sentir fome, lembrar-se da gostosa ração que está naquele recipiente. Um cachorro pode sentir a falta do dono, se sentir fome ou seu cheiro em um sapato e, talvez, até se sentir falta de carinho. Mas sem um impulso interior, como um instinto ou uma sensação, ele não sentirá falta do dono. E em nenhum caso um animal pode recompor interiormente uma imagem, na forma de representação mental, como fazemos ao consultar nossa memória. Uma cuidadosa observação dos animais pode levar à conclusão de que essas considerações são verdadeiras.

Já a falta de memória mostra que os animais não possuem o elemento que conceituamos como ‘espírito’ pois, se este existisse e atuasse sadiamente, ela também existiria. E pela falta dele eles não podem entrar em contato com os conceitos, que são da mesma natureza. Uma abelha faz favos hexagonais, mas ela não tem consciência desse fato; seus instintos fazem-na construir hexágonos aproximadamente regulares, sem que ela reconheça o conceito que há em comum entre todos esses polígonos. Por isso a abelha não pode subitamente decidir fazer favos pentagonais ou heptagonais (existe aí envolvido um fator de economia, mas que obviamente é totalmente ignorado pela abelha; um instinto sábio ‘programa’ as abelhas a fazerem sua colméia sempre dessa melhor forma).

O ser humano poderia decidir fazer um ‘favo’ de uma outra forma geométrica, talvez por motivos estéticos. É só observar o mundo e notar-se-á que são os seres humanos que introduzem novidades nele. Os animais seguem externamente seus ‘programas’ internos, vinculados inclusive ao seu próprio corpo. O ambiente externo pode, obviamente, condicionar o animal a agir diferentemente, alterando aqueles ‘programas’. Os seres humanos podem ir contra seus instintos, como alguém que faz um regime dietético apesar de gostar imensamente de comer. Aliás, supondo que essa pessoa não esteja sofrendo com um pouco de excesso de peso, o motivo da dieta pode ser ligado a um conceito de saúde ou a um conceito de estética, isto é, pode ser independente de alguma necessidade física percebida pelo corpo.

Assim, é o espírito que faz um ser humano realmente humano, e o distingue dos animais. Nós temos auto-consciência, individualidade, liberdade e moralidade, justamente devido à presença do espírito dentro de nós. Os animais não têm nenhuma dessas capacidades. Eles têm consciência – como se pode notar quando se ferem e reagem a isso – mas não têm auto-consciência, isto é, consciência de, por exemplo, saber que tipo de dor estão sentindo, pois esse tipo é um conceito.

A presença do espírito é que dá real individualidade ao ser humano. Referimo-nos aqui a uma manifestação superior, que vai além da óbvia presença de uma individualidade única devida à hereditariedade e às influências do meio ambiente. Essa individualidade inferior envolve por exemplo uma face única, uma impressão digital única, gostos únicos, interesses únicos, mas não é a isso que estamos chamando de ‘individualidade superior’, aquilo do qual temos uma leve percepção quando, referindo-nos a nós mesmos, chamamo-nos de “Eu”. Steiner chamou a atenção para o significado muito especial que essa palavra tem: alguém pode usar outras denominações ao referir-se a vários objetos ou pessoas que estão fora dele próprio, como “esta é uma mesa”, “este é o Tonico”, etc. Mas a denominação “Eu” só pode ser usada quando ele está se referindo a si próprio – e de uma maneira bem ampla, envolvendo muito mais do que seu aspecto, seus gostos, etc.

A ciência materialista de hoje não pode, com suas terríveis limitações de visão de mundo, admitir a existência dessa individualidade superior. Ela postula que o ser humano é exclusivamente fruto da hereditariedade e da influência do meio ambiente. A hipótese da existência do elemento ‘espírito’ leva a esse terceiro elemento em cada indivíduo. E é devido a ele que se pode compreender como gêmeos univitelinos que viveram juntos acabem tendo ideais e profissões diferentes. Uma conseqüência dessa concepção é que é impossível prever o comportamento de uma pessoa baseando-se exclusivamente em sua herança genética e na influência do meio ambiente. Em particular, conjeturamos que a partir do levantamento do genoma humano não se poderá controlar sua vida como se pretende, por exemplo evitando doenças de maneira determinista. A manifestação de uma predisposição genética depende, neste modelo, da necessidade do espírito da pessoa. Este também atua no inconsciente, por exemplo levando a pessoa a uma situação onde pode se desenvolver – o que poderia ser denominado de ‘destino’. Note-se que em qualquer situação em que se encontre, a pessoa pode, a partir de seu espírito, agora em ato consciente, decidir-se a tomar este ou aquele caminho, de modo que o destino não coíbe a liberdade, simplesmente cria as situações favoráveis para o desenvolvimento pessoal – inclusive ‘pegando-se’ doenças. Observe-se a profunda sabedoria da língua, que provém de uma época em que se sabia intuitivamente muita coisa que se perdeu: não se diz ‘a doença me pegou’, mas o contrário. Note-se também que estamos imersos em um mundo de vírus, bactérias e micróbios, mas uma pessoa sadia raramente ‘pega’ uma doença. Isso se dá quando ela tiver a predisposição para isso, e no momento adequado ao seu desenvolvimento – em um sentido muito amplo. Em geral a medicina estuda e trata da patogênese; ela deveria também estudar e tratar (no caso, dar diretivas para manter) a ‘salutogênese’, termo introduzido por Aaron Antonovsky. Ele desenvolveu esse ramo a partir de observações de pessoas que tinham passado pelos horrores de campos de concentração e extermínio nazistas mas que, no entanto, tinham uma saúde física e mental excelente.

Já que falamos em doença, seria interessante colocar aqui o seguinte. Observando-se a natureza, notamos nela uma imensa sabedoria. E o que há de mais sábio na natureza é o corpo humano. (De um certo ponto de vista espiritualista, essa sabedoria desse corpo não é fruto de mutações casuais e seleção natural, mas de uma atuação gradual de seres espirituais e de nosso próprio espírito.) Pois bem, como conciliar uma tal sabedoria com a aparente falha desse corpo, adquirindo doenças? Esse paradoxo pode ser resolvido supondo-se que as doenças são necessárias para o desenvolvimento pessoal. O papel do médico torna-se, nessa concepção, um ajudante para que o doente possa superar a doença aprendendo com ela o que ela está tentando ensinar. Obviamente, um médico nunca pode ter o conhecimento suficiente para dizer que uma doença deveria ser fatal, de modo que a primeira obrigação dele é salvar a vida e impedir um sofrimento atroz. Dentro desse princípio é que ele deve tentar fazer com que a doença se manifeste da melhor maneira possível. É por isso que a medicina ampliada pela Antroposofia não é sintomática, isto é, não procura em primeiro lugar eliminar os sintomas, como faz em geral a medicina clássica. Os sintomas são apenas uma manifestação exterior de um processo que em geral deve cumprir-se adequadamente e não ser simplesmente interrompido.

Sem o elemento ‘espírito’, não se pode associar liberdade ao ser humano. A matéria, sem ser comandada por algo não-físico (essa possibilidade foi abordada no item anterior), segue leis físicas, que são inexoráveis. Portanto, da matéria não pode advir liberdade, no máximo aleatoriedade. Mas o ser humano não é um ser caótico, em estados de boa saúde – física, anímica e espiritual.

A partir da alma também não se chega à liberdade. Por exemplo, não podemos controlar se sentimos antipatia ou simpatia por outra pessoa à primeira vista. O que podemos controlar – pela atuação de nosso espírito! – é nossa atitude baseada nesses sentimentos. Por exemplo, conscientizando-nos de uma antipatia por uma pessoa, podemos forçar-nos a conversar ou ter contato com ela. Com isso, podemos descobrir nela qualidades que fazem nossa antipatia aos poucos transformar-se em simpatia. Assim, nosso espírito dirigiu, em liberdade, um ato que teria sido o contrário se tivéssemos seguido o impulso da alma.

Essa ligação da liberdade com a auto-consciência vai mais longe: não se pode falar em uma decisão livre (e, por conseqüência, em um ato livre), se ela não for tomada em plena auto-consciência. Usando um exemplo de Steiner no citado livro A Fiolosofia da Liberdade, não se pode afirmar que um bêbado age em liberdade.

Finalmente, a liberdade nos leva à moralidade. Um ato é moral se ele é feito conscientemente, em liberdade, e está de acordo com as verdades cósmicas, isto é, as físicas e as não-físicas. Por exemplo, reconhecendo-se que cada ser humano tem um espírito individual dentro de si, que se manifesta através de sua auto-consciência, individualidade e liberdade, qualquer ação sobre uma pessoa sã que prejudique essas suas 3 características deveria, em princípio, ser considerada imoral. Note-se que usamos a palavra ‘sã’: não consideramos uma pessoa dominada, por exemplo, por instintos suicidas ou homicidas como sendo ‘sã’.

É devido à presença do espírito dentro de cada um de nós que podemos praticar o amor altruísta. Um ato de amor altruísta não pode advir nem do corpo, nem da alma. Ações que provêm de um deles ou de ambos só podem ser egoístas. De certa maneira, Richard Dawkins (O Gene Egoísta. Lisboa: Gradiva Publicações, 1989) está correto: os genes são egoístas – mas a partir deles nunca se pode chegar a uma ação verdadeiramente altruísta. Como materialista, Dawkins não pode admitir a hipótese da existência de algo não físico dentro do ser humano, e daí qualquer consideração sua que leve a um altruísmo é, segundo o nosso modelo, falaciosa (inclusive, seguindo o que Darwin já havia especulado, a de que pessoas altruístas tiveram mais aceitação na comunidade e sobreviveram melhor, isto é, o altruísmo é, pasmem, conseqüência do egoísmo!). Aliás, a aplicação de conceitos evolucionistas a seres humanos é absolutamente indevida. Isso já foi constatado por A. Russel Wallace, o descobridor da Seleção Natural em paralelo com Darwin, mas independentemente deste (ambos apresentaram sua teoria na mesma sessão da Academia Real em Londres). Só que Wallace, ao contrário de Darwin e dos darwinistas típicos até hoje, era espiritualista – o que obviamente não o impediu de ser um grande biólogo! Infelizmente, Wallace e seus contemporâneos não tinham a conceituação do espírito como formulada e vivenciada por Steiner, e não puderam trabalhar com esse conceito. Com essa conceituação, fica claro o ridículo de aplicar aos seres humanos conceitos evolucionistas, voltados exclusivamente à nossa corporalidade física, e nem mesmo à nossa constituição anímica.

Para se fazer uma ação altruísta, beneficiando a outrem sem que nossa ação redunde em benefício próprio, é necessário haver um elemento dentro de nós que está acima das necessidades impostas por nosso corpo e pelos sentimentos advindos de nossa alma, como antipatias e simpatias. Um exemplo simples de uma ação dessas é uma doação completamente sem amarras, em que o receptor tem a total liberdade de usar o objeto ou quantia doada como bem lhe aprouver. Em seu livro Economia Viva (S.Paulo: Ed. Antroposófica, 1995) R.Steiner discorre sobre o que ele denominou de ‘dinheiro de doação’.

Vê-se por tudo isso como a noção da existência do elemento ‘espírito’, como caracterizado, completando a trimembração do ser humano, é absolutamente essencial para se chegar ao ser humano global e compreender as suas manifestações que se pode observar com nossos sentidos. Conjeturamos que a ciência, limitada pela visão materialista – e que nem reconhece uma ‘alma’ –, ou uma psicologia estendida que se baseia exclusivamente no corpo e na alma, jamais serão capazes de levar a uma compreensão profunda do ser humano. Sem essa visão jamais teremos, por exemplo, uma educação adequada ao desenvolvimento amplo e harmonioso de cada ser humano, bem como uma sociologia e uma economia que permitam uma organização social mais sadia do que a que estamos vivendo, e que claramente está destruindo a sociedade em lugar de elevá-la.

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Sentimentos de ordem superior: a Amizade

Sentimentos de ordem superior: A amizade

Joanna de Ângelis

Amizade

“De que vale todo o caminho percorrido, todo conhecimento adquirido e tudo que realizei se no fim da jornada me encontro sozinho…”

A amizade é o sentimento que imanta as almas unas às outras, gerando alegria e bem-estar. A amizade é suave expressão do ser humano que necessita intercambiar as forças da emoção sob os estímulos do entendimento fraternal. Inspiradora de coragem e de abnegação. a amizade enfloresce as almas, abençoando-as com resistências para as lutas. Há, no mundo moderno, muita falta de amizade!

O egoísmo afasta as pessoas e as isola. A amizade as aproxima e irmana.

O medo agride as almas e infelicita. A amizade apazigua e alegra os indivíduos.

A desconfiança desarmoniza as vidas e a amizade equilibra as mentes, dulcificando os corações.

Na área dos amores de profundidade, a presença da amizade é fundamental.
Ela nasce de uma expressão de simpatia, e firma-se com as raízes do afeto seguro, fincadas nas terras da alma. Quando outras emoções se estiolam no vaivém dos choques, a amizade perdura, companheira devotada dos homens que se estimam. Se a amizade fugisse da Terra, a vida espiritual dos seres se esfacelaria.

Ela é meiga e paciente, vigilante e ativa. Discreta, apaga-se, para que brilhe aquele a quem se afeiçoa. Sustenta na fraqueza e liberta nos momentos de dor. A amizade é fácil de ser vitalizada. Cultivá-la, constitui um dever de todo aquele que pensa e aspira, porquanto, ninguém logra êxito, se avança com aridez na alam ou indiferente ao elevo da sua fluidez. Quando os impulsos sexuais do amor, nos nubentes, passam, a amizade fica.

Quando a desilusão apaga o fogo dos desejos nos grandes romances, se existe amizade, não se rompem os liames da união. A amizade de Jesus pelos discípulos e pelas multidões dá-nos, até hoje, a dimensão do que é o amor na sua essência mais pura, e mostrando que ela é o passo inicial para essa conquista superior que é meta de todas as vidas e mandamento maior da Lei Divina.

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A sacralidade do corpo físico

O Templo

sacralidade do corpo físico

“Quando você toca alguém, nunca toque só um corpo.
Não esqueça que você toca uma pessoa e que neste corpo está toda a memória de sua existência…
Assim, quando você toca um corpo, lembre-se de que você toca um Templo.”

Jean-Yves Leloup

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Os arquétipos nos contos de fadas: BRANCA DE NEVE

Os arquétipos nos contos de fadas: BRANCA DE NEVE

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Branca de Neve representa o ser iniciado, que nasce na terra. Três mulheres, são representadas neste conto, a primeira a sua mãe, que morreu quando ela nasceu, levando com ela todo o passado, todas as lembranças, representa o esquecimento quando descemos a esse plano, o passado. Ela o presente a ser vivido, sua Madrasta o futuro, o desafio, as provas por qual terá que passar.

O espelho é a consciência, na medida em que o tempo passa o corpo físico se degrada, esse confronto é inevitável: “Espelho, espelho meu, existe alguém mais bela do que eu” – O espelho sempre responderá você ontem, porque hoje estou mais velho, amanhã mais.

A Madrasta resolve mandar matar Branca de Neve, quer o seu coração, como prova da morte da pureza, da inocência, e Branca de Neve então foge pela floresta, se ficasse no seu castelo, não descobriria seu interior, começa a iniciação, pois a floresta representa o interior de cada ser.

Neste caminho ela vai encontrar todos os elementos da natureza, e lidar com suas energias representadas por sete anões. Os anões são os centros vitais de forças, os chakras:

  • Mestre - representa o coronário, ele é o chefe, a consciência espiritual
  • Zangado - representa o chakra Frontal, pois ele é racional, se baseia na lógica e no raciocínio, intelecto
  • Feliz - representa o laríngeo, é o mais gordinho, tem relação com as glândulas tireóide, é comunicativo, alegre
  • Dengoso - representa o cardíaco, é sentimental, emotivo, chorão, apaixonado
  • Soneca - representa o chakra Umbilical, representa o inconsciente, instinto primitivo, o sono, emoções inferiores
  • Atchim - representa o chakra esplênico (sexual), é o chakra responsável pelo filtro das energias nos órgãos sexuais, também responsável pelas alergias, ansiedades
  • Dunga - representa o chakra radico, básico, raiz, representado pela inocência, pelo principio, o menino, o inicio da coluna vertebral, é o chakra dos instintos

Na relação da história, Dunga foi o primeiro a ver Branca de Neve. Nota-se no conto que o Mestre é quem lapida as pedras preciosas. O Mestre confunde as palavras quando fica nervoso, é uma das características do Chakra Coronário quando tiver em mal funcionamento a confusão, o atrapalhamento das idéias.

A branca de Neve conquista os Sete Anões, domina o Sete Mágica, domina os chakras. O sete é também por excelência o número vibracional da mudança. Isso atrai para si, um confronto derradeiro, o lado negro surge trazendo o desafio crucial do interior.

A bruxa representa esse lado negro, oculto, essa força inconsciente. A maça o conhecimento. Provar o conhecimento significa morrer, dentro do esoterismo isso significa a morte iniciática. Os anões a colocam num caixão de vidro, significando que ela está presa em si mesmo.

Surge então o Cavaleiro, uma figura até então indiferente na história, ele significa a energia masculina, a pingala, a energia kundalini positiva, a ação, fazendo uma analogia com o Tarot, o cavaleiro é o carro, o caminho, a carta número 7, símbolo do fogo.

O beijo é o encontro da energia branca, negativa – Lua, feminina chamada de ida da Kundalini, com a energia do fogo – Sol e quando isso acontece o ser desperta, ascende, transcende, conquista a si mesmo, levanta, se torna integral.

Assim fecha a história da saga humana, um horizonte de luz, com um castelo nas nuvens. Um arco íris com um pote de ouro no final.

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BRANCA DE NEVE

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