Arquivo mensais:setembro 2013

DESAFIOS AOS PAIS CONTEMPORÂNEOS – parte 2

Uma mudança de paradigma

DESAFIOS  AOS PAIS CONTEMPORÂNEOS – parte 2

Ana Paula Cury

desafio para os pais 3

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Até meados do século XX, pais e mães não tinham dúvidas sobre seus papéis e não se perguntavam sobre suas funções. O pai era o provedor material, impunha castigos, administrava as recompensas. A mãe gestava, dava à luz, amamentava, cuidava da saúde e das rotinas escolares. O pai era respeitado a partir do temor e da distância emocional, enquanto a mãe era reverenciada por sua capacidade de sacrifício em favor dos filhos. O pai era referência de conduta no mundo do trabalho, a mãe da gestão doméstica incluindo a mediação nas relações e conflitos. Os papéis, mais que arquétipos (modelos ricos em significados essenciais, porém moldáveis em seus modos de expressão), haviam se tornado estereótipos ( papéis que se repetem de modo automático e prevalecem sobretudo pela forma). Poderíamos enumerar, aos olhos de hoje, várias zonas não atendidas, lacunas de comunicação, especialmente no campo emocional, carência de respostas para perguntas decisivas que não podiam sequer ser formuladas. No entanto, pais, mães e filhos se relacionavam dentro de uma ordem com códigos e hierarquias assimilados sem questionamentos. Era simplesmente a ordem natural das coisas.  Até que vieram os anos sessenta.

Os anos sessenta trouxeram profundas mudanças sociais. Em princípio, o surgimento da pílula e dos métodos contraceptivos permitiu à mulher a iniciativa e recuperação da posse de seu corpo (seu útero), seu desejo e definitivamente, de sua sexualidade, propiciando-lhe um papel mais ativo nas relações entre os sexos — o que se somou ‘a sua incorporação ao mundo do trabalho e outros espaços sociais e políticos.

A revolução sexual, os movimentos de liberação feminina, o movimento hippie, os levantes de maio de 68 na França e mais tarde em outras partes do mundo são alguns exemplos de impulsos de transformação que marcaram época. O modelo familiar tradicional começaria a experimentar uma metamorfose cuja profundida e repercussões apenas seriam vistas em toda sua dimensão mais adiante. A confrontação dos velhos padrões de educação e convivência familiar segundo os quais os filhos deveriam ser repetidores dos modelos paternos e cumpridores das expectativas fez com que interrogações se instalassem de maneira um tantohamletiana no panorama das novas gerações.

Afastar-se dos modelos dos próprios pais floresceu como uma necessidade imperiosa para um número crescente de jovens casais. E como costuma acontecer, todo modelo fixo, enrijecido e estereotipado acaba levando à irrupção abrupta de seu oposto. Assim, da rigidez, do autoritarismo, do puritanismo, e da imobilidade de uma forma de criação antiga surgiriam uma maternidade e paternidade que fariam da permissividade, da ausência de restrições e referências e da celebração da “sabedoria da infância” suas marcas no tecido social. O trágico é que, apesar das melhores intenções, o pouco discernimento euma certa imaturidade levou muitos pais a confundirem cumplicidade com amor, condescendência afetiva com presença emocional e independência e autonomia pessoal com prescindência vincular quase que transferindo aos filhos a responsabilidade de se educar sozinhos.

Em seu livro In Placeofthe Self, em que aborda a questão da drogadicção como um desafio de nossa época, Ron Dunselmann também faladestas transformações sociais como um ponto crucial, porém de um outro ponto de vista. Se descrevemos até agora a fisionomia exterior dos fatos, ele nos dá a perspectiva mais interior e oculta sob a face manifesta. Diz ele:

Fica claro que desde 1960 têm havido profundas mudanças na vida social e cultural. Até este tempo, os padrões de pensamentos, sentimentos e desejos eram determinados em uma maior extensão pelo gênero, família, classe social, profissão, religião ou pela comunidade. Entretanto, no curso dos anos 60 (1960) as coisas mudaram drasticamente. Os últimos anos da década de 60 do século XX foram uma época de muitas revoluções em nossa cultura; de revoltas estudantis, primeiro em Paris, e mais tarde também em outras partes do mundo. “Límaginationaupouvoir”( poder para imaginação) – as coisas tinham de ser diferentes. Nós queríamos pôr as coisas em movimento. Queríamos determinar por nós mesmos aonde iríamos, com base em nossas próprias idéias. Tentativas eram feitas para expandir a consciência, e para muitas pessoas, as drogas ( particularmente o LSD e a maconha) pareciam perfeitas para isso. Tradições eram desafiadas, e muitas regras aprendidas eram quebradas ou invertidas. Alguns exemplos óbvios disso incluem: o questionamento dos padrões e papéis nos relacionamentos, questionamento da autoridade na família, na escola, na universidade, no trabalho; o movimento para emancipação feminina e em favor das minorias oprimidas; mudanças no comportamento e moralidade sexual, com os relacionamentos se tornando cada vez mais abertos, livres e mais diversos, o declínio da ascendência da Igreja, e assim por diante.

A esse respeito, tradições e costumes têm duas características importantes. De um lado, elas impedem a psique de ser livre, e obstruem a atitude inquiridora da realidade. Por outro lado, elas oferecem à alma uma coesão interna pelo fato de possibilitarem que ideias, costumes e motivos se interrelacionem. Em outras palavras, a tradição assegura que ideias e desejos estejam interrelacionados e formem uma certa unidade dentro da personalidade. ( Neste caso você age com base na idéia de que ‘este é o modo como se tem de agir’ ) Quando a força formativa da tradição desaparece, isto não apenas conduz à liberdade, mas também à necessidade de criar um relacionamento interior entre as idéias, sentimentos e desejos, a partir dos próprios recursos. Talvez uma das características das pessoas de hoje seja que muitas vezes o que elas pensam ou sentem não condiz necessariamente com o que elas fazem. Ou o que sentimos conflita com o que fazemos, ou pode ser que escutemos algo como: “Eu penso ou faço uma coisa, mas em meu coração sinto outra.”

Pensar, sentir e querer começam a viver cada qual a sua própria vida, começam a se emancipar, e é como se a cada dia necessitássemos recriar o interrelacionamento entre estas três forças na alma.

Até os anos 1960, a cultura e as tradições foram responsáveis por criar esta unidade em grande medida. Mas a ruptura com as tradições criaram um espaço na alma que, por um lado, nos deu a liberdade de criar o próprio conteúdo, de estabelecer o interrelacionamento e coesão do pensar, sentir e querer.

Por outro lado, surge a questão: será que temos força suficiente para fazer isto a partir de nós mesmos, com recursos do nosso próprio ser?

E este é o ponto em que nos encontramos como humanidade do século XXI.Todas as formas de afirmação de autoridade externa, identificadas com a tradição, devem ceder lugar a uma nova autoridade interna, forjada no exercício e conquista da própria consciência e liberdade.

Porém, se deixamos de fazer este caminho de exercitação da própria vontade na busca do verdadeiro, do belo e do bom, que não mais podem ser ditados por padrões externos, por regras pré-estabelecidas e generalizadas, mas devem ser encontrados a partir do próprio íntimo, caímos num vácuo existencial, e é este vazio que pode ser ocupado pelas manifestações de seres e forças adversárias do desenvolvimento do Eu humano, cuja expressão ou semblante não é outro senão o de todos os desafios que nos confrontam na formação do ser em nossos dias. Examinemos, pois,a questão no contexto da educação dos filhos e sua relação com um caminho de autodesenvolvimento.

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DESAFIOS AOS PAIS CONTEMPORÂNEOS – parte 1

PENSAMENTOS A CAMINHO…

DESAFIOS  AOS PAIS CONTEMPORÂNEOS – parte 1

Ana Paula Cury

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Introdução

Nestas férias de verão, entre as leituras que fiz, uma me tocou de modo especial. Trata-se do livro de Sergio Sinay, um estudioso dos vínculos humanos, que aborda um triste fenômeno do mundo em que vivemos hoje e ao qual ele se refere como a “Sociedade dos Filhos Órfãos”. Uma sociedade , segundo ele, caracterizada por uma “cultura da fugacidade, da superficialidade extrema, da banalidade, da vida light e desprovida de sentido, do prazer efêmero e a qualquer preço, das relações vazias, da conexão sem comunicação, da manipulação de consciências e sentimentos, do ocaso da responsabilidade, da confusão entre liberdade e falta de compromisso, do consumo viciador e predador.” É claro que isto não é tudo. Este também é um tempo de possibilidades fantásticas. Contudo, não se pode negar que sua descrição retrata aspectos bastante prevalentes na sociedade e reconhecíveis por qualquer um de nós.

Em sua percepção, o autor assinala que o estilo de vida predominante, os paradigmas éticos reinantes e o modelo hegemônico adotado nas relações humanas (entre sujeito e objeto, e não entre sujeito e sujeito) geraram, em boa parte dos pais e adultos envolvidos na educação de crianças e jovens, uma inclinação ao medo, à negligência, ao desentendimento e à procura de soluções fáceis no exercício dessa criação e educação.

“ Um equivocado sentido de amor os leva a temer que o exercício das funções parentais em seus aspectos menos fáceis e demagógicos possa ter como consequência o desamor dos filhos. Há uma nefasta confusão entre paternidade e amizade, e esta desaba sobre os filhos na figura de um amigo ou amiga anacrônicos e disfuncionais, enquanto gera um vazio no tão necessário espaço parental.” ( Sergio Sinay) Os filhos órfãos de pais vivos, como ele os chama, estariam sendo criados pela TV, pelos fabricantes de junkfood, pelos produtores de uma tecnologia que os fascina por um lado, mas os incapacita, por outro, para muitas funções da vida cotidiana, através de artefatos que enfraquecem a vontade, eliminam a força de fantasia e o poder da imaginação criativa, acachapando certas capacidades de aprendizado e discernimento, bem como suas habilidades para a comunicação humana real.

As consequências desta “orfandade” são estarrecedoras. Violência infanto-juvenil, obesidade infantil epidêmica, dependência química e outras espécies de vícios e compulsões em idades cada vez mais baixas, notáveis índices de ignorância a respeito do ambiente em que vivem e como foi criado, incultura galopante, desordem nas relações filiais e parentais, etc.

Esta ausência repetida ou persistente dos pais, que em parte talvez se explique pelo contexto conformado pela cultura em que vivemos, não é um assunto menor, mas um sintoma da crise de sentido, de transcendência, de espiritualidade e de valores da época– manifestações que corroem como uma doença crônica e progressiva a sociedade contemporânea. Por isso mesmo, necessita de um olhar holístico, e uma leitura diagnóstica adequada, que encare o fenômeno como resultado de um paradigma cultural e social em desacordo com os sinais dos tempos, as exigências de um novo período de desenvolvimento da humanidade que se dá segundo novos princípios.

Para que a doença não nos leve ao óbito, será preciso enfrentá-la não somente com teorias, explicações, propostas e sugestões, mas com atos, compromissos, presença e coragem para assumir osriscos. Trata-se de uma jornada na qual queremos converter-nos de meros progenitores ( pais biológicos) em pais no mais verdadeiro sentido da função, que hoje, é em si, supranatural. Isto é, já não pode alicerçar-se em uma base natural instintiva, mas requer conhecimento, ou melhor, autoconhecimento, e um esforço interior de aprimoramento a serviço da realização das potencialidades do ser que nos é confiado como filho. Em outras palavras, um processo que requer consciência, compromisso, responsabilidade e amor. Sim, pois ser pai, ser mãe não é um hobby ou uma atividade para as horas livres. Mas um empreendimento de tempo integral com tarefas que exigem tempo, consomem energia, requerem presença.

Muitos de nós talvez se sintam, em alguma medida, insuficientes, inaptos, despreparados, insegurospara não dizer perdidos. Haverá uma saída? Como compreender toda esta situação? E o que podemos fazer para transformá-la em algo melhor, em sintonia com os novos tempos?

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A atuação da força micaélica na biografia individual

A atuação da força micaélica na biografia individual

Edna Andrade

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Na Biografia individual Micael pode ser considerado uma força arquetípica que impulsiona o nosso amadurecimento anímico: é a coragem de viver, coragem de ser e coragem de reconhecer a essência divina em nós.

Micael nos acompanha ao longo da biografia, preparando o caminho para o adentrar na alma do Eu Superior. Em cada fase da vida, Micael escolhe um semblante diferente e atua de forma distinta.

Fase dos 21 aos 28 anos

O impulso micaélico está presente no calor das emoções, despertando no íntimo a vontade de viver.

Nos mobilizamos em direção ao mundo externo, e impulsionados pelas sensações; nos identificamos com o que está fora de nós, nos apaixonamos a ponto de perder a identidade.

Buscamos um lugar no mundo, buscamos reconhecimento. Assumimos papéis, e apesar de termos uma tremenda opinião própria, os nossos pensamentos são, em grande parte inspirações do mundo exterior.

Os altos e baixos da vida emocional, típicos desta fase representam o dragão que temos que dominar. O Eu é um equilibrista na corda bamba das nossas simpatias e antipatias; amamos sem medidas e odiamos sem discernimento. Voamos às alturas quando recebemos um elogio e despencamos para o fundo do poço ao ouvir uma crítica.

Abrir mão de um ponto de vista significa abrir mão de si mesmo.

O Eu vagueia nas sensações que o mundo externo desencadeia na vida interna. Éxperimentamos o mundo, e atravessamos a fase da vida em que a força  micaélica reside nesta enorme abertura que temos para o mundo. É o prazer de viver, de estarmos ainda, intimamente, ligados à Criação. Somos parte do Todo e o céu é o nosso limite.

Fase dos 28 a 35 anos

Começa a luzir na alma o pensar próprio. Aprendeu-se muito através dos altos e baixos da juventude. A relação com o mundo externo é principalmente através da atividade intelectual autônoma – a espada é a força intelectual.

Agora sim, sou eu que produzo meus próprios pensamentos, sou eu quem pensa o mundo. Disseca-se a rosa para entender sua perfeição, porém relega-se a beleza, perfume e essência da flor.

A partir dos 28 anos, a vida é planejada, as ações são estratégicas e os objetivos definidos. O lugar no mundo precisa ser agora consolidado: família, profissão, bens materiais – o que importa são  resultados!

Aos 33 anos, alcançamos vitoriosos a  curva da vitalidade. Entretanto, transposto este Arco do Triunfo, uma significativa batalha vem pela frente..

A “queda” no mundo material -  própria desta fase – fez com que internamente algo morresse. Valores antigos foram postos de lado, muitos sentimentos foram ignorados, ideais de adolescência ficaram enterrados nas profundezas da alma. A vivência desta morte pode, neste momento, tornar-se insuportável.

O sentimento de estar enterrado vivo no casamento, no emprego, nos compromissos é um parceiro constante. É comum nesta época, perdas afetivas significativas ou doenças agudas. O sentir encontra-se enclausurado pelo pensar dirigido tão só ao mundo físico sensorial.

Este tipo de pensar racional, representa o dragão, do qual temos que nos libertar. Ansiamos por liberdade e o mundo frio de nosso pensar abstrato e lógico só poderá ser preenchido pelo calor dos sentimentos qu, de um lado se manifestam–se como impotência, desalento, mas por outro lado mostram-se  como solidariedade, renovação da confiança, e da esperança. Dentro da alma intelectual individualizada pode desabrochar pouco a pouco uma qualidade de pensar amplo, vivo e criativo: a força micaélica liberta o pensar da região da cabeça levando-o de volta ao coração.

Temos a chance de renascer – não sem ter lutado muito.

Fase dos 35 aos 42 anos

Aqui, Micael começa a viver, como força ativa, dentro da alma pensante. Começamos a enxergar o essencial no mundo que nos rodeia e o pensar factual, conquistado nos bancos duros da universidade, começa  a se tornar, conhecimento espiritual. Começamos a vislumbrar que cultivando este pensar criativo seremos orientados a respeito do caminho individual a ser percorrido.

As percepções espirituais a respeito de nós mesmos e das coisas que na juventude eram inspiradas das alturas são reencontradas pelo livre querer, na vida interior.  Adquirimos discernimento, aprendemos a ler nas entrelinhas, aprendemos com os erros. Começamos a dar ouvido à voz interna:

O que isso tem a ver comigo? É isso que eu quero para mim? É este marido, esta mulher, este trabalho, esta qualidade de vida?

Tudo o que anteriormente nos dava sustentação tais como, reconhecimento, status, segurança material e afetiva, começa a diminuir de importância . Almejamos a autonomia de ser, queremos fazer nossas próprias escolhas. É insuportável viver como um autômato, preso na rotina da vida.

A espada é a capacidade de agir conscientemente. Entretanto, lidamos diariamente com o medo do desconhecido, da solidão, das mudanças, medo dos outros. E sofremos com as contradições entre o que nos tornamos, isto é, as caricaturas  que encenamos, e o que em essência, somos.

A crise da meia idade é uma crise de autenticidade e faça chuva ou faça sol a nossa sombra nos acompanha. Nesta sombra vive o dragão que guarda o limiar do nosso auto desenvolvimento e nos cobra diariamente o que temos que transformar em nós.  A força micaélica nesta fase é a coragem que convoca o coração como órgão da vida, a ser fiel a si mesmo.

Esta é uma fase na qual nos tornamos bastante seletivos. Selecionamos pessoas, situações. Corremos o risco de cair no egocentrismo. Se deixarmos de reconhecer  o amor e apreciar a beleza e a verdade que existem no mundo, a vida interior corre o risco de resssecar. Tornamo-nos pessoas endurecidas, descrentes e preconceituosas. Se mantivermos acesa a chama da veneração pelo ainda desconhecido, as forças vitais  revivem continuamente dentro da alma como pensamentos lúcidos e forças luminosas, de modo que podemos nos referir ao nosso Eu interno como a um Sol Interior. Autoconsciência é isso.

A etapa do desenvolvimento espiritual – Dos 42 aos 63 anos

Com a renascença uma nova era se iniciou. E a humanidade como um todo cruzou o limiar para um novo estado de consciência. As vivências e desafios descritas na fase anterior tornaram-se epidêmicas.

Em meio a tantas imagens diárias de um futuro ameaçador, anseia-se por uma direção espiritual que renove o entusiasmo cotidiano pela existência. Atualmente assistimos a um verdadeiro renascimento pela busca espiritual.

A partir dos 42 anos o conhecimento que adquirimos ao longo da vida e que com todos os nossos esforços, dores e alegrias, se tornou conhecimento próprio, pode ser de novo, universalizado.

A sabedoria humana que é patrimônio de todo indivíduo, pode ser uma ponte com o mundo espiritual. Podemos nos tornar co-responsáveis com Micael pela evolução da humanidade. Isto nos dá a dimensão da grandeza espiritual desta época da vida.

Simultaneamente aos cuidados que se fazem necessários com a saúde, qualquer esforço no sentido do auto desenvolvimento, contribui diretamente com o desenvolvimento da humanidade.

Isto significa que não podemos abrir mão do próprio desenvolvimento mesmo porque, as questões internas, nesta etapa tornam-se ainda mais essenciais: qual é o sentido da minha vida, qual é especificamente a minha missão, porque encontro-me nesta situação?

 Entre os passos para um desenvolvimento saudável nesta etapa da vida ,podemos considerar:

Entre 42 e 49 anos

O pensar pode se tornar um órgão que enxerga a atuação das forças criativas no mundo.

Desenvolvemos uma visão global e sensibilidade para o que é preciso ser feito. Podemos retomar valores que se revestem de um novo significado e desenterrar ideais que dão à vida uma nova razão de ser.

Entre 49 e 56 anos

O sentir pode nos transmitir aquela certeza interior que não é abalada por nada. Se ouvirmos atentamente a voz do coração, desenvolveremos um sentido de fazer o que é essencial e não nos desgastarrmos querendo fazer tudo. Dispomos de um projeto de vida pessoal. Em qualquer situação encontramos o lugar próprio.

A partir de 56 anos

Podemos transformar o nosso querer em intuição. Isto não significa um sentimento vago sobre algo, mas sim conseguir perceber claramente onde realmente, eu faço falta. É a força interior que me faz reconhecer nas questões mais corriqueiras que eu sou um instrumento de elevadas forças espirituais.

Esta etapa da biografia abarca a essência da força micaélica.

A missão de Micael é ajudar o ser humano a reconhecer e confirmar a atuação de seres espirituais na sua vida. O preenchimento do destino humano é ao final da vida o renascimento espiritual de seu ser.

E a comemoração anual de Micael é a celebração do ideal mais antigo da evolução humana: o anseio pela fraternidade e pelo amor que vivem no íntimo de cada ser humano.

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A Vontade Criativa

A Vontade Criativa

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A vontade é um fator ativo, é criadora, e tende a surgir do eu superior, ou alma espiritual. O desejo, porém, surge predominantemente do eu inferior, é inerte, e não consegue agir de modo construtivo.

A alma ganha magnetismo através do desenvolvimento da vontade. A verdadeira alquimia consiste em desenvolver simultaneamente o discernimento, a vontade, e a sabedoria. Neste processo, o sofrimento é um mestre indesejável, mas necessário.

O príncipe Sakiamuni, conhecido como Buddha, disse que todos os tormentos da Alma Humana surgem do medo ou do desejo; e ele concluiu com duas frases que podem ser expressas deste modo: ‘Não deseje, pois, coisa alguma, nem mesmo a Justiça; espere, porque cedo ou tarde o céu irá estabelecê-la. O Nirvana não é aniquilação: ele é, na Ordem da Natureza, a grande pacificação’.

Querer sem medo e sem desejo é o segredo da vontade Onipotente. Aquele que nada deseja, é rico. Quem não teme coisa alguma está livre. Aquele que só quer o que é correto, é feliz.

Mas a Vontade só vence quando é ampla, e ela só é ampla quando é elevada. A vontade elevada é universal e altruísta, porque surge do eu superior ou alma espiritual. A verdadeira vontade é vitoriosa por dois motivos:

1- Ela aponta para a direção certa
2- Ela sabe esperar

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A semente no meio do inverno

A semente no meio do inverno

Kahlil Gibran

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“Árvores são poemas que a terra escreve para o céu.”

“Sinto-me como uma semente no meio do inverno, sabendo que a primavera se aproxima. O broto romperá a casca e a vida que ainda dorme em mim haverá de subir para a superfície, quando for chamada.

O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existem momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar. Dentro de cada um, no mais profundo no ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber. Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem. Somos muito mais capazes do que pensamos.

Há momentos em que a única maneira de aprender é não tomar qualquer iniciativa, não fazer nada. Porque, mesmo nos momentos de total inação, esta nossa parte secreta está trabalhando e aprendendo. Quando o conhecimento oculto na alma se manifesta, ficamos surpresos conosco mesmos, e nossos pensamentos de inverno se transformam em flores, que cantam canções nunca antes sonhadas. A vida sempre nos dará mais do que achamos que merecemos.” -Kahlil Gibran

Arte Botânica uma visão suprassensível

A Natureza não faz nada incorreto.
As formas e cores possuem suas causas e não há nada que não é como deveria ser.
Existe uma realidade arquetípica, que pode ser alcançada pelos sentidos, pela imaginação e pelo pensamento abstrato.
Para captar essa realidade é preciso observar uma planta sobre vários aspectos, condições e influências.
A partir dessa observação e estudo atento, conseguimos captar essa realidade.
A ponte para isso é a arte. Na arte, degrau após degrau, construímos um mundo repleto de ideias, paz interior e nos libertamos desse mundo sensorial a nossa volta.
Na dedicação ao estudo da arte, tendo a Natureza como modelo, experimentei o prazer de vivenciar o belo.
Elevei-me rumo a um universo permeado de vida, cores e formas e me senti como a parte mais importante desse mundo, que é a Natureza.

“Para mim a natureza, a arte e a ciência combinam-se na essência do verdadeiro conhecimento.” – Parecis Morato

As pessoas que imitam plantas, flores e frutos, saberão distinguir as mais belas e frescas e selecioná-las dentre milhares existentes, portanto aqui já surge a escolha. No seu local de trabalho silencioso e segundo a sua predileção procuram a perfeição das mesmas. Elas darão a ela a iluminação mais apropriada e seus olhares se acostumarão com a harmonia das cores brilhantes. Assim nascerão obras mágicas, ultrapassando o possível.

Se o artista ainda for um botânico ele conhecera desde a raiz a influencia das diferentes partes e crescimento da planta. Ele refletira sobre o sucessivo desenvolvimento das folhas, flores, da fertilização, do fruto e semente. Ele não só demonstrara o gosto meramente pela escolha, mas ao mesmo tempo nos instruirá por uma representação correta das propriedades. Neste sentido poderíamos dizer que ele constituiu um estilo. Caso ele não tomasse a questão de um modo tão exato, poderíamos apenas destacar a maneira como forma de arte.

A imitação, portanto trabalha no átrio do estilo.

Quanto mais fiel, cuidadosa e puramente proceder com as obras, quanto mais calmamente observar o que sente, quanto mais tranquilamente o imitar, quanto mais se acostumar a pensar nisso, quanto mais aprender a comparar o que é semelhante e ordenar, tanto mais digna se tornara de pisar a soleira do santuário.

Se considerarmos a maneira veremos que ela pode ser o intermediário entre imitação e estilo. Quanto mais ela se aproxima da imitação fiel, quanto mais assídua, mais será respeitada. Quanto mais se afastar se tornara longe da arte, será vazia e insignificante.

“Contemple a planta! Ela é da Terra. A borboleta aprisionada.
Contemple a borboleta! Ela é do cosmos. A planta liberta.”
Rudolf Steiner

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Pessoas Sozinhas

Pessoas Sozinhas

Rubens Alves

Pessoas sozinhas

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“As pessoas que não sabem viver sozinhas
estão o tempo todo mendigando aprovação das outras.
É preciso aprender a viver só, aprender a fazer silêncio, para poder conviver com o outro,
porque dentro de cada um mora uma grande solidão.
Há um lugar dentro da gente que ninguém vai, somente nós.
E nem nós mesmos sabemos como é esse lugar.
Então temos que aprender a respeitar a solidão do outro e a nossa própria solidão.
Há pessoas que não suportam a solidão do outro, acham que,
quando o outro quer ficar sozinho,
é uma indicação de que ele não está amando.
Não é nada disso.”

“É no silêncio que se educa o talento, e na torrente do mundo o caráter”

Goethe

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Arma – nem de brincadeira

Arma – nem de brincadeira

(Ute Craemer)

armas

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Atualmente a violência é um dos principais temas de discussão - violência doméstica, abuso, discriminação, injustiça social, econômica etc. Também existe a violência ligada à arma de fogo e por isso existe uma lei que regulamenta melhor o uso de armas.

Nós, da Aliança pela Infância, junto com o Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz queremos incrementar estas ações com uma campanha de desarmamento infantil. Desarmamento de brinquedos e brincadeiras que incentivam a violência.

A pergunta fundamental nesta campanha é: Será que o brincar violento incentiva a criança a ser violenta quando adulta? E quais seriam as alternativas?

Podemos tecer algumas considerações do ponto de vista histórico.

Sempre existiram brincadeiras violentas que, em parte, eram um preparo para guerrear, caçar ou se defender contra animais selvagens e invasores. O simples brincar do menino índio com sua flechinha, brincadeiras como polícia e ladrão, soldadinhos de chumbo etc. podem ser considerados como brincadeiras violentas neste sentido. Mas existe uma diferença radical: embora cruéis – as guerras antigamente eram guerras pequenas e locais, o que não é o caso desde a invenção da bomba atômica, que pode destruir o planeta todo de uma só vez. A partir deste momento histórico onde a inteligência humana conseguiu esta façanha, temos que conscientemente usar nossa inteligência para resolver conflitos de um modo diferente. Assim, devemos ensinar às crianças a cooperar.

O assunto não é tão simples! Por que? Porque dentro da alma humana existem impulsos de vontade, de energias enormes que, em primeiro momento, não são direcionadas para um fim específico. É uma força grandiosa que se movimenta, muitas vezes sem controle. Esta força existe! E ela precisa de uma meta, uma meta construtiva.

A palavra violência vem do latim “volere” que significa querer. Então, violência é uma força do querer, do atuar, do agir. Trata-se de direcionar esta força do querer.

A maneira de deixar esta força se manifestar é criar um espaço ”almado” (com alma), inspirador para:

• brincar;
• movimentar-se no espaço;
• movimentar a alma (arte);
• exercitar suas mãos (artesanato etc);
• fazer algo para o outro;
• gastar sua força física (jardinagem, caminhadas etc).

 

Um denominador comum de todas estas atividades é que elas nascem de uma vontade interna. Se conseguirmos ouvir a criança em suas necessidades e interesses mais essenciais, teremos metade do caminho percorrido. A tarefa do adulto é principalmente a de criar um ambiente propício e não interferir com invasões de imagens externas que deformam a imagem do ser humano, como é o caso de muitas imagens de TV, jogos eletrônicos, brinquedos temáticos etc. As brincadeiras precisam ser à altura da criança, da sua “digestibilidade psíquica”, senão embrutece a alma.

Um ponto importante de reflexão é: este brincar enobrece a alma ou ele a dessensibiliza?
Mas será que jogos de competição como bola queimada, xadrez, vôlei não podem ser benéficos? Depende do como brincar, se é com alegria  ou com raiva. Acredito que só se tornariam prejudiciais se, por exemplo, a mesma turma sempre joga contra a mesma; assim fixaríamos uma relação permanente de competição. Penso que a criança refaz o caminho da evolução humana onde, numa certa época, surgiram brincadeiras de competição; elas ensinam a criança, entre outras coisas, a lidar com frustrações e seus próprios limites.Talvez a criança também necessite ter esta experiência numa determinada idade, mesmo numa época em que precisamos aprender essencialmente a cooperar uns com os outros. De qualquer maneira não há dúvida de que os valores de cooperação precisam entrar no universo da criança para o equilíbrio interno e externo da acirrada competitividade que vivemos.

 

Junte-se à campanha “Desarme a criança para amar”:

 

  • recolhendo brinquedos de guerra trocando por educativos
  • recolhendo brinquedos de guerra e jogos eletrônicos
  • conscientizando pais, educadores etc
  • criando espaços condizentes com a infância
  • juntando-se à campanha de denúncias da baixaria na TV (0800-619619 ou eticanatv@camara.gov.br / www.eticanatv.org.br)
  • informando-se sobre os efeitos nocivos dos jogos eletrônicos - tornando-se parceiros da Aliança pela Infância (fone: 11-5853-8082 ou alianca@aliancapelainfancia.org.br)
Ute Craemer é co-fundadora da Aliança pela Infância e membro do Conselho Parlamentar pela Cultura de Paz

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Sua Casa e Sua Vitalidade

Sua Casa e Sua Vitalidade – Qual a Relação?

Paulo e Equipe Manual Humano

A casa

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O ambiente em que vivemos pode moldar nossa forma de pensar e agir, veja algumas dicas para melhorar a sua vitalidade através do cuidado com a tua casa.
Algumas coisas devem ser observadas na casa para melhorar os seus níveis de energia, veja algumas delas:

1. Má Circulação de Ar, Odores Desagradáveis e Mofo:

Preste bastante atenção neste fator, de extrema importância. Abra as janelas, deixe o ar circular, limpe bem as áreas que estiverem com odores e livre-se de todo e qualquer mofo, mofo atrai todo tipo de coisas negativas e fisiologicamente falando você pode sofrer desde de simples problemas respiratórios até sérias infecções, se você tiver a todo momento em casa que usar parte da sua vitalidade pra combater o continuo ataque pelo ar dos fungos, os seus níveis de vitalidade e energia estarão sempre comprometidos, você não irá relaxar e descansar o quanto poderia caso a casa estivesse limpa e você irá possivelmente respirar de forma debilitada (renite, alergias, obstrução das vias nasais etc.).

Solução: Limpe bem a casa, faça com que o ar circule diariamente, se necessário compre um aparelho que esteriliza o ar, um desumidificador, faça faxinas constantes, lave todos os tecidos (mantas, lençóis, colchas, roupas etc.) periodicamente, coloque o colchão da cama pra tomar Sol (se necessário leve outros objetos pra tomar Sol), evite objetos que acumulam fungos e ácaros (tapetes, almofadas velhas etc.), limpe bem as superfícies que podem conter mofo (água sanitária costuma matar todos os tipos, mas cuidado pra não respirar ou tocar o produto). Deixe o Sol entrar na casa. Pense na possibilidade de ter um filtro de ar bem como um umidificador de ar se for necessário.

 2. Coisas que Desanimam:

Isto mesmo, se algo na tua casa te desanima, resolva a questão ou livre-se dela. Pode ser algum objeto quebrado (a ser concertado), odores, plantas mortas, entulhos, objetos que não lhe pertencem sendo estocados, quadros ou objetos que não te trazem boa inspiração, goteiras (telhado, torneira, chuveiro etc.), obras inacabadas etc.
Se toda a vez que você se depara com algo que te desanima em casa você não tomar uma atitude, terá sempre algo te tirando um pouco de energia.

Solução: Tomar atitude ou contar com ajuda de outros moradores da casa pra encaminhar as questões, seja para o lixo ou para o conserto e cuidado. Faça uma lista de tudo que pode melhorar e vá tomando providências, agendando uma ordem de prioridades se necessário.

 3. Estagnação:

Coisas paradas, sem utilidade, emperradas, estacionadas e sem destino ou prazo de moverem-se costumam ser um problema não tão nítido. Quando você move coisas e deixa espaços vazios, você está criando espaço vazio para novas coisas te alegrarem, ajudarem, trazerem boas energias. Coisas estagnadas exigem limpeza, manutenção e em geral não geram benefícios que façam valer a pena ter tais serviços e despender energia pra manter-las em ordem.

Solução: Ande por todos os cômodos da casa e faça uma lista de tudo que não se moveu, se tocou ou foi de serventia nos últimos 3 meses. Depois dê uma finalidade para tais coisas, podendo realmente querer manter-las guarde as bem pra que se conservem bem sem gerar ácaros, fungos etc. Você também pode se animar a utilizar novamente coisas esquecidas ou até mesmo promover a alegria de outras pessoas doando algumas objetos, roupas etc. Outra opção é vender algumas coisas pra lojas de segunda mão (brechós, sites etc.)

Com estes três fatores sendo trabalhados temos certeza que você irá melhorar os seus pensamentos e ações. Direcionar bem nossa energia e ter uma casa que inspire bons pensamentos e ações é um fator fundamental para aumentar os níveis de vitalidade.

Abraços e Desejos de Boa Sorte pra uma Casa Sempre Abençoada

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Análise de Contos e Fábulas – O Princípio do prazer versus o princípio da realidade

Análise de Contos e Fábulas

O Princípio do prazer versus o princípio da realidade

“Os três porquinhos”

Bruno Bettelheim

3 porquinhos 2

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O mito de Hércules enfrenta a escolha entre seguir o princípio do prazer ou o princípio da realidade na vida. De forma semelhante o faz o conto de fadas “Os três porquinhos”. Estórias como “Os três porquinhos” são muito apreciadas pelas crianças acima de todos os contos “realistas”, particularmente se são apresentadas com sentimento pelo contador da estória. As crianças ficam fascinadas quando o bufar do lobo na porta do porquinho é representado para elas. “Os três porquinhos” ensinam à criança pequenina, da forma mais deliciosa e dramática, que não devemos ser preguiçosos e levar as coisas na flauta, porque se o fizermos poderemos perecer. Um planejamento e previsão inteligentes combinados a um trabalho árduo nos fará vitoriosos até mesmo sobre nosso inimigo mais feroz – o lobo!

A estória também mostra as vantagens de crescer, dado que o terceiro e mais sábio dos porquinhos é normalmente retratado como o maior e o mais velho.

As casas que os três porquinhos constroem são simbólicas do progresso do homem na história: de uma choça desajeitada para uma casa de madeira, finalmente para uma casa de tijolos. Internamente, as ações dos porquinhos mostram o progresso da personalidade dominada pelo id para a personalidade influenciada pelo superego, mas essencialmente controlada pelo ego.

O menor dos porquinhos constrói sua casa com o menor dos cuidados – de palha; o segundo usa paus; ambos dispõem seus abrigos tão rapidamente e sem esforço quanto podem, de modo a poder brincar o resto do dia. Vivendo de acordo com o princípio do prazer, os porquinhos; mais novos buscam gratificação imediata, sem pensar no futuro e nos perigos da realidade, embora o porquinho do meio mostre algum amadurecimento ao tenta: construir uma casa um pouco mais substancial do que o mais novo.

Só o terceiro e mais velho dos porquinhos aprendeu a viver de acordo com o princípio da realidade: ele é capaz de adiar seu desejo de brincar, e de acordo com sua habilidade de prever o que pode acontecer no futuro. É até mesmo capaz de predizer corretamente o comportamento do lobo— o inimigo, ou estrangeiro de dentro, que o tenta seduzir e fazer cair na armadilha; e por conseguinte o terceiro porquinho é capaz de derrotar os poderes mais fortes e mais ferozes que ele. O lobo feroz e destrutivo vale por todos os poderes não sociais, inconscientes e devoradores, contra os quais a gente deve aprender a se proteger, e se pode derrotar através da força do próprio ego.

“Os três porquinhos” impressiona muito mais as crianças do que a fábula paralela mas manifestamente moralista de Esopo, “A cigarra e a formiga”. Nesta fábula a cigarra, morrendo de fome no inverno, implora à formiga que lhe dê um pouco da comida que acumulou arduamente durante o verão. A formiga pergunta o que a cigarra esteve fazendo durante o verão. Ao saber que a cigarra cantava e não trabalhava, a formiga rejeita seu pedido dizendo: “Como você pôde cantar todo o verão, pode dançar todo o inverno”.

Esse final é típico das fábulas, que são também contos populares transmitidos de geração a geração. “Uma fábula parece ser, no seu esta: genuíno, uma narrativa na qual seres irracionais, e algumas vezes inanimados, com a finalidade de dar instrução moral, simulam agir e falar com interesses e paixões humanas” (Samuel Johnson). Muitas vezes santimonial, algumas vezes divertidas, a fábula sempre afirma explicitamente uma verdade moral não há significado oculto, nada é deixado à nossa imaginação.

O conto de fadas, em contraste, deixa todas as decisões a nosso encargo, incluindo a opção de querermos ou não chegar a decisões. Cabe-nos decidir se desejamos fazer qualquer aplicação à nossa vida a partir de um conto de fadas, ou simplesmente apreciar as situações fantásticas de que ele: fala. Nosso prazer é o que nos induz a reagir segundo o tempo que estamos vivendo aos significados ocultos, na medida em que podem-se relacionar à nossa experiência de vida e atual estado de desenvolvimento pessoal.

Uma comparação de “Os três porquinhos” com “A cigarra e a formiga” acentua a diferença entre um conto de fadas e uma fábula A cigarra, à semelhança dos porquinhos e da própria criança, está inclinada a brincar, com pouca preocupação pelo futuro. Em ambas as estórias a criança identifica-se com os animais (embora só um pedante hipócrita possa identificar-se com a formiga sórdida, e só uma criança mentalmente doente com o lobo); mas depois de ter-se identificado com a cigarra, não sobra esperança para a criança, de acordo com a fábula. Para a cigarra dominada pelo princípio do prazer, não há o que esperar a não ser a condenação: é uma situação do tipo “ou/ ou”, onde tendo feito uma escolha uma vez, estabelecem-se as coisas para sempre.

Mas a identificação com os porquinhos do conto de fadas ensina que há desenvolvimentos – possibilidades de progresso do princípio do prazer para o princípio da realidade, o que, afinal de contas, não é senão uma modificação do primeiro. A estória dos três porquinhos sugere uma transformação na qual muito do prazer é retido, porque agora a satisfação é buscada com verdadeiro respeito pelas exigências da realidade. O terceiro porquinho, esperto e brincalhão, vence o lobo em astúcia várias vezes: primeiro, quando o lobo tenta três vezes atrair o porquinho para fora da segurança do lar apelando para sua voracidade oral, propondo expedições onde os dois conseguiriam uma comida deliciosa, O lobo procura tentar o porquinho com nabos que podem ser roubados, depois com maçãs e finalmente com uma visita a uma feira.

Só depois que estes esforços malogram é que o lobo se move para a matança. Mas ele tem que entrar na casa do porquinho para regá-lo, e uma vez mais o porquinho vence, pois o lobo cai pela chaminé dentro da água fervendo e termina como carne cozida para o porquinho. Uma justiça retribuidora é feita: o lobo que devorou os outros dois porquinhos e desejava devorar o terceiro, termina como carne para o porquinho.

A criança, que através da estória foi convidada a identificar-se com um de seus protagonistas, não só recebe esperança, mas também lhe é dito que através do desenvolvimento de sua inteligência ela pode sair-se vitoriosa mesmo sobre um oponente muito mais forte.

De acordo com o primitivo senso de justiça (e o da criança) só aqueles que fizeram algo realmente mau são destruídos, a fábula parece ensinar que é errado apreciar a vida quando na verdade é bom como no verão. Ainda pior, a formiga nesta fábula é um animal sórdido, sem nenhuma compaixão pelo sofrimento da cigarra – e é esta figura que se pede à criança que tome como exemplo.

O lobo, ao contrário, é obviamente um animal malvado, porque deseja destruir. A maldade do lobo é alguma coisa que a criancinha reconhece dentro de si: seu desejo de devorar e a consequência: – sua ansiedade de sofrer possivelmente, ela mesma, um tal destino. Assim o lobo é uma externalização, uma projeção da maldade da criança – e a estória conta como se pode lidar com ela construtivamente.

As várias excursões nas quais o mais velho dos porquinhos consegue comida por bons meios são facilmente negligenciadas, mas são partes significativas da estória porque mostram que há um mundo de diferenças entre comer e devorar. A criança subconscientemente entende-o como a diferença entre o princípio do prazer descontrolado, quando alguém deseja devorar tudo imediatamente, ignorando as consequências, e o princípio da realidade, de acordo com o qual uma pessoa sai inteligentemente buscando comida. O porquinho maduro consegue a tempo trazer as provisões para casa antes que o lobo apareça em cena. Que melhor demonstração do valor de atuar na base do princípio da realidade, e em que isto consiste, do que o fato do porquinho se levantar bem cedinho de manhã para assegurar a comida deliciosa, e, ao fazê-lo, burlar as malvadas intenções do lobo?

Nos contos de fadas é tipicamente a criança mais jovem que, embora de início menosprezada ou escarnecida, torna-se vitoriosa no final. “Os três porquinhos” desvia-se deste padrão, pois é o mais velho dos porquinhos quem é sempre superior aos outros dois. Uma explicação pode ser encontrada no fato de que todos os três porquinhos são “pequenos”, e portanto imaturos, como a própria criança. A criança, por sua vez, se identifica com cada um deles e reconhece a progressão de identidade. “Os três porquinhos” é um conto de fadas devido a seu final feliz, e porque o lobo recebe o que merece.

Enquanto o senso de justiça da criança é ofendido pela pobre cigarra tendo que morrer de fome embora não tenha feito nada de errado, seu sentimento de equidade é satisfeito pela punição do lobo. Como os três porquinhos representam estágios no desenvolvimento do homem, o desaparecimento dos primeiros dois porquinhos não é traumático; a criança compreende inconscientemente que temos que nos desprender de formas primárias de existência se quisermos passar para outras mais elevadas.

Falando com criancinhas sobre “Os três porquinhos”, encontramos apenas regozijo pela merecida punição do lobo e a esperta vitória do mais velho dos porquinhos – e não pesar pela sorte dos dois menores. Mesmo uma criancinha parece compreender que todos os três são na realidade um único e mesmo em diferentes estágios – o que é sugerido pelo fato de responderem ao lobo exatamente com as mesmas palavras: “Não, não, não pelos pêlos de minha bar-bar-ba!” “Os três porquinhos” dirige o pensamento da criança sobre seu próprio desenvolvimento sem nunca dizer o que deveria ser, permitindo à criança extrair suas próprias conclusões.

Este processo sozinho provê um verdadeiro amadurecimento, enquanto dizer para a criança o que fazer apenas substitui a servidão de sua própria imaturidade pelo cativeiro da servidão aos ditames dos adultos.

Caso seja usuário da Biblioteca Virtual da Antroposofia, acesse os Contos Originais:

Os 3 porquinhos e o grande lobo mau

A cigarra e a formiga

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Gente do Bem

Gente do Bem

Tom Coelho

Gente do bem

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“Um nobre exemplo torna fáceis as ações difíceis.”

Johann Goethe

Em meio ao trânsito desordenado, um motorista gentilmente cede-me passagem. Visito um ex-professor na faculdade que, com prazer, percorre toda a instituição, mostrando-me a evolução da infraestrutura local e as melhorias implementadas na qualidade do ensino. Apresento um cliente a um gerente de banco que, de imediato, toma providências no sentido de atender às suas necessidades. Recebo um breve telefonema de um amigo com quem não falava há tempos apenas para mandar lembranças.

Cenas aparentemente triviais, talvez até desprovidas de motivação para serem memorizadas, porém, capazes de colorir com satisfação e gratidão um dia como outro qualquer. Dizem que Deus está nos detalhes. Nós é que não percebemos…

Como tudo na vida, estamos sujeitos a situações opostas àquelas que acabo de relatar. De um motorista que quase provoca um acidente para evitar ser ultrapassado a profissionais de atendimento ao público que prestam um verdadeiro desserviço pela falta de atenção e empatia. Quem já não perdeu o humor pela ausência de um cumprimento matinal de um familiar, por um comentário depreciativo ou jocoso de um colega de trabalho, por uma reprimenda pública e desmesurada?

Quando pequenos, somos ensinados a fazer o bem. Isso pode ser traduzido em praticar uma “boa ação” diária, algo como ajudar um idoso a atravessar a rua – essa é uma imagem emblemática para mim. Fazer o bem em escala maior é missão para super-heróis dotados de superpoderes, aptos a salvar toda a humanidade, promovendo a justiça e combatendo o mal.

Nossas pernas crescem e nossa imaginação encurta. Então, descobrimos que não há super-heróis, não há superpoderes, a humanidade não pode ser salva, a justiça é utópica e o mal viceja. Por isso, desistimos de ajudar os idosos a atravessarem a rua e deixamos de pronunciar palavras de agradecimento, apoio e conforto àqueles que nos cercam. Assim, paramos de praticar o bem e perdemos a capacidade de enxergá-lo.

A vida, tomada racionalmente, não é fácil para a maioria das pessoas. Quando se tem saúde, não se tem trabalho. Quando se tem trabalho, não se ganha o suficiente. Quando se ganha o suficiente, não se tem reconhecimento. Quando se tem reconhecimento, não se tem paixão. Quando se tem paixão, não se encontra o amor. Quando se encontra o amor, falta a saúde…

Cada um de nós tem uma missão a cumprir. E cada missão vem embalada em um fardo que não é nem grande, nem pequeno, mas na medida exata do que podemos suportar. Uns têm fardos maiores que outros. Alguns enfrentam adversidades mais contundentes. No entanto, todos têm limitações.

Se os super-heróis do bem nos parecem tão figurativos, as personagens do mal materializam-se, ganhando carne e osso e uma habilidade ímpar de nos assediar. É nesse momento que devemos buscar o que temos de melhor, não com base na sorte ou em fatores externos, mas em nossa força interior. E direcionar esse potencial para o caminho do bem.

Shakespeare dizia: “O mal que os homens fazem vive depois deles enquanto o bem é quase sempre enterrado com seus ossos”. Costumo pontuar que é muito importante tomar cuidado com as palavras. Quando você diz algo que desagrada a alguém, pouca valia haverá em se desculpar depois. Porque não importa o que você disse, mas importa o que ficou depois do que você disse.

Fazer o bem faz bem. O bem despretensioso, genuíno, sem paga. É caminhada que não desgasta os sapatos, subida que não cansa. É fonte de prazer e de alegria.

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Você sabe que é MÃE WALDORF quando….

Você sabe que é MÃE WALDORF quando….

Andreza Sichieri Mantovanelli Pestana Mota

Amanda Greavette

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-Leva uma rasteirinha dentro do carro para entrar na escola quando está de salto

-Mesmo com toda a pressa do mundo você leva seu filho até a porta da sala de aula

-Mesmo sabendo que isso se dá todos os dias, você se emociona ao ver o professor cumprimentá-lo com aperto de mão e olhando nos olhos

-Já programa o almoço para pelo menos uma hora após o sinal da saída sabendo que os filhos não querem ir embora da escola antes de brincar

-Aumenta em três vezes a quantidade de sabão para lavar roupas

-Nas festas da escola você compra os ingredientes, prepara, de véspera, o alimento com outras mães, monta e decora as barracas, vende e compra o que preparou

-Compra uma briga enorme com alguns para tirar a tão perigosa salsicha das festas da escola e ufa… consegue!

-Mesmo sem nunca ter pego em uma agulha leva artesanatos para casa para fazer, vender e comprar no bazar natalino

-Marca todos os seus compromissos depois das 9hs na segunda feira para poder assistir a Alvorada e ouvir o verso da manhã

-Vibra vendo seu filho tocar um instrumento mesmo quando está totalmente desafinado ou em desarmonia com o todo

-Participa como representante de classe por dois, três anos seguidos acreditando que o trabalho junto à professora pode ajudar no exercício de uma educação responsável e atenta

-Tem a porta da geladeira decorada com desenhos de Páscoa, São João, São Micael e São Nicolau.

-Conta ao seu filho a mesma história por 30 noites seguidas sabendo do resultado dessa persistência

-Mesmo cuidando da alimentação e do ritmo come, antes do almoço, um pãozinho preparado pelo filho na escola no caminho de volta para a casa

-Participa do Conselho de Pais acreditando que a multiplicação da Antroposofia e a troca de vivências tem um poder transformador dentro de uma comunidade fraterna

-Acredita que a escola Waldorf não é uma escola só para os filhos e sim para uma vida em comum-unidade

-Se descobre “mãe” de todos os pequenos quando uma criança da escola, perdida dos pais em uma festa, lhe pede colo e dorme em seus braços durante uma apresentação da Dança da Tocha

-Vibra com a colheita do rabanete da sala ao lado, com a apresentação do circo e com o teatro do 12º ano

-Percebe que sua roda de amigos vai tornando-se cada vez mais coerente no que se pensa, se sente e se faz… E fica imensamente feliz por isso!

-Vibra ao ver os amiguinhos de seus filhos comendo arroz integral, grãos, saladas e frutas quando almoçam em sua casa

-Esquece o que é desenhar com canetinhas, se interessando cada vez mais mais pelos gizes de cera de abelha e lápis lyra, contando os dias para seu filho escrever com pena e caneta tinteiro

-Fica totalmente encantada com os cadernos dos alunos, sem pautas, verdadeiras obras de arte

-Mesmo sofrendo com o processo de autodesenvolvimento e autoeducação não desiste de tornar-se um ser humano cada dia melhor

-Aprende a ouvir mais e falar menos

-Conclui que, mesmo sendo um ET para alguns, tem cada vez mais certeza da escolha que fez e sente-se cada dia mais feliz com esse grande impulso social que é a Escola Waldorf!!

Gratidão!!!

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A regeneração da figura do Pai

A regeneração da figura do pai e a violência na sociedade

Leonardo Boff

father

É notória a crise da figura do pai na sociedade contemporânea. Por função parental, ele é o principal criador do limite para os filhos e filhas. Seu eclipse provocou um crescimento de violência entre os jovens nas escolas e na sociedade, que é exatamente a não consideração dos limites.

O enfraquecimento da figura do pai, desestabilizou a família. Os divórcios aumentaram de tal forma que surgiu uma verdadeira sociedade de famílias de divorciados. Não ocorreu apenas o eclipse do pai mas também a morte social do pai.

A ausência do pai é, por todos os títulos, inaceitável. Ela desestrutura os filhos/filhas, tira o rumo da vida, debilita a vontade de assumir um projeto e ganhar autonomamente a própria vida.

Faz-se urgente um re-engendramento, sobre outras bases, da figura do pai. Para isso antes de mais nada é de fundamental importância, fazer a distinção entre os modelos de pai e o princípio antropológico do pai. Esta distinção, descurada em tantos debates, até científicos, nos ajuda a evitar mal-entendidos e a resgatar o valor inalienável e permanente da figura do pai.

A tradição psicanalítica deixou claro que o pai é responsável pela primeira e necessária ruptura da intimidade mãe-filho/filha e a introdução do filho/filha num outro continente, o transpessoal, dos irmãos/irmãs, dos avós, dos parentes e de outros da sociedade.

Na ordem transpessoal e social, vige a ordem, a disciplina, o direito, o dever, a autoridade e os limites que devem valer entre um grupo e outro. Aqui as pessoas trabalham, se conflituam e realizam projetos de vida Em razão disso, os filhos/filhas devem mostrar segurança, ter coragem e disposição de fazer sacrifícios, seja para superar dificuldades, seja para alcançar algum objetivo.

Ora, o pai é o arquétipo e a personificação simbólica destas atitudes. É a ponte para o mundo transpessoal e social. A criança ou o jovem ao entrar nesse novo mundo, devem poder orientar-se por alguém. Se lhes faltar essa referência, se sentem inseguros, perdidos e sem capacidade de iniciativa.

É neste momento que se instaura um processo de fundamental importância para a jovem psiqué com consequências para toda vida: o reconhecimento da autoridade e a aceitação do limite que se adquire através da figura do pai.

A criança vem da experiência da mãe, do aconchego, da satisfação dos seus desejos, do calor da intimidade onde tudo é seguro, numa espécie de paraíso original. Agora, tem que aprender algo de novo: que este novo mundo não prolonga simplesmente a mãe; nele, há conflitos e limites. É o pai que introduz a criança no reconhecimento desta dimensão. Com sua vida e exemplo, o pai surge como portador de autoridade, capaz de impor limites e de estabelecer deveres.

É singularidade do pai ensinar ao filho/filha o significado destes limites e o valor da autoridade, sem os quais eles não ingressam na sociedade sem traumas. Nesta fase, o filho/filha se destacam da mãe, até não querendo mais lhe obedecer e se aproximam do pai: pede para ser amado por ele e esperam dele orientações para a vida. É tarefa do pai explicar ajudar a superar a tensão com a mãe e recuperar a harmonia com ela.

Operar esta verdadeira pedagogia é desconfortável. Mas se o pai concreto não a assumir está prejudicando pesadamente seu filho/filha, talvez de forma permanente.

O que ocorre quando o pai está ausente na família ou há uma família apenas materna? Os filhos parecem mutilados, pois se mostram inseguros e se sentem incapazes de definir um projeto de vida. Têm enorme dificuldade de aceitar o princípio de autoridade e a existência de limites.

Uma coisa é este princípio antropológico do pai, uma estrutura permanente, fundamental no processo de individuação de cada pessoa. Esta função personalizadora não está condenada a desaparecer. Ela continua e continuará a ser internalizada pelos filhos e filhas, pela vida afora, como uma matriz na formação sadia da personalidade. Eles a reclamam.

Outra coisa são os modelos histórico-sociais que dão corpo ao princípio antropológico do pai. Eles são sempre cambiantes, diversos nos tempos históricos e nas diferentes culturas. Eles passam.

Uma coisa, por exemplo, é a forma do pai patriarcal do mundo rural com fortes traços machistas. Outra coisa ainda é o pai da cultura urbana e burguesa que se comporta mais como amigo que como pai e aí se dispensa de impor limites.

Todo este processo não é linear. É tenso e objetivamente difícil mas imprescindível. O pai e a mãe devem se coordenar, cada um na sua missão singular, para agirem corretamente. Devem saber que pode haver avanços e retrocessos; estes pertencem à condição humana concreta e são normais.

Importa também reconhecer que, por todas as partes, surgem figuras concretas de pais que com sucesso enfrentam as crises, vivem com dignidade, trabalham, cumprem seus deveres, mostram responsabilidade e determinação e desta forma cumprem a função arquetípica e simbólica para com os filhos/filhas. É uma função indispensável para que eles amadureçam e ingressem na vida sem traumas até que se façam eles mesmos pais e mães de si mesmos. É a maturidade.

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Para a Época de Micael

Para estes tempos nos quais temos sido aterrorizados pela mídia, atividade tipicamente luciférica, e justamente por estarmos a vivenciar esta época, a qual foi denominada por Rudolf Steiner de Época Micaélica, cuja atuação é anular as tais forças luciféricas, que agem no pensar, Steiner nos propõe estas duas meditações:

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Verso para Época de Micael

Rudolf Steiner

Temos de erradicar da alma todo medo e terror que o futuro possa trazer ao homem.
Temos de adquirir serenidade em todos os sentimentos e sensações a respeito do futuro.
Temos de olhar para a frente com absoluta equanimidade para com tudo o que possa vir. E temos que pensar somente que tudo o que vier, nos será dado por uma direção mundial plena de sabedoria.
Isto é parte do que temos que aprender nesta era, a saber viver com pura confiança, sem qualquer segurança na existência, confiança na ajuda sempre presente do mundo espiritual.
Em verdade nada terá valor se a coragem nos faltar.
Disciplinemos nossa vontade, e busquemos o despertar interior, todas as manhas e todas as noites.

Forjando a armadura

Rudolf Steiner

Nego-me a me submeter ao medo
que me tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada,
que me toma pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue,que ocupa negativamente minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.
No entanto não quero levantar barricadas por medo
do medo. Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não
para encobrir meu medo.
E, quando me calo, quero
fazê-lo por amor
e não por temer as
conseqüências de minhas
palavras.
Não quero acreditar em algo
só pelo medo de
não acreditar.
Não quero filosofar por medo
que algo possa
atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só
porque tenho medo
de não ser amável.
Não quero impor algo aos
outros pelo medo
de que possam impor algo a mim;
por medo de errar, não quero
tomar-me inativo.
Não quero fugir de volta para
o velho, o inaceitável,
por medo de não me sentir
seguro no novo.
Não quero fazer-me de
importante porque tenho medo
de que senão poderia ser ignorado.
Por convicção e amor, quero
fazer o que faço e
deixar de fazer o que deixo de fazer.
Do medo quero arrancar o
domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que
existe em mim.

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História Curativa: A menina e o pássaro encantado

“Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.”

Rubem Alves

passaro

A menina e o pássaro encantado

Rubem Alves

Era uma vez uma menina que tinha um pássaro como seu melhor amigo.
Ele era um pássaro diferente de todos os demais: era encantado.
Os pássaros comuns, se a porta da gaiola ficar aberta, vão-se embora para nunca mais voltar. Mas o pássaro da menina voava livre e vinha quando sentia saudades… As suas penas também eram diferentes. Mudavam de cor. Eram sempre pintadas pelas cores dos lugares estranhos e longínquos por onde voava. Certa vez voltou totalmente branco, cauda enorme de plumas fofas como o algodão…
— Menina, eu venho das montanhas frias e cobertas de neve, tudo maravilhosamente branco e puro, brilhando sob a luz da lua, nada se ouvindo a não ser o barulho do vento que faz estalar o gelo que cobre os galhos das árvores. Trouxe, nas minhas penas, um pouco do encanto que vi, como presente para ti…
E, assim, ele começava a cantar as canções e as histórias daquele mundo que a menina nunca vira. Até que ela adormecia, e sonhava que voava nas asas do pássaro.
Outra vez voltou vermelho como o fogo, penacho dourado na cabeça.
— Venho de uma terra queimada pela seca, terra quente e sem água, onde os grandes, os pequenos e os bichos sofrem a tristeza do sol que não se apaga. As minhas penas ficaram como aquele sol, e eu trago as canções tristes daqueles que gostariam de ouvir o barulho das cachoeiras e ver a beleza dos campos verdes.
E de novo começavam as histórias. A menina amava aquele pássaro e podia ouvi-lo sem parar, dia após dia. E o pássaro amava a menina, e por isto voltava sempre.
Mas chegava a hora da tristeza.
— Tenho de ir — dizia.
— Por favor, não vás. Fico tão triste. Terei saudades. E vou chorar…— E a menina fazia beicinho…
— Eu também terei saudades — dizia o pássaro. — Eu também vou chorar. Mas vou contar-te um segredo: as plantas precisam da água, nós precisamos do ar, os peixes precisam dos rios… E o meu encanto precisa da saudade. É aquela tristeza, na espera do regresso, que faz com que as minhas penas fiquem bonitas. Se eu não for, não haverá saudade. Eu deixarei de ser um pássaro encantado. E tu deixarás de me amar.
Assim, ele partiu. A menina, sozinha, chorava à noite de tristeza, imaginando se o pássaro voltaria. E foi numa dessas noites que ela teve uma ideia malvada: “Se eu o prender numa gaiola, ele nunca mais partirá. Será meu para sempre. Não mais terei saudades. E ficarei feliz…”
Com estes pensamentos, comprou uma linda gaiola, de prata, própria para um pássaro que se ama muito. E ficou à espera. Ele chegou finalmente, maravilhoso nas suas novas cores, com histórias diferentes para contar. Cansado da viagem, adormeceu. Foi então que a menina, cuidadosamente, para que ele não acordasse, o prendeu na gaiola, para que ele nunca mais a abandonasse. E adormeceu feliz.
Acordou de madrugada, com um gemido do pássaro…
— Ah! menina… O que é que fizeste? Quebrou-se o encanto. As minhas penas ficarão feias e eu esquecer-me-ei das histórias… Sem a saudade, o amor ir-se-á embora…
A menina não acreditou. Pensou que ele acabaria por se acostumar. Mas não foi isto que aconteceu. O tempo ia passando, e o pássaro ficando diferente. Caíram as plumas e o penacho. Os vermelhos, os verdes e os azuis das penas transformaram-se num cinzento triste. E veio o silêncio: deixou de cantar.
Também a menina se entristeceu. Não, aquele não era o pássaro que ela amava. E de noite ela chorava, pensando naquilo que havia feito ao seu amigo…
Até que não aguentou mais.
Abriu a porta da gaiola.
— Podes ir, pássaro. Volta quando quiseres…
— Obrigado, menina. Tenho de partir. E preciso de partir para que a saudade chegue e eu tenha vontade de voltar. Longe, na saudade, muitas coisas boas começam a crescer dentro de nós. Sempre que ficares com saudade, eu ficarei mais bonito. Sempre que eu ficar com saudade, tu ficarás mais bonita. E enfeitar-te-ás, para me esperar…
E partiu. Voou que voou, para lugares distantes. A menina contava os dias, e a cada dia que passava a saudade crescia.
— Que bom — pensava ela — o meu pássaro está a ficar encantado de novo…
E ela ia ao guarda-roupa, escolher os vestidos, e penteava os cabelos e colocava uma flor na jarra.
— Nunca se sabe. Pode ser que ele volte hoje…
Sem que ela se apercebesse, o mundo inteiro foi ficando encantado, como o pássaro. Porque ele deveria estar a voar de qualquer lado e de qualquer lado haveria de voltar. Ah!
Mundo maravilhoso, que guarda em algum lugar secreto o pássaro encantado que se ama…
E foi assim que ela, cada noite, ia para a cama, triste de saudade, mas feliz com o pensamento: “Quem sabe se ele voltará amanhã….”
E assim dormia e sonhava com a alegria do reencontro.

* * *

Para o adulto que for ler esta história para uma criança:
Esta é uma história sobre a separação: quando duas pessoas que se amam têm de dizer adeus…
Depois do adeus, fica aquele vazio imenso: a saudade.
Tudo se enche com a presença de uma ausência.
Ah! Como seria bom se não houvesse despedidas…
Alguns chegam a pensar em trancar em gaiolas aqueles a quem amam. Para que sejam deles, para sempre… Para que não haja mais partidas…
Poucos sabem, entretanto, que é a saudade que torna encantadas as pessoas. A saudade faz crescer o desejo. E quando o desejo cresce, preparam-se os abraços.
Esta história, eu não a inventei.
Fiquei triste, vendo a tristeza de uma criança que chorava uma despedida… E a história simplesmente apareceu dentro de mim, quase pronta.
Para quê uma história? Quem não compreende pensa que é para divertir. Mas não é isso.
É que elas têm o poder de transfigurar o quotidiano.
Elas chamam as angústias pelos seus nomes e dizem o medo em canções. Com isto, angústias e medos ficam mais mansos.
Claro que são para crianças.
Especialmente aquelas que moram dentro de nós, e têm medo da solidão…

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Condutas saudáveis para crianças no jardim

Condutas saudáveis para crianças no jardim

Thomas Aerts

condutas

Para as crianças de 4 anos que não querem fazer nada nem ajudar devemos usar imagens pois estas, atuam no etérico delas. Por exemplo para arrumar as cadeiras dizemos; por favor, você pode levar esse carro para sua garagem? Quando sabemos a profissão dos pais usamos imagens que tem a ver com eles  e a criança percebe e quer fazer como os pais. Por exemplo, tive uma criança filha de pedreiro e eu dizia ao pedir para guardar os brinquedos: você pode levar esse saco de cimento para a obra, por favor? Você pode levar esse bebê para o Hospital, caso o pai fosse médico.

Professor homem, jardineiro, gasta muito mais etérico que a mulher porque não tem tanto quanto ela. Por isso necessita quando sai e quando chega em casa fazer euritmia, música, para repor etérico.

Com 5 anos as imagens no jardim já não funcionam tanto.

O cérebro dos meninos são diferentes dos das meninas. Coloco uma cadeira de pernas para cima, enfio nela uns cabos de vassoura, coloco neles uma corda e deixo no meio da sala. Os meninos quando chegam e vêem aquilo logo inventam o que fazer.

Tenho panos de 8 metros dobrados no meu armário e quando eles não sabem o que fazer os convido a pegarem os panos longos e aí eles se animam para brincar.

Usamos nosso corpo físico e etérico no trabalho com crianças, mas não podemos usar nosso corpo astral chantageando ou se aborrecendo diante das crianças. Do nosso corpo astral podemos usar nossa alegria.

Nosso Eu usamos quando falamos diretamente o que queremos: — Agora pegue essa cadeira e a coloque no seu lugar. E saímos de perto para fazer algo com sentido. A criança pode não fazer imediatamente o que foi pedido. Podemos deixá-la fazer no tempo dela. Se ela não o fizer perguntamos: você vai guardar a cadeira sozinha ou quer que eu a ajude (sem raiva). E pego na sua mão ou no seu braço e juntos guardamos a cadeira. A criança precisa perceber que quem dá as ordens somos nós adultos. Fazemos acordos diários: quem vai apagar a vela hoje; quem vai me ajudar hoje, quem vai levar tal coisa hoje.

A criança de 6 anos, uma vez pronto o corpo, usa a cabeça mas ainda são descontrolados seus movimentos. Quer carregar coisas grandes e pesadas porque suas forças necessitam serem usadas. Querem experimentar tudo o que acham que são capazes: subir em lugares altos, pular do alto, carregar troncos, cadeiras, caixotes.

Vive na polaridade: querem ser o rei, o servente, o diabo e o anjo, até encontrarem seu centro, seu eixo. Portanto, devemos proporcionar oportunidades para que vivenciem essas experiências.

Quando as crianças de 6 anos atrapalham na roda ou nas outras atividades é porque querem ser percebidas, querem ser vistas, notadas. Coloco a criança no meio da roda e digo que ela é o coração do sol. Ela, assim, se sente o máximo; se sente aquecida pelo calor do coração no meio do sol. Podemos também deixá-los falar o verso sozinho para se sentirem importantes, com responsabilidade e nos mostrar aquilo de que são capazes.

Nas festas do jardim pedimos ajuda às crianças maiores que já vivenciaram essas festas noutros anos. Fazê-los lembrar de como foi no ano passado e como faremos agora faz com que se sintam importantes e valorizados.

Uma atividade para se fazer com os grandes a fim de que eles se concentrem por um espaço de tempo é o desenho móvel. Pedimos para que desenhem numa folha grossa e depois vamos colocando elementos que possam ser movidos por uma fenda feita com estilete no papel. Não fazemos recortes detalhados, muito precisos. Se a figura é pequena como um pássaro,  o recortamos num círculo. Somente o professor pode usar o estilete e a tesoura.

Essa atividade começa e acaba no mesmo dia. Os pequenos podem ter a ajuda dos maiores que por sua vez tem a ajuda do professor. Desenho móvel é muito melhor do que atividade fina nessa idade porque trabalha com imagens.

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Agricultura Biodinâmica

Agricultura Biodinâmica

Raphael Vasconcelos Balboni

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Desde o começo do ultimo século a humanidade entrou profundamente dentro da materialidade do mundo percebível. Isso desligou a espírito da observação dos fenômenos da vida, causando profundos colapsos nas relações entre homem e mundo, abrindo espaços para as máquinas e os incríveis botões.
Nada mal se o conforto fosse para todos e a meta e a saúde o foco. Mas essa tecnologia de “apertar botões” exclui e afastou o homem de si e do mundo, causando grandes guerras e o paradoxo da destruição total.

O tido egoísmo foi capaz de almejar o aumento da produção (quantidade) em detrimento da poluição (qualidade).

Hoje sabemos que grande parte dos insumos agrícolas são derivados restantes da produção das bombas há época, como a famosa série NPK, sais retirados artificialmente do ar atmosférico que diluídos em água vão ao solo com a predatória força dos tratores (tanques de guerra), excluindo a mão de obra camponesa e exaurindo os recursos naturais e patrimônios culturais dos povos da Terra.

Seguimos nesse frenético desenvolvimento até chegar aqui, onde mais de setenta por certo da população mundial vive em grandes centros, quase a metade famintos, deixando o campo na mão de máquinas e extensas monoculturas detidas por empresários que fazem agricultura somente visando o lucro.

Onde esta a Agricultura Biodinâmica?

Ela nasce na Europa nessa mesma época escura de conflitos e destruição.

Proposta feita pelo doutor em física, química e filosofia Rudolf Steiner, criador da Antroposofia, um caminho de conhecimento científico e espiritual, que transcende o egoísmo e propõem uma harmonia entre homem e natureza.

Em 1924 ele apresentou uma nova concepção de ver o trabalho com a terra. A partir de uma ampla visão onde concebe a Terra como um organismo vivo que é não somente reflexo do cosmos como é constituída a partir de suas leis e ritmos.

Pela primeira vez na história da humanidade a agricultura é vista não como objeto de exploração da terra, mas como arte de vivificar o solo.
Segundo a brasileira e agrônoma Ana Maria Primavesi a ecologia aplicada na pratica sobre a agricultura é a única maneira que pode sustentar a produção em longo prazo, sem o abuso e manipulação erronia da vida, da natureza e da sociedade.

A Agricultura Biodinâmica é uma técnica eficiente de produzir alimentos saudáveis sem desconectar o homem da terra e do céu, nem dos seus semelhantes. Ela quer atuar como harmonizadora das forças de oposição, usando a observação holística e lançando mão nos princípios homeopáticos e na construção de um organismo agrícola autosuficiente.

Otimizando os recursos naturais e os fatores gratuitos de produtividade, ela administra racionalmente a interdependência entre produção e consumo, resgatando o conhecimento ancestral e estimulando a criação de uma paisagem heterogênea.
Floresta, várzea, campina, pomar, horta, pastagem, animais e humanos juntos, convivendo em sincronia como um todo indissoluto. Ampliando a biodiversidade e a interação mediante uma concepção artística e única.

Cada fazenda ou sítio é tida como uma individualidade autosuficiente.
Toda agricultura que necessita de insumos vindos de fora desse organismo é percebida como doente e insustentável.

Fazer essa agricultura é assumir a sua individualidade com responsabilidade e como um ser que tem corpo, alma e espírito. Usando seu potencial de maneira consciente, atuando na sociedade com sua vontade voltada para o social, ambiental e cultural ao mesmo tempo.

Optar por essa produção diferenciada é escolher um mundo melhor.
Seus frutos são comprovadamente mais saborosos, perfumados e vitalmente nutritivos, gerando satisfação para o produtor e para o consumidor. Sem, no entanto, destruir o programático e os planejáveis tão quistos pela modernidade atual.

Ao contrario, essa agricultura detém um calendário agrícola astronômico, criado pela pesquisadora e produtora biodinâmica alemã Maria Thun, que através de suas experiências foi capaz de comprovar a atuação dos astros na efetividade produtiva e qualidade sanativa desse manejo.

Não apenas ela, mas pessoas em todo o mundo atual praticam Agricultura Biodinâmica, que vem ganhando seu espaço e provando não só a sua eficácia como um ser prático e espiritual, mas aproximando o homem da terra e conciliando envolvimento de alma com a matéria terrena.

Nós neste processo somos co-criadores da natureza, não apenas peças frágeis alienadas num grande sistema de máquinas voltados para o egoísmo e o lucro de poucos, somos humanos despertos que buscam ativamente um melhoramento do solo, das plantas e dos animais sem qualquer interesse exclusivamente pessoal mas altruísta e global.

Será que estamos preparados? Podemos realmente unir qualidade de vida e natureza em equilíbrio? Ainda é tempo para salvar a Terra?

Sim, eu acredito que a Agricultura Biodinâmica é uma das formas reais e altamente coerentes de solucionar a fissão do núcleo da sociedade.

Que como Einstein eu também acredito ser mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito.

Vovó já me dizia também…”A esperança é a ultima que morre”.

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Em São Paulo, na Casa do Núcleo:

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MÍDIA E SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

MÍDIA E SEXUALIDADE NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Acúrsio Esteves

mídia e sexualidade

Refletir sobre a infância é uma tarefa difícil, principalmente nos tempos atuais onde as mudanças sociais, principalmente os seus aspectos condenáveis, se processam em proporções geométricas, e a tomada de consciência, a absorção destes conteúdos por parte da família e educadores em proporção matemática. Esta dificuldade se agiganta quando ousamos falar em sexualidade, porém, o enfrentamento deste e outros obstáculos constituem tarefa da família, igreja, escola e o estado.

Os caminhos a serem percorridos pelos citados segmentos sociais, especialmente pela escola, na direção da resolução destes problemas, devem sempre levar em conta uma nova e atual leitura sobre a infância, pois a dinâmica das mudanças assim o exigem.

A sociedade neoliberal “inventou” uma criança de perfil consumista, em total desacordo com os valores preconizados por todas as pedagogias sejam elas progressistas ou tradicionais ou com as teorias do desenvolvimento sexual sejam elas freudianas ou lacanianas. Este perfil traduz um desacordo na concepção moderna de infância, no intuito de atender única e exclusivamente os interesses da Indústria Cultural.

Diversos autores chamam a nossa atenção para o “furto da infância”, a “desinvenção da infância na pós-modernidade”, o “amadurecimento precoce”, a “infância roubada” a “queima de etapas” e tantos outros termos que traduzem a mesma preocupação. A usurpação dos direitos da criança ser criança e a sua projeção prematura no mundo dos adultos.

As cobranças sociais são enormes e as crianças não podem arcar sozinhas com este ônus, elas não têm condição de, como Atlas, suportar nos ombros o peso do mundo. Acabam como Prometeu, acorrentado sob o jugo implacável de uma águia que diariamente lhe dilacera o ventre e devora as entranhas. Elas precisam do apoio e da orientação daqueles que as rodeiam e em quem confiam, para que se tornem Atena e com sabedoria e coragem trilhem seus próprios caminhos. Faz-se necessário que cada um de nós viva e goste de viver o seu próprio tempo, inclusive e principalmente as crianças, pois segundo Caetano, ”cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”. Isto pode ser aprendido. Logo, pode ser ensinado.

Não se trata aqui de simplesmente execrar ou emitir um juízo de valor em relação às programações e produção musical da mídia radiofônica ou televisiva, mesmo por que estes meios também produzem mesmo que raramente programação de qualidade, mas de questionar a responsabilidade principal da família, da escola e da sociedade como um todo frente a estas situações. Estes aparelhos de controle social são regidos pelas leis de mercado dentro de um sistema capitalista, logo pragmático. Estão cumprindo o seu papel de controle social. Cumpramos também o nosso de educadores pais e mães, de defender as nossas crianças, mediando esta difícil relação predatória.
A constatação da pluralidade de significados possíveis de serem apreendidos/construídos no decorrer da emissão/recepção midiática possibilitaria uma compreensão mais orgânica e menos determinista dessa relação. A escola não deve competir com a TV, mas travar com ela um jogo dialético (MARCONDES FILHO, 1988).

O papel das instituições família e escola deve ser o de educar humanizando, para que as crianças, sejam filhos ou alunos, possam fortalecer-se e adquirir o discernimento necessário para combater de “per si” os abusos ideológicos engendrados contra eles pela indústria cultural. Aí também está compreendida a obrigação de se viabilizar uma vida adulta bem equilibrada, baseada em princípios éticos e morais onde o respeito ao próximo e a aceitação das diferenças sejam valores comuns e presentes nas suas vidas.

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Déficit de atenção – Malefícios da TV no cérebro das crianças

DÉFICIT DE ATENÇÃO

Estudo comprova malefícios da TV no cérebro de crianças

Lindsey Tanner

televisaoTirem as crianças da frente da TV. Pesquisadores descobriram que cada hora passada diante da televisão faz com que crianças em idade pré-escolar aumentem suas chances de desenvolver problemas de déficit de atenção mais tarde.

Os resultados atestam que a TV pode diminuir os níveis de atenção das crianças e apóiam a recomendação da Academia Americana de Pediatria, segundo a qual crianças com menos de dois anos não devem assistir a programas de televisão.

“Existem milhares de motivos para que as crianças não vejam TV. Estudos anteriores mostraram que o hábito está associado a obesidade e agressividade infantil”, afirma Dimitri Christakis, pesquisador do Centro Médico Regional de Seattle. O resultado do estudo conduzido pelo doutor Christakis foi divulgado na edição de abril da revista Pediatrics, publicada pela Academia Americana de Pediatria.

Foram pesquisadas 1.345 crianças de um a três anos de idade. De acordo com informações fornecidas pelos pais, aproximadamente 36% das crianças de um ano não assistiam nunca à TV, enquanto 37% assistiam de uma a duas horas por dia e por isso possuiam um aumento de 10 a 20% de chances de desenvolverem problemas de atenção. Nas crianças de três anos, apenas 7% não viam TV e 44% assistiam de uma a duas horas por dia. O resultado da pesquisa sugere que o hábito de ver TV superestimula e modifica o desenvolvimento normal do cérebro de uma criança. Entre os riscos encontrados estão dificuldade de concentração, impulsividade, impaciência e confusão mental.

Os pesquisadores não se preocuparam em saber que programas as crianças assistiam, pois, segundo Christakis, o conteúdo não é o culpado pelos danos causados ao cérebro. O problema é a rápida superposição de elementos visuais, típica dos programas de TV. “O cérebro de uma criança se desenvolve muito rapidamente durante os primeiros três anos de vida. Ele está realmente sendo ‘conectado’ neste tempo”, diz o pesquisador. O estímulo excessivo durante este período em particular pode criar mecanismos danosos à mente da criança.

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Ritmos da vida

Ritmos da vida

Rodolfo Schleier

ritmos da vida

A vida moderna desconectou o ser humano dos ritmos da natureza. Até alguns séculos atrás, a noite era o tempo de dormir para recompor as forças vitais. Aí veio a Revolução Industrial, a luz elétrica, depois as linhas de montagem, o revezamento em turnos, jornadas múltiplas… E o ser humano foi avançando noite adentro com suas tarefas.

Mais recentemente, o sábado e domingo viraram dias úteis.
Claro que tudo isso teve um lado positivo. Não precisamos mais planejar os compromissos com tanta antecedência. Mas o lado negativo isso é que perdemos o vínculo com os ciclos naturais. Tanto é que muita gente ignora, por exemplo, que as datas móveis do nosso calendário, as estações do ano, as horas do dia, etc. têm base em ritmos planetários.

Apesar da vida cada vez mais acelerada, e das nossas atividades cada vez mais independentes dos ritmos naturais, ainda existem coisas que não podemos acelerar, por maior que seja a tecnologia disponível. Uma gestação, por exemplo. Até para se fazer uma cesárea é preciso esperar o tempo certo. O crescimento das plantas, idem. Até podemos apressar o crescimento por meios artificiais, mas ainda assim é preciso ter paciência para aguardar a colheita.

A produção de matéria prima para os medicamentos e cosméticos antroposóficos é um verdadeiro exercício de respeito aos ritmos da natureza. Por exemplo: várias plantas medicinais levam cerca de três anos para atingir o ponto ideal. O que faz o produtor? Mantém três canteiros ao mesmo tempo de modo a ter uma safra a cada ano. Como não é possível apressar a natureza, devemos aprender a lidar com ela. Quem trabalha no campo sabe muito bem disso.

Outra solução é manter vários canteiros de plantas diferentes, em vez de uma grande área plantada com só uma espécie. O respeito à biodiversidade é um dos pilares da agricultura biodinâmica, uma prática de manejo agrícola baseada na antroposofia que visa devolver à agricultura suas forças originais que se perderam com a monocultura e a industrialização.

Portanto, respeitar os ritmos da natureza não significa “fazer tudo devagar”, como pode parecer. Aliás, esse é um preconceito comum de quem mora na cidade grande. É mais uma questão de saber lidar, de observar os ritmos. Afinal, desse ritmo depende o sucesso (ou não!) do trabalho no campo. O sol, a chuva, os ventos, tudo influencia no crescimento das plantas.

É evidente que a vida moderna, com todos os seus confortos, tem muitos pontos positivos. A questão aqui é contrabalançar a correria da cidade através do contato com a natureza – seja através de uma pequena horta, animais domésticos, visitas ao campo, caminhadas, etc. Isso ajuda a resgatar a noção de ritmo, de passar do tempo. Podemos aprender com a natureza a mudar nossa rotina de modo a favorecer o curso natural das coisas.

Rodolfo Schleier é farmacêutico-bioquímico (USP) e especialista em fitoterapia (FACIS-IBEHE). Desde 2005 atua no Departamento Médico-Científico do Laboratório Weleda.

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Oportunidade de Curso:

Em São Paulo, com Marcelo Petraglia – um dos maiores pesquisadores musicais do país e da Antroposofia:

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Curso Marcelo SAB

Vivências explorando diferentes estágios de consciência – Diálogos atemporais

Data: 17 e 24 de setembro / 1 e 8 de outubro
Terças-feiras: das 20h às 22h
Contribuição: 2x de R$ 120,00
Local: Sociedade Antroposófica no Brasil – São Paulo

Temas abordados:

  • A vivência anímica e espiritual do universo dos tons
  • A música como organismo – desenvolvimento e metamorfose
  • Pensamento mítico e a construção por justaposição
  • Entre a eternidade e a métrica do tempo

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Conheçam o seu quintal

Conheçam o seu quintal

Os Anciões – Oraibi, Nação Hopi

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Agora vocês devem regressar e dizer-lhes a hora é o Agora!
e dizer-lhes que há coisas a serem consideradas:
Onde vocês estão morando?
O que vocês estão fazendo?
Quais são os seus relacionamentos?
Vocês estão em boas relações?
Onde está a água de vocês?

Conheçam o seu quintal.
É o momento de falarem a sua Verdade.
Formem as suas comunidades.
Sejam bons uns com os outros.
E não procurem fora de vocês pelo líder.
Este pode ser um tempo muito bom!

Há um rio que agora está correndo muito rápido.
Ele é tão grande e ágil que chegará a assustar alguns.
Esses vão tentar ficar na margem,
e se sentirão como que deixamos de lado, e vão sofrer muito.
Saibam, o rio tem o seu destino.
Os anciãos dizem que precisamos deixar a margem,
saltar para o meio do rio, manter os olhos bem abertos
e as cabeças acima da água.

Veja quem está lá dentro com vocês e celebrem.
Neste momento da história, não devemos fazer nada sozinhos,
no mínimo entre nós mesmos.
Quando fazemos, nosso crescimento e jornada espiritual tem uma parada.
O tempo do lobo solitário acabou. Reúnam-se!

Abandonem a palavra esforço, conflito, da sua atitude e do seu vocabulário.

Tudo o que fizermos agora, precisa ser feito de uma maneira sagrada
e em celebração.

“Nós somos aqueles que nós mesmos estávamos esperando.”

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Participe do 7º Encontro Sul de MICAEL

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Excursão pré-encontro:

Os megalitos e inscrições rupestres de Florianópolis com passeio de barco

Palestras:

  • Laboratório, Ateliê e Templo: Metamorfoses desafiadoras para a alma Micaélica – com Jonas Bach Jr.
  • Germinar – com Thiago Baise
  • Metodologia do Trabalho Biográfico – com Milene Mizuta
  • Os Antigos Mistérios e os Novos Mistérios – com Ronaldo Lempek

Oficinas:

  • Arquearia
  • Arte
  • Bordado Biográfico
  • Desenvolvimento de Líderes Facilitadores
  • Feltragem
  • Modelagem

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A Música na Antiguidade

A Música na Antiguidade

 Josemar Bessa

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A palavra música deriva de “arte das musas” em uma referência à mitologia grega, marca fundamental da cultura da antigüidade ocidental.

No entanto muitos estudiosos procuram as origens da música nos períodos anteriores da história do homem, ou seja, na pré-história. A maioria acredita que é muito difícil conceber como os “homens das cavernas” entendiam a música, pois não deixaram vestígios arqueológicos a respeito do entendimento dos sons, fato que permite muita especulação a respeito.

No entanto, a possibilidade de imaginar a música em sociedades Pré-históricas é mais plausível do que se imagina, pois, utilizando os conceitos predominantes na sociologia, encontramos ainda hoje sociedades que vivem na pré-história, em um nível de organização social que não atingiu o estágio de civilização. O exemplo mais fácil para nossa percepção são os indígenas brasileiros, que, na maioria dos casos, vivem ainda no período neolítico, com o desenvolvimento de uma agricultura rudimentar e organização social tribal.

Dessa maneira podemos perceber que o homem na pré-história produzia uma música com caráter religioso, mágico, quer dizer, ritualístico, batendo as mãos e os pés, com um ritmo definido, agradecendo aos deuses ou buscando sua proteção para a caçada ou guerra. No mesmo período os homens passaram a bater na madeira, produzindo um som ritmado, surgindo assim o primeiro instrumento de percussão.

Os Primeiros Elementos

A noção que hoje se tem da música como “uma organização temporal de sons e silêncios” não é nova. Civilizações muito antigas já se aproximaram dela, descobrindo os elementos musicais e ordenando-os de maneira sistematizada. Os historiadores têm encontrado inscrições as quais indicam que um caráter nitidamente ritualístico impregnava a maior parte da criação musical da Antiguidade.

Por muito tempo as formas instrumentais permaneceram subdesenvolvidas. Predominava a música vocal. Essa forma, adicionando à música o reforço das palavras, era mais comunicativa e as pessoas assimilavam-na melhor. Assim se explica o grande desenvolvimento que atingiu entre os antigos.

Os povos de origem semita cultivavam a expressão musical, tornando-a bastante elaborada. Os que habitavam a Arábia, principalmente, distinguiram-se pela criatividade. Possuíam uma ampla variedade de instrumentos e dominavam diferentes escalas. Segundo parece, tocavam, sobretudo, para dançar, pois foi entre eles que surgiu a “Suíte de Danças”, um gênero que sobrevive ainda hoje.

A Bíblia mostra que também os judeus tinham a música como hábito. Davi fala sobre ela nos “Salmos”, e diversas outras passagens bíblicas contêm menções a respeito.

Na China, o peculiar era a própria música, devido à sua monumentalidade. Os chineses utilizavam nada menos que 84 escalas (o sistema tradicional da música ocidental dispunha de apenas 24). A variedade da sua instrumentação era imensa. E já por volta do ano 2255 a.C. o domínio sobre a expressão musical atingia tal perfeição entre eles, que sua influência se estendia por todo o Oriente, moldando a música do Japão, da Birmânia, da Tailândia e de Java.

Origem Mecânica

A origem mecânica da música divide-se em duas partes: a primeira, na expressão de sentimentos através da voz humana; a segunda, no fenômeno natural de soar em conjunto de duas ou mais vozes; a primeira, seria a raiz da música vocal; a segunda, a raiz da música instrumental.

Na história da música são importantes os nomes de Pitágoras, inventor do monocórdio para determinar matematicamente as relações dos sons, e o de Lassus, o mestre de Píndaro, que, perto do ano 540 antes de Cristo, foi o primeiro pensador a escrever sobre a teoria da música. Outro nome é o do chinês Lin-Len, que escreveu também um dos primeiros documentos a respeito de música, em 234 antes de Cristo, época do imperador chinês Haung-Ti. No tempo desse soberano, Lin-Len – que era um de seus ministros – estabeleceu a oitava em doze semitons, aos quais chamou de doze lius. Esses doze lius foram divididos em liu Yang e liu Yin, que correspondiam, entre outras coisas, aos doze meses do ano.

Origem Física e Elementos

A música, segundo a teoria musical, é formada de três elementos principais. São eles o ritmo, a harmonia e a melodia. Entre esses três elementos podemos afirmar que o ritmo é a base e o fundamento de toda expressão musical.

Sem ritmo não há música. Acredita-se que os movimentos rítmicos do corpo humano tenham originado a musica. O ritmo é de tal maneira mais importante que é o único elemento que pode existir independente dos outros dois: a harmonia e a melodia.

A harmonia, segundo elemento mais importante, é responsável pelo desenvolvimento da arte musical. Foi da harmonia de vozes humanas que surgiu a música instrumental.

A melodia, por sua vez, é a primeira e imediata expressão de capacidades musicais, pois se desenvolve a partir da língua, da acentuação das palavras, e forma uma sucessão de notas característica que, por vezes, resulta num padrão rítmico e harmônico reconhecível.

O que resulta da junção da melodia, harmonia e ritmo são as consonâncias e as dissonâncias. Acontece, porém, que as definições de dissonâncias e consonâncias variam de cultura para cultura. Na Idade Média, por exemplo, eram considerados dissonantes certos acordes que parecem perfeitamente consonantes aos ouvidos atuais, principalmente aos ouvidos roqueiros (trash metal e afins) de hoje.

Essas diferenças são ainda maiores quando se compara a música ocidental com a indiana ou a chinesa, podendo se chegar até à incompreensão mútua. Para melhor entender essas diferenças entre consonância e dissonância é sempre bom recorrer ao latim:

Consonância, em latim consonantia, significa acordo, concordância, ou seja, consonante é todo o som que nos parece agradável, que concorda com nosso gosto musical e com os outros sons que o seguem.

Dissonância, em latim dissonantia, significa desarmonia, discordância, ou seja, é todo som que nos parece desagradável, ou, no sentido mais de teoria musical, todo intervalo que não satisfaz a idéia de repouso e pede resolução em uma consonância. Trocando em miúdos, a dissonância seria todo som que parece exigir um outro som logo em seguida.

Já a incompreensão se dá porque as concordâncias e discordâncias mudam de cultura para cultura, pois quando nós, ocidentais, ouvimos uma música oriental típica, chegamos, às vezes, a ter impressão de que ela está em total desacordo com o que os nossos ouvidos ocidentais estão acostumados.

Portanto o que se pode dizer é que os povos, na realidade, têm consonâncias e dissonâncias próprias, pois elas representam as suas subjetividades, as suas idiossincrasias, o gosto e o costume de cada povo e de cada cultura.

A música seria, nesse caso, a capacidade que consiste em saber expressar sentimentos através de sons artisticamente combinados ou a ciência que pertence aos domínios da acústica, modificando-se esteticamente de cultura para cultura.

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Oportunidade de Curso:

Em São Paulo, com Marcelo Petraglia – um dos maiores pesquisadores musicais do país e da Antroposofia:

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Curso Marcelo SAB

Vivências explorando diferentes estágios de consciência – Diálogos atemporais

Data: 17 e 24 de setembro / 1 e 8 de outubro
Terças-feiras: das 20h às 22h
Contribuição: 2x de R$ 120,00
Local: Sociedade Antroposófica no Brasil – São Paulo

Temas abordados:

  • A vivência anímica e espiritual do universo dos tons
  • A música como organismo – desenvolvimento e metamorfose
  • Pensamento mítico e a construção por justaposição
  • Entre a eternidade e a métrica do tempo

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A Era de Micael e o Desenvolvimento Humano

A Era de Micael e o Desenvolvimento Humano

Edna Andrade

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A atual época Micaélica teve início, dentro de processo de evolução do ser humano, em 1879. Esse é o marco deste evento espiritual: o conhecimento que, em épocas anteriores, o homem acolhia em si como inspiração do mundo espiritual, torna-se então, propriedade de sua alma. Sendo assim, a partir desta época a alma humana não mais recebe as idéias de “cima” de onde se desprendiam, para a formação do seu pensar, as leis cósmicas, mas sim, busca-as a partir de uma atividade intelectual autônoma, não só no mundo físico, mas dentro das profundezas do seu próprio ser.

Começa a luzir nas almas humanas a inteligência própria: sou eu quem produz os pensamentos que vivem em mim! O pensar é a essência da minha alma!

Essa data deve ser tomada como um marco aproximado porque quando observamos estas grandes passagens do tempo no desenvolvimento do homem não podemos esquecer que todo “processo humano” é lento, gradual e dinâmico.

Nos antigos ensinamentos designava-se a força anímica com a qual penetrava-se nas coisas com o nome de “Micael” pois era Micael o Arcanjo da inteligência cósmica. Este nome pôde ser conservado até os dias de hoje.

Todavia já muito antes, a partir do sec. IX, esta nova capacidade de pensar vinha se extendendo, e muitos seres humanos não mais sentiam a inspiração de Micael em seus pensamentos. Vemos esta incerteza refletida nos ensinamentos dos escolásticos (do latim Schola = escola, das recém-fundadas universidades de Paris, Oxford) divididos em nominalistas e realistas.

Os realistas cujo líder era Tomás de Aquino sentiam ainda a antiga ligação entre o pensamento e o objeto e aceitavam o pensamento como algo real que se desprendia do objeto e penetrava na alma humana.

Os nominalistas por sua vez, vivenciavam fortemente os pensamentos como algo subjetivo sem ligação com as coisas. Eles sentia, fortemente o fato da alma produzir os pensamentos ou como eram chamados “as universálias” (devido a seu caráter universal).

O nominalismo ganhou terreno e se extendeu mas, a partir de 1879, as pessoas receptivas às influências espirituais puderam perceber que com os seus pensamentos podiam elevar-se acima de sua natureza intelectual e dirigí-los novamente para o mundo espiritual. Dentro da alma intelectual livre e individualizada desabrochou então uma qualidade de pensar vivo, amplo e criativo. Dentro da corrente da vida intelectual ocorre então uma metamorfose da tarefa espiritual de Micael.

Ele torna-se uma força ativa dentro das almas pensantes que começam a compreender que abrigando dentro de si este pensar cósmico criativo, representado espiritualmente por Micael, são orientadas a respeito dos caminhos certos a serem percorridos pela alma humana. Na sua nova atuação Micael liberta os pensamentos da região da cabeça, preparando-lhes livre acesso ao coração.

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Excursão pré-encontro:

Os megalitos e inscrições rupestres de Florianópolis com passeio de barco

Palestras:

  • Laboratório, Ateliê e Templo: Metamorfoses desafiadoras para a alma Micaélica – com Jonas Bach Jr.
  • Germinar – com Thiago Baise
  • Metodologia do Trabalho Biográfico – com Milene Mizuta
  • Os Antigos Mistérios e os Novos Mistérios – com Ronaldo Lempek

Oficinas:

  • Arquearia
  • Arte
  • Bordado Biográfico
  • Desenvolvimento de Líderes Facilitadores
  • Feltragem
  • Modelagem

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Interpretação musical inspirada pela antroposofia

Interpretação musical inspirada pela antroposofia

Débora Letícia Batista

Músico

A música é a mais nobre dentre as artes. Nela não se identifica qualquer reprodução de ideias dos seres do mundo, no entanto, é grandiosa e majestosa, atuando intensamente sobre o que há de mais interior no homem, onde é compreendida como “linguagem universal… e reprodução da própria vontade, sendo este o porquê do efeito da música ser muito mais poderoso e penetrante que o das outras artes, pois todas as outras falam apenas de sombras, mas a música fala da essência.” (Schopenhauer, 1819, p.105).

Através do poderoso efeito da música o homem domou as mais terríveis feras, acalmou tempestades e até mesmo removeu árvores e montanhas. Este homem pode ser chamado de Orfeu, mas pode aparecer com outra centena de nomes, nos mitos e épicos de outras civilizações, de Gilgamesh babilônico ao Popol-Vuh maia. Seja lá seu nome, o maior poder atribuído a um homem, nas sagas e lendas, para dominar todas as manifestações da natureza, não é conferido a um orador, ao poeta ou ao príncipe, mas ao cantor. Orfeu com seu canto e sua lira fez com que os próprios Deuses revogassem a mais imutável das leis, resgatando sua amada Eurídice do mundo das sombras, do passado para o presente. Desta forma, ao dominar o grande poder e magia da música, transmitindo sua força “um cantor foi capaz de recuperar o irrecuperável – o tempo.” (Pahlen, 1971, p.1).

O homem que deseja que a música manifeste sua essência através de si, deve compreendê-la desde sua origem, no inaudível, passando por sua manifestação no plano terrestre, até seu retorno para o âmbito do inaudível. Esta aprendizagem, no entanto, não é um processo unilateral em que o cantor executa “uma receita musical”, mas é fruto da interação música/cantor. Nesta interação as forças criativas fluem tanto da música para o cantor quanto do cantor para a música.

A análise do processo de aprendizagem de uma canção aqui apresentada é intuitiva, mas metódica. Não é inédita, pois seus elementos são universais e presentes nos tratados de canto. Seu objetivo é interpretar a aprendizagem musical em seu mais elevado grau de refinamento, quando música e cantor se integram e atuam como um único organismo vivo, resultando em maravilhosas vivências musicais, em que a presença do artista se expande de forma radiante e envolve a audiência, enquanto a música inunda todo o ambiente.

Para clareza na comunicação, a música será analisada desacompanhada de qualquer texto ou conteúdo programático, pois estes interferem na compreensão musical.

Corpo Etérico e Corpo Físico

Artista e música são individualidades únicas. Cada uma delas possui quatro corpos: físico, etérico, astral e ‘eu’. O corpo físico do intérprete é a estrutura de seu instrumento, o da música, a partitura ou o som, de natureza puramente física, que atinge o ouvido do cantor.
O ‘eu’ do artista é protagonista de todo este processo de aprendizagem e o inicia ao coletar material para sua recriação musical, diretamente de uma partitura ou de uma fonte sonora. Podendo, esta última, ser inanimada (gravações analógicas, registros digitais) ou viva (pessoa). A partitura carece de vida própria e será vivificada quando seus códigos e símbolos forem interpretados. Gravações analógicas e registros digitais são veiculados mecanicamente, e, como a voz humana, são transmitidos ao ouvido por ondas sonoras através do ar, meio inerte. Informações fornecidas por estas três fontes permanecem mortas, até que ganhem vida ao serem elaboradas pela força do etérico do artista, perfazendo o corpo físico da música.

O material concreto da música, com informações musicais, é decodificado pelo ‘eu’ do artista, através da desconstrução e fragmentação do todo. Desta forma seus elementos podem ser ‘digeridos’, memorizados e interiorizados, amalgamando-se ao cantor, que se usa da força criadora de seu etérico para vivificá-los e, de sua corporalidade para reproduzí-los. “Agrupar sons, uns aos outros, formando um todo, estabelecendo sua molibidade e atribuindo-lhes substância…. lembra a arte de unir diversas cores, de tal forma, que uma bela composição resulte.” (Bérard, 1775, p.120).

A formação e ouvido musical do artista definem o resultado final deste processo, pois muitas vezes ele não reproduz e imita, mas recria e corrige o modelo que lhe foi provido.

A palavra-chave aqui é decorar. Ser capaz de reproduzir prontamente, com a ajuda de seu próprio etérico, cada elemento estrutural da peça, sem titubear, sem inseguranças rítmicas, de afinação ou lapsos de memória.

Quando o artista, em seu fluir etérico, absorve estas informações totalmente e se liberta do componente físico da música, o corpo etérico desta surge e começa a atuar no corpo astral do cantor.

Corpo Etérico e Corpo Astral

Pode parecer paradoxal, mas reproduzir notas não caracteriza uma expressão musical, pois “vida só pode brotar da própria vida… a imitação é inimiga da arte… e não se pode fazer música esculpindo-a numa pedra.” (Lehmann,1945, p.10).

O aparecimento do corpo etérico da música reveste de vida as notas aprendidas, que, deixam de ser repetidas mecanicamente, então, o fluxo musical movimenta-se com vitalidade através do cantor, de forma orgânica, sem tensões. Este fluir ocorre quando o movimento do fraseado musical se encaixa organicamente ao ritmo respiratório do intérprete e ele fica permeado de vida, sem rigidez. Esta corrente sonora revelará as formas primordiais das frases e períodos, delineando e fazendo brotar os contornos musicais mais sutis, quando o “foco mental do artista estiver direcionado para a música e não para os aspectos físicos da execução”. (Chenette, 1987, p.3).

O intérprete integra este movimento do corpo etérico musical enquanto o permeia com as características de seu ritmo respiratório. O fluxo musical, que agora é vivenciado, cria espaço para a interiorização e manifestação de emoções, que são experimentadas inconscientemente. O cantor passa a fruir o fluxo do etérico musical, enquanto seu corpo astral o faz experimentar as emoções, suscitadas por aquele.

Para ser inundado pelo fluxo musical o intéprete deve praticar a melodia através do uso das vogais e ajuda de algumas consoantes [l, r, b, n, m, v, z, r], bem como do fonema [ng] “deixando-o atuar livremente, tentando retrair sua própria força de vontade e de sentimento” (Werbeck, 1969, p.54). Além disso, ele deve seguir apenas a corrente sonora, evitando qualquer tipo de tensão corporal ou facial, pois “o que aprisiona o corpo, aprisiona a voz” (Prazeres, 2003), impedindo-a de expressar as emoções suscitas pelo fluxo sonoro.

Este fluxo sonoro ocorre por um período específico, delimitável no tempo, e, precisa dos corpos do intérprete para existir. Porém, partituras, gravações e registros digitais são auto-suficientes e nunca deixam de conter as informações musicais neles cristalizadas – salvo se destruídos por forças externas. Além disso, ainda que a notação musical ocidental se utilize das mesmas pautas, claves, figuras rítmicas e melódicas, …cada partitura dará origem a um fluxo individual, que preencherá contornos específicos, pois a música espiritual do inaudível vai ditando sua imagem para o intérprete, que permite que ela flua através dele.

O ponto chave aqui é “respirar organicamente com o fluxo musical” e, de tal forma, que a respiração possa “seguir seu caminho no inconsciente”. (Werbeck, 1969, p.141). Com isso, o fluxo vital da música desperta o corpo astral do artista, que será remetido a uma atmosfera de sonho e o manterá inconscientemente imerso nas emoções que a música incita.

No momento em que o artista começa a nomear as emoções despertadas pelo fluir musical associado à harmonia, atribuindo-lhes sentimentos, percebe a presença do corpo astral da música, atinge um grau mais elevado de consciência das emoções que a música quer suscitar e avança no processo interpretativo, então, o ‘eu’ do cantor passa a atuar, estimulado pelo corpo astral da música.

Corpo Astral e Eu

O fluxo musical da etapa anterior é enriquecido pela expressividade musical, através da qual o cantor experimenta uma alteração em sua atitude respiratória, que ganha sentido. Quanto mais rica for a vida anímica do intérprete e sua facilidade em associar sentimentos a sua vivência musical, maior será sua chance de comunicar a mensagem musical a seus ouvintes, compartilhando as emoções que a música quer expressar.

Nesta etapa o ritmo respiratório do intérprete sofre ajustes interpretativos e cada inspiração passa a conter em si mesma, de antemão, a imagem expressiva contida na frase que a expiração seguinte deverá suportar. Ou seja, a inspiração carrega em si a intenção da expressão artística que se seguirá, uma vez que as emoções devem ser primeiro sentidas, para depois serem expressas.

A voz humana transmitida oralmente ou reproduzida mecanicamente também carrega em si fluxo e emoção, que serão incorporados, transformados ou descartados por quem as aprende naturalmente.
A atitude chave aqui é “inspirar a intenção musical antes de expressá-la”, pois quando se identifica e nomeia a emoção, transformando-a em sentimento, pode-se direcioná-la, passando-se para o âmbito do “eu” e permitindo-se que o astral da música seja reconhecido.

A alma como elo de ligação do “eu” com o público

O corpo astral é o portador das sensações e sentimentos, instintos e atividades conscientes e inconscientes. Da interpenetração do “eu” com o corpo astral, (bem como com o corpo etérico e físico) surge o que se denomina ‘alma’. É através da alma que se estabelece a ligação entre o eu e o mundo, pois o eu só é capaz de agir e sentir através da alma. (Lanz, 1979, p. 26)

Através das qualidades da alma, o trabalho artístico desenvolvido pelo intérprete poderá, finalmente, ser direcionado para o público. Esta atuação no mundo pode se realizar em três níveis, num continuum progressivo, expressando o grau de amadurecimento e desenvolvimento do ‘eu’ do artista.

No primeiro deles, a apresentação se realiza guiada pela alma da sensação. Neste caso o cantor, movido pelo corpo astral da música, permanece imerso nas sensações que ele incita e nas emoções que vivencia, transmitindo-as a seu público.

Quando o intérprete apenas frui o fluxo do astral da música, nele se deliciando com seu próprio etérico, vitaliza sua própria atuação, porém, se privilegiar exclusivamente este âmbito, fará com que o predomínio desta vitalidade implique em consciência reduzida, resultando em uma atuação adormecida. Este aspecto pode ser identificado no cantor que move seu corpo, como que dançando, de forma rítmica, totalmente integrada com o fluxo sonoro, mas em conflito com a mensagem musical. “Idealmente o artista deve internalizar a ”dança“ da música para que possa permanecer quieto e cantar de modo poderoso… a ponto de fazer a platéia querer dançar.” (Caldwell, 1995, p. Xii).

Porém, este ‘mundo’ de emoções que, até então se revelara de forma incontrolada, pode ser vivenciado, sentido, nomeado, selecionado, descartado e incorporado, até que possa ser expresso musicalmente de forma consciente. O cantor, então, pode transmitir as emoções ao público voluntariamente “sentido-as intensamente, ele mesmo”, uma vez que os sentimentos da audiência são despertados pelos nossos próprios sentimentos.” (Garcia, 1894 p. 71).

Mas, se permitir que as emoções, que este fluxo sonoro inspiram, o arrebatem, será dominado pelo seu próprio corpo astral, expressando-se de modo reflexo e instintivo, ficando refém das emoções e sensações que a música pode suscitar e podendo perder o controle de sua própria apresentação musical, transformando-a, desta forma, numa explosão emocional.

Num segundo nível, mais elevado, o artista acrescenta ao aspecto anterior as características do âmbito da alma do intelecto. Neste caso, elaborará detalhadamente os aspectos interpretativos estilísticos, caracterizados pelo fraseado, o andamento e a articulação, atuando sobre e alterando o fluxo do corpo etérico musical, de forma a individualizar a sua interpretação.

Neste tipo de apresentação a música e o artista estão “sob controle”. O resultado final é a precisão técnica e a total coerência com as idéias e filosofias do executante, somadas à grande habilidade, já desenvolvida, de transmitir emoções ao público. Se o nível da alma do intelecto se estabelecer em prejuízo da alma da sensação, a apresentação primará pela técnica, em detrimento da expressão. É necessário, portanto, que cada um destes níveis se “some” ao anterior e permaneçam equilibrados entre si.

No terceiro patamar, o homem, que já domina emoção e técnica se faz consciente de seu papel como intérprete e portador da corrente e do ‘eu’ musical, sentindo-se responsável pela forma de atuação deste fluxo sobre as pessoas que o recebem, agindo no âmbito da alma da consciência. Ele deverá acrescentar à expressividade e à precisão técnica um sentido ou significado, que implica em tornar-se um verdadeiro portador da mensagem musical. A liberdade do homem está em recriar, mas ao mesmo tempo servir como receptáculo da música, servindo-a humildemente, uma vez que “toda a elaboração de um trabalho de arte demanda o sacrifício de alguma parte do ego do artista” (Lehmann, 1902, p.132).

Então, um maravilhoso fluxo musical jorra de uma fonte inesgotável de energia, emoção e sentido, manifestando-se em um cantor, que não se esforça. Este pulsar vivo permeia o corpo físico do artista, conferindo-lhe integridade e coerência. As interrupções e quebras, se houver, são justificadas musicalmente, de forma a se inserirem num fluxo maior, sempre vivo. Assim, o cantor tecnicamente aquém dos desafios musicais requeridos, pode ser envolvido por este fluir sem tropeços, a ponto de diluir suas dificuldades de execução, pois, “ se há a imagem mental correta e a concentração adequada, o corpo fará tudo o que for necessário para cumprir sua tarefa.” (Corrigan, 1987, p.10).

Pode ser que a intenção do artista “ não seja o que a audiência espera, ou deseja, mas … sua apresentação possa ter muito significado para ela.” (Caldwell, 1990, p.64).

“E este é o desafio para o cantor do futuro – ir além. Isto significa apresentar-se com a medida certa de desapego, receptividade, sem interferência do ego, estando completamente sincronizado com o pulso da música, centrado, amando o que está fazendo e comunicando este amor … através de uma apresentação contendo elevada energia vital, vibração e poder para curar tanto o cantor quanto a audiência.” (Bunch, 1982, p.155). Desta forma, o intérprete pode religar a parcela espiritual de seu eu com a espiritualidade universal, através do eu da música.

Considerações sobre texto associado à música

A análise realizada excluiu o texto, pois este possui individualidade própria e expressa “a atividade dos pulmões e da laringe, na qual o processo metabólico ligado ao ar é superado em relação à sua função física e transformado numa manifestação do espírito, da palavra” (Husemann, 2004, p. 114). Porém, “não é suficiente saber cantar bem, saber as regras da arte vocal. é necessário saber como aplicar talentosamente estes preceitos às palavras.” (Bacilly, 1668, p. 127).

O ideal, portanto, é realizar-se a aprendizagem individual de texto e música independentemente, para, numa segunda etapa, sobrepor seus elementos, até que estejam totalmente integrados.

A força do texto pode comprometer a compreensão da música, se apresentar sílabas átonas em tempos fortes, texto de difícil articulação associado a notas agudas ou graves, sons nasais atribuídos a notas extremamente longas, etc. Porém, “nenhum cantor pode ser considerado um grande artista, a menos que tenha boa dicção….que deve atuar como uma moldura para a voz , sem tomar seu lugar. (Tetrazzini & Caruso, 1909, p. 62-63). Deve-se “procurar a correta inflexão de cada sentença e nunca aprender a música antes de dominar o conteúdo verbal ao máximo”. (Kagen, 1950, p.50).

Para se dominar o texto “ trabalha-se com toda a disposição o âmbito das palavras, atingindo a musculatura da língua, lábios, maxilar e palato, … conquistando as formas plásticas perfeitas de cada fonema, para que eles possam se manifestar com pureza e veracidade” (Werbeck, 1969, p. 54). Mas, ao unirem-se música e texto, este jamais poderá interferir no livre fluir da corrente sonora musical. Desta forma o texto se amálgama ao tom e os dois são expressados no mesmo plano.

O estudo interpretativo de seu significado literário deverá ser realizado. Se o texto for em idioma estrangeiro, a tradução literal de seu conteúdo deverá ser recitada até que fique plena de sentido, independentemente da música. Uma vez unidos texto e música, se delineia a relação do fraseado do texto com o fluir musical, bem como com a harmonia, que pode implicar em ajustes expressivos. Quem decide sobre a interpretação adequada a ser conferida ao texto é o fluir musical associado à harmonia e não a análise literária realizada pelo cantor, ou quem quer que seja. Mesmo que o texto seja aparentemente auto-explicativo, a música pode contradizê-lo. Para o cantor é uma grande benção que assim o seja, pois, “quando não se sabe qual a interpretação adequada para o trecho em questão, basta perguntar à música, que ela sempre responde” (Pelton, 1994).

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Vivências explorando diferentes estágios de consciência – Diálogos atemporais

Data: 17 e 24 de setembro / 1 e 8 de outubro
Terças-feiras: das 20h às 22h
Contribuição: 2x de R$ 120,00
Local: Sociedade Antroposófica no Brasil – São Paulo

Temas abordados:

  • A vivência anímica e espiritual do universo dos tons
  • A música como organismo – desenvolvimento e metamorfose
  • Pensamento mítico e a construção por justaposição
  • Entre a eternidade e a métrica do tempo

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Os Contos Infantis no processo do Desenvolvimento Humano

Os Contos Infantis no processo do Desenvolvimento Humano

Joana Raquel Paraguassú Junqueira Villela

contos de fadas

INTRODUÇÃO:

Podem-se perguntar as razões pelas quais a psicologia junguiana se interessa por mitos e contos de fada. O Dr. Jung, disse certa vez, que é nos contos de fada onde melhor se pode estudar a anatomia comparada da psique. Nos mitos, lendas ou qualquer outro material mitológico mais elaborado obtém-se as estruturas básicas da psique humana através da grande quantidade de material cultural. Mas nos contos de fada, existe um material consciente culturalmente muito menos específico e, conseqüentemente, eles oferecem uma imagem mais clara das estruturas psíquicas.

Divididos entre o bem e o mal, representados por príncipes, fadas e também por monstros, lobos e bruxas apavorantes, os contos de fadas encantam as crianças e os adultos desde a sua criação, que data da época medieval. Mas a sua função não pára aí, pois além do entretenimento, transmitem ainda valores e costumes e ajudam a elaborar a própria vida através de situações conflitantes e fantásticas. “Mitos e contos de fadas expressam processos inconscientes. A narração dos contos revitaliza esses processos e restabelece a simbiose entre consciente e inconsciente” – já havia dito Carl Gustav Jung, famoso psicanalista e discípulo de Freud.

Segundo Bettelheim, que analisa as histórias mais conhecidas, todos os problemas e ansiedades infantis, como a necessidade do amor, do medo e do desamparo, da rejeição e da morte, são colocados nos contos em lugares fora do tempo e do espaço, mas muito reais para crianças. A solução geralmente encontrada na história e quase sempre leva a um final feliz, indica a forma de se construir um relacionamento satisfatório com as pessoas ao redor.

Mas evidentemente, para se chegar ao final nem tudo são flores. Os contos estão repletos de problemas como a presença do bem e do mal, e partindo desse ponto pretendemos desenvolver uma reflexão sobre a fantasia e suas imagens simbólicas nos contos de fada como recursos fundamentais no desenvolvimento humano, o que constituem o conteúdo do presente trabalho.

DESENVOLVIMENTO:

A origem dos contos de fadas, segundo Marie Louise Von Franz, parece residir em uma potencialidade humana arquetípica (aliás, não somente os contos de fada, como todas as fantasias). Antigamente os pastores, lenhadores e caçadores, passavam bom tempo de suas vidas sozinhos nas florestas, campos e montanhas. Acontecia que repentinamente eram assaltados por uma visão interior muito forte, que os alvoroçava por inteiro. Corriam então de volta a suas aldeias e relatavam o que lhes tinha acontecido a todos que o quisessem ouvir. Daquela visão inicial, iam-se formando lendas, e mais tarde “contos maravilhosos”. O pensamento mítico, no caso dessas visões espontâneas, é compreendido como um pensamento essencialmente pré-lógico, elementar e arquetípico. Os arquetípicos por definição, são fatores e motivos que ordenam os elementos psíquicos em imagens, de modo típico.

Como afirma Jung, os contos de fada constituíram através dos séculos instrumentos para a expressão do pensamento mítico, perpetuando-se no tempo por desempenharem uma função psíquica importante relacionada ao processo da individuação: através deles toma-se consciência e vivencia-se arquétipos do inconsciente coletivo. Esses arquétipos, por sua vez, ao serem trazidos à consciência e dramaticamente vivenciados permitem a Psique cumprir as etapas de integração progressiva do desenvolvimento da persona, conscientização da sombra, confrontação com a anima / animus e outros arquétipos, e finalmente atingir um estado onde a comunicação Ego-Self seja fluente e criativa. Ainda a partir de uma perspectiva junguiana, existe um lado masculino e um lado feminino em cada um de nós. Se o masculino é dominante, o feminino é recalcado. O indivíduo bem conformado necessita desenvolver ambos os aspectos. Também existem quatro características principais em cada um de nós: pensamento, sentimento, sensação e intuição. Constituem pares de oponentes. Nos homens o pensamento e a sensação constituem, habitualmente, características conscientes, ao passo que o sentimento e a intuição encontram-se recalcados. Nas mulheres, sentimentos e intuição são predominantes. O lado feminino recalcado do homem é denominado anima, o lado masculino da mulher é o seu animus.

Em Franz, os contos de fada numa visão junguiana são uma representação simbólica de problemas gerais humanos e suas soluções possíveis, ou seja, as representações da fantasia são tão primárias e originais como os próprios desejos e instintos. Nos conteúdos dos contos de fada é possível ver uma projeção dos estágios originais e arquetípicos do desenvolvimento da consciência humana. Nos símbolos do inconsciente, nos sonhos e fantasias, encontram-se os mesmos princípios da expressão dos mitos e contos de fada, o que, representa um recurso fundamental no processo do desenvolvimento humano.

Conforme Araújo, para Jung certas lendas, mitos e símbolos têm origem na infância da humanidade em que faltando recursos intelectuais, o homem apresentava uma disposição natural para aceitar o sobrenatural. Seria assim uma necessidade psicológica de buscar soluções mágicas e de criar seres fantásticos para superar uma realidade que lhe impunha limitações. O inconsciente coletivo, guardaria assim, uma necessidade de retorno as origens do homem revivendo experiências anteriores da humanidade.

À luz da psicanálise, os contos de fadas revelam os conflitos de cada um e a forma de superá-los e recuperar a harmonia existencial. Assim a tão famosa dicotomia entre o bem e o mal, presta-se numa terapia, a uma análise mais contundente da personalidade, na qual se permite trabalhar com sentimentos inconscientes que revelam a verdadeira personalidade.

Diz Bettelheim:

Para dominar os problemas psicológicos do crescimento – separar decepções narcisistas, dilemas edípicos, rivalidades fraternas, ser capaz de abandonar dependências infantis; obter um sentimento de individualidade e de autovalorização, e um sentido de obrigação moral – a criança necessita entender o que se está passando dentro de seu eu inconsciente. Ela pode atingir essa compreensão, e com isto a habilidade de lidar com as coisas, não através da compreensão racional da natureza e conteúdo de seu inconsciente, mas familiarizando-se com ele através de devaneios prolongados – ruminando, reorganizando e fantasiando sobre elementos adequados da estória em resposta a pressões inconscientes. Com isto, a criança adequa o conteúdo inconsciente às fantasias conscientes, o que a capacita a lidar com este conteúdo. É aqui que os contos de fadas têm um valor inigualável, conquanto oferecem novas dimensões à imaginação da criança que ela não poderia descobrir verdadeiramente por si só. Ajuda mais importante: a forma e estrutura dos contos de fadas sugerem imagens à criança com as quais ela pode estruturar seus devaneios e com eles dar melhor direção à sua vida.

A psicóloga e psicoterapeuta Sophia Rozzana Caracushansky, doutora em Psicologia pela USP, afirma que os contos de fadas, usados em terapia, fornecem o estilo e a personalidade. Sua utilidade deu-se primeiramente, pelo criador da Psicanálise, Sigmund Freud, que, a título de estudo, analisou a vida de personalidades como Leonardo da Vinci através do confronto com mitos.

A psicanálise freudiana propõe que, numa análise, confronta-se o aqui e agora do paciente com sua história passada à luz dos contos de fadas. Tal sistemática permite que se reviva a primeira impressão, aquela que causou o trauma, a base do conflito (edipiano) que assemelha-se sempre a um conflito existente em um conto de fadas. A partir da localização do problema, o paciente pode ser tratado adequadamente – explica Sophia Caracushansky.

Já dentro do enfoque oferecido pelo psicanalista Carl Gustav Jung, a análise terapêutica tem por base os sonhos que fornecem uma indicação precisa da problemática. Analisando os sonhos o terapeuta consegue precisar ou localizar o conflito do paciente, ou o “conto de fadas” que está vivendo, orientando-o para enfrentar os obstáculos à sua realização.

Para a Dra. Sophia, a análise junguiana propicia ao analisando uma visão mais lúcida sobre os bloqueios que impedem sua felicidade, muitas vezes resultantes de um parto difícil, uma rejeição do sexo da criança no nascimento e outros. Além disso, desmascara no indivíduo a “persona”, a fachada social, destinada a agradar e coloca em relevo o eu interior, levando em conta sempre a problemática individual e o momento de vida da pessoa

CONCLUSÃO:

A análise de dados obtidos e as reflexões que ela nos levou, remeteu-nos à conclusão que o lidar com a fantasia nos contos de fadas, é um recurso fundamental no processo do desenvolvimento humano porque favorece a comunicação via imagens simbólicas com as dimensões mais profundas da Psiquê. Através dos contos de fadas adentramos magicamente a penumbra misteriosa do nosso inconsciente, condição básica para se conhecer o significado profundo de nossa vida.

Finalmente, cabe apontar que este estudo permite constatar que a força criadora e a sabedoria profunda presentes nos contos de fadas e seu conteúdo arquetípico, pode ajudar os homens a encontrar o caminho para a realização de seus poderes criativos latentes.

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O MISTÉRIO DE MICAEL – A aparente extinção do conhecimento espiritual na Época Moderna

O MISTÉRIO DE MICAEL

A aparente extinção do conhecimento espiritual na Época Moderna

Rudolf Steiner

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Quem quiser fazer uma avaliação correta da relação entre a Antroposofia e a evolução da alma da consciência, deve sempre de novo enfocar o estado de espírito da humanidade culta que começa com o desabrochar das ciências naturais e atinge seu auge no século XIX.

Dirijamos o olhar anímico para a característica dessa época e comparemo la com aquela de épocas anteriores. Em todos os tempos da evolução consciente da humanidade, considerava se como conhecimento aquilo que aproximava o homem do mundo espiritual. 0 conhecimento determinava a relação com o espírito e esse conhecimento vivia na arte e na religião.

Isso mudou com a aurora da época da alma da consciência. Aí o conhecimento deixou de interessar se por grande parte da vida anímica humana. Ele queria pesquisar a relação entre o homem e a existência quando esta dirige seus sentidos e sua inteligência crítica à “natureza”; não queria mais ocupar se com o que o homem desenvolve como relacionamento com o mundo espiritual, quando usa sua capacidade de percepção interior a exemplo de seus sentidos.

Resultou dai a necessidade de relacionar a vida espiritual dos homens não com a cognição do presente, mas com tradições e conhecimentos válidos no passado.

A vida anímica humana ficou cindida. De um lado, o homem tinha diante de si o conhecimento da natureza que ia evoluindo, desabrochando na atualidade viva. De outro, vivenciava uma relação com o mundo espiritual que resultava de conhecimentos acumulados no passado. Essa vivência ia perdendo toda noção de como o conhecimento se realizava no passado. Existia a tradição, mas faltava o caminho pelo qual as verdades acumuladas tinham sido conhecidas. Existia apenas a possibilidade de se acreditar na tradição.

Um indivíduo que refletisse, ao redor do meio do século XIX, serenamente sobre a situação espiritual da época, teria de reconhecer que a humanidade tinha chegado a ponto de apenas se considerar capaz de desenvolver um conhecimento totalmente desvinculado do espiritual. Uma humanidade anterior foi capaz de pesquisar tudo o que se pode saber a respeito do espírito; mas a alma humana perdeu a capacidade dessa pesquisa.

As pessoas não concebiam então todo o significado dessa situação. Limitavam se a constatar que a cognição simplesmente não podia alcançar o mundo espiritual; este só pode ser objeto da fé.

Para ter noções mais claras a respeito dessa situação, olhava se para as épocas em que a sabedoria grega teve de recuar diante da civilização romana impregnada pelo cristianismo. Depois de terem as últimas escolas de filosofia grega sido fechadas pelo imperador Justiniano, também os últimos conservadores da antiga sabedoria emigraram das regiões onde a nova mentalidade européia passou a se desenvolver. Esses sábios foram acolhidos na academia de Gondishapur, na Ásia, um dos lugares onde a tradição da antiga sabedoria ficou mantida no oriente, em conseqüência dos feitos de Alexandre Magno; ela continuava vivendo ali na forma que recebera de Aristóteles.

Mas essa sabedoria antiga foi assimilada pela corrente oriental que pode ser designada arabismo. Sob um certo aspecto, o arabismo constitui um desabrochar prematuro da alma da consciência. 0 arabismo fez com que a vida anímica, prematuramente permeada pela alma da consciência, pudesse inundar a África e a Europa meridional e ocidental através de uma onda espiritual que, partindo da Ásia, preenchia certos indivíduos na Europa com um intelectualismo que normalmente devia ter aparecido somente mais tarde; nos séculos VII e VIII a Europa meridional e ocidental recebeu impulsos espirituais que deveriam ter chegado apenas na época da alma da consciência.

Essa onda espiritual conseguiu despertar o intelectual no homem, mas não a vivência mais profunda que leva a alma a submergir no mundo espiritual.

Quando o homem nos séculos XV a XIX passou a usar sua capacidade cognitiva, ele só pôde chegar a uma profundeza anímica em que ainda não se defrontava com o mundo espiritual.

Ao penetrar na vida espiritual européia, o arabismo impediu as almas sedentas de conhecimento de penetrar no mundo do espírito. Ele fez funcionar de maneira prematura o intelecto que só é capaz de apreender a natureza exterior.

E esse arabismo revelou possuir um imenso poder. Os que foram tomados por ele, tiveram a alma dominada por um orgulho interior, em grande parte inconsciente. Sentiam o poder do intelectualismo, mas não a incapacidade do mero intelecto de penetrar na realidade. Entregaram se à realidade sensorial exterior, que se erguia naturalmente diante deles, mas não se interessavam em aproximar se da realidade espiritual.

Essa era a situação com a qual a vida espiritual da Idade Média se confrontava. Ela ainda possuía as imponentes tradições do mundo espiritual; mas a vida anímica estava a tal ponto impregnada intelectualmente pelo arabismo que atuava, poderíamos dizer, de uma forma oculta, que a busca cognitiva não conseguiu chegar às fontes onde o conteúdo dessas tradições tinha sua origem.

Desde os primórdios da Idade Média havia, então, uma luta entre as correlações espirituais que os homens ainda sentiam instintivamente e a forma assumida pelo pensar devido ao arabismo.

Os homens sentiam dentro deles o mundo das idéias, vivenciando as como algo real. Mas suas almas não tinham a força de vivenciar o espírito nas idéias. Nasceu assim o realismo que tinha a sensação da realidade nas idéias, mas não conseguia captar essa realidade. 0 realismo ouvia o verbo cósmico que falava no mundo das idéias, mas não era capaz de entender sua linguagem.

Ao realismo opunha se o nominalismo; como a linguagem não podia ser compreendida, sua própria existência foi contestada. Para o nominalismo, o mundo das idéias não passava de uma soma de fórmulas na alma humana, sem qualquer raiz que o unisse com uma realidade espiritual.

Os conteúdos dessas correntes continuaram atuando até o século XIX. 0 nominalismo veio a ser a maneira de pensar das ciências naturais que elaboraram um sistema grandioso de opiniões sobre o mundo sensorial, mas destruíram toda compreensão da essência do mundo das idéias. 0 realismo era algo morto. Ele sabia da realidade do mundo das idéias, mas era incapaz de chegar a ela por uma cognição viva.

Podemos chegar a ela, quando a Antroposofia encontrar o caminho que conduz das idéias à vivência espiritual nas idéias. Num realismo sadiamente desenvolvido, o nominalismo científico deve ser completado por um caminho cognitivo, o qual demonstra que o conhecimento do espiritual não se apagou na humanidade, mas pode voltar a fazer parte da evolução humana, quando novos mananciais anímicos permitirem uma nova ascensão.

Goetheanum, março de 1925

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  • “Metodologia do Trabalho Biográfico” – com Milene Mizuta
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Encontro de Micael

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Biografia – Terceiro espelho: A Infância e fase da Autoconsciência

Terceiro espelho: A Infância e fase da Autoconsciência

Alma da Consciência: 0-7  Infância / 35-42 Maturidade

Edna Andrade

3 espelho

Nascemos totalmente desamparados, totalmente dependentes e indefesos.

Não só de cuidados, de alguém que alimente, limpe o bumbum, mas precisamos ser carregados no colo, aquecidos, aconchegados – nascemos chorando, gritando por amor. E de amor do tipo incondicional o que significa dedicação por inteiro..

Aos poucos vamos dando conta de viver nesta terra dura, mas divertida.

As necessidades só aumentam, precisamos agora de proteção, de limites, da estrutura e da rotina que um lar oferece.

A infância é a fase onde por um lado desenvolvemos o sistema nervoso central, temos que sustentar a cabeça em cima dos ombros e temos que fazer conquistas muitos grandes tais como andar, falar e pensar precisamos para isto de muito apoio. E como a vida em volta é muito animada precisamos de um ambiente alegre e espaço para brincar e para desenvolver a constituição física.

O que principalmente precisamos na infância são: Cuidados, Amor, proteção, ritmo, alegria e espaço.

Estas condições estruturam a constituição física de um indivíduo e esta é a base da sua saúde anímica e espiritual.
Como se reflete a Infância na fase da autoconsciência?

Na fase do desenvolvimento da autoconsciência o nosso Eu adentrou totalmente a nossa vida interna o que nos dá uma enorme autonomia de pensar, sentir e querer. Somos uma personalidade, com experiência própria, diferenciados, humanizados.

Não sou uma pedra, nem uma planta nem um animal: eu sou um ser consciente de si mesmo. Sou capaz de direcionar minhas forças anímicas para o auto conhecimento e desenvolvimento próprio assim como os talentos, as capacidades, as qualidades que eu trouxe e que adquiri podem ser conscientemente direcionados para ampliar o conhecimento e participar do desenvolvimento do mundo externo. Posso agregar valor próprio ao mundo.

As minhas forças anímicas regidas pelo Eu se direcionam para dentro da substância, da alma e do espírito do mundo.

A distância entre eu e o mundo se acentuou porque eu me tornei um mundo a parte. Muitos sentimentos de isolamento, de abandono se originam deste passo no desenvolvimento pessoal.

Como trazer para a vida atual os cuidados, amor, proteção, ritmo, confiança, alegria, espaço e liberdade que foram as fontes de sustentação da saúde na infância?

Em relação a isto as perguntas de Aaron Antonovsky ao desenvolver o conceito da Salutogênesis foram bem específicas:

Porque eu pego gripe e o cara do meu lado não?

Porque em condições adversas a pessoa do meu lado consegue manter o equilíbrio e eu não?

Segundo a salutogênese:

No campo físico as fontes de saúde estão:

Encontrar os próprios limites

1- O que na infância era a convivência com os limites que criavam um campo de proteção transforma-se na vida adulta na capacidade de conscientizar-se dos próprios limites e das reais possibilidades. Só reconhecendo os limites é possível ampliá-los. Conviver com limites tem a ver com ir de encontro a uma identidade própria. Diante de um impedimento posso reconhecer: isto é um fato, posso aceitá-lo e conviver com ele. Aceitar os fatos não significa fugir das coisas que você pode transformar A aceitação de limites é uma das modalidades de aquisição de consciência.Encontrar os próprios limites é igual a autoconhecimento real – verdadeiro e desta forma não só se evita o stress mas se adquire a capacidade de suportá-lo. Todo organismo sadio tem em alto grau a capacidade de adaptar-se.

Diante do que lhe é estranho, do que se opõe a si, ele pode se confrontar e se fortalecer neste confronto conseguindo intensificar a suas próprias defesas, adquirir forças de resistência e recuperar o equilíbrio perdido.

2- Buscar proteção e apoio

Os cuidados físicos que nainfância eram a base de sustentação da criança na fase adulta se transformam nas forças de retaguarda do adulto.

Procurar segurança física tais como ter um lar, ter alguma reserva financeira, ter previdência, sentir-se amparado por recursos materiais, significa desenvolver sustentação nas próprias forças. A pessoa que sente que tem este tipo de retaguarda adquire um nível básico de estabilidade emocional que consegue fazer frente às situações adversas.
No campo anímico as fontes de saúde no campo anímico estão:

1- O que na infância era o aconchego do colo, o acolhimento, o calor , transformam-se na vida adulta em confiança na relação humana.

Isto significa conseguir se sentir amparado pelo afeto do seu círculo de relação.

Pessoas que passaram por condições extremas de vida contam como conseguiriam superar a situação pela ligação com amigos, parentes, etc. Quando se dispões de um network de relações verdadeiras a vida vale a pena ser vivida, apesar dos pesadelos.

2- O que na infância eram a alegria e o entusiasmo do brincar transformam-se na vida adulta em criatividade e vida cheia de significado e responsabilidade.

Fortalecer a consciência de que você está inserido dentro de um contexto universal, é parte de um todo em evolução, tudo pode ser compreendido e alcançado tudo está em sintonia, tudo faz sentido . O mundo estruturado dentro de uma ordem e consistência e não aleatório e imprevisível . O que você faz não pode estar desarticulado do que você sente e do que voce quer.

O individualista amoral é aquele que não se responsabiliza pelas conseqüências dos seus atos. Isto é reflexo da educação intelectual precoce na infância quando a criança aprende coisas que não encontram correspondência no seu cotidiano (devido a ansiedade dos pais) – e não o que é melhor para elas.

No campo do Eu, da Consciência as fontes de sustentação da saúde estão:

1- O que na infância era a vivência de se sentir envolvido por forças de amor transforma-se na vida adulta na crença em uma esfera superior da vida, na fé em um Deus, no me sentir protegido por algo que está além de mim e das minhas forças.

Ligar-se ao plano espiritual é uma das mais poderosas fontes de saúde porque significa que você se alinha internamente com a sua própria entidade eterna e isto desenvolve a confiança na continuidade e no sentido mais profundo da sua vida.

2- O que na infância era a vivência de um ritmo, de uma rotina estruturada desenvolve-se na idade adulta em coerência de vida, a capacidade de estabelecer relações conscientes entre tudo o que ocorre .

Isto faz entender as demandas – compreensão mais profunda do porque está acontecendo assim (mesmo eu estando no lugar da vítima) e evita a psicologia do bode expiatório – onde se perde muito tempo com os jogos das sombras.

O individualista moralista é reflexo de uma educação que obscureceu a sua individualidade; embora o moralismo leve ao desenvolvimento de certas qualidades (a pessoa certinha) o indivíduo não amadurece e sempre olha de baixo para cima para as autoridades e espera que alguém lhe diga o que é certo e o que é errado.Carece de livre arbítrio.

3- O que na infância foram todas as condições que proporcionaram uma constituição saudável transformam-se na vida adulta em forças de resistência.

O que caracteriza a nossa época é a iniciação ao mal; antes o mal era excluído: estava no preto; ou no pobre; ou no inferior

Hoje você abre o jornal da manhã e vê estampada ou a raiva, ou a mágoa que você está carregando, mas às últimas conseqüências.

Este é o drama da autoconsciência – tudo tem relação comigo.

Podemos nos proteger do mal com leis humanas – a justiça romana.

Mas só nos resta combater o mal combatendo o mal internamente. Isto significa se alinhar com o bem. Cada ação benéfica repõe no mundo o bem que o mal eliminou. O individualista ético segue as diretrizes do seu próprio ser que se desenvolve ancorado em um trabalho de auto conhecimento e auto desenvolvimento.

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Biografia – segundo espelho: Puberdade versus Vida Adulta

Segundo espelho: Puberdade versus Vida Adulta

Alma da Razão: 7-14  Adolescência / 28-35 Juventude

Edna Andrade

2 espelho

A puberdade começa na troca dos dentes; porque este é o sinal que o corpo transmite de que as forças vitais estão liberadas do processo do crescimento para o aprendizado intelectual.

A criança está na Escola; já atravessou a rua, já ampliou o seu mundo.

Do ponto de vista anímico de início todos são mariazinhas e joazinhos com medo da bruxa que os quer comer (a bruxa nos contos de fadas representam as resistências que a criança encontra). Na escola, aos poucos o Coelhinho da Páscoa e o Papai Noel vão ficando para trás com a fantasia da infância.

A formação de juízo se dá aos poucos : vai do aprendizado da soma para o da equação

As regras e valores estabelecidos desde cedo pela família orientam para o que é certo e para o que é errado. O que educa nesta fase além das normas e valores é a presença no meio ambiente de uma autoridade amada, de alguém a quem seadmire, de alguém a quem se reverencie.

O sistema que está amadurecendo é o rítmico: regulariza-se a respiração em relação com os batimentos cardíacos e a vida de sentimentos é ainda mais básica do que na adolescência;

Os sentimentos fluem para o mundo no pulsar do coração e pulmão. Temos uma vida anímica intensamente subjetiva: a relação com tudo é principalmente através do que se sinte. Por exemplo: só se aprende matemática se se gosta do professor!

E isto vale para todas as matérias.

Outro potencial educador portanto é um ensino criativo, humanizado – não é hora de aprendizado técnico. O professor é aquele que traz o conhecimento e portanto o mundo para a sala de aula.

É só com o Rubicão aos 9 anos que o púbere acorda para a percepção de si mesmo no mundo, geralmente com uma vivência de sofrimento: ele/ela descobre que ou é gorda, ou é narigudo, ou é dentuça, ou é pobre e assim por diante.

Ele/ela descubre a discriminação que se estabelece entre si e o mundo.

E aprende a se virar, a se defender, a dar as suas cotoveladas nos jogos, a levar a bola pra casa, etc.
Como esta fase se espelha na vida adulta?

Os 28 anos é chamado de ponto de hypomóchlio:

Do grego hypo:inferior móchlio: alavanca

Os 28 anos é o momento em que o Eu (que se fez presente nos 21 anos) adentra ainda mais na vida interna e começa a alavancar a vida. É a fase em que precisa-se de coragem de iniciativa e forças criativas para consolidar não só o mundo externo mas também o mundo interior.

Consolidar o mundo externo significa a expansão do conhecimento técnico adquirido na faculdade, a escalada profissional, a aquisição de patrimônio; a expansão familiar. É a razão consolidando o mundo externo: o que precisa ser feito, relacionar as coisas entre si, tirar conclusões, estabelecer estratégias e metas a serem alcançadas.

Consolidar o mundo interno é se apropriar das normas e valores que foram recebidos na puberdade os quais precisam não só serem apropriados mas alguns deles precisam ser transformados. Do contrário eles permanecem como padrões de atitudes que são recorrentes e que não contribuem para o desenvolvimento pessoal. Nos processos de desenvolvimento os padrões recorrentes são chamados de distúrbios de comportamento. Na psiquiatria estes padrões recorrentes são chamados de neuroses.

E onde vamos buscar coragem e iniciativa para consolidar o lugar no mundo e ao mesmo tempo fazer as transformações de comportamento que precisam ser feitas?

A resposta é: dentro de si, onde a influência da antiga autoridade amada externa da puberdade pode ser apreendida agora como autoridade interna. Esta influência é uma contínua fonte de verdade. Não se consegue enganar a si mesmo! E a mesma objetividade que se aplica no mundo pode ser aplicada em si.

É surpreendente descobrir esta associação da razão com a índole ou seja com o que flui do mais íntimo o que vale dizer com o amor que recebemos na fase inicial do aprendizado intelectual.

Na fase adulta a nossa qualidade pessoal expressa os nossos valores mais profundos que fluem para o mundo como habilidades para com o social.

A pessoa que não foi educada através de normas de comportamento e de valores e que não teve a influência de uma autoridade amada pode tornar-se nesta fase extremamente egoísta e passar de trator por cima de todos. Falta-lhe o juízo, uma instância dentro de si acima dos interesses materiais imediatos.

Ou por outro lado pode lhe faltar iniciativa e coragem de se afirmar com todo o seu potencial no mundo porque carece de firmeza interior.

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Biografia Humana – primeiro espelho: Adolescência versus Juventude

Primeiro espelho: Adolescência versus Juventude

Alma da sensação: 14-21  Adolescência / 21-28 Juventude

Edna Andrade

primeiro espelho biografia

A adolescência começa com um sentimento vago de que as coisas já não são como eram antes. Até por volta de 14 anos a gente se sentia parte de alguma forma da família, da turma da rua, do pessoal do bairro ou da galera da escola… eu era filho de fulano de tal, pertencia a tal família…

De repente sem saber quando começou vem aquela sensação esquisita de separação: sou mas não sou… ainda não sei quem eu vou ser mas sei com certeza que eu não quero ser igual ao meu pai ou a minha mãe – que eu sou diferente. Que o meu casamento não vai ser como o dos meus pais, que a minha carreira vai ter um rumo diferente, etc.

Muitas vezes esta separação ocorreu de fato: intercâmbio cultural por exemplo; ou mudança de escola, ou mudança de bairro, de cidade…a vida sentimental do adolescente vive nos opostos:

Os sentimentos oscilam entre simpatias (gosto) e antipatias (não gosto); entre ser aberto, extrovertido e social ou fechado introspectivo e antisocial,

A vida emocional é frágil (ninguém pode saber o que eu sinto); dependente (ídolos, amigos, turma que confere identidade), e foge para zonas de conforto ou gozo lúdico da existência (jogos e vícios)

A consciência do adolescente é do tipo instintiva: ligada às necessidades físicas: defender meu território (quarto/livro/computador); competir para provar que sou o melhor; autonomia (ninguém manda em mim, eu não pedi para nascer); usa de artimanhas para conseguir o que quer, bateu/levou, ataque/defesa .

São os hormônios, dizem… ou a aborrescência como dizem outros…

Em termos do desenvolvimento físico é o amadurecimento do sistema urogenital que faz aflorar os instintos físicos na vida interna dando a tônica dos sentimentos e orientando a vontade na satisfação imediata das necessidades e dos desejos.

É o animalesco em nós diz a religião; somos um animal superior diz a psicologia comportamental.

Contrapondo-se a estes impulsos que vindo do corpo afloram na alma temos os impulsos que vem da consciência em formação, podemos chamá-los de anseios:

Vou estruturar melhor a minha família; vou trabalhar em algo que tem a ver comigo; vou me dedicar a algum trabalho que agregue valor à vida; vou lutar pelas injustiças sociais; etc. Na adolescência cada um de nós tem sua própria imagem de como o mundo deveria ser mas com certeza o que todos temos em comum é que este deveria ser um mundo melhor;

O que educa nesta fase da adolescência?

Um sólido conhecimento científico por exemplo é educador nesta fase porque torna o mundo real; medir, quantificar, associar, olhar os fatos; tudo precisa ser autêntico e tudo o que é ensinado deveria ser relacionado com os grandes processos evolutivos da vida: a alma adolescente precisa perceber o espírito que vive em tudo; precisa desenvolver ideais.

O segundo potencial educador da adolescência são as oportunidades de participar de experiências, projetos onde o seu anseio possa ser vivenciado na prática, onde ele possa exercitar a sua qualidade pessoal e torná-la uma qualidade de liderança. No anseio vive a vocação. O meio ambiente deveria proporcionar oportunidades para o adolescente fazer a ponte entre o seu anseio e a realidade porque isto lhe dará a capacidade de formar idéias a respeito das coisas e uma compreensão mais ampla dos fenômenos do mundo:

Como a adolescência se reflete na juventude?

Os 21 anos é o marco do nascimento do Eu . Enquanto a consciência do tipo instintiva tem relação com o que aflora dos processos corpóreos e se direciona para atender as necessidades não só do corpo mas do mundo ao redor, a consciência de Eu é do tipo superior e se conecta com a esfera mais elevada da vida anímica: com os anseios que direcionam o jovem para o mundo.

A consciência de Eu ela é do tipo faraônico, na juventude temos a impressão que descendemos dos deuses, sentimos a força do divino, da amplidão da vida, a juventude tem asas.

Quando o Eu não encontra esta acolhida na vida anímica do jovem (quando ela foi limitada) a força do interesse pelo mundo torna-se fraca e então temos o jovem que logo se acomoda em uma rotina; que se torna conformista; que tem tendências à auto-indulgência; que se desconecta da realidade

Quando o Eu não consegue se interiorizar a alma é arrastada pelas forças do meio ambiente perpetuando a adolescência e o jovem continua a ser direcionado pelos instintos se perdendo na experimentação e não conseguindo encontrar os meios para consolidar a vida. Temos então aquele jovem que troca constantemente de trabalho, de mulher, de lugar, de profissão.

O que contribui para uma juventude saudável são os ideais (sonhos) da adolescência que vão se refletir em programas de estudos, viagens, autonomia financeira, casamento; profissão; carreira. São os ideais que na juventude fazem o céu parecer ser o único limite, a vontade ser capaz de remover até montanhas e a vida ter um significado tão grande.

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