Arquivo mensais:abril 2014

O ritmo dinâmico entre setênios e nonênios

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O ritmo dinâmico entre setênios e nonênios

Josef David Yaari

Back to Godhead - Volume 10, Number 09 - 1975

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“Assim é bem conhecido o primeiro acordar para si mesmo em torno dos 3 anos de idade, a nova redescoberta de si aos 6 anos e o sentimento de estar só consigo mesmo aos 9 anos. Esses processo tem sua evolução bem interessante até os 90 anos de idade. E os espelhamentos entre as fases podem ser observados até no espelhamento dos números: De 0 a 9 anos (período da ingenuidade) se espelham os 90 anos (período da inocência); 9 a 18 anos (período do aprendizado) espelham os 72 a 81 (período do assombro), 18 a 27 anos (período da luta) espelham os 63 a 72 (período do exercício da liberdade)…”

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O contínuo exercício de vivencia das diversas dinâmicas possíveis entre os setênios e os três triênios de cada fase, amplia em muito a compreensão e resolução dos desafios que cada biografia nos propõe. E podemos apreender com cada biografia as leis inerentes e os aspectos característicos de cada fase da vida, entendendo que essas elaborações de setênios e nonênios representam simbolizações eficazes de possíveis campos integrados de ordenação, entre muitos outros.

Estaremos a seguir descrevendo muito mais dos setênios por serem estes muito mais generalizados e inseridos na dinâmica dos nonênios, lembrando assim que cada pessoa revela sua forma única de expressão.

Pois normalmente os estudos biográficos se concentram na descrição e estudo dos setênios. É uma antiga tradição oriental que acabou sendo assimilada pela cultura grega na qual, de fato, as fases da vida foram divididas de sete em sete anos, iniciando-se pela infância (0 a 7 anos), passando pela juventude (7 a 14 anos) e chegando à adolescência e seu desenvolvimento (14 a 21 anos) para que a pessoa pudesse ser considerada “maior de idade” ou responsável por si mesma. E essa visão das fases da vida se mantém até hoje na ordenação jurídica em todos os países.

Mas o estudo dos setênios continua depois dos 21 anos. Pois após a “maioridade” jurídica ocorrem outros motivos típicos das pessoas com 28, 35, 42, 49, 56, 63… anos de idade. Cada fase tem aspectos muito diferentes e podem então facilitar a compreensão das escolhas e mobilizações que são feitas. Essa compreensão, logo de início, nos faz entender que um “contrato” feito aos 20 anos, como, por exemplo, um casamento, tem motivos e aspectos muito diferentes aos 40 anos!

E compreender isso, nos obriga a reconsiderar regularmente nossos compromissos, acordos, contratos e celebrações que não podem se manter na mesmice e num quotidiano que empobrece as possibilidades de expressão de nossa individualidade.

Estudando e trabalhando com os Seminários Biográficos, fui descobrindo que os setênios estavam inseridos no ritmo mais amplo que se demonstrou por períodos de nove anos. Fui assim levado a elaborar o ritmo dos nonênios que se mostrou uma ferramenta muito eficaz para a compreensão das leis biográficas, ainda mais por percebermos mudanças significativas a cada triênio (Três triênios completam um nonênio).

Assim é bem conhecido o primeiro acordar para si mesmo em torno dos 3 anos de idade, a nova redescoberta de si aos 6 anos e o sentimento de estar só consigo mesmo aos 9 anos. Esses processo tem sua evolução bem interessante até os 90 anos de idade. E os espelhamentos entre as fases podem ser observados até no espelhamento dos números: De 0 a 9 anos (período da ingenuidade) se espelham os 90 anos (período da inocência); 9 a 18 anos (período do aprendizado) espelham os 72 a 81 (período do assombro), 18 a 27 anos (período da luta) espelham os 63 a 72 (período do exercício da liberdade)…

Dessa forma o trabalho da Pedagogia Clínica Biográfica se expressa de uma forma dinâmica que parte da observação dos nonênios na história de vida das pessoas, acompanhando seus processos com o ritmo dos setênios. Esta prática tem ampliado em muito os Seminários Biográficos, até porque estabelece assim uma nova psicologia do desenvolvimento.

nonenios

Assim, acompanhando este quadro, podemos descrever primeiramente os nonênios com as seguintes observações, ficando desde já claro que estamos aqui descrevendo os períodos com o que pode ocorrer de positivo, como proveito otimizado das fases da vida:

0 a 9 anos: Período do crescimento

O indivíduo estabelece sua base física e adaptação de sua estrutura física como instrumento da realização de seu destino;

9 aos 18 anos: Período do aprendizado

Inicia-se o exercício da estrutura adquirida e a formação fundamental da expressão psicológica;

18 a 27 anos: Período de luta

A pessoa experimenta o mundo interno e externo por meio de várias atividades diferentes no trabalho, na vida afetiva e em seus contatos sociais, com todo cabedal elaborado nos dois períodos anteriores;

27 aos 36 anos: Busca da estabilidade

Agora se torna urgente a relação do indivíduo com o mundo em seus aspectos físicos, psicológicos e espirituais por meio da clara escolha profissional, afetiva e social. Todos nesta idade buscam planejar toda sua vida de uma forma própria de se colocar no mundo. É o período em que, geralmente, as pessoas trabalham mais do que em outras fases da vida;

36 aos 45 anos: Período das rupturas

Sentimento de urgência. As “máscaras” elaboradas como colunas mestras na conquista da estabilidade precisam ser superadas pela urgência da busca do si mesmo. As armaduras precisam ser substituídas por roupagens mais confortáveis que possam proporcionar maior mobilidade para tudo que agora precisa ser feito;

45 aos 54 anos: Metamorfoses

O indivíduo, agora, reúne o que restou das rupturas, elabora novas formas e busca em si mesmo a força para a reelaboração de seu caminho de vida. A ternura pode ser assumida e é, sem dúvida, a guia para o caminho maior;

54 a 63 anos: Aprendizado da Sabedoria

Agora chega o momento em que se reconhece o valor de se sagrar, celebrar cada ato, cada momento, como comemoração de se ter superado e feito a passagem pelos diversos limiares na lapidação do ser;

63 aos 72 anos: Exercício da Liberdade

O indivíduo sente que pode viver sem as grandes pressões do quotidiano de todos e pode, então, dedicar-se a algo completamente diferente, novo, com a liberdade de compreender a vida de muitos modos diferentes;

72 a 81 anos: A experiência diária com o Assombro

Chega esta fase na qual se percebe que todas as explicações são formas redutoras da realidade. O sentimento e a percepção é que tudo é muito mais amplo, tudo é muito mais. Vive-se o espanto e o assombro pela magnitude da vida.

81 a 90 anos: A experiência da Inocência

Compreendo a vida como o caminho que se faz partindo da ingenuidade para a descoberta da inocência. Quando trabalhei com pessoas que estavam nessa fase, me chamou atenção exatamente isso: Estas pessoas sabiam das maldades e das espertezas, mas buscavam se manter acima e cultivar a bondade e o amor.

Fica óbvio que quando estas expectativas otimizadas não ocorrem, a pessoa vive algo que está entre estas e o polo oposto, ou seja, pode não haver o crescimento esperado, o aprendizado equivocado, a luta mórbida, a falsa estabilidade, a ruptura apenas aparente e assim por diante.

O ritmo dos nonênios pode ser estudado pelo acompanhamento dos triênios, ou seja, em cada nonênio há três triênios que ajudam a compreender com maiores detalhes as possibilidades de conquistas ou questionamentos vividos.

Este ritmo mais amplo dos nonênios, contem em si o ritmo dos setênios que, como dissemos acima, nos remete a uma tradição oriental de mais de cinco mil anos, sendo estabelecida até como ordem jurídica na Grécia. Assim, até hoje, a pessoa é considerada plenamente responsável por seus atos a partir de seus 21 anos de idade.

Então, em relação ao estudo dos setênios, retomei como base um texto que escrevi e que está publicado em meu livro “Psicologia da Metamorfose” editado em 1989 pela Hermes Editora.

Embora muito questionável, a sabedoria popular afirma que “nós adultos, a cada sete anos, somos acometidos de “comichão” e “formigamento”. Apesar de ser uma caracterização simplória, existem muitos fatos, estatísticas e relatos que vem confirmar esse ritmo. Assim estudos de Charlote Bühler, Marta Moers, A. Guardini, Bernard Lievegoed, Rudolf Treichler e outros, vêm corroborar as diferentes pesquisas que ainda receberam sólidos fundamentos através da obra de Rudolf Steiner. Este fala dos “nascimentos” que ocorrem de sete em sete anos, em média, dando essenciais subsídios para a elaboração da pedagogia e da medicina, como ampliações da “arte de educar”.

A maioria das pessoas conhece, de maneira superficial, as motivações típicas da infância, da adolescência e da puberdade, mas mal ouviu falar dos questionamentos e alegrias observadas aos 40, 50 ou 60 anos de idade.

Gail Sheehy, autora de um “bestseller” sobre as fases da vida, diz: “o nosso sistema vital interior desenvolve persistentemente um ritmo próprio. (..,) e há variados conhecimentos estatísticos a respeito do ritmo setenial “.

Adolf Portmann, assessorado por vários estudiosos fala do “nascimento fisiológico prematuro do ser humano”. Para ele aos 12 a 18 meses de vida extrauterina, seria a época ótima do nascimento humano, se o homem apenas fosse um mamífero. Acontece que todo nosso comportamento entre os primatas, contraria a sequência natural.

A concepção e a vida intrauterina, já bastante estudadas, guardam ainda muitos segredos: Por que nosso corpo se mantém em forma embrionária?
A resposta a esta questão é o leitmotiv deste livro: Nosso corpo quando nasce não tem nenhuma estrutura especializada. Tudo está por ser feito! Por isso falamos que quando um bebê nasce, temos diante de nós, como expressão material, a base física que só atinge a maturidade em torno dos 21 anos de idade.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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O Salvamento da Alma – 4º dia

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O Salvamento da Alma – 4º dia

A corrente de Cristiano Rosacruz

Bernard Lievegoed

Tradução: Gerard Bannwart

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“O objetivo dessa corrente está ligado a um profundo segredo no desenvolvimento da humanidade e da Terra. Aqueles que estão familiarizados com a obra de Rudolf Steiner sabem que não é apenas cada ser humano que perfaz sempre uma nova encarnação, porém também a própria Terra. A Terra como a conhecemos hoje já passou por três dessas encarnações. A primeira é descrita por Rudolf Steiner como “o antigo Saturno”, a segunda como “o antigo Sol”, a terceira como “a antiga Lua”, e a quarta, portanto, como “Terra”. Depois da atual forma de aparecimento da Terra, ainda se seguirão três adicionais, que são chamadas de “Júpiter”, “Vênus” e “Vulcano”.”

Bernard Lievegoed

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4º dia

O Salvamento da Alma

A corrente de Cristiano Rosacruz

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Madre Teresa de Calcuta

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Brincar de casinha – o brincar na escola waldorf

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Na primeira escola, brincadeiras fazem parte do currículo

Sabine Righetti

Fonte: Jornal Folha de São Paulo

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“O ser humano brinca somente quando é verdadeiramente ser humano e somente é ser humano pleno quando brinca.”

Schiller

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As brincadeiras ajudam no processo de formação dos pequenos. Por isso, atenção papais e mamães: quanto mais nova for a criança, mais preocupada a escola tem de estar com o tempo destinado simplesmente para brincar.

“Pode ser uma atividade simples, como pular amarelinha, montar peças de um jogo ou brincar de roda”, explica a psicóloga e professora da PUC-SP Maria Angela Barbato Carneiro.

De acordo com a especialista, algumas escolinhas deixam de lado as atividades lúdicas para atender uma demanda dos próprios pais.

“Tem quem reclame na escola quando o filho chega em casa sujo de terra”, diz. Nas grandes cidades, porém, a escola acaba sendo o único espaço para essas experiências.

“Antes, tínhamos o espaço da rua e as brincadeiras aconteciam naturalmente. Agora, a escola passa a ser o local onde acontecem as brincadeiras. Não se vê mais crianças pulando corda na rua”, afirma Claudia Lacerda, professora do jardim 1 do colégio Santa Maria, que fica na zona sul de São Paulo.

Lá, a criançada tem atividades voltadas para o próprio desenvolvimento de brincadeiras. E isso acontece mesmo sem brinquedos.

Toda semana, os alunos fazem uma caminhada pela área verde da escola. A diversão fica por conta de folhas, galhos e da imaginação.

A proposta é um exemplo de que nem toda brincadeira deve ter fins necessariamente pedagógicos. “Se você contar uma história e depois ficar fazendo perguntas, a criança vai se entediar. Não é preciso pedagogizar tudo”, afirma Maria Angela.

NEURÔNIOS

Quando a criança brinca, ela ativa o cérebro por meio da imaginação, da capacidade de concentração e da escolha de alternativas.

Dos dois aos seis anos, ocorre uma mudança crítica na formação cerebral, com aumento da quantidade de neurônios. Por isso, brincar nessa fase é fundamental.

“O cérebro vai se esculpindo conforme as experiências passam nessa idade. Se determinados circuitos não forem ativados, há uma poda dos neurônios não utilizados”, explica Paulo Junqueira, especialista em neurologia infantil.

Segundo Maria Angela, um aluno de seis anos deve ter em torno de 40% do tempo na escola voltado para as brincadeiras.

Brincar de casinha – o brincar na escola waldorf

Sandra Eckschimidt – Jardim Waldorf Casa Amarela

Produção: Gustavo Frejat e Tatyana Bartinikowsky

Conheça a Pedagogia Waldorf – clique aqui!!!

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Apresentação do PowerPoint

Oferece em São Paulo: Pós Graduação em Pedagogia Waldorf

Apresentação do PowerPoint

reconhecidos-pelo-mec

End: Av. João Dias, 2046 – Santo Amaro/SP
Previsão de início: 10 de maio de 2014
Duração: 18 meses
Horários: Sábados – mínimos 2 por mês das 08h30 às 17h30
Valor: 18 x R$ 370,00
Informações: (11) 5645.0189 ou crp@italo.br
Site: www.italo.com.br

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Desconectar para conectar

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Desconectar para conectar

Fonte: www.youtube.com.br

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“Hoje preciso de você, com qualquer humor, com qualquer sorriso. Hoje, só sua presença, vai me deixar feliz…”

Anônimo

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Preparando meu filho para a liberdade

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Preparando meu filho para a liberdade

Marcos Rezende

Fonte: www.insistimento.com.br

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“Não é livre quem vai contra a sua própria natureza.”

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Você parou para observar o que está passando na televisão quando o seu filho a está assistindo? Ou já parou para refletir nos motivos que levaram um novo shopping a ser erguido perto da sua casa? Ou mesmo já se questionou sobre a real razão para a pré-escola dizer que está preparando o seu filho para o mercado de trabalho?

Não é novidade para ninguém que a organização da sociedade possui o formato de uma pirâmide onde os que estão na base sustentam aqueles que estão no topo. Enquanto no topo existem poucos lugares, na base existem muitos para serem ocupados, sendo natural que quem esteja em cima queira manter aqueles que estão em baixo onde estão para não perderem suas posições no topo.

Não é uma questão de maldade, mas de pura física onde dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço, manifestando a lei da escassez que rege a vida da maioria das pessoas, seja aquelas que estão no topo ou na base.

“Não é livre quem vai contra a sua própria natureza.”

Apesar de nascermos livres, durante a construção da nossa personalidade (da infância a fase adulta) vamos nos identificando progressivamente com essa lei e ficando cada vez mais “parados” conforme ela se torna a realidade do nosso modo de agir.

Não importa se nossa origem é uma família com muito ou pouco dinheiro. O que define se uma pessoa é livre ou não é a maneira como ela lida com o mundo: se obedecendo a lei da escassez ou a lei da abundância.

Obedecendo a lei da escassez, nós temos medo e culpa. Medo do desconhecido (futuro, relações ou oportunidades) e culpa pelo passado (o que não foi feito, o que deu errado ou o que fizeram conosco). Agimos como vítimas e sempre estamos sofrendo por algo. Por isso precisamos atacar. Quem está em cima ataca quem está embaixo e quem está embaixo ataca quem está em cima.

Mas o que importa para o desenvolvimento pleno do ser humano e da humanidade não é que nossos filhos escalem a pirâmide social, se tornem pessoas ricas habitando o topo da pirâmide e mantenham as pessoas que estão embaixo afastadas das suas posições. O importante é que eles se libertem dessa pirâmide e das “regras naturais” contidas na sua estrutura.

Qual opção lhe parece a mais adequada?

A) Quero que meu filho seja pobre e triste.
B) Quero que meu filho seja pobre e feliz.
C) Quero que meu filho seja rico e triste.
D) Quero que meu filho seja rico e feliz.
E) Quero que meu filho seja livre e, portanto, sempre feliz.

“Ser livre é agir de acordo com a sua natureza.”

Com quatro filhos, me ocupo bastante do pensamento sobre a criação, educação e escolarização das crianças, pois percebo vários problemas ocorridos nestes três aspectos ao longo da minha formação. Tive que trabalhar bastante para conseguir me libertar de algumas crenças, medos e valores que não desejo que o filho de ninguém possua e que me motivaram a vir aqui trazer à tona abaixo, alguns sinais de que nós podemos estar transformando nossos filhos em escravos ao invés de pessoas livres.

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12 sinais de que você não está criando seu filho para ser livre:

Você matriculou seu filho em uma escola que o prepara para o mercado de trabalho

Ou uma que vai do maternal ao vestibular. Não importa. Se o seu filho está matriculado em uma escola que o prepara para o mercado de trabalho, você está preparando o seu filho para o passado e não para o futuro, para o mundo que vai existir daqui a 20 anos quando ele sair da escola. Você está preparando seu filho para se encaixar no mundo e não para criar um mundo para ele.

“Só cria quem é livre.”

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Você leva seu filho no shopping para passear

Shopping não é para passear. Shopping é para comprar ou então se distrair para comprar ainda mais. O objetivo do shopping é vender mais e por isso é tão importante para seus proprietários agregar serviços como praças de alimentação e espaço para as crianças com brinquedos eletrônicos e pequenos parques dentro dos seus estabelecimentos. Quanto mais próximas dos shoppings as crianças estiverem, melhor retorno financeiro o shopping terá no longo prazo. O impacto deste mau hábito pode levar seu filho a sempre querer consumir para se manter feliz.

“Só uma pessoa livre decide os hábitos que tem.”

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Você permite que ele tenha mais coisas que o necessário

Presentes são as distrações do presente. Com milhares de roupas, tênis e brinquedos seu filho começa a perceber que fica feliz sempre que recebe alguma coisa nova e molda a sua cultura para isso. Desta forma, quando ele ficar triste novamente e não enxergar nada de novo à sua volta, acreditará que está com esse mau humor porque não tem nada novo para se distrair. Desde cedo eduque seu filho a compreender que ele não depende de coisas para ser mais feliz. No dia que seu filho fracassar e não tiver coisa alguma, se sentirá ainda mais infeliz por não tê-las e levará ainda mais tempo para retomar seu rumo.

“O verdadeiro poder está no coração de quem não precisa de coisas para ter poder.”

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Você acredita que ajuda seu filho quando executa tarefas simples pra ele

Dar comida na boca, amarrar o sapato, abotoar a camisa, dar banho, entre outras tarefas simples são coisas que os pais estão fazendo por mais tempo pelos seus filhos. Quando eles crescerem e estiverem adultos o mundo cobrará deles independência e disposição para realizar tarefas fora de suas zonas de conforto se eles quiserem se libertar. Tendo sido criado em uma redoma seu filho terá que lutar ainda mais para conquistar as coisas que deseja.

“Só um homem livre consegue moldar o mundo com suas próprias mãos.”

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Você ensina seu filho a valorizar as coisas pelas marcas que elas carregam

Não basta comprar um caderno, precisa ser um caderno de uma determinada marca ou com um determinado motivo daquele desenho animado ou daquele filme que ele tanto adora. Não seja tolo. Você está agindo justamente da forma que o dono da marca daquele filme quer que você aja. Que tal explicar para o seu filho que o caderno sem marca nenhuma tem a mesma utilidade que o caderno com marca e que ele pode ser até melhor em qualidade que o outro. Ensine-o a valorizar as coisas pelo real valor delas e não pela marca que a coisa carrega. O significado de sucesso não é medido pela capacidade de adquirir acessórios das marcas mais caras como se fossem badges da vida real.

“Só alguém livre consegue enxergar o seu próprio valor e o valor das coisas que o cercam.”

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Você não ensina seu filho a receber doações

Conheço pais que não admitem que seus filhos recebam uma peça de roupa ou um tênis de uma outra criança só porque aquilo que era recebido já tinha sido usado. Não existe coisa mais digna e natural do que aprender a receber. Isso, inclusive é até mais importante que aprender a dar porque para receber você precisa ser humilde e nobre. Ensine-o a receber doações e ele se tornará livre por acreditar que o mundo dá as coisas para ele ao invés de visualizar um mundo cheio de perigos e apuros onde todos só pensam em tirar-lhe as coisas.

“Só alguém livre é capaz de receber com a mesma gratidão que doa.”

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Você faz da alimentação por frutas e legumes algo esporádico

O natural para o ser humano é comer frutas, legumes e verduras, enquanto refrigerantes, doces e outras guloseimas não é natural. Estes últimos “alimentos” é que devem ser apresentados ao seu filho como um evento pontual. Não há problema comer doces, biscoitos e bolos uma vez ou outra se o hábito da criança for comer coisas saudáveis, mas fazer da alimentação saudável algo esporádico é transformar o próprio filho em colecionador de problemas de saúde no futuro.

“Um homem livre consome apenas aquilo que for bastante e saudável.”

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Você o deixa ver televisão

Assista televisão com o seu filho durante uma hora e notará nas entrelinhas uma série de comerciais educando-o a permanecer escravo do sistema. Enquanto mulheres feministas brigam pelos seus direitos nas ruas, um comercial de um brinquedo infantil, treina meninas para o consumo vendendo uma caixa registradora que aceita cartão de crédito de brinquedo onde sua filha pode fazer compras à vontade na lojinha da amiga. Desligue a televisão e veja o seu filho libertar a imaginação com amigos imaginários, pistas de corrida feitas com caixas de papelão ou simplesmente cantando a esmo dentro de casa.

“Só alguém livre decide o que deseja experienciar.”

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Você não educa seu filho com uma medicina preventiva

Medicina preventiva é alimentação somada ao conhecimento do próprio corpo. Além de receberem alimentos ruins para o corpo, os pais não incentivam seus filhos a conhecerem suas dores e seus próprios males, curando toda e qualquer perturbação com algum medicamento invasivo que inibe o sintoma, mas não acaba com o problema. O autoconhecimento começa pelo conhecimento do nosso próprio corpo.

“Só é realmente livre quem se conhece profundamente.”

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Você incentiva que seu filho tenha ídolos

Ter ídolos nos escraviza tanto quanto ter algozes. Tendo ídolos, seu filho começa a competir com outras crianças para medir se aquilo que idolatra é melhor ou pior que aquilo que os outros idolatram, seja uma personalidade, um atleta, um time de futebol, um músico, etc. Ele coloca todas as suas expectativas naquela pessoa, saindo de si para querer se tornar o outro o que normalmente termina em uma grande frustração quando ele verifica que o outro possuía as mesmas idiossincrasias que ele.

“Ser livre já é o bastante para si mesmo.”

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Você ensina as suas crenças para ele

Religião, trabalho, riqueza, modo de vida, enfim, você deposita no seu filho toda a sorte de crenças e medos cultivadas em você tirando a capacidade dele mesmo refletir sobre o que serve e o que não serve para ele. Você não ensina filosofia para ele e não o faz questionar e observar que talvez você e ele estejam errados a respeito das suas certezas. Que existem outras religiões diferentes da sua no mundo, assim como outros tipos de trabalho, outras formas de gerar riqueza e também outras maneiras de viver. Esclareça para o seu filho que a forma como você vive e a maneira como você pensa é a sua maneira, mas não a mais correta. Não ate-o a amarras que o deixem presos em qualquer área da vida. Leve-o a sua religião, ensine-o sobre ela, mostre a forma como você trabalha e a sua maneira de gerar riqueza. Traduza tudo isso e o seu modo de vida como apenas mais um modo de se viver, mas fortaleça-o para que ele faça a sua própria busca, deixando claro que irá lhe abraçar no caminho de volta pra casa.

“Livre é quem se liberta das suas próprias crenças.”

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Você não coloca em prática o que ensina para ele

E o principal e mais violento sinal de que você está criando o seu filho para não ser livre acontece quando você demonstra para ele que não se esforça para se libertar colocando em prática aquilo que ensina para ele.

Você continua indo ao shopping para passear.
Você continua vendo televisão.
Você continua torcendo para o seu time do coração com fanatismo.
Você cultua marcas, nomes e famosos.
Você se coloca como vítima da vida.

Você pode ter errado em tudo, mas não pode se dar o direito de errar em não assumir os próprios erros para acertar. Temos que ensinar esta nobreza para os nossos filhos se quisermos que eles se libertem desta pirâmide social na qual a maior parte da sociedade está inserida para viver a sua própria vida da maneira que ele acredita ser a ideal.

Entendo que alguns sinais colocados aqui afetam estruturalmente as suas crenças, mas te convido a fazer um exame em cada uma delas para verificar porque elas realmente existem em você e como elas podem estar moldando a vida que você tem hoje. Se você está preso, liberte-se e leve seus filhos junto, pois se todos os pais fizerem isso, libertaremos o mundo.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Festa estranha com gente esquisita

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Festa estranha com gente esquisita

Carolina Delboni

Fonte: www.brasilpost.com.br

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“Quem na educação não recebeu valores dos pais, dificilmente conseguirá fazer escolhas. Tarefa difícil nos dias de hoje. Em que pais e mães já não sabem mais porque dizem sim ou não, simplesmente dizem! E quando um adulto fala sem intenção, sem verdade na fala, a criança não acata. Ela desacata. E ela começa a se preencher animicamente de vontades e “querer”. Pais as preenchem com fazeres…”

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Festa infantil em buffet já é quase sinônimo de pouca diversão. Imagine em casa então. Chega a ser ultrapassada, velha. Coisa de gente antiga. Pais e mães, numa velocidade totalmente inconsequente, têm proporcionado vivencias e experiências um tanto quanto inapropriadas a seus pequenos.

A filha de uma amiga tinha uma festa domingo à tarde num ônibus. Em movimento. Aposto que você não entendeu, então vou explicar: uma criança de 10 anos foi convidada para uma festa de aniversário de outra criança, com a mesma faixa etária, em um ônibus em movimento pela cidade de São Paulo, num domingo à tarde (claro, afinal tudo é mais tranquilo). A ideia é ficar dançando, batendo papo, circulando (por um corredor estreito diga-se de passagem — desculpem o trocadilho), paquerando (sim, porque nesta idade já se paquera), enquanto se comemora um aniversário de criança.

Outra filha de amiga fez a festa da menina numa Limousine cor-de-rosa choque. Isso mesmo. Aposto que agora você já entendeu. O carro parou na porta da escola e o motorista buscou a pequena e suas amigas que foram papear dentro de um carro chique, como pequenas patricinhas. Tomaram guaraná na taça de champanhe, fizeram o cabelo e as unhas com uma profissional exclusiva que transitou pela cidade com elas. E cantaram parabéns ao som de One Direction. Meninas de 7 anos.

Ainda mais uma conhecida levou filha e amigas para um Day Spa num salão chique de bairro. As crianças precisavam descansar, estavam estressadas. Provavelmente com a escola, porque duvido que sejam muito contrariadas em casa. Entre os afazeres básicos de um salão, as meninas também fizeram escalda pé e massagens. Com direito a toalhinha quente, cremes, luz baixa e música ambiente. Tudo para relaxar profundamente. Afinal ser criança é algo extremamente estressante hoje em dia.

Ser criança no mundo de hoje exige que você brinque menos e saiba mais. Vive menos a infância e pula direto à fase adulta. Imagine só: os filhos de hoje precisam estudar nas melhores escolas, ter as tardes preenchidas por muitas atividades como reforço de matérias em escolas especializadas e mais um monte de blablablá. Agenda cheia não é novidade para ninguém aqui. A touch generation, como eu chamo, mais sabe baixar apps e jogar joguinhos do que subir em árvore. Conto nos dedos os filhos de amigos que sabem subir em árvore. Tudo bem. Você que está lendo esse artigo deve estar pensando porque subir em árvore pode ser mais importante que saber baixar apps, nos tempos de hoje. Te explico. É simples. Porque subir em árvore exige habilidade física, controle emocional, dá a possibilidade de fazer escolhas (entre pisar num galho ou outro, por exemplo) — e toda escolha tem consequências — correr riscos, desenvolver a coragem… Quando uma criança sobe numa árvore ela vivência fisicamente, não só as emoções e sensações, como também o aprendizado. Este passa a ser orgânico e não mental. Uma criança que aprende vivenciando interioriza o aprendizado. Diferente da teoria, do virtual, do mental. Quando fazemos essa opção estamos tirando da frente de nossos filhos a possibilidade de aprenderem a fazer escolhas.

E fazer escolhas, se não for a mais, é uma das mais importantes e nobres tarefas dessa dona Vida. Precisamos ter critérios para fazer nossas escolhas. Precisamos ter maturidade para saber que não se pode ter tudo. Precisamos deixar possíveis escolhas para trás e ter a certeza do que levar para frente. Das coisas mais simples, como escolher uma cor, as mais complicadas, como decidir entre o ir e vir, exigem que a gente pense e repense e avalie nossos valores e use critérios para decidir. Critérios estão enraizados nos valores da pessoa. Quem na educação não recebeu valores dos pais, dificilmente conseguirá fazer escolhas. Tarefa difícil nos dias de hoje. Em que pais e mães já não sabem mais porque dizem sim ou não, simplesmente dizem! E quando um adulto fala sem intenção, sem verdade na fala, a criança não acata. Ela desacata. E ela começa a se preencher animicamente de vontades e “querer”. Pais preenchem com fazeres. E fazem festas em ônibus, em Limousine, em spa… Festas vazias de valores, de critérios, de possibilidades de escolhas, de aprendizado. Festas vazias de criança, de infância.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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O Salvamento da Alma – 3º dia

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O Salvamento da Alma – 3º dia

O caminho e missão de Rudolf Steiner

Bernard Lievegoed

Tradução: Gerard Bannwart

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“A verdadeira tarefa espiritual de Rudolf Steiner:
A reformulação da inteligência cósmica micaélica em inteligência humana.
Pois é isso o que está contido na palavra antroposofia:
Anthropos significa ser humano, Sofia significa sabedoria”

Bernard Lievegoed

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3º dia

O Salvamento da Alma

O caminho e missão de Rudolf Steiner

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O Aborto à luz da Antroposofia

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O Aborto à luz da Antroposofia

Valdemar W. Setzer

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“O casal escolhido pelo Eu que está em processo de encarnação deve ser aquele que, pela sua constituição física e anímica, bem como pelo seu ambiente de vida, melhor permite que aquele Eu se desenvolva. Muitas vezes, essa preparação remonta aos avós, bisavós etc. Pode-se imaginar a complexidade que é envolvida nesse processo; por isso entidades espirituais muito elevadas precisam ajudá-lo…”

Valdemar W. Setzer

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*O texto seguinte foi uma postagem de Valdemar W. Setzer na rede Espirit Book, em 26 de maio de 2011

O que vou expor é minha opinião inspirada pela Antroposofia; não se pode dizer que ela própria tenha essa opinião. Para tratar desse assunto, é necessário abordar inicialmente certos fatos.

Em primeiro lugar, a vida humana não é um acaso, como quer fazer crer a ciência materialista. Quando nasce uma criança, o que está ocorrendo é a encarnação de uma individualidade espiritual humana, comumente chamada na Antroposofia de Eu. Cada ser humano tem seu Eu, que é seu membro essencialmente espiritual; ; na trimembração corpo-alma-espírito, ele corresponde aproximadamente ao último membro. É por termos esse Eu que podemos captar, por meio de nosso pensamento, as verdades espirituais, como por exemplo os conceitos que existem por detrás de qualquer objeto. Quando olho para este aparelho aqui na minha frente, digo que ele é um computador – com isso, estou entrando em contato com a essência não física desse objeto, seu conceito. Toda a matemática é também um exemplo da capacidade de o ser humano entrar em contato com conceitos não físicos. Por exemplo, todas as pessoas com uma certa cultura conhecem uma das definições possíveis de circunferência perfeita: “o lugar geométrico de todos os pontos equidistantes de um ponto dado, o seu centro”. No entanto, jamais alguém viu fisicamente uma circunferência perfeita; por exemplo, a borda de um copo é somente uma aproximação dela, pois se examinarmos essa borda ela não será uma linha ideal sem espessura, e terá infinitas irregularidades. Ao pensar na circunferência perfeita, o Eu entra em contato com o conceito puro correspondente, existente apenas no mundo espiritual. Os animais não têm esse Eu; por isso jamais uma abelha pensou: “vamos experimentar uma colmeia com favos pentagonais?” Elas simplesmente não conseguem atingir o conceito de um heptágono; constróem seus favos hexagonais por puro instinto. Os instintos estão em um membro da constituição não física bem “abaixo” do Eu.

É muito importante entender que com nossos sentimentos não captamos verdades espirituais,. Nossos sentimentos são individuais, subjetivos, e expressam, no fundo, uma atração ou uma repulsa, traduzidos por simpatia ou antipatia com relação a algo, e são devidos à nossa alma, e não ao nosso Eu. Com nossos sentidos físicos, nós percebemos objetivamente o mundo físico ao nosso redor; com o Eu podemos perceber objetivamente o mundo espiritual.

Todos os membros inferiores do ser humano desaparecem após a morte física; depois de algum tempo permanecem, no mundo espiritual, apenas o Eu e poucos restos de nossos membros não físicos que dele se desligam. Em circunstâncias especiais, certas pessoas podem entrar em contato com esses restos, captando detalhes da vida e de características passadas de uma pessoa morta. Não se trata, em absoluto, de uma incorporação do Eu dessa pessoa morta.

Normalmente, depois da morte, em geral após centenas de anos no mundo puramente espiritual, o Eu sente um desejo de voltar à Terra, para continuar seu aperfeiçoamento e reparar males que tenha cometido na última encarnação. O processo de reencarnação é ajudado por entidades espirituais muito elevadas, preparando o carma do futuro encarnado, que fica impregnado em seu inconsciente, levando-o às situações em que pode continuar a se desenvolver. O desenvolvimento humano dá-se essencialmente aqui no mundo físico, onde podemos errar e portanto ter liberdade. A propósito, o carma de uma pessoa faz com que, durante sua vida, ela se dirija inconscientemente a certas situações; o que ela realiza nessas situações, se feito conscientemente, depende dela e, portanto, o carma não contradiz o livre arbítrio.

Portanto, é esse Eu que não desaparece e se encarna em cada nova encarnação. Sem se compreender o que no ser humano se encarna, e como é esse processo, não se pode compreender realmente o que é reencarnação e carma. Rudolf Steiner chama a atenção para o fato de que o a cultura ocidental foca exclusivamente cada personalidade, isto é, cada reencarnação, e não a individualidade que se reencarna. Ele diz mais: se não se leva em conta as vidas anteriores de uma individualidade, é impossível compreender certos fatos da vida de uma pessoa. Para ilustrar isso, e introduzir na humanidade uma nova conceituação de reencarnação e carma, ele deu inúmeros exemplos interessantíssimos de várias reencarnações de certas individualidades.

Uma das preparações para a encarnação é a escolha dos pais. Obviamente, se se admite como hipótese de trabalho que a vida humana tem um sentido, tanto o nascimento quanto a morte não podem ser acasos, como postula a ciência materialista. O casal escolhido pelo Eu que está em processo de encarnação deve ser aquele que, pela sua constituição física e anímica, bem como pelo seu ambiente de vida, melhor permite que aquele Eu se desenvolva. Muitas vezes, essa preparação remonta aos avós, bisavós etc. Pode-se imaginar a complexidade que é envolvida nesse processo; por isso entidades espirituais muito elevadas precisam ajudá-lo.

Agora podemos adentrar a questão do aborto. Um aborto provocado significa a interrupção do processo de encarnação de um Eu. Como estava há muito tempo sendo preparado para essa encarnação, o aborto é um acontecimento trágico para o Eu que queria se encarnar e, dependendo de sua missão, talvez para a comunidade que deixará de recebê-lo, ou até mesmo para o mundo. Temos que ter confiança no mundo espiritual, e nos dizer: uma gestação é algo muito importante para a individualidade que está se encarnando; quem somos nós para sabermos melhor do que os mundos espirituais se ela deve ser impedida de vir à Terra nas condições que escolheu?

Assim, a menos de casos extremos como perigo físico, uma visão antroposófica do ser humano deve levar à conclusão de que não se deve praticar o aborto. Ele significa a interrupção de um processo muito longo e complexo, que não poderá se repetir com a mesma precisão se o Eu for obrigado a procurar outros pais e outra condições de vida. Até mesmo o momento do nascimento pode ser importante; desse ponto de vista, programar um parto com cesárea é absolutamente inadequado. Aliás, muitos dos desajustes pessoais crescentes devem-se a uma dificuldade de uma encarnação adequada, isto é, o Eu não encontra as condições ideais para seu desenvolvimento; pode, por exemplo, não ajustar-se ao corpo físico que herdou e que não era o previsto inicialmente, pois foi necessário procurar outros pais e outro tempo. E por falar em desajustes, parece que mães que abortam, às vezes sofrem um abalo psicológico muito grande; parece-me que seu subconsciente “sabe” que elas cometeram um ato indevido.

De meu ponto de vista, a questão do aborto é extremamente delicada, pois envolve a mãe ou os pais e aspectos legais. Eu teria a tendência a dizer que apenas a mãe ou os pais deveriam decidir se provocam ou não um aborto; essa seria uma decisão que eles deveriam tomar em liberdade. Essa decisão dependerá de seus conhecimentos e sentimentos. No entanto, do ponto de vista legal, obviamente todos somos contra matar pessoas, e deve haver leis contra isso, mas será que se deve considerar o feto como um ser humano? Existem várias concepções a respeito. Segundo Rudolf Steiner, o Eu liga-se ao feto ao redor do 17o dia após a fecundação e, portanto, é a partir dessa data que se tem realmente um ser humano em processo de desenvolvimento. A ciência materialista considera uma pessoa morta se não tem atividade cerebral neuronal, portanto define o começo da vida humana quando o feto mostra essa atividade, o que se dá aparentemente ao redor de 6 semanas de gestação, sendo que aos 5 meses ela é desorganizada, e só aos 6 meses mostra alguma organização, segundo o “Handbook of Clinical Child Neuropsychology”. A Igreja Católica considera que o feto é um ser humano desde a fecundação, o judaísmo talmúdico apenas no momento do nascimento, e certas interpretações rabínicas após o 13o dia de gestação (ver http://8e.devbio.com/article.php?id=162). Vemos por aí que existem várias concepções na questão de se considerar o feto um ser humano. Portanto, é impossível determinar uma data a partir da qual eliminar o feto seria um crime, pois ela depende da visão de mundo de cada um.

Provavelmente, se uma mãe é antropósofa, não provocará um aborto por questões financeiras ou sentimentais, pois levará em conta a tragédia que isso significa para o Eu que quer se encarnar. Ela também considerará que quaisquer dificuldades que espera encontrar com seu filho ou filha faz parte do desenvolvimento desse Eu que está se encarnando ou, então, faz parte de seu próprio desenvolvimento. Às vezes um Eu se encarna sacrificando-se apenas para proporcionar à família que vai adentrar certas experiências que ela necessita. Assim pode-se compreender, por exemplo, certos casos de síndrome de Down: o amor que irradia uma dessas crianças e a dedicação altruísta que ela exige produz profundas modificações nos membros de uma família. Um aborto de uma dessas crianças privará essas pessoas de uma vivência provavelmente necessária para o seu desenvolvimento. Um outro caso relativamente comum é uma criança, indesejada durante a gestação, passar a ser muito amada e se reconhecer como foi importante sua vinda, tanto para ela como para a família.

Finalmente, gostaria que cada leitor meditasse um pouco sobre o seguinte: como teria sido se ele tivesse sido abortado?

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Madre Teresa de Calcuta

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O Desafio do Líder no desenvolvimento do seu time

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O Desafio do Líder no desenvolvimento do seu time

Jaime Moggi

lider

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“O segredo é consciência. Trazer consciência ao grupo cuidando para que ele migre para um outro patamar…”

Jaime Moggi

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Uma das grandes questões que as organizações atualmente vêm buscando é a de como identificar um bom Líder

Todas as empresas anseiam por um “Líder Ideal”. Aquele que segue todos os princípios modernos de gestão de pessoas, que esteja sempre atualizado, procurando novos conceitos. Que seja participativo que saiba olhar para as pessoas, confiar, delegar, atingir resultados, quando necessário atuar como coach, fazer as perguntas certas, etc.

O processo de seleção ou de promoção é rigorosamente executado e o “Eleito” assume a equipe:

Um dos cenários mais comuns que me deparo é o seguinte:

- O líder assume um grupo de “Cobras Criadas”. Dentro desse grupo, normalmente, há alguns integrantes que “sonhavam”, ou melhor, consideravam-se, aptos a assumir tal posição, mas, “injustamente”, foram preteridos pela área do RH em detrimento de alguém que não sabe como as “coisas realmente funcionam”. Outros, muito ligados à liderança anterior, passam a considerar o novo líder como uma “ameaça”, e há ainda, felizmente, alguns com uma expectativa positiva.

Diante deste cenário o Líder – recém chegado – assume uma postura de facilitador da equipe, ajudando a planejar, levantando questões, compartilhando decisões, dividindo angústias, promovendo reuniões a fim de envolver as pessoas, etc..

Enfim executa cada passo do manual das boas práticas de Liderança.

Em poucas semanas começam os mexericos…. alguns comentários do tipo: “Ele não entende da parte técnica e nem está interessado em aprender” ou então “ você viu ele naquela reunião sobre o produto, até tirou um cochilo!!”, ou ainda “Ele não sai a campo!!’, e se ele sai…”Saiu a campo, mas não tinha uma sugestão se quer pra dar!!”

Não demora muito e tais comentários chegam à vice-presidência ou ao superior do líder contratado. Nesse ponto, as pessoas começam a desafiar o novo líder em público, questionam as decisões tomadas por ele e, mesmo os integrantes do grupo mais bem intencionados se sentem inseguros em apoiá-lo.

O próximo passo é um pequeno grupo ir até à área de RH “compartilhar” as dificuldades com a nova gestão junto à diretoria.

Em muito pouco tempo, a pecha de “bundão” fica rotulado na cara, ou melhor, nas costas do novo Líder, e, na primeira turbulência demitem o Líder Servidor e contratam um Líder “Feitor”, um cara “Linha Dura”, afinal, é disso que o grupo precisa!! E assim, corta-se o mal pela raiz.

Outra possibilidade menos radical é pedir ao RH que arranje chamar um consultor para fazer um teambuilding “milagroso”, e como milagres não existem e nem tampouco o consultor é um “Santo Milagreiro”. O que normalmente acontece é que a situação melhora, mas por pouco tempo, na primeira crise, volta ao cenário anterior.

Então, o que fazer? Situações como essas são reversíveis?

São, mas demandam tempo, esforço e um inevitável desgaste, além de alguns mortos e feridos pelo caminho.

A pergunta é como evitar que isso aconteça?

Não é fácil, mas você pode começar adotando uma postura menos ingênua. Outro fator importante é o conhecimento de como o processo de desenvolvimento de um grupo funciona. Isto é, de maneira arquetípica podemos dizer que um grupo passa por 3 Fases de Desenvolvimento.

Fase Imatura:

É a fase em que todos nós, já vivenciamos nas organizações. Um bom exemplo é: Primeira reunião de trabalho com um chefe novo. Quais seriam suas preocupações? Podemos listar algumas delas:

  • Como conseguir atingir o objetivo proposto?
  • Como contribuir da melhor forma?
  • De que maneira cooperar com os meus colegas?

Talvez estas questões sejam verdadeiras, mas não seria nada incomum que em vez dessas questões ou paralela a elas você se perguntasse:

  • Como posso causar uma boa impressão?
  • Será que é melhor eu ficar quieto para ver como a “banda toca”?
  • Como será que ele gosta de trabalhar?
  • O que será que os puxa-sacos vão fazer?

Você com certeza encontrará dentro das organizações, grupos em que as pessoas não têm clareza dos seus papéis, são extremamente competitivas, e, na maioria das vezes, estão magoadas umas com as outras. As reuniões são confusas e ficam sem sentido. Uma boa imagem para ilustrar um grupo assim é a imagem de um zoológico.

Podemos brincar um pouco com o tema e dizer que nos grupos imaturos você tem vários animais:

Começando pelo Leão. Quando um “Leão” fala todo mundo escuta, ele é charmoso, carismático, mas por outro lado, ele não é de colocar a mão na massa e sempre deixa para as leoas caçarem. É o famoso “leão de workshop”.

Você também tem o Tigrão; agressivo, duro; tudo o que as pessoas dizem está errado, gera conflitos o tempo todo.

Podemos também mencionar o hipopótamo; o negócio dele é desfrutar, curtir, você só vê os olhos dele acima da mesa de reuniões o resto está tudo embaixo, bem relaxado.

Também temos o macaco, e o que um macaco faz de melhor? Macaquices. Esse é o contador de piadas, só ajuda a desconcentrar as pessoas.

O Esquilo; muito tímido, quase imperceptível, só aparece quando os animais maiores estão quietos, aí ele surge rapidamente, dá sua contribuição e se esconde.

Temos também a Girafa; altiva, silenciosa, sempre com um ar blasé… como se a discussão fosse muito “mixa” para  ela dar sua valiosa contribuição.

E o Pavão sempre mostrando sua cultura, na maioria das vezes totalmente inútil.

E a Gaivota, essa também é fácil de encontrar; começa a falar e vai, vai, vai… alçando voos cada vez maiores. Se ninguém der um tiro nela estão todos perdidos.

O Camaleão; imóvel, vendo pra onde o vento ou a autoridade sopra, muda de opinião com uma rapidez inacreditável.

E o casal de Pombos; sempre arrulhando, entre eles, óbvio, você até consegue escutá-los, mas é impossível saber o que estão dizendo, ou melhor, arrulhando.

As Hienas rindo e apoiando tudo que o leão fala.

O Tamanduá se preocupa somente com o “como”. Quando o grupo nem se quer conseguiu definir o “quê”. Perde-se nos detalhes daquela reunião de planejamento estratégico.

A Coruja não fala nada, mas presta uma atenção danada.

A Serpente: O que você pode esperar de um bicho que tem a língua bifurcada? Bom, se você perguntar à ela o que achou do trabalho feito? A resposta não vai ser nada menos do que “Maravilhoso!!” “Trabalhar com vocês é um privilégio”. Quando acaba a reunião ela vai direto à sala do presidente e sibila: “chefe você não imagina o que eles estão aprontando”.

Este grupo tem um processo de tomada de decisão que é um verdadeiro caos.

E agora, imagine você sendo colocado para liderar este bando!

Sinto lhe informar, mas a primeira coisa que eles vão fazer é testá-lo. E isso vai acontecer em cada oportunidade que eles tiverem. Neste estágio, o que o grupo respeita é o conteúdo técnico que você possui, suas competências, inteligência, ideias e direção.

Se você acabou de chegar na empresa. Você precisa estar ciente que terá uma trégua de 2 meses (às vezes menos) para fazer todas as perguntas “estúpidas” que você quiser, depois disso, a trégua acaba.

O que você pode fazer para melhorar esse cenário: Estude o máximo que puder a parte técnica, aprofunde-se, não caia na armadilha de tentar construir todas as respostas em conjunto. Lembre-se, este grupo não é capaz de consenso. Às vezes nem de consentimento. O que este grupo precisa é de direção, de clareza para onde vai. Precisa de alguém que tome a decisão quando não for possível chegar a um acordo. – e esse alguém, é você.

O segundo grande erro que você pode fazer é continuar fazendo isso. Muitos gerentes continuam dando conteúdo, decidindo o que fazer o tempo todo e acabam presos nas armadilhas de um grupo imaturo. Este é o tipo mais comum encontrado nas organizações, ou seja, o grupo é completamente dependente do líder, apático, e na maioria das vezes perdido em intriguinhas de modo a ficar bem com o chefe.

O que este grupo pede acima de tudo é de organização e método. Pra começar, o que você deve fazer é dar menos conteúdo (paulatinamente) e criar um processo que permita o grupo se desenvolver.

Se você tem um daqueles grupos que não falam nada, onde você pergunta e ninguém responde, fica todo mundo esperando você falar. Estabeleça uma pauta para as reuniões que faça com que as pessoas participem. Peça um tema específico. Por exemplo: na próxima reunião gostaria que cada uma das áreas trouxesse um diagnóstico dos seus processos e propostas de melhoria e apresentassem.

Preocupe-se com a forma e com o método e vai deixando que o conteúdo seja preenchido cada vez mais pelo grupo.

Depois de um tempo você começará a ver o grupo evoluindo para uma Fase que chamamos de Racional.

Fase Racional:

Nesta fase os objetivos são claros. As pessoas colocam suas contribuições.; conseguem esperar a outra acabar de falar para contribuir. As reuniões têm hora para começar e terminar, ao contrário de um grupo imaturo, onde até têm hora para começar, mas nunca terminam, acabam sendo abandonadas.

A qualidade e a produção do trabalho do grupo começam a aumentar gradativamente. Se tivermos cinco propostas para resolver um problema, pode apostar que, nesta fase, a escolha será pela melhor – No grupo imaturo escolhe-se a do chefe ou então da pessoa que falar mais alto.

Com a metodologia adequada, o grupo vai andar sozinho com o passar do tempo. O seu papel como líder é de corrigir rumos, zelar pelos acordos e processos a fim de que sejam cumpridos.

Mas talvez você queira mais! Ou então o grupo ficou “entediado”, cumpre seus compromissos com qualidade, dentro dos prazos, mas a motivação começa a declinar, alguns ficam rígidos demais e pessimistas. O sistema e as regras acabam ficando mais importantes do que o resultado.

Exemplificando como isso acontece, me lembro de uma passagem bem interessante: Estava coordenando uma convenção na área de RH dentro de uma grande organização. As cinco áreas do RH que compunham a estrutura tinham 20 minutos cada, para fazer uma apresentação.

Uma das áreas estava com um projeto muito importante e que impactaria sobre maneira as pessoas presentes. Decorridos os 20 minutos, a apresentação ainda não havia chegado ao seu final e ainda encontrava-se num momento crucial, onde perguntas importantes estavam sendo feitas. Deixei por mais 5 minutos para finalização, fazendo uma realocação desse tempo extra em uma das minhas palestras. Com isso mantive o tempo correto das outras áreas sem prejudicar ninguém.

No final do dia, recebi um feedback dos gerentes de que o consultor privilegiou uma área em detrimento das outras. Este tipo de situação ilustra bem um dos problemas que este grupo pode estar enfrentando neste estágio.

O grupo não tem necessidade de mais conteúdo e nem tampouco de mais organização. Agora é o momento de você focar no que acontece entre as pessoas, na interação entre elas, é a fase de amadurecimento.

Fase Madura

Gerenciar conflitos, criar espaço de aprendizado. Fazer perguntas. Deixar que outros assumam seu papel. Dar feedback, criar espaço para que o grupo se auto-avalie. Criar uma relação de confiança.

Você começa a ter um grupo com objetivos e processos claros, mas flexíveis e que evoluem.

As pessoas efetivamente se ouvem, você tem até momentos de silêncio dentro das discussões. Pessoas abrem mão com facilidade dos seus pontos de vista, quando isso favorece o processo. Se tivermos cinco propostas, criaremos uma sexta fora da caixa. O grupo se desafia constantemente.

A liderança flutua em função do desafio e você está a serviço do organismo e é parte integrante dele.

Voltemos ao passeio pelo zoológico, nossos animais continuam ali, mas diferentes.

O Leão usa seu carisma para engajar as pessoas.

A Gaivota dá a visão do todo.

O Macaco diminui a tensão, quando necessário.

E quanto à Serpente? Foi expulsa do paraíso? Não! Ela continua lá, só que com outro diálogo: “…pessoal, o projeto é ótimo, mas se vocês forem apresentar para o diretor do jeito que está, vão tomar um não na cara”. Ele tem um gerente que é a eminência parda dele. Vamos lá conversar com ele, engajá-lo e deixá-lo vender a ideia. Na reunião da diretoria, com certeza, o projeto vai emplacar!!”.

Este time de alta performance é aquele que as pessoas vão se lembrar por muito tempo como um período de grande aprendizado e transformação na organização.

É claro que tudo que foi dito aqui não precisa acontecer exatamente nesta cronologia, algumas coisas podem acontecer concomitantemente.

Também podem não ter cores tão fortes e caricaturadas como colocado aqui, mas a ideia geral é que exista um processo de evolução nos times e você deve adequar sua postura e atuação à fase desenvolvimento do grupo, sem abrir mão de suas crenças e valores.

Pessoas individualmente maduras não se compõem necessariamente num grupo maduro. Estar a serviço do desenvolvimento do grupo, não quer dizer ser ingênuo, ignorando os “Jogos Corporativos” presentes nas organizações. É preciso sim, entendê-los para minimizar seus efeitos. Como líder, você está a serviço do desenvolvimento da organização e do grupo.

A conclusão que chegamos é que não dá para saltar do grupo imaturo para maduro. Aqui também a natureza não costuma dar saltos, mas você pode acelerar este processo.

Ou pelo menos fazer com que aspectos mais negativos não aparecem com tanta intensidade.

O segredo é consciência. Trazer consciência ao grupo cuidando para que ele migre para um outro patamar .

A melhor coisa que você pode fazer para o desenvolvimento do seu time é criar um espaço para ele se auto avaliar.

Talvez um encontro de duas horas a cada 15 dias, ou outro intervalo dependendo da característica do seu negócio.

  • O que fizemos bem?
  • O que poderíamos ter feito melhor?
  • O que vamos manter para o próximo período?
  • Quais os cuidados que precisamos tomar?

Nas primeiras avaliações você terá um papel mais ativo. Até que as pessoas percebam que o objetivo é o desenvolvimento e não o constrangimento. Com o tempo você conseguirá ter um papel mais de apoio ao grupo. Colocando-se a serviço do grupo.

O primeiro tipo de grupo, chamamos de “bando”; o segundo de “comitê” e o terceiro de “time”. Fazer esta trajetória com o grupo é o seu Desafio como Líder.

É claro que neste caminho você também passará por um intenso processo de aprendizagem e mudança. Minha sugestão é você começar o processo se perguntando: Que estágio o meu grupo está? O que eu preciso mudar em mim para que ele comece a mudar?

E você também vai precisar de uma boa dose de paciência e disciplina.

Mas também ninguém disse que ser líder era fácil.

Jaime Moggi é sócio da Adigo desenvolvimento empresarial e familiar. Trabalha a 25 anos como consultor independente, conduzindo inúmeros projetos de transformação organizacional em centenas das empresas mais importantes do país. Como educador de executivos já treinou mais de 30.000 executivos em temas de liderança, coaching e gestão de mudanças.

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Madre Teresa de Calcuta

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Época da Páscoa: Ação do Sangue de Cristo na Terra e no Cósmos

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Época da Páscoa: Ação do Sangue de Cristo na Terra e no Cósmos

Flavio E. Milanese

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“Há, porém, ainda muitas outras coisas que Cristo realizou; e, se cada uma delas fosse escrita, cuido que nem o mundo todo poderia conter os livros que teriam sido escritos…”

João 21:25

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A festa da Páscoa e comemorada no primeiro domingo após a primeira Lua cheia que ocorre depois do Equinócio de Outono (ou de Primavera no Hemisfério Norte). É uma festa móvel; sem vínculo com um determinado dia do ano, e isso significa que não é uma festa totalmente terrestre. O fato dela estar relacionada com o Equinócio nos revela uma característica cósmica. Além disso, ela é comemorada no Domingo, e isso tem uma íntima relação com o Sol. A Páscoa é uma festa de natureza cósmica que dirige nossa consciência à mais elevada entidade que já viveu entre nós, o Cristo, intimamente ligado às forças Solares. Ao considerarmos a Páscoa segundo esse aspecto estaremos omitindo uma outra característica muito importante relacionada com essa festa que é a Lua, pois o Domingo de Páscoa ocorre após a Lua cheia.

O presente trabalho pretende estabelecer uma relação da Páscoa com a Lua, não apenas com a esfera lunar atual que tem relação com a Prata e com os processos de espelhamento e reflexão, mas também com a Antiga Lua cujo representante é o planeta Marte relacionado com o Ferro, com a vontade humana e com o sangue.

Ao cultivarmos em nossa vida interior o ambiente daquilo que acolhemos ao lermos as descrições da crucificação de Cristo, começa a surgir em nosso íntimo uma imagem que vai se tornando cada vez mais forte e viva à medida em que vamos contemplando esses sagrados acontecimentos dia após dia.
E a imagem que surge diante de nós é a de um ambiente de trevas e angústia. O Sol no alto do céu afogado por um eclipse criando um ambiente de sombras. Durante uma eclipse os animais ficam irritados, os cães latem, os pássaros gritam e voam de maneira agitada. Toda a atmosfera é preenchida por sons de medo e terror emitido pelos animais que percebem instintivamente a atmosfera tenebrosa do eclipse onde toda a paisagem parece estar morta. As cores mais vivas deixam de existir, predominando sons acinzentados e azulados. Uma atmosfera de tensão que precede algo terrível paira no ar.

Ao longe, três cruzes. Na do meio jaz uma entidade que está em vias de morrer. As palavras que ele emite reverberam na atmosfera e permanecem ecoando, gerando espaços e ambientes. Seu corpo parece emitir uma luz sagrada naquele ambiente de trevas.

A terra consumida, acinzentada e totalmente opaca a tudo aquilo que vem do Cosmos se revela como algo compacto, material e morto. Ainda hoje, durante os eclipses a Terra se revela como algo totalmente material.

Nessa atmosfera de morte, trevas e angústia, gotas de sangue caem da cruz. E naquele momento em que o sangue de Cristo se encontra com aquele solo escuro e tenebroso, esse próprio solo começa a brilhar. À medida que o sangue de Cristo vai caindo, aquela terra antes tenebrosa e opaca vai se tornando luminosa e transparente.

Diante dessa imagem vai surgindo em nosso íntimo a seguinte pergunta: O que é esse sangue do Cristo, capaz de transformar o solo mineral e morto em uma entidade espiritual? Como esse sangue é capaz de espiritualizar toda a Terra? Existem tantos aspectos que poderiam ser mencionados em relação a esse sangue, mas gostaríamos de mencionar o aspecto de ver o sangue como uma espécie de ESPELHO.

Ao depositarmos Chumbo na superfície de um vidro iremos obter um espelho que reflete um mundo acinzentado, doentio e morto. Um espelho de Cobre reflete um ambiente avermelhado, como se tudo estivesse quente, pegando fogo. Os espelhos comuns, capazes de revelar o meio ambiente sem interferir na imagem refletida são feitos de Prata. Podemos considerar o sangue de Cristo como um espelho que além de refletir o mundo Espiritual na Terra, adiciona matizes de amor e devoção a esse reflexo, ou seja, é algo que HUMANIZA esse reflexo. Podemos encontrar uma referência bastante significativa em relação a isso na palestra de 31 de dezembro de 1911 proferida por Rudolf Steiner em Hannover (GA 134 – “O Mundo dos Sentidos e o Mundo do Espírito”). (1)

Para podermos mencionar essa característica de espelho do sangue precisamos nos dirigir novamente aos primórdios da criação. (2)
Durante os primórdios da evolução em uma era descrita pela ciência Espiritual como Antigo Saturno, iremos encontrar seres muito elevados, denominados Tronos, oferecendo seu próprio ser que consiste em uma calorosidade criadora capaz de gerar mundos e seres. Entidades ligadas aos períodos de tempo e aos estilos das épocas, que denominados Arqueus acolhem essa calorosidade geradora de seres que paira no meio ambiente transformando-o em algo íntimo. O trabalho dos Arqueus de transformar a calorosidade criadora existente no meio ambiente em algo próprio e íntimo vai fazendo com que surja nessas entidades a experiência deles serem algo distinto do meio ambiente, ou seja, durante a evolução do Antigo Saturno os Arqueus vão adquirindo a consciência Eu pelo fato deles se ESPELHAREM nessa estrutura que eles edificaram. Essa estrutura, porém, é o germe do corpo físico humano, e nos primórdios da criação do ser humano nós servimos de espelho para que os Arqueus pudessem se reconhecer e assumir o degrau humano.

Durante a evolução seguinte, denominada Antigo Sol, elevados seres denominados Espíritos da Sabedoria contemplam o sacrifício dos Tronos. Para eles isso é algo tão maravilhoso que eles vertem todo o seu ser nessa contemplação gerando atmosferas de encontro, reverência e gratidão que fluem no antigo Sol. Os Arcanjos captam essa atmosfera viva preenchendo aquelas estruturas-calor que tinham sido formadas na evolução anterior. Os Arcanjos tornam íntima a atmosfera de reverência e admiração emanada pelos Espíritos da Sabedoria fazendo com que aquelas estruturas calor irradiem vida. Os Arcanjos ao verterem a substancialidade espiritual do meio ambiente nessas estruturas-calor, vão tornando íntimo, interno, aquilo que existe no meio ambiente. E à medida que eles vão realizando essa atividade, eles vão tendo a experiência de serem diferentes do meio ambiente, ou seja, os Arcanjos vão adquirindo a consciência EU pelo fato deles se ESPELHAREM nessa estrutura que eles edificaram. Essa estrutura, porém, é o germe do Corpo Etérico do ser humano que serviu de ESPELHO para que os Arcanjos pudessem se reconhecer e assumir o degrau humano.

Durante a evolução seguinte denominada Antiga Lua, os Espíritos do Movimento contemplaram os desvios que estavam ocorrendo na evolução, doando todo o seu Ser no restabelecimento de um equilíbrio dinâmico capaz de estabelecer um relacionamento entre aquilo que existe no Cosmos. E tudo começa a fluir. Os Anjos captam esse ambiente de fluidez dinâmica e dirigem sua atividade no sentido de dotar de movimento e mobilidade aquelas estruturas de calor-vida que estavam sendo formadas e que começaram a manifestar um movimento interno de fluidez e revelar um movimento externo. E à medida que os Anjos iam realizando essa atividade, eles iam tendo a experiência de serem uma entidade que difere do meio ambiente, ou seja, os Anjos ao se ESPELHAREM nessa estrutura que eles iam criando, iam adquirindo a consciência EU. Essa organização que eles iam criando e se espelhando constitui o germe de nosso Astral. Durante a antiga Lua o ser humano serviu de ESPELHO para que os Anjos fossem adquirindo sua consciência EU ou humana.

Se toda a evolução tivesse transcorrido em harmonia, no degrau evolutivo seguinte, que é a Terra atual, os Espíritos da Forma teriam emanado a única substância física que existiria no Cosmos, e teria sido aquilo que temos hoje como SANGUE. Esse sangue seria algo em estado disperso, dinamizado, e durante um período bem curto iria cristalizar-se em uma estrutura plana, em uma película análoga a um ESPELHO capaz de refletir o mundo espiritual à própria Terra. Esse sangue humano teria atingido o degrau mais elevado da evolução, e esse degrau é a forma como algo capaz de refletir na Terra aquilo que ocorre no mundo Espiritual, ou seja a FORMA como um ponto de passagem entre o Universo Criado e a Terra que seria transformada pelo ser humano.

Contemplemos uma escultura que é algo que tem uma FORMA. Essa obra de arte é o resultado de algo que começou com a vontade, o entusiasmo, com o QUERER CALOROSO em criar algo novo. Para concretizar essa vontade, o escultor concebeu, planejou e pensou essa obra, ou seja, a obra de arte passou pelo estágio da SABEDORIA. Depois da escultura ter sido pensada, ela será executada. Uma série de movimentos na argila, uma sucessão de formas em contínua transformação vão surgindo durante a elaboração da escultura. Essa obra de arte passou pelo estágio do Movimento e depois disso surgiu a FORMA definitiva. Resumindo, temos os seguintes estágios que culminaram com o surgimento da FORMA.

QUERER CALOROSO
Essa forma terminada é capaz de transmitir uma mobilidade interior, um MOVIMENTO interno. Ela nos revela um determinado estilo que é a idéia geral representada por uma série de esculturas do mesmo autor, ou seja, essa escultura nos mostra uma SABEDORIA que se revela como um estilo. Essa escultura também nos transmite uma força configurativa que nos transforma, agindo até as profundezas mais inconscientes de nosso ser, despertando em nós uma CALOROSIDADE como força moral.(3) Temos então o seguinte:

A Forma é o ponto de passagem entre o mundo que foi tecido e configurado pela criação, pelo escultor, e o mundo recriado pelo ser humano, a escultura, é a EXPRESSÃO de toda a obra divina. O mundo IMPRESSO pelos deuses se ESPELHA através da FORMA em um mundo capaz de EXPRESSAR a obra divina.

Durante a evolução terrestre os Espíritos da Forma emanam algo que é a própria FORMA como um ponto de passagem entre o universo dado pelos Deuses e o Cosmos re-criado pelos seres humanos. E essa “substancialidade” da forma está relacionada com o sangue. O ser hu_mano em estado totalmente espiritual acolheria em seu ser inspirações, intuições e imaginações provenientes do mundo divino. Nesse estado de acolhimento seu sangue estaria totalmente disperso, em estado imaterial, dinamizado. Durante um tempo muito curto esse sangue viria se materializar como uma fina película, como um espelho plano capaz de transmitir à Terra tudo aquilo que foi acolhido no mundo cósmico como imaginações, inspirações e intuições.

A medida que o ser humano ia transmitindo através de seu SANGUE que durante um curto período de tempo se condensava como uma superfície plana capaz de espelhar o mundo criado pelos seres Espirituais, o ser humano nesse momento da condensação do sangue tinha a experiência do Eu, de ser uma entidade distinta do meio ambiente.

O sangue em estado espiritual permitia que o ser humano acolhesse aquilo que foi realizado pela criação. O sangue ao se condensar permitia que aquilo que foi acolhido fosse plasmado na Terra. Nesse momento o ser humano se reconhecia como um Eu distinto do meio ambiente plasmando a Terra através de sua individualidade.

A ação de Lúcifer no sangue humano se realizou de maneira a impedir que ele se transformasse em um plano capaz de servir de ponto de passagem entre o mundo impresso pelos Deuses e o mundo expresso pelos homens. Esse espelho deixou de ser algo plano capaz de refletir com precisão, mas foi se dissolvendo, se liquefazendo e tornou-se algo ligado à própria interioridade humana. O sangue humano tornou-se dessa maneira uma entidade que reflete o mundo INTERNO transmitindo tudo isso à entidade humana. Dessa maneira o homem começou a sentir-se como um Eu distinto do meio ambiente, capaz apenas de ter vivências internas isoladas do Cosmos. A forma foi dissolvida, liquefeita e o sangue tornou- se algo capaz apenas de transmitir à nossa consciência um mundo de sentimentos, sensações e paixões provenientes de uma vida interior isolada do meio ambiente. A ação de Lúcifer é de impedir o surgimento da forma como ponto de transição entre dois universos deixando o ser humano estacionado em um degrau anterior que é o do movimento.

A ação de Arimã no sangue humano é o de impedir que ele transmita as intuições, inspirações e imaginações provenientes do mundo Espiritual à Terra, mas que essa forma seja apenas capaz de expressar as forças metabólicas do organismo humano relacionadas com os processos de degradação e digestão da matéria, e essas forças relacionadas com o número, peso e quantidade.

A evolução culminou no surgimento do ser humano que é a expressão de toda a atividade criadora. O metabolismo está relacionado com a perda da vitalidade da matéria que está sendo digerida e com a formação de substâncias próprias. O mundo espiritual ao gerar o metabolismo humano insuflou uma maravilhosa sabedoria ligada ao peso, número e quantidade (5) e isso tem relação com a própria matéria que está sendo transformada nesses processos digestivos. Os processos de reprodução também fazem parte do metabolismo. A própria configuração dos ácidos nuclêicos nos revela os maravilhosos ritmos criadores cósmicos congelados na estrutura química desses compostos que estão ligados à formação de substâncias. Os ácidos nuclêicos permitem que a vida vá desaparecendo na substância. Além dos processos digestivos e reprodutivos, o sistema metabólico está ligado com o movimento e com os membros que são as estruturas capazes de promover a mobilidade humana. A energia obtida através dos processos metabólico-digestivos de cisão e quebra da substância viva é dirigida aos membros que se movem. Os processos metabólico-digestivos lidam internamente com a substância e esses processos ocorrem em nível praticamente inconsciente. Os processos de movimento dos membros nos permitem lidar com a matéria de maneira muito mais consciente.

Os seres Arimânicos têm como desejo apoderar-se da inteligência existente nos processos metabólicos de digestão, reprodução e membros. Em relação aos processos de degradação da substância os seres Arimânicos pretendem se apoderar das forças relacionadas com o número, peso e quantidade, e isso está ligado com as concepções materialistas que existem na ciência e na economia.

Em relação aos processos metabólicos, Àrimã pretende dominar os processos de desvitalização e formação de substância física material. Isso está ligado com a manipulação dos genes para obter substâncias às custas da extinção da vida. Em relação aos membros, Arimã pretende se apoderar das forças e energias dirigidas à ação humana. Brinquedos infantis que exigem apenas o movimento de dois dedos para conseguir jogar constituem um exemplo da estagnação do movimento humano. Essas forças são dirigidas à própria tensão emocional existente no jogo, nutrindo esse mundo virtual com essas forças humanas.

Mencionamos que o sangue humano se revela como um ESPELHO, como uma forma capaz de ser o elo de transição entre o mundo DADO e o mundo CRIADO. A ação Luciférica transformou o ser humano em uma entidade fechada, excluída do Cosmos, e o sangue humano aprisionado na organização corpórea humana tornou-se líquido, vinculando-se à vida interior humana ligada com as sensações, emoções e paixões, e incapaz de configurar uma forma capaz de espelhar na Terra as forças criadoras divinas.

Cristo, uma entidade proveniente da mais elevada região celeste, da esfera da Trindade, em atitude de profundo amor pela criação desce até o mais baixo degrau da evolução, e durante três anos, entre o Batismo no Jordão e a morte na cruz vive como ser humano. Durante o primeiro ano Cristo redime o corpo Astral transformando-o em uma organização de Fé. No segundo ano Cristo redime o corpo Etérico transformando-o em uma organização de Amor, e no terceiro ano redime seu corpo Físico transformando-o em uma organização capaz de preencher todas as esperanças e aspirações que as entidades espirituais depositaram no ser humano.(4) É natural que o SANGUE que fluiu em seu corpo tenha acompanhado tal transformação.

Cristo viveu em si inicialmente uma dor interna diante dos desvios ocorridos na evolução e do afastamento dos seres humanos das grandes virtudes aspiradas pelos criadores. Além da dor interna foi sendo adicionada a dor externa, inicialmente sua superfície corporal quando foi chicoteado, depois em suas partes mais profundas quando foi coroado com espinhos e em seguida uma dor ainda mais interna junto com uma profunda sede quando foi crucificado. E essa dor que foi se transformando em amor foi sendo acompanhada gradualmente por uma abertura de seu corpo. A princípio o chicote que fez sua superfície corporal sangrar, depois os espinhos que furaram o seu corpo até as partes mais internas e logo em seguida os pregos da cruz que atravessaram totalmente seu corpo. Depois de tudo isso uma lança perfurou seu coração.

Cristo, uma elevada entidade divina, totalmente pura e inocente viveu em si a dor da abertura corpórea. E essa dor transformada em Amor faz parte de seu sagrado Ser. E aquele sangue que estava fluindo de seus ferimentos também tinha como conteúdo a dor de estar sendo aberto, transformando-se em Amor. E isso foi sendo emanado aos seres humanos. E como se trata de uma entidade acima da 1ª Hierarquia, aquilo que ocorreu está ocorrendo e vai continuar a ocorrer. Essa dor de estar sendo aberto transformada em Amor e vertida aos homens através de seu Sangue permite que cada um de nós possa superar o isolamento criado por Lúcifer rompendo aquela carapaça que nos isola dos sagrados eventos da criação e da ligação com outros seres humanos, e também possibilitando que aquele mundo interior de paixões, fúria e cobiça possa ser aberto deixando entrar uma luz sábia e plena de calorosidade capaz de transformar aqueles sentimentos que foram gerados nas trevas em novas virtudes humanas.
Iremos examinar a seguir a superação do impulso Arimânico através do sangue de Cristo.

Uma elevada sabedoria criadora se consumou no surgimento do sistema metabólico humano. Àrimã quer se apoderar dessa elevada inteligência que plasmou esse sistema voltando-se aos processos de reprodução, metabolismo alimentar e movimento dos membros. Em relação à reprodução Arimã dirige sua ação na transformação da vida em substâncias trazendo como conseqüência o enfraquecimento e a desvitalização dos seres vivos.

Cristo, uma entidade sagrada proveniente das mais elevadas regiões espirituais vincula todo o seu sagrado ser à Terra e nos momentos que antecedem a sua morte vai se esvaindo em sangue. Essa substância portadora de vida que foi sendo aprimorada em seu ser vai gotejando no solo e transmitindo à substância terrestre morta, mineralizada e sem nenhuma possibilidade de transformação, um novo impulso capaz de torná-la novamente espiritualizada, permitindo que os seres humanos possam continuar esse trabalho de transformação da matéria.

Os seres Arimânicos tentam usurpar a inteligência contida nos processos metabólico-digestivos intimamente ligados aos impulsos materializantes relacionados com o número, peso e quantidade. Esses seres pretendem emanar os três elementos em todas as atividades da vida. O SANGUE de Cristo supera esse impulso da seguinte maneira: Cristo ao abandonar as regiões mais elevadas do mundo espiritual vincula seu ser com a Terra e com os seres humanos. Durante sua vida transcorrida entre o batismo no Rio Jordão e a morte na cruz aquela entidade inocente e pura foi transformando seu corpo de maneira a não se tornar apenas aquele ser humano previsto e planejado pelos criadores totalmente livre das influências Luciféricas e Arimânicas, mas muito mais do que isso, uma entidade que transformou toda a dor cósmica e terrestre em um profundo Amor. E o sangue de Cristo, o representante da humanidade, se revela como aquela substância primordial planejada pelos seres criadores do Universo. Ao fluir de seus ferimentos esse sangue cai na Terra e como um ESPELHO transmite toda a beatitude celeste, todas as virtudes do mundo Espiritual à Terra. E não só isso: esse sangue não agiu apenas como um espelho, pois não era algo plano que se condensava e se dissolvia como tinha sido planejado pelos seres criadores, mas seu sangue líquido também era o portador de tudo aquilo que se passava em sua vida íntima. Todo aquele sofrimento transformado em Amor foi adicionado ao seu sangue. E todas essas virtudes também foram transmitidas à Terra e às substâncias materiais. Quando o sangue de Cristo estava gotejando, a Terra foi se tornando transparente e começou a reluzir. Todos os reinos da natureza receberam uma nova vida preenchida de um intenso Amor.

Ao lidarmos com uma substância estaremos trabalhando diretamente no próprio corpo de Cristo. Aquela materialidade morta, sombria e sem nenhuma possibilidade de transformação recebe através do sangue de Cristo uma nova possibilidade de ir se tornando não apenas algo novamente de natureza espiritual, mas essa matéria espiritualizada poderá ainda, continuar sua evolução denominada NOVO Júpiter.

Essa transubstanciação da matéria que acolheu em si as dádivas do sangue de Cristo não ocorre de maneira espontânea e automática, pois Cristo ao se vincular com a Terra e com os seres humanos fundiu todo o seu trabalho com a humanidade. Diante de tudo isso, o ser humano deixa de ser uma entidade passiva diante da evolução, mas vem se tornando um livre colaborador de todo o processo evolutivo. A matéria recebeu as forças de vida doadas pelo sangue de Cristo, mas nada poderá ser feito no sentido da espiritualização da Terra se o ser humano não participar ATIVAMENTE como um colaborador de todo esse processo evolutivo.

Através das forças de amor presentes no sangue de Cristo o ser humano poderá superar as influências Luciféricas tornando-se capaz de abrir-se para o Cosmos superando as dificuldades ligadas aos sentimentos, emoções e paixões e ao isolamento social. Através das forças de amor doadas através do sangue do Cristo a humanidade poderá vencer as tentações de Àrimã ligadas à desvitalização e à formação de uma matéria morta e inerte, cuja imagem é o pão das pedras. Esse próprio sangue nos dá as Forças para podermos novamente vitalizar as substâncias que estavam mortas transformando a Terra no corpo de Cristo, e essa transubstanciação não é algo simplesmente dado por Cristo, essa entidade ao unir-se com a Terra e com a humanidade torna os seres humanos responsáveis pela continuidade desse trabalho.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa: Sábado de Aleluia

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Os Acontecimentos da Semana Santa

Sábado de Aleluia – Dia de Saturno

Emil Bock

23 04 sabado santo

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“Temos à volta da Terra uma espécie de reflexo da luz do Cristo. O que é aqui refletido como Luz do Cristo, é o que o Cristo denomina, Espírito Santo. Tão verdadeiramente como a Terra inicia a sua evolução para Sol através do evento de Gólgota também é verdade que a partir deste acontecimento a Terra começa a criar a sua volta um anel espiritual que mais tarde se tornará uma espécie de planeta ao seu redor. Estamos diante do ponto de partida de um Novo Sol em formação.”

Rudolf Steiner

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Estamos diante do sepulcro de José de Arimatéia, no qual foi deitado o corpo do Crucificado. A atmosfera está pesada como chumbo, saturnina. Realiza-se o sentido do dia de Saturno. Sempre já fora a essência do dia de Saturno, que os fiéis da Velha Liga, obedecendo à rígida lei, se entregavam ao silêncio dos túmulos: hoje é o sábado dos sábados. Mas nos ocupa uma pergunta ansiosa. E como se um lutador tivesse penetrado em uma gruta escura a fim de subjugar no interior um monstro, um dragão. Voltará ele vitorioso?

No dia anterior, nas trevas do meio-dia, quando o Cristo inclinou a cabeça e morreu, rasgou-se a cortina no templo. Isto foi mais do que um efeito natural do terremoto. Abre-se a visão do aspecto interior do mundo. Apenas a noite ainda nos impede de ver. Mas, da escuridão saturnina desprendem-se imagens. Tênues luzes iluminam os arredores do sepulcro e clareiam o terreno em parábolas do supra-terreno.

Reúnem-se imagens que já foram vistas nas últimas estações da via do mistério. Mesa e Cruz resumem como arqui-imagens aquilo que aconteceu nos dois últimos dias. Adiciona-se como terceira arqui-imagem a do sepulcro. É como se a atmosfera templária do Santíssimo, ante o qual rasgou a cortina, se ampliasse, se estendesse ao nosso  mundo.

Desde os primeiros tempos, os sepulcros foram, ao mesmo tempo, os altares dos homens. Todo culto divino originou-se no culto aos mortos. Os homens da terra iam aos túmulos quando queriam comunicar-se com os deuses. As almas dos mortos eram mediadoras entre os homens e os deuses. Como as almas dos mortos podiam ser encontradas perto dos túmulos, ali também encontravam-se os outros habitantes do mundo espiritual. Assim era em passado muito remoto, quando a morte ainda era irmã do sono e ainda não detinha o poder de aterrorizar de tal modo os homens como atualmente. Os homens, durante sua vida terrena, ainda não estavam tão desesperadamente presos à matéria do corpo terreno e, por isso, também não se separavam tão definitivamente do plano terreno após a morte. Havia ainda entre o mundo terreno e o espiritual um intercâmbio semelhante à inspiração e expiração. As almas dos mortos podiam reunir-se à beira dos túmulos com os que deixaram na terra. A imortalidade, a presença das almas que viveram na terra, ainda era perfeitamente sentida e não era posta em dúvida. Era o ar que os homens respiravam e do qual se asseguravam especialmente ao visitarem os túmulos e ao construírem sobre estes os seus templos.

No decorrer dos séculos, os homens se encarnaram cada vez mais profundamente. Quanto mais se ligavam a matéria terrena, tanto mais perdiam, para a vida post-mortem, a possibilidade de permanecerem ligados à terra. Durante a vida na terra ficavam presos à matéria, após a morte ficavam presos a uma esfera de sombras, de onde lhes era difícil aproximar-se dos homens na terra. A Fenda entre a terra e o além se alargava cada vez mais, era cada vez mais intransponível. A esfera da vida após a morte transformou-se em prisão, como dizem as epístolas de Pedro no Novo Testamento. A humanidade corria o risco de perder a verdadeira imortalidade, a consciência que sobrevive à morte. Um encanto entorpecente se apoderou do reino dos mortos.

Quando os egípcios mumificavam seus mortos e oravam nas proximidades dos corpos embalsamados, apenas tentavam forçar a conservação do estado antigo, tentavam prender as almas aos restos cadavéricos, apesar da intransponibilidade cada vez maior daquele abismo. Mas não era possível evitar a fatalidade. Cada vez mais se instalou, nos séculos pré-cristãos, o terror diante do mundo dos mortos. O estremecer diante da esfera dos mortos preenchia o mundo grego. No Velho Testamento desaparece totalmente a idéia da imortalidade. Formou-se uma corrente religiosa isenta da certeza da imortalidade. A crença de que a vida se prolonga somente nos descendentes substitui a idéia da imortalidade.

Não obstante, nos séculos pré-cristãos as almas ainda não estavam tão presas ao corpo como atualmente. Em conseqüência, os homens que viviam na terra sentiam claramente a trágica fatalidade da morte. Um peso oprimia a humanidade. Ainda se visitavam os túmulos, mas as almas dos mortos não vinham mais e os deuses permaneciam ausentes dos altares. O sentimento asfixiante da época pré-cristã era devido muito menos à miséria material do que à miséria interior. A terra transformou-se em deserto que há muito tempo não recebia chuva. A morte, outrora irmã do sono, transformou-se em terror da humanidade. É este o fundo emocional da esperança cada vez mais ardente pela vinda do Messias, esperança que atravessa todos os povos da era pré-cristã.

Estamos agora entre a sexta-feira santa e a Páscoa. O corpo foi tirado da cruz e depositado no sepulcro. A humanidade não o percebeu, mas, misteriosamente, arqui-imagens, pensamentos divinos se entretecem aos acontecimentos. A Providência fez com que cruz e sepulcro se situassem em um local que há milênios já fora vivenciado como um ponto central da terra. Entre Gólgota, a colina rochosa que se prolonga na massa rochosa lunar da montanha do templo, e o sepulcro, cujos arredores formam o início da paisagem cultivada do Monte Sion, havia outrora uma fenda primária na superfície terrestre. (Ver “Koenige und Propheten”, pág. 58 e ss. e “Caesaren und Apostel” pag. 193 e ss). A antiga humanidade via nesse terrível abismo o túmulo de Adão. Foi aí que, pela primeira vez, a morte desceu sobre a humanidade. E, deste modo, desde os tempos mais remotos, esta fenda, que corta em duas a face da cidade de Jerusalém, esteve ligada à idéia de ser esta a porta do Inferno. Neste local foi erguida ontem a cruz e está hoje o sepulcro.

Ao tentarmos assim penetrar no aspecto interior dos acontecimentos, parece-nos que mais uma vez é rasgada uma cortina, diante de outra esfera: o reino noturno dos mortos abre-se diante de nós, a esfera mais sagrada (o Santíssimo) na qual vivem as almas dos mortos que, no entanto, estão magicamente presas pelas forças da morte. Encontramos, então, uma luz inesperada na escuridão saturnina da esfera dos mortos. Agora existe ali alguém que não está dominado pela força mágica da morte e é livre de todo torpor. Ele atravessa a morte carregando a plena luz solar do seu gênio. E, desta maneira, enquanto na terra reina o escuro sábado sepulcral, nasce o sol no reino dos mortos. É este o sentido da descida do Cristo ao inferno. No reino dos mortos nasce um reluzir de esperança. Afrouxa-se a força mágica da morte, porque a visão se abre sobre uma futura vitória da alma humana sobre o espectro terrível do reino dos mortos. Quando na terra ainda era sábado, no reino dos mortos já era Páscoa. Antes que os homens da terra percebessem algo da Páscoa, já a perceberam os mortos.

Como haverá de prosseguir o drama? Ainda não está decidida a questão se haverá Páscoa também no mundo da corporeidade terrena. Ocorrerá também no campo material a vitória sobre a morte? Vitória que já brilha no reino das almas?

A terra moribunda, arriscada a perder totalmente a conexão com o céu, recebeu um remédio. Recebeu corpo e sangue do Cristo. Foram estas as primeiras partes da matéria terrestre totalmente impregnadas pelo espírito. São elas o germe de uma nova matéria transiluminada pelo espírito. O ser espiritual-anímico do Cristo acompanhou o corpo depositado no sepulcro de José de Arimatéia como acompanhara o sangue cujas gotas molharam o Monte do Gólgota. Pela primeira vez ficou sem efeito o exílio para o além, pela morte.

Encontramo-nos em um ponto crucial da Providência. Todo o universo participa diretamente daquilo que acontece na cruz e no sepulcro. A comunhão através da qual a própria terra absorve o remédio cósmico cresce incomensuravelmente. Já na sexta-feira santa, no momento da morte do Cristo, iniciam-se os terremotos, o último dos quais ainda faz estremecer a manhã da Páscoa. Durante o sábado não cessaram totalmente, embora as forças na natureza talvez se adaptassem ao silêncio sepulcral adequado ao dia. Embora possa ofender o cômodo raciocínio terreno, Faz parte dos pontos culminantes cósmicos do drama do mistério do Gólgota aquilo que Rudolf Steiner transmitiu, como resultado da pesquisa espiritual, mas que pode ser comprovado também a partir do conhecimento dos segredos que repousam no solo de Jerusalém: reabriu a fenda original do Gólgota, que fora aterrada por Salomão. E, assim, a terra inteira se transformou em sepulcro do Cristo. A terra aceitou a hóstia que lhe foi oferecida, até mesmo fisicamente a aceitou em toda a profundeza. Ao pronunciarmos, com as palavras da nossa religião, os acontecimentos do sábado de Aleluia: “Ele foi enterrado no sepulcro da terra”, tocamos de leve o aspecto cósmico do mistério do Gólgota. Novalis sabia disto e expressou poeticamente que, quem ofereceu à terra o medicamente cósmico, não foi outro senão o próprio Cristo. O corpo do Cristo foi aparentemente sepultado por mãos humanas. Em verdade, ele se entregou livremente após a morte para a cura de toda a terra:

“…Como Ele, movido somente pelo amor
Se nos entregou totalmente.
E se deitou no seio da terra
Como pedra fundamental de uma Cidade de Deus”.

A comunhão cósmica do nosso planeta terreno ocorre na sexta-feira santa e no sábado da Aleluia, antes mesmo da vitória pascal completa. Eis porque o corpo fisicamente real e o sangue fisicamente real do homem Jesus de Nazaré foi o medicamento que a terra recebeu. O fluxo sacramental que daí se derrama pela humanidade parte da Páscoa. Foi o erro do culto de relíquia medieval, nada mais do que uma relíquia de hábitos e crenças pré-cristãs, que induziu os homens a pensarem que sua vida cultural-sacramental dependia de restos físicos do corpo de Cristo. Os portadores do culto da Cristandade, tanto o catolicismo ocidental quanto o oriental, mantiveram com razão o velho princípio de construir os altares sempre em forma de túmulo. Mas foi um erro ater-se à prescrição de que no altar deveria haver sempre uma relíquia, fosse da própria vida terrena do Cristo, fosse de um santo a ele ligado. Esta ordem foi um retorno a tempos pré-cristãos em que só se podia cultivar a relação como mundo espiritual à beira dos túmulos, onde repousavam os restos terrenos dos mortos. A refutação de todo culto de relíquias é o Sepulcro Vazio. O sepulcro de José de Arimatéia não continha resto algum do corpo de Cristo quando na manhã da Páscoa Pedro e João desceram na fenda escura.

O sepulcro vazio significa: Não olheis para o homem Jesus! Não estais diante do sepulcro de um grande e santo homem. Olhai para o Cristo! Ele é uma entidade cósmico-divina. Seu túmulo não é o sepulcro de José de Arimatéia, mas toda a terra. As verdadeiras relíquias não são quaisquer restos dos acontecimentos físicos, pois estes só poderiam captar o estado pré-pascal dos fatos do Gólgota. O significado da vitória pascal é que, doravante, o corpo espiritual do Cristo, tecido de luz, poderá reluzir em tudo o que é terreno. Pão e vinho, sendo o verdadeiro corpo e o verdadeiro sangue do Cristo, são o medicamento da nova vida conquistada através da vitória pascal. Neles, a homeopatia espiritual atravessa o mundo, tendo como portadores os homens ligados ao Cristo. A sabedoria do Cristianismo original em torno deste mistério, expresso, por exemplo, por Inácio de Antióquia, pode ser reconquistada em nossa época através do pensamento claro treinado pelas Ciências Naturais: pão e vinho são os medicamentos da imortalidade.

Os altares do sacramento renovado também têm a forma de um túmulo. E, quando as paróquias se reúnem em torno dos altares, sempre está presente o princípio do sábado da Aleluia. Somos os que esperam diante do santo túmulo. Sabemos que nosso altar não precisa abrigar relíquias. O medicamento está presente quando o Cristo está presente, no pão e no vinho. As arqui-imagens da mesa e do túmulo se interpenetram. E à mesa do Senhor podem novamente estar presentes os nossos mortos. Aqueles que atravessam a morte após terem se ligado intimamente em vida ao novo sacramento indubitavelmente saberão achar este Santo Sepulcro, mais facilmente até do que achar seus próprios túmulos. As almas não mantêm mais relação intensiva com os corpos de que se despojaram. Mas, quando nos reunimos em torno do altar, eles podem estar conosco e assim reforçar nosso relacionamento com o mundo espiritual. Os novos altares circundam-se com a mesma trama de arqui-imagens que envolvia o sepulcro nas redondezas das plantações do Monte Sion. Está sanado, aqui, o abismo entre este e aquele mundo e, invisivelmente, floresce o jardim pascal onde nossa alma, como Maria Madalena, pôde ver o Ressurreto como jardineiro de um novo mundo. De dentro para fora a escuridão saturnina é iluminada pelo sol pascal.

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Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa: Sexta-feira Santa

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Os Acontecimentos da Semana Santa

Sexta-feira Santa – Dia de Vênus

Emil Bock

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Durante três dias ainda persiste o efeito (Bann) da morte. De modo semelhante ao que acontece após a morte de qualquer homem, durante três dias ocorre uma certa parada sagrada do destino. Três dias após a morte física, a morte ainda uma vez mais adquire um poder implacável sobre o ser humano. Após ter afastado dele o corpo terreno, a morte separa agora também o corpo vital, o corpo etéreo, e o espalha pelo cosmo. O reluzir do corpo na cruz descortina a visão pascal: o poder da morte não será capaz, no terceiro dia, de dissolver o corpo etéreo do Cristo. Pelo poder que o Cristo detém sobre seu próprio ser, este manto etéreo não se afastará da terra, substanciar-se-á, de modo que o Cristo poderá ainda mais ligar-se a tudo o que é da terra. Em sua corporeidade espiritual, o Cristo permanece perto dos homens, como ele mesmo profetizou:

“Eis que ficarei convosco todos os dias até o fim dos tempos terrestres”

Emil Bock

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À medida que a Semana do Silêncio realmente desemboca em silêncio, a atitude de Jesus parece modificar-se. A volição combativa e cintilante não aparece mais como antes. Quando, entre a meia-noite e a aurora, os encarregados vêm prender aquele que Judas beijaria, ele não se defende. Pelo contrário, impede Pedro de defendê-lo. Vemo-lo assim, agarrado por mãos brutas, arrastado de um lado a outro da cidade, aparentemente incapaz de escapar à crueldade dos que o flagelam, lhe colocam espinhos na testa, cospem e batem no seu rosto. O espectador é tomado da mais profunda emoção e tristeza quando, finalmente, os carrascos dão ao exausto a pesada cruz para carregar e depois o fixam à cruz com pregos. Onde ficou a força combativa que ainda nos primeiros dias desta semana o envolvia como em relâmpagos e centelhas? Abandonou ele a luta diante da cegueira e maldade dos homens?

Apenas em aparência exterior a atitude combativa e heróica foi substituída por uma aceitação passiva do destino. Os homens não estão maltratando e crucificando apenas um homem. Nas cenas da Paixão esconde-se o destino de um Deus: a luta que nos dias precedentes era travada por meios humanos continua agora em esfera oculta. Ao abrigo de olhares externos, esta luta assume agora dimensões muito mais poderosas. O Cristo não luta com carne e sangue, mas com os poderes invisíveis dos adversários, de cuja tirania ele quer libertar a humanidade. Luta contra as potências luciféricas, contra os seres ardentes da luz enganadora que tentam alienar o homem da terra. Mas luta também contra os poderes arimânicos que contraem, enrijecem o homem e querem prendê-lo à matéria morta. Se adquirirmos a faculdade da visão capaz de ver além do primeiro plano das cenas da Paixão, então veremos como o Cristo luta vitoriosamente, primeiro contra as potências luciféricas, depois contra as potências arimânicas. No domingo de Ramos fora uma atividade da espiritualidade luciférica que desencadeara nos homens os gritos de “hosana”, uma pseudo-espiritualidade irresponsável, inútil. Vimos como o Cristo recusou e despediu na segunda-feira esta antiga espiritualidade que se tornara luciférica. Na terça-feira vemo-lo entrar em outra arena de luta: na camada do intelecto esperto e astuto, sobre o qual ele lança suas palavras com grande força espiritual. Os questionadores que pretendem preparar-lhe uma cilada representam a fria astúcia e esperteza arimânica. Vemos como ele começa a enfrentar esses outros adversários mais obscuros.

Mas o poder arimânico age, mais do que na esfera humana, na esfera da matéria. Age em campo oculto. E se, aparentemente, o Cristo entrega as armas no decorrer do drama da Paixão, em realidade ele apenas persegue o poder arimânico em suas camadas ocultas para aí subjugá-lo.

O poder que Ariman possui sobre os homens se torna mais evidente e triunfante quando ele se aproxima do homem sob a forma da morte. No decorrer da evolução da humanidade, até o final da Antiguidade, a morte, inicialmente, um amigo paternal do homem, cada vez mais assumira os traços do Ariman. A fatalidade que paira sobre o homem, o fato de ser ele mortal, foi aproveitado pelo sinistro espírito, que dela fez sua mais contundente arma em sua luta contra a humanidade. O poder que a morte detém sobre nós não consiste unicamente no fato de termos que morrer, porém revela-se mais ainda depois da morte. Então, deve revelar-se a nós, após entregarmos nosso corpo terreno, ainda podemos continuar ligados àquilo que acontece na terra com aqueles aos quais nos relacionamos, dos quais fazemos parte. O poder total da morte reside nesta faculdade de nos arrancar ao terreno e nos lançar em uma vida no além sem relação alguma ou ponte que a ligue à vida na terra. O poder mortal de Ariman burla o homem. Durante a vida terrena o liga ao mundo da matéria, promete-lhe todas as realizações terrenas para não mais cumprir a promessas após a morte. Quanto mais terreno ou materialista o homem é durante a vida, tanto mais inexorável será em seu exílio no além. Somente aqueles que já se firmaram no espiritual durante a vida poderão continuar agindo sobre a vida na terra após a morte e continuar auxiliando aqueles que ainda permanecem na terra. Nós só possuímos, após a morte, tanto poder espiritual sobre a matéria quanto adquirimos na terra durante a vida.

Tocamos assim a esfera na qual o Cristo, ao prosseguir-se o drama da Paixão, continua a luta. Ele avança tanto mais potente nesta esfera quanto mais a aparência exterior sugere que ele se entrega passivamente aos que o capturaram. Ele não se defende contra os homens, não quer evitar exteriormente o sofrimento e a morte. Não se contenta apenas em defender-se, mas conquista uma vitória após outra sobre o poder arimânico-satânico que a morte quer ter sobre a essência interior do ser humano.

Quando o Cristo, no cenáculo, na quinta-feira santa, oferece aos discípulos a Santa Ceia, aparentemente não há luta. No entanto, quão maravilhosa vitória sobre o espírito da gravidade e da matéria inerte! O Cristo acompanha o pão e o vinho que sucumbiram às forças materiais terrenas e os torna luminosos pela força solar do seu coração. Arranca a criatura terrena às forças tenebrosas e a transforma em corpo e sangue da sua essência da luz.

Adivinhamos: se agora, ainda encarnado, ele é capaz de animar (conferir alma) aos elementos da terra, a ponto de torná-los luminosos, ele poderá fazer o mesmo, e mais, após morrer na cruz. Em Getsemane, a luta contra o poder mortal entra em uma fase decisiva. Aqui, no tranqüilo Horto das Oliveiras, onde tantas vezes se detivera com seus discípulos para ensinamentos intimos*, ele tem que enfrentar – na mais extrema solidão – o mais perigoso ataque do adversário. O milagre da comunidade que ele acabara de oferecer no cenáculo para o bem do futuro da humanidade não vai ajudá-lo em nada. A consciência dos discípulos não está à altura do acontecimento. Judas desaparece nas trevas da traição, mas os outros também o abandonam, caindo nas trevas do sono de Getsemane, a partir do qual Pedro o negará.

O Cristo não tem que lutar contra uma fraqueza interna ou contra o medo da morte. Nada mais trágico do que interpretarmos a Paixão do Cristo como se Jesus, em Getsemane, tivesse orado para ser poupado da morte. Não é o medo da morte que o ataca, é a própria morte. A força da morte, já temerosa de perdê-lo do seu controle, se aproxima e ergue a mão contra ele. O Anjo Exterminador quer agarrá-lo. O mistério da lula no Getsemane reside no fato de a morte querer enganá-lo. Ela o quer antes da hora, antes que ele tenha completado sua missão, antes que seu espírito tenha impregnado totalmente a terra. Quer arrancá-lo para se apoderar ao menos de uma parte do seu ser.

*Do primeiro ao terceiro evangelho notamos uma progressiva revelação do mistério de Getsemane. Os dois primeiros evangelhos dizem apenas: “Jesus chegou com os discípulos a um horto chamado Getsemane”. Temos, inicialmente, a impressão de que se trata de um sítio qualquer, estranho. Em Lucas o tema já toma outra direção: “Subiu, conforme seu costume, ao Monte das Oliveiras, e os discípulos o seguiram”. É um lugar onde Jesus se detivera muitas vezes. O evangelho de João, enfim, traz a plena revelação: “Saiu, então, com os discípulos atravessando o rio Kedron. Havia ali um horto. Nele, Jesus entrou com os discípulos, mas Judas, que o traiu, também conhecia o lugar, porque Jesus muitas vezes ali se reunia com eles”. Getsemane é, portanto, um lugar de instrução esotérica aos discípulos. O Horto das Oliveiras se estendia até o alto do Monte das Oliveiras. Foi também o cenário do Apocalipse do Monte das Oliveiras na noite de terça-feira.

Durante três anos ardera em seu corpo e em sua alma o fogo solar do Eu divino. Os invólucros, sob este fogo interno, já estão perto de se incinerarem. O que resta ainda a assumir e a completar exigirá, também do lado físico, tanta força que surge o perigo da morte precoce. O poder arimânico, na tocaia, quer se aproveitar deste momento. Lucas, o médico, descreve exatamente o que ocorre; o errôneo sentido antropomórfico dado à cena é devido unicamente às traduções correntes. Onde a Bíblia de Lutero diz: “Aconteceu então que ele lutou com a morte e orou com maior intimidade”, o texto literalmente é: “ao entrar em agonia”. Portanto, em sentido medico-técnico, já começou a agonia, a luta final. Lucas diz ainda: “Dele derramavam-se gotas de suor com sangue”, definindo assim o exato sintoma da agonia.

O Cristo permanece vitorioso. Repele a morte. Ainda não chegou a hora. Com a mais potente força de oração jamais desenvolvida na terra, ele luta por ainda ficar no corpo. São ainda um eco desta luta as palavras que ele dirá na cruz: “Tenho sede”, aparentemente revelando uma fraqueza. Até o momento imediatamente anterior à expiração final, ele permanece fiel ao terreno. É neste fato que residirá sua vitória sobre a morte. Ele penetra ainda mais profundamente no mundo material terreno que porta em si pela corporeidade física. Ainda há um resto a cumprir. Não quer entregá-lo ao príncipe deste mundo, que já acredita ser a esfera material sua posse inalienável. Finalmente, é o próprio Judas que o aborda para lhe dar o beijo da traição, ajudando-o a repelir, com o perigo da morte precoce, o poder satânico.

Os outros discípulos que se mantiveram fiéis ao Cristo, em realidade o abandonam. O traidor vem ajudá-lo, socorrê-lo, sem saber o que está fazendo.
O cenário do drama volta novamente ao contexto humano. A manhã da sexta-feira traz um encontro do Cristo com toda a humanidade, representada pelas três figuras de Kaifás, Pilatos e Herodes. Em seguida, a via leva ao Monte do Gólgota: vemos os mercenários baterem os pregos através de mãos e pés do Cristo e, aparentemente, ele tudo aceita, aparentemente se entregou à extrema passividade. Em realidade, sua essência interior adquiriu através da mais amarga dor, o supremo poder do espírito sobre a matéria, de modo que o mundo da morte em nada mais pode afetá-lo. Os poderes arimânicos, as forças da morte sentem este fato. Entram em cena com suas últimas reservas, rugindo de raiva, bufando de ira porque falhou seu poder. Quando o sol escurece durante horas ao meio-dia da sexta-feira, parece que o demônio solar já foi mobiliado contra o deus do sol. E quando treme a terra, todos os demônios da terra parecem estar atacando para conseguir a vitória da força satânica da morte. O Anticristo move os elementos da terra e até mesmo as forças do céu. Mas o Cristo passa, sem se alterar, ao lado da força da morte.

A morte nada pode roubar à soberania de seu espírito, ao seu poder total sobre toda a essência terrestre. Os poderes cósmicos que levantam na hora do Gólgota estão em acordo com sua vontade. Ele disse aos que o prenderam em Getsemane: “Chegou agora a vossa hora. Agora as trevas têm a palavra”. (Lucas, 22, 53). Ao escurecer-se o sol, nada mais acontece além daquilo para o que o próprio Cristo dera o sinal.
Em meio à escuridão do Gólgota, revelou-se um mistério que podemos agora, cautelosamente, insinuar. O corpo na cruz começou a emitir luz. Se em muitas regiões, nos campos e nos caminhos, encontramos crucifixos negros com um Cristo dourado, podemos ver nesta tradição popular e ingênua um importante mistério da sexta-feira santa. Um secreto brilho solar quebrou a terrível escuridão do meio-dia. Revelou-se o sol do Cristo ao obscurecer-se o sol exterior. Um raio pascal já brilhou em plena escuridão da sexta-feira santa.

A última das sete palavras pronunciadas na cruz: “Está consumado” não significa que acabou o sofrimento, significa que agora a vitória total sobre o poder da morte foi conquistada. Enquanto normalmente a morte, após burlar o homem durante toda a vida com a matéria terrena, o lança ao além e o condena ao exílio, o Cristo, ao morrer, dirige-se diretamente à terra. O sangue flui de suas feridas e a alma o acompanha. Normalmente, quando um homem perde seu sangue, sangue e alma seguem caminhos opostos. Aqui a alma acompanha o sangue. E, em seguida, o corpo é sepultado. Normalmente, quando o corpo é sepultado, corpo e alma seguem caminhos diversos. Aqui a alma segue o mesmo caminho em direção à terra. É este o grande sacrifício cósmico de amor que o Cristo pode dedicar para toda a existência terrestre, porque a morte é incapaz de impedi-lo. A terra recebe corpo e sangue do Cristo. Recebe a grande comunhão, porque a morte não tem poder sobre aquele que morre na cruz. E assim incorporou-se a toda existência terrena um fermento, o remédio da trans-espiritualização de toda existência terrena material.

Durante três dias ainda persiste o efeito (Bann) da morte. De modo semelhante ao que acontece após a morte de qualquer homem, durante três dias ocorre uma certa parada sagrada do destino. Três dias após a morte física, a morte ainda uma vez mais adquire um poder implacável sobre o ser humano. Após ter afastado dele o corpo terreno, a morte separa agora também o corpo vital, o corpo etéreo, e o espalha pelo cosmo. O reluzir do corpo na cruz descortina a visão pascal: o poder da morte não será capaz, no terceiro dia, de dissolver o corpo etéreo do Cristo. Pelo poder que o Cristo detém sobre seu próprio ser, este manto etéreo não se afastará da terra, substanciar-se-á, de modo que o Cristo poderá ainda mais ligar-se a tudo o que é da terra. Em sua corporeidade espiritual, o Cristo permanece perto dos homens, como ele mesmo profetizou: “Eis que ficarei convosco todos os dias até o fim dos tempos terrestres”.

Através de uma força o Cristo obteve a vitória sobre a morte: a força do amor cósmico que nele se fez homem. Pilatos pôde dizer daquele que viu marcado pelos flagelos, coroado com espinhos e ironizado com o manto de púrpura: “Este é o Homem!”. Quanto mais nós podemos dizer: o que está na cruz e abre seus braços a fim de praticar na morte o grande ato de amor que tudo transforma é a verdadeira e mais sagrada imagem da essência do homem. Foi o que Christian Morgenstern cunhou em palavras poéticas:

Eu vi o HOMEM em sua forma mais profunda
Conheço o mundo até em seu fundamento

Sei que amor, amor é seu mais profundo sentido
E que existo para amar cada vez mais.

Abro os braços como ELE fez
Quero, como ELE, abraçar o mundo inteiro.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa: Quinta-feira Santa

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Os Acontecimentos da Semana Santa

Quinta-feira Santa – Dia de Júpiter

Emil Bock

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“A saída de Judas revela que seu gênio bom, seu verdadeiro Eu, o abandonou; Judas realmente encontra, lá fora, o Anjo da Morte. Espíritos arimânicos o transformam em seu instrumento. A saída do Cristo é imagem do livre derramamento da alma que, desde a origem, foi portadora, no cosmos, da idéia de sacrifício.”

Emil Bock

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Duas vezes por ano uma quinta-feira se destaca com uma luz singularmente festiva no decurso do ano: o dia que precede a sexta-feira santa e o dia da Ascensão. Embora pertencente à semana mais séria do ano, a quinta-feira santa se relaciona misteriosamente com a outra quinta-feira, seis semanas mais tarde, quando toda a natureza primaveril já se desenvolveu em luz e perfume emitidos pelas flores. Não seria a quinta-feira santa ocultamente uma segunda véspera de Natal? Sua luz misteriosa é a do crepúsculo que precede as trevas da sexta-feira santa, mas é também, mais ainda, a aurora da Páscoa.

Após ultrapassarmos o meio da semana santa, após os três primeiros dias repletos com a ruidosa e dramática luta com o ambiente, incompatível com o Cristo, desce o silêncio. Na noite da quinta-feira santa penetramos na esfera do silêncio sagrado. De repente, o barulho cede ao silêncio. De dia, os ruídos do povo em movimento nas ruas, milhares de peregrinos a comprar e a discutir atingiram seu auge.

Depois, pouco antes do ocaso do sol, esfera purpúrea, e enquanto nascia do outro lado, a enorme lua cheia prateada, as trombetas do templo deram o sinal para o início dos preparativos. Inicia-se a noite do Passah durante a qual os fiéis da Velha Liga se preparam para o sábado de Passah que se iniciará na noite seguinte. Cessa o barulho retumbante. Nas casas logo se reúnem os parentes ao redor das mesas a fim de comerem o cordeiro pascal. As ruas ficam subitamente vazias. Desce um silêncio oprimente. É a magia da noite de Passah, na qual circula, como outrora no Egito, o Anjo Exterminador.
Jesus com seus discípulos também se retira para a sala onde terão a ceia do Passah. Os destinos querem que o silêncio desta sala seja múltiplo, já que ela se encontra em uma casa que não é uma habitação privada, mas serve de convento a um círculo sagrado dos esseus. A ordem dos esseus tem ai sua sede em local sagrado e antiqüíssimo, no Monte Sion, onde há milênios, antes da história da Velha Liga ler o seu centro neste lugar, já existia um antiqüíssimo santuário da humanidade. Em local muito antigo e sagrado encontra-se o cenáculo que os irmãos esseus deixam à disposição de Jesus e seus discípulos para a véspera do Passah.

Diretamente em frente também em uma localização tradicional e antiqüíssima, encontra-se a casa de Kaifas, casa-matriz da ordem dos saduceus. Lá também se reúne um grupo para comemorar o Passah. São os inimigos cheios de ódio, quase incapazes de pensar na festa vindoura, pois estão sendo movidos por um plano de ódio e inimizade. Forçosamente, a luta está suspensa.

É preciso aguardar até depois da hora sagrada. E os num inimigos, eles próprios ordenam: “Procurem agarrá-lo, mas não antes da festa. Na sala onde estão reunidos Jesus e seus discípulos, cumpre-se o 23° salmo: “Preparas diante de mim uma mesa, à vista de meus inimigos”. Desceu o silêncio, é verdade, mas a fatalidade sombria da noite de Passah se incorpora nos espectros noturnos daqueles outros comensais, na casa vizinha.

O que há sobre a mesa ao redor da qual se instalaram Jesus e os discípulos? Este grupo também obedece à velha lei e cumpre a tradição. Foi preparado o cordeiro pascal. Jesus se prepara com os discípulos a comê-lo, recordando devotamente o sacrifício do cordeiro que, na época de Moisés, fora o sinal pelo qual o povo judeu foi libertado da escravidão.

Mas o cordeiro pascal na mesa deste Cenáculo adquire um sentido modificado. A mesa está sentado aquele do qual João Batista pôde dizer: “Eis o cordeiro de Deus, que assume (carrega) os pecados do mundo”. Em nenhum outro lugar àquela hora, nem antes, nem depois, o cordeiro pascal esteve tão próximo daquele que simboliza. Através de milênios a ceia do cordeiro pascal foi um costume profético. Agora, eis que a profecia se cumpre, logo o apóstolo Paulo poderá dizer: “Nós também temos um cordeiro pascal. É o Cristo que se sacrifica por nós”. (1º Cor. 5,7)! No Cenáculo encontram-se a profecia e seu cumprimento. A sala está cheia de pesado pressentimento. Pesam no ar a separação e a tragédia. O sacrifício do Cristo já lança antecipadamente sua sombra. O consciente dos discípulos passa por uma dura prova.

Através do cordeiro pascal sobre a mesa, esta cena inclui a reminiscência dos antigos sacrifícios sangrentos; atua a magia do sangue, que é o sentido de todos os sacrifícios sangrentos da época pré-cristã. O sentido dos antigos sacrifícios residia no seguinte fato: o fluxo do sangue fresco de animais sacrificais puros possuía a força de induzir as almas humanas – ainda não tão ligadas o corpo – em alienação extática, de modo que forças divinas do além podiam refletir-se nas condições humanas.

No Cenáculo do Monte Sion o velho sacrifício perde definitivamente o seu sentido. Agora, o mais alto ser divino veio, ele próprio, do além para a terra. O cordeiro perde seu significado próprio e passa a ser apenas a imagem, o reflexo do mistério do Cristo presente. O antigo sacrifício sangrento torna-se definitivamente supérfluo. A força que antigamente se tentava – cada vez com menor sucesso – atrair do além pelo sacrifício do sangue, está presente agora para se ligar inseparavelmente com o mundo terreno. O cordeiro pascal não pode mais ser um meio mágico, pois na própria existência terrena forma-se um núcleo de germinação e brotação de forças celestes. O cordeiro se transforma em puro símbolo do amor divino que se sacrifica.
Na mesa da Santa Ceia não vemos, entretanto, apenas o cordeiro pascal. Há também, incidentalmente, pão e vinho. E, após cumprirem a velha tradição da ceia do Passah, os discípulos se admiram ao verem o Cristo tomar em mãos os símbolos, presentes por acaso, do comer e beber e adicionar à ceia do Velho Testamento uma nova refeição. Algo de totalmente novo, inesperado, acontece quando ele oferece aos discípulos o pão e o vinho, dizendo: “Tomai, pois este é meu corpo e este é meu sangue”. Em realidade, estes símbolos não estão na mesa por acaso. Da penumbra de mistérios ocultos surge à luz aquilo que sempre já existira na humanidade. No exterior dos velhos templos havia sacrifícios sangrentos oferecidos em presença do povo; do mesmo modo, ao abrigo esotérico de certos santuários que cultivavam os mistérios solares, sempre houve pão e vinho como os verdadeiros símbolos do deus do sol. No mesmo local onde o grupo está agora reunido para a ceia, dois mil anos antes, nas grutas rochosas onde estavam agora sepultados os Reis e Davi, existira o santuário de Melquisedeque, o supremo iniciado solar. Melquisedeque levara pão e vinho para oferecê-los, no Vale do Kidron, a Abraão, que regressava vitorioso.

Mas pão e vinho jamais puderam representar, mesmo rios templos dos mistérios pré-históricos, a função que adquirem neste momento. Sempre foram apenas símbolos do deus do sol que os veneradores tinham que procurar em outras esferas. Agora, no entanto, são mais do que símbolos. No Cristo está presente o próprio alto espírito solar, e ele pode dizer, ao oferecer o pão: “Este é meu corpo” e, ao oferecer o cálice: “Este é meu sangue”. Sua alma, ao oferecer-se, penetra no pão e no vinho. Pão e vinho se iluminam na semi-escuridão. São envolvidos em um brilho dourado, em uma luminosa aura solar, ao se transformarem no corpo e no sangue do próprio espírito do sol. Todos os mistérios solares da pré-história foram apenas profecias. Neste momento estão sendo cumpridas. Na passagem dos sacrifícios sangrentos da pré-história para o sacrifício sem sangue do pão e do vinho ocorre, para toda a humanidade, a decisiva interiorização da idéia de sacrifício: todos os sacrifícios antigos eram materiais, agora esta fundado o sacrifício da alma. Inicia-se na prática do sacrifício um fluxo de verdadeira interiorização. São despedidos os sacrifícios lunares da pré-história e substituídos pelo sacrifício solar. O Cristianismo, verdadeira religião solar, encontra nesta noite sua aurora.

O Cristo não apenas liga a velha ceia à nova; antes e depois da ceia executa atos importantes, de modo que surge um todo de quatro partes. Pela primeira vez reluz a lei que, doravante, será sempre renovada e revelada nas quatro partes do sacramento cristão central. Antes de comer o cordeiro pascal, Jesus pratica o ato do amor simples, inesgotável e indescritível do lava-pés. Obedecendo e elevando um rito comum na ordem dos esseus, ele se abaixa e lava os pés de cada discípulo, inclusive de Judas. Surge uma imagem comovente daquilo que de fato está ocorrendo: o Cristo se dá aos seus, totalmente, com amor. A morte na cruz selará essa dedicação.

Tal como introduziu as duas ceias com o lava-pés, assim também as encerra. Acompanhando o costume praticado nesta hora em todas as casas, segundo o qual, terminada a refeição do Passah, os pais de família liam ou recitavam a Hagada, a tradicional história do povo sob forma de lendas, o Cristo também faz seguir-se à ceia um ensinamento. Ternos no evangelho de João a mais maravilhosa reprodução de suas palavras de despedida, que culminam com a oração.

São quatro as etapas atravessadas: lava-pés, cordeiro pascal, pão e vinho e discursos de despedida. Ao lavar Jesus os pés dos discípulos, estes parecem já experimentar a mais íntima comunhão das suas almas com a alma de Cristo. Mas, em realidade, o lava-pés nada mais é do que o último resumo simbólico de todos os ensinamentos que Cristo deu a seus discípulos. Por isso, ele lhes diz: “Dou-vos uma nova lei: amai-vos uns aos outros.” O lava-pés é, de certo modo, a ultima parábola aos discípulos parábola que já não foi falada, mas praticada. O amor é a meta final da doutrina que o Cristo lega aos discípulos.

Após a leitura do Evangelho, feita em total devoção de alma, comer o cordeiro pascal é a etapa do ofertório. Surge a imagem do sacrifício: Cristo – o cordeiro sacrifical que morrerá na cruz no dia seguinte pela humanidade.

Segue-se a terceira etapa: Cristo oferece aos discípulos pão e vinho. Pela primeira vez realiza-se então o mistério da transubstanciação, terceira parte do sacramento, após a leitura do Evangelho e o ofertório. O celeste transpenetra o terreno, o espiritual reluz na matéria. Como uma estrela fulgurante revela-se o sol da Transubstanciação que, mais tarde, atingirá seu pleno brilho.

Na quarta parte, nos discursos de despedida, parece que o Cristo dá aos discípulos apenas ensinamentos e instruções para seus caminhos. Em realidade, no entanto, ele se transmite a si mesmo da mais íntima maneira possível. Estas palavras, que captam o eco espiritual da Santa Ceia são, mais ainda do que pão e vinho, corpo e sangue do Cristo. Nelas, a alma do Cristo se oferece a mais intima comunhão e reunião com as almas dos discípulos. Mas os discípulos só ouvem estas palavras como em sonho. Só há um deles, João, próximo ao coração de Jesus, capaz de ouvir o que fala o coração de Cristo e, por isso mesmo, capaz de preservar para a humanidade, em seu evangelho, uma replica desse momento.

O grande sacramento, de quatro partes, dessa hora, está repleto do amor cósmico que se difunde, que jorra do coração do Cristo. A plenitude da palavra do Cristo forma o final, nos discursos de despedida, e este fato abre uma porta luminosa para o futuro da humanidade. O Cristo do qual parte o fluxo de amor cósmico fala, ao mesmo tempo, como alto espírito da Sabedoria. É como se Júpiter, deus da sabedoria, reaparecesse entre os homens sob uma forma nova.

O santo grupo de comensais é dissolvido de modo dramático. O costume do Passah e a rigorosa lei proibiam que se saísse à rua nesta noite. Quem o fizesse encontraria o Anjo Exterminador. As ruas ficavam vazias. Não obstante, em determinado momento, vemos alguém sair; nada o reteve após ter recebido sua parte da refeição da mão de Jesus. O evangelho de João adiciona: “era noite”. Em seu interior também reinava a noite; Satanás penetrou nele nesse instante. Judas vai à casa em frente, onde o círculo de Kaifás também cumpre o rito da ceia pascal, mas estão ansiosamente dispostos para as negociações que Judas pretende fazer com eles.

Judas falhou diante do mistério do sacramento. Já na véspera fora tomado pelo demônio da inquietação quando na casa em Bethânia espalhou-se o ambiente sacramental. No cenáculo deparou-se pela segunda vez com a substância do sacramento. Não tem em si a quietude que lhe permitiria aceitar a paz como bênção do sacramento. E, portanto, aquilo que poderia oferecer-lhe paz o precipita no mais alto grau da ausência da paz, na perda arimãnica do Eu, na alienação possessa.

Mais uma vez é rompida a proibição do Passah. Assustando os discípulos, Jesus se ergue e lhes faz sinal para segui-lo. Saem para a noite escura. A luz clara da lua se apagara quase totalmente. Houvera um eclipse. A lua no céu parecia uma esfera cor de sangue. As rajadas frias que acompanham a despedida do inverno começam a soprar quando Jesus chega com seus discípulos a Getsemane.

A dupla saída* é imagem de processos interiores. A saída de Judas revela que seu gênio bom, seu verdadeiro Eu, o abandonou; Judas realmente encontra, lá fora, o Anjo da Morte. Espíritos arimânicos o transformam em seu instrumento. A saída do Cristo é imagem do livre derramamento da alma que, desde a origem, foi portadora, no cosmos, da idéia de sacrifício (ofertório. Quando Judas sai, a escritura diz “era noite”. É noite também na alma de Judas. Quando sai o Cristo, podemos dizer “era dia”. Um fulgor dourado se mistura a noite tenebrosa. Um mistério solar envolve o Cristo quando ele desce com os discípulos pelo mesmo caminho pelo qual Melquisedeque dois mil anos antes levara pão e vinho. Um sol brilha em plena noite. Por isso pode acontecer mais tarde que o Cristo subjuga o Anjo Exterminador em Getsemane.

A luz solar que os homens viram brilhar no ser do Cristo no domingo de Ramos já penetrou em camadas muito mais profundas. Ninguém o percebe. Não obstante, o mundo recebe uma nova luz nesta noite santa, que mais é uma véspera da Páscoa do que véspera de sexta-feira da Paixão. No dia da Ascensão, outra quinta-feira, seis semanas mais tarde, o germe de luz cujo crescimento começa no cenáculo já terá adquirido ou onipresença terrena e força cósmica.

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Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa: Quarta-feira Santa

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Os Acontecimentos da Semana Santa

Quarta-feira Santa - Dia de Mercúrio

Emil Bock

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“E adivinhamos como Maria Madalena conseguiu transformar as forças do amor natural, as forças terrenas do amor, que podem também desviar-se para a aberração, como conseguiu interiorizá-las e transformá-las em devoção, em intenso sentimento religioso e em capacidade sacramental de sacrifício.”

Emil Bock

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Em realidade, a Semana Silenciosa só o é a partir da sua metade. No domingo de Ramos, estremece o ambiente psíquico de toda a cidade; na segunda- feira são derrubadas as mesas dos vendedores e cambistas no templo na terça-feira, golpes de espada são trocados na luta espiritual entre o Cristo e seus adversários. Somente a última parte da semana é invadida pelo mistério do silêncio, embora seja um silêncio cósmico-dramático aquele que, na noite de quinta-feira, envolve a mesa da ceia e, mais ainda, aquele que cerca a morte do Cristo na cruz, e o que reina sobre o sepulcro. Lembremos apenas o terremoto que parte das profundezas da terra na sexta-feira santa. Entretanto, a parte do Cristo nos acontecimentos passa ao silêncio na segunda metade da semana enquanto na primeira metade ainda estava totalmente envolvida no ruidoso primeiro plano. O dia que chamamos de “Mittwoch” por representar o meio (Mitte) da semana, mas que, em outras línguas, é designado como dia de Mercúrio, conforme o efeito planetário que o rege, dia mercurial ou do movimento vivo, este dia estabelece de maneira significativa a transição entre os dias ainda não silenciosos da Semana do Silêncio e os dias em que se entretece o crescente mistério do silêncio do Cristo.

Ao cair da tarde deste dia, destaca-se uma cena que já teve suas similares nos dias anteriores, mas agora, no dia do meio e do equilíbrio, alcança um significado especial. O Cristo voltou do movimento da cidade para o local tranqüilo além do Monte das Oliveiras, voltou para Bethânia. Encontra-se entre aqueles aos quais está particularmente ligado. Os amigos lhe preparam uma refeição. Nas outras noites também houve refeições, mas hoje é como se já incidisse na sala um prenúncio da luminosidade que incidirá sobre a ceia da noite seguinte. Há em meio aos comensais como que um presságio da Santa Ceia.

A aldeia de Bethânia, por tranqüila que seja, foi, ainda há pouco, o cenário daquele acontecimento que significou o sinal para a luta: a ressurreição do
Lázaro. Lázaro é um dos comensais. É ele que, na noite seguinte, conforme descreve o Evangelho, estará encostado ao coração de Jesus. É ele que, no círculo da Santa Ceia, está interna e externamente mais próximo do Cristo. Entre os comensais, há também duas mulheres designadas pelo evangelho de João como irmãs de Lázaro, Marta e Maria Madalena. Ingressaram através de algumas circunstâncias do destino neste círculo que é mais uma família espiritual do que uma família por laços de sangue. Na vida de cada uma dessas três pessoas, há um acontecimento que provocou uma transformação fundamental. Para Lázaro, foi a ressurreição do sepulcro na rocha, a grande libertação do espírito de João para seu vôo-de-águia pelas alturas.

Para Maria Madalena foi um acontecimento mais remoto, designado pelo Evangelho como um exorcismo. Foi curada de uma trágica e fatídica alienação e experimentou a libertação e purificação de sua alma. No caso de Marta também ocorre um evento semelhante, conforme a tradição cristã: a cura da mulher hemofílica. O destino havia introduzido em sua vida uma doença que impedia seu organismo de manter suas forças. Através do encontro com aquele que pôde curá-la, uma força de coesão, força plasmadora instalou-se em seu corpo, como se instalara na alma de Maria Madalena, a paz interior. Foram através das curas do espírito, da alma e do corpo que os três irmãos de Bethania se tornaram amigos íntimos do Cristo.

O primeiro acontecimento sempre designado como característico da quarta-feira santa foi o seguinte: ao estarem todos reunidos à mesa, Maria ungiu os pés do Cristo com um precioso óleo e os enxugou com seus cabelos. O evangelho de João relata que o perfume do sacrifício impregnou toda a casa.
Maria Madalena já fizera algo semelhante um ano e meio atrás, quando fora salva pelo Cristo. Também naquela ocasião, segundo o evangelho de Lucas, ela, espontaneamente, para manifestar sua gratidão, ungira os pés do Cristo e os enxugara com seus cabelos. Na introdução do relato sobre a ressurreição do Lázaro, o evangelho de João (11, 2) recapitula esta cena. O que é revelado pelo ato de Maria Madalena que o evangelho de Lucas, ao relatara primeira unção, designa como grande pecadora e que talvez tenha realmente sido, conforme dizem as velhas tradições, uma prostituta perseguida por demônios no mundano balneário de Tibéria, perto de sua terra natal, Magdala! A unção é típico ato sacramental. A alma de Maria Madalena se ergue ao nível de praticá-lo. E, portanto, o Cristo, quando os outros declaram insensata esta atividade e se impacientam, pôde pronunciar palavras como se aceitasse o ato dessa mulher como um sacramento de morte, como uma extrema-unção. Na primeira unção ele dissera: “Calem-se. Ela amou muito e muito lhe será perdoado”.

E adivinhamos como Maria Madalena conseguiu transformar as forças do amor natural, as forças terrenas do amor, que podem também desviar-se para a aberração, como conseguiu interiorizá-las e transformá-las em devoção, em intenso sentimento religioso e em capacidade sacramental de sacrifício.

Uma nota em falso interrompe o silêncio solene. Surge um personagem diametralmente contrastante com Maria Madalena. É um dos discípulos que perde o controle e a contenção ao ver o ato de Maria Madalena. É o Judas. Alega, na verdade, que seu protesto se baseia em considerações práticas e sociais. Diz que o dinheiro desperdiçado em óleo poderia ser dado aos pobres, aliviando muita miséria. Mas o evangelho de João já nos permite perceber nitidamente que os verdadeiros motivos de seu comportamento não são idênticos aos que ele propõe. Em realidade, é algo muito diferente que se passa em sua alma. O evangelho não o poupa, designa-o como ladrão. Vemos: justamente o aborrecimento sobre o ato de Maria Madalena dará ao Judas o último impulso para a sua traição. Excitadíssimo, há muito tempo espera pelo surgimento público de Jesus e pelo milagre político que ele acredita será a conseqüência desta aparição. Tudo o que leva ao silêncio da interiorização lhe parece, em sua impaciência febril, como sendo desperdício de tempo. Em Bethânia ele perde a paciência. Descontrola-se e sai para se juntar àqueles que perseguem o Cristo. O segundo conteúdo clássico da quarta-feira santa é a traição de Judas.

O motivo planetário do dia lança uma luz sobre as duas figuras tão contrastantes à mesa do jantar em Bethânia. Ambos, Judas e Maria Madalena, são figuras tipicamente mercuriais e têm mobilidade e temperamento. Possuem a qualidade de não serem enfadonhos. Ao seu redor sempre algo acontece. A roda das suas vidas não pára. Mas, Maria Madalena domina a intranqüilidade. Transforma-a em devoção, em paz, em capacidade de amor. A figura de Maria Madalena permite reconhecermos que a verdadeira e valiosa devoção só se instala quando é conquistada por uma alma vivaz, para a qual a paz não é mera inércia, mas vivacidade libertada, interiorizada. Maria Madalena foi muito manejada, sofreu muita coisa e atravessou muitas trevas. Mas, de toda intranqüilidade que houve em sua vida, flui agora sua intensa religiosidade. Será esta intensidade que a destacará em seguida entre todos os outros! Será ela a primeira a ter a visão do Cristo ressuscitado!

Judas é o outro homem mercurial. É, aliás, o tipo do homem irrequieto, que precisa sempre exercer uma atividade exterior. Alega querer agir em prol dos pobres. A atividade social, por boa e louvável que seja, é freqüentemente apenas um auto-entorpecimento. O impulso nem sempre reside em um autêntico ímpeto social, mas muitas vezes, na própria intranqüilidade interior. Muitas pessoas ficariam profundamente infelizes se fossem obrigadas a passar algum tempo inativas. Revelar-se-ia então, que a atividade social não é uma real produção interior, mas que elas cedem apenas a uma fraqueza inconfessada. Em Judas vemos este tipo de alma mercurial desembocar na mais tenebrosa fatalidade. Nele, a intranqüilidade nasce de um medo profundamente oculto. De modo semelhante ao que acontece nos adversários, nele rumoreja a intranqüilidade do medo essencial. Este é que acarreta sua traição do Cristo. A partir de tal estado de alma, o homem não pode ser devoto, não pode, em particular, amar. Um homem intranqüilo não é capaz de amar. O amor só é possível quando a alma já adquiriu a força da paz. E vemos assim nas duas figuras, de Maria Madalena e de Judas, dois caminhos que se separam como em uma encruzilhada. Um deles leva à proximidade do Cristo, o outro ao abismo da loucura, à tragédia do suicídio.

Marta, a outra irmã de Lázaro, é uma espécie de transição entre Judas e Maria Madalena. O evangelho de Lucas não relata em vão, em trecho anterior da vida do Cristo, a história de Maria e a de Marta. Marta é eternamente ativa. Não pode abster-se de empreender, a todo momento, algo de útil a serviço de alguém. Não podemos deixar de reconhecer a autenticidade de sua dedicação. Mas, tampouco, podemos deixar de ver a intranqüilidade física da qual foi curada, mas permaneceu existindo em sua alma. Maria que ouve em silêncio reverente é designada, em comparação com Marta, como aquela que escolheu a melhor parte.

As figuras da cena da quarta-feira santa nos mostram a encruzilhada que encontramos antes de podermos esperar sermos admitidos na esfera da quinta-feira santa. Diante do mistério sacramental, separam-se os caminhos. Judas é o homem sem culto. Ao se deparar com um ambiente de verdadeira devoção cultural, ele não fica só irrequieto, mas perde a contenção. Maria Madalena é a alma sacramental.

Na noite seguinte, quando o sacramento se estenderá sobre o circulo de discípulos como uma cúpula celeste, revelar-se-á quem é mais Maria e quem é mais Judas.

Mercúrio, deus da cura no mundo greco-romano, mas também deus dos comerciantes e dos ladrões, aproxima-se do sol do Cristo. A cena em casa de Lázaro e de suas irmãs em Bethânia mostra como o deus da cura Mercúrio, pode ser curado pelo sol do Cristo.

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Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa: Terça-feira Santa

Os Acontecimentos da Semana Santa

Terça-feira Santa - Dia de Marte

Emil Bock

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“Quando o dia registrou verdadeiros atos, a tarde e a noite convocam o eco celeste destes atos. Os resultados do dia não residem unicamente naquilo que foi diretamente criado; quando a atividade diurna bateu às portas do mundo espiritual, podem abrir-se, à noite, as portas de um outro mundo. E (deste mundo espiritual) flui o correspondente a genuína força interior  empregada durante o dia.”

Emil Bock

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Terça-feira Santa - Dia de Marte

Em silêncio,  sem provocar as mesmas excitações, realiza-se nas manhãs seguintes o mesmo que no domingo de Ramos. Jesus entra com seus discípulos na Cidade Santa. Já se acalmaram as grandes ondas de entusiasmo aprovador. Jesus, embora já envolvido nos relâmpagos e tensões da decisão que se aproxima, quer obedecer a lei até o fim. Cumpre o rito sagrado de preparação para a festa pascal. Traz suas oferendas. Mas já sentimos: é ele mesmo que será sacrificado e elevado ao céu. As inimizades e o ódio das pessoas o atingem. No domingo ainda podia parecer que o sol espiritual que nele ascendia sobre o horizonte do drama estivesse em coincidência com o sol natural que acende o entusiasmo primaveril nas almas dos homens. Mas, na segunda-feira, o engano se esclarece. Na terça-feira santa, o drama-mistério ultrapassa a simples despedida do velho mundo. Jesus marcha cada vez mais majestoso para a cidade. Quanto mais silenciosa a massa, tanto maior o ardor da volição (vontade) na fisionomia do Cristo. Nasceu o dia de Marte: inflama-se a luta. A massa calou- se: seus líderes têm medo e o medo é a raiz do ódio, que passa  à agressão. Cada tropa do exército inimigo envia na vanguarda seus atacantes.  Um grupo após o outro aborda o Majestoso. Sucedem-se as perguntas traiçoeiras. Disfarçam sob a forma de questões aquilo que deveria ser um golpe na face ou um golpe de espada. Chegam primeiro os sacerdotes, os sábios das escrituras e os presbíteros, ou seja, todos os membros do Sinédrio judeu. Mandam perguntar a Jesus com que autoridade age. Exigem que se identifique chegam depois outros os, fariseus, com os seguidores de Herodes, e pousam a questão embaraçosa: “É justo pagar tributo a César?”. Seguem-se os saduceus: querem saber o que pensa Jesus sobre a ressurreição dos mortos. Finalmente, chega um indivíduo que, acreditando poder comprometê-lo perante todo o povo, pergunta qual é, em sua opinião, a mais nobre das leis. Esses ataques, representando a atração das inimizades, constituem a melhor prova de quão intensamente era sentida a majestade de Cristo. Os cães só latem e mordem quando têm medo. Assim também essas questões, em realidade golpes de ódio, partem do medo. As forças das trevas tremem porque está nascendo o sol.

Jesus responde a cada uma das quatro questões. Mas não se contenta em aparar os golpes investidos contra ele: aceita o desafio e luta com as armas do espírito. Desenrola imagens potentes. Do mesmo modo que nos três anos passados falava aos discípulos em parábolas maravilhosamente poéticas, responde agora aos seus adversários em parábolas de combate. Conta a parábola dos  viticultores aos quais fora confiado o parreiral e que se recusam a entregar a safra, matam os mensageiros do dono das parreiras e, finalmente, até seu próprio filho. Os adversários sentem a potência combativa da parábola. Sentem que se refere a eles próprios. De fato, Jesus prediz aos seus inimigos, pela parábola, que eles o matarão. Ele não o faz para ganhar fama de profeta. Sua parábola é uma luta final pelas almas de seus adversários. Quiçá elas ainda desaparecerão. Quiçá ainda serão aterrorizados pela visão de si mesmos.

O Cristo lança aos seus adversários mais uma parábola: a parábola do casamento real. É inestimável a grandeza micaélica desta parábola combativa. Trata-se daqueles que seriam indicados como convidados. Todos falham. O convite é feito, então, a estranhos, a gente que, normalmente, nem seria levada em consideração. Os estudiosos oficiais de Deus revelaram-se como mentirosos e hipócritas, e a Divindade apela então para pessoas cuja aparência não revela estarem à procura de Deus. Isto se dirige diretamente contra os adversários, contra os eclesiásticos privilegiados pela tradição. Ao ser descrita, enfim, a imagem e o destino daquele que não estava usando roupa adequada para a festa, toda a humanidade pode ver-se em rigoroso espelho. Mas, mesmo dirigida, em última análise, contra todos, a parábola das bodas reais é, sem dúvida o mais potente golpe desferido no dia de Marte da Semana Santa.

O Cristo prossegue. Ele mesmo dirige agora uma questão àqueles que lhe pousam perguntas capciosas: “De quem é filho o Messias? “Respondem: É filho de Davi”. O Cristo tem que lhes mostrar, citando o 110º salmo que eles conhecem, no qual Davi designa o Messias como seu senhor. E pergunta: “Como pode ele chamar o Cristo de seu senhor quando se trata de seu filho?” O Cristo desmascara os que o cercam como estranhos ao espírito e sua devoção como desprovida de espiritualidade. Os homens só olham para o terreno. Para compreender o divino, a primeira condição seria ver que o Messias é filho de Deus e não dos homens. O Cristo mostra aos homens o que deveriam reconhecer nele; mas não o reconhecem.

E vem, então o quarto contragolpe pelas armas espirituais do Cristo: os nove “ai-de-vós” sobre os fariseus, desembocando na lamentação sobre Jerusalém, mundo destinado ao declínio. No início de sua atuação, Jesus, no círculo familiar de seus discípulos, pronunciou as nove bem-aventuranças do Sermão da Montanha, revelando as nove partes do Ideal Luminoso do homem-espírito. Agora, no final de sua via terrena, ele põe as nove sombras ao lado das nove luzes. Os “ai-de-vós” são o desmascaramento combativo da humanidade inimiga de Deus, assim como as bem-aventuranças foram a revelação das nove faces do relacionamento entre o homem e Deus. A lamentação sobre Jerusalém inverte a palavra do Sermão da Montanha sobre a “Cidade na Montanha” que, pela primeira vez, fez reluzir a imagem da Jerusalém celeste.

Eis um conteúdo bem pouco silencioso para a “Semana do Silêncio”. Os golpes de espada cintilam de um lado e de outro. Luta-se e briga-se. O poder marcial do Verbo se precipita da boca daquele que mais tarde não se lamentará ao carregar a cruz para o alto do Gólgota.

Ao declinar o dia, quando Jesus com seus discípulos, como todas as tardes, deixa a cidade e, do outro lado do vale de Kidron, galga o Morro de Getsemane através dos jardins onde tantas vezes ensinara na intimidade do círculo de seus discípulos, desta vez não dirige seus passos para Betfagé e Bethânia. No alto do Monte das Oliveiras, em meio a maravilhoso bosque da paz, convida os discípulos a se acomodarem. Ainda estremecendo da luta que travou durante o dia, começa a falar aos discípulos pela última vez ao ar livre. E as palavras destes ensinamentos não são certamente menos poderosas do que as palavras de combate espiritual contra os adversários. Os corajosos atos da alma realizados durante o dia conclamam o eco dos deuses. O Cristo é capaz, mais do que nunca, de oferecer revelações aos discípulos. O que lhes oferece nesta noite – costumamos chamá-lo de “Apocalipse do Monte das Oliveiras” – é uma intervenção nos grandes futuros dos destinos da humanidade. Rasga-se a cortina do futuro. Abrem-se grandes perspectivas apocalípticas.

É sempre assim na vida. Quando o dia registrou verdadeiros atos, a tarde e a noite convocam o eco celeste destes atos. Os resultados do dia não residem unicamente naquilo que foi diretamente criado; quando a atividade diurna bateu às portas do mundo espiritual, podem abrir-se, à noite, as portas de um outro mundo. E (deste mundo espiritual) flui o correspondente a genuína força interior  empregada durante o dia.

O presente torna-se transparente. Os discípulos passaram o dia com o Cristo contemplando o templo. Revelou-se que tudo isso está condenado a desaparecer. A destruição de Jerusalém e do templo é uma necessidade espiritual. Se não fosse executada, 40 anos depois, pelos romanos, teria que ser consumada de alguma outra maneira. Na visão que surgiu do declínio do templo transparece a visão de uma grande catástrofe. Todo um mundo submerge. O Cristo pinta, aos olhos dos discípulos, as cores de um ocaso do mundo. E se, durante o dia, se anunciava uma separação dos espíritos em inimigos de Cristo e em um pequeno grupo disposto a formar o apostolado, este fato também se torna transparente: todo o transcurso da História Universal nada mais será do que uma seleção dos espíritos. Alguns tendem pala o divino, os outros tendem contra ele. E por mais imponentes que sejam as realizações destes últimos na terra, tudo não passará de produtos de um medo oculto. E aquilo que, silenciosamente, germinará no grupo – talvez pequeno – daqueles que se unem ao divino portará em si o futuro do mundo.

Jesus continua o apocalipse vespertino que apresenta aos discípulos. Como lançara aos adversários parábolas combativas, assim dá aos discípulos as mais íntimas parábolas que lhes poderia dar: as duas parábolas de sua volta. No apocalipse já dissera que, sob o bramir do temporal universal, o Filho do Homem aparecerá sobre as nuvens do céu. Apontou para um futuro no qual, em meio ao barulho do fim do mundo, a nova revelação do Cristo terá que abrir caminho. Agora, ele mostra aos discípulos, nas parábolas das dez virgens e dos talentos (dinheiro) confiados, o que devem fazer os homens a fim de se preparar para a volta do Cristo. Um dia chegará o noivo da alma. Um dia voltará àquele que, ao partir, confiou aos seus servos o dinheiro; voltará para exigir as contas. Embaixo, no templo, os “ai-de-vós” ressoaram como antibem-aventuranças. Agora o dia desemboca em um elevado Sermão da Montanha. Com os últimos e mais íntimos ensinamentos, o Cristo fornece aos discípulos uma provisão de coragem para milhares de anos. As parábolas do retorno e, especialmente, a visão final da seleção dos espíritos em ovelhas e bodes, na qual finaliza todo o Apocalipse do Monte das Oliveiras, são uma provisão que manterá os discípulos através de muitas encarnações. A luz do apocalipse, que ilumina a noite que desce, é o dom solar conquistado de Marte.

As palavras pronunciadas pelo Cristo na terça-feira santa são, em conjunto, uma maravilhosa linha de orientação para toda luta entre as trevas e a luz, para toda luta pelo apostolado de Cristo contra os inimigos de Cristo. A palavra de Goethe, afirmando que toda a história mundial nada mais é do que uma luta constante da fé contra a descrença, já representa uma procura pela chave fornecida em detalhe pelo transcurso da terça-feira santa. Toda oposição contra o Cristo e toda inimizade contra o espírito tem suas raízes na incredulidade, em uma falta de força, em um medo profundamente oculto na alma humana. O apostolado de Cristo se afirma e mantém através da fé germinando força-coragem interior. A campanha cuja estratégia pode ser deduzida do conteúdo da terça-feira santa não é, entretanto, em primeiro lugar, uma campanha de guerra entre dois mundos humanos. É uma luta que deve ser travada interiormente. Em toda alma humana misturam-se o medo e a coragem, o oponente e o discípulo do Cristo.

As parábolas combativas dirigidas aos oponentes expõem sempre o medo como raiz da inimizade contra o espírito. O egoísmo dos viticultores que não queriam entregar o produto da safra é, como todo egoísmo, um produto da fraqueza e do medo interior. Nasce no homem o primeiro germe de coragem quando ele aprende a tudo abandonar e tudo sacrificar porque se compenetra do sentimento de que tudo o que possui e pode possuir pertence à Divindade.

Os “ai-de-vós” são de modo especial, o desmascaramento da descrença. Iniciam-se pelas palavras que, de imediato, arrancam a máscara não só à renegação do espírito, mas também a qualquer tipo de tutela sobre as almas humanas: “Ai-de-vós”, escribas e fariseus! “Desviastes as chaves das portas do céu, onde não podeis entrar e, portanto, não quereis que entrem os que se esforçam para entrar!”

A maior coragem é a exigida pelo trabalho na própria alma. “A luta contra si mesmo é a mais difícil das lutas. Vencer-se a si mesmo e a mais bela vitoria”. Na luta travada no interior de nossa própria alma, conquistamos os mais maduros dons das forças marcianas. Já na parábola combativa das bodas reais reluz na imagem do traje matrimonial, o ideal da autotransformação meditativa. A alma que adquire luminosidade através da purificação e da oração é o traje matrimonial.

Mais ainda, as parábolas das dez virgens e do dinheiro confiado são uma provisão para o trabalho interior. O óleo nas lâmpadas é uma imagem das forças que devem ser adquiridas pela alma; o dinheiro confiado simboliza os órgãos espirituais desenvolvidos no ser humano.

A resposta dada pelo Cristo à questão dos impostos revela como se impõe a genuína coragem adquirida através do esforço interior. Quem se esforça de maneira salutar pelo espírito, não se distancia na terra, mas sabe manter o equilíbrio  entre deveres terrenos e ideais espirituais e, justamente assim,  adquire a soberania solar sobre tudo o que é terreno. É capaz de dizer, mesmo se, como era o caso naqueles dias, o trono está ocupado por uma fera: “Dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.

Na grande visão final da seleção dos espíritos revela-se, finalmente, o segredo da coragem interior. “O que fizestes a qualquer um de vossos mínimos irmãos, a mim o fizestes”. O fato de um homem estar trilhando corretamente o caminho de sua alma e de seu espírito revela-se em sua capacidade de amar. Amor é o verdadeiro antônimo do medo. Todo verdadeiro esforço ou tendência em direção ao espírito começa pela coragem interior e desemboca no amor. O verdadeiro amor pelos homens é idêntico ao amor pelo próprio Cristo. Os poderes marciais do dia são, embora caia a noite, totalmente irradiados pelo do Cristo quando  todas as palavras de luta espiritual culminam a palavra amor.

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Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa: Segunda-feira Santa

Os Acontecimentos da Semana Santa

Segunda-feira Santa - Dia da Lua

Emil Bock

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“A antiga clarividência ligada ao corpo era um dom da Lua, uma intervenção de forças lunares na natureza humana. Era relativo à noite, porque estava á disposição dos homens em estados inconscientes.”

Emil Bock

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Segunda-feira Santa - Dia da Lua

No caminho que Jesus e seus discípulos fizeram todas as manhãs e todas as tardes da Semana Santa, da cidade para Bethânia à tarde ou vice-versa de manhã, existe um local tranqüilo que ainda hoje está envolto no denso ambiente de um mistério. Partindo de Jerusalém, atravessamos o cume do Monte das Oliveiras e, lentamente, descemos pela outra encosta, onde vemos brilhar, em meio ao deserto da Judéia, o espelho mágico do Mar Morto; a meio caminho entre o Monte das Oliveiras e Bethânia encontramos um local cercado por altos muros. Ciprestes negros despontam por trás dos muros e parecem graves e solenes sinais apontando para o céu. Havia aí, no tempo de Jesus, uma pequena vila: “Betfagé” (a casa dos figos). Não devemos imaginar uma aldeia como outras aldeias. O grupo de pessoas que para lá transferira sua vida comunitária era unido por um esforço psico-espiritual especial.

As modestas cabanas eram cercadas por um pomar de figueiras. Mas essas figueiras não eram apenas plantas frutíferas; eram, para aqueles habitantes, árvores sagradas, sinais visíveis de seus esforços espirituais. Tratava-se de pessoas que, em seu círculo, procuravam conservar o mistério (segredo) espiritual da antiga Humanidade, mistério que surge, uma vez, também no Novo Testamento, na história de Nathanael. Os moradores de Betfagé praticavam o “sentar-se sob a figueira”, o estado vidente atingido através de exercícios, em parte físicos, em parte meditativos.

Betfagé, a casa dos figos, era um sítio onde se praticava a antiga clarividência. Foi de lá que Jesus, na manhã do domingo de Ramos, mandou Pedro e João trazerem o jumento e o burrinho. Lá existiam árvores sagradas e, do mesmo modo, animais sagrados. Os jumentos ali mantidos não eram animais de carga. Também eles expressavam um mistério naquele círculo de pessoas. Na corrente do Velho Testamento estava bem viva a memória daquele mago que fora mandado certa vez da Babilônia a fim de conjurar o impedimento de entrada do povo de Israel à Terra Prometida.

Bileam era descrito montado numa jumenta. Sabia-sé, no entanto, que montar em jumenta não era apenas um modo de locomoção. Expressava um bem definido estado de alma, a saber, aquele enlevo sonâmbulo sob o qual o mago babilônico começava a falar, não em estado de consciência humana, mas como que espiritualmente possesso: entretanto, sem que ele soubesse como, a imprecação mágica que ele queria lançar contra Israel transformou-se em bênção. Os animais sagrados de Betfagé revelam que a visão ali praticada era de natureza inconsciente e ligada à corporeidade física: aliás, até nos contos de fada mais recentes, o jumento é o símbolo do corpo físico humano.

O filhote de jumento, no qual o Cristo montou para entrar na Cidade Santa no domingo de Ramos, pertence à esfera de imagens de Betfagé. Mas, quando ele teve a audácia de entrar na cidade montado no branco animal sagrado, não foi ele quem mergulhou no estado bileâmico de “montar uma jumenta” quem caiu em alienação extática, ao vê-lo, foi à massa popular. Foi como se um linguajar bileamítico se apoderasse do povo quando este chamava “hosana” àquele que chegava no dorso do jumento.

À noite, Jesus, como também faria nas noites seguintes, fora com seus discípulos para Bethânia para repousar. Durante a noite, o eco do êxtase popular, gritando “hosana”, ergueu-se em sua alma. Ele e seus discípulos não são mais os mesmos como no dia anterior, ao voltarem do dia seguinte a Jerusalém. Novamente passam por Betfagé. Na fisionomia de Cristo lê-se algo de extremamente grave, inexorável. Acontece, então, o fato misterioso: ele se aproxima das figueiras de Betfagé. Os discípulos se admiram, pensando que ele quer comer figos quando não é época destas Frutas. E ouvem-no pronunciar a estranha e severa sentença: “Ninguém mais comerá destes figos, para todo o sempre”. Talvez naquele momento apenas supuseram que era subtendido algo de mais importante do que uma simples afirmação sobre a árvore  e sua fertilidade. Mas não tiveram sua visão desvendada.

Os discípulos passam, então, um dia em Jerusalém com o Cristo, este dia que desenvolve dramaticamente toda a grave severidade. Ao atravessar a soleira do templo, irrompe o caos. Espalha-se o pânico, derrubam as mesas, o dinheiro rola no chão. Dá-se a inversão do êxtase jubiloso da véspera. O terror se apodera de todos os que estão na zona do templo.

Após pernoitarem novamente em Bethânia e, passando de manhãzinha outra vez por Betfigé, os discípulos subitamente têm a visão da árvore seca e pedem que Jesus lhes explique o mistério. Não aconteceu nenhum milagre grosseiro no qual Jesus teria, com suas palavras iradas, privado de vida uma criatura da terra. Como poderia ele ter destruído uma arvore pertencente àqueles que lhe haviam oferecido a jumenta e o filhote! O que aconteceu foi um ato espiritual que significa um importante entroncamento no drama do mistério da Semana Santa, nesse dia aparentemente de pouca importância.
No domingo de Ramos, embora a ressurreição do Lázaro desse o sinal para a luta decisiva, todo o ser do Cristo estava em atitude de dar, de oferecer.

Foi uma impressão positiva de seu ser que tocou as almas do povo. Devemos lembrar-nos também no simples significado humano do momento. Jesus foi ao Templo para orar e sacrificar como os outros fiéis, preparando a festa da Páscoa. Mas a previsão de importantes decisões apoderou-se de todo o seu ser. Impossível continuar inofensivo. A aura volitiva de seu sei, lançando faíscas de luz, contribuiu para induzir o povo na visão extática de sua grandeza solar. O Cristo perscruta a superficialidade e inconstância deste entusiasmo apenas natural, mas ainda não tem um pretexto para realizar sua defesa e seu contra-ataque. O povo tem razão. Não clamariam “hosana” se não tivessem percebido algo de seu verdadeiro ser. Ele não pode dizer que estão errados, como se confirmará no dia seguinte ao repetir-se a cena na zona do templo. Desta vez é um grupo de crianças que grita “hosana” porque um raio de seu verdadeiro ser penetra em suas almas. Os adversários perguntaram, astutos: “Que dizer quanto ao fato de crianças te aclamarem com “hosana”? Ele retruca: “Jamais lestes nas Escrituras, o trecho: da boca dos inocentes preparei-lhe louvores”?

Mas agora ele passou a noite em Bethânia. Tornou certa distância da vibração do domingo de Ramos. Aproxima-se das figueiras de Betfagé. Quer mostrar aos discípulos o quanto vale o “hosana” da véspera. Fora apenas o último fruto da árvore da antiga clarividência. Um resíduo da antiga força visionária ligada à natureza e ao corpo. Através das palavras que ele fala à figueira, ele renega todo o mundo das velhas visões extáticas. Sentimos algo de uma grande decisão para a humanidade. Jesus desvaloriza o “hosana” do povo e, ele mesmo, induz a transição para o “crucificai-o”! Ele possui a incrível coragem de aceitar e, pessoalmente aduzir a cegueira espiritual pela qual os homens deverão, fanaticamente, exigir sua morte. Para ele é mais importante que a humanidade trilhe os seus caminhos da consciência que, embora trágicos, a levarão à liberdade; embora sabendo que esta necessária cegueira espiritual levará os homens a crucificá-lo.

Quando os discípulos, na terça-feira de manhã, revêem as figueiras de Betfagé, os acontecimentos da segunda-feira só afastaram o sonho dos seus olhos. Perderam uma ilusão. Experimentam uma salutar sobriedade. Onde ainda há pouco viam um alto valor, vêem agora a imagem da árvore seca. A antiga clarividência ligada ao corpo era um dom da Lua, uma intervenção de forças lunares na natureza humana. Era relativo à noite, porque estava á disposição dos homens em estados inconscientes. Agora os discípulos percebem que as forças resumidas na imagem da figueira estão velhas, ultrapassadas.

O que Jesus lhes ensina agora é um prelúdio daquilo que lhes dará na misteriosa noite da mesma terça-feira no alto do Monte das Oliveiras. Revela-lhes que a humanidade alcançará algum dia uma nova vidência. A “fé” é o germe da nova visão. Jesus diz aos discípulos: “Se tiverdes um grãozinho de fé, sereis capazes de tudo. Bastará que digais a esta montanha- afasta-se, e ela se afastará. A visão se liberta; a montanha do mundo sensorial, que vos oculta a visão desaparecerá. Através dos rochedos da existência terrena, percebereis a verdadeira essência de origem divina das coisas”. A visão antiga era de natureza lunar, a nova será solar. A força solar da fé fará abrir-se no coração humano o olho da nova visão, como diz o trecho das bem-aventuranças: “Bem-aventurados os puros de coração, pois eles verão Deus”. Entre a visão inútil e a nova visão do coração que se torna solar, situa-se o período das trevas, da cegueira diante do espírito. E a partir desta cegueira espiritual, os homens crucificarão o Cristo.

Na segunda-feira santa o Cristo se defende de uma tentação. Se ele atasse sua atividade aos antigos estados de alienação clarividente, ele poderia ser reconhecido pelos homens. Não o aclamariam apenas com “hosana”, mas o escolheriam como rei. Revela-se agora, definitivamente, que o Cristo não quer atar-se ás velhas forças. Trata-se para ele única e exclusivamente de fazer com que a humanidade encontre o caminho da consciência e da liberdade. No começo dos três anos, ele enfrentara a tentação de transformar morte em vida. Agora, no final de sua caminhada, na defesa contra a tentação até mesmo executa isto, de transformar vida em morte. Não é uma maldição, por carência de amor que ele executa nas figueiras daqueles que lhe oferecem a jumenta e o filhote. Não! O efeito parte da sua essência. Ele é o sol. E, quando nasce o sol, a lua empalidece. Assim empalidecem as forças lunares da antiga vidência. Revela-se que elas não têm futuro quando nasceu o sol da nova luz da alma.

O Cristo chega  à praça do templo, o antiqüíssimo e sagrado morro da Lua na mais velha cidade da humanidade. Já se inicia ai o grande movimento da Páscoa. Já aparecem muitas centenas de peregrinos. Ao redor do templo praticam-se compras, vendas, pechinchas e negócios. E, no próprio recinto do templo, reina uma atividade febril, pois o conteúdo das cerimônias pascais será o oferecimento de animais e o sacrifício da ovelha pascal. Isto permite fazer negócios porque tudo o que será sacrificado tem que ser primeiro comprado. E, por isso, formou-se uma quermesse no lugar onde deveria reinar o mais sagrado ambiente cultural. O velho Hannas, o mais notório “pão duro” da História, sabe fazer negócios. Já extraiu enorme fortuna do mercado do templo. Como presidente do conselho de altos sacerdotes saduceus, Hannas é também a força motriz dos compromissos políticos nos quais se baseiam os negócios ligados ao templo. Para comprar, os peregrinos devem cambiar o dinheiro que trouxeram de todos os países, em moeda oficial, nacional. Ora, esta moeda é de César. E, portanto, o local de vendas é, ao mesmo tempo, uma bolsa de valores romana. Admitiam-se os funcionários e alfandegários romanos, embora se soubesse que eram fiéis ao culto dos césares. Permitia-se-lhes o acesso, temendo que, caso contrário, os romanos pudessem roubar o Santíssimo do templo. E, assim estabelecera-se uma extrema materialização e profanação daquilo que fora uma vida puramente cultural. Na  imagem da figueira seca, os discípulos viram a decadência da antiga consciência religiosa. Na imagem do mercado que se expandia na zona do templo revelava-se a decadência do culto religioso.

É neste local que penetra o Cristo. Vem para cumprir os ritos da festa. Mas o fogo, as faíscas de sua seriedade produzem efeito. Ele nem precisa falar muito: os homens são logo tomados de pânico. A pessoa de Cristo lhes revela, de modo terrificante, a decadência em que caíram. No começo dos três anos, na primeira festa pascal, sucedera algo semelhante. O efeito de grande terror partira então do caráter divino do Cristo, não obstante a grande reserva que Jesus ainda se impunha. Mas, agora, a divindade, nele, se transpôs inteiramente em caráter humano. Transformou-se em flamejante intensividade volitiva. Ele tem direito a arrancar a máscara do mundo degenerado do templo e a desencadear a tempestade. Sua atitude chega a ser em si mesma uma defesa contra a tentação, a saber, a tentação de permanecer atado ao antigo estado das coisas. Torna-se agora bem claro: o que poderá dar à humanidade em futuro espiritual só pode ser algo de radicalmente novo. No campo da consciência humana a Vidência lunar tem que morrer, mesmo que isto acarrete uma penosa caminhada pelo deserto. O futuro só poderá florescer pela fé, pela vidência solar do coração. Também na esfera do culto, o antigo tem que ser despedido sem escrúpulos. Nada pode mais ser ligado ao antigo, por mais venerável que este tenha sido. Algo novo tem que entrar na vida. É o sol do Cristo que apaga no morro lunar Morija a luz da lua. O sol rechaça os fantasmas noturnos. A zona do templo, grandiosamente situado com vista para o mundo é silenciosamente substituída no morro Sion, na modesta sala da Santa Ceia, pelo germe de um novo fluxo cultural, solar. A religião da Lua é substituída quando na quinta-feira santa, o Cristo oferece pão e vinho aos discípulos no morro solar de Sion.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa – Domingo de Ramos

Os Acontecimentos da Semana Santa

Domingo de Ramos – Dia do antigo Sol

Emil Bock

Domingo de Ramos

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“Atravessa em silêncio, sério, o povo que vibra em êxtase. Percebe nesta recepção a sua superficialidade. Visa camadas mais profundas. Quer algo muito diferente.”

Emil Bock

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Domingo de Ramos – Dia do antigo Sol

No primeiro dia da Semana Santa, o Cristo entra na Cidade Santa. Apresenta-se-nos uma imagem irrelevante. Vemo-lo atravessar as portas da cidade montado em um burro, seguido por seus fiéis. Mas, como se fora o próprio Deus da primavera, sua entrada provoca repentinamente um êxtase na alma da multidão. É como se algo do antigo êxtase solar das festas pagãs, da primavera se apoderasse dos homens: acende-se uma faísca. Ao cortar ramos de palmeira, o povo renova um hábito muito antigo, volta-se, às festividades em honra ao sol no início da primavera, comuns entre os povos pré-cristãos.

Pois a palmeira sempre foi considerada a árvore e o símbolo do sol, do sol natural que no céu primaveril desenvolve uma força tão nova. O povo enfeita o caminho com símbolos solares. Será ele talvez realmente o alto amigo e senhor do sol, anunciado aos homens como o grande rei da luz? Deverá ser quebrado o encanto do significado espiritual original da cidade de Jerusalém, que abrigava, na montanha de Sion, um dos mais antigos templos do Sol, antes que o templo de Salomão, na montanha da Lua, superasse tudo em importância? Ressurgirá a época de Melquisedeque, o grande iniciado do rito solar? Parece mesmo que o Cristo encontrará agora o acesso à Humanidade. O alto espírito solar já habita há três anos um corpo humano, já atravessou destinos humanos, terrenos. Manteve-se afastado, em silêncio. Se aparecia uma vez ou outra, encontrava incompreensão e inimizade por parte dos homens. Será diferente, agora? Será que o destino levara agora diretamente a uma grande salvação, em meio a jubiloso êxtase?

Não, estamos no inicio da mais séria semana da História da Humanidade. Os mesmos homens que espalham ramos de palmeira e irrompem extasiados em gritos de hosana, gritarão fanaticamente,alguns dias mais tarde, cheios de ódio: “Crucificai-o!”. Ao símbolo da vida, ramo de palmeira, virá se juntar o símbolo da morte, a cruz do Gólgota.

O próprio Cristo contribuiu para essa reviravolta.  Atravessa em silêncio, sério, o povo que vibra em êxtase. Percebe nesta recepção a sua superficialidade. Visa camadas mais profundas. Quer algo muito diferente.

Em termos humanos poder-se-ia perguntar, por que Jesus não ficou na Galiléia, sua terra, naquela época do ano em que justamente ao redor do Lago Genezaré eclodem os milagres de cor primaveris? Tivesse ficado na Galiléia não teria morrido. Mas podemos igualmente perguntar por que o Cristo, sendo Deus, não ficou nos mundos espirituais, nas esferas celestes? Não ficou nas bem-aventuradas alturas divinas. Deixou o céu e se fez homem. Realizou todo o sentido do seu ser através deste sacrifício, desta renúncia. Ao entrar em Jerusalém, sabendo exatamente que estava atirando a luva àqueles que tinham poder sobre ele, completava-se sua entrada no mundo terreno. No início da grave semana repete-se, ainda uma vez, em outro nível, aquilo que três anos antes significou o começo de sua vida terrena. Do mesmo modo que abandonara o céu, abandona agora a natureza paradisíaca da Galiléia.

Quando ele desceu do céu a terra, os homens nada perceberam. João Batista, que prestou o auxílio sacerdotal àquela encarnação na existência terrena, apenas supunha o que estava acontecendo quando Jesus de Nazaré tornou-se portador e continente do Cristo. Mas, através do Homem, o fato foi percebido. Ressoou a palavra: “Este é meu filho amado”. Agora, no domingo de Ramos, nessa hora misteriosa, festivamente excitada, os homens o perceberam. À palavra que naquela ocasião ressoara apenas das alturas espirituais corresponde agora o “hosana” dos homens extasiados. Subitamente, os homens percebem, como em uma renovação instantânea da antiga clarividência, que não é apenas homem aquele que vem montado no burrinho. É como se a alma do povo se precipitasse para perceber o brilho irradiante, a aura solar que emana de Jesus de Nazaré. O ser divino do Cristo teve que se reter durante três anos, pois, se não fizesse, teria violentado os homens com sua força divina. Agora, no entanto, o fruto desta reserva é que o divino que se sacrificara, que se rebaixara entrando no humano, transforma-se em poderosa decisão volitiva. Primeiro, o divino ofuscava, escondia o humano na figura do Cristo. Agora, o humano arde em fogo divino. E é deste fogo de volição que parte a faísca que acende o entusiasmo da massa popular. A embriaguez de uma premonição primaveril se apodera do povo, mas este só sabe interpretar o fato politicamente.

O Cristo sabe melhor. Sabe que está trazendo algo à Cidade Santa, quintessência de toda a evolução pré-cristã da Humanidade: está introduzindo algo de totalmente diferente de tudo, até das maiores maravilhas que a Natureza terrena pode produzir. E uma semente de fogo que virá transformar o mundo pela base. A superfície bem pode estar agora concordando, excitada. Mas isto nada significa. Poucos dias depois veremos que a superfície pode imprecar tão bem quanto abençoar. Trata-se apenas de ondulações superficiais. A Natureza da terra em que penetrou o Cristo pelo batismo no Jordão só pode lhe dar, enfim, a morte. A cidade que grita “hosana” só pode finalmente crucificá-lo.

Salta a faísca, acende-se o fogo, mas o Cristo atravessa as ondas de entusiasmo sem alterar-se. Quer penetrar na camada mais profunda. Quantas maravilhas não nos doa o sol natural quando nasce de manhã e pare o dia! Mas o sol exterior, o sol antigo, relacionado apenas ao homem – ser natural, se põe todas as tardes. Após o solstício de verão, ele se afasta da terra, vem o outono e o inverno. O sol natural vem, mas vai, como a vida natural que sempre nasce e sempre morre. Às alegrias da infância segue-se sempre a dor da morte. Cada qual terá que morrer algum dia, por mais cheio de vida que tenha sido quando criança e quando jovem. O domingo de Ramos é o dia do velho sol. O domingo da Páscoa será o dia do novo sol. Este não é o sol natural, é o sol espiritual. Não se põe. É permanente. Pode até mesmo ser mais facilmente encontrado nas trevas de um destino grave, na miséria, na doença e na morte, do que no arrebatamento da alegria, da infantilidade despreocupada. O Cristo entra na velha Jerusalém. É domingo de Ramos. Mas ele traz para o mundo em ocaso, moribundo, a nova Jerusalém. Não acompanha a trilha primaveril do sol exterior. Por quê? Para acender, no mais íntimo da terra e da humanidade, o novo sol, o sol perene, fiel e onipotente. É este o caminho que vai do domingo de Ramos ao domingo da Páscoa, do velho ao novo sol.

Na história da entrada em Jerusalém reconhecemos o caráter falacioso de todos os estados extáticos. Todo entusiasmo apenas extático surge quando o homem obedece apenas à Natureza. É bom, sem dúvida, que sejamos capazes de vivenciar alegria e entusiasmo diante das imagens da primavera, no convívio com crianças, no encontro dos milagres da juventude e do amor. Certamente não gostaríamos de dispensar esse entusiasmo natural. Mas devemos saber e reconhecer que é perigoso confundi-lo com a própria vida. O entusiasmo apenas natural se origina, em realidade, do homem apenas corpóreo. Só em momentos ocasionais se ergue à altura do espírito. O verdadeiro entusiasmo, que persiste no “hosana” e não se transforma em “crucificai-o”, não se forma de baixo para cima, mas de cima para baixo, nasce quando o espiritual se enraíza no ser humano, quando a faísca divina se realiza e se encarna na terra.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Os Acontecimentos da Semana Santa – Introdução

Os Acontecimentos da Semana Santa

Introdução

Emil Bock

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“Os sete dias que precedem a Páscoa podem ser comparados às doze noites santas do período natalino. Os sete dias da Paixão dotam aqueles que participam, em atividade interior, do Mistério da Paixão, de novas forças para todo o seu destino.”

Emil Bock

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Os Acontecimentos da Semana Santa – Introdução

A semana que precede a Páscoa é um período significativo que se destaca não apenas no ano Cristão, mas também no transcurso anual da própria Natureza. No ano cristão ela encerra toda a plenitude do drama da Paixão,  a grande parte final do Evangelho. Em diversas regiões ela é designada como “Semana do Silêncio” ou também como “Semana Magna”, revelando-se assim que só pode contar  com a realização da festa da Ressurreição quem é capaz de vivenciar  toda a grandeza da Semana Santa.

O significado da semana que precede a Páscoa no transcurso natural do ano reside na lua cheia da primavera. Rompe-se definitivamente o encanto do inverno a nova vida da Terra progride aos saltos, com um poderoso ímpeto seivas e forças começam a geminar e brotar no reino vegetal. Na luta entre o dia e a noite, o dia alcança a supremacia vitoriosa que se consolidará em triunfo da luz no primeiro domingo após a lua cheia da primavera.

O conteúdo evangélico da Semana Santa não coincide de antemão com a natureza primaveril. Pelo contrário, opõe-se-lhe em contraste agudo.

Somente no final, ao nascer o sol da Páscoa, ele desemboca em júbilo estivo que coincide com o rejubilar do milagre da primavera. O drama sério da Semana Santa é, no entanto a preparação dessa consonância. A primavera da natureza irrompe por si mesma. A primavera interior da festa da Ressurreição deve ser conquistada através da peregrinação ao longo das estações da Semana da Paixão.

Os sete dias que precedem a Páscoa podem ser comparados às doze noites santas do período natalino. O período “entre dois anos” é, para os que devotamente se entregam à trama do pleno inverno, a preparação adequada para os doze meses do ano novo. Os sete dias da Paixão dotam aqueles que participam, em atividade interior, do Mistério da Paixão, de novas forças para todo o seu destino.

Os acontecimentos que se passaram a 2000 anos na Semana Santa entre o domingo de Ramos e o domingo da Ressurreição foram revelações arquetípicas do destino que, a cada ano, conferem aos sete dias de cada semana um novo e mais elevado sentido e um cunho luminoso que plasma as almas.

Os dias da semana sempre contiveram as diversas cores e os sons das sete esferas planetárias, conforme revelam seus nomes nas línguas européias: Sol(domingo = Sonntag); Lua ( segunda-feira = Montag); Marte (terça-feira =  Mardi em francês); Mercúrio (quarta-feira = Mercredi); Júpiter (quinta-feira =  Jeudi); Vênus (sexta-feira = Vendred); Saturno (Sábado = Saturday). Naquela semana pré-pascal, entretanto, cada dia da semana recebeu, além da diferenciação cósmica, o cunho do pensamento planetário cristão.

Os dias da Semana Santa ainda não têm seu conteúdo plenamente realizado na sensibilidade cristã: o único a se impor foi a sexta-feira santa, com a concepção da cruz no alto do Gólgota: para uma parte da cristandade, esta imagem se estendeu a todas as sextas-leiras, transformadas em dias de jejum. Além da sexta-feira, somente o domingo de Ramos relacionou-se a uma imagem poderosa nas regiões onde é hábito o enfeite com ramos de palmeira: a imagem da Entrada em Jerusalém. Em realidade, porém, cada um dos sete dias revela um novo mistério cósmico sob uma forma humana e histórica.

Quando o Cristo entrou em Jerusalém no domingo de Ramos, o antigo Sol ainda reinava no céu, mas recebeu sua despedida a fim de que pudesse nascer, no domingo seguinte, o novo sol da Páscoa. Quando, na segunda-feira, o Cristo condenou a figueira e limpou o templo na Cidade Santa, o sol de Cristo se opôs ao princípio lunar, às forças lunares do Velho Mundo, necessitadas de uma renovação.

Quando o Cristo, na terça-feira, teve que discutir com os adversários que chegavam em grupos para induzi-lo a trair-se; quando ele teve que lutar com a arma do Verbo espiritual; e quando, finalmente, no ressoar vespertino dessas lutas, ele se retirou com seus discípulos para o Monte das Oliveiras e lhes abriu a visão profético-apocalíptica do futuro, o espírito de Marte também recebeu, por sua vez, o cunho do Cristo. Na quarta-feira, durante a Unção de Bethânia e a traição de Judas, Mercúrio encontrou-se com o sol do Cristo. E, na quinta-feira quando o Cristo lavou os pés dos discípulos e lhes ofereceu a Santa Ceia, uma auguriosa luz de Júpiter iluminou a aflição e a tristeza das almas.

Na sexta-feira santa ocorreu a mais milagrosa elevação de tudo o que pudera significar para o homem a idéia da deusa do amor; Vênus ou Afrodite: deu-se um ato de amor, maior do que qualquer ato de amor possível. O Sacrifício por amor em Gólgota foi a transformação do princípio de Vênus pelo princípio solar do Cristo. Quando o Cristo repousava no sepulcro, o sol do Cristo encontrou-se com o espírito de Saturno  no universo, até que, finalmente, no domingo, a própria oitava do sol nasceu no firmamento, o sol do Cristo, que vencera todas essas etapas de luta.

O drama do mistério da Semana Santa é uma unidade grandiosamente completa em si. Acompanha-se de um mistério de composição que se nos desvenda à medida que desenvolvemos o sentido em relação ao valor das etapas na vida de Jesus. O que aconteceu nos sete dias pré-pascais é uma condensação de toda a vida do Cristo. As mesmas leis originais e as mesmas etapas reveladas na sagrada biografia dos três anos ressurgem dramaticamente resumidas diante de nossa visão. A partir da semana da Paixão podemos reconhecer nos três anos da vida do Cristo toda uma grande Paixão. A Entrada em Jerusalém é uma oitava do Batismo no Jordão. Completa-se a entrada do Cristo em nossa existência terrena. Recebe seu cunho definitivo o mistério da Encarnação que se iniciara três anos antes.

Os acontecimentos da segunda-feira, a maldição da figueira e a purificação do templo correspondem à tentação do Cristo descrita pelos três primeiros evangelhos. O Cristo se defronta aí mais uma vez com as velhas forças lunares do mundo. Não lhe servem, ele as afasta e vence a tentação de usá-las. Não lhe importam os sucessos externos, importa-lhe completar sua missão. A limpeza do templo relatada no Evangelho de João pertence, como vimos, aos ecos da vivência da Tentação e, portanto, se situa no quadro das grandes correspondências da outra limpeza do templo relatada nos primeiros três evangelhos. E quando, na terça-feira, as réplicas na discussão com os adversários reluzem como golpes de espada e quando, à noite, os relâmpagos apocalíptico atravessam a conversa com os discípulos, repete-se, em um nível mais elevado, o que ocorreu quando Jesus teve que se separar de sua terra natal e de seus parentes de sangue em Nazaré, a fim de se dedicar ao parentesco espiritual, ao círculo de seus discípulos. O Apocalipse do Monte das Oliveiras corresponde ao Sermão na Montanha, no qual foi firmada a dedicação decidida à família espiritual. Aos acontecimentos da quarta-feira, unção em Bethânia e traição do Judas, corresponde, na grande vida do Cristo, a tragédia de João Batista. É a mesma crise, a mesma conjunção. O Lava-Pés e a Santa Ceia são a oitava, a última repetição decisiva, do mistério que já reluzira na alimentação dos cinco mil e na perambulação à beira do mar.

O que acontece na sexta-feira nada mais é do que a acentuação final e a realização total da Transfiguração da Montanha. O Sepultamento no Sábado de Aleluia leva mais adiante, no âmbito das decisões cósmicas, aquilo que estava encerrado na decidida partida para a Judéia, na partida para o campo de batalha da decisão. Na manhã de domingo da Páscoa confundem-se os dois círculos, o grande dos três anos e o pequeno dos sete dias. A Semana Santa como um todo corresponde, na vida do Cristo, à irrupção do sol que, dentro da Semana Santa, só ocorre na manhã do domingo da Ressurreição.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

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Depressão: doença da vontade

Depressão: doença da vontade

Dra. Daniela Pettinato

Fonte: Página Social do Facebook da Dra. Daniela Pettinato

depressão

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“Eu trago serenidade em mim,
Em mim mesmo eu trago
As forças que me fortalecem.”

Rudolf Steiner

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A depressão é uma doença da vontade. Assim a pessoa deprimida perde o desejo, a vontade. Esse indivíduo pensa muito obsessivamente, ele não consegue se desligar dos problemas. Ao mesmo tempo, ele fica muito angustiado e ansioso, com os sentimentos à flor da pele.

A vontade está ligada ao futuro; e o depressivo não consegue ver o futuro, ele tem dificuldade em achar uma saída para o problema ( a saída está no futuro ). O depressivo, então, acaba vivendo no passado porque a vontade, o querer de ir para o mundo e agir está fraca, está doente. A vontade é a base da esperança; essa pessoa perde a esperança.

Geralmente o depressivo não tem medo da morte ( futuro ), mas sim medo da vida ( passado e presente). Mas como uma pessoa chega a esse ponto? Hoje em dia as pessoas adquiriram um pensamento muito defensivo, ou seja, elas pensam ” Se eu doar ao mundo o que eu sou hoje, tomam meu lugar.” A pessoa acaba se voltando para dentro de si mesma cultivando um certo egoismo, ou melhor, um grande medo. Com o passar dos anos, a pessoa começa e sentir extrema necessidade de devolver sua experiencia de vida para o mundo em prol de um ideal maior; e a incapacidade de realizar este desejo da Alma apavora o indivíduo e aí começa a surgir um sofrimento profundo, porque a pessoa se desconectou deste momento de devolver, que é tão importante e gratificante na biografia do ser humano.

O depressivo geralmente se torna compulsivo, e geralmente a compulsão é por comer, e aí ele literalmente acaba com o fígado. O fígado é um orgão extremamente importante pois ele é um dos orgãos que produzem endorfinas (substâncias que dão um bem estar, uma alegria, uma plenitude, uma energia deliciosa ). O fígado, também é o orgão de Júpiter ( a força do poder e da sabedoria ); a capacidade de levar uma decisão em frente vem de Júpiter.

O depressivo se torna um ser exausto que precisa de energia, assim ele acaba procurando alimentos que forneçam energia imediata, como o chocolate; ( na crise ninguém vai cair de boca num maço de acelga, mas vai detonar uma bela caixa de bombons!!! ). O chocolate, o álcool, os junk foods, têm um efeito euforizante imediato, mas depois vem a ressaca, a depressão porque estas substâncias são hepatotóxicas. Hepatotóxico é tudo aquilo que adoece o fígado; e fígado fraco é sinônimo de vontade fraca. Hoje em dia, com esta avalanche de porcarias que comemos estamos desenvolvendo uma epidemia de hepatopatia crônica, ou seja uma falta de vontade, falta de entusiasmo, falta de satisfação, … falta de endorfinas no nosso metabolismo!!!!

Essa é a base da depressão; hoje estamos na cultura da ingratidão, da insatisfação, do desespero.

Vamos mudar!!! Podemos mudar!!

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Madre Teresa de Calcuta

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Flutuando em minha mente

Flutuando em minha mente – Floating in my mind

Hélène Leroux

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“A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida.”

Vinicius de Moraes

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Madre Teresa de Calcuta

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O Salvamento da Alma – 2º dia

Lançamento de Tradução gratuita para download:

O Salvamento da Alma – 2º dia

As três correntes espirituais

Bernard Lievegoed

Tradução: Gerard Bannwart

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“De um lado, há o discernimento interior da antroposofia, do outro lado,
o atuar concreto dos rosacrucianos. Então eu ponderei: deve haver
também um meio, uma corrente que introduza o equilíbrio nessa
polaridade. Essa terceira, eu pensei, deve ser uma corrente que se
ocupa com a alma, ou melhor: com salvar a alma…”

Bernard Lievegoed

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2º dia

O Salvamento da Alma

As três correntes espirituais

Caso tenha cadastro na Biblioteca – acesse o texto, clique aqui…

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Madre Teresa de Calcuta

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Crianças na cama dos pais: será que tudo bem?

Crianças na cama dos pais: será que tudo bem?

Fonte: Revista Crescer

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“Faz-se necessário possuir um mínimo de privacidade. O silêncio de cada pessoa deve ser cultivado…”

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Apesar de ser uma delícia, esse hábito pode acabar com a privacidade do casal e tornar os filhos dependentes. Entenda:

Além de ser uma delícia dividir a cama com as crianças depois de um dia de trabalho, confesse, é bem mais cômodo. Você não precisa levantar para saber se está tudo bem com ele, porque basta abrir os olhos e ele já está ali. Mas isso não pode se tornar rotina.

O primeiro motivo, você vai perceber na manhã seguinte. Com o espaço reduzido e o sono agitado das crianças, a família toda vai acordar cansada. O repouso delas costuma ser mais agitado, é perna para cá, braço para lá e movimentos sem parar.

E você já parou para pensar por que leva seu filho para dormir com você? De acordo com Gelsomina Colarusso, neuropediatra (SP), a frequência desse hábito tem aumentado porque, com os pais fora de casa, o contato com as crianças é menor atualmente. “Assim, ficar juntos de noite é uma maneira de compensar essa ausência, resolver alguns problemas (criança com medo de escuro, por exemplo, e pais muito cansados para levá-la de volta ao quarto) e, claro, de matar a saudade”, diz.

Só de pensar no seu filho dormindo no próprio quarto, você já fica com o coração apertado? Acalme-se. É para o bem dele. Uma das coisas que a criança aprende ao dormir no seu próprio quarto é ter a sua individualidade. Permitir que ela volte sempre para a cama dos pais pode torná-la mais dependente e medrosa.

E criança no meio dos pais, você sabe bem, tira a privacidade do casal. “Não dá para dormir de conchinha ou fazer amor durante a noite na hora que rolar um clima”, diz Teresa Bonumá, psicoterapeuta de família (SP). Colocar um colchão ao lado da cama dos pais, por exemplo, também não é uma boa saída. “A criança não está no meio, mas está no mesmo quarto e isso impossibilita o namoro”, reforça Bonumá.

Quando dormir junto perde a graça

Compartilhar a cama se torna um problema quando vira rotina e a criança não quer mais voltar para o seu quarto. Como explica a psicóloga infantil Patrícia Spada, da Universidade Federal de São Paulo, se ela faz birra, grita, ou tenta chantagear os pais para conseguir o que quer, é mau sinal.

Para reverter a situação, é preciso muita paciência. Para facilitar, converse com seu filho e explique que, a partir de agora, ele vai dormir no quarto dele. Se você tiver outros filhos, pode ser mais fácil. Mas o velho e bom método de criar uma rotina mais tranquila após às 18h, com direito a brincadeiras mais calmas, um banho quente antes do jantar e boas histórias antes de dormir – com você sentada ao lado dela na cama e uma luz fraca para espantar o medo do escuro – continua sendo a melhor saída.

No meio da noite seu filho levantou e foi para o seu quarto? Volte junto com a criança para o quarto dela e a acalme até que embale no sono. “É cansativo, dá trabalho, mas vale a recompensa ao longo prazo”, diz a psicoterapeuta de família Teresa Bonumá (SP).

Às vezes, pode, claro!

Assim que seu filho se acostumar com a nova rotina, ele pode, sim, de vez em quando, dormir com você e seu marido. “Mas sempre no tom de exceção. Assim como ele não toma sorvete todos os dias, também não pode dormir com os pais sempre”, conta Teresa. E essa exceção vale para você também. Até porque quem não gosta de dormir juntinho? Se ele estiver doente, acordar muito assustado por causa de algum pesadelo, ou se a família estiver passando por um momento de tensão, como a morte de um parente, deixe que ele durma com você. O mesmo vale para aquelas manhãs em que seu filho acorda mais cedo e vai fazer uma visita para você no seu quarto. Está tudo bem e aproveite esse momento.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Qual a melhor recompensa?

Qual a melhor recompensa?

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“Uns chamam-lhe karma, outros Destino… Eu chamo-lhe os frutos das sementes que, consciente ou inconscientemente, plantei no jardim que é a minha vida!”

Virginia Marrachinho

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Brasil participativo, uma revolução silenciosa

Brasil participativo, uma revolução silenciosa

Por Jair Moggi

Fonte: www.adigo.com.br

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“Simplesmente, um dia, um chefe resolve reunir a turma para perguntar como resolver determinado problema. E não é que nova atitude traz bons resultados? Aquele pessoal de base – do chão da fábrica ou do balcão da loja – parece que não é totalmente desprovido de idéias, como se pensava. O resultado desse processo são empresas mais produtivas e mais criativas e funcionários mais motivados, mais responsáveis, mais comprometidos. O que melhora a qualidade de vida de todos.”

Jair Moggi

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Como se sabe, primeiro o povo adota os costumes para depois estes se transformarem em leis. Assim foi com o direito à propriedade, na Antiguidade, com o divórcio, recentemente; e assim está sendo também com a administração participativa no Brasil. No interior das organizações, está se processando uma revolução silenciosa que não foi prevista nem pelos ardorosos revolucionários de décadas passadas. Aos poucos, sem alarde e sem divulgação, os funcionários subalternos das organizações passam a participar também da sua administração.

Em algumas empresas, há conselhos, representantes eleitos e quetais. Em outras, nem isso. Simplesmente, um dia, um chefe resolve reunir a turma para perguntar como resolver determinado problema. E não é que nova atitude traz bons resultados? Aquele pessoal de base – do chão da fábrica ou do balcão da loja – parece que não é totalmente desprovido de idéias, como se pensava. O novo recurso alastra-se pelos departamentos, que passam, também, a consultar os funcionários de base e a criar mecanismos para que essa participação seja mais efetiva e frutífera.

Mas não são esses funcionários aqueles mesmos que, até há bem pouco tempo, eram chamados de mão de obra? Aqueles que as gerências achavam que seriam facilmente substituíveis se eles não se comportassem bem? Sim, são os mesmos. Só que, agora, alguém lembrou que são também eles os que fazem as coisas acontecer dentro das organizações. Quando se quer ter qualidade numa empresa é a eles que é preciso recorrer. E, como eles sabem como as coisas são feitas na realidade (e não em relatórios que, no mais das vezes, servem apenas para acalmar as chefias), eles são capazes de fazer as mudanças de que as empresas precisam. O resultado desse processo são empresas mais produtivas e mais criativas e funcionários mais motivados (porque, agora, eles são ouvidos e não precisam mais cochichar suas críticas à administração), mais responsáveis, mais comprometidos. O que melhora a qualidade de vida de todos.

Portanto – porque dá certo – a administração participativa está se tornando uma realidade em muitas empresas. É uma revolução até agora silenciosa. Mas que já começa a se institucionalizar, mostrando que veio para ficar. E para ajudar este país a crescer e a solidificar.

Provas desse fato são a volta à tona da legislação sobre distribuição dos resultados – há vários anos engavetada, fazendo com que os empresários que insistiam em dividir seus lucros com os funcionários corressem diversos riscos, como a incorporação dos benefícios aos salários, o que causaria uma bitributação dos lucros – e também a composição do atual governo. Tanto no primeiro como no segundo escalão das administrações federal e estaduais dos governos recentemente eleitos há pessoas comprometidas com a administração participativa.

O próprio presidente da ANPAR-Associação Nacional de Administração Participativa. Plínio Assmann, é secretário dos Transportes de Mário Covas, em São Paulo. Seu antecessor na Associação, Hugo Marques da Rosa, diretor superintendente da Método Engenharia, também é secretário, ocupando a pasta de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras. São executivos que souberam utilizar os princípios da administração participativa quando isso ainda era quase uma subversão neste país. Hugo Rosa, por exemplo, atuando no setor da construção civil, que sempre foi considerado um dos mais anacrônicos da indústria, levou a Método mais de uma vez ao posto de melhor empresa do ano da revista Exame. Plínio Assmann, por sua vez, levou a modernização à gestão de empresas públicas – foi o primeiro presidente do Metrô de São Paulo, uma instituição que é orgulho de qualquer paulistano pela qualidade de serviços que presta. E, por incrível que pareça, quando presidente da Cosipa-Companhia Siderúrgica Paulista, conseguiu que esta empresa, então estatal, gerasse lucros para o Estado.

Essas mudanças não ocorrem por acaso. Elas são um dos frutos da consolidação da redemocratização do país e de sua abertura econômica. As organizações descobriram que, sem a participação de seus funcionários – nas decisões e, também, nos lucros – seria muito difícil concorrer no mercado globalizado deste fim de século. O que dizer, então, da administração pública, corroída pelo empreguismo, pela politicagem e pela burocracia? A adoção dos princípios da administração participativa poderá ser, para o Estado, assim como tem sido para as empresas privadas, um importante instrumento na revolução para a modernidade. O cidadão comum pode até se dar o direito de sonhar com o dia em que o funcionário público brasileiro tenha tanto amor e dedicação ao trabalho como têm os funcionários de empresas como a Método e outras que se baseiam na administração participativa.

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Madre Teresa de Calcuta

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O Conhecimento dos Mundos Superiores – parte 2

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O Conhecimento dos Mundos Superiores

Parte 2 – Calma Interior

Tradução: Deise Nicácio

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“Quando, por meio de meditação, um homem eleva-se a união com o espírito, ele traz à vida o eterno dentro dele, aquilo que não é delimitado pelo nascimento e pela morte”

Rudolf Steiner

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Parte 2 – Calma Interior

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O que é Antroposofia

O que é Antroposofia

Fonte: Instituto Apoio Brasil

Antroposofia

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“Antroposofia é uma filosofia de vida que reúne os pensamentos científico, artístico e espiritual numa unidade e que responde às questões mais profundas do homem moderno sobre si mesmo e sobre suas relações com o universo.”

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Antroposofia (palavra derivada do grego anthropós, homem, e sophia, sabedoria) é uma filosofia de vida que reúne os pensamentos científico, artístico e espiritual numa unidade e que responde às questões mais profundas do homem moderno sobre si mesmo e sobre suas relações com o universo.

Elaborada no início deste século pelo filósofo austríaco Rudolf Steiner (1861-1925), a Antroposofia é um método de conhecimento que aborda o ser humano em seus níveis físico, vital, anímico e espiritual, e mostra como essas naturezas, absolutamente distintas entre si, atuam em constante inter-relação. Trata-se de uma Ciência que se interessa pelos processos físicos abordados pelas ciências naturais e também por todos aqueles processos que não podem ser materialmente mensuráveis. Esta abrangente e organizada compreensão do ser humano e de seus relações com o Cosmos trouxe um substancial enriquecimento a todos os campos práticos da sociedade, contribuindo, com suas descobertas, para uma vida humana mais íntegra.

A Antroposofia chegou ao Brasil, mais especificamente ao Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre, com os imigrantes europeus no começo do século. Em São Paulo, o movimento cresceu e consolidou-se, passando então a permear e a orientar diversas atividades profissionais.

A colaboração de cientistas, artistas, médicos, educadores, agricultores, sociólogos e outros profissionais das mais diversas áreas que se orientam pelos princípios antroposóficos, tem fortalecido e aumentado a abrangências do movimento, que propões recriar o conhecimento científico atual com uma visão artística, espiritual e mais humanizada.

Nos anos 90, a ciência vem se aproximando do que Rudolf Steiner chamou de “ a compreensão mais elevada das coisas”. As questões tratadas pela Antroposofia foram oficialmente enunciadas no meio científico a partir de 1986, pela Unesco, no Congresso de Veneza, onde foi apontada a defasagem entre os avanços tecnológicos e a qualidade de vida das pessoas e da sociedade no planeta. Em 1994 houve o I Congresso Mundial de Multidisciplinaridade, coordenado pelo sociólogo Edgar Morin, pelo artista Lima Freitas e pelo físico Nicolesu, onde se discutiu a necessidade de o homem contemporâneo encontrar novas bases espirituais para a vida. Podemos reconhecer nestes novos fundamentos os anseios essenciais da concepção antroposófica de Ciência, Cultura e do homem.

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Madre Teresa de Calcuta

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Versos Para os Dias da Semana – Rudolf Steiner

Versos Para os Dias da Semana

Rudolf Steiner

Fonte: cb11.wordpress.com

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“O homem deve dar toda a atenção a certos processos anímicos que ele geralmente realiza de modo descuidado e desatento….”

Rudolf Steiner

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Naturalmente é melhor a pessoa se ocupar de um só exercício de cada vez, por exemplo, durante oito ou quinze dias, depois ocupar-se do segundo, etc., e depois voltar ao começo. O oitavo exercício, porém, seria melhor que fosse feito todos os dias. Alcança-se, assim, pouco a pouco o correto conhecimento de si próprio e constata-se quais os processos feitos. Mais tarde, talvez possa ser feito diariamente – começando pelo sábado – um exercício além do oitavo, durante cerca de cinco minutos, de modo que cada exercício caia sempre no mesmo dia, ou seja: no sábado, o exercício do pensar; no domingo, as decisões; na segunda-feira, a fala; na terça, a ação certa, etc..

Sábado

Prestar atenção nas próprias representações mentais (pensamentos). Só emitir pensamentos significativos. Aprender a distinguir, paulatinamente, em seus próprios pensamentos, o essencial do acessório, o eterno efêmero, a verdade da mera opinião.

Ao escutar o que diz o próximo, procurar ficar totalmente quieto interiormente e renunciar a todo consentimento e, principalmente, a todo julgamento negativo (crítica, rejeição), também em pensamentos e sentimentos.

Essa é a assim chamada “opinião certa”.

Domingo

Até mesmo em relação às ações mais insignificantes, só tomar uma decisão com base numa ponderação plena e bem fundamentada. Todo procedimento impensado, toda ação irrelevante devem ser mantidos afastados da alma. Deve-se sempre ter, para tudo, razões bem ponderadas. Deve-se deixar de fazer aquilo que carece de um motivo significativo.

Se estamos convencidos de que a decisão tomada é correta, devemos nos ater a ela, com toda a firmeza de ânimo.

Esse é o assim chamado “juízo certo” que não depende de simpatia nem de antipatia.

Segunda-feira

A fala. Dos lábios de quem aspira a um desenvolvimento superior, só deve manar o que tem significado e importância. Todo falar só para falar – por exemplo para passar o tempo – é, nesse sentido, prejudicial.

Devemos evitar o tipo comum de conversa, em que se fala de qualquer assunto, numa mistura inconseqüente; por outro lado, não nos devemos excluir da convivência com nosso próximo. É justamente no contato com os outros que a conversa deve evoluir paulatinamente até adquirir um caráter relevante. Que se dê resposta a qualquer interlocutor, mas de forma pensada, em todos os sentidos. Nunca falar sem motivo! Gostar de ficar calado! Que se procure não falar demais nem de menos. Primeiro ouvir com atenção e calma, depois digerir.

Esse exercício também se chama “a palavra certa”.

Terça-feira

As ações exteriores. Estas não devem ser perturbadoras para nosso próximo. Quando nosso íntimo (consciência moral) nos leva a agir, devemos ponderar cuidadosamente sobre a melhor maneira de corresponder ao bem do todo, à felicidade duradoura do próximo, à essência eterna.

Quando agimos a partir de nós mesmos – por iniciativa própria – devemos ponderar a fundo, de antemão, sobre os efeitos de nosso modo de proceder.

Isso também é chamado de “ação certa”.

Quarta-feira

A organização da existência. Viver de acordo com a natureza e com o espírito, não se deixar absorver pelas futilidades da vida exterior. Evitar tudo o que traz inquietação e pressa.

Não precipitar nada, mas tampouco ficar inerte. Considerar a vida como um meio de trabalho, de elevação, e proceder de acordo.

Isso também é chamado “ponto de vista certo”.

Quinta-feira

O anseio humano. Devemos ter o cuidado de não empreender nada que esteja além de nossas forças, mas tampouco deixar de fazer o que está dentro de nossas possibilidades.

Olhar para além do imediato e do dia-a-dia; fixar para si próprio metas (ideais) relacionados com os deveres mais elevados do homem. Por exemplo: procurar desenvolver-se por meio dos exercícios indicados, a fim de poder depois ajudar e aconselhar o próximo mais intensamente, mesmo que isso não se dê num futuro imediato.

O que foi dito também pode ser resumido em:

transformar todos os exercícios precedentes em hábitos”.

Sexta-feira

O anseio de aprender com a vida o mais possível. Nada acontece conosco que não nos dê a oportunidade de colecionarmos experiências úteis para a vida. Se fizemos algo de forma errada ou incompleta, isso será um pretexto para fazermos, mais tarde, algo semelhante, mas de maneira mais correta e perfeita. Vendo outros agirem, devemos observá-los em seu caminho a um objetivo semelhante (embora sempre com um olhar carinhoso). Não devemos fazer nada sem antes lançarmos um olhar retrospectivo às nossas próprias vivências, que podem ser de ajuda em nossas decisões e realizações. Se estivermos atentos, podemos aprender muito com qualquer pessoa, inclusive com crianças.

Esse exercício também é chamado “memória certa”, isto é, lembrar-se do que foi aprendido, lembrar-se das experiências por que passamos.

Resumo

De vez em quando, olhar para o próprio interior, nem que seja durante cinco minutos por dia, sempre à mesma hora. Ao fazermos isso, devemos mergulhar em nós mesmos, apreciar-nos cuidadosamente, examinar e formar as normas de nossa existência, percorrer mentalmente nossos conhecimentos – ou o contrário, se for o caso – considerar nossos deveres, refletir sobre o conteúdo e a verdadeira finalidade da vida, sentir um autêntico desagrado em relação às nossas falhas e imperfeições. Numa palavra: cabe-nos descobrir o essencial, o duradouro, e levar a sério as metas correspondentes, por exemplo, a de adquirir determinadas virtudes (não devemos incorrer no erro de pensar que realizamos algo de forma perfeita, mas sim aspirar sempre a algo mais elevado de acordo com os modelos mais altos).

Esse exercício também é chamado “a contemplação correta”.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

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O Salvamento da Alma – 1º dia

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O Salvamento da Alma – 1º dia

Sobre o porquê deste livro

Bernard Lievegoed

Tradução: Gerard Bannwart

rudolf steiner Cristo

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“Uma corrente espiritual está relacionada ao desenvolvimento da humanidade como um todo. Esse desenvolvimento é guiado por altos seres hierárquicos. Em tempos pré-cristãos esses seres divinos mantinham a condução inteiramente em suas mãos; nos tempos cristãos eles entregam cada vez mais a condução aos próprios seres humanos.”

Bernard Lievegoed

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Introdução

O Salvamento da Alma

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