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O conto “João e o Sapo” e suas relações com os chacras

O conto “João e o Sapo” e suas relações com os chacras

Karin Elisabeth Ulex

João Sapo

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“Um conto de fadas narrado oralmente é alimento para os nossos pensamentos, sentimentos, para o  mundo imaginário dos sonhos. Os contos de fadas são uma porta de entrada para o mundo interior e suas imagens preenchem a alma.”

Gudrun Bötheführ (assistente social e psicoterapeuta alemã) descobriu  que a maioria dos contos de fadas  começam com a energia do primeiro chacra que está relacionado com a confiança primordial, existente no lugar protegido da casa ou do castelo. No desenrolar dos acontecimentos, o conto de fadas vai passando por todos os chacras, para terminar no sétimo, o chacra coronário. A coroação de fato acontece no final de muitos contos, (o herói recebe metade do reino ou é coroado rei ou casa com a princesa), mas  significa também tornar-se rei no reino da própria vida. Assim um conto de fadas pode estimular e harmonizar os chacras, contribuindo para a saúde fisica e mental.

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Era uma vez um conto pequenininho, mas tão pequenininho que os irmãos Grimm decidiram que não valia a pena colocá-lo no livro da coleção de 200 contos de fadas…. Mas certo dia alguem descobriu (parece-me até que foi nos Estados Unidos !!!) alguns textos manuscritos destes senhores famosos, e lá no meio alguns contos que até então ninguém conhecia ainda, inclusive esse.

E o conto pequenininho começou a ser contado e correr mundo, até que eu pude ouvi-lo pela boca da Sra. Geiger na Suíça, e assim como todos os ouvintes, fiquei encantada. Como pode um conto minúsculo ser tão completo, tão grandioso em suas imagens? Trabalhamos esse conto por algumas horas e fomos descobrindo cada vez mais mensagens e mais profundidade.

Pois aqui está:

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João e o sapo  (Conto desconhecido dos Irmãos Grimm)

Era uma vez um João que era tão bobo, mas tão bobo, que o seu pai o botou para fora de casa e o enxotou do rancho. João correu e correu até chegar na praia, onde sentou na areia.

Um sapo emergiu das águas e disse: João, siga-me! – mas João não obedeceu. Somente depois da terceira ordem João levantou e seguiu o sapo para dentro da água onde teve que  servir-lhe no castelo.

Um dia o sapo lhe disse: – Lute comigo! – E João lutou e lutou,e o sapo se transformou numa linda moça –o castelo com todos os seus jardins floridos transladou-se para o mundo terreno.

E João ficou esperto. Casou com a moça, ganhou o castelo, foi falar com o seu pai e depois herdou o rancho também.

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 E agora pensei em analisá-lo com o trabalho chacrático de Gudrun Bötheführ, que relaciona cada passo do herói com os sete chacras principais, vejam:

O primeiro Chacra, que influencia a confiança primordial que temos na vida, encontra-se sempre na situação inicial do conto, em que tudo parece estar bem, é o ponto de partida do herói, podemos relacioná-lo tambem com o começo da nossa vida, espcialmente o primeiro setenio. Neste conto tomamos a frase: era uma vez um João, nome simples, do povo, e como diz que era “um” João, vale para era uma vez um alguem, cada um de nós é um alguem. Imaginamos que João tem pais, mora num lugar com eles, tem um chão para começar a vida.

Mas rapidamente o conto muda de animo, o João era tão bobo que o seu pai o enxotou do rancho. O segundo Chacra é ligado ao movimento, e tem a ver com o segundo setenio, quando a criança começa a sair de casa para aprender a conhecer o mundo de fora, a escola por exemplo. Normalmente o movimento acontece quando algo faz falta, e está claro que o problema é que a João lhe falta inteligencia ou sensatez. Ao observar bem a situação percebemos tambem que falta o elemento feminino, pois não se menciona uma mãe ou avó. E João corre e corre até chegar à praia onde senta, por não saber como continuar.

Surge outro elemento, um sapo, e agora é a vez do terceiro Chacra se manifestar, pois tem a ver com a nossa própria força, o nosso potencial, que aparece como um ser que vai nos ajudar a seguir adiante. Parece que João a princípio não entende ou não quer entender a oportunidade que se está apresentando para continuar a sua caminhada. E não é assim conosco?: que muitas vezes não acreditamos em nós mesmos, nem sabemos do que somos capazes, há uma tendencia a se minorizar e desistir diante de desafios. Criamos coragem apenas depois que o conjuge e o melhor amigo e o terapeuta nos deram vários empurrões. João levanta e segue o sapo depois da terceira ordem. Lembrem-se de como foi a nossa vida no terceiro setenio….e observem hoje os filhos adolescentes! O sapo é o ajudante, o elemento que nos ajuda a não estacar.

O quarto Chacra é o Chacra cardíaco, é o coração, o nosso centro, e no conto se apresenta como a prova, a pergunta essencial: quem é voce, do que é capaz? Como reage quando tem que lutar, quando tem que obedecer, quando tem que suportar? Ah, o nosso João faz tudo isso: obedece, trabalha servindo, luta, persiste e consegue vencer o ser mágico que havia exercido todo o seu poder sobre ele. Parece que João adquiriu força, habilidade e confiança em si. João tornou-se adulto, entrou no quarto setenio de vida.

Com isso ele desencanta todo aquele mundo subaquático, e já estamos no quinto Chacra, cujo elemento anímico-espiritual é a verdade. O quinto Chacra se manifesta nos contos sempre naquele momento em que o feitiço se desfaz e os seres mostram a sua verdadeira aparencia. O sapo se torna uma linda moça, o castelo com todos os seus jardins torna-se realidade no mundo terreno.

Com a próxima frase do conto chegamos ao sexto Chacra, aquele do terceiro olho, que tem a ver com sabedoria e intuição: diz que João ficou esperto, quer dizer, aprendeu a lidar com a vida (o conto diz “esperto”, pois inteligencia teria outra conotação bem diferente).

O Chacra coronário, o sétimo, tem a ver com a unidade, a totalidade, que se manifesta muitas vezes na coroação do herói, no casamento ou na volta para casa. João casa com a moça, isto é, encontra o elemento feminino na sua vida. Depois fala com o pai, quer dizer, voltou para casa e encontrou uma ligação com a sua origem e com a sabedoria ancestral, e herda o castelo e o rancho, tornando-se um rei na própria vida.

Digo-lhes, um conto minúsculo e tão completo!

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Saiba mais sobre as relações dos Contos com os Chacras

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Data: 15 a 17 de agosto
Valor: R$ 300,00
Endereço: Rua Guilherme Asbahr Neto, 258 – Chácara Monte Alegre – São Paulo
Informações: bianca@sucasasp.com.br – (11) 9 8640-5440

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Antropologia e Zoologia – Formas de animais

Conteúdo Pedagógico:

Antropologia e Zoologia – Formas de animais

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“Os animais tem desenvolvido uma série de órgãos superiores e acabaram entendendo que tudo isso serve apenas para a conservação do indivíduos e das espécies. A existência dos animais é baseada na utilidade do seu organismo a serviço da sobrevivência. Acrescenta-se a isto o enigma das particularidades do ser humano. Tudo que se pode imaginar como habilidades, os animais as possuem numa medida que transcende a do homem. O homem corre, pula, ouve, cheira ou trepa menos bem. Mas só ele possui uma capacidade singular: ele escapa ao constrangimento da mera utilidade, ele é capaz de fazer algo que não proporciona vantagens, que não está ligado a uma finalidade. Ele pode usar os membros, principalmente as mãos e os braços, para realizar algo bom ou belo. Ele pode ajudar por amor ao próximo, ele pode pintar ou fazer música apenas pelo belo, ele pode fazer uma oração em homenagem a alguém que mereça ser adorado.”

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Os animais sugeridos nesse contexto por Rudolf Steiner se prestam particularmente bem a um estudo baseado nas considerações antropológicas que acabam de ser expostas. Ele menciona a sépia como exemplo de um “animal representativo da cabeça” e como exemplos de “animais representativos do tronco”, o camundongo, a corça, a ovelha e o cavalo.

A sépia é o ponto alto da formação da cabeça, nesse contexto podem ainda ser tratados outros animais como a concha e a estrela-do-mar. Podem ser mencionadas, nesse ambiente, polaridades que existem na área dos cefalópodes. Enquanto o ouriço do mar revela claramente uma afinidade com a esfera, a estrela-do-mar aparenta a forma irradiante estrelada. Tal diversidade não deveria prejudicar o enfoque do que é essencial para as crianças.

Para familiarizar os alunos com o meio ambiente em que vivem as sépias, poderia ser descrita uma viagem para o Sul, incluindo as paisagens e os homens que as habitam. Alfred Brehm escolheu, para introduzir os cefalópodes, o colorido local de uma feira de pescados na Itália. Sua descrição é viva, didática e constitui um bom exemplo. Contudo, experiências pessoais deveriam ser preferidas, para que a apresentação da matéria seja mais autêntica. Cada animal deveria ser descrito tão perfeitamente com relação ao seu aspecto exterior, ao seu comportamento e à sua maneira de de modo que uma quantidade de observações venha a justificar o termo “cefalópode” (animal em que a cabeça está próxima aos pés).

Em seguida, os animais em que predomina o tronco, são descritos com igual plasticidade. O grupo indicado por R. Steiner inclui apenas animais da nossa região, que as crianças já conhecem. Relatos orais de vivências com esses animais, narrações, imagens, exercícios de modelagem e composições pódem facilmente ser integrados no ensino. No fim voltamos ao homem. Os alunos têm constatado as particularidades da sépia, do camundongo, etc., descobrindo que todo o calamar representa uma cabeça maravilhosa e altamente especializada. Viram também que os outros animais tem desenvolvido uma série de órgãos superiores e acabaram entendendo que tudo isso serve apenas para a conservação do indivíduos e das espécies. A existência dos animais é baseada na utilidade do seu organismo a serviço da sobrevivência. Essa descoberta produz o entusiasmo e a admiração com todas as maravilhas que as crianças têm encontrado nos exemplos do mundo animal.

Acrescenta-se a isto o enigma das particularidades do ser humano. Tudo que se pode imaginar como habilidades, os animais as possuem numa medida que transcende a do homem. O homem corre, pula, ouve, cheira ou trepa menos bem. Mas só ele possui uma capacidade singular: ele escapa ao constrangimento da mera utilidade, ele é capaz de fazer algo que não proporciona vantagens, que não está ligado a uma finalidade. Ele pode usar os membros, principalmente as mãos e os braços, para realizar algo bom ou belo. Ele pode ajudar por amor ao próximo, ele pode pintar ou fazer música apenas pelo belo, ele pode fazer uma oração em homenagem a alguém que mereça ser adorado. Graças aos seus membros, o homem se toma um ser livre.

É esse o ponto culminante dessa época. Ela pode constituir uma ajuda para toda a vida, mas em particular na situação em que se encontram as crianças nessa passagem do 10° ao 11° ano de vida.

Devido à importância capital dessa época do  4° ano e pelos enfoques novos trazidos por ela é que deveria ser amplamente debatida numa reunião com os pais.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Qual é a importância da Brincadeira?

Qual é a importância da Brincadeira?

Dr. José Carlos Neves Machado

Fonte: Canal Medicina Escolar – Youtube – clique e conheça

Qual a importância do brincar

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“Brincar com crianças não é perder tempo, é ganhá-lo; se é triste ver meninos sem escola, mais triste ainda é vê-los sentados enfileirados em salas sem ar, com exercícios estéreis, sem valor para a formação do homem.”

Carlos Drummond de Andrade

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Intuição

Intuição

Fonte: Página do Facebook Apoio Brasil  – clique e conheça

intuição

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“O caminho da veneração e do desenvolvimento da vida interior descansam na experiência antiga e sabedoria antiga. Cada ser humano tem um homem superior dentro de si mesmo além do que podemos chamar de homem quotidiano. Este homem superior permanece oculto até que ele seja despertado.  E somente por si mesmo cada um poderá despertar esse homem superior dentro de si. Enquanto que esse ser superior não é despertado, as faculdades superiores adormecidas em cada ser humano que levam ao conhecimento supra-sensível, permanecerá escondida.”

Rudolf Steiner

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Pessoas que estão sintonizadas com sua intuição fazem as coisas de modo diferente.
Elas prestam atenção àquela voz interior.

“É muito fácil desmerecer a intuição”, diz Burnham. “Mas ela é um grande dom, algo que precisa ser notado.”

A maior coisa que distingue as pessoas intuitivas é que ao invés de ignorar, elas ouvem a orientação de suas intuições e seus instintos.

“Todas as pessoas estão ligadas à sua intuição, mas algumas pessoas não prestam atenção a ela, como intuição”, fala Burnham. “Ainda não conheci nenhum empresário de sucesso que não dissesse ‘não sei por que fiz isso. Foi um palpite.’”
Para tomar as melhores decisões de que somos capazes, diz Francis Cholle, autor deThe Intuitive Compass, precisamos de um misto equilibrado de intuição — que lança uma ponte entre o instinto e o raciocínio — e pensamento racional. Mas o viés cultural contra os instintos ou as intuições nos leva com frequência a fazer pouco caso de nossas “impressões” — para detrimento nosso.

“Não é preciso rejeitar a lógica científica para beneficiar-se dos instintos”, diz Cholle. “Podemos honrar e recorrer a todas essas ferramentas, e buscamos um equilíbrio entre elas. E, ao procurar esse ponto de equilíbrio, vamos finalmente colocar todos nossos recursos cerebrais em ação.”.

Elas reservam tempo para ficar sozinhas.

Se você quer entrar em contato com sua intuição, passar um pouco de tempo sozinho pode ser a maneira mais eficaz. Assim como a solidão pode ajudar a suscitar o pensamento criativo, também pode nos ajudar a entrar em contato com nossa sabedoria interior mais profunda.

De acordo com Burnham, as pessoas intuitivas muitas vezes são introvertidas. Mas, quer você seja introvertido, quer não, reservar algum tempo para ficar sozinho pode ajudá-lo a praticar o pensamento mais profundo e reconectar-se com você mesmo.

“É preciso poder desfrutar um pouco de solidão, um pouco de silêncio”, diz a autora. “Porque não dá para ouvir a intuição em meio ao barulho do cotidiano.”

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

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O aprendizado e as percepções humanas

O aprendizado e as percepções humanas

segundo a antroposofia e as neurociências

Maurício Baldissin

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“Para Rudolf Steiner, o homem não consegue ser livre quando é aprisionado em seus instintos ou quando apenas se submete a normas morais ou códigos estabelecidos pela sociedade. Por isso, é preciso assegurar a estimulação e vivência ativa das percepções, elemento importante para as escolhas e decisões. O homem livre age a partir de impulsos próprios, adquiridos por meio de seu desenvolvimento perceptivo, em uma instância autoconsciente cada vez mais apurada ou afinada com o dom de sua existência.”

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Os sentidos ou percepções humanas são importantes sinalizadores para as escolhas e decisões que constroem nossa história de vida. Desde a infância, ajudam a balizar a direção que tomaremos no curso de toda nossa existência.

As neurociências estudam como os sinais e estímulos que captamos no início da vida, quando bebês, provocam respostas reflexas operantes. Isso aos poucos se transforma em comportamento humano que, com o tempo, se individualiza em cada um de nós. Os movimentos do bebê, inicialmente mal articulados, vão adquirindo uma função de comunicação. O apontar para o seio da mãe, por exemplo, é a transformação do esquema sensório-motor de apreender em um gesto dotado de um caráter comunicativo.

As neurociências descrevem todas as ligações do fenômeno perceptivo, uma vez que nosso sistema nervoso se estende por todos os órgãos vitais, agindo como elemento mediador do organismo em sua interação com o meio ambiente e com a consciência física própria.

Assim, o sistema nervoso é entendido como um complexo funcional orgânico, composto por redes de neurônios interconexos, que recebem contribuições específicas de determinadas regiões cerebrais, modulando a sinalização para o processo perceptivo. Simplificadamente é como se se formasse uma rede de emissoras de tevê para a transmissão de um determinado programa, sendo que o programa, nesse caso, pode ser a fala, outro é a audição, outro é o pensar abstrato, e várias dessas redes apresentam programas simultaneamente. Longe de produzir o ruído confuso de várias tevês ligadas ao mesmo tempo em canais diferentes, esse coro de “vozes” se harmoniza por meio da plasticidade neuronal ou neuroplasticidade, capacidade que o sistema nervoso tem de mudar, adaptar-se e moldar-se, estrutural e funcionalmente. Essa característica está na base da formação das memórias e da aprendizagem.

O início da vida é marcado mais intensamente por impulsos reflexos bilateralmente no cérebro. Progressivamente, ocorrem impressões e fixações unilaterais e regionais, formando determinados “centros” – algo similar àqueles canais de tevê que acabei de mencionar. No adulto sadio, os dois hemisférios cerebrais estão relacionados com funções diferentes. O hemisfério esquerdo está mais voltado ao pensar lógico, abstrato, analítico, enquanto o direito está mais voltado ao pensar sintético, imaginativo. Durante a primeira infância, forma-se no hemisfério esquerdo um centro específico da fala. Muitos dos aspectos que se fixam posteriormente do lado direito ou esquerdo já estão preestabelecidos como, por exemplo, orientação espacial à direita, processos temporais e compreensão analítica à esquerda.

No caso da escrita, não existe um centro preestabelecido – a representação cerebral do processo de escrever forma-se à medida que ocorre a aprendizagem. Essa representação não impregna determinada área do cérebro para formar um “centro da escrita”. Apenas 15% dos canhotos têm seu centro da fala exclusivamente no hemisfério direito. Aproximadamente 50% apresentam-no do lado esquerdo, e os 35% restantes têm sua representação da fala à direita e à esquerda. Hoje também se sabe que em períodos mais tardios da vida podem surgir outros centros da fala, quando se aprendem novas línguas. Quem nos traz essas notícias ou a certeza sobre elas são os resultados das cirurgias cerebrais motivadas para o tratamento das epilepsias refratárias.

Paralelamente, a antroposofia indica que o desenvolvimento perceptivo por si educa a plena consciência do ser humano à medida que amadurece. Observamos no Andar um processo motor complexo que leva ao Falar. O Falar, portanto, é o meio de comunicação que se origina do processo de orientação no espaço, do andar. O Pensar é um processo intelectual que se desenvolve por meio do Falar.

Ou seja, vocês educadores têm um campo imenso para trabalhar a prontidão na alfabetização, rompendo as barreiras das crianças com transtornos de aprendizagem na esfera lexical ou aritmética.

Como podem ver, a antroposofia enriquece a perspectiva das neurociências com um significado anímico espiritual, uma nova compreensão dos acontecimentos da biografia humana. As percepções corporais do zero aos sete anos e as anímicas, dos sete aos 14 anos, se educam para as percepções cognitivas e espirituais (o estabelecimento do pensar lógico na fase dos 14 aos 21 anos). Por exemplo, a educação do tato habilita o desenvolvimento da compreensão do Eu da outra pessoa. O sentido vital adequadamente estimulado leva ao desenvolvimento do pensamento vivo. A percepção do movimento próprio amadurece a linguagem escrita e falada. O sentido do equilíbrio educa a escuta. O sentido do olfato faz condensar o sentido térmico. O paladar traz o amadurecimento estético para a visão. Esse entendimento sustenta uma visão ampliada para transformar os atuais currículos escolares, contribuindo com a tarefa dos professores com seus alunos, assim como no diagnóstico e tratamento dos nossos pacientes.

Ao abordar esses conteúdos, chamo a atenção para os cuidados com o processo cognitivo da criança como uma função emergente. Devemos oferecer estímulos adequados em diferentes etapas evolutivas (três primeiros setênios). Da mesma forma, na vida adulta, é preciso manter esses estímulos para produzir melhor resposta imunológica e menor manifestações de doenças crônicas. Isto tem sido comprovado nos estudos médicos.

Para Rudolf Steiner, o homem não consegue ser livre quando é aprisionado em seus instintos ou quando apenas se submete a normas morais ou códigos estabelecidos pela sociedade. Por isso, é preciso assegurar a estimulação e vivência ativa das percepções, elemento importante para as escolhas e decisões. O homem livre age a partir de impulsos próprios, adquiridos por meio de seu desenvolvimento perceptivo, em uma instância autoconsciente cada vez mais apurada ou afinada com o dom de sua existência.

Estar na esfera dos impulsos vivenciados sem o nosso despertar autoconsciente enfraquece a força de vontade, os ideais e a criatividade. Viver nessa superfície sem a ação ordenadora consciente da vontade prejudica o aprendizado e a saúde. E isso vale para todas as idades.

Espero, com os trabalhos que tenho pesquisado e publicado, contribuir com o atendimento médico em sua interface com os pais e professores na tarefa educacional. E também com o público em geral, que pode conhecer um pouco mais das visões a respeito do sistema perceptivo humano e da importância de mantê-lo vivo e saudável.

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Oportunidade em Florianópolis:

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Local: Associação Sagres
Data: 16 e 17 de agosto – sábado e domingo
Valor: R$ 280,00
Informações: (48) 3338-3604 ou sagres@asssagres.org.br

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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O desenvolvimento da virtude através da vontade humana

O desenvolvimento da virtude através da vontade humana

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Imagem: Caras Ionut

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“O homem que é firme, paciente, simples, natural e tranquilo está perto da virtude.”

Confúcio

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O homem, através da atuação consciente por meio do esforço e da vontade, é capaz de desenvolver em si qualidades anímicas profundas, que passam a refletir de sua Alma Individual:

A Devoção torna-se Capacidade de Sacrifício.

O Equilíbrio Interior torna-se Progresso.

A Força Constante e Perseverança tornam-se Lealdade.

O Altruísmo torna-se Catarse.

A Compaixão torna-se Liberdade.

Cortesia torna-se Percepção do Coração.

Contentamento torna-se Tranquilidade.

Paciência torna-se Compaixão.

Controle do Pensamento e da Palavra torna-se Percepção da Verdade.

A Coragem torna-se Força de Liberação e Redenção.

Discrição e Sigilo tornam-se Força Meditativa.

Generosidade e Magnanimidade tornam-se Amor.

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Madre Teresa de Calcuta

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10 razões pelas quais os aparelhos móveis devem ser proibidos para crianças menores de 12 anos

10 razões pelas quais os aparelhos móveis devem ser proibidos para crianças menores de 12 anos

Cris Rowan

Fonte: www.brasilpost.com.br – clique e conheça

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“Deus é alegria. Uma criança é alegria. Deus e uma criança têm isso em comum: ambos sabem que o universo é uma caixa de brinquedos. Deus vê o mundo com os olhos de uma criança. Está sempre à procura de companheiros para brincar.”

Rubem Alves

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A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria afirmam que crianças de 0 a 2 anos não devem ter nenhuma exposição à tecnologia, crianças de 3 a 5 anos devem ser limitadas à uma hora de exposição por dia e crianças e adolescentes de 6 a 18 anos devem ser restritas a duas horas por dia (AAP 2001/13, CPS 2010). Crianças e jovens usam de quatro a cinco vezes a quantidade de tecnologia recomendada, provocando consequências graves e, em muitos casos, colocando suas vidas em risco (Fundação Kaiser 2010, Active Healthy Kids Canada 2012). Aparelhos eletrônicos móveis (telefones celulares, tablets, jogos eletrônicos) aumentaram muito o acesso e uso de tecnologia, especialmente por crianças muito pequenas (Common Sense Media, 2013). Como terapeuta ocupacional pediátrica, convoco pais, professores e governos a proibir o uso de todos os mobiles para crianças com menos de 12 anos. Seguem dez razões, todas apoiadas em pesquisas, para justificar essa proibição. Para ter acesso às pesquisas com referências, procure o Zone’in Fact Sheet no site zonein.ca.

1. Crescimento cerebral acelerado

Entre 0 e 2 anos de idade, o cérebro da criança triplica de tamanho, e ele continua em estado de desenvolvimento acelerado até os 21 anos de idade (Christakis 2011). O desenvolvimento cerebral infantil é determinado pelos estímulos do ambiente ou a ausência deles. Já foi comprovado que o estímulo a um cérebro em desenvolvimento causado por superexposição a tecnologias (celulares, internet, iPad, TV) é associado ao déficit de funcionamento executivo e atenção, atrasos cognitivos, prejuízo da aprendizagem, aumento da impulsividade e diminuição da capacidade de se autorregular, por exemplo, acessos de raiva (Small 2008, Pagini 2010).

2. Atraso no desenvolvimento

O uso de tecnologia restringe os movimentos, o que pode resultar em atraso no desenvolvimento. Hoje uma em cada três crianças ingressa na escola com atraso no desenvolvimento, o que provoca impacto negativo sobre a alfabetização e o aproveitamento escolar (HELP EDI Maps 2013). A movimentação reforça a capacidade de atenção e aprendizado (Ratey 2008). O uso de tecnologia por menores de 12 anos é prejudicial ao desenvolvimento e aprendizado infantis (Rowan 2010).

3. Obesidade epidêmica

Existe uma correlação entre o uso de televisão e videogames e o aumento da obesidade (Tremblay 2005). Crianças às quais se permite que usem um aparelho digital no quarto têm incidência 30% mais alta de obesidade (Feng 2011). Uma em cada quatro crianças canadenses e uma em cada três crianças americanas são obesas (Tremblay 2011). 30% das crianças com obesidade vão desenvolver diabetes, e os obesos correm risco maior de AVC e ataque cardíaco precoce, resultando em grave redução da expectativa de vida (Centro de Controle e Prevenção de Doenças, 2010). Em grande medida devido à obesidade, as crianças do século 21 talvez formem a primeira geração da qual muitos integrantes não terão vida mais longa que seus pais (Professor Andrew Prentice, BBC News 2002).

4. Privação de sono

60% dos pais não supervisionam o uso que seus filhos fazem de tecnologia, e 75% das crianças são autorizadas a usar tecnologia no quarto de dormir (Fundação Kaiser 2010). 75% das crianças de 9 e 10 anos têm déficit de sono em grau tão alto que suas notas escolares sofrem impacto negativo (Boston College 2012).

5. Doença mental

O uso excessivo de tecnologia é um dos fatores responsáveis pelas incidências crescentes de depressão infantil, ansiedade, transtorno do apego, déficit de atenção, autismo, transtorno bipolar, psicose e comportamento infantil problemático (Bristol University 2010, Mentzoni 2011, Shin 2011, Liberatore 2011, Robinson 2008). Uma em cada seis crianças canadenses tem uma doença mental diagnosticada, e muitas tomam medicação psicotrópica que apresenta riscos (Waddell 2007).

6. Agressividade

Conteúdos de mídia violentos podem causar agressividade infantil (Anderson, 2007). A mídia de hoje expõe as crianças pequenas cada vez mais violência física e sexual. O game “Grand Theft Auto V” retrata sexo explícito, assassinato, estupros, tortura e mutilação; muitos filmes e programas de TV fazem o mesmo. Os EUA classificaram a violência na mídia como Risco à Saúde Pública, devido a seu impacto causal sobre a agressividade infantil (Huesmann 2007). A mídia informa o uso crescente de restrições físicas e salas de isolamento para crianças que exibem agressividade descontrolada.

7. Demência digital

O conteúdo de mídia que passa em alta velocidade pode contribuir para o déficit de atenção e também para a redução de concentração e memória, devido ao fato de o cérebro “podar” os caminhos neurais até o córtex frontal (Christakis 2004, Small 2008). Crianças que não conseguem prestar atenção não conseguem aprender.

8. Criação de dependência

À medida que os pais se apegam mais e mais à tecnologia, eles se desapegam de seus filhos. Na ausência de apego parental, as crianças podem apegar-se aos aparelhos digitais, e isso pode resultar em dependência (Rowan 2010). Uma em cada 11 crianças e jovens de 8 a 18 anos é viciada em tecnologia (Gentile 2009).

9. Emissão de radiação

Em maio de 2011 a Organização Mundial de Saúde classificou os telefones celulares (e outros aparelhos sem fios) como risco de categoria 2B (possivelmente carcinogênico), devido à emissão de radiação (OMS 2011). Em outubro de 2011, James McNamee, da Health Canada, lançou um aviso cautelar dizendo: “As crianças são mais sensíveis que os adultos a uma série de agentes, porque seus cérebros e sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento.” (Globe and Mail 2011). Em dezembro de 2013 o Dr. Anthony Miller, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Toronto, recomendou que, com base em pesquisas novas, a exposição a frequências de rádio seja reclassificada como risco de categoria 2A (provavelmente carcinogênico), não 2B (possivelmente carcinogênico). A Academia Americana de Pediatria pediu uma revisão das emissões de radiação de campo eletromagnético de aparelhos de tecnologia, citando três razões relativas ao impacto sobre as crianças (AAP 2013).

10. Insustentável

O modo em que as crianças são criadas e educadas com a tecnologia deixou de ser sustentável (Rowan 2010). As crianças são nosso futuro, mas não há futuro para crianças que fazem uso excessivo de tecnologia. É necessária e urgente uma abordagem de equipe para reduzir o uso de tecnologia pelas crianças.

As Diretrizes de Uso de Tecnologia para crianças e adolescentes, vistas abaixo, foram desenvolvidas por Cris Rowan, terapeuta ocupacional pediátrica e autora de Virtual Child; o Dr. Andrew Doan, neurocientista e autor de Hooked on Games; e a Dra. Hilarie Cash, diretora do Programa reSTART de Recuperação da Dependência da Internet e autora de Video Games and Your Kids, com contribuições da Academia Americana de Pediatria e da Sociedade Pediátrica Canadense, no intuito de assegurar um futuro sustentável para todas as crianças.

Diretrizes de Uso de Tecnologia para Crianças e Adolescentes:

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Madre Teresa de Calcuta

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Criança querida

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Criança querida

Renate Keller Ignacio

Fonte: Texto extraído do livro “Criança Querida”

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“Nada podemos conseguir com as crianças pequenas, senão dando o exemplo, fazendo antes para que a criança possa nos imitar. Se eu pegar um pauzinho e colocá-lo na cesta, a criança que está ao meu lado vai imitar este gesto imediatamente. Se eu ainda acompanhar esses gestos com músicas ou versos rítmicos, então a criança vai imitar-me com mais prazer. ”

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“Quanto menor é a criança, menos ela obedece ao adulto. Podemos dizer mil vezes a uma criança: “Faça isto, fique quieta, faça aquilo”, e é como se nada tivéssemos dito. A criança pequena não age porque nós mandamos, porque quer ser uma menina “boazinha”, mas de forma totalmente impulsiva, inconsciente. Conforme as forças formativas estão trabalhando em seu interior, num movimento rítmico, a criança age para fora, ora pulando, ora deitando no chão, ora juntando pedrinhas no bolso e, na mesma hora já despejando tudo no chão. “Não faça isso, filhinha!” “Pare de pular, Joãozinho!” Os adultos gritam, muitas vezes irritados com essa atividade constante e com sua impotência em comandar os pequeninos como querem. O fato é que as crianças não tem capacidade de compreender o porquê do permitido e do proibido.

Mas, como é que nós podemos trazer ordem a esse caos? Que podemos fazer para que as crianças arrumem seus brinquedos, ou façam uma roda, ou entrem em casa depois de brincar lá fora? A palavra mágica é “imitação”. Nada podemos conseguir com as crianças pequenas, principalmente com as menores de quatro anos, senão dando o exemplo, fazendo antes para que a criança possa nos imitar. Se eu pegar um pauzinho e colocá-lo na cesta, a criança que está ao meu lado vai imitar este gesto imediatamente. Se eu ainda acompanhar esses gestos com músicas ou versos rítmicos, então a criança vai imitar-me com mais prazer. ”

“Com as crianças acima de três ou quatro anos, já podemos conversar de maneira diferente. Uma pequena parte daquela força formativa, que permeava por inteiro o corpo da criança antes dos três anos, libertou-se do físico e vive agora em sua alma, como fantasia infantil.

Nessa idade, de três a cinco anos, a criança brinca realmente, mas sem persistir muito tempo na mesma brincadeira. Seu brincar é leve, dançando, transformando tudo. Um pauzinho pode ser uma boneca que ela abraça carinhosamente; logo depois, já joga no chão porque viu outra coisa mais interessante: uma casca de coco que lhe serve de chapéu; ela é soldado e anda contando, marchando pela sala. Quando tira o coco da cabeça, ela acha pedrinhas que põe em sua panelinha, para fazer comida para seus filhinhos, e assim por diante.

A fantasia da criança não conhece limites, pinta um quadro atrás do outro, conta uma história atrás da outra. Se quisermos conversar com uma criança desta idade, temos de entrar no seu mundo movimentado. E isso às vezes é muito difícil, pois nossa cabeça já está dura, não temos idéias. Perto da fantasia das crianças, nossas idéias parecem uma pedra cinzenta ao lado de uma borboleta. Mas, se quisermos trabalhar com crianças dessa idade, temos de pôr nossa cabeça em movimento, temos de desenvolver nossa fantasia. Os melhores professores para isso são as próprias crianças.

Por exemplo: um grupo de crianças montou uma gruta no meio da floresta, com galhos de árvores e pedras. No meio da floresta, as crianças puseram muitos bichinhos de madeira, e na gruta, esconderam os anões. Chegou a hora de arrumar. Então, em vez de dizermos: “Crianças, vamos arrumar, esta na hora”, vamos falar assim: “Você, Pedro, é o pastor que leva todos os animais para o estábulo. Já está de noite, eles precisam ir embora para descansar. E os anões já trabalharam muito dentro da montanha, vamos levá-los para sua casa. Agora, temos que chamar um lenhador. Você, José, quer ser o lenhador que põe toda essa madeira no seu caminhão?” E assim, sem interromper a brincadeira das crianças, podemos levá-las a fazer aquilo que precisa ser feito para seguir o ritmo do dia, neste caso, arrumar. ”

Outra fonte de imagens são os contos de fada: eles não descrevem acontecimentos reais, mas são imagens que espelham o que se passa dentro da alma humana. O príncipe e a princesa, o lenhador, a madrasta, o caçador, o soldado são imagens para qualidades de nossa alma. Todas as pessoas tem dentro de si uma princesa, e todos conhecem também o dragão, aquela força escura, explosiva, descontrolada, inconsciente, que ás vezes ameaça devorar a princesa, nosso ideal mais puro, mais íntimo. Também conhecemos o que significa perder-se na floresta e não achar o caminho de casa. As crianças compreendem estas imagens de uma forma direta. Elas vivem em imagens. Podemos, então, dizer para um menino que chuta, bate, esperneia descontroladamente: “Pedro, segure as rédeas, seu cavalo está disparando. Você precisa aprender a ser um bom cavaleiro”. Esta imagem vai tocá-lo muito mais profundamente do que se eu disser simplesmente: “Pare com isto! Bater é feio!”

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Reflexões sobre a pena de morte

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Reflexões sobre a pena de morte

Valdemar W.Setzer – 24/04/07

Fonte: www.ime.usp.br/~vwsetzer – clique e conheça

pena de morte

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“Um dos sentidos para a vida humana poderia ser o desenvolvimento da individualidade superior, distinta da individualidade do corpo, das memórias, dos sentimentos, etc., que estaria presente em cada ser humano. Cada ser humano é único no universo pois tem características próprias que não ocorrem em nenhum outro.”

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Introdução

Devido à comoção provocada pelo bárbaro assassinato do menino João Hélio no Rio de Janeiro, quando foi arrastado pelo cinto de segurança por assaltantes jovens que haviam roubado o carro de seus pais (ver meu artigo “Violência – o que fazer?“, onde aponto para soluções para o problema da violência distintas das normalmente aventadas), muitas pessoas, inclusive acadêmicos, manifestaram-se a favor da reintrodução da pena de morte no Brasil.

Neste artigo, abordo as razões em geral levantadas a favor da pena de morte, e apresento dois grupos de razões contra a mesma: as triviais e as profundas. Nestas últimas o leitor encontrará minhas principais razões para ser contra a pena de morte.

Razões a favor da pena de morte

Os principais argumentos a favor da pena de morte são os seguintes (não vou comentá-los pois são óbvios).

  • A pena de morte inibe os criminosos.
  • Eliminam-se indivíduos indesejáveis à sociedade.
  • Diminuem-se os custos com carceragem.

Razões triviais contra a pena de morte

1. A pena de morte não tem efeito inibidor.

Aparentemente, esse é o caso em países em que ela existe. No entanto, no caso dos assassinos de João Hélio, sua intenção não era matar. Como escrevi no artigo citado acima, provavelmente eles saíram dirigindo o carro roubado em desabalada carreira, perdendo a capacidade de pensarem conscientemente no que estavam fazendo; é possível que estivessem reagindo como em jogos eletrônicos violentos, nos quais o jogador tem que reagir automaticamente, instintivamente, pois se pensar nas situações do jogo perde pontos ou é “morto” pelos “inimigos”. Obviamente, a pena de morte só poderia inibir prováveis assassinos em casos de assassinatos premeditados.

2. Há possibilidades de inocentes serem condenados à morte.

Um exemplo clássico dessa razão são os vários casos de condenações injustas que ocorreram nos EUA, tendo-se verificado a inocência do condenado depois que este foi executado.

3. A pena de morte vai contra a cultura ocidental.

De fato, desenvolveu-se na cultura ocidental um sentimento muito forte de respeito pela liberdade, pela dignidade e pela vida humanas. A pena de morte parece ser um retrocesso a tempos passados. Qualquer retrocesso a tempos já passados leva a uma degeneração, pois o ser humano e a cultura não são mais os mesmos.

4. O assassino tem que ser punido, isto é, sofrer pelo que fez (pelo menos, com a perda da liberdade).

Executando-se o assassino, ele não sofre mais.

Razões profundas contra a pena de morte

Estou de acordo com as razões triviais expostas acima. No entanto, tenho algumas razões profundas para ser contra a pena de morte.

1. Imprevisibilidade do ser humano.

É impossível prever qual será o futuro de um ser humano. Existe um número enorme de casos em que, por exemplo, uma pessoa suplanta enormes dificuldades, que são aparentemente praticamente intransponíveis. São casos de doenças incuráveis, ou de dificuldades físicas e psicológicas, indicando que a pessoa jamais conseguiria, por exemplo, um sucesso na vida profissional ou social. São também casos de dificuldades financeiras, como por exemplo a necessidade de trabalhar precocemente, em lugar de estudar. No entanto, há pessoas que conseguem quase que milagrosamente ir contra todos os prognósticos negativos e realizar grandes feitos para a humanidade. Um caso concreto que logo vem à mente foi o de Hellen Keller que, apesar de cega e surda e muda desde os 2 anos de idade, tornou-se um exemplo mundial de vontade de viver e de altruísmo (ver, por exemplo, http://en.wikipedia.org/wiki/Helen_Keller). Um outro foi o de Anne Frank, uma menina ainda sem expressão, que se tornou, apesar da restrição à sua liberdade, um símbolo do sofrimento provocado pelo totalitarismo e desumanidade. Einstein não foi um estudante promissor, tendo sido reprovado inicialmente nos exames de ingresso à universidade; de um simples funcionário em um departamento de patentes, passou a um dos maiores gênios científicos de todos os tempos. Finalmente, outro caso, mais afeto ao nosso tema, foi o de Henri Charriàre, autor do famoso livro Pappillon que, condenado à prisão perpétua e ao degredo, escreveu uma obra que se tornou um símbolo para a luta pela liberdade.

Essa imprevisibilidade engloba qualquer ação humana. Portanto, não se pode garantir que o pior assassino não venha um dia a regenerar-se, passando a ser um cidadão que possa novamente integrar-se sadiamente à sociedade e, quem sabe, dar uma contribuição positiva única para ela.

2. Não sabemos o que é a vida humana.

A imprevisibilidade abordada no item anterior é conseqüência de um fato: não sabemos o que é a vida, em particular a vida humana. Temos uma noção intuitiva do que vem a ser a vida, em particular a vida humana, mas de modo algum temos uma teoria científica que a explique (a esse respeito, veja-se meu artigo “Desmistificação da onda do DNA“) e que nos faça compreendê-la a ponto de podermos decidir se ela deve ser eliminada ou não. Rudolf Steiner (1861-1925, ver www.sab.org.br), em um de seus livros básicos, coloca uma observação muito profunda: se um certo animal é eliminado, a sua espécie não desaparece; todas as características da espécie perpetuam-se nos outros indivíduos da mesma. No entanto, cada ser humano é único no universo pois tem características próprias que não ocorrem em nenhum outro. É como se, principalmente do ponto de vista mental, cada ser humano fosse equivalente a toda uma espécie animal. Eliminar um ser humano é como eliminar toda uma espécie. Essa individualidade faz com que se possa concluir: se matarmos uma pessoa, algo de único desaparece no universo; que direito temos de decidir eliminá-la, se não compreendemos profundamente o que significa sua vida e se está na hora de ela desaparecer?

O conhecimento intuitivo de que, matando-se uma vaca, a espécie das vacas continua a mesma, talvez seja o motivo que leva certas pessoas a comerem carne de vaca. Por outro lado, o perigo do desaparecimento de uma espécie, como a de um certo tipo de baleia, faz com que certas pessoas reajam e lutem para que esse desaparecimento não ocorra. O reconhecimento de que cada indivíduo humano é como uma espécie animal deveria necessariamente levar à atitude moral de que não se devem matar pessoas.

Note-se que não são os animais que estão mudando o mundo, mas sim o ser humano – infelizmente, de muitos pontos de vista, para pior. Reforçando o que foi dito na razão C5, cada ser humano pode vir a ser um fator imprevisível para uma mudança positiva no mundo – independentemente do que ele tiver feito de negativo anteriormente.

A visão espiritualista da natureza humana

Existem duas visões de mundo mutuamente exclusivas (no sentido de que, se uma pessoa adotar uma, não pode adotar a outra) sobre o ser humano: as visões materialista e espiritualista. A visão materialista considera que qualquer coisa ou processo no universo, em particular o ser humano, é um sistema puramente físico, sujeito exclusivamente ao comportamento físico da matéria ou energia físicas. Note-se que é errado considerar o ser humano como sendo uma máquina, pois todas as máquinas foram projetadas e construídas por seres humanos (eventualmente, com ajuda de outras máquinas), e nenhum ser humano foi projetado ou construído (alguns podem até ter sido bem planejados pelos pais, mas certamente não foram projetados e nem construídos…). Por isso usei a expressão de que o ser humano seria, na concepção materialista, um “sistema físico” e não uma “máquina”, como se costuma dizer modernamente (a antiga sabedoria impedia as pessoas de fazerem tal afirmação errônea – a primeira manifestação escrita parece ser a J.O. de La Méttrie, que em 1748 publicou seu livro L’Homme-machine).

Por outro lado, uma visão espiritualista moderna do mundo admite, como hipótese de trabalho, que existem elementos não-físicos em qualquer ser vivo (daí ele ter vida), bem como processos não-físicos no universo. Para que essa visão seja moderna, adequada ao ser humano atual, ela não deve ser baseada em crenças ou misticismo. Uma pessoa que tem crenças adota certos pontos de vista sem questioná-los, como os dogmas. Uma pessoa mística é a que admite a existência de processos não-físicos baseando-se em um sentimento de que eles existem. Ambos não procuram compreender esses processos ou observar objetivamente sua manifestação. Não vou expor aqui as várias razões para eu ter adotado uma visão espiritualista moderna; remeto o leitor interessado ao meu artigo “Por que sou espiritualista“, onde exponho detalhadamente essas razões.

Do ponto de vista materialista, a vida humana e o universo não podem fazer sentido; simplesmente existem, frutos do acaso na evolução. Em particular, é interessante notar como o neo-darwinismo, uma das manifestações do materialismo e também um de seus pilares, é baseado, por um lado, em mutações genéticas aleatórias, casuais, e por outro no determinismo da seleção natural. Ele considera que a evolução não tem objetivo, simplesmente ocorre, o que também retira totalmente qualquer sentido para a vida, em especial a vida humana.

Somente com uma visão de mundo espiritualista pode-se fazer a hipótese de que há um sentido para o universo e para a vida, e investigá-lo. Um dos sentidos para a vida humana poderia ser o desenvolvimento da individualidade superior, distinta da individualidade do corpo, das memórias, dos sentimentos, etc., que estaria presente em cada ser humano (mas não nos animais e nas plantas). É devido a ela que gêmeos univitelinos, isto é, com os mesmos genes, que foram criados juntos e estiveram nas mesmas classes, teriam interesses, ideais, profissão e vida em geral totalmente diferentes. O desenvolvimento dessa individualidade superior seria a razão para que ela esteja encarnada em um corpo físico.

Matar uma pessoa é impedir esse desenvolvimento. É óbvio que a sociedade tem que se proteger de um indivíduo que impede outros de se desenvolverem, por exemplo assassinando-os. Mas isso não significa que é necessário matar o assassino. Um confinamento – desde que seja digno – pode dar-lhe a oportunidade de reconhecer seu erro, arrepender-se e regenerar-se.

Isso nos leva a um ponto colateral fundamental: qual deveria ser a razão do confinamento de um criminoso? Se não me engano, isso está em nossas leis: o sistema prisional deve ter as finalidades de prover um confinamento, isto é, isolar socialmente o criminoso para que se impeça que a pessoa pratique outros atos criminosos enquanto ela tiver impulsos dessa natureza; deve servir de castigo, mostrando para o criminoso e o resto do mundo que vale mais a pena não cometer crimes; finalmente, deve ser correcional, isto é, provocar uma mudança na pessoa a fim de que ela deixe de ser criminosa e possa ser útil à sociedade.

Ora, condenando-se uma pessoa à morte, deixa-se de dar um castigo que sirva de exemplo para a vida futura dessa pessoa (o exemplo só valeria para os outros), impede-se que ela se conscientize plenamente do mal que fez – talvez um processo demorado –, e não se tem o efeito correcional. Tem-se falado da diminuição da maioridade penal. O que se deveria discutir é qual a melhor maneira de corrigir os desvios anti-sociais mostrados pelo menor, isto é, qual a melhor pena a ser aplicada. Nesse sentido, sou contra penas fixas, para menores ou adultos. O confinamento deveria durar, em qualquer caso, tanto quanto levasse para que a pessoa reconhecesse seu erro e mudasse de comportamento, tornando-se um ser positivamente social. É claro que não é fácil avaliar essas características, pois são psicológicas; mas isso poderia ser feito gradativamente, dando-se à pessoa a chance de mostrar que se regenerou. Acima de tudo, é preciso respeitar a dignidade humana – mesmo do pior assassino (apesar de ele não ter respeitado suas vítimas…). A propósito, do ponto de vista materialista, não faz sentido falar-se em dignidade humana, pois da matéria não pode advir dignidade. Por outro lado, animais e plantas não têm dignidade – há algo de não-físico no ser humano que não está presente nos outros dois, e que lhe confere características não existentes em plantas e animais: liberdade, auto-consciência e individualidade superior. Sem liberdade, não se pode falar em dignidade ou em responsabilidade. No entanto, da matéria não pode advir liberdade – ver o meu artigo citado “Por que sou espiritualista” para sugestões de experiências pessoais que levam qualquer pessoa a admitir que pode ser livre em seu pensamento, o que deveria indicar-lhe que a hipótese espiritualista tem fundamento, bem como considerações originais sobre como algo não-físico pode atuar sobre a matéria física.

Não há nenhuma chance de se mudar uma pessoa para melhor tratando-a indignamente. Nosso sistema prisional mostra isso claramente: as condições desumanas e indignas dos presos fazem com que as prisões sejam verdadeiras escolas de crimes, e não escolas de cidadania. Em particular, elas deveriam prover trabalho, atividades sociais (de ajuda a outros) e artísticas, para que haja a reeducação necessária. Sem trabalho, sem a pessoa sentir-se socialmente útil e necessária, não há vida digna. Por outro lado, atividades artísticas bem feitas sempre, absolutamente sempre, elevam e dignificam o ser humano. Houve um exemplo disso justamente em um sistema correcional: na antiga FEBEM em São Paulo, o “Projeto Guri”, uma iniciativa de se ensinar música e formar orquestras de jovens deu resultados absolutamente extraordinários no sentido da recuperação dos jovens envolvidos.

Quem sabe muitas pessoas estão sendo a favor da pena de morte, sem perceberem que isso é conseqüência inconsciente de seu conhecimento do resultado do nosso desumano sistema prisional, isto é, de que o prisioneiro será solto invariavelmente pior do que quando entrou na prisão. Devemos corrigir a raiz do mal ou criar paliativos desumanos? Nesse sentido, claramente uma boa parte da raiz está em nossa miséria social. Acabe-se com a miséria social e a criminalidade certamente vai diminuir, e muito. Regulamente-se o uso de drogas, e estas deixarão de provocar o crime. Em nossos corruptos sistemas parlamentar, governamental, judiciário, e policial, sinto uma comichão de pensar que não há interesse financeiro em terminar com o problema das drogas, assim como não há interesse em diminuir o terrível consumo de bebidas alcoólicas, por exemplo eliminando ou mesmo restringindo a sua propaganda (principalmente pela TV, esse veículo de condicionamento de comportamento); tanto drogas psicotrópicas como bebidas alcoólicas são causas preponderantes nos crimes e acidentes resultando em mortes.

A questão da miséria social leva a um problema complicado no Brasil. Se um preso é tratado dignamente na prisão, em muitos casos, senão na maioria deles, a vida prisional seria muito melhor da que a pessoa tinha antes do confinamento – e mais segura! Isso é mais um fator para a prioridade neste país ser acabar urgentemente com a miséria social. Mas isso passa por uma educação escolar decente. Faça-se uma experiência que eu fiz pontualmente: pergunte-se a tabuada para um aluno no fim do ensino fundamental ou no ensino médio público; se o jovem souber a tabuada, peça-se-lhe para fazer uma divisão. O terrível resultado, provavelmente semelhante ao que obtive com vários jovens, mostrará a falência de nosso sistema público de ensino (ver considerações sobre isso em meu artigo “Considerações sobre o projeto ‘um laptop por criança’”).

Resumo

Sou contra a pena de morte, principalmente por ser espiritualista. Minha visão de mundo espiritualista faz-me adotar a hipótese de trabalho de que existe uma essência não física, individual, em cada ser humano. A vida humana não é um acaso, ela existe para que essa essência desenvolva-se. Matar uma pessoa é impedir esse desenvolvimento. Não temos o conhecimento necessário e suficiente dessa individualidade superior humana para concluir que uma pessoa deveria ser eliminada e deixar de se desenvolver.

Para proteger a sociedade, um criminoso deve ser confinado enquanto não mudar sua mentalidade e sua atitude. No entanto, deve-se dar a ele a chance de efetuar em si próprio essa mudança. Para isso, é absolutamente necessário que o preso seja tratado com dignidade. Porém, enquanto houver miséria social e educacional, é difícil falar em dignidade do preso e concretizá-la.

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Madre Teresa de Calcuta

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A vida não é um lugar a se chegar, é um lugar a se estar

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A vida não é um lugar a se chegar, é um lugar a se estar

Milene Mizuta

Fonte: www.liderdesi.web587.kinghost.net – clique e conheça

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“Quem tenta ajudar uma borboleta a sair do casulo, a mata.
Quem tenta ajudar um broto a sair da semente, o destrói.
Há certas coisas que não podem ser ajudadas.
Tem que acontecer de dentro.”

Rubens Alves

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Primeiro quero dizer que esse texto foi escrito porque uma mulher, no nordeste desse país, mais especificamente na cidade de Natal, foi violentada, quando tentava fazer algo que trata-se de um processo natural da vida, o processo de parir.

Para quem ainda não viu nada sobre esse absurdo, deixo aqui um link. Nesse momento tudo que eu gostaria era dar um abraço nela, não dizer nada, nem perguntar nada, só dar um abraço e afagar seu cabelo.

Através da Antroposofia, ciência que escolhi como caminho de vida, quero trazer o que entendo sobre esse momento do parto.

Durante nossa existência existem dois “portais” que adentramos que nos torna humanos. O primeiro é no dia do nascimento, entramos nesse mundo de forma totalmente inconsciente, somos paridos por alguém, nascemos com uma matéria tão singela e plástica que quando nos deparamos com um recém-nascido temos a impressão que aquele corpo pode ser modelado, e é isso que realmente acontece, fisiologicamente nosso organismo vai “terminar” de amadurecer fora do útero, minha fontanela vai ser fechada, meus órgãos sensórias se abrirão para o mundo, meus órgãos serão totalmente  influenciados pelo meio em que vivo e assim terminarão de se desenvolver, esse desenvolvimento termina especificamente próximo aos 21 anos, quando atingimos a maioridade, até lá, tudo ao me redor me forma. Quando acabamos de nascer, somos como que esponjas que vamos absorvendo tudo que existe ao nosso redor, o bebê é um órgão sensorial em todas as partes do seu corpo, ela vivencia o prazer e o desprazer, esses sentimentos ficam em sua alma e passam a ser um filtro para o mundo. A criança sente o que sua mãe sente, os sentimentos presentes na alma de sua mãe no momento do nascimento fazem com que a criança vivencie a sua chegada ao mundo daquela forma. O sentimento torna-se um filtro de como o mundo o recebe, uma mãe que sofre medo e violência no momento do parto, gera um sentimento de um mundo duro e frio, onde a criança não quer estar, uma mãe que se sente incapaz de parir, que entrega todo esse processo na mão da medicina, pode trazer um sentimento de insegurança e descrença nos processos da vida, mas fora isso, podemos ter mais mil variações do mesmo tema, atendo adultos que carregam filtros sobre a vida, que são desvelados a partir do seu nascimento que tenho até medo de dizer, e tudo isso fica guardado lá no inconsciente e que não podemos apagar, somente lidar com eles para o resto da vida. Esse é nosso primeiro portal.

O segundo é no momento de nossa morte. Sim, só nos tornamos seres humanos quando através da nossa biografia vivenciamos – e não entendemos – todos os mistérios que nos compõe quanto ser humano, e a morte, é um deles. Não é possível se tornar humano sem morrer, porque a morte faz parte da existência humana. Diferente da criança que chega inconsciente, adentramos no portal da morte de forma totalmente consciente, sabendo quem somos. Dias antes da morte o indivíduo vivencia, quase que na maioria dos casos, um fenômeno chamado pela medicina de “melhora da morte”, pacientes desenganados, abruptamente tem uma melhora, o que faz com que na maioria dos casos a família “relaxe”, e se afaste emocionalmente daquele indivíduo, quando isso acontece, ele morre, assim como no nascimento, a morte é um processo que esta diretamente ligado a laços emocionais e não somente físicos.

Isso nos mostra claramente que se tornar humano é em resumo, vivenciar os processos da vida.

Para nascer existe um processo, a gravidez, o trabalho de parto, o parto, o pós parto. O bebê só se torna bebê quando vivencia o processo de mamar, necessitar de cuidados, chorar, descobrir suas próprias mãos, quando esta junto a sua mãe, a criança só se torna criança quando brinca, quando chora, quando vai para escola, quando perde os dentes, quando descobre seu primeiro amor, o adolescente só se torna adolescente quando contrapõe o sistema, quando se rebela contra o mundo, quando sente os hormônios sexuais em ebulição, quando ouve sua primeira banda de rock, quando dá seu primeiro beijo, o Jovem só se torna jovem quando entra na faculdade,  quando tem seu primeiro emprego, quando disputa coisas com outros, o adulto só se torna adulto quando encontra um lugar no mundo, quando encontra um parceiro, quando chora por amor, quando entra em sua casa, quando se questiona sobre o sentido da vida, quando paga suas contas e dá conta de seu nariz, o ancião só se torna ancião, quando aceita sua história, quando dá importância ao que é essencial, quando redescobre a fé, quando ouve mais que escuta, quando aceita velhice, quando envelhece, quando adoece. E tudo isso demora, leva tempo, não pode ser feito da noite para o dia. Tudo isso chama-se processo.

E aceitar que a vida é um processo é viver o hoje, e dar espaço para ele acontecer.

Se nascer é um processo, oito horas de trabalho de parto podem ser pouco, se viver é um processo, uma vida inteira pode ser pouco, se morrer é um processo, anos podem ser pouco.

Viver o processo é viver a vida, simples assim.

Essa menina que pedia desesperadamente por um parto humanizado, estava dizendo nas entrelinhas: “Eu quero viver o processo!!”. Ela queria nada mais que olhar para trás em sua vida e se lembrar de todas as dores, medos, alegrias e maravilhas do nascimento do seu primogênito. Ela queria se conectar com seus sentimentos através daquele processo. Ela queria viver o nascimento de seu filho e não simplesmente passar por ele.

E por esse motivo não queremos vivenciar o processo, porque vivenciar o processo é inevitavelmente nos conectar com nossos sentimentos, quando vivenciamos uma situação em nossas vidas de forma processual, passo a passo, vão surgindo em nossas almas sentimentos. Dentro de um processo eu consigo conectar aquilo que penso e aquilo que sinto através de vivências terrenas. Trazendo para exemplos práticos, podemos dizer que compreender o que é um parto através de informações científicas é uma parte do processo, a outra parte diz respeito a vivência na prática, sentir o que aquilo causa,  elaborando essas duas coisas eu tenha no futuro a capacidade de fazer de forma plena e livre novas escolhas para meu caminho.

A vida não é um objetivo, ela não é uma meta, ela é um processo, não existe um lugar a se chegar, existem processos a serem vividos que vão se somando de forma paulatina e que ao final da vida me dão a consciência de quem eu sou.

Somos uma somatória de processos; o processo de aprender a andar, o processo de aprender a falar, o processo de entrar na escola, o processo de ler, o processo de se apaixonar, o processo de se “desapaixonar”, o processo de aprender a amar, aprender a perdoar, aprender a viver junto, aprender a dizer não, aprender a confiar, aprender a dizer sim, aprender a ser mãe, aprender a ser pai, aprender a ser só, aprender e desaprender, para todas as coisas existem processos que acontecem no tempo.

Temos o sentimento de que o tempo é escasso, procuramos tempo, eliminamos coisas, diminuímos o tempo das coisas, e o sentimento de vazio aumenta mais e mais.

Não podemos perder tempo em chorar, sentir, doer, cansar, cair, tiramos de nós a possibilidade de viver uma vida cheia de significado, cheia de experiências plenas, cheia de lembranças calorosas, tiramos de nós a possibilidade de sermos as experiências que vivemos e estamos nos tornando uma somatória de dados que ao final do dia, da semana e do mês não nos levaram a lugar algum.

Porque a vida não é um lugar a se chegar, a vida é um lugar a se estar. E nisso mora a grandiosidade e a beleza de ser humano, conseguimos através de nossos sentimentos viver o presente, conseguimos no primeiro beijo, no afago ao filho, na alegria do encontro com amigos, vivenciar a plenitude do agora, que torna aquele momento atemporal, nos acompanhando por toda vida e além dela.

Voltando a mulher e ao médico que me inspiraram esse texto, a essa mulher eu desejo que ela viva o processo da dor que lhe foi causada e perceba que ela na mais pura essência humanizou seu parto, buscando incansavelmente vivenciar o processo e o vivenciou tão profundamente que nos tocou e nos tornou mais humanos. E ao médico eu desejo que no momento de sua morte, ele esteja em casa, sem tubos, sem macas, rodeado de amores e afetos ao seu lado, pacientemente o acompanhando nesse momento, mostrando para ele que a vida é feita disso, de se dar tempo para que o indivíduo alcance sua mais linda tarefa, a de se humanizar vivenciando os processos da vida.

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A Relação Entre Gratidão e Ajuda Mútua

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Sobre a Prática do Altruísmo

A Relação Entre Gratidão e Ajuda Mútua

Carlos Cardoso Aveline

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“Ao ajudar alguém, pois,  não devemos ter a intenção de retribuir algo que essa pessoa específica já fez por nós, nem devemos esperar que essa mesma pessoa retribua, agora ou mais adiante. É com a Vida  como um todo que a contabilidade é feita.  E podemos confiar,  com toda tranquilidade, no fato de que as nossas futuras colheitas corresponderão, com justiça, ao que nós realmente plantamos.”

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Há uma prática do altruísmo que  é espontânea.  Ela brota  natural e até inevitavelmente na consciência de alguém que possui uma concepção mais ampla da vida.

Um pai, por exemplo,  cuida da criança e dá elementos para que ela cresça em segurança mesmo quando ela não entende o processo nem  sabe o que está acontecendo.  O papel do pai é cuidar, e ele tem prazer nisso. O  papel da criança é ser cuidada, e não é entender nem valorizar a ação do ser mais velho e mais experiente. É precisamente nisso que consiste o fato de ser criança, no plano psicológico ou espiritual.

A compreensão do mistério do altruísmo surge quando se amplia a noção de tempo.

A verdade é que alguém deve haver “cuidado” do pai quando ele era mais novo e  não sabia das coisas. Assim, o jeito dos mais jovens retribuírem à vida, quando eles finalmente têm experiência suficiente para entender o que receberam, está em ajudar outras tantas e novas crianças  ao longo do caminho da aprendizagem, que é trilhado por todos, “mestres” e “discípulos” igualmente.

Cada geração planta o que a próxima geração irá colher,  e assim se completa o círculo virtuoso da sustentação da vida. Este é um círculo que se renova constantemente,  que não teve início e não terá fim.

Três fatores reforçam o fato de que a vida é um treinamento constante em desapego e em impessoalidade:

1) O fato de não entendermos  bem o que  recebemos na primeira etapa da vida ou da caminhada;

2) Mais tarde,  o fato de não podermos  retribuir diretamente a quem nos ajudou;

3) Do ponto de vista da alma mais experiente,  o ato de cuidar do crescimento do outro sem exigir “compreensão” ou “gratidão”.

Na verdade, essa “ajuda” aparentemente unilateral  só parece algo “sem retorno” enquanto não se percebe que,  mais do que quaisquer  “relações pessoais”,  o nosso único e grande relacionamento é com a Vida mesma, toda ela em seu conjunto;  e que este relacionamento com a Vida se dá ATRAVÉS das pessoas que conhecemos.  A qualidade dos relacionamentos “pessoais” na verdade depende da qualidade do relacionamento com a Vida Em Geral.

Ao “ajudar” alguém, pois,  não devemos ter a intenção de retribuir algo que essa pessoa específica já fez por nós, nem devemos esperar que essa mesma pessoa retribua, agora ou mais adiante. É com a Vida  como um todo que a contabilidade é feita.  E podemos confiar,  com toda tranquilidade, no fato de que as nossas futuras colheitas corresponderão, com justiça, ao que nós realmente plantamos.

O primeiro desafio é, pois, saber plantar, antes de querer colher.  O segundo desafio é saber esperar até que as boas ações frutifiquem. O terceiro desafio consiste em saber que,  enquanto esperamos,  devemos continuar plantando.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Antropologia e Zoologia – A configuração humana

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Antropologia e Zoologia – A configuração humana

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“A cabeça, o tronco e os membros podem ser vistos como metamorfoses da forma geometricamente perfeita da esfera: a cabeça é a esfera perfeita, assim como é o Sol, o tronco é algo fragmentário como a Lua e os membros irradiantes como as estrelas.”

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O critério decisivo que podemos visualizar na configuração humana é a trimembração do corpo físico. Nos anos seguintes, esse critério será completado por vários outros aspectos. Trata-se aqui de uma visão particular, conveniente ao 4º ano e que deve ser apresentada sob a forma de um aspecto geral. A cabeça, o tronco e os membros podem ser vistos como metamorfoses da forma geometricamente perfeita da esfera: a cabeça é a esfera perfeita, assim como é o Sol, o tronco é algo fragmentário como a Lua e os membros irradiantes como as estrelas: É preciso lidar com esses elementos de maneira concreta e artística e com muitas variações de exercícios. Para isso, se oferece a observação concreta de pessoas, de desenhos, de formas, de modelagem, de pintura, e da recitação de poesias apropriadas. É importante tratar detalhadamente das funções relacionadas com as diversas partes do corpo. O que faz o homem com a sua cabeça, com o tronco e com os membros? Se estas relações forem assimiladas artisticamente e em conformidade com a vida real, então um desenho, mencionado por R. Steiner em seu curso metodológico e didático, poderá ser incluído de forma viva no ensino.

As crianças descobrem rapidamente o essencial:

“O que pode ser feito coma cabeça?”

“A gente pode ver com ela”.

“Pode-se ouvir”.

“O nariz permite cheirar”.

“A gente pode sentir o sabor de algo”.

“Ela nos permite pensar”.

Todas essas observações podem ser estimuladas e resumidas pelo professor. Com a cabeça e com seus órgãos, o homem pode formar uma imagem do mundo, percebendo-o e refletindo sobre ele. Com isso, ele carrega dentro de si um mundo próprio, que forma um mundo à parte do grande mundo, e que leva uma vida própria. O homem conquista a sua autonomia pela organização da sua cabeça. Se um artista quisesse dar a isso uma forma de imagem, como o faria?

“Procurem vocês mesmos fazê-lo”.

Ora, nada exprime de maneira mais abrangente e elementar essa forma autônoma, emancipada do resto do mundo, do que essa esfera. Os alunos reconhecem que a função e a forma da cabeça correspondem uma à outra.

Uma relação análoga pode ser observada no tronco. A forma está fechada na parte posterior do tronco e em direção à cabeça, é mais aberta na frente e na parte inferior, ou seja, em uma direção o tronco se aproxima da esfera e, em outra ele forma uma concha, que é a forma de um fragmento de esfera. Quais as funções que ocorrem nesse âmbito? São os processos rítmicos da respiração e da circulação. A respiração revela que se trata de uma alternância entre algo interior e algo exterior. O homem inspira e expira, ele acolhe algo do mundo exterior, assimila-o e devolve-o transformado ao mundo exterior. Ele transforma o grande mundo, um pouco, em algo que é dele, mas não termina esse processo defmitivamente, já que devolve ao mundo o que dele recebeu, embora um tanto transformado. A imagem cristalizada fisicamente dessas e de outras funções do homem, na sua parte mediana, é o hemisfério.

As crianças perceberão logo que a forma irradiante dos membros é uma imagem visível dos impulsos da vontade que se dirigem para fora. Os braços e as pernas permitem ao homem atuar no mundo do trabalho. Como os raios, suas intenções se dirigem ao mundo ambiente por meio dos seus órgãos da atividade. Nessa oportunidade convém apontar para as duas direções implícitas na radiação. Através dos membros, não temos apenas um fluir de dentro para fora. Algo flui para fora através dos membros, mas aquilo que os membros produzem testemunha sempre que algo penetrou dentro do indivíduo, nos impulsos da vontade que têm sido provocados nele. Também neste caso, a função e a forma corpórea constituem uma unidade.

Quando as crianças dão a isso uma expressão artística plástica, talvez convenha chamar a atenção delas para a força que plasma a esfera de dentro para fora e para a força que de fora dá forma aos membros dirigidos para fora. Um é a imagem do repouso, o outro reflete a dinâmica e ambos correspondem às funções das respectivas áreas.

Ao colocar-se em atitude de reflexão perante o objeto em questão, a criança conheceu um primeiro aspecto configurador da Fisiologia humana, no sentido de um agrupamento de função. Este aspecto se revelará fecundo quando for estudado o universo dos animais.

A experiência prática confirma que uma introdução antropológica requer, ao menos, três dias, e possivelmente, uma semana inteira. Vem em seguida a introdução aos primeiros animais.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Fazer as refeições em família tornam a criança mais confiante

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Fazer as refeições em família tornam a criança mais confiante

Marcela Bourroul

Fonte: Revista Crescer – clique e conheça

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“A mesa é um local que favorece essa união porque as pessoas precisam ficam sentadas, se olham no olho e o diálogo acontece.”

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Como é o café da manhã na sua casa? Tanta correria que seu filho só consegue terminar o sanduíche dentro do carro? E na hora do jantar está todo mundo tão cansado que só o que vocês conseguem fazer é se jogar no sofá e comer um macarrão? Ok, a gente sabe que a rotina atualmente é uma loucura, mas – talvez – seja hora de repensar alguns hábitos.

Uma pesquisa realizada com 34 mil crianças e adolescentes pelo Literacy Trust, uma instituição inglesa dedicada à alfabetização e incentivo à leitura, concluiu que conversar durante as refeições ajuda a criar filhos mais confiantes. Para chegar a esse resultado, as crianças responderam como era o momento das refeições em suas casas e algumas perguntas que indiretamente avaliaram suas habilidades sociais e comunicativas.

O levantamento descobriu que 87% das crianças sentavam com as famílias durante a refeição, mas desse grupo uma em cada quatro não dialogava com os pais ou irmãos. Entre aquelas que sempre comiam com os pais e conversavam durante as refeições, 75% disseram se sentir à vontade para participar de debates na sala de aula. Entre os que não conversavam, esse número caiu para 57%. Quando perguntados sobre como se sentiam ao falar na frente dos amigos na classe, no primeiro grupo 62% disseram se sentir bem, comparado com 47% no segundo. Por meio desses parâmetros, os responsáveis pela pesquisa concluíram que conversar durante as refeições é uma ótima ferramenta para filhos e pais.

“A pesquisa mostra a importância da comunicação em família. A mesa é um local que favorece essa união porque as pessoas precisam ficam sentadas, se olham no olho e o diálogo acontece. Mas essas trocas não devem acontecer só nesses momentos”, diz a terapeuta familiar Teresa Bonumá.

Segundo Teresa, para as famílias que moram em grandes centros urbanos é difícil exigir que façam as três refeições reunidas. A dica é tentar reservar pelo menos uma delas para sentar e comer com calma. Se um dos pais não tem hora para chegar em casa, tente organizar a rotina pela manhã para tomar o café em família. Se as noites são mais tranquilas, comam juntos no jantar. O mais importante é que a refeição seja bem feita e vocês tenham tempo de conversar. Saber como foi o dia, quais as novidades na escola, se ele está gostando das aulas de natação, se tem falado com a avó… “O principal é a interação e que os pais mostrem interesse pela vida dos filhos”, diz Teresa.

Se a rotina da sua família é muito corrida ou se seus filhos ainda são pequenos e fazem as refeições muito mais cedo que o resto da casa, nada de desespero. Apesar de a mesa ser um símbolo forte de união familiar, você pode reinventar os momentos de convivência. Manter esse diálogo enquanto você está parado no trânsito com as crianças no carro, contar histórias antes de dormir e aproveitar todos os minutos do final de semana são alternativas viáveis para as famílias muito atarefadas.

Outra dica importante: não deixe a tecnologia ficar sempre entre vocês. Na hora de comer, desligue a televisão. Checar e-mails no smartphone? Esqueça. Deixe para usar esses acessórios quando estiver sozinho.

O que só a refeição em família faz por você

Tudo bem, no quesito interação você pode compensar fora da mesa. Mas segundo a nutricionista Marisa Resende Coutinho, do Hospital São Camilo (SP), fazer refeições em família é fundamental para a formação do hábito alimentar. “As crianças menores ainda estão aprendendo a comer. Precisamos colocar os alimentos na mesa, fazer com que elas sintam o gosto e percebam o que estão comendo.”

Além disso, observar o que os pais estão comendo estimula a curiosidade da criança. “Os pais são o grande exemplo em relação à alimentação. Não adianta você querer que seu filho coma cenoura se ele nunca viu você fazendo isso”, explica Marisa. A mesma coisa vale para os alimentos que você não quer apresentar ao seu filho: se a ideia é adiar a ingestão de refrigerantes, por exemplo, evite tomar aquela latinha na frente das crianças – elas com certeza vão pedir para experimentar!

A partir dos 6 meses, é hora de introduzir alimentos sólidos na dieta da criança. Por volta dos 10 meses, seu filho já é capaz de ficar sentado, então pode ficar no cadeirão ao lado da mesa. Se já estiver adaptado aos sólidos, não há problema algum em oferecer a mesma comida dos pais, desde que ela seja preparada com pouco tempero. Outra diferença é que os alimentos devem cozinhar um pouco mais para ficarem mais macios e facilitar a ingestão.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Antropologia e Zoologia – A ordem cronológica a ser observada

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Antropologia e Zoologia – A ordem cronológica a ser observada

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“As crianças já ouviram falar muito dos animais e do homem durante as aulas. Elas vieram a conhecer, de modo elementar, o percurso do sol durante o ano, a vida das plantas e dos animais, seus aspectos, suas vozes, seus nomes e muito mais. Tudo isso deveria estar, essencialmente, em harmonia com o ensino das próprias ciências. Podem ser diferentes as maneiras como se narra e o contexto de uma descrição da natureza, mas sempre deveriam corresponder à essência do assunto: o lobo do 5° ano ou do 12° ano não deveria colidir com a narração do 1° ano. Em nenhum momento algo fantasioso ou sentimental deveria encher a alma das crianças, com exceção das formas imaginativas e mitológicas, artísticas ou científicas. Tal variedade contribuirá para enriquecer, na alma do adolescente, esse contato como mundo.”

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A Antropologia e a Zoologia são as novidades centrais do ensino principal do 4° ano. Embasam-se no preparo dos anos. anteriores. As crianças já ouviram falar muito dos animais e do homem durante as aulas (cf. as histórias). Elas vieram a conhecer, de modo elementar, o percurso do sol durante o ano, a vida das plantas e dos animais, seus aspectos, suas vozes, seus nomes e muito mais. Tudo isso deveria estar, essencialmente, em harmonia com o ensino das próprias ciências. Podem ser diferentes as maneiras como se narra e o contexto de uma descrição da natureza, mas sempre deveriam corresponder à essência do assunto: o lobo do 5° ano ou do 12° ano não deveria colidir com a narração do 1° ano. Em nenhum momento algo fantasioso ou sentimental deveria encher a alma das crianças, com exceção das formas imaginativas e mitológicas, artísticas ou científicas. Tal variedade contribuirá para enriquecer, na alma do adolescente, esse contato como mundo.

A ordem cronológica a ser observada

No momento em que as crianças se encontrarem no 5°ano, a sabedoria que permeia o mundo deveria lhes vir ao encontro revestida de beleza e arrebatá-las ao trabalho entusiasmado. Deu lugar a muitas reflexões, o fato de R Steiner ter feito várias sugestões quanto à estrutura do ensino das Ciências para o curso médio 98. A seqüência, da Antropologia, da Zoologia e da Botânica, tal como consta do currículo de 1919, era considerada “clássica” pelas escolas Waldorf na Alemanha e tinha sido modificada por ele em várias ocasiões. A seqüência original se evidenciou lógica, uma vez que a Antropologia pode constituir o início do estudo dos reinos da natureza. E. A. Karl Stockmeyer 99 menciona, de maneira convincente, que Rudolf Steiner em 1919 já estava trabalhando com professores Waldorf devidamente formados, ao passo que, informativamente, mais tarde ele se dirigia a um público leigo.

Começar o estudo dos reinos da natureza pela Antropologia requer, sem dúvida, uma responsabilidade particular. Deve ser garantido que o estudo do homem seja um verdadeiro portal para a compreensão do homem, do animal e da planta. De um ponto de vista gnosiológico, o método que primeiro desenvolve o instrumento cognitivo e em seguida o aplica é o mais convincente.

Se começarmos num ponto qualquer dos reinos da natureza, tratando, sem mais, de um animal, de uma planta ou de um mineral, as condições prévias para um entendimento da natureza não ficam claras. A criança pode estar cheia de teorias, assimiladas de uma maneira ou de outra, mas que deturpam a visão clara do objeto em estudo.

O homem só reconhece aquilo para o qual lhe foram acordadas as capacidades cognitivas necessárias.

Quando o seu próprio “ser” for elevado à sua compreensão consciente, de forma pensante ou emocional, então outros seres, semelhantes ou diferentes, também poderão ser compreendidos. Por isso o passeio pela natureza começa, no caso ideal, pela Antropologia.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Ter e manter um filho

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Ter e manter um filho

Rosely Sayão

Fonte: www.geledes.org.br – clique e conheça

manter um filho

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“Há tipos de sacrifício que os pais faziam pelos filhos e que foram substituídos pelo sacrifício financeiro. O verdadeiro custo, este não pode ser colocado em números porque é pessoal. Mas é certo que esse custo sempre é alto, mesmo quando não reconhecemos isso.”

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Ter e manter um filho custa caro, segundo reportagens em revistas, jornais, etc. Nelas, há contas, inclusive, que apontam valores que a presença de um filho acrescenta ao orçamento da família. E isso se estende por uns 20 anos, mais ou menos. Ou mais, muitas vezes bem mais.

No mundo do consumo, o valor financeiro das coisas é que está em questão. Por isso, quando alguém planeja ter um filho, considera primeira e antecipadamente o custo financeiro dele para, então, se preparar, se planejar. Ou postergar ou até mesmo desistir.

Quem não conhece mulheres e homens que fazem ou já fizeram um tremendo sacrifício financeiro em nome do filho?

Festas de aniversário com direito a recreacionistas, bufês, lembrancinhas etc.; viagens ao exterior; calçados ou roupas caras porque da moda; brinquedos e traquitanas tecnológicas de última geração; e mais: carro, escola, cursos extracurriculares, altas mesadas, aprendizado de língua estrangeira no exterior etc.

Quase nada disso podemos considerar como absolutamente necessário, mas tudo é, certamente, altamente desejado pelo filho ou pelos anseios dos pais em relação ao filho.
A lista é enorme e não para por aí. Os filhos querem, querem, querem, querem sempre mais. Nunca estão satisfeitos.

E os pais trabalham, trabalham, trabalham cada vez mais para ganhar mais e, assim, tentar satisfazer as necessidades e os caprichos do filho, que quase sempre custam bem caro.

Conheço mães e pais que fizeram financiamentos, parcelaram uma grande quantia de dinheiro em inúmeras prestações, abdicaram de gastos pessoais, tudo para dar ao filho um “book” ou um belo “look”.

Há também os que fazem esses gastos para garantir seu próprio sossego. Afinal, a criançada e a moçada aprenderam muito bem como lutar para conseguir o que querem, não é verdade?

Mas, há outros tipos de sacrifício que os pais faziam pelos filhos e eles foram, quase todos, substituídos pelo sacrifício financeiro. Uma cena do filme “Billy Elliot” mostra um desses tipos de sacrifício.

O filme se passa em uma pequena cidade da Inglaterra nos anos 80. O protagonista é um garoto de 11 anos que se apaixona pelo balé, mas seu pai, um trabalhador comprometido com o movimento grevista dos mineiros, não aceita a escolha do filho até o momento em que se dá conta da possibilidade de o garoto ter uma vida melhor que a sua, dedicando-se ao balé.

É nesse momento que ele sacrifica suas convicções -ideológicas e trabalhistas-, deixa de honrar a greve da qual participava ativamente para possibilitar ao filho a busca de seu sonho.

Sim, ter e manter um filho custa caro, mas não vamos considerar agora o custo financeiro da questão. Vamos considerar o custo pessoal.

Ter um filho custa horas de sono e muitas preocupações; custa mudanças de vida temporárias e renúncias; custa a necessidade de disponibilidade pessoal constante; custa abdicar de sonhos e projetos; custa paciência quando ela já se foi, custa perseverança mesmo quando cansados, e muito mais.

É: realmente, ter filho custa bem caro, mas para se ter uma ideia aproximada desse custo, precisamos deixar de priorizar o custo financeiro que o filho acarreta.

O verdadeiro custo, este não pode ser colocado em números porque é pessoal. Mas é certo que esse custo sempre é alto, mesmo quando não reconhecemos isso.

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10 anos – Inovações no Plano de Ensino

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10 anos – Inovações no Plano de Ensino

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“A criança deveria se confrontar com o belo e aprender a cultivá-lo, na sua maneira de se expressar oralmente, no estilo da representação pictórica, em toda a maneira de contemplar e de resolver problemas. Esse “belo” não se limita às artes. Tudo no ensino deveria ser instigante, interessante, excitante, exigindo a participação interior. É só assim que o mundo objetivo se torna familiar à criança.”

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É pelas inovações que se manifestam as particularidades no plano de ensino de uma determinada faixa etária. São os conteúdos que não tinham sido ensinados nas classes anteriores que constituem autênticas inovações. São, no 4° ano em particular, as Ciências naturais e as matérias correlatas, assim como os “conhecimentos pátrios” e os trabalhos artístico-artesanais ( matéria introduzida atualmente em muitas escolas).

Todas essas matérias têm em comum o fato de exigir da criança a capacidade de se colocar frente a frente de um assunto. A criança não deve mais se identificar excessivamente com elas, ela deve sentir naturalmente, sem refletir conscientemente sobre a seguinte atitude : – “Aqui estou eu e lá está aquilo ao qual me dedico”.

Da crise do décimo ano de vida resulta uma grande força positiva, alegria e entusiasmo pelas novas vivências que a escola oferece. A isso precisa corresponder, inteiramente, o novo direcionamento do estudo da natureza. A beleza é o meio pelo qual essa alegria melhor poderá se expressar.

A criança deveria se confrontar com o belo e aprender a cultivá-lo, na sua maneira de se expressar oralmente, no estilo da representação pictórica, em toda a maneira de contemplar e de resolver problemas. Esse “belo” não se limita às artes. Tudo no ensino deveria ser instigante, interessante, excitante, exigindo a participação interior. É só assim que o mundo objetivo se torna familiar à criança. Enquanto os três primeiros anos constituíam a época do segundo setênio em que predominava o querer, a época que se inicia agora é essencialmente colorida pelo sentimento, ela será seguida, do 6° ao 8° da escola, por época outra em que predomina o pensar.

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Pais que nunca estão lá

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Pais que nunca estão lá

Isabel Clemente

Fonte: www.revistaepoca.globo.com – clique e conheça

Ilustração Moça

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“As relações de maternidade e paternidade geram forças que impulsionam o Amor… permita-se ser permeado… “

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Fazia uma prospecção de mercado para decidir o que fazer com cinco dias de férias em julho com as crianças. Meu informante telefônico, com quem travei enorme empatia, passava-me dados sobre um famoso resort na Bahia. Liguei de curiosa, porque desisti da cara empreitada. Mas voltemos à conversa. Ele já sabia que tratava com um casal com duas meninas pequenas.

- Temos muitas atividades para as crianças…digo, para a mais velha, então, a senhora só precisa vê-la à noite.

- Não, eu preciso vê-la o dia todo. Ela é muito bonitinha.

Ele riu. Eu também.

- Que horror, não é, isso, mas tem muita gente que está preocupado com as atividades para as crianças, a senhora sabe, ter o que fazer o dia todo.

- Sei. Mas não queremos nada disso. Preciso aproveitar enquanto elas querem minha companhia.

- Para a pequena, se precisar, indicamos babás. Elas só não dão comida e banho.

- Rapaz, vou  te falar uma coisa, eu já abro mão de dar banho nela quase todos os dias entre segunda e sexta. Eu só faço a reserva no hotel se puder dar banho nas minhas filhas.

Rimos os dois.

Vamos por partes. Brincadeiras compõem o universo infantil e são especialmente bem-vindas nas férias. Chegará o dia em que elas passarão correndo por nós, gritando atrás de outras crianças e pedindo urgente, na velocidade da luz, um batom para a gincana, enquanto eu pergunto ao meu marido se entreguei a necessaire inteira para alguma das nossas filhas ou outra criança por engano. Mas minhas filhas são pequenas. E crianças pequenas querem atenção e colo dos pais.

Já me perguntaram por que eu vivia cansada quando Carol acordava duas, três, cinco vezes durante a noite. “Você não tem babá?”

Tenho, mas nunca dormiu no quarto delas, por vários motivos. Nenhum passa pelo demérito da profissional em quem confio e a quem sou muito grata por cuidar tão bem das minhas filhas enquanto estamos fora (só para esclarecer: sou grata mas pago salário, ok? Não aguento mal-entendidos).

É que no aconchego da noite, perguntas aparecem, histórias e confissões surgem, e eu quero estar lá para ouvir e responder. No escuro do quarto, a criança em eterna batalha contra o sono pede carinho. Quero estar lá para fazer. Na madrugada, pesadelos e sonhos tomam formas. E eu quero estar lá para espantar monstros e confortá-las. Um gemido interrompendo o sono pode indicar febre. Somos nós quem vamos checar.  Porque quando ela chama “mamãe-nhê, ou papai-iê” é mamãe ou papai quem vai aparecer.

Além do mais, sigo a cartilha de que a babá precisa descansar porque qualquer pessoa cansada perde a paciência com mais facilidade. Mas cada família é livre e soberana para avaliar do que realmente precisa. Há pais e mães que precisam de babás que durmam no quarto. É fato da vida.

Talvez, e digo isso com toda a sinceridade, não haja nenhum mal, nem no hábito de deixar crianças e babás no mesmo quarto, nem na criança terceirizada. Porque sempre haverá histórias daquela criança que cresceu sob cuidados alheios, foi para o colégio interno, fez intercâmbio, e se acostumou a ver os pais muito pouco, desde tenra infância. Mas tornou-se um adulto ajustado, um filho amoroso, um cidadão exemplar e um ótimo pai. Tudo é possível. No cenário descrito há pouco, a única impossibilidade para os pais é construir a memória deste amor.

É disso que não abro mão.

Tem algo muito errado quando os pais não passam um minuto a sós com seus filhos. Saem da maternidade com enfermeira contratada, passam para babás que trabalham 24 horas substituídas por folguistas de fim de semana e feriados, chamadas para brincar, alimentar e dar banho.  Acostumaram-se a delegar. Não precisam ir a festar infantis. Mandam seus assessores domésticos para o “dia da família” na escola. Orgulham-se de nunca ter perdido uma hora de sono, nem quando os filhos estavam doentes. São pais, mas nunca estão lá.

Depois da festa, voltamos exaustos. Crianças pra lá de Marrakesh, dez da noite. Troca uma, limpa outra como pode, faz mamadeira, escova os dentinhos na boca quase fechada, traz o travesseiro e cobertor, apaga a luz baixa, põe no berço e na cama, sai de fininho. Carol, bêbada de leite, chama. Como mamanhê estava ocupada, o pai apareceu ao do lado do berço, sem camisa. A criança deitada no berço entreabre os olhinhos. O pai pergunta “que foi, Carol?”

“Papai…cê tá pelado?”

“Não, Carol, to sem camisa”

“Ah (silêncio). Papai-i…bota a camisa”

“Tá, minha filha, e você dorme”

“Tá bom, papai”

“Eu te amo”

“E-te-amu muuuuito mais”

A outra filha, que devia estar dormindo, riu.

Quando você ouve uma criança de um ano e nove meses improvisando uma conversa, repetindo frases do filme Enrolados, e ainda pega a mais velha rindo da cena, você lembra que é preciso estar lá e zelar pela memória deste amor.

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Madre Teresa de Calcuta

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A Evolução durante o 5° ano

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A Evolução durante o 5° ano

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“A criança desenvolve uma forma de visão que se direciona para aquilo que é morto no mundo, isto é, para a aparente realidade exterior. Uma consciência mais antiga chamava “maya” aquilo que, nessa altura, se transforma para a criança, de forma cada vez mais intensa, em realidade. Por isso, convém estabelecer uma ligação entre o lado ideal dos fenômenos e as matérias do ensino, por meio de imagens cheias de significado. Nisso, uma tarefa central cabe, como no quarto ano, ao ensino das Ciências naturais, que compreende agora também a Botânica. A planta fala ao homem de uma maneira mais enigmática do que o faz o animal. Mas a criança não pode perder a visão espiritual do universo; esta precisa ser cultivada de uma nova maneira.”

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As atividades interiores e exteriores dos alunos são caracterizadas por uma harmonia toda particular, pelo dinamismo e pela alegria. A vocação peculiar dessa faixa etária se expressa no correr, no pensar, no pintar, no cantar, na forma específica de vivenciar e participar, com alegria e entusiasmo, dos acontecimentos e situações. Os movimentos da criança são especialmente graciosos. A organização da cabeça, do tronco e dos membros se encontram num equilíbrio harmonioso. Nessa idade as crianças são particularmente sadias e são poucas as faltas na escola. Isso está também relacionado com a notável constituição do sistema rítmico desta idade, no qual, por exemplo, a relação entre os ritmos da respiração e do pulso vem a ser outra. Se a época entre os nove e os doze anos de idade é freqüentemente chamada de “meio da infância”, o quinto ano da escola merece a denominação de “ponto alto da infância”.

Parece apropriado que o mundo da Grécia antiga se revele para essa idade de forma especial. As próprias crianças parecem ser formadas a partir de um ideal de beleza grega vivenciado interiormente.

O mundo das imagens de Homero contém um aspecto que expressa e corresponde ao ponto central do desenvolvimento dos jovens nesse período, é o trecho da Odisséia, freqüentemente mencionado por Rudolf Steiner, no qual Ulisses penetra no Hades, o lugar onde se acham as almas dos defuntos. O próprio cenário é típico: é um mundo inferior tenebroso, distante e cheio de perigos, inacessível a qualquer mortal comum. Não é um mundo superior. É lá que Ulisses encontra o nobre Aquiles. Tomado de horror, Ulisses, combinando coragem com presença de espírito, e bajulador como sempre, saúda Aquiles com estas palavras: – “Saudado sejas, maravilhoso Aquiles! Mesmo aqui, no mundo inferior, tu és um rei entre os mortos!” Ao que Aquiles responde: – “Eu prefiro ser um mendigo no mundo superior a ser um rei no mundo dos mortos!”

Enquanto o 3° e o 4° ano da escola eram um caminho em direção ao mundo terreno, o 5° ano marca a chegada da criança nesse mundo. O mundo espiritual se lhe tomou tão pálido quanto o diálogo revelado entre Ulisses e Aquiles. Em compensação a criança vivencia de forma imediata toda a alegria da existência no mundo dos sentidos.

Com isto, ela desenvolve uma forma de visão que se direciona para aquilo que é morto no mundo, isto é, para a aparente realidade exterior. Uma consciência mais antiga chamava “maya” aquilo que, nessa altura, se transforma para a criança, de forma cada vez mais intensa, em realidade. Por isso, convém estabelecer uma ligação entre o lado ideal dos fenômenos e as matérias do ensino, por meio de imagens cheias de significado. Nisso, uma tarefa central cabe, como no quarto ano, ao ensino das Ciências naturais, que compreende agora também a Botânica. A planta fala ao homem de uma maneira mais enigmática do que o faz o animal. Mas a criança não pode perder a visão espiritual do universo; esta precisa ser cultivada de uma nova maneira.

O novo estilo de a criança lidar com o mundo é visível no verso que declamam pela manhã dos 5° ao 8° ano: – “Eu contemplo o mundo…” ” . O “Eu” dos adolescentes se contrapõe ao mundo. Ao mesmo tempo revela-se a futura meta de todo aprendizado: que o ensino possa se tornar um encontro com o espírito que vem atuando lá fora, na luz do sol, e dentro, nas profundezas da alma, possa esse espírito estar presente nos estudos e no trabalho dando à criança forças para o seu crescimento anímico espiritual.

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Consciência para além do cérebro

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Consciência para além do cérebro

Raul Guerreiro

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“Nesse patamar da consciência, a observação e o conhecimento tornam-se uma coisa só. A intenção da pessoa que observa torna-se aí algo essencial para aquilo que ela vivencia. Além disso, o conceito de tempo é muito diferente do nosso. Vive-se ali como que na eternidade, e a pessoa de certo modo torna-se ela própria idêntica àquilo que observa. O mundo espiritual é vivenciado como algo extremamente mais real e mais intenso do que o nosso mundo físico. A consciência constitui aí o mistério central do universo, ou a causa real do mundo. Rudolf Steiner explicou uma vez resumidamente que “Tudo no mundo é consciente”.

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Recentemente foi publicado em alemão um livro do médico americano Dr. Eben Alexander. Título: “Um olhar para a eternidade — a fascinante experiência de quase-morte de um neurocirurgião”. O Dr. Alexander é formado na prestigiosa Universidade de Harvard, onde trabalhou durante muitos anos. Em 2008, com 54 anos de idade, ele adoeceu gravemente devido a uma infecção no cérebro, e em seguida perdeu a consciência, entrando em estado de coma total. A ocorrência dessa doença bacteriana (Escherichia coli) é raríssima para esse órgão humano, e também para essa idade. Os antibióticos utilizados pelos médicos resultaram praticamente inúteis, e após uma semana de esforços o paciente foi declarado como praticamente morto.

No sétimo dia, os médicos assistentes consultaram a esposa do Dr. Alexander a fim de decidir se deviam suspender os medicamentos, para permitir que o paciente morresse, evitando assim que ele mais tarde fosse viver como um deficiente, em estado puramente vegetativo. Essa era a expectativa da medicina. Mas “milagrosamente” o paciente não só “acordou” pouco tempo depois, mas ainda se recuperou completamente, atingindo absoluta reabilitação da sua saúde.

Durante seu período de coma, o Dr. Alexander vivenciou experiências extraordinárias acerca do chamado mundo espiritual. Tais experiências confirmam aliás as investigações realizadas há quase um século pelo filósofo e cientista Rudolf Steiner. Durante a sua provação, o Dr. Alexander reconheceu seu estado de semidesincarnado detalhadamente como um mundo formado por três níveis. O nível inferior foi reconhecido como uma zona básica, radical ou arterial, animada como se fosse um verme vivendo no meio da lama. O segundo nível de transição consistia de maravilhosas paisagens, inundadas por uma música tão encantadora, que é impossível de ser concebida aqui entre nós no mundo físico. O terceiro nível foi sentido como o centro do mundo, como um sol negro irradiando a luz mais brilhante possível. Nesse patamar da consciência, a observação e o conhecimento tornam-se uma coisa só. A intenção da pessoa que observa torna-se aí algo essencial para aquilo que ela vivencia. Além disso, o conceito de tempo é muito diferente do nosso. Vive-se ali como que na eternidade, e a pessoa de certo modo torna-se ela própria idêntica àquilo que observa. O mundo espiritual é vivenciado como algo extremamente mais real e mais intenso do que o nosso mundo físico. A consciência constitui aí o mistério central do universo, ou a causa real do mundo. Rudolf Steiner explicou uma vez resumidamente que “Tudo no mundo é consciente”.

Os acontecimentos na biografia do Dr. Alexander vieram agora evidenciar, de maneira espetacular e científica, que a consciência pode realmente existir independente de um cérebro. Antes de adoecer, esse experiente médico era um cientista 100% materialista, e na sua atividade altamente especializada em neurocirurgia ele já tinha ouvido, da parte de pacientes, relatos de experiências semelhantes. Mas ele sempre tinha descartado educadamente tudo isso, como produto da fantasia das pessoas. A sua crença absolutamente “científica” era: sem um cérebro é impossível haver consciência.

Mas o destino resolveu que ele fosse vitimado por uma doença na sua própria especialidade. Seu cérebro foi afetado na parte suprema, o neo-córtex, e assim durante seu estado de coma não havia instrumento algum para transmitir qualquer consciência. Isso também explica porque é que durante o período de sua permanência em um estado superior de consciência, ele não guardou qualquer memória anterior do mundo físico. Isto está em contraste com outras experiências de “quase-morte” no caso de pacientes que sofreram uma parada cardíaca, e depois uma ressuscitação, sendo que mais tarde relataram como no estado desincarnado puderam ver, praticamente como observadores de um palco de teatro, médicos e familiares reunidos e trabalhando à volta do seu leito na clínica (geralmente na expectativa de ver se eles iam mesmo “morrer”…).

Nos primeiros 14 dias após seu despertar da coma total, o Dr. Alexander passou por uma síndrome de transição, com diversas alucinações e estados de delírio. Na posterior memória, ele conseguiu distinguir com precisão os dois níveis de vivências: o período logo após o despertar estava cheio de imagens, cuja natureza ele reconheceu claramente, em retrospectiva, como ilusões. Mas no período anterior, ou seja, durante o estado de coma propriamente dito, suas ideias e vivências não foram ilusão nenhuma. Pelo contrário, ele experimentou aí uma realidade absoluta e mais elevada. Conforme ele relatou: uma espécie de saber superior, ou uma ultra-realidade.

O hospital onde o Dr. Alexander esteve internado era o mesmo onde ele trabalhava. Após sua total recuperação, ele estudou o relatório médico redigido pelos seus colegas. No início, ele levantou todas as objeções neurológicas possíveis para negar cientificamente a experiência que ele próprio tinha vivido! Mas após um estudo rigoroso das atas médicas, ele teve que se refutar a si mesmo. E despois de estudar a crescente literatura científica sobre eventos de “quase-morte”, ele declarou por último que seu caso podia mesmo servir para quebrar o pescoço da medicina e da ciência materialistas.

De fato, seu relatório é particularmente racional e convincente, constituindo um avanço decisivo nesta matéria, após as conhecidas experiências já descritas nas publicações do cardiólogo Willem van Lommel e do psiquiatra Raymond A. Moody. É curioso assinalar ainda que, durante todo o período de coma, a esposa e os irmãos do Dr. Alexander formaram uma espécie de corrente ininterrupta de boa-vontade e amor, de modo que sempre havia alguém sentado a seu lado, segurando sua mão. Após retomar com dificuldade a consciência normal do corpo, o Dr. Alexander relatou que viu as faces dessas pessoas que se dedicaram espiritualmente a acompanhá-lo naquilo que parecia a aproximação da morte.

Um episódio singular foi a súplica feita pelo seu filho de 11 anos. No sétimo dia da ocorrência, enquanto o garoto estava sentado junto do leito no hospital, ele vislumbrou em espírito a figura do pai, no momento em que ele retornava ao corpo para recuperar a consciência. Esses detalhes foram evidentemente recolhidos bem mais  tarde, mas tiveram que ser assumidos como reais e inquestionáveis.

Conforme podemos ver, cada vez mais se encontram maneiras para retirar a humanidade da escuridão do materialismo e conduzi-la à luz do Espírito. Aliás, o relatório do Dr. Alexander, bem como as demais experiências de “quase-morte” conhecidas, significa um inusitado brilho “supra-terrestre” que vem dignificar as práticas da medicina de reanimação e cuidados intensivos, que muitas vezes são impiedosamente criticadas. O dilema em que se encontra a medicina intensiva dos nossos dias fica demonstrado da maneira mais dramática por aquele detalhe: sete dias depois de um estado de coma total, o paciente voltou à vida exatamente no momento em que seus dedicados colegas, que aliás o tinham em grande estima, estavam se preparando para deixá-lo “morrer”, a fim de “livrá-lo” de um miserável resto de existência como deficiente.

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Aprendizado e percepções humanas segundo a antroposofia e as neurociências

Aprendizado e percepções humanas

- segundo a antroposofia e as neurociências -

Maurício Baldissin

Fonte: Revista Arte Médica Ampliada

Mauricio Bald

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“Para Rudolf Steiner, o homem não consegue ser livre quando é aprisionado em seus instintos ou apenas se submete a normas morais ou códigos estabelecidos pela sociedade. Por isso, é preciso assegurar a estimulação e vivência ativa das percepções, elemento importante para as escolhas e decisões. O homem livre age a partir de impulsos próprios, adquiridos por meio de seu desenvolvimento perceptivo, em uma instância autoconsciente cada vez mais apurada ou afinada com o dom de sua existência. Estar na esfera dos impulsos vivenciados sem o nosso despertar autoconsciente enfraquece a força de vontade, os ideais e a criatividade. Viver nessa superfície sem a ação ordenadora consciente da vontade prejudica o aprendizado e a saúde. E isso vale para todas as idades.”

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A biografia humana se constrói com a ajuda das percepções humanas. As neurociências descrevem o fenômeno perceptivo, mapeando seus processos no corpo humano em relação aos marcos neurológicos evolutivos, ao aprendizado e à memória. A antroposofia mostra como o desenvolvimento perceptivo contribui com o amadurecimento do indivíduo a cada setênio. Ainda pelo conhecimento médico-escolar antroposófico, temos indicações para a educação, oferecendo estímulos adequados para a evolução do ser que, ao longo da vida, colaboram com melhores respostas imunológicas e menor manifestação de doenças crônicas.

Os sentidos ou percepções humanas são importantes sinalizadores para as escolhas e decisões que constroem a história de vida. Desde a infância, ajudam a balizar a direção que será tomada no curso de toda a existência. Este tem sido o objeto do trabalho médico e de pesquisas do autor, publicados recentemente no livro Percepções humanas – antroposofia e neurociências1 e em artigo científico.

Perspectivas das neurociências As neurociências estudam como os sinais e estímulos captados no início da vida provocam respostas reflexas operantes. Isso, aos poucos, se transforma em comportamento humano que, com o tempo, se particulariza em cada pessoa. Os movimentos do bebê, inicialmente mal articulados, vão adquirindo uma função de comunicação. O apontar para o seio da mãe, por exemplo, é a transformação do esquema sensório-motor de apreender em um gesto dotado de caráter comunicativo.

As neurociências descrevem todas as ligações do fenômeno perceptivo, uma vez que o sistema nervoso se estende por todos os órgãos vitais, agindo como elemento mediador do organismo em sua interação com o meio ambiente e com a consciência do próprio corpo.

Assim, o sistema nervoso é entendido como um complexo funcional orgânico, composto por redes de neurônios interconexos que recebem contribuições específicas de determinadas regiões cerebrais, modulando a sinalização para o processo perceptivo.

Simplificadamente, é como se se formasse uma rede de emissoras de televisão para a transmissão de um determinado programa. Nesse caso, o programa pode ser a fala, a audição ou o pensar abstrato, e várias dessas redes apresentam programas simultaneamente. Em vez do ruído confuso de televisores ligados ao mesmo tempo em
canais diferentes, esse ‘coro de vozes’ se harmoniza por meio da plasticidade neuronal, ou neuroplasticidade, capacidade que o sistema nervoso tem de mudar, adaptar-se e moldar-
-se, estrutural e funcionalmente. Essa característica está na base da formação das memórias e da aprendizagem.

O início da vida é marcado mais intensamente por impulsos reflexos bilateralmente no cérebro. Progressivamente, ocorrem impressões e fixações unilaterais e regionais, formando determinados ‘centros’ – algo similar àqueles canais de televisão mencionados acima. Isso ocorre em etapas da maturação do sistema nervoso, chamadas de marcos neurológicos evolutivos.

No adulto sadio, os dois hemisférios cerebrais estão relacionados com funções diferentes. O esquerdo é mais voltado ao pensar lógico, abstrato, analítico, enquanto o direito abriga o pensar sintético, imaginativo.

Durante a primeira infância, forma-se no hemisfério esquerdo um centro específico da linguagem. Em estudos utilizando ressonância magnética, é possível demonstrar esse
desenvolvimento de lateralização da linguagem em crianças canhotas e destras entre cinco e 18 anos de idade. Os resultados avaliando a região de interesse (ROI) frontal apontaram
que 85% do grupo de canhotos demonstraram lateralização hemisférica esquerda da linguagem, 11% com ativação simétrica e 4% com lateralização hemisférica direita. Em
relação às crianças destras, 93% mostraram lateralização do hemisfério esquerdo e 6% com padrão de ativação simétrico, enquanto 2% apresentaram uma lateralização do hemisfério direito. Na avaliação para a ROI temporoparietal, 67% das crianças canhotas tinham o lado esquerdo dominante, 22% eram simétricas e 11% com o lado direito dominante. Para as crianças destras, os resultados foram de, respectivamente,
91%, 7% e 2%. É importante notar que a lateralização hemisférica esquerda da linguagem aumentou com a idade em ambos os grupos.

Muitos dos aspectos que se fixam posteriormente do lado direito ou esquerdo já estão preestabelecidos como, por exemplo, orientação espacial à direita, processos temporais
e compreensão analítica à esquerda. No caso da escrita, não existe um centro preestabelecido – a representação cerebral do processo de escrever forma-se à medida que ocorre a aprendizagem. Essa representação não impregna determinada área do cérebro para formar um ‘centro da escrita’; de fato, vários centros estão ativos durante a aprendizagem. Assim, não haveria um impedimento, do ponto de vista neurofisiológico, para que crianças com tendências canhotas tentassem escrever com a mão direita.

Hoje também se sabe que, em períodos mais tardios da vida, podem surgir outros centros da linguagem, quando se aprende novas línguas. Quem nos traz essas notícias, ou a
certeza sobre elas, são os estudos de imagens de ressonância magnética motivadas pela terapêutica das epilepsias refratárias quando são indicadas cirurgias cerebrais, e também
estudos associados ao desenvolvimento de linguagem.

Perspectivas da antroposofia

Paralelamente, a antroposofia indica que o desenvolvimento perceptivo por si educa a plena consciência do ser humano à medida que ele amadurece. Observamos no andar um processo motor complexo que leva ao falar. O falar, portanto, é o meio de comunicação que se origina do processo de orientação no espaço, do andar. O pensar é um processo intelectual que se desenvolve por meio do falar. Ou seja, os educadores têm um campo
imenso para trabalhar a prontidão na alfabetização, rompendo as barreiras das crianças com transtornos de aprendizagem na esfera lexical ou aritmética. A esse respeito, sugerimos a consulta ao artigo publicado nesta mesma revista.

Como podemos ver, a antroposofia enriquece a perspectiva das neurociências com um significado anímico-espiritual, uma nova compreensão dos acontecimentos da biografia
humana. As percepções corporais, do zero aos sete anos, e as anímicas, dos sete aos 14 anos, se educam para as percepções cognitivas e espirituais (o estabelecimento do pensar lógico, na fase dos 14 aos 21 anos).

Por exemplo, a educação do tato habilita o desenvolvimento da compreensão do eu da outra pessoa. O sentido vital, adequadamente estimulado, leva ao desenvolvimento do pensamento vivo. A percepção do movimento próprio amadurece a linguagem escrita e falada. O sentido do equilíbrio educa a escuta. O sentido do olfato faz condensar o sentido térmico. O paladar traz o amadurecimento estético para a visão. Esse entendimento sustenta uma visão ampliada para transformar os atuais currículos escolares, contribuindo com a tarefa dos professores, assim como no diagnóstico e tratamento de pacientes (Fig. 1).

Ao abordar esses conteúdos, chama-se a atenção para os cuidados com o processo cognitivo da criança como uma função emergente. Deve-se oferecer estímulos adequados em diferentes etapas evolutivas, como os três primeiros setênios (Fig. 2).

Da mesma forma, na vida adulta, é preciso manter esses estímulos para produzir melhor resposta imunológica e menor manifestações de doenças crônicas. Isso tem sido comprovado nos estudos médicos (conhecimento médico-escolar antroposófico e suas indicações).

Chamamos a atenção para os estudos clínicos e de neuroimagem que demonstram mecanismos e funções especializadas dos hemisférios cerebrais direito e esquerdo. Essa especialização dos hemisférios são ganhos evolutivos para o reconhecimento do organismo do eu do outro e suas implicações no aprendizado, bem como na criação ou na construção de soluções da vida em comum.

Mauricio Bald2Mauricio Bald3

Discussões

Para Rudolf Steiner, o homem não consegue ser livre quando é aprisionado em seus instintos ou apenas se submete a normas morais ou códigos estabelecidos pela sociedade.
Por isso, é preciso assegurar a estimulação e vivência ativa das percepções, elemento importante para as escolhas e decisões. O homem livre age a partir de impulsos próprios,
adquiridos por meio de seu desenvolvimento perceptivo, em uma instância autoconsciente cada vez mais apurada ou afinada com o dom de sua existência. Estar na esfera dos impulsos vivenciados sem o nosso despertar autoconsciente enfraquece a força de vontade, os ideais e a criatividade. Viver nessa superfície sem a ação ordenadora consciente da vontade prejudica o aprendizado e a saúde. E isso vale para todas as idades.

Conclusões

Com este e outros trabalhos que tem pesquisado e publicado, o autor espera contribuir com o atendimento médico em sua interface com pais e professores na tarefa educacional.
Da mesma forma, dirige-se ao público em geral, que pode conhecer um pouco mais das visões a respeito do sistema perceptivo humano e da importância de mantê-lo vivo e saudável.

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A difícil formação dos bons hábitos

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A difícil formação dos bons hábitos

Isabel Clemente

Fonte: www.revistaepoca.globo.com – clique e conheça

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“As pessoas se acostumam a silenciar os filhos, desde cedo, porque barulho incomoda, bagunça incomoda, e incomoda também os outros num lugar público. Minha utopia é canalizar essa energia para uma troca saudável, chamá-las para a brincadeira e não prendê-las numa camisa-de-força eletrônica. Quando a gente deixa a criança falar, revelações surpreendentes surgem…”

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Educar é chato, você sabe. A gente fala, repete, volta a falar a mesmíssima coisa vinte vezes num dia só. Haja. E ainda saímos da história com fama de chatos. Chatos! Nós? Pais são uns incompreendidos. Mas o que nos redime é o lado nobre dessa missão de interesse público: criar pessoas ajustadas, cidadãos de bem, seres felizes. Além do quê, volta e meia dá um orgulho danado. A visita te olha com aquela cara de espanto porque a pequena de 2 anos pediu licença para sair da mesa e obrigada depois. Licença!? Ora, ora…E você bota uma cara de simplicidade para esconder o show pirotécnico no seu coração. Eita baixinha…resolveu mostrar rudimentos de etiqueta social.

Por isso tento ser incansável. Tenho fé que, num futuro não muito distante, nós quatro permaneceremos à mesa comendo, civilizadamente, sem que eu e meu marido tenhamos que nos revezar para limpar cocô nem arrastar ninguém de volta para a cadeira. Estaremos realmente interessados em trocar impressões sobre a vida e gastando tempo para se conhecer melhor. Porque se tem um hábito que anda me dando arrepios é o olhar das pessoas grudado num celular, num ipad, num Ipod, ou num gadget qualquer, diante de outro ser humano hipnotizado pela tela brilhante. A cena está se tornando um déjà-vu da vida moderna. Famílias sentadas à mesa em restaurantes, silenciosamente entretidas com seus objetos de uso pessoal eletrônicos. Não falam. Não se comunicam entre si. Às vezes, sequer se olham. Não piscam! Desperdiçam tempo de se conhecer. Sabe como isso começa? Lá atrás, nas tentativas de manter crianças pequenas comportadas num restaurante.

É um desafio, eu sei. Dependendo da energia contida, elas querem andar, falar, brincar, desenhar ou simplesmente sair do lugar. Aff. E não adianta nem falar que criança muito pequena não combina com restaurante, melhor não comer fora, ué, esqueça. Essa ideia de jerico fecharia vários estabelecimentos, geraria desemprego e uma onda de desdobramentos econômicos e psicológicos, porque todo mundo gosta de passear. Pais saem com crianças pequenas, desde que o mundo é uma cidade grande com ofertas de entretenimento, inclusive para restaurantes. Aí tem que encarar.

Mas voltemos ao início da minha tese. O que está por trás do vício em joguinhos eletrônicos? Em Ipad? Em Ipod? Em celular? O que fazer para meu filho não chegar lá dessa forma cega? Qual o limite do saudável? Quando elas poderão ser apresentadas a esses joguinhos? São mesmo inevitáveis? Eu me pergunto isso. É da natureza da criança certa inquietude. E nós queremos paz. Inevitável recorrer a brincadeiras, brinquedos. Nós costumamos inventar histórias em pedaços. Um começa e o seguinte completa. Damos várias voltas na mesa até a história ficar sem pé nem cabeça, porque, toda vez que volta para a pequena de dois anos, ela recomeça tudo dizendo “ela uma vez, há muito, muiiiiito tempo…”, sob protesto da outra. “Ah nãooooo….”. Eu também lanço mão de papéis e giz de cera (que bela invenção). Desenhos podem ser muito relaxantes para toda a família, além de abrir uma brecha para eu e meu marido conversarmos. Porque tem hora que precisamos pedir chance para falar. Dá a vez?

Mas há algo de inofensivo num desenho, porque desenho a criança mostra. Ela pede opinião enquanto cria. Há um mínimo de interação. Não há a ansiedade de “passar para a próxima etapa”. Ela pode olhar ao redor e se inspirar em algo presente para criar. A gente sempre dá pitacos, pede para ver, diz “huuummmm”. Há algo a partilhar. Jogos eletrônicos, para mim, aprofundam o isolamento do adolescente que já tende a achar pai e mãe chatos. Posso estar implicando demais, gente, mas peguei horror. Pronto falei.

As pessoas se acostumam a silenciar os filhos, desde cedo, porque barulho incomoda, bagunça incomoda, e incomoda também os outros num lugar público. Minha utopia é canalizar essa energia para uma troca saudável, chamá-las para a brincadeira e não prendê-las numa camisa-de-força eletrônica. Quando a gente deixa a criança falar, revelações surpreendentes surgem. Você fica sabendo de coisas que aconteceram na escola e das quais talvez nunca soubesse. Nem tudo os filhos estão prontos para nos contar se não dermos várias chances seguidas porque às vezes eles têm vergonha até de repetir o que o outro fez. Me chamou de feio, disse que sou burro ou gordo. Não é fácil para uma criança se apropriar do discurso que lhe ofendeu, mesmo que seja apenas para passar adiante a história. Repetir é um sofrimento e é preciso estar muito relaxado e confiante da atenção dos pais para deixar a alma vazar. Mas o joguinho eletrônico faz a gente esquecer essas coisas…pra quê falar?

Lá em casa, a batalha é diária. A gente chama para perto, por mais trabalho que isso dê. Senta aqui, está na hora do café da manhã. Já me irritei muito com o desassossego delas e até me arrependi de ter saído para restaurantes. Mas a coisa evolui aos poucos porque, vocês sabem, educar dá trabalho, é repetitivo e chato. Hoje, apesar de a menorzinha tomar sua vitamina no copo antes de todo mundo (mas não tão antes assim), conseguimos arrastá-las para a mesa. A pequena reclama. “Quelo café e pão!”, com a xícara na mão. Não come nada, mas a intenção lhe basta. A filha mais velha já entendeu que é o momento família e que há um propósito em estarmos juntos e disponíveis uns para os outros. Percebo que, aos poucos, nossa insistência surte efeito. Nem sempre a contento, nem sempre como queremos, mas sinto uma evolução.

Eu não quero dispensá-las do convívio enquanto são barulhentas e desorganizadas porque poderá ser tarde demais tentar recuperá-las de volta depois. Eu quero que elas gostem de uma boa conversa. Faz parte do processo de educação ensiná-las também a participar, a ouvir e a falar. Como a natureza humana é capaz de tudo, inclusive de milagres, e nós, pais, não somos os únicos elementos determinando o caráter dessas pessoas que geramos, pode ser também que não haja lógica nenhuma no que estou falando, e que, de uma hora para outra, a criança falante e feliz se torne um adolescente fechado, que sequer dá bom dia aos pais. E que a criança criada na base do Ipad esteja genuinamente interessada nas reuniões com primos, por exemplo. Tudo é possível. Mas, parodiando a música dos mal encarados frequentadores de um pub do filme Enrolados, eu tenho siiim…um sonho siiimmm…que minhas filhas digam sempre algo pra mim!!!

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10 anos – 4° ano escolar

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10 anos – 4° ano escolar

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“A transformação da consciência pela qual passou a humanidade e que é repetida individualmente pelas crianças. Estas se desligam do mundo espiritual. O áureo universo pré-natal deixa de atuar nelas da maneira como tinha ocorrido nos três primeiros anos de vida, no primeiro setênio e até nos dois ou três primeiros anos da escola… O inevitável tem que se tornar realidade: é a conseqüência dos atos do passado, das culpas e da realização dos destinos.”

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Surpreendentemente, as narrações do 4° ano contém o mundo imaginativo da Edda, mais uma vez um mito da criação. À primeira vista isso parece confuso, repetitivo e, de certo modo, antieconômico. Além disso, o ambiente da mitologia nórdica não é muito popular, depois dos acontecimentos históricos do século XX. Esse fato deveria ser levado em consideração e as narrações deveriam ser cuidadosamente escolhidas, evitando-se todo patetismo hipócrita. Além disso, convém discutir com os pais o conteúdo, a substância e o pano de fundo dessa matéria.

O caráter insubstituível dessas imagens não reside tanto nos fatos relacionados com a gênese do mundo, como na descrição do processo evolutivo dos deuses, do universo, do ser humano e das forças da natureza.

Só a Edda narra, dessa maneira, a lenta perda da antiga consciência supra-sensível do homem. Os sonhos, cada vez mais opacos, dos homens, nos quais o deus luminoso Baldur, o mensageiro dos deuses, não pode mais se manifestar. Descreve a transformação da consciência pela qual passou a humanidade e que é repetida individualmente pelas crianças. Estas se desligam do mundo espiritual. O áureo universo pré-natal deixa de atuar nelas da maneira como tinha ocorrido nos três primeiros anos de vida, no primeiro setênio e até nos dois ou três primeiros anos da escola. A Edda relata esses fatos sem hesitação, medo ou fraqueza. O crepúsculo dos deuses é descrito como um fato real, implicando transformações profundas nos mundos dos homens e dos deuses. O inevitável tem que se tornar realidade: é a conseqüência dos atos do passado, das culpas e da realização dos destinos. Nas imagens da Edda as crianças se confrontam com a inexorabilidade do destino e com a coragem. No fim do poema aponta-se sem sentimentalismo para o começo de um novo mundo. É possível chegar até lá e esse caminho é trilhado sem queixas e sem lamentações.

Conscientizar e estimular esse processo da travessia do “Rubicon”. Eis a característica do plano de ensino do 4° ano de escola.

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O salvamento da alma – 8º dia

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O Salvamento da Alma – 8º dia

A estratégia das forças adversas

Bernard Lievegoed

Tradução: Gerard Bannwart

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“Qualquer que seja a corrente na qual nos encontremos, teremos de superar grandes dificuldades. A mais importante será, por certo, a de aprender a trabalhar em conjunto. Isso vale, acima de tudo, para as diversas instituições antroposóficas que, nesse aspecto, não têm sido nada brilhantes.”

Bernard Lievegoed

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8º dia

O Salvamento da Alma

A estratégia das forças adversas

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O primeiro setênio da Biografia Humana

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O primeiro setênio da Biografia Humana

Josef David Yaari – Criador da Pedagogia Clínica Biográfica

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“O primeiro setênio é o alicerce, o fundamento para que cada pessoa possa cumprir seus desígnios, a história que a si mesma se propôs.”

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No primeiro setênio, nossas forças plasmadoras estão ocupadas na elaboração e maior definição de nossos órgãos, desde a substância branca do cérebro até o estabelecimento dos dentes próprios da pessoa. Ocorre assim o que podemos chamar de uma “adaptação da forma física” herdada dos pais, à vontade individual da criança. O ambiente físico, as circunstâncias sociais, o tipo de educação e as condições biológicas e psicológicas são assim usadas pelo ser da criança, que procura, então, a melhor forma de estabelecer seu fundamento físico para sua atuação.

Acredito ter fundamentado e demonstrado a concreta existência do Eu que está no centro de cada um de nós. É ele que guarda o “fogo sagrado dos deuses”, roubado por Prometeu do Olimpo. É ele que nos queima e nos faz “sofrer” a vida, representada pelo fígado que à noite se regenera, mas de dia é novamente devorado pela Águia.

É o custo que nós estabelecemos para a conquista de nossa liberdade!

Todos os estudos sobre o primeiro setênio, demonstram a alegria da criança por estar viva. Essa alegria pela vida, por sentir os músculos, o movimento do corpo com o grito de alegria, mesmo em situações muito ruins, é bastante visível e podemos dizer que o Eu da criança realiza a adaptação da “fôrma física” herdada dos pais, para poder atuar de acordo com sua “vontade individual”. É bom estar vivo. A criança revela a alegria de viver mesmo nas piores condições. A vida é boa porque sentir se no mundo já é uma vitória. E conseguir ainda ter a sensação do movimento da musculatura, da luz nos olhos, dos cheiros, das possibilidades de movimento e equilíbrio, dos sons, das palavras, do gosto da descoberta das cores, do saborear cada palavra, dita devagar pelo movimento da língua, das articulações… É isso: viver é muito bom.

Nesse processo a criança lança mão de febres “inexplicáveis”, das doenças infantis, cuja natureza pode ser compreendida quando se pode observar que por estas doenças ocorre a substituição de proteínas herdadas por proteínas provindas de sínteses próprias, individuais.

É observável como todos os órgãos passam por uma espécie de “reforma” que é finalizada pela substituição dos dentes de leite pelos dentes próprios. Rudolf Steiner apontou estes fatos, demonstrados depois pelos estudos da fisiologia e anatomia.

As atitudes de repressão da atividade do Eu, pela supressão de sintomas, como é feita por grande parte das substâncias alopáticas, é cada vez mais denunciada pela observação de um número crescente de médicos.

O pensar mecanicista que não tem acesso a essas percepções, alia-se facilmente a interesses de domínio e manipulação do ser humano, desenvolvendo uma série de repressores violentos contra essa “vontade individual”.

Assim a grande massa dos produtos da indústria farmacêutica alopática e da indústria alimentícia, vem atacando com muita violência a emergência do Eu, sem perceber este papel primordial do Eu como artífice, artesão e artista, levando as pessoas a apenas a se manterem seres gregários, simplesmente seres reativos a sensações e sentimentos, sem, portanto, desenvolverem o Eu individual! E, por outro lado, atacando o aspecto natural, vão criando pequenos “monstros” artificiais.

Outra forma de perturbar o desenvolvimento da criança é colocá-la frente à televisão que paralisa seus movimentos, invade seus sonhos próprios, tornando-a passiva física e animicamente. As imagens prontas substituem a capacidade de elaboração de imagens que nascem da vida interior da criança. Assim também os brinquedos prontos, acabados, fascinantes, onde a criança não tem nada a fazer senão ruídos, levam-na a quebrar esses artefatos e a brincarem com uma velha boneca de pano ou outros elementos mais simples. A falta de ritmo e atenção também dificultam esse processo de elaboração de seu corpo individual, sua base física.

A partir da cabeça, que é onde se concentram os órgãos dos sentidos e de onde irradia o processo de configuração de seu corpo com um todo, a criança cresce através das impressões sensoriais levadas para o seu cerne, permitindo a formação das representações e a configuração orgânica. Os fatos externos, além de suas disposições genéticas, formam os seus órgãos, principalmente ao observarmos sua natural tendência para a imitação não só dos estímulos físicos e psicológicos, mas também e, principalmente, das impressões sensoriais subjacentes que resultam em uma “imitação orgânica inconsciente” na conformação de seu corpo.

No terceiro ano de vida, chega um momento importantíssimo. Quando menos se espera, a criança de repente, em vez de dizer a si mesma, por exemplo: “Joãozinho está brincando, ela diz Eu estou brincando”, Quem se lembra desse instante, relata que é como se um raio atingisse nossa mente, É a partir daí que a criança começa a sair daquele nível “oceânico”, do ser no mundo para começar a situar-se perante o mundo. E então, inicia-se o sofrimento e a glória que é o motivo básico da filosofia, incluindo a arte, a ciência e a religião.

Qual é vínculo deste Eu com o mundo?

Quando a criança diz Eu a si mesma, ela também começa a dizer não aos outros!

E agora? Como fazer para educar?

Pois é, vivemos essa estranha situação de demorar um ano para chegar à já citada postura ereta, instável, mantendo-nos dependentes para o mamar e o trocar as fraldas, com a expectativa de uma atmosfera de “paz e harmonia”, num mundo cor-de-rosa, e, depois, ainda, dizemos não, negando a comida, o banho, a roupa, o dormir!

Por que é que os pais são quase sempre tão jovens, inexperientes e desajeitados quando recebem os filhos? Por que é que os passos mais importantes da vida, acontecem quando estamos menos preparados? Será que a vida é uma eterna armadilha?

Para as coisas e decisões essenciais, nunca estamos preparados!

O fato é esse mesmo! E não poderia ser diferente. Como é que queremos conquistar a nossa liberdade? Essa conquista pressupõe o erro e o desafio. Somos mesmo, obras abertas, com a capacidade, isto sim, do sempre apreender. O erro é a nossa garantia para a autonomia. Precisamos nos dispor ao aprendizado com o próximo, com o companheiro, com o filho!

Até esse momento do não, pegamos o Joãozinho e levamos ao banho ou trocamos sua roupa sem discutir, sem explicar. Agora ele diz “não quero”. O que fazer? Explicar adianta? Será que um discurso sobre o valor da higiene e da alimentação, é suficiente? É claro que podemos usar a força: pegamos o Joãozinho pelos “fundilhos” e lhe “aplicamos” um bom banho. Mas todo dia…??? Surge, no entanto, algo novo. Se nós, por exemplo, começamos a contar a história:

“Joãozinho, hoje foi um grande dia! Você se lembra? Eu mesmo vi você firme no trabalho! Puxa! Você é uma pessoa muito importante. Percebi como você trabalhou na construção de uma casa, um verdadeiro prédio! (E os olhos do Joãozinho começam a brilhar de surpresa e contentamento). Agora, todos os trabalhadores vão para casa descansar e tomam seu caminho. Estão com as roupas de trabalho, mas vão se trocar, ficando com o corpo limpo e com uma nova roupa. E você? Você também quer entrar em sua casa, depois de tanto fazer hoje, não é? Ih! Mas onde você vai se lavar? Como fazemos? E ainda bem que nesse caminho encontramos essa cachoeira. Vamos lá, João, vamos ao banho!”

E o chuveiro é a linda cachoeira e o pijama é a roupa ideal para chegar em casa e nosso Joãozinho, como por encanto, está felicíssimo no banho!

Ah! É claro que não é tão fácil assim, porque além de paciência, precisamos ter a arte e a vontade de, todo dia, fazer isso, mesmo porque, quando no outro dia chamamos o menino para o banho e repetimos a mesma história, o Joãozinho, com olhar maroto, nos diz: “Hoje não trabalhei, não construí casa alguma, também não sou caçador, nem príncipe e não vou tomar banho!” Ocorre que a criança sente muito bem quando fazemos a educação mecanicamente, por memória, sem a participação, por inteiro, de nosso Eu. Nesse momento ela despreza essa atitude, como o faríamos com a namorada ou o amigo que apenas cumprimenta de memória. A criança tem a expectativa constante, diária, minuto a minuto, de que haja uma atitude de Eu para Eu. É difícil, mas a experiência comprova que quando mantemos o interesse real (INTER ESSE, do latim ESSE estar ou ser e INTER=: dentro), podemos contar a mesma história, repetindo-a, diariamente, em alguns casos, por mais de um ano e, ainda assim, a criança pede que seja repetida mais uma vez, com as mesmas palavras, a mesma história!

Todos nós, buscamos uns nos outros o Eu de cada um. Gurdjieff dizia que na maior parte do tempo, estamos dormindo. Temos dificuldade de mantermo-nos atentos o tempo todo. Podemos afirmar com toda segurança que nossos problemas ocorrem basicamente por falta de atenção. Quando a criança pede a presença constante do Eu, em nós, ela está treinando essa atenção. Por isso é tão difícil educar!

Podemos dizer que a partir do terceiro ano de vida, a criança estabelece a relação imaginativa com o mundo. Essa relação se mantém até, mais ou menos, os 9 anos de idade. Ela está repetindo o processo de crescimento da humanidade (a ontogenia repete a filogenia). E a época dos contos de fadas, mitos, grandes imagens que contém o passado, o presente e o futuro de nossa história. Ainda hoje, principalmente entre os não-letrados, encontramos essas imagens poderosas que guardam uma incalculável sabedoria, que só é negada à criança por ignorância da necessidade de consciência histórica. Imagens são móveis, mais amplas, abertas, passíveis das mais fascinantes interpretações. Chapeuzinho Vermelho pode ter uma perfeita interpretação psicanalítica, marxista, espiritualista ou outra ideologia, sendo que cada um acredita honestamente que o conto atesta a “sua” verdade. No entanto, os contos de fadas, como as mitologias, estão além do intelecto. Não cabem nas caixinhas ou fôrmas que nossas representações mentais querem estabelecer. Neles não há moralismos ou mensagens. Para demonstrar isso melhor, vamos transcrever essa imagem contemporânea, retirada de O Pequeno Príncipe de Antoine Saint-Exupèry):

“Tudo é pequeno onde eu moro. Preciso de um carneiro. Desenha-me um carneiro.
Então eu desenhei.
Olhou atentamente e disse: Não! Esse já está muito doente. Desenha outro…
Desenhei de novo. Meu amigo sorriu com indulgência:
— Bem vês que isto não é um carneiro. É um bode… olha os cifres….
Fiz mais uma vez o desenho.
Mas ele foi recusado como os precedentes: Este aí é muito velho. Quero um carneiro que viva muito.
Então, perdendo a paciência, como tinha pressa de desmontar o motor, rabisquei o desenho ao lado. E arrisquei:

- Esta é a caixa. O carneiro está dentro.
Mas fiquei surpreso de ver iluminar-se a face de meu pequeno juiz:

— Era assim mesmo que ou queria! Será preciso muito capim para esse carneiro?
- Por quê?
— Porque é muito pequeno onde eu moro…
- Qualquer coisa chega. Eu te dei um carneirinho de nada.
Inclinou a cabeça sofre o desenho:

- Não é tão pequeno assim… Olha! Adormeceu…

A criança não pode aceitar uma definição estática, acabada. Ela só pode conviver com algo móvel, vivo, que lhe dê condições de crescer. Por isso é que ela pode erigir castelos com blocos de madeira, ou areia, para logo em seguida derrubá-los. É seu metabolismo, sua metamorfose. Ela forma e plasma o seu corpo, formando a “casa” que irá abrigar, no segundo setênio, sua base psicológica. Aos cinco anos, em média, ela entra na chamada “idade filosófica”, com perguntas de conteúdo extraordinário que revelam relações inesperadas como os contos Zen Budistas. Em seguida, entre os seis e sete anos, ela demonstra uma “virada” que é muito pouco compreendida. Um dos sintomas é, por exemplo, fazer imagens espelhadas em desenhos ou letras. Isso é a indicação de que as forças formativas já não estão mais tão ocupadas com a adaptação do organismo físico ao Eu, passando a ocupar-se da formação dos conteúdos psicológicos. É a fase de transição, o momento de metamorfose de uma atividade para outra.

Estudando a atual neurociência já foi demonstrado que dos 5 aos 7 anos, ocorre o término da mielinização dos nervos, ou seja, a bainha de mielina recobre os nervos que, assim, protegidos, vão encerrando sua fase de reorganização física do corpo. Por isso a intelectualização precoce, mormente a alfabetização, pode ser muito danosa ao organismo, pois exige uma dedicação extra das forças formativas, que estão ocupadas com o físico, para o atendimento de uma solicitação psicológica. Os resultados são as conhecidas dislexias, dislalias ou outros sintomas tão comuns no mundo atual, além do fato de que a perturbação da organização do corpo para que este possa ser instrumento do Eu, a longo prazo, poderá causar doenças crônicas de mineralização (cálculos renais, hepáticos, etc.).

O primeiro setênio é o alicerce, o fundamento para que cada pessoa possa cumprir seus desígnios, a história que a si mesma se propôs.

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Em Florianópolis:

Encontro Biográfico sobre relacionamento

“Como buscar a convergência na vida afetiva, profissional e social.”

E-mail Mkt do curso na Sagres

Coordenação: Josef David Yaari e Paula Colen
Data: 17 a 20 de julho
Valor: R$ 900,00
Local: Associação Sagres
End: Rua da Macela 80, Rio Tavares – Florianópolis/SC
Contato: (48) 3338-3604

Hora de largar o celular e olhar para seu filho

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Esta semana todas as doações feitas para a Biblioteca serão encaminhadas para a Escola Waldorf Cora Coralina, que necessita urgente de reforma para as salas do 2º e 3º anos, pois o excesso de umidade está criando um ambiente insalubre para as crianças. Portanto pedimos encarecidamente que ajudem com qualquer valor para contornarmos a situação. Uma pequena doação fará muita diferença para as crianças!!!

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Hora de largar o celular e olhar para seu filho

Isabel Clemente

Fonte: www.epoca.globo.com – clique e conheça

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“Sou desta geração que passou a depender de celular e isso me angustia. Meu grito de liberdade vem em pequenos atos de rebeldia, deixando de olhar os apps e, sobretudo, não permitindo que interfiram no momento sagrado em que estou com minhas filhas pequenas.”

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Estudo comprova desatenção e irritação de adultos com crianças quando estão com telefones à mão

Se um novo big brother filmasse você à mesa com seus filhos em casa ou em restaurantes durante semanas a fio, que imagens surgiriam?

Não precisa responder agora.

Pesquisadores do Boston Medical Center fizeram isso e constataram o óbvio: a interação entre pais e filhos está definitivamente prejudicada por esses aparelhos, celulares, tablets e outra variações. O estudo, divulgado recentemente, é um alerta de constrangimento geral.

Ao observar de perto – e anonimamente – a dinâmica entre 55 adultos acompanhados de uma ou mais crianças em restaurantes fast-food, eles flagraram crianças tentando desviar o olhar da mãe com as mãos no rosto dela, levando bronca de pai irritado e outras criancices típicas de quem precisa chamar a atenção dos adultos. Registraram mãe chutando filho por baixo da mesa para “deixar de ser chato”. Entre o silêncio absoluto e a reação negativa, havia um invisível laço se desfazendo. A vida real tinha se transformado num lamentável reality.

Jenny Radescky, pesquisadora em comportamento e desenvolvimento pediátrico do Boston Medical Center, comenta: “O que chamou atenção nessa amostra de responsáveis ocupados com seus aparelhos quase durante toda a refeição foi o quanto uma interação com os filhos nessas circunstâncias pode ser negativa”. O estudo foi publicado dia 10 de março. Sua intenção é elaborar teorias para jogar luz num tema hoje praticamente percebido de forma intuitiva. E minha intuição diz que não está nada legal.

O assunto é tão sério e está tão amplamente disseminado que a Academia Americana de Pediatria decidiu elaborar um guia sobre como usar sensatamente o celular na frente das crianças, com a colaboração de Radescky.

Chegamos ao ponto de precisar de um guia?

Celulares são aparelhos úteis, não duvido disso. Podem ser usados para o bem da família e também para o mal. Como acesso a material educativo e de lazer, busca de informação e diversão conjunta, une. Fica claro que a intenção primeira do adulto é o interesse da criança, saber o que ela gosta. Como diversão individual, enquanto uma criança está ao lado aguardando atenção, só atrapalha.

Já abordei numa coluna sobre esse pernicioso hábito das pessoas não interagirem mais quando se sentam à mesa enquanto aguardam a refeição chegar. Crianças jogam, adultos escrevem ou leem. Tudo muito civilizado, tudo muito pacífico. Aparentemente mais educado do que eu pedindo pela enésima vez para minhas filhas pararem de se jogar embaixo da mesa ou ficarem sentadas comigo e meu marido enquanto tentamos entabular um assunto de interesse comum para idades que variam de 4 a 48 anos. Mas ninguém se olha! O puxão de orelha vale também para babás, candidatas fortíssimas à distração online enquanto tomam conta dos filhos dos outros. Ficou muito fácil também ser acompanhante de idoso. Basta deixar o velho quieto dormindo ou vendo televisão enquanto se distrai com algo melhor. Óbvio que nem todo mundo age com tanta irresponsabilidade, mas, infelizmente, é uma cena cada vez mais comum.

Sob pressão, muitas vezes, cedemos. Quem nunca para a criança silenciar, passa o celular. É a chupeta tecnológica. Deixa ela jogar um pouco, o que que custa? Não sei dizer. Quando alguém medir a frequência dessa desculpa e quantificar o custo do vazio numa relação me diga. Só sei que ele é alto, muito alto e não me deixa à vontade. Nem um pouco.

Nada substitui o olho-no-olho, a conversa, a discussão. Eu preciso estar um pouco à toa para ser surpreendida por colocações inesperadas, perguntas difíceis. A criança não anota numa agenda mental aquilo que quer falar para sair aproveitando muito bem os 20 minutos que damos para ela de lambuja. O tempo afeta a qualidade dessa relação e se eu gastar parte dele com distrações, como a gente fica?

De todas as revoluções modernas, essa nova configuração familiar de pais-filhos-celulares merece realmente muitos estudos. Antigamente o drama era saber quanto de televisão por dia faria mal para nossos filhos, compromentendo o interesse por atividades mais lúdicas e estimulantes. E pensar que a coitada da televisão pelo menos fica em casa quando a gente sai.

O faça-o-que-eu-digo-mas-não-o-que-faço agora é reproduzido nessa esparrela de proibir o joguinho, esse “vício insuportável”, enquanto se usa aplicativos urgentes a todo instante: whatsapp, messenger, twitter, facebook, email. É uma invasão tecnológica que não respeita fronteiras. Basta um aviso, um sinal, uma musiquinha, e lá estamos conectados na distração novamente.  O salão me avisa que na terça-feira eu posso cortar, colorir e hidratar meus cabelos por “apenas” R$ 160. Eu só fiz a unha lá. Não precisava desta mensagem. Nem de várias outras que lentamente vão consumindo meu tempo, sorvendo meu olhar no automatismo imperceptível das ondas virtuais. Só me resta evitá-las tanto quanto possível.

Eu tento me policiar. Desativei avisos desnecessários e ainda me pergunto se os demais são realmente úteis. Não quero que minhas filhas me vejam toda hora no celular por um motivo bem simples: não quero que elas façam isso comigo nem ninguém depois. Se, por acaso, eu chegar em casa com alguma pendência, aviso: “daqui a pouco eu vou ter que checar o celular, é coisa que ficou do trabalho, mas depois eu paro”.

E corro para responder ou falar como quem vai dar um trago escondido no cigarro que deveria largar.

Sou desta geração que passou a depender de celular e isso me angustia. Meu grito de liberdade vem em pequenos atos de rebeldia, deixando de olhar os apps e, sobretudo, não permitindo que interfiram no momento sagrado em que estou com minhas filhas pequenas.

É um trabalho diário, requer disciplina e, por que não, a leitura de estudos óbvios como este do Boston Medical Center para nos darmos conta do ridículo da situação.

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Importante: Ajude as crianças a terem uma infância digna

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Ajude as crianças a terem uma infância digna

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“Investir no que acreditamos é adubo para os nossos sonhos… investir em nossas crianças é investir no futuro da humanidade…”

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O Sentido do Tato

COMUNICADO IMPORTANTE

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O Sentido do Tato

Ashley Montagu

Fonte: www.corpoconsciente.wordpress.com – clique e conheça

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“A experiência de sermos tocados com qualidade e presença nos devolve à morada da nossa alma (o corpo físico). Restaura o sentido de pertinência e a relação do nosso mundo interno com o externo, se torna um campo a ser ”tateado” com mais propriedade e segurança.”

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SENTIDO DO TATO

O Sentido do Tato, traz a notícia do Limite entre minha corporalidade e o mundo ao meu redor. “O  Sentido do Tato transmite o limite de si mesmo em relação ao outro. É uma vivência inconsciente; profunda de si mesmo”.

O Sentido do Tato é um dos meios para ter autoestima –auto segurança. Eu preciso me sentir. Abraçado , o bebê se acalma, se sente.

De outro lado, me vivenciando, percebo que o mundo ao redor me segura, me dá segurança.  Percebo que o mundo não é só um buraco,um vácuo. O Tato me assegura confiança por permitir uma noção de limite. Mesmo que inconsciente , a confiança visceral em Deus nos é dada pela vivência do Tato- do apoio.

Processo Inconsciente , que gera a Vivência de Deus no mais visceral, profundo, que se vive como Ser Humano. O lugar mais profundo de cada um.

Confiança e Medo são os dois grandes pilares do Sentido do Tato. Medo é uma vivência inconsciente de que Deus não nos segura.

Todas as funções orgânicas são tranquilas quando a pessoa se sente segura. Sempre que a confiança abalar, vai sentir medo. Abala o sistema nervoso.

“Qualquer  relacionamento bem sucedido, depende da constante manutenção do Sentido do Tato.” – Rudolf  Steiner

O cérebro humano tem um sistema criado especialmente para o toque

A pele é o mais extenso órgão do sentido de nosso corpo e o sistema tátil é o primeiro sistema sensorial  a tornar-se funcional em todas as espécies até o momento pesquisadas .Talvez depois do cérebro , a pele seja o mais importante de todos os nossos sistemas de órgãos.

A pele, como uma roupagem contínua e flexível, envolve-nos por completo. É o mais antigo e sensível de nossos órgãos, nosso primeiro meio de comunicação, nosso mais eficiente protetor. O corpo é todo recoberto pela pele. Até mesmo a córnea transparente de nossos olhos é recoberto pela pele. A pele também se vira pra dentro para revestir orifícios como a boca, as narinas.

Na evolução  dos sentidos, o tato foi, sem dúvida, o primeiro a surgir. O tato é a origem de nossos olhos, ouvido, nariz e boca. Foi o tato que, como o sentido, veio diferenciar-se dos demais, fato este que parece estar constatado no antigo adágio “matriz de todos os sentidos”. Embora possa variar estrutural e funcionalmente com a idade, o tato permanece uma constante, o fundamento sobre o qual assentam-se todos os outros sentidos.

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O Trabalho e o Amor

O Trabalho e o Amor

Khalil Gibran

Fonte: www.teosofiaoriginal.com – clique e conheça

trabalho e o amor

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“E todo conhecimento é vão; exceto quando há trabalho; e todo trabalho é vazio; exceto quando há amor; e quando vocês trabalham com amor vocês se unem a si próprios, e uns aos outros, e a Deus.”

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Vocês trabalham para manter-se em contato com o ritmo da terra e a alma da terra.

Porque ser preguiçoso é estar afastado das quatro estações e separar-se da marcha da vida, que avança com orgulhosa submissão, majestosamente, no rumo do infinito.

Quando vocês trabalham, são como uma flauta através de cujo interior o murmúrio das horas é transformado em música.

Quem de vocês gostaria de ser um junco, surdo e silencioso, quando todos os outros cantam juntos em harmonia?

Vocês sempre ouviram dizer que o trabalho é uma maldição, e o esforço, uma infelicidade.

Mas eu digo que quando trabalham vocês cumprem uma parte do sonho mais elevado da terra, destinada a vocês quando aquele sonho nasceu.

E, sustentando-se graças ao esforço, vocês estão, na verdade, amando a vida.

E amar a vida através do trabalho é estar interiormente ligado ao mais íntimo dos segredos da terra. Mas se em seu sofrimento vocês chamam o nascimento de aflição, e consideram o ato de sustentar a vida como uma maldição escrita em suas testas, eu respondo que só o suor dos seus rostos lavará e apagará aquilo que está escrito.

Disseram a vocês que a vida é escuridão; e, no seu cansaço, vocês repetem aquilo que os cansados disseram.

E eu digo que a vida é, de fato, escuridão, exceto quando há um impulso, e que todo impulso é cego; exceto quando há conhecimento.

E todo conhecimento é vão; exceto quando há trabalho; e todo trabalho é vazio; exceto quando há amor; e quando vocês trabalham com amor vocês se unem a si próprios, e uns aos outros, e a Deus.

E o que é trabalhar com amor?

É fazer o tecido a partir de fios que saem do seu coração, como se a pessoa que vocês mais amam fosse usar aquela roupa.

É construir cada casa com afeto, como se o ser amado fosse viver ali.

É plantar sementes com ternura, e fazer a colheita com alegria, como se a pessoa mais amada fosse comer os frutos.

É colocar em todas as coisas que vocês produzem o alento do seu próprio espírito, e saber que os mortos abençoados estão em torno de vocês, e observam o seu esforço.

Ouço com frequência vocês dizerem, como se falassem durante o sono: “Aquele que trabalha com mármore, e encontra na pedra a forma da sua própria alma, é mais nobre que aquele que lavra o solo. E aquele que captura o arco-íris e o coloca na roupa dos seres humanos é melhor que aquele que produz as sandálias para os nossos pés.”

Mas eu digo – não adormecido, e sim com a extrema lucidez da hora do meio-dia – que o vento não fala com mais ternura para os carvalhos gigantescos do que para a menor das folhas de erva.

E grande é apenas aquele que transforma a voz do vento em uma canção mais doce, através da sua própria capacidade de amar.

O trabalho é amor feito visível.

E se vocês não puderem trabalhar com amor, mas somente com desgosto, será melhor que abandonem seu trabalho e se sentem à porta do templo, e que peçam esmolas daqueles que trabalham com um sentimento de felicidade.

Pois se prepararem o pão com indiferença, vocês farão um pão amargo que só eliminará metade da fome do ser humano. E se espremerem a uva com má vontade, a má vontade estará presente no vinho como um veneno. E ainda que cantem como anjos, se não amarem o ato de cantar, estarão tapando os ouvidos das pessoas, e elas não poderão ouvir as vozes do dia e as vozes da noite.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Treinar o intelecto não resulta em inteligência

Treinar o intelecto não resulta em inteligência

Fonte: Página Social do Facebook Brinquedos Waldorf – clique e conheça

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“A mente, o intelecto, fica satisfeito com estas inumeráveis explanações, mas a inteligência não existe, pois para compreender deve haver a completa unidade de mente e coração em ação…”

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Treinar o intelecto não resulta em inteligência. Ao contrário, a inteligência surge quando a pessoa age em perfeita harmonia tanto intelectualmente como emocionalmente. Há uma vasta diferença entre intelecto e inteligência.

Intelecto é meramente pensamento funcionando independente da emoção. Quando o intelecto, sem consideração da emoção, é treinado em alguma direção particular, a pessoa pode ter grande intelecto, mas não deve ter inteligência, porque na inteligência existe a capacidade inerente de sentir assim como de raciocinar; na inteligência as duas capacidades estão igualmente presentes, intensa e harmoniosamente.

Hoje a educação moderna desenvolve o intelecto, oferecendo mais e mais explicações da vida, mais e mais teorias, sem a harmoniosa qualidade da afeição. Assim, desenvolvemos mentes astuciosas para fugir do conflito; por isso ficamos satisfeitos com explicações que cientistas e filósofos nos apresentam.

A mente, o intelecto, fica satisfeito com estas inumeráveis explanações, mas a inteligência não existe, pois para compreender deve haver a completa unidade de mente e coração em ação.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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O seu estilo de vida já foi projetado

O seu estilo de vida já foi projetado

David Cain

Fonte: www.papodehomem.com.br – clique e conheça

seu estilo de vida

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“A verdadeira Realidade mora no interior de nossos corações. Visita o interior da Terra, e retificando-te, encontrarás a Pedra Oculta, nosso verdadeiro e único tesouro…”

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Estou de volta ao mundo do trabalho. Acabei em um trampo de engenharia com salário bem legal, e a vida parece que finalmente está voltando ao normal depois de nove meses viajando.

Por eu viver um estilo de vida bastante diferente enquanto estive fora, esta súbita transição à existência de trabalho “das 9-às-5“ tornou claro algo sobre ela que eu nunca tinha percebido.

Desde o momento em que o emprego foi oferecido a mim, eu fiquei notavelmente mais descuidado com o meu dinheiro. Não burro, só pensando um pouco menos na hora de puxar a carteira. Pequeno exemplo: estava comprando cafés caros de novo, apesar deles não serem minimamente tão bons quanto os excepcionais cafés brancos comuns da Nova Zelândia, e de eu não poder apreciá-los no pátio ensolarado de um café. Quando estava viajando, estas compras eram menos descuidadas, e eu as aproveitava melhor.

Não estou falando de compras grandes e extravagantes. Estou falando de gastos casuais, promíscuos, de pequena escala, em coisas que não acrescentam muito na minha vida. E olha que eu só vou receber daqui a duas semanas.

Em retrospecto, eu acho que sempre fiz nas épocas em que estive bem empregado — gastar alegremente nas épocas de “vacas gordas“. Ter passado nove meses vivendo como um mochileiro sem renda, eu não consigo não ficar mais atento a este fenômeno, agora que vejo ele acontecendo.

Eu acho que faço isso porque sinto ter readquirido uma certa estatura agora que sou novamente um profissional amplamente remunerado, o que parece me dar direito a um certo nível de esbanjamento. Há uma curiosa sensação de poder quando você coloca no balcão duas notas de 50 sem um traço de pensamento crítico. É gostoso poder exercer o poder do dinheiro quando você sabe que ele vai “crescer de novo“ bem rápido na sua horta.

O que eu estou fazendo não é nada diferente. Todo mundo parece fazer isso. De fato, eu acredito que apenas retornei à mentalidade consumidora normal depois de passar algum tempo longe dela.

Uma das descobertas mais surpreendentes que fiz durante a minha viagem foi que eu gasto muito menos por mês viajando por países estrangeiros (incluindo países mais caros do que o Canadá, onde moro) do que eu gastava quando tinha moradia e trabalho fixos. Eu tinha muito mais tempo livre, estava visitando alguns dos lugares mais bonitos do mundo, conhecendo gente nova a torto e a direito, estava calmo, em paz e tendo momentos inesquecíveis, e de alguma forma isso me custava muito menos do que o meu humilde estilo de vida e trabalho 9-às-5 em uma das cidades menos caras do Canadá.

Parece que o meu dinheiro rendia muito mais quando eu estava viajando. Por quê?

Uma cultura de desnecessários

Aqui no ocidente, uma cultura de gastos desnecessários foi propositalmente cultivada e mantida em público pelos grandes negócios. Empresas de todos os tipos de setores apostam alto na tendência do público de ser descuidado com o seu dinheiro. Elas tentam encorajar o hábito público de cometer gastos casuais ou desnecessários da forma que puderem.

No documentário The Corporation, uma psicóloga de marketing discutiu um dos métodos que ela usava para aumentar as vendas. A equipe dela conduziu um estudo sobre o efeito que os pedidos insistentes das crianças tinham sobre a probabilidade dos pais comprarem um brinquedo para elas. Descobriram que 20% a 40% das compras de brinquedos não teriam ocorrido se as crianças não tivessem enchido o saco dos pais. Uma a cada quatro visitas a parques de diversão não teria acontecido. Eles usaram estes estudos para direcionar o marketing dos seus produtos diretamente às crianças, incentivando-as a insistir aos seus pais que comprem.

Esta campanha de marketing sozinha representa milhões de dólares gastos graças a uma demanda que foi completamente fabricada.

“Você pode manipular os seus clientes a querer, e portanto comprar, os seus produtos. É um jogo.“ Lucy Hughes

Este é somente um pequeno exemplo de algo que vem acontecendo há muito, muito tempo. As grandes empresas não ganharam seus milhões promovendo honestamente as qualidades dos seus produtos, elas ganharam ao criar uma cultura de centenas de milhões de pessoas que compram bem mais do que precisam e tentam afastar insatisfação com dinheiro.

Nós compramos coisas para nos alegrar, para não ter a sensação de ficar para trás em relação aos nossos semelhantes, para concretizar a visão infantil do que a nossa vida adulta seria, para comunicar o nosso status ao mundo, e por diversas outras razões psicológicas que têm muito pouco a ver com o fato do produto ser útil ou não. Quanta tralha você tem em casa e que não usa há mais de um ano?

O real motivo da jornada de trabalho de oito horas

A ferramenta definitiva das empresas para sustentar esse tipo de cultura é desenvolver as 40 horas de trabalho por semana como o estilo de vida normal. Com essas condições de trabalho, as pessoas precisam “viver“ à noite e nos fins de semana. Esta configuração nos deixa naturalmente mais propensos a gastar muito com entretenimento e conveniências, já que o nosso tempo livre é tão escasso.

Faz poucos dias que eu voltei ao trabalho, e já percebi que as atividades mais integrais estão rapidamente sumindo da minha vida: caminhar, me exercitar, ler, meditar e escrever.

A similaridade evidente entre estas atividades é que elas custam muito pouco ou nenhum dinheiro, mas exigem tempo.

Subitamente, eu tenho bem mais dinheiro e bem menos tempo, o que significa que eu tenho muito mais em comum com o trabalhador norte-americano típico do que tinha há poucos meses. Enquanto estava fora, eu não pensaria duas vezes antes de decidir passar o dia explorando um parque nacional ou parar por algumas horas para ler um livro na praia. Agora esse tipo de coisa está fora de questão. Fazer qualquer uma dessas coisas me tomaria um dia inteirinho do meu precioso fim de semana!

A última coisa que eu quero fazer quando chego em casa é me exercitar. Também é a última coisa que eu quero fazer depois do jantar ou antes de dormir ou assim que eu acordo, e esses seriam os únicos momentos possíveis para fazer isso num dia de semana.

Esse parece ser um problema simples com uma solução simples: trabalhar menos para ter mais tempo livre. Eu já provei para mim mesmo que posso ter um estilo de vida que me preenche com menos dinheiro do que eu ganho hoje. Infelizmente, isso é praticamente impossível na minha indústria, e em muitas outras. Ou você trabalha as suas oito horas por dia, ou não trabalha. Meus clientes e colaboradores estão todos firmemente fixados na cultura do horário de trabalho padrão, então não é praticável pedir para que ninguém me peça nada depois do almoço, mesmo que eu conseguisse milagrosamente convencer o meu próprio empregador a me dar esse horário.

O dia de trabalho de oito horas foi desenvolvido durante a revolução industrial na Europa do século 19, como uma trégua para os trabalhadores de fábricas que estavam sendo explorados com jornadas de trabalho de 14 ou até 16 horas por dia.

Com o avanço de tecnologias e métodos, os trabalhadores de todas as indústrias se tornaram capazes de produzir muito mais valor em menos tempo. Seria de se imaginar que isso nos levaria a uma diminuição das horas trabalhadas.

Mas o dia de trabalho com oito horas é muito lucrativo para grandes empresas, não graças à quantidade de trabalho realizada nessas oito horas (o trabalhador médio de escritório trabalha de fato por menos de três dessas oito horas), mas porque faz com as pessoas se tornem mais propensas a comprar. Fazer com que as pessoas tenham pouco tempo livre significa que elas vão pagar bem mais por conveniência, gratificação e qualquer outro alívio que possam comprar. Faz com que elas continuem assistindo televisão, e os seus comerciais. As mantém pouco ambiciosas fora do trabalho.

Fomos conduzidos a uma cultura projetada para nos deixar cansados, famintos por indulgência, dispostos a pagar muito por conveniência e entretenimento e, mais importante, vagamente insatisfeitos com as nossas vidas, a ponto de continuar querendo coisas que não temos. Nós compramos tanto porque sempre parece que tem alguma coisa faltando na nossa vida.

As economias ocidentais, particularmente a dos Estados Unidos, foram meticulosamente construídas com os preceitos da gratificação, vício e gasto desnecessário. Nós gastamos para nos alegrar, para nos recompensar, para comemorar, para resolver problemas, para aumentar nosso status e para afastar o tédio.

Você consegue imaginar o que aconteceria se todos os americanos parassem de comprar tantas paradas desnecessárias que não trazem muito valor duradouro para as suas vidas?

A economia entraria em colapso e nunca se recuperaria

Todos os problemas de conhecimento público da América, incluindo obesidade, depressão, poluição e corrupção, são o preço a se pagar pela criação e sustentação de uma economia de trilhões de dólares. Para a economia estar “saudável“, as pessoas não podem estar. Pessoas saudáveis e felizes não sentem que precisam de muita coisa que já não tenham, e isso significa que elas não compram um monte de porcarias, não precisam de tanto entretenimento e acabam não assistindo a tantos comerciais.

A cultura da jornada de trabalho de oito horas é a ferramenta mais poderosa para manter as pessoas neste mesmo estado de insatisfação na qual a resposta para qualquer problema é comprar alguma coisa.

Talvez você já tenha ouvido falar da Lei de Parkinson. Ela é geralmente usada em referência ao uso do tempo: quanto mais tempo você tem para fazer algo, mais tempo você vai levar para fazer aquilo. É incrível quanta coisa você consegue fazer em 20 minutos se 20 minutos é todo o tempo que você tem. Se você tem toda a tarde, provavelmente vai demorar bem mais para fazer a mesma coisa.

A maioria de nós trata o dinheiro da mesma forma. Quanto mais a gente ganha, mais a gente gasta. Não é que subitamente a gente precise comprar mais só porque estamos ganhando mais, é só que a gente pode, então a gente faz. De fato, é muito difícil para nós não aumentar o nosso padrão de vida (ou ao menos o ritmo de gastos) a cada vez que recebemos um aumento.

Eu não acho que seja necessário afastar-se de todo esse sistema feio e ir viver na floresta fingindo ser um surdo-mudo, como Holden Caulfield fantasiava. Mas com certeza seria bom que a gente percebesse o que o grande comércio realmente deseja que nós sejamos. Eles vêm trabalho por décadas para criar milhões de consumidores ideais, e eles conseguiram. A não ser que você seja uma verdadeira anomalia, o seu estilo de vida foi previamente projetado.

O consumidor perfeito está insatisfeito (mas esperançoso), desinteressado em desenvolvimento pessoal sério, altamente habituado à televisão, trabalhando em período integral, ganhando minimamente bem, abusando em seu tempo livre e, de alguma forma, apenas se virando com o que tem.

Acabei de te descrever?

Duas semanas atrás eu teria dito não, esse cara de jeito nenhum sou eu, mas se todas as minhas semanas passarem a ser como a última… eu posso estar me enganando.

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“No decorrer do seu 10° ano de vida, a criança dá um passo importante em seu desenvolvimento, o que deveria ser cuidadosamente observado. Ela abandona definitivamente a sua primeira infância e passa a observar o mundo com a consciência do seu “Eu”, que fica cada vez mais desperto.”

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No decorrer do seu 10° ano de vida, a criança dá um passo importante em seu desenvolvimento, o que deveria ser cuidadosamente observado. Ela abandona definitivamente a sua primeira infância e passa a observar o mundo com a consciência do seu “Eu”, que fica cada vez mais desperto. A autoridade do professor, naturalmente aceita até esse momento, começa a ser questionada e posta em dúvida. Rudolf Steiner chamou esse importante processo na evolução humana, freqüentemente, de “Rubicon” (N.T. Nome de um rio cuja travessia, pelas tropas de Júlio César, marcou o começo de uma nova e importante fase político-militar na história de Roma), relacionando-o com a idade aproximada de 9 e 1/3 anos. Todo o plano de ensino do 3° ano pode ser entendido como algo que conduz e acompanha a situação do “Rubicon”, enquanto o do 4° ano é o da confirmação e da conclusão desse processo.

O contexto do “Rubicon” aponta para um momento crítico na biografia de Júlio César. Tratava-se, para ele, de um “ser ou não ser”, da escolha entre uma vida revolucionária ou a morte em conseqüência da obediência a uma lei antiquada. Transpor o Rubicon, que marcava a fronteira, sob a proteção do exército, significava romper com as leis de Roma, sentidas como algo “sagrado” e “eterno”. Ao mesmo tempo, era a única possibilidade de emancipar-se de uma ordem que tinha perdido seu significado e de seguir o caminho da vida própria.

É nessa situação que se encontra a criança no fim do nono ano de vida e no começo do décimo ano. Os laços da influência do lar se afrouxam em certa medida e ao se afrouxarem a criança entra, freqüentemente, num período de insegurança e de medo.

Surge uma série de perguntas nunca antes formuladas. Quem são meus pais? Quem me assegura que eles o são realmente? Quem são meus mestres? O que faz para que sejam meus professores? O que lhes dá o direito de serem meus professores? Será que eles são representantes de uma espiritualidade autônoma? Essas perguntas apontam para um “Eu” que não sente mais a antiga ingenuidade com relação a consigo mesma e com o mundo. Não existe mais caminho sadio de retomo à infância dourada. São necessárias coragem e energia para ir adiante, para atravessar o “Rubicon”, mesmo se isto significa romper com o passado e não estiver claro para aonde leva o caminho.

Plutarco narra que Júlio César teve, na noite anterior ao seu grande passo, um sonho horrível: ele teve a sensação de ter tido relações proibidas com a própria mãe. Trata-se da imagem do problema subjacente. A mãe que J. César violenta, naturalmente, não é a sua mãe física: é a mãe sagrada, Roma, o ambiente espiritual, social e moral do qual ele provinha. A antiga relação não pode mais ser mantida, é algo superado e ficar amarrado a ela lhe seria fatal. Ele precisa transformar a presença forte e abrangente das suas origens em passado, ao passar de uma margem para outra do rio.

O outro historiador romano que descreve esse fato, Suetônio, fala de um ser supra-sensível que aparece do outro lado do rio e convida Júlio César, ao som de trombetas, a transpô-lo. Trata-se de seu gênio, um jovem de grande beleza, luminoso e forte.

O currículo do 3° ano dirige o olhar do aluno para o mundo. A criança vivencia, através das narrações do Velho Testamento, a transição da visão mitológica ao enfoque histórico. Em todas as matérias “práticas”, o aluno ) encontra o nascimento do mundo da cultura humana. Aprende pela observação e pelas atividades, como surgem as habitações, o alimento, o vestuário e todas as demais conquistas culturais do homem. Isto significa conduzir o aluno em 9 direção ao “Rubicon” e também acompanhá-lo dentro da situação.

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Classes do 1º ao 3º ano – Línguas Estrangeiras

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“Devido à mobilidade do seu organismo de fala, as crianças desenvolvem uma grande flexibilidade e abertura anímica, que atuará por toda a vida futura, principalmente, em relação às atitudes sociais. O ensino das línguas estrangeiras, melhor do que qualquer outro, consegue despertar e desenvolver o interesse em coisas diferentes da cultura pátria, que constitui uma tarefa pedagógica de suma importância, principalmente em nossa época onde predominam conflitos raciais e sociais em todos os âmbitos, restritos e mais amplos.”

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Quando o próprio professor de classe ensina uma ou duas línguas estrangeiras, ele saberá que não poderá fazê-lo como algo acessório. Por isso a nossa exposição será um pouco mais explícita.

A partir do 1° ano, 6 aulas semanais são previstas, no caso ideal, para duas línguas estrangeiras, pois é do 1° ao 3º ano, que deveriam ser dados os passos mais importantes no aprendizado das línguas estrangeiras. Queremos aproveitar a capacidade quase genial das crianças dessa idade, ao estruturar o currículo e a metodologia, transmitindo a língua estrangeira de modo tão direto como jamais será possível. Trata-se de muito mais do que decorar pela imitação alguns versinhos e canções. Isso é apenas pequena parte do ensino todo, pois convém que as crianças se identifiquem totalmente com a língua estrangeira, vivenciando o seu gênio. Por isso, o professor deveria usar apenas a língua em questão.

E, justamente, no fim da manhã, quando as crianças já estão um pouco cansadas é que as aulas de línguas estrangeiras deveriam trazer uma mudança regeneradora, capaz de causar alegria, distensão e de produzir até, um quase “ambiente de férias”.

É muito importante insistir, justamente do 1° ao 3º ano, na entonação e pronúncia corretas.

Devido à mobilidade do seu organismo de fala, as crianças desenvolvem uma grande flexibilidade e abertura anímica, que atuará por toda a vida futura, principalmente, em relação às atitudes sociais. O ensino das línguas estrangeiras, melhor do que qualquer outro, consegue despertar e desenvolver o interesse em coisas diferentes da cultura pátria, que constitui uma tarefa pedagógica de suma importância, principalmente em nossa época onde predominam conflitos raciais e sociais em todos os âmbitos, restritos e mais amplos.

1° ano

Além da recitação em coro das canções, das danças e das poesias, jogos baseados em perguntas e advinhações levam às primeiras formas da Gramática: perguntas, negações, pessoas e tempos verbais. O vocabulário se forma por meio de histórias contadas com gestos e imagens, é importante que o professor tenha dentro de si imagens fortes e possa transmiti-las até em sua maneira de falar. Ele procurará apresentar imagens e cenas na língua estrangeira, recorrendo a vários objetos e disfarces. Também os objetos que se acham na sala de aula e a geografia corpórea se prestam à aquisição de um vocabulário condizente com a idade. Pequenas histórias criadas pelo professor e mantidas na ambientação dos contos-de-fada estimulam a compreensão das crianças, assim como as singelas e graciosas descrições dos acontecimentos cotidianos. As crianças ficam entusiasmadas com pequenas peças de teatro de fantoches. As crianças aprendem através dos movimentos e das atividades apropriadas, mas estas devem ser colocadas em equilíbrio com a atitude de ouvir e, em geral, com a receptividade de todos os órgãos de sentidos. A classe acompanha tudo com gestos e pode desenvolver em certos momentos uma verdadeira “arte do movimento”, acompanhando a língua estrangeira, por exemplo, quando aprende a contar até cem, para frente e para trás, ou quando segue um outro ritmo matemático. O professor atua para que apliquem as palavras relativas às cores, etc. As crianças gostam de “ditados de desenhos”, isto é, elas desenham um quadro, que o professor elabora, passo-a-passo, descrevendo os vários elementos. Também pequenos trabalhos práticos, bem simples, oferecem uma diversificação sensata das aulas.

Fazendo uso desses elementos, o professor do 1° ano estará prestando atenção, principalmente, à “boa respiração” da aula, para que as crianças se movimentem de forma descontraída e rítmica, no âmbito lingüístico, diferente do usual.

2° ano

Enquanto eram praticados no 1° ano, em coro, alguns elementos simples da conversação, por exemplo, organizadas no começo das aulas, pequenas conversas a respeito do tempo meteorológico, dos dias da semana, da familia ou por meio de jogos, implicando em perguntas e respostas variadas. As crianças aprendem a contar histórias que ouviram primeiro na língua matema e em seguida, respondendo as perguntas na língua estrangeira. Uma parte dos vocábulos do 1° ano, assimilados pela consciência infantil (chamados de “âmbitos passivos do vocabulário”) podem ser transformados gradativamente em acervo ativo do vocabulário. Através de pequenos jogos e de adivinhações, a criança vem a conhecer o vestuário, os animais e toda a natureza ao redor; eventualmente, ao mesmo tempo, as preposições.

Não tem sentido fazer com que as crianças desenhem no caderno “qualquer coisa” que tenham ouvido anteriormente, esta atividade não está relacionada com o ensino de língua estrangeira. Melhor seria detalhar as indicações de como, quando, onde, que lugares e que cores. Boa experiência foi feita com desenhos de formas ou cálculos na língua estrangeira, isso pode se realizar quase da mesma maneira como no ensino da língua matema, seguindo pelas mesmas etapas, consegue-se, assim, uma economia para o ensino.

3º ano

A diminuição das forças de imitação exigem do professor uma nova abordagem: é preciso dar maior espaço às imagens interiores que agora se formam. Os conteúdos anteriores são recapitulados em novas variações, completados pelos assuntos do ensino principal. As profissões, o universo do camponês e todo o ambiente natural das crianças constituem um fundo inesgotável para o ensino das línguas estrangeiras. Podem nascer daí muitas perguntas e diálogos. Se a atmosfera das aulas cria confiança e principalmente coragem, as crianças desejarão falar sem inibição. Quando ficam mais velhas essa espontaneidade se perde cada vez mais, pois as manifestações se tomam mais conscientes. Se os conhecimentos aumentam paralelamente com a auto-consciência, os alunos não vão ficar mudos nas conversas em língua estrangeira.

Sem que os alunos tenham consciência, o professor pode predispor os vários domínios da Gramática: singular e plural, conjugação dos verbos, dos tempos (mas só quando já foram tratados no ensino principal), os pronomes pessoais, demonstrativos, possessivos e as preposições.

Todo o alfabeto pode ser aprendido brincando. A criança adquirirá uma boa pronúncia, seja inconscientemente ou coma ajuda de correções carinhosas. Talvez seja possível apresentar uma peça de teatro antes do fim do 3° ano, isto antes que se passe à escrita e à leitura, no 4° ano. A leitura e a escrita poderão ser preparadas escrevendo títulos ou palavras isoladas, quando se aproxima o fim do ano escolar.

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Bernard Lievegoed

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