Arquivo mensais:novembro 2014

A queda do paraíso na biografia humana

A queda do paraíso na biografia humana

Milene Mizuta

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“Na biografia de todos nós, ocorre a queda do paraíso, aquele momento em que nos diferenciamos sexualmente e percebemos que o mundo é feito de dois “seres” bem distintos e é também aquele momento em que saímos da proteção do ambiente familiar e vamos para a vida, e começamos a nos deparar com tribos e bandos, onde temos que encontrar nosso lugar, essa fase nos é conhecida como adolescência. Na fase dos 14 aos 21 anos começa a busca da complementação da alma cada Adão busca sua Eva, cada Eva o seu Adão – primeiro como complementação e, à medida que há o amadurecimento psicológico no decorrer dos três setênios seguintes (21 a 42), haverá a integração dessas partes dentro de cada um.”

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Na biografia de todos nós, ocorre a queda do paraíso, aquele momento em que nos diferenciamos sexualmente e percebemos que o mundo é feito de dois “seres” bem distintos e é também aquele momento em que saímos da proteção do ambiente familiar e vamos para a vida, e começamos a nos deparar com tribos e bandos, onde temos que encontrar nosso lugar, essa fase nos é conhecida como adolescência.

A partir da pré-puberdade, a diferenciação sexual torna-se cada vez mais visível.

A mulher amadurece mais rapidamente que o homem; a forma do seu corpo denota também as qualidades da alma feminina: mais redonda, mais cósmica, mais espiritual, menos ligada à terra: A tonalidade de voz é mais alta, ossos mais leves, hemoglobina do sangue em porcentagem menor, útero e órgãos de reprodução retraídos para dentro do corpo.

O homem tem seu corpo mais anguloso, ossos pesados, mais terrestre, cérebro mais pesado, hemoglobina em porcentagem mais elevada (portanto quantidade de ferro maior), pensamento mais racional, voltado para a luta, defesa, para a ação. Órgãos sexuais mais baixos e expostos.

Nossos órgãos sexuais têm os elementos masculino e feminino ao mesmo tempo, uma parte se desenvolve, outra regride, dando a diferenciação sexual. Também animicamente, tanto o homem como a mulher tem dentro de si a parte feminina da alma (que Jung denomina de “anima”) e a parte masculina (“animus”). De acordo com a intensidade do animus, o homem ou a mulher podem ser mais ou menos masculinos. Se predominar a anima, o homem ou a mulher podem ser mais ou menos femininos.

Na fase dos 14 aos 21 anos começa a busca da complementação da alma cada Adão busca sua Eva, cada Eva o seu Adão – primeiro como complementação e, à medida que há o amadurecimento psicológico no decorrer dos três setênios seguintes (21 a 42), haverá a integração dessas partes dentro de cada um.

Cada um de nós carrega dentro de ser humano ideal, que esta diretamente ligada a imagem que foi construída a partir de nossas vivências, uma mãe amorosa, um pai provedor, ou uma mãe agressiva e um pai alcoólatra, tudo isso ajuda a formar a imagem que carregaremos dentro de nós sobre o feminino e masculino. Nessa fase da vida entramos em contato com o arquétipo do homem e da mulher ideal.

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Madre Teresa de Calcuta

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A separação do sexos

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Milene Mizuta

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“A liberdade nos é concedida a partir do conhecimento, quando conhecemos algo isso nos dá a condição de escolher. Que imagem grandiosa para dizer que os sentidos físicos iam despertando e que os homens se tornavam conscientes de si, experimentando o sentimento de pudor! E assim nós Homens fomos expulsos do paraíso, e aquilo que era uno começou a se dividir, por isso sempre procuramos o outro, como forma de integração daquilo que um dia foi separado.”

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Na Lemúria vivia um povo, a leste da África, na região coberta hoje pelo oceano Índico.
Desse povo as notícias que nos chegam vem através da tradição oral e dos relatos do Livro do Gênesis.

Esse nosso ancestral vivia no que conhecemos hoje como Paraíso. O homem e a mulher viviam totalmente entregues as forças cósmicas que supriam todas as suas necessidades.

Eram unos a essas forças. Mas estavam submetidos a uma única restrição, não poderiam comer o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.

Nós sabemos, por experiência própria que onde há regras logo se cria a possibilidade de quebrá-las, que onde se põe um obstáculo imediatamente vem o desejo de ultrapassá-lo.”

Isso significa que Homem vivia em conformidade com todas a leis divinas, não precisando de nada mais para viver. Nossos corpos não tinham estruturas rígidas como as que conhecemos hoje, podemos comparar a um feto, onde o corpo todo esta estruturado, mas não possui a “rigidez” de uma criança recém-nascida.

A procriação até então dava-se de forma assexuada com ainda hoje encontramos em  organismos inferiores, como as amebas, onde uma parte desse organismo se libera gerando uma outra.

A separação dos sexos na humanidade nos é conhecida exaustivamente pelo livro dos Gênesis, que cita que primeiro houve a criação de Adão e depois Eva de sua costela.

Eva foi gerada a partir da costela que compõe o tórax, parte óssea que protege todos os nossos órgãos rítmicos: coração, pulmão, etc.

Homem que vivia em estado de sonho tinha tudo que era necessário para sua sobrevivência, mas para isso não deveria possuir a liberdade, que nos é concedida a partir do conhecimento, quando conhecemos algo isso nos dá a condição de escolher.

“Ordenou Deus Jeová ao homem: De toda árvore do jardim podes comer livremente, mas da árvore do conhecimento do Bem e do Mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás”

Então a serpente disse à mulher:

“Certamente não morrereis, porque Deus sabe que no dia em que comerdes do fruto, abrirse-vos-ao os olhos, e sereis como Deus, conhecendo o Bem e o Mal”

E os homens sucumbiram a essa influência, com o resultado seguinte:

“Foram abertos os olhos de ambos, e conhecendo que estavam nus, coseram folhas de figueira. . .”

Que imagem grandiosa para dizer que os sentidos físicos iam despertando e que os homens se tornavam conscientes de si, experimentando o sentimento de pudor! E assim nós Homens fomos expulsos do paraíso, e aquilo que era uno começou a se dividir, por isso sempre procuramos o outro, como forma de integração daquilo que um dia foi separado.

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O relacionamento humano

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“Só é possível relacionar-se com o outro quando aprendo a me relacionar comigo, mas para aprender a me relacionar comigo, primeiro preciso relacionar-me com o outro:

Você atuou em mim; no entanto, não afetou com isso minha liberdade, mas ofereceu-me a possibilidade de eu mesmo dar a mim essa liberdade, no momento certo da vida. O que você fez me possibilita aparecer agora diante de você, estruturando a mim mesmo como um ser humano a partir de minha própria individualidade, que você deixou intocada por um recatado respeito.”

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O drama de todo indivíduo é representado no “palco” chamado alma.

Esse drama de desenvolvimento baseia-se no que chamamos de o “encontro humano”, o campo das relações é o campo do drama individual de todos nós.

É a partir do relacionamento com outro que conseguimos desenvolver aquilo ao que viemos, Steiner cita de forma maravilhosa:

Vejo vir ao meu encontro o ser humano, que em cada olhar, em cada movimento me revela: “Você atuou em mim; no entanto, não afetou com isso minha liberdade, mas ofereceu-me a possibilidade de eu mesmo dar a mim essa liberdade, no momento certo da vida. O que você fez me possibilita aparecer agora diante de você, estruturando a mim mesmo como um ser humano a partir de minha própria individualidade, que você deixou intocada por um recatado respeito.”

O encontro com outro ser humano sempre nos traz a possibilidade de um aprendizado sobre nós mesmo. Não existe caminho de desenvolvimento que não passe pelo encontro com o outro.

Encontramos no outro a possibilidade de reconhecimento das respostas que existem em nós, buscando aquilo que precisamos desenvolver.

O encontro humano é hoje o grande desafio de desenvolvimento da humanidade, todos nós buscamos pela integração a um grupo social, a uma família, a um parceiro, a uma
comunidade e mesmo assim cada vez mais nos mantemos distantes do contato humano, porque relacionar-se verdadeiramente dói.

Dói quando envoltos ao emaranhado complexo das relações, temos que nos deparar com aspectos obscuros e ainda não desenvolvidos de nossa alma.

Steiner diz que só nos tornamos verdadeiramente adultos a partir dos 35 anos, idade essa, em que o setênio da integração masculino e feminino arquetípicamente já foi concluído, o que nos torna indivíduos mais inteiros e preparados para entrada da vida adulta.

Isso mostra que só é possível relacionar-se com o outro quando aprendo a me relacionar comigo, mas para aprender a me relacionar comigo, primeiro preciso relacionar-me com o outro, complexo não?

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Os sete tipos anímicos do ser humano

Os sete tipos anímicos do ser humano

Milene Mizuta

Fonte: Curso Líder de Si (Módulo Qualidades Planetárias) clique e conheça

tipos planetários

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“Que o meu pensar seja claro, verdadeiro, sem julgamento, ponderado. Que meu sentir seja aquecido, amoroso, com compaixão pelo outro, trazendo a verdade do amor latente em si. Que minha ação seja fiel a uma causa, apaziguadora. Que eu possua a virtude de fazer o bem. Que eu possa ajudar ao outro ser humano e acompanhá-lo. Que eu desenvolva o sentido humanitário e colocar a minha força à disposição da humanidade. Que eu Ilumine com sabedoria os lados negativos ou sombras. Que eu possa ajudar o outro a encontrar suas metas e realizá-las. Que eu acompanhe o destino do outro, ajude-o a encontrar os lados positivos da vida para aproveitar, para um todo maior, as qualidades positivas de cada um.”

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Próximo aos 14 anos uma mudança ocorre e a criança começa a entrar no período de puberdade.

Esse é um momento muito difícil para a criança e algumas vezes também para a família,
normalmente a entrada para essa puberdade ocorre com um mudança brusca no comportamento. Uma criança que era então mais melancólica pode tornar-se mais explosiva, ou pode ficar ainda mais intropesctiva. O contrário também pode ocorrer: uma
criança muito expansiva de repente pode tornar-se um adolescente muito introspectivo.

Max Stibbe em sua apostila “Os sete tipos anímicos” cita:

“Quando a criança atravessa o portal da puberdade a vida anímica se liberta (se desprende); isso pode ser considerado como o terceiro processo de nascimento da criança. Anteriormente, a alma, que sempre esteve presente desde o nascimento era totalmente “apegada” ao corpo físico e à organização da vida, com o início da puberdade, ela própria se separa dessas funções da mesma forma que o feto se separa do corpo da mãe. Agora, a alma nasceu como uma entidade independente.

Esse é o acontecimento importante da puberdade. Todos os outros fatos tais como a maturidade sexual, são efeitos secundários, em vez de serem primários. A puberdade evindencia-se quando ocorre uma mudança completa no relacionamento entre a alma e o corpo e também entre a alma e o mundo em geral.

Com o nascimento da entidade da alma livre surge a necessidade urgente de um mundo interior individual – um mundo onde a alma não precise mais ser dependente dos pais e de outros fatores do meio ambiente, mas siga as leis por si mesmas e busque uma relação própria com o mundo exterior.”

Dos 14 aos 21 entendemos então que temos nascimento da identidade do ser humano.

O nascimento de uma qualidade da alma, que torna a expressão no mundo algo individual, a alma que é a “morada” de nossas cobiças, julgamentos, desejos, etc… é muito mais flexível que em sua estrutura, muito mais que o corpo etérico que esta diretamente
ligado ao organismo físico, Uma pessoa de um temperamento colérico pode se esforçar durante toda a vida para controlar seu temperamento; hora conseguirá, hora não, porque nossos temperamentos foram constituídos na mais tenra idade e sempre servirão
como pano de fundo da nossa biografia. Já nas qualidades da alma podemos caminhar por entre elas, exemplo: Podemos mudar nossos julgamentos, pensamentos e modo de sentir as mesmas coisas no decorrer da vida porque a alma é versátil.

Todas essas forças são manifestações do que chamamos de forças do cosmos, onde o homem antigo tinha sua fonte de inspiração.

Na antiguidade, quando os homens olhavam para o céu enxergavam nas estrelas manifestações de forças espirituais. Essas forças eram sentidas no âmbito da alma, que é o âmbito do sentimento, do pensamento e do julgamento que fazemos das coisas.

Tipo Lunar ou sonhador

a leiteira

A lua é o satélite da terra, ela espelha a luz solar, é responsável pelos ritmos primordiais e instintivos do homem, nascimento, mudança de marés, crescimento e ciclo de plantas.

Também é responsável por muitos mistérios que a envolvem, servindo de inspiração para muitos artistas.

O ritmo lunar acontece a cada 18,5 anos e meio. O dia em que esse astro manifesta maior influencia na terra é a segunda feira (Monday). Como não poderia ser diferente, o tipo Lunar possui também essas características em todos os aspectos.

Físico: Tipo arredondado, tem o andar calmo e tranqüilo, tem uma aparência acolhedora, uma singeleza, são pessoas que transbordam vivacidade.

Pensar: O tipo lunar no pensamento é sonhador e através do seu pensar ele é capaz de alcançar as mais inesperadas fantasia; é romântico. Como são pessoas muito cheias de vida, possuem também boa memória, sempre tem um texto, alguma observação, alguma frase, alguma sabedoria popular para acrescentar à conversa, ao conteúdo, mas, com pouca propriedade, normalmente não são grandes estudiosos. São pessoas cheias de conteúdos intelectuais, mas com pouca propriedade e profundidade neles.

Sentir: O tipo lunar tem pouca elaboração no sentimento, por isso, como a lua, espelham o mundo exterior, é aquele tipo de pessoa que chamamos de esponja e espelha através dos seus atos como esta o ambiente externo. São pessoas que na maioria das vezes se emocionam ao ver outras pessoas emocionadas, são capazes de reproduzir sentimentos,
instantaneamente, por não terem nenhum tipo de elaboração dos mesmos, acolhendo a todos sem distinção. O tipo lua sempre sabe do que o outro gosta, tem uma profunda ligação com os ritmos, acorda com o sol e deita com o sol, gosta da segurança da rotina.

Agir: No agir são pessoas cuidadosas, amáveis e acolhedoras, sempre sabem do que outro gosta ou precisa, normalmente são aquelas que tem uma relação intima com a alimentação, cuidando sempre da nutrição de todos que o rodeiam.

Virtude: Fantasia criativa, cuidado com o ambiente, inclinação social, prudência, circunspeção, análise de uma situação com cautela.

Polaridades Lunares

Pessoas com polaridades lunares, podem, se não trabalhadas se transformarem em lunáticos, pessoas fantasiosas, que perdem a conexão com a realidade.

Pensar: fuga da realidade, abstração intelectual, incapacidade de cuidar de seus pensamentos.

Sentir: Exagero dos sentimentos, acolher sem discriminação, não sustenta ajuda.

Agir: imprudência, agir por reflexo, um sonambulismo constante.

Relação com o outro: Receptiva, sempre trabalha com a necessidade alheia, tem uma insensibilidade com os sentimentos do outro, superficialidade, não sustenta promessas.

Relação com o mundo: Introvertido e internamente passivo, reage ao ambiente, sempre decide pela maioria.

Tarefa: Ir para as profundezas de si mesmo, encontrar a verdade interior.

O que devemos aprender com o tipo Lunar (ou sonhador):

Acordar e deixar desenvolver as forças da vida. A repetição diária e rotineira das nossas ações nos âmbitos: da profissão, da alimentação, do sono e vigília, da vida familiar, do cotidiano.

No desenvolvimento interior, na base de exercícios repetitivos, por exemplo: Exercícios de concentração, meditação etc. Observação Goetheanística diária.

Na repetição de exercícios esportivos ou tarefas como regar plantas. No estudo sistemático de certas coisas. No colecionar objetos de arte ou da natureza, para observar correlação dos fenômenos. Arquivar as coisas – ordenar – cuidar da vida.

Tipo Saturno ou autoconsciente

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Cronos ou Saturno é considerado na mitologia como o Senhor do Tempo, na mitologia ele era filho de Urano (céu) e Gaia (terra), Incitado pela mãe ele corta os testículos de Urano, o que separa então o céu da terra, surgindo então o tempo. Existia sobre ele uma lenda
de que um dos seus filhos o destronaria e por isso Saturno comia todos os seus filhos assim que gerados.

O ritmo de Saturno acontece a cada 28 anos e é o ritmo mais demorado de todos os planetas. No ser humano, nesta época acontece a crise dos talentos, quando somos
levados a olhar para nossa essência, qualidade principal de Saturno. O dia da semana é sábado (Saturday).

Físico: Pessoas normalmente com físico rígido, com arcadas, com dificuldades nas articulações, são pessoas que abandonam a aparência física por um ideal, trazem uma
imagem de desvitalização.

Pensar: O tipo Saturno tem um pensar profundo, trabalha normalmente dentro de si, tem grande elaboração interna, tudo deve ser transformado em passado para que seja elaborado e a partir disso, cava a verdade, tem a memória do passado, busca a essência das coisas.

Sentir: Tem uma vida interna rica, o mundo externo não invade o mundo interno, se fecha cada vez mais no seu sentir, o que o torna fora do ritmo do mundo; cria um mundo próprio de sentimentos, é leal e sustenta promessas, tem um contato pobre com o ser humano, pouca troca com o mundo.

Agir: Cauteloso, lento, não gosta de mudança, é perseverante, metódico, perfeccionista, não se expõe com facilidade.

Virtude: Profundidade, lealdade, vai à essência.

Polaridades Saturninas

Pensar: Obsessivo, julgador, crítico, fora do foco.

Sentir: Obstinado, excesso de crítica e auto critica, frio, fechado, se colocar como superior aos outros, sentimentos não compartilhados.

Querer: vontade fraca, não se coloca no momento certo e se sente lesado por isso, projeta no outro a sua dificuldade, é autodestrutivo, se transforma no espírito do contra.

Relação com o outro: leal, seja fiel a ele, não o traia porque ele jamais esquecerá, rancoroso, julgador.

Relação com o mundo: Introvertido, ativo internamente, detalhista, pobre em contato físico.

Tarefa: lidar com o outro, achar o equilíbrio entre o tempo interno e o tempo externo.

O que devemos aprender com o tipo Saturnino (ou auto consciente):

Manter fidelidade em suas combinações. Perseverança em suas metas. Fazer retrospectivas e se manter de acordo com o ideal estabelecido. Manter a relação com o espiritual divino. Saber ir até a essência das coisas, dos fatos. Saber focar e ter clareza nos pensamentos. Ir fundo em suas pesquisas científicas materiais ou espirituais. É o pesquisador por excelência, o historiador e filósofo.

Tipo Mercurial (Inovador ou Flexível)

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Mercúrio ou Hermes na mitologia era filho de Júpiter, Diz a lenda que quando criança se livrou das faixas, roubou os cavalos de Apolo, subornou seu servo, escondeu os cavalos e voltou para as faixas sem que ninguém percebesse. Júpiter, ao saber do ocorrido, ao invés de puní-lo achou aquilo muito intrigante e o perdoou.

Mercúrio é o deus dos mensageiros, ladrões e comerciantes e leva consigo o Caduceu: símbolo da Medicina, por ser considerado também o Deus da Cura, aquele que leva movimento a processos de estagnação. É o Deus da velocidade e da associação.

O dia da Semana é Quarta Feira (Wednesday).

Físico: tem um físico leve e proporcional e normalmente conservam uma jovialidade e uma alegria aparente, são belos, são pequenos.

Pensar: pensar curioso, pensar associativo, o pensar percorre muitos lugares ao mesmo tempo o que traz um conhecimento vivo, e veloz, sempre sabe o que precisa ser feito. Tem boa memória também nos detalhes, é ávido por saber, é muito inteligente, vive no presente.

Sentir: Tem um sentir volátil,por não ter elaboração interna, o mundo interno é invadido pelo externo o que faz com que o mercúrio mude de opinião diversas vezes sobre o mesmo assunto, vive na simpatia e na antipatia, vive nos humores, são pessoas superficiais, não tem um objetivo claro, vive no presente, esta com todos e com ninguém, faz muitas coisa e não se liga verdadeiramente a nenhuma e a ninguém. E infiel a si e aos outros.

Agir: É rápido e veloz, se adapta facilmente as situações, é flexível, ajeitado, gracioso na forma de se expressar,traz inovações, não deixa as coisas estagnarem, improvisa, inventa, fala muito e como esta em muitos lugares e sabe de tudo, pode tornar-se um fofoqueiro, o fofoqueiro de todos nós é Mercúrio.

Virtude: Inteligência, a Cura.

Polaridades Mercuriais:

Pensar: Vive somente no agora, tem pouca perseverança é dispersivo no pensamento, seu pensamento pode fugir do controle.

Sentir: depende dos humores, é infiel.

Agir: age sem pensar e esgota sua força física por isso. Como sabe tudo, pode tornar-se muito inteligente e conseguir envolver o outro.

Relação com o outro: E de fácil convivência, não tem problemas no aspecto social, facilmente perdoado por sua alegria, trabalha bem em grupo, é perspicaz.

Relação com o mundo: Dança pela vida, aceita o mundo exterior e interior, não julga, tem expectativa que todos o acolham.

Tarefa: Desenvolver consciência e afeição, observar, refletir, internalizar-se e calar-se, levar a observação para ser aquecida no coração.

O que devemos aprender com o tipo Mercurial (Inovador ou Flexível):

Colocar novamente em movimento situações estagnadas, rígidas. Mediar. Nunca partir da opinião de que um problema é insolúvel. Superar o peso, a gravidade, a inércia. Quando dois partidos são de opiniões opostas, tentar unir os lados positivos de cada um. Onde existe muito, colocar onde tem pouco (dinheiro, mercadorias etc.); adequação para o comércio e medicina; por o excesso onde existe escassez, mesmo no organismo humano; curar. Incentivar as trocas. Associar várias idéias para obter uma imagem ou um diagnóstico. Renovação, condução, abrir espaços.

Tipo Jupiteriano (ou dominante)

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Zeus ou Júpiter é o pai, o rei dos deuses e dos homens; reina no Olímpio e, com um movimento de sua cabeça, agita o universo. Júpiter era filho de Saturno e traçou a estratégia para destronar seu pai e a partir disso os deuses ganharam a eternidade presente do tempo retirado de Saturno. Era sábio e tinha altivez de um rei. Era conhecido por sua imparcialidade, sua visão sistêmica, sua sabedoria.

O ritmo de Júpiter marca a cada 12 anos, que são normalmente os nós da nossa carreira profissional. O dia da Semana é Quinta Feira (Thursday).

Físico: São pessoas com características altivas, tem em si
uma impressão de realeza, tem uma testa grande e
presença onde chegam.

Pensar: Ativo, dinâmico, pensar amplo, sistêmico, sábio, tem grande capacidade de síntese, pensar organizado.

Sentir: Índole alegre e jovial, tem um impulso apaziguador, é regido pela razão, o mundo interno esta em equilíbrio com o mundo externo, sentir equilibrado.

Agir: Ordenador, organizador, tem um agir sábio, comanda o presente, é estratégico, senhor das boas maneiras.

Virtude: Sabedoria, esperança que move para o futuro, segurança na vida.

Polaridades Jupiterianas

Pensar: Calculista.

Sentir: Muito formalismo, vicio de honra, soberba, altivez exagerada.

Agir: Dominador

Relação com o outro: Bons modos, calmo, bom aconselhador.

Relação com o mundo: Boa convivência, agradável no contato, impulso de paz, bom organizador e mediador de conflitos.

Tarefa: Desenvolver a humildade, colocar a sua sabedoria a serviço da humanidade.

O que devemos aprender com o tipo Jupiteriano (ou Dominante):

Onde seja necessário, assumir a liderança. Realizar a partir de um ideal, mas não perder a visão global. Ser sistemático e ordenado para alcançar a meta. Finalização e arredondamento das coisas. Numa comunidade, organizar as coisas para que cada indivíduo esteja no lugar certo, contribuindo para o todo sem perder sua individualidade. Liderar, organizar, fazer acontecer, envolvendo todos e o todo.

Tipo Venusiano (ou estético)

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Da espuma do mar, fecundada pelo testículo de Urano (o Céu) nasceu uma jovem levada primeiro à ilha de Cítera e em seguida à Chipre. Deusa encantadora, não tardou a percorrer a costa, e as flores nasciam sob os seus pés delicados: seu nome era Vênus.

Era a deusa do amor, da fertilidade o dia da semana é Sexta.

Físico: Traços definidos, rosto arredondado, aspecto esteticamente agradável, docilidade

Pensar: Artístico, transforma tudo em imagens, estético, superficial, poético, só se interessa pelo que diz respeito à alma humana, é excelente ouvinte e tem interesse genuíno pelas dores do outro.

Sentir: Movimentado por desejos e paixões, para conhecer tem que percorrer um longo caminho; vive no exterior, o mundo interno tem pouca elaboração e trabalha na antipatia e simpatia, se fecha imediatamente quando algo não vai de encontro aos seus valores estéticos, é fiel àquilo que percebe como genuíno, tem forças da alma e forças do coração.

Agir: encantadoras, dóceis, sabem esperar, trabalham por dedicação e amor, não pensam no dinheiro, cuidam do estético do ambiente deixando tudo agradável.

Virtude: Sustenta o outro, acolhe, trata a dor.

Polaridades Venusianas

Pensar: Pautado pela simpatia e antipatia,incapaz de equalizar as forças e desenvolver empatia, é unilateral.

Sentir: voltadas ao misticismo, tudo tem um significado místico, uma explicação espiritual, tem um vampirismo pelo sentimento do outro, uma febre na alma em saber das dores do outro, é cruel ou quer superproteger, sente prazer na beleza, pode tornar-se ganancioso e guloso, que são desejos instintivos, tem pouca elaboração interna.

Agir: Volátil e intrigueiro, gosta de fazer intrigas sobre a vida dos outros, transformando a relação em caos.

Relação com o outro: Trabalha nas polaridades, ou ama ou odeia

Relação com o mundo: Deixa o mundo agradável e bonito, aquece a alma a través da docilidade e da beleza.

Tarefa: Corrigir as tendência unilaterais, buscar o pensamento objetivo, desenvolver a empatia e a compaixão.

O que devemos aprender com o tipo Venusiano (ou estético):

Abertura e sensibilidade para o outro e o ambiente. Senso estético e criar ambiente. Receptividade para o espiritual ou religioso. Entrega e amor até ao sacrifício para o outro ou pela causa. Fantasia criativa. Dedicação com amor. Cuidar da alma, da harmonia da psique.

Tipo Marte (ou agressivo)

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Marte foi considerado pelos Romanos como o deus da guerra, ele é o guerreiro que sempre tem o lado esquerdo ao menos coberto, pois nesse Deus imperam a força e a coragem sem sentimentos.

Dizem que a aliança entre a guerra e o amor, entre a força e a beleza se deu através da união de Vênus com Marte que, mesmo com toda sua brutalidade, não pode resistir. Da união de Marte e Vênus na mitologia nasce a Harmonia.

O dia da Semana é Terça Feira (Tuesday).

Físico: São pessoas que mostram força apesar de diversos tipos de estatura, tem um rosto mais anguloso e tórax largo.

Pensar: Objetivo, prático, preciso, revolucionário, pensar pioneiro, não vê dificuldades, tudo para o Marte é possível, é o grande reformador.

Sentir: Quente, ambicioso,belicoso, apaixonado, tem o sentir fechado, o caos não o invade, ele trabalha no mundo, tem pouca sensibilidade.

Agir: Lutador nato, gosta do embate, movimentado, impulsivo, faz o que é necessários, age com coragem, decidido, cheio de empenho.

Virtude: a Coragem que vem do coração

Polaridades de Marte

Pensar: Partidário, Agitador.

Sentir: Arbitrário,confuso.

Querer: Explosivo, agressivo, traz o mal para a Terra.

Relação com o outro: Dominador, irritado com a preguiça, quando impedido fica muito agressivo

Relação com o mundo: Extrovertido, Ativo, tem a missão de trazer consciência, a partir das forças de Marte é que algo frutifica.

Tarefa: Travar essa briga internamente e trazer paz nas ações.

O que devemos aprender com o tipo Marte (ou agressivo):

Abrir caminhos superando os obstáculos. Trazer os ideais até a execução prática. Com convicção e total empreendimento se colocar para uma meta maior. Se mostrar lutador, mas ao mesmo tempo servidor. Pegar as coisas com entusiasmo e coragem. Assumir tarefas que necessitam uma ação rápida e muito esforço. Tomar decisões claras e pontuais. É o grande empreendedor e coloca as coisas na prática e na Terra.

Tipo Solar (ou Radiante)

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O tipo solar é o tipo chamado ideal, onde o homem deve se espelhar, os tipos solares ou qualidades solares são mais conhecidas em iniciados como Sidarta, Cristo, Goethe; todas a qualidades em equilíbrio.

Pensar: Claro, verdadeiro, sem julgamento, ponderado.

Sentir: Aquecido, amoroso, tem compaixão pelo outro, traz a verdade do amor latente em si.

Agir: Fiel a uma causa, apaziguador.

Virtude: Fazer o bem.

O maior exemplo dessas qualidades em equilíbrio é o Cristo.

O que devemos aprender com o tipo Solar (ou Radiante):

Ajudar ao outro ser humano e acompanhá-lo. Desenvolver o sentido humanitário. Colocar a sua força à disposição da humanidade. É a figura ideal para o educador, aconselhador,
pastor ou médico. Iluminar com sabedoria os lados negativos ou sombras. No aconselhamento biográfico, ajudar o outro a encontrar suas metas e realizá-las. Acompanhar o destino do outro, ajudar a encontrar os lados positivos da vida. Conseguir aproveitar, para um todo maior, as qualidades positivas de cada um.

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Por que não forçar alfabetização da criança antes dos 7 anos

Por que não forçar alfabetização da criança antes dos 7 anos

Patrícia Fonseca

Fonte: Escola Waldof Acolher de Campo Grande – clique e conheça

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“O Brincar da criança é a manifestação mais
profunda do impulso que conduz ao fazer,
sendo que neste fazer, o homem tem a
sua verdadeira essência humana.
Não seria possível imaginar uma criança
que não desejasse ser ativa, como o é
quando brinca, pois o brincar representa a
liberação de uma atividade que deseja se
libertar do cerne do ser humano.”

Rudolf Steiner

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O período que vai de 0 a 7 anos de idade (primeiro setênio) – é fundamental na construção do desenvolvimento da criança, pois é quando as forças vitais estão trabalhando profundamente no corpo infantil.

Devemos evitar que essas forças vitais que estão a trabalhar na construção do pensar posterior, sejam desviadas de seu trabalho sobre o corpo nos primeiros anos de vida, por exemplo, antecipando a intelectualização das crianças. Uma alfabetização precoce ou dirigida erroneamente no primeiro setênio, desvia as forças etéricas do corpo para o “pensar” e este pensar não está pronto, mesmo que em sua linguagem verbal apresente uma grande expressão intelectual. Mas são apenas as manifestações de uma personalidade que se mostra organicamente a sua capacidade que será utilizada a partir dos sete anos.

Em torno dos sete anos as forças vitais (sensório-motora) se metamorfoseiam em forças do pensar e a criança fica pronta para um aprendizado lógico.

“O Brincar da criança é a manifestação mais
profunda do impulso que conduz ao fazer,
sendo que neste fazer, o homem tem a
sua verdadeira essência humana.
Não seria possível imaginar uma criança
que não desejasse ser ativa, como o é
quando brinca, pois o brincar representa a
liberação de uma atividade que deseja se
libertar do cerne do ser humano”

Rudolf Steiner

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Música, neurociência e desenvolvimento humano

Música, neurociência e desenvolvimento humano

Mauro Muszkat

Fonte: www.amusicanaescola.com.br – clique e conheça

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“As crianças, de maneira geral, expressam as emoções mais facilmente pela música do que pelas palavras. Neste sentido, o estudo da música pode ser uma ferramenta única para ampliação do desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, incluindo aquelas com transtornos ou disfunções do neurodesenvolvimento como o déficit de atenção e a dislexia. A música não apenas é processada no cérebro, mas afeta seu funcionamento: a experiência musical modifica estruturalmente o cérebro. Ciência e arte compartilham o dinamismo do desenvolvimento, que não é um estado, mas um processo permanente de aprendizagem e busca de equilíbrio e abrange a capacidade de conhecer, conviver, crescer e humanizar-se com as várias dimensões da vida.”

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Na última década, houve uma grande expansão nos conhecimentos das bases neurobiológicas do processamento da música devido, em parte, às novas tecnologias de neuroimagem. Tais técnicas permitem revelar em tempo real como océrebro processa, dá sentido e emoção à impalpabilidade de sons organizados e silêncios articulados.

O processamento musical envolve uma ampla gama de áreas cerebrais relacionadas à percepção de alturas, timbres, ritmos, à decodificação métrica, melódico-hamônica, à gestualidade implícita e modulação do sistema de prazer e recompensa que acompanham nossas reações psíquicas e corporais à música. De que maneira o cérebro sincroniza durações, agrupa e cria distinções entre sons e timbres, reconhece consonância e dissonâncias, programa movimentos precisos na execução instrumental e leitura, armazena e evoca melodias familiares e ritmos?

Como tais processos modulares integram percepções múltiplas em uma experiência singular, essencialmente emocional que seduz e direciona ao mesmo tempo nossos sentidos, nosso corpo e cognição. Entender o cérebro musical pode elucidar aspectos fundamentais da mente humana, da emergência da consciência a partir da emoção, da percepção implícita à consciência autorreflexiva. Se por um lado, a neurociência tradicionalmente lida com a objetividade dos dados e sinais que cartografam o funcionamento cerebral, por outro, a música não pode ser entendida sem levarmos em conta a subjetividade, o envolvimento lúdico e a transitividade que caracterizam a arte.

Ciência e arte compartilham o dinamismo do desenvolvimento, que não é um estado, mas um processo permanente de aprendizagem e busca de equilíbrio e abrange a capacidade de conhecer, conviver, crescer e humanizar-se com as várias dimensões da vida.

Processamento Musical

A atividade musical mobiliza amplas áreas cerebrais, tanto as filogeneticamente mais novas (neocórtex) como os sistemas mais antigos e primitivos como o chamado cérebro reptiliano que envolve o cerebelo, áreas do tronco cerebral e a amígdala cerebral. As vibrações sonoras, resultantes do deslocamento de moléculas de ar, provocam distintos movimentos nas células ciliares (receptoras) localizadas no ouvido interno e são transmitidas para centros do tronco cerebral.

A frequência de vibração dos sons tem uma correspondência com a localização das células ciliadas do ouvido interno e a intensidade dos sons está diretamente relacionada ao número de fibras que entram em ação. Quanto mais intenso o som, mais fibras entram em ação.

Existe uma relação entre a localização da célula sensorial na cóclea e a frequência de vibração dos sons. A frequência que mais excita uma célula sensorial muda sistematicamente de alta (sons agudos) para baixa frequência (sons graves). Assim, os estímulos sonoros nas chamadas células ciliares são levados pelo nervo auditivo de maneira organizada ao córtex auditivo (lobo temporal).

O primeiro estágio, a senso-percepção musical, se dá nas áreas de projeção localizadas no lobo temporal no chamado córtex auditivo ou área auditiva primária responsável pela decodificação da altura, timbre, contorno e ritmo. Tal área conecta-se com o restante do cérebro em circuitos de ida e volta, com áreas da memória como o hipocampo que reconhece a familiaridade dos elementos temáticos e rítmicos, bem como com as áreas de regulação motora e emocional como o cerebelo e a amígdala (que atribuem um valor emocional à experiência sonora) e um pequeno núcleo de substância cinzenta (núcleo acumbens) relacionado ao sentido de prazer e recompensa. Enquanto as áreas temporais do cérebro são aquelas que recebem e processam os sons, algumas áreas específicas do lobo frontal são responsáveis pela decodificação da estrutura e ordem temporal, isto é, do comportamento musical mais planejado.

Há uma especialização hemisférica para a música no sentido do predomínio do lado direito para a discriminação da direção das alturas (contorno melódico), do conteúdo emocional da música e dos timbres (nas áreas temporais e frontais) enquanto o ritmo e duração e a métrica, a discriminação da tonalidade se dá predominantemente no lado esquerdo do cérebro. O hemisfério cerebral esquerdo também analisa os parâmetros de ritmo e altura interagindo diretamente com as áreas da linguagem, que identificam a sintaxe musical.

A música não apenas é processada no cérebro, mas afeta seu funcionamento. As alterações fisiológicas com a exposição à música são múltiplas e vão desde a modulação neurovegetativa dos padrões de variabilidade dos ritmos endógenos da frequência cardíaca, dos ritmos respiratórios, dos ritmos elétricos cerebrais, dos ciclos circadianos de sono-vigília, até a produção de vários neurotransmissores ligados à recompensa e ao prazer e ao sistema de neuromodulação da dor.

Treinamento musical e exposição prolongada à música considerada prazerosa aumentam a produção de neurotrofinas produzidas em nosso cérebro em situações de desafio, podendo determinar não só aumento da sobrevivência de neurônios como mudanças de padrões de conectividade na chamada plasticidade cerebral.

Música e Plasticidade Cerebral

A experiência musical modifica estruturalmente o cérebro. Pessoas sem treino musical processam melodias preferencialmente no hemisfério cerebral direito, enquanto nos músicos, há uma transferência para o hemisfério cerebral esquerdo.

O treino musical também aumenta o tamanho, a conectividade (maior número de sinapses-contatos entre os neurônios) de várias áreas cerebrais como o corpo caloso (que une um lado a outro do cérebro), o cerebelo e o córtex motor (envolvido com a execução de instrumentos). Ativação maior de áreas do hemisfério cerebral esquerdo pode potencializar não só as funções musicais, mas também as funções lingüísticas, que são sediadas neste mesmo lado do cérebro.

Vários circuitos neuronais são ativados pela música, uma vez que o aprendizado musical requer habilidades multimodais que envolvem a percepção de estímulos simultâneos e a integração de varias funções cognitivas como a atenção, a memória e das áreas de associação sensorial e corporal, envolvidas tanto na linguagem corporal quanto simbólica.

As crianças, de maneira geral, expressam as emoções mais facilmente pela música do que pelas palavras. Neste sentido, o estudo da música pode ser uma ferramenta única para ampliação do desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, incluindo aquelas com transtornos ou disfunções do neurodesenvolvimento como o déficit de atenção e a dislexia.

Estimulando o Cérebro Musical

O uso da música para fins terapêuticos data de tempos ancestrais e apoia-se na capacidade da música de evocar e estimular uma série de reações fisiológicas que fazem a ligação direta entre o cérebro emocional e o cérebro executivo.

A música estimula a flexibilidade mental, a coesão social fortalecendo vínculos e compartilhamento de emoções que nos fazem perceber que o outro faz parte do nosso sistema de referência.

Vários estudos revelam efeitos clínicos da música na precisão dos movimentos da marcha, no controle postural, facilitando a expressão de estados afetivos e comportamentais em indivíduos com depressão e ansiedade. Tais efeitos positivos da música têm sido observados em transtornos do desenvolvimento como o déficit de atenção, a dislexia, na doença de Parkinson, na doença de Alzheimer ou em doentes com espasticidade, nos quais a reabilitação com música ou estímulos a ela relacionados como dança, ritmos ou jogos musicais potencializam as técnicas de reabilitação física e cognitiva.

A inteligência musical é um traço compartilhado e mutável que pode estar presente em grau até acentuado mesmo em crianças com deficiência intelectual. Crianças com síndrome de Willians, um tipo de doença genética, apresentam deficiência intelectual e habilidades de percepção, de identificação, classificação de diferentes sons e de nuances de andamento, mudança de tonalidade, muitas vezes, extraordinárias.

O período do neurodesenvolvimento mais sensível para o desenvolvimento de habilidades musicais se dá nos primeiros 8 anos de vida. Estudos com potenciais evocados mostram que bebês já nos primeiros 3 meses de vida apresentam várias competências musicais para reconhecer o contorno melódico, diferenciam consonâncias e dissonâncias e mudanças rítmicas. A exposição precoce à música além de facilitar a emergência de talentos ocultos, contribui para a construção de um cérebro biologicamente mais conectado, fluido, emocionalmente competente e criativo.

Crianças em ambientes sensorialmente enriquecedores apresentam respostas fisiológicas mais amplas, maior atividade das áreas associativas cerebrais, maior grau de neurogênese (formação de novos neurônios em área importante para a memória como o hipocampo) e diminuição da perda neuronal (apoptose funcional).

A educação musical favorece a  ativação dos chamados neurônios em espelho, localizados em áreas frontais e parietais do cérebro, e essenciais para a chamada cognição social humana, um conjunto de processos cognitivos e emocionais responsáveis pelas funções de empatia, ressonância afetiva e compreensão de ambigüidades na linguagem verbal e não verbal.

O avanço das correlações da música com a função cerebral exige cada vez mais, um trabalho multidisciplinar (músicos, neurologistas, educadores musicais) que dê acesso à multiplicidade de experiências musicais, lúdicas, criativas, prazerosas, na análise do impacto da música no neurodesenvolvimento. Este alcance poderá significar um resgate do sentido integrado da arte, educação e ciência e um novo status para invenção e criatividade, pois nas palavras de Drummond, o problema não é inventar, é ser inventado, hora após hora e nunca ficar pronta nossa edição convincente.

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Madre Teresa de Calcuta

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Uma real compreensão dos estágios de desenvolvimento infantil

Uma real compreensão dos estágios de desenvolvimento infantil

Lílian de Almeida Pereira Bustamante Sá

Fonte: Perfil do Facebook da Vovó Lupo – clique e conheça

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“Preste atenção nos dramas sofisticados e poemas que lêem os alunos Waldorf das séries mais avançadas. Preste atenção a uma peça de Shakespeare apresentada por crianças da oitava série e você verá a sabedoria da didática Waldorf em relação à leitura. Utilizando um verdadeiro conhecimento do ser humano, uma real compreensão dos estágios de desenvolvimento infantil, o professor é capaz de educar com métodos que permitem o desabrochar prazeroso das crianças. Como Rudolf Steiner diz: É inteiramente real o fato de que o verdadeiro conhecimento do ser humano pode soltar as amarras e libertar a vida interior da alma e trazer o sorriso a nossas faces.”

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Há mais aprendizado no Jardim de Infância do que os olhos podem ver.

Todos aqueles que entram em contato com a Pedagogia Waldorf, baseada nas reais necessidades da criança e seu desenvolvimento, certamente percebem quão bela ela é: dos encantadores brinquedos naturais e criativos; dos temas das épocas do ano ligados à natureza e às festas universais cristãs; nas turmas do jardim de infância com crianças de 3 anos a 6 anos de idade como uma grande família, onde a criança de fato vivencia a construção do social; das pinturas em aquarelas com pigmentos naturais, aos incríveis desenhos coloridos onde todos se expressam em liberdade e criatividade; do plantio da horta atéa culinária, quando todos cuidam, colhem, cozinham e servem refeições orgânicas e naturais e aprendema comer de tudo; o brincar alegre, ativo e criativo, com as bonecas de pano, panos que se transformam emcabanas e acolhedores cestos que viram camas macias, caixas com tocos de madeira de onde surgem grandes cidades; o tanque de areia, balanços, trepa-trepas e árvores para serem escalados, balanços, o corre-corre cheio de risos, gritos de júbilo; e tudo mais que a criança pode trazer de inovação, transformação do que a cerca e que ela imita. Assim a criança se desenvolve por inteiro, neurologicamente, fisicamente, animicamente e socialmente.

Visitantes e potenciais pais apreciam o surpreendente conjunto de criações artísticas realizadas pelas crianças – as aquarelas e desenhos, os animais e bonecas de tricô, os cestos, os teatrinhos de bonecos, as formas modeladas em cera de abelhas, os tricôs e bordados que ajudam na coordenação motora, somente para listarmos alguns pontos. A música que as crianças cantam e tocam, suas canções e suas maravilhosas brincadeiras são realmente impressionantes. É de se admirar, todo o envolvimento dos pais com a escola, onde juntos constroem a educação das suas crianças. Não é possível deixar de notar as felizes expressões nos rostos das crianças.

Mas, invariavelmente, levanta-se a questão sobre como e quando se ensina leitura às crianças das escolas Waldorf. A crescente preocupação de nossa sociedade acerca do declínio das habilidades de leitura é tão profunda que, subitamente, todas as maravilhas e belezas da educação Waldorf desvanecem sob a névoa dessa discussão. “As escolas Waldorf têm uma estratégia lenta para a introdução da leitura”, dizem as pessoas. “Alunos Waldorf não são ensinados a ler e escrever no jardim de infância como crianças de outras escolas”, dizem outros.

Como mãe de 4 alunos que freqüentam uma escola Waldorf, freqüentemente escuto tais comentários e, em todos os casos, um brado de protesto brota dentro de mim: “Olhem com mais profundidade!” é o que quero gritar. A habilidade na leitura requer muito mais do que parece à primeira vista.

As pessoas geralmente concebem a leitura como a habilidade em reconhecer a configuração de letras dispostas numa página e em pronunciar as palavras e frases nelas representadas. Esta concepção atém-se ao lado mecânico e mais exterior, portanto mais fácil de se perceber, associada à atividade da leitura. Assim, quando se fala sobre ensinar à criança ler e escrever estamos nos limitando à decodificação de símbolos que representam sons e palavras.

Já lecionei por vários anos em escolas, públicas e particulares, que seguem a metodologia convencional. No jardim de infância as crianças com menos de 5 anos são instruídas a memorizar o alfabeto – um conjunto de símbolos abstratos – e a aprender os sons associados a eles. Tal processo, chamado de “aptidão à leitura”, é estéril e abstrato, alheio à natureza da criança pequena.

Nas primeiras séries da escola primária, as crianças continuam a exercitar o aspecto mecânico mais exterior da leitura. Alunos consomem longos períodos de tempo lendo textos simplórios que correspondem ao patamar de suas capacidades de decodificação. Cartilhas e livros contêm histórias e informações escritas com vocabulário limitado e frases de estrutura simples. Há neles muito pouco que possa inflamar as jovens fantasias, que provoque admiração ou que estimule a simpatia pela beleza e complexidade da linguagem.

Quando esses alunos alcançavam a quinta ou sexta série, todos eles eram capazes de decodificar as palavras escritas, com diversos e variadas graus de fluência. Alguns até eram bons leitores, mas, para muitos de meus alunos, as palavras e sentenças não se completavam para formar um conjunto coerente. Eles tinham dificuldade para compreender ou recordar o que haviam acabado de ler. Superficialmente, esses alunos pareciam estar lendo. Entretanto, com tal limitada compreensão, pode isso realmente ser chamado de “leitura”?

Claramente, a leitura é muito mais do que isso que nos acostumamos a ver! Além do processo superficial de decodificar palavras em uma página, há ainda a correspondente atividade interior a ser cultivada para que uma verdadeira leitura possa ocorrer. Os professores Waldorf chamam esta atividade de “vivenciando a história”. Quando uma criança está vivenciando uma história, ela forma cenas da sua imaginação no seu interior, em resposta às palavras. Através da habilidade de formar imagens mentais, de compreender, a criança vê sentido na atividade de leitura. Sem esta habilidade, a criança pode muito bem decodificar as palavras em uma folha de papel mas continuará sendo funcionalmente iletrada.

Obviamente, professores não-Waldorf reconhecem a importância da atividade interior da leitura, também. Eles se referem a ela como habilidade de compreensão na leitura. Nas séries mais avançadas do ensino fundamental, um esforço tremendo é despendido na tentativa de expandir nos alunos o vocabulário e, de alguma forma, exercitar a compreensão. É uma tarefa árdua, principalmente como conseqüência do ensino prévio e precoce da leitura, fora de sincronismo com as capacidades naturais da criança. O professor das séries mais avançadas tem que lidar com os problemas de compreensão da leitura e também com a tremenda antipatia em relação à leitura que assola os jovens com dificuldades.

É muito difícil dar aulas a alunos de quinta ou sexta séries que tenham dificuldades com compreensão da leitura, com a construção de imagens mentais. Esta capacidade interior parece nunca ter se desenvolvido neles. Por outro lado, crianças do jardim de infância e das primeiras séries, se deixadas desimpedidas, permanecem naturalmente ocupadas desenvolvendo, interiormente, cenas imaginativas. Estas crianças adoram ouvir histórias e, verdadeiramente, vivem no reino visual da imaginação. É muito trágico, em muitas escolas, ver as crianças mais novas sendo desviadas do desenvolvimento e fortalecimento de suas capacidades interiores, tão essenciais à verdadeira leitura, em direção à aprendizagem de símbolos estéreis e abstratos e a habilidades de decodificação.

A mesma afirmação pode ser feita para o enriquecimento do vocabulário. Todos sabemos que a jovem criança facilmente desenvolve seu senso lingüístico e que seu vocabulário se expande rápida e inconscientemente. Elas escutam novas palavras em histórias e conversas e, de alguma forma, captam o significado delas. Elas podem até não conseguir dar definições “de dicionário” a essas novas palavras mas, misteriosamente, novas palavras se encaixam nas imagens que fluem através da mente da criança quando ela escuta histórias. É angustiante saber que nas primeiras séries escolares a maioria das crianças não é exposta à rica e complexa linguagem, simplesmente porque esta não seria compatível com as capacidades limitadas de decodificação da criança. Justamente no período que suas mentes estão mais abertas a aquisição da linguagem, elas permanecem na escola, então, convivendo com vocabulários artificialmente limitados! Certamente, a construção do vocabulário é um processo gradual durante os anos escolares e além deles. Entretanto, é muito mais fácil para as crianças maiores aprender novas palavras se elas já tiverem passado pelo processo de desenvolvimento do senso lingüístico, de um extenso conjunto de palavras e de imagens mentais sobre as quais será construído o novo vocabulário.

Aparentemente, o crescente problema de analfabetismo funcional observado neste país [EUA] não é causado pela falta de capacidades técnicas de decodificação. Para a maioria das crianças com dificuldade de leitura, há, sim, uma crise na compreensão, uma crise amplamente causada pela introdução precoce de capacidades de decodificação e pelo desconhecimento das poderosas ferramentas oferecidas pela imaginação e pela atividade artística que são veredas naturais de aprendizagem para crianças nos primeiros períodos escolares. Ironicamente, esforços mais contundentes e ainda mais precoces no desenvolvimento de habilidades de decodificação são a única cura hoje oferecida pelos organismos educacionais, o que apenas agrava mais ainda o problema.

O método convencional de ensino da leitura deve ser virado ao avesso com o intuito de aproveitar as vantagens do desenvolvimento natural das capacidades de aprendizado das crianças. E precisamente isso é o que ocorre nas escolas Waldorf. Nos primeiros dias do jardim de infância, crianças nas escolas Waldorf começam a aprender a ler. Verdade seja dita, não são os aspectos técnicos, secos e externos da leitura que elas são incentivadas a realizar. Ao invés disso, elas são mantidas em contato com os aspectos interiores muito mais importantes da leitura.

Ao trabalhar com real conhecimento sobre a criança em desenvolvimento, os professores Waldorf começam o ensino da leitura através do cultivo, na criança, do sentido da linguagem e de suas capacidades em formar imagens mentais. Imagens verbais vívidas e o uso de uma linguagem rica são constantemente empregados na sala de aula. Vocabulários difíceis e sentenças com estruturas complexas não são evitadas durante as atividades de contos de fadas e histórias. As crianças cantam e recitam um vasto repertório de canções e poemas que muitos acabam decorando. As crianças vivenciam um mundo interior de imagens e fantasias, totalmente inconscientes de que elas estão desenvolvendo as mais importantes capacidades necessárias para a leitura compreensiva, para ler e entender. Elas aprendem naturalmente e alegremente e ficam no jardim até os 6 anos de idade.

Histórias imaginárias, canções e poesia não se findam no jardim de infância. Rudolf Steiner nos indica que crianças no jardim e depois entre as idades de 7 a 14 anos têm, acima de tudo, o dom da fantasia. Assim, somente há sentido no fato das crianças aprenderem melhor se o currículo é apresentado de maneira a cativar a imaginação. Em seu livro “Kingdom of Childhood”, Steiner diz: “Devemos evitar uma aproximação direta às letras convencionais do alfabeto que são utilizadas na escrita e na imprensa do homem civilizado. Antes, devemos guiar a criança de uma forma vívida e imaginativa através dos vários estágios que o próprio Ser Humano percorreu na história da humanidade”.

Minhas próprias crianças experimentaram a alegria de aprender as letras do alfabeto através de contos e através da aquarela e do desenho que acompanham cada letra. A letra “K” (King=Rei), por exemplo, pode ser introduzida através do conto de uma bela história sobre um rei. Então, o professor pode desenhar a figura de um rei em uma posição que lembre letra “K”e então da história e do desenho retira a letra K e assim por diante. Este processo tem sua base no passado da humanidade, à escrita pictórica usada pelo homem antigo, e empresta qualidades vivas e reais a nossos modernos símbolos – qualidades que a criança consegue compreender. Mesmo tendo levado o primeiro ano inteiro para a apresentação do alfabeto desta maneira, meus filhos nunca manifestaram tédio. Eles estavam vivenciando seus mundos de fantasia, vivenciando o desabrochar da fantasia e imaginação. Eles estavam, na realidade, aprendendo a “compreensão da leitura” muito antes de aprender a “decodificação de símbolos”. Surpreendentemente, crianças Waldorf apreendem primeiramente à parte difícil sem se darem conta disso! Eles vivem as histórias, criam imagens interiores, e compreendem as palavras. Então vem a parte fácil: aprender a decodificar letras, que não são mais estranhas e abstratas, e ler as palavras escritas.

O primeiro livro que minha filha Anna leu, quando finalmente aprendeu a ler na escola, não foi uma cartilha chata, mas um belo conto de E. B. White “A Teia de Charlotte-Web”. De fato, ela aprendeu a decodificar mais tardiamente que seus colegas que freqüentavam a escola convencional. Mas ela aprendeu a ler fluentemente, com compreensão e prazer, muito mais cedo que a maioria deles. Preste atenção nos dramas sofisticados e poemas que lêem os alunos Waldorf das séries mais avançadas. Preste atenção a uma peça de Shakespeare apresentada por crianças da oitava série e você verá a sabedoria da didática Waldorf em relação à leitura.

Utilizando um verdadeiro conhecimento do ser humano, uma real compreensão dos estágios de desenvolvimento infantil, o professor Waldorf é capaz de educar com métodos que permitem o desabrochar prazeroso das crianças. Como Rudolf Steiner diz, “É inteiramente real o fato de que o verdadeiro conhecimento do ser humano pode soltar as amarras e libertar a vida interior da alma e trazer o sorriso a nossas faces”.

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Madre Teresa de Calcuta

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A devoção e veneração como caminho de conhecimento

A devoção e veneração como caminho de conhecimento

Rudolf Steiner – O conhecimento dos mundos superiores

Fonte: Rudolf Steiner Archive – clique e conheça

coração

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“Eu penso
renovar o homem
usando borboletas.”

Manoel de Barros

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Há crianças que olham com admiração religiosa para os que elas veneram.  O tamanho respeito que têm por essas pessoas não lhes permite guardar, mesmo no mais recôndito do coração, qualquer pensamento de crítica ou oposição. Tais crianças crescem tornando-se jovens felizes de poder contemplar qualquer coisa que os preenche de veneração. É dentre as fileiras de tais crianças que se recrutam muitos estudantes do conhecimento superior.

Você pausou alguma vez frente à porta de uma pessoa venerada, e sentiu, nesta sua primeira visita, uma admiração religiosa ao apertar a manivela  para entrar ao quarto que para você é um lugar sagrado? Nesse caso, um sentimento se manifestou dentro de você que pode ser a germe de vossa aderência futura a um caminho de conhecimento. Para cada ser humano em processo de desenvolvimento é uma benção ter o alicerce de tais sentimentos.  Mas não se deve pensar que esta disposição conduz à submissão e escravidão. O que uma vez era uma veneração pueril para as pessoas se converte, depois, em a veneração da verdade e do conhecimento.  A experiência ensina que os que melhor mantém a cabeça erguida são os que aprenderam a venerar ao que merece veneração; e a veneração sempre é apropriada quando flui das profundezas do coração.

Se não desenvolvemos em nosso interior este sentimento profundamente arraigado de que existe algo maior que nós, nunca encontraremos a força para evoluir em algo superior. O iniciado só adquire a força para levantar a cabeça às alturas do conhecimento guiando seu coração às profundezas da veneração e devoção. As alturas do espírito só podem ser escaladas ao passar pelos portais da humildade.  Você pode obter o conhecimento verdadeiro unicamente quando já aprendeu a valorizá-lo. Certamente o homem tem o direito de voltar seus olhos para a luz, mas primeiro precisa adquirir este direito.  Existem leis na vida espiritual, como na vida física. Esfrega uma vara de vidro com um material apropriado e esta se eletrificará, ou seja, receberá o poder de atrair corpos pequenos. Isto acontece conforme a lei da natureza. Todos os que aprenderam um pouco de física o sabem. Semelhantemente, a familiaridade com os primeiros princípios da ciência espiritual mostra que cada sentimento de verdadeira devoção acolhido na alma desenvolve um poder que pode, cedo ou tarde, conduzir adiante no caminho do conhecimento.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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O que você mudaria em si próprio?

O que você mudaria em si próprio?

Fonte: Youtube – clique e conheça

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“As pessoas ficam perturbadas, não pelas coisas, mas pela imagem que formam delas.”

Epictetus

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Oportunidade – Workshop de autoimagem

lavestuarista

Local: Florianópolis – 21 e 22 de março de 2015 /Buenos Aires – 28 e 29 de março de 2015
Informações: inspirecursos@gmail.com / workshops@lavestuarista.com.br

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Um Lema Espiritual

Brevemente estaremos fazendo o lançamento do livro:

Conferências aos trabalhadores do Goetheanum – VOL III

Editado pela Editora Árvore da Terra, onde o valor arrecadado pelas vendas de exemplares será utilizado para a editoração de outras traduções da “Coleção Antroposófica”. Ajudem com a compra de um exemplar. Aguardem o convite para o lançamento.

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Um Lema Espiritual

Rudolf Steiner

Postado pelo Dr. Gildo Pereira de Oliveira

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“Procurem a vida realmente prática e material, mas procurem-na de modo que ela não os torne insensíveis ao espírito que nela atua. Procurem o espírito, mas não o procurem com volúpia metafísica, por egoísmo metafísico; Procurem-no por quererem usá-lo desinteressadamente na vida prática, no mundo material…”

Rudolf Steiner

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Um lema devem os homens empunhar, caso contrário não haverá progresso em nossos tempos:

Procurem a vida realmente prática e material, mas procurem-na de modo que ela não os torne insensíveis ao espírito que nela atua. Procurem o espírito, mas não o procurem com volúpia metafísica, por egoísmo metafísico; Procurem-no por quererem usá-lo desinteressadamente na vida prática, no mundo material.

Observem o velho ditado “ espírito nunca sem matéria, matéria nunca sem espírito” de modo a poderem dizer: queremos realizar toda ação material à luz do espírito, e queremos procurar a luz do espírito de modo tal que ela nos desenvolva calor para nossa ação prática.

O espírito que por nós é conduzido à matéria, a matéria que por nós é trabalhada até sua revelação , pela qual ela extrai de si própria o espírito; a matéria que tem seu espírito revelado por nós; o espírito que por nós é tangido para a matéria; ambos formam aquele existir vivo, capaz de levar a humanidade a um progresso real, aquele progresso que só pode ser almejado pelas melhores esperanças nos mais profundos recônditos das almas na atualidade.

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Madre Teresa de Calcuta

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O dia em que tive coragem de dizer: “Sou linda, grata!”

capa-conferencias3_livrariaBrevemente estaremos fazendo o lançamento do livro:

Conferências aos trabalhadores do Goetheanum – VOL III

Editado pela Editora Árvore da Terra, onde o valor arrecadado pelas vendas de exemplares será utilizado para a editoração de outras traduções da “Coleção Antroposófica”. Ajudem com a compra de um exemplar. Aguardem o convite para o lançamento.

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O dia em que tive coragem de dizer: “Sou linda, grata!”

Milene Mizuta

Fonte: Líder de si – clique e conheça

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“O comportamento é um espelho em que cada um vê a sua própria imagem.”

Johann Goethe

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Vou contar esta história desde o começo. É longa, então vai ali pegar um cafezinho e volta aqui.

Meu pai é japonês e minha mãe Italiana. Ambos filhos de imigrantes que vieram lá das bandas de longe. Nasci pequena, bem miúda com uma cabeça grande. Minha mãe era uma italiana linda de morrer, curvilínea, olhos verdes, cara de artista de cinema, alegria para dar e vender. Meu pai um japonês atípico, bonito, alto,com lábios carnudos, cabelos negros, charmoso, sensível e músico.

Dessa combinação ganhei meus cabelos castanhos e finos. Meus olhos puxados. Meus 1,50m de altura e uma magreza absoluta. Lábios enormes, pouco peito, pouca bunda, estômago alto, pele amarela e pernas finas. Sensibilidade e bom humor.

Passei pela infância ouvindo: “Milene é a Olívia Palito”, “Milene tem dois gambitos”, “O cabelo da Milene parece uma pena de pintinho”, “Milene parece menina da Etiópia”, “Não dá nem para bater na bunda da Milene”.

Na pré adolescência, todas as minhas amigas tinham peito e bunda. Eu, além de não ter grandes atributos físicos, ainda era oriental. Era a Japa, Japoronga, Filha de pasteleiro, nariz achatado, bunda achatada, TaKa Kara no Muro, Zóio puxado e por aí vai. Era também muito inteligente, ágil, esperta e falava muito bem. Fui até pivot do time de handball, que também contava com a Marisa, que parecia modelo, a Viviane que era a Vivi bundão, a Elaine peituda, a Bira era gostosa, a Alexandra tinha o abdômen sarado e a bunda dura. E eu…eu era a filha do Adolfo, que era na época o diretor de esportes do Município. Se bem eu não sofria por causa do meu biotipo, meu corpo era completamente ignorado por mim.

Anos mais tarde conheci o skate. Resolvi que minha tribo seria a dos skatistas, alternativos e diferentes. Mulher ali tinha que ser contraventora, isso eu sabia ser, usava tênis Alva e calça larga, camiseta de marca e comecei a fumar. Sinceramente, uma boa revista de atualidades e um cigarro sempre me caíram muito bem, isso sim compunha meu visual.

A primeira crise com meu corpo – que até então nunca havia existido – foi aos 20 e poucos anos, parei de comer porque me achei gorda, diagnóstico: anorexia. Cheguei a pesar 39 quilos, me recuperei, sozinha, sabe lá Deus como.

Na faculdade eu era a mais diferentona, cabelo raspado, Marlboro vermelho, Adidas no pé, ouvia bandas indies. Sempre tive mulheres lindas ao meu lado, e amei todas elas. Nunca me senti inferiorizada, mas era bem claro para mim, que meus atributos eram outros.

No começo deste texto eu disse que tinha herdado uma coisa chamada sensibilidade, pois então, foi aos 24 anos, depois da faculdade, que ela veio à tona. Engravidei, e meu corpo passou pela maior transformação que podia, minha cintura ficou com uma circunferência considerável, meus seios cresceram, e junto com isso veio uma crise, afinal uma mãe não combina em nada com cigarro e vodkas, que eram minhas boas companheiras naquela época.

Me joguei na terapia, e quem me recebeu foi uma mulher cheia de delicadeza, uma beleza esculpida na bondade, e com um coração tão grande que não cabia no peito. Descobri uma outra forma de ser eu mesma. Meu filho nasceu, amamentei muito, mudei toda minha vida. Aprendi a ser mãe. Debandei da casa dos meus pais oito meses depois por intermédio da minha terapeuta, com tudo o que tinha dentro de um carro, meu filho e minha mãe para me ajudar nesse início em Florianópolis.

A vida andou, emagreci de novo e arrumei alguns namorados, culpa da minha inteligência e do meu bom papo e não da minha beleza estonteante, sempre pensei.

Moro em uma cidade que foi considerada a capital da “gente bonita” e mesmo assim, casei! Aleluia! Casei! Com um cara legal, vou dizer que meu marido é bonito viu…assumiu meu filho maior, gosta dele e temos uma família feliz e em construção. Foi nesse período em que me senti mais bonita.

Aos 31 anos fui fazer a formação de Aconselhadores Biográficos e minha vida mudou, aí sim tive a certeza que gente bonita é gente honesta, gente bonita é gente que compartilha, gente bonita é gente inteligente e amorosa, gente que cumpre com os compromissos, gente que acredita que a vida é muito mais que adquirir coisas, que a vida é ser o melhor que se pode, eu encontrei mulher bonita de outro jeito lá.

Segui meu caminho, comecei projetos deliciosos e maravilhosos e fui ser mãe de novo aos 35 anos do meu marido bonitão! De novo meu corpo mudou.

E aí a mulher mais bonita que conheci na minha vida morreu, minha mãe. Sabe qual a sensação que tive? Que tinha virado adulta. Virei mulher. Nessa fase tive transtorno alimentar novamente, outra crise anoréxica, cheguei aos 40 quilos. Ter transtorno alimentar significa muitas coisas, mas uma das carapuças que serve em mim é que uma pessoa com anorexia não quer crescer, quer ficar sempre com corpo de menina. Aos dezoito anos, eu não queria crescer, aos 37 anos eu não queria envelhecer.

Foi aí, então, que eu reencontrei uma menina chamada Lígia Baleeiro, minha sei lá eu o que…mais que amiga, numa viagem com as amigas para Buenos Aires, cidade onde ela mora hoje e numa conversa de botequim, resolvemos fazer um workshop de auto desenvolvimento e autoimagem. Eu Aconselhadora Biográfica, ela Consultora de imagem.

Sou uma pessoa muito abençoada, tenho tudo que preciso: um trabalho que amo, marido, família, estabilidade financeira, tenho um projeto que se chama Líder de Si que está em cinco cidades do Brasil, que tem um trabalho social lindo. Quem ainda precisa se sentir bonita com tendo tudo isso? RESOLVI QUE PRECISO! RESOLVI QUE QUERO!

Durante toda minha vida carreguei o sentimento de me sentir mais feia que os outros, cheia de defeitos e fui suplantando isso com outros atributos que tenho, que maravilha, minha falta de beleza grega, me fez conquistar outras coisas, estou bem longe de ser uma mulher mal resolvida, de ser superficial e medrosa, não sou dependente e acredito em movimentos que defendem o direito das mulheres, não tenho medo dos homens e sempre me senti amada, gosto de coisas profundas e com significado, gosto de fazer parte de movimentos que transformem o mundo, minha falta de estética, me fez direcionar todas as minhas forças para minhas conquistas como pessoa, me fez comprar casa ao invés de sapatos, sou resolvida com quem sou por dentro, então estava na hora de fazer as pazes com a parte de fora.

Nesse workshop eu fiz o que sei fazer de melhor, ensinar as pessoas a perceberem o que elas causam no mundo a partir da forma como se comportam, terem uma auto percepção de seus aspectos emocionais e como eles impactam nas relações. Mas como já disse que tenho tudo, nos meus trabalhos mais recebo que dou, e no dia seguinte ao meu conteúdo, recebi o conteúdo da Lígia Baleeiro, e foi aí, que a confusão começou dentro de mim.

A Lígia começa com uma frase assim: “O caminho mais fácil é ignorar ou fazer cirurgia plástica, difícil mesmo é aceitar o corpo que se tem”. Como ignorar? Quem aqui está ignorando, pensei… Sim, aí me dei conta que sempre ignorei meu corpo. Pensei algumas vezes em colocar silicone, mas não fiz, fiquei com preguiça, juro, como pari dois filhos sem uma intervenção cirúrgica, tinha preguiça de passar por uma cirurgia. E assim cada um de nós nesse dia foi tomando consciência do próprio corpo, triângulo para cima e para baixo, quadril, cintura, peito, alto, baixo, perna curta, perna comprida, e muita coisa que nunca tinha parado para pensar. E fui pela primeira vez em toda minha vida explorando, olhando, e tendo consciência do meu templo, sim, meu templo, porque o meu corpo é o templo que abriga minha alma nessa vida e o qual eu percebi que havia ignorado até então.

No meio desse mede, mede, puxa, puxa, aconteceram alguns fatos muito importantes, tem uma história que de acordo com o homem vitruviano de Da Vinci, que é de onde vem toda teoria de proporção. Pra sermos a perfeição e harmonia deveríamos medir 8 cabeças, mas como não somos perfeitos, a consultoria de imagem ensina a compensar essas medidas. E para minha felicidade eu tenho exatamente as oito cabeças ! Mas quando a história foi falar sobre quadril maior que o ombro ou ombro maior que quadril, a mulherada toda ficou feliz, afinal como boas brasileiras que ali estavam todas eram trabalhadas nas curvas. Mas quando chegou minha vez…mediram umas trocentas vezes, não acreditando que minha mini-bunda também poderia significar alguma coisa no contexto, até que a Lígia falou assim: Gentchi, ela pode ter o quadril maior, mesmo sendo magra e com pouca cintura.

Aí veio outra: “Mi, você não é NADA criativa na hora de se vestir…quando muito um brinco ou um lenço colorido!”. Peraí, peraí…magrela, sem bunda, sem cintura tudo bem, estou acostumada, agora SEM CRIATIVIDADE…aí é ofensa, justo eu, uma pessoa tão criativa, que vive a vida criando a cada dia coisas novas…não, não e não! Mas o pior é que ela estava certíssima…minha cabeça é do século XXI e meu guarda roupa do século passado!

E depois outra: “Meninas, agora me digam, que parte do corpo de vocês que vocês mais apreciam? Que gostam de mostrar?
Respostas imediatas: Meu colo, minha perna, minha cintura. E minha resposta? Nada de resposta. Me dei conta que não tinha nenhuma parte do meu corpo que gostaria de mostrar, ou, que reconhecia como bonita. :( Tudo isso calou muito fundo em mim….Mas eu estava trabalhando lembram-se? Volta para realidade Milene, termina seu trabalho. Fechamos o workshop que foi uma lindeza sem fim!

Voltei para Florianópolis com a minha mala, novos amigos, muita alegria, um quadril maior que o ombro, tronco e perna do mesmo tamanho, sem criatividade para se vestir, sem cintura e ainda não apreciando nenhuma parte do meu corpo.

Caí na real! isso mesmo…porque a realidade meu povo é matéria, é tomar consciência de quem se é de verdade, e na nossa vida não existe nada tão verdadeiro quanto o que o corpo realmente é. O corpo não mente, ele é daquela forma, daquele jeito, tem aquela media, corpo é matemática.

Agora, com o decorrer da vida a gente vai vestindo esse corpo, com o nosso emocional. E meu corpo pedia que eu fizesse as pazes com ele. Como posso gostar de mim se ignoro e não aprecio nada em mim? Não tem segurança interna que dê conta de tamanho abandono.

Então comecei a me perguntar…o que me levava a tamanho descaso comigo mesma? E um dia lavando a louça – isso mesmo lavando a louça – tive um clique. Eu não gosto de mim porque não me pareço com as modelos e formas perfeitas das quais fui bombardeada a vida inteira…só isso. Não tem nada de errado comigo, nada fora do lugar, não tem nada que deveria ser diferente, sou da forma como tenho que ser.

E eu como boa feminista me peguei mais uma vez sendo inconscientemente comandada por essa sociedade que criou uma mulher como objeto. Sem perceber e bem longe do meu discurso, não me aceitar como sou é a forma mais primordial de compactuar com tudo isso.

E pior de tudo, suplantei isso com o discurso de que sou interessante e inteligente, porque gente, dizer que tudo bem não ser perfeita e ser legal, é a mesma coisa que dizer, realmente você tem que ser alguma coisa que a sociedade exige.

Aceitar o seu corpo não é tentar ser legal para suplantar sua feiura…nada disso, aceitar quem você é, é perceber que não existe bonito ou feio. E que você é linda, mesmo, de verdade…O que acontece com a gente é que de forma bem caricata funcionamos como aquelas crianças que recortavam figuras de revistas para fazer uma colagem, como não temos claro como é nosso corpo, recortamos nosso rosto, com um requinte de photoshop mental, e colamos na primeira modelo de corpo ideal que encontramos.

E com aquela nova imagem nos dirigimos para a loja mais próxima buscar nossa nova roupa. Só que quando entramos no provador, aquela modelo desgraçada, nos abandona na porta do provador. E então aparece a tal frustração, mas pensem, ficamos frustradas não com o nosso corpo, mas com o fato de não termos aquele corpo que idealizamos.

Porque em nenhum momento, mas nenhum mesmo, nós nos imaginamos dentro daquela roupa, eu imaginei a Kate Moss a Gisele, mas eu…eu fui totalmente ignorada dentro desse processo, talvez se eu tivesse me imaginado dentro daquilo com a realidade de quem sou o resultado seria acima da expectativa, talvez inclusive aquela roupa caísse melhor em mim que nelas.

Talvez meu corpo seja lindo e eu não tenha me dado conta…talvez o lindo seja relativo e eu ainda não tenha me dado conta, talvez eu queira ser a dona das minhas roupas daqui para diante, não quero mais dividi-las com a Kate ou com a Gisele, elas tem bastante, não precisam mais das minhas…

Partindo desse princípio a primeira coisa que fiz foi me reconstruir.
Sabem quem sou eu? Eu sei, vou contar agora para vocês: Sou a Milene, tenho 1,50m de altura, 65cm de cintura, meu quadril é levemente maior que meu ombro, pouca cintura, tenho um equilíbrio bem bonito entre minhas pernas e meu tronco, meus braços são finos e minhas pernas também, tenho um bumbum pequeno que não é caído, minhas costas são bonitas, tenho bem pouco seio, meu abdômen é bonito e não tenho barriga, meu estômago é alto, meu cabelo é liso e tenho vários cabelos brancos na parte da frente, meu sorriso é bonito com um dente frontal torto, meus olhos são puxados e castanhos porque sou oriental, tenho várias rugas de expressão e um bigode chinês (vide google) bem acentuado, tenho uma alegria contagiante, sou muito criativa, sou muito perseverante, sou brava e determinada, falo bem para caramba, sou charmosa, muito charmosa e meus cabelos brancos tem deixado isso ainda mais forte. Tenho 37 anos e cara de 37 anos.
Leiam essa descrição, parece uma mulher feia? Porque me ignorei tanto tempo? Me digam?

E então com a Lígia eu aprendi que transformando isso para linguagem objetiva e real significa: Sendo baixinha, posso abusar de roupas curtas. Tendo tronco e pernas proporcionais, posso usar saia longa e vestido curto e vou ficar linda. Tenho abdômen bonito e apesar da idade posso mostrar, porque ele é bonito mesmo. Tenho pouco seio, posso usar decotes e blusas fechadas que vai ficar lindo também.
Quando mais a roupa for criativa e colorida, mas chamo a atenção para meu estilo e menos para minha magreza, além do que, sou uma pessoa criativa então abusar das cores vai me cair muito bem. Salto ou sapato baixo, pode tudo!
Gente, eu posso tudo percebem? Eu fico linda de qualquer jeito…
Isso foi me dando uma alegria, tão grande, porque pela primeira vez eu me dei conta de forma objetiva e clara do meu templo, e me apaixonei por ele, e ele…sou eu! Eu me apaixonei por mim mesma.

Sendo apaixonada por mim eu também percebi uma coisa, meu consumo inconsciente despencou, como me amo, fica difícil modelo, marca, revista, opinião alheia me dizer o que fica bom, agora eu sei do que preciso e isso me faz entrar em uma loja e saber exatamente o que vou comprar, com o que vou usar, cruzado com meus valores, me impede de comprar uma roupa que custa uma fortuna construída com uma cadeia suja de produção. Marcas que usam trabalho escravo, que utilizam a mulher deliberadamente como meio de consumo, que são a favor da ditadura da beleza criando um exército de mulheres anoréxicas que assim como eu brigam diariamente pelo prazer de poder comer, não constarão na minha fatura do cartão de crédito. A minha natureza humanitária agradece.

O meu corpo, tornou – se para mim algo simples, do qual aprendi conviver, a tarefa de ser linda, não esta mais do lado de fora, esse tornou-se um reflexo do que mora hoje dentro de mim, combino, cores, modelos, formas me divertindo com o que sou, adorando estar dentro de mim, o que era algo infinitamente complexo, quando desvendado tornou-se simples. Porque a felicidade esta no simples, difícil mesmo é ser simples assim.

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Oportunidade – Workshop de autoimagem

lavestuarista

Local: Florianópolis – 21 e 22 de março de 2015 /Buenos Aires – 28 e 29 de março de 2015
Informações: inspirecursos@gmail.com / workshops@lavestuarista.com.br
Saiba mais: www.vestindominhahistoria.wordpress.com – clique aqui

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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Sobre a “hipnose” da televisão e a perda da consciência

capa-conferencias3_livrariaBrevemente estaremos fazendo o lançamento do livro:

Conferências aos trabalhadores do Goetheanum – VOL III

Editado pela Editora Árvore da Terra, onde o valor arrecadado pelas vendas de exemplares será utilizado para a editoração de outras traduções da “Coleção Antroposófica”. Ajudem com a compra de um exemplar. Aguardem o convite para o lançamento.

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Sobre a “hipnose” da televisão e a perda da consciência

Eckhart Tolle

Fonte: Ventos de paz – clique e conheça

poltergeistpic

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“Quando estamos vendo televisão, nossa tendência é cair abaixo do nível do pensamento, e não nos posicionarmos acima dele. A TV tem isso em comum com o álcool e com determinadas drogas. Embora ela nos proporcione um pouco de alívio em relação à mente, mais uma vez pagamos um preço alto: a perda da consciência. Sua inatividade é apenas no sentido de que ela não está gerando pensamentos. No entanto, continua assimilando os pensamentos e as imagens que chegam à tela, ela permanece ligada à atividade do pensamento do programa que está sendo exibido. Mantém-se associada à versão televisiva da mente coletiva e segue absorvendo seus pensamentos.”

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“Para um número significativo de pessoas, ver televisão é algo “relaxante”. Observe a si mesmo e verá que, quanto mais tempo sua atenção permanece tomada pela tela, mais sua atividade intelectual se mantém suspensa.

Assim, por longos períodos você estará assistindo a atrações como programas de entrevistas, jogos, shows de variedades, quadros de humor e até mesmo a anúncios sem que quase nenhum pensamento seja gerado pela sua mente.

Você não apenas deixa de se lembrar dos seus problemas como se torna livre de si mesmo por um tempo – e o que poderia ser mais relaxante do que isso? Então ver televisão cria o espaço interior? Será que isso nos faz entrar no estado de presença?

Infelizmente, não é o que acontece. Embora a mente possa ficar sem produzir nenhum pensamento por um bom tempo, ela permanece ligada à atividade do pensamento do programa que está sendo exibido. Mantém-se associada à versão televisiva da mente coletiva e segue absorvendo seus pensamentos.

Sua inatividade é apenas no sentido de que ela não está gerando pensamentos. No entanto, continua assimilando os pensamentos e as imagens que chegam à tela. Isso induz um estado passivo semelhante ao transe, que aumenta a suscetibilidade, e não é diferente da hipnose.

É por isso que a televisão se presta à manipulação da “opinião pública”, como é do conhecimento de políticos, de grupos que defendem interesses específicos e de anunciantes – eles gastam fortunas para nos prender no estado de inconsciência receptiva. Querem que seus pensamentos se tornem nossos pensamentos e, em geral, conseguem.

Portanto, quando estamos vendo televisão, nossa tendência é cair abaixo do nível do pensamento, e não nos posicionarmos acima dele. A TV tem isso em comum com o álcool e com determinadas drogas. Embora ela nos proporcione um pouco de alívio em relação à mente, mais uma vez pagamos um preço alto: a perda da consciência.

Assim como as drogas, essa distração tem uma grande capacidade de viciar.
Procuramos o controle remoto para mudar de canal e, em vez disso, nos vemos percorrendo todas as emissoras.

Meia hora ou uma hora mais tarde, ainda estamos ali, passeando pelos canais. O botão de desligar é o único que nosso dedo parece incapaz de apertar.

Continuamos olhando para a tela. Porém, normalmente não porque algo significativo tenha chamado nossa atenção, e sim porque não há nada interessante sendo transmitido.

Depois que somos fisgados, quanto mais trivial e mais sem sentido é a atração, mais intenso se torna nosso vício.

Se isso fosse estimulante para o pensamento, motivaria nossa mente a pensar por si mesma de novo, o que é algo mais consciente e, portanto, preferível a um transe induzido pela televisão. Dessa forma, nossa atenção deixaria de ser prisioneira das imagens da tela.

O conteúdo da programação, caso apresente alguma qualidade, pode até certo ponto neutralizar, e algumas vezes até mesmo desfazer, o efeito hipnótico e entorpecedor da TV. Existem determinados programas que são de uma utilidade extrema para muitas pessoas – mudam sua vida para melhor, abrem seu coração, fazem com que se tornem mais conscientes.

Há também algumas atrações humorísticas que acabam sendo espirituais, mesmo que não tenham essa intenção, por mostrarem uma versão caricata da insensatez humana e do ego.

Elas nos ensinam a não levar nada muito a sério, a permitir um pouco mais de
descontração e leveza na nossa vida. E, acima de tudo, nos ensinam isso enquanto nos fazem rir. O riso tem uma extraordinária capacidade de liberar e curar.

Contudo, a maior parte do que é exibido na televisão ainda está nas mãos de pessoas que são totalmente dominadas pelo ego. Assim, a intenção oculta da TV é nos controlar nos colocando para dormir, isto é, deixando-nos inconscientes.

Evite assistir a programas e anúncios que o agridam com uma rápida sucessão de imagens que mudam a cada dois ou três segundos ou menos. O hábito de assistir à televisão em excesso e essas atrações em particular são duas causas importantes do transtorno de déficit de atenção, um distúrbio mental que vem afetando milhões de crianças em todo o mundo.

A atenção deficiente, de curta duração, torna todos os nossos relacionamentos e percepções superficiais e insatisfatórios.

Qualquer coisa que façamos nesse estado, qualquer ação que executemos, carece de qualidade, pois a qualidade requer atenção.

O hábito de ver televisão com freqüência e por longos períodos não só nos deixa inconscientes como induz a passividade e drena toda a nossa energia. Portanto, em vez de assistir à TV ao acaso, escolha os programas que despertam seu interesse.

Enquanto estiver diante dela, procure sentir a vívida atividade dentro do seu corpo – faça isso toda vez que se lembrar.De vez em quando, tome consciência da sua respiração.

Desvie os olhos da tela em intervalos regulares, pois isso evitará que ela se aposse completamente do seu sentido visual.

Não ajuste o volume acima do necessário para que a televisão não o domine no nível auditivo.

Tire o som durante os intervalos.

Procure não dormir logo após desligar o aparelho ou, ainda pior, adormecer com ele ligado.

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Neurose de caráter, ganância e corrupção na visão junguiana

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Neurose de caráter, ganância e corrupção

Visão Junguiana

Waldemar Magaldi Filho

Fonte: IJEP – Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa – clique e conheça

caráter

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“Se não houver uma integração criativa e harmoniosa entre o material e o espiritual, acaba acontecendo a enfraquecimento dos princípios éticos, a corrosão do caráter e a predisposição à corrupção. Esta dualidade intrínseca em cada um de nós, simultaneamente nos faz tentados e tentadores, com medo generalizado em busca da segurança material. Esse conflito está presente no âmago da nossa sociedade depressiva, fazendo-nos desejosos do gozo advindo dos prazeres imediatos, destroçando o amor e a ética. A verdadeira ética depende da consciência limpa, da boa noite de sono, da alegria e motivação para servir e da disposição para o exercício da alteridade, onde podemos nos ver por meio dos outros. Precisamos estar conscientizados de que importa muito menos o que queremos da vida, do que o que a vida quer de nós! Essa é a grande pergunta! Será que estou servindo ao propósito da minha vida, disseminando a igualdade de possibilidades, a paz e o amor?

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Com o advento do dinheiro, aconteceu a monetarização da vida em todos os sentidos. No início, o dinheiro era advindo da produção excedente de uma pessoa ou família, e servia para ser trocado pela produção excedente de outros, evitando assim o transtorno das barganhas de produtos e serviços. Graças a ele a vida ficou mais prática e fácil. Porém, foi surgindo a possibilidade e o desejo de acúmulo do dinheiro, porque ele não era perecível como a maioria dos produtos trocados. Com o passar dos tempos algumas pessoas, provavelmente por mérito da criatividade, dedicação e sorte, conseguiram acumular mais, e começaram a usar o serviço ou a produção de outras pessoas com intuito de ficarem com uma parcela do ganho produtivo delas. Outras pessoas foram ficando mais capacitadas e especialistas, oferendo serviços e ou produtos cada vez mais requintados e raros e, consequentemente, mais caros. Neste interim aconteceu o surgimento de grupos de indivíduos que juntaram forças e dinheiro, criando organizações de poder econômico, para tirarem mais lucros dos produtores de bens ou serviços, produzindo a menos valia dos produtores individuais, consolidando as vantagens da produção em escala. Tudo isso fomentou as diferenciações de classes sociais, econômicas, culturais, regionais e raciais, segmentando a sociedade, fortalecendo as minorias dominantes da maioria dominada, com seus subgrupos de excluídos, cada vez mais crescentes.

Paralelamente, no atual capitalismo neoliberal, o ter dinheiro, ou patrimônio, foi deixando de estar atrelado à produção de serviços ou produtos. Com isso, as pessoas deixaram de ser, invertendo a ordem natural da vida, porque o desejo de ter, preferencialmente sem servir ou produzir, explorando quem for possível, virou o grande negócio. Nesta ótica é que surge o mercado, um ente desconhecido e extremamente poderoso, capaz de reger a vida de todos nós, porque é o mercado que define o que presta e o que não presta, o que pode e o que não pode, o que é ético e o que não é ético. Causando um grande problema, porque o mercado segue apenas a lógica do lucro, do poder e do acúmulo. Desejando que a maioria fique na lógica do consumo, da dívida e do trabalho, objetivando o enriquecimento da minoria dominante e escravizando, pelo medo da exclusão econômica, a maioria solitária e pobre, representada pela massa infeliz, com desejo de mudança, mas sem saber o quê e como mudar, por estar condicionada aos desejos materiais e a ganância, como meio de alívio para esse mal estar. Essa é a lógica da desigualdade e, com ela, a dificuldade da mobilidade social.

Aliado a essa dinâmica da desigualdade econômica, perversa e viciosa, temos as questões humanas divididas diante das demandas dos instintos, representada por nosso lado titânico e materialista, e as arquetípicas, representada por nosso lado dionisíaco e anímico. Esta tensão é geradora de angústia e, se não houver uma integração criativa e harmoniosa entre o material e o espiritual, acaba acontecendo a enfraquecimento dos princípios éticos, a corrosão do caráter e a predisposição à corrupção. Esta dualidade intrínseca em cada um de nós, simultaneamente nos faz tentados e tentadores, com medo generalizado em busca da segurança material, porque a segurança espiritual, que é a fé, há muito foi perdida, com a contribuição desta ciência materialista, reducionista e causal. Sem fé e com medo, resta-nos a ilusão do poder e, com ela, perdemos também a capacidade de amar, porque onde um está o outro não pode estar.

Neste contexto é que a ganancia e a corrupção ganham espaço. O escrúpulo perde para o poder econômico, e a fé para a concretude patrimonial. Esse conflito está presente no âmago da nossa sociedade depressiva, fazendo-nos desejosos do gozo advindo dos prazeres imediatos, destroçando o amor e a ética. A verdadeira ética depende da consciência limpa, da boa noite de sono, da alegria e motivação para servir e da disposição para o exercício da alteridade, onde podemos nos ver por meio dos outros. Para isso, é preciso a capacidade de enfrentamento consciente dos episódios de mal-estar, insônia, angústia improdutiva, ansiedade, medos, culpas, ressentimentos ou depressão por meio do autoconhecimento, até compreendermos o que estamos fazendo ou deixando de fazer que esteja gerando esse mal-estar, conscientizados de que importa muito menos o que queremos da vida, do que o que a vida quer de nós! Essa é a grande pergunta! Será que estou servindo ao propósito da minha vida, disseminando a igualdade de possibilidades, a paz e o amor? Para depois que criarmos condições mínimas de igualdade podermos fomentar a liberdade, com ética e autoestima, para não corrermos o risco de voltarmos para a dinâmica do poder pelo poder.

Sabemos que este atual sistema econômico está comprometido, por conta da falta de sustentabilidade. Infelizmente, nosso consumo consome o planeta que está exaurido e muito populoso. Precisamos encontrar outra forma de vida, para diminuir a explosão demográfica, a desigualdade social e o individualismo egoísta, competitivo e cumulativo. Também acredito que a meritocracia é o melhor meio para contemplar quem se dedica, de forma íntegra e harmoniosa. Mas, neste momento, com tanta desigualdade, os pobres coitados que nascem sem condições mínimas de sobrevivência não tem chance de entrar no jogo do neoliberalismo. Por isso, necessitamos de um Estado que intervenha, de forma ética, consciente e não populista, na coibição dos abusos da usura, dos excessos de ganhos das minorias ricas e dominantes, impedindo, fiscalizando, punindo a ganancia, e a corrupção, que é sua parceira, fomentando a inclusão, erradicando as desigualdades, com objetivo de tirar, o mais rápido possível as pessoas da sua dependência, “desmamando-as” dos programas de qualquer tipo de ajuda social. Porque o melhor programa social é aquele em que as pessoas dependam dele o menor tempo possível!

Por isso, precisamos de muito investimento na educação para aprendermos a consumir sem consumir o planeta e continuar a gerar as desigualdades. A ideia não é tirar as conquistas que as pessoas conseguiram, com dignidade, escrúpulo e ética. O objetivo é o de dar condições para que todos possam ter conquistas com ética, mérito, trabalho e, na medida do possível, tirar daqueles que enriqueceram com corrupção, sem trabalho ou na criminalidade.

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O salário ideal para ser feliz

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O salário ideal para ser feliz

Fernanda Zandonadi

Fonte: www.gazetaonline.globo.com – clique e conheça

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“Não ter dinheiro também pode gerar infelicidade, afinal, a pessoa não tem como sustentar as necessidades essenciais da vida, como moradia, saúde, alimento. Riqueza não garante felicidade, mas na miséria não é possível ser feliz. Chegamos então ao meio termo, de ganhar um valor que sustente as necessidades da vida. Nesse caso, o dinheiro gera segurança, conforto e agilidade, no sentido de poder se deslocar de um ponto para outro rapidamente, por exemplo. Esses elementos são importantes para nos sentirmos menos estressados e mais tranquilos. Agora, é importante frisar que esses são elementos que favorecem a felicidade, mas não geram felicidade. Do ponto de vista psicológico, a felicidade tem mais a ver com as relações com outras pessoas. Boas relações geram felicidade, saúde gera felicidade, reconhecimento pelas pessoas que compartilham seu trabalho gera felicidade. As coisas que geram felicidade são imateriais. Há casos em que a falta de dinheiro atrapalha a felicidade: falta de dinheiro para fazer um curso com que você sonha, por exemplo. Mas se há pessoas que lhe ajudam, você encontra forças para ir atrás de seu sonho. Por isso, ganhar muito não gera felicidade, pois, com um salário médio por mês, você tem acesso a bons serviços. Em condições normais, essa renda permite uma vida confortável em todo mundo. Tudo a mais que o dinheiro pode trazer, comprar uma Ferrari ou um iate, esse a mais vai trazer alegrias momentâneas, mas não a felicidade. No fim das contas, para ser feliz, é preciso ver que a vida tem sentido. A felicidade é gerada com uma vida com realização pessoal, a qualidade de vida emocional.”

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“Arrume um bom emprego, com um salário melhor, e você fica OK”, já cantava Roger Waters, em idos anos, no grupo de rock britânico Pink Floyd. Pesquisas revelam, no entanto, que não é bem assim que a banda toca.

Segundo o instituto norte-americano Marist Institute for Public Opinion, aqueles que ganham uma média de 50 mil dólares, ou cerca de R$ 95 mil por ano (R$ 7,9 mil por mês), são mais felizes e satisfeitos do que aqueles que ganham menos ou mais do que isso.

As razões para estar mais longe da felicidade quando se ganha pouco são óbvias: é mais difícil manter uma vida confortável com dinheiro miúdo no bolso.

No outro extremo, o daqueles que têm salários de dar inveja, também há motivos para a felicidade de menos. Uma delas é o custo desse dinheiro. Afinal, deixar a conta gordinha no fim do mês pode significar tempo a menos com a família, mais estresse no trabalho, relações sociais abaladas.

Mas isso não significa, na opinião do sociólogo Alberto Carlos Almeida, que não existam ricos ou pobres felizes. “O estudo levou em conta uma média entre a população pesquisada e mostra que, a partir de um determinado ponto, ganhar mais dinheiro não significa mais felicidade. Não é que exista um teto fixo, mas uma diminuição do impacto marginal da variação do dinheiro sobre a felicidade”.

A relação entre dinheiro e felicidade já rendeu outras pesquisas. Em 2010, um estudo da Universidade de Princeton apontou que, até a faixa de 75.000 dólares por ano – convertido para reais por mês daria quase R$ 12 mil – mostra que elevar a renda até esse patamar contribui para o aumento da felicidade. Depois de chegar a esse teto, no entanto, o ganho extra deixa de fazer diferença na satisfação de vida do entrevistado.

Podemos afirmar, com base nas duas pesquisas, que a faixa salarial da felicidade no Brasil fica entre R$ 8 mil e R$ 12 mil mensais.

Efeito cunhado

O estudo aponta que um fator que pode influenciar o grau de felicidade é a comparação. Quem ganha, por exemplo, R$ 10 mil e vive em um ambiente em que todos ganham quantia similar, sente-se satisfeito com a renda e a vida. Mas ganhar os mesmos R$ 10 mil e morar em um bairro de gente muito, muito rica pode não ser uma boa ideia.

Isso é o chamado “efeito cunhado”, brinca Almeida. “Você quer estar melhor do que seu cunhado. Isso é inerente ao ser humano, fazer comparações e estar em um patamar melhor do que o vizinho ou o colega”.

Tristeza não tem fim…

A medida monetária da felicidade se aplica a poucos no país. Se levarmos em conta ganhos mensais de dez salários mínimos – patamar abaixo do ideal medido pela pesquisa – apenas 4% da população brasileira está em uma zona financeira de conforto. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam ainda que a tristeza prevalece no país na hora de verificar o contracheque: 32,7% da população recebe até um salário mínimo, diz o Censo 2010.

As pesquisas mostraram que dinheiro e felicidade podem andar de mãos dadas, mas difícil é mensurar o quanto um elemento depende do outro. Os brasileiros, por exemplo, lideram o Índice de Felicidade Futura (IFF), que é uma pesquisa realizada pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Essa é a quarta vez consecutiva que o povo brasileiro fica à frente do ranking, feito a partir de dados do Gallup World Poll em 158 países.

No outro extremo, o Brasil é um dos países com maior desigualdade de renda entre as nações membros do G20, perdendo apenas para a África do Sul, segundo levantamento publicado pela Oxfam – confederação internacional formada por 15 organizações que trabalham em conjunto com 98 países, para encontrar soluções duradouras para a pobreza e para a injustiça.

O poder de compra do consumidor brasileiro

Os estudos norte-americanos apontaram que o salário ideal fica entre 50 mil e 75 mil dólares anuais. O discutível, nas pesquisas, é o poder de compra que esse dinheiro tem nos Estados Unidos e por aqui.

No Brasil, por exemplo, a alimentação é, em média, mais barata do que nos Estados Unidos. Esse item, no entanto, pesa mais nas finanças dos mais pobres. Isso significa que quem ganha R$ 1 mil vai gastar um percentual maior do salário pela comida do que quem ganha R$ 15 mil, afinal o óleo e o arroz têm o mesmo preço para todos os consumidores.

E para você, qual é o salário ideal?

O salário ideal para ser feliz é uma ideia que gera polêmica. Em uma cafeteria, encontramos Regiane Gonçalves Martins, de 38 anos, Rafaela Saar, 22, e Daiane Nascimento, de 23 anos.

As três são vendedoras e ganham entre R$ 2 mil e R$ 3 mil por mês. Veja o que elas pensam sobre a remuneração certa para uma vida tranquila.

Daiane. “Acho correto falar em torno dos R$ 8 mil como salário ideal. Quem ganha mais vive em função do trabalho e quanto mais ganhamos, mais gastamos. Muitos ricos vivem em função do dinheiro. Eu seria feliz com esse salário”.

Regiane. “Eu acho que independentemente de um salário alto, dá para ser feliz”.

Daiane. “Mas dinheiro abre muitas portas e gera oportunidades”.

Rafaela. “É verdade. Se não tiver dinheiro, não tem como viver com tranquilidade”.

Regiane. “Mas eu acho
que dinheiro dá prazer, mas não lhe faz feliz”.

Rafaela. “Não concordo com isso”.

Regiane. “Depende de cada um. Há eventualidades, claro, como problemas de saúde, e nessas horas precisamos de dinheiro”.

Rafaela. “Pois é. Mas ter dinheiro para pagar isso também é uma forma de felicidade”.

Perguntamos qual seria o salário ideal para cada
uma delas:

Rafaela. “Uns R$ 15 mil. Eu faria tudo que gosto, como viajar, estudar”.

Daiane. “Eu acho que R$ 12 mil. Eu poderia ajudar a família, comprar um carro, comer bem, viajar, dar uma boa educação para o filho”.

Regiane. “Uns R$ 10 mil”.

Repórter. “Mas você disse que seria feliz com um salário bem mais baixo”.

Regiane. “Seria sim, mas isso não quer dizer que não gosto de dinheiro. Eu sou feliz com R$ 2 mil, mas com R$ 10 mil seria bem melhor!”

Análise:

O sentido da vida

Após dados levantados em vários países, há um consenso de que, até por volta de 5 mil dólares mensais, o dinheiro faz diferença em relação à satisfação com a vida. A partir desse valor, o ganho a mais já não faz diferença. Há estudos com ganhadores de loterias, com novos ricos e com pessoas que nasceram ricas e permaneceram nessa classe econômica que mostram que, a partir de um ponto, o dinheiro já não é um diferencial, ou seja, você não é mais feliz por ter mais renda. Por outro lado, não ter dinheiro também pode gerar infelicidade, afinal, a pessoa não tem como sustentar as necessidades essenciais da vida, como moradia, saúde, alimento. Ou seja, riqueza não garante felicidade, mas na miséria não é possível ser feliz. Chegamos então ao meio termo, de ganhar um valor que sustente as necessidades da vida. Nesse caso, o dinheiro gera segurança, conforto e agilidade, no sentido de poder se deslocar de um ponto para outro rapidamente, por exemplo. Esses elementos são importantes para nos sentirmos menos estressados e mais tranquilos. Agora, é importante frisar que esses são elementos que favorecem a felicidade, mas não geram felicidade. Do ponto de vista psicológico, a felicidade tem mais a ver com as relações com outras pessoas. Boas relações geram felicidade, saúde gera felicidade, reconhecimento pelas pessoas que compartilham seu trabalho gera felicidade. As coisas que geram felicidade são imateriais. Há casos em que a falta de dinheiro atrapalha a felicidade: falta de dinheiro para fazer um curso com que você sonha, por exemplo. Mas se há pessoas que lhe ajudam, você encontra forças para ir atrás de seu sonho. Por isso, ganhar muito não gera felicidade, pois, com um salário médio por mês, você tem acesso a bons serviços. Em condições normais, essa renda permite uma vida confortável em todo mundo. Tudo a mais que o dinheiro pode trazer, comprar uma Ferrari ou um iate, esse a mais vai trazer alegrias momentâneas, mas não a felicidade. No fim das contas, para ser feliz, é preciso ver que a vida tem sentido. A felicidade é gerada com uma vida com realização pessoal, a qualidade de vida emocional. E isso, o dinheiro não dá. Mas, claro, na miséria é impossível ser feliz.

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Bebês sofrem com o estresse? Sim, o que não é bom

Fonte: Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV) – clique e conheça

bebê

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“Há situações que desgastam o bebê: desentendimentos dos pais, primeiro dia de aula na escola nova, atividade demais no dia, dentre outras situações que exigem da criança muito mais do que ela dá conta, e ela pode angustiar-se. Porém, vale lembrar que um pouco de desafio faz parte, já que ele prepara o corpo da criança para enfrentar problemas maiores. O que não pode acontecer é esse sistema de alerta, causado pelo estresse, permanecer acionado por muito tempo, prejudicando o desenvolvimento da pessoa.”

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Muitos pais acham que criança não se sente desgastada diante de situações muito difíceis. Grande engano. Você, que trabalha com a Primeira Infância, tem de mostrar-lhes que existem tipos de estresse infantil que podem interferir no bom desenvolvimento infantil. Ao mesmo tempo, também pode contar-lhes que nem toda situação desafiadora é considerada negativa e que o estresse que ela gera é benéfico ao indivíduo.

A matéria, de Stephanie Kim Abe, foi publicada no site Educar para Crescer e replicada no site Nota Máxima. O artigo traz muitas informações sobre o tema. Ressaltamos algumas delas para que você possa embasar sua conversa com pais e cuidadores sobre o estresse infantil.

Para começar, o que é desgaste para uma criança pode não ser para um adulto. Exemplo: cair da cadeira é uma situação bem mais difícil ao bebê do que para um adulto. Este, por exemplo, pode ficar estressado no trânsito, enquanto que o bebê segue dormindo, sem se dar conta do “inferno” que está fora do carro.

É por isso que temos de olhar de um jeito diferenciado às emoções da criança pequena. Enfrentar um cachorro pequeno e inofensivo para ela desencadeia o mesmo sistema de reação do corpo que o de um adulto, frente a frente com um leão.

Há exemplos clássicos – e recorrentes em muitas famílias – de situações que desgastam o bebê: desentendimentos dos pais, primeiro dia de aula na escola nova, atividade demais no dia, dentre outras situações que exigem da criança muito mais do que ela dá conta, sem angustiar-se.

Porém, vale lembrar que um pouco de desafio faz parte, já que ele prepara o corpo da criança para enfrentar problemas maiores. O que não pode acontecer é esse sistema de alerta, causado pelo estresse, permanecer acionado por muito tempo, prejudicando o desenvolvimento socioemocional da pessoa.

O que ajuda a criança a vencer o desgaste causado por uma situação adversa? Apoio, carinho e “colo” dos pais, o que é diferente da superproteção, uma postura que não contribui ao bem-estar da criança.

Extraímos da matéria três questões-chave para sua reflexão e para você transformá-las em argumentos sobre o perigo do estresse negativo. Veja:

Como identificar que a criança sofre com o estresse?
Há várias mudanças no comportamento que podem demonstrar que ela está sendo afetada pelo estresse: voltar a fazer xixi na cama, ficar birrenta, tornar-se agressiva, chorar por nada, ser mais briguenta, ficar mais tímida ou amedrontada, ter pesadelos, mostrar nervosismo. Há também a manifestação de dores físicas, como no estômago, tontura e distúrbios alimentares.
No caso de recém-nascidos, pode gerar estresse situações como deixar o bebê chorar sem consolo, não amamentá-lo quando está com fome, não oferecer conforto quando está angustiado, limitar contato corporal com ele (durante mamadas ou à noite), não dar atenção, estimulação, conversação e brincadeiras.

Quais os níveis de estresse?
Nem todo estresse pode ser considerado prejudicial à saúde e há níveis toleráveis até que se torne tóxico. O nível de estresse está mais relacionado com a maneira como a situação é enfrentada. Lembrando que a forma como a situação afeta a criança depende não só dela, mas também de como as suas relações de suporte, como os pais, ajudam-na a enfrentar tal questão.
O estresse positivo estimula e motiva a criança a enfrentar a situação. Já o estresse negativo é aquele que intimida e ameaça a criança, e a faz reagir de um modo inadequado ao problema.

Qual a importância de lidar com o estresse na Primeira Infância?
É nessa fase que o cérebro está em pleno crescimento e desenvolvimento. O bebê nasce com cerca de um quinto do tamanho do cérebro do adulto. Ao final do primeiro ano, está com cerca de 60% do cérebro desenvolvido, e ao final do terceiro com cerca de 90%. Ou seja, além de uma impressionante velocidade de desenvolvimento na Primeira Infância, o cérebro do bebê tem muito mais conexões neuronais do que o cérebro dos adultos. Experiências traumáticas têm mais probabilidade de gerar mudanças irreversíveis no cérebro se acontecerem nessa etapa da vida.

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Estados primordiais da Terra – A Lemúria

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Conferência aos trabalhadores volume II – 1ª conferência

Os estados primordiais da Terra – A Lemúria

Rudolf Steiner – Tradução Gerard Bannwart

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“Quando seres humanos se reúnem,
certamente não se deve considerar a vida do homem como
vida físico-humana isoladamente, porém deve-se também
considerar a própria Terra…”

Rudolf Steiner

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Estados primordiais da Terra – A Lemúria

Rudolf Steiner – Dornach, 20 de setembro de 1922

  • Lama terrosa e ar ígneo.
  • Pássaros-dragões, Ictiosáurios e Plesiosáurios.
  • Pássaros-dragões como alimento dos Ictiosáurios e dos Plesiosáurios.
  • Aves, animais vegetarianos e Megatérios.
  • A terra: um gigantesco animal morto.

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Os 12 sentidos – A percepção e nossa experiência no mundo

Os 12 sentidos – A percepção e nossa experiência no mundo

Fonte: www.corpoconsciente.wordpress.com – clique e conheça

12 sentidos

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A nossa experiência no mundo depende fundamentalmente da nossa percepção. A percepção é um processo cognitivo, uma forma de conhecer o mundo. Embora todos os processos cognitivos estejam interconectados, a percepção é o ponto em que cognição e realidade encontram-se e, talvez, a atividade cognitiva mais básica da qual surgem todas as outras. Precisamos levar informações para a mente antes que possamos fazer alguma coisa com elas. A percepção é um processo complexo que depende tanto do meio ambiente como da pessoa que o percebe, e a essência desse processo é a experiência sensorial, a vivência da realidade por meio do Mundo dos Sentidos.

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Referência – Os Doze Sentidos e os sete processos vitais- Rudolf  Steiner

Rudolf Steiner o fundador da Antroposofia deu as 1ªs conferências sobre os sentidos em 1909 em Berlim*, e  pela primeira vez, e em oposição à habitual divisão dos sentidos em cinco, ele considera a existência de outros sentidos, no entanto só em 1916  define os doze sentidos, considerando o seu estudo a base da recém fundada Antroposofia (Antropos-Homem/Sophia-sabedoria).

Vamos tentar resumir o tema que é extenso, rico e naturalmente necessita ser
vivenciado para ser melhor compreendido.

Dito isto podemos dividir os doze sentidos em 3 ESTRATOS:

1- Um estrato inferior Janelas para ter percepção do interior do corpo

O Sentido do Tato – o sentido do tato dá-nos a noção de nós próprios, contráriamente ao que possamos pensar o tato não nos informa sobre o mundo mas apenas sobre os nossos limites até onde sou EU.  Segundo R.Steiner o sentido do TATO permite-nos a sensação da presença Divina.

O Sentido da Vida – dá-nos a sensação de estarmos no corpo, fazemos parte dele, recebemos informação sobre o estado do corpo – bem estar, mal estar através do sistema nervoso simpático e parassimpático recebemos a sensação do estado atual do nosso corpo.
Com o sentido do tato sentimos as fronteiras do nosso corpo físico, o sentido da vida informa-nos sobre o estado dos processos metabólicos que formam nosso corpo vivo, algo que está em constante vir a ser.

No Sentido do Movimento – temos a sensação do nosso movimento, normalmente só temos “consciência” de um movimento após o termos efetuado, na verdade o movimento baseia-se no nosso músculo que necessita contrair certas zonas e descontrair outras para que o movimento nasça , é a noção do estado da nossa musculatura que nos é transmitido pelo sentido do movimento. Como imagem; a imagem da orquestra e do que se passa entre os vários naipes e o solista. * Para Rudolf Steiner o sentido do movimento transmite-nos a sensação de liberdade –o pássaro em nós.

O Sentido de Equilíbrio – é o sentido que tem um orgão especial que são os canais semicirculares no nosso ouvido interno , permite que ao movermo-nos de um lado para o outro não deixemos para trás o que vive no corpo. Quando me desloco carrego comigo o meu corpo – a sensação de paz interna é-me conferida pelo sentido de equilíbrio.

2- Os  Sentidos  Médios (exteriores)  > Janelas para ter percepção da natureza

O Olfato – o cheiro é-nos veiculado pelo elemento ar, eu cheiro porque o ar carrega substâncias que atuam sobre o nariz, existem mais de 4000 odores. p.ex: O olfato transporta-nos para memórias de infância. O que nós pensamos o animal cheira. O cão diferencia o mundo à sua volta através do cheiro

O Gosto ou Paladar – o gosto revela-nos as características das substâncias na medida em que elas estão dissolvidas na água. Existem 4 tipos de sabores que no fundo encontramos em todas as substâncias vivas – o salgado, o amargo, o ácido e o doce, estes 4 sabores estão presentes no mundo vegetal e também no mundo dos orgãos; o amargo do fel, o doce do sangue, o ácido no estômago.

A Visão – trata-se de um sentido complexo, mas no fundo o que a visão nos permite é a percepção das cores, mas nos olhos acabamos encontrando elementos de todos os sentidos inferiores, o tato, a vida, o equilíbrio, o movimento. A visão eleva de certo modo os 4 sentidos inferiores e ao fazê-lo permite ao Eu entrar em contacto com a luz do mundo.

O Sentido Térmico – o calor é uma substância em si, através do calor mantemos em equilíbrio o nosso mundo interno e assim permitimos à nossa organização do Eu viver. O sentido calórico não nos diz nada sobre a temperatura exterior mas sim sobre o equilíbrio entre o calor interno e externo.

3- Os Sentidos Superiores  >Janelas para ter percepções do outro ser humano

Nos Sentidos Superiores entramos numa área especificamente humana onde todos nós  somos uma irmandade.
Como humano queremos salientar o estado evolutivo da humanidade que se destaca dos demais reinos da natureza, apesar de ser pertencente a todos eles, o mundo físico, o mundo vegetal e o mundo animal.

O sentido da Audição – pela audição percebemos que cada elemento da natureza possui o seu próprio Tom, revelando a sua íntima natureza. Um metal soa diferente de um pedaço de madeira, assim como a voz humana se diferencia do som emitido por um pássaro.
Entramos em contacto com a íntima essência de cada ser.

O sentido da palavra – pela Palavra percebemos a concreta essência conceitual do pensamento humano.

O sentido do pensar – pelo sentido do pensar percebemos o pensar do outro e o nosso próprio pensar, o que nos permite sentir o Homem como um ser dotado da qualidade de formar conceitos a respeito do que no exterior vive e vivenciar os conceitos da sua própria existência.

O sentido do Eu - o sentido do Eu, nos possibilita sentir-nos unos com outro ser, passando a senti-lo como a nós mesmos. A possibilidade de nos percebermos como seres Humanos, verdadeiros, reais e espirituais, capazes de criar e de co-criar sem perder o conceito de sermos criaturas.

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Coração de Pedra ou Cabeça de Vento, quem é você?

Coração de Pedra ou Cabeça de Vento, quem é você?

Milene Mizuta

Fonte: Líder de si – clique e conheça

romeu e julieta

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“Quando aquilo que eu penso conecta-se ao que sinto, mágicas acontecem, eu sou capaz de dizer não quando necessário sem medo de não ser aceito, digo sim com amor sem me sentir lesado, abro mão e me sacrifico entendendo que aquilo é necessário, aceito e respeito minhas escolhas e as escolhas do outro, largo o controle, entro no fluxo, falo o que sinto, acolho o que o outro sente, aprendo a amar meu irmão, confio com o coração na minha lógica, que nasce a partir das minhas vivências, não explico, compreendo. Que eu, como Homem Moderno, aqueça meus pensamentos e disso faça surgir a moral humana, aquela que regula e equilibra as boas ações no mundo. Pensar com o coração, me faz começar algo com certeza e terminar algo com dignidade, integra intelecto e índole, o pensar com o coração criou a música uma escala lógica e cadenciada de notas que quando tocadas de forma harmônica volta para o coração e enche nosso peito.”

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Vou contar uma estória feita de gente de verdade que existe no mundo real.

Como pode ser uma estória? Porque não chamamos de história? Simplesmente porque histórias requerem fatos reais que se interligam de forma lógica e cronológica, e nossa vida não se faz assim, a nossa vida se faz de fatos que estão fora da lógica, do entendimento, da realidade sensorial, por detrás de cada fato existe um mundo de conto de fadas que ignoramos e transformamos nossa vida em um amontado de fotografias sem tridimensionalidade, não colocamos cor nem movimento, e na estória, pode tudo e nesse texto eu quero poder tudo…

Era uma vez Romeu, menino que tinha um olhar profundo, nasceu em uma casa de forma retangular, com grandes escadas que se conectavam a muitos quartos de cor branca, com uma mobília muito bem organizada. As pessoas da casa de Romeu se encontravam somente nos corredores e juntas se destinavam a algum lugar onde algo deveria ser feito, tudo era muito organizado na vida de Romeu. Na cidade de onde ele veio era sempre inverno, flocos de neve caiam todos os dias e a paisagem era sempre alva, cortada por árvores sem folhas com troncos negros que ramificavam em mil vertentes e afinavam em suas pontas até quase desaparecerem. As grandes janelas da casa de Romeu iam do chão até o teto e a limpeza era tão impecável que era possível ver tudo ao redor. Tudo funcionava em perfeita ordem ao redor de Romeu.

A brincadeira predileta de Romeu era sair pela porta e se afundar até o pescoço na fria neve, olhar para o céu e contar todos os flocos de neve que caiam em direção ao seu nariz. Romeu era feliz, sempre existia neve, sempre haviam flocos a serem contados.

Era uma vez Julieta, menina cega. E por ser cega seus pais almofadaram toda a casa para que ela não se machucasse, na casa de Julieta tudo era redondo, nada tinha pontas, não haviam escadas somente uma grande sala com tapetes e almofadas. As pessoas da casa de Julieta, tinham muito medo que ela se machucasse, por isso abriram grandes janelas que não tinham vidros, e ela ficava sentada no meio dessa sala e sentia em seu rosto o ambiente externo que invadia tudo. Julieta nasceu em um lugar onde sempre era sol, com vento morno e árvores que davam frutas em abundância, enchendo a casa de fragrância. Chovia muito todos os dias e em seguida abria-se um lindo sol, que queimava até a mais negra pele. Julieta não sabia como era o mundo, por isso sua brincadeira predileta era girar em torno daquela sala almofadada e se jogar em algum canto sentindo o macio de algo que a aconchegava.

Romeu e Julieta cresceram…

E de tanto se afundar na neve alva, Romeu criou um cabeça de gelo. E de tanto girar no calor Julieta criou um coração de vento.

Romeu ordenava coisas, com sua cabeça de gelo, e as congelava com seu olhar profundo, guardando-as em uma caixa, nessa caixa tudo tinha um nome, um lugar e um significado, dentro dela deveriam se manter para sempre.

Julieta bagunçava coisas, com seu coração de vento, girava tão forte que fazia grandes furacões em sua casa afastando todos de perto. Julieta não encontrava mais suas coisas e não podia mais pentear seu próprio cabelo que se tornou um grande emaranhado no topo de sua cabeça e deixou de mostrar seu lindo rosto que tinha bochechas de cor carmim…

Julieta e Romeu continuam a viver em seus reinos, mas no meio disso tudo surgiu um ser mágico capaz de fazer com o que os dois se encontrassem, aquecendo o pensamento frio de Romeu e ordenando a profunda confusão de Julieta. O nome desse personagem é: Ser Humano.

Em nossa cabeça vive o Romeu, que vê a vida de forma alva, conta flocos de neve, e que vive em um lugar ordenado e claro, envolto a um líquido transparente nosso cérebro é nossa janela para o mundo. Esfria coisas, ordena fatos, organiza e explica o que se passa ao nosso redor. Nosso Romeu, questiona, diferencia, nosso Romeu, pensa.

Em nosso sistema rítmico em nosso coração vive Julieta, que roda infinitas vezes em seu próprio eixo, nos confunde, não enxerga, é redonda, aquecida, confortável, colorida. Julieta roda para qualquer lugar e não se sabe para onde vai. Nossa Julieta, sente.

E todos os dias vivemos um conto Shakespeariano dentro de nós, entre encontros e desencontros de Romeu e Julieta ao final do dia temos o sentimento que algo que deveria surgir do mais idealizado amor, morreu.

Romeu nos faz congelar nossas emoções tornando-as conceitos lógicos, tentando concatenar uma sequência lógica de fatos que façam sentido. Romeu joga neve branca no que é colorido, e nos afunda em uma neve fria e alva, fazendo o sentimento gelar. E como consequência disso eu me torno frio e pontudo, machuco, julgo, separo, segrego, explico e entendo.

Julieta nos faz temer nossos atos, pede excessiva segurança e faz o nosso pensamento se tornar algo tão confuso, mas tão confuso que nos sentimos dentro de um tornado, somos jogados por todos os lados, perdendo nossas certezas e não observando a vida como ela realmente é. E como consequência disso, eu me desespero, peço aceitação constante, meus olhos cegam, meus sentimentos explodem e me queimam como brasa, jogando fogo para todos que estão ao meu redor.

Mas existem momentos em que Romeu e Julieta realmente se encontram, quando isso acontece, Romeu entrega para Julieta uma luneta mágica do qual ela vê estrelas e consegue conta-las, e Julieta entrega para Romeu uma pele de lã de carneiro que colocada ao redor do seu ombro aquece seu coração e desmancha as finas camadas de gelo. E como consequência disso chega aos meus olhos a verdade, o mundo como ele é, tridimensional, com todos os lados de uma mesma coisa e ainda com o colorido que só o coração pode dar.

Quando aquilo que eu penso conecta – se ao que sinto, mágicas acontecem, eu sou capaz de dizer não quando necessário sem medo de não ser aceito, digo sim com amor sem me sentir lesado, abro mão e me sacrifico entendendo que aquilo é necessário, aceito e respeito minhas escolhas e as escolhas do outro, largo o controle, entro no fluxo, falo o que sinto, acolho o que o outro sente, aprendo a amar meu irmão, confio com o coração na minha lógica, que nasce a partir das minhas vivências, não explico, compreendo.

E toda e qualquer tipo de ação que nasce desse encontro de amor, faz germinar na terra ações que crescem fortes como as árvores de Romeu com flores e cores do mundo de Julieta.

Dentro do meu conto de fadas, o final sempre é feliz, porque a felicidade está em compreender aquilo que se vive e confiar no porvir.

Dentro da nossa alma existe um palco, onde Romeu e Julieta se encontram todos os dias, abrem-se as cortinas e o espetáculo se faz do amanhecer ao anoitecer, esses dois personagens, pedem incessantemente que eu como Homem Moderno, aqueça meus pensamentos e disso faça surgir a moral humana, aquela que regula e equilibra as boas ações no mundo. Pensar com o coração, me faz começar algo com certeza e terminar algo com dignidade, integra intelecto e índole, o pensar com o coração criou a música uma escala lógica e cadenciada de notas que quando tocadas de forma harmônica volta para o coração e enche nosso peito.

Essa é a vivência do aprendizado, quando eu faço aquilo que está em conexão com o que penso e sinto, minha ação torna-se assertiva no mundo e quando volta para meu peito, toca profundamente minha alma, colore meu dia e em minha cabeça fica gravada a mais linda memória que jamais vou esquecer. E diante de meus olhos surge uma linda porta de vidro vinda da casa de Romeu, pronta para ser aberta, que vai chegar em um caminho florido e cheio de cores vindo do mundo de Julieta.

As vezes a porta vai ser demasiada pesada, então temos que lembrar que além dela existem árvores frondosas com cheiro de frutas, as vezes o vento vai ser demasiado revolvo, então temos que lembrar que existe uma porta de vidro segura onde sempre poderemos nos abrigar.

Em nós vive o mundo. E nada do que venha ao nosso encontro seremos incapazes de suportar, a não ser a dor de passar por uma vida com Julieta e Romeu perdidos dentro de nossos medos. Confia Romeu, Compreende Julieta e dessa ordem vai nascer a força do sol no mundo, o amor.

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Quer entender mais sobre isso tudo? No Líder de Si a gente ensina para vocês!

Aberturas de novas turmas: Curitiba – Joinville – Vinhedo

3 líderes

Informações: (48) 3207-9102 ou inspirecursos@gmail.com

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Vamos desligar o celular e ligar nossos filhos?

Cris Leão

Fonte: Página Social do Facebook Brinquedos Waldorf – clique e conheça

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“A vida não pode ser ter filhos e lidar com a infância deles como se fosse um peso, um obstáculo e começar uma contagem regressiva para ver se passa logo. A vida precisa ser mais do que isso. E vai ser quando todo mundo entender que precisa prestar mais atenção no que importa. A fofoca, a foto no Instagram, a moda, as coisas que você compra com seu salário, as festinhas, tudo isso passa. Também passa a infância das crianças. E quando passar, você não vai conseguir se lembrar do que estava fazendo durante aqueles anos. Porque simplesmente não estava fazendo nada que importa.”

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Fazer uma obrigação civil pequena, como jogar o lixo no lixo e perceber que os outros não fazem, já te deixa chateado. Agora imagina o que é virar sua vida de cabeça para baixo, mudar de amigos, mudar de profissão, parar de ter profissão, se reinventar umas 4 vezes só para poder fazer a obrigação de criar filhos direito e perceber que a maioria não tá nem ai.

Cenas como bebê tomando Coca-Cola na mamadeira, criança que nem anda indo para a escola passar 8/12 horas diárias, criança de 2 anos (ou menos) escolhendo em restaurante o que vai comer, criança de colo no cinema às 9 horas da noite para assistir O Homem de Ferro e tantas outras cenas que tenho presenciado nos últimos anos estão me deixando revoltada.

No começo era por pena das crianças, que com tanta modernidade e tecnologia, adivinha? Continuam precisando de adultos para criá-las, protegê-las e orientá-las. (e sim, abrir mão de ir ao cinema para ficar com elas) Mas como sou da política “cada um no seu quadrado” vou tocando o barco, com meus muitos erros também. Acontece que hoje eu me dei conta que do mesmo jeito que o lixo jogado na rua pelo sem noção atrapalha a minha vida e a de todo mundo que faz direito, essas crianças criadas com excesso de tecnologia, excesso de competição, excesso de compromissos e zero limites e educação em casa também podem atrapalhar a estrutura da sociedade como um todo.

Foi pensando em tudo isso e planejando uma fuga para a lua que, para a minha surpresa, eu conheci duas mães maravilhosas que me fizeram ter de volta esperança na humanidade. E por isso é minha obrigação dividir.

Uma engenheira civil que construía hospitais e uma enfermeira com PHD, duas mulheres apaixonadas pela profissão mas que com muito amor e verdade decidiram largar o trabalho e se dedicar aos filhos. Até que o terceiro filho complete 5 anos. Significando privação de sono, de dinheiro e de tempo para elas mesmas. Sim, porque ninguém em sã consciência pode achar que é mais fácil ficar em casa e criar os filhos. Fique uma semana inteira (sem babá e empregada) e você vai ver. Mas elas não escolherem o fácil, escolheram o verdadeiro. Escolheram o que importa.

A vida não é uma corrida. Não é sobre quem tem o melhor carro, a melhor casa, ou vai aos melhores lugares. A vida não pode ser trabalhar e ligar a televisão depois de um dia exaustivo até esperar o final de semana quando se vai gastar um pouco (ou muito) dinheiro porque “merece”. A vida não pode ser ter filhos e lidar com a infância deles como se fosse um peso, um obstáculo e começar uma contagem regressiva para ver se passa logo. A vida precisa ser mais do que isso. E vai ser quando todo mundo entender que precisa prestar mais atenção no que importa. A fofoca, a foto no Instagram, a moda, as coisas que você compra com seu salário, as festinhas, tudo isso passa. Também passa a infância das crianças. E quando passar, você não vai conseguir se lembrar do que estava fazendo durante aqueles anos. Porque simplesmente não estava fazendo nada que importa.

Eu fiquei com o meu primeiro filho até ele completar 3 anos. Depois voltei a trabalhar em agência de publicidade porque precisávamos da grana. Em um ano pedi demissão e fui dar aula na faculdade só 2 manhãs por semana até minha filha mais nova completar 3 anos. Então recebi a proposta de ser coordenadora da agência da faculdade e meus olhos brilharam, meu coração pulou e eu aceitei. Trabalhava 4/5 horas por dia, mas precisei fazer pós a noite e com as distâncias de São Paulo, algumas vezes passava 7 horas por dia no carro entre uma obrigação e outra. E nessa época, (um ano) fiquei pouco tempo com meus filhos. Até que um dia eu vi na televisão duas mulheres super bem sucedidas se abrirem e com lágrimas nos olhos falarem que sentem muito por não ter passado tempo com os filhos durante a infância deles. A consequência chegou para elas e eu senti que ainda dava tempo de correr atrás do prejuízo. Pedi demissão (pela terceira vez) e fiquei com eles. Cheia de medo e insegurança, claro.

Decidimos mudar para Miami e ter menos dinheiro e ser mais família. Do começo do processo de mudança até o começo das aulas aqui, eu fiquei com as crianças por 6 meses. Sem escola, sem babá, sem empregada e na maior parte do tempo, só eu e os dois. Não foi fácil, claro. Uma vez uma psicóloga me disse que para eu resolver minha crise de identidade que surgiu com o nascimento do meu filho sem planejar, eu precisava me entregar por inteiro nisso. Agora eu entendo o que ela disse. O amor constrói, o amor une, o amor liberta. Ou como diz esse lindo trecho do poema do Drummond “Não é pois todo amor algo divino e mais aguda seta que o destino?”

A vida é dura e às vezes muito feia. Ter uma criança e poder vivenciar sua infância é um presente. E se você se importa com questões sociais e ambientais, cuide bem do seu filho pelo bem do planeta, pela paz. Mas se você só pensa em dinheiro, essa mesma psicóloga (que tem doutorado em Paris e sabe das coisas) disse que não existe plano de previdência melhor para os pais, do que estar presente na infância dos seus filhos.

Talvez você só precisa desligar a televisão, desligar o celular, parar de olhar o computador, se desconectar com o mundo lá fora e se conectar com seu filho, bem lá dentro.

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“O importante não é o que se dá, mas o amor com que se dá.”

Madre Teresa de Calcuta

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O limite entre minha corporalidade e o mundo ao meu redor

O limite entre minha corporalidade e o mundo ao meu redor

Rudolf  Steiner

Fonte: www.corpoconsciente.wordpress.com – clique e conheça

abraço

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“A experiência de  sermos  tocados, com qualidade  e presença,  nos devolve à morada da nossa alma  (o corpo físico). Restaura o sentido de pertinência  e  a relação do  nosso mundo interno com o externo torna-se um campo a ser  “tateado” com mais propriedade e segurança. Qualquer  relacionamento bem sucedido, depende da constante manutenção do Sentido do Tato.”

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O Sentido do Tato, traz a notícia do Limite entre minha corporalidade e o mundo ao meu redor.       “O  Sentido do Tato transmite o limite de si mesmo em relação ao outro. É uma vivência inconsciente; profunda de si mesmo”.

O Sentido do Tato é um dos meios para ter auto-estima –auto segurança. Eu preciso me sentir. Abraçado , o bebê se acalma, se sente.

De outro lado, me vivenciando, percebo que o mundo ao redor me segura, me dá segurança.  Percebo que o mundo não é só um buraco,um vácuo. O Tato me assegura confiança por permitir uma noção de limite. Mesmo que inconsciente , a confiança visceral em Deus nos é dada pela vivência do Tato- do apoio.

Processo Inconsciente , que gera a Vivência de Deus no mais visceral, profundo, que se vive como Ser Humano. O lugar mais profundo de cada um.

Confiança e Medo são os dois grandes pilares do Sentido do Tato. Medo é uma vivência inconsciente de que Deus não nos segura.

Todas as funções orgânicas são tranquilas quando a pessoa se sente segura. Sempre que a confiança abalar, vai sentir medo. Abala o sistema nervoso.

“Qualquer  relacionamento bem sucedido, depende da constante manutenção do Sentido do Tato”.

O CÉREBRO HUMANO TEM UM SISTEMA CRIADO ESPECIALMENTE PARA O TOQUE

A pele é o mais extenso órgão do sentido de nosso corpo e o sistema tátil é o primeiro sistema sensorial  a tornar-se funcional em todas as espécies até o momento pesquisadas .Talvez depois do cérebro , a pele seja o mais importante de todos os nossos sistemas de órgãos.

A pele, como uma roupagem contínua e flexível, envolve-nos por completo. É o mais antigo e sensível de nossos órgãos, nosso primeiro meio de comunicação, nosso mais eficiente protetor. O corpo é todo recoberto pela pele. Até mesmo a córnea transparente de nossos olhos é recoberto pela pele. A pele também se vira pra dentro para revestir orifícios como a boca, as narinas.

Na evolução  dos sentidos, o tato foi, sem dúvida, o primeiro a surgir. O tato é a origem de nossos olhos, ouvido, nariz e boca. Foi o tato que, como o sentido, veio diferenciar-se dos demais, fato este que parece estar constatado no antigo adágio “matriz de todos os sentidos”. Embora possa variar estrutural e funcionalmente com a idade, o tato permanece uma constante, o fundamento sobre o qual assentam-se todos os outros sentidos.

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O trabalho de auto-conhecimento através dos contos de fadas

O trabalho de auto-conhecimento através dos contos de fadas

O conto de fada numa abordagem Junguiana

Marilene Tavares de Almeida

Fonte: www.eca.usp.br – clique e acesse

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“Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”. Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.”

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A cada dia me encantam mais e mais as histórias dos contos de fadas, talvez porque adoro ler entrelinhas e descobrir pontos de vista diversos. Com eles desato nós, desfaço (pré)conceitos. Aprendo que as histórias têm outras feições, outros jeitos, outras formas. Aprendo sob uma ótica diferente a reescrever a minha história ou histórias.

Para Jung os contos de fada têm origem nas camadas profundas do inconsciente, comuns à psique de todos os humanos, “dão expressão a processos inconscientes e sua narração provoca a revitalização desses processos restabelecendo assim a conexão entre consciente e inconsciente”.

Pertencem ao mundo arquetípico. O arquétipo é um conceito psicossomático, unindo corpo e psique, instinto e imagem. Para Jung isso era importante, pois ele não considerava a psicologia e imagens como correlatos ou reflexos de impulsos biológicos. Sua asserção de que as imagens evocam o objetivo dos instintos implica que elas merecem um lugar de igual importância.

Os arquétipos são percebidos em comportamentos externos, especialmente aqueles que se aglomeram em torno de experiências básicas e universais da vida, tais como nascimento, casamento, maternidade, morte e separação. Também se aderem à estrutura da própria psique humana e são observáveis na relação com a vida interior ou psíquica, revelando-se por meio de figuras tais como anima, sombra, persona, e outras mais. Teoricamente, poderia existir qualquer número de arquétipos.

Os mitos seriam como sonhos de uma sociedade inteira: o desejo coletivo de uma sociedade que nasceu do inconsciente coletivo. Os mesmos tipos de personagens parecem ocorrer nos sonhos tanto na escala pessoal quanto na coletiva. Esses personagens são arquétipos humanos. Os arquétipos são impressionantemente constantes através dos tempos nas mais variadas culturas, nos sonhos e nas personalidades dos indivíduos, assim como nos mitos do mundo inteiro.

Histórias representativas do inconsciente coletivo, oriundas de tempos históricos e pré-históricos, retratando o comportamento e a sabedoria naturais da espécie humana.

Os contos de fadas apresentam temas similares descobertos em lugares muitíssimo separados e distantes em diferentes períodos. Lado a lado com as idéias religiosas (dogmas) e o mito, fornecem símbolos com cuja ajuda conteúdos inconscientes podem ser canalizados para a consciência, interpretados e integrados.

São histórias desenvolvidas em torno de temas arquetípicos. Jung tinha como hipótese que sua intenção original não era de entretenimento, mas de que viabilizavam um modo de falar sobre forças obscuras temíveis e inabordáveis em virtude de sua numinosidade, que arrebata e controla o sujeito humano, e seu poder mágico. Os atributos dessas forças eram projetados nos contos de fadas lado a lado com lendas, mitos e, em certos casos, em histórias das vidas de personagens históricas. A percepção disso assim levou Jung a afirmar que o comportamento arquetípico poderia ser estudado de dois modos, ou através do conto de fadas e do mito, ou na análise do indivíduo.

Por isto seus temas reaparecem de maneira tão evidente e pura nos contos de países os mais distantes, em épocas as mais diferentes, com um mínimo de variações. Este é o motivo porque os contos de fada interessam à psicologia analítica.

Os contos de fadas, os mitos, a arte em geral, são formas simbólicas pelas quais a psique se manifesta e que podem contribuir para a formação harmoniosa da criança. Apesar das contingências externas, das conjunturas sócio-político-económicas, há saídas para o ser humano, não somente a partir da coletividade, mas, sobretudo, a partir das metamorfoses de cada um – o caminho a que Jung chamou o “processo de individuação”.

Para Jung, “individuação” significa tornar-se um ser único, dar a melhor expressão possível às nossas características pessoais e intrínsecas.

A criança ouve a história e ela pode levá-la a uma mudança pessoal, não porque a entenda (usando, portanto, o intelecto), mas sim porque as imagens que ela contém vão diretas ao seu inconsciente, vão “trabalhar” os seus conteúdos e resolver algum problema eventual.

Apesar das suas características ditas “universais”, o conto de fadas tem sofrido alterações ao longo do tempo, de acordo com os gostos conscientes ou inconscientes de cada geração. Tal como o mito, também o conto de fadas apresenta seres e acontecimentos extraordinários, mas, em contrapartida e tal como a fábula, tende a desenrolar-se num cenário temporal e geograficamente vago, iniciando-se e terminando quase sempre da mesma forma: “Era uma vez…” e “Viveram felizes para sempre.”

Devido ao poder e à simplicidade das suas imagens, são formas de nos ajudar a despertar e operam a diversos níveis da consciência. A análise do conto propõe-nos um atalho atraente para o interior de nós mesmos, e convida-nos a efetuar um verdadeiro trabalho de auto-conhecimento e de transformação.

Os contos são mais do que ensinamentos, são uma verdadeira iniciação, misteriosa e mágica, quase sagrada. Como todas as obras de arte tradicionais, eles são sóbrios, em meios, mas ricos em símbolos e arquétipos. Os contos são um enigma cuja resolução deve ser procurada no nosso interior e não neles mesmos.

No conto A Bola de Cristal, por exemplo, o príncipe parte em busca de sua princesa que espera ser libertada. Mas quando a encontra, ela parece-lhe abominável. Então ela diz: “O que vês não é o meu verdadeiro rosto. O Grande Mágico tem-me em seu poder. Por causa dele, os homens só podem ver-me sob esta forma horrível. Se quiseres contemplar a minha verdadeira aparência, vê-me no espelho. O espelho não se deixa enganar e mostrar-te-á a minha verdadeira face”. O herói olha para o espelho e vê nele o rosto, cheio de lágrimas, da moça mais bela do mundo.

O conto é um espelho mágico no qual somos convidados a mergulhar, a fim de nos reconhecermos. Não no sentido de nos afogarmos numa auto-contemplação estéril, como Narciso, mas antes no de nos observarmos tal e qual somos, para além das aparências.

Existe em cada um de nós uma princesa encantada que achamos feia e abominável: são os nossos recalques, que vivemos sob a forma de vergonha, inveja, cólera e desencorajamento, entre outros. Se aprendermos a ver esses instintos nesse espelho de verdade que são os contos, poderemos contemplar as verdadeiras belezas que habitam em nós e que choram enquanto aguardam a sua libertação.

Essas princesas só têm um herói: nós mesmos. É a nós que compete libertar o nosso reino interior e a princesa belíssima que nos espera. É a parte mais íntima do nosso ser que encontramos no espelho dos contos e que nos conduz à libertação e ao desabrochar pleno. Existe uma identidade perfeita entre nós e o conto. O conto é a nossa história. É a encenação metafórica de aspectos nossos que ignoramos, recusamos, ou que não sabemos ver tal e qual são. Se conseguirmos penetrar no espelho e reconhecer a nossa imagem, se escutarmos o conto para nele encontrarmos aspectos concretos da nossa existência, bastar-nos-á pôr em prática as suas propostas e viver a nossa vida segundo esse modelo de verdade.

Somos feitos da mesma maneira que os contos são feitos e a função dos contos é lembrar-nos isso mesmo. Se não nos lembramos, é porque estamos sob o feitiço de um Grande Mágico, que nos subjuga, seja através de condicionamentos mentais, seja através das representações falseadas da realidade.

O conto tem por fim acordar a nossa estrutura de verdade profunda, levar-nos a experimentá-la e a pô-la em movimento, a fim de que possamos harmonizá-la com o arquétipo ideal. É ele a chave de acesso a um maior auto-conhecimento.

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