A alimentação como problema de consciência

Gerhard Schmidt

Fonte: A alimentação dinâmica

refeição

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“Aquele que não quer colocar na cabeça que espírito e matéria, alma e corpo, pensamento e percepção, vontade e movimento, foram, são e serão os duplos ingredientes do universo – cada qual reclamando direitos iguais ao outro – e que esses pares devem ser considerados, sem dúvida, como os representantes de Deus, aquele que não pode se elevar até esta ideia deveria ter, há muito tempo, renunciado ao pensar.”

Goethe

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Aquele que quer se dedicar em nossos dias ao estudo da alimentação não pode se esquivar de graves problemas. Com efeito, há menos de um século os seres humanos escolhiam sua alimentação baseando-se num sentido instintivo, relativamente seguro. A alimentação, a digestão, a assimilação, etc. não traziam problemas ao homem de boa saúde. Mas essa situação deteriorou-se intensamente. O sentimento de ser protegido pela natureza, fornecedora de alimentos, a confiança que se tinha nela, deram lugar a uma insegurança cada vez mais marcante, a um mal estar e mesmo à suspeita: o alimento oferecido ou escolhido está apto a responder às nossas demandas e às necessidades de nossa vida? Não é apenas a perda do instinto, nem mesmo a baixa qualidade da nutrição, o que atormenta os homens; é também – e sobretudo – o sentimento bem nítido de que o saber tradicional ou modernamente adquirido somente pode responder imperfeitamente às perguntas feitas. Por isso, torna-se um problema de consciência. O homem procura ampliar e aprofundar o campo de sua compreensão, ou seja, uma maior segurança, uma melhor possibilidade de julgar. No que se refere à alimentação, essa necessidade, em nossos dias, apresenta-se sob formas bem diversas.

A situação atual da dietética realmente é um sintoma dessa evolução. No início do século essa disciplina movia-se ainda dentro de modestos limites; em nossos dias ela quase que os ultrapassou. Os pesquisadores são numerosíssimos e suas publicações proliferam de maneira inacreditável. Um problema que já parecia resolvido não cessa de aumentar e de se complicar. Os detalhes e as especializações triunfam. Praticamente não é mais possível ao observador ter uma visão de conjunto. E, entretanto, sente-se por detrás dessa agitação o mesmo mal estar, a mesma inquietação, a mesma pergunta angustiada: Colocamos suficientemente o homem em nossas especulações? Podemos realmente estudar a natureza? Ou será que ambos não fogem para longe, envoltos em brumas?

Falta-nos uma imagem do homem e uma imagem da natureza

Uma personalidade tal como Karl Marx acreditou ter resolvido no século 19 o enigma da natureza, do homem e de suas mútuas relações, quando escreveu: “A força do trabalho nada mais é do que a matéria natural transformada no organismo humano. O metabolismo age de tal maneira que a natureza seja humanizada e o homem naturalizado”. Com tal concepção certamente poder-se-ia fundar o materialismo teórico, do qual nasceu a experiência socialista com a visão de edificar uma nova ordem econômica e política. Mas assim, a imagem do homem poderia apenas se petrificar, e a da natureza, desaparecer. É necessário confessar que “por trás da medicina científica atual não existe realmente uma imagem da natureza” (H. Schipperges). Não há muita diferença em relação à dietética. Doerr escreveu: “Isso significa que os dados da Ciência são exatos, mas que a imagem do homem, fundada unicamente sobre esses dados, é falsa”. Nem imagem da natureza, nem imagem do homem, tal é a triste conclusão da pesquisa moderna. Mas ela leva à explosão e à progressão para um novo domínio do conhecimento.

A chave que abre a porta para esse novo domínio já fora pressentida por Goethe: “Aquele que não quer colocar na cabeça que espírito e matéria, alma e corpo, pensamento e percepção, vontade e movimento, foram, são e serão os duplos ingredientes do universo – cada qual reclamando direitos iguais ao outro – e que esses pares devem ser considerados, sem dúvida, como os representantes de Deus, aquele que não pode se elevar até esta ideia deveria ter, há muito tempo, renunciado ao pensar”. Em outras palavras, sem a ciência espiritual, a ciência não pode compreender nem a natureza, nem o homem.

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