O PROFESSOR DO MEU FILHO É UM MARGINAL?

 

O PROFESSOR DO MEU FILHO É UM MARGINAL?

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Vc entra no mundo da escola Waldorf e encontra pessoas engajadas no processo de educação de nossas crianças:

Professores preocupados com o desenvolvimento integral de cada uma das crianças, ao invés de apenas passar os conteúdos para a criança decorar.

Professores que conhecem a criança pelo olhar, conhecem suas famílias e suas diferenças individuais e buscam descobrir suas capacidades e potenciais respeitando cada etapa de seu desenvolvimento.

Professores que cultivam valores como amizade, cooperação, perseverança, respeito, serviço, confiança e apreciação.

Professores que estimulam a fantasia e a imaginação, essenciais para o desenvolvimento da criatividade.

Professores que sorriem a cada sorriso de seus alunos, que choram a cada despedida e comememoram cada vitória deles.

Professores que buscam sempre o autodesenvolvimento para que possam atuar verdadeiramente em sua tarefa:

“Formar seres humanos livres que sejam capazes de, por si mesmos, encontrar propósito e direção para suas vidas.” – Rudolf Steiner

Mas nem tudo são flores, os que se propoem a trilhar o caminho de Professor têm muitos desafios.
Além do domínio do currículo, o professor Waldorf precisam estudar profundamente o desenvolvimento infantil, conhecer os processos que acontecem durante cada etapa.
Conhecer a biografia de cada criança e acompanhar os processos de âmbito familiar, para ajudar a criança a passar com firmeza e crescer em cada um deles.
Para esta elevada tarefa é necessário um trabalho intenso de autodesenvolvimento, pois para se ter a Presença de Espírito para atuar da melhor forma em cada situação que se manifeste, é necessário separar-se de problemas pessoais, estar acima de julgamentos, de processos de antipatia e simpatia com familiares, colegas de trabalho ou mesmo as próprias crianças: buscar sempre atuar para o desenvolvimento da consciência humana com a máxima integridade.
Mas somos seres humanos, temos nossas dificuldades…
Muitas vezes erramos. E o professor Waldorf também erra.
Quando isto acontece, muitas vezes não é aceito, principalmente se erra comigo ou com nossos filhos.
Isto é uma carga enorme, pois a tarefa do professor é muito profunda e delicada.
Mas como ajudar o professor Waldorf a cumprir sua missão? Sim, é uma missão, não apenas um emprego.
Se fosse um emprego, o professor se preocuparia apenas em passar os conteúdos e aprovar quem passar na “prova”, para receber seu salário no final do mês.
Hoje, os professores Waldorf não são reconhecidos como professores. Para isso, precisam da Faculdade de Pedagogia.
Apesar de suas qualidades e empenho em suas tarefas, não são ninguém (a não ser que possuam a Faculdade Tradicional de Pedagogia).
Se atuam em sua escola e possuem apenas o “Curso Brasil de Pedagogia Waldorf”, são marginais dando aulas para nossas crianças, pois são foras de Lei.
A Legislação não vê o que está acontecendo na sala de aula, quem é o professor, apenas seu diploma.
Devida a uma percepção mais profunda do desenvolvimento humano, muitos jovens estão ingressando no Curso Brasil de Pedagogia Waldorf, mas devem correr atrás de seus diplomas de Pedagogia Tradicional para terem o mérito de serem considerados professores.
Mas como foi brevemente descrito acima, atuar como professor Waldorf requer uma força imensa, muita dedicação e integridade de atuação.
O salário de um professor Waldorf não é melhor que o de outro professor, às vezes é até inferior.
Como pagar suas contas, aluguel, comida e etc?  Como ter suas necessidades básicas supridas para ter uma tranquilidade para se desenvolver como ser humano e professor?
Muitos professores têm 2 ou 3 empregos para se manter. Não conseguem comprar materiais para desenvolver seus estudos – sim, o professor Waldorf precisa estudar constantemente para desenvolver sua capacidade de lecionar e atuar com seus alunos.
E o pior de tudo, são marginais.
Que força impulsiona estes seres humanos a isto?
Reclamamos muito da Educação e a sociedade é incapaz de perceber este tipo de situação.
Talvez exigir o curso tradicional de Pedagogia, para ingressar no Curso Brasil de Pedagogia Waldorf?
Discordo plenamente. O que é passado vai contra muitos conteúdos e aspectos desenvolvidos na Pedagogia Waldorf, além de obrigar o professor a dedicar-se a uma formação superflua para conseguir ser professor – pois sem o “diploma” não terá esse venerado reconhecimento de professor que, aliás, é um dos principais problemas atuais, ninguém quer ser professor devido as péssimas condições de trabalho, cargas horários muito puxadas, nenhum reconhecimento e salários baixos.
Obrigar o professor Waldorf a fazer a Faculdade Tradicional de Pedagogia, seria como obrigar quem quer se tornar cantor lírico, a cantar funk ou rap durante 4 anos para ingressar no Conservatório ou vice-versa (sem julgamento ou crítica em cima dos estilos musicais, apenas referência de caminho de estudo).
Quem quer se tornar um lutador de luta livre a fazer balé durante 4 anos como pré requisito, ou vice-versa.
E a escola?
Se contrata professores sem diploma, está agindo contra as Secretarias de Educação – estão agindo fora da lei.
Correm o risco de ser fechadas se não cumprirem as exigências.
O que fazer?

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