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Percepções Humanas – Antroposofia e neurociências

Entrevista com o Dr. Mauricio Baldissin

Fonte: JJ Regional por Márcia Mazzei

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“Entender as percepções humanas, saber que a criança deve ter a liberdade de movimento, de brincadeiras livres, um ambiente amplo e lúdico que expõe a criança a ferramentas pedagógicas que estimule a criatividade, tudo isso é o início de um processo que vai desempenhar um papel determinante na prontidão para escrever e ter uma linguagem de gestos e da escrita bem fortalecida, além de um pensar vivo…”

Dr. Mauricio Baldissin

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Para Maurício Baldissin, pesquisar e estudar são tão importantes quanto os nossos 12 sentidos. Sim, 12, de acordo com a visão antroposófica deste médico que fez de Jundiaí sua cidade e da Faculdade de Medicina (FMJ) seu local que dissemina seu conhecimento.

Desde que se graduou médico pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Baldissin não parou mais de aprender. Além de neurocirurgião com mestrado em Neurologia pela Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, este itapirense também carrega o título de antroposófico.

Seu trabalho mais recente culminou com o livro “Percepções Humanas – Antroposofia e neurociências”, que defende a ideia de que os sentidos ou percepções humanas são importantes sinalizadores para as escolhas e decisões que constroem nossa história de vida.

JJ – O que podemos entender por percepções humanas?

MB – A percepção humana compreende os conhecimentos sobre os sentidos humanos, porque conhecemos apenas os cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato). O que poucos sabem é que temos outras 12 percepções, do ponto de vista da antroposofia.

JJ – O senhor poderia exemplificar algumas destas 12 percepções desconhecidas?

MB – Consideramos as percepções corporais (tato, sistema vegetativo, movimento próprio e equilíbrio), as percepções dos sentimentos (olfato, paladar, termo regulação e visão) e as percepções dos processos do pensamento (audição, palavra – escrita e falada – pensamento e o reconhecimento do outro, ou Teoria do Reconhecimento.

JJ – Como este livro pode colaborar na percepção destes sentidos?

MB – O livro procura ressaltar que dentro do desenvolvimento existe o estímulo às percepções no momento adequado. Por exemplo, o ato de andar da criança se transforma no processo de falar, ou seja, o domínio do espaço se transforma na linguagem de sinais. Este domínio permite desenvolver o pensamento. Saber isso, para os pais e professores, é importante porque descobrimos que a criança possui esta ferramenta que permite atingir uma harmonia entre o período de andar e processo cognitivo (pensamento).

JJ – O senhor acredita que os pais e educadores dominam este processo?

MB – Muitas vezes criamos rotina para fazer com que o conteúdo pedagógico seja estimulado, mas nos esquecemos das raízes que aconteceram com as crianças. Entender as percepções humanas, saber que a criança deve ter a liberdade de movimento, de brincadeiras livres, um ambiente amplo e lúdico que expõe a criança a ferramentas pedagógicas que estimule a criatividade, tudo isso é o início de um processo que vai desempenhar um papel determinante na prontidão para escrever e ter uma linguagem de gestos e da escrita bem fortalecida, além de um pensar vivo.

Então, o processo da percepção corporal é instrumento pedagógico para quando a criança sair da pré-escola e chegar no ato de ler e escrever, para que tenha criatividade e comunicação elaborados livre e ludicamente.

JJ – Hoje, é comum crianças apresentarem dificuldade no aprendizado. Existe relação entre a falta de estímulo e estes déficits de atenção, hiperatividade, entre outros?

MB – Sempre devemos ajudar com os estímulos. Realmente, a criança constitucionalmente pode ter um transtorno pautado a partir de características como ser mais impositiva, ter excesso de motricidade, de atividades e de movimento e tudo isso pode ser ajudado na educação dos sentidos.

Por exemplo, nada melhor para uma criança com excesso de atividade do que ir para escola caminhando, já que ela vai chegar cansada, mas desenvolvendo aquela atividade que tinha em excesso. O que, muitas vezes, não compreendemos é que precisamos dar o estímulo certo.

JJ – O estímulo varia de criança para criança ou todos devem ser trabalhados igualmente?

MB – Os estímulos se ajustam para todas as crianças. Algumas apresentam características de serem mais participativas e criativas. Outras têm menos zelo e capricho pelas coisas. Isso não significa que são melhores ou piores. Muitos pais acreditam que crianças com excesso de atividades são mais inteligentes. Na realidade isso não é critério para o coeficiente intelectual.

Isso é só um aspecto de como a criança vai ser. O que existe são crianças com mais características do hemisfério direito (capacidade criativa, facilidade de fazer amizade e ajuste comportamental) e outras, com desenvolvimento do hemisfério esquerdo (mais prático, competitivo, analítico). Estas são duas inteligências. Uma não é melhor que a outra, apenas diferentes.

JJ – Estimular as crianças nos dias de hoje é mais difícil do que antigamente?

MB – Antigamente, quando as crianças brincavam nas ruas, a preocupação com a educação era outra. Hoje, as crianças são mais fechadas por conta da violência, dos assédios morais e transtornos da sexualidade infantil. Então, realmente é diferente. Mas o grau de dificuldade depende da nossa capacidade de entender as capacidades humanas.

O importante é respeitar as leis da natureza. Se você observa que uma criança tem que desempenhar o seu sistema motor, depois atingir uma comunicação verbal, escrita e um pensar mais vivo, tudo isso atinge um entendimento das leis naturais de desenvolvimento neurológico evolutivo que devem acompanhar qualquer momento social.

Então, se observarmos, os estímulos, sempre serão os mesmos. O cuidado é quanto ao que pode parecer nocivo para as crianças, como a falta de liberdade e de permissão para brincar. Hoje, existe uma inquietação entre as crianças que se tornou epidemia, mas que pede um diagnóstico mais cauteloso.

JJ – Qual a missão deste livro?

MB – O objetivo da minha pesquisa sempre foi ajudar a lidar com as percepções, pois a missão do livro é salutogénese (da origem à saúde). Ao lidar com exercícios para o desenvolvimento intelectual, ajudar com trabalhos de audição, técnicas de meditação e a autoconsciência conseguiremos nos sentir mais saudáveis.

Na clínica, o diagnóstico é feito ao trabalhar com os sentimentos dentro de um ambiente que nos colore a alma (olfato, audição, sensação do aconchego, calor, paladar). No âmbito corporal, ao ensinar postura aos pacientes trazemos a consciência das partes do corpo.

JJ – O senhor esteve na Espanha. Qual o motivo da visita?

MB – Eu fui convidado pela Associação Científica de Médicos Antroposóficos para apresentar os conteúdos da educação dos sentidos e percepção e ajudar os alunos e pacientes em Madri. Em setembro, devo voltar para um novo encontro.

JJ – O que é importante para o educador e que o senhor busca ressaltar em seu livro?

MB – O início da nossa vida é marcada por impulso e reflexo que se movimentam sem coordenação. Com a educação das percepções, os reflexos vão se colocando a favor de uma regulação da fala e ajuste das nossas atitudes. Isso faz parte da educação. O educador não pode esquecer que não só o conteúdo pedagógico, mas a própria natureza age para que possamos aprender. Para o educador é bom observar a natureza das crianças para errar menos no processo de educar.

JJ – A antroposofia indica que o desenvolvimento perceptivo por si educa a plena consciência do ser humano?

MB – Sim, à medida que amadurece. Observamos no andar um processo motor complexo que leva ao falar. O falar, portanto, é o meio de comunicação que se origina do processo de orientação no espaço, do andar. O pensar é um processo intelectual que se desenvolve por meio do falar.Ou seja, educadores têm um campo imenso para trabalhar a prontidão na alfabetização, rompendo as barreiras das crianças com transtornos de aprendizagem na esfera lexical ou aritmética.

JJ – Como as percepções se desenvolvem ao longo dos anos?

MB – As percepções corporais do zero aos 7 anos e as anímicas (da alma), dos 7 aos 14 anos, se educam para as percepções cognitivas e espirituais (o estabelecimento do pensar lógico na fase dos 14 aos 21 anos). Por exemplo, a educação do tato habilita o desenvolvimento da compreensão do Eu da outra pessoa. O sentido vital adequadamente estimulado leva ao desenvolvimento do pensamento vivo.

A percepção do movimento próprio amadurece a linguagem escrita e falada. O sentido do equilíbrio educa a escuta. O sentido do olfato faz condensar o sentido térmico. O paladar traz o amadurecimento estético para a visão. Esse entendimento sustenta uma visão ampliada para transformar os atuais currículos escolares, contribuindo com a tarefa dos professores com seus alunos, assim como no diagnóstico e tratamento dos nossos pacientes.

JJ – No que devem os educadores se atentar?

MB – Ao abordar esses conteúdos, chamo a atenção para os cuidados com o processo cognitivo da criança como uma função emergente. Devemos oferecer estímulos adequados em diferentes etapas evolutivas (três primeiros setênios). Da mesma forma, na vida adulta, é preciso manter esses estímulos para produzir melhor resposta imunológica e menor manifestações de doenças crônicas. Isso tem sido comprovado nos estudos médicos.

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