Ritmo na infância é saúde pra toda vida

Fabi Corrêa

Fonte: www.antesqueelescrescam.com – clique e conheça

Velhice - Time_by_Yasny_chan

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“O ritmo, diário, semanal, mensal e anual, é essencial para a saúde. A vitalidade, a força que nos mantém saudáveis e com o corpo funcionando, e que se forma nos primeiros sete anos, se forma a partir desse ritmo durante o primeiro setênio. É o tal corpo etérico, ou o corpo vital.”

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Acabou a Copa, as férias estão chegando ao fim e o ano vai, finalmente, começar no Brasil. E qual foi a coisa mais gostosa dessas férias, com viagens ou não? Pra mim foi sair do rotina! Poder passar duas horas sentada à mesa do café da manhã ou ir dormir tarde sem medo de ser feliz – ou do despertador tocar às 5h50 OH, NO! Mas isso só tem graça porque é uma exceção na rotina e no ritmo do dia. No sítio em que passamos uma parte das férias, pudemos nos esbaldar. Dormir pouco – ou muito. Comer tudo duas vezes – ou não comer nada. Almoçar pizza e jantar milho com marshmallow na fogueira. Mas sabemos que ao final do mês vamos voltar para o arroz-feijão com abóbora diário, para a caminha depois do banho quente às sete da noite, para a lição de casa e para a aula de música às segundas-feiras. E isso também chama-se ritmo: uma pausa na rotina do ano para descansar, ver o mundo e recobrar as forças para o próximo semestre.

O ritmo, diário, semanal, mensal e anual, é essencial para a saúde. A vitalidade, a força que nos mantém saudáveis e com o corpo funcionando, e que se forma nos primeiros sete anos, se forma a partir desse ritmo durante o primeiro setênio. É o tal corpo etérico, ou o corpo vital.  Seu desenvolvimento  tem tudo a ver com o ritmo que estabelecemos para as crianças e como o mantemos ao longo da idade adulta. Claro que podemos viver toda uma vida ignorando que noite é para descansar e dia para trabalhar. Ou que de manhã precisamos abastecer nosso corpo para o dia e à noite comer um pouco menos pra dormir bem, mas uma hora a conta chega. Depois de anos deixando de lado tudo isso, é comum que venha uma crise de stress ou uma doença mais grave. Mas também é bom saber que quem teve uma infância com ritmo e até hoje cultiva isso, vai aguentar com mais saúde quando a vida exige algum tipo de sacrifício. Diz-se que as crises de burn out, um estresse extremo, estão ligadas ao desrespeito total e absoluto aos ritmos que tanto precisamos. E vale dizer que ritmo está ligado a rotina, mas não significa fazer natação na segunda e inglês na quarta. Isso é rotina. Ela ajuda a estabelecer os ritmos, mas para criarmos um ritmo precisamos nos ligar ao que acontece na natureza e ao que vem de dentro de nós. O dr. Alexandre, dentista antroposófico, falou da importância do ritmo para a saúde bucal aqui.

Fui buscar no livro Consultório Pediátrico (que infelizmente está esgotado, mas que você pode conseguir com alguma amiga ou em algum sebo), que é referência para os cuidados com as crianças a partir da visão antroposófica, a importância desse cultivo e como é que se faz isso. Pense na respiração. Para que a gente fique vivo, temos que ir de um extremo a outro constantemente e sem nunca parar, assim vivemos no equilíbrio. Quem inspira pouco tem problemas e quem expira pouco também. Pense no sono diário, período que nos recupera do trabalho e do cansaço do dia, que nos refaz e nos devolve a saúde que perdemos ao longo das horas acordados.

– Ritmo tem uma função reguladora e nos ajuda em qualquer processo de adaptação, por isso a gente relaxa quando estabelece horários para que os bebês mamem ou se alimentem (com exceção de quem pratica a livre demanda, o que não é meu caso e também não é a indicação da antroposofia).

– Ritmo substitui força. Tudo o que acontece ritmicamente tem um gasto de energia menor do que o que precisamos fazer fora do tempo habitual

– Ritmo gera hábitos. E todo mundo sabe que, pra conseguir qualquer coisa nessa vida, hábito é essencial. Seja pra fazer atividade física, estudar, comer bem, formar valores.

– Repetir conscientemente alguma coisa fortalece a vontade. E para as crianças de hoje em dia eu acho isso fundamental: é tão pouco esforço para conseguir qualquer coisa (claro que me refiro à classe média e daí pra cima), que falta vontade muitas vezes.

– Nos relacionamos com a natureza por meio do ritmo pois ele existe naturalmente no dia, no ano, nos planetas, nas plantas, no mar.

O Ritmo do recém-nascido e do bebê

Tudo o que nos adultos acontece de uma maneira sincronizada, não se dá do mesmo jeito no recém-nascido, desde processos metabólicos, hormonais, de sono. Por isso precisamos ensinar as crianças repetindo com elas o que mais tarde será seu ritmo. Uma criança que aos poucos vai ganhando hora certa pra sair da cama e voltar pra ela, que tem um horário certo para o banho, que “sabe” que toda tarde vai dar um  passeio no carrinho e que começa a ter horários para as mamadas, ganha harmonia no funcionamento de todo o organismo, seja dos rins, figado, estômago. Pois os órgãos também têm ritmo. Dar uma voltinha pela calçada ou pelo quintal de manhã para tomar sol e se dar conta que o dia começou, olhar a mãe ou o pai preparar o almoço durante a manhã, escutar os irmãozinhos chegarem da escola e saber que às cinco vem o banho, uma musiquinha de ninar e a hora de ir pro bercinho, dão segurança e trazem saúde para os órgãos.

O ritmo da semana, do mês, do ano

Os nomes de cada dia estão ligados aos planetas regentes desses mesmos dias em algumas línguas (inglês e espanhol, por exemplo. Assim, domingo é sunday (ou dia do Sol, em inglês) e sexta-feira é viernes (ou Vênus, em espanhol). Não é a tôa que isso acontece. Cada dia tem seu ritmo e podemos criar o nosso, baseados nessa força da natureza. Por exemplo, durante a semana o horário de dormir é sempre o mesmo. Aqui em casa, sete e meia da noite, mas cada família tem suas necessidades. Domingo pode ser mais livre, com passeios e waffle no café da manhã, justamente porque é um escape da rotina diária. Procuro receber os amiguinhos do Antonio também sempre no mesmo dia. De preferência na quinta, quando o ritmo de trabalho da semana já vai se relaxando e o final de semana está perto. Então meu filho já espera a quinta-feira pulando.

Na escola Waldorf, são cultivados os ritmos do ano com os trabalhos em torno das estações do ano e das festas, como a Páscoa, o dia de São João e o de São Micael, que marcam, cada uma, o começo de uma nova época para as crianças. Sim, são festas cristãs, mas mesmo as crianças que venham de outras crenças ganham muito com o cultivo do ritmo. Ao saber que tudo sempre vai se repetir, eles criam confiança e segurança na vida. Assim é o aniversário da criança, um ritmo que já falamos aqui, e que merece ser comemorado de um jeito muito especial. E, claro, temos as épocas do ano, que não são tão marcadas no Brasil, mas que se diferenciam por nos levar a uma espécie de respiração da alma: no verão ficamos mais para fora, saímos, e no inverno ficamos mais introspectivos, mais reflexivos, descansamos um pouco mais. Cultivar esse ritmo com a criança é ajudá-la a se ligar à natureza e à saúde que essa conexão traz.

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